sábado, 16 de maio de 2009

Cotas e moedinhas.

"O problema maior é que existe muita gente que quer mesmo é receber esmola"

Algumas vezes me pego pensando para onde caminha o movimento em defesa das pessoas com deficiência. E não chego a conclusão nenhuma.

No mesmo momento em que avançamos numa série de aspectos, a ponto de termos participado ativamente na construção da convenção ONU (e como parte envolvida nessa processo, dentro das reuniões preparatórias no Brasil, confesso que poucas vezes vi um debate de tão alto nível) também somos bombardeados pelas notícias mais anacronicamente surpreendentes.

A moda atual é a de criar cotas para pessoas com deficiência.

Ainda que eu acredite na política de ações afirmativas, não consigo entender porque devem existir cotas em situações em que o serviço deveria ser universalizado. Creche não deveria ser direito de todos? Acesso aos mais altos níveis da educação não é um direito constitucional?

A criação de cotas nessas situações significa que vai ter gente que vai ficar de fora, o que não deixa de ser um absurdo.

Mas não é só nesse nível rasteiro que manifesta o pouco respeito às pessoas com deficiência.

O prêmio de proposta mais insana é a de um deputado federal de Santa Catarina que apresentou um projeto de lei na Câmara Federal propondo que as moedinhas lançadas nos monumentos públicos fossem recolhidas e usadas no atendimento às pessoas com “disfunção mental” (sic) numa clara sinalização de menosprezo total à população brasileira com deficiência intelectual.

É uma demonstração de desconhecimento da situação das pessoas com deficiência, da terminologia, dos movimentos pela autonomia e inclusão. Para dizer o mínimo. Uma proposta demagógica, assistencialista e caritativa no pior sentido dos termos.

Difícil mesmo é pensar que esse é um dos sujeitos que votou a ratificação da Convenção sobre os direitos das pessoas com Deficiência. Mais grave, ele não está sozinho. Quase todos os projetos que tramitam no Congresso tem o mesmo caráter comezinho de caça votos (isenções fiscais, uso de dinheiro público para a manutenção de entidades privadas, concessão de gratuidades). E todos se acham cheios daquelas boas intenções que locupletam o inferno.

Já ouvi várias manifestações a respeito. Desde as que não posso reproduzir aqui sobre o destino das moedinhas, até sugestões de incluir também no projeto as moedas dos bueiros, de contratar pessoas com deficiência para catar as moedas ou a distribuição de cofrinhos com a cara do parlamentar estampada.

O problema maior é que existe muita gente que quer mesmo é receber esmola. Se as pessoas estivem mais preocupadas com a sua dignidade, talvez os projetos de lei fossem outros.

Link da Matéria:http://www2.camara.gov.br/internet/homeagencia/materias.html?pk=118281

Blog Xiita da Inclusão
15/05/2009
Fábio Adiron

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Avenida Paulista ganha guardiã da mobilidade.

A cadeirante Julie Nakayama, de 22 anos, começou ontem a sua tarefa de fiscalizar as condições das calçadas de um dos símbolos de São Paulo.

Os problemas podem passar despercebidos para quem não tem deficiência física ou dificuldade de locomoção. Mas são uma pedra no caminho daqueles que precisam cruzar a avenida com o auxílio de cadeira de rodas, muletas ou bengala. Bastaram 500 metros de caminhada, com a reportagem do Estado, para que a cadeirante Julie Nakayama, de 22 anos, encontrasse quatro falhas no calçamento. "As concessionárias quebram o piso para prestar seus serviços e depois remendam mal, deixando desníveis", diz ela, sobre o principal problema encontrado, consequência, em geral, de reparos feitos por companhias de fornecimento de água, de energia ou de gás.

Desde ontem, sua missão é relatar falhas assim - e também buracos, mesinhas de bares na calçada que atrapalhem a passagem, carros-forte estacionados que não deixam espaço para uma cadeira de rodas - à Gerência da Avenida Paulista, criada no ano passado. Para, desse modo, tentar melhorar a vida dos paulistanos que têm algum tipo de deficiência ou dificuldade de mobilidade e utilizam a avenida símbolo da cidade. "Passarei metade do dia aqui e metade na Câmara, em horários alternados", conta ela, que é contratada como assistente parlamentar da vereadora Mara Gabrilli (PSDB), também deficiente. "Ela vai contribuir com seu olhar, por vivenciar isso no dia a dia", diz a vereadora. "Se o trabalho der certo, podemos pensar em expandir para outros pontos da cidade."

