domingo, 7 de julho de 2019

Caixa convoca mais 800 candidatos com deficiência aprovados no concurso de 2014

Unidade da Caixa Econômica Federal: convocados vão reforçar atendimento nas agências
Unidade da Caixa Econômica Federal: convocados vão reforçar atendimento nas agências Foto: Gabriel Monteiro / 04.04.2019

Extra

A Caixa Econômica Federal começou a enviar, na quarta-feira, por telegrama, a convocação de 800 candidatos aprovados no concurso de 2014, com orientações sobre como proceder para tomar posse. Depois de passarem por exames médicos apresentarem documentos, os selecionados estarão aptos a assumirem seus postos já em agosto.

Segundo o banco, esses profissionais serão alocados em agências de todo o país. O objetivo é reforçar o atendimento nas unidades. Esses novos trabalhadores vão assinar contrato no dia 12 de julho, após passarem por um processo de treinamento e capacitação.

Ainda de acordo com a Caixa, com esta segunda convocação de aprovados no processo seletivo de 2014, a prioridade é melhorar o atendimento em cidades do interior. O banco já tinha convocado 320 candidatos em 3 de junho deste ano, sendo 299 pessoas com deficiência.

Com esta segunda convocação, o banco já soma 1.120 aprovados convocados, dos quais 1.099 têm algum tipo de limitação física ou mental. Até o fim de 2019, dois mil trabalhadores deverão ser contratados.

Segundo a instituição financeira, 73,2% dos empregados com algum tipo de deficiência têm formação superior. Além disso, 53,9% deles contam com função gratificada, sendo 17% de natureza gerencial.

Este parque de diversão foi feito para pessoas com deficiência

O lugar foi criado pelo empreendedor Gordon Hartman em homenagem à sua filha Morgan

Por Redação

Uma das principais atrações aquáticas no parque, o Recife do Arco-íris (Foto: Divulgação)
Uma das principais atrações aquáticas no parque, o Recife do Arco-íris (Foto: Divulgação)

Um dos objetivos de qualquer empreendedor é permitir que seu produto ou serviço seja acessível para todo tipo de público. Afinal, é o desejo de qualquer criador que suas invenções cheguem ao máximo possível de pessoas.

No entanto, não são todos que conseguem oferecer um serviço realmente inclusivo.

A maioria dos parques temáticos, por exemplo, não oferecem toda a infraestrutura necessária para que pessoas com deficiência aproveitem suas atrações.

Pensando nisso, a Morgans's Wonderland foi criada em San Antonio, no estado do Texas, Estados Unidos. O fundador do parque, Gordon Hartman, criou o local pensando em sua filha, Morgan, que tem deficiências nas áreas motora e intelectual.

Inaugurado em 2010, o ambiente possui o tamanho de 32 mil metros quadrados e cerca de 25 atrações. Dentro dele, também encontra-se um parque aquático com o nome de "Morgan's Inspiration Isalnd", com cinco grandes áreas para banho. O lugar é considerado o primeiro parque ultra-acessível do mundo, segundo a "Time".

parque temático, acessibilidade (Foto: Divulgação)
Gordon Hartman, fundador do parque, e sua filha, Morgan. (Foto: Divulgação)

Todo o espaço foi adapatado para que pessoas com deficiência movimentem-se livremente. Ao entrar no parque, são oferecidas cinco tipos de cadeiras de rodas especificamente criadas para andarem pelo lugar — todas com aluguel gratuito para os visitantes.

Lá, existem equipamentos de saúde espalhados pelo local, todos protegidos devidamente, e qualquer área pode ser acessada pelos visitantes sem nenhuma ajuda de terceiros. O lugar é adaptado não só para as crianças, mas também para que pais com deficiência possam viver a experiência junto de seus filhos.

parque temático, acessibilidade (Foto: Divulgação)
parque temático, acessibilidade (Foto: Divulgação)

Em junho de 2019, o parque entrou para o Hall da Fama do site Trip Advisor, site de recomendações turísticas americanos. Segundo informa o site da "My SanAntonio", o local recebeu o certificado de excelência do site de recomendações turísticas nos últimos oito anos, algo dado a apenas 5% das atrações cadastradas na plataforma.

