sábado, 19 de setembro de 2009

Inclusão não é lugar de chegada.

Texto de Lilian Seidel Galle, Aluna da Pós-Graduação em Inclusão da Faccat.

Não existe escola inclusiva, existe sim um processo de inclusão que ocorre na escola e na sociedade. Se tratarmos a inclusão como um espaço, um lugar, estaremos apagando as diferenças mais uma vez, como já vem acontecendo ao longo da história.

Uma sociedade aberta às diferenças é aquela em que todos se sentem respeitados e reconhecidos nas suas diferenças. E saber respeitar essas diferenças talvez seja a tarefa mais difícil de se cumprir.

Ao pretender “mergulhar” no processo inclusivo, a escola necessita preparar e assessorar, através de formação continuada, não somente seus professores, mas todos os funcionários e setores. É preciso que todos tenham uma visão profissional a respeito do aluno com necessidades especiais, que podem ser as inúmeras síndromes ou dificuldades de aprendizagem mais simples até deficiências físicas mais complexas.

Um dos fatores relevantes da inclusão é o que diz respeito à acessibilidade. Tão importante quanto o acesso facilitado é a utilização de material didático apropriado a cada necessidade.

Para haver educação inclusiva, é necessário ir além do que já foi oferecido na grande maioria das salas de aula, nas escolas. Educação inclusiva é aquela que procura atender todos os alunos, independente das diferenças, considerando as habilidades e potencialidades de cada indivíduo.

Está enraizado no pensamento e na postura de muitas pessoas que somente os alunos com um determinado perfil de habilidades e competências podem aprender e construir seu conhecimento. Os pais, com frequência, questionam a escola que inclui sobre as vantagens de permitir que crianças com dificuldades físicas ou de aprendizagem estejam em salas de aula com alunos ditos “normais”.

A verdade é que, convivendo com as diferenças, o aluno vai aprendendo, desde cedo, a aceitar e a lidar melhor com as divergências existentes em uma sociedade. Aprende ainda a refletir a respeito de qual é a sua participação na transformação dessa melhoria e quais recursos poderá utilizar para facilitar tal situação.

Tendo um pensamento inclusivo, haverá possibilidade de um futuro que forme um cidadão apto a viver de forma independente. Fazer com que consigam se tornar adultos felizes e realizados dentro de suas limitações é uma das frequentes inquietações dos pais de filhos com necessidades especiais.

Cabe à sociedade aprender a saber lidar com esse universo novo da inclusão, oportunizando a todos se sentirem incluídos, construindo um mundo em que o respeito e a dignidade se façam presentes. Dessa forma, compreenderemos que inclusão não é lugar de chegada, mas, sim, de partida, de início para uma vida com maiores possibilidades.



Jornal Panorama
24/08/2009

ABC adere à Campanha Nacional de Acessibilidade.

A intenção, segundo membro da comissão organizadora do evento não é apenas estimular metas, mas promover o debate a respeito da deficiência.

O Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado nesta segunda-feira (21/09), será marcado pela assinatura do termo de Adesão à Campanha Nacional de Acessibilidade por prefeituras e entidades do ABC. O evento será realizado a partir das 18h no Teatro Cacilda Becker, em São Bernardo.

O evento é uma iniciativa da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e do Conade (Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência), órgão da Secretaria Especial dos Direitos Humanos. Ao assinar o termo de adesão à campanha, os signatários se comprometem a tornar acessível às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida o espaço pelo qual são responsáveis.

"Nosso objetivo não é criar metas ou ficar fiscalizando quem fez algo ou não. Queremos ampliar a rede de debates sobre o tema para fazer com que a sociedade entenda a importância da acessibilidade e comece a mudar sua cultura e suas atitudes", explica o membro da comissão organizadora do evento, Flávio Henrique de Souza.

Ao todo, 41 entidades - como prefeituras, universidades, sindicatos e movimentos sociais - assinarão o termo. Entre os presentes no encontro estará Danieli Haloten, primeira atriz com deficiência visual a participar de uma novela. Ela interpreta Anita na novela Caras & Bocas, da Rede Globo.

Acessibilidade
Para o presidente da Acide (Associação pela Cidadania do Deficiente), Carlos Alberto dos Santos, as cidades estão longe de oferecer a acessibilidade ideal para os deficientes. "A dificuldade de locomoção é a mais séria, pois que acaba fazendo com que os deficientes, principalmente os com problemas físicos e cadeirantes, acabem ficando praticamente presos dentro de casa", lamenta.

Santos, deficiente visual há 15 anos, defende ainda a criação de mais vagas de trabalho para estas pessoas. Entretanto, é preciso que as empresas se adaptem para receber estes funcionários e que haja mais cursos profissionalizantes que possam ser frequentados por elas. "Algumas vagas simplesmente ficam sem ser preenchidas porque as pessoas não conseguem estudar por falta de acessibilidade", explica o presidente da associação.

Vereador quer secretaria para deficientes
O vereador Gilberto do Primavera (PTB) protocolou nesta semana, na Câmara de Santo André, a indicação da criação da Secretaria para Pessoas com Deficiência e Modalidade Reduzida. O anúncio foi feito durante o primeiro encontro Santo André Acessível, organizado pelo parlamentar.

"A acessibilidade é uma questão muito presente na cidade. Santo André é completamente inacessível para estas pessoas. Por este motivo é que defendo a criação de uma secretaria, pois só assim nos tornaremos uma cidade justa", defende o vereador. Gilberto salienta ainda que a acessibilidade não é destinada apenas para as pessoas deficientes ou com dificuldades de mobilidade. "Um dia todos nós seremos idosos e necessitaremos destas facilidades", completa.

Entre os presentes na cerimônia estava a vereadora de São Paulo, Mara Gabrielli (PSDB), fundadora da ONG Projeto Próximo Passo e ex-integrante da Secretaria da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida na cidade. "A criação de uma secretaria específica é importante, pois articulações poderão ser feitas diretamente com os secretários das outras pastas, uma vez que itens de acessibilidade estão atrelados a praticamente todas as secretarias", diz.

Apesar da expectativa gerada com a criação da pasta em Santo André, o secretário de Inclusão Social, Ademar Carlos de Oliveira, afirma que o tema ainda não foi debatido internamente e que não há previsão de quando isto ocorrerá. "Mesmo assim há todo o esforço para promover a inclusão destas pessoas à sociedade, pois é fato que a maior parte delas vive excluída", lamenta.



