sábado, 4 de julho de 2009

Experiência de inclusão na Alemanha.

Inclusão de pessoas com deficiência.


Numa pequena cidade da Alemanha, Kirchberg, por onde corre o rio Jagst, os cidadãos estão vivendo, há 40 anos, uma experiência muito rica: a Inclusão.

Bem antes de se utilizar este termo, todos os moradores desta cidade já estavam colaborando, de alguma forma, para este movimento: iniciou-se um trabalho com pessoas jovens, adultas e de 3a. idade com deficiências dos mais variados tipos. Hoje, são 250 atendidos, usando Weckelweiler (nome da Instituição) como referência.

Neste artigo, vamos ler sobre a vida presente deste lugar.

Os jovens e adultos moram sós ou em duplas em apartamentos de prédios espalhados pela cidade e na zona rural pertencentes à Weckelweiler ou em casas de famílias, que alugam apartamentos externos para eles.

A prefeitura local colabora, viabilizando transportes que facilitam a eles o acesso a todos os lugares. Claro, é um país de primeiro mundo, de uma cultura diferente, .mas serve para termos um vislumbre de que isto é possível e real. Cada país, cidade, escola, instituição, deve encontrar sua forma de “incluir”, sempre levando-se em conta sua realidade, cultura, etc.

Continuando, são 17 oficinas no total, onde desenvolvem os mais variados trabalhos: desde marcenaria, tecelagem, consertos de roupas, lustres de resina, serviço de correio e entregas, consertos de telhados, produção e loja de hort-fruti orgânicos, confeitaria, artigos em couro até uma casa, por onde todos passam para aprender as tarefas domésticas, e uma equipadíssima metalúrgica, autorizada pelo governo.

Mas, e o risco de trabalho? Segundo pesquisa do próprio governo, os acidentes numa oficina deste tipo, comprovadamente, são muito mais raros do que em oficinas convencionais. Por isso, o alvará para funcionamento.

Várias destas oficinas oferecem cursos técnicos, em parceria com empresas, e, ao final destes, que duram cerca de 3 anos, há tantas provas práticas, quanto teóricas.

Se não todos, mas muitos dos jovens e adultos, cursam a escola regular (supletivo). Professores da rede pública local se organizaram e desenvolveram, dentro dos padrões de seu país, um currículo adaptado e acompanham todo o desenvolvimento de cada um dos alunos, além de ministrarem as aulas.

Cada pessoa com deficiência possui e administra sua conta no banco. E existe um combinado entre os funcionários do banco para limites de valores retirados. Os funcionários das lojas e supermercados ajudam opinando sobre artigos comprados e trocos.

E além do trabalho e estudo, muitos participam de outras atividades como esportes variados, aulas de músicas e outras, orquestra, teatro, enfim, o que lhes interessar; e, aqueles que necessitam, recebem diversos tipos de terapias (até “lhamaterapia” – equoterapia em que se utiliza a lhama ao invés do cavalo), além de consultas médicas, psiquiátricas e outras.

Os idosos moram acompanhados de outras pessoas, ou em duplas, recebem sua aposentadoria e participam de programas especialmente desenvolvidos para eles.
Além disso, recebem terapias especiais, como massagem. Em outubro de 2004, um prédio na cidade estava sendo finalizado, para a moradia de casais com deficiência.

São muitas coisas diferentes do nosso país; mas é importante que sejam conhecidas ou sabidas.

Problemas, dificuldades? Onde não há? Lá não é diferente.

Para saber mais, acesse o link do Portal Vanmix:

http:/vanmix.net/artigos/noticias/140


Planeta Educação
03/07/2009

Linhas de alinhamento para os grupos de discussão formados para compreender melhor a Convenção das Nações Unidas sobre os direitos da pessoa com defic

Condição do artigo 24 que versa sobre a Educação Inclusiva.

Muito temos nos preocupado durante os últimos meses, e com mais vigor nas semanas mais recentes a respeito de informes a serem fornecidos pelas autoridades educacionais do Brasil sobre a educação inclusiva, que é o artigo no. 24 da famosa Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.

