sexta-feira, 21 de junho de 2019

Cadeirante é indenizado em R$ 10 mil por falta de acessibilidade em evento

Autor da ação precisou de ajuda de terceiros para se locomover em show

TAINÁ JARA

Decisão foi proferida nesta semana - Foto: Divulgação TJMS

A Justiça condenou o organizador de evento realizado em hotel de Campo Grande a indenizar cadeirante em R$ 10 mil. A sentença foi proferida na última terça-feira, pelo juiz Marcel Henry Batista de Arruda, da 11ª Vara Cível da Capital. O motivo seria a falta de acessibilidade em todos os locais do evento.

Conforme o juiz, é incontroverso que o andar onde estava o autor não possuía acesso adequado para portadores de deficiência, o que causa evidente constrangimento ao autor. “Ademais, evidente a responsabilidade das demandadas, a primeira pela organização e a segunda por sediar o evento, sendo que incumbia a ambas zelar pelo pleno acesso, não apenas do demandante, mas de qualquer pessoa portadora de necessidade especial, ônus este do qual não se desincumbiram, tendo sido produzida prova, ainda, em sentido contrário, isto é, da falta de acessibilidade a todos os locais do evento”.

A pessoa com deficiência adquiriu um ingresso para ir a uma festa realizada em 28 de maio de 2016. Com a finalidade de poder enxergar melhor o palco e também de se locomover, o autor da ação escolheu ficar no andar de cima do hotel, pagando R$ 230 para ter acesso ao bangalô. Porém, ao adentrar no evento, o lugar não tinha acessibilidade adequada para que ele pudesse aproveitar a festa.

De acordo com o autor, a rampa de acesso ao bangalô contava com piso, grau de inclinação e largura totalmente inadequados, além de não possuir corrimão, dependendo da boa vontade de estranhos para chegar ao local reservado. Afirma que, além destas dificuldades, o caminho para o banheiro era preenchido por degraus.

Os organizadores do evento alegaram que nenhum bangalô é vendido sem que se saiba se o comprador necessita de algum atendimento especial, bem como ressaltou que orienta aos portadores de alguma necessidade que adquiram o espaço reservado na parte mais baixa, para facilitar o acesso.

Em defesa, o hotel contestou dizendo que a responsabilidade pelo evento ficou a cargo do locador, o qual assumiria a responsabilidade sobre as pessoas que frequentariam o local, pela segurança dos convidados e pelo trânsito das pessoas, eximindo o hotel de qualquer responsabilidade com relações a reclamações, acidentes, brigas, entre outros atritos.

Motorista viraliza na web ao parar ônibus para ajudar mulher cega a atravessar a rua em SP

Iniciativa ocorreu em Santos, no litoral paulista, e foi registrada por um motorista de um carro.

Por G1 Santos

Motorista ajuda deficiente visual a atravessar rua de Santos, SP — Foto: Arquivo Pessoal/Wanderson Plácido
Motorista ajuda deficiente visual a atravessar rua de Santos, SP — Foto: Arquivo Pessoal/Wanderson Plácido

A atitude de um motorista de um motorista de ônibus de Santos, no litoral de São Paulo, viralizou nas redes sociais. Nigson Gley de Santana, de 52 anos, parou o coletivo que dirigia para ajudar uma passageira deficiente visual a atravessar e rua. Ele conversou com o G1 nesta sexta-feira (21) e contou sobre a sua boa ação.

A iniciativa aconteceu quando a passageira do ônibus solicitou a parada. Ao perceber que ela teria que atravessar três ruas para chegar em casa, Nigson pediu licença aos outros passageiros do coletivo e correu para ajudar a mulher. Após deixar a passageira do outro lado da avenida, o motorista voltou ao coletivo e foi aplaudido pelos outros usuários. A cena foi divulgada nas web e rendeu milhares de curtidas nas redes sociais.

No entanto, a atitude faz parte do cotidiano do motorista, já que não é a primeira vez que ele ajuda a mesma mulher a atravessar a rua. De acordo com Nigson, ela é passageira frequente da linha 13, que realiza o percurso entre o bairro Rádio Clube e a Avenida Conselheiro Nébias, via Morros. "A Dona Cida sempre pega o meu ônibus. Ela pediu para descer em uma rua da Vila São Jorge e, quando vi que ela precisaria atravessar três ruas, não pensei duas vezes e fui ajudar".

