quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Cadeirante conta frustração ao tentar embarcar para a 1ª viagem de avião; 'só embarcaria com acompanhante'

Paraplégico pagou R$ 700 por táxi e percorreu cerca de 300 quilômetros até aeroporto de Montes Claros. ‘Sou um cadeirante independente e ativo, moro sozinho e resolvo todas as minhas coisas’. Ele diz que não sabia que precisaria de acompanhante para viajar.

Por Michelly Oda, Grande Minas

Cadeirante saiu de Berilo para pegar avião em Montes Claros — Foto: Michele Carvalho / Inter TV
Cadeirante saiu de Berilo para pegar avião em Montes Claros — Foto: Michele Carvalho / Inter TV

Um cadeirante conta que se sentiu frustrado ao tentar embarcar em sua primeira viagem de avião em Montes Claros (MG) nesta quarta-feira (15). Para pegar o voo com destino a São Paulo, Isna Lopes dos Santos pagou R$ 700 de táxi e percorreu cerca de 300 quilômetros de Berilo, no Vale do Jequitinhonha, ao aeroporto. No guichê, foi informado que não embarcaria sem um acompanhante.

“Me falaram que eu só podia embarcar se tivesse um acompanhante, mas minha amiga comprou a passagem, falou que eu era cadeirante e não teve nenhuma orientação."

" Sou um cadeirante independente e ativo, moro sozinho e resolvo todas as minhas coisas”, fala.

O G1 procurou pela Azul Linhas Aéreas. A empresa disse que considera as condições de saúde do cliente, seguindo os termos da Resolução 280/2013 da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que exige que a viagem seja realizada com um acompanhante, mediante 80% de desconto do valor da tarifa. Quando informadas, as necessidades devem constar no bilhete.

"A Azul ressalta que prestou a assistência necessária ao cliente e que o reacomodará em outro voo da própria companhia mediante acompanhamento de um tripulante da empresa", destacou a Azul.

Isna dos Santos ficou paraplégico em março de 2006, ao cair enquanto trabalhava. A ida para a capital paulista tem o objetivo de visitar familiares e amigos. Após a negativa de embarque, um advogado foi chamado por conhecidos dele e esteve no guichê da Azul no aeroporto de Montes Claros para ajudar a encontrar ums olução, que só foi encontrado após o passageiro ser realocado três horas depois.

“Foi uma viagem planejada por alguns meses e com uma expectativa grande, é a minha primeira vez. A situação foi resolvida, mas sinto indignação."

"Nunca tinha me sentido limitado por ser cadeirante”, completa.

O que diz a Anac

A Anac destacou que o passageiro precisa informar no ato da compra se tem necessidades especiais para que a companhia aérea possa verificar a melhor forma de atendê-lo. Se sentir que teve os direitos prejudicados, pode recorrer aos órgãos de defesa do consumidor e pode abrir uma reclamação junto à Agência, que irá apurar os fatos e analisar a conduta da prestadora do serviço.

Veja a íntegra da nota encaminhada ao G1 pela Anac:

"Sempre que um passageiro com necessidade de assistência especial (PNAE) adquiri uma passagem aérea, ele deve avisar com antecedência a empresa sobre suas condições de saúde e locomoção para que a empresa aérea avalie o transporte deste passageiro e se programe quanto às assistências que deverá prestar durante o transporte. A necessidade de um acompanhante para cadeirantes é avaliada no momento da informação prévia. Portanto, é necessário apurar se o passageiro avisou a empresa com antecedência e qual foi a informação prestada ao passageiro sobre suas condições de transporte".

Fonte: g1.globo.com

Cinemas do AP deverão fazer uma sessão inclusiva por mês, com som suave e luz acesa

Lei determina exibição especial para pessoas com autismo, síndrome de down ou com outra condição que gera hipersensibilidade sensorial. Cinemas têm 120 dias para se adequarem.

Por Fabiana Figueiredo, G1 AP — Macapá

Cinemas deverão fazer uma sessão inclusiva por mês, com som suave e luz acesa, no Amapá — Foto: Ruan Alves/Gabinete Marília Góes/Divulgação
Cinemas deverão fazer uma sessão inclusiva por mês, com som suave e luz acesa, no Amapá — Foto: Ruan Alves/Gabinete Marília Góes/Divulgação

Os cinemas do Amapá agora são obrigados a promoverem a inclusão de pessoas com o Transtorno do Espectro Autista (TEA), síndrome de down ou com outras condições que geram hipersensibilidade sensorial. Os empreendimentos deverão fazer, no mínimo, uma sessão inclusiva de filme por mês, com som suave, luz acesa, e trânsito e expressão livre de pessoas.

