sexta-feira, 21 de agosto de 2009

UFSCar oferece tratamento gratuito a pessoas com diabetes.

O tratamento visa principalmente à reeducação nos hábitos dos pacientes que procuram se tratar.

O Programa de Atenção ao Diabetes da Unidade Saúde-Escola (USE), da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), oferece vagas para pessoas que possuem a doença. O objetivo do tratamento é propiciar atendimento integral ao paciente, com o envolvimento de profissionais de diversas áreas da saúde, com foco no cuidado e na qualidade de vida da pessoa com Diabetes Mellitus, uma doença metabólica caracterizada pelo aumento anormal de glicose no sangue. As informações são da Assessoria de Imprensa da UFSCar.

O tratamento se destina a conscientizar e educar o paciente, dar dicas de alimentação e dieta adequadas ao seu perfil, incentivar vida ativa com a prática de exercícios, orientar quanto ao uso de medicamentos e monitorar o nível de açúcar no sangue. O programa da USE se dedica ainda a oferecer atenção constante à prevenção das complicações decorrentes da doença e à educação permanente do paciente.

Os interessados em participar do Programa de Atenção ao Diabetes devem comparecer à USE para realizar a inscrição, apresentando encaminhamento médico para esse tipo de tratamento. Haverá triagem dos inscritos antes do início das atividades. Segundo a UFSCar, não há limite de vagas e o atendimento é gratuito. Mais informações podem ser obtidas no telefone (16) 3351-8645.



Abril
20/08/2009

Apenas 10% dos deficientes que trabalham têm carteira assinada.

Lei prevê cotas para deficientes no mercado de trabalho. Mais da metade dos portadores de deficiências são inativos.

O censo 2000, do IBGE, mostrou que 14,5% da população brasileira têm algum tipo de deficiência. São mais de 24 milhões de pessoas. Há 18 anos, entrou em vigor a lei que prevê cotas para deficientes no mercado de trabalho. As empresas devem reservar de 2% a 5% de vagas, dependendo do número total de empregados. Quem não cumpre pode pagar multa.

Mesmo com a lei, mais da metade das pessoas com deficiências são inativos e, entre os que trabalham, apenas 10% têm carteira assinada, de acordo com o levantamento do IBGE.

A lei teve um efeito positivo para este segmento da população, mas falta gente preparada para ocupar as vagas, segundo o presidente da Associação de Amigos dos Deficientes Físicos do Rio de Janeiro, Paulo Sergio Fernandes: “Está faltando no mercado mão de obra especializada , então encontramos dificuldade às vezes pra colocar isso”.

Lindovando Rodrigues Lima encontrou emprego de operador de teleatendimento, com a ajuda de uma associação que apoia deficientes físicos. Sozinho, ia ser mais difícil: “Depois da lei melhorou bastante”.

A empresa onde Enrico Salvador trabalha treina a mão-de-obra também para a convivência com os deficientes que emprega. O rapaz de 25 anos tem síndrome de Down e é atendente de lanchonete há quatro anos. "Acho legal trabalhar. É alegria, emoção de fazer as coisas", comenta o atendente de lanchonete Enrico Salvador.

“Para o deficiente, é uma gratificação essa inclusão do portador no mercado de trabalho. Tem responsabilidade. É um prova de que ele é capaz, sim, de trabalhar", diz a gerente Soraia Camacho.


G1
20/08/2009

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

MEC rejeita obrigação de pôr deficiente em escola comum.

Ministério fica ao lado de entidades como Apae e Pestalozzi no dilema que se segue a respeito da inclusão de estudantes com deficiência no ensino regular.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, devolveu ao CNE (Conselho Nacional de Educação), para revisão, o parecer que recomendava a obrigatoriedade da matrícula de alunos com deficiência em escolas comuns a partir de 2010.

Conforme o jornal Folha de São Paulo, o MEC (Ministério da Educação) defende um prazo maior para implementar a medida e discute o destino das escolas especiais que atendem esse público atualmente.

Em Mato Grosso do Sul, uma audiência pública na Assembleia Legislativa discutiu o risco das escolas especiais fecharem caso o parecer do CNE fosse homologado. Pela proposta, as unidades de ensino para alunos deficientes seriam rebatizadas de "centros de apoio".

Desta forma, o local só receberia recursos do Fundeb, caso o aluno estivesse matriculado em alguma escola da rede tradicional de ensino. O dinheiro do Fundeb é utilizado para compra de material e manutenção das escolas especiais.

