quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Conheça Madeline Stuart, a primeira supermodelo com síndrome de Down

Australiana já desfilou em Nova York, Londres e Paris

GILBERTO JÚNIOR DO O GLOBO


                             Anjeza Dyrmishi
                                 
                            A modelo australiana Madeline Stuart

Aos pouquinhos, a moda vai deixando para trás algumas ideias e conceitos, percebendo que a beleza se revela por vários caminhos. A canadense Winnie Harlow, portadora de vitiligo, virou favorita de Marc Jacobs, que passou a escalar a moça, com campanha para a Diesel no currículo, para seus desfiles.

A americana Ashley Graham, celebrada por suas curvas, entrou para o time de tops de Michael Kors. No outro lado do globo, na Austrália, Madeline Stuart fez história ao ser apontada como a primeira supermodelo com síndrome de Down.

Aos 21 anos, ela destaca que a indústria está mesmo aberta à diversidade e que as pessoas estão enxergando o cenário com olhos diferentes. Afinal, representatividade importa, sim.

— Quero que todos saibam que a beleza vem em muitos tamanhos e formas; devemos nos amar e ser gentis — comenta Madeline, que concedeu esta entrevista por e-mail com a assistência da mãe, Rosanne, sua grande incentivadora e agente. — Acho que mamãe me dá força para enfrentar os desafios. Nunca tive medo das coisas. Não fui educada dessa maneira. Fui criada para acreditar em mim, com coragem para viver a vida ao máximo.

A australiana entrou para a indústria da moda em maio de 2015, após suas fotos viralizarem nas redes sociais. O começo foi “insano”, com convites para trabalhar em vários lugares.

De repente, estava na crista da onda, desfilando em Nova York, Londres e Paris. Ela passa somente três meses por ano em casa, em Brisbane, sua cidade natal. No resto do tempo, é nômade, como qualquer top model.

— Sou apenas uma garota normal, com muitas oportunidades, e que é grata. Dou duro para ficar no topo do jogo e espero ter a chance de manter minha carreira por um longo período — diz a modelo, afirmando que não vê problema nas empresas usarem sua condição para promover produtos. — Isso derruba barreiras. É uma vitória. Sou uma mulher de negócios. Então, não pense em mim como um caso de caridade com o qual só podem trabalhar se possuírem as mais honradas intenções que não sejam as vendas. Isso só anularia o propósito.

Firme e focada, Madeline, que namora há quatro anos, sonha riscar as passarelas das grifes Chanel, Louis Vuitton e Versace. A apresentação anual da Victoria’s Secret também está nos planos:

— Se você é uma angel, é considerada uma das melhores e será tratada como tal. É o sonho de toda modelo.

Além de manequim, Madeline pilota sua própria marca, a 21 Reasons Why by Madeline Stuart. A etiqueta nasceu depois que ela percebeu que seu estilo atraía curiosos, que perguntavam todos os detalhes dos looks.

— Pareceu-me natural ter uma coleção para expressar todo o meu amor pela moda — afirma. — O 21 do nome tem a ver com o cromossomo que representa a síndrome de Down, mas também está ligado ao fato de que esperamos ansiosos os 21 anos. É um momento tão emocionante.

No fim do ano, Madeline lançará um documentário sobre sua trajetória. As câmeras a acompanham desde setembro de 2015, quando fez seu primeiro desfile em Nova York.

Um tapa de luva na desembargadora Marília Castro Neves, do Rio de Janeiro, que questionou o que Débora Seabra, primeira professora com síndrome de Down do Brasil, ensinava aos seus alunos. Ora, temos muito o que aprender com Débora, Madeline e tantas outras pioneiras da diversidade.



