sábado, 12 de setembro de 2009

Uma abordagem à educação "baseada em direitos".

Plano de Ação Mundial da ONU sobre educação de direitos humanos.

O Plano de Ação das Nações Unidas para a Educação de Direitos Humanos é certamente uma iniciativa muito abrangente, destacando os direitos humanos dos quais tanto se tem ouvido falar nos últimos tempos. Ler este trecho com cuidado é uma tarefa importante para nós que vimos pedindo que a educação no Brasil tenha um nível mais alto. Vamos a ele:

Uma abordagem à educação "baseada em direitos"

Educação de direitos humanos é amplamente considerada integral ao direito de toda criança a uma educação de qualidade, uma que não somente ensine ler, escrever, e aritmética mas também fortaleça a capacidade da criança desfrutar de toda a gama de direitos humanos, bem como promover uma cultura que é cheia de valores de direitos humanos.

A educação de direitos humanos promove uma abordagem holística, com base em direitos, que inclui direitos humanos pela educação assegurando que todos os componentes e processos de educação incluindo currículos, materiais, métodos e treinamento levem ao aprendizado de direitos humanos e direitos humanos em educação, garantindo que os direitos humanos de todos os membros da comunidade escolar sejam respeitados.

Embora muitos fatores contribuam para a integração efetiva desta abordagem em escolas primárias e secundárias, a pesquisa e a experiência em todo o mundo identificaram cinco componentes chave para o sucesso.

1. Políticas educacionais

Compreendidas como declarações de compromisso de parte de um Governo, políticas educacionais - incluindo legislação, planos de ação. currículos, políticas de treinamento, e assim por diante - devem promover explicitamente uma base para a educação com base em direitos. Estas declarações colocam direitos humanos em todo o sistema de educação. Políticas são desenvolvidas de maneira participativa, em cooperação com todos os interessados e preenchem as obrigações de tratados internacionais de um país, para fornecer e promover educação de qualidade, tal como aqueles que constam da Convenção sobre os Direitos das Crianças.

2. Implementação de políticas

Para que sejam eficientes as políticas necessitam de uma estratégia consistente de implementação, incluindo medidas como a alocação de recursos adequados e o estabelecimento de mecanismos de coordenação, que assegurem coerência, monitoração e prestação de contas. Uma estratégia dessas deveria levar em conta a multiplicidade de interessados tanto a nível nacional(por exemplo, ministério da educação, instituições para treinamento de professores, organismos de pesquisa, organizações não governamentais) e a nível local (por exemplo, governo local, diretores e suas equipes, pais e estudantes) e envolvê-los para que ponham a política educacional em prática.

3. O ambiente de aprendizado

A educação de direitos humanos luta por estabelecer um ambiente no qual os direitos humanos são praticados e vividos na vida diária de toda a comunidade escolar. Da mesma forma que o aprendizado cognitivo, a educação de direitos humanos inclui o desenvolvimento social e emocional de todos aqueles que estão envolvidos no processo de aprendizado e ensino. Um ambiente baseado em direitos respeita e promove os direitos humanos de todos os atores da escola e é caracterizado por compreensão mútua, respeito e responsabilidade. Ele torna as crianças capazes de expressar suas opiniões livremente e de participar da vida escolar, e oferece a elas oportunidades apropriadas para interagir com a comunidade mais ampla.

4. Ensino e aprendizado

Introduzir ou melhorar a educação de direitos humanos exige uma abordagem holística ao ensino e aprendizado, que reflita valores de direitos humanos. Começando o mais cedo possível, os conceitos e práticas dos direitos humanos são integrados em todos os aspectos da educação. Por exemplo, conteúdo e objetivos do currículo são baseados em direitos, metodologias são democráticas e participativas e todos os materiais de livros escolares são consistentes com valores de direitos humanos.

Educação e desenvolvimento profissional do pessoal escolar. Para que a escola sirva de modelo de aprendizado e prática de direitos humanos, todos os professores e a equipe precisam ser capazes de transmitir e de modelar valores de direitos humanos. Educação e desenvolvimento profissional devem estimular o conhecimento do educador em relação a engajamento em/ e motivação por direitos humanos. Além disso, como mantenedores eles próprios de direitos, o pessoal da escola necessita trabalhar e aprender num contexto de respeito por sua dignidade e direitos.

Orientação prática sobre como implementar estes cinco componentes no sistema escolar é fornecida no apêndice ao Plano de Ação.


Rede Saci
11/09/2009

Professores da rede estadual ficam mais próximos de alunos deficientes.

Docentes participarão de cursos para aprender linguagem de sinais e método Braille.

Por meio do programa de capacitação da Secretaria de Estado da Educação, mais de 1,5 mil docentes iniciam neste mês a participação em cursos de libras, abreviaturas de Braille, entre outros, que os ajudarão na tarefa de lecionar aos estudantes com necessidades educacionais especiais.