                   No retorno para o ônibus, motorista foi elogiado por outros passageiros em Santos, SP — Foto: Reprodução
No retorno para o ônibus, motorista foi elogiado por outros passageiros em Santos, SP — Foto: Reprodução

"Estacionei o ônibus, pedi licença para os passageiros e levei ela até o outro lado. Quando voltei, eles aplaudiram, disseram que eu era o primeiro motorista que eles viam fazendo aquele tipo de boa ação. Não percebi que tinham tirado foto e filmado, mas fiquei muito emocionado com a reação deles", relata o motorista.

Nigson afirma que tem uma boa relação com os passageiros que transporta. "Levo muitos idosos, deficientes físicos, mulheres grávidas e com crianças pequenas, porque eles sabem que eu espero eles entrarem, se acomodarem para poder seguir viagem. Já ganhei até tomate de uma senhora que dizia que era caqui. Eu falei que estava delicioso, ia comer tudo", brinca.

"Hoje em dia, as pessoas não têm paciência com os idosos, mas algo que minha mãe me ensinou é de que a gente tem que ser bom para os outros, porque um dia também vamos ficar velhos, então eu sempre busco ajudar os outros, é uma coisa que eu levo comigo. Eu tenho um amor muito grande pelas pessoas", finaliza.

                     Post viraliza após divulgar boa ação de motorista de ônibus de Santos, SP — Foto: Reprodução/Facebook
Post viraliza após divulgar boa ação de motorista de ônibus de Santos, SP — Foto: Reprodução/Facebook

Grande repercussão

A iniciativa do motorista foi registrada e compartilhada pelo empresário Wanderson Plácido, que estava em seu carro parado em um sinal próximo quando presenciou a ação. "Isso é cidadania!", destacou o empresário na postagem que teve milhares de curtidas. Outros internautas também fizeram elogios e apontaram a boa ação do motorista.

Ao G1, Wanderson afirmou que se sentiu muito feliz ao ver a atitude de Nigson. "Depois que ele deixou a mulher no outro lado da rua, eu abaixei o vidro do carro e o parabenizei pela atitude. Ele simplesmente sorriu e agradeceu, dá pra ver que é uma pessoa muito humilde".

"Eu não imaginava que a publicação fosse viralizar. A filha dele me chamou, me agradeceu muito, disse que o pai tinha ficado muito feliz. É uma homenagem justa, temos que registrar os atos bons de amor ao próximo. Ainda existem pessoas boas, profissionais bons e comprometidos", finaliza.


                               Motorista para ônibus em Santos, SP,  ajuda deficiente visual a atravessar e imagem repercute nas redes sociais  — Foto: Reprodução
Motorista para ônibus em Santos, SP, ajuda deficiente visual a atravessar e imagem repercute nas redes sociais — Foto: Reprodução

                      Motorista parou ônibus para ajudar passageira em Santos, SP — Foto: Reprodução
Motorista para ônibus em Santos, SP, ajuda deficiente visual a atravessar e imagem repercute nas redes sociais — Foto: Reprodução

Fonte: g1.globo.com


Grupo de pagode Inverso lança clipe sobre deficiência auditiva com funkeira Taty Kiss - Veja o vídeo

Grupo Inverso lança música com Taty Kiss
Grupo Inverso lança música com Taty Kiss Foto: Divulgação

Extra

Uma mistura de pagode com funk resultou na música "Preciso de você", novo trabalho do grupo Inverso, com participação da funkeira carioca Taty Kiss. A música fala de amor e também foi lançado em videoclipe, tendo como ator principal Carlos Alberto Neto, que é deficiente auditivo desde criança. Ele retrata, no vídeo, as dificuldades que as pessoas com deficiência encontram para se socializar e se relacionar.

Todo o clipe foi produzido pelos integrantes do grupo, desde o roteiro, direção, captação de imagens, iluminação e edição. O clipe também conta com tradução simultânea de Libras, feito pela intérprete Camina Lins.

Inverso é um grupo de pagode surgido em 2011 e formado pelos cariocas da Baixada e da Zona Norte do Rio, Sanclair Bessa (voz), Dan Lessa (percussão), Diego Magalhães (cavaquinho) e Arthur Teixeira (Violão).

Assista ao clipe abaixo:


Grupo Inverso lança música com Taty Kiss
Grupo Inverso lança música com Taty Kiss Foto: Divulgação


                       Grupo Inverso lança música com Taty Kiss
                    Grupo Inverso lança música com Taty Kiss Foto: Divulgação

Fonte:extra.globo.com

Idoso é preso após prometer emprego e abusar de deficiente mental em SP

Eletrotécnico tem 74 anos e foi flagrado por testemunhas entrando em área de mata com a vítima, de 22, em Peruíbe, no litoral paulista.