Educação inclusiva – como se tem falado e escrito sobre sua implementação com sucesso, sobre os obstáculos variados a serem vencidos não somente no Brasil, que nos interessa logicamente mais diretamente mas em outros países
também, de modo especial os chamados países emergentes ou em desenvolvimento.

Parece-nos importante traduzir estes informes, estes alinhamentos que Inclusion International propõe a todos os países que firmaram a Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência, para que sejam criados grupos de discussão que identifiquem os sucessos e dificuldades para uma plena implantação da educação inclusiva no Brasil e em outros países. Vamos, pois, ao texto citado:

“Este ano se comemora o 15º. Aniversário da Declaração de Salamanca, adotada pela Conferência Mundial sobre Educação de Necessidades Especiais: Acesso e Qualidade, convocada pela UNESCO em Salamanca, Espanha, junho 7-10, 1994. Para comemorar a ocasião, Inclusion International e Inclusion Europa estão elaborando um Relatório Global sobre o status da Educação Inclusiva no mundo inteiro, que será publicado na Conferência Global sobre Educação Inclusiva (outubro 21-23 de 2009) na Universidade de Salamanca.

Estamos recolhendo histórias e informações acerca tanto da inclusão como da
exclusão – histórias que reflitam –

· informações sobre as boas práticas nas escolas, aulas e comunidades, que possamos compartilhar

· informações acerca das circunstâncias pelas quais as crianças continuam sendo excluídas das escolas

· os temas e desafios que crianças, os pais e os professores enfrentam e que impedem a verdadeira inclusão na educação.

Estes alinhamentos se destinam a ajudá-los a responder estas perguntas. Podem ser utilizados por organizações interessadas em conduzir um diálogo com pessoas que têm deficiências e suas famílias sobre o tema da educação inclusiva em seu país.

Dá-se ênfase a que as famílias contem histórias sobre suas experiências para conseguir uma educação para o membro da família com uma deficiência. Queremos que nos contem acerca das experiências de suas famílias – acerca das atitudes, acessibilidade, qualidade, custos, rendas, participação dos pais e muito mais. Também queremos saber como as coisas que aconteceram afetaram seu filho/filha e a família como um todo.

Os grupos de discussão devem ser estabelecidos com um Facilitador,1i pessoa que tome nota e entre 15 – 20 participantes.

No Brasil ainda há uma idéia bastante nebulosa sobre o envolvimento de nosso país em grandes questões globais de direitos humanos relacionados à educação e tantas outras. Hoje em dia, nota-se em tudo, há uma atmosfera de interesses não mais de nações, nem de blocos geográficos, mas do planeta como um todo. Tudo que ocorre, por exemplo, em São Paulo afeta a vida de milhares de pessoas em toda parte. Daí a importância de darmos a nossa contribuição a assuntos tão sérios como educação inclusiva, proteção às crianças contra a subnutrição, saúde da população, etc.


Traduzido do espanhol e digitado em S.Paulo por Maria Amélia Vampré Xavier, da Rede de Informações Área Deficiências Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo, Fenapaes, Brasília (Diretoria para Assuntos Internacionais), Rebrates, SP, Carpe Diem, SP, Sorri Brasil, SP, Inclusion InterAmericana e Inclusion International, em 8 de junho de 2009.



Rede Saci
03/07/2009

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Fazer por consciência e não só para cumprir a lei.

Flávia fala de uma arquitetura que cumpra suas obrigações com a sociedade, e de nossa cultura baseada na exclusão.

Arquiteta Flávia Boni Licht*

Quando me pediram para falar neste encontro sobre o tema “fazer por consciência e não só para cumprir a lei”, a primeira associação que fiz foi com o Código de Ética da minha profissão, o Código de Ética de todas as profissões vinculadas ao Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia. Busquei o texto do Código e destaco aqui, rapidamente, dois conceitos que lá encontrei.

No artigo 6º, lê-se que “o objetivo das profissões e a ação dos profissionais volta-se para o bem-estar e o desenvolvimento do homem, em seu ambiente e em suas diversas dimensões: como indivíduo, família, comunidade, sociedade, nação e humanidade; nas suas raízes históricas, nas gerações atual e futura”.

Um pouco mais adiante, onde é descrita a natureza das profissões se reconhece que elas são um “bem cultural da humanidade construído permanentemente pelos conhecimentos técnicos e científicos e pela criação artística, manifestando-se pela prática tecnológica, colocado a serviço da melhoria da qualidade de vida do homem”.

