quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Super Produções realiza evento em prol da inclusão social.

Evento procura trazer à tona a importância de ser criança e de participar da inclusão de pessoas com deficiência intelectual.

Agência Super Produções realiza e organiza a 1º Inclusão Divertida, evento em prol da inclusão social e profissional das pessoas com deficiência intelectual, promovido pela parceria da APAE DE São Paulo e a Hasbro. O objetivo do evento é divulgar e sensibilizar a sociedade sobre a importância de brincar durante a infância e da inclusão social de pessoas com deficiência intelectual.

Na sua primeira edição, o Inclusão Divertida traz o tema "a importância de brincar durante a infância". Incluir com diversão é o lema do evento, pois a brincadeira é a atividade mais importante para o desenvolvimento completo das crianças e não pode ser negligenciada.

O entretenimento do evento fica por conta do músico Ivo Meirelles que promete animar os convidados com seu swing carioca. O show será seguido por um desfile repleto de famosos ligados à causa e, os embaixadores da organização - o nadador Gustavo Borges e a jornalista da Rede Record Maria Cândida - vestirão a camisa da APAE de São Paulo e da inclusão social.

Toda a produção dos famosos para o desfile será feita por profissionais do Studio W, do cabeleireiro Wanderley Nunes, que também está engajado nessa causa. A estilista Adriana Barra desenvolveu, especialmente para a ocasião, camisetas personalizadas que serão apresentadas durante o desfile das estrelas. A assessoria do evento fica por conta da Vitrola Comm.


AdNews
07/10/2009

Estudantes com deficiência já podem se matricular na rede pública de ensino.

Matrículas valem para novos estudantes da Educação Infantil, Ensinos Fundamental, Médio e Educação de Jovens e Adultos.

A partir desta segunda-feira (5/10), os responsáveis por alunos com deficiência podem fazer a matrícula na rede pública de ensino do DF. O atendimento será pelo telematrícula, no número 156, opção 2.

Para esses alunos, as inscrições vão até o dia 18 deste mês. As matrículas valem para novos estudantes da Educação Infantil, Ensinos Fundamental, Médio e Educação de Jovens e Adultos. O atendimento vai das 7h às 21h, de segunda a sexta-feira, e das 8h às 18h aos sábados, domingos e feriados.

Além de atender alunos com deficiência, a Educação Especial recebe também estudantes com transtorno global do desenvolvimento (TGD), que engloba Autismo, Síndrome de Rett (anomalia genética que compromete funções motoras e intelectuais), Síndrome de Asperger (deficiências na interação social) e transtorno degenerativo da infância.

No momento da matrícula, é preciso ter em mãos o nome completo do aluno, data de nascimento, nome da mãe, tipo de deficiência ou TGD e endereço completo com o Código de Endereçamento Postal (CEP). O endereço pode ser da residência do aluno ou do local de trabalho do responsável.

Segunda fase
Entre os dias 26 e 30 de outubro, após a matrícula pelo atendimento telefônico, os pais ou responsáveis, acompanhados do estudante, deverão comparecer à Diretoria Regional de Ensino (DRE) da Região Administrativa onde está a escola em que deseja se matricular. A data de apresentação de cada inscrito será informada pela Central de Atendimento 156.

Para confirmar a matrícula na segunda fase, os inscritos deverão apresentar certidão de nascimento ou RG do estudante, RG dos pais ou responsáveis legais, histórico escolar (para aqueles que já frequentaram a escola) e outros documentos relacionados à vida escolar do estudante, além de laudo médico e quaisquer outros comprovantes do quadro clínico do estudante.

Mesmo realizando a inscrição pelo telematrícula e comparecendo à DRE, o estudante só terá a vaga assegurada quando efetivar a matrícula na escola, entre os dias 4 e 15 de janeiro.



Correio Braziliense
07/10/2009

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Conselho Nacional de Educação define normas para a educação especial

Aluno deve ter atendimento especializado no turno contrário ao da escola. Aula especial poderá ocorrer na própria escola ou em centros conveniados.