Formada em Publicidade pela Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), Julie foi nadadora - entre os 9 e os 16 anos de idade disputou provas internacionais - e atua como bailarina e atriz. Integrante do Movimento Superação, participa anualmente da passeata que acontece na Paulista, sempre em 3 de dezembro, em referência ao Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. "Minha luta sempre foi pela independência da pessoa com deficiência", diz ela, que convive com a situação desde o nascimento.

Em seu primeiro dia de trabalho, ela utilizou um caderninho para anotar os problemas encontrados - e enfrentados - no percurso. Em breve, o trabalho será mais hi-tech. "Estamos querendo mandar as informações para a Gerência da Paulista via mensagem de texto de celular, para agilizar", conta. Ela mantém um blog colaborativo - que permite a postagem de conteúdo de autoria de leitores previamente cadastrados - e pode ser seguida pelo serviço de microblogs Twitter. "A ideia é que todos possam me ajudar a fiscalizar a avenida", afirma Julie, nitidamente empolgada.

A princípio, o foco será voltado para a manutenção da acessibilidade das calçadas - que, após a reforma concluída no ano passado, se tornaram adaptadas a quem tem dificuldades de locomoção. Mas Julie não esconde qual é sua segunda meta: sensibilizar os comerciantes instalados na avenida para também tornarem seus estabelecimentos acessíveis aos deficientes. "Nós ganharemos com isso. E eles também, já que terão mais clientes", defende. "Os condomínios também precisam se adaptar."

Julie esquematizou sua rotina de modo a checar um trecho da avenida por dia. "Assim conseguirei ver tudo", explica, deixando claro que vai se deter em qualquer detalhe que encontrar. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), cuja sede fica em um ponto central da avenida, cedeu um espaço em seu prédio onde vai funcionar o QG de Julie. "Terei onde guardar minhas coisas e utilizar o banheiro", explica. "Também deixarei meu carro estacionado lá."

O gabinete da vereadora faz planos pensando no sucesso de Julie. Se tudo der certo, a guardiã deve virar gibi. Está em estudo a ideia de publicar os problemas da avenida em quadrinhos. E Julie, claro, seria a protagonista. Nada mal para quem tem uma ligação umbilical com a Paulista. Ela, que sempre morou na Vila Prudente, na zona leste de São Paulo, veio ao mundo em 1986 no Hospital Santa Catarina, no número 200 da avenida.

www.saci.org.br
São Paulo - SP, 14/05/2009

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Mulheres com deficiência mostram que é possível superar limitações e se realizar na maternidade

Não importa se é mãe surda, mãe cega ou mãe cadeirante. Todas têm o mesmo potencial para amar, educar e ser boa mãe.

Quando o bebê chega ao colo pela primeira vez, é inevitável: a emoção é forte, o desejo da maternidade se materializa. Não importa se é mãe Maria, mãe Francisca, se é mãe surda, mãe cega ou mãe cadeirante. Todas têm o mesmo potencial para amar, para educar, para ser boa mãe. O Ciência&Saúde conta neste Dia das Mães histórias daquelas que têm algum tipo de deficiência. Que fazem o que, muitas vezes, é incompreensível para a sociedade, pelo simples fato de amarem. São mulheres que têm limitações, sim - e quem não tem? -, mas aprenderam e aprendem com a vida a lidar com elas.

Clara Maria Araújo Brito, 53, é mãe de Clarice, 25, e Fellipe, 22. Ela é surda e teve a primeira filha aos 26 anos. “Sempre tive vontade de ser mãe. Fiquei muito emocionada. Eles mamavam demais, eu fazia tudo por eles”, sorri. A avó das crianças, Mariêta, esteve sempre por perto, auxiliando nos momentos de dificuldade, como conversar com o médico, com a professora. O contato das crianças com familiares permitiu que eles começassem rapidamente a falar. E, aos poucos, foram aprendendo as libras para se comunicarem com a mãe. “Até hoje, sou muito carinhosa e os ajudo muito. Meus filhos são muito unidos”, emociona-se.

Assim como a mãe Clara, existem a mãe Aíla, a mãe Alaíde, a mãe Marta e várias outras que estão nas páginas a seguir. Para a psicóloga e professora de Psicologia da Universidade de Fortaleza (Unifor), Luciana Maia, coordenadora do Programa de Acessibilidade da Associação Vida Brasil, a concepção de que as mulheres com deficiência são incapazes de gerar e cuidar dos seus próprios filhos está muito mais relacionada às concepções que existem na sociedade sobre a deficiência, do que propriamente às condições concretas dessas mulheres.

Segundo a professora, que é também doutora em Psicologia Social pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), a condição da mulher de exercer a maternidade não passa, necessariamente, por ela ter ou não deficiência. Ela afirma que difundir as informações e garantir a acessibilidade para estas mulheres é um importante passo para desmistificar as ideias acerca da deficiência.

De acordo com a enfermeira Márcia Machado, que realizou recente pesquisa sobre mães cegas, esta mãe tem na amamentação um meio maravilhoso de estabelecer rapidamente outras formas de comunicação com a criança, como o toque, o cheiro, o som e até a sensibilidade intuitiva. “Este contato facilitará a adaptação da mãe às necessidades do bebê”, explica a professora e pesquisadora do Departamento de Saúde Comunitária da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC). Os familiares e amigos exercem um grande papel quando a mulher com deficiência tem filhos.

Conforme Márcia, nem todas as mães podem estar em seu pleno estado de saúde ou ter perfeito funcionamento dos seus órgãos dos sentidos e, mesmo assim, podem exercer a sua função essencial de cuidar. Mas, segundo ela, para evitar que algumas deficiências possam interferir no cuidado dos filhos, é muito importante que os serviços de saúde avaliem como se sentem essas mães e quais as suas principais dificuldades na interação com os filhos.


O Povo Online
13/05/2009

terça-feira, 12 de maio de 2009

Inclusão avança nas universidades.

Deputados aprovaram reserva de 10% de vagas para deficientes em instituições de ensino público.

A mais recente decisão sobre o sistema de cotas no Brasil foi a favor de pessoas com necessidades especiais. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou um projeto de lei que estabelece reserva de 10% para pessoas com deficiências em instituições públicas de Ensino Médio e Superior. A proposta original era de 5%.

O relator, deputado Efraim Filho (DEM-PB), diz que as cotas para deficiente são muito mais justas do que as cotas raciais, por tratar de uma desigualdade real de acesso e corrige uma distorção jurídica.

– Já existe reserva de vagas para concursos públicos, mas não tinha sido dado até agora garantia de capacitação para essas pessoas – diz o deputado.

A reserva não será cumulativa a outros critérios de cotas em discussão no país, como raciais, para estudantes de escola pública ou para alunos carentes. O projeto aprovado também não impõe limites para cursos ou tipo de deficiência.

Segundo o último censo do IBGE, 34,5 milhões de brasileiros têm algum tipo de deficiência. Desses, apenas 3,2 milhões estão na escola. Grande parte dos deficientes do país (9,8% da população) tem algum tipo de deficiência visual, diz o censo, outros 4,7%, motora. São os dois maiores índices.

Empresas com cem ou mais empregados são obrigadas a reservar de 2% a 5% das vagas para pessoas com deficiência. Nos concursos públicos, há reserva de 20% e algumas universidades públicas já adotam o sistema. O Ministério da Educação deu parecer favorável à proposta. O entendimento é que, como o projeto é uma sequência do acordo internacional do Brasil sobre deficientes, não haverá contestações sobre o texto.

Fonte:Zero Hora
11/05/2009

Haddad abre seminário sobre educação inclusiva.

Fernando Haddad abriu o 5º Seminário Nacional do Programa Educação Inclusiva: direito à diversidade.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, abriu nesta quarta-feira o 5º Seminário Nacional do Programa Educação Inclusiva: direito à diversidade, em Brasília. Também participaram representantes de 167 municípios e de entidades pedagógicas que trabalham com pessoas com deficiência. "Todos os brasileiros devem ter oportunidades educacionais igualitárias e só podemos romper as barreiras com as parcerias", disse Haddad.

Segundo o ministro, incluir estudantes com deficiência nas escolas normais traz benefícios para todos. "Vale a pena não apenas como um ato de cidadania e igualdade, mas também de aprendizado.

Uma escola com estudantes deficientes cria um ambiente de melhor aprendizado", assinalou Haddad. A tolerância e a cidadania, acrescentou, também são reforçadas.

De acordo com dados do Ministério da Educação, a maior parte dos jovens estudantes com deficiência já está em escolas normais. "Mas isso não diminui o nosso trabalho. Novos desafios sempre vão surgir e o atual é fortalecer uma escola pública de qualidade com aparatos necessários para os portadores de deficiência", disse a secretária de Educação Especial do MEC, Cláudia Pereira Dutra.

O seminário continua até sexta-feira, dia 8, e trata de temas como direito à participação e à aprendizagem, habilidades e superdotação no contexto da educação especial e monitoramento do acesso de pessoas com deficiência às escolas.

"Essas reuniões precisam ser feitas periodicamente para que a cultura do acolhimento seja um marco da educação no Brasil", ressaltou Haddad.

Fonte: Agência Brasil