Para entrar no parque, é preciso desembolsar entre US$ 12 a US$ 27 (de R$ 15,70 a R$ 99). Pessoas com deficiência e crianças de até dois anos não pagam ingressos.

Confira mais fotos:

parque temático, acessibilidade (Foto: Divulgação)
parque temático, acessibilidade (Foto: Divulgação)

parque temático, acessibilidade (Foto: Divulgação)
parque temático, acessibilidade (Foto: Divulgação)


Mulher se torna ativista depois de ficar paraplégica ao levar um tiro do ex aos 17 anos

Camila Domingues / Agência RBS
Carolina Santos ficou paraplégica aos 17 anos, após uma tentativa de feminicídio cometida pelo ex-namoradoCamila Domingues / Agência RBS

Do tiro disparado pelo ex que a deixou paraplégica à violência obstétrica, a porto-alegrense Carolina Santos aprendeu a seguir em frente. Não só por ela mesma. Vítima de violência e cadeirante, ela fez da própria experiência o motor para ajudar mulheres que passaram e passam pelas mesmas situações.

À frente do grupo Inclusivass, ela coordenou o projeto Todas São Todas, apoiado pelo Instituto Avon e Fundo Elas, em parceria com o Coletivo Feminino Plural e se tornou a porta-voz de diferentes causas. A seguir, ela conta como tudo mudou desde aquela manhã de domingo, quando a bala acertou sua coluna. E fala do tanto que ainda falta mudar.

“Tinha 17 anos quando levei um tiro pelas costas do meu ex, no mesmo momento em que ele matou meu namorado e se matou. Fiquei paraplégica após essa tentativa de feminicídio e vi minha vida se transformar do dia para a noite.
Naquele ano de 1999, havia terminado uma relação de meses, talvez a mais linda da minha vida, aquelas em que descobrimos o amor. Estava me sentindo totalmente perdida, pois, em seguida, também saí do meu emprego. Comecei a estudar e iniciei uma nova etapa. Foi quando o conheci no ônibus, logo nos tornamos amigos. Um tempo depois, ele começou a me enviar cartas pelo correio mesmo morando a poucos metros de onde eu vivia, na Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre. Era um jovem como eu, e começamos a namorar em seguida.

Logo de início, vieram os primeiros sinais do que viria no futuro: ciúme, cuidado excessivo e possessividade. Os meses passaram, e dois fatos me chamaram a atenção. Um dia, achei uma carta embaixo do colchão da cama dele, em que ele se despedia de mim e da sua família, narrava ali que seu amigo, falecido meses antes, tinha vindo buscá-lo. Tive uma crise de choro e pedi explicação. E ele me disse com toda naturalidade que aquilo iria acontecer e que eu não sofresse. Tempos depois, me chamou até o quarto dos pais para me mostrar algo. Tirou do forro uma caixa e uma arma, e eu pedi que a guardasse logo, sem entender por ele havia me mostrado aquilo.

Camila Domingues / Agência RBS
Carolina levou um tiro e viu o namorado ser morto pelo ex quando tinha 17 anosCamila Domingues / Agência RBS

Quando seus pais se separaram, resolvemos morar juntos, pois eu estava morando em um lugar onde não conhecia ninguém e minha mãe estava refazendo sua vida após uma separação dominada por muita violência. Foi a pior coisa que fiz: tão jovem, tendo ao meu lado um cara que queria me controlar. Não podia ir sozinha ao mercado, ninguém podia ir lá em casa. Tudo piorou quando comecei a trabalhar. Ele me levava à parada de ônibus e me buscava, eu era vigiada o tempo todo.