“É importante que os professores entendam a realidades desses alunos e saibam como se comunicar melhor com eles; é por isso que estamos investindo pesado em orientações voltadas a educação especial”, afirma o secretário Paulo Renato Souza.

As aulas são oferecidas pelo Centro de Apoio Especializado (CAPE), órgão da Pasta focado na capacitação de docentes, e terão duração mínima de 30 horas. Pelo menos seis diferentes cursos serão oferecidos, voltados para todas as áreas e necessidades que o estudante possa apresentar.

A iniciativa faz parte do programa de inclusão da Secretaria de Estado da Educação, no qual foram investidos R$ 90 milhões para a compra de materiais especializados como soroban, softwares para computadores, máquinas de Braille e carteiras adaptadas, além da capacitação de professores.

“Investir na capacitação de nossos profissionais é garantir um ensino público de qualidade. A rede estadual é totalmente inclusiva e colocamos à disposição de alunos e educadores o que há de mais moderno em materiais pedagógicos para educação especial”, conclui o secretário.

Capacitação

A política de formação continuada proposta pela Pasta já proporcionou especialização a mais de 83 mil professores desde 2000. Todo o material utilizado é desenvolvido pelo Centro de Apoio Pedagógico Especializado (Cape).



Jornal Serrano
11/09/2009

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

EMTU reformula terminais para garantir acessibilidade.

No cronograma da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, a execução das obras começará no primeiro semestre de 2010 e os trabalhos deverão ser concluídos no final do mesmo ano.

A Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU/SP) contratou uma companhia de engenharia para desenvolver o projeto que irá melhorar a acessibilidade nos nove terminais do Corredor Metropolitano ABD (São Mateus - Jabaquara) e no Terminal Metropolitano de Cotia.

No cronograma da EMTU/SP, a execução das obras começará no primeiro semestre de 2010. Os trabalhos deverão ser concluídos no final deste mesmo ano.

A ação faz parte da política de responsabilidade social da empresa para ampliar a acessibilidade dos usuários ao transporte público, principalmente pessoas com deficiência e mobilidade reduzida. Para cumprir essa meta, é necessário reformular os terminais do Corredor ABD que foram construídos na década 80.

Os Terminais de Integração previstos no Plano de Expansão do Governo, coordenado pela Secretaria dos Transportes Metropolitanos, seguem essa diretriz, a exemplo das obras do Corredor Metropolitano Noroeste, concluídas em 2008, na Região Metropolitana de Campinas. Nesta região, o Terminal Prefeito Magalhães Teixeira conta com dois elevadores, escada rolante, rampas e oito plataformas com piso podotátil, para pessoas com deficiência visual, e intertravado, que propicia mais segurança aos usuários e às pessoas com mobilidade reduzida. A Estação Anhanguera conta com os mesmos dispositivos de acessibilidade.

Nos projetos em andamento, como os dos Corredores Metropolitanos Diadema - São Paulo, Guarulhos - São Paulo e Itapevi - São Paulo, há a mesma preocupação com os passageiros especiais. Isso também faz parte do Sistema Integrado Metropolitano da Baixada Santista que prevê a operação de VLT (metrô leve), ligando os municípios de São Vicente e Santos.

Estudos
Os estudos em elaboração pelos técnicos e engenheiros contratados para os Terminais Metropolitanos do Corredor ABD e Terminal Cotia consideram a instalação de diversos dispositivos de acessibilidade, como elevadores, rampas, piso podotátil, banheiros adaptados e modernização dos existentes, comunicação visual, entre outros.

Além da reformulação dos terminais, a Concessionária Metra, operadora do Corredor ABD, adquiriu 40 ônibus com piso baixo, rampas e box para cadeira de rodas e espaço reservado para cão guia. Com os novos ônibus, 40% dos veículos que operam no corredor apresentam equipamentos que promovem a acessibilidade.

Nas outras áreas da Região Metropolitana de São Paulo, a concessão das linhas intermunicipais propiciou, até o momento, a inclusão de mil ônibus adaptados no sistema, o equivalente a 20% da frota em circulação, aproximadamente.



Railbuss
10/09/2009

Barreiras derrubadas.

Inclusão social nas universidades e faculdades é cada vez mais real e necessária para dar chance a todos de cursar o ensino superior. MEC cobra adaptações para eliminar obstáculos de comportamento, pedagógicos, arquitetônicos e de comunicação.

No início da faculdade, poucas expectativas. A experiência anterior, numa escola estadual de ensino médio, anulou todas as expectativas de inclusão. As limitações eram muitas e, até mesmo exercícios e provas tinham de ser feitos, obrigatoriamente, depois e longe da turma, pois o colégio dependia da disponibilidade de funcionários do Instituto São Rafael para transcrever o material para o braille.

No ensino superior, o universitário do 4º período de administração Thiago Ângelo Gomes Pereira, de 21 anos, deficiente visual, se percebeu em um novo ambiente. Nada de longa espera: aulas, trabalhos e exames são traduzidos para a linguagem dos cegos e gravados em fita imediatamente, com a ajuda de monitores e professores. "Senti a diferença já no primeiro semestre e nunca deixei de fazer as provas junto com os colegas. Se não é possível preparar meu teste em tempo, o da turma toda é adiado. Na antiga escola, os professores não tinha tempo de sentar comigo e explicar e, por isso, não aprendia algumas coisas. Hoje, isso mudou", relata.

Na Faculdade Arnaldo, onde Thiago estuda, foram implantados alguns recursos para facilitar o acesso às dependências da instituição e ao conteúdo de sala de aula. Entre eles, estão a instalação de elevador, portas largas, banheiros amplos, corrimãos, vagas prioritárias, rampas e atendimento pessoal. Para os alunos com deficiência visual, a faculdade disponibiliza fitas com gravações das aulas.

Além disso, a biblioteca tem um atendimento especial com uma sala para leitura e uma monitora de braile que fica à disposição dos estudantes. O responsável pela segurança também está disponível na portaria para encaminhar os estudantes às salas quando eles chegam à faculdade. Para que todos tenham essa mesma oportunidade, o Ministério da Educação (MEC) está pegando pesado com as instituições de ensino superior, cobrando e exigindo que sejam feitas adaptações para deficientes.

Rampas, banheiros adaptados, elevadores, computador com leitor de tela e material digitalizado nas bibliotecas são algumas das exigências. A estrutura também está prevista na legislação federal e na Lei de Diretrizes e Bases (LDB), que determinam a obrigatoriedade do atendimento educacional especializado, na rede regular de ensino.

Para as universidades federais, o MEC elaborou uma proposta de ações que garantem o acesso pleno de pessoas com deficiência às instituições federais de ensino superior (Ifes). O Programa de Acessibilidade na Educação Superior (Incluir) tem como objetivo fomentar a criação e a consolidação de núcleos de acessibilidade nas Ifes e eliminar barreiras de comportamento, pedagógicas, arquitetônicas e de comunicação.

Desde 2005, o programa lança editais com a finalidade de apoiar projetos de criação ou reestruturação desses núcleos nas instituições federais de ensino. Eles melhoram o acesso das pessoas com deficiência a todos os espaços, ambientes, ações e processos desenvolvidos na instituição, buscando integrar e articular as demais atividades para a inclusão educacional e social dessas pessoas.

São recebidas propostas de universidades do Brasil inteiro, mas somente as que atendem às exigências do programa são selecionadas para receber o apoio financeiro do ministério. O estudante do 6º período de ciências contábeis da PUC Minas, Rogério Del Rio, entende bem do assunto e fala com propriedade pelo lado dos alunos - ele é deficiente visual - e das instituições, pois é vice-diretor da Faculdade de Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Na PUC e na UFMG, onde fez pós-graduação, ele diz que não enfrentou dificuldades. "Havia reuniões com os professores para que eles pudessem saber das minhas necessidades e, nas provas, havia sempre alguém para me acompanhar, mesmo os testes sendo feitos no computador", diz. "O MEC está de olho nessas adaptações, a maioria delas físicas, principalmente para cadeirantes. O deficiente visual precisa de mais recursos digitais, como o leitor de tela no computador, e o auditivo, de um intérprete da linguagem de libras. As instituições estão se preparando melhor para atender o portador, com certeza", ressalta.

Educação a distância
Formado em administração pela Academia Militar das Agulha Negras, Del Rio faz agora a graduação em ciências contábeis à distância, pela PUC Minas Virtual. Enquanto aluno e profissional (ele também é professor de administração financeira), ele relata que essa forma de ensino pode ser uma alternativa para deficientes que não se adaptam aos espaços das universidades e, por isso, pensam em desistir do curso, mas faz uma ressalva: "Pelo lado didático e pedagógico é uma boa opção, mas, frequentando o curso presencial, o aluno está em contato com várias pessoas que, por sua vez, veem que ele tem uma dificuldade, mas percebem que esse estudante é capaz. À distância, esse lado fica comprometido, embora seja uma alternativa".



Vooz
10/09/2009

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Consciência amarga.

Diabéticos não sabem nem procuram diferenciar produtos diet e light, afirma pesquisa.

Um estudo feito na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, com 120 pacientes com diabetes tipo 2 indica que, apesar de consumir produtos diet e light com frequência, mais da metade não sabe a diferença entre os dois tipos de produtos, não tem o hábito de ler o rótulo desses alimentos e também não controla a quantidade ingerida.

Entre os pacientes entrevistados (60 homens e 60 mulheres), todos atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a média de idade era de 63 anos e 83,3% tinham sobrepeso ou obesidade.

Os dados foram obtidos por meio de um questionário envolvendo variáveis sociodemográficas, hábitos de vida, história da doença e consumo de produtos dietéticos e adoçantes. A amostra foi composta principalmente por indivíduos com baixa escolaridade.