As normas para a educação especial foram divulgadas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) na edição desta segunda-feira (5) do Diário Oficial da União. Os estudantes deverão ser matriculados nas classes comuns do ensino regular e, simultaneamente, receber atendimento especializado no turno contrário ao da escola.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, já havia homologado, no final de setembro, o parecer do CNE que garante recursos para as duas instituições onde o aluno estiver matriculado. Até então, a verba era destinada para apenas uma delas.

O chamado Atendimento Educacional Especializado (AEE) não poderá substituir o ensino regular e poderá ser prestado em salas com recursos multifuncionais na própria escola ou em centros da rede pública ou em instituições filantrópicas, conveniadas com as secretarias de Educação.

Para atuar no atendimento especializado, o professor deverá ter formação inicial que o habilite para o exercício da docência e formação específica para a educação especial.

A resolução também define o público-alvo que será atendido pela educação especial: alunos com deficiência e transtornos do desenvolvimento, como autismo, e estudantes superdotados.



G1
06/10/2009

Parar em vaga de deficiente dá "multa moral"

Shopping adverte com panfleto quem estaciona irregularmente.

Shoppings centers de São Paulo começaram a adotar medidas educativas para tentar evitar a ocupação indevida de vagas reservadas a deficientes e idosos. A conscientização é uma das medidas previstas no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) elaborado pelo Ministério Público Estadual (MPE) e pela Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida.

Entre os 14 signatários está o Cidade Jardim, na zona sul, que decidiu criar uma "multa moral" para motoristas infratores. "Nenhuma lei obriga o deficiente a usar no carro o adesivo que o identifica, por isso pensamos na multa moral para conscientizar quem para indevidamente e evitar que os deficientes fiquem sem vaga", explica a diretora do shopping, Malu Pucci.

A Lei Municipal 11.228/92 prevê a reserva de 3% das vagas nos estacionamentos de shoppings com capacidade superior a dez carros.

"Se você não é uma pessoa com esse tipo de deficiência, não faça mais isso", adverte o panfleto colocado no para-brisa de cada carro sem adesivo parado nas vagas reservadas. O shopping também passou a advertir motoristas com avisos sonoros. O shopping repreende também quem para indevidamente em vagas de idosos - a Lei Municipal 10.741 prevê reserva de 5% para esse público.

O Shopping Butantã, que também assinou o TAC, promoveu em março uma campanha que pedia respeito à sinalização das vagas reservadas. "É lamentável que o número de pessoas conscientes ainda seja pequeno. Esperamos que as medidas do TAC sensibilizem a população", diz o superintendente, Julio Cesar Alloe.

O TAC assinado pelos shoppings prevê que 50% das vagas exclusivas para deficientes sejam cercadas e que funcionários estejam disponíveis para prestar informações e liberar os lugares.

A outra metade vai continuar aberta como é hoje, mas os estabelecimentos terão de fiscalizar com rigor o uso indevido. Os shoppings têm até 2 de novembro para se adequar. Se forem denunciados por irregularidades, eles podem ser multados.

Responsável pela elaboração do termo, o promotor Júlio Cesar Botelho, do Setor de Pessoas com Deficiência da Promotoria de Direitos Humanos do MPE, acredita que as medidas serão acatadas. "Os shoppings que aderiram ao TAC estão se adequando, até porque as pessoas com deficiência representam um nicho de consumidores importante para eles."

O Eldorado decidiu não aderir ao termo. "Não concordamos, assim como outros shoppings, pois já temos um método que acreditamos ser ideal para a fiscalização das vagas", justifica o superintendente do shopping, Guillermo Bloj. "Mas, se o TAC virar lei, acataremos."

O Ministério Público prepara proposta semelhante para hipermercados.



Estadão
06/10/2009

terça-feira, 6 de outubro de 2009

A sexualidade dos deficientes intelectuais.

Com um pouco mais de autonomia e liberdade para fazer as próprias escolhas, os deficientes intelectuais colocam uma nova questão para o país: a quem cabe decidir se eles podem fazer sexo e ter filhos?

