sábado, 15 de agosto de 2009

Encontro em São José dos Campos discute soluções para o acesso de deficientes.

O que se espera é que toda prefeitura tenha acesso fácil a qualquer cidadão.

O planejamento urbano nem sempre leva em conta as dificuldades que os deficientes têm para circular pelas ruas. Representantes de 40 cidades da região se reuniram em São José dos Campos para tentar encontrar soluções.

Há 27 anos, a pedagoga Maria Gorete de Assis ficou cega por causa de um glaucoma na adolescência, mas isso não a impediu de seguir em frente, apesar dos obstáculos.

Para ir e vir do trabalho, se esquiva de bueiros, buracos. As calçadas irregulares e sem espaço a fazem perder a referência. “Sentimos também muita dificuldade com relação às lixeiras, portões entreabertos, árvores que desconfortam bastante”, disse.

O que se espera é que toda prefeitura tenha acesso fácil a qualquer cidadão. A calçada do Paço Municipal de São José do Campos até foi adaptada, mas de forma irregular. O piso não é especial para deficientes visuais, não há semáforo adaptado e do outro lado da rua o tamanho da calçada rebaixada não é adequado para cadeirantes.

Sobre rodas, o jornalista Luís Daniel da Silva vive os mesmos problemas. Durante a gravação da reportagem, ao tentar descer a rampa, a roda virou e ele caiu para fora da cadeira. Em seguida, pessoas que passavam pelo local ajudaram a levantá-lo. “Ela teria que seguir reto e como ela tinha um pequeno degrau, eu tive uma queda ali”, explicou.

Outra reclamação é o acesso pelo transporte público: não há ônibus que pare na porta do Paço. Problemas e limitações para os deficientes que foram debatidos na cidade. O município já havia criado uma assessoria para tratar do assunto, mas ainda falta muito para ser feito.

“Nós precisamos realmente avançar nessa coisa conceitual, de como fazer uma rampa mais adequada, sinalização. Nós estamos revendo todas as leis e essa oficina é uma ferramenta muito importante”, disse o vice-prefeito Luiz Antônio da Silva.

Sobre o acesso ao Paço Municipal, o vice-prefeito disse ainda que está em estudo a possibilidade de um veículo especial fazer a ligação entre pontos de ônibus e a entrada da prefeitura.



VNews
São José dos Campos - SP, 14/08/2009

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

O fator mascarado.

Combatido nos discursos, o preconceito ainda está muito entranhado na sociedade e nas escolas brasileiras.

Uma verdade que não se que enxergar: a escola também consagra preconceitos.


Uma pesquisa realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em 501 escolas públicas do país, e divulgada em junho deste ano, revelou dados preocupantes sobre o preconceito no ambiente escolar brasileiro. Das 18,5 mil pessoas entrevistadas, entre alunos, professores, funcionários e pais, 99,3% demonstram algum tipo de preconceito - étnico-racial, socioeconômico, de gênero, geração, orientação sexual ou territorial ou em relação a pessoas com algum tipo de necessidade especial.

De acordo com a pesquisa, os tipos de preconceito que apresentaram maior abrangência são aqueles relacionados a pessoas com necessidades especiais (96,5%), seguido por diferenças étnico-raciais (94,2%), e aqueles relativos a diferenças de gênero (93,5%). Além disso, assim como o preconceito, percebeu-se entre todos os públicos-alvo da pesquisa uma predisposição em manter menor proximidade em relação a determinados grupos sociais, como homossexuais, pessoas com necessidades especiais de natureza mental e ciganos.

Cláudia Vianna, professora da Faculdade de Educação da USP que pesquisa as relações de gênero e sexualidade na educação, explica que o preconceito é uma disposição afetiva que pode ou não se transformar em um ato de discriminação. Só que, no Brasil, muitas vezes o preconceito não chega a ser explicitado, ou mesmo entendido como tal. Uma das razões para tanto está no estereótipo disseminado do brasileiro brincalhão. Ofensas sobre a cor de pele ou a orientação sexual, por exemplo, são entendidas apenas como traço típico de uma personalidade nacional. "Mas certamente existe", adverte Cláudia.

Neutralidade inexistente.

Apesar de, em tese, a escola dever desempenhar um "papel neutro" no processo de transmissão de valores culturais - entenda-se por neutro o fato de não privilegiar nenhum credo, cultura ou procedência - e colaborar para a superação de preconceitos, na prática ela acaba sendo um fator de reforço daqueles já existentes. Isso porque os professores e autoridades escolares reproduzem, por meio de gestos, posturas e falas, sistemas de pensamento e atitudes que são excludentes. Ou seja, os educadores fazem eco, no ambiente escolar, às imagens negativas e estereótipos entre os quais muito provavelmente foram socializados.

Há, por exemplo, casos em que professores relacionam o rendimento escolar de alunas apenas ao esforço e ao bom comportamento, sem estimular a criatividade ou o potencial para certas matérias curriculares como matemática. "Essa baixa expectativa sobre o desempenho escolar de meninas claramente contém um padrão sexista", afirma Cláudia Vianna. O cientista social Paulo Neves conta que uma pesquisa de sua autoria verificou que em alguns casos alunas recorrem à violência como forma de serem respeitadas. "Mas assim são duplamente repreendidas: por utilizarem uma forma de agressão para resolver os conflitos e por serem meninas, portanto utilizando-se de algo considerado contrário à sua natureza", revela o estudioso.

No artigo "O fracasso escolar de meninos e meninas: articulações entre gênero e raça", publicado em 2003, a também professora da Feusp e estudiosa das relações de gênero Marília de Carvalho coletou informações sobre a cor atribuída às crianças da quarta série de uma escola fundamental de São Paulo, a partir de duas percepções: a dos professores e a dos próprios alunos. Após cruzar essas informações com o índice de aproveitamento de cada estudante, constatou-se uma tendência dos professores em "embranquecer" os melhores e "escurecer" os piores.

Não que as instituições de ensino sejam as principais responsáveis pela permanência ou não de práticas discriminatórias, mas elas são parte fundamental para o entendimento e aceitação da diferença. Para exercer a função de inserir os jovens no espaço público, que é aquele em que se dá (ou, ao menos, em que deveria se dar) a aceitação da diversidade, a escola precisa se colocar de maneira firme contra as práticas preconceituosas e discriminatórias. E isso pode começar pela compreensão das relações existentes nesse ambiente, mostrando suas fissuras e contradições. "O educador deve estar preparado afetiva e intelectualmente para interferir nas situações em que os conflitos emergem", afirma Luiz Alberto Gonçalves, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O problema é que, segundo Gonçalves, a introdução do tema da diversidade nas escolas ainda é algo recente no país e muitos professores não têm formação e conhecimento para mediar apropriadamente essas situações. Só a partir dos anos 90 as políticas educacionais, por força das demandas sociais, sobretudo dos grupos excluí­dos na sociedade, foram obrigadas a reconhecer que o ambiente escolar brasileiro é pluricultural e pluriétnico.

Cortando pela raiz.

Para enfrentar esses problemas, atualmente o MEC oferece cursos de formação continuada trabalhando a temática da diversidade e colocou em vigor a Lei 10.369, de 2003, que torna obrigatória a inclusão do estudo das "Relações Étnico-Raciais e o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana". Só que Luiz Gonçalves entende que essas ações podem criar a expectativa de que basta introduzir mudanças no currículo escolar e o problema do preconceito estará resolvido. Para ele, é preciso mudar a postura do corpo docente frente aos conteúdos e às relações escolares, assim como é preciso haver um esforço para construir uma nova forma de fazer a educação escolar. Combater o preconceito pressupõe reconhecer o outro na sua diferença e esse reconhecimento começa no próprio docente. "Muitas crenças que foram difundidas pelos conteúdos tradicionais terão de ser questionadas e até banidas", fala.

