quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

Casal de cadeirantes improvisa sala de aula na garagem e ajuda a alfabetizar crianças em Ribeirão Preto - Veja o vídeo.

Telefonista Sônia Soranzo, de 60 anos, e aposentado Jeferson Andrade, de 55, ensinam português e matemática de graça. 'Estamos mudando a história com lápis e borracha', dizem.

Por Pedro Martins*, G1 Ribeirão Preto e Franca - *Sob supervisão de Thaisa Figueiredo

Além do português e da matemática, tia Sônia e tio Jeferson ensinam lições de vida em Ribeirão Preto (SP) — Foto: Pedro Martins/G1
Além do português e da matemática, tia Sônia e tio Jeferson ensinam lições de vida em Ribeirão Preto (SP) — Foto: Pedro Martins/G1

A telefonista Sônia Soranzo, de 60 anos, e o vendedor aposentado Jeferson Andrade, de 55, enfrentaram muitas dificuldades ao perder o movimento das pernas. Mas a limitação física não impediu o casal de seguir adiante, e serviu de inspiração para a criação de um projeto que ajuda crianças em um momento determinante da vida: a alfabetização.

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Apesar de não terem terminado os estudos, Sônia e Jeferson acreditam que só a educação é capaz de transformar o mundo. Por isso, decidiram abrir as portas de casa, no bairro Orestes Lopes de Camargo, em Ribeirão Preto (SP), para meninos e meninas com dificuldade de aprendizagem. É na garagem transformada em sala de aula que eles oferecem aulas de reforço escolar gratuitas.

“A gente levanta a autoestima e mostra que eles são capazes. Começamos pelo básico: ensinamos a ler, escrever e a pensar", diz Sônia. "Tem criança que chegou aqui sem saber ler e escrever, mas hoje está em uma faculdade."

Dedicação

Sônia e Jeferson se conheceram há cerca de 30 anos em um jogo de basquete para cadeirantes. No amor, o casal encontrou a força necessária para superar desafios, que começaram a ser impostos desde cedo.

Ela teve paralisia infantil e, aos 16 anos, precisou trocar as muletas por uma cadeira de rodas devido a uma cirurgia malsucedida na coluna. Com a mesma idade, Jeferson perdeu os movimentos das pernas após uma meningite grave.

As conquistas do casal vieram com suor. Antes de se aposentar, Jeferson vendeu doces no semáforo, enquanto Sônia trabalhava como telefonista. Na folga, eles ainda juntavam latinhas para ter uma renda extra e, pouco a pouco, conseguir levantar as paredes de casa.

Sônia Soranzo e Jeferson Andrade dão aulas de reforço escolar na garagem de casa em Ribeirão Preto (SP) — Foto: Pedro Martins/G1
Sônia Soranzo e Jeferson Andrade dão aulas de reforço escolar na garagem de casa em Ribeirão Preto (SP) — Foto: Pedro Martins/G1

Quando terminaram a construção, eles sentiram falta de um compromisso que os mantivessem motivados no dia a dia. Foi quando surgiu a ideia de oferecer as aulas de reforço escolar.

“Um dia, assistindo ao culto, veio na palavra que tinha que investir em educação e cultura. Aí, no outro dia, bateu uma criança na minha porta, pedindo para eu ajudar com reforço escolar, que os pais iam me pagar”, relembra Sônia.

O casal aceitou o pedido, mas dispensou o dinheiro e decidiu chamar outras crianças para participar das aulas. Em pouco tempo, a sala estava cheia. O projeto, batizado de Suave Caminho, atende cerca de 20 crianças com idade entre cinco e 12 anos, divididas entre duas turmas.

