sábado, 7 de novembro de 2009

Trabalhadores terão vale de R$ 50 por mês para consumir Cultura.

Em entrevista para o Bom Dia Ministro, programa transmitido ao vivo via satélite para emissoras de rádio de todo o Brasil, o ministro da Cultura Juca Ferreira explica os objetivos do Plano de Aceleração do Crescimento das Cidades Históricas e comenta sobre os projetos do Ministério da Cultura em tramitação no Congresso Nacional. Leia abaixo os principais trechos da entrevista.

Vale Cultura.

Infelizmente no Brasil, menos de 10% dos brasileiros já entraram em um museu, só 13% vão ao cinema e apenas 17% compram livros. Mais de 92% dos municípios brasileiros não têm um cinema, ou sequer, um teatro. A realidade cultural brasileira é dramática, é quase um apartheid cultural, a cultura é inacessível para grande maioria dos brasileiros. Então o Ministério inovou: tivemos a idéia de além de financiar a produção, financiar o consumo cultural. O Vale Cultura é muito simples, se parece com esses vales refeições. O trabalhador terá um cartão magnético, com valor nominal mensal de R$ 50, e para isso ele só paga R$ 5. O governo assume o custo de até 1% do imposto devido de cada empresa, e a partir dai, compartilha com o empresário.
O governo vai pagar entre 60 e 70% desse benefício, e vamos incluir de 12 a 14 milhões de trabalhadores diretamente, podendo estender o benefício à sua família. São R$ 7 bilhões por ano na economia da cultura. Assim, veremos cinemas, livrarias e lojas de discos sendo abertos perto de onde as pessoas moram. Isso vai gerar emprego, impostos, um aquecimento da economia e também vai permitir que o CD legal tenha uma primazia sobre o CD ilegal, que é vendido na esquina. Porque como é um cartão magnético, só poderá ser utilizado em lojas credenciadas, permitindo um controle sobre a venda desses produtos numa escala infinitamente maior do que hoje. Os efeitos positivos do Vale Cultura serão enormes, o maior será colocar a cultura ao acesso de milhões de brasileiros. O presidente Lula enviou a mensagem com a rubrica de urgência, urgentíssima. Está tramitando numa velocidade muito grande, espero que no Natal a gente tenha esse presente para dar aos trabalhadores. Nós vamos assistir nos próximos anos uma queda do preço da entrada do teatro, da entrada do espetáculo de dança, do preço do livro e do preço do CD. O Vale Cultura, além de todos os benefícios, vai empurrar a economia da cultura para um rebaixamento de preços.

PAC das Cidades Históricas.

Pela primeira vez o patrimônio histórico não está sendo tratado de forma isolada. Além da sua importância cultural, ele está sendo tratado também como ativo econômico, para o desenvolvimento, geração de renda e ocupação nessas cidades. Precisamos integrar as políticas de patrimônio com outras políticas, por isso estamos trabalhando junto com a Casa Civil, Ministério do Turismo, Ministério da Educação, Ministério das Cidades, Banco do Brasil e BNDES. Não haverá concorrência, as 173 cidades do programa serão beneficiadas. Os recursos estão assegurados. Com o PAC das Cidades Históricas estamos inaugurando uma segunda geração de projetos e ações. São exatamente ações integradas, que articulam infraestrutura urbana, meio ambiente, cultura e qualidade de vida. É preciso disponibilizar recursos para que os prefeitos possam, de forma autônoma e protagônica, desenvolver o processo de preservação do patrimônio do seu município, em comunhão com seu estado. A idéia do PAC das Cidades Históricas é essa. Estimulamos os prefeitos das cidades para que eles criassem a Associação Nacional dos Prefeitos de Cidades Históricas. Essa Associação vai evoluir. Hoje são 163 municípios históricos, mas como o Iphan está analisando uma nova leva de cidades históricas, nós teremos um pouco mais de 200 municípios que precisarão de atenção especial por parte do governo federal. Os governadores e prefeitos são fundamentais nesse processo, pois estão mais próximos da comunidade.

Recursos para cultura.

A luta por recursos é histórica na área cultural. A cultura foi, durante muito tempo, eu diria até o ministro Gilberto Gil assumir a pasta - tratada como algo secundário. Como ele dizia, tratado como a cereja do bolo, um enfeite das políticas públicas. Na verdade, a cultura é uma necessidade como é a comida. Não há possibilidade de pensarmos o ser humano sem cultura. O ser humano produz cultura e necessita de acesso pleno a ela para que tenhamos uma sociedade saudável, em condições de enfrentar os desafios do século XXI. Essa mudança de escala, de importância da cultura, deve se refletir no orçamento. Quando chegamos ao ministério, herdamos do governo passado um orçamento de 0,2% do total do orçamento federal. Isso é insignificante. É por isso que temos parte do nosso patrimônio aos pedaços. Não conseguimos montar uma infraestrutura suficiente para o desenvolvimento cultural e para o acesso da população brasileira. Não temos grandes programas de capacitação de artistas, de técnicos e de gestores. Todo o processo de desenvolvimento da cultura precisa de um investimento público. A nossa demanda é a mesma da recomendação das Nações Unidas, que o recurso para a cultura nunca seja inferior a 1% do total. Mas, está tramitando, na Câmara, um projeto de emenda constitucional que reservará no mínimo 2% para cultura, o que vai significar cerca de R$ 6 bilhões. O que é uma escala de crescimento razoável. Aí, eu posso dizer que de fato nós vamos atender às necessidades e demandas da sociedade brasileira em todos os aspectos da cultura.

Lei do Direito Autoral.

A maior queixa que nós recebemos por parte dos artistas é que eles não se sentem contemplados com o seu trabalho porque acham que direito autoral é uma caixa-preta. Eles não conseguem ter acesso à contabilidade do recolhimento do direito autoral no Brasil, e a parte que lhes cabe nesse processo. Nós herdamos uma lei do Direito Autoral frágil, da época em que ainda nem existia videotape. Temos hoje um ambiente absolutamente novo, criado pela internet para as novas tecnologias. O mundo inteiro está buscando soluções para garantir a realização plena do direito autoral. O direito autoral se relaciona com o direito patrimonial dos empresários que investem nas obras, e com o direito de acesso da população àquelas obras. É preciso criar transparência e controle público nesse processo. No mundo inteiro tem. Precisamos desenvolver também no Brasil. Nossa posição é por uma modernização do direito autoral no País. E, um direito autoral que não agrida, nem entre em concorrência e competição com o direito patrimonial, e com o direito de acesso pleno da população. Isso é possível, vários países do mundo estão evoluindo. O Japão faz, sistematicamente, uma revisão de todo o sistema de direito autoral deles. Na Europa também estão evoluindo. Já existem soluções pontuais, diferentes em cada país. Nos Estados Unidos também. Sem direito autoral regularizado, nós prejudicamos artistas e não poderemos ter uma economia da cultura forte sem regulamentar e modernizar essa área da cultura. Em alguns países, o recolhimento é feito por instituições públicas e em outros por instituições privadas. Em ambos, há um mecanismo de controle social sobre esse recolhimento e sobre a redistribuição para os artistas. No Brasil não existe. Por isso os artistas chamam de caixa preta. Chegou a hora de começar a modernizar a lei do direito autoral no Brasil. O Ministério da Cultura está empenhado, já fizemos mais de 30 audiências públicas nas capitais brasileiras, com especialistas, músicos, escritores e instituições da área do direito. Estamos preparando um projeto de lei para este ano. O objetivo é gerar controle social sobre todo o sistema de arrecadação e distribuição desses recursos gerados pelo direito autoral.



