quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Inclusão no jiu-jítsu: Tanquinho inicia projeto para dar aula às crianças com síndrome de down - Veja o vídeo.

Ex-atleta do UFC encampa iniciativa do faixa-preta Allan Di Lucia, que trouxe a ideia implementada e desenvolvida no Brasil para a cidade de Phoenix, nos Estados Unidos

Por Marcelo Barone — Phoenix, Arizona

    Foto: Arquivo Pessoal
     Inclusão no jiu-jítsu: Tanquinho inicia projeto para dar aula às crianças com síndrome de down

Augusto Tanquinho e Allan Di Lucia iniciaram neste mês, na AT Academy, em Phoenix, nos Estados Unidos, o projeto Unlimited BJJ, em que inserem crianças com síndrome de down no jiu-jítsu. O ex-lutador do UFC encampou a ideia dada pelo faixa-preta - que tem experiência com alunos especiais desde que morava no Brasil - e ambos darão aulas de graça voltadas para este público, reforçando a vocação da arte suave para uma função nobre, bem além dos tatames.

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- O Allan trouxe a ideia, que abracei com ele. O objetivo é utilizar a ferramenta do jiu-jítsu para ajudar as pessoas com síndrome de down. O projeto ainda está engatinhando, estamos correndo atrás de apoio, mas é algo que está me deixando feliz por devolver um bem para a comunidade do jiu-jítsu, porque sabemos que o esporte vai ajudar bastante - declarou ao Combate.com o ex-atleta do Ultimate, que já recebeu o primeiro aluno da classe, Isaac Godoy, de 14 anos.

A iniciativa de Allan nos Estados Unidos é recente. Entretanto, a semente foi plantada - e germinada - no Rio de Janeiro, cerca de cinco anos atrás. O faixa-preta da Soul Fighters levou a ideia de ensinar o jiu-jítsu para a APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) - e não poderia ter dado mais certo, afinal, ali nasceu o Jiu-Jítsu Sem Limites.

- Em 2013, quando eu era faixa-roxa, ganhei o estadual e meu professor pediu para fazer uma luta de apresentação com um menino que tinha paralisia cerebral e estava assistindo ao campeonato. Foi improvisado, mas a comoção foi absurda, a galera ficou impressionada com o menino lutando. Em 2014, passei perto da APAE, entrei, procurei a coordenadora e falei que queria ensinar jiu-jítsu. Mostrei aos pais o que a gente ia ensinar, que não iríamos cobrar nada. A coordenadora levou seis alunos, outros começaram a ver as aulas e foram se interessando. No fim do ano, o jiu-jítsu passou a fazer parte da grade curricular, eram 120 alunos por semana. Foi assim que tudo começou - declarou o professor, radicado no estado do Arizona há dois anos.

Allan Di Lucia conta que os pais das crianças ficaram ressabiados no começo - mais por desconhecimento em relação ao jiu-jítsu. A transformação dos filhos, contudo, foi aumentando a propaganda interna, criando o interesse nas suas aulas especiais.

- Os pais não sabiam o que era jiu-jítsu, associavam ao MMA, que passava na televisão aberta, então tinham medo de pancada. A história mais marcante foi a de uma mãe, que falou: "Você pode tentar o que quiser com o meu filho, porque ele é muito agressivo com os familiares". No início ele ficava meio bravo na aula, queria ser o "do contra". Um ano depois, o coloquei para fazer uma superluta na competição e ela ficou maravilhada: "Nunca vi isso acontecer, ele abraçando as pessoas". Ele virou ícone do projeto Jiu-Jítsu Sem Limites.

Augusto Tanquinho, que no Brasil trabalhou com autistas, garante que o jiu-jítsu melhora tanto a parte física quanto a mente dos inscritos.

- A gente sempre usa o jiu-jítsu como meio de enturmar o aluno, de desenvolver a parte motora. A aula muda um pouco, mas ele aprende a cair, a rolar, o osotogari, depois a baiana, a passar a guarda, a montar e a imobilizar. Eles aprendem de forma mais lúdica. É uma alegria ver o aluno se desenvolvendo, melhorando o comportamento, o lado motor e físico. É gratificante. O jiu-jítsu melhora a vida das pessoas especiais também.

Embora o Unlimited BJJ esteja ainda no começo, Tanquinho, que busca patrocinadores para que as aulas continuem sendo gratuitas, projeta até três turmas ao fim de 2019.

- A gente só pode ter 10 alunos por turma. Então, se a gente conseguir ter duas ou, quem sabe, até três turmas cheias até o fim do ano, seria muito bom. Isso daria entre 20 a 30 alunos - completou.

Clima descontraído após treino na AT Academy — Foto: Arquivo Pessoal
Clima descontraído após treino na AT Academy — Foto: Arquivo Pessoal

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