No trabalho conheci meu anjo Marcelo. Se em casa eu era controlada, lá na fábrica havia uma pessoa maravilhosa que me tratava tão bem. Resolvi pôr fim à minha relação e me dar uma nova chance com o Marcelo. Mas, infelizmente, tivemos poucos dias juntos.

Foi no dia 23 de abril, uma manhã de domingo. Eu estava no banheiro quando escutei alguém bater à porta. Era meu ex. Conversamos durante alguns minutos e pedi que fosse embora. Ele voltou logo em seguida pelo pátio dos fundos. Pela janela, atirou em mim pelas costas, e perdi os movimentos das pernas na hora. Matou o Marcelo e, achando que eu havia morrido, atirou nele mesmo.

Fui levada para o hospital, e só soube da morte de Marcelo 15 dias depois. Descobri que não andaria em uma troca de plantão entre os médicos, mas não entrei em pânico, parecia que eu estava preparada para aquilo. Depois de passar por uma cirurgia na coluna, eu me sentei pela primeira vez em uma cadeira de rodas. Recomeçar era preciso. Eu precisava de um neurologista e não conseguia pelo SUS.

Resolvi contar minha história no jornal, e o fotógrafo me falou do Hospital Sarah Kubitscheck, de Brasília. Meses depois, consegui a vaga. Fiquei lá 21 dias: voltei antes da hora por ter me adaptado muito rápido. Lá aprendi a viver em uma cadeira de rodas, trocar de roupa sozinha, a fazer o controle fisiológico do meu corpo e que a gravidade da minha lesão não permitiria que eu voltasse a andar.

Aprendi a viver em uma cadeira de rodas, trocar de roupa sozinha, a fazer o controle fisiológico do meu corpo e que a gravidade da minha lesão não permitiria que eu voltasse a andar

Cheguei em casa mais independente. Comecei a estudar em uma escola nada adaptada, mas que me acolheu de braços abertos, concluí o segundo grau encarando falta de ônibus adaptado. Voltei a me relacionar e aprendi a conhecer o meu corpo e seus desejos.

Toda mulher que fica paraplégica ou tetraplégica tem dúvida sobre como a lesão medular vai afetar a sua sexualidade. Eu achava que jamais teria relação com um homem. Que nenhum iria querer uma mulher em uma cadeira de rodas. Mas o tempo me mostrou que estava errada. Outra barreira era a questão da acessibilidade, uma bandeira que defendi, inclusive narrando minhas experiências no meu blog para poder ajudar outras pessoas. Acabei ficando conhecida como Carol Acessibilidade. Mas, apesar de tudo, eu ainda me culpava pelo que havia ocorrido.

Em 2013, participei de um flashmob na Redenção, uma das atividades pelo fim da violência contra as mulheres, organizada pelo Coletivo Feminino Plural. Naquele dia, chorei muito e percebi que a culpa não era minha. E, então, entendi que poderia fazer algo por mulheres que, como eu, foram vitimas desta violência. Meu blog começou a ganhar um novo olhar, tive coragem de contar minha história de vida e passei a escrever e pesquisar mais sobre o assunto.

No meio dessas tantas descobertas, depois de dois anos tentando, engravidei. Estava em uma relação há três anos com um homem deficiente visual e agora seria uma mãe cadeirante. Surgiram as dúvidas e os julgamentos. Até coisas como: “Tu és louca de querer ter um filho”. “Ele vai ter de cuidar de vocês, dois pais com algum tipo de deficiência.” Havia ainda a desinformação e a falta de acolhida. Era uma gestação de alto risco, tive infecção urinária quase até o fim, e as idas ao hospital foram muitas. A cada vez, escutava que iria perder aquele filho por estar fazendo o uso de tantos remédios. A cada consulta, um médico diferente me tocava, à mercê de profissionais sem nenhuma especialidade em mães cadeirantes. E eu e meu filho seguimos.

