sábado, 3 de outubro de 2009

Companhia une pessoas com e sem deficiência em apresentações.

A companhia de dança britânica CandoCo chega hoje a São Paulo com uma proposta de integração: dos sete bailarinos do grupo, três têm algum tipo de deficiência. Criada em 1991, a companhia é uma das pioneiras no mundo a ter integrantes com e sem deficiência. Haverá workshop, palestras e a apresentação de dois espetáculos.
Uma apresentação, no dia 9, será gratuita e voltada para instituições e ONGs que atendem pessoas com deficiência - a lotação já está esgotada. Haverá sistemas de áudio-descrição (para os deficientes visuais) e tradução para libras (para os deficientes auditivos).

Para a outra apresentação, nos dias 7 e 8 no teatro Alfa e aberta ao público, ainda há ingressos, por R$ 30 e R$ 60. “O mundo é integrado. O trabalho fica mais legal quando todo mundo trabalha junto, não precisa ser uma coisa de gueto, que exclua’’, afirma Pedro Machado, um dos diretores artísticos da CandoCo.

Filho da escritora Ana Maria Machado, o brasileiro mora na Inglaterra há 18 anos e está na companhia desde 1998. Ele diz que o compromisso do grupo é com a qualidade e que já tiveram bailarinos com vários tipos de deficiência: cadeirantes, surdos, uma moça com paralisia cerebral.

O tema de uma das apresentações é sugestivo: “The Perfect Human”, o humano perfeito, coreografado pelo israelense Hofesh Shechter. “O título é irônico. Não existe ser humano perfeito, mas talvez essa seja nossa expectativa”, diz Machado.

Segundo ele, o espetáculo é “cheio de movimento, bastante físico e ligeiramente pesado”. A outra apresentação se chama “Still” e é classificada por seu coreógrafo, Nigel Charnok, como “uma peça caótica, excitante e engraçada sobre amor e perda”.

O grupo fará um workshop hoje e amanhã no Centro Cultural São Paulo para o qual não há mais vagas. Na terça, dará as palestras o “Processo criativo da Cia”, no mesmo local e “Encontro de Improvisação’’, abertos ao público e gratuitos.


Flávia Mantovani/ Folhapress - São Paulo

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Projeto Esporte adaptado já está em desenvolvimento.

Modalidades como tênis de mesa, jogos de tabuleiro e alongamentos já estão ganhando força.

A prefeitura de Montes Claros lançou, recentemente, o projeto Esporte adaptado, que tem a parceria da secretaria da Juventude, Esporte e Lazer, Ademoc - Associação dos Deficientes de Montes Claros e Sesc - Serviço Social do Comércio. As atividades têm o apoio do MCTC, Unimontes, Escolas Especiais, Asmoc - Associação dos Surdos de Montes Claros e Adevimontes - Associação dos deficientes visuais de Montes Claros.

"O projeto tem como objetivo garantir espaço e implantar, em Montes Claros, um centro esportivo de referência, para promover atividades adaptadas, incluindo todas as pessoas com deficiência na prática esportiva", disse o coordenador do projeto e professor, Wesley Mendonça.

Atualmente o projeto possui dois núcleos, no MCTC e Ademoc, mas a intenção é ampliar para a Unimontes. No MCTC, acontece jogos de futsal, às terças e quintas-feiras, das 19 às 21 horas e a natação, para alunos de 7 a 17 anos, incluídos no projeto Natação Social Correios, todas às segundas, quartas e sextas-feiras, matutino e vespertino. Na Ademoc, são realizadas as modalidades de tênis de mesa, xadrez, dominó, dama e baralho, além de alongamentos, todas as sextas-feiras, das 8h às 11h30. A intenção é implantar, também, as modalidades de atletismo, na Unimontes, e vôlei sentado, no MCTC.

O professor Wesley Mendonça diz que a população montes-clarense e as autoridades estão valorizando os deficientes físicos. Lembra que este ano já foi realizado o seminário de esporte adaptado, com o tema Uma possibilidade a mais e entende que o grande problema, hoje em dia, dos deficientes físicos, é o transporte.

"Criamos primeiro as modalidades individuais, com exceção do futsal, para depois implantar as modalidades coletivas, devido a dificuldade para se locomoverem. A nossa intenção é batalhar para conseguir recursos e viabilizar a compra de um carro que possa transportar os atletas deficientes", afirmou diz Wesley Mendonça.

O professor salienta, ainda, que os atletas deficientes vão participar de vários eventos esportivos como a copa Inter TV, paraolimpíadas de Montes Claros e o campeonato mineiro de futsal para surdos, entre outros.



O Norte de Minas
01/10/2009

Estatuto da Pessoa com Deficiência discutido em Brasília.