Por G1 Santos

Crime aconteceu em área conhecida como 'Costão', na orla de Peruíbe, SP — Foto: Reprodução/Redes Sociais
Crime aconteceu em área conhecida como 'Costão', na orla de Peruíbe, SP — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Um eletrotécnico, de 74 anos, foi preso em flagrante suspeito de abusar sexualmente de uma jovem, de 22 anos e deficiente mental, em Peruíbe, no litoral de São Paulo. À polícia, ele alegou que estava com a garota, em uma área de mata, pois ‘arrumaria um emprego’ para ela. O crime é inafiançável.

A prisão foi confirmada ao G1 pela Polícia Civil na manhã desta quinta-feira (20). Testemunhas acionaram equipes da Polícia Militar após acharem estranho o comportamento do eletrotécnico e da jovem. Ele a teria conhecido na rua e a convenceu a acompanhá-lo para tomar um café.

Alves levou a vítima até a orla, em um local conhecido como ‘Costão’, onde entrou em uma área de mata com a jovem. Um casal percebeu a movimentação e passou a ver à distância o que acontecia, momento em que flagraram o idoso com a vítima sentada em seu colo.

Ainda de acordo com o depoimento das testemunhas à polícia, Alves chegou a passar a mão nas partes íntimas da jovem. Depois, a pegou pelo braço para levá-la para uma área mais fechada da mata. O casal entrou no local, separou a jovem do idoso e impediu que ele cometesse o ato sexual.


Caso foi registrado Delegacia Sede de Peruíbe, SP — Foto: Cássio Lyra/G1
Caso foi registrado Delegacia Sede de Peruíbe, SP — Foto: Cássio Lyra/G1

À PM, o idoso justificou que estava com a moça pois arrumaria um emprego para ela. Diante do depoimento das testemunhas, que relataram que a jovem deficiente estaria ‘acuada e aflita’, ele acabou detido e levado para a Delegacia Sede da cidade, onde o pai da garota compareceu.

O idoso foi preso em flagrante pelo crime de estupro de vulnerável, ficando na carceragem da unidade à disposição da Justiça. O crime é hediondo e inafiançável e, se condenado, ele poderá ficar de oito a 15 anos na prisão. A jovem foi submetida a exame de corpo de delito e, depois, liberada.

Fonte: g1.globo.com

Lei garante o acesso a cartões bancários com identificação em braile

Foto: Ana Volpe/Agência Senado
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O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), por meio da Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SNDPD), celebra mais uma conquista. A partir da Lei nº 13.835/19, publicada no início do mês, as pessoas com deficiência visual poderão solicitar, aos bancos, a emissão de cartões de crédito ou de movimentação de contas com caracteres de identificação em braile. O sistema consiste em uma escrita tátil utilizada por pessoas cegas ou com baixa visão.

A referida Lei entra em vigor no dia 02 de dezembro (180 dias após a publicação no Diário Oficial da União – DOU), tempo necessário para que as entidades bancárias possam se adaptar às novas regras. A partir disso, o consumidor interessado poderá entrar em contato com a administradora para pedir a troca gratuita do cartão físico.

Para a secretária nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Priscilla Gaspar, a publicação é de suma importância, pois concede mais autonomia. “O projeto visa proporcionar as pessoas com deficiência visual menor dependência da ajuda de terceiros e, por consequência, maior segurança em suas operações financeiras com cartões”, explicou a secretária.

Itens

Poderá ser solicitado, sem custos adicionais, um kit contendo, no mínimo, etiqueta de filme transparente com a identificação do tipo do cartão e os seis últimos dígitos impressos em braile; identificação do tipo do cartão, indicada pelo primeiro dígito da esquerda para a direita; fita adesiva para fixar a etiqueta em braile; e porta-cartão com inscrição, em braile, de todas as informações constantes no cartão.



quinta-feira, 20 de junho de 2019

Sem cura e com tratamento caro, autismo é desafio para pais e instituições sociais - Vejam os vídeos.

Pais enfrentam dificuldades para garantir o acesso à educação de filhos autistas. Com custo alto, tratamento é realidade distante para algumas famílias.

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Profissão Repórter 

Uma em cada 59 crianças tem algum tipo de transtorno relacionado ao autismo. Este é o número mais recente divulgado pelo Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos.