Foram 12 horas de trabalho de parto e muito sofrimento, pois meu corpo começou a dar sinais que nem eu nem os médicos sabiam identificar. Na sala de parto, tomada por médicos e estudantes que se acharam no direito de invadir o nosso momento, eu já pedia para morrer por não aguentar mais. Uma episiotomia e uma médica em cima da minha barriga resultaram na vinda do Roberth ao mundo.

                     Camila Domingues / Agência RBS
Carol virou uma ativista dos direitos das mulheres e das pessoas com deficiência Camila Domingues / Agência RBS

Em 2014, o Coletivo Feminino Plural me convidou para darmos início a um movimento de mulheres com deficiência, ideia realizada em um seminário de Políticas Públicas para Mulheres com Deficiência ocorrido em março do mesmo ano. Iniciei este trabalho sem ao menos saber como o faria, mas sempre com o apoio da Telia Negrão, que foi minha base para me tornar feminista e ativista. Em um segundo encontro com várias mulheres com deficiência, demos início ao Grupo Inclusivass, do qual fui coordenadora por três anos.

No meio de várias feministas, escutava palavras que nunca tinha ouvido antes e, depois, ia para o computador pesquisar o significado.

Fui descobrindo uma nova mulher, mais madura e dona de si. O trabalho pelas mulheres com deficiência e pelas que são vitimas da violência resultou em um filme que conta minha história de vida, Carol, de Mirela Kruel, totalmente acessível para as pessoas com deficiência, além de alguns artigos publicados em livros e reconhecimento pelo mundo afora.

Mas, no meio de tudo isso, ainda enfrento as barreiras diárias, como o desafio de sair de casa. A falta de acessibilidade nas ruas é um obstáculo para que eu possa fazer o meu trabalho pelas várias mulheres do Brasil. Mas sei que tenho de seguir por todas nós, mulheres que sofreram violência doméstica.”

Fontes: Donna - serlesado.blog.br

“Um ‘cidadão de bem’ armado me deixou paraplégica e matou meu namorado por ciúmes”

Elisandra Carolina dos Santos, mulher parda de cabelo cacheado, sentada diante de uma mesa olhando para o lado. Á sua direita tem um bainner escrito "A vida das mulheres importa!".
Elisandra Carolina dos Santos durante palestra (Foto: CLARA CLOCK)

Por Gil Alessi, Do El País

Elisandra Carolina dos Santos carrega no corpo e na alma as cicatrizes provocadas por um “cidadão de bem”. Era domingo, 23 de abril de 2000, 8 horas da manhã. Ela, então com 17 anos, dormia com o namorado na casa da família em Viamão, periferia de Porto Alegre, quando foi acordada por alguém batendo na porta. Ao se aproximar para abrir, previu o pior: “Pela silhueta na porta de vidro eu já percebi quem era”, conta. O ex-namorado J. A.*, 15, queria reatar o relacionamento, terminado semanas antes. “Levei ele para o quintal para conversar e falei pra ele começar vida nova e ir embora. Foi aí que ele tirou uma arma da mochila”, diz Elisandra.

A jovem se desespera, mas consegue convencer seu ex a partir. Assim que ele dá as costas ela corre para dentro de casa e tranca a porta. “Lembrei que a janela do quarto dos meus pais, que estavam viajando, tinha ficado aberta também e fui fechar”, diz. Enquanto puxava a veneziana, J.A. aparece do lado de fora e coloca o revólver em sua cabeça.