Nos dias 07 e 08 de outubro, o Senado Federal será palco de debates entre a sociedade civil, organizações não governamentais e governo a cerca do Estatuto da PCD
O Brasil conta, segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com 24,5 milhões de pessoas com deficiência (PCD). Isso representa uma população equivalente à da Austrália ou da Malásia; ou duas vezes a população de Portugal ou do Chile, explica autora de livro sobre o tema, Cláudia Matarazzo, em sua obra. Para dar maior fluidez dessas pessoas ao mercado de trabalho, à saúde e educação, o Brasil possui legislação específica. Uma das propostas do Congresso Nacional é a criação do Estatuto da Pessoa com Deficiência, projeto de autoria do hoje senador Paulo Paim, à época, deputado federal.

Porém, um grupo se posiciona favorável, outro contrário, ambos com motivos específicos. Para dar maior transparência social, seguindo determinação da Política de Comunicação Social do Estado Brasileiro, a Coordenadoria Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência – Corde – e o Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência (Conade), em parceria com os Conselhos Estaduais de Defesa dos Direitos das PCDs, realizam cinco debates pelo País neste mês de outubro. São debates com as regiões norte, nordeste, sul, sudeste e centro-oeste. Aqui na região centro-oeste a série de debates é fruto de parceria entre o programa Senado Inclusivo, do Senado Federal, e a Coordenadoria para Inclusão da Pessoa com Deficiência do DF (Corde-DF).

De acordo com Fernando Cotta, coordenador da Corde-DF, “o objetivo dos encontros regionais é debater e recolher subsídios da sociedade para construção de proposta de texto substitutivo a ser apresentado ao Congresso Nacional em 2009, de acordo com a moção 34, aprovada na Segunda Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, realizada em dezembro de 20083.

Os jornalistas que desejarem cobrir o evento e não tiverem credenciamento no Senado Federal devem procurar a Corde-DF pelo telefone (61) 3905 – 1390. Em Brasília, os debates sobre o Estatuto da PCD ocorrerrão dias 07 e 08 de outubro, a partir das 9h, no Senado Federal. A bertura oficial e o encerramento do evento realizar-se-ão no Auditório Petrônio Portella, e os debates entre os grupos de estudo, em salas do Instituto Legislativo Brasileiro (ILB), anexo ao Senado Federal. As inscrições devem ser feitas pelos Estados da Região Centro-Oeste até dia 05/10, via e-mail, pelo estatutocordedf@gmail.com.

Informações : (61) 3905 – 1390



Agência Inclusive
01/10/2009

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Em entrevista, Lula diz que governo abre caminho para a educação inclusiva.

Presidente comenta implementação do Atendimento Educacional Especializado no âmbito das escolas regulares e destinação de verbas para as escolas que investirem na inclusão de alunos com deficiência
Na coluna “O Presidente Responde”, o presidente Lula comenta sobre a decisão do Ministro da Educação em homologar a Resolução do Conselho Nacional de Educação que trata da implementação do Atendimento Educacional Especializado no âmbito das escolas regulares e da destinação de verbas para as escolas que investirem na promoção da inclusão de alunos com deficiência em suas classes.

“Marlene Ortolani dos Anjos, 48 anos, dona de casa de Mandaguaçu (PR) - Por que o Conselho Nacional de Educação quer extinguir as escolas de educação especial, obrigando nós, pais, a matricular nossos filhos em escolas comuns? A maioria dessas crianças é totalmente dependente: remédios, fraldas, locomoção, etc.

Presidente Lula – O ministro Fernando Haddad rejeitou de pronto o parecer do Conselho Nacional de Educação que tornava obrigatória a matrícula em escolas comuns de alunos com necessidades especiais. Pelo novo parecer, a partir do ano que vem esses alunos passam a ter o direito, e não a obrigação, de se matricularem em escolas do ensino regular. Todas as escolas terão que fazer adaptações para oferecer atendimento especializado. Os recursos para as adaptações e abertura de classes especiais sairão do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Será a abertura de caminho para a educação inclusiva, em que alunos com necessidades especiais terão a oportunidade de participar dos espaços comuns de aprendizagem. Trata-se da implementação do art. 208, da Constituição Federal, que determina o ensino fundamental obrigatório e gratuito e o atendimento educacional especializado às pessoas com deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino.”



Agência Inclusive
30/09/2009

Doença silenciosa pode causar cegueira e já atinge 30 milhões de pessoas.

É a chamada Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI).

A doença é silenciosa e pode causar cegueira se não for tratada a tempo. A Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) não é tão conhecida como o glaucoma, a catarata ou o diabetes, mas é atualmente umas das principais causas de cegueira relacionada ao envelhecimento.

Estima-se que 30 milhões de pessoas sofram de DMRI em todo mundo. Uma média de 25% das pessoas acima de 75 anos ficam cegas devido à falta de tratamento adequado. Vários deles apenas impediam que a doença avançasse, mas hoje já existem tratamentos que conseguem recuperar a visão do paciente.

A médica oftalmologista Mônica Rossi, mestre em Retina e Vítreo pela Escola Paulista de Medicina, explica que a doença afeta a mácula, uma parte da retina localizada na parte posterior dos olhos, responsável pela nitidez no centro do campo de visão. "As células dos olhos produzem detritos que se não forem excretados originam depósitos e o desenvolvimento de vasos sanguíneos fracos em seu entorno, danificando a mácula e prejudicando a visão central", conta.

Segundo ela, poucas são as doenças oftalmológicas que exigem tratamento urgente e a degeneração da mácula é uma delas. "Quando o sintoma aparece geralmente é acompanhado de um quadro grave e de difícil tratamento, daí a importância de se consultar um oftalmologista uma vez ao ano".

Quem tem a doença passa a enxergar um borrão no centro do campo de visão, mantendo entretanto sua visão periférica. Isso pode prejudicar completamente atividades como ler ou dirigir. "Com o desenvolvimento da DMRI, o campo de visão do paciente fica cada vez mais restrito e ele só consegue caminhar".

Geralmente, a doença começa a se manifestar a partir do 55 anos, não havendo maior prevalência de acordo com sobre o sexo. Segundo Mônica Rossi, todos estão sujeitos a desenvolver a DMRI, mas fumantes e hipertensos têm uma maior predisposição para a doença. Não se sabe quantas pessoas desenvolveram a doença no estado, mas a oftalmologista tem vinte pacientes em tratamento ou estabilizados.

Em seu estágio inicial, a degeneração macular não apresenta qualquer sintoma nem é perceptível a olho nu, daí ser uma "doença de consultório". Quando detectada nessa fase, por meio de um mapeamento da retina, o tratamento é feito com o uso de vitaminas anti-oxidantes e uma proteína chamada luteína.

Entretanto, nem mesmo bons hábitos alimentares evitam a doença, não havendo outras formas de prevenção além da consulta médica. "Essas vitaminas são encontradas em verduras verdes escuras como o espinafre, o brócolis e a couve, mas devem ser consumidos crus para preservar a luteína".

Tratamento
Vários tratamentos já foram desenvolvidos contra a degeneração macular mas eles apenas cicatrizavam a mácula, mantendo a perda de visão. Hoje utiliza-se a aplicação de drogas anti-angiogênicas (ranibizumabe), que fazem com que os vasos sanguíneos regridam, recuperando a visão e mantendo a doença estabilizada.

O medicamento é aplicado diretamente no olho por meio de injeção. São três aplicações, para diminuir o inchaço, recuperar a visão e estabilizá-la. O preço de cada aplicação ainda é salgado, beirando os R$ 3 mil.

O aposentado Patrício Genésio da Silva, 80, perdeu a visão do olho esquerdo aos 18 anos, quando foi atingido por um filete de madeira. Os médicos nunca quiseram operá-lo. Em 2006, ele começou a ter dificuldades para enxergar com o olho direito. "Pensei que era o grau do óculos. Depois comecei a ver uma borda vermelha. Fui ao médico e ele disse que era um derrame no olho e que estava com sangramento. Agora não estou vendo quase nada", lamenta.

Ele fez tratamento com uma droga chamada avastina, que não surtiu o resultado esperado. Agora, operado do olho esquerdo e se submetendo a sua primeira aplicação da nova droga, Patrício espera recuperar a visão. "Se tudo der certo, vou enxergar melhor do que nunca".



Correio Braziliense
30/09/2009

Mais de mil vagas em cursos para deficientes em São Paulo

Os cursos são para qualificação profissional e totalmente gratuitos. Estão disponíveis em 21 municípios paulistas.

A Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho (SERT) do Estado de São Paulo em parceria com a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com deficiência vão oferecer, a partir deste mês de outubro, 1.100 vagas para cursos gratuitos de qualificação profissional em 21 cidades paulistas.

Cursos
As pessoas com deficiência poderão se inscrever nos seguintes cursos: recepcionista, auxiliar de escritório, vendedor em comércio (atacadista e varejista), promotor de vendas, repositor de mercadorias, atendente de lanchonete, operador de caixa, garçom, faxineiro, alimentador de produção, porteiro, auxiliar de limpeza e operador de call center.

O programa oferecerá aos participantes uma bolsa de R$ 212, durante os três meses de realização do curso. A bolsa será oferecida para quem não recebe seguro desemprego e benefícios previdenciários continuados.

Perfil
Podem candidatar-se às vagas todas as pessoas desempregadas com deficiência que estejam inscritas no Emprega São Paulo. De acordo com a Secretaria, as pessoas que ainda não completaram o ensino fundamental, tenham idade entre 30 e 59 anos e recebam pouca renda terão preferência durante a seleção.

O coordenador da Secretaria da Pessoa com Deficiência, Cid Torquato, explica que, além da possibilidade de capacitação gratuita, "os cadastros dos candidatos à capacitação serão úteis no mapeamento das principais carências por aperfeiçoamento profissional das pessoas com deficiência".