Crianças aprendem português e matemática nas aulas da tia Sônia e do tio Jeferson em Ribeirão Preto (SP) — Foto: Pedro Martins/G1
Crianças aprendem português e matemática nas aulas da tia Sônia e do tio Jeferson em Ribeirão Preto (SP) — Foto: Pedro Martins/G1

Reforço escolar

Os alunos mais velhos vão à aula de segunda e quarta-feira, enquanto os mais novos frequentam o projeto de terça e quinta-feira. Aos sábados, eles se juntam para aprender a tocar violão com um voluntário da comunidade.

As aulas começam às 17h30 e têm duração de uma hora e meia. Com a tia Sônia e o tio Jeferson, as crianças aprendem a ler, a escrever e a fazer operações matemáticas básicas, como soma, subtração, multiplicação e divisão.

“A gente organiza o alicerce, porque, com um alicerce bem feito, as paredes sobem direito. Agora, se não estiver bem feito, você vai sendo empurrado”, diz Sônia.

Tio Jeferson dedica a vida às aulas de reforço que oferece na garagem de casa em Ribeirão Preto (SP) — Foto: Pedro Martins/G1
Tio Jeferson dedica a vida às aulas de reforço que oferece na garagem de casa em Ribeirão Preto (SP) — Foto: Pedro Martins/G1

Tia Sônia e tio Jeferson conhecem as dificuldades de cada criança e procuram tratá-las de maneira individualizada. Quando percebem que um aluno não está se sentindo bem, por exemplo, o casal prefere deixá-lo livre para fazer desenhos ou ler gibi, ao invés de forçá-lo a aprender.

“Estou lidando com gente, não com objetos”, diz Sônia. “Eu abraço, beijo. Se você está contente, ninguém vai dizer 'não fica contente, não'. Agora, se está triste, tem que respeitar também.”

Karina Macedo estuda há 5 anos com tia Sônia e tio Jeferson: 'São meus segundos pais', diz — Foto: Pedro Martins/G1
Karina Macedo estuda há 5 anos com tia Sônia e tio Jeferson: 'São meus segundos pais', diz — Foto: Pedro Martins/G1

Lições de vida

Além do português e da matemática, o casal ensina as crianças a respeitar as diferenças de cada colega para conviverem de maneira harmoniosa. Essas lições não estão nos livros, mas em atividades que fazem parte da rotina dentro da sala de aula, como o compartilhamento do material escolar.

“Cada um tem seu lápis e sua borracha. Mas, antigamente, ficavam em cima da minha mesa e eles compartilhavam”, relembra Sônia. “A essência daqui é o amor. É o ser, e não o ter. Ser amado, ser querido, ser respeitado, ser família.”

Outro aprendizado constante do projeto Suave Caminho é a importância de não desistir dos sonhos, independentemente de qualquer problema. As crianças têm como exemplo a própria história de vida dos professores.

“A maior lição não está na lousa. Está na minha cadeira e na do Jeferson, porque eles veem que o impossível é possível. Basta querer”, afirma Sônia. “A pior deficiência é a preguiça, porque não tem nada que resolva. Não saber não é um problema. Não querer aprender é.”

Na dificuldade, Sônia e Jeferson encontraram inspiração para ajudar o próximo em Ribeirão Preto (SP) — Foto: Pedro Martins/G1
Na dificuldade, Sônia e Jeferson encontraram inspiração para ajudar o próximo em Ribeirão Preto (SP) — Foto: Pedro Martins/G1

Amor de pai e mãe

Para oferecer o reforço escolar, o casal diz que tem que se desdobrar. Jeferson, que é aposentado e passa mais tempo dentro de casa, é quem limpa e organiza a sala de aula, enquanto Sônia prepara as aulas e corrige as tarefas dos alunos assim que chega do trabalho.

“Levanto às 4h30, saio às 6h e volto quase 14h. É Deus e nós dois. Não é fácil. Para você colocar essa mesa lá, é um minuto. Para o Jeferson, não. Ele tem que por a mesa no colo e ir com a cadeira. Mas a gente faz. Deus não escolhe capacitados. Ele capacita os escolhidos”, afirma Sônia.