Clique AQUI para ver os vídeos

Uma lei de 2012 garante aos autistas o acesso à educação. Os que estiverem matriculados no ensino regular, e que comprovarem necessidade, têm direito a um acompanhante especializado em sala de aula.

A repórter Eliane Scardovelli acompanhou crianças com autismo de graus leve a severo que frequentam uma escola da rede pública municipal de São Paulo. O local possui um treinamento para estagiários, mas não há acompanhante para todos os alunos que necessitam de atenção exclusiva.


A falta de um profissional especializado faz com que mães acompanhem de perto os filhos na escola e até entrem na sala de aula com eles. Esse é o caso da Maria Ilda, que acompanha o filho Thiago, de 13 anos, que possui autismo severo.

"Às vezes eu não sei o que fazer. Eu fico preocupada. Como eu posso ajudar o meu filho?", pergunta Maria Ilda.

Para a psicopedagoga Juliana Koga, parte do problema da falta de acompanhamento de profissionais vem do preconceito sobre as crianças com a condição.

“Nem parece autista é uma expressão que acontece, que a gente ouve muito. E que as mães de autistas batalham para que isso não seja dito, porque é um pouco ofensivo no sentido de que não é porque não tem aquele estereótipo. E quando falam em autista o que pensam? ‘Então se batem, batem no outro, não olham, não tem contato, não interage, não tem empatia’ e não é assim”, afirma a psicopedagoga Juliana Koga.

Tratamento de alto custo

Em Fernandópolis, no interior de São Paulo, uma mãe mantém seu filho de 30 anos, com grau severo de autismo, acorrentado na maior parte do tempo. Sem condições para pagar um tratamento adequado ao filho, essa foi a única maneira que Marisa Padilha encontrou para cuidar de André, que não fala e nunca passou por um tratamento específico para o autismo. Ele só não frequentou a escola por falta de um acompanhante especializado.

Marisa parou de trabalhar há mais de 10 anos para cuidar do filho. A família vive com um salário mínimo e com o que recebe do Benefício de Prestação Continuada, pago à pessoas com deficiência pelo INSS.

“Ele não agride ninguém, só ele mesmo. Com 16 anos ele começou a se bater muito. Ele está com a orelha deformada”, diz a mãe de André.

O Ministério Público, a Justiça e a equipe de saúde de Fernandópolis sabem que Marisa mantém o filho acorrentado. Ela já o internou duas vezes. Na última ele passou mais de três meses em uma clínica psiquiátrica. “Não ajudou em nada, sabe? Ele veio do mesmo jeito. Lá ele também ficava amarrado”, completou Marisa.

Para o neuropediatra José Salomão qualquer crítica à maneira que Maria lida com o filho André é injusta pela dificuldade que se tem de cuidar de uma pessoa com autismo.

“É muito fácil criticar esse tipo de coisa. Mas coloque-se no lugar dessa mãe. Teu filho extremamente agitado, muito comprometido e que não tem acesso a nenhum outro tipo de tratamento. Por muito pior que pareça esse tipo de conduta, é a única que essa família tem”, afirma.

Schwartzman também fala que o ideal é começar o tratamento para o autismo antes dos três anos de idade. A medida pode atenuar algumas condições. Ele também diz que não há caso perdido.

“O único tratamento que tem eficácia científica são as terapias chamadas comportamentais. São trabalhos feitos por psicólogos que tentam modificar o comportamento da criança no sentido de diminuir os comportamentos inadequados e melhorar os adequados. O ideal é você começar o tratamento antes dos três anos. Mas em qualquer momento você pode melhorar algumas condições dessa pessoa. Não há caso perdido".

Tratamento com Canabidiol


Famílias de parentes com autismo estão pedindo autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para importar o Canabidiol, óleo extraído da maconha, para usar no tratamento dos filhos. Pais ouvidos pelo repórter Júlio Molica dizem que as crianças ficam mais calmas e as crises convulsivas se tornam mais raras. Mas o óleo importado é caro. Custa em torno de R$ 1,6 mil por mês. A ABRACE, uma associação da Paraíba, é a única autorizada pela Justiça a plantar maconha para fins medicinais no Brasil e atende 140 pacientes autistas.

Em João Pessoa, o repórter Júlio Molica conversou com os pais do Luan, um garoto de 8 anos, com autismo de grau moderado e que faz o tratamento com Canabidiol há seis meses.

“Depois que ele começou a fazer o tratamento com cannabis, ele está bem melhor. Ele não dormia. Ele passava de dois a três dias sem dormir. Antes ele me batia, me mordia muito”, diz Eliane Pareira da Silva, mãe do menino.