Deitada no leito do consultório médico, Cíntia Carvalho Bento tira os óculos para enxugar as lágrimas. Era 6 de março. Ela acabara de ouvir, pela primeira vez, os batimentos cardíacos de seu bebê. “Graças a Deus, tem um neném na minha barriga.” Cíntia, de 38 anos, traz no rosto os sinais da síndrome de Down: olhos pequenos e amendoados, boca em forma de arco, bochechas proeminentes. E, na alma, desejos semelhantes aos das mulheres comuns: trabalhar, namorar, casar, ser mãe. Todos realizados. Cíntia nasceu numa família que aprendeu a dialogar e a respeitar, quando possível, suas escolhas. E que não encarou sua deficiência intelectual – característica dos Downs – como um obstáculo incontornável.

“Aceitamos bem os namoros e o casamento da Cíntia. Meu marido e eu sempre achamos que nossa filha deveria levar uma vida próxima do normal”, afirma Jane Carvalho. “A gravidez é que foi um susto. Tivemos medo de que a criança viesse com problemas de saúde. Mas logo descobrimos que não.” Augusto está com 3 meses. “Estou muito feliz. Pego ele no colo, mudo (as fraldas), dou banho”, diz Cíntia. A gestação não foi planejada. Mas Cíntia sempre quis ter um filho. Ela conheceu o marido, Miguel Egídio Bento, na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Florianópolis. Cíntia era aluna. Miguel, hoje com 42 anos, funcionário. A amizade virou namoro bem depois, numa colônia de férias. O casamento, em junho de 2006, foi como nos sonhos dela: vestido de noiva, igreja, festa e lua de mel.

A vida de Cíntia é uma exceção. As relações afetivas e sexuais são o tema mais controverso e cercado de preconceitos no universo da deficiência intelectual – um assunto que mexe com valores morais e culturais. “É necessário derrubar o mito de que as pessoas com deficiência intelectual são assexuadas ou têm a sexualidade exacerbada”, afirma Fernanda Sodelli, diretora do Núcleo de Estudos e Temas em Psicologia. “Elas não são anjos nem feras que precisam ser domadas. E têm o direito de viver a sexualidade.” Isso quer dizer não apenas o direito de transar, mas o de conhecer o próprio corpo e aprender como se comportar na intimidade: saber se cuidar, estabelecer relações, lidar com as emoções, construir a própria identidade.

Entre os deficientes intelectuais é comum querer namorar apenas para ter o prazer de beijar na boca. Ou de andar de mãos dadas. Manifestações normais da sexualidade ainda hoje são interpretadas como problema. Foi o que a psicóloga Fernanda viu no consultório quando um pai a procurou preocupado com o filho de 18 anos, que se masturbava pela casa. O pai contou que tentara explicar que aquele comportamento seria aceitável apenas quando o filho estivesse sozinho. “Pai, o que é sozinho?”, perguntou o rapaz. Ninguém lhe ensinara a diferença entre o público e o privado, e o que é adequado ou inadequado em cada um desses espaços. Na infância, o garoto era obrigado a usar o banheiro de porta aberta. O quarto nem porta tinha. Ele cresceu sendo espionado o tempo todo, sem noção de privacidade.

No caso de Cíntia, seus pais se deram conta de que era hora de o relacionamento com Miguel evoluir para o casamento quando ela pediu permissão para o namorado dormir na casa da família. No final da adolescência, Cíntia já sentia vontade de namorar. Abraçava árvores e fingia beijá-las como se fossem um príncipe. Viveu o primeiro romance no início da década de 1990, aos 21 anos, numa época em que os direitos sexuais e reprodutivos dos deficientes intelectuais nem sequer eram cogitados. A discussão é recente no país. O movimento de inclusão deu visibilidade aos deficientes e abriu frestas nas portas das escolas e do trabalho.

Pela lei brasileira, os direitos sexuais e reprodutivos dos deficientes intelectuais são os mesmos de qualquer outro cidadão. A garantia desses direitos, no entanto, vai além da capacidade do Estado. Depende do bom senso e da disposição das famílias – a maioria marginalizada durante toda a existência e sem o conhecimento necessário para lidar com a complexidade da questão. A principal dificuldade dos deficientes intelectuais é o pensamento abstrato. Como ensiná-los que atos idênticos podem ter intenções e significados diferentes? E que, por isso, alguns seriam permitidos e outros não? Se o namorado bota a mão no seio da garota, é carinho; quando a mão é do tio ou do vizinho, é abuso sexual. Se a mão é do ginecologista, trata-se de um exame de rotina.