Repórter Diário
17/09/2009

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Escola para todos - mais sobre o novo decreto federal.

Quando o assunto é inclusão educacional, o Brasil é pioneiro ao tornar lei o que em muitos países é apenas recomendação.

Crianças e adolescentes com deficiência terão que ser acolhidos nas classes regulares, determina um novo decreto federal que torna o Brasil pioneiro em inclusão educacional. Pode ser uma boa notícia para o seu filho, mesmo que ele não tenha nenhuma dificuldade física ou intelectual. Descubra por quê.

Até o fim do ano, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de São Paulo vai fechar sua escola especial, que desde 1981 ensinou a ler e escrever mais de 700 crianças com deficiência intelectual - a maioria com síndrome de Down. Diferentemente do que possa parecer, essa é uma boa notícia. Trata-se de mais um passo para inserir definitivamente essas crianças na sociedade, obedecendo a uma nova lei. Promulgado no ano passado pelo governo federal, o Decreto nº 6.571 determina que alunos com necessidades educacionais especiais - com deficiência intelectual e física - sejam acolhidos em classes comuns do ensino regular, acabando de vez com as "classes especiais". Ponto para nós: o Brasil é pioneiro ao tornar lei o que em muitos países é apenas recomendação. "Em 2007, orientamos os pais dessas crianças a matricular os filhos em escolas perto de casa e nos propusemos a fazer um acompanhamento por cinco anos. Estivemos em 300 instituições conversando sobre a adaptação dos estudantes", explica a coordenadora do Serviço Educacional da Apae, Liliane Garcez.

Portanto, nos próximos anos, aumentam as chances de que crianças com e sem deficiência convivam nas escolas, sejam públicas ou privadas. Estudiosos em inclusão social no mundo inteiro vêm comprovando os benefícios que a presença dessas crianças nas classes regulares traz ao grupo. "A inclusão implica melhor qualidade de ensino para todos", afirma a professora da Unicamp, Maria Tereza Égler Mantoan, fundadora do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diversidade. "À medida que o docente pensar em novas propostas para esse público específico, atingirá também os 40% dos alunos com alguma dificuldade de aprendizado". Parece inacreditável, mas até recentemente era muito comum que um estudante sem nenhuma deficiência que não conseguisse se alfabetizar aos 7 anos fosse encaminhado a uma classe especial da rede pública. "Há cinco anos, essas salas viviam cheias de crianças sem deficiência alguma. Estavam lá por um fracasso escolar", alerta Daniela Alonso, psicopedagoga e especialista em inclusão.

Outro benefício prontamente identificado é o convívio com a diversidade. Na opinião de Liliane Garcez, da Apae, é na escola que aprendemos a ser cidadãos e a conviver com as diferenças. "Esse aprendizado traz grandes ganhos hoje e para o futuro. Até mesmo as empresas valorizam a inteligência emocional. Essas crianças serão profissionais mais flexíveis para lidar com opiniões diversas e respeitar o próximo", acredita ela.

Golpe no preconceito
Mesmo assim, vai ser difícil, e que ninguém duvide: o Brasil está diante de um imenso desafio educacional. As escolas terão que cultivar um novo olhar, acolhendo todos os estudantes, e combater o preconceito, que é poderoso, sobretudo na rede pública. Um estudo recém-concluído, encomendado pelo Ministério da Educação e realizado em 501 escolas públicas de todos os estados brasileiros, revelou que 96,5% dos entrevistados assumem ter algum preconceito contra alunos com necessidades especiais. Os pesquisadores encontraram até casos de tortura contra eles. "Só a convivência e a transformação da escola em local comum a todos poderão mudar esse cenário", avalia Daniela Alonso. Ela lembra que muitas vezes a resistência parte dos próprios professores que, principalmente na rede pública, já enfrentam uma infinidade de problemas, como violência, remuneração baixa e classes lotadas. Nesse cenário, a obrigação de acolher um deficiente é vista como mais uma tarefa espinhosa. "Será muito complicado mudar essa cultura de uma hora para outra, mas só com a prática os professores aprenderão a lidar com isso. Não há outra forma e todos terão que se esforçar", acredita Cláudia Dutra, secretária de educação especial do Ministério da Educação (MEC).

Existem 695.699 estudantes com necessidades especiais no Brasil, segundo o censo escolar de 2008. Cerca de 54% deles frequentam o ensino regular, um grande progresso em relação a 1998, quando 87% estavam em classes separadas dos demais. Estima-se ainda que cerca de 5% das crianças com deficiência em idade escolar estejam em casa, privados de educação e do convívio social. Para atender a todos, a lei engloba três grupos. No primeiro, estão crianças com deficiências física, mental, auditiva, visual e múltipla (duas ou mais das anteriores); no segundo, as com transtornos globais de desenvolvimento, como autismo; por fim, há as crianças com altas habilidades, antes chamadas de superdotadas. O decreto também se traduz em dinheiro. A partir de 2010, a rede pública receberá uma verba do Fundo da Educação Básica (Fundeb) para oferecer apoio complementar no contraturno - período contrário ao das aulas. "A matrícula de cada criança ou jovem da educação especial será computada em dobro, aumentando o valor per capita repassado à instituição. Isso vai possibilitar o investimento na formação de professores, na implantação de salas de recursos multifuncionais e na reformulação do espaço físico", explica Cláudia Dutra, do MEC. Segundo ela, muitas escolas já têm ou vão ganhar um professor itinerante especializado. Mas a ideia não é deixar na mão do especialista a responsabilidade pelo aluno. Cabe ao professor ensinar e integrá-lo à classe. "Ele vai fazer o que mais sabe: lecionar, não importa se a criança tem ou não deficiência", diz ela.

Voluntários cidadãos
Se a maioria das escolas públicas ainda está em fase de adaptação, algumas já fazem a inclusão há décadas e por isso se tornaram referência. É o caso da Escola Estadual Visconde de Itaúna, em São Paulo, que atende crianças com deficiência visual e intelectual em classes regulares. Os que não enxergam ou têm baixa visão possuem máquina de braile. Fazem todas as anotações na escrita dos cegos e suas provas são traduzidas para o docente. A diretora, Maria Angélica Cardelli, constata que os que têm deficiência intelectual se desenvolvem melhor numa classe regular. "Temos vários jovens que completaram o ensino médio e estão no mercado de trabalho. Os casos mais graves aprendem dentro do seu limite e se socializam. O que importa é a felicidade", afirma. Na hora do recreio da Escola Estadual Lasar Segall, em São Paulo, veem-se estudantes com deficiência auditiva e ouvintes se comunicando em LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais). Abrimos oficinas de LIBRAS para os próprios colegas ouvintes e, para nossa surpresa, a classe ficou lotada", revela a professora Andréa Bast. Hoje o Lasar Segall conta com 20 intérpretes voluntários. Alguns terminam o curso e voltam como cidadãos para auxiliar os alunos surdos. "A ajuda está longe da piedade. São jovens da mesma idade que querem se comunicar com o outro", conta.

