Projeto Pernas de Aluguel leva pessoas com deficiência para participar de provas de rua. É o esporte como ferramenta de inclusão social.

Projeto Pernas de Aluguel realiza o sonho de quem não pode correr sozinho
Na terça-feira (31), a tradicional prova de rua de São Paulo, a São Silvestre, vai receber atletas, anônimos e muitas pessoas fantasiadas de todas as formas. E, no meio de tanta gente, voluntários realizam o sonho de quem não pode correr sozinho.
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A preparação e a concentração para o simples ato de ajudar alguém. Tão fácil quanto correr é se colocar à disposição para ser as pernas de uma outra pessoa.
O Dalton Machado faz parte do projeto Pernas de Aluguel, que, por meio de voluntários, leva pessoas com deficiência para participar de provas de rua. É o esporte como ferramenta de inclusão social.
“Não são todas as pessoas que têm o discernimento de estar incluso. Algumas não têm, infelizmente. Outras felizmente têm esse discernimento e o meu filho tinha o discernimento de tudo, do que era bonito, do que era feio, do que era bom”.
O Vítor morreu há um ano. Foi ele quem fez o pai gostar de esporte. Juntos, eles completaram quatro corridas de São Silvestre. Só que, sem o parceiro de vida e de provas, o Dalton entrou numa depressão profunda.
“Quando eu perdi meu filho, minha vida parecia que tinha acabado. Entrei numa depressão muito profunda. Larguei tudo. Não queria saber de mais nada, nem de viver”.
O vazio deixado pela morte do Vítor foi sendo preenchido aos poucos. Mas, para isso, o Dalton teve que voltar para as corridas de rua. Teve que voltar a ser a perna de aluguel de quem tanto precisa.
Agora, o Dalton corre ao lado do Marco Coppini para ajudar a conduzir o filho dele, o Marquinhos, que era um dos melhores amigos do Vítor.
“Ele já é parte da nossa família. A gente já conhece ele há tanto tempo que consideramos ele um familiar já”, contou Marquinhos.
“As pessoas saírem de casa para doar um pouco da sua perna para levar o meu filho, para poder acompanhar o papai no ritmo dele, eu creio que é empatia, está faltando empatia no mundo”, disse Marco.
Amizade e esporte foram a cura. Os três estão juntos em provas de rua, de montanha e até de obstáculos. E, em todas, eles terminam juntos, o Dalton feliz e o Marquinhos caminhando.
“O importante é que eu consigo manter meu filho em todas as corridas dentro de mim. Corro por ele e é ele quem me conduz”, diz Dalton.
Na terça-feira, lá no meio dos milhares de pessoas que vão participar da São Silvestre, estarão os Pernas de Aluguel, o Marco, o Marquinhos, o Dalton e - por que não? - o Vítor também.
Fonte: g1.globo.com
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