Portanto, de acordo com o Código de Ética Profissional, nosso trabalho enquanto arquitetos – as edificações de uma cidade, seus espaços abertos e a própria cidade – tem como foco prioritário o bem-estar e o desenvolvimento do ser humano; e nossa profissão deve ser colocada a serviço da melhoria da qualidade de vida do homem.

Sabemos, infelizmente, que esses objetivos nem sempre são respeitados, que é grande a distância entre a teoria – e aí podemos incluir o nosso Código de Ética – e a prática. Como vencer esse abismo? É o que temos que aprender!

Não querendo criar desculpas, é importante lembrar que nós, arquitetos, também somos resultado de uma cultura construída por uma soma de conceitos que leva à idealização (inclusive física) do ser humano; uma cultura que, desde o começo da civilização, privilegia os fortes sobre os fracos, os que têm mais sobre os que têm menos, os que se encaixam nos módulos de beleza construídos pelos grupos sociais dominantes (e aceitos universalmente, pois universalmente disseminados por esses dominantes) sobre os que se distanciam desses padrões. Uma cultura, portanto, excludente. E o produto do nosso trabalho revela também essa exclusão. Só que, talvez pior que em outras profissões, modelamos esses preconceitos em pedra, em concreto, em tijolos, à vista de todos.

O que mais explicaria, além de uma cultura baseada em exclusão, as sempre presentes e indiscutíveis rampas de acesso para automóveis às garagens e as quase sempre ausentes e eternamente questionadas rampas para uso de cadeirantes?

O que mais explicaria, além de uma cultura baseada em exclusão, o convite que recebi para fazer uma palestra ocorrida na 8ª Jornada da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia sobre “moradia segura”? Sabemos que uma casa para ser digna desse nome deve, obrigatoriamente, proteger, abrigar, dar segurança ao ser humano, independente de idade ou condição física. Ou deve deixar de ter o título de moradia...

O que mais explicaria a necessidade de estarmos aqui reunidos discutindo como “fazer por consciência e não só para cumprir a lei”?

Mesmo reconhecidos pelo profundo engajamento nas lutas pela redemocratização do nosso país, mesmo sonhando em mudar, pela arquitetura, a sociedade, muitos de nós, arquitetos, quando pegamos a lapiseira – hoje, o mouse – parecemos esquecer tudo isso e nos tornamos antidemocráticos e excludentes no que é mais caro e específico da nossa profissão: o desenho.
No projeto de uma edificação, por exemplo, o pequeno degrau na soleira ou a estreita porta de banheiro, estampa aos olhos de todos que estamos sendo seletivos. Será por ignorância que privamos uma parcela significativa da população do usufruto dos espaços que projetamos? (convém lembrar que muitos cadeirantes – especialmente os idosos – não vencem sozinhos alturas superiores a cinco milímetros e que qualquer cadeira de rodas tem mais de sessenta centímetros de largura).

Quando ampliamos nosso olhar da edificação à cidade, seguimos esquecendo o ser humano e sua diversidade. Hoje, parece que o mais importante é nos fazer cruzar de automóvel – em alta velocidade e sem vínculos – os espaços urbanos. Citando o arquiteto argentino Luís Grossman, “uma curiosa miopia limita a questão da mobilidade urbana ao trânsito de veículos”. E os pedestres? Como atravessam essas autênticas rodovias urbanas? De quando em quando, em faixas de segurança com semáforos. Mas, até nesses pontos, o automóvel tem o seu privilégio assegurado... De acordo com uma pesquisa sobre mobilidade urbana, a ‘velocidade de marcha’ utilizada para regular o funcionamento dos semáforos de pedestres é de 1,2 m/s; os idosos, em média, dão passos a 0,4m/s. Ou seja, sem fazer grandes cálculos, pode-se concluir que um idoso jamais chegará ‘do outro lado’ sem forçar o seu andar (como?). E também podemos incluir nesse grupo que dificilmente chegará ‘do outro lado’, entre outros tantos exemplos, alguém voltando do mercado com um carrinho de compras, uma gestante, um pai com um bebê no colo, uma criança com o seu triciclo. E, certamente, um cadeirante.