Marcelo, então namorado da jovem, acordou e foi ver o que estava acontecendo no quarto ao lado. Ao vê-lo, J.A. afirma: “Eu vou entrar aí dentro e vou matar vocês dois”. Elisandra se vira e corre em direção ao namorado. No entanto, conseguiu dar apenas alguns passos antes de ser alvejada: o tiro entrou pelo lado direito das costas, na base da coluna cervical, estraçalhou a vértebra T-2, e saiu pelo lado esquerdo do pescoço. “Quando eu dei as costas e corri ele mirou na minha cabeça e atirou. Perdi o movimento na hora. Ainda vi o Marcelo a menos de um metro de mim, mas não consegui falar nada. Quando caí eu fechei os olhos e não escutei mais nada”, lembra.



“Fiquei paraplégica por causa de piercing e hoje inspiro pessoas na web”


A estudante de recursos humanos Layane Ferreira do Nascimento, 21, de Brasília (DF), gosta de se cuidar e era modelo de uma maquiadora. Em junho do ano passado, fez um piercing no nariz. Um mês depois, perdeu o movimento das pernas por causa de uma infecção que a deixou por mais de 60 dias internada.

“Fiz um piercing no nariz em junho do ano passado. Estava tudo bem durante um mês, mas aí apareceu uma bolinha na ponta do meu nariz. Fui tratando porque achava que era uma espinha. Depois de uma semana, sumiu, mas comecei a sentir bastante dor nas costas.

Durante duas semanas, eu ia e voltava do hospital, porque os médicos não achavam nada de errado nas minhas costas e me medicavam. Na sexta-feira, acordei com as pernas bem fracas. Consegui tomar banho, ir à igreja e, na volta, deitei para tirar um cochilo. Quando acordei, às 17h, eu já não sentia minhas pernas.

Na hora, eu não fiquei desesperada, porque estava com muita dor. Achei que quando passasse a dor nas costas, eu voltaria a sentir minhas pernas. Fui levada de ambulância para o hospital e, lá, o médico fez o exame de sensibilidade dos meus membros inferiores e já colocou uma sonda, porque não estava conseguindo fazer xixi.

Os exames de sangue e de urina apontaram que eu estava com infecção no sangue. Fui transferida para outro hospital onde fizeram uma tomografia. Novamente, eles não conseguiram ver o que estava acontecendo. Perceberam que tinham uma infecção, mas não entendiam o que era.

Eu teria que fazer uma ressonância, mas, para isso, era preciso esperar por dois dias. A dor era tanta que comecei a tomar morfina. Foram os piores dias da minha vida: eu pedia para morrer por causa da dor.

                                   

Na ressonância, conseguiram ver que havia pus na coluna vertebral comprimindo três vértebras. Tive que fazer uma cirurgia para tirar a secreção. Os médicos fizeram a cultura do pus e descobriram que era uma bactéria nasal, desenvolvida na pele. Perguntaram se eu tinha tido sinusite ou alguma ferida. Contei sobre a espinha depois de perfurar o nariz. Ele me disse, então, que o piercing foi a porta da entrada para que a bactéria entrasse no meu corpo..

Fiquei mais de dois meses no hospital para fazer todo o tratamento. Atualmente, faço fisioterapia três vezes por semana para retomar o movimento das pernas.

Assim que voltei para casa, decidi que queria contar a minha história, mas aquela ainda não era a hora. Os médicos e minha família me incentivavam a falar disso, mas eu ainda não me sentia muito à vontade para me expor. Eu sempre fui vaidosa. Não sentia vergonha, mas não estava pronta para falar da situação.

Estou na cadeira de rodas há seis meses. Percebi então que estava pronta de corpo, alma e mente para contar essa história. Fiz uma série de stories no Instagram sobre a minha vida. Na época, eu tinha 1,8 mil seguidores na rede social. Depois de publicar a história, fui fazer uma sessão de fotos com minhas amigas. Quando cheguei em casa, publiquei uma das imagens. Em uma noite, dobrei a quantidade de seguidores. Atualmente, 22,3 mil pessoas me acompanham na internet.

