quinta-feira, 15 de maio de 2008

APRESENTAÇÃO

"A deficiência é uma dentre todas as possibilidades do ser humano e daí dever ser considerada, mesmo se as suas causas e conseqüências se modificam, como um fato natural que nós mostramos e de que falamos, do mesmo modo que o fazemos em relação a todas as outras potencialidades humanas" (UNESCO, 1977).
"Nós não devemos deixar que as incapacidades das pessoas nos impossibilitem de reconhecer as suas habilidades. As características mais importantes das crianças e jovens com deficiência são as suas habilidades" (Hallahan e Kauffman, 1994).
"Uma criança deficiente não é respeitada se for abandonada à sua deficiência, do mesmo modo que não é respeitada se se negar a realidade da sua deficiência. É respeitada se a sua identidade, a sua originalidade, da qual a deficiência também faz parte, for favorecida e quase provocada, isto é, se ela for levada a desenvolver-se. Tal é a atitude realista ativa, em situação e em relação. Se for ao contrário, temos o realismo inerte" (Canevaro, 1984).
Vivemos um momento histórico caracterizado por mudanças, turbulências e crises, mas também pelo surgimento de oportunidades.
Esta situação pode ser constatada na área da Deficiência, entre outras. Basta olhar à nossa volta: há mais pessoas com deficiência nas ruas e locais públicos; elas aparecem com mais freqüência no noticiário, inclusive no esportivo: nas últimas Paraolimpíadas, conquistaram muito mais medalhas (inclusive de ouro e prata) que os nossos atletas brasileiros ditos "normais"... Elas se destacam na música (podemos citar o reggae d' "A Tribo de Jah", por exemplo), ganham as passarelas, como modelos fotográficos, como Mara Gabrilli e Ranulfo, e também escrevem livros, como Feliz Ano Velho, de Marcelo Rubens Paiva. O Pirata, que ganhou este apelido por ter uma prótese na perna, continua surfando e ensinando portadores de deficiência a surfar; a Equiperneta, composta por jovens com diferentes tipos de deficiência física, foi praticar esportes radicais no Nepal, há uns dois anos, façanha que foi mostrada na televisão.
Estes exemplos (e muitos outros mais) indicam que há um processo social em curso, denominado "inclusão" pelos estudiosos: de um lado, a sociedade começa a perceber a existência de pessoas portadoras de deficiência e a se organizar, para acolhê-las e, de outro, as próprias pessoas com deficiência começam a se mostrar, a reivindicar seus espaços, a exercer seu papel de cidadãs.
Como todo processo social, este também é complexo e acontece de forma gradual. Afinal, para que a inclusão aconteça é preciso modificar séculos de história, de preconceitos muito arraigados, de ambos os lados - e isso não acontece de um dia para o outro.
A inclusão ocorre nas escolas, nas lanchonetes, nos shopping centers, no trabalho, nas igrejas - enfim, em todos os espaços de interação humana. Nesta série do Salto para o Futuro/TV Escola, vamos focalizar principalmente o que está acontecendo nas escolas, com a Educação Especial, que passa a se chamar Educação Inclusiva. É nosso propósito apresentar material para reflexão dos que estão envolvidos com o processo pedagógico.
Como pensar em incluir e, mais ainda, como exercer a inclusão, se não conhecemos estas pessoas, se não temos informações sobre elas - enfim, se elas ainda não existem para nós? Estes e outros temas serão debatidos nos cinco programas da série Espaços de inclusão, que será apresentada no programa Salto para o Futuro, da TV Escola, de 22 a 26 de abril de 2002.
Postado por APNEN