Já Paulo Neves diz que não basta a escola desenvolver um trabalho para dias como o da consciência negra ou das mulheres se, no seu cotidiano, aqueles que pertencem a esses grupos são discriminados. Por isso, é importante elaborar um projeto político-pedagógico consistente, em que o estudo da temática esteja inserido tanto na sala de aula quanto nas horas de trabalho pedagógico coletivo. Entretanto, deve-se tomar cuidado para não haver exageros. Muitas discussões sobre as questões ou a excessiva criação de projetos acabam por prejudicar a consistência da reflexão dos envolvidos. "No fim, após passar pela escola, posso continuar acreditando nos preceitos de minha religião, por exemplo, mas não posso sair pensando que ela é a única e verdadeira", explica.

Cláudia Vianna compartilha a tese e entende que caminhar nessa direção requer o reconhecimento do conflito como pilar dos projetos coletivos. A partir daí, os professores podem promover a interação da diversidade, criando ambientes seguros para que eles e seus alunos possam questionar e refletir os valores hierarquizantes relacionados ao gênero, raça, classe social e idade, além de interferir na reprodução de estereótipos, sem medo do preconceito ou da exclusão. Vianna propõe também analisar com os alunos as atribuições e significados dominantes estudando-se os veículos da comunicação. De fato, a pesquisa da Fipe mostra que o incentivo ao acesso às mídias pode reduzir o preconceito observado entre os alunos em relação a todos os temas pesquisados.

Ainda assim, além da sala de aula, o preconceito deve ser encarado como um problema complexo, que atinge esferas diferentes. O diretor de Estudos e Acompanhamento das Vulnerabilidades do MEC, Daniel Ximenes, acredita que qualquer ato desse tipo deve ser combatido via educação, mas isso não é tarefa somente da escola. Instâncias como o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal de Justiça também precisam denunciar e tomar posições. "No caso da escola, deve haver uma integração com os órgãos públicos e a comunidade ao seu redor, com iniciativas e diálogos sendo constantemente estimulados", completa.

Maus resultados.

Um dos pontos mais polêmicos da pesquisa publicada pela Fipe indica que as ações discriminatórias são um fator importante para a qualidade no desempenho escolar dos alunos. Utilizando como base a Prova Brasil de 2007, chegou-se à conclusão de que existe uma correlação negativa sobre o conhecimento de ações discriminatórias e as médias dessa avaliação nas escolas. Ou seja, onde as ocorrências foram maiores, as notas tenderam a ser menores.
Paulo Neves diz que não há como medir as consequências dessas atitudes no longo prazo, mas se elas não forem rechaçadas, acabam se tornando legítimas e prejudicam não somente o ambiente e o desempenho escolar como a fase em que crianças e adolescentes estão construindo uma identidade. "Se não há uma atitude contrária, a postura é reforçada e um aluno pode entender que é normal ter o mesmo procedimento", fala.

A pesquisa mostra ainda que a ocorrência de agressões, simbólicas ou de fato, contra professores e funcionários é mais nociva ao desempenho escolar dos alunos do que onde essas ações ocorrem contra os próprios estudantes. O estudo comparou as escolas em que se tinha conhecimento desse tipo de ocorrência (designadas como bullying no estudo) contra os dois grupos, cotejando esse fator com o desempenho na Prova Brasil. A agressão contra professores e funcionários mostrou-se pior, revelando que, quando isso acontece, passa a haver uma maior desestruturação da instituição.

Luiz Gonçalves afirma que tal razão é evidente, pois os educadores sem boas condições psicológicas acabam comprometendo o conteúdo a ser ensinado. Isso também ajuda a confirmar a ideia de que o educador é um dos profissionais que mais apresentam estresse em decorrência do trabalho. Segundo dados da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), 30% dos afastamentos em escolas da rede pública do país são resultantes de estresse e depressão. Outra pesquisa, realizada em 2003 pelo Sindicato dos Professores de Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), apontou que a depressão atingia então um em cada quatro professores paulistas. Para 62,4% deles, a violência escolar era a causa.



