terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Instituições para portadores de deficiência têm estratégias contra a violência

A violência contra pessoas com deficiência é ainda pouco estudada no Brasil.

A violência contra pessoas com deficiência é ainda pouco estudada no Brasil. Na tentativa de preencher esta coluna e ajudar no enfrentamento do problema, pesquisadoras da Fiocruz, da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência do Rio de Janeiro e da Universidade Veiga de Almeida fizeram um estudo em três instituições de referência no atendimento a crianças e adolescentes com necessidades especiais. A equipe verificou que violências e violações de direitos, muitas vezes, fazem parte do contexto social e familiar dessas crianças e jovens. “Concluímos que, quando as deficiências estão associadas a formas de violência e à violação de direitos, as instituições têm desenvolvido estratégias de amparo social e apoio em rede para melhorar a qualidade de vida de seus usuários”, dizem as autoras do estudo em artigo publicado recentemente no periódico Ciência & Saúde Coletiva.

No Brasil, existem cerca de 24,5 milhões de portadores de deficiências. Em todo o mundo, eles chegam a 600 milhões, sendo que 80% vivem nos países em desenvolvimento. “Estima-se que expressiva parcela de pessoas com deficiência esteja em regiões que não dispõem de serviços necessários para ajudar a superar as limitações, mantendo essas pessoas fora de seus direitos mais básicos”, afirmam as pesquisadoras. “Pobreza, desigualdade e exclusão produzem múltiplas vulnerabilidades e, quando associadas à deficiência e ao transtorno mental, perpetuam desvantagens cumulativas, reduzindo as oportunidades e até mesmo o discernimento quanto aos direitos e à forma de acesso a eles. Os deficientes são os mais pobres entre os pobres e permanecerão assim se medidas envolvendo ações em rede, junto às famílias, comunidades, instituições, órgãos governamentais e não-governamentais e programas sociais não forem acionadas”, completam as autoras.

Em outras palavras, embora a violência atinja todas as regiões, idades e classes sociais, quando ela se associa, de um lado, à pobreza e, de outro, à deficiência, tende a produzir efeitos ainda mais perversos. “Crianças e adolescentes com deficiência estão entre os mais estigmatizados e marginalizados do mundo. Além do risco do preconceito, da ignorância e da limitada oportunidade de acesso à escola e à participação na vida em comunidade, crianças e adolescentes com deficiência sofrem violência numa taxa anual 1,7 vez maior do que aqueles sem deficiência, segundo um importante estudo nacional feito nos Estados Unidos”, comentam a psicóloga Fátima Gonçalves Cavalcante e co-autoras no artigo.

O estudo envolveu 325 sujeitos, entre profissionais das três instituições pesquisadas, familiares e gestores. Foram analisados 53 casos de portadores de deficiências: eram crianças e jovens, com idades de 0 a 24 anos, cujos pais ou responsáveis, em geral, tinham baixa renda e pouca escolaridade. Os tipos de deficiência mais prevalentes foram a mental (32%), a física (19%), a múltipla (11,3%) e a dependência de tecnologia (11,3%). “Os deficientes com dificuldades mentais, comportamentais ou múltiplas foram alvos de maior exposição a diferentes tipos de violência, o que poderia ser explicado pela dificuldade de manejo de suas situações e de atenção dos cuidadores”, dizem as pesquisadoras. Entre as violências sofridas por essas crianças e jovens, destacaram-se a negligência (47,1%) e o abuso psicológico (32,8%).

Nos casos analisados, a equipe também investigou fatores de risco para situações de violência e violação de direitos. Foram observados aspectos relacionados ao âmbito familiar, como abandono ou ausência da família, doença ou deficiência mental de um dos pais e uso de drogas ou alcoolismo de um dos pais, além de condições associadas à pobreza e à exclusão social, como exposição ao tráfico e moradia em área de risco. Nesse contexto, são frequentes as violações de direitos: falta de acesso dos portadores de deficiência à escola (22,1%); falta de acesso a serviços de saúde (21%); problemas de moradia e de infraestrutura (11,6%); e falta de acessibilidade e de transporte adaptado (11,6%).

Contudo, diante desse cenário, as três instituições estudadas vêm reagindo por meio de movimentos e ações para reverter o quadro de invisibilidade dos portadores de deficiências. As estratégias incluem ações destinadas a garantir o acesso à saúde (24,3%), à escola (19,1%), à informação para as famílias (17,4%), à documentação (13%) e ao lazer (11,3%). Destacam-se também as redes de apoio formadas por profissionais, parentes e comunidade, bem como os serviços prestados pelas instituições no sentido de orientar e buscar benefícios para os portadores de deficiências e suas famílias, como o Bolsa Família e o Cheque Cidadão.