A nutricionista Paula Barbosa de Oliveira, autora do estudo feito como dissertação de mestrado defendida no Programa Saúde na Comunidade, da USP, com orientação do professor Laércio Joel Franco, alerta que o consumo excessivo desses produtos pode interferir no controle glicêmico e trazer prejuízos para a saúde dos pacientes.

Os alimentos diet são isentos de certos nutrientes encontrados no produto convencional, como açúcar, sódio ou gordura, e são elaborados para pessoas com exigências específicas, enquanto o light apresenta uma redução de, no mínimo, 25% do valor energético total ou de algum nutriente presente no produto convencional.

"O estudo conclui que informações sobre o uso adequado de adoçantes e produtos dietéticos é uma necessidade nas atividades assistenciais aos pacientes com diabetes, nos diversos níveis do SUS", disse Paula à Agência FAPESP.

Como os indivíduos com diabetes precisam restringir a ingestão de açúcar, segundo ela o uso desses produtos pode suprir o desejo pelo sabor doce sem alterar a glicemia.

"O uso consciente e adequado desses produtos pode restringir o uso de açúcar, facilitar a adesão ao tratamento e, consequentemente, melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Verificamos, por exemplo, que apenas 41% dos pacientes tem o hábito de ler os rótulos dos produtos", disse.

O trabalho indicou ainda que, embora não tenham sido observadas diferenças significativas entre homens e mulheres com relação à ingestão de produtos diet e light, os idosos consomem menos açúcares quando comparados com os adultos.

"Em resumo, apesar de usar menos açúcar, os idosos são os maiores consumidores de adoçantes entre todas as faixas etárias, enquanto as mulheres usam mais o adoçante fora de casa e se dizem mais preocupadas com a quantidade utilizada do que os homens", disse Paula.

A nutricionista destaca que para obter um bom controle metabólico a educação alimentar é um dos pontos fundamentais no tratamento do diabetes, que atualmente apresenta impacto considerável como problema de saúde pública, pela morbidade, mortalidade e altos custos de seu tratamento.

Segundo ela, o uso de adoçantes e alimentos dietéticos é importante para as pessoas com diabetes, apesar de serem dispensáveis na alimentação. “Esse setor tem crescido muito nos últimos anos e, atualmente, 35% dos lares brasileiros consomem algum tipo de produto light ou diet, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos”, disse.

"As estimativas são de que o número de pessoas com diabetes do tipo 2 no mundo passará dos cerca de 135 milhões, em 1995, para 300 milhões em 2025", apontou.



Agência FAPESP
09/09/2009

Conferência da ONU reafirma direitos das pessoas com deficiência.

Representantes do Brasil participaram do encontro em Nova York e mostraram formas de atuação para promoção de igualdades; intercâmbio entre os países participantes servirá para fortalecer direitos das 650 milhões de pessoas com deficiências no mundo.

A 2ª Conferência dos Estados Partes da Convenção das Pessoas com Deficiência, encerrada nesta sexta-feira, na sede da ONU em Nova York, analisou formas de promover leis nacionais que protejam os direitos dessas pessoas.

O intercâmbio de experiências entre os países participantes serviu para a fortalecer a igualdade das 650 milhões deficientes no mundo.

Conquistas
O coordenador da Secretaria dos Direitos das Pessoas com Deficiência do Estado de São Paulo, Marco Pellegrini, que é deficiente e participou do encontro, falou à Rádio ONU sobre as conquistas obtidas no Brasil.

"Também é bastante importante outra ação que estamos desenvolvendo para que seja possível às pessoas com deficiência prestarem os exames em todos os concursos públicos. E que elas sejam admitidas em uma empresa que está preparada para recebê-las. Que esta inclusão seja viável. Que a pessoa com deficiência tenha uma carreira. Que ela possa ingressar na empresa e progredir na carreira", disse.

Pellegrini destacou que o governo de São Paulo tem realizado um programa para divulgar a Convenção de Direitos das Pessoas com Deficiencia aos legisladores, prefeitos e sociedade civil nos 655 municípios do estado.

A convenção foi assinada, até o momento, por 142 países, incluindo o Brasil, e ratificado por 66 nações.


Jornal Feira Hoje
09/09/2009

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Manifesto Mundial pela Inclusão – Ser Diferente é Normal.

Manifesto Ser Diferente é Normal é lançado em Nova York – 6/9
O website onde tudo é normal, menos o preconceito
www.serdiferenteenormal.com.br
www.itsnormaltobedifferent.com

O Manifesto virtual “Ser Diferente é Normal”, pela inclusão de todos e contra o preconceito, do Instituto MetaSocial, foi apresentado no dia 6 de setembro, durante o Brazilian Day, grande evento da comunidade brasileira nos Estados Unidos.

Veja o vídeo promocional da campanha no You Tube

O SER HUMANO acontece na natureza de diversas formas, cores, tamanhos…
Como definir normalidade, se nem dois gêmeos idênticos são iguais?

