sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Verão mais inclusivo é lema do programa Praia Acessível

Imagem: mulher utiliza cadeira anfíbia para entrar no mar, dois homens em pé a auxiliam - Créditos: Prefeitura Itanhaém

Iniciativa do Governo de São Paulo, por intermédio da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, o Programa Praia Acessível visa incluir as pessoas com deficiência nas praias do litoral de São Paulo e também em prainhas de rio doce.

O programa acontece em parceria com as Prefeituras dos municípios interessados e hoje já conta com mais de 20 cidades parceiras. O Praia Acessível oferece cadeiras anfíbias, especialmente desenvolvidas para garantir verão acessível a quem tem deficiência.

Lançado em 2010, o Programa funciona em 26 praias do litoral e interior do Estado de São Paulo. O objetivo é oferecer equipamentos e tecnologia para que pessoas com deficiência possam usufruir da praia, do banho de mar e de rios com segurança e dignidade. A Secretaria é responsável pelo fornecimento das cadeiras e as prefeituras pelas equipes de suporte do programa.

As cadeiras utilizadas no Programa são chamadas de “anfíbias”, por serem fabricadas com pneu especial que permite superar a dificuldade da areia e também não afundam dentro da água. A altura dela é compatível com a possibilidade do usuário sentir a água, numa profundidade do mar não perigosa. Existe facilidade na transferência da cadeira de rodas para a cadeira anfíbia porque os braços são removíveis.

As Prefeituras são responsáveis por disponibilizar o equipamento e equipe para atendimento aos banhistas, moradores ou visitantes.

LISTA DOS LOCAIS ONDE FUNCIONA O PROGRAMA PRAIA ACESSÍVEL NO ESTADO DE SÃO PAULO

Avaré, Adolfo, Bertioga, Caconde, Cananéia, Caraguatatuba, Guarujá, Iguape, Ilhabela, Ilha Solteira, Itanhaém, Itapura, Miguelópolis, Mongaguá, Panorama, Peruíbe, Praia Grande, Presidente Epitácio, Rifania, Santa Fé do Sul, Santos, São Manuel, São Sebastião, São Vicente, Rosana e Ubatuba.

Destinos Acessíveis para pessoas com Ossos de Vidro - Veja o vídeo

Destinos Acessíveis para pessoas com Ossos de Vidro

por Ricardo Shimosakai

Destinos Acessíveis para pessoas com Ossos de Vidro. Quando Amanda Brito nasceu em Feira de Santana (BA) os médicos disseram que sua expectativa de vida era de dois meses de idade. Portadora da doença Osteogenesis Imperfecta, conhecida popularmente como “ossos de vidro”, ela rompeu várias barreiras graças a tratamentos e suporte familiar.
Criadora do blog Destinos Acessíveis fala sobre viagens carreira e autoconhecimento. Amanda é usuária de cadeira de rodas e mostra destinos com acessibilidade a pessoas com deficiência. 
Casou-se ano passado com Fabiano, e agora tem um companheiro e também alguém para ajudar no cotidiano e passeios de uma cidade difícil para a acessibilidade como o Rio de Janeiro, cidade para a qual se mudaram depois que Amanda foi convocada pelo concurso público.
Viajante nas horas vagas, Administradora e Especialista em Gestão Empresarial e em Educação, atua há mais de nove anos conduzindo processos de Gestão Estratégica de Pessoas, Gestão de Carreira e Desenvolvimento Humano, além de já ter coordenado grupos de trabalho sobre Equidade em ambientes corporativos.

“Nossos sonhos podem sim virar projetos, e esses projetos podem se transformar em realidade em nossas vidas”, comenta Amanda.

Apaixonada por transformação de pessoas, possui formação em Coaching Executivo e Life Coaching, em curso credenciado pelo ICF, e em Practitioner em PNL. Também ministra palestras e tem experiência facilitando processos em Grupos.






















Fonte: turismoadaptado.com.br

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Apaixonada por carnaval, moradora com síndrome de Down de Angra desfila há oito anos no Rio como porta-bandeira - Veja o vídeo.