“Os serviços de assistência social, de reabilitação e de saúde aqui estudados têm, sem dúvida, muitos méritos, ao mesmo tempo em que precisam ser aperfeiçoados”, afirmam Fátima e co-autoras. “Estão convocados a dar respostas complexas a problemas multifacetados que demandam suporte, ampliação de benefícios sociais, diversificação da rede de apoio entre profissionais, organizações governamentais e não-governamentais, e que contemplem a solidariedade das comunidades”, concluem.

Aumenta número de bebês com deficiências na China

De acordo com informações divulgadas pela BBC, aumento se deve à poluição ambiental.

A cada 30 segundos uma criança nasce com algum tipo de deficiência física na China. De acordo com informações divulgadas pela BBC neste domingo, um especialista do Programa de Planejamento Familiar da China afirmou que o aumento do número de bebês nascidos com deficiências se deve à poluição ambiental.

Jiang Fan, da Comissão Nacional de Planejamento Populacional e Familiar da China, afirmou que a poluição ambiental é a responsável pelo aumento de deficiências congênitas em nascimentos chineses. A província de Shanxi, que tem como principal atividade a extração de carvão, foi a região que apresentou os maiores problemas.

A China já havia apresentado esta tendência antes e, em informações divulgadas pela imprensa local, não ficou claro se Fan comentava estatísticas novas ou as antigas conhecidas previamente.

Um relatório de 2007 da comissão relatou que a taxa de nascimentos com deficiência havia subido 40% desde 2001 - quando 104,9 entre 10 mil nascimentos apresentavam algum tipo de deficiência na criança para 145,5 entre 10 mil nascimentos em 2006. O documento sugeriu que há um custo humano para o rápido desenvolvimento econômico da China.

Para os especialistas da comissão, a poluição da indústria química e de carvão de Shanxi é a grande responsável por isso. "O problema dos defeitos congênitos está relacionado à poluição ambiental, especialmente nas oito principais zonas de carvão", disse An Huanxiao, diretor da agência de planejamento familiar da província.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Tênis sobre rodas busca seu espaço entre os grandes em Melbourne

Enquanto 15 mil pessoas lotavam a Rod Laver Arena para assistir ao duelo entre Roger Federer e Andy Roddick por uma vaga na final do Aberto da Austrália, a quadra dois do Melbourne Park, apesar de ter a arquibancada vazia, também sediava uma partida importante.

Em uma batalha de superação, válida pela semifinal da chave feminina de cadeirantes, a dupla formada pela alemã Katharina Kruger e pela polanesa Agnieszka Bartczak desbancou as favoritas do torneio e avançou à final do torneio. Em lágrimas após o feito, Kruger, de 19 anos, comemorou mais uma barreira quebrada. "Acho que foi a maior vitória da minha carreira. Jogar aqui e viver a atmosfera de um Grand Slam é uma experiência magnifíca", revelou a tenista, que pode ver seus maiores ídolos pessoalmente. "Encontrei a Serena Williams nos vestiário e realizei meu sonho ao conversar com ela".

Pouca gente sabe, mas o primeiro Grand Slam do ano também conta com um disputado torneio para cadeirantes que vale premiação em dinheiro e pontos no ranking mundial.

Além de lidar com as dificuldades de locomoção, as tenistas cadeirantes também enfrentam a falta de interesse do público e de patrocinadores para investir nessa modalidade. "Infelizmente ainda temos pouca visibilidade na mídia e as grandes empresas não nos enxergam como potencial para atingir o público", lamentou Kruger.

A alegria da alemã não foi abalada nem com a derrota na final. "No tênis de cadeirantes, todos saem vencedores, independente do resultado. Estamos sempre quebrando barreiras e temos uma missão importante. Existem muitas pessoas deficientes no mundo e a maioria nem imagina ser capaz de praticar esportes, mesmo em uma cadeira de roda. O tênis é uma ótima ferramenta para mostrar o contrário, quebrar as barreiras mentais e superar traumas", disse a jovem tenista, contando que aprendeu a engatinhar no saibro, já que seus pais eram tenistas.

Apesar das enormes diferenças de mobilidade que separam os cadeirantes dos tenistas convencionais, as regras do tênis em cadeira de rodas são as mesmas do esporte tradicional, tirando um detalhe: a bola pode dar dois quiques na quadra antes de ser rebatida.

O esporte é difundido em mais de 70 países e tem alto grau de profissionalismo, com um circuito internacional que distribui 700 mil dólares por ano.

No Brasil, o tênis para cadeirantes começou a ser praticado em 1985 e o número de atletas, cerca de 250, ainda é inexpressivo se comparado à população que possui algum tipo de deficiência física, cerca de 24,5 milhões. Apesar de contar com poucos praticantes, o tênis em cadeira de rodas é encarado de forma séria por muitos tenistas e o país conta com um ranking nacional e um circuito anual.