sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Como é mochilar pelo mundo de muletas?


por Jéssica Paula

Aos seis anos, tive uma infecção de garganta que migrou e infeccionou a medula. Perdi o movimento das pernas, a força do tronco, parei de andar. Precisei reaprender a sentar, a engatinhar, aprendi a usar cadeira de rodas, caminhar com andador, e, finalmente, com as muletas que, hoje, são parte de mim.

Meu primeiro desafio foi conseguir dar a volta no quintal de casa sem que minha mãe ajudasse. Quando conquistei tal façanha, não imaginava que esses seriam os primeiros metros dos mais de 164 mil km que percorreria pelo mundo.

Quando as pessoas me veem com um mochilão de mais de 70 litros nas costas e me apoiando em um par de muletas, o primeiro olhar é de espanto. A segunda reação é pensar que sou extremamente corajosa. Outros chegam a questionar se estou com a saúde mental em perfeito estado e sempre me discursam sobre o quão difícil deve ser viajar sozinha sendo uma mulher com deficiência física. Devo revelar algo desenganador: Não é.

                  

É mais fácil e mais engrandecedor do que se imagina. Vivo a mesma rotina de qualquer viajante. A diferença? A mochila tem de ser bem pensada e mais leve, as trilhas talvez peçam mais pausas pelo caminho, e meu olhar tem um radar que, ao detectar problemas de acessibilidade, elege a gambiarra mais próxima que pode ser útil para manter a jornada.

Até o sentimento de pena que ainda está presente na imagem que se tem sobre as pessoas com deficiência se converteu a meu favor. Quando a mochila estava pesada, aparecia alguém oferecendo ajuda. Quando não havia vaga em dormitórios, aparecia alguém disposto a caminhar a meu lado para ajudar na saga de encontrar um hotelzinho disponível. Isso para não dizer da atenção cuidadosa que recebi mesmo quando fui detida ao entrar em uma zona de conflito no Sudão.

Há vezes que me sinto vivendo um rally sobre muletas, como em um dos terminais rodoviários do interior da Etiópia. Vamos ver quem passa primeiro por entre esses dois ônibus, pula três caixas de madeira, desvia de uma galinha, sem esbarrar na criança chorando e sem pisar naquela poça de lama.


Na maioria das vezes, não há como planejar trajetos mais acessíveis. Afinal, como prever ou evitar subir os degraus altos e estreitos de Machu Picchu? Qual seria a melhor opção? Alterar o roteiro e procurar destinos acessíveis seria uma resposta plausível. Mas não poderia permitir que duas pernas com deficiência me impedissem. Ora, tenho meus braços para isso. E se não os tivesse, sei que encontraria alternativas.

A verdade é que ser uma viajante com deficiência requer aprender a usar os recursos disponíveis. Se não tenho força nas pernas, sem problemas, caminho com a força dos braços. Se não consigo carregar mala de rodinhas, sem problemas, coloco uma mochila nas costas. Se a mochila está muito pesada, sem problemas, abro mão de variedade de roupas na permuta por um mochilão mais leve. Se há uma escada enorme no meio do caminho, tenho duas opções: ou eu me lamento por não poder subir essa escada, ou eu aprendo a subi-la. E aqui faço uma ressalva: reivindicar nossos direitos à inclusão e acessibilidade é também uma forma de subir escadas.

Sempre ouvi a palavra muleta como sinônimo de acomodação, de desculpa. No meu caso, uso elas para subir pedras, morros, montanhas e escadas rolantes. Também as uso para apagar as luzes, fechar portas e cruzar desertos. Para passar por barreiras policiais em meio a uma zona de conflito no Saara Ocidental, ou para conseguir carona no Marrocos. Para comer na Mauritânia, acompanhar a vida de ciganos romenos na Espanha, ou mergulhar no nordeste brasileiro.

Confesso que comecei a viajar para fugir do preconceito, e para não ser “apenas mais uma deficiente”. Na arte de se colocar em movimento pelo mundo, descobri que não é preciso quebrar suas muletas, é preciso aprender a usá-las. É entender que nossas muletas – dificuldades, desculpas, medos, problemas – também nos levam a lugares incríveis.

Piscinas municipais têm seus elevadores para pessoas com deficiência reformados

No total, 29 piscinas foram beneficiadas. Equipamentos permitem maior participação social e lazer de pessoas com deficiência neste verão.

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De Secretaria Especial de Comunicação

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência (SMPED), em parceria com a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (SEME), realizou reformas em 29 elevadores de piscinas municipais de centros esportivos da capital. O evento de reinauguração dos elevadores será na próxima quinta-feira, 23, às 10h, na piscina do Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa (COTP). A entrada é pela Rua Pedro de Toledo, 1651.

O evento contará com a participação de atletas da AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente), atletas DA ASSOCIAÇÃO JR (Associação Paradesportiva JR) e atletas da ACDEP (Associação Cultural Especial Paradesportiva Paulista).

Há piscinas de todos os tamanhos e profundidades, desde infantil até olímpica, com salva-vidas capacitados para garantir a segurança da população.

O horário de abertura das piscinas é das 08h às 17h, exceto às segundas, quando fecham para manutenção. Para frequentar as piscinas é necessário se associar ao Centro Esportivo e fazer uma carteirinha. Basta levar documento de identidade, comprovante de endereço e duas fotos 3x4.

Segundo dados revistos pelo IBGE em 2017, há na cidade de São Paulo, cerca de 1 milhão de pessoas que declararam ter algum tipo de deficiência.

Para o Secretário Municipal da Pessoa com Deficiência, Cid Torquato, é primordial estimular o uso de espaços públicos acessíveis: “Muitas vezes, o munícipe com deficiência não pratica esportes por não saber que os Centros Esportivos possuem estrutura necessária para incluí-los”.

Serviço: Elevadores para pessoas com deficiência de 29 piscinas municipais passam por reformas
Data: 23 de janeiro
Horário: 10h
Local: Piscina do Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa (COTP) – Entrada pela Rua Pedro de Toledo, 1651

Confira a lista dos Centros Esportivos que passaram por reforma:
  • CE Imirim
  • CE Ibirapuera
  • CE Ipiringa
  • CE Barra Funda
  • CE Cambuci
  • CE Lapa
  • CE Pirituba
  • CE Jaguaré
  • CE Butantã
  • CE JD Celeste
  • CE Campo Limpo
  • CE Sto Amaro: (2 elevadores)
  • CE V. Sabará
  • CE V. Sta Catarina
  • CE V. Guarani
  • CE V. Manchester
  • CE São Matheus
  • CE V. Curuçá
  • CE Ermelino Matarazzo
  • CE Mandaqui
  • CE Santana
  • CE Tatuapé
  • CE Jaçanã
  • CE Vila Maria
  • JD São Paulo e CE Mooca.

Projeto obriga aplicação de provas de concursos em cidades do interior

Jane de Araújo/Agência Senado
Comissão de Assuntos Sociais (CAS) realiza audiência pública com o secretário de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, para tratar sobre a reforma da Previdência.  Em pronunciamento, à bancada, senador Romário (Pode-RJ).  Foto: Jane de Araújo/Agência Senado
Romário, autor do projeto: distância dos locais de prova gera grande desigualdade entre os candidatos

Morgana Nathany, com supervisão de Dante Accioly

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) analisa o Projeto de Lei (PL) 6.405/2019 , que estabelece a definição de municípios-sede, em cada estado, para a realização de provas de concursos e processos seletivos públicos federais. O objetivo é promover maior inclusão e acessibilidade aos candidatos, especialmente pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida e pessoas economicamente hipossuficientes, residentes no interior dos estados. A proposta, de autoria do senador Romário (Podemos-RJ), aguarda designação de relator na CCJ para análise terminativa.