Talento e adaptação: o resultado de contratar programadores com autismo

Desenvolvedores de software portadores de autismo têm se revelado profissionais de alto desempenho. As organizações que os recebem precisam se dispor a algumas adaptações, como mostra o caso da SAP

A desenvolvedora Márcia Machado participa de reunião. A integração dela envolveu ajustes no espaço de trabalho (Foto: Marcelo Curia/Época Negócios)
A DESENVOLVEDORA MÁRCIA MACHADO PARTICIPA DE REUNIÃO. A INTEGRAÇÃO DELA ENVOLVEU AJUSTES NO ESPAÇO DE TRABALHO (FOTO: MARCELO CURIA/ÉPOCA NEGÓCIOS)

Entre as bancadas de trabalho de uma equipe na SAP Labs Latin America, na cidade gaúcha de São Leopoldo, uma destoa. Longe do corredor, a mesa decorada com fotos de família e imagens dos personagens da saga Star Wars é a única com divisórias. O isolamento foi levantado a pedido da dona do espaço, a curitibana Márcia Machado, de 41 anos. O vaivém de pessoas, o burburinho, as luzes — a agitação típica dos escritórios lhe é insuportável. Em seu intramuros (e apesar dele), não é raro encontrá-la de óculos escuros e fones de ouvido. “Do contrário, não consigo me concentrar”, diz. Esnobismo? De jeito nenhum. Ela, aliás, é muito querida pelos colegas. A programadora Márcia é portadora de autismo. Considerado por muito tempo incapacitante, o transtorno não a impediu de entrar para o time de profissionais de alta performance da empresa. A SAP Labs é um braço da SAP, multinacional alemã, gigante na área de software empresarial.

A contratação de Márcia aconteceu graças ao projeto Autism at Work (Autismo no Trabalho). Fruto da parceria entre a SAP e a ONG dinamarquesa Specialisterne Foundation, o programa prevê o recrutamento de talentos entre portadores do distúrbio. É o pioneiro nesse tipo de inciativa. “Pessoas com autismo têm habilidades e valores que merecem estar em um currículo: elas são extremamente detalhistas, identificam erros facilmente, usam raciocínio lógico para gerar soluções, comunicam-se com clareza”, elogia a psicóloga Fernanda Lima, diretora de formação da SAP, em São Leopoldo. São habilidades valiosas para muitas companhias. EY, HP e Microsoft adotaram iniciativas semelhantes às da SAP. “Um diagnóstico não pode ter mais peso na vida de alguém do que suas possibilidades”, defende. Não mesmo.

O projeto teve início em 2013, na Índia. Alocados em 22 funções distintas, 120 profissionais com autismo integram hoje o quadro de funcionários da SAP — 12 deles, no Brasil. A meta da empresa é, até 2020, ter 1% das vagas de trabalho preenchidas por portadores do transtorno — o que equivaleria hoje a 880 colaboradores. Apenas 20% das pessoas com autismo, estima-se, ocupam cargos remunerados, em tempo integral — e isso em países de Primeiro Mundo.

Autodidata, nos cinco meses de treinamento na Specialisterne Foundation Márcia percebeu que sua facilidade para aprender e seu poder de organização são habilidades valiosas na área de desenvolvimento de software, que sofre a falta de programadores. Foi uma surpresa. Até a chegada à SAP, ela amargou duas décadas de dificuldades no mercado de trabalho. Enquanto lidava (muito) bem com fórmulas e resultados, via as relações sociais esgarçarem. Por causa do transtorno, Márcia não consegue, por exemplo, entender o que é dito nas entrelinhas. “Meu cérebro busca a lógica”, diz.

Escritorio (Foto: )
Escritorio (Foto:  )

O autismo pode também levar à hipersensibilidade auditiva e/ou visual. O cérebro autista capta os sons de forma caótica. Imagine uma orquestra em que cada um dos músicos toca a seu bel-prazer e, na maior parte do tempo, em alto volume. Uma tortura. Por isso, as divisórias, os fones e os óculos de Márcia. Mas o que são divisórias, fones e óculos frente à competência de um funcionário? Para a SAP, nada. “Márcia trouxe um ganho fantástico para a equipe”, diz Rodrigo Silva, gerente de desenvolvimento do time de Localização e chefe direto de Márcia.