Revista Educação
Edição 148

Filhos da Lua.

O Banco de Escola e o Blog do Albino Incoerente agora são "territórios amigos", que se juntam para dar visibilidade ao albinismo. Para celebrar esta parceria, apresentamos o Blog do Roberto Bíscaro neste artigo de Maria Regina.

Maria Regina Canhos Vicentim

Há poucos dias, recebi e.mail solicitando a divulgação de um blog cuja proposta é conferir maior visibilidade às pessoas com albinismo. Achei interessante, pois imagino que muitos careçam de informações relacionadas ao tema. O idealizador do projeto é um professor de literatura albino que, além de manter o blog, gravou também alguns vídeos caseiros no You Tube esclarecendo mitos, dificuldades, e aproveitando para fazer algumas reivindicações.

Tal contato me trouxe lembranças da infância, mais precisamente da educação fundamental. Tínhamos um colega muito branco, tão branco que sua mãe tinha de levá-lo à escola debaixo de uma sombrinha, para que o sol não queimasse a sua pele. Isso era motivo de chacota entre os alunos e vários acabavam ridicularizando o menino. Eu ficava com pena do meu colega e, sinceramente, não entendia porque ele não tomava uma atitude. Anos mais tarde, pude perceber que a dedicação e obediência à sua mãe eram tão grandes, que lhe dificultaram qualquer reação àquele procedimento rotineiro.

Seus olhos verdes necessitavam de proteção devido à fotofobia. Ele era o único aluno naquela época que frequentava as aulas com óculos de sol. Isso, sem dúvida, apenas fazia com que chamasse mais a atenção de todos. Ao entrar na puberdade, meu colega trocou a voz de menino franzino por um vozeirão que ecoava pela sala de aula, motivando novas brincadeiras e gozações. Não deve ter sido nada fácil para ele estudar com tanta caçoada e zombaria. Quando ficava bravo, todo mundo sabia, pois o vermelhão cobria o rosto branco e denunciava a exaltação.

Os anos passaram, e acabamos cursando o ensino médio e superior em escolas diferentes, mas a vida reservava outro encontro para aqueles que sempre foram amigos, e isso se deu logo que comecei a trabalhar. Estagiei numa grande empresa, e qual não foi a minha surpresa ao deparar com meu colega num dos altos cargos do setor administrativo. Ele venceu, pensei. Conseguiu superar todo o preconceito, toda a humilhação, mostrando que era capaz. Alguns outros colegas de turma também trabalhavam na empresa, na linha de produção. Era até gozado ver alguém pedindo “vale” para quem havia ridicularizado anos atrás.

Isso me fez perceber que o mundo dá muitas voltas e, nas voltas da vida, é bom saber que a conduta respeitosa sempre traz benefícios. Tive uma boa passagem pela empresa.

Bom, mas recordações à parte, quero sugerir aos leitores que conheçam o trabalho do Dr. Albee, professor de literatura em Penápolis, interior do estado de São Paulo. Você pode saber um pouco mais sobre o albinismo e os albinos, conhecidos como “filhos da lua” devido à sua preferência pela noite para o desenvolvimento de suas atividades. Inteire-se acerca dos problemas e dificuldades que essas pessoas enfrentam no seu dia a dia. Confira esse sensível trabalho, acessando o endereço: http://albinoincoerente.blogspot.com/.

Rede Saci
13/08/2009

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Colesterol alto pode ser um dos fatores para Mal de Alzheimer.

Pesquisa acompanhou 9884 pessoas; quase 600 delas desenvolveram Alzheimer ou doenças relacionadas.

Colesterol alto não é um risco apenas para o coração. Ele também é perigoso para as funções cognitivas, como mostra um novo estudo sobre doenças cerebrais degenerativas.