Na dúvida, grande parte das famílias encara a superproteção e a repressão da sexualidade como o único caminho para afastar os filhos dos riscos. Deixar de pensar e decidir por eles é uma tarefa custosa e que exige desprendimento. E, se algo der errado, conseguirei conviver com a culpa? Qual é a medida certa da autonomia? A dependência, às vezes mútua, prejudica o desenvolvimento do deficiente. “Os pais precisam ser trabalhados para enxergar primeiro o filho e depois a deficiência”, diz a assistente social Mina Regen, coautora do livro Sexualidade e deficiência: rompendo o silêncio. “É fundamental que as pessoas com deficiência intelectual sejam ouvidas e aprendam a fazer escolhas desde a infância, por mais simples que sejam.” Isso inclui da roupa a vestir até o que comer.

Segundo especialistas, entre todas as deficiências, a intelectual é a mais temida pelas famílias e a mais discriminada pela sociedade. “Somos educados para acreditar que existe uma hierarquia entre condições humanas”, diz Claudia Werneck, superintendente da Escola de Gente, uma ONG baseada no Rio de Janeiro que desenvolve projetos de inclusão social. “No colégio, as boas notas fazem a alegria dos pais. A felicidade do filho fica em segundo plano.” A Escola de Gente mediu os níveis de intolerância aos deficientes intelectuais em mais de 300 oficinas feitas em dez países. Num determinado momento da exposição, uma pergunta é feita à plateia: “Quem daqui é gente?”. O palestrante segue fazendo questionamentos que provocam o público. “Pelo menos 90% dos presentes dizem que é humano quem tem o intelecto funcionando bem”, afirma Claudia.

Um casal de deficientes se beijando no cinema bastou para que a segurança fosse chamada.

Em família

No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, há 3 milhões de deficientes intelectuais. São pessoas com “dificuldades ou limitações associadas a duas ou mais áreas, como aprendizagem, comunicação, cuidados pessoais, com a saúde e a segurança”. Não há um ranking das causas da deficiência no país. Mas há diversos fatores de risco: síndromes genéticas (como de Down e de Williams, que afeta as áreas cognitiva, comportamental e motora), doenças infecciosas como rubéola e sífilis, abuso de álcool ou drogas na gestação, desnutrição (da mãe ou da criança) e falta de oxigenação no cérebro.

“Crianças com deficiência criadas em ambientes que favorecem o desenvolvimento e a autonomia podem ser capazes de namorar e constituir família”, afirma Mina Regen. “Cada caso deve ser analisado de acordo com suas singularidades.” Cíntia, de Florianópolis, mora com o marido e o filho na casa dos pais. Em Socorro, São Paulo, cidade de 33 mil habitantes, o arranjo mais conveniente para um casal de deficientes e suas famílias foi diferente. Maria Gabriela Andrade Demate e Fábio Marcheti de Moraes, ambos de 29 anos, vivem com a mãe dele. A filha do casal, Valentina, mora com a avó materna. Todas as manhãs, Gabriela pula da cama e corre para ajudar a cuidar da menina. “Mamãe”, diz a falante Valentina, de 1 ano e meio, ao escutar o barulho da porta.

Quando Gabriela deu à luz, sua história repercutiu pelo Brasil. Na Associação Carpe Diem, na Zona Sul de São Paulo, uma das raras instituições para deficientes intelectuais que lidam com a sexualidade e os direitos reprodutivos, o assunto reacendeu discussões diversas: gravidez, métodos contraceptivos, doenças sexualmente transmissíveis. “Tenho vontade de transar um dia. Mas tenho de estar preparada”, diz Mariana Amato, de 30 anos. “Eu queria engravidar. Gostaria de ser mãe.”