A contratação de profissionais com autismo resulta de um novo tópico no extenso debate sobre diversidade. As companhias mais atentas vêm há anos tentando — com variados graus de seriedade e sucesso — derrubar preconceitos, quebrar a homogeneidade de suas equipes e atrair perfis mais variados de profissionais. Nessa linha, costumam pensar nos problemas mais óbvios, como a discriminação de gênero e raça. Mas há outras formas de abordar o tema da inclusão. Levar em conta a neurodiversidade é uma delas. 

Tudo começou no final dos anos 90. Em um artigo sobre a alta incidência do chamado autismo de alto funcionamento no Vale do Silício, nos Estados Unidos, o jornalista Harvey Blume usou pela primeira vez o termo “neurodiversidade”. Pouco tempo depois, a socióloga australiana Judy Singer recorreu a ele, em um texto, no qual defende: em muitos casos, o autismo não é uma doença a ser tratada, mas “uma nova categoria de diferença humana”. Judy Singer é portadora da síndrome de Asperger, considerada uma condição do espectro autista. Hoje, o conceito de neurodiversidade se estende aos portadores de outros transtornos do chamado desenvolvimento neurológico atípico, como a dislexia e a hiperatividade, entre outros.

Integrar a neurodiversidade de maneira harmoniosa e produtiva não é fácil. Prevê o treinamento de gestores e colegas dos profissionais com autismo. Na SAP, equipes receberam treinamento para entender o autismo e, assim, romper estigmas. Líderes como Rodrigo Silva aprenderam a falar de modo mais claro e objetivo, de modo a evitar mal-­entendidos.

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TUDO BEM GIOVANI RAGAZZON (NO FUNDO, DE AZUL) DESCOBRIU JÁ ADULTO SUA CONDIÇÃO. SENTIU-SE SEGURO PARA CONTAR O FATO NO TRABALHO

A contratação de funcionários com autismo pelas empresas não reflete apenas a valorização das políticas corporativas de inclusão. É consequência direta também dos avanços nos conhecimentos sobre o transtorno, que atinge uma em cada 68 crianças — na proporção de quatro meninos para uma menina. Descrito pela primeira vez em 1943 pelo psiquiatra austro-americano Leo Kanner (1894-1981), o autismo continua a desafiar a medicina. Assim como sua etiologia, segue também desconhecida a razão por que algumas pessoas possuem as formas mais brandas do distúrbio enquanto outras, em sua versão mais grave, nascem enclausuradas em seu próprio mundo, de onde dificilmente saem, condenadas a movimentos repetitivos. Na Idade Média, eram chamados os “idiotas sagrados”, na crença de que o transtorno era obra de forças divinas. No auge das teorias eugenistas, na primeira metade do século 20, foram esterilizados, confinados a manicômios. O exército hediondo de Adolf Hitler (1889-1945) os caçou e condenou à morte. No rol de bobagens ditas e atrocidades cometidas, o autismo já foi atribuído à falta de amor e dedicação maternos das chamadas “mães-geladeira”.

Graças aos avanços nos conhecimentos sobre a fisiologia cerebral, nas últimas décadas, muita coisa mudou. Ainda bem. Atualmente, o autismo pode ser descoberto nos primeiros meses de vida da criança — em um passado não muito distante, costumava ser detectado quando havia comprometimento da fala ou dos movimentos. Uma das primeiras manifestações do transtorno, já se sabe, se dá mediante a incapacidade do bebê em fixar os olhos nos olhos de seus interlocutores. Em maior ou menor grau, os autistas têm tão pouco interesse por rostos humanos quanto pelo ambiente que os cerca. O diagnóstico e tratamento precoces podem proporcionar a muitos pacientes uma vida quase normal. Noventa de cada cem autistas que recebem suporte ingressam no mercado de trabalho. Sem ajuda, apenas 6,2% conseguem.