Shirley Medeiros Rodrigues tem síndrome de Down e desde 2011 desfila pela escola Embaixadores da Alegria, do Rio.

Por RJTV

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Carnaval: Shirley é moradora de Angra dos Reis e há 8 anos desfila no Rio

O carnaval é a maior festa popular do Brasil e atrai a paixão de muitas pessoas pelo país afora. Uma delas em especial vive em Angra dos Reis, na Costa Verde do RJ. Shirley Medeiros Rodrigues tem síndrome de Down e há oito anos desfila como porta-bandeira da escola Embaixadores da Alegria, do Rio.

Clique AQUI para ver o vídeo.

A paixão e a ansiedade pelo Carnaval fazem com que ela não desgrude o olho da televisão. Do sofá, Shirley conta os dias pra estar na avenida.

"É paixão. É muito feliz. Alegria e saúde", resume Shirley sobre o que o carnaval significa na vida dela.

Apaixonada por Carnaval, moradora de Angra dos Reis desfila há oito anos no Rio como porta-bandeira — Foto: Reprodução/TV Rio Sul
Apaixonada por Carnaval, moradora de Angra dos Reis desfila há oito anos no Rio como porta-bandeira — Foto: Reprodução/TV Rio Sul

Já são 15 anos desfilando em diferentes agremiações. Mas foi em 2011 que ela assumiu o posto de porta-bandeira da Embaixadores da Alegria, escola que todo ano abre o Desfile das Campeãs, no Sambódromo. Dona Maria, mãe de Shirley, guarda com carinho e orgulho, casa recordação da filha na maior festa brasileira.

“Jamais pensei em ver minha filha dançando, mas era tão lindo quando eu via ela dançando. Todo mundo batendo palma pra ela. Era só coisa bonita. Então, eu posso dizer que eu tenho orgulho sim”, contou a mãe de Shirley, a dona de casa Maria de Lourdes.

Mas não é só o Carnaval que tem espaço no coração da Shirley. O quarto inteiro dela é decorado com as cores do clube de coração. Além de carnavalesca, ela é torcedora fanática do Flamengo.

"Eu amo o Flamengo, eu te amo de coração, raça e amor", declarou Shirley.

A paixão é tanta que muitos pretendentes já foram dispensados por conta do time.

“Quero não, você não é flamenguista. Quero não, você é Fluminense. Não quero, você é Botafogo”, relembrou a mãe de Shirley.

Mas hoje está tudo certo. Ela namora Felipe há quatro anos. Ele é mestre-sala, desfila junto com ela e é flamenguista. Esse é para casar. Mas não agora, segundo ela.

Apaixonada por Carnaval, moradora de Angra dos Reis desfila há oito anos no Rio como porta-bandeira — Foto: Reprodução/TV Rio Sul
Apaixonada por Carnaval, moradora de Angra dos Reis desfila há oito anos no Rio como porta-bandeira — Foto: Reprodução/TV Rio Sul

Fonte: g1.globo.com

Neurologista israelense defende uso de canabidiol para crianças autistas

Segundo Orit Stolar, cannabis melhora a vida dos pacientes, mas não é solução para tudo

Elisa Martins

A neurologista pediátrica Orit Stolar trabalha com extrato de cannabis para crianças com autismo em Israel Foto: Rodrigo Augusto / Divulgação
A neurologista pediátrica Orit Stolar trabalha com extrato de cannabis para crianças com autismo em Israel Foto: Rodrigo Augusto / Divulgação

SÃO PAULO - Tratamento com cannabis não é a cura nem solução para tudo que a medicina convencional não consegue tratar, mas pode mudar vidas. A neurologista pediátrica israelense Orit Stolar vê isso acontecer todos os dias no Centro Médico Assaf Harofeh, em Israel. Ela dirige o Programa de Intervenção Precoce "Alutaf", um projeto combinado entre o hospital em que trabalha e a Associação Nacional Israelense para crianças com autismo (Alut). Cética no passado em relação ao uso medicinal do extrato de cannabis (no Brasil, o óleo é conhecido como canabidiol), hoje Orit enumera vários avanços em redução de raiva, ansiedade e hiperatividade, além de melhora do sono e integração social em pacientes com autismo que usam o extrato.

