quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Cadeirante deixa escola por causa de acidente e não consegue voltar às aulas por falta de acessibilidade em Arujá - Vejam o vídeo.

Isac Costa Lima, de 30 anos, sofreu um acidente há 11 anos e ficou paraplégico. Agora ele não consegue voltar à sala de aula porque escolas estaduais de Arujá não têm acessibilidade.

Por Ana Carolina Oliveira e Cassio Andrade, Diário TV 1ª Edição

Resultado de imagem para Cadeirante não encontra escola com acessibilidade para fazer supletivo em Arujá
Cadeirante não encontra escola com acessibilidade para fazer supletivo em Arujá

Onze anos após ter de interromper os estudos depois de uma acidente que o deixou paraplégico, Isac Costa Lima, de 30 anos, encontra outro empecilho para poder voltar às aulas. As duas escolas de Arujá que buscou para se matricular na Educação de Jovens e Adultos (EJA) não são acessíveis.

Clique AQUI para ver o vídeo.

Desempregado, ele vê nos estudos uma oportunidade de dar um futuro melhor para a família. “Depois que terminar, eu quero fazer um curso técnico”, conta Isac, que se empolgou com a ideia de voltar a uma sala de aula depois de ajudar o filho nas lições de casa.

A esposa dele, Ana Paula Soares da Silva, foi até duas escolas e disseram que não havia acessibilidade para recebê-lo. Em uma das unidades, elas chegou a filmar a funcionária dizendo que ela deveria procurar a Diretoria de Ensino (assista acima).

O vídeo foi gravado na escola Esli Garcia Diniz, que fica no Centro. A família retornou à unidade, mas o obstáculo para Isac começa já na entrada, com calçada esburacada e um degrau no primeiro portão.

Existe uma rampa na escola, mas o acesso está fechado com um portão. O caso foi denunciado no Ministério Público de Arujá, mas até para isso ele enfrentou dificuldades, já que a unidade também não tem acessibilidade. Uma rampa que deveria ajudar no acesso das cadeiras é muito íngreme e ainda tem um buraco.

Um funcionário do prédio explicou que existe um projeto para implantar um elevador no prédio, mas que ainda não foi executado porque depende de verba. Uma funcionária do Ministério Público aparece para atender o casal e explica que a reclamação do dia 15 de fevereiro já está com o promotor, mas que não tem prazo para uma resposta.

“O promotor que está com a sua ficha de atendimento está hoje fazendo um júri, não vai ser possível falar com o senhor”, diz a funcionária.

O Brasil é um dos países que assinou a Convenção Internacional Sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, com o objetivo de tornar o país acessível a todas as pessoas e obrigando o estado a garantir o acesso destas pessoas ao sistema de ensino, seja público ou privado.

De acordo com a advogada Hadassa Machado dos Santos, acionar a justiça pode chamar a atenção das autoridades para o problema. Como muitas vezes a falha está no estado, a saída é contar com a empatia das pessoas para mudar esta realidade.

”Ele pode entrar com uma ação judicial cobrando os direitos dele. Quando a pessoa percebe o seu problema, ela consegue perceber algumas coisas. Isso é um meio de se fazer ouvir e o local de voz”, diz.

Após sofrer acidente, morador de Arujá tenta voltar a estudar, mas não encontra escola acessível — Foto: Reprodução/TV Diário
Após sofrer acidente, morador de Arujá tenta voltar a estudar, mas não encontra escola acessível — Foto: Reprodução/TV Diário

“Eu ainda vou dar uma entrevista trabalhando. Vai dar certo com a escola, se Deus quiser, e vou fazer meu curso técnico”, diz Isac.

Em nota, a Secretaria de Planejamento de Arujá disse que está fazendo reparos e adequações necessárias com o objetivo de melhorar e ampliar a acessibilidade no município.

A pasta informou ainda que tem um projeto com pedido de recursos apresentado ao governo federal para ajudar nesse trabalho. Ainda com relação às calçadas, a secretaria explicou que notifica os donos sempre que aparecem problemas.

Em relação às escolas, a Diretoria Regional de Ensino de Jacareí, que responde por Arujá, disse que vai mandar o supervisor para reorientar as equipes escolares e que a administração regional está à disposição do aluno para efetivar a matrícula e sanar dúvidas a respeito.

A reportagem pediu uma posição ao Ministério Público, mas não teve retorno.

Fonte: g1.globo.com

Nenhum comentário: