quinta-feira, 26 de março de 2009

Portadoras de deficiência lutam pelo direito de ser mãe

Vida Feminina
Brasília, 26/03/2009
www.saci.org.br

Seminário busca garantir informação e fim do preconceito.

Maternidade e vida sexual para portadores de deficiência é tema de debates no 1° Seminário Nacional de Saúde: Direitos Sexuais e Reprodutivos e Pessoas com Deficiência. O encontro, que começou segunda-feira, dia 23, e termina nesta quarta em Brasília, é promovido pelo Ministério da Saúde e busca fortalecer e conscientizar a sociedade de que a deficiência não é um problema.

De acordo com a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, qualquer pessoa tem direito à vida e à liberdade de escolha. Para a diretora de Políticas de Educação Especial do Ministério da Educação, Martinha Clarete Dutra dos Santos, que tem deficiência visual, a sociedade acredita que o deficiente não é capaz de ter vida sexual ativa, que a mulher portadora de deficiência não pode ser mãe ou que um tetraplégico não pode ser pai.

– A falta de informação faz com que a sociedade não entenda que nós não somos deficientes e sim diferentes. Ações como essa são importantes, pois o governo precisa pensar em políticas públicas que possa contribuir para o desenvolvimento dos protadores de deficiência no Brasil – afirmou Martinha Santos.

Namorar, casar e ter filhos não é uma realidade impossível para uma pessoa portadora de deficiência. Segundo Martinha, a sociedade julga a capacidade de essas pessoas tomarem suas próprias decisões.

– Casei aos 19 anos, grávida da minha primeira filha, tive a segunda, mas infelizmente veio a separação – relatou. Martinha disse que sofreu o preconceito da sociedade quando perdeu a guarda de suas filhas para o seu ex-marido, pois a Justiça alegou que ela não teria condições de criá-las.

Naira Rodrigues, fonoaudióloga, perdeu a visão completamente após a sua primeira gravidez aos 28 anos.

– Os médicos me alertaram que a doença que eu tinha podia se agravar com a gravidez, mas a minha vontade de ser mãe era tanta que não me importei em perder a visão de vez, tanto que tive o segundo. Sinto-me realizada como mulher e eu e os meus filhos vivemos felizes enfrentando muitas barreiras, mas unidos – ressaltou.

Naira critica a forma como a mídia trata o assunto, que determina como a sociedade vê a mulher portadora de deficiência na maternidade.

– A mídia distorce um pouco a doença e usa um sentimentalismo barato. Tive a experiência de fazer parte de uma matéria onde me trataram como coitadinha, incapaz. Ao invés de mostrar que sou mãe de dois filhos, trabalho, dou aula, enfim, mostrar que sou capaz, me colocaram como uma pessoa incapaz de fazer isso – afirmou.

SMPED na Reatech 2009

Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida
25/03/2009
(fonte) www.saci.org.br

Prefeitura convida para o estande da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida.


A Prefeitura da Cidade de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida - SMPED, convida a todos para a VIII Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade - Reatech 2009, a 3ª maior feira do mundo voltada a pessoas com deficiência, familiares e profissionais da área de reabilitação, inclusão e acessibilidade.

Na Reatech 2009, que acontece de 2 a 5 de abril, a SMPED divulgará informações sobre seus projetos e programas, além de oferecer uma diversificada programação - dentro e fora do estande - com apresentações de dança, demonstrações com cães-guia, esgrima paraolímpica e skate. Também serão promovidos seminários, cursos e palestras, bem como, a exibição de um filme com audiodescrição.

A Secretaria Municipal do Trabalho fará o pré-cadastramento de pessoas com deficiência para recolocação profissional no mercado de trabalho, a Secretaria de Transportes, por meio da São Paulo Transportes - SPTrans e da Companhia de Engenharia de Tráfego CET, orientará o público com informações sobre o Atende - sistema de transporte especial para pessoas com deficiência; Bilhete Único Especial, Cartão Defis-DSV e também sobre os novos ônibus acessíveis em circulação na cidade. Também participam a Secretaria Municipal de Cultura, por meio do Centro Cultural São Paulo - CCSP, o Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência - CMPD, entre outros.