Em conversa com o GLOBO em São Paulo, onde participou do 1º Congresso Internacional de Medicina Canabinoide (CannX), a neurologista israelense diz que o estudo continuado sobre o extrato de cannabis pode, ainda, ajudar em novas descobertas sobre o autismo.

Qual é a visão no meio médico sobre os benefícios do extrato de cannabis para pacientes?

O extrato de cannabis tem um grande potencial de fazer o bem. Ninguém dizia claramente isso há alguns anos. Diziam que era só uma moda, que ali não havia nada. Mas mergulhei nisso nos últimos cinco anos por causa dos pacientes. E passamos por altos e baixos. Estou aprendendo com eles. O que vejo é que há histórias incríveis que só são possíveis por causa do extrato de cannabis, quando medicamentos convencionais não conseguiram. Mas não é 100% exitoso. Tenho pacientes que usaram e foi um sucesso. Com outros, foi um desastre. Depende dos pacientes e do que se está dando. Há um tempo de ajuste até chegar ao princípio ativo ideal, se é CBD, ou THC, e em que dosagens? Também há diferenças entre fornecedores. Não é simples.

A senhora atende crianças com autismo. Qual tem sido a maior aplicação do canabidiol no ambiente pediátrico?

Conheço casos com ótimos resultados para crianças com epilepsia, ou em tratamento quimioterápico. É apenas o começo. No caso do autismo, não significa a cura nem a solução definitiva, mas certamente ajuda nos sintomas. Ajuda a dar ferramentas para que a criança lide com suas dificuldades, se comunique melhor, esteja mais equilibrada. É um trabalho de intervenção no comportamento. Tenho um paciente com síndrome de Tourette. Tentei de tudo e não conseguia melhorar a vida dele. Ele estava mal. E eu sabia que adultos com Tourette usavam extrato de cannabis. Então decidimos tentar com ele, que tinha 14 anos na época. No início, ele piorou. Fiquei aterrorizada. Mas fomos ajustando as concentrações e cepas até que ele chegou ao melhor ponto de qualidade de vida que já teve. Ainda tem os tiques, mas está muito melhor. Tem vida social, sai com os amigos. Levou meses. Mas é um garoto diferente agora. Tive outro paciente que quebrava mesa, televisão. A mãe me mandou uma foto da casa destruída e pediu ajuda. Queria que eu aumentasse a dispiridona (tipo de antipsicótico). Indiquei o extrato de cannabis. Poucos dias depois, eles tiveram o primeiro jantar em família desde que o menino nasceu. O pai tinha medo dele, o irmão mais velho foi estudar Medicina por causa dele. Era fora de controle. É uma mudança de vida.

Como começou a incluir o canabidiol como parte do tratamento com crianças?

Nunca pensei que faria isso. Era cética, inclusive. Mas comecei a ver o efeito nos pacientes. Lembro de um paciente que era tratado com dispiridona. Era um caso difícil. Quando voltou para consulta, perguntei à mãe o que ela tinha feito. Ele estava diferente. Ela ficou quieta, porque tinha conseguido ilegalmente, mas me disse que estava dando extrato de cannabis a ele. Foi a primeira vez que acompanhei essa diferença. Uma criança que não conseguia ficar sentada na cadeira, que era muito agitada. Vamos aprendendo aos poucos. Não é um tratamento mágico. Mas tem seu lugar e pode ser oferecido aos pacientes. A medicina convencional muitas vezes tem efeitos colaterais. Se começa com um medicamento, depois adiciona outro, e outro, e de repente temos um paciente de 12 anos usando três remédios diferentes. Isso não pode ser bom.

Como é a regulamentação do canabidiol em Israel?