As instituições particulares, com know-how consolidado, detêm o maior número de matrículas, 64%, entre os alunos com necessidades especiais. O Colégio Friburgo, em São Paulo, é um exemplo de inclusão com sucesso. "A grande diferença é que pensamos mais de uma vez numa mesma atividade, observando-a sob ângulos diferentes. Isso beneficia todos", afirma a coordenadora pedagógica Amélia Gaulez. Na Escola Viva, em Cotia (SP), já aconteceu de a professora montar um globo com papel de texturas diferentes, uma para cada um dos cinco continentes, a fim de atender a uma deficiente visual. "Os demais alunos acabam desenvolvendo a parte sensorial, pouco explorada em outros colégios", explica a psicopedagoga Melissa Isler, sócia da escola. Os alunos com deficiência intelectual absorvem o que está dentro das suas possibilidades. A avaliação, por exemplo, pode ser feita oralmente, pois a escrita é um obstáculo. "O importante é apresentar uma evolução", acrescenta ela.

As medidas que abriram o caminho para a nova lei
1994: declaração de Salamanca, resultado da Conferência Mundial sobre as Necessidades Educativas Especiais, evento promovido pela Unesco na Espanha. O documento reafirma o compromisso da educação para todos.
2003: surge no Brasil o Programa Educação Inclusiva, que incendiou a discussão sobre necessidades especiais e criou polos de disseminação em 162 municípios.
2006: a ONU aprova a Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência. Embora sem força legal, o documento influenciou políticas públicas no mundo todo.
2008: promulgado no Brasil o decreto nº 6.571, que reestrutura a educação especial e obriga as escolas a matricular as crianças com deficiência em classes comuns do ensino regular.



Educar para crescer
17/09/2009

Dislexia - Falta de informação.

Muitas crianças chegam a clínicas de fonoaudiologia diagnosticadas erroneamente.

É cada vez mais comum aparecerem nas clínicas fonoaudiológicas casos de crianças rotuladas e diagnosticadas com dislexia. Isso ocorre, muitas vezes, pela falta de informação acerca do processo de aquisição da leitura e escrita pela criança nas primeiras séries.

Toda criança em fase de aprendizagem pode cometer "erros" - que devemos entender como tentativas, pois é um processo complexo. Os profissionais que atuam na área pedagógica devem conhecer a normalidade para reconhecer o patológico, não preocupar-se apenas a forma da escrita, mas, sobretudo, com o conteúdo do que a criança entende e reproduz, enfatizando potencialidades e capacidades.

Não é papel do fonoaudiólogo ensinar a criança a ler e escrever, mas podemos trabalhar de forma conjunta com a escola e professores por meio de orientações, grupos de estudo e reflexões sobre o processo de aquisição da leitura e da escrita.


O Diário Online
17/09/2009

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

A Paralisia Infantil foi Erradicada. Saiba o que aconteceu com sobreviventes após 40 anos.

Simpósio realizado entre 24 e 26 de setembro tem como objetivo mobilizar segmentos da sociedade civil, científica e política para a discussão da Síndrome Pós-Poliomielite no Brasil

Entre os dias 24 e 26 de setembro, a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência realiza o V Simpósio Brasileiro de Síndrome Pós-Poliomielite. O evento tem como objetivo mobilizar segmentos da sociedade civil, científica e política para a discussão da Síndrome Pós-Poliomielite no Brasil.

Realizado pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, ABRASPP (Associação Brasileira de Síndrome Pós-Poliomielite) e Unifesp, o Simpósio irá reunir palestrantes como Dra. Linamara Rizzo Battistella, Secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Luiz Baggio Neto, Secretário de Estado adjunto dos Direitos da Pessoa com Deficiência e presidente fundador da Associação e Dr. Frederick M. Maynard Diretor Médico e Diretor Clínico do Departamento de Medicina Física e Reabilitação, MetroHealth Center for Rehabilitation and Faculty, Case Western University de Cleveland - Ohio.

Sobre a Síndrome Pós-Poliomielite

A Síndrome Pós-Póliomielite representa um conjunto de sintomas resultantes dos efeitos tardios da Poliomielite. Cerca de 70% das pessoas que ficaram com seqüelas da paralisia infantil apresentam sintomas como fraqueza muscular, tanto em músculos afetados previamente pela poliomielite como em partes que não foram acometidas; dor nos músculos e articulações; fadiga; intolerância ao frio; dificuldades respiratórias e problemas para dormir. Trata-se de uma condição de saúde ainda pouco conhecida pela Medicina e pelos próprios pacientes que, em inúmeros casos, acabam inexplicavelmente tendo suas atividades extremamente limitadas, em uma fase de plena maturidade e com grandes responsabilidades familiares e profissionais.

As inscrições devem ser feitas diretamente pelo site da ABRASPP, pelo endereço http://www.abraspp.org.br/vsimposio/inscricao.html. A programação completa do Simpósio encontra-se no site http://www.abraspp.org.br/vsimposio/programacao.html.





Ricardo Tanoeiro
Assistente Técnico - Núcleo de Comunicação Institucional
Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência
Governo de São Paulo - www.pessoacomdeficiencia.sp.gov.br

País deve indenizar vítima de remédio.

Governo estuda pagar dano moral aos que nasceram com malformações provocadas pela talidomida.

Todas as gerações de vítimas do medicamento talidomida, que causa malformação nos braços e pernas do bebê caso seja utilizado por gestantes, podem receber indenização por danos morais. Segundo a médica Izabel Maior, responsável pela Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa com Deficiência (Corde), há consenso no governo federal para o pagamento da indenização. O problema, no entanto, é definir de onde deve sair o recurso.

"Todos são favoráveis ao mérito, mas sem dúvida precisaremos sanar a questão orçamentária", diz a coordenadora, que tem o cargo ligado à Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República.