A medida é prevista na lei de número 2.479, sancionada e publicada no diário oficial do estado pelo governador no dia 8 de janeiro.

A determinação vale tanto para as pessoas sensíveis, quanto os familiares, sem cobrança de ingresso mais caro do que é normalmente praticado. As sessões não devem ser restritas a esse público, mas ele deve ter prioridade.

A lei permite que, para seguir a regra, podem ser firmados convênios e parcerias com entidades públicas e privadas. As empresas poderão treinar colaboradores para atender esse público da melhor forma.

Sessão adaptada pretende levar lazer para pessoas com hipersensibilidade sensorial — Foto: Fabiana Figueiredo/G1
Sessão adaptada pretende levar lazer para pessoas com hipersensibilidade sensorial — Foto: Fabiana Figueiredo/G1

O texto define também que os cinemas têm o prazo de 120 dias para adequarem as estruturas para seguir a determinação. Atualmente estão em funcionamento no estado três cinemas, todos localizados em Macapá.

A lei é resultado de um projeto criado na Assembleia Legislativa do Amapá (Alap), de autoria da deputada estadual Marília Góes (PDT). Ele passou pela Comissão de Constituição, Justiça, Redação e Cidadania e foi aprovado na Casa de Leis em dezembro de 2019.

“As pessoas com TEA e Síndrome de Down podem desenvolver sensibilidade a luz forte ou mesmo a ambientes escuros, sons intensos e inesperados, razão pela qual o funcionamento normal de uma sala de cinema acaba por limitar ou comumente impossibilitar a presença das pessoas a que se refere esta lei”, destacou Marília ao justificar a proposição do projeto.

Em 2019, a deputada organizou sessões gratuitas adaptadas para público com hipersensibilidade sensorial em um cinema da capital.

Em São Paulo, grupo organiza sessões de cinema especiais adaptadas para crianças com autismo — Foto: Nicole Annunciato/G1
Em São Paulo, grupo organiza sessões de cinema especiais adaptadas para crianças com autismo — Foto: Nicole Annunciato/G1

Fonte: g1.globo.com

MP requer que prefeitura realize campanha sobre acessibilidade das calçadas em Fortaleza

Mensagem sobre o tema no boleto do IPTU é um dos pedidos feito em ação.

Por G1 CE

O Plano Municipal de Caminhabilidade de Fortaleza tem como objetivo incentivar os deslocamentos de pedestres e pessoas com mobilidade reduzida nas calçadas — Foto: Bruno Gomes
O Plano Municipal de Caminhabilidade de Fortaleza tem como objetivo incentivar os deslocamentos de pedestres e pessoas com mobilidade reduzida nas calçadas — Foto: Bruno Gomes

O Ministério Público do Ceará ingressou com uma ação civil pública nesta terça-feira (14) para que o município de Fortaleza realize uma campanha de conscientização sobre a importância da acessibilidade das calçadas.

A ação pede que o município a faça imediata veiculação de propaganda institucional nos canais oficiais sobre o plano de caminhabilidade, bem como em mensagem no boleto do IPTU, banner e avisos no site e campanha na rádio municipal.

O G1 entrou em contato com a Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente (Sema) para solicitar um posicionamento, mas não obteve resposta até a última atualização da matéria.

De acordo com a promotora de Justiça Isabel Cristina Guerra, “as calçadas no município de Fortaleza vem sendo negligenciadas há décadas com poucos e tímidos avanços mesmo com o plano de caminhabilidade, criado na atual gestão. A população em geral, mas principalmente idosos, pessoas com deficiência e pessoas com baixa mobilidade têm muitas dificuldades de locomoção na cidade, o que dificulta acesso a serviços públicos básicos, como saúde e educação, criando uma situação de exclusão, ferindo a dignidade, a autonomia e livre desenvolvimento pessoal dos grupos prejudicados”, argumenta.

Foi solicitado ainda que a prefeitura analise a possibilidade de inclusão do aviso na nota fiscal eletrônica do município, além da realização de uma ampla campanha publicitária sobre o tema.

“Além de fiscalizar e multar as pessoas que descumprem a lei é necessário conscientizar o cidadão sobre a necessidade de adequar as calçadas. A cidade pertence a todos e a calçada é um espaço público para que todas as pessoas caminhem. A campanha publicitária do município é imprescindível para que saiamos da incômoda situação de sermos a 2ª capital menos acessível país”, acrescentou o promotor de Justiça, Eneas Romero de Vasconcelos, que também é coordenador do Centro de Apoio Operacional da Cidadania (CAOCidadania).

Fonte: g1.globo.com

Sejusc inicia cadastro para emissão da Carteira de Identificação Nacional da Pessoa com Espectro Autista

Cadastramento acontece de segunda a sexta, das 8h às 17h, no Núcleo de Cidadania e da Pessoa com Deficiência.