Esse é o caso de Márcia Machado e seu colega de trabalho Giovani Ragazzon, de 40 anos. Ambos descobriram o transtorno já adultos, quando seus filhos (sim, muita coincidência) receberam o diagnóstico de autismo. “Eu sentia que precisava ajudá-lo [o filho] de alguma forma”, lembra Ragazzon. “E acabei encontrando muitas respostas para mim também.” Diferente de Márcia, ele já trabalhava na SAP Labs e não titubeou em contar a descoberta para a chefia e para os parceiros de equipe. Ragazzon aponta para o teto e pergunta: “Você ouve o barulho da lâmpada?”. Não. Ele, sim. E em alto e bom som. Fones de ouvido. E óculos escuros — como Márcia, ele também é hipersensível à luz. “Aqui [na SAP Labs], não sou penalizado por minhas dificuldades e, sim, valorizado por minhas qualidades.” Em um dos textos mais tocantes sobre o transtorno, o escritor inglês Nick Hornby, autor de Alta Fidelidade, entre outros, disse, no início dos anos 2000, sobre a convivência com o distúrbio do filho Danny, na ocasião, uma criança: a chave para lidar com o transtorno está em “não se apegar ao que não vai acontecer”. No fundo, um preceito que deveria valer para todos nós, portadores ou não do autismo.

Fonte: epocanegocios.globo.com - FOTO: MARCELO CURIA

Criança cadeirante conta com ajuda da avó para estudar em Osasco - Veja o vídeo.

Filho de mãe também cadeirante, estudante deseja para o Dia das Crianças mais acessibilidade para todos os pequenos com alguma deficiência

Gustavo foi diagnosticado com paralisia cerebral no primeiro ano de vida
Gustavo foi diagnosticado com paralisia cerebral no primeiro ano de vida Edu Garcia/ R7 

Plínio Aguiar, do R7

O relógio marca, pontualmente, 12h15. “Está quase na hora”, anuncia a dona Ediria Jerônimo de Souza Silva, de 65 anos. “Pronto, são 12h20. É hora de buscar o Gustavo”, conta ela sobre a tarefa que realiza durante todos os dias da semana. Há sete minutos de sua casa, localizada na Vila Dalva, divisa de São Paulo com Osasco, está o neto. Aos 14 anos, Gustavo possui deficiência física desde o primeiro ano de vida. Estudante do sétimo ano do ensino fundamental da Escola Estadual Samuel Kalbin, ele é uma das 60 mil crianças com algum tipo de deficiência na rede estadual de ensino.


Pernambucana de pulso firme, dona Ediria chama a filha, Ana Paula, de 45 anos, também cadeirante e mãe de Gustavo, para ir buscar o neto na escola. Arrasta o sofá, abre a porta, analisa os espaço e, somente depois, desce com a cadeira. Passadas três casas, logo na esquina do quarteirão, está a escola onde Gustavo estuda. Rodeado por duas amigas, Gustavo espera a mãe e a avó com um sorriso no rosto. “Oi, Gu”, cumprimenta a mãe Ana Paula.

A pernambucana Ediria com o neto Gustavo, em sua casa na zona norte de SP
A pernambucana Ediria com o neto Gustavo, em sua casa na zona norte de SP
Edu Garcia / R7

No caminho de volta a casa, a dupla de cadeirantes enfrenta problemas relacionados a acessibilidade. Rua com desnível e muito lixo acumulado, além de calçada sem acesso para pessoas com deficiência. “Não tem como, temos que ir pela rua mesmo”, conta a avó. No momento de entrar em casa, mais um desafio: chão batido e uma subida difícil para Gustavo e Ana Paula.

A família descobriu que Gustavo tinha paralisia cerebral logo no primeiro ano de idade. “As perninhas dele tremiam, ele não conseguia se sustentar em pé”, relembra dona Ediria. Desde então, a vida do estudante é recheada de muita luta que ele enfrenta com sorriso largo. Em todo o momento em que a reportagem do R7 esteve em sua casa, a risada de Gustavo estava não desapareceu.

Na casa de quase 70m², outras cinco pessoas também dormem – uma delas no chão da sala. “Temos conseguido sobreviver com dois salários de aposentadoria”, diz a mãe Ana Paula. O governo, neste caso, dispõe para cada deficiente a quantia de R$ 950 por invalidez.