Além das dificuldades provocadas pela deficiência, o casal passa aperto para pagar as contas de água e luz, que aumentaram com as aulas. O esforço, no entanto, vale a pena. Carinhosos, sempre distribuindo abraços e beijos, os dois dizem que os alunos são os filhos que eles não tiveram.

“Luto por eles como lutaria por um filho”, diz Sônia. “Meu sonho é abrir a porta de um consultório e ver uma criança que saiu daqui. A gente está mudando a história com lápis e borracha, não com pote de ouro.”

Sônia Soranzo e Jeferson Andrade improvisaram sala de aula dentro da garagem em Ribeirão Preto (SP) — Foto: Pedro Martins/G1
Sônia Soranzo e Jeferson Andrade improvisaram sala de aula dentro da garagem em Ribeirão Preto (SP) — Foto: Pedro Martins/G1

Fonte: g1.globo.com



Pai tenta superar morte do filho sendo as "pernas de aluguel" de outro cadeirante na São Silvestre - veja o vídeo.

Dalton Macedo correu 4 São Silvestres com o filho, cadeirante, do projeto Pernas de Aluguel. Com a morte de Vitor, ele entrou em depressão. Voltou a correr para levar outros cadeirantes

Por Guilherme Pereira e Marcel Merguizo — São Paulo

Foto: Arquivo pessoal
Pai tenta superar morte do filho sendo as

A preparação e a concentração são para um ato simples: ajudar alguém. Tão fácil quanto correr é se colocar à disposição para ser as pernas de uma outra pessoa. Dalton Macedo faz parte do projeto Pernas de Aluguel, que, por meio de voluntários, leva pessoas com deficiência para participar de provas de rua. É o esporte como ferramenta de inclusão social.

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Não são todas as pessoas que tem o discernimento de estar incluso. Algumas não tem, infelizmente. Outras felizmente tem esse discernimento. E o meu filho tinha o discernimento de tudo – diz Dalton.

O Vitor, filho de Dalton, morreu há um ano. Foi ele quem fez o pai gostar de esporte. Juntos, eles completaram quatro corridas de São Silvestre. Só que sem o parceiro de vida e de provas, Dalton entrou numa depressão profunda.

Quando eu perdi meu filho, minha vida parecia que tinha acabado. Entrei numa depressão muito profunda. Larguei tudo. Não queria saber de mais nada... Nem de viver!

O vazio deixado pela morte do Vitor foi sendo preenchido aos poucos. Mas, pra isso, Dalton teve que voltar para as corridas de rua. Teve que voltar a ser a perna de aluguel de quem tanto precisa. Agora, ele corre ao lado do Marco Valente Coppini pra ajudar a conduzir o filho dele, o Marquinhos, que era um dos melhores amigos do Vitor.

Ele já é parte da nossa família já! A gente já conhece ele há tanto tempo que consideramos ele um familiar – comenta Marquinhos.

As pessoas saírem de casa para doar um pouco da sua perna pra levar o meu filho, pra poder acompanhar o papai no ritmo dele, eu creio que empatia. Tá faltando empatia no mundo, né? – completa Marco.

Amizade e esporte foram a cura. Os três estão juntos em provas de rua, de montanha e até de obstáculos. E, em todas, eles terminam juntos.

O importante é que eu consigo manter meu filho em todas as corridas dentro de mim. Corro por ele e é ele quem me conduz – afirma Dalton.

Amanhã, lá no meio das milhares de pessoas que vão participar da São Silvestre, estarão os Pernas de Aluguel, o Marco, o Marquinhos, o Dalton e - por que não? - o Vitor também.

O drama das crianças que precisam ser vigiadas para não 'comer até morrer' - Vejam os vídeos.

Síndrome de Prader-Willi é condição genética rara que faz pacientes terem fome insaciável; ela pode provocar obesidade e diabetes e atrasa o desenvolvimento mental.