O trabalho, um dos maiores já feitos sobre demências relacionadas ao envelhecimento, mostrou que adultos na faixa dos 40 anos com colesterol elevado, mesmo que em níveis moderados, têm maior risco de desenvolver Alzheimer na terceira idade.

Realizada pela Divisão Permanente de Pesquisas Kaiser, na Califórnia e pela Universidade de Kuopio, na Finlândia, a pesquisa acompanhou 9844 pessoas. Quase 600 delas desenvolveram Alzheimer ou doenças relacionadas, chamadas demências vasculares, ao chegarem aos 60, 70 e 80 anos.

O colesterol alto dos participantes no início do estudo foi associado a um aumento de 66% no risco de Alzheimer. Níveis de colesterol considerados limítrofes aumentaram o risco de demência vascular em 52%.

É considerado alto o colesterol a partir de 240 mg/dL. Níveis de colesterol total entre 200 mg/dL e 239 mg/dL são considerados limítrofes. Na pesquisa, foram analisados apenas os níveis de colesterol total, sem diferenciação entre o "bom" colesterol (HDL) e o "mau" colesterol (LDL). Mas quem tem colesterol alto apresenta, em consequência, altos níveis de LDL, que corresponde a 2/3 do colesterol total.

Esse é um dos primeiros trabalhos a examinar o colesterol como fator de risco para demências vasculares, doenças associadas à redução do fluxo sanguíneo para o cérebro. Segundo a coordenadora do estudo, Alina Solomon, da Universidade de Kuopio, o estudo traz maiores evidências de que controlar os fatores de risco para o coração (como colesterol, pressão arterial, diabetes e peso corporal) na vida adulta protege o cérebro na terceira idade.

"As pessoas tendem a pensar no cérebro e no coração como duas coisas totalmente separadas, mas não é assim. Estamos aprendendo que o que é bom para o coração também é bom para o cérebro. E que não é cedo para pensar nos fatores de risco para demência já na meia-idade", diz a co-autora do estudo, Rachel A. Whitmer, da Divisão Permanente de Pesquisas Kaiser.



Gazeta Web
12/08/2009

Deputado Paulo Pimenta apoia inclusão de alunos com deficiência no ensino regular.

O deputado alega que é uma violência manter um indivíduo em uma instituição filantrópica durante toda a vida.

Ao comentar parecer do Conselho Nacional de Educação sobre a inclusão de pessoas com deficiência na rede regular de ensino, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) pediu o apoio dos parlamentares contra qualquer tipo de preconceito e resistência à política de inclusão. Ele explicou que a educação inclusiva está centrada nas mudanças das práticas educacionais e sociais, e garante o direito de pleno acesso e participação das pessoas com deficiência nos espaços comuns de aprendizagem.

Paulo Pimenta alertou que os que, por desconhecimento ou por preconceito, dizem que a ideia de fortalecimento da rede regular de ensino como alternativa à inclusão "desconstitui" o papel das instituições de apoio estão criando um embaraço para que as pessoas possam ter acesso aos seus direitos.

O deputado lembrou que a Casa aprovou o Decreto Legislativo 186/08, que ratifica a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência adotada pela Organização das Nações Unidas e que, de acordo com essa convenção, o país assumiu o compromisso de assegurar um sistema educacional inclusivo em todos os níveis.

Paulo Pimenta sustentou ainda que, em nenhum momento, o parecer do conselho trata da extinção de escolas especializadas, mas reforça a importância da matrícula dos alunos com deficiência em classes comuns do ensino regular e no atendimento educacional especializado.

A implementação de sistemas educacionais inclusivos, afirmou, é uma prioridade do Estado brasileiro, que assume o compromisso com a promoção e o desenvolvimento das escolas para acolher a todos os alunos. "A presença dessa criança faz com que toda a turma pense de forma diferente, enfrentando o preconceito de gerações passadas, que imaginavam que as pessoas não pudessem ser diferentes ou, por não serem iguais, não pudessem ser detentoras dos mesmos direitos", avaliou.

Para o parlamentar, é uma violência condenar uma pessoa a passar a vida numa instituição filantrópica sem nunca ter a chance de evoluir no ensino regular, por ter determinada deficiência.


Jornal da Câmara
12/08/2009

Confaz altera valor de venda de veículo com isenção de ICMS para pessoas com deficiência.

Os motoristas com deficiência já podem comemorar mais uma conquista: o limite de valor de um veículo passou de 60 mil para 70 mil reais para que haja o benefício da isenção.

Foi publicado no Diário Oficial da União, dia 09 de julho de 2009, a decisão do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) a respeito da alteração do Convênio que garante isenção do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) na compra de automóveis zero quilômetro entre motoristas com deficiência física.

Na 134ª reunião ordinária do Confaz, realizada em Manaus, no dia 3 de julho, foi aprovado o aumento do limite de 60 mil para 70 mil reais no limite de valor dos veículos para a concessão do benefício de isenção de ICMS. O pedido de ampliação foi encaminhado para o Confaz pelo Instituto Mara Gabrilli.

Com essa alteração, o segundo parágrafo da cláusula primeira do Convênio ICMS 03/07, de 19 de janeiro de 2007 passa a vigorar com a seguinte redação:

"§ 2º O benefício previsto nesta cláusula somente se aplica a veículo automotor novo cujo preço de venda ao consumidor sugerido pelo fabricante, incluídos os tributos incidentes, não seja superior a R$ 70.000,00 (setenta mil reais)".

Reuniões do Confaz
O encontro do Confaz, órgão vinculado ao Ministério da Fazenda, é trimestral e participam das reuniões secretários de Fazenda, Finanças e Tributação de todos os Estados, além do Distrito Federal, representantes do Governo Federal e assessores técnicos, com o objetivo de discutir pautas de natureza econômica, fiscal e tributária. Compete ao Conselho promover a celebração de convênios, para efeito de concessão ou revogação de isenções, incentivos e benefícios fiscais do imposto estadual, o ICMS.

Têm direito às insenções:
- Deficiente condutor: Isento de IPI, IOF, ICMS, IPVA e rodízio municipal (pessoas com deficiência física);
- Deficiente não condutor: Isento de IPI e rodízio municipal (pessoas com deficiência física e visual);
- Deficiente não condutor: Isento de IPI e rodízio municipal (pessoas com deficiência mental e autismo).


Revista Sentidos
12/08/2009

Falta de servidores impede que portadores de deficiência tirem CNHs.

No Detran do Distrito Federal, há uma grande dificuldade em encontrar médicos que atendam pessoas com deficiência.

A dificuldade de deficientes físicos em conduzir um carro adaptado não se resume a estacionar em vagas especiais tomadas por motoristas imprudentes que desrespeitam a lei. Os empecilhos surgem antes, quando eles iniciam o processo para tirar carteira de habilitação ou comprar um veículo com facilidades para ser conduzido.

No Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF), por exemplo, faltam médicos para emitir laudos técnicos que comprovem a deficiência ou invalidez dos interessados em assumir o volante. Parte das avaliações está suspensa desde maio deste ano porque a única neurologista do Núcleo Médico está em licença-maternidade. Assim, pelo menos 240 pessoas ficaram sem atendimento nos últimos três meses. E não há previsão para as consultas serem normalizadas.

O Detran possui hoje oito médicos, mas apenas três prestaram concurso e são do quadro efetivo do órgão - um ortopedista, um cardiologista e um otorrino. Os outros cinco são prestadores de serviço e recebem por consulta realizada. São mais dois ortopedistas, um oftalmologista, uma neurologista e um psiquiatra, que é cedido pela Polícia Militar. O problema é que cada paciente precisa ser consultado por uma junta médica que deve reunir, no mínimo, três profissionais de especialidades diferentes, e não há variedade delas no atual quadro.