Conforme revelou o Estado ontem, um relatório inédito entregue ao Ministério da Saúde alerta que mais três crianças podem ter sido vítimas do remédio, além de três outros casos conhecidos pela pasta em 2007.

A droga, cuja produção e distribuição está sob controle do governo, é indicada principalmente para reações à hanseníase, mas também tem uso autorizado para lúpus, sintomas da aids e contra alguns tipos de câncer. O Brasil, onde a distribuição do medicamento cresceu 143% desde 2000, é o país com maior utilização do remédio na rede pública em razão de sua vice-liderança em número absoluto de casos de hanseníase. Segundo o relatório, o Nordeste - terceira região com mais casos de hanseníase - foi o que mais registrou malformações em bebês entre 2000 e 2006. Foram 4,8 casos a cada 10 mil nascimentos, superior ao índice da Região Sul (2,17/10 mil).

Sem conhecer o documento, Izabel defendeu maior controle sobre a droga, o que está a cargo do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. "Se existe um grande número de pessoas que se beneficiam, mas também há o risco, é necessário o controle."

Congresso
Na semana passada, a Comissão de Finanças e Tributação da Câmara aprovou projeto do senador Tião Viana (PT-AC) que prevê pensão por danos morais de R$ 50 mil a R$ 400 mil a vítimas da droga. A proposta segue para a Comissão de Constituição e Justiça.

Segundo a coordenadora, a pensão por danos morais é comparável, no mérito, a que foi paga a 3 mil pessoas com hanseníase em razão de terem sido apartadas em colônias para doentes mantidas no passado pelo governo.

Atualmente, por força de lei federal de 1982, as vítimas da talidomida, exceto os novos casos suspeitos, recebem auxílio por danos físicos - de R$ 465 e R$ 1.985. "Esperamos que o pagamento de danos morais às vítimas da talidomida faça história, que se torne um marco na questão de autorizações para a fabricação de novas drogas e uma referência para que os governantes se lembrem da sua responsabilidade perante a saúde pública", escreve Claudia Maximino, presidente da Associação Brasileira de Portadores da Síndrome da Talidomida e vítima da droga, em parecer encaminhado à Corde. Por ordem judicial, o governo pagou indenização por danos morais à segunda geração de vítimas da talidomida, nascida entre os anos 70 e 90.


O Estado de S. Paulo
16/09/2009

Talidomida pode ter feito novas vítimas no Brasil.

Relatório aponta que 3 crianças teriam nascido com malformação decorrente do remédio.

Cinquenta anos após os primeiros registros de nascimentos de bebês no Brasil com malformações causadas pela talidomida, um relatório inédito alerta que mais três crianças podem ter sido vítimas do remédio.

As informações são de uma pesquisa feita a pedido do Ministério da Saúde e concluída no fim de 2008. Foram cerca de 15 mil vítimas da talidomida no mundo entre o fim dos anos 50 e o início dos 60, quando o medicamento era usado contra enjoos da gestação. O episódio foi considerado a maior tragédia pelo uso de um fármaco.

As famílias de duas das crianças, nascidas na Paraíba, foram localizadas pelo Estado no fim de agosto e até então não tinham sido contatadas pelas autoridades sanitárias para mais investigações. O terceiro bebê é do Rio. Os pais negam ou não sabem dizer se usaram a talidomida e não têm doenças que justificariam o uso da droga . "Tanto pode ter acontecido e eu não lembrar (do uso), como pode ter outra causa", diz a professora Sueny Lopes dos Santos, de 31 anos, mãe de Ana Clara. A menina tem os braços encurtados e as mãos malformadas.

A distribuição do remédio no Brasil, hoje utilizado principalmente contra reações causadas pela hanseníase, cresceu 144% desde 2000 - 6,8 milhões de comprimidos foram distribuídos no ano passado. Há ainda uma tentativa de autorizar no País um remédio análogo, que também pode trazer riscos. "Um nascimento (com malformação) é uma tragédia, tem de ser zero", diz Lavínia Schüller-Faccini, professora do Departamento de Genética da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e uma das autoras do relatório, elaborado em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). "Não dá para aumentar a quantidade de uso enquanto não tivermos certeza de que é seguro. Os EUA estão há dez anos sem um caso."

No Brasil, a produção, distribuição e controle da talidomida estão sob responsabilidade do governo. O País tem a maior utilização em serviços públicos do medicamento por causa da vice-liderança em número de casos de hanseníase no mundo. A Organização Mundial da Saúde defende que a talidomida, por seus riscos, não seja a escolha de tratamento para reações à doença. A droga é também liberada no País para pacientes com aids, lúpus e para combate de alguns tipos de câncer.

Antes do relatório da UFRGS e da Fiocruz, três outros casos de bebês vítimas da talidomida, um de gêmeos, apareceram em 2007, no Maranhão, Rondônia e Rio Grande do Sul. O ministério então encomendou o relatório e renovou as promessas de controle da droga. "Achávamos que aquela era a ponta do iceberg", diz Lavínia. Além desses casos e do primeiro grupo de vítimas, o País já havia registrado uma segunda geração, entre os anos 70 e 90, após o início do uso do remédio contra a hanseníase.

Abortivos
Em 2003, uma lei federal determinou prescrição controlada do remédio. Também previu campanhas de esclarecimento da população, o que ainda não ocorreu. Dois anos depois, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) lançou consulta pública para regulamentar o controle, mas ela ainda não resultou em uma norma.

Especialistas têm alertado sobre suspeitas de que a talidomida esteja sendo utilizada indevidamente para tentativas de abortos clandestinos. Isso porque, até pouco tempo atrás, a embalagem do fármaco trazia um desenho de uma barriga de uma grávida com uma tarja, o que poderia levar ao entendimento errado de que ele era abortivo. O desenho foi retirado da embalagem, que hoje tem lembrete de que a droga não provoca aborto, informou a Fundação Nacional Ezequiel Dias, responsável pela produção da talidomida no País.

"A gente não pode proibir a droga. Se bem usada, ela evita que pessoas com hanseníase fiquem com deficiências físicas. E o contraditório é que, se mal usada, na gravidez, ela causa deficiências. A talidomida é como um carro. Se bem utilizado traz benefício. Mas se atropela e mata é uma arma", opina Artur Custódio, do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase .

A pediatra Maria Auxiliadora Villar, médica que atende o caso suspeito no Rio, acredita que esses três últimos registros com indicativos da síndrome da talidomida são de difícil esclarecimento, já que as mães não informam o uso da droga quando questionadas. A mãe do menino tinha parentes com lúpus, mas negou compartilhar remédios. "Não havia evidência de outras síndromes". A investigação ainda não foi concluída.

Procurado durante uma semana, o secretário de Vigilância em Saúde, o dermatologista Gerson Penna, que tem trabalhos científicos sobre talidomida, não concedeu entrevista. Por meio da assessoria, informou que está analisando o relatório. O diretor-presidente da Anvisa, Dirceu de Mello, atribui os casos recentes a falhas dos profissionais de saúde.

Segundo o relatório, o Nordeste - terceira região com mais casos de hanseníase - foi o que mais registrou malformações em bebês entre 2000 e 2006. Foram 4,8 casos a cada 10 mil nascimentos, superior ao índice da Região Sul (2,17/10 mil). Os números não consideram dados de hospitais de referência do Sudeste, que têm alto índice de casos. Os dados do Norte e do Centro-Oeste, com maior número de casos da hanseníase, foram insuficientes para conclusões. O monitoramento foi feito com uma amostra de nascimentos de 33 hospitais integrantes do Estudo Colaborativo Latino-Americano de Malformações Congênitas. Respondem por 3% dos nascimentos no País. O trabalho enfatiza ainda que a frequência de registros de redução de membros (malformações) entre 2000 e 2006 no País também foi superior à do resto do continente. "A descoberta de três casos compatíveis com essa síndrome (da talidomida) após o conhecimento público dos três casos dos últimos anos é mais um alarme para a saúde pública, embora não exista uma comprovação formal", conclui.



O Estado de S. Paulo
16/09/2009

União vai reconhecer visão monocular como deficiência em concursos.

Com isso pessoas com visão monocular entrariam no sistema de cotas em concursos.

A AGU (Advocacia-Geral da União) publicou nesta terça (15), no Diário Oficial da União, súmula que diz que a pessoa com visão monocular (capacidade de visão em apenas um dos olhos) tem direito a concorrer à reserva de vaga em concurso público. A determinação é válida para toda a Administração Pública. A AGU representa a União, judicial e extrajudicialmente.

Com a súmula, a AGU deixará de recorrer em processos do tipo e desistirá dos processos já em andamento - por exemplo, as pessoas com esse tipo de deficiência que tomaram posse em concursos públicos por meio de liminar terão os casos resolvidos, pois a União não irá mais recorrer.

Além disso, como os editais de concursos públicos da União costumam passar por órgãos jurídicos, a tendência é que essa deficiência já seja aceita nas cotas para deficientes nas próximas seleções.

O texto diz que "os benefícios inerentes à Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência devem ser estendidos ao portador de visão monocular, que possui direito de concorrer, em concurso público, à vaga reservada aos deficientes".

A decisão foi baseada em julgamentos precedentes no STJ (Superior Tribunal de Justiça) e STF (Supremo Tribunal Federal) -- casos em que a União, que não aceitava o enquadramento desse tipo de limitação nas cotas, perdeu.



UOL Notícias
16/09/2009

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Mães, acima de tudo.

Em relatos emocionantes, mulheres contam como superaram todo o tipo de dificuldade e conseguiram realizar o sonho de ter filhos.

Contra diagnósticos médicos e estatísticas, e para a surpresa da sociedade em geral, Maria Gabriela, Ana Claudia, Raquel e Márcia vivem o sonho da maternidade. Estas quatro mulheres, portadoras de diferentes necessidades especiais, tiveram filhos perfeitamente saudáveis e superaram dificuldades. Mas não são as únicas. No País inteiro, milhares de mães brasileiras lutam, a cada novo dia, para enfrentar toda classe de obstáculos, seja com filhos que precisam de maiores cuidados, seja ao ter que administrar uma família muito numerosa. “Ser mãe não é fácil. Você deixa de viver sua vida em função dos filhos. Mesmo assim, é maravilhoso. Eu amo, brigo, sinto orgulho, reclamo, mas faço tudo com carinho”, resume a funcionária pública Neusa Maria de Almeida, de 55 anos, que criou, sozinha, durante anos, dois filhos, um deles com epilepsia. Hoje, ela também cuida do caçula, Bruno, de 15 anos, portador de síndrome de Down.

A síndrome, aliás, é o ponto central de uma história rara de maternidade. O caso de Maria Gabriela Andrade de Mate, de 28 anos, que também possui Down, é talvez o único do Brasil de que se tenha notícias. “Quando eu era pequena, brincava muito de boneca, e hoje tenho uma filha de verdade, que cuido com todo o carinho”, conta Maria Gabriela, que, quando descobriu a gravidez, já estava com 5 meses.

De acordo com um dos mais famosos geneticistas brasileiros, o professor da Universidade de Campinas (Unicamp) Walter Pinto Júnior, que acompanhou o caso de Maria Gabriela, há apenas 50 registros no mundo de portadoras de síndrome de Down que engravidaram e tiveram filhos. “O homem com a síndrome é estéril, já a mulher pode ter filhos, e tem apenas 16% de chances de ter uma criança com a síndrome. Então, na maioria dos casos, quando nascem, os filhos são normais”, explica o médico.

Casada com Fábio Marchete de Moraes, de 29 anos, que tem uma deficiência intelectual devido à falta de oxigenação no cérebro quando nasceu, Maria Gabriela deu à luz Valentina, hoje com 1 ano, que nasceu linda, saudável, perfeitamente normal e é cuidada com todo zêlo. “Estou feliz. A Valentina é minha boneca. Cuido dela com todo carinho”, diz Maria Gabriela. No dia do parto, ela acordou e achou que havia urinado na cama, quando, na verdade, a bolsa tinha estourado. Sem alarde, almoçou com a família, repetiu o prato e, quando levantou da mesa, percebeu que estava em trabalho de parto. “No final ela me disse: mãe, não doeu nada, estou com fome”, conta Laurinda Ferreira de Andrade, de 52 anos, avó de Valentina.

Questão de altura
Também portadora de uma doença genética, a acondroplasia, um dos tipos mais comuns de nanismo, Raquel Santos de Vasconcelos Lima, de 30 anos e com 1,20 metro de altura, teve Samira Lima há 2 anos. Casada com Gideão da Silva Lima, que mede 1,25 m, ela hoje tem dificuldades para carregar a menina, que nasceu sem a alteração genética. “Os médicos diziam que era perigoso eu engravidar, mas Samira nasceu perfeita. Ela será a maior da família”, diz Raquel.“Os portadores de nanismo têm os órgãos internos normais, mas a gravidez deve ser estudada caso a caso. As chances de ter um filho portador dependem de uma avaliação genética. Em geral, todo mundo pode ter um filho com nanismo, o que pode ocorrer devido a uma mutação genética”, explica o ortopedista João Thomazzelli, especializado em acondroplasia. Ele diz, ainda, que um casal de anões tem 50% de chances de ter um filho com nanismo.

Diferentemente das doenças genéticas acima citadas, a auxiliar administrativa Márcia Coimbra, de 37 anos, teve poliomielite (paralisia infantil). Infecção altamente contagiosa, causada por um vírus, a doença ataca as células nervosas do cérebro e da espinha, ocasionando paralisia. A poliomielite pode ser evitada com a vacinação, que é disponibilizada gratuitamente em todo o País. “Na época, não havia vacinação obrigatória. Muitas crianças morreram no interior do Maranhão, onde eu morava”, conta Márcia. Depois de usar aparelhos ortopédicos, ela conseguiu andar aos 4 anos e, quando adulta, os médicos disseram que ela não poderia engravidar. “Minha médica disse que meus ovários eram pequenos, um atrofiado, e que seria difícil. Acabei engravidando e tudo correu bem”, diz.

“A pessoa com poliomielite pode engravidar. A doença pode afetar os ossos da bacia, que não se desenvolvem normalmente, mas a gravidez deverá ter mais cuidados”, afirma o ortopedista Fernando Farcetta Júnior, chefe do grupo de poliomielite da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD).

Apoio total
Por muito tempo, a deficiência visual de Ana Claudia Domingues, de 39 anos, foi tratada como miopia, mas, na verdade, a professora tinha retinose pigmentar, uma doença degenerativa na retina, que pode levar à cegueira. Enquanto os anos passavam, a doença evoluía, e o campo visual de Ana Claudia ficava cada vez mais restrito. Mesmo assim, ela tornou-se professora, casou e engravidou. “Durante a gravidez, tive uma piora na visão. Comecei a me acidentar, mas fui bastante resistente para assumir que era deficiente.”

Ana Claudia conta que a filha sempre a ajudou muito. “Até nas coisas mais simples ela colabora. Se vamos à feira, ela lê os preços e ajuda nas compras. Ela até se interessa pelo braile enquanto estudo”, conta a mãe, orgulhosa.

De acordo com a oftalmologista e geneticista Juliana Sallum, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), não é porque os pais têm essa doença que um filho irá ter. “Um casal sem a doença pode ter um filho com retinose se os dois tiverem essa carga genética. Um casal em que mãe ou o pai tem a doença tem 50% de chance de ter um filho portador. Mas nem todo mundo que herda o gene desenvolve a patologia”, explica. A oftalmologista conta também que são comuns casos em que os filhos amadurecem antes da hora por causa da deficiência dos pais. “Os filhos desenvolvem a maturidade sem se dar conta de que é uma necessidade”, diz.

Assim aconteceu com a filha de Ana Claudia, Ana Beatriz Domingues, de 5 anos, que aprendeu a ler muito antes das colegas de escola, por conta própria.

“Ela é meu porto seguro. Quando perdi o pouco que tinha de visão, entrei em depressão aguda, mas minha filha não me deixou ir para o fundo do poço.”

O amadurecimento também chegou cedo para Camila Magalhães Lima Mutzenbecher, vítima de uma bala perdida que a deixou paraplégica. A mãe dela, Ana Lúcia Magalhães, porém, nunca a deixou desanimar. Ao ver a filha imobilizada, assumiu o compromisso de ficar 24 horas ao lado dela e a viver em função e à disposição na luta por uma recuperação. “Minha filha foi mutilada pela falta de segurança. Camila precisa de tratamento e ele não pode parar nunca”, diz.



Folha Universal
15/09/2009

Cidade do Piauí com maior número de deficientes do Brasil ganha projeto.

Cidade de São Gonçalo do Piauí destaca-se no ranking nacional por apresentar o maior percentual de pessoas com deficiência no Brasil, cerca de 33,4%
A cidade de São Gonçalo do Piauí desataca-se no ranking nacional por apresentar o maior percentual de pessoas com deficiência no Brasil. Com uma população de 4.249 habitantes cerca de 1.420 possuem algum tipo de deficiência correspondendo a 33,42% da população. Desse universo de 1.420 deficientes há pessoas com duas ou mais deficiências. Por isso foi escolhida pela Secretária da Inclusão da Pessoa com Deficiência – SEID, em parceria com Ministério das Cidades, para implantação de um projeto de acessibilidade arquitetônica que será inaugurado neste sábado (12) à tarde com a presença do governador Wellington Dias e da secretária para Inclusão da Pessoa com Deficiência, Rejane Dias.

Independência, mobilidade com segurança, acessibilidade. Essas são algumas das conquistas das pessoas com deficiência de São Gonçalo. “Antes eu só podia ficar em casa não podia andar na rua, agora podemos andar de um local para o outro com mais segurança e sem precisar ficar tão dependente dos outros e sem o risco de levar quedas” declarou Antonio Ferreira da Silva, 63 anos, aposentado e deficiente visual. Seu Antonio é um dos beneficiados com o projeto do Governo do estado através da Seid, secretaria de infra-estrutura e município são os responsáveis pelo projeto que recebeu um investimento no valor de R$ 160 mil.

Para a secretária Rejane Dias a acessibilidade de São Gonçalo é uma das formas de assegurar a inclusão social das pessoas com deficiência daquele município. “Isso permite o direito de ir e vir, da pessoa com deficiência poder ter acesso à escola, aos serviços de saúde, enfim ter uma vida social”, explica a secretária. O governador Wellington Dias frisa que esse projeto de acessibilidade em São Gonçalo é resultado de mais uma parceria do Governo Federal. “Graças a esse trabalho conjunto o Piauí dá os primeiros passos rumo à inclusão da pessoa com deficiência, seja no quesito acessibilidade, seja no quesito saúde, por exemplo, com a implantação da Rede Estadual de Reabilitação”, diz o governador.

A proposta do projeto é oferecer acessibilidade para pessoas com restrição de mobilidade e necessidades especiais. Durante a execução do projeto as barreiras arquitetônicas, urbanística e de comunicação que dificultavam o acesso e a comunicação do usuário com o ambiente foram removidas. E foi construído um ambiente que garante uma ampla forma de acesso, permanência e circulação da população às vias e espaços públicos tornando assim a cidade acessível a todos os cidadãos.

