sábado, 6 de junho de 2009

Paciente com derrame terá direito a remédios de ponta oferecidos pelo SUS.

Os remédios conseguem evitar que o paciente tenha sequelas resultantes do AVC.

O Acidente Vascular Cerebral (AVC), também conhecido como derrame, é um incidente grave que, quando não mata, pode deixar sequelas graves para o resto da vida. A partir de maio, os pacientes com esse problema poderão recorrer ao Sistema Único de Saúde (SUS) para obter um medicamento de última geração para tratar-se, informa a Secretaria de Estado da Saúde (SES). O Hospital Governador Celso Ramos, em Florianópolis, é a referência para o atendimento. São necessários a agilidade e colaboração entre profissionais de diversos setores da saúde para assegurar a eficácia do tratamento com o medicamento Alteplase. O remédio consegue evitar que os pacientes tenham sequelas resultantes do AVC, como dificuldade para falar ou paralisia de um lado do corpo.

O paciente que tiver suspeita de derrame tem que chegar o mais rápido possível ao hospital através das equipes do SAMU. Esses profissionais são habilitados a fazer o diagnóstico do AVC e a transportar a pessoa com a agilidade e eficiência necessárias. O tempo máximo estabelecido para o paciente receber os primeiros atendimentos na unidade de saúde mais próxima deve ser de 4 horas e meia. Quanto mais cedo a pessoa chegar, melhores as chances de recuperação. Assim que o paciente dá entrada no hospital, o médico da emergência deverá acionar os neurologistas. Esses especialistas solicitam a realização de exames de sangue e uma tomografia computadorizada do crânio.

Se for preciso, eles receitam o medicamento, que evita o surgimento de sequelas e diminui o tempo de internação e a taxa de mortalidade dos pacientes. O Alteplase é indicado para cerca de 20% dos pacientes que sofrem o AVC. Segundo um estudo epidemiológico realizado em Joinville, a incidência anual de derrames é de cerca de 160 casos a cada grupo de 100 mil habitantes. A Coordenadora Estadual de Urgências e Emergências da SES, Gladys Lentz Martins, informa que é essencial conscientizar a população sobre os sintomas da doença para assegurar que o atendimento seja rápido. As pessoas que sofrem desse problema têm desvio da boca, dificuldade para falar e paralisia de um lado do corpo ou de um membro.

No ano passado, um trabalho no Hospital Celso Ramos avaliou os fatores de atraso na chegada de 103 pacientes à emergência. “A conclusão é de que os pacientes que chegam tardiamente apresentam idade maior, têm menor tempo de estudo, possuem menor renda, iniciam os sintomas de madrugada, passam em algum lugar antes, são portadores de Diabetes Mellitus e não são trazidos de ambulância”, afirma a coordenadora. Por isso, a recomendação: aos primeiros sinais dos sintomas, as equipes do SAMU devem ser comunicadas imediatamente pelo telefone 192.

Para disponibilizar o atendimento especializado, a SES ofereceu capacitações para médicos e residentes das emergências e unidades de tratamento intensivo (UTIs) dos hospitais da rede pública, do SAMU e do serviço de neurologia do Hospital Governador Celso Ramos. Os neurologistas, inclusive, vêm se preparando para iniciar este tratamento há cerca de dois anos. Além disso, a SES disponibiliza os medicamentos para as equipes médicas. Cada ampola tem um custo de R$ 1,4 mil, sendo necessárias duas doses por paciente.

Folha do Norte da Ilha
Florianópolis - SC, 04/06/2009

sexta-feira, 5 de junho de 2009

O desafio da inclusão social.

"Hoje, há quase 100 mil vagas [destinadas a deficientes] no mercado, pois só 37,5 mil foram preenchidas", aponta a advogada Janaina Muller.

Quando o assunto é a contratação de pessoas com deficiência, aparecem muitas dúvidas na cabeça dos empresários: Será que um deficiente físico poderá trabalhar na minha empresa? Como superar a falta de capacitação profissional e a falta de escolaridade dessas pessoas?