Acredito que nos caberia, então, repensar e revisar esses conceitos –preconceitos? – que foram nos distanciando do foco da nossa profissão. E, apesar de sabermos, como nos ensinou Einstein, que é mais fácil desintegrar um átomo que um preconceito, temos que

§ criar uma nova consciência, desconstruindo o que aprendemos, para que seja possível esquecer a idealização que nos leva a projetar para um padrão humano inexistente;
§ assumir efetivamente que a população é composta por pessoas diferenciadas, cada um com as suas características e com necessidades distintas e que todos têm os mesmos direitos;
§ projetar ambientes amigáveis que compensem e não acentuem as diferenças, ambientes que incluam e não excluam, propiciando segurança, conforto e autonomia;
§ implantar uma nova educação nas faculdades de arquitetura, para que possa ser sempre renovado o compromisso ético dos arquitetos com o bem-estar e o desenvolvimento do ser humano;
§ cumprir leis e normas não por medo de multas, mas sim por acreditar que elas nos dão o respaldo necessário para colocar a nossa profissão a serviço da melhoria da qualidade de vida de todos;
§ reclamar o direito a uma fiscalização exigente e qualificada que conheça a legislação e que apóie a eliminação de barreiras ambientais;
§ aprender com o sociólogo argentino Eduardo Joly, que “a deficiência é uma construção social, que se edifica diariamente nas relações entre as pessoas, entre os grupos, no tecido urbano; a deficiência se constrói nas decisões que tomamos, nas atitudes que assumimos, na forma que estruturamos o entorno físico, social, cultural e ideológico no qual nos desenvolvemos”.

Vale lembrar que em 1991, o órgão máximo da nossa profissão, o Congresso Brasileiro de Arquitetos reunido em Belo Horizonte na sua 13ª edição, aprovou, por unanimidade, moção em defesa de uma arquitetura sem barreiras. Naquela ocasião, os arquitetos assumiam em conjunto que “a deficiência só se manifesta por falhas da organização espacial em facilitar a expressão das habilidades de cada indivíduo” e comprometiam-se em garantir o respeito à diversidade humana na elaboração de seus projetos.

Passaram-se os anos e, em 2004 no Rio de Janeiro, os arquitetos mais uma vez reunidos, quando do 17º Congresso Brasileiro, novamente por unanimidade decidiram “reforçar a necessidade de adotar os princípios do desenho universal, que visa atender a maior gama possível de pessoas, planejando espaços e dimensões apropriados para a interação, o alcance e o uso de produtos em geral, independentemente do tamanho, postura ou mobilidade do usuário, respeitando a diversidade física e sensorial entre as pessoas e as modificações pelas quais passa o corpo do ser humano da infância à velhice”.

De novo, belos conceitos, infelizmente traduzidos em pouca ação prática efetiva. E, uma vez mais, nos vemos frente ao imenso abismo entre teoria e prática. Para tentar vencê-lo – como bem nos sugere este tema do Encontro Mundial de Saúde e Tecnologia, “fazendo com consciência e não só para cumprir a lei” – talvez devêssemos ficar mais atentos ao que afirmou o historiador de arte e prefeito de Roma do final dos anos 1970, Giulio Carlo Argan:

“Nunca se projeta para, mas sempre contra alguém ou alguma coisa: contra a especulação imobiliária e as leis ou autoridades que a protegem, contra a exploração do homem pelo homem, contra a mecanização da existência, contra a inércia do hábito e do costume, contra os tabus e a superstição, contra a agressão dos violentos, contra a adversidade das forças naturais; sobretudo, projeta-se contra a resignação ao imprevisível, à desordem, aos golpes cegos dos acontecimentos, ao destino”.

Brasília, 21 de setembro de 2006.

* Flavia Boni Licht - Arquiteta, especialista em acessibilidade e representante titular do IAB-RS na Comissão Permanente de Acessibilidade de Porto Alegre.



Bolg TAI
02/07/2009

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Eu quero ser deficiente.

Para Fábio devemos refletir o que queremos: direitos ou privilégios?

