quinta-feira, 9 de abril de 2009

Mobilidade: São Paulo já começa a se adaptar

Principal dificuldade dos paulistanos que têm algum tipo de limitação física é a infraestrutura urbana. Ônibus e calçadas são os maiores problemas.

A cidade de São Paulo já começou a se adaptar e luta diariamente para melhorar os acessos para os deficientes. Nos últimos dias, fomos as ruas de São Paulo ver como é a dificuldade que o deficiente físico possui na hora de ir trabalhar ou até mesmo ao tentar sair para se divertir.

Não foi difícil encontrar no centro da capital paulista, deficientes com reclamações na ponta da língua. "Muitos pensam que estamos pedindo caridade, e não é por aí, estamos querendo ver os nossos direitos respeitados", disse Alex de Almeida Fuji, jornalista e morador de São Paulo.

Foi lançado em São Paulo nos últimos dias, o Guia Brasil para Todos, uma espécia de guia Brasil para os deficientes, e traz informações turísticas sobre as dez capitais brasileiras que estão trabalhando para diminuir esse problema de locomoção para os deficientes.

A principal dificuldade do 1,5 milhão de paulistanos que sofrem algum tipo de limitação física é a infraestrutura urbana. Dos 15 000 ônibus que circulam pelo município, só 3 166 são adaptados (todos os veículos novos devem, obrigatoriamente, se adequar às normas de acessibilidade). As calçadas também são muito criticadas. Entre janeiro de 2005 e dezembro de 2008, a prefeitura gastou 65,8 milhões de reais para reformar 433 quilômetros de passeio. Isso corresponde a menos de 1,5% do total.

"Ainda que todos os ônibus pudessem ser usados pelos cadeirantes, como chegaríamos a eles com essas calçadas?", questiona a vereadora Mara Gabrilli, tetraplégica desde 1994. Segundo o secretário municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, Marcos Belizário, os avanços são realmente lentos. "Em 500 anos de história, nunca nos preo-cupamos com as pessoas com deficiência", diz. "Mas hoje há dez vezes mais ônibus adaptados que em 2005."

O Guia Brasil para Todos pode ser acessado no site www.brasilparatodos.com.br. Quem preferir a versão impressa deve solicitá-la na página. Nesse caso, o guia será enviado pelos Correios gratuitamente.

São Paulo adere a programa nacional de acessibilidade

Agência Inclusive
08/04/2009

Segundo o ministro Paulo Vanucchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, a entrada da capital paulista na campanha pode servir de exemplo para outras cidades do País
A cidade de São Paulo aderiu à campanha nacional de Acessibilidade: Siga Esta Ideia, lançada em 2005 pelo Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência (Conade). Segundo o ministro Paulo Vanucchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, a entrada da capital paulista na campanha pode servir de exemplo para outras cidades do País.

“O Brasil pode se inspirar na iniciativa de São Paulo”, disse o ministro, após a assinatura do termo de compromisso. Segundo ele, a importância do ato está na conscientização da sociedade sobre a questão da acessibilidade. “São cerca de 25 milhões de brasileiros que têm enorme potencial de cidadania não exercido. A campanha ajuda a despertar a consciência das pessoas”, acrescentou.

A campanha consiste em mobilizar a sociedade, quebrando barreiras de atitude, informação e arquitetônicas que existem para as pessoas portadoras de deficiência. Para Vanucchi, “aos poucos as pessoas vão se sensibilizando”.

O termo de adesão ao projeto foi assinado na última segunda-feira pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e o ministro titular da pasta federal. “No transporte público, por exemplo, tivemos um investimento de cerca de R$ 1 bilhão para fazer com que os ônibus tenham acessibilidade. Hoje são mais de 3 mil ônibus adaptados. São Paulo quer ser conhecida como exemplo de acessibilidade”, disse o prefeito.