Todos os meses, o Detran atende cerca de 150 pessoas com algum tipo de deficiência, invalidez ou doença crônica. Essas pessoas têm o direito de comprar um carro adaptado com isenção de impostos. Os médicos avaliam o paciente, indicam quais adaptações no veículo devem ser feitas e emitem um laudo permitindo que ele peça os benefícios à Receita Federal e à Secretaria de Fazenda do Distrito Federal. Das 150 pessoas que procuram o órgão mensalmente, 80 precisam ser analisadas pela neurologista. Normalmente, são realizadas duas juntas semanais, em que são examinados 20 pacientes.


Brasília em tempo real
12/08/2009

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Ser pessoa com deficiência.

Texto de Ana Cristina Teixeira Prado fala sobre os desafios para a inclusão
Ana Cristina Teixeira Prado

Atualmente, fala-se muito em inclusão: construção de um mundo pra todos, que respeite as peculiaridades de cada um. Mas, a coisa não é tão simples assim! Respeitar alguém vai muito além de caridade e compaixão. Implica, primeiramente, em ver o outro como pessoa dotada de limitações e de potencialidades, possuidora de direitos e deveres... Algumas pessoas pensam que uma limitação anatômica, fisiológica, psicológica e/ou psiquiátrica, faz de quem a tem, menos ser humano, inferior, alienado, à margem da sociedade... Ver o outro como a si mesmo, é tão difícil assim? Trata-se de uma mudança atitudinal - movimento de dentro pra fora. Leituras, cursos, debates, sempre ajudam, mas, não põem fim a esse problema. Para se alterar ou ampliar uma visão, é preciso vivenciar, fazer parte da rotina, conviver de perto em diversos ambientes. Só assim, pode-se enxergar o outro com um olhar crítico. Nós, pessoas com deficiência, precisamos de oportunidades e não de piedade, de direitos igualitários e não de privilégios, de incentivo
para superarmos as barreiras que a nossa deficiência nos impõe.

Andando pelas ruas das cidades, nos deparamos o tempo todo com situações absurdas de desrespeito ao ser humano:
- carros nas calçadas;
- edificações sem rampas;
- restaurantes, bares e lanchonetes sem cardápio em Braille;
- pessoas incapazes de se "comunicarem" conosco;
- telefones públicos inacessíveis aos cadeirantes e aos anões.

Isso tudo nos entristece, é claro! Mas, o que mais nos sensibiliza, é a indiferença, o descaso, a falta de credibilidade, enfim, o desconhecimento de que aos olhos do nosso Criador, somos todos iguais e, já que somos filhos deste mesmo Pai, criados a sua imagem e semelhança, merecemos, todos, ser vistos como tal. Porém, isso só vai acontecer, quando nos despirmos de nossos preconceitos. Para isso, é claro, é preciso que as pessoas com deficiência estejam ocupando todos os lugares possíveis, precisamos estar visíveis, provocando questionamentos. Bom, chegamos num ponto chave: para estarmos diante dos olhos de todos, precisamos de oportunidades e, para isso, precisamos ser uma categoria unida, convicta do que queremos, somos e podemos ser, para que, juntos a essas pessoas, que, hoje, nos ignoram, possamos criar a corrente do bem.

Considero inaceitáveis certas situações:
- pôr em julgamento a nossa capacidade profissional;
- considerar-nos como pessoas doentes;
- duvidar da nossa capacidade de ler o mundo através dos nossos sentidos remanescentes;
- desconsiderar nossos sentimentos, pensamentos, crenças...

Sabe, isso dói! Machuca a nossa alma e, muitas das vezes, se não formos pessoas de bem com a gente mesmo, caímos em depressão. Ninguém tem o direito de provocar isso ao outro.

Temos, é claro, que estar unidos, próximos uns dos outros, para construirmos uma sociedade inclusiva. Tenho certeza de que um movimento inclusivo real, só é possível com a participação ativa de pessoas com deficiência, pois somos nós que sabemos do que precisamos e como isso pode ser feito. Só a gente pode falar da gente, porém, todos têm que estar abertos a nos ouvir.