Mais uma vez somos confrontados com uma série de projetos de lei, decisões jurídicas e debates sobre o que define deficiência ou não. De uma hora para outra todo mundo quer ser deficiente*. E não é só aqui no Brasil, em outros países também. Nesse mesmo momento debate-se nos Estados Unidos se obesidade é deficiência ou não.

O que leva pessoas que não tem deficiência a quererem ser deficientes? Pessoas com deficiência sofrem preconceito por sua condição, têm restrições de acesso a comunicação, mobilidade, aprendizado. São tratados de forma pejorativa (ou alguém gosta de ser chamado de deficiente?) e, na maior parte das vezes, o máximo que recebem do mundo é comiseração.

A questão que está sendo posta em jogo não é a condição funcional que define ou não as deficiências, mas o acesso a muitos dos privilégios que foram concedidos às pessoas com deficiência.

Por isso, nós, dos movimentos em defesa das pessoas com deficiência, deveríamos refletir seriamente sobre o que queremos: direitos ou privilégios? O resultado da conquista de tantos privilégios (e tão poucos direitos) é que atrai a horda de pseudo deficientes em busca de uma fatia do bolo.

Façamos uma suposição básica : se todas as pessoas com deficiência tivessem acesso efetivo à saude e à educação desde a sua infância elas teriam a chance, como qualquer um , de serem qualificadas. Sendo qualificadas poderiam disputar vagas no mercado de trabalho em condições de igualdade. Mas esse direito não é garantido de fato (apesar de sê-lo de direito), logo criam-se compensações em forma de privilégios.

Como essas pessoas não tem acesso à educação e, consequentemente ao trabalho, acabam não tendo renda. Surgem outras compensações em forma de auxílios assistenciais, benefícios fiscais, redução de tempo de trabalho.

Privilégios ou direitos?

A palavra "direito" vem do latim directus: "que segue regras pré-determinadas ou um dado preceito. O que podemos exigir em conformidade com as leis ou a justiça de forma equalitária para todas as pessoas. Alguns direitos, mesmo que não tranformados em lei são considerados como sendo inalienáveis aos seres humanos, o direito à vida é o mais significativo deles. Mas também se incluem entre eles os direitos à liberdade, de opinião, à educação, ao trabalho digno.
Nem todas as leis ou preceitos legais garantem direitos similares para todos. Quando isso acontece temos um privilégio que é um direito ou vantagem concedida a alguém com exclusão de outros.

Privilégio é uma coisa tentadora. Quem é que não quer comprar carro sem imposto? Quem não gostaria de competir por empregos com vantagens sobre os demais? Quem não gostaria de poder se aposentar mais cedo? Quem não quer receber uma renda fixa mensal pelo resto da vida, mesmo quando o valor é ridículo.
Eu mesmo já fui questionado muitas vezes porque não uso a vaga reservada a pessoas com deficiência. Por que o faria se meu filho não tem dificuldades de locomoção? Por que eu pediria passe livre para o meu filho se eu tenho condições financeiras de pagar a passagem de ônibus ou de metrô?

Agora, alguém conhece alguém que não seja surdo que queira aprender Libras ou ter a garantia de intérprete? Alguém conhece alguém que não seja cego que queira aprender Braille? Alguém que não tenha deficiência física que prefira enfrentar as nossas calçadas numa cadeira de rodas?
Será que algum dos candidatos à deficiente gostaria de ser rotulado de deficiente intelectual?

O momento não é o de nos queixarmos em relação aqueles que querem uma boquinha nessa festa, mas de revermos nossa postura em relação ao que buscamos.

Se continuarmos a lutar por privilégios, daqui a pouco eu também vou me candidatar a um rótulo qualquer que me garanta. Acho que posso me enquadrar na categoria de obesos.

Fábio Adiron
Blog Xiita da Inclusão
01/07/2009

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Foco da convenção das Nações Unidas sobre direitos das pessoas com deficiência.

As pessoas com deficiências sempre foram o segmento mais excluído e desvalorizado na sociedade humana, isso durante séculos. Houve épocas em que pessoas com deficiências, fossem quais fossem, eram dizimadas pois se julgava que fossem arautos de mau agouro, representavam a parte negativa do ser humano, e assim as sociedades foram conservando afastadas pessoas com deficiência pois em alguns países menos desenvolvidos pessoas com deficiência eram o sinal de que seus pais que as haviam gerado tinham cometido faltas tão graves que Deus decidira puni-las com um filho que lhes traria muito sofrimento.