A abordagem da Carpe Diem é a do Projeto Pipa: Prevenção Especial, criado pelas psicólogas Lilian Galvão e Fernanda Sodelli. Conceitos sobre a manifestação da sexualidade são transmitidos, principalmente, em rodas de conversa. Os “jovens Pipa” aprendem, por exemplo, a identificar abuso sexual com o uso de bonecos. A pedagogia ajuda a transformar abstrações em ideias concretas. “Antes do Projeto Pipa, eu tinha um medo danado e ficava confusa”, afirma Ana Beatriz Pierre Paiva, de 32 anos. “O que é sexualidade? O que é namorar? O que é gostar de alguém?” Bia revela que descobriu o próprio corpo, que tem desejos e que os atos de uma pessoa têm consequências – algumas agradáveis, outras não. Também conseguiu se aproximar dos pais e dizer o que pensa. “A vontade de ter um compromisso sério é grande. Mas meus pais acham que sou nova.” A mãe de Bia, Ana Maria Pierre Paiva, reconhece que é “superprotetora” e que teria dificuldades de aceitar um relacionamento da filha.

Bia é de uma geração de deficientes intelectuais brasileiros que começou agora a se engajar num movimento de autodefesa. Junto com Mariana Amato e Thiago Rodrigues, de 22 anos, ela dá palestras sobre direitos sexuais e reprodutivos pelo país. Em agosto, os três estiveram num evento em João Pessoa, Paraíba. “Tem gente que olha para a nossa cara e pensa: ‘Esses garotos não sabem de nada, não crescem’”, diz Thiago. “Geralmente, a gente não pode viver a sexualidade por causa da falta de compreensão das pessoas.”

Certa vez, Mariana e o namorado foram ao cinema e tiveram de trocar de sala porque um casal se sentiu incomodado e chamou o segurança. “O segurança me disse que os dois estavam apenas se beijando”, afirma Glória Moreira Salles, mãe de Mariana. Agora, Mariana e o namorado só se comunicam por internet e telefone. Ela se mudou temporariamente para Lucena, na Paraíba. Durante seis meses, vai morar com a amiga Lilian Galvão, uma das criadoras do Projeto Pipa, e trabalhar numa ONG. “Chegou a minha hora. Vou conviver no mundo lá fora e seguir o meu projeto de vida”, diz Mariana. A mãe, Glória, afirma que, com o decorrer do tempo, passou a enxergar a filha de maneira diferente. “Aprendi que quem põe os limites é ela.”

O sucesso do Pipa é possível porque envolve as famílias. “Se o Pipa tivesse chegado antes, não teria levado minha filha para fazer laqueadura”, afirma uma mãe. A cirurgia seria evitada se a jovem já conhecesse os métodos contraceptivos e soubesse como se proteger de abusos. Ainda há famílias que recorrem à esterilização. “Não é crime. Mas é uma violação de direitos proibida pela convenção da ONU, ratificada pelo Brasil em 2008”, diz Izabel Maior, chefe da Coordenadoria Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, ligada à Secretaria Especial dos Direitos Humanos.

“A gente tem condições de aprender a se proteger”, diz Mariana, “e, com o suporte da família, a gente pode ter autonomia.” Mariana demonstra ser uma mulher determinada. Bia é doce, fala sorrindo com os olhos. Suas palavras, pronunciadas de maneira calma e fluida, não são menos assertivas que as da amiga Mariana: “Somos seres humanos e nos sentimos como seres humanos, como todos vocês”.


Revista Época
05/10/2009

Alunos do SENAI/SC desenvolvem cadeira de rodas que amplia movimentos do usuário.

Além de mais barata que as produzidas atualmente, cadeirante pode utilizar novo sistema para ficar na posição vertical.

Alunos e professores da unidade do SENAI/SC em Jaraguá do Sul, em Santa Catarina, conseguiram aplicar os conhecimentos aprendidos em sala de aula e laboratórios em uma causa social. Eles desenvolveram uma cadeira de rodas motorizada que é mais barata que as disponíveis hoje. E ainda inovaram, ao desenvolver um sistema que coloca o cadeirante na posição vertical.