A campanha propõe que a sociedade, por meio de suas diversas entidades - poder público, iniciativa privada, ONGs e outras -, crie iniciativas para a superação de barreiras arquitetônicas, atitudinais, de informação, dentre outras, que impedem que as pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida sejam incluídas na vida em sociedade. Seu objetivo é estimular a construção de uma sociedade inclusiva e solidária que possibilite igualdade de oportunidades. Também integram a campanha governos estaduais, entidades sociais, times de futebol e celebridades, como o jogador Pelé e o quadrinista Maurício de Sousa.

Dorina Nowill, reconhecida internacionalmente pelo seu trabalho para a inclusão social de deficientes visuais, será a madrinha da campanha na Cidade. Ela foi a responsável pela implantação, na Escola Caetano de Campos, do primeiro curso em São Paulo para especialização de professores para o ensino de cegos, em 1945.

Durante a cerimônia, o secretário municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida lançou o livreto Dicas de relacionamento com as pessoas com deficiência. Com o objetivo de desestigmatizar o deficiente, a publicação reúne uma série de sugestões de comportamento.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Seminário sobre Trabalho Decente e a Qualidade da Inclusão das Pessoas com Deficiência

Espaço da Cidadania
07/04/2009
www.saci.org.br



Seminário que será realizado no dia 25 de abril está com inscrições abertas.

Já estão abertas as inscrições para o seminário que terá entre os palestrantes convidados a Drª Lucíola Rodrigues Jaime, do Ministério do Trabalho, uma das principais responsáveis pelo crescimento das contratações de pessoas com deficiência no Estado de São Paulo, no respeito a Lei de Cotas.

Organizado pelos sindicatos de Osasco e Região e seus parceiros sociais, abrirá as comemorações do Dia do Trabalho.

O Trabalho Decente é prioridade da OIT, das Centrais Sindicais, das Organizações Empresariais e do Governo brasileiro. A prática do Trabalho Decente é incompatível com o Trabalho Escravo, Trabalho Infantil, discriminação de qualquer natureza, desigualdade entre homens e mulheres, assedio moral, etc.

As pessoas com deficiência presentes serão convidadas a ajudar na elaboração de uma pesquisa para conhecermos a realidade do mundo do trabalho a partir dos próprios protagonistas.

Dia 25/04/2009

Horário: 8:30h as 12:30h

Local: Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região – Rua Erasmo Braga, 307 – Presidente Altino – Osasco – SP

Inscrição gratuita até dia 22/04/09 através do e-mail: ecidadania@ecidadania.org.br , mais informações pelo telefone 3685-0915.

Aconteceu:
1º No dia 03/04 o Senador da República Paulo Paim visitou Osasco e após conhecer os resultados da fiscalização do cumprimento da Lei de Cotas na região, assumiu o compromisso de convocar uma audiência pública no Senado para exigir explicações do porque só 15,4% das vagas previstas na Lei de Cotas estarem sendo ocupadas no país.

2º Reatech – durante os dias 02 a 05 de Abril cerca de 3.400 visitantes estiveram no estande do Espaço da Cidadania conferindo o índice de cumprimento da Lei de Cotas em cada estado brasileiro.

Na saída recebiam a Cartilha “Conviva com a Diferença” apoiada por um grupo de parceiros especialmente para a feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e acessibilidade que ocorreu no Centro de Exposições Imigrantes.

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domingo, 5 de abril de 2009

Promotor cobra inclusão de deficientes na rede.

Falta de estagiários para atuar dentro de sala de aula provoca dificuldades para atender a demanda.