Por BBC

Hector diz que, se não for supervisionado, Christian, de 18 anos, pode, de fato, comer até morrer: 'Tudo é comida para ele' — Foto: BBC
Hector diz que, se não for supervisionado, Christian, de 18 anos, pode, de fato, comer até morrer: 'Tudo é comida para ele' — Foto: BBC

A geladeira da casa de Hector Fernandez está sempre trancada. A porta da cozinha também. Assim como a despensa e o armário de remédios. Qualquer lugar que contenha alguma coisa remotamente comestível fica fechado com chaves, que ficam escondidas sob o travesseiro de Hector à noite.

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Não é que ele seja paranoico com ladrões. É porque seu filho tem uma condição genética incurável: a síndrome de Prader-Willi. A condição, batizada em homenagem aos dois pesquisadores que a descobriram, em 1956, faz com que uma pessoa tenha uma fome insaciável.

Hector diz que, se não for supervisionado, Christian, de 18 anos, pode, de fato, comer até morrer.

"Ele já comeu comida de cachorro da tigela, do lixo, esvaziou um tubo inteiro de pasta de dente na boca. Para ele, é tudo comida...", diz ele, sendo interrompido por Christian, que diz estar com fome.

Hector dá a ele uma única fatia de abacaxi, pré-cortada para garantir que ele não consuma mais açúcar do que é necessário pela manhã.

Obesidade, diabetes e acessos de fúria

Além obesidade e diabetes, o que reduz sua expectativa de vida, crianças com a condição têm atrasos de desenvolvimento e problemas comportamentais — Foto: BBC
Além obesidade e diabetes, o que reduz sua expectativa de vida, crianças com a condição têm atrasos de desenvolvimento e problemas comportamentais — Foto: BBC

A síndrome de Prader-Willi se origina de uma ausência ou repetição do cromossomo 15 e tem um efeito devastador sobre os pacientes e suas famílias.

Além de sofrer de obesidade e diabetes, o que reduz sua expectativa de vida, as crianças com essa condição têm atrasos de desenvolvimento mental e problemas comportamentais.

Christian pode, por exemplo, ter um acesso de fúria e ficar violento se não receber a comida que deseja.

"É como um furacão que destrói qualquer coisa em seu caminho", diz seu pai, mostrando um vídeo de um recente episódio.

Seus pais até já o amarraram a uma cadeira acolchoada para impedir que se machucasse ou ferisse seus cuidadores. "Eu toco um dia de cada vez. Não sei o que acontecerá com ele depois que eu me for", diz Hector, incapaz de conter as lágrimas e manifestando uma preocupação comum entre os pais de quem tem Prader-Willi.

Faltam especialistas em Cuba

Lidar com as complicações da doença é especialmente difícil em Cuba. Hector tenta alimentar seu filho com uma dieta macrobiótica para controlar seu peso e o nível de açúcar em seu sangue. Em um almoço, por exemplo, ele serve a Christian um prato de vegetais crus e um biscoito de arroz integral.

Mas até encontrar biscoitos de arroz é uma luta em Cuba. Não é fácil achar alimentos integrais e os medicamentos corretos em uma ilha afetada por um embargo econômico americano que já dura décadas e por anos de má administração econômica por parte do Estado. Embora o governo cubano elogie seu sistema de saúde, há um déficit crônico de investimentos.

Hector diz que os médicos em Cuba quase não têm experiência no tratamento de Prader-Willi.

"Sendo uma doença rara, há muito poucos médicos no país que já viram pacientes que a tenham. Podem ter visto um caso há 20 anos e nunca mais se depararam com outro. Não há especialistas aqui."

Em um mundo ideal, diz Hector, pacientes de Prader-Willi deveriam ser atendidos também por nutricionistas, psiquiatras e fisioterapeutas.

Situação no país está melhorando

Ainda assim, as coisas estão começando a mudar. No mês passado, Cuba sediou a 10ª Conferência Internacional Prader-Willi.