Editado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
Nº 924 - Brasília, 5 de Novembro de 2009

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

O difícil encaixe.

Parecer 13 do Conselho Nacional de Educação faz ressurgir debate sobre educação inclusiva no país; MEC fica dividido entre forças políticas envolvidas na questão.

Atendimento a necessidade especiais exige profissionais preparados nas escolas regulares

A ampliação da oferta do Atendimento Educacional Especializado (AEE) foi decidida há mais de um ano, com a promulgação do decreto nº 6.571. Em linhas gerais, o texto estabelece que, a partir de janeiro de 2010, os estudantes que recebem AEE em escolas ou instituições especializadas e estão matriculados em escolas regulares serão computados duas vezes. Isso significa que, no âmbito do Fundeb, haverá duplo repasse de verba. Além disso, a legislação previu que o AEE pode ser prestado pelos sistemas de ensino ou por instituições especializadas conveniadas com os governos estaduais ou municipais - é o caso, por exemplo, das Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes).

Em junho deste ano, o Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou o parecer número 13, cujo objetivo era oferecer as diretrizes operacionais para a mudança prevista no decreto. Aprovado por unanimidade, o documento coloca como obrigatória a matrícula de alunos com deficiência, transtornos do desenvolvimento e superdotação nas escolas regulares. Mais: o sistema público de ensino deveria ofertar o AEE, que teria caráter complementar ou suplementar.

O texto levantou polêmica considerável em torno do assunto, a ponto de não ser homologado pelo Ministério da Educação. O ministro Fernando Haddad pediu ao CNE que analisasse novamente o parecer "à luz da Lei de Diretrizes e Bases e do decreto 6.571".

"Não estamos tratando da matrícula na educação especial. Estamos tratando de atendimento especializado, da contagem do aluno do ponto de vista do Fundeb", explica Clélia Brandão Alvarenga Craveiro, relatora do parecer. Para viabilizar a dupla contagem do aluno com deficiência para o Fundeb, o CNE tornou obrigatória a matrícula do mesmo no ensino regular.

A ideia, segundo Clélia, era que o aluno estivesse matriculado de manhã numa escola pública e à tarde em uma instituição de AEE - seja especializada ou a própria escola. "Para você ser contado duas vezes, como prevê o decreto, você precisa estar matriculado duas vezes. Isso significa mais chance: o sistema está oferecendo recurso para que o aluno seja atendido de uma maneira melhor", coloca.

De qualquer forma, o debate dividiu as forças envolvidas na educação especial. De um lado, ficou quem defende a matrícula na escola regular como um direito fundamental. De outro, aqueles que fazem ressurgir as deficiências das escolas públicas, que não teriam estrutura para atender alunos com necessidades especiais. "O MEC fica numa posição difícil. Há a pressão pela inclusão e a pressão por parte das instituições. As Apaes e as Associações Pestalozzi têm muita voz no Congresso Nacional", diz Cláudia Grabois, presidente da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down.

Do lado da inclusão, ela defende a matrícula nas escolas regulares como "construção de um novo olhar". "A escola especial acaba sendo uma caixa. Numa Apae, a criança continua excluída. Quem não tem um período escolar não existe para a sociedade", avalia. Cláudia acredita que a escola é o lugar onde se aprende a lidar com as diferenças - o que funciona como um reflexo da sociedade. "Defender a separação é defender que as pessoas vivam separadas, sem conhecer o outro", diz. Sobre a questão da falta de estrutura das escolas públicas, ela garante que o problema passa pela boa vontade do professor na sala de aula.

Em entrevista ao Observatório da Educação, da ONG Ação Educativa, o presidente da Federação Nacional das Apaes e deputado federal Eduardo Barbosa (PSDB-RJ) disse que o parecer dá a entender que não existirá mais a possibilidade de matrícula de pessoas com deficiência em escolas especiais. "As escolas especiais poderão oferecer apenas Atendimento Escolar Especializado (AEE) em contra turno. Atendimento não é escola, é algo complementar", defendeu. Segundo Eduardo, a escola especial ainda é necessária, principalmente para deficientes com comprometimentos mais severos e múltiplos. "O decreto faz a referência de que o AEE pode ser dado tanto na escola comum, como especial. Ele não restringe a escolarização apenas à escola comum. A resolução foi além do que diz o decreto", comentou.

Para o professor Marcos Mazzotta, do Laboratório de Estudos sobre Deficiências da USP e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, o problema não é tão simples como parece. Ele faz um alerta: uma vez que a criança esteja matriculada no sistema público de ensino, o poder público precisa garantir um atendimento diferenciado. A lei não prevê, por exemplo, o que fazer com crianças que não têm condições físicas para passar o período inteiro na escola. Há situações extremas de deficientes com comprometimentos múltiplos, diz o professor, que impossibilitam o aluno de frequentar as aulas da mesma maneira que os outros colegas. "Para alguns alunos, será necessário organizar um serviço educacional especializado. Um professor sozinho não resolve essa imensidão de problemas", afirma.

Marcos aponta outra restrição, relacionada à família: ela deve ter o direito
de decidir para onde vai encaminhar seus filhos. "Devemos ouvir as posições e propostas vindas das famílias. Elas têm esse direito", coloca. Mesmo com as críticas, ele é taxativo: afirma que é na escola que o aluno se configura como cidadão - a matrícula se faz necessária nesse sentido. "Se ele não aparece na escola, muitas vezes não sai nem de casa", alerta.

Beatriz Rey


Revista Educação - Edição 150 (Outubro de 2009)
05/11/2009

Protesto contra a decisão do INEP.

Teófilo Galvão Filho fala da decisão excludente do INEP de não deixar Gulherme Finotti, jovem com deficiência, utilizar recursos tecnológicos para a prova do ENEM
Teófilo Galvão Filho

Como professor e pesquisador em Tecnologia Assistiva para a inclusão educacional de alunos com deficiência, com pesquisa de doutorado (http://www.galvaofilho.net/tese.htm) desenvolvida nessa área, parece-me incompreensível e escandalosamente excludente a decisão do INEP de não permitir que o aluno Guilherme Finotti, que possui sequelas motoras graves de paralisia cerebral, realize a prova do ENEM utilizando os recursos tecnológicos e adaptações que lhe permitem explicitar seus pensamentos e conhecimentos, conforme é noticiado na seguinte matéria: "Jovem deficiente é barrado pelo Enem".

Nesse obstáculo, interposto pelo INEP, para a inclusão e participação de Guilherme Finotti nas possibilidades de crescimento e desenvolvimento social que deveriam ser disponiblizados a todos os cidadãos, enxergo também as barreiras, dificuldades e sofrimentos de diversos outros alunos meus, com as mesmas características e necessidades de Guilherme, e que são desestimulados por essa atitude do INEP, na sua luta para o aprendizado e crescimento pessoal.