Por que SER DIFERENTE É NORMAL?
Porque cada pessoa é única.
E a única característica que nos une é a DIVERSIDADE


Você já viveu alguma situação em que se sentia excluído?
Imagina como seria carregar os traços de uma pessoa com deficiência?
Quer contribuir para um mundo sem preconceitos e, por isso, melhor para todos?

Então, seja bem-vindo ao Manifesto “Ser Diferente é Normal”, onde é possível fazer tudo isso, sem sair da frente do computador.

Pré-Lançamento no Brazilian Day
O Brazilian Day ocorre há 25 anos e agrega um público de 1 milhão e meio de pessoas ao longo de 25 quarteirões no coração de Manhattan. Este ano, participaram do show Marcelo D2, Alcione, Carlinhos Brown, Elba Ramalho, Victor e Leo e Arlindo Cruz. A apresentação do espetáculo foi de Regina Casé. A Rede Globo, parceira do Instituto MetaSocial é uma das promotoras do evento.

O filme de apresentação do Manifesto foi exibido em telões durante o espetáculo. As três coordenadoras do Instituto MetaSocial estiveram no local dando maiores informações a respeito da campanha.

ONU
A campanha ajudará ainda a promover a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, primeiro tratado internacional de Direitos Humanos do século XXI das Nações Unidas (ONU), aprovada no ano passado pelo Congresso brasileiro com valor constitucional e que foi elaborada para garantir os apoios necessários para que todas as pessoas tenham as mesmas oportunidades na vida.
Mundialmente, o website do Manifesto será lançado na sede da ONU, no dia 3 de dezembro de 2009, Dia Internacional da Pessoa com Deficiência.

MetaSocial
O Instituto MetaSocial é uma ONG com sede no Rio de Janeiro e representações em Campinas, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Nova York, que, há mais de 15 anos desenvolve ações pela inclusão das pessoas com deficiência.

Atua em parceria com a mídia para difundir a noção de que “Ser Diferente é Normal”, no sentido de que todas as pessoas são diferentes, logo, a diferença é corriqueira, intrínseca, humana. Esta frase é slogan do Instituto MetaSocial desde 2003.

Entre as várias ações já realizadas pelo Instituto estão filmes publicitários, um deles ganhador do Leão de Bronze em Cannes (Carlinhos), assessoria na inserção de personagem com síndrome de Down na novela Páginas da Vida, de Manoel Carlos (2006), lançamento dos primeiros bonecos com características de síndrome de Down industrializados, a Turma da Clarinha, assim como também no de Tati, personagem com síndrome de Down criado pelo Instituto Maurício de Sousa, entre outros.

Histórico do Manifesto
O Manifesto Ser Diferente é Normal foi criado para o Dia Internacional da síndrome de Down, (21/3) e apresentado no Brasil em março deste ano. O retorno do público foi tão grande (600 mil acessos em uma semana) que o MetaSocial decidiu lançá-lo mundialmente e expandir a iniciativa.

A idéia é que cada pessoa “assine” o Manifesto com sua imagem, reconhecendo que “Ser Diferente é Normal”, afinal, ninguém é igual. Cada pessoa é única. E a pior barreira que separa as pessoas é o preconceito. Somente através da inclusão de todas as pessoas na sociedade seremos capazes de construir uma sociedade para todos.

A princípio o website contará com versões em português, inglês e espanhol.
No Brasil, o Manifesto está sendo apresentado na Casa Cor Campinas até 6/10.
São parceiros do Instituto MetaSocial a Agência de Propaganda Giovanni+DraftFCB, a Rede Globo, Agência Inclusive, Microwave, Riot, Analog, e a SIACorp.

Apóiam a iniciativa:

Brasil
- Governo brasileiro, por meio da Coordenadoria Nacional para Inclusão da Pessoa com Deficiência, CORDE, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República e do Ministério das Relações Exteriores

- Federação Brasileira de Associações de Síndrome de Down (FBASD)

- Centro de Vida Independente (CVI Brasil) – http://www.cvi.org.br/cvibrasil .asp

- 3IN – Inclusão, Integridade e Independência

- Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Estado de São Paulo – http:/www.pessoacomdeficiencia. sp.gov.br/

- Aparu – Associação dos Paraplégicos de Uberlândia

- Grupo Terra – ONG – A Vida com outros Olhos

- CVI Aracin Anallin, SP

International
- Inter-American Institute on Disability and Inclusive Development - http://www.iidi.org/

- Global Partnership for Disability and Development (GPDD) – http://gpdd-online.org/index.php

- Red Interamericana de Organizaciones no Gubernamentales de Personas con Discapacidad y sus Familias (Riadis) – http://riadis.net

- Handicap International – http://www.handicap-international.us/hi/

- Making it Work - http://www.MakingItWork-crpd.org

- The Rolling Rains Report – Precipitating Dialogue on Travel, Disability, and Universal Design - http://www.rollingrains.com/

- Mr. Blue Sky Movie – Changing lives through Changing Minds – http://www.mrblueskymovie.com/