No próximo Dia das Crianças, o desejo do estudante é apenas um: uma TV. A avó, na tentativa de juntar dinheiro, faz bicos lavando e passando as roupas dos vizinhos. “Mas tá difícil, viu?”

Rotina na escola

O ambiente escolar de Gustavo, segundo ele, é acolhedor. “Os meus amigos me ajudam. No recreio, levam comida para mim porque eu não consigo”, diz com certa dificuldade na fala, além da timidez. Assim como os outros colegas, os professores também prestam apoio: “eles tem paciência comigo e são super legais.”

Durante os dias letivos, Gustavo também recebe a visita da avó no momento de recreação entre os estudantes. "Ela me leva no banheiro, porque não consigo ir sozinho", diz. "Se eu me sujar com algo, ela também me limpa e troca a minha roupa."

Questionado sobre a matéria que mais gosta, Gustavo responde imediatamente: “matemática”. A mãe interrompe a entrevista e diz que ele se “dá muito bem com os números, mas com o português...” A criança ri e assume que é verdade.

Na próxima sexta-feira (12) é comemorado o Dia das Crianças. O R7, desde hoje, lança um especial de matérias colocando em holofote crianças especiais. O primeiro deles é Gustavo. O desejo dele é simples: “quero mais acessibilidade e mais amor para nós, crianças sensacionais”, finaliza.

Mãe de Gustavo, Ana Paula também foi diagnosticada com paralisia cerebral
Mãe de Gustavo, Ana Paula também foi diagnosticada com paralisia cerebral
Edu Garcia / R7

Inclusão nos esportes e turismo de aventura estará em pauta na Adventure Sports Fair 2018

Inclusão nos esportes e turismo de aventura

por Ricardo Shimosakai

Inclusão nos esportes e turismo de aventura. De acordo com dados do último Censo Demográfico, realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 2010, mais de 45 milhões de pessoas declararam ter algum tipo de deficiência, seja ela visual, auditiva, motora ou intelectual. Representando quase 24% dos brasileiros à época, essa parcela da população motiva cada vez mais o investimento em políticas de acessibilidade para os mais diversos setores, entre eles, os esportes e o turismo, foco da Adventure Sports Fair (ASF), o mais importante evento de aventura na América Latina.

Não por acaso, a feira sempre comprometida em atender a todos os interessados nas atividades modalidades que unem vida ao livre e adrenalina em atividades outdoor, reforçará seu olhar para a inclusão, oferecendo aos visitantes uma série de iniciativas que discutirá, trará novidades e apontará caminhos para a questão.

Entre as ações, no primeiro dia de ASF o jornalista Bruno Favoretto estará à frente da palestra “Pelo Mundo Sobre Rodas”, a partir das 16h15, na sala 1, no dia 19 de outubro. Em sua fala, abordará suas experiências em viagens mundo afora com um olhar para quem tem alguma limitação para se locomover, ainda que momentânea. “Como planejar voos, hospedagens, bons e maus exemplos de destinos para quem está com algum problema de locomoção, incluindo os que querem viajar para praticar esportes de aventura como mergulho, rafting, maratona. Falarei ainda da busca implacável pelos banheiros da vida, algo difícil para um cadeirante”, adianta. Também no dia 19 e no mesmo horário, o advogado Leandro Badi leva à sala 2 “Esportes Radicais na Cadeira de Rodas”, ocasião na qual dividirá experiências valiosas sobre esportes outdoor radicais e adaptados com os presentes.

Já no dia 20, a partir das 11h15, o casal Juliana Tozzi e Guilherme Simões apresenta “Expedição Montanha para Todos + 6.000 metros”, que tem como principal objetivo motivar as pessoas a vencerem seus limites por meio da abordagem de temas como qualidade de vida, superação de desafios e trabalho em equipe. E os dois não poderiam ter mais expertise para compartilhar: após alguns problemas de saúde, Juliana não conseguia mais chegar às montanhas que tanto amava desbravar ao lado do marido, eles então conceberam uma cadeira adaptada e desenhada especialmente para ela. No evento, inclusive, eles iniciarão o projeto de uma viagem de volta ao mundo, expondo o carro adaptado que os levará para mais essa aventura inédita.

