domingo, 3 de fevereiro de 2019

Menino com Síndrome de Down ajuda os irmãos a comer e a vestir

Simon foi adotado por uma família norte-americana que já tem outras três crianças com necessidades especiais.

Reprodução
Menino com Síndrome de Down ajuda os irmãos a comer e a vestir

POR NOTÍCIAS AO MINUTO

Simon Clark, de apenas quatro anos de idade, nascido na Bulgária, é um menino com Síndrome de Down que se tornou numa grande ajuda para os seus pais adotivos, diz o Metro.

Jeremy e Nicole Clark, os pais, naturais de Salt Lake City, no estado do Utah, já tinham três crianças com necessidades especiais. Alex, de seis anos, também com Síndrome de Down, David, de seis anos, e Jon, de quatro, ambos com paralisia cerebral.

De acordo com os mesmos, a adição de Simon à família foi uma benção. O menino não só ajuda os irmãos a comer e a vestir-se como ainda dá conta de algumas tarefas em casa.

Os pais esclarecem, porém, que embora Simon goste de ajudar em casa, passa a maior parte do tempo a brincar com os irmãos, na sala ou no jardim.

Reprodução
Notícias ao Minuto
Os quatro irmãos juntos. Simon ajuda sempre David e Jon a sair da cama, porque não conseguem sozinhos

O pai, Jeremy, um professor de educação física com experiência a trabalhar com crianças com necessidades especiais, indicou que Simon é a quarta criança natural da Bulgária que adotam. A mãe, Nicole, foi enfermeira durante dez anos e agora é doméstica, para poder cuidar das crianças.

O casal sempre teve o desejo de fazer a família crescer através da adoção, mas nunca imaginaram que iriam optar por crianças com este tipo de desafio.

Acessibilidade e Deficiência. Qual a relação com políticas públicas?

Resultado de imagem para =ACESSIBILIDADE E DEFICIÊNCIA: QUAL A RELAÇÃO COM AS POLÍTICAS PÚBLICAS?
São Paulo- SP, Brasil- Acontece no São Paulo Expo, a Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade. - Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil

por Larissa Milanezi*

Todos são iguais perante a lei. Contra essa afirmação não há questionamentos, porém quando o Estado simplesmente não oferece condições de acessibilidade àqueles que precisam, instaura-se uma situação de vulnerabilidade. Este texto tem como objetivo empoderar o cidadão portador de deficiência para que este saiba quais são os seus direitos, e exigir a atuação do Estado de modo a provê-los. Dentre eles, é possível citar a garantia de uma vida digna e justa, por meio da facilitação e da adoção de medidas empoderadoras aos cidadãos portadores de deficiência para que estes não se sintam incapazes de realizar as suas atividades e, principalmente, para que façam parte das decisões de acessibilidade das comunidades, vez que serão diretamente impactados por estas. Vamos entender um pouco mais sobre acessibilidade?

O QUE É DEFICIÊNCIA?

A Organização Mundial de Saúde criou em, 1980, um sistema de classificação de deficiências de modo a desenvolver uma linguagem comum para a pesquisa e para a prática clínica. Assim, segundo a Classificação Internacional de Deficiências, Incapacidades e Desvantagens (CIDID), deficiência é: “qualquer perda ou anormalidade relacionada à estrutura ou à função psicológica, fisiológica ou anatômica”. Trata-se da exteriorização de um sintoma.

É necessário pontuar que a compreensão sobre o tema vem se atualizando. Existem várias compreensões atuais sobre o real significado da condição de deficiente. Dentre elas, há a teoria que prega que não se trata de uma doença, mas sim entende-se a deficiência como uma condição na qual há a falta de estrutura, bens ou de serviços, capazes de garantir o bem estar do indivíduo. Ou seja, uma de suas classificações agora é feita a partir da falta de recursos disponíveis na comunidade em que o indivíduo está inserido e não na sua condição em si.

Essa visão foi capaz de contribuir com a teoria de modelo social de deficiência elaborado por Paul Hunt, a qual tem como premissa a compreensão da deficiência como algo social e não biológico como muitos propunham. Assim, esse modelo foi capaz de subsidiar a luta da inclusão das pessoas com deficiência para que estas pudessem de fato fazer parte da vida social das comunidades, vez que essas eram muitas vezes oprimidas e rejeitadas por sua condição. Foi compreendido, então, que o conceito estava intimamente atrelado à uma construção social, e não à uma deficiência biológica, o que revolucionou a visão sobre o assunto.

