quarta-feira, 15 de abril de 2009

Conexões regeneradas

Revista Mente e Cerébro
14/04/2009

A regeneração dos axônios é um passo essencial para que um dia seja possível fazer com que pacientes recuperem movimentos voluntários após terem sofrido lesões na medula espinhal
Cientistas americanos conseguiram obter pela primeira vez a regeneração de um tipo de fibra nervosa necessária para o movimento voluntário e fundamental para a ligação entre o cérebro e a medula espinhal. A regeneração foi demonstrada em ratos e está descrita em artigo que será publicado esta semana no site e em breve na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences. “Essa descoberta estabelece um método para regenerar um sistema de fibras neurais chamadas de axônios motores corticoespinhais. Restaurar esses axônios é um passo essencial para que um dia seja possível fazer com que pacientes recuperem movimentos voluntários após terem sofrido lesões na medula espinhal”, disse Mark Tuszynski, diretor do Centro de Recuperação Neural da Universidade da Califórnia em San Diego, um dos autores do estudo.

O trato corticoespinhal é uma coleção imensa de axônios, prolongamentos de uma célula nervosa por onde são transmitidos, entre o córtex cerebral e a medula espinhal, os sinais responsáveis pelos movimentos voluntários. Tais movimentos ocorrem por meio da ativação de um neurônio motor superior, localizado no lobo frontal do cérebro, cujo sinal é transmitido pelo axônio para um neurônio motor inferior, que se encontra na medula. O neurônio inferior, por sua vez, envia seu axônio para as células musculares. Em medulas espinhais lesionadas, os axônios presentes no trato corticoespinhal são danificados, de modo que os neurônios inferiores não conseguem se conectar com o cérebro. “Pesquisas anteriores mostraram regeneração de outros sistemas de fibras nervosas que contribuem para os movimentos, mas não conseguiram obter regeneração convincente do sistema corticoespinhal”, disse Tuszynski. Segundo ele, isso teria ocorrido pela capacidade limitada de os neurônios corticoespinhais acionarem genes que permitem a regeneração após as lesões. Sem regeneração de tais axônios, dificilmente será possível conseguir uma recuperação funcional em tais casos, afirma.

800 Vagas para pessoas com deficiência

O Povo Online
14/04/2009


Das oportunidades, cerca de 40 são para o Ceará. Além do salário, os selecionados terão benefícios como seguro de vida e convênio médio
O Grupo Pão de Açúcar abriu inscrições para o preenchimento de 800 vagas destinadas a portadores de deficiência física, auditiva, visual e intelectual. As oportunidades são para todo o Brasil, sendo 200 para o Nordeste (Ceará, Pernambuco, Paraíba, Bahia e Piauí) com uma média de 40 vagas para cada Estado. Os selecionados atuarão como operadores de supermercado das redes Extra, Pão de Açúcar, Sendas e CompreBem, ou como separadores de mercadorias nas Centrais de Distribuição.

Para participar, é necessário ter escolaridade a partir do Ensino Fundamental, residência próxima ao local de trabalho e apresentação de homologação (laudo médico comprovando deficiência). Não é solicitada experiência anterior. Dentre os benefícios que o contratado irá receber além do salário, estão: seguro de vida, convênio médico e odontológico, cooperativa de crédito, vale refeição e transporte. A Assessoria de Comunicação do Grupo preferiu não informar o valor da remuneração.

A seleção será feita através de dinâmica de grupos e/ou entrevista individual, seguida de exame médico e entrevista no local de trabalho. Os interessados devem entregar o currículo na loja mais próxima de sua residência ou, se preferir, enviar para o e-mail diversidade@grupopaodeacucar.com.br.


Perfil do candidato
> Pessoas com deficiência física correspondente à alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo;

> Deficientes auditivos com ausência parcial ou total do potencial auditivo sonoro, variando em graus e níveis;

> Deficiente visual com visão diminuída em virtude de causas congênitas ou hereditárias, mesmo após tratamento clínico ou cirúrgico e uso de óculos convencionais. Pode ser leve, moderada, severa ou profunda;

> Portadores de deficiência intelectual.

SERVIÇO
Trabalho no Grupo Pão de Açúcar
Inscrições: Levar currículo em alguma das lojas do Grupo ou enviar para o e-mail diversidade@grupopaodeacucar.com.br
Vagas: 200 para o Nordeste e média de 40 para o Ceará

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terça-feira, 14 de abril de 2009

Infantilização é empecilho ao desenvolvimento sexual de pessoas com deficiência

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil, 24,6 milhões de pessoas tem deficiência.

Agência Brasil
13/04/2009
www.saci.org.br

A infantilização das pessoas com deficiência é uma das causas que impedem o desenvolvimento da sua sexualidade. A idéia foi defendida hoje (23) durante o 1º Seminário Nacional de Saúde: Direitos Sexuais e Reprodutivos e Pessoas com Deficiência. O encontro, promovido pelo Ministério da Saúde, busca fortalecer o debate e as ações voltadas para a saúde e o bem-estar das pessoas com deficiência.

Para a jornalista Leandra Migotto, que tem Osteogenesis imperfecta, ou Síndrome dos Ossos de Cristal, como é popularmente conhecida, a infantilização das pessoas com deficiência pode aumentar a vulnerabilidade e impedir o desenvolvimento sexual.

"A partir do momento que a pessoa com deficiência é considerada ainda uma criança, a gente acha que ela, como criança, não desenvolve a sexualidade. Esse é o maior problema", afirmou.

De acordo com a professora da Universidade Federal da Paraíba e fundadora da organização não-governamental Educação para Todos, Windyz Ferreira, a sociedade infantiliza, despersonaliza e rotula as pessoas com deficiência.

Para a professora Windyz,a sexualidade tem uma relação direta com o desenvolvimento e o crescimento humanos. Ela explica que as próprias pessoas com deficiência se preocupam tanto com as patologias que acabam não desenvolvendo a sexualidade e acabam se vendo como pessoas "assexuadas". Segundo ela, a sexualidade tem uma relação direta com o desenvolvimento e o crescimento humano. "Nós precisamos trabalhar esses âmbitos com uma diferenciação. Nós estamos buscando caminhos para que a sociedade seja o menos excludente possível", disse.

Durante o evento, a professora criticou a escassez de estudos sobre a questão da deficiência. Para ela, há falta de dados concretos para servir de base às políticas públicas.

"A falta de estudo é muito séria. Políticas públicas não podem ser construídas a partir de um grupo de pessoas, isso não é gestão democrática", disse.

Na opinião da professora, outro fator preocupante no país é que a maioria dos deficientes não tem acesso à educação, o que acaba perpetuando a invisibilidade.

"A educação é o primeiro momento da vida da pessoa com deficiência, aquele em que ela sai da família e se insere no contexto social" argumentou.

De acordo com Windyz, nos países desenvolvidos as pessoas com deficiência recebem todo tipo de tratamento, reabilitação e acesso a serviços, enquanto nos países menos desenvolvidos, como o Brasil, elas são isoladas, trancafiadas e escondidas.