O fórum reuniu pesquisadores, médicos, pacientes e suas famílias para compartilhar experiências. É uma oportunidade inestimável, diz o presidente da Organização Internacional Prader-Willi, Tony Holland.

"O mais importante é que famílias, cientistas e profissionais de saúde possam aprender um com os outros, porque alguns países têm serviços muito bons para tratar a doença, outros não", afirma Holland.

A intenção é que as pessoas possam "batalhar por melhor atendimento e ser capazes de debater sobre o melhor tratamento para seus filhos" quando voltarem para casa, diz ele.

Como professor emérito de psiquiatria da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, Holland adquiriu anos de experiência com a síndrome de Prader-Willi e observou o tratamento da doença em muitas partes do mundo.

Apesar dos enormes avanços ainda necessários em Cuba, ele acredita que existem alguns sinais encorajadores.

"O país agora tem a capacidade de fazer o diagnóstico genético. Os médicos estão começando a conhecer a síndrome, existe uma comunidade de famílias de pessoas com Prader-Willi, e isso é muito importante".

Em 2010, os pais de pacientes com a síndrome realizaram seu primeiro encontro nacional em Cuba. Apenas seis famílias apareceram. Hoje, há mais de cem famílias cubanas identificadas com a doença — e, graças às melhorias no acesso à internet, elas estão sempre em contato.

Hector também começou a conscientizar seus vizinhos sobre a doença Prader-Willi. Ele explica a elas que Christian não é apenas um pouco gordinho e mentalmente pouco desenvolvido, mas corre risco de morte, todos os dias.

"Há uma tendência aqui de recompensar crianças com doces. Mas as pessoas não percebem que um doce aqui, outro acolá, podem matá-lo."

Fonte: g1.globo.com

Jovem e mulher com deficiência visual são resgatados após serem mantidos em cárcere privado na BA - Veja o vídeo.

Segundo a polícia, jovem vivia acorrentado às ferragens de uma máquina de costura. Ele conseguiu fugir e foi encontrado por populares, que chamaram a polícia. Caso aconteceu em Guanambi.

Por G1 BA

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Jovem que era mantido em cárcere privado e mulher são resgatados em Guanambi

Um jovem de 18 anos e uma mulher de 50 anos foram resgatados pela polícia após serem mantidos em cárcere privado na cidade de Guanambi, no sudoeste da Bahia, na tarde desta segunda-feira (30).

Clique AQUI para ver o vídeo.

De acordo com a delegacia da cidade, o adolescente vivia acorrentado às ferragens de uma máquina de costura, dentro de uma residência sem cobertura e com péssimas condições de higiene. Ele conseguiu fugir e foi encontrado por populares, que acionaram a polícia.

Ao chegar no local onde o adolescente vivia em cárcere, os policiais encontraram a mulher, que tem deficiência visual e não conseguia andar. As vítimas foram levadas para a delegacia da cidade, onde o caso foi registrado.

A polícia de Guanambi detalhou ainda que as vítimas estavam sobre a custódia de uma mulher, identificada como Isabel Porto de Sousa. Ela foi levada para a delegacia e em depoimento, Isabel disse que resgata pessoas na rua com algum tipo de deficiência e leva para essa residência.

A delegacia não deu detalhes sobre o adolescente estar acorrentado, nem informou se Isabel ficou detida. Também não há detalhes se as vítimas estavam feridas. O caso é investigado.

Jovem e mulher com deficiência visual são resgatados após serem mantidos em cárcere privado na BA — Foto: Reprodução/TV Bahia
Jovem e mulher com deficiência visual são resgatados após serem mantidos em cárcere privado na BA — Foto: Reprodução/TV Bahia

Fonte: g1.globo.com

Por que crianças autistas são sensíveis ao barulho dos fogos de artifício?