“Tenho muito orgulho da minha cicatriz. Ela é a minha marca da vida”, diz a estudante Imagem: Barbara Leite É muito bom e satisfatório poder ajudar outras pessoas co.m o que estou passando. Nunca pensei que poderia inspirar os outros. Eu ainda estou me acostumando com essa vida, mas eu estou adorando.

Jamais pensei que tanta gente compartilharia o que eu digo. Tem algo que não me deixa desistir: é a minha fé de que vou voltar a andar, de que vou superar isso. Eu acho que é importante as pessoas verem pelo que passei para entenderem que não há nada que não possamos superar.

Quero mostrar que dá para ser alegre apesar de tudo o que passei. ,Quero também inspirar as pessoas também a serem mais gratas. A minha cicatriz na coluna é, hoje, uma das partes que mais gosto do meu corpo. É um jeito de lembrar da segunda chance que Deus me deu. Sou muito orgulhosa dela.”

Fontes: universa.uol.com.br - serlesado.blog.br

Filme “Andar Montar Rodeio”


“Andar Montar Rodeio” é um filme do Netflix baseado na história real de Amberley Snyder. A longa traz uma série de lições sobre superação e inclusão, vale a pena assistir. Por isso, decidi contar um pouco para vocês sobre a vida dessa incrível mulher!

Amberley nasceu em janeiro de 1991 no sul da California. Aos 3 anos de idade, começou a fazer aulas de equitação e desenvolveu uma grande paixão pelos cavalos. E aos 7 anos se mudou para Utah com a família onde iniciou sua carreira nos rodeios. Desde muito pequena, Amberley sempre teve uma grande habilidade de comunicação com seus cavalos e se conectava com eles de uma forma muito pessoal.

Logo, vieram as premiações. Seus pais incentivavam seu lado competitivo , dizendo sempre que o trabalho duro supera o talento quando o talento não trabalha duro. E esse tornou-se o objetivo diário de Amberley durante os treinos e as competições. Em 2010, com sua carreira em ascensão, ela se tornou presidente da FFA State Utah e estava consciente de que sua vida mudaria completamente.

Contudo, em janeiro deste mesmo ano, Amberley estava a caminho de mais uma competição em Denver quando tirou o cinto para checar o mapa e perdeu o controle da caminhonete que dirigia. O veículo capotou, ela foi jogada para fora batendo em uma cerca de madeira, o que quebrou sua coluna. Ao chegar no hospital, depois de várias horas de cirurgia, descobriu que o erro que cometera naquele dia mudaria sua vida para sempre. O médico disse que se ela não tivesse tirado o cinto, provavelmente não teria quebrado a coluna daquela forma e perdido para sempre os movimentos das pernas.

Mas isso não afetou o seu espírito competitivo: sua prioridade, mais do que voltar a andar, era poder cavalgar novamente. Incrivelmente, após apenas 4 meses depois do acidente, ela conseguiu montar em seu cavalo Power.

Apesar de todos os desafios e adversidades que Amberley enfrentou, ela nunca parou de lutar para alcançar seus objetivos. Sua filosofia de ” trabalhar duro” nunca foi afetada e dizem que depois do acidente ela ficou ainda mais forte. Isso porque depois do acidente, Amberley percebeu que teria uma oportunidade única de inspirar pessoas. Ela agora inspira milhares de pessoas em todo o mundo contando sua história e participando de rodeios. Dessa forma, ela permitiu que seus desafios a melhorassem e não a definissem!

Durante uma crise que Amberley teve pouco tempo depois do acidente, sua mãe lhe disse: ” Sua cadeira de rodas pode ser sua âncora ou suas asas. Você é quem decide o que ela vai ser!”.

Fontes: https://diariodainclusaosocial.com/ - serlesado.blog.br

Maternidade com deficiência: advogada dá o primeiro passo para um dia ser mãe

Nathalia Blagevitch conta desafios e início da sua preparação com congelamento de óvulos

Foto da barriga de uma mulher que está sentada e com o umbigo à mostra. Ao fundo, há a sombra de um coração na parede.