Este dia vai chegar, quando nos conscientizarmos de que o normal é ser diferente e que só assim, tem graça viver!

Precisamos de você para vencermos essa luta e ela está só começando.


Rede Saci
11/08/2009

Novo teste pré-natal determina se feto tem síndrome de Down.

Método que detecta o DNA do feto pelo sangue da mãe está sendo submetido a testes clínicos em Hong Kong
Um grupo de médicos da Universidade China de Hong Kong está realizando testes clínicos de um exame que permitirá às mulheres grávidas saberem com 99% de certeza se o feto tem síndrome de Down.

A partir de um teste sanguíneo não invasivo de uma mulher grávida, os médicos poderão determinar se o bebê tem alguma trissomia, segundo publicado nesta segunda-feira, 10, no jornal local South China Morning Post.

O cientista por trás do avanço é Dennis Le, professor de patologia química e pesquisador da universidade de Hong Kong, que dirige com uma equipe de especialistas o teste clínico em grande escala na ex colônia britânica.

"Em 1997 descobrimos que, durante a gravidez, o bebê libera seu DNA no plasma sanguíneo da mãe", explicou. "Após descobrirmos isso, tratamos de desenvolver várias aplicações, e em 2007 demonstramos que poderia servir para a detecção da síndrome de Down", continuou.

Segundo o médico, no final de 2008, a equipe desenvolveu "outro método baseado na sequenciação do DNA, que pode detectar com muita confiança a síndrome de Down no bebê".

Há três anos, a Universidade China de Honk Kong concedeu a licença a uma firma americana de biotecnologia, a Sequenom, para que desenvolvesse o teste fora de Hong Kong. Esta empresa também realizará um teste clínico paralelo.

O pesquisador evitou estimar uma data para a aplicação generalizada do teste nos hospitais, limitando-se a dizer que "tão cedo quanto possível". Em Hong Kong, o custo de cada teste não invasivo é de cerca de 1.280 dólares (2.329 reais).


O Estado de S. Paulo
11/08/2009

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Medalha de Ouro

Brasileiro, Deficiente Auditivo, Afro descendente e Campeão Mundial de Kung Fu nos EUA.

Gustavo Campi Rodrigues, 18 anos, afro descendente com surdez profunda, chega no aeroporto de Guarulhos dia 07/08 às 7hs dos Estados Unidos, onde foi participar do Campeonato Mundial de Kung Fu "2009 International Kung FU Championship Tournament - Mundial de Baltimore - Maryland - USA"

Gustavo o único surdo brasileiro, volta como campeão Mundial de Kung Fu. Medalha de Ouro, viajou sem patrocinio, com outros Atletas Ouvintes e com seu pai como intérprete.

Gustavo estuda no período da manhã, está no 2º ano ensino médio no Colégio Santa Terezinha (Escola de surdos) em São Paulo, trabalha à tarde e sai correndo para sua Academia no Ipiranga - Templo Shaolim, retornando, tarde da noite, de ônibus para sua casa em São Bernardo do Campo. Apesar desta maratona, e de muitas dificuldades que um Jovem Surdo, afro descendente enfrenta nesta Metrópole, Gustavo vence a barreira do som, da exclusão Social e traz para seu País (que ainda não o reconhece) muito mais que um título, traz a expressão de coragem e persistência.

Luta de um jovem guerreiro , jovem de Axé. Este filho do Brasil, que hoje lhes apresento, certamente não é a Pária da Sociedade que ouvimos de um conceituado cirurgião meses atrás, em rede de televisão quando se refiria aos surdos que não tem acesso ao Implante Coclear. Este Surdo é o orgulho de uma Comunidade Surda, Afro descendente, Filho de Dadá.

Este Surdo é minha vida, é meu orgulho, é meu filho!

Obrigada Gustavo!


Rede Saci
10/08/2009