QUANTAS PESSOAS TÊM DEFICIÊNCIA?

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, cerca de 10% da população possui algum tipo de deficiência. No Brasil, cerca de 45.606.048 milhões de pessoas têm algum tipo de deficiência, o equivalente a 23,9% da população geral, , segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Essa deficiência pode ser visual, auditiva, motora, mental ou intelectual. Ainda segundo o censo do IBGE de 2010, a deficiência mais recorrente no Brasil é a visual (18,6%), seguida da motora (7%), seguida da auditiva (5,10%), e, por fim, da deficiência mental (1,40%).

ACESSIBILIDADE PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA: O QUE PREVÊ A CONSTITUIÇÃO?

Resultado de imagem para Acontece no São Paulo Expo, a Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade
Acontece no São Paulo Expo, a Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade - Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Constituição prevê a igualdade material entre todos, assim sendo, é de responsabilidade do governo criar condições capazes de fazer com que as pessoas que enfrentam situações desiguais consigam atingir os mesmos objetivos. Para isso, o Estado se coloca como promotor dos direitos individuais e sociais, e faz isso por meio de políticas públicas de inclusão das minorias e dos mais vulneráveis, seja por questões financeiras, econômicas e sociais, ou, por limitações motoras ou emocionais.

Em Curitiba, por exemplo, diversos programas foram criados, dentre eles o programa Acesso, o qual tem como objetivo oferecer transporte público (adaptado) para que as pessoas portadoras de deficiência pudessem ter acesso a tratamento médico. Além desse projeto, foram instalados outros como o “Inclusão mais bici”, que tem como objetivo disponibilizar bicicletas aos deficientes visuais, para que estes também possam integrar ativamente as atividades da comunidade.

Independentemente do tipo de vulnerabilidade, todos possuem direitos, e o dever do estado é garantir uma condição de vida digna a todos aqueles que aqui residem. Para isso, o Poder Executivo é responsável pela formulação de políticas públicas e ações afirmativas. Quando essas não conseguem atender à demanda ou quando estão sendo ineficientemente empregadas, cabe ao judiciário realizar o papel de tentar, pela via judicial, fazer cumprir os direitos dessas minorias.

Cabe ressaltar, nesse cenário, a importância do Judiciário em assegurar os direitos daqueles que se encontram em situações mais vulneráveis. Essa via alternativa só foi possível graças ao movimento de elaboração dos princípios constitucionais, os quais passaram a ter um papel principal no debate econômico, social e político. Isso porque, eles passaram a ser vistos como guias para que a sociedade pudesse alcançar os seus valores fins, bem público e garantia do princípio da dignidade da pessoa humana.

COMO É POSSÍVEL CRIAR POLÍTICAS PÚBLICAS DE ACESSIBILIDADE PARA AS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA?

Acontece no São Paulo Expo, a Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade - Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A deficiência sempre foi vista como tabu, contudo, é possível observar que ultimamente essa ideia tem sido superada. Como exemplo do avanço dessa visão, é possível citar a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, ratificada pelo Brasil. Esse documento adquiriu valor de emenda constitucional e possui grande importância no que diz respeito à garantia dos direitos das pessoas com deficiência, pois consolida o entendimento de naturalização do conceito de deficiência, superando a concepção ultrapassada de negação e exclusão desses grupo da comunidade social, o que há agora, portanto, é a crença de ocupação dos espaços públicos por todos os cidadãos, independente de suas limitações.

As políticas públicas são necessárias para garantir a efetivação de direitos e, essas só são possíveis se iniciadas por pesquisas referentes às situações enfrentadas pelo grupo a quem se destina a política, aos exemplos já implantados em outros países, ao contato direto com o grupo afetado, para assim conhecer as suas demandas, necessidades e opiniões acerca do tema. Assim, é por meio da  participação popular e do comprometimento do poder público que é possível implantar uma política pública de acessibilidade de qualidade.

Em suma, é direito da pessoa com deficiência de viver em um ambiente em que possa desenvolver suas habilidades sem depender de terceiros, desenvolvendo sua autonomia e independência. E cabe ao Estado garantir esse bem-estar, principalmente por meio da formulação e implantação de políticas públicas, formuladas não só pelo poder público, como também pela sociedade civil e por aqueles que enfrentam as adversidades de viver em uma comunidade sem infraestrutura. Apenas assim, por meio do diálogo contínuo com esses indivíduos, que o nosso país será, de fato, inclusivo.

Publicado em 15 de março de 2017.

Larissa Milanezi*
Estudante de Direito da PUC-SP. Interessada pelos mais diversos temas, dentre eles política e ciências sociais. Redatora voluntária do Politize!.

Respeitar as Pessoas com Deficiências

“O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Romanos 8:16).

Imagem Internet/Ilustrativa
Imagem relacionada

Assim como nenhuma pessoa é igual a outra, nenhuma pessoa com Deficiência é igual a outra, mesmo se eles tiverem a mesma deficiência. Uma deficiência é uma limitação funcional que pode interferir na capacidade que a pessoa tem de andar, ouvir, falar, ver, pensar e aprender, mas não afeta todas as pessoas da mesma maneira. Além disso, algumas pessoas têm deficiências múltiplas em vários níveis.

Quando falar ou relacionar-se com uma pessoa com Deficiência:

  • Sorria; seja natural.
  • Concentre-se nas habilidades da pessoa. Não fique tão concentrado na deficiência de modo a impedi-lo de ver a pessoa.
  • Converse com a pessoa com Deficiência — ou com o prestador de cuidados da pessoa, quando adequado — para saber como você pode incluí-la nas atividades e com o que ela se sente à vontade.
  • Seja respeitoso. Ofereça ajuda se solicitado ou se a necessidade for óbvia. Não mova cadeiras de rodas ou outros andadores sem a permissão do dono.
  • Fale lenta e diretamente ao conversar com uma pessoa com deficiência auditiva. Não presuma que a pessoa com deficiência auditiva ou de fala tenha deficiência intelectual.
  • Seja paciente.
  • Tenha consideração pelos sentimentos daquela pessoa quando fala com os outros. Você iria querer que aquilo que você está prestes a dizer fosse dito a seu respeito?

Lembre-se de falar com mansidão a menos que a pessoa tenha uma deficiência auditiva. Falar alto não melhora a compreensão.

Termos que Demonstram Respeito pelas Pessoas

Os termos considerados adequados geralmente diferem de um grupo para o outro e de uma geração para a outra. Uma boa regra é levar em consideração a pessoa antes de pensar na deficiência. Uma pessoa com Deficiência, por exemplo, não é uma “deficiente” ou “inválida”. Nem a irmã Silva é “deficiente” ou “inválida”. Devemos dizer que “a irmã Silva tem uma deficiência” ou “o irmão Smith usa cadeira de rodas”.

Para Membros com Deficiência, Suas Famílias ou Àqueles Que Lhes Prestam Cuidados

Seja paciente enquanto os outros membros aprendem sobre os aspectos da deficiência e vencem percepções errôneas. Perceba que a maioria dos membros da Igreja está aberta à orientação sobre como ajudar e incluir as pessoas Deficiência. Reconheça que outras pessoas que se importam podem também ser inspiradas a saber como ajudar. O Espírito Santo pode ajudar a família, os professores e líderes a estender a mão e ser úteis.

Fonte: www.lds.org - Imagem Internet/Ilustrativa

Conheça a primeira cadeirante a concorrer a Deusa do Ébano do Ilê Aiyê

                    Imagem: Arquivo Pessoal
                       Arquivo Pessoal
                    Josy Brasil, a primeira cadeirante a concorrer a Deusa do Ébano do Ilê Aiyê

Alexandre Santos - Colaboração para o UOL, em Salvador

Após 14 anos vivendo na Itália, Josimare de Cristo Reis, 33, acaba de regressar às origens para protagonizar um feito inédito: tornar-se a primeira cadeirante a disputar o título de Deusa do Ébano do Ilê Aiyê, um dos mais tradicionais blocos afro do Carnaval de Salvador.

Tão logo desembarcou na capital baiana, em julho de 2018, a comunicóloga, também conhecida como Josy Brasil, inscreveu-se na disputa, ensaiou algumas vezes e participou da fase seletiva do certame, no dia 12 de janeiro.