Por Elza Albuquerque

Há muitos tabus que envolvem a questão da mulher com deficiência, principalmente quando o assunto é ter filhos. Pode? Não pode? O melhor a fazer, para quem tem dúvidas, é buscar um profissional da área. Outra dica é não julgar.

A orientação é de quem vive isso na pele: Nathalia Blagevitch, advogada, palestrante, professora e idealizadora do Caminho Acessível. Independente, aos 27 anos de idade, ela escolheu congelar seus óvulos para planejar melhor sua vida e ter uma segurança no caminho de realizar sua vontade de ser mãe. Nathalia nasceu com hemiplegia, um tipo de paralisia cerebral que limita a mobilidade da parte direita do seu corpo. Ela costuma ouvir, com frequência, muitos julgamentos de pessoas dizendo que não pode ter filhos ou até mesmo o que pode ou não pode fazer com base no simples fato de ter deficiência.

Após seus 24 anos, começou a pensar seriamente sobre a maternidade. “O meu maior receio era ter algum tipo de obstáculo para ter filhos. Além da questão da deficiência, a idade também me preocupou. Por isso, resolvi me precaver como um primeiro passo para a realização do meu sonho. Para completar, em dezembro do ano passado, veio a confirmação do diagnóstico de fibromialgia”, disse.

Após muita pesquisa na internet, Nathalia resolveu consultar uma médica ginecologista, obstetra especialista em reprodução humana para fazer uma investigação mais aprofundada sobre suas possibilidade.

“Logo na primeira consulta, a profissional disse que a minha deficiência não era impedimento para ter filhos e que podia fazer logo o congelamento de óvulos. Eu me senti muito segura. A doutora estava muito tranquila em relação ao fato de ter deficiência física e querer ter filhos. Isso me deu muita paz de espírito para fazer o procedimento. Hoje, fico feliz com a possibilidade de dizer que, em muitos casos, a mulher com deficiência pode, sim, ter filhos e planejar a maternidade”, disse.

Como lidar com o tabu

Com a notícia, a advogada fez os exames preparatórios que qualquer mulher faria para realizar o congelamento dos óvulos. Ela compartilha como se sentiu após o procedimento. “Tirei foto da minha barriga, curti muito e não senti nada demais. Foi um momento de muito amor e gratidão. Tudo isso porque, apesar da deficiência, eu consigo fazer o que eu quiser. Percebi que, muitas vezes, a limitação que surge é criada por mim, na minha cabeça. A minha deficiência não me impede de fazer nada. Após essa experiência, eu me sinto mais forte para fazer o que eu quiser” afirma.

A advogada lida, com frequência, com um tabu que as pessoas têm da mulher com deficiência ser mãe. “Eu não admito isso. A sociedade precisa parar de apontar o dedo sem saber a real situação da mulher. Já ouvi mulheres dizendo que não ovulava, por exemplo. Isso é um absurdo”, conta.

O mito da pessoa com deficiência poder ou não ter relações sexuais também é algo que ouve com frequência. “Muitas vezes me questionaram se eu podia ter ou não uma relação sexual e até mesmo uma relação sexual satisfatória. Há muito tabu sobre esse tema. Existem jeitos e jeitos de se quebrar e se falar sobre isso. Se você tem deficiência, busque a informação com um médico. Pare de ouvir os sabichões e vá buscar ajuda de um profissional”, aconselha.

Próximos passos

Independência é praticamente uma palavra-chave na vida da advogada. Ela diz que o procedimento trouxe tranquilidade para poder planejar melhor a sua própria vida. “Agora dá tempo de investir mais no lado profissional e terminar a minha segunda graduação, que é Psicologia. Após essa etapa, conseguirei me dedicar com intensidade a esse momento incrível que é a maternidade. A deficiência não é obstáculo para nada”, afirma.