segunda-feira, 15 de julho de 2019

Professor não foi o único a sofrer com falta de acessibilidade em agências do INSS

                           
Funcionária pública Nádia Cíntia Barrionuevo precisou descer as escadas sentada. Foto: Reprodução

Extra

Não foi apenas o professor de Química Jorge Crim Valente que sofreu com a falta de acessibilidade em um posto do INSS. Neste domingo (14), o “Fantástico” mostrou uma reportagem na qual outras duas pessoas — uma funcionária pública no Rio e um homem em Brasília — também sofreram com o mal atendimento.

Em abril deste ano, a funcionária pública Nádia Cíntia Barrionuevo precisou descer sentada as escadas do mesmo posto do INSS na Avenida Marechal Floriano, no Centro do Rio. Ela havia quebrado o tornozelo, e depois de uma cirurgia, precisou de perícia médica.

— Humilhação, indignação e eu me sinto desrespeitada como cidadã. Eu nunca quebrei nada, e no momento que eu mais precisei tive que passar por essa situação humilhante — lamentou a mulher.

Na quinta-feira (11), o caso do professor Jorge Crim Valente acendeu o alerta para a falta de acessibilidade na agência do INSS. Ele, que voltava à unidade pela segunda vez, precisou se arrastar pelas escadas porque o elevador estava quebrado. Caso contrário, teria que remarcar novamente sua perícia.

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— Eu só queria me livrar. A verdade é essa. Eu queria não ter que voltar mais naquele local. Eu falei: “então é melhor eu me arrastar aqui, vou me sujar um pouquinho, mas pelo menos estaria livre dessa perícia”. Se não, pra onde que eu iria? Será que o outro lugar funciona, será que o outro lugar tem escada? Como será que os outros INSS são? — questionou o professor, de 60 anos e quarenta de magistério, que tenta se aposentar por invalidez.

Em Brasília, quem passou por descaso seu William, que chegou de ambulância para fazer uma perícia e, apesar dos cuidados médicos, não conseguiu atendimento. Ele havia sofrido um derrame.

— Nós esperamos aqui muito mais de duas horas, na máquina e no oxigênio — afirmou a esposa do Sr. William.

Na Baixada Fluminense o problema é antigo. Em 2014, o Ministério Público Federal ingressou com uma ação civil pública por causa de problemas de acessibilidade na entrada e nos banheiros da agência local. O INSS foi condenado, mas até o momento, nenhuma obra foi feita.

— Eu avalio como descaso. Se a pessoa procura o INSS é porque ela tem uma dificuldade de locomoção, ou temporária ou permanente, então ela deveria ser vista como uma pessoa que mais precisa de um local acessível — diz Vilson Moreira da Silva, presidente do Conselho municipal de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência de Japeri.

Na quinta-feira, o presidente do INSS, Renato Rodrigues Vieira, determinou a correção imediata dos problemas estruturais e de acessibilidade nas agências do INSS.

— O que acontece é uma dupla violação de direitos: pessoas que muitas vezes não deveriam estar brigando tanto pra receber um direito previdenciário ou assistencial acabam passando por violações da sua própria dignidade. Elas mal conseguem entrar na agência ou quando entram, têm muita dificuldade para simplesmente ficar lá, acompanhar o trâmite de um processo ou de um benefício — afirma Júlio Araujo, procurador do Ministério Público Federal.

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