Como concorrer
Os interessados devem cadastrar o currículo no site do Emprega São Paulo (www.empregasaopaulo@sp.gov.br), e na última fase do cadastro optar pelo curso de qualificação.

Os candidatos selecionados serão comunicados por meio de correspondências encaminhas pela SERT.

As pessoas que não forem convocadas para este curso ainda terão a chance de ser chamadas para os próximos cursos de capacitação profissional.


JCC Concursos
30/09/2009

Curso de formação discute a inclusão de crianças no ensino regular.

Instituições como Apae e Centrinho foram convidadas, assim como o município de Assis Chateaubriand que compareceu com cerca de 20 professores.

Iniciou-se no último dia 28 e segue até a quinta-feira (1º) o V Curso de Formação de gestores e educadores, com tema principal inclusão escolar.

"Essa parceria vem desde 2003 quando os municípios foram convidados a fazer parte do termo de adesão junto ao Governo Federal mais a secretaria de educação especial do MEC, alguns municípios que se tornaram municípios pólos estão ofertando aos demais municípios da região essa formação, que é do programa de educação inclusiva direito à diversidade", explica a coordenadora de educação especial e programa educação inclusiva: direito à diversidade, Neide da Silveira Duarte de Matos.

Professores da rede municipal de 67 municípios da região Oeste e Sudoeste se reuniram no Emir Sfair para receber as instruções. Mais de 400 pessoas participam de palestras, discussões e debates abertos sobre o tema. "Nós estamos discutindo aqui a escolarização das crianças com deficiência e também aprofundando em algumas deficiências, hoje discutimos sobre currículo e avaliação, amanhã eles vão debater sobre a deficiência auditiva, a tarde, altas habilidades, transtorno global e desenvolvimento, que é algo muito recente, antes a gente tinha essa discussão, mas era muito incipiente nas escolas e a gente está trazendo para pessoas que já trabalharam e estão defendendo e pesquisando na área para falar com os professores".

Instituições como Apae e Centrinho foram convidadas, assim como o município de Assis Chateaubriand que compareceu com cerca de 20 professores. De acordo com a coordenadora, o preconceito não está dentro das escolas. "Por parte das crianças a gente não vê nenhum tipo de preconceito e indiferença, por parte do profissional que está em atendimento, às vezes isso fica muito abafado. Alguns pais até comentam sobre a discriminação, da falta de respeito, mas isso é muito pequeno, tem se discutido muito e os professores estão compreendendo que todos os sujeitos fazem parte desta sociedade".

A procura pela inclusão ocorre nas escolas públicas de forma gradual. "Os pais gradativamente nos procuram porque nós enquanto profissionais da educação estamos atendendo a criança que precisa ser escolarizada desde que nos formamos. A partir do momento que a criança nos procura ela vai ser atendida, só que isso vem acontecendo com maior grau a partir de 2004 quando se iniciaram estes processos de formação. Hoje nós temos mais de 200 crianças sendo atendidas no ensino comum. Isso com certeza, gradativamente têm sido ampliado pela procura da família e não pela procura da escola", finaliza.


CGN Notícias
29/09/2009

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Nova tecnologia ajuda a recuperar visão de deficientes visuais.

Barbara Campbell começou a perder a visão quando era adolescente e, pouco antes de fazer 40 anos, perdeu o que restava de sua visão.

Campbell, agora com 56 anos, ficaria emocionada em ver alguma coisa. Qualquer coisa.

Agora, como parte de uma experiência notável, ela pode. Até agora, ela consegue detectar as bocas de seu fogão, a moldura de seu espelho e se o monitor do computador está ligado ou não.

Ela está começando a fazer parte de um intensivo projeto de pesquisa de três anos que envolve eletrodos cirurgicamente implantados nos seus olhos, uma câmera sobre seu nariz e um processador de vídeo amarrado a sua cintura.

Alguns dos outros 37 participantes do projeto conseguem diferenciar pratos de xícaras, perceber a diferença entre grama e calçada, separar meias brancas de pretas e ver onde há pessoas, embora nenhum detalhe delas.

"Para alguém que foi totalmente cego, isto é realmente notável", disse Andrew P. Mariani, diretor do programa do Instituto Nacional do Olho.

O projeto, uma retina artificial, faz parte de um número recente de pesquisas que buscam atingir um dos mais almejados objetivos da ciência: fazer cegos enxergarem.

Mais de 3,3 milhões de americanos com 40 anos ou mais são cegos ou tem visão tão fraca que até mesmo com óculos, remédios ou cirurgia, tarefas cotidianas são difíceis, de acordo com o Instituto Nacional do Olho, uma agência federal.

Este número deve duplicar nos próximos 30 anos.

As tentativas de cura incluem terapia genética, que melhorou a visão em pessoas que são cegas por causa de uma rara doença congenital.

Pesquisas com células tronco também são consideradas promissoras e outros estudos envolvem proteínas que respondem à luz e o transplante de retina.