Estamos bem avançados nessa área. Temos uma produção nacional de cannabis para fins médicos. Existem oito fornecedores em Israel. O uso de cannabis medicinal é aprovado para o tratamento de adultos, em casos de dor, pacientes com câncer, síndrome de Tourette, estresse pós-traumático, entre outros. Com as crianças, a história é outra. Em casos de epilepsia intratável, em que se tentaram mais de quatro tipos de medicamentos sem progresso, se consegue o acesso ao canabidiol facilmente. No caso do autismo, não há uma indicação aprovada. Mas o médico pode escrever uma carta ao governo detalhando a situação, o que já foi tentado, e na maioria das vezes se consegue uma aprovação legal. Não acho ruim que a regulamentação seja acompanhada. É preciso continuar pesquisando, testando os efeitos a longo prazo. O que mais me preocupa é que as crianças não são adultos jovens. O cérebro está em constante desenvolvimento nessa idade. E sabemos que nosso corpo produz substâncias similares ao CBD ou THC, e que estão envolvidos no desenvolvimento do cérebro. Meu receio é que dar uma substância externa que trabalha com o mesmo mecanismo desenvolvido pelo corpo possa causar algum desequilíbrio ou dano. Por isso tenho reservas com o uso de canabidiol para crianças que demonstrem baixíssimos graus de autismo. Precisamos estudar continuamente para ter segurança. Tive um paciente que veio de muito longe há umas semanas. A família queria que eu prescrevesse o extrato de cannabis, e me recusei. Ele ainda era muito pequeno, precisávamos entender ainda seu grau de autismo, pensar o tratamento. A família se irritou. É que as pessoas se confundem. Cannabis não é chocolate. Precisamos ser responsáveis e levar o tema a sério.

Quais são as próximas barreiras a serem quebradas no uso de canabidiol em crianças com autismo?

Os casos que acompanho com os pacientes em Israel mostram que o extrato reduz significativamente os sintomas de hiperatividade, ansiedade, raiva e melhora o sono. São quatro boas razões para prescrever cannabis a uma criança com autismo. E novas descobertas podem surgir dessa observação. Podemos encontrar respostas olhando para dentro. Se o canabidiol ajuda no tratamento de crianças com autismo, é porque está envolvido em um processo natural do corpo. Temos estudos que mostram que o nível de anandamida, que é semelhante aos princípios ativos na cannabis, e que nosso corpo produz, são mais baixos em pacientes com autismo. Então talvez seja um biomarcador, algo a se checar, que deveríamos medir mais em pesquisas. Vemos que o CBD e o THC funcionam, mas quanto? Nosso corpo tem receptores para eles. Mas em que proporção devemos usar? Não pode ser um consumo desenfreado. Há estudos em curso em Israel que mostram que a anandamida, o CBD e o THC se conectam com os mesmos receptores no corpo e estão envolvidos em atividades de desenvolvimento do cérebro da criança, memória, entre outras. Então, se crianças com autismo possuem níveis baixos de anandamida, talvez seja preciso consertar essa "memória", talvez estejam assim porque não têm esse "acelerador". Espero que avancemos nisso.

Há estudos que mostram que quanto antes se inicia o uso de canabidiol melhor para uma criança com autismo?

Não conheço pesquisas nesse sentido. Os estudos sobre cannabis ainda são muito recentes. Precisamos, primeiro, identificar quais são os pacientes que podem se beneficiar desse tratamento. Depois, ver o que funciona e o que não, além das dosagens. E, principalmente, é necessário encontrar uma maneira de que pesquisadores de todas as partes do mundo falem a mesma língua. Precisamos de um sistema padronizado de extratos e componentes, para ter mais segurança em estudos sobre o que realmente funciona em cada caso e poder fazer comparações.

No Brasil, ainda há muita desinformação sobre o uso de canabidiol e, mais ainda, preconceitos e entraves para seu uso. O que podemos aprender dos exemplos de Israel?