Além do risco das escolas especiais fecharem, havia o temor de que as famílias, diante da realidade do ensino na rede tradicional, preferissem que os deficientes ficassem em suas próprias casas em vez de ir para a escola.

O parecer do CNE foi rejeitado por entidades como Pestalozzi e Apae. Já a Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down apóia a mudança.


Campo Grande News
19/08/2009

Educação Especial e Escola Regular: uma união que legitima a cidadania.

Esse é o ponto de vista da Conferação Nacional dos Trabalhadores em Educação, a CNTE. Ententa melhor o que eles pensam sobre o assunto da inclusão de pessoas com deficiência no ensino regular.

Nos últimos dias tem se acirrado o debate em torno de uma política do MEC, que visa fomentar a inclusão de estudantes portadores de necessidades especiais nas redes públicas de ensino regular.

O artigo 9-A do Decreto Presidencial nº 6.253/2007, que teve sua redação instituída pelo Decreto de nº 6.571/2008, dispõe que a partir de 1º de janeiro de 2010 admitir-se-á "para efeito da distribuição dos recursos do FUNDEB, o cômputo das matrículas dos alunos da educação regular da rede pública que recebem atendimento educacional especializado, sem prejuízo dessas matrículas na educação básica regular".

O Decreto 6.571, além de conceder a redação ao artigo acima descrito, também tratou de instituir - mediante ações articuladas com os sistemas de ensino dos estados e municípios - uma série de políticas públicas para atendimento educacional especializado às pessoas com deficiência. O Decreto baseou-se nas recomendações do art. 60, parágrafo único da lei 9.394/96 (LDB) e no art. 9º, § 2º da lei 11.494/07 (Fundeb), as quais, por sua vez, regulamentam o art. 208, III da Constituição, que determina "atendimento educacional especializado às pessoas com deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino".

A "grita" de alguns setores contra a medida da União, que objetiva priorizar a inclusão das crianças e jovens com deficiência nas redes públicas regulares de ensino, parece desconhecer seu real teor, e, por outro lado, induz a uma reserva de mercado que não preza - muito por razões estruturais e de especialização das instituições conveniadas - a inclusão educacional.

O parágrafo único do art. 9-A do decreto 6.253/07 diz que "o atendimento educacional especializado poderá ser oferecido pelos sistemas públicos de ensino ou pelas instituições mencionadas no art. 14" (comunitária, filantrópica ou confessional). Porém, a princípio, o financiamento da ação em comento se restringe às redes públicas, uma vez que não se trata de uma política institucionalizada (aprovada por lei). Nada impede, no entanto, que as escolas conveniadas que queiram integrar a presente política de inclusão pleiteiem apoio financeiro público. Mas esse é um debate que deverá ser travado no Congresso Nacional.

O art. 14, § 2º, do mesmo Decreto 6.253, trata de esclarecer quais são as matrículas da Educação Especial (EE) a serem computadas no cálculo de distribuição do Fundeb, sendo elas: as efetivadas na rede regular de ensino, em classes comuns ou em classes especiais, e em escolas especiais ou especializadas, a exemplo das APAEs. Ou seja, o financiamento público para a modalidade de Educação Especial, inclusive para as instituições privadas conveniadas, está mantido. No caso do Fundeb, cada matricula de EE representa 1,2 do coeficiente de distribuição geral do Fundo.

Embora essa opinião pareça mais um parecer jurídico-legislativo, seu objetivo consiste em demonstrar a inequívoca legalidade e legitimidade da proposta de financiamento dobrado, a ser garantido pelos recursos do Fundeb às pessoas com deficiência que estejam matriculadas, integral ou parcialmente, em escolas regulares públicas. A ação pública tem em vista concretizar aquilo que a Constituição elegeu como prioridade, utilizando-se do princípio constitucional que garante a destinação prioritária dos recursos públicos às escolas públicas (art. 213). E assegurar recursos extras para a inclusão escolar é mais que uma medida necessária.

Importante destacar, também, nesse caso, que nada impede de estudante portador de deficiência matricular-se numa escola regular pública mantendo seus estudos e seu atendimento especializado em escolas conveniadas de modalidade especial. Há casos em que a Educação Especial, strictu sensu, é mais que uma oportunidade de escolarização; representa o apoio vital às necessidades físicas e mentais da pessoa. E não resta dúvida sobre o compromisso e a capacidade de muitas instituições não-públicas de oferecerem esse atendimento. Por isso, não há que se falar em disputa de matrículas com as escolas privadas.