No mundo, existem cerca de 610 milhões de pessoas com deficiências físicas, sensoriais e mentais, das quais 386 milhões fazem parte da População Economicamente Ativa (PEA). No Brasil, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima-se que 5% da população tenha deficiência mental, 2% da população deficiência física e auditiva, 1% da população é deficiente visual.

Segundo Janaina Muller e Josi Lopes, advogadas e diretoras da Setor três consultoria, empresa especializada no Terceiro Setor, existe a chamada Lei de Cotas que obriga as empresas a contratarem pessoas com deficiência e caso a mesma não seja cumprida, pode-se acarretar multa. “As organizações por sua vez têm o desafio de incluir no ambiente de trabalho, esses indivíduos com necessidades especiais, que precisam muitas vezes superar barreiras, como as impostas pela sociedade”, argumentam.

Janaina declara que para que a lei seja cumprida 132 mil indivíduos deficientes têm que estar devidamente empregados. “Hoje, há quase 100 mil vagas no mercado, pois só 37,5 mil vagas foram preenchidas. De 2001 a 2005, por exemplo, o número de deficientes empregados no Estado de São Paulo saltou. A cada dia, mais empresas buscam enquadrar-se na lei”, alega.

A advogada relata que o descumprimento da norma tem sido foco de intensa fiscalização da Delegacia Regional do Trabalho. O valor da multa é alto e é aplicada por pessoa não contratada. “No ano de 2008, várias empresas do Estado de São Paulo foram autuadas. A regra por sua vez, determina que a reserva para pessoas com deficiência dependa do número de empregados da empresa, e este número pode variar de 2% a 5% do total de funcionários”, elucida.

Josi conta que a Audiência Pública promovida pela Procuradoria Regional do Trabalho no Município de Santos para discutir a inserção de pessoas com limitações no mercado de trabalho reuniu, no último dia 29 de abril, 75 instituições públicas e privadas com mais de 100 funcionários localizadas na Baixada Santista. “ Com essa iniciativa, os empresários da região puderam conhecer mais sobre a regulamentação, e o mais importante foi o esclarecimento de como ser executada e a importância de se desenvolver um projeto efetivo de inclusão”, esclarece.

A especialista enfatiza que a sociedade tem que pensar em ações complementares, saber do impacto dessa inclusão entorno do excluído. “Este desafio é encarado e superado por algumas organizações que buscam soluções para essa inserção através de consultorias especializadas no assunto, e assim com a elaboração de um bom projeto de abrangência, aprendem a localizar contratar e treinar pessoas com dificuldades físicas ou mentais, além de "preparar" os locais de trabalho e os seus funcionários para a atuação em equipe, através de palestras de sensibilização e acompanhamento pós-contratação”, explica.

Para finalizar as advogadas ressaltam que o obstáculo das corporações a se adequar a esta nova regra da sociedade, é a falta de treinando e de experiência dessas pessoas. “O melhor a fazer é buscar informação sobre o assunto e a assessoria de profissionais da área. Estamos caminhando para modificar uma realidade já enraizada na coletividade, que é o preconceito e a problema de aceitação do profissional com limitações. É necessário que haja uma modificação urgente deste “status” , e para que isso ocorra, buscamos a união de organizações sociais e o poder público”, concluem.

Segs
04/06/2009

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Aprovada obrigatoriedade de exame de vista em recém-nascido.

Exame, que seria realizado pelo médico no berçário, é considerado simples e pode representar a preservação da visão de crianças.

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou nesta quinta-feira o Projeto de Lei 874/03, do deputado Gilmar Machado (PT-MG), que torna obrigatório o exame do fundo de olho em recém-nascidos. O projeto foi aprovado em caráter conclusivo e, se não houver recurso, seguirá para o Senado.

O exame do fundo de olho pode detectar doenças como o retinoblastoma (um agressivo e raro câncer ocular infantil), a catarata congênita, o glaucoma congênito, infecção do olho e alterações de retina. O exame é considerado simples e pode representar a preservação da visão de crianças que, no caso de retinoblastoma, só teriam o problema diagnosticado em uma fase mais avançada da doença, quando as medidas terapêuticas não teriam tanta eficácia.

Segundo o projeto, o exame será realizado pelo médico no berçário. Se detectar alguma doença, o médico deve encaminhar a criança para tratamento.

Prazo para cirurgia
A CCJ aprovou o projeto original e o substitutivo da Comissão de Seguridade Social e Família. O substitutivo torna explícito que o exame deve ser realizado em hospitais públicos e particulares; e estabelece um prazo de 30 dias para que as cirurgias de catarata congênita sejam realizadas.

O substitutivo também incluiu sanções já previstas na legislação sanitária (Lei 6.437/77) para as unidades do sistema público e privado de saúde que descumprirem as determinações. As penas podem variar de advertências e multas à intervenção do estabelecimento.

Também foram aprovadas as emendas do relator na CCJ, deputado Vital do Rêgo Filho (PMDB-PB). Essas emendas apenas ajustam a técnica legislativa, sem alterar as medidas propostas.

A CCJ aprovou, ainda, os sete projetos apensados ao texto principal, que tratam do mesmo assunto. Entre eles, os PLs 7517/06, do deputado Milton Monti (PR-SP); 1395/07, da deputada Rose de Freitas (PMDB-ES); e 1625/07, do deputado Gervásio Silva (PSDB-SC). Todos, no entanto, também receberam emendas para adequar sua redação à prática legislativa e à Constituição Federal.

Câmara dos Deputados
03/06/2009

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Garantia de direitos e cidadania.

O respeito à diversidade, essência humana, é a melhor forma de celebrar os direitos e a cidadania de todas as pessoas.

Inclusão social é conceito e ação. Ação intersetorial e articulada com políticas que colocam a pessoa humana no centro das decisões. Inclusão não é proposta ou estratégia de uma pasta, mas o fundamento de um governo, traduzido por programas multissetoriais, com orçamento e cronograma bem definido.

É preciso definir a estratégia e mobilizar a sociedade para o efetivo controle das ações e dos resultados. É prioridade do governo do Estado de São Paulo garantir os direitos das pessoas com deficiência e a inclusão social, apoiado na certeza da construção de uma sociedade para todos.

A garantia do protagonismo das pessoas com deficiência deve considerar como pontos básicos seu acesso à saúde e à educação de qualidade, a empregabilidade desse público e o acesso às oportunidades de lazer, desporto e cultura.

Como destaque de dois dos eixos condutores do trabalho da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência, facilitar o acesso à reabilitação e garantir as ajudas técnicas (órteses, próteses e meios auxiliares à locomoção), está a rede de reabilitação Lucy Montoro.

Com a instalação de seis unidades fixas no interior do Estado, além da unidade referencial da capital paulista, a rede pretende dar uma nova perspectiva de atendimento e reabilitação para cerca de 3 milhões de paulistas com deficiências físicas e dificuldades de locomoção.

Essas unidades, distribuídas estrategicamente nas diferentes regiões do Estado, estarão em funcionamento até 2010, realizando mais de 120 mil atendimentos mensais. Essa iniciativa consumirá, em 2009, R$ 52 milhões, recursos da Secretaria Estadual da Saúde. Além disso, em 2007 registramos 375 mil atendimentos, equivalentes a mais de R$ 60 milhões investidos em órteses e próteses para a deficiência visual, física e auditiva e meios auxiliares de locomoção.

Reabilitar e incluir uma pessoa com deficiência tem significado para toda a sociedade. A Previdência Social registra mensalmente cerca de 300 mil novos pedidos de benefício por incapacidade, ou seja, novos registros que são adicionados a 1,4 milhão de auxílios de diferentes tipos já existentes.
Isso significa, mensalmente, R$ 954 milhões. Um auxílio necessário e justo, que, para ser ético, deverá ser acompanhado de tratamento e reabilitação, inclusive profissional, evitando a perpetuação de incapacidade.

Direito à saúde é direito à vida. O direito à vida, com qualidade e inclusão social, também depende de moradia digna. A CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo), a partir de abril de 2009, incorporou em todos os seus projetos os princípios e as diretrizes do desenho universal. Assim, todas as moradias de interesse social terão a garantia de acessibilidade na edificação e no entorno.