No dia 21, último dia de Adventure Sports Fair, Ricardo Shimosakai faz a palestra “Acessibilidade e Inclusão na Aventura”, a partir das 12h30. Diretor da Turismo Adaptado e Bacharel em turismo, o profissional escreve para diversos meios de comunicação e ministra palestras por todo o mundo contando sua história de superação pessoal e empreendedorismo, trabalhando para promover a acessibilidade e inclusão no lazer e turismo para pessoas com deficiência, mobilidade reduzida e necessidades específicas.

Ainda no domingo, Aline Sebrian e Lorena Spoladore comandarão a oficina batizada de “Projeto de Inclusão Social do Grupo Paulista de Montanhismo”. Durante o encontro, a dupla abordará os desafios e motivações que os esportes de aventura trazem para a vida das pessoas com deficiência e apresentará a escalada e os esportes de montanha para esse público.

Além da programação de palestras e oficinas com foco na inclusão, o evento sediará no sábado, dia 20, o 4º desafio Radcross Trial, competição com obstáculos para cadeirantes que ocorrerá em duas pistas simultaneamente. Na sexta-feira, o circuito estará aberto para treinamento, estando livre no domingo para todos cadeirantes que quiserem testar a modalidade. O público geral poderá participar de um jogo de realidade virtual que simula o desafio durante os três dias de ASF.

“Para nós, o turismo e o esporte de aventura exercem um papel muito importante na sociedade. Por meio deles, as pessoas superam limitações, ampliam sua autoconfiança e conhecimento, reforçam sua relação com o meio ambiente e vivem experiências transformadoras. Estamos felizes em trazer uma gama variada de atividades voltadas à inclusão junto à uma programação enriquecedora para os visitantes”, afirma Marcelo Marino, Diretor de Núcleo da Fagga | GL events Exhibitions.

Sobre a Adventure Sports Fair

Em sua 19ª edição, a Adventure Sports Fair é hoje o principal encontro dedicado ao mercado de esportes e turismo de aventura da América Latina. Lançado em 1999, o evento se fortalece a cada nova edição e é amplamente reconhecido como referência no setor de aventura ao reunir as principais marcas de equipamentos, acessórios, veículos, vestimentas e tecnologias, além de atrações interativas, destinos, palestras, oficinas, aventureiros e amantes da vida ao ar livre.

Serviço
Adventure Sports Fair
Data: 19 a 21 de outubro de 2018
Local: São Paulo Expo
Endereço: Rodovia do Imigrantes, km 1.5

Horário de funcionamento: sexta-feira, das 12h00 às 20h00. Sábado e domingo das 10h00 às 20h00.

Transfer: Transfer gratuito do Terminal Rodoviário e Estação de Metrô Jabaquara.
Estacionamento: coberto e pago (R$ 45 carros)

Menino cadeirante anda pela 1ª vez na sala de aula e emociona; veja vídeo

Davi teve paralisia infantil e só deu os primeiros passos aos 6 anos, durante a aula em escola especial

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É a primeira vez que Davi anda fora da fisioterapia e sem ajuda da antiga companheira, a cadeira de rodas (Reprodução/YouTube)

Um caso emocionante foi divulgado nesta sexta-feira, 25, pela TV Morena, do Mato Grosso do Sul. O pequeno Davi, de 6 anos, deu, na sala de aula, seus primeiros passos fora da fisioterapia e foi aplaudido pelos colegas.

Davi Matos de Souza nunca havia andado sozinho, por conta da paralisia infantil. Em um dia de aula aparentemente normal, ele levantou da cadeira e deu seus primeiros passos na última quarta-feira, 23. Ele faz fisioterapia desde bebê na Associação Pestalozzi da capital, Campo Grande.

O momento foi gravado pela professora. No vídeo pode-se ver o apoio dos colegas que gritavam e aplaudiam Davi, enquanto ele caminhava no corredor da sala, apoiando-se nas carteiras até chegar à lousa. Ele sorri tímido e depois ganha um abraço da professora.