Imprescindível, agora, é o entendimento e o reconhecimento social da ação do MEC, que vai ao encontro dos preceitos de uma educação inclusiva e de qualidade para todos(as) os(as) brasileiros(as). Os objetivos descritos no Decreto 6.571 comprovam essa tese, pois buscam: fornecer atendimento educacional especializado e integrado à proposta pedagógica da escola, com participação da família, de modo a articular-se com as demais políticas públicas (art. 1º, § 2º); prover condições de acesso, participação e aprendizagem no ensino regular aos alunos com deficiência; garantir a transversalidade das ações da educação especial no ensino regular; fomentar o desenvolvimento de recursos didáticos e pedagógicos que eliminem as barreiras no processo de ensino e aprendizagem; e assegurar condições para a continuidade de estudos nos demais níveis de ensino (art. 2º); além de conceder apoio técnico e financeiro da União para a consecução dessas políticas (art. 3º).



Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação
19/08/2009

Inclusão na escola regular causa angústia na maioria dos pais de alunos com deficiência.

É o que diz a pedagoga e estudante de LIBRAS Isabel Gonçalves. A pós-graduanda em educação especial comenta a questão em seu blog.

Isabel Gonçalves

Tanto se almejou a inclusão no ensino regular das Pessoas com Deficiência (PcD) e agora que ela está prestes a acontecer está gerando polêmica em todo o Brasil.

A grande discussão é no sentido de que as escolas regulares não estão aptas para receber estes alunos com deficiência, no que diz respeito a sua acessibilidade. Também os professores não estão preparados para atender esta demanda.

Já a Secretaria do Estado da Educação defende que os professores estão recebendo a devida capacitação e que as escolas estão realizando aos poucos as mudanças necessárias quanto à inclusão. Quanto à mesma, uma das primeiras mudanças necessárias deve ser em relação a acessibilidade destes alunos no ambiente escolar. Vale lembrar que a acessibilidade consiste na construção de um mundo inclusivo, o qual permite a existência integral das pessoas, independentemente de qualquer deficiência.

De acordo com o art. 8º do Decreto 5.296 de 02/02/2004 considera-se acessibilidade "a condição para utilização, com segurança e autonomia, total ou assistida, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos serviços de transportes e dos dispositivos, sistemas e meios de comunicação e informação, por pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida". (Este decreto regulamenta as Leis 10.048/2000 e 10.098/2000).

Ressalto aqui também às regulamentações da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que estabeleceu em 1983 e revisou em 2004 a norma que regulamenta as especificações de acessibilidade no país, a NBR 9050, cujo objetivo é eliminar as barreiras arquitetônicas por meio da implementação de mudanças nos ambientes.

Diante disso, podemos perceber que isto implica uma necessidade prévia, a qual se dá de um juízo correto a respeito das pessoas e de suas capacidades, e implica também a necessidade de a sociedade se mostrar aberta às capacidades das pessoas, do meio ambiente estar adaptado para estas necessidades e, principalmente, da possibilidade de conscientização individual e auto-estima a respeito das próprias capacidades.

Portanto, a escola inclusiva é aquela que está preparada para propiciar um ensino de qualidade a todos os alunos, independentemente das suas diferenças pessoais ou de aprendizagem. Assim, todas as pessoas que estão envolvidas neste contexto devem se modificar para atender a essa diversidade, pois este movimento direciona a mudança em todos os sentidos. E, deste modo, deve ser concretizada com plenitude porque se trata da ressignificação dos direitos, dos recursos materiais e humanos, pois trata-se de inclusão.

Portanto, na educação inclusiva as diferenças não são obstáculos para o cumprimento da ação educativa, mas sim fator de enriquecimento, o qual o aluno aprende e se desenvolve adequadamente. Desta forma, a inclusão será verdadeiramente eficaz se a escola, junto com toda a comunidade escolar (pais, professores, alunos, atendentes, direção, pedagogos, serventes, cozinheiras, entre outros) se apropriarem de uma cultura inclusiva, em que a diversidade é respeitada, tendo como valor o respeito às diferenças e não o elogio à desigualdade, pois só assim, as pessoas com necessidades educativas especiais serão incluídas naturalmente, sem precisarem da força da lei.

Diante disso, devemos nos conscientizar que um grande passo estará sendo dado em relação a esta inclusão, e que neste momento, faz-se necessário acreditarmos que juntos poderemos mudar a cultura de que até ontem nossos alunos (PcD) não seriam capazes de conviverem coletivamente com os "ditos normais", ou seja fazerem parte do contexto de ensino regular. Cultura está que, por muito tempo impediu-os de usufruírem de seus direitos.

Penso que todos nós temos receio a mudanças, mas se não tentarmos, nunca saberemos se dará certo ou não, pois dificuldades aparecerão, mas será somente na prática que poderemos saná-las, como também aprenderemos a melhor forma desta inclusão.



Blog da Bel - Inclusão e Bem Estar
19/08/2009

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Pressão faz Prefeitura de Goiânia desistir de Cohab para deficiente.

Conjunto de 74 casas está pronto; diferentemente do projeto original, 15% dos imóveis irão para famílias sem portadores de deficiência.


Resistência veio de parte dos deficientes e de entidades que os defendem, que falam em segregação e não querem criar um "gueto"

Após construir um conjunto de casas destinado exclusivamente a famílias de baixa renda com ao menos um deficiente entre seus integrantes, a Prefeitura de Goiânia voltou atrás. O motivo: a oposição de parte dos deficientes e de entidades que os defendem, que não querem a criação de um "gueto".

Setenta e quatro casas acessíveis formam o residencial São Geraldo. A prefeitura investiu R$ 2,2 milhões na construção dos imóveis, localizados em uma área pertencente à Adfego (Associação dos Deficientes Físicos do Estado de Goiás).

Há rampas de acesso para as casas, e barras de apoio no banheiro. Pias e tanques tiveram a altura reduzida.

Os imóveis podem ser usados por famílias em que ao menos um integrante tenha deficiência física, intelectual, auditiva e visual. Idosos que tenham condições restritas de mobilidade também fazem parte do público-alvo beneficiado.

"Segregação"
Janilda Lima, procuradora do Ministério Público do Trabalho de Goiás, afirma que a criação do residencial para deficientes na forma concebida pela Prefeitura de Goiânia seria uma maneira de segregar as pessoas que lá morassem.

"A convenção dos direitos da pessoa com deficiência da ONU (Organização das Nações Unidas), publicada em 2007, diz que essa pessoa tem de estar inserida no contexto social. Não pode haver bairro específico. Mesmo que não fosse o objetivo da prefeitura, é uma segregação", afirma a procuradora.
Autora de uma lei municipal que estabeleceu cotas para pessoas com deficiência e idosas em loteamentos populares de Goiânia, a vereadora Cidinha Siqueira (PT), que é cadeirante, tem entendimento semelhante ao da procuradora.

"A pessoa com deficiência tem de estar dentro da sociedade, não em uma sociedade à parte", afirmou.

Para a presidente do Conade (Conselho Nacional da Pessoa Portadora de Deficiência), Denise Granja, os imóveis deveriam "ser distribuídos para pessoas carentes, sejam elas com deficiência ou não".

Mudança
Com a polêmica sobre o conjunto habitacional, no começo do mês houve reunião com representantes da administração municipal, Ministério Público do Trabalho e entidades ligadas à causa da inclusão social. No encontro, ficou decidido que no residencial São Geraldo também morariam famílias sem deficientes.

Maria de Fátima Rodrigues Carvalho, que é cadeirante e presidente da Adfego, contesta as críticas que foram feitas à forma inicial do residencial.

Com a mudança, de acordo com a Secretaria da Habitação de Goiânia, cerca de 15% das 74 casas do residencial serão agora ocupadas por famílias que não tenham deficientes. Atualmente já há 70 famílias -com e sem deficientes- morando no local.



Folha de S. Paulo
18/08/2009

Para idealizadora do conjunto habitacional, críticas são "inveja".

Para Maria de Fátima Rodrigues Carvalho, presidente da Adfego, a ideia de criar um residencial específico para os deficientes "traria no mínimo facilidades a eles".

Presidente da Adfego (Associação dos Deficientes Físicos do Estado de Goiás) e uma das idealizadoras do conjunto habitacional exclusivo para famílias com deficientes, a cadeirante Maria de Fátima Rodrigues Carvalho classifica de "inveja" as críticas ao projeto.

"Não se justifica a polêmica. Não infringimos nenhuma lei. As pessoas que já vivem lá estão felizes com todas as condições. Uma pessoa que tem deficiência precisa de acessibilidade. O bairro oferece isso. Não existem no país casas com total acessibilidade como essas."

Ela nega que haja uma conotação de gueto, já que ele faz parte de um bairro maior, com outras casas em seu entorno.

A presidente da Adfego diz que a decisão de colocar nas casas também famílias sem deficientes ocorreu devido a um acordo com entidades que reclamavam do projeto original. Para ela, o acordo foi feito para a questão não se prolongar.

A Secretaria da Habitação de Goiânia informou que a ideia de criar um residencial específico para os deficientes "traria no mínimo facilidades a eles, que poderiam pegar uma mesma van para ir aos hospitais, centros de reabilitação".

A pasta diz ainda que a decisão de voltar atrás "não foi problema, já que se achou interessante acatar as propostas de que os deficientes precisam estar inseridos na sociedade".



Folha de S. Paulo
18/08/2009

Cadeirante terá táxi adaptado em BH.

A medida tornará mais fácil e rápido o transporte para pessoas com deficiência.

Pedro Rocha Franco

A partir de outubro, devem rodar em Belo Horizonte os primeiros modelos de táxi especiais para cadeirantes. O veículo escolhido pela BHTrans para atender deficientes tem 20 encomendas para instalação dos equipamentos necessários para o transporte de pessoas com mobilidade reduzida, mas, antes disso, os motoristas precisam passar por treinamento, com duração de quatro horas, sobre como lidar com um portador de deficiência e manusear o sistema.

Visando a facilitar o embarque e desembarque de passageiros, a BHTrans estuda liberar o entra e sai de pessoas nas portas de garagens, a pedido do Sindicato Intermunicipal dos Condutores Autônomos de Veículos Rodoviários, Taxistas e Transportes Rodoviário Autônomos de Bens de Minas Gerais (Sincavir). Mas, por enquanto, a operação deve ser feita nas vagas destinadas a pessoas com deficiência. Segundo o diretor de Atendimento e Informação da BHTrans, Cássio Almeida, o embarque do passageiro leva cerca de cinco minutos e, por isso, não é possível estacionar em qualquer lugar, sendo necessário dispor de mais tempo e, claro, mais cuidados com a pessoa transportada.

O veículo homologado pela BHTrans é o Fiat Doblò ELX com diversas adaptações. O condutor pode trabalhar normalmente com outros passageiros e terá a vantagem de poder levar aqueles que têm a cadeira de rodas. Em vez de espaço para sete passageiros, o automóvel comporta apenas três, além do cadeirante. No espaço destinado à cadeira de rodas, o banco dobrável é encolhido para atender o deficiente.

O teto do veículo é suspenso em cerca de 50 centímetros e o piso feito com material de compensado naval e antichamas. Para garantir estabilidade, o cinto de segurança e os trilhos para a cadeira resistem a 250 quilos, cada, ou seja, até 1 tonelada os quatro juntos. Além disso, um cinto de três pontas entrelaçado à pessoa e um encosto de cabeça servem para reforçar a segurança.

Numa operação de cinco minutos para embarque, a porta se abre e são acesas as luzes do pisca-alerta. O elevador desce e sobe em aproximadamente dois minutos e, em seguida, são feitas as acomodações do passageiro. Terminada a operação, começa a viagem.

Precariedade
O custo da instalação da aparelhagem é de cerca de R$ 36 mil, mas, numa parceria com a Fiat, é possível comprar o veículo com acréscimo de apenas R$ 10 mil. Segundo o presidente do Sincavir, Dirceu Efigênio Reis, atualmente, o transporte de cadeirantes é feito de forma precária e muitos condutores são obrigados a recusar os passageiros, por causa da instalação de cilindros de gás no porta-malas do veículo. "Com esses carros, será possível garantir mais conforto a essas pessoas e demonstra preocupação com portadores de mobilidade reduzida", afirma.



Uai
18/08/2009

Brasil ganha primeira rede social acessível do mundo.

Instituto Superar e ALE lançam a primeira rede social totalmente acessível do mundo.

Andreia Santana

Na última quinta-feira, dia 13, o Acesse (www.acesse.org.br), primeiro site de relacionamento do mundo criado para ser totalmente acessível, entrou no ar. Assim como as outras redes sociais já existentes, o Acesse tem como objetivo ajudar seus membros a criar novas amizades e estreitar relacionamentos, promovendo a socialização e a troca de experiência entre os participantes.

O diferencial e pioneirismo do Acesse estão mesmo na acessibilidade, tornando suas ferramentas e páginas disponíveis a um maior número de usuários e beneficiando não só os deficientes como também as pessoas idosas, usuários de tecnologia assistiva (ponteira de cabeça, teclado expandido, impressora em braile, etc) e de acesso móvel, através de navegadores alternativos (DOSVOX, Safari, Firefox).

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a web hoje ultrapassa a TV e jornais como a mídia mais consumida no mundo. Já as redes sociais contam com 300 milhões de usuários em todo planeta e 90% dos usuários de internet no Brasil estão conectados a um site de relacionamento, segundo o Google Brasil. Com base nessas informações, o Acesse foi desenvolvido para permitir a inclusão de pessoas com necessidades especiais a essas redes sociais, que hoje ditam tendências, comportamentos e são usadas como ferramenta de marketing.


Atletas Paraolímpicos
A criação do Acesse favorece deficientes que atuam em diversos setores da sociedade, mas para uma categoria em especial, a dos atletas paraolímpicos, a rede se configura em chances de comunicação com outros atletas mundo afora.

"Vai ser muito bom ter um site como o Acesse. Agora será muito mais fácil manter contato com os meus amigos e com o pessoal do mundo esportivo. Estávamos impedidos de usufruir desses sites, dependíamos dos outros e me sentia excluído", afirma o atleta cego Lucas Prado, corredor da equipe ALE de Atletismo, também patrocinado pela Unimed, Loterias Caixa e Amaggi.

As pessoas com deficiência visual, como Lucas, navegarão facilmente pelo Acesse por meio de programas de transcrição de conteúdo desenvolvidos para a web. São softwares como o Jaws e o DOSVOX e que são capazes de ler o texto que está na tela.

"A gente tem a preocupação de que o Acesse seja para todo e qualquer usuário de internet, mas, inovadoramente, ele permite e facilita o relacionamento entre pessoas com deficiências sensoriais e físicas. Por isso, ele também é uma comunidade para atletas paraolímpicos e simpatizantes que acreditam no esporte como uma forma de integração social", conta Marcos Malafaia, presidente do Instituto Superar.

Desde maio deste ano, o Superar conta com o patrocínio institucional da ALE. A companhia se uniu ao Instituto e criou uma equipe de atletismo com os melhores velocistas cegos do mundo. "Além do apoio constante ao Superar, também estamos investindo em várias ações em parceria, como essa nova rede social, que promete ser um marco no Brasil", comenta Jucelino Sousa, vice-presidente da ALE.

Instituto Superar
O Instituto Superar é uma entidade sem fins lucrativos com o objetivo principal de fomentar o esporte paraolímpico em busca de performance técnica e resultados, além de visibilidade e reconhecimento da sociedade, promovendo o desenvolvimento da pessoa com deficiência por meio do esporte adaptado, da educação, agindo como um provedor de recursos com nítida ação de inclusão social.



Conversa de Menina
18/08/2009

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Equoterapia: mais saúde a cada galope.

Terapia com uso de cavalos é a mais nova aliada na habilitação ou reabilitação de pessoas com limitações físicas.

Elaine Utsunomiya

Animal imponente, inteligente e muito dócil, ele é o melhor amigo do homem. Pensou no cachorro? Embora seja um grande amigo das pessoas, não é dele a quem nos referimos. O cavalo não é só um companheiro de muitas andanças e do homem do campo, mas tem sido sobretudo um importante aliado na habilitação ou reabilitação de portadores de deficiências físicas e psicomotoras, com distúrbios psíquicos, de aprendizagem ou de relacionamento social.

Chamado de equoterapia, o método terapêutico realizado sobre o cavalo e com o cavalo ganha cada vez mais adeptos, motivados pelos ótimos resultados em saúde e bem-estar. A outra boa notícia é que os moradores da região noroeste não precisam se deslocar aos grandes centros urbanos para buscar o atendimento.

Criado em 1994, o Centro de Equoterapia Marisa Tupan funciona no Parque Internacional de Exposições Francisco Feio Ribeiro e atende mais de 60 pessoas. “Por conta da parceria com a Sociedade Rural de Maringá – administradora do espaço – reservamos 20% dos atendimentos para a população de baixa renda”, diz a fisioterapeuta Marisa Tupan, coordenadora e idealizadora do centro de equoterapia da cidade, que leva o seu nome.

Segundo ela, o tratamento complementar é reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina e indicado, por exemplo, para crianças, adolescentes e adultos com paralisia cerebral, síndrome de Down, síndrome de Rett, sequelas de acidente vascular cerebral e hiperativos.

“Entre os benefícios da equoterapia estão melhoras em coordenação motora, socialização, concentração, equilíbrio, conscientização postural, ganho da auto estima, respiração e recuperação da autoestima. A convivência com o animal traz o respeitar e o cuidar do outro e, por consequência o aumento da tolerância, da afetividade, da responsabilidade e da paciência”, elenca Marisa Tupan. Ao ar livre, contamos com estímulos do ambiente que se mostram relevantes para o bem-estar do praticante.