E recentemente, Sharron Kay Thornton, 60, de Smithdale, Mississipi, que ficou cega por causa de uma doença de pele, recuperou a visão em um olho depois que médicos da Escola de Medicina da Universidade de Miami Miller extraíram um dente e o modelaram para servir como base para uma lente de plástico que substitui sua córnea.

Campbell, conselheira de reabilitação vocacional da Comissão de Nova Iorque para Cegos e Pessoas com Deficiência Visual, sempre foi independente e muito alegre.

Mas pequenas coisas a irritam, como não saber se roupas estão manchadas e precisar de ajuda para comprar cartões comemorativos.

O dispositivo não a fará "ver como antigamente", ela disse. "Mas será mais do que o que eu tenho. Não só para mim - mas para as outras pessoas que virão depois também".



Último Segundo
28/09/2009

Ministro homologa parecer que trata de aluno com deficiência.

A homologação ocorreu após ajustes no texto, para evitar interpretações equivocadas, como a de que o governo estaria proibindo o atendimento educacional especializado.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, homologou nesta quarta-feira, 23, o parecer nº 13/2009 do Conselho Nacional de Educação (CNE), que trata das diretrizes operacionais para o atendimento educacional especializado para os alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação matriculados em classes regulares e no atendimento educacional especializado. A homologação ocorreu após ajustes no texto, para evitar interpretações equivocadas, como a de que o governo estaria proibindo o atendimento educacional especializado.

O parecer regulamenta o decreto nº 6.571/08, que dispõe sobre o apoio técnico e financeiro da União aos sistemas públicos de ensino nos estados, Distrito Federal e municípios para ampliar a oferta do atendimento educacional especializado. Esse tipo de atendimento se refere a atividades complementares à escolarização dos alunos público da educação especial, nas classes regulares.

De acordo com o texto, "para a implementação do decreto 6571/2008, os sistemas de ensino devem matricular os alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação nas classes comuns do ensino regular e no atendimento educacional especializado, ofertado em salas de recursos ou instituições especializadas, públicas ou privadas sem fins lucrativos".

Esse atendimento é realizado preferencialmente na escola regular, no entanto as instituições especializadas, públicas ou privadas sem fins lucrativos, que ofertarem o atendimento educacional especializado para alunos matriculados nas classes comuns do ensino regular também receberão recursos do Fundo de Manutenção da Educação Básica (Fundeb). Está disposto no decreto que a matrícula de cada aluno com deficiência no ensino regular da rede pública e também no atendimento especializado deve ser contada em dobro, para que os recursos do Fundeb possam subsidiar as duas modalidades.

O objetivo é garantir recursos de acessibilidade, bem como estratégias de desenvolvimento da aprendizagem, previstos no projeto político-pedagógico da escola. A ação vai ao encontro da Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva, que orienta os sistemas educacionais na organização e oferta de recursos e serviços da educação especial de forma complementar.

Assessoria de Comunicação Social



Rede Saci
28/09/2009

domingo, 27 de setembro de 2009

Campanha pró-aborto de feto sem cérebro pressiona STF a decidir este ano.

Cartaz e vídeo relançam polêmica em torno de ação que tramita há 5 anos. Malformação congênita, a anencefalia atinge uma a cada mil crianças.
Enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) se prepara para julgar o direito à interrupção da gravidez de fetos sem cérebro, os grupos a favor e contra o aborto continuam travando uma disputa ideológica nos bastidores. Neste mês, duas organizações de defesa dos direitos reprodutivos da mulher lançaram campanhas que voltam a impulsionar uma controvérsia que já dura no mínimo cinco anos.

A anencefalia é uma malformação congênita que atinge cerca de um em cada mil bebês e leva ao nascimento da criança sem o cérebro. Geralmente, o recém-nascido resiste por no máximo poucos dias.

As campanhas foram criadas pela Cepia - Cidadania, Estudo, Pesquisa e Ação em parceria com o Conselho Nacional da Mulher e apoio da Comissão de Cidadania e Reprodução (CCR) e pela Anis - Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero. A primeira traz a imagem de um parto sendo realizado com médicos e gestante vestidos de preto, com a seguinte frase estampada: “Quando o parto é de um anencéfalo o resultado não é uma certidão de nascimento. É um atestado de óbito.”

"O Supremo tem em suas mãos uma oportunidade única de aliviar o sofrimento de muitas mulheres que se vêem obrigadas a continuar com uma gravidez que não será bem-sucedida"

Já a Anis divulgou nesta semana um vídeo no YouTube em que mostra o dilema real de um jovem médico diante da decisão de interromper a gestação de um feto anencéfalo. As campanhas têm o objetivo de levantar o debate sobre o tema e pressionar para que o julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 54 seja concluído pelo STF.

A ação - um instrumento jurídico que visa a corrigir a violação de um direito fundamental - foi proposta em 2004 pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Saúde (CNTS). “Nós acreditamos que o julgamento deve ser ainda neste semestre, mas é um tema de grande impacto político e a Corte vai enfrentar outros temas delicados, como a extradição de Cesare Battisti e a união civil de pessoas do mesmo sexo”, diz a antropóloga e diretora da organização, Débora Diniz.