Pela proposição, a União definirá um número mínimo de municípios-sede, em cada estado, para a realização de provas, exames, avaliações e outras atividades que exijam a presença do candidato. Na justificação, Romário ressalta que grande parte dos concursos, certames e processos seletivos públicos, no âmbito da União, tem como locais de prova somente as capitais, fato que, segundo ele, prejudica os candidatos com deficiência (física, intelectual, sensorial ou múltipla), com mobilidade reduzida (como acidentados, gestantes, pós-cirurgia, amputados e idosos) e pessoas socioeconomicamente hipossuficientes (sobretudo as camadas mais pobres, os desempregados e os subempregados).

“A distância dos locais de prova obriga a realização de grandes deslocamentos, aumentando expressivamente os custos com combustível, pedágios, passagens, alimentação, hospedagem e telefonia, circunstâncias que sobrecarregam o candidato pelo cansaço, estresse de embarques e desembarques em rodoviárias e aeroportos e perigo de acidentes, além de gerar grande desigualdade entre os candidatos, principalmente em relação aos residentes na capital do estado, que não precisam enfrentar todos esses entraves e dificuldades”, defendeu o parlamentar.

Definição dos municípios-sede
A proposta estabelece que a distribuição territorial dos municípios-sede terá como ponto de partida a capital do estado e deve priorizar os municípios que propiciem a melhor logística e a menor distância possível de deslocamento, independentemente do tamanho de seu território ou de sua população, salvo decisão fundamentada da entidade promotora do certame que comprove a inviabilidade técnica de determinado município.

De acordo com o projeto, a definição da quantidade mínima de municípios-sede, já incluída a capital do estado, levará em conta a extensão territorial do estado da seguinte forma: estados com território até 100 mil quilômetros quadrados: mínimo de três municípios-sede; estados com território superior a 100 mil e inferior 500 mil quilômetros quadrados: mínimo de cinco municípios-sede; e estados com território superior a 500 mil quilômetros quadrados: mínimo de sete municípios-sede.

Medalha e homenagem ao pai: as metas de Geovanna em Tóquio

Ala da Adevirn-RN luta para cavar lugar entre as convocadas da seleção de goalball e cumprir pedido do seu Severino

Comunicação CBDV Renan Cacioli

#Acessibilidade: Geovanna está centralizada, segurando a bola com as duas mãos antes do arremesso, rente à trave.

O ano de 2013 jamais será esquecido por Geovanna Moura. Em Natal-RN, cidade onde nasceu e se criou, ela conhecia o goalball. Nada mais seria igual na sua vida depois do contato com a bola azul. Só que naquele mesmo 2013, ela também perderia o pai, vítima de um infarto. Nada mais seria igual na sua vida depois da partida do seu Severino.

Hoje, às vésperas dos Jogos Paralímpicos de Tóquio, a atleta espera prestar a melhor homenagem possível a ele: primeiro, garantir-se no grupo de jogadoras que irão ao Japão – a primeira fase de treinamentos, a partir do próximo dia 29, reunirá nove delas no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, e apenas seis passarão pelo último funil até o embarque rumo ao país asiático. Depois, se tudo der certo, conquistar uma inédita medalha paralímpica para a seleção feminina.

Ao longo da minha carreira, participar das competições tem sido como sempre estar o homenageando. E ir pra Tóquio será muito importante, pois ele me falava para fazer sempre tudo com amor e não desistir nunca", conta a ala de 20 anos, a caçula de uma família com quatro irmãos.

"Meu pai era quem me paparicava (risos). Éramos muito próximos. A perda dele ainda dói. Meus irmãos se casaram, então ficamos apenas eu e minha mãe. Assumi a responsabilidade da casa", diz Geovanna, que nasceu com catarata congênita, herdada justamente da família materna. "Minha mãe falou que minha avó também tinha, e aí passou pra ela, que tem baixa visão também", explica a filha da dona Magaly.