Imagem: iStock
Crianças com autismo podem apresentar hipersensibilidade aos sons muito altos, como é o caso dos estouros provocados por fogos de artifício - iStock
Crianças com autismo podem apresentar hipersensibilidade aos sons muito altos, como é o caso dos estouros provocados por fogos de artifício

Danielle Sanches Do VivaBem, em São Paulo
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A última semana de mães e cuidadores de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) para que os fogos de artifício sejam eliminados das comemorações na noite da virada do ano — ou ao menos que se usem fogos com ruídos mais baixos.

Tudo porque é comum encontrar crianças (e também adultos) com TEA que sofrem crises por conta do barulho excessivo dos rojões e foguetes utilizados para celebrar a chegada do novo ano.

O problema acontece pois muitos indivíduos com TEA apresentam uma hipersensibilidade sensorial aos estímulos do ambiente. O fator é, inclusive, um dos critérios levados em conta na hora de fechar o diagnóstico. Um latido de cachorro ou uma buzina de caminhão, por exemplo, podem ser suficientes para causar pânico em crianças dentro desse espectro.

E como se eles escutassem todos os sons do ambiente de uma só vez sem focar a atenção em nenhum deles, provocando uma sobrecarga naquele sentido. "É algo que foge ao controle deles", explica a neuropsicóloga Deborah Moss, mestre em psicologia do desenvolvimento pela pela USP (Universidade de São Paulo).

A hipersensibilidade sensorial pode ainda acometer outros sentidos. No caso do tato, a criança pode ter medo de texturas e evitar andar descalço na grama ou usar meias, por exemplo. Quando atinge o paladar, pode fazer com que o indivíduo coma apenas alimentos pastosos, ou só secos. No campo visual, luzes intensas também podem provocar essa sobrecarga sensorial, que acaba causando desconforto e até comportamentos agressivos nos autistas.

De acordo com Marcos Escobar, neuropediatra no Hospital das Clínicas da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), isso acontece porque indivíduos com a condição tem dificuldade em entender o contexto das situações, impedindo que ela consiga modular seu comportamento. "Ela não consegue prever o que vem depois e isso a assusta, faz com que ela fique frustrada e se desorganize", explica.

"Desorganizar" é a palavra mais usada para descrever uma crise pois é exatamente isso o que acontece: o indivíduo sente-se sobrecarregado pelos estímulos que recebe e, como não consegue entender o contexto da situação, acaba tendo dificuldade para organizar sua percepção e modular sua reação a eles.

No caso dos fogos de artifício durante a virada do ano, indivíduos neurotípicos (isto é, que não estão dentro do espectro autista) compreendem que eles serão disparados porque é uma tradição social para celebrar a data. "Mas, se acordássemos às três da manhã de um dia comum com uma bateria de fogos imensa na nossa janela, ficaríamos confusos com aquilo, questionaríamos se são fogos ou tiros, sentiríamos irritação e até medo", explica o médico.

Terapias ajudam, mas não resolvem

De acordo com Escobar, quadros mais leves de TEA acabam tendo uma cognição social mais desenvolvida, permitindo que esses indivíduos se adaptem melhor à hipersensibilidade. Quando o grau é mais grave, no entanto, a contextualização das situações é muito difícil.

Uma das formas de amenizar o problema é trabalhar com terapeutas ocupacionais para que o paciente seja dessensibilizado dos estímulos que deixam a criança desorganizada. Os pais também podem ajudar na contextualização, explicando que aquele som é esperado e que irá acabar depois de alguns minutos.

Moss lembra ainda que, durante a crise, é importante que os pais ou cuidadores realizem um trabalho de contenção da criança para evitar que ela se machuque ou machuque outros. Vale também tentar criar um ambiente controlado, mais silencioso e com menos pessoas, em que a criança se sente segura, para passar pelo período.

A especialista lembra, no entanto, que as terapias podem ajudar, mas não resolvem a questão. "Não existe um aprendizado, um treino sobre como lidar com a situação", afirma. "Isso é uma característica daquele indivíduo e é mais fácil nós nos adaptarmos à realidade deles", explica.

