domingo, 8 de junho de 2008

Deficiência visual e inclusão social

Da França para o mundo,Palavras tocadas,Seis pontos amigos,Parece um bordado,Bordado da vida,Nem todos entendem,Mas ele está aí.

Deficiência visual: alguns conceitos
Se quisermos utilizar poucas palavras, podemos definir deficiência visual como a perda total ou parcial da capacidade de enxergar. Explicando melhor: os graus de visão abrangem uma ampla escala de situações, que vão desde a cegueira total até a visão perfeita, também total. A expressão "deficiência visual" se refere à escala que vai da cegueira (ausência total de visão) até a visão subnormal. Chama-se visão subnormal (ou baixa visão, como preferem alguns especialistas) à alteração da capacidade funcional decorrente de fatores como rebaixamento significativo da acuidade visual, redução importante do campo visual e da sensibilidade aos contrastes e limitação de outras capacidades visuais."Traduzindo" a definição acima, podemos dizer que a visão subnormal é a incapacidade de enxergar com clareza suficiente para contar os dedos da mão a uma distância de 3 metros, à luz do dia; em outras palavras, a pessoa conserva resíduos de visão, não sendo totalmente cega. Usando auxílios ópticos2 como óculos, lupas etc., a pessoa com baixa visão distingue vultos, a claridade ou objetos a pouca distância. A visão se apresenta embaçada, diminuída, restrita em seu campo visual ou prejudicada de algum modo. Até recentemente, não se levava em conta a existência destes resíduos visuais; a pessoa era tratada como se fosse cega, aprendendo a ler e escrever em Braille3, a movimentar-se com o auxílio de bengala etc. Hoje em dia oftalmologistas, terapeutas e educadores trabalham no sentido de aproveitar este resíduo visual nas atividades educacionais, na vida cotidiana e no lazer.Estão sendo desenvolvidas técnicas para trabalhar o resíduo visual, assim que a deficiência é constatada. Isso melhora significativamente a qualidade de vida da pessoa, embora não elimine a deficiência.Em termos quantitativos, sabemos que a maioria das pessoas com deficiência visual possui algum grau residual de visão: poucas são totalmente cegas. Infelizmente, muitas das que têm algum grau de visão são consideradas cegas e tratadas como tal; dessa forma, perdem os benefícios que o uso da visão residual poderia trazer a seu processo de desenvolvimento e à sua qualidade de vida.Entre os dois extremos da capacidade visual estão situadas patologias como miopia, estrabismo, astigmatismo, ambliopia, hipermetropia, que não constituem necessariamente deficiência visual, mas que devem ser identificadas e tratadas o mais rapidamente possível, pois podem interferir negativamente no processo de desenvolvimento e na aprendizagem da criança.
Que sinais podem ser observados?
· Irritação constante nos olhos;
· Aproximação do papel junto ao rosto, quando escreve e lê;
· Dificuldade para copiar bem da lousa a distância;
· Olhos franzidos para ler o que está escrito na lousa;
· Cabeça inclinada para ler ou escrever, como se procurasse um ângulo melhor para enxergar;
· Tropeços freqüentes por não enxergar pequenos obstáculos no chão;
· Nistagmo (olho trêmulo);
· Estrabismo (vesgo);
· Dificuldade de enxergar em ambientes muito claros.
O que o professor pode fazer?
Orientar os pais para que os mesmos procurem um médico especialista em visão (oftalmologista);
Aplicar o Teste de Acuidade Visual no início do ano letivo, preferencialmente nas primeiras séries do Ensino Fundamental;
Não usar colírio ou outros medicamentos sem recomendação médica.
A importância da visão
A visão é o meio mais importante de relacionamento com o mundo exterior. Ela capta registros próximos ou distantes e permite organizar, no nível cerebral, as informações trazidas pelos outros órgãos dos sentidos. Calcula-se que 80% dos nossos conhecimentos chegam até nós pelos olhos, que podem ser considerados a nossa "janela para o mundo". Estudos recentes revelam que enxergar não é uma habilidade inata, ou seja, ao nascer ainda não sabemos enxergar; precisamos aprender a ver. Não é um processo consciente. Embora nem pensemos nisso, estamos ensinando um bebê a enxergar, ao carregá-lo no colo e ir mostrando: Olha o gatinho; Onde está o seu irmão? O desenvolvimento das funções visuais ocorre nos primeiros anos de vida. Graças a testes de acuidade visual recentemente desenvolvidos, hoje é possível fazer a avaliação funcional da visão de um recém-nascido, ainda no berçário.
O que significa perder a visão?
A cegueira (ou perda total da visão) pode ser adquirida ou congênita (existente desde o nascimento). O impacto da deficiência visual (congênita ou adquirida) sobre o desenvolvimento individual e psicológico varia muito, de pessoa para pessoa. Depende da idade em que ocorre, do grau da deficiência, da dinâmica geral da família, das intervenções que foram tentadas, da personalidade da pessoa - enfim, de muitos fatores. Quando a pessoa perde a visão mais tarde na vida, guarda memórias visuais: ela se lembra de cores, rostos, paisagens, objetos e isso é útil para sua readaptação. Além da perda do sentido da visão, a cegueira adquirida também traz outras perdas: emocionais, das habilidades básicas (mobilidade, execução das atividades diárias), da atividade profissional, da comunicação e da personalidade como um todo. É uma experiência traumática, que deve ser acompanhada por terapeutas, que tratem da pessoa e da família. Quando a deficiência visual acontece na infância, pode trazer prejuízos ao desenvolvimento neuropsicomotor, com repercussões educacionais, emocionais e sociais, que podem continuar ao longo da vida, se não houver um tratamento adequado, o mais cedo possível.
Causas dos problemas da visão
As causas mais freqüentes de cegueira e baixa visão são:
Retinopatia da prematuridade - causada pela imaturidade da retina, em decorrência de parto prematuro ou de excesso de oxigênio na incubadora;
Catarata congênita - em conseqüência de rubéola ou de outras infecções durante a gestação;
Glaucoma congênito - pode ser hereditário ou causado por infecções.
A cegueira e a baixa visão também podem resultar de doenças como diabetes, descolamento de retina ou traumatismos oculares.
Os especialistas estimam que os casos de deficiência visual poderiam ser reduzidos em até 30%, se fossem adotadas medidas preventivas eficientes nas áreas de educação e saúde e se houvesse mais informação disponível para a população.