Médicos são tipos conservadores. E muitos ainda não aceitam o uso de extrato de cannabis para autismo. Fui minoria por muito tempo. Mas aos poucos há uma adesão. Quando me perguntam algo que não sei, respondo que é preciso pesquisar mais. Tento ser responsável e não criar falsas esperanças nos pais, de que isso vai resolver todos os problemas. Mas não tenho dúvidas de que o extrato de cannabis tem seu lugar. O preconceito vem da ignorância. Precisamos educar as pessoas, fazer mais estudos. Vejo que o conhecimento e a curiosidade sobre o tema estão presentes no Brasil. O começo é sempre difícil. Conheci muitas pessoas aqui que têm filhos com autismo, que é o que as move a lutar por isso, a pressionar o governo por leis mais favoráveis. E, pela minha experiência, pais de crianças com autismo são imparáveis.


Mãe de menina com autismo recebe autorização para plantar maconha em casa

Decisão do Tribunal de Justiça de SP permitiu tratamento por um ano, após pedido da Defensoria Pública

Tiago Aguiar* - *Estagiário, sob supervisão de Flávio Freire.


Cabe à Anvisa aprovar a importação do remédio, caso a caso
Foto: Fábio Seixo/6-10-2014
Cabe à Anvisa aprovar a importação do remédio, caso a caso Foto: Fábio Seixo/6-10-2014

SÃO PAULO — Moradora de Campinas, no interior de São Paulo, a mãe de uma menina de 6 anos com autismo foi autorizada a cultivar maconha em casa para produzir óleo canabidiol no tratamento da filha. A decisão, com caráter de salvo-conduto, vale por um ano e foi emitida no último dia 31 pela 10ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).

Em 2017, a fisioterapeuta Angela passou a ministrar à filha óleo de extrato da maconha. Inicialmente, comprou óleo importado com autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas os trâmites e custos inviabilizaram a importação.

Temendo ser alvo de processo criminal, procurou a Defensoria Pública em busca de uma salvaguarda. Um primeiro habeas corpus preventivo foi negado em setembro de 2018, e a Defensoria acionou o TJSP em outubro.

Durante o período do processo, Angela fez algumas postagens em seu perfil pessoal no Facebook agradecendo aos defensores públicos. Também narrou etapas dos efeitos da medicação. “Em 11 meses de tratamento canábico tenho outra criança em casa. Ainda autista, mas hoje ela fala, quase não tem crises e se desenvolveu como nunca imaginei. Ela tinha três crises por dia, hoje uma a cada três meses”, escreveu em 24 novembro de 2017.

O uso medicinal do extrato de cannabis não é regulamentado no Brasil. No pedido a Defensoria argumentou que a Lei de Drogas prevê a possibilidade de autorização pela União para plantio da erva para uso medicinal e científico.

Instituição de referência no atendimento a pessoas com autismo corre o risco de fechar

Casa da Esperança não consegue fazer contrato com prefeitura por acúmulo de dívidas

Mayara de Araújo, especial para O GLOBO

Casa da Esperança: instituição sem fins lucrativos, fundada em 1993, oferece apoio terapêutico e pedagógico a pessoas com transtorno do espectro autista Foto: Júnior Panela / Divulgação
Casa da Esperança: instituição sem fins lucrativos, fundada em 1993, oferece apoio terapêutico e pedagógico a pessoas com transtorno do espectro autista Foto: Júnior Panela / Divulgação

FORTALEZA — “Já cheguei a receber diagnóstico de esquizofrenia, depressão, ansiedade social. Tomei muito medicamento errado. Antes daqui tudo o que eu encontrei foi despreparo, zero empatia”, denuncia Jaciane. “A sua filha é mimada, o que ela tem é birra”, ouviu Ana Karine, mãe de Mariana. “Eu me sentia humilhado. Eu me bloqueei pra muitas coisas porque as pessoas riam de mim”, conta Mateus. A angústia das experiências traumáticas desses e de muitos autistas e seus familiares deu lugar ao alívio do diagnóstico e da aceitação a partir do trabalho desenvolvido pela Fundação Casa da Esperança, instituição sem fins lucrativos que dá apoio pedagógico e terapêutico em Fortaleza desde 1993.

Jaciene, Ana Karine, Mariana, Mateus e outras 454 pessoas frequentam o sítio de 10 mil m², nas quais cerca de 170 profissionais assistem de crianças a adultos, dos casos mais leves aos mais graves. Sem distinção, medicação injetável ou contenção física.