O professor Reginaldo Motta, que é responsável pelo projeto, envolveu alunos do Ensino Médio articulado com o curso Técnico em Mecatrônica todos os processos de desenvolvimento. "Não pegamos uma cadeira de rodas pronta e adaptamos. Nós tivemos que construí-la toda, desde a estrutura", conta.

Segundo Motta, a cadeira motorizada foi planejada para ter o menor custo possível. "Enquanto as cadeiras hoje existentes custam em média R$ 10 mil, a nossa custará cerca de R$ 2 mil e ainda possui mais recursos", diz Motta. O equipamento possui uma articulação mecânica, que aumenta a acessibilidade das pessoas com limitação de movimento. "Muitas vezes, o cadeirante não consegue alcançar o telefone público ou um produto na prateleira. Com esse recurso, isso será mais fácil", completa.

O desenvolvimento iniciou em 2008, com uma pesquisa de campo. Em seguida, os alunos se dedicaram à modelação eletrônica em 3D. Na fase final, de fabricação, foi preciso utilizar o conhecimento adquirido na parte de mecânica e eletrônica. Depois de quase dois anos de trabalho, o protótipo deve ficar pronto ainda este mês, com a chegada de um motor elétrico especial. A intenção é concorrer no prêmio Inova SENAI deste ano, na categoria Aluno.

Ao todo, 25 alunos da unidade do SENAI/SC em Jaraguá do Sul ajudaram no projeto. Em sintonia com a atividade, professores de outras disciplinas aproveitaram para abordar conteúdos relacionados e promover a educação interdisciplinar: os de Biologia, por exemplo, trataram de doenças que afetam a locomoção; enquanto os de Sociologia promoveram debates sobre inclusão social de pessoas com deficiência.



Revista Sentidos
Santa Catarina, 05/10/2009

Trilha acessível é inaugurada no Parque Villa-Lobos.

Parque também conta com banheiros acessíveis, rampas, telefones para surdos, mapas táteis e marcações padronizadas no solo, para os cegos.

Circuito das Árvores, no Parque Villa-Lobos, é acessível para pessoas com deficiência.

O governo do Estado de São Paulo lançou no dia 21 de setembro - Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência - o Circuito das Árvores, uma espécie de trilha acessível às pessoas com deficiência. O evento, organizado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente, também foi marcado pelo início do processo de plantio de mais 8.400 mudas de espécies nativas brasileiras.

O Parque Villa-Lobos, que recebe a visita de cerca de 500 mil pessoas por mês, é considerado o primeiro parque de São Paulo completamente acessível para pessoas com deficiências e está dotado de banheiros acessíveis, rampas, telefones para surdos, mapas táteis e marcações padronizadas no solo, para os cegos.

O Circuito das Árvores é uma passarela elevada que chega até 3,5 metros de altura e tem uma extensão de 120m, possibilitando a observação da fauna e flora de bosques do Parque. A estrutura é feita de madeira de reflorestamento cedida pela Estação Experimental de Itapetininga, ligada ao Instituto Florestal - IF e projetada para não impactar a vegetação do local. As espécies de árvores e aves serão identificadas ao longo do caminho.

Além do Dia da Árvore, a inauguração do Circuito das Árvores acontece em meio à comemoração de mais um aniversário do Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. Instituída em 1982, em meio a um clamor nacional pela transição do período reacionário da ditadura militar para um período de construção de uma sociedade democrática, a data é um pleito pela conscientização da sociedade sobre as necessidades, principalmente de inclusão, do segmento.

Uma das reivindicações mais antigas dos movimentos e das lideranças do segmento é pela acessibilidade da pessoa com deficiência aos bens e serviços públicos disponíveis nos municípios. "Prestigiamos o lançamento do Circuito das Árvores para demonstrar o aplauso do público com deficiência à preocupação constante e crescente do Governo de São Paulo com a efetiva inclusão dessas pessoas, que também têm direito ao esporte e ao lazer, como todo cidadão do Estado", disse a secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Linamara Rizzo Battistella, presente no evento.

O Parque Villa-Lobos fica na Av. Professor Fonseca Rodrigues, 1.655, Alto de Pinheiros, São Paulo.



Revista Sentidos
05/10/2009