Por G1 AM

Atendimento na Sejusc — Foto: Divulgação
Atendimento na Sejusc — Foto: Divulgação

A Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc) começou nesta terça-feira (14) o cadastro de pessoas para a emissão da Carteira de Identificação Nacional da Pessoa com Espectro Autista (Ciptea). A medida foi aplicada após a sanção da Lei 13.977, que complementa a Lei Federal 12.764 e institui a expedição gratuita do documento.

De acordo com a secretária da Sejusc, Caroline Braz, basta apresentar a carteira para garantir a prioridade nos serviços de saúde, educação e assistência social.

Para solicitar a carteira, os interessados devem comparecer ao Núcleo de Cidadania e da Pessoa com Deficiência da Sejusc, na Rua Salvador, 456, Adrianópolis, de segunda a sexta, das 8h às 17h.

É preciso preencher um requerimento e anexar um relatório médico, com indicação da Classificação Etária Internacional de Doenças e Problemas relacionados à Saúde (CID), além do RG, CPF, certidão de nascimento, tipo sanguíneo, comprovante de residência, número de telefone e foto 3x4.

O responsável legal da pessoa com Espectro Autista também deverá apresentar o documento de identificação, comprovante de residência, telefone e e-mail.

Caso o solicitante seja imigrante com visto temporário, solicitante de refúgio, residente fronteiriço, deverá apresentar a Cédula de Identidade de Estrangeiro (CIE), Carteira de Registro Nacional Migratório (CRNM) ou Documento Provisório de Registro Nacional Migratório (DPRNM).

Fonte: g1.globo.com

Pessoas com deficiência monitoram programação de férias do Catavento

Com idades entre 18 e 55 anos, os 12 monitores demonstram a importância da igualdade de oportunidades e o valor da diversidade

NOTÍCIAS BOAS Caio Sandin, do R7

Divulgação
Marília Tocalino é uma das idealizadoras e coordena a iniciativa
Marília Tocalino é uma das idealizadoras e coordena a iniciativa

O Museu Catavento é um dos programas mais procurados por pais e filhos que estão em São Paulo durante férias escolares. As experiências e atividades levam conhecimentos de diversas áreas de uma forma divertida e interessante para todos que por lá passeiam.

A partir deste mês de janeiro, os visitantes poderão ter mais um encontro surprendente e enriquecedor. Por meio de uma parceria com a multinacional alemã Bayer, a instituição terá 12 pessoas com deficiência como monitores para a programação de férias. Eles fazem parte do projeto Educação para uma Vida Melhor e vão transmitir conhecimentos nas áreas de ciências, saúde e nutrição por meio de atividades relacionadas a temas atuais, como sustentabilidade, diversidade e inclusão.

Com diversos tipos de deficiência e idades entre 18 e 55 anos, os monitores compartilham com os visitantes quanto a diversidade traz riquezas para o convívio e para o entendimento de mundo.

Divulgação
Ação não tem data para ser encerrada
Ação não tem data para ser encerrada

Para Marília Tocalino, uma das idealizadoras e coordenadora da iniciativa, a grande questão do projeto é "a luta pela equidade, sem ser herói ou vítima da circunstância".

Ela, que também é deficiente visual, comenta que, desde a implementação, a proposta tem sido muito bem recebida por todos os visitantes, especialmente com os mais novos.

"O contato com as crianças é ótimo. Muitos não notam no começo, mas, quando percebem, se surpreendem positivamente. Eles veem que, independentemente da deficiência, a pessoa está ali transmitindo e compartilhando um conhecimento novo e interessante", afirma Marília.

Ela conta que, durante o processo de seleção, formou um time de pessoas bem resolvidas com a deficiência. "Todos monitores sabem se adaptar para que o trabalho seja exercido com perfeição."

A iniciativa não tem prazo para terminar. O Museu Catavento fica na Avenida Mercúrio, sem número, próximo ao Parque Dom Pedro, em São Paulo.

Serviço

Férias no Museu Catavento

Onde: Palácio das Indústrias - Praça Cívica Ulisses Guimarães, s/no (Av. Mercúrio), Parque Dom Pedro II, Centro - São Paulo/SP.
Telefone: (11) 3315-0051
Quando: terça a domingo, das 9h às 17h (bilheteria fecha às 16h).
Quanto: R$ 10 e R$ 5 meia-entrada para estudantes, idosos e portadores de deficiência. Entrada gratuita às terças-feiras.
Idade mínima para visitação: recomendado para crianças a partir de sete anos.

Noiva celebra casamento em libras para receber amigos surdos

Casal de Minas Gerais realizou uma cerimônia para lá de emocionante com a presença de intérpretes da língua de sinais. 