Serviço:

Estande da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida - SMPED na Reatech 2009

Data: de 2 a 5 de abril

Horários: quinta e sexta-feira das 13h às 21h e sábado e domingo - das 10h às 19h

Local: Centro de Exposições Imigrantes

Rodovia dos Imigrantes, km 1,5 - São Paulo / Capital

Visitação gratuita.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Inclusão e talento: Uma questão de justiça

Texto de Rosemeire Rangni sobre a inclusão de pessoas com deficiência no sistema escolar e social...
Rede Saci
24/03/2009
www.saci.org.br


Comentário SACI: Rosemeire de A. Rangni é Pedagoga, Especialista em altas habilidades/superdotação, Mestre em Educação, Professora de Língua Inglesa, Membro da Comissão Executiva do Fórum Permanente de Educação Inclusiva – Região Oeste.

Falar de inclusão remete-nos a pensar em seu paradoxo, o processo de exclusão. A inclusão não seria discutível se a exclusão não persistisse nos aspectos: étnico, cultural, educacional e social, que a sociedade insiste em produzir.

Nesta direção, este breve texto tem a finalidade de apresentar uma reflexão sobre a inclusão das pessoas com necessidades educativas especiais no sistema escolar e social. Digo no sistema social porque a escola é uma célula da sociedade e como tal deve acolher todas as crianças, jovens e adultos com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento e altas habilidades/superdotação conforme determinam os documentos legais.

No caminho do dever legal, a Lei de Diretrizes e Bases 9394/96, a Resolução nº 02/2001 e, recentemente, a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, 2008 reafirmam o compromisso de que o sistema escolar deve estar preparado para atuar com eficiência no recebimento dos educandos com necessidades especiais que ora chegam das instituições especiais e que, por contingências excludentes, não tiveram o direito à educação em escola comum.

No caminho inverso, os educandos com altas habilidades estão, de fato, integrados nas escolas sem ter, porém, seus talentos reconhecidos. Essa parcela de alunos mantém-se invisível nas salas de aula e, quando os professores detectam sinais de seus talentos, sentem-se impotentes para qualquer intervenção, que proporcione satisfação de suas necessidades educativas especiais. Desse modo, essas crianças, jovens ou adultos muitas vezes, mantêm seu desempenho nivelado à "média" desejada pelo sistema, evadem-se ou criam situações de indisciplina. Os alunos com atas habilidades são em muitas ocasiões, discriminados pelos colegas, preferindo esconder seus talentos e suas frustrações.

O Censo Escolar (2006) aponta, pelo menos, setecentas mil matrículas de alunos com necessidades educativas especiais no Brasil, sendo os alunos com altas habilidades um ínfimo número deste total (cerca de 2.769). A Organização Mundial de Saúde (OMS) pontua que 3,5 a 5% de qualquer população possui capacidade acima da média, pelo menos em dois domínios: lógico matemático e verbal, sem contar a inteligência geral, a criatividade, o talento psicomotor e artístico, o que demonstra a probabilidade maior de talentosos do que a identificada nas escolas, até então.

Se qualquer população pode ser superdotada, então, por conclusão, os alunos com deficiência ou transtorno global do desenvolvimento matriculados no sistema, podem também possuir capacidade superior, ou seja, dupla necessidade especial.

Assim, o olhar dos educadores nas escolas, bem como dos gestores das políticas públicas deve se voltar à questão, no sentido de identificar e oportunizar o desenvolvimento dos talentos de cada uma das crianças, inclusive daquelas que, por ventura, apresentarem alguma deficiência. Só com essa consciência poderemos evitar injustiças e diminuir o grande desperdício educacional, por não levar em conta que as crianças são diferentes em suas necessidades e possibilidades de aprender.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Incidência de Alzheimer mobiliza ciência em busca de tratamentos

Aumento de casos impulsionado pelo envelhecimento da população leva doença a ser alvo de mais pesquisas.

Com o aumento da expectativa de vida, os casos de Alzheimer devem duplicar nas próximas duas décadas, lançando um difícil desafio para as famílias dos pacientes. "A maior parte das pessoas não está preparada para ajudar um familiar doente", aponta Yone Beraldo, com a autoridade de quem cuidou da mãe por 12 anos e hoje auxilia pessoas na mesma situação. "Elas expressam uma revolta impotente, pois falta informação e a doença não tem cura."

Os únicos tratamentos farmacológicos disponíveis retardam por algum tempo o progresso da doença, mas, depois de três anos, no máximo, tornam-se inócuos. A boa notícia é que pesquisadores brasileiros e estrangeiros já preveem novas armas e estratégias, além dos remédios atuais (anticolinesterásicos e memantina).