Lamento profundamente essa atitude, que vai frontalmente em oposição aos novos passos e decisões da sociedade e do Estado brasileiro, que aprovou em 2008, com o status de Emenda Constitucional, a Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência, uma convenção internacional aprovada na ONU, que tipifica claramente decisões com essa do INEP como discriminatórias.

Espero e conclamo que essa posição excludente, discriminatória e anacrônica ainda possa ser revista e modificada, em direção a decisões mais democráticas e inclusivas, cumprindo, assim, o INEP, com a sua função e relevância social de forma mais cabal.

Atenciosamente,

Prof. Teófilo Galvão Filho

Caminhos do processo de reabilitação.

Nova concepção de deficiência possibilitou que a reabilitação alcançasse resultados maiores e melhores pela adoção de normas de acessibilidade geral e pela utilização de ajudas técnicas


Os primórdios da ciência, particularmente da Pedagogia e da Medicina, vão encontrar as pessoas com deficiência isoladas totalmente da sociedade em grandes instituições que deram origem aos hospitais e lares-escola, em meados da Idade Média.

Às pessoas com deficiência, aos pobres, loucos e doentes eram oferecidos cuidados básicos de sobrevivência por essas instituições totais.

Podemos identificar como um primeiro discurso-modelo da ciência em relação às pessoas com deficiência o “Discurso Ortopédico”, no qual objetivava-se “consertar” o corpo, incluindo a mente e os sentidos dessas pessoas. A concepção de “deficiência” implícita nessas práticas era a de anomalias ou lesões no corpo biológico, no organismo do indivíduo, lesões estas que deveriam ser minoradas pro práticas por práticas cirúrgicas ou de treinamentos das funções deficitárias.

O lugar do reabilitando era o de paciente, que, desprovido de saber e de poder sobre si mesmo, deveria submeter-se ao conhecimento do especialista.

O segundo discurso encontrado na história da reabilitação e nos dias atuais é aquele que concebe a deficiência como um fenômeno que surge do encontro da diferença/ limitação do indivíduo com barreiras e obstáculos ambientais, sociais e políticos. Assim, uma pessoa que utiliza cadeira de rodas experimenta e explicita a deficiência diante de uma escada. Da mesma forma, uma deficiência visual pode ser muito minorada se uma pessoa cega dispor de leitores de tela o computador.

Esta nova concepção de deficiência possibilitou que a reabilitação alcançasse resultados maiores e melhores pela adoção de normas de acessibilidade geral e pela utilização de ajudas técnicas. Agora, as pessoas com deficiência podem escolher as adaptações e equipamento, a que melhor ser adequem. Assim, os reabilitandos passaram de pacientes a consumidores de serviços e tecnologias.

Apesar desse percurso ter significado um grande avanço, o objetivo de alcançar a cidadania exige que a prática reabilitacional considere e gere transformações no campo das relações interpessoais coletivas e na dimensão sócio-política. É necessário que o sujeito da reabilitação passe de consumidor a cidadão.

Essa trajetória histórica de reabilitação como prática social precisa ocorrer na história do processo de reabilitação de cada pessoa com deficiência em particular, por meio de práticas terapêuticas, educacionais e sócio-políticas.

Cada sujeito deve ser incentivado e apoiado a sair do isolamento e alcançar um maior grau possível de emancipação, que se contexto de vida e momento histórico lhe permitir.




Ana Rita de Paula

AME
05/11/2009

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Obstáculos ao desenvolvimento.

Atrasos no desenvolvimento mental e dificuldades na pronúncia são exemplos das dificuldades enfrentadas por crianças com autismo.

O autismo não é o único distúrbio que leva uma criança a ter dificuldade para se comunicar. Além das questões neurológicas, problemas físicos auditivos - bem possíveis de serem curados ou tratados - também criam barreiras no desenvolvimento da linguagem e dificultam o diagnóstico, principalmente nos primeiros anos de vida.

Um dos mais comuns é a troca ou omissão de certos sons e sílabas. Na dislalia (distúrbio de pronúncia), os mecanismos neurais que permitem à criança falar com desenvoltura ainda não estão completamente formados e precisam de tempo para amadurecer. Nesse período, a criança pode sofrer bastante.

Sem falar corretamente, ocorrem atrasos no desenvolvimento mental, e a socialização fica afetada. Na prática, isso significa isolamento, brincadeiras solitárias, incapacidade de se comunicar com os pais e grandes obstáculos para fazer amigos.

Problemas de audição também afetam o desenvolvimento. Os filhos demoram mais a formar frases e absorver os conhecimentos necessários por faixa etária. "Por causa desse déficit de audição e de fala, deve-se ter um cuidado muito grande no diagnóstico. Os sintomas de dificuldade de comunicação e integração social de uma criança com problemas auditivos e os de um autista, por exemplo, são parecidos. Sem o diagnóstico correto, não teremos um tratamento com resultados satisfatórios", explica o otorrinolaringologista Celso Dall’Igna.



Click RBS
04/11/2009

Sem limites para aprender e conviver.

Marta Gil fala sobre o "não" na vida das pessoas com deficiência.

Pessoas com deficiência, qualquer que seja ela, deparam-se frequentemente com o “não”, palavra curta, forte e que se pretende definitiva. O “inventário do não” é feito de maneira instantânea; basta um olhar e lá vêm as frases fatídicas: “não pode”, “não vai dar certo”, não faça”. E as justificativas – quando são dadas - também se baseiam no “não”: “É porque ele/ela não vê, ou não ouve, ou não anda, ou não tem uma perna, ou não tem raciocínio” ou “não está preparado”.

Assim, o limite ou a dificuldade que a pessoa tem – ou que o outro acha que ela tem, melhor dizendo – é reforçado e aumentado, pois recebe o peso do descrédito ou da negação de sua capacidade.

Parece que não ocorre, para aquele que diz o “não”, que o ser humano tem uma capacidade infinita, que lhe permite criar, ousar, procurar outros caminhos, talvez ainda não pensados. E daí, alguém tem que ser o primeiro, não?

E a tecnologia, então? A cada dia, ela nos surpreende, ampliando nossa capacidade, nossa força, nossos sentidos. Ela é uma ferramenta poderosa para derrubar o “não”.

As pessoas com deficiência intelectual vivenciam o “não” de uma forma ainda mais enfática, vindo de suas famílias, professores, profissionais, enfim, da sociedade como um todo, que as coloca sob tutela, de direito ou de fato.

Porém, esse cenário está mudando radicalmente, como demonstram Didi, Samuel Sestaro, Fernanda Honorato, Bia Paiva, Thiago Rodrigues, Mariana Amato, Breno Viola, João Vitor Mancini e outros, que assumem suas vidas, que sabem o que querem e lutam para consegui-lo, como todos nós.

Dificuldades, quem não as tem? Apoio, quem não precisa?

Eles mostram, na prática, que os limites estão cada vez mais tênues, cada vez menos impeditivos, pois a Inclusão avança e abre espaços cada vez mais amplos, envolvendo cada vez um número maior de pessoas – a ciranda cresce, outras pessoas vão chegando e se somam às outras.

Para dar conta das novas demandas, métodos são desenvolvidos, pesquisas são feitas; o conhecimento avança. As cidades se preparam para acolher, com dignidade, seus habitantes que até então eram “invisíveis” e se tornam lugares bons e agradáveis para todos.