O sentimento de pertencer a uma nação é forte quando participamos do desenvolvimento e da produção das riquezas do nosso país. Trabalho e produção são os caminhos pelos quais as pessoas com deficiência devolvem para a sociedade o investimento que a sociedade lhes dedicou na forma de saúde e educação.

Viabilizar o trabalho para o jovem com ou sem deficiência começa na escola e se consolida, sobretudo, no ensino profissionalizante. É preciso garantir acessibilidade plena à escola para crianças e adolescentes com deficiência. A Secretaria da Educação está investindo R$ 160 milhões para garantir, até o final de 2010, a eliminação das barreiras arquitetônicas em, no mínimo, 80% das escolas estaduais.

Para a garantia de oferta de saúde, educação, trabalho e lazer, a exigência é a acessibilidade e a qualidade nos transportes coletivos, tema que está merecendo investimentos de R$ 80 milhões nas estações do Metrô.

O respeito à diversidade, essência humana, é a melhor forma de celebrar os direitos e a cidadania de todas as pessoas. A inclusão social das pessoas com deficiência é um programa do governo de São Paulo. A construção de uma sociedade para todos é um exercício contínuo de todos os cidadãos deste Estado.


Folha de S. Paulo
02/06/2009

terça-feira, 2 de junho de 2009

Dislexia: compreensão da família e da escola.

O médico José Medeiros reflete sobre conceitos básicos dessa maneira de aprender.

A dislexia, ao contrário dos que muitos pensam, não é uma doença, mas um funcionamento peculiar do cérebro para o processamento da linguagem. Em outras palavras, é uma deficiência de aprendizagem muito mais percebida na leitura, mas que também atinge a escrita e a soletração.

A palavra é derivada do grego “dis” (dificuldade) e “lexia” (linguagem). Para a Associação Nacional de Dislexia o que ocorre é uma lacuna entre a habilidade de aprendizagem e o sucesso escolar, sendo que o problema não é comportamental, psicológico ou de motivação pessoal e social.

Como as estatísticas demonstram que a dislexia atinge uma média de 5 a 15% de crianças, dificilmente uma escola deixa de ter disléxicos em seus bancos escolares.

Conhecimento e argúcia da parte do professor são necessários para a compreensão de que a criança tem dificuldade em soletrar; lê, mas não interpreta; escreve ao contrário como se estivesse um espelho à sua frente; tem melhor desempenho na oralidade que na escrita. Há muitas variações a esse quadro.

As primeiras observações são da família. O que não se pode é rotular o aluno de preguiçoso, desinteressado, incapaz, “burro”, o que será um erro fatal. Sei que o MEC fez um documento que orienta uma política direcionada à educação dos alunos com distúrbios de aprendizagem, desmistificando ideias e preconceitos sobre dislexia.

É fator genético e hereditário. Uma definição que merece ser refletida: “Dislexia é um jeito de ser e de aprender; reflete a expressão individual de uma mente, muitas vezes arguta e até genial, mas que aprende de maneira diferente”.

Compromete o futuro da criança, perguntam muitos pais? Cada caso é um caso que merece cuidados, acompanhamento e, por vezes, assistência profissional especializada.

Entretanto, dislexia não implica em falta de sucesso no futuro. Prova disso são pessoas disléxicas de grande projeção profissional como: Albert Einstein (o gênio da teoria da relatividade), Thomas Edison (inventor), Walt Disney (criador das personagens e dos estúdios Disney), Tom Cruise (ator), Agatha Christie (autora) Charles Darwin (autor da teoria da evolução), entre tantos outros.

Muitos amigos meus são disléxicos e vivem bem, bem-sucedidos em suas vidas profissionais e familiares.

Preconceitos existem; é necessário vencê-los. Não faz muito tempo uma rede de televisão explorou o assunto por meio de uma novela: Duas caras. A atriz Bárbara Borges interpretou uma estudante com dislexia, lutando contra muitos preconceitos.

Gazetaweb.com
01/06/2009