domingo, 16 de junho de 2019

Menina com doença rara cria brinquedo que torna terapias intravenosas menos traumáticas para crianças

Ella Casano, de 12 anos, desenvolveu um ursinho de pelúcia que esconde bolsas de sangue, soro e medicamentos

O Globo

O ursinho Medi Teddy, invenção de Ella Casano, esconde os medicamentos Foto: Reprodução / Medi Teddy
O ursinho Medi Teddy, invenção de Ella Casano, esconde os medicamentos Foto: Reprodução / Medi Teddy

RIO — Ella Casano tinha 7 anos quando se viu, pela primeira vez, cercada por tubos, fios e medicamentos intravenosos. O cenário, já apavorante para qualquer adulto, não a intimidou por muito tempo. A garota teve uma ideia após ver diversas crianças em situação parecida durante suas visitas ao hospital: desenvolveu o Medi Teddy , um amigável ursinho de pelúcia que torna a experiência hospitalar um pouco mais agradável para os pequenos, escondendo bolsas de sangue, soro e medicamento injetáveis.

— Quando eu fiz minha primeira infusão, fiquei surpresa e ligeiramente intimidada pela quantidade de tubos e equipamentos no suporte do soro — diz Ella, que hoje tem 12 anos, no site do Medi Teddy. — Conforme fui vendo mais crianças passando pela mesma coisa, fiquei mais interessada em deixar essa experiência um pouco mais agradável para os pacientes mais jovens que passam por terapias intravenosas.

O ursinho Medi Teddy, invenção de Ella Casano, esconde os medicamentos Foto: Reprodução / Medi Teddy
O ursinho Medi Teddy, invenção de Ella Casano, esconde os medicamentos Foto: Reprodução / Medi Teddy

Ella foi diagnosticada com uma doença autoimune rara chamada púrpura trombocitopênica idiopática , condição em que anticorpos atacam as plaquetas, acentuando o risco de sangramentos intensos. Os pacientes geralmente melhoram após poucos meses, mas alguns raros casos, como o de Ella, são crônicos.

O número de plaquetas em pessoas saudáveis geralmente fica entre 150 mil e 450 mil por microlitro de sangue — em pacientes com púrpura trombocitopênica idiopática, a taxa geralmente fica abaixo de 20 mil. Sem tratamento, as plaquetas da menina costumam ficar abaixo de 10 mil.

Mais susceptível a sangramentos, Ella não pode praticar esportes ou participar de atividades físicas quanto suas taxas estão baixas. A cada oito semanas, ela precisa passar um dia internada para receber uma medicação injetável que aumenta o número de plaquetas em seu sangue. Após cada sessão, ela precisa tomar esteroides por uma semana e tem crises de enxaqueca causadas pelo remédio.

Em entrevista à CNN, Meg Casano , mãe de Ella, disse que o primeiro ursinho foi feito à mão pela menina, que distribuiu os primeiros protótipos no hospital, em busca de opiniões da equipe médica sobre como melhorá-los.

Segundo o canal de televisão americano, a família de Ella decidiu patentear, produzir e distribuir os ursinhos, feitos de um material que permite à equipe de enfermagem checar o status dos medicamentos administrados. A menina estudou planos de negócios na escola e elaborou um planejamento próprio para o Medi Teddy, que está em vias de se tornar uma organização sem fins lucrativos.

O ursinho Medi Teddy, invenção de Ella Casano, esconde os medicamentos Foto: Reprodução / Medi Teddy
O ursinho Medi Teddy, invenção de Ella Casano, esconde os medicamentos Foto: Reprodução / Medi Teddy

Ella e seus pais lançaram uma campanha de financiamento coletivo para arrecadar US$ 5 mil destinados a produzir as primeiras 500 unidades do produto. Na manhã de sábado, mais de US$ 17 mil já haviam sido arrecadados. O plano é distribuir os ursinhos gratuitamente para as crianças doentes.

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