O aborto é permitido no Brasil apenas nos casos de estupro e em que há risco de vida para a gestante

"Estão tentando aprovar via STF o que não conseguem no Congresso, pois nossos deputados sabem que o povo brasileiro é pela vida"

Nos últimos cinco anos, quatro audiências públicas para discutir o assunto foram realizadas como preparação para o debate no STF.

“Quando examinamos nosso Código Penal, verificamos que poucos países ainda tratam o aborto dessa maneira tão restritiva e tão penalisada”, diz a presidente do CCR, Maragert Arilha. “O Supremo tem em suas mãos uma oportunidade única de aliviar o sofrimento de muitas mulheres que se vêem obrigadas a continuar com uma gravidez que não será bem-sucedida.”

Politização injustificada

Para a presidente do Movimento Brasil sem Aborto e integrante da Comissão de Bioética da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Lenise Garcia, as campanhas só servem para chocar e o debate no Supremo é, na verdade, uma politização injustificada do Judiciário. “É uma imagem muita pesada e agressiva para as pessoas que tiveram filhos anencéfalos”, afirma.

"Isso é eugenia. Agora é a questão dos anencéfalos, mas depois pode vir a ser qualquer outro problema, como a Síndrome de Down"

Lenise, que também é professora da Universidade de Brasília (UnB), afirma que a aprovação do aborto nesse caso abriria um perigoso precedente.

O fundador da organização presidida por ela, Jaime Ferreira Souza, concorda. "Isso é eugenia", diz. "Agora é a questão dos anencéfalos, mas depois pode vir a ser qualquer outro problema, como a Síndrome de Down"

Rotina

Débora é uma das autoras de uma pesquisa que revela como os casos de anencefalia são frequentes na rotina dos médicos. Em média, eles atendem 6,5 pacientes nessa condição durante suas carreiras.

O estudo ouviu 1.814 médicos filiados à Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Destes, 1.804 revelaram ter atendido casos de mulheres grávidas de anencéfalos nos últimos 20 anos. “Essa é uma realidade dos hospitais e das clínicas”, diz Débora. “A pergunta que nós devolvemos ao STF é: como esse dilema é resolvido nos consultórios?”

Os médicos entrevistados foram responsáveis por 9.730 atendimentos de mulheres com gestações de anencéfalos, 85% delas preferiram interromper a gravidez. No entanto, apenas 3.602 obtiveram a permissão do Judiciário.

A pesquisa não permite inferir quantas tiveram seus pedidos negados pela Justiça. “Hoje nós nem sabemos quantas mulheres sequer vão à Justiça e conseguem resolver com a solidariedade dos médicos ou quantas vão e não conseguem”, afirma. “O que sabemos é que nessa pesquisa uma proporção alta das mulheres queriam abortar, mas não foram à Justiça.”

"Ninguém mata um excepcional, o mesmo critério deveria ser observado para os anencéfalos"

Para a advogada Tamara Amoroso Gonçalves, ao permitir o aborto no caso de risco para a vida da mãe, o artigo 128 do Código Penal brasileiro, que trata do assunto, ignora que a gestação de um feto anencéfalo coloca em risco a integridade da gestante. A advogada é autora de um levantamento sobre os casos de aborto levados a julgamento nos tribunais estaduais e superiores do país, entre 2001 e 2006.

"A Lei de Transplantes considera finita a vida quando há a morte cerebral. No caso do anencéfalo, ele não tem o cérebro formado. Por isso se questiona se há uma vida a ser tutelada"

Nesse período, 781 decisões foram proferidas pelo Judiciário. A maior parte dos abortos analisados, 31%, foi resultado de violência contra a mulher. A anencefalia e os casos de malformação foram responsáveis por 7% dos casos. “Há um questionamento se trata-se realmente de uma vida. A Lei de Transplantes considera finita a vida quando há a morte cerebral. No caso do anencéfalo, ele não tem o cérebro formado. Por isso se questiona se há uma vida a ser tutelada”, explica Tamara.

“Aquele que está por nascer já deveria ser considerado um ser vivo”, responde com um ditado romano o coordenador da Pastoral da Família, e bispo de Nova Friburgo, d. Rafael Cifuentes. “Ninguém mata um excepcional, o mesmo critério deveria ser observado para os anencéfalos.”



G1
25/09/2009

Livres, leves e soltos.

Incentivar que o filho supere seus limites ou protegê-lo de dificuldades? Especialistas e pais comentam os dilemas de criar uma criança com deficiência.

Na cinebiografia do cantor e pianista Ray Charles, lançada em 2004, uma das cenas mais comoventes tem início com o músico, ainda menino, tropeçando em uma cadeira e se estatelando no chão de casa.