Quando a bola azul mudou tudo...

Mesmo lidando com o luto, Geovanna foi convencida por um amigo que já praticava goalball a ir conhecer o esporte no Ierc-RN (Instituto de Educação e Reabilitação de Cegos do Rio Grande do Norte). Mas o encanto não foi assim tão imediato...

"Ele me convidou a ir ver um treino. Fui, mas não achava legal, esse negócio de deitar no chão e rolar uma bola... Afe! Achava tedioso! Então, no dia seguinte fui treinar e comecei a ler coisas relacionadas. Aí, foi amor à primeira vista."

A ascensão na carreira foi rápida. Pelo Ierc, conquistou dois Regionais Nordeste (2015 e 2016), sendo que no primeiro título também se sagrou artilheira, com 40 gols. Depois, pela Adevirn-RN, clube que defende atualmente, faturou outros dois campeonatos locais (2017 e 2019), sempre como artilheira das competições, além do vice na Série B da Copa Loterias Caixa do ano passado.

Geovanna recebe das mãos do Coordenador de Desenvolvimento da CBDV, Marcino Oliveira, o troféu da Série B do ano passado

Em 2016, saiu a primeira convocação para uma fase de treinamentos com a seleção adulta. No ano seguinte, liderou a seleção juvenil no Mundial de Jovens da Hungria, quando conquistou a medalha de bronze. Já participou também de uma Malmö Cup e de um evento-teste no Japão, ambos no ano passado.

Quando questionada sobre o que o goalball representa atualmente em sua vida, a resposta vem rápida: "É tudo, simplesmente tudo. Não consigo me imaginar sem jogar. Posso dizer que me transformou e ainda me transforma a cada dia". Lá em cima, seu Severino sorri, orgulhoso.

Fonte: cbdv.org.br

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Justiça Federal autoriza plantio de maconha medicinal em casa para mãe tratar filho com doença no cérebro

Decisão da 36ª Vara Federal em Pernambuco beneficia família de garoto de 9 anos que sofre com crises convulsivas desde os dez meses. Este é o segundo caso no estado.

Por G1 PE

Plantio de maconha medicinal em casa foi autorizado pela Justiça federal em Pernambuco para tratamento de uma criança de 9 anos — Foto: G1 Rio
Plantio de maconha medicinal em casa foi autorizado pela Justiça federal em Pernambuco para tratamento de uma criança de 9 anos — Foto: G1 Rio

Mais uma mãe conseguiu na Justiça Federal em Pernambuco o direito de cultivar maconha medicinal, em casa, para extrair o óleo da planta e permitir o tratamento de uma criança. A decisão, de caráter liminar (provisório) beneficia um garoto de 9 anos que tem hemimegalencefalia (aumento do volume do hemisfério cerebral) e apresenta um histórico de crises convulsivas graves desde os dez meses.

Esta é a segunda liminar proferida pela Justiça Federal em Pernambuco, que garante o plantio da cannabis para fins medicinais. A  primeira foi emitida pela 4ª Vara Federal, em dezembro de 2019, e beneficiou uma criança de 4 anos que tem crises convulsivas.

De acordo com a sentença, proferida na terça-feira (21 pela juíza da 36ª Vara Federal, Carolina Malta, a família da criança poderá plantar a cannabis medicinal sem sofrer punições previstas em lei. O benefício foi conquistado depois de uma ação impetrada pela Defensoria Pública da União (DPU).

Ainda de acordo com a Justiça Federal, "após inúmeras tentativas frustradas com remédios convencionais, apenas o tratamento com óleo da cannabis resultou melhora significativa no seu estado de saúde”.

A decisão, informou a Justiça Federal, foi emitida “sob o fundamento do estado de necessidade, tendo em vista que a paciente havia adotado todas as providências legais que estavam em seu alcance, inclusive ajuizamento de ação cível e requerimento de autorização na Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária], não conseguindo êxito”.