O momento foi marcante, segundo a mãe de Davi, Roseley Matos de Souza. Ela lembra que o filho nasceu com a paralisia infantil e, desde então, se locomovia em cadeira de rodas.

"Foi muita emoção. Muito lindo. Não esperava que fosse acontecer dentro da escola, mas ele é muito querido lá, os professores gostam dele e ele também. Ele teve paralisia, mas hora nenhuma os médicos disseram que ele não iria andar. Depois que ele começou a fisioterapia foi desenvolvendo aos poucos", disse a mãe à emissora de TV.

A mãe de Davi lembra que o garoto costumava andar empurrando sua cadeira de rodas e agora já se aventura sozinho. Ela encoraja ainda outras mães. "Acreditar, não desanimar e correr atrás porque, às vezes, (a gente) desanima e acha que não vai acontecer, mas Deus está aí para dar força", ressaltou Roseley.

Confira o vídeo que registrou os primeiros passos de Davi:



Fonte: opovo.com.br

Semana Senac da Inclusão e Diversidade 2018

Foto: Divulgação
Semana SENAC de inclusão e diversidade - figuras humanas ladeadas


Promover momentos de sensibilização e diálogo para influenciar na construção de valores e atitudes favoráveis pautadas na convivência com a diversidade e no respeito às diferenças. Essa é a proposta da Semana Senac da Inclusão e Diversidade 2018.

Iniciativa do Senac São Paulo, o evento conta com uma extensa programação em mais de 30 unidades da instituição na capital e no interior.
Ações na comunidade, exposições, intervenções artísticas, oficinas, palestras e roda de leitura estão entre as atrações do evento que, nesta edição, tem dois temas centrais: a deficiência intelectual e os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Deficiência intelectual

De acordo com o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil possui 45 milhões de pessoas com deficiência (PCDs). Segundo os dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) 2015, divulgada pelo Ministério do Trabalho, 403,2 mil pessoas com deficiência atuam formalmente no mercado de trabalho. Ou seja, menos de 1% delas encontram oportunidades de trabalho formal e desse número, uma quantidade ainda menor é de pessoas com deficiência intelectual.

Sobre o assunto, o evento abordará as potências, desafios e equiparação de oportunidades no mundo do trabalho para pessoas com deficiência intelectual.

A Lei 13.146, conhecida como Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, trouxe importante respaldo para a luta por igualdade e equiparação de oportunidades para as pessoas com deficiência.

Entretanto, a criação de uma lei por si só, não garante que na prática ela aconteça em sua completude. É necessário que existam espaços de diálogo para que a sociedade se conscientize e garanta a aplicação do que nela está previsto.

Nesse sentido, torna-se extremamente importante, a proposição de reflexões sobre as questões da deficiência intelectual, de forma a possibilitar o fortalecimento do diálogo e a ampliação das experiências de interações orientadas pela lógica da diversidade humana.

Declaração Universal dos Direitos Humanos

Adotada pela Assembleia Geral da ONU em 10 de dezembro de 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos completa, em 2018, 70 anos de existência.

A discussão do tema no evento busca ampliar as reflexões sobre os artigos que compõem a Declaração, especialmente nos momentos atuais, em que são notórias as violações de direitos no mundo todo.

Dentre as muitas possibilidades de abordagem desse tema, será também trabalhada a aplicação do jogo Diário de Amanhã.

Informações sobre o evento
Datas e horários
22/10/2018–24/10/2018

Local
Rua Santa Cruz , 1148
CEP 13419-030
Piracicaba, SP

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Transplante de células-tronco é mais eficaz que remédios para tratar esclerose múltipla, diz USP - Veja o vídeo.

Entre pacientes submetidos ao tratamento, 94% não apresentaram mais sintomas da doença, que paralisa movimentos do corpo. Estudo conta com pesquisadores da Suécia, Inglaterra e EUA.