Ele havia perdido a visão pouco antes desse episódio e, assustado, grita por socorro. Da cozinha, a mãe assiste ao incidente e tem um impulso de ajudá-lo, mas refreia-se. Decide observá-lo, em silêncio, para saber se o garoto consegue lidar com sua nova condição.

O dilema que a atriz Sharon Warren representa na tela é o mesmo que pais e mães de crianças e adolescentes com alguma deficiência sensorial ou motora enfrentam em seu dia a dia: incentivar que o filho supere seus limites a fim de crescer em relativa igualdade com seus pares ou poupá-lo de frustrações e agir de forma a atenuar os obstáculos que, devido à deficiência, são mais difíceis para ele do que para os demais.

Doralice da Silva Nascimento, 45, mãe de Anderson, 25, Alexandre, 23, e André, 19, que nasceram cegos, passou por essas duas situações: superprotegeu o primogênito por não aceitar o problema de início, mas mudou de atitude quando os outros filhos nasceram, também sem enxergar.

"Quando soube que o Alexandre era cego, procurei ajuda em uma escola especializada. Passei a aceitar a condição deles e a entender que precisavam aprender a se virar sozinhos, pois eu não poderia ajudá-los para sempre", diz.

Nascidos no interior de São Paulo, os três foram criados com autorização para subir em árvores, brincar de pega-pega e jogar bola. "Minha mãe embrulhava a bola em um saco plástico para que pudéssemos saber onde ela estava", conta Alexandre. Aprenderam até a andar de bicicleta e a cavalo.

Quando os três filhos saíram sozinhos pela primeira vez, Doralice os seguiu sem que eles soubessem. "Foi terrível deixá-los andar sozinhos. Várias vezes eu os via em situação de perigo e tinha vontade de gritar para eles tomarem cuidado, mas não podia reagir para não atrapalhá-los", recorda-se.

Hoje, os irmãos usam transporte público, viajam sozinhos, fazem faculdade de gestão de RH e são medalhistas em atletismo. "Graças à minha mãe, somos totalmente independentes. Fazemos qualquer coisa, como qualquer pessoa", diz Alexandre.

Equilíbrio
Segundo a psicóloga e psicanalista Ana Cristina Marzolla, professora da PUC-SP, a maneira como os pais encaram a condição do filho depende de uma série de fatores, como o tipo e o grau de limitação da criança, a estrutura familiar, a relação do casal e a personalidade de cada um deles. "E esse comportamento não é estanque, ele muda com o tempo."

O psicólogo Roberto Benedito de Paiva e Silva, do Departamento de Desenvolvimento Humano e Reabilitação da Unicamp, acredita que os pais devem ter uma visão real das limitações. "A criança precisa de estimulação e de recursos que facilitem sua vida, mas tem que aprender a conviver com o mundo com naturalidade."

Na prática, isso nem sempre acontece. Não é difícil encontrar pais que protegem seus filhos com deficiência além do que seria recomendado. Em parte, segundo Marzolla, essa atitude se deve ao fato de eles projetarem no filho sua própria fragilidade diante da situação, à culpa que sentem por terem gerado um filho com deficiência -ou por não terem conseguido evitá-la- e aos sentimentos ambivalentes, de amor e de rejeição, em relação à criança.

Para Ana Cristina Marzolla, a superproteção faz com que a criança tenha uma autoimagem de fragilidade, impede-a de conhecer seus recursos e cria dificuldade para lidar com a frustração. "Isso ocorre também com filhos não deficientes, mas uma criança com deficiência fisica, dependendo do grau de superproteção, pode não desenvolver toda a sua capacidade cognitiva", alerta.

Na opinião do psiquiatra Geraldo Possendoro, professor do curso de atualização de Medicina Comportamental da Unifesp, o equilíbrio é fundamental e pode ser buscado com a ajuda de especialistas. "Deve-se procurar, o tempo todo, um balanceamento entre ajudar a criança em coisas que ela não consegue fazer sozinha e estimulá-la a resolver as outras. É preciso bom senso, o máximo de orientação técnica e flexibilidade", acredita.

Paralisia
Quando a pesquisadora Denise Crispim, 30, ouviu pela primeira vez de um médico que sua filha, Sofia, então com um ano, tinha paralisia cerebral, levou um susto. "Eu não acreditei. Pensava que ela era mais molinha por ser prematura."

Durante três meses, procurou diversos neurologistas até encontrar um de sua confiança. "As primeiras notícias são muito complicadas. O primeiro instinto é correr atrás de médicos para ouvir algo mais animador, uma espécie de cura", afirma.

Hoje, aos quatro anos de idade, Sofia frequenta uma creche municipal em Osasco, onde mora, e faz 12 sessões semanais de terapia -como fisioterapia, musicoterapia e hidroterapia. Fala, senta sozinha e consegue ficar em pé com apoio, enquanto aguarda a chegada de sua primeira cadeira de rodas -roxa, como ela gosta.