(As organizações/instituições interessadas em apoiar a campanha devem enviar mensagem para o email: agencia.inclusive@ gmail.com)

EUA
Nova York – Patricia Almeida – 1-917-428-4756- pat_lucas@yahoo.com

Brasil
Rio – Helena Werneck – 55-21-7832-3221 – ID 7*46363 – helena@metasocial.org.br

Rio – Márcia Carlos de Andrade – 55-21-9190-9341 – marciadeandrade@globo.com

Campinas – Patricia Heiderich – 55 – 19- 7803.9014 – ID 7*46364 patrícia@metasocial.org.br

Mais informações:

Veja quem já participa do Manifesto Ser Diferente é Normal

Sobre síndrome de Down

Vai falar ou escrever sobre deficiência? Saiba o que dizer e o que NÃO dizer

Convite às entidades para adesão ao Manifesto

Press Release in English



Agência Inclusive
08/09/2009

Banco nos EUA pede impressão digital e nega serviço a deficiente.

Homem sem braços não pôde compensar cheque em banco na Flórida porque não era capaz de dar uma impressão digital.

Um banco na Flórida impediu que um homem sem braços compensasse um cheque porque ele não era capaz de dar uma impressão digital.

"Eles olharam as minhas próteses de mãos e o atendente disse, "bom, você obviamente não pode nos dar uma impressão digital", disse Steve Valdez à CNN na quarta-feira.

Mas ele afirmou que a filial do Bank of America no centro de Tampa insistiu mesmo assim em pedir impressões digitais, apesar de Valdez ter mostrado dois documentos com fotos.

No incidente, ocorrido na semana passada, o supervisor do banco disse a Valdez que ele somente poderia sacar sem uma impressão digital se trouxesse sua esposa com ele ou abrisse uma conta no banco.

"Eu disse a eles que não queria uma conta e também não poderia trazer minha esposa porque ela não estava perto", explicou Valdez à CNN.

O banco se pronunciou em declaração citada pela CNN:

"Ainda que a impressão digital seja uma exigência para quem não possui contas, o banco deveria ter analisado a situação".

Valdez afirmou que o tratamento do banco violou a lei sobre Norte-Americanos com Necessidades Especiais, que exige que instituições ofereçam acomodações razoáveis para todas as pessoas.



O Globo
Miami - Estados Unidos, 08/09/2009

Inclusão de crianças com necessidades especiais expõe falhas de escolas.

Muitos jovens e crianças ainda sofrem preconceito no ensino regular, o que desestimula a inclusão social.

Bianca tem síndrome de Down e, aos 12 anos, leva uma rotina dupla: passa as manhãs numa escola especial e as tardes na rede regular de ensino. Isabela, de 19 anos, tem a mesma síndrome, mas, após uma experiência de negligência e abandono numa escola, sua família decidiu mantê-la apenas no ensino especial. Com paralisia cerebral, Natasha, de 10 anos, sofreu todo tipo de preconceito para estudar - mesmo assim, segue num colégio particular regular.

As três garotas querem continuar os estudos e lutam com suas famílias para isso. Em comum, elas têm o apoio da legislação, que prevê a educação para todos - com respeito e acolhimento das diversidades -, e a realidade do sistema educacional brasileiro, na prática, muito distante do que determina a lei.

Assim como elas, há mais de 300 mil crianças com alguma deficiência em colégios regulares e outras 342 mil em escolas especiais. O desafio a ser enfrentando pela sociedade é como unir esses universos, garantindo que alunos sejam efetivamente incluídos e atendidos em suas especificidades - incluir, neste contexto, é bem mais do que colocar na sala de aula.

Todos concordam com a inclusão, mas discordam sobre como fazê-la. De um lado, liderados pelas escolas especiais e pelas redes como Apae, estão os defensores de uma inclusão gradual, dentro de um processo, feita com acompanhamento especial. De outro, organizações não-governamentais ligadas ao tema defendem a inclusão obrigatória e a diminuição da rede especial. Para elas, só com a entrada em massa dessas crianças e adolescentes na rede regular é que o sistema vai se adaptar e passar a acolhê-los.

Seja como for, além da falta de infraestrutura, de metodologia, de materiais didáticos e de professores de apoio, o desafio maior é o preconceito. Pesquisa feita pela USP sob encomenda do Ministério da Educação com 18.599 estudantes, pais e mães, professores e funcionários da rede pública do País mostrou que 96,5% deles têm preconceito e querem manter distância de pessoas com deficiência. Levantamento do Ibope encomendado pela Fundação Victor Civita apontou que 96% dos professores se dizem despreparados para a inclusão e 87% deles nunca receberam treinamento.

O debate é complexo e delicado, envolve governos, famílias, equipe escolar e organizações da sociedade civil, e evidencia também todas as falhas da própria escola com todos seus alunos: excesso de estudantes em sala de aula, falta de acompanhamento individual, professores despreparados e episódios de violência. O resultado final é a falta de aprendizagem.

Peregrinação
No caso de Bianca, a escola regular foi sua única opção até os 10 anos. Mas ela não progrediu nem foi alfabetizada. Um dia, ao lamentar para a irmã que já tinha 10 anos e não sabia ler nem escrever, a mãe procurou ajuda. "Tentamos colocar na escola dita normal, mas ela nunca recebeu atenção. E eu vou atrás, fico no pé, estou sempre na escola, peço para conversar, reclamo. Mesmo assim, ela passava os dias perambulando pelos corredores", conta a mãe, a pedagoga Sandra Reis. "Quando coloquei na escola especializada, ela foi alfabetizada em seis meses. Hoje, ela aprende lá e continua num colégio estadual pela socialização", conta.

Bianca estuda no Centro da Dinâmica de Ensino (CEDE), um colégio fundado há 30 anos para atender crianças com deficiências mentais e que foi um dos pioneiros na alfabetização. "Recebemos muitas crianças que estão na escola regular ou que passaram por ela e somos a favor da inclusão - mas da inclusão verdadeira, com acompanhamento para que alcancem seu potencial máximo", afirma Célia Regina Derwood Mills Costa Carvalho.

Lá, em turmas com cerca de 10 alunos, cada estudante é avaliado e tem seu plano curricular definido - até o material didático é adaptado para as necessidades individuais. Todos são estimulados a terem independência e autonomia em casa, nos relacionamentos e no mercado de trabalho. "Não tem fórmula, para cada um é uma adaptação. Se ela não fala o som do 'b', você não pode começar a alfabetizar por aí. Se ela fala 'mamãe', você começa pelo 'ma'", explica.

É o caso de Isabela Delboni, que se forma neste ano. "Eu quero me formar, trabalhar e me casar", conta ela, que não gostava da escola regular. "A professora não entendia as pessoas com síndrome de Down. Eu ficava triste e brava". A mãe conta melhor a história. "No primeiro dia de aula a professora me chamou e disse que não faria nada pela minha filha, que não era paga para isso e que ela ficaria no fundo da classe sozinha", diz Arlete Delboni. Ela reclamou, procurou a direção da escola, a regional de ensino e, mesmo assim, não conseguiu mudanças.

"A inclusão não existe. Só no comercial", diz Martinha dos Santos, mãe de Natasha, que teve de sair da escola onde estudava por represálias da equipe após reclamações da mãe - que era obrigada a ficar junto com a menina na sala de aula. "Consegui ajuda financeira e procurei muitos colégios particulares, até que um aceitou ela. Ninguém quer, ninguém aceita", lamenta.

Para quem participa do debate, o despreparo não pode impedir o processo - que deve ser a inclusão total no colégio. "A escola só estará preparada quando os alunos estiverem lá. Sei que é difícil, mas precisamos insistir ou nunca teremos uma escola para todos", diz Claudia Grabois, presidente da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down.

Para Liliane Garcez, da Apae de São Paulo, se trata de um movimento em curso. "É um processo social, que já avançou na legislação e está progredindo nas escolas", afirma. O resultado que todos esperam, como resume Liliane, é uma escola que dê conta da diversidade humana, capaz de ensinar a partir das diferenças. "É a escola que queremos para todos".



Jornal Cruzeiro do Sul
08/09/2009

Shoppings devem garantir vagas de estacionamento a deficientes.

Civis que perceberem infração por parte de motoristas vão poder denunciar o acontecimento também.

Ministério Público de São Paulo assinou com quatorze shoppings da Capital um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) para garantir que os eles assumam o compromisso de fiscalizar o uso das vagas de estacionamento reservadas para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida.

Segundo o TAC, metade dessas vagas devem estar cercadas e funcionários desses estabelecimentos devem estar disponíveis para prestar informações sobre a localização e liberar essas vagas num prazo máximo de 15 minutos. O acordo prevê a possibilidade de se destinar a concentração dessas vagas no estacionamento VIP, pelo mesmo preço de uma vaga comum.

Os shoppings também se comprometem a realizar campanhas educativas juntos aos clientes para que não usem as vagas destinadas às pessoas com deficiência. Caso o TAC seja descumprido, a multa diária é de 500 cestas básicas por autuação.

O acordo foi realizado por meio da promotoria de Justiça de Direitos Humanos - Área de Pessoas com de Deficiência, e a SMDEP (Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida).

Os shoppings que assinaram o TAC foram: Brascan Century Plaza; Páteo Higienópolis; Páteo Paulista; Raposo; West Plaza; Butantã; D&D; Center Fiesta; SP Market; Ibirapuera; Light; Mega Pólo Moda; Nações Unidas; Villa Lobos.

A fiscalização fica a cargo do MP - SP, e a população pode encaminhar denúncias, por carta para:
Promotoria de Justiça de Direitos Humanos - Área de Pessoas com Deficiência
Rua Riachuelo, 115
CEP 01007-904

As denúncias também podem ser feitas pelo telefone (11) 3119-9054, ou ainda pelo email: gaeppd@mp.sp.gov.br


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08/09/2009

domingo, 6 de setembro de 2009

Pátria amada, mãe gentil?

Frequentemente nosso presidente manifesta sua revolta diante da tragédia social que nos assola. Pode ser um começo. Mas é pouco.

A MINHA infância, povoada por soldadinhos de chumbo e outras fantasias, continha momentos inebriantes. Era quando os soldados, evoluindo nas paradas do Sete de Setembro, desviavam o seu olhar e miravam, respeitosamente, os senhores da nação. Hoje não quero mais assistir aos desfiles. Com medo de não encontrar os mesmos olhares, de não vislumbrar a mesma nação.
Exagero meu ou aflições verdadeiras, produzidas por uma realidade desconcertante? Ouço que o Brasil tornou-se uma nação soberana, que nunca antes neste país materializaram-se tantas aspirações do seu povo, que as potências estrangeiras dobram-se à grandeza da nacionalidade.
Nos jornais encontro números tão expressivos quanto misteriosos. O PIB brasileiro em 2008 foi de US$ 1,94 trilhão, o nono na escala planetária. O Brasil tornou-se credor do FMI. As exportações brasileiras atingiram, em 2008, o valor de US$ 197,94 bilhões. O índice Bovespa registra em 2009 valorização que supera 50%.
Diante dessas notícias, por que tanto desconsolo da minha parte? Talvez por ser médico e por compreender que a saúde de uma nação tem de ser pautada não apenas pelo seu PIB, mas, principalmente, pelo respeito à condição humana e pela luta sem tréguas contra a desigualdade social.
Como ser feliz se estamos no 70º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano, conceito mais justo que incorpora o dogma da existência usufruída com dignidade? Como permanecer calado quando descubro que cerca de 22%, ou 40 milhões de brasileiros, vivem abaixo da linha de pobreza, incapazes de sequer obter alimentos para subsistir?
Como ficar indiferente quando leio que mais de 25% dos membros da nação são analfabetos ou não conseguem compreender o que estão lendo? Desconforto que fica quase insuportável quando descubro que Cuba, Venezuela, Chile, Equador e Bolívia declararam-se recentemente territórios livres do analfabetismo. Como não ficar indignado quando estatísticas da ONU mostram que, para cada 1.000 crianças pobres que nascem no Brasil, 83 morrem antes de completar seu primeiro ano de vida, um número que contrasta com 5 mortes no Canadá, 8 no Chile e 15 na Argentina?
Mesmo ciente das minhas limitações, desconfio que a desgraça que nos assola resulte de uma coreografia insana que mistura uma histórica desigualdade social, governos descomprometidos com a condição humana e ações nefastas de um sem-número de oportunistas que tomaram de assalto, espraiaram-se e passaram a consumir o Estado.
Dados que ilustram a injustiça são abundantes. No Brasil, ainda de acordo com a ONU, 1% dos cidadãos mais ricos têm a mesma renda que a soma dos 50% mais pobres. Estes que perambulam pelas ruas da nação, oprimidos pela fome, pelas pragas e pela violência, incapazes de esboçar reação e controlar seus destinos. Subjugados por um sistema dirigente insensível, que foi capaz de pagar, em 2008, R$ 120 bilhões de juros da dívida nacional e destinar apenas R$ 48 bilhões e R$ 29 bilhões, respectivamente, para financiar toda a saúde e toda a educação superior do povo brasileiro. Governantes incapazes de compreender que sem saúde e sem educação não existem seres livres.
Frequentemente nosso presidente manifesta sua revolta diante da tragédia social que nos assola. Talvez seja um começo. Mas é pouco, sr. presidente. Pouco para alguém que, em período recente menos glorioso da história, conviveu com a injustiça e com autoridades que não eram coisa boa. Agora que o senhor é autoridade e a sociedade brasileira continua açodada por outras formas de truculência, imagine se a tua complacência for mal interpretada, confundida com aquiescência.
Como lembrava o arcebispo Desmond Tutu, incansável na luta pelos direitos civis: "Se ficarmos neutros numa situação de injustiça, teremos escolhido o lado do opressor". Presidente, principalmente você, que tem história para ser o exemplo, pode atender ao grito ensurdecedor de tantos filhos da nação.
Assumindo o combate sem limites ao grupo de predadores assentados no poder. Exigindo que a Justiça faça das leis instrumentos verdadeiros de defesa dos direitos, e não objetos de proteção aos ímprobos e poderosos.
E, tomado por compaixão, adotando ações genuínas para reduzir os efeitos da desigualdade e para resgatar a condição humana desses brasileiros. Só assim, perfilado no dia da pátria, você conseguirá, marejado, declamar com a multidão: "Dos filhos deste solo és mãe gentil, pátria amada, Brasil".


MIGUEL SROUGI , 62, médico, pós-graduado em urologia pela Havard Medical School (EUA), é professor titular de urologia da Faculdade de Medicina da USP e presidente do Conselho do Instituto Criança é Vida.