Claudete Campos – Americana
Jornal TodoDia 05/04/2009


O Ministério Público de Americana está cobrando maior atuação da prefeitura e do Estado na inclusão de deficientes na rede de ensino. O principal entrave é aumentar o número de professores e estagiários para atender as crianças que exigem maior dedicação. Essa carência fica visível com o relato de uma mãe que percorre escolas desde janeiro em busca de vaga para a filha de oito anos. Até agora, não a matriculou. O motivo é a falta de estagiário para acompanhar a menina na escola.
O Estado e o município dispõem de classes especiais, mas é necessário avançar nessa área, observa o promotor da Infância e Juventude, Rodrigo Augusto de Oliveira. Reconhece que o poder público busca meios para atender as crianças com necessidades especiais. Mesmo porque precisa atender a Constituição Federal, o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e a Lei dos Portadores de Deficiência. Mas ressalta que precisa se estruturar para dar vazão a esse atendimento. Oliveira interferiu recentemente para incluir uma criança na rede de ensino.
Na semana que passou, o promotor se reuniu com o secretário de Educação de Americana, Milton Ortolan, para discutir o assunto. Ortolan informou o promotor que está catalogando os problemas. “Existe atendimento na rede que precisa ser aprimorado e compartilhado com o Estado”, afirmou o promotor. Na conversa, Ortolan disse que a administração vai montar salas de reforço para garantir a inclusão das crianças com dificuldades de aprendizagem. Para isso, haveria acompanhamento de uma equipe multidisciplinar.
HIPERATIVA
Mas a inclusão está distante da filha de oito anos da dona de casa A.C.V.G., 36, residente no Conjunto Habitacional Mário Covas. Hiperativa, a criança não fala. Estudava à tarde na Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) até o ano passado. Neste ano, a Apae não abriu vagas no período vespertino por falta de alunos e, por isso, a mãe tentou encaixá-la na rede municipal. Ai começou seu calvário. Surgiu proposta de a criança estudar na Apae de manhã, mas a mãe recusou a oferta. Para entrar às 7h30 na unidade, a menina teria de acordar às 5h30. A menina toma remédios controlados de manhã e na hora do almoço para dormir bem à noite. Se acordasse tão cedo, ficaria irritada à tarde, pois não dorme de dia.
A mãe fez uma verdadeira peregrinação entre escolas, Secretaria de Educação e Diretoria de Ensino para garantir o atendimento à filha. A dificuldade é que a menina necessita de uma monitora que a acompanhe o tempo todo. Ela não fica quieta no lugar e precisa ser acompanhada até no banheiro. Ainda sofre com vômitos frequentes. A resposta da secretaria foi que os estagiários não teriam interesse em atuar com crianças especiais.
A mãe tem dificuldades em ficar com a criança em casa, porque não para um minuto. A menina sente atração por utensílios domésticos perigosos, como facas, e também por eletrodomésticos que representam riscos, como o fogão. Sente-se atraída por fósforo e escadas. As portas dos quartos ficam fechadas. Para cuidar da filha, a mãe abandonou o emprego. Tem dia que não consegue nem lavar a louça.
Inclusão gera dificuldades a professores.
Também deficiente físico, o vereador Celso Zoppi (PT) é reconhecido como um dos defensores da inclusão das crianças com necessidades especiais na rede de ensino regular. Mas admite que professores terão dificuldades de dar conta de todos os alunos quando tiver uma criança com deficiência. Por isso, defende a contratação de monitores e estagiários para auxiliar os educadores. Mas a LDB (Lei de Diretrizes e Bases) não determina a contratação desses auxiliares. Daí o impasse.
A Constituição de 1988 estabelecia que pessoas com deficiência deveriam ser incluídas na rede regular de ensino e a LDB definiu prazos. Antes da lei, tinham aulas nas entidades assistenciais de atendimento a portadores de deficiência. Ainda é assim, mas deficientes passaram a dividir os bancos escolares com os alunos sem restrições.
“Os municípios não tiveram preocupação em se adequar para eliminar as barreiras arquitetônicas e nem em cuidar da preparação dos profissionais. As classes têm que ter monitor ou estagiário. Muitos deficientes têm condições de acompanhar as aulas e depois participar das aulas de reforço”, observou o vereador.
É importante a montagem de sala de reforço para atender aqueles com limitações e os demais alunos com dificuldades de aprendizagem. Zoppi é defensor dessa inclusão dos deficientes nas escolas convencionais. “A partir da escola pode ser feita essa integração. Essa convivência e as diferenças é que vão refletir num futuro próximo numa qualidade de vida para essas pessoas e numa sociedade melhor. A inclusão na rede de ensino não vai alimentar o preconceito”, afirmou.