terça-feira, 17 de dezembro de 2019

De 1981 a 2019: cadeirante de 81 anos acompanha o Flamengo pela segunda vez no Mundial de Clubes

Depois de acompanhar o Rubro-Negro no Japão, há 38 anos, e em Lima há quase um mês, Ialva marca presença no Catar e torce para ver in loco o segundo título mundial do clube

Por Izadora Peres — Rio de Janeiro

                                   Ialva, torcedora do Flamengo — Foto: Arquivo Pessoal
                              Ialva, torcedora do Flamengo — Foto: Arquivo Pessoal

O futebol consegue despertar emoções que por vezes atravessam a fronteira entre amor, paixão e fanatismo. Quando misturados, esses sentimentos são capazes de tudo, até de diminuir a distância entre dois continentes. Aos 81 anos, a torcedora do Flamengo Ialva, que é cadeirante, embarcou para Doha para acompanhar o time de coração no Mundial de Clubes. Brasil e Catar nunca estiveram tão próximos.

Torcedora também assistiu à final da Libertadores — Foto: Arquivo Pessoal
Torcedora também assistiu à final da Libertadores — Foto: Arquivo Pessoal

- Na véspera do Dia das Mães perdi meu marido e estava muito triste. No fim de novembro, lendo o jornal “O Globo”, vi um anúncio sobre uma excursão de torcedores do Flamengo para Tóquio. Como meu filho não quis me acompanhar, fui sozinha com a torcida. Cheguei dia 10 de dezembro e no dia 13 fomos ao Estádio Nacional assistir à final. Foi uma experiência emocionante e maravilhosa, nunca irei me esquecer desse dia.

Meses antes, o filho de Ialva sofreu um acidente. A fim de presenteá-lo, ela conseguiu a assinatura dos heróis do título contra o Liverpool.

                             Camisa que Ialva deu ao filho em 1981 — Foto: Arquivo Pessoal
                         Camisa que Ialva deu ao filho em 1981 — Foto: Arquivo Pessoal

- Consegui a assinatura dos jogadores na camisa logo após o término da partida. Meu filho a colocou em um quadro e a guarda com muito carinho. Vivi momentos emocionantes nessa viagem, obrigada Flamengo, precisava dessas emoções.

Neste ano, as limitações da cadeira de rodas não impediram Ialva de acompanhar in loco o título do Libertadores, contra o River Plate, no Peru. Agora, ela parte mais uma vez para a aventura, dessa vez no Catar. E terá o filho ao lado, o que vai diminuir os problemas físicos e de locomoção.

- Conheci muitas pessoas em Lima e algumas delas vinham até mim para tirar fotos. Como sou cadeirante, os policiais do estádio pediram para as pessoas abrirem um espaço na arquibancada para conseguirmos ver a partida. Foi maravilhoso e conseguimos ver muito bem mais uma vitória do Flamengo.

De Lima, a torcedora trouxe um amuleto que será usado novamente no Catar. Trata-se da camisa com que Ialva assistiu à virada rubro-negra para cima do River Plate, com dois gols de Gabigol. O uniforme da sorte está na bagagem que partiu para o Oriente Médio.

                 Camisa da sorte vai para Doha — Foto: Arquivo Pessoal
              Camisa da sorte vai para Doha — Foto: Arquivo Pessoal

- A camisa que assisti ao jogo em Lima será usada novamente. Acrescentei Campeão Brasileiro e Campeão Libertadores de 2019 nela. Na volta, irei colocar campeão Mundial e assim como meu filho fez na outra, irei emoldurar. Vamos trazer mais um caneco - finalizou.

O Flamengo encara o primeiro desafio no Mundial nesta terça-feira, às 14h30 (de Brasília), contra o Al Hilal, da Arábia Saudita, pela semifinal. Se passar, espera pelo vencedor do duelo entre Liverpool e Monterrey, do México. A grande final está marcada para as 11h30 (de Brasília) do próximo sábado.

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