Saiba mais

- A prática é realizada por uma equipe multiprofissional que atua de forma interdisciplinar. No Centro de Equoterapia Marisa Tupan atuam um fonoaudiólogo, dois fisioterapeutas, três psicopedagogos e dois equitadores (instrutores de equitação), além dos cinco cavalos: Pepeu, Xereta, Pingo, Mouro e Bento.
- O ideal é que a prática seja uma recomendação médica.
- O primeiro passo é uma avaliação que definirá o programa terapêutico, o número de aulas, o melhor cavalo e equipamentos, entre outros.
- Com o objetivo desenvolver a confiança do aluno com o animal são desenvolvidas atividades nas quais as pessoas são convidadas, por exemplo, a alimentar e escovar os cavalos.
- Os alunos, geralmente, não montam sozinhos. São auxiliados pelos equitadores e acompanhados por profissionais da área da saúde.
- Um dos principais pontos fortes da equoterapia é a realização dos exercícios ao ar livre, que estimulam o bem-estar do praticante.
- A equoterapia tem mais de dois mil anos. Hipócrates, o pai da Medicina, já utilizava o cavalo com fins terapêuticos no ano 351 a.C., na Grécia Antiga.


O diário Maringá
17/08/2009

Mercado de trabalho para a pessoa com deficiência cresce e os debates acontecem!

São diversos debates sobre trabalho, educação e a luta das pessoas com deficiência pela inclusão
1- Dia 21 e 22 de Agosto
A Associação Pestalozzi de São Paulo realiza o VII Ano de Palestras na Área da Deficiência Intelectual, que focará também o trabalho.

É destinado aos profissionais da Saúde, Educação e público interessado na temática.

Local: Av. Morvan Dias de Figueiredo, 2801. Vila Guilherme – São Paulo
Informações: cursos@pestalozzisp.org.br

2- Dia 26 de Agosto
A Ordem dos Advogados do Brasil - SP promove o debate “ Como o Terceiro Setor Contribui para Inclusão do deficiente no mercado de trabalho atendendo a Lei de Cotas”

Local: Plenário dos Conselheiros da OAB/SP. Praça da Sé, 385 – 2ª Andar – São Paulo
Informações: lbludeni@uol.com.br

3- Dia 27 de Agosto
Será realizado o 1º Encontro de Assistentes Sociais do Estado de São Paulo para Dignidade e Inclusão das Pessoas com Deficiência.

Local: Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência
Av. Auro Soares de Moura Andrade, 564 – Portão 10. Barra Funda – São Paulo
Informações: http: //www.pessoacomdeficiencia.sp.gov.br/

4- Dia 16 de Setembro
Será realizado o II Encontro sobre Inclusão e Deficiência com o tema “Educação e Trabalho: Desafios para a Inclusão de Pessoas com Deficiência”.

Organizado pelo Espaço da Cidadania e vários parceiros pela inclusão.

Local: Auditório da FAC-FITO (Instituto Tecnológico de Osasco)
Rua Angélica, 100 – Vila Nova Granada - Osasco
Informações: ecidadania@ecidadania.org.br

5- Dia 21 de Setembro
Será comemorado o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência na Praça de Eventos do Osasco Plaza Shopping. Está previsto exposição fotográfica sobre Trabalho de Pessoas com Deficiência, sensibilização, atividades culturais e troca de experiências entre as organizações parceiras da ação e o público presente

Organização: Espaço da Cidadania e seus parceiros pela inclusão.
Mais informações: ecidadania@ecidadania.org.br



Esoaço da Cidadania
17/08/2009

domingo, 16 de agosto de 2009

Crianças com Down interagem muito bem no ambiente escolar predominante.

Pesquisa foi realizada com seis crianças com diagnóstico de Síndrome de Down e outras seis com desenvolvimento típico em cinco escolas diferentes da rede municipal de ensino em Ribierão Preto.

Rosemeire Soares Talamone

Num momento em que o sistema educacional brasileiro vive a transição no atendimento de alunos com necessidades educativas especiais, com a inclusão dessa população na rede regular de ensino, pesquisa da terapeuta ocupacional Patrícia Páfaro Gomes Anhão, na Faculdade de Medicina (FMRP), concluiu que crianças com Síndrome de Down apresentam características de interação social muito semelhantes às das crianças com desenvolvimento típico, ou seja, sem compromentimento motor, cognitivo e sensorial. “Esse resultado reforça a importância do processo de inclusão escolar desta população e pode dar tranquilidade aos pais desses crianças, pois a pesquisa constatou que eles podem ter muito mais ganho nessa interação do que se imagina”.