Os dois especialistas concordam que, nesse momento, é importante tentar se colocar no lugar do autista para compreender quão difícil é vivenciar aquele momento. "Não é birra ou falta de vontade. As terapias ajudam, mas nunca vão modificar a hipersensibilidade sensorial desses indivíduos", afirma Escobar.

Acessibilidade no Museu Mais Doce do Mundo

Acessibilidade no Museu Mais Doce do Mundo

por Ricardo Shimosakai

O Museu Mais Doce do Mundo é uma proposta interativa para que os visitantes possam nadar em uma piscina de marshmallow, tirar fotos com donuts gigantes e outras delícias gastronômicas.

Em São Paulo, a exposição não foi em um museu, mas em uma casa que já tinha sido um show-room de uma marca de eletrodomésticos. O local é um sobrado com degraus na entrada, tentaram preparar o local para acessibilidade colocando plataformas elevatórias e rampas, mas várias coisas ainda falharam.

Não só na estrutura do local, mas na proposta da própria exposição. Havia muitas crianças, então porquê não colocar um desses donuts gigantes numa altura mais baixa, para que os pais não precisem levantar elas para fazer a pose para a foto? Do mesmo jeito estariam pensando em pessoas de baixa estatura, ou até mesmo cadeirantes.

Muitos são os detalhes que só um olhar experiente consegue apontar. Adequar para acessibilidade não quer dizer necessariamente ser algo difícil, demorado e caro. No exemplo que eu dei, é muito fácil fazer, demora minutos, e não custa nada! Ainda assim, muitos ainda tem resistência em contratar minha consultoria, infelizmente.

Atleta Paralímpico de Santa Bárbara d´Oeste vence a corrida de São Silvestre

Fantástico!!! Josenilton 1º lugar masculino cadeirante na São Silvestre 2019 . Foto Paulo Pinto /Fotos Publicas

DENNIS MORAES

O atleta paralímpico da SBAtletismo/ Seme (Secretaria Municipal de Esportes) Josenilton Souza conquistou o 1º lugar na 95ª Corrida Internacional de São Silvestre. A competição aconteceu nesta terça-feira (31) de manhã e reuniu milhares de atletas amadores e profissionais de diversas nacionalidades para um desafio de 15 km.

Organizada pela Fundação Casper Líbero e Gazeta, o evento esportivo é realizado na Avenida Paulista. O segmento em que o barbarense competiu é corrida para atletas cadeirantes.

Josenilton é integrante da equipe SBAtletismo/Seme. Em 2018 participou pela primeira vez da prova, alcançando o vice-campeonato.

A temporada de 2019 foi de grandes resultados para o competidor, que terminou em 2º lugar no Ranking Brasileiro em Maratona de 42 km e em 4º lugar no Ranking nos 10 km. A SBAtletismo é comandada pelos técnicos Carlos Alberto Sachetto e Leandra Piveta.

São Paulo SP 31 12 2019 Josenildo 1º lugar masculino cadeirante na São Silvestre 2019 . Foto Paulo Pinto /Fotos Publicas

Josenilton, por sua vez, se superou após uma São Silvestre de 2018 um pouco frustrante. Na oportunidade, ele teve um problema mecânico e, ainda assim, conseguiu chegar em segundo. Desta vez, obteve o lugar mais alto do pódio, mesmo sem os melhores equipamentos.

“Uma amiga falou para mim ontem que eu ia chegar em primeiro, mas eu respondi que tinha uns cabras melhores do que eu e com cadeiras melhores. Eu disse que era impossível terminar em primeiro, no máximo um segundo ou terceiro lugar. Quando vi que cheguei em primeiro, foi uma grande honra”, celebrou.

“Esse ano para mim é uma coisa inesquecível. Fui mais firme, melhorei o tempo em relação ao ano passado. Quero agradecer toda a organização do evento por essa linda corrida, que é uma das melhores do mundo”, completou o competidor que encerrou a prova em 55min51s.

Com Informações da Gazeta Esportiva