Essas e muitas outras mudanças só se concretizam porque as pessoas com deficiência – e nesse caso falamos especificamente daquelas com deficiência intelectual - estão presentes. Todos aprendemos, porque todos com-vivemos.

Elas afirmam, em voz cada vez mais forte: “Sim, nós podemos!”

Marta Gil
04/11/2009

Socióloga, Coordenadora Executiva do Amankay Instituto de Estudos e Pesquisas, Consultora na área da Deficiência

Resolução da conferência de Salamanca, Espanha, de 21 a 23 de outubro.

Evento reuniu organizações dedicadas à qualidade de vida de pessoas com deficiências variadas. Leia documento divulgado pela organização mundial de famílias "Inclusion International"

Comentário SACI: Texto traduzido do inglês por Maria Amélia Vampré Xavier da Rede de Informações Área Deficiências Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo, Fenapaes, Brasília (Diretoria para Assuntos Internacionais), Rebrates, SP, Carpe Diem, SP, Sorri Brasil, SP, Inclusion InterAmericana e Inclusion International.


Maria Amélia Vampré Xavier

O evento de Salamanca, a semana passada, reuniu na Universidade de Salamanca organizações dedicadas à qualidade de vida de pessoas com deficiências variadas, pais e mães, profissionais da área das deficiências, representantes de governos de muitos países, no esforço coletivo de avaliar os progressos registrados desde a famosa Declaração de Salamanca, de junho de 1994, também ocorrida na Espanha. Esse documento importantíssimo trouxe para todo o mundo, e os educadores de forma específica, profundas reflexões e, estamos certos, receios com a perspectiva de que a diversidade humana fosse aos poucos mas com vigor incorporada aos planos educacionais de governos, fosse de países do chamado primeiro mundo (57 incluindo os Estados Unidos) e os outros países em variadas etapas de desenvolvimento, entre os quais situamos o Brasil.

O Brasil esteve representado por personalidades de valor nessa área como a amiga Naira Rodrigues, a Federação das Associações Down do Brasil por sua presidente Claudia Grabois e colaboradores, a Federação Nacional das APAEs, de cuja Diretoria Executiva fazemos parte e que levou a Salamanca seu Presidente, o querido amigo deputado Eduardo Barbosa, do PSDB de Minas Gerais, a professora Erenice Carvalho da Universidade de Brasília, a nossa Procuradora Geral, dra. Sandra Marinho, todos vivamente empenhados em aprender e trocar experiências sobre o tema inclusão e, acima de tudo, de aprendermos a lidar com os nossos próprios elementos de luta e realização dentro de nossas entidades.

Pelo Informe Global que tiramos da Internet e já começamos a ler vemos que a idéia da educação inclusiva em todo mundo é uma tese vencedora mas sua realização bem sucedida demandará ainda por algum tempo muito esforço, uma atitude plena de flexibilidade de opiniões, para que não estejamos todos nós, empenhados no bem estar de nossos filhos e amigos com deficiência intelectual, em permanente confronto uns com os outros.

Precisamos entender que gerações diferentes, com experiências de vida diferentes, certamente terão momentos de dificuldade de aceitação de outras idéias. Somos pessoalmente, sempre deixamos claro, a favor da inclusão educacional e social de nossos filhos e amigos mas sabemos, por experiência em nosso lar, por tudo que já lemos, pelo que escutamos de amigos e professores que atuam na área das deficiências, que existe muita coisa a ser melhorada e isso fica bem claro na Resolução sobre a Conferência de Salamanca que tiramos na Internet e traduzimos para a reflexão coletiva de nossos queridos parceiros de tantas mensagens de esperança.

O que precisaria ficar claro, pensamos, é que há muitos obstáculos a serem transpostos, muita coisa a ser melhorada. As escolas das APAEs do Brasil, em número superior a 2.000, com certeza precisam constantemente se aperfeiçoar e se tornarem grandes centros de desenvolvimento humano, inclusive de professores, atendentes, famílias, todo mundo que tem contato ou experiência de lidar com crianças, jovens e adultos com deficiência intelectual.

Nem pelo fato de que essas mudanças devem ocorrer devemos esquecer o enorme e grandioso trabalho que as numerosas APAEs vêem realizando desde dezembro de 1954 quando foi fundada a primeira APAE do Brasil, a do Rio de Janeiro. As famílias que integram o nosso grupo de entidades são, em geral, muito pobres como uma boa parte dos brasileiros também é, e não dispõem como outros grupos sociais, mais abonados, de dinheiro para pagar fono audiólogos, psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, uma penca de gente do maior valor que as famílias costumam contratar para ajudar o desenvolvimento dos filhos, complementando as atividades da escola regular onde estão inseridos. Todavia, o trabalho que se faz em numerosas APAEs é além de belo de extremo valor porque em nossas entidades as famílias, como a nossa, são acolhidas com muito carinho e ali faz-se o possível para desenvolver habilidades e o potencial das pessoas com deficiência intelectual que nos procuram.

Então nada pode superar o trabalho das APAEs? Não é isso que afirmamos e sim que precisamos ter a coragem de crescer sempre e mais, juntando esforços com outros pais e organizações ao redor do mundo para alcançar nossos objetivos. O que não podemos acolher, sem tristeza, é que todo esse esforço de meio século que auxiliou milhares de pessoas com deficiências, seja menosprezado por companheiros que não se deram ao trabalho de verificar quanto temos sido capazes de realizar.numa época em que tínhamos todos os preconceitos contra nós e é claro que isso nos entristece.

Vamos caminhar, pois, rumo à inclusão mas, como já dissemos, com espírito tolerante que engloba todas as facções, todas as atitudes. Vamos ler abaixo, com atenção a chamada Resolução da Conferência de Salamanca e, com base nela, vamos tentar aprimorar nosso trabalho, transformando a nossa escola que já é boa em primorosos centros de desenvolvimento humano, de valores éticos, de verdadeiro espírito comunitário, nos quais professores e famílias aprendam a conviver fraternalmente a bem de nossos filhos, com compreensão cada vez maior das dificuldades que nossos filhos teem e que procuramos fazê-los superar.

Vamos ler a Resolução de Salamanca com muita vontade de acertar?

"Nós, os participantes signatários da Conferência Global sobre Educação Inclusiva 'Confrontando a Lacuna: Direitos, Retórica, Realidade' - Retorno a Salamanca, realizado na Universidade de Salamanca (21-23 outubro, 2009).

1. Reafirmar o compromisso da Declaração de Salamanca (1994) e comprometer-se a desenvolver um sistema de educação inclusiva em todos os países do mundo. Recebemos com alegria a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (em inglês UNCRPD) de modo especial o Artigo 24, que dá novo ímpeto ao Direito Humano da Educação Inclusiva para tornar-se um processo no qual crianças e alunos da rede oficial de escolas sejam apoiados para alcançar seu potencial acadêmico e social e envolve a remoção de barreiras ambientais, atitudes, comunicação, currículos, ensino, socialização e avaliação de todos os níveis.

2. Pedimos a todos os Governos que ratifiquem a CNUDPD (Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência) e desenvolvam e implementem planos concretos para garantir o desenvolvimento da educação inclusiva para todos. Além disso, pedimos a agências internacionais tais como UNESCO, UNICEF e o BANCO MUNDIAL que aumentem e priorizem seus esforços para apoiar o desenvolvimento da educação inclusiva.