NOTÍCIAS BOAS - Hysa Conrado, do R7

Reprodução/Emerson Garbini Fotografia
Kéziah trabalha na área educacional com tradução e Interpretação em Língua de Sinais (Tils)
Kéziah trabalha na área educacional com tradução e Interpretação em Língua de Sinais (Tils)

As fotos do casamento de Kéziah Costa, de 27 anos, e Luan Wagner, de 21, ganharam a internet esta semana. O motivo é de aquecer o coração de qualquer um: toda a cerimônia foi celebrada em libras para que os amigos surdos do casal pudessem participar da mesma maneira que os outros convidados. “O casamento foi planejado para ser acessível para ouvintes, surdos e ao meu amigo surdocego”, contou Kéziah ao R7.

A cerimônia, que aconteceu no último sábado (11) em Ribeirão das Neves, região metropolitana da capital mineira, não é uma exceção na igreja em que foi celebrado. A igreja Cristã Maranata tem uma Comissão de Assistência aos Surdos e aos Surdocegos, motivo que fez a noiva se tornar professora da língua de sinais.

                        Reprodução/Emerson Garbini Fotografia
                            "Eu quis participar em Libras com eles"
                        "Eu quis participar em Libras com eles"

“Ter a libras no nosso casamento era uma forma de orgulho, para demonstrar aos nossos amigos surdos que eles têm o mesmo direito e estão no mesmo patamar”, afirma.

Kéziah até tentou se manter firme na posição de noiva, mas não conseguiu segurar a emoção de ver a cerimônia acessível a todos os seus convidados. “Quando começou os louvores, eu disse para meu noivo que cantaria em libras com eles. Ele falou ‘então me dá o buquê’, não daria para cantar com a mão ocupada”, relembra.

Reprodução/Danilo Carlos da Silva
Os intérpretes interpretavam para os surdos enquanto a cerimônia acontecia
Os intérpretes interpretavam para os surdos enquanto a cerimônia acontecia

“Para nós, a língua de sinais não é inferior à língua oral. Já convivemos com ela no nosso dia a dia e entendemos que as duas têm o mesmo nível. De forma alguma isso prejudicaria a cerimônia, só valorizou, porque todos ali estavam incluídos e isso era nosso desejo. Havia uma equipe de intérpretes que trabalharam voluntariamente, pois é o modo de trabalho que já fazemos”, afirma.








Estudantes do Amapá criam sistema pra cegos fazerem compras

Os alunos do SENAI AP Foto: CNI
Os alunos do SENAI AP Foto: CNI

Por: Só Notícia Boa - Com informações da CNI

Estudantes do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, SENAI, do Amapá construíram um sistema para facilitar a vida de cegos durantes as compras de produtos e alimentos em supermercados.

Procurados por uma jovem cega que tinha dificuldades em escolher estes produtos nas prateleiras, eles criaram um sistema tecnológico inclusivo para que esse público seja capaz de realizar compras com maior segurança e liberdade em estabelecimentos comerciais.

Os estudantes construíram o sistema com módulos eletrônicos e sensores ultrassônicos para serem instalados nas prateleiras, que detectam a presença da pessoa.

“Ao se aproximar do sensor, o indivíduo recebe uma mensagem sobre o produto via bluetooth, por meio de um fone de ouvido.

O aviso sonoro inclui informações sobre o produto, como tipo, preço e validade, e isso ajuda bastante os cegos e pessoas com deficiência visual”, explicou o instrutor do SENAI/Amapá, Heraldo Souza.

O projeto-piloto foi construído por uma turma do curso de Eletricidade Industrial, do Centro de Formação Profissional de Santana (AP) e levou quatro meses para ser concluído.

O jovem Ruan Guimarães, de 21 anos, disse que foi um desafio e ao mesmo tempo uma realização pessoal participar da construção de um projeto que ajuda pessoas com deficiência.

“Achei a ideia muito interessante. Eu tinha curiosidade sobre como funcionavam esses sistemas e pude entender na prática. Contribuir com um projeto que beneficia os cegos também me enche de orgulho”, disse Ruan.

Semáforo inclusivo

Em junho deste ano, os alunos do SENAI Amapá também criaram e testaram o semáforo adaptado com sistema que reconhece a presença do indivíduo e emite sinal sonoro para liberar a travessia na rua.

A proposta do aparelho é emitir uma voz programada para indicar que o sinal está aberto e que o trânsito está liberado.

Com o diferencial de não precisar ser acionado por botão, o mecanismo foi sincronizado a um semáforo instalado em um cruzamento da cidade de Santana.

O teste foi realizado na presença de representantes de órgãos de trânsito, que aprovaram a iniciativa.