No dia da entrevista, Sofia estava proibida de assistir ao seu desenho favorito. O castigo veio porque a menina havia se recusado a fazer fisioterapia. "Isso já tinha acontecido antes, mas ela havia melhorado. Tenho que usar todos os recursos para convencê-la", diz a mãe.

Conscientemente, Denise procura educar a única filha para que ela tenha uma vida normal. "Tento dar uma educação que lhe permita ser independente e lidar com seus limites", diz. "Mas existem momentos em que o instinto de proteção é mais forte. Sei que ela não tem as defesas de crianças da mesma idade", justifica.

Festas infantis e passeios organizados pela escola, que incluem brincadeiras das quais a menina não consegue participar, são atividades que costumam ser evitadas. "Tento defendê-la do risco físico e também da parte emocional, evitando situações que possam causar sofrimento", afirma.
Para a psicóloga Ana Cristina Marzolla, em situações como essa uma possibilidade é a mãe ou o pai levar a criança ao passeio e intermediar o contato com as outras crianças. "Deixá-la em casa significa excluí-la."

Negação
Uma espécie de avesso da superproteção, a negação é outra maneira que os pais encontram para lidar com o diagnóstico de deficiência. "Alguns podem fazer de conta que está tudo normal e, com isso, não conseguem atender às necessidades específicas da criança", afirma a psicóloga da PUC-SP.
Segundo ela, muitos deles, de maneira consciente, incentivam o filho a se virar sozinho. "Aqueles que deliberadamente criam o filho para ser totalmente independente causam um ônus porque são muito exigentes, tratam-no como se ele não tivesse a deficiência. Os filhos se desenvolvem bem, mas se preocupam muito em ser aceitos", explica.

Mãe de João Lucas, 6, que ficou paraplégico devido a um tumor congênito que comprimiu sua medula, a advogada Adriana Dutra, 33, afirma que sempre procurou criar o menino com liberdade. Ele frequenta uma escola de esportes com crianças da mesma faixa etária e passou as últimas férias em uma colônia -em ambos os lugares, não havia outras crianças com deficiência.
"Já que a situação dele é essa, dou a maior independência possível para ele ter qualidade de vida", diz.

Assim como João Lucas, o adolescente Gabriel do Rosário Mendes, 14, foi educado para ser como as outras crianças. Até os quatro anos, ele não falava nem sentava. Sua mãe, a recepcionista Ágda do Rosário Mendes, 40, deixou o trabalho de lado para levá-lo a sessões de terapia que tomavam praticamente o dia inteiro.

No fim da tarde, ela não abria mão, no entanto, de levá-lo com as irmãs mais velhas à pracinha próxima de casa. "Eu o colocava no balanço, no escorregador. Fazia de tudo para ele acompanhar e não se sentir diferente", recorda-se a mãe. Até na aula de judô Ágda o matriculou. "A fisioterapeuta não queria porque tinha medo de que ele caísse e se machucasse, mas deixei porque era uma alegria para ele", diz.

Nas horas vagas -o menino estuda e faz tratamento na Apae (Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais)-, o único passeio que a mãe desautoriza é ir ao parque de diversões. O medo que ela sente e que impede o menino de ir a esses locais vem da época em que Gabriel sofria convulsões -oito anos atrás-, o que teria levado o neurologista a proibir esse tipo de brincadeira. "Ele me cobra até hoje", diz a mãe.

Mudança gradual
A família de Francisco Marotto Avelaneda, 17, descobriu que ele sofre de uma síndrome genética que causa a perda de movimentos há quatro anos.
"Em seis meses, ele passou para a cadeira de rodas e foi se despedindo de coisas como jogar bola e andar de bicicleta", afirma o pai, o publicitário Norberto Avelaneda, 54. No início, como o prognóstico era ruim -"O médico disse para deixarmos ele viver seus 13 anos porque não sabia quanto tempo ele teria", lembra-se- , a família chegou a mimá-lo em alguns aspectos, mas não cerceou sua liberdade. "De manhã, eu o levo para a escola porque cansa muito e é cedo, mas ele volta sozinho, de cadeira de rodas motorizada. Demora 30 minutos", diz o pai.

Quando Francisco não está estudando ou em atividade na Avape (Associação para Valorização de Pessoas com Deficiência) e deseja passear, os pais avaliam com ele o trajeto a ser percorrido. "Aos poucos, estamos liberando. Sempre evitamos superprotegê-lo. Na equoterapia, por exemplo, ele anda sozinho e já caiu duas vezes."

Para o adolescente, no entanto, as coisas seriam diferentes se ele não tivesse essa síndrome. "Eu não precisaria avisar se cheguei ou se vou sair. E meus pais me tratariam como tratam meus irmãos [de 20 e 22 anos]."
O pai admite que a percepção do garoto está correta. "O Francisco não tem muita saída se acontecer algo com a cadeira na rua porque não tem força nos braços, o que não acontece com os irmãos."



Folha de S.Paulo
25/09/2009