3. Nos comprometemos a formar uma aliança para transformar esforços globais para alcançar Educação para Todos criando melhor educação para todos através do desenvolvimento de educação inclusiva e, através desta, lançamos a INICIATIVA 24 como um veículo para alcançar nossas metas."


Inclusion Internacional
04/11/2009

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Justiça do Trabalho reconhece visão monocular como deficiência física.

Decisão da Justiça do Trabalho da 5ª Região (Bahia) tomou por base a ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho de autoria do procurador Manoel Jorge e Silva Neto.
A Justiça do Trabalho da 5ª Região (Bahia) reconheceu a visão monocular como deficiência física, o que oferece aos portadores o direito de concorrer à cota de vagas. A decisão judicial assinada no último dia 13 tomou por base a ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho - MPT de autoria do procurador Manoel Jorge e Silva Neto.

O MPT havia recebido denúncia de que Patrícia Neves de Farias, portadora de visão monocular, vinha enfrentando dificuldades em conseguir vagas no mercado de trabalho, já que a deficiência não era reconhecida pelas empresas onde tentou trabalhar.

O procurador do MPT entende que os indivíduos com visão monocular não são expressamente reconhecidos como pessoas com deficiência pela Lei, e, paradoxalmente, não são admitidos nas empresas porque só possuem a visão de um olho.

Visão Monocular
Os portadores de visão monocular, são aqueles que não possuem visão em um dos olhos, o que, consequentemente, leva à perda da percepção binocular de profundidade e a um campo visual reduzido. A visão monocular, em comparação com os resultados binoculares, revela uma diminuição de aproximadamente 25% no tamanho do campo de visão.

A monocularização também causa uma ausência da estereopsia que deriva da falta da comparação, ou seja, da desigualdade retinal presente em indivíduos binoculares.


Correio
03/11/2009

Jovem deficiente é barrado pelo Enem.

Programador Guilherme Finotti, de 17 anos, que tem paralisia cerebral, está impedido de utilizar um computador adaptado como meio de comunicação na prova.

Juliana Franzon

Após cursar o técnico de informática e os ensinos fundamental e médio utilizando um computador adaptado como meio de comunicação, o programador Guilherme Finotti, 17 anos, que tem paralisia cerebral, está impedido de usar o equipamento na prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

Com a intenção de prestar vestibular no final do ano, a não realização da prova impedirá o jovem de pleitear vaga nas universidades que adotarem o exame como ferramenta de seleção, além de acabar com a chance de concessão de bolsa de estudos.

Desde maio, a mãe de Guilherme, Eunice Finotti, está tentando a inclusão do filho na prova, porém a última resposta que obteve do Inep (Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) é de que apenas poderiam ser disponibilizados recursos como auxílio de fonoaudióloga para transcrição e uma hora a mais de tempo, não sendo possível o uso de equipamentos eletrônicos.

Segundo a professora do laboratório de inclusão e ergonomia da Feevale, Regina de Oliveira Heidrich, que desenvolveu as adaptações no computador e trabalha com o jovem desde 1998, a proposta de acompanhamento de uma fonoaudióloga demonstra a ignorância em relação a um problema de comunicação de um paralisado cerebral.

“Embora tenha o cognitivo totalmente preservado, o Guilherme não fala nem caminha, e apresenta movimentos involuntários. Trabalho com ele desde que tinha cinco anos e ainda tenho dificuldades de entender o que tenta falar. Estão identificando fraude quando o que queremos é apenas um computador que tenha a prova do Enem e um editor de texto” Regina analisa.

Em relação à proibição de utilizar o computador na prova, Finotti escreveu que se sente como um cidadão digno sem direito de crescer na vida. "Sou jovem e quero fazer o Enem com o meu lápis, que é o meu computador. Estou sendo tratado como se apenas quisesse brincar no exame”, enfatizou.

As adaptações consistem em um mouse especial e uma máscara do teclado, denominada colméia. Através delas são reduzidas as dificuldades de coordenação motora, como o fato de esbarrar nas teclas devido aos movimentos involuntários. O rapaz começou a utilizar o equipamento ainda na pré-escola, quando a professora Regina tomou conhecimento do caso.

“Após retornar de um mestrado em São Paulo, onde trabalhei com crianças da Apae, estava disposta a realizar a pesquisa do doutorado nesta área. Fui apresentada ao Guilherme, realizei alguns testes e constatei que realmente o intelecto não havia sofrido danos. Fiz alguns aprimoramentos na colméia do teclado, ele passou a frequentar a escola com o auxílio do computador e desde então acompanho o seu desenvolvimento. É um aluno inteligente, com notas acima da média do restante da turma”, destaca Regina.

Tanto o curso técnico como os ensinos médio e fundamental foram cursados em escola inclusivas, com alunos com e sem deficiências. “Nunca senti preconceitos, mas isso é algo que não me atinge”, declara Finotti quando questionado sobre a convivência com os colegas e professores.

Na opinião da professora, muitos paralisados cerebrais estão em instituições de educação especial por preconceitos e problemas motores, sendo a informática um forte fator de apoio para inclusão educativa. Para ela o principal problema está na falta de informação e formação de professores no ensino regular, para que possam dar a assistência necessária aos alunos em suas aulas.

“Conheço vários paralisados cerebrais que se alfabetizaram sozinhos ou com apoio da família, pois nunca foram aceitos na escola. Há o caso de um aluno bem incluído no ensino médio e que quando foi cursar a faculdade não tinha sequer ajuda para ligar seu notebook, sendo completamente ignorado. Essas questões são muito sérias, não se pode incluir sem ter o conhecimento de como é trabalhar com essas pessoas”, relata a professora.

Além de frequentar as aulas do terceiro ano do ensino médio, que deve conclui no final do ano, o jovem também é bolsista de iniciação científica Jr. no Projeto Design Inclusivo Utilizando TIC´S (Tecnologias de Informação e Comunicação) Aplicadas à Educação, desenvolvido por Regina.

Como bolsista, duas vezes por semana o programador estuda e desenvolve tecnologias assistivas, softwares e hardwares voltados a pessoas deficiência. Entre seus projetos, destaca-se um jogo para alfabetização de crianças com paralisia cerebral, ainda em fase de testes.

Se tudo der certo e Finotti conseguir realizar o Enem, o próximo objetivo é pleitear uma bolsa nos cursos de Jogos Digitais, Sistemas para Internet ou Ciência da Computação. “Acho que escolhi essa área pelo fato de o computador ser quase meu ‘quinto membro’. Lembro que infernizei muito minha mãe para me matricular no técnico. Nunca imaginei que fosse me apaixonar pela área, o curso foi a melhor coisa que fiz na vida”, conclui.

No que depender do mercado de trabalho, o jovem tem tudo para conseguir uma boa colocação. Só no Baguete, por exemplo, nos últimos dois anos foram anunciadas mais de 300 vagas destinadas aos portadores de necessidades especiais, isso apenas na área de informática.

Desde 1991, a Lei de Cotas (nº 8.213) determina que todas as empresas brasileiras com mais de cem funcionários devem ter de 2% a 5% de deficientes contratados no seu quadro de funcionários. Assim, o mesmo governo que garante oportunidade no mercado de trabalho para pessoas com deficiência, impede o jovem Guilherme de buscar qualificação.