PREVENÇÃO

"Quando os primeiros sintomas aparecem, a pessoa já está perdendo neurônios há 30 anos", afirma Wagner Gattaz, presidente do conselho diretor do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP). "Se o estrago já está feito, é muito difícil revertê-lo. Não conseguimos ressuscitar neurônios." Por isso, Gattaz aposta nas pesquisas direcionadas ao diagnóstico precoce e à prevenção.

Os processos neuroquímicos que levam ao aparecimento da doença são pouco conhecidos. Os estudos já apontam dois personagens importantes: a proteína Tau e os peptídeos amilóide-beta. Alterações na estrutura dessas substâncias causariam a morte dos neurônios.

Ainda não existe um exame eficaz para detectar a doença nos seus estágios iniciais e assintomáticos. Para Gattaz, uma revolução se aproxima, talvez no prazo de dois anos. A empresa alemã Bayer desenvolveu marcadores eficazes para detectar os peptídeos anômalos. "Já foram publicados estudos animadores. Também vamos testar esse composto aqui na USP", afirma Gattaz. "Só estamos esperando a instalação de alguns equipamentos necessários para os trabalhos: um acelerador linear e um tomógrafo por emissão de positrons."

Mas o diagnóstico precoce não basta. É preciso desenvolver métodos eficazes para prevenir ou frear o desenvolvimento da doença. E aqui o pesquisador brasileiro revela sua esperança: "Há indícios de que o lítio, em pequenas quantidades, exerce um papel neuroprotetor." Gattaz realizou testes com idosos que sofriam de transtorno cognitivo leve - um grupo de risco para Alzheimer - e, segundo ele, os resultados são ótimos. "Descobrimos que o lítio inibe a expressão da enzima GSK", explica o psiquiatra. A GSK participa da produção das formas anômalas da proteína Tau e dos peptídeos amilóide-beta.

"O desafio agora é descobrir a dose mínima para prevenir a doença e não causar qualquer efeito adverso", afirma. "Imagine só: poderíamos misturar quantidades ínfimas de lítio à água potável e diminuiríamos a incidência do Alzheimer como fizemos com a cárie ao adicionar flúor na água."

PESQUISA

A atenção crescente dos cientistas reflete o envelhecimento da população. Governos, universidades e empresas já perceberam a importância de investir em pesquisas. Como o percurso da doença pode durar até 20 anos, os custos associados são altos. Gastos com tratamento de demência consomem R$ 750 bilhões todos os anos, segundo a Alzheimer?s Association.

Todas as semanas, a palavra "Alzheimer" aparece no sumário de alguma revista científica de grande impacto - Nature, Science ou PNAS -, sem contar as publicações voltadas especificamente para a área médica. No ano passado, pesquisadores publicaram quase 5 mil artigos sobre o tema. Em toda década de 70, foram menos de 500. Os números correspondem ao total de trabalhos indexados no catálogo virtual Medline.

"Não houve só um aumento quantitativo nos últimos anos", afirma Fernanda De Felice, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). "As descobertas são cada vez mais relevantes." Fernanda publicou um artigo na PNAS no mês passado.

Mostrava como um remédio contra diabete pode ser eficaz no combate ao efeito tóxico dos peptídeos amilóide-beta anômalos. Os resultados já estão sendo testados em seres humanos nos Estados Unidos.

Ivan Okamoto, pesquisador da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e diretor científico da Associação Brasileira de Alzheimer, conta que está participando de dois testes clínicos - já em fase 3, prévia à aprovação para venda - de medicamentos desenvolvidos pela indústria farmacêutica que reúnem os novos conhecimentos adquiridos nos últimos anos.

"Provavelmente não teremos uma droga única, mas um coquetel de remédios para tratar as pessoas com doença de Alzheimer", prevê Okamoto.

SAIBA MAIS

O que é: Forma mais frequente de demência em idosos. Ainda não tem cura

Sintomas: Perda progressiva e irreversível da memória e de outras funções intelectuais como capacidade de orientação temporal ou espacial, linguagem, pensamento abstrato, etc

Outros tipos de manifestação: O Alzheimer pode vir acompanhado de um quadro de depressão, agressividade, ansiedade ou até mesmo apatia