Nos últimos três anos, o número de médicos que receitam remédios à base de cannabis no Brasil quase triplicou e passou de 321 para 911. Na semana passada, a Anvisa aprovou uma consulta pública para discutir proposta para liberar o cultivo da Cannabis no país para pesquisa e a produção de medicamentos.

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Em Brasília, o repórter Júlio Molica conversou com Renato Malcher, que é neurocientista e desenvolveu um aplicativo para ajudar o filho, que nunca aprendeu a falar. Além disso, o pai recusou usar remédios convencionais para tratar as crises do filho e passaram a utilizar apenas terapias comportamentais e remédios à base de cannabis.

"A gente usa o mercado como se fosse uma enciclopédia real. A gente percorre as várias seções e usa os objetos como exemplo para ele ir adquirindo o vocabulário. E ao mesmo tempo em que a gente usa o mercado como uma forma de aumentar o vocabulário dele, ele também ganha uma certa desenvoltura na prática de fazer compras.

Fonte: g1.globo.com

Neuropediatra explica que autismo deixou de ser considerado raro, tem diagnóstico difícil e tratamento caro

O neuropediatra José Salomão Schwartzman esclarece dúvidas sobre o Transtorno do Espectro Autista. Profissão Repórter desta quarta (19) acompanha a dificuldade das famílias e das escolas para tratar crianças com autismo.

Por Nathalia Tavolieri

O neuropediatra José Salomão Schwartzman diz que muitas pessoas ainda confundem autismo com doença mental.  — Foto: Foto: Eduardo de Paula / Rede Globo
O neuropediatra José Salomão Schwartzman diz que muitas pessoas ainda confundem autismo com doença mental. — Foto: Foto: Eduardo de Paula / Rede Globo

Uma em cada 59 crianças apresenta algum Transtorno do Espectro Autista, segundo um estudo divulgado pelo Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos. A incidência é maior em homens. Não há cura para doença e o tratamento adequado pode custar até R$20 mil por mês. Confira abaixo a entrevista com o neuropediatra José Salomão Schwartzman.

O que é autismo?

José Salomão Schwartzman - Autismo é uma condição, um transtorno que apresenta algumas características básicas. Todo indivíduo diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem comprometimento da área da comunicação, comportamento e interação social. Um aspecto bastante comum é a falta de interesse de se comunicar e interagir com os outros. A pessoa com autismo tem uma tendência inata congênita ao isolamento.

Existem hoje três níveis de autismo, classificados conforme o grau de severidade aumenta: Grau 1 ou leve, grau 2 ou moderado e grau 3 ou severo. Neste último nível, a pessoa apresenta um retardo intelectual importante e não tem habilidades de linguagem e comunicação funcional. São os autistas não-verbais, de baixo rendimento. Nos casos severos, o prognóstico é difícil, por mais completo e precoce que seja o tratamento.

Há casos, por exemplo, de crianças autistas leves que são tratadas desde cedo, mas que desenvolvem o grau 3 quando crescem. Isso porque a criança autista nasce com determinado potencial e nem todo mundo responde ao tratamento da mesma forma. A maioria dos indivíduos apresenta um autismo regressivo, com um desenvolvimento normal durante a primeira infância e perda posterior das habilidades até então adquiridas.

Muitas pessoas ainda confundem autismo com doença mental. São completamente diferentes. Autismo é um problema causado por um distúrbio de desenvolvimento. Atinge o cérebro em maturação.

Uma pessoa diagnosticada com autismo pode apresentar uma doença mental?

Schwartzman - Sim. Isso é comum, embora uma coisa não leve a outra. Mas, como qualquer pessoa considerada “típica”, o indivíduo com autismo também está sujeito a apresentar outras patologias e condições psiquiátricas. É comum, por exemplo, a associação do autismo com transtorno obsessivo compulsivo, o transtorno opositor e a epilepsia.

Como os pais podem identificar os primeiros sinais de autismo?

Schwartzman - A família deve ficar atenta aos fatores de risco. Por exemplo, um bebê de um ano que não olha para a mãe, recusa o peito, não aceita colo, não atende pelo nome, não fala, fica isolado olhando para uma determinada coisa o tempo inteiro e faz movimentos repetitivos com a mãozinha. Esse tipo de comportamento tem de chamar a atenção. Não quer dizer que a criança seja autista, mas que apresenta sinais de risco para o desenvolvimento do autismo. No momento em que se percebe que algo está fora do normal, é importante ir atrás de diagnóstico e começar a tratar imediatamente.