Prefeito: “O número de pessoas nas salas de aula aumentou depois do projeto”

“Esse projeto é de grande relevância porque veio favorecer pessoas que estavam esquecidas. Estamos trabalhando junto com o estado para oferecer um atendimento melhor para essas pessoas e o resultado já é bem perceptível, prova maior é na própria educação. Depois desse trabalho que realizamos o número das pessoas nas salas de aula aumentou significativamente e hoje essas pessoas estão sentindo que existe uma preocupação com o bem estar delas” disse o prefeito Pedro Ferreira da Silva.

A acessibilidade nas vias principais da cidade de São Gonçalo proporcionou algumas transformações como a ampliação do número de matrículas de pessoas com deficiência. “O número de alunos aumentou, a gente vê o interesse deles em aprender. Os pais dos alunos também gostaram muito do que foi modificado, por que dá oportunidade para cada tipo de aluno e nos permite envolver todas as crianças na educação. Agora no feriado, todas as crianças participaram do desfile do sete de setembro, as que andavam marcharam e as que não podiam também desfilaram em carros de apoio. Foi uma grande satisfação ver todos envolvidos na mesma atividade, era notável a alegria nos rostos de pais e alunos”.

Em que consiste o projeto
O projeto implantou em parte do município rampas de passeio, construção de uma passarela nos dois lados da via com piso táctil de alerta e direcional facilitando não só para cadeirantes, mas também para deficientes visuais ,construção de banheiros adequados nos órgãos públicos,construção de meio-fio, calçadas proporcionando a acessibilidade das pessoas com deficiência na área urbana.

Também foi construída uma praça de passeio, criando divisão central na avenida, implantação de lixeiras nas principais vias da cidade e foi implantado o sistema de energia solar. Foi aproveitado o que tem mais nesta região que é a energia solar. Todos os postes da avenida principal são postes autônomos, implantados com o novo sistema de iluminação á base de luz solar garantindo economia para o município.

Para a estudante cadeirante, Carol Sabrina da Conceição o projeto facilitou a locomoção na escola e na sala de aula. “Era difícil vir para escola agora com as rampas e os banheiros não preciso mais tanto da ajuda das professoras. Agora tenho segurança em fazer coisas que antes não conseguia fazer sozinha, antes eu não ia ao banheiro e gora vou sem medo gostei muito dessa mudança”.

Os familiares das pessoas com necessidades especiais também aprovaram o novo projeto, segundo Francisca Barbosa Soares familiar de uma cadeirante, a iniciativa possibilitou fazer atividades que antes não eram tão fáceis de realizar. “Antes andar com minha sogra era muito ruim, agora está bem mais fácil o deslocamento com a cadeira de rodas. Levo pra missa e para o posto de saúde, tudo isso foi melhorado e tem facilitado muito a nossa vida”, explica.



TC Canal 13
Piauí, 15/09/2009

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Não há duas crianças iguais.

Traduzido do pacote de recursos educacionais da UNESCO (UNESCO Teacher Education Resource Pack) com o título "Understanding and responding to children's needs in inclusive classrooms".

Todos nós sabemos que uma coisa é existir em determinado país o modelo educacional Educação Inclusiva, e outra é a capacitação dos professores para lidarem com eficiência com alunos com deficiências variadas em suas classes. Não é incomum no Brasil que alguns, ou infelizmente um bom número de professores mesmo não recusando, oficialmente, a presença de alunos com alguma limitação em sua sala de aula, simplesmente ignoram essas crianças, que passam a ter uma presença meramente física no ambiente escolar. Nem precisaríamos dizer que isso contraria, formalmente, toda a bela filosofia que envolve a educação inclusiva PARA TODOS, que é bonita simplesmente aludindo a ela mas, na prática, exige uma harmonia proveitosa entre todos os atores, os professores, os auxiliares de sala de aula quando existem, a família, e os profissionais ou voluntários de serviços de psicologia, fono-audiologia, terapia ocupacional e outros, cujos conhecimentos são essenciais para o desenvolvimento de crianças com deficiências em todos os seus aspectos, com cuja colaboração os professores têm de constantemente contar.

Há anos que a UNESCO, através de seus famosos pacotes educacionais para professores, vem introduzindo nova reflexão sobre educação de necessidades especiais, examinando as deficiências e dificuldades de aprendizado do ponto de vista da interação entre o aluno e o ambiente, pondo de lado o conceito médico das deficiências e dificuldades de aprendizado. O Pacote promove abordagens participativas a aprendizado e ensino, encorajando alunos e professores a trabalharem em colaboração, assim como convida as escolas a que abram as portas à participação comunitária.

Estamos aproveitando a extraordinária experiência da UNESCO, e as metas que estabeleceu, para abordarmos de maneira simples, com um olhar de mãe de pessoa com deficiência intelectual, para essa riquíssima fonte de ensinamentos que pode e de fato ajuda professores de mais de 80 países.

Você poderia ter escrito: algumas crianças gostam de esportes, outras não; algumas são boas cantoras, outras não; algumas crianças lêem bem, outras não; algumas são levadas, outras não. A lista pode ser infindável. Como dissemos no começo: Não existem duas crianças iguais, mas existem outras diferenças que você pode não ter mencionado.

Limitações (Impairments)
Algumas crianças nascem com limitações, por exemplo, olhos que não enxergam bem; braços e pernas que são deformados, ou um cérebro que não está desenvolvendo da maneira típica. Algumas crianças podem adquirir limitações depois de doenças infantis como sarampo e malaria cerebral ou como resultado de acidentes tais como queimaduras e tombos graves. Com freqüência tais crianças são chamadas "deficientes" (disabled) ou "lesadas" (handicapped).

Observação: a questão da tradução de termos estrangeiros é delicada, pode-se sempre repensar o modo de nos referimos a esse tipo de limitação.

Privações
O crescimento e o desenvolvimento de algumas crianças podem ficar limitados em razão de que o ambiente em que vivem é nocivo para elas, ou não dá sustentação ao seu bem estar. Essas crianças podem não ingerir alimento suficiente ou terem uma boa dieta; podem morar em casas de qualidade inferior e ficam sujeitas a doenças; podem receber maus tratos físicos, seus pais podem ter se separado; podem ser refugiadas ou sobreviventes de guerras.