— Nosso modelo defende a aceitação das diferenças, os direitos humanos, a empatia — diz Fátima Dourado, fundadora e diretora clínica da instituição, conveniada ao Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2004.

O cansaço da procura por acolhida e o temor da quebra de rotina justificam a indignação dos usuários com a suspensão das atividades da Casa, em dezembro, dada a impossibilidade de fechar contrato com a Prefeitura de Fortaleza por acúmulo de dívidas. Em 2017, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) passou a exigir certidões negativas para formalizar contratos, mas os débitos fiscais e trabalhistas da instituição impedem a emissão da documentação.

Segundo Dourado, as dívidas decorrem do subfinanciamento do SUS, única fonte de renda da Casa:

— Recebemos o mesmo valor desde 2007, sem reajuste. Teve um momento em que o dinheiro foi encolhendo. Eu poderia ter dito: “Ok, não vamos mais atender 400, vamos atender 300”. Mas não é assim. São pessoas!

‘Essa é minha família’

Em julho de 2014, a instituição entrou com pedido de adesão ao Programa de Fortalecimento das Entidades Privadas Filantrópicas e das Entidades sem Fins Lucrativos (ProSUS), lei federal criada no governo Dilma que concede remissão de dívidas a entidades desse tipo. Em janeiro de 2018, diante da iminência de adesão ao ProSUS, o Ministério Público estadual recomendou uma contratação emergencial da Casa, com dispensa de licitação. Mas, meses antes do fim dos trâmites, o ProSUS foi arquivado.

No final do ano passado, a Defensoria Pública do Ceará ingressou com Ação Civil Pública (ACP) contra o município para impedir a interrupção do serviço. Para garantir o atendimento, a SMS propôs o remanejamento dos pacientes para “instituições similares”.

— Nós visitamos instituições pra transferir essas vagas. As que estamos chamando trabalham da mesma forma, com o mesmo perfil — afirma Aline Gouveia, coordenadora da saúde mental de Fortaleza.

Para autistas, familiares e profissionais vinculados à Casa, porém, não é tão simples.

— Remanejar é um desconhecimento de quem somos — decreta Ana Karine, que só na instituição descobriu, depois de adulta, ser autista como a filha.

Segundo a artesã, o diálogo entre profissionais é um dos diferenciais do local:

— Se eu precisar de um psiquiatra, tem aqui. Aí tem o dia que o neurologista atende, aqui do lado. O relatório da equipe é compartilhado, tem fono, tem psicopedagogo.

O atendimento garante às famílias mais autonomia e, aos profissionais, maior vínculo com os pacientes.

— No modelo ambulatorial, os atendimentos levam de 30 a 40 minutos. Aqui eles ficam de quatro a oito horas diárias, com diversos profissionais se revezando. Não conheço outra instituição que atenda assim. Para as crianças da estimulação precoce, isso é fundamental — ressalta Estela Maris, fonoaudióloga da Casa.

Para Jaciane Pássaro, que tem autismo e cruzou mais de 500 km de Crato a Fortaleza em busca da “última aposta”, o remanejamento ou a suspensão do atendimento é dor difícil de traduzir:

— As pessoas falando de nos colocar noutro lugar não sabem como é a vida de um autista e, se sabem, não se importam. Mudar a rotina dói. A gente regride, entra num processo de desinteresse pela vida. Quando falam em remanejar... Eu volto a ser cadeira, “coisa”, como a minha mãe me chamava. Não se troca um lugar que te salva da morte. Essa é a minha família. Não se abandona uma família.

Para Aline Gouveia, representante da SMS, a pasta reconhece a excelência do serviço:

— Não há interesse em encerrar a relação com a Casa. Mas não se pode correr o risco de levar processos por improbidade administrativa.

Na última quarta-feira, a Casa entrou com ação junto ao Ministério Público Federal solicitando a autorização do seguimento dos atendimentos até a celebração do convênio com a prefeitura e o desarquivamento do pedido de adesão ao ProSUS.

— A luta não termina, estamos esperançosos. A imunidade tributária é um direito nosso — reforça Fátima.