Segundo o texto publicado no site da Justiça Federal em Pernambuco, a magistrada justificou a decisão, informando que “há constitucionalidade das normas e tipicidade da conduta”.

Ela destacou que “há injustificável omissão do Estado brasileiro no que toca à adequada regulamentação do parágrafo único do art. 2° da Lei nº 11.343/06, recusando-se a regulamentar o cultivo, inviabilizando o acesso aos medicamentos pela quase totalidade da população, sem fornecer, alternativamente, o acesso de forma gratuita pelo SUS”.

Diante dos argumentos, a juíza federal declarou que que concedeu o direito ao plantio da maconha medicinal e que “as autoridades coatoras se abstenham de adotar qualquer medida voltada a cercear a sua liberdade de locomoção, na ocasião da importação de sementes ou no recebimento de sementes/mudas junto a associações com autorização regulamentar ou judicial para tal fornecimento”.

Além disso, ela estabeleceu que a mãe poderá fazer o cultivo da “dentro da sua residência, adstrito o salvo-conduto à quantidade suficiente para a produção do seu próprio óleo, com fins exclusivamente medicinais”.

Foi autorizado também o direito ao “porte, transporte/remessa de plantas e flores para teste de quantificação e análise de canabinóides a órgãos e entidades de pesquisa, ainda que em outra unidade da Federação, para fins de parametrização laboratorial, com a verificação da quantidade dos canabinóides presentes nas plantas cultivadas, qualidade e níveis seguros de utilização dos seus extratos”.

Defensoria

De acordo com a justificativa da DPU, a criança que vai usar o óleo de maconha medicinal começou a ter crises convulsivas aos 10 meses de vida. Elas eram, segundo a defensoria, contínuas de difícil controle, que “acabaram causando atraso no seu desenvolvimento psicomotor”

Ainda segundo a justificativa da DPU, a mãe do garoto precisou parar de trabalhar para cuidar dele. Apesar dos cuidados com medicações e terapias, o quadro de saúde da criança não apresentou melhoras. Em 2015, a família tomou conhecimento de casos de crianças que vinham sendo tratadas com o óleo da cannabis e passou a acompanhar esse tipo de tratamento.

A DPU disse, ainda, que, por causa do “valor elevado do medicamento”, a mãe entrou na Justiça para que o Estado fornecesse a medicação prescrita. O pedido de liminar, no entanto, foi negado, na época, e , por isso, a “ação continua pendente de julgamento”.

A defensoria Pública da União destacou também que a mãe também pediu à Anvisa uma autorização de importação do medicamento prescrito, “mas ainda não houve resposta”. Em 2019, a família conseguiu prescrição médica para uso do medicamento, após o médico ver a melhora de saúde do menor com o óleo da cannabis.

Segundo a defensora pública federal Tarcila Maia Lopes, que atua no caso com os defensores de direitos humanos de Pernambuco (DRDH/PE) André Carneiro Leão e Francisco de Assis Nascimento Nóbrega, essa é a segunda liminar conquistada em três casos já ajuizados.

Ela informou ter sido procurada por dez famílias com essa mesma necessidade. O resultado do terceiro pedido está sendo aguardado. Os demais casos são avaliados pela defensoria, de acordo com a defensora pública federal.

Fonte: g1.globo.com

Menina com doença rara encontra medula compatível em irmã de 1 ano: ‘Idênticas geneticamente’

Yasmim Marques Brito tem leucemia mielóide aguda (LMA). Ela tinha apenas três meses para encontrar um doador de medula.