Algumas vezes essas crianças vivem nas ruas. Elas podem sofrer de abuso de drogas.

Nossa pergunta é:

Vocês têm crianças como essas em sua classe ou escola?
Resposta: NÃO.

Em muitos países essas crianças não freqüentam escola. Várias razões são dadas para isso:

- As famílias não sabem que seu filho tem direito à educação ou elas preferem gastar o dinheiro que é pouco nos outros filhos.

- A escola não consegue lidar com crianças que têm necessidades adicionais e as crianças não recebem autorização para serem matriculadas.

- As crianças chegam até a escola mas logo a abandonam.

- Essas crianças, então, freqüentam escolas especiais.

Existem outras razões para você pensar?
SIM

Ao redor do mundo, mais crianças que vêm de lares com privações ou que têm deficiências estão freqüentando as pré-escolas locais, escolas primárias ou secundárias, Na verdade, a maioria dos países tem leis que declaram que TODAS as crianças devem ser educadas.

- Todas as crianças são capazes de aprender mas se não freqüentarem a escola suas oportunidades de aprender ficam muito reduzidas.

- Todas as crianças têm o direito de aprender com seus pares nas escolas locais.

- Muitas crianças têm de enfrentar problemas em alguma época de suas vidas. Alguns problemas vão embora logo, porém outros exigem ajuda contínua.

- Um número maior de escolas especiais não é a solução. Essas escolas frequentemente ficam longe do lar das crianças e separam as crianças de seus pares.

Como vemos, todos nós, pais de pessoas com deficiência intelectual, ou outra deficiência, não precisamos ou devemos ser coagidos a pensar de forma categórica, inflexível, que a educação inclusiva é a única solução para as limitações de nossos filhos.

O mundo caminha para um futuro inclusivo e nós, pertencentes há muitos anos à liderança das APAEs no Brasil temos, ao contrário do que alguns pensam, plena noção de que devemos caminhar para uma educação inclusiva de nossos filhos; mas educação de verdade, não apenas para "cumprir uma lei, digamos" e sim que capacite de fato os professores de sala de aula a receber com amor alunos com deficiências e entre elas destacamos a intelectual, recebendo apoio das autoridades educacionais para que na imprescindível necessidade que a criança tem do trabalho de um fono-audiólogo ou de um psicólogo, ou de um profissional de mente aberta que deseje ajudar a criança com limitações, o professor ou professora, e a família angustiada, não tenham de esperar um ou dois anos para que serviços dessa ordem, mantidos pelo Estado, atendam essas crianças.

Quando esse tipo de ajuda às famílias, e principalmente a nossas crianças se tornar verdadeiro, então haverá harmonia entre os defensores desta ou daquela modalidade de ensino. Mas que haja respeito, que haja recursos financeiros para dar a nossos filhos com deficiência o tratamento digno que devem receber, de acordo com os artigos da Convenção das Nações Unidas sobre Direitos das Pessoas com Deficiências.


Comentário SACI: Traduzido do inglês e adaptado ao português, estratégias para professores em salas de aula inclusivas. Digitado em São Paulo por Maria Amélia Vampré Xavier, da Rede de Informações Área Deficiência e Projeto Futuridade, Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo, Fenapaes, Brasília (Diretoria para Assuntos Internacionais), Rebrates, SP, Carpe Diem, SP, Sorri Brasil, SP, Inclusion InterAmericana e Inclusion International , em 11 de setembro, 2009.


Rede Saci
14/09/2009

Viação Progresso investe na acessibilidade de cadeirantes e compra nove ônibus.

De acordo com secretário municipal, empresas têm prazo para se adequar às exigências federais.

Na manhã de ontem (9), enquanto a cidade se preparava para a nona edição da Centro Sul Negócios, a Viação Progresso festejava um grande feito: a aquisição de nove veículos que vão possibilitar o transporte de cadeirantes.

Em clima de festa, os diretores Marco Aurélio e André Soares, recepcionaram os convidados para um agradável café-da-manhã. Dentre os convidados estavam: o secretário municipal do Idoso e da Pessoa com Deficiência, doutor William Machado; o prefeito de Três Rios, Vinícius Farah e o vice-prefeito, José Ricardo.

“É uma atitude pioneira na região e acreditamos que vai melhorar o atendimento aos passageiros que contam com os serviços prestados pela Viação Progresso. É com muito orgulho e honra que investimentos nestes ônibus que serão um marco na vida da empresa”, defendeu Marco Aurélio.

Militante dos direitos dos deficientes físicos e idosos há mais de 10 anos, o secretário municipal do Idoso e da Pessoa com Deficiência também defendeu a iniciativa. Segundo ele, o município tem aproximadamente 14 mil deficientes, sendo aproximadamente três mil cadeirantes. “Não vemos estas pessoas na rua, porque a locomoção é difícil, mas iniciativas como esta vão facilitar a vida dos cadeirantes e tornar a vida melhor”, justificou o doutor.
Já o prefeito Vinícius Farah, muito satisfeito com os resultados obtidos no Planeta Vida, apoiou a aquisição pioneira da empresa e se estendeu: “Hoje o município oferece condições dignas de vida para o cidadão deficiente, seja de qual natureza for. Parabenizo a atitude de vocês, gestores e colaboradores da Viação Progresso”, disse o prefeito.

De acordo com informações do secretário William Machado, a partir de dezembro deste ano, todos os ônibus novos terão que sair de fábrica com a plataforma de acessibilidade aos cadeirantes. A frota deve ser trocada até 2014. “É importante destacar que expirado o prazo, os empresários terão que realizar esta troca ou adaptação numa empresa especialidade. O que não pode é o passageiro deficiente ter o atendimento comprometido porque a empresa não respeitou a lei. E isto é uma exigência para os ônibus que fazem as linhas municipalou rodoviária”, explicou.

Os novos carros adquiridos pela empresa trirriense começarão a operar neste sábado (5), fazendo as linhas: Três Rios x Paraíba do Sul, Três Rios x Posse, Vassouras x Barra do Piraí, Vassouras x Paracambi e São José do Vale do Rio Preto x Areal.

E, no fim do mês inauguram as linhas: Além Paraíba x Pirapetinga, Além Paraíba x Miracema, Além Paraíba x Petrópolis, Além Paraíba x Leopoldina e Além Paraíba x Muriaé.


Jornal Entre Rios
Três Rios - RJ, 14/09/2009