Por muitos motivos, até por proteção de parte de suas famílias, esse segmento da população permaneceu “invisível” e isso permanece até hoje. Uma das defesas que se faz da educação inclusiva é que as crianças desde bem pequenininhas passam a conviver com crianças normais e, dessa forma, quebra-se uma barreira existente desde o nascimento de crianças com deficientes, que passam a ter uma vida próxima de seus irmãos, primos, amigos da vizinhança e amigos que vão formando na escola.

Existe muita gente que em pleno fim da primeira década do século 21 ainda não sabe o que é uma pessoa com deficiência, olhando-a de longe com muito medo de se aproximar. Vamos, pois, recorrer a um texto das Nações Unidas que dá uma clara explicação sobre esta questão. Vamos a ele:

“O termo “pessoas com deficiências” se aplica a todas as pessoas que têm por longos períodos de tempo limitações físicas, mentais, intelectuais ou sensoriais, as quais diante de várias atitudes negativas ou obstáculos físicos, podem impedir que essas pessoas participem integralmente da sociedade. Contudo, esta não é uma definição definitiva daqueles que podem exigir proteção sob a Convenção, da mesma forma que essa definição não exclui categorias mais amplas encontradas na lei nacional, incluindo pessoas com deficiências de curto prazo ou pessoas que tiveram deficiências no passado.

Uma pessoa com deficiência pode ser considerada como tal em uma sociedade
ou ambiente, porém não em outro. Na maior parte do mundo existem
estereótipos negativos profundos e persistentes, assim como preconceitos
contra pessoas com certas condições e diferenças. Estas atitudes determinam
quem é considerado uma pessoa com deficiência e perpetuam a imagem negativa
de pessoas com deficiência. A linguagem usada para fazer referência a
pessoas com deficiência exerce papel significativo em criar e manter
estereótipos negativos. Termos como “aleijado” ou “retardado mental” são
claramente depreciativos. Outros termos como “cadeirantes” (no Brasil)
salientam a deficiência em vez da pessoa. Historicamente, a sociedade tem
falhado, não usando os termos que as pessoas com deficiência utilizam para
definir a si próprias ou tem forçado as pessoas a se definirem, usando
termos com os quais se sentem desconfortáveis.

As pessoas que fizeram o primeiro esboço da Convenção tinham a clareza de
que a deficiência deveria ser encarada como o resultado da interação entre
uma pessoa e seu ambiente, que deficiência não é alguma coisa que resida no
indivíduo como resultado de alguma limitação. Esta Convenção reconhece que
a deficiência é um conceito que evolui e que a legislação pode ser adaptada
para refletir mudanças positivas dentro da sociedade.

Para pessoas que nasceram com uma deficiência como eu, frequentemente a família espera muito pouco delas, de forma que as expectativas são baixas; barreiras físicas na comunidade podem impedi-las de ter acesso a sua comunidade; barreiras sociais podem impedi-las de acessar sua comunidade.

Linda Mastandrea, advogada na área da Deficiência e atleta paraolímpica

· Aproximadamente 10 por cento da população do mundo vive com uma deficiência – a mais ampla minoria do mundo. Este número está aumentando devido ao crescimento da população, progressos médicos e o processo de envelhecimento. (OMS)

· Estima-se que 20 por cento das pessoas mais pobres do mundo tenham uma deficiência, e tendem a ser consideradas em suas próprias comunidades como as pessoas que estão em maior desvantagem (Banco Mundial).

· Índices de deficiência são significativamente maiores em grupos que tenham nível educacional mais baixo nos países da Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento(OECD). Em média, 19 por cento das pessoas menos educadas têm deficiências, comparado a 11 por cento entre pessoas que tiveram melhor educação. (OECD)

· Mortalidade para crianças com deficiências pode ser tão alta quanto 80 por cento em países nos quais a mortalidade antes dos 5 anos, como um todo, caiu até 20 por cento. Em alguns casos parece que crianças com deficiência foram “extirpadas”. Departamento de Desenvolvimento Internacional, Reino Unido)


Traduzido do inglês e digitado por Maria Amelia Vampré Xavier, da Rede de Informações Área Deficiências Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo, Fenapaes, Brasília (Diretoria para Assuntos Internacionais), Rebrates, SP, Carpe Diem, SP, Sorri Brasil, SP, Inclusion InterAmericana e Inclusion International em 5 de junho, 2009.