Por Vanessa Ortiz, G1 Santos

                         Ana Lívia de 1 ano tem medula 100% compatível com a irmã Yasmim  — Foto: Divulgação/Ingrid Alves
Ana Lívia de 1 ano tem medula 100% compatível com a irmã Yasmim — Foto: Divulgação/Ingrid Alves

A luta da pequena Yasmim Marques Brito, de apenas 7 anos, por um doador de medula 100% compatível acabou. A menina de Cubatão (SP) tem leucemia mielóide aguda (LMA) - uma doença rara e que geralmente acomete pessoas com mais de 55 anos. A irmãzinha dela, Ana Lívia, de apenas 1 ano, é 100% compatível e poderá ser a doadora que Yasmin tanto buscava.

Em entrevista ao G1, a mãe Daniela Cristina Marques de Araujo Brito informou que a filha tinha apenas três meses para conseguir encontrar um doador compatível já que, de acordo com os médicos, ela não poderia passar por muitos ciclos de quimioterapia.

“Isso pode ser muito prejudicial à saúde dela conforme a médica me falou. Essas doses são bem intensas, 10 vezes mais intensas do que ela tomou anteriormente. Quanto mais doses de quimioterapia ela tomar, mais perigoso é para ela", conta a mãe.

A descoberta do doador aconteceu na noite de terça-feira (21), quando a médica responsável pelo tratamento de Yasmim entrou em contato com a mãe. “Ela falou que haviam encontrado. Estávamos achando que seria eu ou o pai porque os médicos disseram que a chance era de 50% para nós e 25% para a irmã. Foi coisa de Deus, elas são idênticas geneticamente. Quando ela deu a notícia, foi uma alegria danada”, revela a mãe emocionada.

Agora, a menina faz parte dos 30% dos pacientes com indicação de transplante de medula que têm um doador totalmente compatível, conforme informado pela oncologista pediátrica do Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (Graacc), Ana Virgínia.

Após a notícia, a primeira reação da mãe foi chorar e abraçar as enfermeiras que cuidam da garota, que permanece internada no Hospital do Graacc, em São Paulo. No fundo, a mãe diz que sabia que a mais nova teria vindo ao mundo para fazer a diferença na vida da irmã.

Irmãs são geneticamente iguais, conforme relata a mãe — Foto: Divulgação/Tania Ramalho
Irmãs são geneticamente iguais, conforme relata a mãe — Foto: Divulgação/Tania Ramalho

“Foi uma gravidez inesperada e eu tive complicações no final que quase me fizeram perdê-la. Mas, no fim deu tudo certo. Na época em que a Yasmim descobriu a leucemia, a Ana tinha pouco mais de um mês. Dentro do meu coração eu tinha certeza que seria ela, até cheguei a comentar isso com a doutora”.

Ainda não há previsão para o transplante de medula. Na próxima semana, Yasmin deve receber alta médica e ir para a casa. Logo depois, será encaminhada para um especialista no procedimento, que iniciará o processo pré-transplante.

Para a mãe, o tratamento já deu certo. “Ela está reagindo muito bem a todos os procedimentos feitos até agora. A vontade dela de vencer vai além. Deus é maravilhoso. Ela tinha três meses para achar o doador e, em menos de um, achamos um dentro de casa. A neném veio na hora certa”, finaliza.

Descoberta da doença

Yasmim recebeu o diagnóstico no dia 15 de março de 2019, após a menina apresentar manchas na esclera, a membrana branca do olho. Com a descoberta, ela deu início ao tratamento e, após cinco sessões de quimioterapia, em agosto, a medula de Yasmim entrou em remissão, ou seja, quando não há mais sinais de atividade da doença no sangue.

O acompanhamento médico continuou mensalmente para saber se a leucemia realmente havia ido embora. Em dezembro, os exames estavam sem alterações e sem sinais de células cancerígenas. Pouco depois, a garota começou a reclamar de dor nas pernas.

“Apesar disso, ela não parava, brincava o dia todo. Resolvi comentar com a médica e a equipe passou a investigar. No dia 6 de janeiro, quando voltamos para a consulta de rotina, a médica me deu a notícia de que a doença havia voltado”, informa Daniela.