“A demanda por profissionais portadores de necessidades especiais é muito maior do que a oferta. Há punições para a empresa que não preenche a cotas de deficientes prevista em lei, mas como os anúncios são realizados e as vagas não são preenchidas, fica comprovada a falta de pessoal qualificado”, revela Giovana Strano, diretora da TI Works, empresa gestora de recursos humanos focada em TI.

De acordo com informações do Departamento de Neurologia Infantil da USP, a incidência de casos de paralisia cerebral em países em desenvolvimento como o Brasil pode alcançar até sete para cada mil nascidos vivos, em contraposição a dois em cada mil nos países desenvolvidos. Outros estudos citam a estimativa de 30 a 40 mil novos casos por ano no país.


Baguete - Tecnologia e informação
03/11/2009

Surdez ou deficiência auditiva.

Um explicação sobre a diferença entre os termos
A perda de audição pode ocorrer no período pré-lingüístico (antes de adquirir linguagem) ou pós-lingüístico (após ter adquirido linguagem).

A pessoa que perde parte da audição após ter adquirido linguagem por meio da via auditiva, mantém a capacidade de se expressar oralmente e se comunicar com as pessoas desde que seja em ambiente calmo, onde uma pessoa fale de cada vez e fique de frente para possibilitar a leitura dos lábios.

Este pode ser considerado um deficiente auditivo, uma vez que teve acesso à cultura e língua da sociedade ouvinte.

Deficiente auditivo é considerado, também, aquele que tem uso da audição dificultada parcialmente.

De uma forma geral, segundo Perlin (2000), esse grupo não se enquadra na cultura surda, visto que possuem um problema que pode ser eliminado pelo simples aumento de volume de som e/ou aprarelhos de amplificação sonora.

Já a pessoa que perde a audição antes de adquirir linguagem, estará impossibilitada organicamente de adquiri-la por meio da via auditiva, principalmente quando forem de grau severo ou profundo.

Leia mais em www.vezdavoz.com.br

Saci
03/11/2009

domingo, 1 de novembro de 2009

Cadeirantes reclamam das calçadas e ônibus em Sumaré.

No topo do ranking das queixas está a falta de guias rebaixadas.


Cadeirantes de Sumaré reclamam dos problemas de acessibilidade da cidade. O tema será abordado na Conferência Municipal de Pessoas Portadores de Deficiência que será realizada este mês.
No topo do ranking das reivindicações está a necessidade de se rebaixar as calçadas de todas as regiões da cidade.

Andar na rua é um desafio contínuo para o estudante de sistema de informação Júlio César Antunes Vilarim, 21. “Como não temos condições de andar nas calçadas, trafegamos pela rua. Como se não bastasse o risco de atropelamento, temos de enfrentar ruas esburacas”, ressalta o estudante.

Ele afirma já ter perdido emprego por falta de transporte. Ele conta com ajuda da mãe, a dona de casa Maria Antônia de Souza Vilarin, 48.

O transporte adaptado também gera reclamações. Falta confiança na operação das plataformas elevatórias pelos motoristas.

Na opinião de um passageiro cadeirante, motoristas e cobradores aparentam não ter capacitação para operar o mecanismo.

A falta de rampas niveladas na altura dos ônibus adaptados também contribuem para aumentar a insegurança, segundo o analista de sistemas Alex Silva, 28. “Eu achei que ia cair da última vez que utilizei e não usei mais. Achei muito inseguro”, conta.

Segundo Silva, o motorista teria dito para ele que não sabia ainda operar o equipamento. “Na hora de descer na Avenida Rebouças, próximo ao supermercado Pague Menos, havia um buraco enorme na rua e ele me desceu ali, mas não tinha como. Era preciso ter uma rampa na altura da porta do ônibus. Então, os passageiros me tiraram da plataforma e me desceram na rua. Foi um constragimento”, reclama Silva.

A direção do sindicato da categoria informa que tanto os motoristas quanto os cobradores têm treinamento para utilizar o equipamento, contudo, a grande dificuldade em transportar o deficiente é na hora do embarque e desembarque dos cadeirantes.

PADRÃO

“Com exceção dos novos terminais da EMTU (Empresa Metropolitana de Transporte Urbana) todos os pontos de ônibus estão fora dos padrões de acessibilidade”, comenta o diretor do Sindicato dos Trabalhadores rodoviários de Americana e Região, Carlos Feijão.

A direção da Viação Ouro Verde, concessionária do transporte na cidae, foi procurada durante toda a semana, mas não retornou às ligações feitas pela reportagem.


Jornal TodoDia 01/11/2009 Paulo Corrêa - Sumaré



Prefeitura tenta realizar contagem.

Sumaré não dispõe de um número oficial de Pessoas Portadores de Deficiência Física. A coordenadoria especial de políticas públicas para pessoas deficientes da Prefeitura de Sumaré tenta realizar uma parceria com a CPFL para realizar esse censo. “Seria uma pesquisa importante para podermos traçar a melhor estratégia para implantar medidas de acessbilidade em nosso município. Precisamos avançar muito nesse ponto”, destacou, o coordenador do órgão, André Rosa de Souza.
O secretário da Semur (Secretaria de Mobilidade Urbana e Rural), João Maiorial, disse que a pasta vem trabalhando para melhorar a acessibilidade nas principais regiões da cidade. “Vamos acelerar o ritmo dos rebaixamentos das guias. Estamos agora focando na reserva de vagas para deficientes nos estacionamentos da área azul da cidade”, destacou.

Em nota oficial, o governo Bacchim destaca que tem trabalhado para adequar loteamentos, espaços privados e públicos a partir da aprovação de uma lei no ano de 2005. A legislação determina que os novos empreendimentos imobiliários contemplem adaptações como banheiros, elevadores em prédios e rebaixamentos de guias.

PARCERIAS

A prefeitura cita ainda que tem tentado firmar parceria com empresas, por meio do programa Empresa Cidadã, para que as empresas identifiquem e sinalizem rampas de acesso. De acordo com a assessoria de imprensa do governo o Centro de Convivência da Terceira Idade, em Nova Veneza, o Centro de Memória, a Secretaria de Desenvolvimento Econômica, a Biblioteca e novas unidades de saúde (Dall’Orto, Paraíso, Lucélia e Ângelo Tomazin), conta com rampas e banheiros adaptados. (PC)

Atendimento ao deficiente.

Especialista em treinamento para inserir deficientes físicos no mercado fala da relação deste consumidor.

A experiência como terapeuta ocupacional agregou conhecimento à, agora, consultora empresarial, Onilda Gomes. A especialista em treinamento para o mercado de trabalho atua há 15 anos no ramo e conhece bem o público de deficientes físicos, que, conforme garante, tanto são excelentes profissionais quanto consumidores desejados.

O POVO - Os trabalhadores do comércio estão preparados para atender o deficiente físico como cliente?
Onilda Gomes - Não, de jeito nenhum. Isso você vê o nosso mercado como um todo. Uma empresa que tenha um recurso humano convencional, ele não tem essa visão de que vai ter um cliente que tem uma deficiência física.

O POVO - Então o atendimento ao deficiente físico é deficiente?
Onilda Gomes - É deficiente. As pessoas têm receio, têm vergonha, têm medo de se aproximar de uma pessoa que usa muletas, que usa cadeira de rodas. Elas se constrangem e dizem: ``Como é que eu vou fazer?`` É simples. É só ela chegar e dizer assim: ``Boa tarde. Como é o seu nome? Qual a melhor forma que eu posso lhe atender?`` É perguntar.

O POVO - Quais os principais erros ao se atender um deficiente físico?
Onilda Gomes - As principais falhas se tornam até cômicas. A pessoa vai falar com o deficiente visual e fala alto, gritando, como se ele fosse surdo também. Eles brincam na sala de aula: ``Professora, a gente já é cego, por que é que vocês, normais & dizem assim brincando &, só falam com a gente gritando?``. E isso é verdade, a gente procura uma carência em querer quebrar aquele mundo e fala com ele gritando. Você vai falar com um deficiente surdo. A pessoa que não sabe a linguagem dos sinais ou a libra, ela inventa outro tipo de gesto que passa a ser uma mímica, uma coisa de palhaçada. Um cadeirante, a primeira coisa que a pessoa faz é ficar com pena dessa pessoa. Além disso, ao invés de pedir para deslocar a cadeira, diz assim: ``Fulano, empurra a cadeira``. Ninguém empurra a cadeira de rodas. A gente empurra carrinho de supermercado, porque a cadeira é o próprio deficiente que está incorporado. Quando você toca a cadeira, você está tocando nele. É o mesmo respeito. A sociedade se preocupa só com a locomoção agora. Vamos fazer rampas e rampas, mas a relação interpessoal, como é que eu vou fazer?
Em que aspecto está o problema? Acho que é um conjunto. Está na própria sociedade. Isso tem que ser colocado especificamente em um programa de atendimento. Atendimento com autoridade é uma coisa, com criança é outra coisa, com idoso é completamente diferente. São grupos de pessoas distintas, mas que devem estar no mesmo patamar de atendimento. O mercado do comércio tem que inserir, porque o deficiente é um cliente em potencial, é um consumidor. É também uma questão de educação de base, que passe por casa, passa pela escola, no ambiente de trabalho e repercute em tudo um grupo de mercado. Acima de tudo, é um direito.

O POVO - No lado, o que avançou na inserção do deficiente físico no mercado de trabalho para o comércio?
Onilda Gomes - Avançou em dois sentidos. Primeiro na quebra de um preconceito social, que as pessoas tinham muito. A sociedade, o próprio grupo familiar achava que aquela pessoa estava inválida. A própria nomenclatura leva a isso. ``Inválido, o aleijado``. E não é isso. Segundo ponto, pela necessidade de qualidade de profissional, o mercado mesmo descobriu que esses profissionais têm uma qualidade ímpar. Quando eles são bons, eles são bons mesmo. Todas as vezes, em qualquer área que você coloca aquela pessoa que tem uma deficiência física, ela sempre vai dar excelentes resultados para essa empresa, porque eles têm uma característica de dedicação, de responsabilidade.

O POVO - Então, os deficientes físicos, independente da sua limitação, podem estar capacitados a atuarem no comércio?
Onilda Gomes - Podem, com certeza, desde que eles tenham a capacitação. Se ele vai para dentro de uma sala de aula, ele vai pegar a mesma metodologia. O que vai ser diferente vai ser a locomoção, o tempo que ele vai ficar sentado, o tempo que ele precisa de descanso, mas isso ele mesmo tem a flexibilidade.

O POVO - Das deficiências físicas mais comuns, quais são as que estão mais inseridas no trabalho?
Onilda Gomes - Se a gente fala em preconceito, elas são todas iguais. A sociedade, quando ver o deficiente, ver como um todo, não especifica. Se eu preciso de um telefonista, esse telefonista pode ser deficiente visual ou um cadeirante. Um trabalho que não precisa de uma verbalização, só precisa da parte motora, o surdo vai se inserir muito bem aí, porque o poder de concentração dele é muito maior. Os ruídos que estão a nossa volta não vão atrapalhar de maneira nenhum. Um deficiente visual tem uma capacidade interpretativa e uma rapidez de raciocínio maior do que uma pessoa que tem visão. Eles são muito rápidos. É como se você fizesse só o deslocamento daquela competência. O que ele não tem no olho, por exemplo, ele vai ter mais sensibilidade, mais concentração, melhor memória. Quando você começa a ver o mundo da deficiência, praticamente a deficiência não existe.

O POVO - Professora, existe capacitação suficiente no Ceará para preparar o deficiente físico para o mercado de trabalho no comércio?
Onilda Gomes - Tem. Você hoje vê um leque maior de oportunidades, principalmente, nesses programas de Governo Federal, de governo local. O deficiente tem essa carência educacional, precisa sustentar um grupo familiar, ele vai mais em busca, ele luta muito mais do que aquele que está lá com tudo nas mãos. (Andreh Jonathas).

CONTEÚDO EXTRA
Entrevista completa com especialista em treinamento de deficientes
físicos em http://opovo.uol.com.br/conteudoextra/


O Povo Online
30/10/2009

Prefeitura vai adequar a cidade para pessoas com deficiência.

A cidade de Petrópolis vai adaptar suas vans e ônibus para garantir o transporte de pessoas com deficiência
Ascom

Foi realizada na sede da COMAC uma reunão do Fórum dos Amigos das Pessoas com Deficiência. O objetivo foi discutir propostas para garantir a inclusão social e a qualidade de vida para os portadores de deficiência. “Precisamos garantir dignidade e direito de ir e vir a todos os moradores de nossa cidade sem discriminar, classe social, raça, ou qualquer outra diferença. Para isso é necessário adaptar a cidade e possibilitar que essas pessoas saiam de dentro de suas casas e proporcioná-las dignidade, assim como a qualquer outro cidadão”, disse o presidente da Associação Pré-deficiente, Marcelo da Silveira.

Participaram da reunião cerca de trinta pessoas, entre elas, representantes dos governos executivo e legislativo, membros das associações dos deficientes visuais e auditivos de Petrópolis, pais e amigos de deficientes e representantes das instituições Setranspetro, Ceptrans e da empresa Salvine.

O principal assunto discutido foi a adaptação de vans para o transporte dos deficientes. O presidente da Ceptrans Orlindo Possato disse, que, para o transporte dos deficientes as vans são, mas eficientes, devido ao tamanho, já que as mesmas podem subir ladeiras e ruas estreitas onde os ônibus não conseguem entrar. “O governo executivo já está averiguando possibilidades para por em prática essa idéia. Nossa meta é proporcionar dignidade a todos os cidadãos”, explicou o presidente da Ceptrans.

O presidente da CMP, vereador Bernardo Rossi, se sensibilizou ao ouvir as reivindicações e manifestos do grupo, Rossi colocou o legislativo a disposição de todos e se comprometeu em representá-los e buscar medidas junto ao executivo para solucionar os problemas de adequação nos transportes públicos, pontos turísticos, colocação de placas e vagas para os deficientes. “Quero ser uma voz a somar com este fórum”. O vereador disse que compartilha com a mesma opinião do prefeito. “Temos o conhecimento do que cada um de vocês sofre, o próprio prefeito tem a mãe que é cadeirante”, Bernardo também citou que em sua família, tem um tio que perdeu a visão, por isso ele sabe as limitações que essas pessoas passam em nossa cidade e por isso luta por uma melhor qualidade de vida para todos.

De acordo com Bernardo, a CMP provou que apesar das restrições na construção civil, é possível dar acessibilidade aos deficientes físicos. “Exemplo disso, foi a inauguração de uma cadeira capaz de subir e descer escadas apenas apertando um botão, a qual foi colocada a disposição da população”, exemplificou o vereador dizendo ainda que está em votação na casa outros projetos de lei, como a obrigatoriedade de instalação de aparelhos de telefones públicos para o uso de deficientes auditivos.

Satisfeitos com o desfecho reunião, os integrantes do fórum disseram que esta foi a primeira vez que conseguiram reunir o presidente da CMP e representantes do executivo, segundo eles resultado superou as expectativas.



Diário de Petrópolis
30/10/2009

Cresce incidência da síndrome de Down, diz pesquisa.

O número de casos aumentou 71 % na Grã-Bretanha nas últimas duas décadas. Resultado da mudança de comportamento das mulheres, que têm investido na carreira e deixado para ter filhos mais tarde.

Uma pesquisa divulgada por uma universidade britânica trouxe informações importantes sobre a incidência da chamada síndrome de Down. Quem explica é o correspondente Marcos Losekann.

Alegria e tristeza diante da mesma notícia: o exame que confirmou a gravidez de uma inglesa, aos 40 anos de idade, também revelou que a criança nasceria com síndrome de Down.

Cathie Aldridge faz parte de uma estatística divulgada nesta terça-feira em Londres: o número de casos aumentou 71 % na Grã-Bretanha nas últimas duas décadas. Resultado da mudança de comportamento das mulheres, que têm investido na carreira e deixado para ter filhos mais tarde.

Segundo a pesquisa feita pela universidade Queen Mary com 26 mil mulheres, o risco da criança nascer com a síndrome de Down é de 1 em cada 940 gestações para mães com até 30 anos de idade. Esse risco sobe de 1 para cada 85 gestações, quando a grávida já tem 40 anos.

Cathie garante que não ficou triste por muito tempo. Antes mesmo de Sammy nascer, ela já estava conformada e ansiosa. Nesta terça-feira, o garotinho de quase 2 anos é a maior alegria da vida dela: “Ele é um amor”, se derrete a mãe.

A mesma pesquisa também trouxe mais esperança. Em 1950, a expectativa de vida de uma pessoa nascida com a síndrome de Down não passava de 15 anos. Hoje em dia, chega a 65.

Mais do que remédios e terapias que ajudam a combater as doenças provocadas pela síndrome, os médicos atribuem o avanço à diminuição do preconceito. Quem tem a síndrome vai à escola, trabalha e, sobretudo, é mais respeitado e mais amado.

Tire as principais dúvidas sobre a Síndrome de Down

1. O que é Síndrome de Down?
Síndrome de Down (SD) é uma alteração genético que acarreta um atraso do desenvolvimento, tanto das funções motoras do corpo, como das funções mentais. Um bebê com SD é pouco ativo, molinho, o que chamamos hipotonia. A hipotonia diminui com o tempo, e a criança vai conquistando, embora mais tarde que as outras, as diversas etapas do desenvolvimento: sustentar a cabeça, virar-se na cama, engatinhar, sentar, andar e falar. A SD era conhecida popularmente como mongolismo. Atualmente, a forma de se nomear as pessoas que nascem com a trissomia 21 é: Pessoas com Síndrome de Down.


2. Como se reconhece a SD?
Há sinais físicos que acompanham, em geral, a SD, e por isso ajudam a fazer o diagnóstico. Os principais sinais físicos no recém-nascido são:
• Hipotonia
• Abertura das pálpebras inclinada com a parte externa mais elevada
• Prega da pálpebra no canto dos olhos como nas pessoas da raça amarela, por exemplo japoneses.
• Língua protusa (para fora da boca)
• Prega única na palma das mãos
Há outros sinais físicos, mas variam de bebê para bebê.

3. Ocorrem muitos casos de SD?
A SD é relativamente freqüente: de cada 700 bebês que nascem, um tem.
a síndrome. Atualmente, estima-se que existem, entre crianças e adultos, mais de 100 mil brasileiros com SD.

4. Qualquer casal pode ter um filho com essa síndrome?
Sim, qualquer casal pode ter filho com SD, não importando sua raça, credo ou condição social. Entretanto, a chance de nascer um bebê com SD é maior quando a mãe tem mais de 40 anos.

5. Algum problema ocorrido durante gravidez pode causar a síndrome?
Não. No inicio da gestação, quando começa a se formar o bebê, já está determinado se ele terá SD ou não. Portanto, nada que ocorra durante a gravidez, como quedas, emoções fortes ou sustos, pode ser a causa da síndrome. Também não se conhece nenhum medicamento que ingerido durante a gravidez cause a SD.

6. A SD é contagiosa?
Não, ela não é causada por nenhum micróbio. Ela é produzida por uma alteração genética que ocorre no início da gravidez.

7. Existe cura?
Até o momento, não há cura, embora no mundo inteiro se façam pesquisas nesse sentido. A SD é uma anomalia das próprias células, e não existem drogas, vacinas, remédios, escolas ou técnicas milagrosas capazes de curá-la.
Infelizmente, são inúmeros os pais que se deixam enganar por curandeiros e charlatões, pensando que seus tratamentos milagrosos beneficiam seus filhos.
Nesses casos, o desenvolvimento que a criança vai tendo com a idade é atribuído erradamente ao tratamento, que muitas vezes exige sacrifícios econômicos exorbitantes e completamente inúteis.
Atualmente, são realizados programas de estimulação precoce que visam, favorecer o desenvolvimento motor e intelectual das crianças com SD. Estes programas indicam melhoras no desempenho da criança durante os primeiros anos de vida. A estimulação precoce não é a cura da SD, mas fornece as oportunidades para o desenvolvimento dos potenciais da criança.

8. Qual a causa?
Toda pessoa tem seu corpo formado por pequenas unidades chamadas células, que só podem ser vistas ao microscópio. Dentro de cada célula estão os cromossomos, que são os responsáveis por todo o funcionamento da pessoa.
Os cromossomos determinam, por exemplo, a cor dos olhos, altura, sexo e também o funcionamento e forma de cada órgão interno, como o coração, o estomago e o cérebro. Cada uma de nossas células possui 46 cromossomos que são iguais dois a dois, quer dizer, existem 23 pares ou duplas de cromossomos dentro de cada célula. Um desses pares de cromossomos, chamado de par número 21, é que está alterado na SD. A criança com SD possui um cromossomo 21 a mais, ou seja, ela têm três cromossomos 21 em todas as suas células, ao invés de ter dois. É o que chamamos de trissomia 21. Portanto, a causa da SD é a trissomia do cromossomo 21.

9. Qual o risco de um casal ter uma criança com SD?
O risco depende da síndrome ser causada por trissomia simples ou por translocação. No caso da trissomia simples, o risco depende da idade da mãe, Isso porque a chance de acontecer um erro na formação do ovo é maior com o aumento da idade da gestante. Para a translocação, se não existe outro caso na família, o risco é muito pequeno.

Para mais perguntas, entre no site da Fundação Síndrome de Down e clique em perguntas mais frequentes.


Jornal Nacional
30/10/2009