Concorreram, no total, mais de 100 candidatas. Josy não ficou entre as finalistas, mas diz ter saído da Senzala do Barro Preto -sede do Ilê- com uma certeza: assim como "o mais belo dos belos", pôde representar ali a trajetória de luta e resistência da mulher negra e cadeirante num país veladamente racista e preconceituoso.

"Infelizmente, existe o preconceito do negro em nosso país, um país negro, mestiço, mulato. Ser mulher negra e, acima de tudo, cadeirante é uma responsabilidade muito grande. Uma responsabilidade tripla, eu diria. Assim é o Ilê. O Ilê resiste porque existe e existe porque resiste. E o seu maior ideal é elevar a autoestima da nossa raça", define.

Soteropolitana de nascimento, Josy conta que sua imersão na dança, curiosamente, não se deu na terra natal -hoje reconhecida pela Unesco como Cidade da Música. Tal contato, segundo ela, só teve início após se mudar para o país europeu, aos 19 anos -quando ela ainda não era cadeirante.

"Quando eu cheguei à Itália, trabalhei num restaurante brasileiro em que um grupo de bailarinos perguntava o porquê de eu não dançar. Eu dizia que era muito tímida, que não conseguiria colocar nem sequer um biquíni de samba carnavalesco para um evento. Eu tinha uma cabeça muito fechada. Logo depois, vi que as coisas lá eram muito diferentes e comecei a me dar a oportunidade de conhecê-las. Foi aí que me apaixonei pela dança e passei a trabalhar como dançarina profissional", descreve Josy, que, em paralelo aos estudos na Universidade de Bergamo, fez as vezes de garçonete, babysitter, promoter, dentre outras funções.

"Mas ensaiei muito antes. Ia aos ensaios dos grupos brasileiros com os quais comecei a fazer shows pela Europa. Fiquei fixa em alguns deles, dançando música brasileira. Depois, aprendi salsa e todos os outros ritmos", acrescenta a comunicóloga. "Eram show folclorísticos, com uma vasta mistura de ritmos: frevo, lambada, capoeira, Carmem Miranda.".

Mesmo dominando diferentes gêneros, principalmente o samba, à então passista faltava aproximar-se da dança afro, o que só foi possível durante as férias na Bahia.

"Eu fazia aulas particulares com professoras, amigas ou conhecidas bailarinas que dançavam bem aqui em Salvador", recorda.

Acidente só aumentou amor pelo Ilê.

Um acidente automobilístico em 2017 deixou Josy paraplégica. Naquele ano, a dançarina morava em Bergamo e, segundo conta, decidiu que, quando retornasse ao Brasil, disputaria o posto de rainha do Ilê.

"Voltei bem no período que iria abrir as inscrições. Então, falei: 'Gente, esse é um dos meus sonhos. Será que ele não pode se tornar realidade agora?'", revela a dançarina.

Os familiares ficaram surpresos. "Falaram: 'O quê? Você vai participar do quê?'. Minha família não era muito a par da história. Tive que mostrar para eles o que era o Ilê Aiyê e o que ele representa para a negritude brasileira e internacional, porque tem muitas referências", diz.

"Era uma ideia minha, de muitos anos. Mesmo na cadeira de rodas, decidi encará-la e tive o apoio de todos", assinala Josy.

"Sei que hoje é totalmente diferente. As pernas perdem um pouco das curvas. O músculo atrofia. Mas todas essas questões me fazem a cada dia mais resistente. Não é fácil, mas levo minha vida adiante, sem tristeza nem nada que me deprima ou me deixe mal. Que o otimismo sempre permaneça comigo.".

Adoção: 3 em cada 4 crianças com mais de 5 seguem na fila de espera

Nos últimos três anos, percentual de adotados acima desta idade não ultrapassa 39% no Brasil. Avanços ainda esbarram em preconceito

SÃO PAULO - Fabíola Perez, do R7
Aos 50 anos, Juliana queria ser mãe de uma criança com mais autonomia

Aos 50 anos, Juliana queria ser mãe de uma criança com mais autonomia
Reprodução Adoção Tardia

“Elas já vêm com a personalidade moldada”, “são difíceis de lidar” ou “não vamos acompanhar seus primeiros passos”. Apesar de o processo de adoção no país ter evoluído nos últimos anos, segundo especialistas, ainda é um caminho cercado de obstáculos e preconceito.

Frases recorrentes como essas condenam crianças que chegam aos 5 anos de idade a passarem longos anos em abrigos ou casas de acolhimentos.

Números do Cadastro Nacional de Adoção, do Conselho Nacional de Justiça, obtidos pelo R7, mostram que, até janeiro deste ano, existiam 9.393 crianças disponíveis para serem adotadas. Destas, 7.212 têm mais de 5 anos, o que equivale a 76% das crianças que aguardam uma vaga para reconstruir suas vidas na fila da adoção.

Os números mostram também que foram adotadas 1.422 crianças e adolescentes no ano passado. Destes, somente 561 tinham mais de 5 anos, o que equivale a 39%. “São crianças que já têm uma história, geralmente de abandono e negligência e que não se pode passar uma borracha”, afirma Melissa Pozatti, co-gestora do Projeto Adoção Tardia. “No entanto, uma nova história pode ser construída dali em diante com amor e afeto. Existem diversas primeiras vezes na vida”, diz. Nos anos anteriores, o percentual de crianças com mais de cinco anos adotadas não variou muito. Em 2016, foi de 33% e, em 2017, de 35%.

“São crianças que já têm uma história, geralmente de abandono e negligência"
Melissa Pozatti

Não existe um consenso sobre a partir de qual idade a adoção é considerada tardia. O desembargador e coordenador da Infância e Juventude do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), Eduardo Gouvêa, afirma que crianças entre cinco e oito anos já enfrentam dificuldades.

Para ele, o número de pretendentes não cresceu muito também em decorrência da situação econômica. “O padrão de vida das pessoas têm impedido esse tipo de adoção”, afirmou.

A fundadora do projeto Adoção Tardia, Simone Uriartt, explica que o termo vem sendo substituído por “adoção de difícil colocação”, que se refere também a grupos de irmãos e crianças com deficiência. “Estes acabam sendo os perfis menos procurados e, infelizmente, são a maioria disponíveis nos abrigos”, diz.

Nos últimos anos, uma pequena evolução pode ser notada em relação à adoção. “Pode se observar uma maior abertura para crianças pardas e negras, o que não ocorria antigamente, quando a preferência era por crianças brancas, bebês de até três anos e meninas”, explica Melissa.

O caminho, segundo a juíza do 2º grau e membro da coordenadoria da Infância e Juventude do TJ-SP, Dora Martins, passa pela conscientização. “Quando se está grávida, é comum fantasiar a chegada de um filho. Quando se adota um bebê se tem a impressão de que é mais fácil. Os casais não se imaginam com uma criança com mais de oito anos”, afirma ela.

A expectativa do casal de que a criança adotada cumpre determinado pré-requisitos é o primeiro obstáculos à adoção tardia. “A maior questão ainda é a incompatibilidade de perfis, uma vez que o pretendido pelos pais é muito diferente daquele disponível nos abrigos: em sua maioria, adolescentes, irmãos ou crianças com deficiência”, diz Simone. Muitos interessados na adoção costumam também reclamar a demora do processo. “Existem falhas no sistema, mas a burocracia existe para garantir um bem estar mínimo ao adotado”, afirma. O juizado, segundo ela, precisa se assegurar de que a criança irá para um lar seguro e não sofrerá um novo abandono.

A adaptação de crianças mais velhas não difere muito das mais novas. “Poderão haver testes, principalmente pelo fato desta criança já ter sido abandonada uma ou mais vezes, ela irá querer se certificar de que os novos pais a amam, independentemente do que fizer”, diz Melissa. “Também pode haver algum atraso em relação ao conteúdo escolar ou até na maturidade em relação à outras, mas costuma se normalizar após algum tempo de reforço e rotina.”

Parceiras de passeios e conversas

Na contramão dos números, a assistente social Juliana Marcon, de 54 anos, decidiu adotar Bianca Vitória Marcon, quando tinha nove, em 2015. “Tinha um projeto de vida de que, se chegasse aos 40 sem uma família constituída, iria adotar”, diz. “Quando fiz 50, me inscrevi junto ao Judiciário. Queria uma criança entre seis e dez anos, se adotasse uma menor teria limites físicos para a minha idade”, afirma. Juliana queria uma parceira para dividir passeios e conversar. Bianca, por sua vez, queria ser adotada.

"Parece que a criança testa todo o nosso amor"
Juliana Marcon

A construção do vínculo foi difícil e diária. “No primeiro ano, ela tinha momentos de bastante agressividade e começou a trazer à tona toda a raiva e traumas do passado”, diz. “Parece que a criança testa todo o nosso amor. Somos adultos e já passamos por diversos processos de construção de vínculos mas as crianças não. Precisamos reafirmar esse desejo de que ela é parte de nossas vidas.” Preocupada, Juliana chegou a questionar se Bianca gostaria de voltar ao abrigo. Diante da negativa, levou a garota para começar a fazer terapia. “Hoje temos um vínculo de mãe e filha, tudo funciona com base em conversas e transparência.” Juliana acredita que os baixos números de crianças e adolescente adotados se devem ao preconceito e ao egoísmo. “Há a ideia de que é necessário somente mostrar um filho bebê e de que não se conseguirá educar de acordo com os próprios valores.”

“Eles precisam aprender a amar”

Lucas com o pai adotivo, Peterson: "as crianças precisam aprender a serem aceitas"
Lucas com o pai adotivo, Peterson: "as crianças precisam aprender a serem aceitas"  Arquivo Pessoal

O comerciário Peterson Rodrigues dos Santos, de 38 anos, adotou Lucas Gabriel Rodrigues do Santos quando tinha nove. “Nunca pensei em adotar um bebê por ser sozinho”, diz. Peterson lembra que teve dificuldades para criar Lucas, hoje com 12 anos. “Já tínhamos uma afinidade porque convivíamos há dois anos, mas quando passamos a vivir juntos foi uma fase ainda mais difícil.”

Assim como no caso de Juliana e Bianca, Peterson também conta que Lucas teve momentos de irritação e estresse. “Eles começam a fazer testes para saber se vamos querer ficar com eles ou não”, afirma. “Aprontam porque ainda não sabem amar, têm que aprender a receber carinho, serem aceitos.” Hoje, a fase de dificuldades passou com ajuda de sessões de terapia. “O atendimento psicológico é fundamental, mas só funciona quando os pais fazem também.”

Nesse período, Peterson fundou a ONG Elo (Organização de Apoio à Adoção), com grupos de apoio atuantes em sete cidades do Rio Grande do Sul. “Os pais sentem certo medo de adotar. A gente idealiza demais e é menos romântico do que parece. Temos que aprender a amar os filhos e que não é de uma hora para a outra. Esse sentimento precisa ser construído.”

Iniciativas e redes de apoio

Nos últimos anos, surgiram uma série de iniciativas da Justiça ou até mesmo independentes com o objetivo de sensibilizar pessoas dispostas a adotar. Em São Paulo, por exemplo, o Tribunal de Justiça criou a campanha “Adote um boa noite”, na qual apresenta fotos de crianças juntamente a uma descrição para estimular a busca ativa de adotantes. Outro projeto é o de apadrinhamento de crianças mais velhas. A juíza Dora explica que é necessário que os interessados realizem um curso para entender o proceso.

Além disso, é necessário, segundo ela, uma aproximação entre os padrinhos e as crianças. Com isso, o contato deve ser mantido pelo menos uma vez por semana, de forma que o padrinho mantenha o vínculo com o apadrinhado. “Não há obrigação de levar a criança para a casa e todo o processo é muito transparente. Existem, inclusive, jovens que não querem ser adotados. A participação em grupos ajuda a entender um processo que independe de idade ou sexo.”

O projeto independente Adoção Tardia surgiu em 2014, no Rio Grande do Sul, e hoje possui 58 mil seguidores nas redes sociais. “A ideia é sensibilizar futuros pais para a possibilidade de ampliar o perfil pretendido e desmistificar a adoção de crianças maiores e adolescentes por meio de vídeos”, diz Simone. Junto ao poder judiciário, o projeto também passou a fazer campanhas. Funciona assim: o juizado identifica uma criança sem pretendentes e sem possibilidades de reinserção familiar. Com isso, a equipe do Adoção Tardia vai até o abrigo e grava um vídeo com a história de vida do jovem. A última campanha realizada no ano passado alcançou um milhão de pessoas.

Futuro de quem é rejeitado

Apesar das mudanças, o país ainda tem de enfrentar um sério problema no que diz respeito à adoção: jovens que atingem a maioridade e tem de deixar os abrigos. A maioria acaba indo para as ruas. “Eles começam a viver como indigentes”, diz Gouvêa. Um levantamento realizado pelo TJ-SP demonstrou que o número de acolhidos em São Paulo com mais de 12 anos é de 8.801. Já entre os 16 e os 18 anos, que devem ir para as ruas, é de 1.166.

“Por melhor que sejam os abrigos, quem está pronto com 18 anos para morar sozinho e sustentar uma casa?"
Simone Uriartt

Segundo Melissa, do Adoção Tardia, são jovens que não têm uma família para retornar, não têm estrutura financeira para se manter sozinhos, não têm sequer vivência fora do universo do abrigo. “Por melhor que sejam os abrigos, quem está pronto com 18 anos para morar sozinho e sustentar uma casa? Por isso muitos acabam indo para as ruas, para a criminalidade, pois não encontram outra forma de sobreviver”, diz. Existem repúblicas, administradas pela gestão municipal ou pelo terceiro setor, mas a oferta ainda é pequena diante de uma demanda que só cresce.

Em Portugal; Pessoas com deficiência intelectual ganham direito a poder casar e votar

Pessoas declaradas interditadas pelos tribunais estavam, até agora, impedidas de exercer os direitos mais básicos. Agora, vão poder decidir a sua vida, pelo menos nalguns aspetos


As pessoas declaradas interditas pelos tribunais estão impedidas de exercer direitos tão básicos como casar, viver em união de facto ou votar. Tem sido assim ao longo dos anos em Portugal, muito embora tenhamos ratificado convenções internacionais a defender o contrário.


Ao fim de 53 anos, o regime legal vai finalmente mudar. Chama-se Lei do Maior Acompanhado e entra em vigor no dia 10 de Fevereiro. A grande mudança que introduz é que as pessoas com deficiência intelectual vão poder decidir a sua vida, pelo menos nalguns aspetos. A juíza Carla Oliveira explica que “será o juiz a avaliar caso a caso, o que é que aquela pessoa está em condições de decidir sozinha e o que é que tem de decidir acompanhada por quem escolheu”.

A chamada Lei do Maior Acompanhado parte do princípio de que” as pessoas com uma deficiência intelectual estão capacitadas pelos menos para exercer os seus direitos pessoais ,como o direito a casar e a ter filhos. E a sua vontade tem de ser respeitada” ,adianta Maria do Rosária Zinc dos Reis, advogada e membro da direção da Associação de Familiares e Doentes de Alzheimer.

O que acontecia até agora era que a lei equiparava aos menores, os maiores com deficiência intelectual .Havia sempre portanto um tutor que os substituía no ato de decidir .O que agora vai acontecer é que passará a ser a vontade da pessoa com deficiência que vai valer e será acompanhada nessa decisão e noutras da sua vida, por quem escolher, explica o psiquiatra forense Fernando Vieira.

Fernando Vieira argumenta que as pessoas “podem não estar no uso das suas faculdades a 100%. Mas estarem perfeitamente capazes de decidir por quem querem ser acompanhadas nas decisões relativas à sua vida. O psiquiatra dá o exemplo dos doentes de Alzheimer, cuja inteligência emocional não se perde”. A advogada Maria do Rosário Zinc dos Reis e a juíza Carla Oliveira concordam que a nova lei do maior acompanhado representa "um grande desafio para todos, porque o grau de incapacidade da pessoa terá de ser feita através de uma avaliação muito mais fina”.

O procurador Rui Baptista também aplaude a nova lei. E explica que, pelo regime ainda em vigor ,”o que acontecia, na maior parte dos casos, era que o juiz embora pudesse decretar a pessoa apenas inabilitada para a prática de decisões patrimoniais, acabava por declara-la interdita para o exercício de quaisquer direitos.” Rui Baptista admite que “por causa das rotinas de trabalho e pela falta de enquadramento legal, o Ministério Público acabava por tratar de uma forma simplista a situação de pessoas com uma deficiência intelectual, vedando-lhes o exercício de direitos fundamentais”.

Rui Baptista lembra que no discurso de tomada de posse ,a atual procuradora anunciou que, entre as cinco prioridades do seu mandato, está a proteção dos maiores. O procurador garante que a orientação dada por Lucília Gago “é para serem reabertos todos os processos de declaração de interdição,para ver se é possível restituir alguns direitos às pessoas”.

São declarações ao programa de informação "Em Nome da Lei", da Renascença, que este sábado debateu a nova Lei do Maior Acompanhado, que vem substituir os regime da interdição e da inabilitação, e entra em vigor no dia 10 de Fevereiro.

Fontes: Rádio Renascença - tetraplegicos.blogspot.com

“Soul Surfer- Coragem de Viver”. A campeã de surf amputada pela mordida de um tubarão - Veja o vídeo

Cartaz do filme 'Soul Surfer', com AnnaShopia Robb vivendo o papel de Bethany Hamilton

por Ricardo Shimosakai

“Soul Surfer – Coragem de Viver” (2011) levou para as telas a história real de Bethany Hamilton, vivida no filme pela atriz AnnaSophia Robb. Bethany sempre teve como sua maior paixão o surfe. Com apenas 13 anos, a menina já era campeã em competições profissionais.

Bethany Hamilton surfava com sua melhor amiga, Alana Blanchard quando sofreu um ataque de um tubarão-prego de 14 metros no Kauai, ilha do Havaí conhecida por ser perigosa justamente pela quantidade de tubarões.

Há exatos 15 anos, a havaiana perdeu cerca de 60% de sangue do corpo, além de ter ficado sem o braço esquerdo. Aos poucos a “Soul Surfer” foi se recuperando. Um mês depois, ela já estava de volta no mar e menos de um ano após o acidente e diversas cirurgias, ela voltou a competir, terminando na quinta colocação. Em 2007, ela realizava o sonho de tornar-se profissional.

Você sabia que…

A própria Bethany Hamilton foi dublê de AnnaSophia Robb na maior parte das cenas de surfe

O tubarão que atacou Bethany na vida real é um tubarão-tigre, a terceira espécie que mais causa fatalidades humanas, atrás somente do cabeça-chata e do tubarão-branco. O que atacou Bethany media cerca de 4,5 metros.

O filme traz Carrie Underwood como a amiga de Bethany, Sarah Hill. A cantora americana venceu a quarta edição do programa de calouros “American Idol”.

A própria Bethany pediu para que a atriz AnnaSophia Robb a interpretasse no filme após assistir ao filme 'Ponte para Terabítia' (2007)
A própria Bethany pediu para que a atriz AnnaSophia Robb a interpretasse no filme após assistir ao filme “Ponte para Terabítia” (2007)

O cachorro do filme é realmente Hana, o cahorro de Bethany na vida real

AnnaSophia Robb usou uma luva verde em seu braço durantes as filmagens para que ele fosse apagado digitalmente na pós-produção

AnnaSophia Robb e Dennis Quaid tiveram aulas de surfe para o filme. Seu técnico era o mesmo que treinou Bethany na vida real. Helen Hunt, que vive a mãe de Bethany, Cheri, não precisou de aulas. A atriz já praticava o esporte antes do filme!

Bethany Hamilton esteve envolvida em todo o processo de filmagem e pós-produção do filme. Ela pediu que diminuissem a intensidade da cena do ataque do tubarão. Segundo ela, durante o acidente real, todos permaneceram calmos.

A distribuidora do filme tinha a intenção inicial de fazer um pequeno lançamento, o exibindo em apenas 300 salas de cinema. Porém, eles ficaram tão impressionados com o resultado final que mudaram seus planos, fazendo uma grande campanha de marketing e exibindo o filme em mais de 2 mil salas.


Atualmente, a surfista não está mais no circuito da Liga Mundial de Surf e só compete quando é convidada, como foi no primeiro Surf Ranch Pro este ano, na Califórnia. Em janeiro de 2016, a onda que Bethany surfou em Maui, venceu o prêmio ‘Ride Of The Year’ da WSL, como a melhor grande onda do ano. No mesmo ano, ela terminou a etapa de Fiji da WSL em 3º lugar, competindo a semifinal contra a francesa Johanne Defay, 5ª do ranking mundial.

Seu foco hoje não é competitivo e, quando cai no mar, não tem diferenciação alguma em relação a outras atletas. Aos 28 anos, Bethany é casada, mãe de dois filhos, fundadora da ONG “Amigos de Bethany” que dá suporte a pessoas amputadas e segue sendo inspiração pelo mundo todo.

Fontes: Globo.com / ESPN - turismoadaptado.com.br