Fonte: https://oglobo.globo.com

Estudante cria óculos que detectam obstáculos e emitem alertas para cegos - Veja o vídeo.

Invenção dos 'óculos sonar' é de Flávio Pires Viana, de Macaé (RJ), que sonha passar para medicina e ser oftalmologista. A inovação promete facilitar a rotina de quem não enxerga.

Por *Kamilla Póvoa, G1 e RJ1 — Região dos Lagos - * Estagiária sob supervisão de Franklin Vogas

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Estudante de Macaé cria óculos com sensor para deficientes visuais

Um estudante de Macaé, no interior do Rio, desenvolveu óculos com sensor ultrassônico, que são capazes de detectar obstáculos e prometem facilitar a vida dos cegos.

Clique AQUI para ver o vídeo

A preocupação de Flávio Pires Viana, de 17 anos, com os deficientes visuais surgiu durante as aulas de mecatrônica. O jovem fez o Enem e passou para engenharia em duas universidades públicas, mas o sonho é se tornar médico e virar um oftalmologista.

Quanto a invenção, ele conta que é simples. Foram acoplados sensores de ré nos óculos, os mesmos usados em carros para estacionar, que emitem um som.

O projeto “Óculos sonar: tecnologia destinada aos deficientes visuais” foi fruto do trabalho de conclusão do curso de Mecatrônica da Educação Técnica do Instituto Nossa Senhora da Glória-INSG/Castelo.

“Pensei em fazer um protótipo destinado aos deficientes visuais e então veio a necessidade de pesquisar quais eram as necessidades dessas pessoas. Foi quando descobri que um dos maiores problemas era andar com autonomia, com algo além da guia”, explicou o inventor.

Óculos foram testados em deficientes visuais de Macaé, no RJ — Foto: Divulgação
Óculos foram testados em deficientes visuais de Macaé, no RJ — Foto: Divulgação

Os óculos produzem um sinal para um vibracall e para um buzzer (apito) fixado na armação, indicando a existência e a direção de qualquer objeto.

Flávio diz que gastou R$ 100 para fazer o projeto, e também reutilizou materiais que tinha em casa. Para o estudante, foi a possibilidade de unir duas paixões: a biologia e a mecatrônica.

Testes

O agricultor José Batista, de 67 anos, foi o primeiro a experimentar o aparelho. Ele tem problemas de visão desde os 35 anos e parou de enxergar totalmente há um ano e meio depois de uma retinose pigmentar.

Invenção foi criada por Flávio Viana, estudante de Macaé, no RJ — Foto: Divulgação
Invenção foi criada por Flávio Viana, estudante de Macaé, no RJ — Foto: Divulgação

"Eu fiz os testes (dos óculos) duas vezes. É de grande importância, e isso precisa ser divulgado e valorizado. Nós, deficientes, temos muitas dificuldades de andar na rua e os óculos vão nos auxiliar com esses obstáculos que encontramos", contou o agricultor.

José Batista também disse que muitas vezes acaba esbarrando em orelhões, relógios de energia elétrica e árvores.

"Como o sensor fica na altura da cabeça, isso traz uma sensação de autonomia e dá mais segurança para nós, quando se é usado junto a uma guia", afirmou.

                  Flávio Viana, de Macaé (RJ), diz que uniu duas paixões: biologia e mecatrônica — Foto: Divulgação
Flávio Viana, de Macaé (RJ), diz que uniu duas paixões: biologia e mecatrônica — Foto: Divulgação

Com o objetivo de testar o projeto e verificar a funcionalidade do aparelho, o estudante visitou a Associação Macaense de Apoio aos Cegos (Amac).

“Foi muito bom esse contato com os deficientes visuais. Um deles chegou até a dizer que se sentiu mais independente usando o protótipo”, disse Flávio.

Flávio segue no laboratório da escola cheio de ideias para aperfeiçoar a invenção. Ele diz que quer patentear os óculos e continuar estudando para conseguir entrar para uma faculdade de medicina e fazer a diferença no futuro dos deficientes visuais.

Fonte: g1.globo.com