Existe um exame que comprove o diagnóstico de autismo?

Schwartzman - Não. O diagnóstico de autismo é clínico.

Autismo tem cura?

Schwartzman - Não. Mas com tratamento adequado é possível minimizar os efeitos do transtorno. Também não há medicamentos para o autismo, mas para combater sintomas do autismo, como agressividade, hiperatividade e epilepsia. O tratamento medicamentoso não resolve, apenas atenua problemas graves.

Como é o tratamento para o autismo?

Schwartzman - O que tem eficácia científica de que funciona são os tratamentos da psicologia comportamental, que por meio de recompensas, reforçam os comportamentos adequados e diminuem os inadequados. Cada indivíduo responde ao tratamento de uma forma particular, mas é seguro dizer que quem é tratado estará melhor do que quem não é.

A pessoa com autismo não responde a apenas uma consulta semanal de 40 minutos, por exemplo. Ela precisa ser massivamente trabalhada. Recomenda-se acompanhamento de psicólogos altamente especializados de, no mínimo, 10 a 40 horas semanais.

Também é fundamental o tratamento fonoaudiológico, desenvolvendo a oralidade e métodos alternativos de comunicação, além da terapia ocupacional, trabalhando as dificuldades sensoriais do indivíduo a longo prazo.

O tratamento adequado para autismo é caro. Em São Paulo, por exemplo, tratar corretamente alguém com TEA pode custar até vinte mil reais por mês. O questionamento que se faz é: quem pode pagar por um tratamento desses a longo prazo? A imensa maioria das pessoas que precisa não tem tratamento adequado (conforme mostra o programa desta quarta-feira). O Brasil tem hoje uma política pública que garante à família alguns direitos básicos, mas não há locais de tratamento adequado sem pagamento pelo Sistema Único de Saúde. Hoje, você identifica um monte de casos, mas lamentavelmente não há muito o que fazer com essas pessoas. Ainda não tem alternativa no Brasil, pelo menos do ponto de vista público.

Antes, considerava-se que o autismo atingia uma em cada 10 mil crianças. O número mais recente que se tem hoje é que uma em 59 crianças apresenta o TEA. É um problema premente de saúde pública, que atinge milhões de pessoas. Deixou de ser considerada uma doença rara. O autismo atinge predominantemente os homens, numa proporção de cinco homens para cada mulher afetada pelo transtorno.

O autista consegue desenvolver um afeto?

Schwartzman - Cada autista tem sua própria personalidade, seu jeito de ser. Não existe aquele estereótipo do autista violento ou bonzinho. Há os que odeiam toque físico e os que adoram. Alguns são extremamente carinhosos. Algumas pessoas usam esses estereótipos para negar o diagnóstico. "Dizem que meu filho é autista, mas ele me olha nos olhos e é carinhoso", por exemplo. É preciso tomar cuidado.

As escolas estão preparadas para receber alunos autistas?

Schwartzman - A maioria não está. O autista tem um perfil peculiar, vê de um jeito, ouve de um jeito, se comporta de um jeito. Como esperar que ele aprenda e se desenvolva numa escola que baseie seu conteúdo no aluno “médio”? Uma escola inclusiva é aquela que aceita o aluno com suas limitações particulares e que, ao mesmo tempo, elabora um plano de ensino e um currículo sob medida para o aluno. Poucas escolas oferecem essa possibilidade. É caro e cansativo.

Também é preciso cuidado para não generalizar. Não é todo autista que tem de estar matriculado na escola do ensino regular. Sou a favor da inclusão, mas contanto que o aluno autista seja incluído no melhor lugar para seu desenvolvimento. Esse lugar não é, obrigatoriamente, a mesma escola dos irmãos.

Como as famílias podem se preparar para cuidar de uma pessoa com autismo?

Schwartzman - Não existe uma criança autista numa família sadia. A família também passa a ser autista. Passa a viver numa dinâmica completamente diferente do que se tivesse apenas um filho típico. O que a gente faz pouco no Brasil é um atendimento intensivo à família, como grupos de pais. Não adianta cuidar da criança autista sem levar em conta o ambiente familiar em que ela vai crescer. Para que o tratamento do autismo seja eficaz, é fundamental que a família também seja capacitada e orientada. Os pais, os terapeutas, a escola e o meio em que a pessoa com TEA vive devem apresentar uma postura mais ou menos similar.

Fonte: g1.globo.com