Por EPTV 1

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Pesquisadores de Ribeirão Preto encontram tratamento eficaz para esclerose múltipla

Há dez anos, a dona de casa Marta Cunha começou a perder a força dos braços e sentir dificuldade para andar. Em poucos meses, já sem conseguir se locomover, aos 51 anos de idade, ela recebeu o diagnóstico que mais temia: estava com esclerose múltipla.

Clique g1.globo.com para ver o vídeo.

No início, os medicamentos ajudaram a barrar os efeitos da doença autoimune, que afeta o sistema nervoso central e pouco a pouco paralisa os movimentos do corpo. Mas, depois de algum tempo, os remédios também não faziam mais efeito.

Foi então que Marta decidiu ser voluntária de uma pesquisa desenvolvida pelo Hospital das Clínicas da USP em Ribeirão Preto (SP). Junto de cientistas da Suécia, Inglaterra e Estados Unidos, os médicos brasileiros passaram a tratar a esclerose múltipla com células-tronco.

“Eu tropeçava muito, fui perdendo força, porque perde a mobilidade, até que chegou ao ponto e eu parar de andar”, relembra. “Hoje, tenho uma vida normal. Tenho a sequela que ficou, um pouquinho só, mas levo minha vida normal”, comemora a dona de casa.

Células-tronco congeladas no Hospital das Clínicas da USP em Ribeirão Preto — Foto: Fábio Junior/EPTV
Células-tronco congeladas no Hospital das Clínicas da USP em Ribeirão Preto — Foto: Fábio Junior/EPTV

O tratamento funciona da seguinte forma: células-tronco são extraídas do corpo do paciente e passam por uma espécie de filtragem. Em seguida, o doente é submetido a alta intensidade de quimioterapia, para praticamente “zerar” o sistema imunológico.

Por fim, as células-tronco congeladas são reintroduzidas no organismo e fazem uma espécie de “reconfiguração” do sistema imunológico. Essa técnica já é usada também para o tratamento de diabetes tipo 1 e esclerose sistêmica, no Hospital das Clínicas em Ribeirão.

Assim como Marta, outros 54 pacientes de quatro países foram submetidos ao tratamento e 94% deles não voltaram a sofrer com os sintomas da esclerose múltipla. Entre os tratados com a medicação convencional, 60% apresentam reincidência da doença.

“O objetivo era ver se o transplante era melhor ou pior do que o tratamento convencional. Nós observamos, ao longo do tempo, que o transplante foi melhor em termos de controlar a doença”, explica a pesquisadora Maria Carolina de Oliveira.

A dona de casa Marta Cunha, de 61 anos, realizou transplante de células-tronco para tratar esclerose múltipla — Foto: Fábio Junior/EPTV
A dona de casa Marta Cunha, de 61 anos, realizou transplante de células-tronco para tratar esclerose múltipla — Foto: Fábio Junior/EPTV

Os médicos destacam que esse tipo de transplante deve ser aplicado apenas se doença estiver em estágio inicial, quando o paciente apresenta dificuldade para andar e mexer os ombros, por exemplo. O doente não pode estar em cadeira de rodas ou acamado.

“No grupo transplantado, houve melhora neurológica. Então, esses pacientes tiveram capacidade neurológica melhor: andar, força, todas essas funções. É uma alternativa quando a esclerose múltipla é mais inflamatória e que não responde bem ao tratamento inicial”, diz.

Os voluntários serão acompanhados durante cinco anos. Além disso, Maria Carolina destaca que, por enquanto, o Sistema Único de Saúde (SUS) só oferece tratamento com medicação, porque o transplante de células-tronco está em fase experimental.

“Ainda é considerado pesquisa, então esse tratamento é feito em centros de pesquisa ao redor do mundo. Mas, nós esperamos que logo venha a ser um tratamento padrão”, afirma.

Hospital das Clínicas da USP testa transplante de células-tronco para tratar esclerose múltipla — Foto: Fábio Junior/EPTV
Hospital das Clínicas da USP testa transplante de células-tronco para tratar esclerose múltipla — Foto: Fábio Junior/EPTV

Fonte: g1.globo.com