Estudante, de 24 anos, contou que gosta de ir ao cinema, mas que o local não é totalmente acessível.
Por Iara Alves, G1 PB
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'Falta olhar um pouco mais para nós', desabafa cadeirante sobre acessibilidade em Campina Grande — Foto: Tânia Maria Medeiros/Arquivo pessoal
Estudar, trabalhar e se divertir são atividades comuns para o cotidiano de muitas pessoas. Mas para José Thercio de Medeiros Nascimento, de 24 anos, essa dinâmica é sinônimo de dificuldade, principalmente, para garantir o direito de ir e vir. Ele nasceu e mora em Campina Grande, tem tetraplegia e garante que não é fácil ter autonomia para se locomover em uma cadeira de rodas.
Os obstáculos começam quando o jovem precisa de serviços básicos como ir ao médico e se estendem até quando ele procura uma opção de lazer.
“Eu gosto de ir ao cinema. Mas quando vou, tenho que ficar sempre embaixo e isso já me prejudica porque me dá dor no pescoço”, explicou.
O G1 entrou em contato com a empresa que administra o cinema que o estudante frequenta. A organização informou que atende todas as normas das entidades competentes.
Para o estudante, um pouco de empatia da esfera pública e da sociedade já representaria um grande passo para a promoção da acessibilidade.
“Falta olhar um pouco mais para nós”, reforçou.
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Thercio gosta de ir ao cinema, mas também enfrenta dificuldades para assistir filmes — Foto: Tânia Maria/Arquivo pessoal
A mãe de Thercio enfrenta todas as dificuldades com o filho. Tânia Maria de Medeiros Nascimento, de 56 anos, contou que a tetraplegia do jovem é resultado de um problema que aconteceu durante o parto. Desde então, ela acompanha o jovem em todas as atividades e garante que a acessibilidade é algo que está longe de existir. “Dificuldade é só o que tem”, pontuou.
Usar o ônibus é algo que nem é cogitado pela família. Segundo Tânia, a única experiência que tiveram não foi boa. Para ela, as calçadas da cidade não oferecem condições para um cadeirante se locomover e os motoristas de transportes públicos ainda não estão preparados para lidar com pessoas com deficiência.
Segundo o gerente de transporte da Superintendência de Trânsito de Campina Grande (STTP), Henrique Castro, os motoristas não recebem um treinamento específico para atuarem com pessoas com deficiências, apenas para atendimento ao público geral.
Mesmo usando um carro particular, a dona de casa contou que quando eles precisam ir a algum lugar desconhecido, todos ficam preocupados, e é necessário fazer um planejamento e estudar o local para identificar se há onde estacionar e se as calçadas possuem rampas de acesso.
Já o ambiente acadêmico é o que mais oferece conforto para ele. Thercio cursa jornalismo na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), no campus de Campina Grande. No prédio em que ele estuda existem rampas de acesso que melhoram a mobilidade dele.
Os direitos que Thercio cobra estão previstos na Lei N° 13.146, sancionada em 2015, que é conhecida como a Lei Brasileira da Inclusão ou Estatuto da Pessoa com Deficiência. Ela tem o objetivo de assegurar e promover a inclusão social e a cidadania, algo que para o estudante ainda é uma realidade distante de alcançar.
“Falta a consciência das pessoas de criarem soluções acessíveis”, concluiu.
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A universidade em que Thercio estuda tem rampas de acesso que facilitam a mobilidade dele — Foto: Tânia Maria/Arquivo pessoal
'Falta de acessibilidade é a negação ao direito à cidade', diz professor
Para o professor Lívio José da Silva, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), espaços, objetos e produtos devem ser criados para serem utilizados por pessoas com ou sem deficiência e mobilidade reduzida.
"A falta de acessibilidade é a negação ao direito à cidade, que deve começar a ser exercido quando alguém resolve sair de sua casa para o espaço público, que é a calçada. Quando você não consegue deslocar de um ponto a outro, está tendo esse direito negado. A negação ao direito de ir e vir é muito primitivo”, explicou Lívio.
Fonte: g1.globo.com
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