Portadores de Necessidades Especiais terão atendimento especial no Enem 2009.

As pessoas com deficiência deverão declarar o tipo de atendimento necessário na inscrição
O Exame Nacional do Ensino Médio - Enem 2009 - irá fornecer atendimento especial para alunos Portadores de Necessidades Especiais (PNE).

Quem precisar de qualquer tipo de atendimento especial deverá declarar a necessidade quando fizer a inscrição do Enem 2009.

A prova do Enem também será aplicada em Unidades Hospitalares para pacientes ingternados, impossibilitados de se ausentar do Hospital. Para solicitar este atendimento, o responsável deverá solicitar ao Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) o formulário do Termo de Compromisso, que deverá ser encaminhado ao órgão responsável pelo Enem até o dia 17 de julho, prazo final das inscrições.

As inscrições do Enem 2009 deverão ser feitas pelo site www.enem.inep.gov.br. As provas serão aplicadas nos dias 3 e 4 de outubro de 2009.



Ler para ver
30/06/2009

terça-feira, 30 de junho de 2009

Lançado cadastro de empregos adaptado às necessidades de pessoas com deficiência.

Sistema foi idealizado e construído pela Rede SACI a partir da experiência acumulada desde 2002 em serviço prestado no Canal Trabalho.


São Paulo - Para facilitar a inserção de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, foi lançado hoje (29) o Sistema Integrado de Vagas e Currículos, uma página de empregos na internet adaptada às necessidades dessa parcela da população. O projeto é uma iniciativa do Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana do Estado de São Paulo (Selur), viabilizado pela Rede SACI (Solidariedade, Apoio, Comunicação e Informação), e pode ser acessado no endereço www.selursocial.org.br.

A página oferece leitor de textos para deficientes visuais, e foi pensada para facilitar ao máximo o entendimento e a busca de informações. “Os sites hoje não levam em conta questões básicas de informação que vão desde a linguagem até a forma de navegação”, afirmou a supervisora de comunicação da Rede Saci, Ana Maria Barbosa.

Segundo ela, um dos pontos fortes da nova plataforma é uma forma diferenciada de tratar erros cometidos no preenchimento dos formulários. “A pessoa, enxergando ou não, com dificuldade motora ou qualquer outra, vai saber o que ela errou, onde está o erro e vai ter um link direto para o espaço que tem que ser corrigido.”

Para Thiago Costa, 22 anos, o sistema é de fácil utilização. “Eu me cadastro em vários sites e esse até hoje foi para mim o mais fácil.”

Costa é tetraplégico e contou que "há algum tempo" procura emprego na área de edição de imagens, no entanto, ainda não encontrou uma vaga compatível com suas necessidades. “A dificuldade é mais de locomoção e adaptação. Adaptação de local para trabalho, de cadeira e até mesmo de como usar o computador no trabalho.”

De acordo com o Censo de 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 24,5 milhões de pessoas, ou 14,5% da população brasileira, têm algum tipo de deficiência.


Agência Brasil
29/06/2009

Projeto de Sarney sobre pessoas com deficiência deve ser arquivado, pede representante da associação do Ministério Público.

Para Maria Aparecida o projeto está em total "desintonia" com a lei vigente e com os preceitos constitucionais.

Maria Aparecida Gurgel, representante da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público de Defesa dos Direitos dos Idosos e Pessoas com Deficiência (Ampid) pediu o arquivamento do projeto do senador José Sarney que cria novas normas de acesso das pessoas com deficiência a cargos públicos.

Para Maria Aparecida, que se apresentou aos senadores da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), o projeto está em total "desintonia" com a lei vigente e com os preceitos constitucionais, motivo pelo qual ela considera que o mesmo deve ser, no mínimo, juntado a outros. Ela criticou ainda qualquer pensamento acerca da pessoa com deficiência que recaia no assistencialismo.


Agência Senado
29/06/2009