Outra contribuição do estudo, segundo Patrícia, é para que surjam novas pesquisas sobre outros aspectos da relação dessas crianças com o meio, na faixa etária de três a seis anos, a chamada primeira infância, uma vez que a interação social é um dos principais aspectos do seu desenvolvimento.

A pesquisa foi realizada com seis crianças com diagnóstico de Síndrome de Down e outras seis com desenvolvimento típico, por meio de quatro baterias de filmagens de quinze minutos cada, no ambiente de cinco escolas diferentes da rede municipal de ensino em Ribeirão Preto. As crianças foram filmadas em sala de aula e ambientes de lazer e recreação. Foram analisadas as habilidades sociais das crianças dos dois grupos, sempre comparando uma criança de cada grupo, do mesmo sexo e idade.

As habilidades foram divididas em dois grupos. As interpessoais, que é a interação com outra criança, com o adulto, com objetivos, disputa de atenção da educadora, ocorrência de brigas ou agressões, a existência de autodefesa, o estabelecimento de contato inicial com outras pessoas, o brincar junto, mas com objetos diferentes e com o mesmo tipo de objeto. Outro grupo analisado foi de habilidades de autoexpressão, como o choro, riso, ficar sozinho, cantar, imitar outras crianças e imitar a educadora ou pais.

Na análise comparativa a pesquisadora observou que as crianças com Síndrome de Down só se diferenciaram do grupo com desenvolvimento típico em dois comportamentos. Elas imitaram outras crianças com maior frequência. “Eles observam e copiam mais, mas de um jeito próprio. Esses resultados condizem com o que já foi descrito na literatura”.

Quanto ao comportamento de estabelecer contato inicial, o grupo com desenvolvimento típico apresentou maior frequência. Segundo a pesquisadora, que trabalha no Setor de Estimulação Precoce da APAE em Ribeirão Preto, isso ocorreu, talvez, pelo fato das crianças com Síndrome de Down serem mais passivas. “Outros treze comportamentos analisados não apresentaram diferenças significativas”.

Garantias na Constituição
Patrícia diz que a idéia inicial da pesquisa era ajudar os pais a entenderem porque seus filhos precisaram do ensino regular e não só do ensino especial. O processo de inclusão teve início com a Constituição de 1988, que em seu artigo 208 prevê que “... o dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de atendimento educacional especializado de pessoas com deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino”.

Após a Constituição, o Brasil, em 1994, se tornou também signatário da Declaração de Salamanca, Espanha, que surgiu durante a Conferência Mundial sobre Necessidades Educativas Especiais. Nessa Declaração ficou enfatizada a necessidade de transformação dos sistemas educativos visando atender a todas as crianças, jovens e adultos, contemplando as suas características e necessidades.

A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação, publicada em 1996, em seu artigo 58, reforçou o que garantia a Constituição. E em 2007, o governo Federal lançou o Plano Social que previa a adaptação das escolas públicas visando a inclusão de pessoas com deficiência até 2010.

“Quando nós, profissionais, nos deparamos com esse processo precisamos explicar aos pais sobre a necessidade de inclusão dos seus filhos no ensino regular e não só do ensino especial. Vimos toda a aflição desses pais. Dai surgiu a idéia da pesquisa, pois a interação é a primeira fase desse processo. Esse processo, apesar de já ter se iniciado há quase 15 anos, ainda causa medo e angústia”.

A pesquisadora lembra que existem outros trabalhos sobre interação social de crianças com Síndrome de Down, mas o seu é o primeiro com essa faixa etária. “Na literatura médica existem outros trabalhos de pesquisa sobre interação de crianças com Síndrome de Down, mas matriculadas no ensino fundamental. Os resultados foram diferentes. Nessa faixa etária a interação social é reduzida e compartimentalizada. Mas levando-se em conta que o adolescente tende mesmo a reduzir seu círculo de amizades”.

Para concluir, a pesquisadora lembra que o processo de inclusão é um desafio tanto para as crianças com necessidades especiais, como para seus colegas e professores. “A inclusão não é só para o deficiente, é para todos que tem algum tipo de dificuldade. Esse é o repensar da educação, em todas as suas situações, é um processo de formação de cidadãos”, avalia.

A pesquisa de mestrado “O processo de interação social na inclusão escolar de crianças com Síndrome de Down em educação infantil”, foi defendida no Programa Saúde da Comunidade, na FMRP, na semana passada, dia 6, e teve a orientação dos professores Jair Lício Ferreira Santos e Luzia Iara Pfeifer.



Jornal USP Ribeirão
Ribeirão Preto - SP, 14/08/2009