                          Yasmin Marques tocou o 'sino da cura' em dezembro   — Foto: Daniela Cristina Marques/Arquivo pessoal
Yasmin Marques tocou o 'sino da cura' em dezembro — Foto: Daniela Cristina Marques/Arquivo pessoal

Leucemia Mieloide Aguda

Conforme explica Victor Gottardello Zecchin, diretor clínico e coordenador do Centro de Transplantes de Medula Óssea do Hospital do Graacc, a leucemia é o ‘câncer do sangue’. As células sanguíneas são produzidas pela medula óssea, que é um órgão líquido localizado no interior dos ossos.

“O tempo todo nosso organismo produz células com defeitos, que passam por vários processos de ‘checagem’ antes de serem liberadas para a circulação. Se é detectado algum erro na célula, nosso organismo a destrói. Eventualmente, alguma destas células defeituosas escapa destes processos e começa a gerar outras células iguais a ela, todas com defeito, o que dá origem ao câncer”, esclarece.

O médico informa que a necessidade de transplante de medula ocorre em casos de alto risco ou então quando a doença é tratada e volta a aparecer. Ainda de acordo com ele, o resultado do transplante depende de uma série de fatores, porém, ainda hoje os melhores resultados são obtidos com um doador familiar (em geral, o irmão ou irmã) totalmente compatível.

Yasmim Marques Brito, de Cubatão, SP, luta contra leucemia mielóide aguda — Foto: Arquivo pessoal
Yasmim Marques Brito, de Cubatão, SP, luta contra leucemia mielóide aguda — Foto: Arquivo pessoal

Fonte: g1.globo.com

Quase 10 mil potiguares têm solicitações de benefícios pendentes há mais 45 dias no INSS

Mais de 4 mil pessoas com deficiência aguardam liberação de benefício assistencial no estado.

Por Igor Jácome, G1 RN

INSS em Natal — Foto: Sindprevs-RN
INSS em Natal — Foto: Sindprevs-RN

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) tem 9,8 mil pedidos de benefícios previdenciários pendentes há mais de 45 dias no Rio Grande do Norte, segundo dados informados a pedido do G1 nesta terça-feira (21). O benefício com maior fila de espera é o assistencial dado a pessoas com deficiência, que tem mais de 4.086 mil potiguares na lista.

O prazo de 45 dias é o prazo para que o INSS comece a pagar o benefício, após o usuário dar entrada na solicitação. Em todo o país, até o início da semana passada, cerca de 2 milhões de pessoas estavam na espera mesmo após esse prazo. Na maior parte dos casos, o atraso ocorre devido a problemas no sistema de análise da própria previdência.

No Rio Grande do Norte, a maior parte dos pedidos é por auxílio a pessoas com deficiência. O segundo maior grupo é dos que querem se aposentar por idade (2.176). O salário-maternidade vem em seguida, com 1.531 mulheres na fila, além dos trabalhadores que querem se aposentar por tempo de contribuição (911), dos pedidos de pensão por morte (591), do benefício assistencial ao idoso (523) e auxílio-reclusão (23).

Na semana passada, o Governo Federal reconheceu o problema e anunciou medidas para reduzir a fila de espera. Entre elas, está a previsão de convocação de militares da reserva para o atendimento no órgão. No entanto, a situação só deverá se normalizar em setembro, de acordo com a previsão do próprio poder Executivo nacional.

Em 2019, MPF pediu contratação de servidores

Em agosto do ano passado, o  Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação civil pública contra a União e o INSS determinando que fossem contratados de forma temporária, em até 45 dias, funcionários em número suficiente para atender às demandas acumuladas há mais de 60 dias no instituto. Além do recrutamento de mão de obra temporária, o MPF pediu que fosse realizado concurso para provimento de cargos efetivos vagos. Além disso, o INSS deveria informar mensalmente o tempo de análise dos pedidos recebidos.

Fonte: