sábado, 12 de dezembro de 2009

Vagas para deficientes tem novo protocolo para empresas.

Agora, o empregador deve expor todas as características do profissional que procura no sistema digitalizado
Novo protocolo foi acrescentado no Sistema de Intermediação de Mão de Obra (Simo) Internet para facilitar o cadastro de empresas que buscam contratar profissionais com deficiência pela Agência do Trabalhador. Agora, o empregador deve expor todas as características do profissional que procura no sistema digitalizado, facilitando a pesquisa.

O objetivo do novo protocolo é aumentar o número de profissionais deficientes no mercado de trabalho. Segundo o secretário do Trabalho, Emprego e Promoção Social, Nelson Garcia, alguns empregadores abriam vagas e informavam ao Ministério Público do Trabalho que não havia profissional com o perfil que procuravam, e por isso não cumpriam a cota para deficientes na empresa.

"Essa medida é um avanço para o Programa de Apoio à Pessoa com Deficiência (PPD), tanto do ponto de vista de resguardar o empregador que está bem intencionado e quer abrir uma vaga com as características normais para um trabalhador com deficiência e esteja mesmo predisposto para a sua inclusão, como para o trabalhador que dentro de uma dessas vagas vai encontrar oportunidade de trabalho", frisa Garcia.

Ângela Carstens, coordenadora de Intermediação de Mão de Obra da Secretaria do Trabalho, lembra que toda empresa com 100 ou mais empregados deve preencher de 2% a 5% dos seus cargos com trabalhadores reabilitados ou com deficiência. "Um dos objetivos do PPD é fazer a intermediação entre a empresa que precisa cumprir a lei de cotas e o trabalhador com deficiência que precisa de oportunidade para conseguir uma vaga de emprego", ressalta.

Na hora de protocolar a vaga, o empregador deve estar bem ciente do que procura, para não cometer erros. Será necessário informar a escolaridade, o tipo de deficiência, o salário que será ofertado, entre outras características da vaga.



Bem Paraná
11/12/2009

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APNEN: 12/12/2009

Deficientes testam acessibilidade no metrô de Ipanema

A inauguração está prevista para o dia 21 de dezembro
Na manhã desta sexta-feira, o secretário de Transportes do Rio, Julio Lopes, acompanhou cadeirantes e pessoas necessidades especiais numa visita às instalações da nova estação do metrô Ipanema-General Osório, na Zona Sul do Rio.

Os visitantes conheceram e testaram os equipamentos disponíveis para garantir ampla mobilidade aos usuários do sistema. Dentre as estações, a Ipanema-General Osório será a mais completa em termo de acessibilidade, dispondo de 12 elevadores, 17 escadas rolantes e seis esteiras rolantes, que servirão para facilitar o deslocamento de idosos, pessoas com necessidades especiais e cadeirantes.

Participaram da visita integrantes da Andef, a maior associação de deficientes físicos do Estado, da ADESO, a Associação de Deficientes Físicos da Zona Oeste, além de cadeirantes que fazem parte das equipes da Operação Lei Seca e atletas paraolímpicos.

A estação está praticamente pronta para a inauguração, que acontecerá no próximo dia 21. Entre os equipamentos, tanto os sistemas de iluminação, ventilação e sonorização, como as catracas, as câmaras de vigilância e as placas de sinalização já estão devidamente instalados.

Os visitantes conferiram também o design moderno da estação, que além de arquitetura arrojada contará com sete obras de arte nos seus acessos



Correio do Brasil
11/12/2009


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APNEN: 12/12/2009

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Brasil inaugura fábrica de células-tronco.

Objetivo é evitar que as células contenham algum tipo de contaminação bacteriana ou anomalia genética.

Pesquisadores da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) inauguraram a primeira grande fábrica de células-tronco do país. O objetivo é distribuir linhagens dessas células para dezenas de centros de pesquisa do Brasil, de maneira que futuros testes de laboratório sejam padronizados e tenham resultado mais confiável.

O Lance (Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias) fabricará não só linhagens de células embrionárias humanas, que podem assumir a função de qualquer tecido do organismo adulto, mas também as chamadas células iPS. Este é produzido quando um pedaço do organismo adulto, como uma célula da pele, é "convencido" a retornar a um estado mais primitivo, tão versátil quanto o embrionário.

A esperança é que ambos desempenhem um papel importante na medicina do futuro. As duas classes de célula podem ajudar a reconstruir a dinâmica de doenças humanas em laboratório e servir como plataforma para teste de novas drogas. Também há chance de usá-las para reconstruir tecidos e órgãos lesados, como os neurônios disfuncionais de uma pessoa com mal de Parkinson, embora nenhum teste em humanos tenha ocorrido até agora.

Momento de esperança
O diretor do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, Roberto Lent, disse que a iniciativa marca um momento de "criatividade e esperança" para a instituição, que está fazendo 40 anos. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, foi o responsável por inaugurar oficialmente o laboratório, na segunda-feira (30).

Os cientistas planejam garantir que as células distribuídas estejam livres de contaminação bacteriana, sem anomalias genéticas e com pluripotência (versatilidade na transformação em outros tipos). Outro fator a ser considerado pelos cientistas é a composição genética das células, que influi na maneira com que elas reagem a drogas, por exemplo. "A [linhagem] que testamos era cerca de 98% europeia. Pode ser que nunca consigamos amostrar toda a diversidade genética brasileira, porque quem tem acesso a clínicas de fertilização [fornecedoras de células embrionárias] tende a representar uma fatia mais europeia da população", afirmou Stevens Rehen, o biólogo coordenador do laboratório.



Gazeta Brazilian News
10/12/2009

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11/12/2009 CAR.

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Aprovado PL para realização de censo das pessoas com deficiência em São Paulo.

Projeto de lei aprovado em segunda votação prevê um levantamento detalhado com perfil sócio-econômico dos 1,5 milhão de pessoas com deficiência na capital paulistana.

De autoria da vereadora Mara Gabrilli, projeto de lei aprovado em segunda votação prevê um levantamento detalhado com perfil sócio-econômico dos 1,5 milhão de pessoas com deficiência na capital paulistana. "Quem é a pessoa com deficiência em São Paulo hoje? O dado estatístico ao qual temos acesso é o Censo IBGE, realizado de dez em dez anos e extremamente amplo, de modo que não há um número confiável e atualizado sobre o qual possamos trabalhar com eficiência", diz a autora do texto Mara Gabrilli.

Foi aprovado em segunda votação nesta terça-feira (8) na Câmara dos Vereadores de São Paulo projeto de lei da vereadora Mara Gabrilli que cria o Programa Censo Inclusão. O programa tem o objetivo principal de mapear as pessoas com deficiência que vivem na cidade de São Paulo. O levantamento trará dados reais a respeito do segmento na capital, propiciando a elaboração de ações e políticas públicas específicas voltadas para a inclusão das pessoas com deficiência. O texto seguirá agora para o prefeito de São Paulo.

"Quem é a pessoa com deficiência em São Paulo hoje? O dado estatístico ao qual temos acesso é o Censo IBGE, realizado de dez em dez anos e extremamente amplo, de modo que não há um número confiável e atualizado sobre o qual possamos trabalhar com eficiência", diz a autora do texto Mara Gabrilli.

Ao saber, por exemplo, qual a faixa de renda majoritária dos cerca de 1,5 milhão de pessoas com deficiência na capital, muitos fabricantes poderão alcançar um mercado a mais. "Atualmente a maioria das pessoas com deficiência não é bem-recebida pelo comércio da cidade em geral, por exemplo. Um levantamento como este pode jogar luz para este potencial público consumidor, hoje praticamente ignorado", diz a vereadora. Um exemplo bem trivial é uma loja de roupas que tenha um degrau, extinguindo automaticamente todos os cadeirantes que possam vir a se interessar por seus modelos.

Outro exemplo, estrutural e mais importante, é que, com estes números, as instituições de ensino poderão dimensionar melhor seus espaços para receber este público. Por isso, o Instituto Ágora em Defesa do Eleitor e da Democracia, uma das mais importantes ONGs brasileiras de acompanhamento das atividades parlamentares, classificou o Censo Inclusão como um dos 13 mais importantes Projetos de Lei a serem aprovados na Câmara Municipal de São Paulo em 2009.

http://vereadoramaragabrilli.com.br/noticias/218-pl-de-mara-gabrilli-esta-entre-os-13-mais-relevantes-para-a-cidade.html

O texto do projeto prevê que o levantamento seja feito a cada quatro anos, pela secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida (SMPED), que também ser responsabilizará por fazer parcerias e convênios necessários a sua realização. Por conta da possibilidade de aprovação da lei, a vereadora já alocou R$ 500 mil de suas emendas parlamentares à Secretaria para que seja utilizada para o censo.

O projeto de lei seguirá agora para sanção ou veto do prefeito de São Paulo.

Conheça a tramitação do PL 258/07, que institui o Censo Inclusão, acesse:
http://www.vereadoramaragabrilli.com.br/projetos-de-lei/50-pl-258-de-2007.html.


Comentário APNEN: Estamos já algum tempo em parceria com o Conselho Municipal de Direitos da Pessoa Portdora de Necessidades Especiais de Nova Odessa, realizar este censo em Nova Odessa, mais devido a varios problemas encontrados, não conseguimos realizar.


Vereadora Mara Gabrilli
10/12/2009

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Projeto prevê brinquedos adaptados para deficientes em praças.

Vereador afirma que medida poderá diminuir o isolamento das crianças com deficiência
O vereador Marcos Nem, do PR, pediu vistas ao projeto de lei do vereador Valcir Soares, do PTB, que dispõe sobre a obrigatoriedade de instalação de brinquedos adaptados para pessoas com deficiência em praças, parques, escolas e creches municipais, bem como em locais de diversão em geral. Valcir afirma que o projeto recebeu parecer de ilegal da comissão de constituição e justiça da câmara municipal, mas estará em pauta novamente na reunião ordinária da próxima terça-feira, 13. Antes, afirma que estará conversando com o prefeito Tadeu Leite para que o executivo possa apoiar o projeto.

Valcir justifica a relevância do projeto ao afirmar que os brinquedos instalados nos parques e áreas de lazer no Brasil foram desenvolvidos para pessoas que não apresentam de?ciências físicas, motoras ou sensoriais e, portanto, não oferecem reais possibilidades de uso por crianças com necessidades especiais, que ficam isoladas.

"A instalação de brinquedos adaptados nos parques e áreas de lazer permitirá que a criança com deficiência, em geral mais retraída devido à suas limitações, seja motora ou sensorial, desfrute do prazer de brincar com liberdade, em perfeita harmonia com as outras crianças", explica o vereador, que destaca, ainda: "O ato de brincar possui um efeito biológico e psíquico estimulante, contribuindo positivamente para o crescimento pessoal."

Valcir Soares lamenta que, devido às limitações impostas por suas condições fisicas e/ou sensoriais, as crianças com deficiência são, em muitos casos, isoladas do ponto de vista social, pois a maioria dos meios proporcionados à população em geral não consideram as características dessas crianças, incorrendo na lamentável e consequente segregação para o acesso e uso dos espaços.

Valcir Soares afirma que o projeto prevê ainda que os equipamentos deverão ser criados e instalados por pessoal capacitado, que adequará os equipamentos à criança com deficiência. Determina, ainda, que os locais mencionados deverão, quando for o caso, ter brinquedos adaptados para atender crianças com deficiência visual, tais como jogos de tabuleiro e baralhos táteis.

"Com esta proposição, queremos que todos os playgrounds e salas de jogos tenham brinquedos desenvolvidos para as crianças portadoras de necessidades especiais, permitindo não só a diversão, a brincadeira, mas, sobretudo, a socialização e a integração, o que propiciará a construção de um futuro melhor em nossa sociedade, com base no respeito entre todos, enfatiza o autor da proposta.


O Norte de Minas
10/12/2009

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Prefeitura de Bauru recebe 12 salas multifuncionais para alunos de educação especial.

Serão distribuídas em sete unidades escolares que ainda não contam com esse serviço
A Prefeitura Municipal, através da Secretaria Municipal de Educação, foi contemplada com 12 salas multifuncionais na primeira fase do Programa de Implantação de Salas de Recursos do Ministério da Educação e Secretaria da Educação Especial/SEESP.

A entrega deste material (mais de 40 itens) está prevista para 2010 e serão distribuídos em 07 unidades escolares que ainda não contam com esse serviço e entre outras 5 unidades que já possuem as salas, as quais receberão adequações e melhorias.

Educação Especial é uma modalidade de ensino que perpassa todos os níveis, etapas de ensino, realiza o atendimento educacional especializado, disponibiliza os recursos e serviços, orienta quanto à utilização desses recursos no processo de ensino e aprendizagem nas salas comuns do ensino regular.

De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, responsável pela solicitação atendida pelo Governo Federal, esse material complementa a formação dos alunos da área de Educação Especial que visa autonomia e independência na escola e fora dela.

Este programa do MEC tem alcance nacional e faz parte de uma ação maior de apoio aos sistemas de ensino na oferta de Atendimento Educacional Especializado aos alunos com necessidades educacionais especiais matriculados nas classes comuns de ensino público regular.

Ações como esta disponibilizada pelo MEC/SEESP e as já desenvolvidas pela Secretaria da Educação/Divisão de Educação Especial, viabilizam a proposta Municipal de educação inclusiva e de qualidade, declara Majô Jandreice, secretária municipal.

Confira as escolas indicadas pelo Ministério da Educação que receberão o equipamento:

As 06 salas multifuncionais a serem instaladas nas escolas que ainda não contam com esse serviço são:

EMEF Prof.ª Alzira Cardoso (Jardim Chapadão);
EMEF Cônego Aníbal Difrância (Parque São Geraldo);
EMEI Floripes Silveira de Souza (Bauru XVI);
EMEF Prof. José Romão (Nova Bauru);
EMEF Lourdes O. Colnaghi (Núcleo José Regino);
EMEF Lydia Alexandrina Nava Cury (Núcleo Geisel).

As 06 unidades escolares que terão suas salas de recursos ampliadas com os materiais da sala multifuncional são:

EMEF Prof. Geraldo Arone (Nuc. Fortunato Rocha Lima);
EMEF Dirce Boemer Guedes de Azevedo (Tangarás/Ferradura Mirim);
EMEF Ivan Engler de Almeida (Parque dos Sabiás);
EMEF José Francisco Junior (Jd. Progresso);
EMEF Claudete da Silva Vecchi (Parque Viaduto);
EMEF Thereza Tarzia (Núcleo Nobuji Nagasawa).



Agência BOM DIA
Bauru - SP, 10/12/2009


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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O autismo não existe! - a busca pela cura como barreira para inclusão.

Autistas não precisam ser curados, precisam ser respeitados. O que precisamos é oferecer dignidade, habilitação e reabilitação para uma vida independente, com o máximo de autonomia possível.

Não existe cura para autismo. Nem nos EUA, nem em lugar nenhum do mundo. Autistas, não precisam ser curados, precisam ser respeitados. O que precisamos é oferecer dignidade, habilitação e reabilitação para uma vida independente, com o máximo de autonomia possível.

Na verdade, o autismo não existe. O que se faz, na tentativa de se negar o autista que é real e que está lá, é caçar um fantasma que supostamente tomou conta de nossas crianças “normais” [sic], o tal do autismo.
Quem existe são autistas que sofrem pela negação por parte de pais e profissionais, que não são aceitos nas escolas e que não tem instituições que os apóie na inclusão, que pagam caro por não cumprir as expectativas de uma sociedade, ou de uma família que esperava um filho "padrão", ou “normal” [ sic].

Neste sentido a busca da cura do autismo é vã, deletéria e, muitas vezes, prejudicial quando colabora para aumentar o preconceito que afasta mais ainda o autista da aceitação por sua família e da sociedade, de seus direitos fundamentais e de sua dignidade inerente.

Precisamos sim de mais profissionais especializados em incluir o autista na comunidade, na escola, na sociedade. Precisamos de mais centros preparados para o diagnóstico, a habilitação e reabilitação do autista - isto não deve significar centros de segregação de autistas, ou residências fora da comunidade, mas centros que apóiem os autistas para uma vida independente. Precisamos de pesquisas para entender melhor o autista, para construir e oferecer técnicas de comunicação alternativa e para ajudá-los a regular melhor seu comportamento.

Nada do que é necessário é justificativa para se coisificar o autista, para se tratar o autista como um ser humano menor, alguém doente que precisa de tratamento pelo simples fato de ser o que é.

Autistas precisam de tratamento pra gripe, pra depressão, pra convulsão, pra bicho-de-pé, prum monte de coisas igual a todo mundo, inclusive compulsões nocivas como se bater demais, jogar demais, beber demais, comprar demais, falar palavrão demais, quebrar coisas demais.
O autismo em si não se trata, já que ele não existe, e o autista não pode ser tratado dele mesmo. Quem vai sobrar depois desse tratamento? A pessoa que deveria existir e que também nunca existiu por conta do fantasma do autismo?

Tratar o autismo significa tornar o autista mais "sociável"? Então, sugiro que se mude esse ponto de vista.

O que deve ser oferecido para o autista é a oportunidade de maior participação, contato social, de construção da sua vida com maior independência possível, com o apoio da família e de seus pares. Isto não significa tratar o autista ou autismo, nem busca de cura. Isto é habilitação e reabilitação.

Durante muitos anos, e até hoje em dia, o discurso que se aplica é que o autismo é uma bomba que destrói famílias. É fácil dizer que o autista não se coloca no lugar do outro, difícil é se colocar no lugar do autista.
Nós, autistas e familiares, precisamos pensar em respeito às diferenças, dignidade e acolhimento. Promover o respeito, a inclusão e fazer mudar o que se pensa e o que se diz sobre o autismo e os autistas.

Alexandre Mapurunga
Inclusão e diversidade
09/12/2009

MPF faz acordo para obras de acessibilidade na PUC e Uniban

Multa é de R$ 5 mil por dia em caso de descumprimento
Ministério Público Federal de São Paulo (MPF-SP) firma acordo extrajudicial com a Universidade Bandeirante (Uniban) e a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC) para adequação de obras de acessibilidade em dois de seus campus. As adaptações serão feitas nos prédios 1, 2 e 3 do campus Marquês de Paranaguá, da PUC-SP e no campus Campo Limpo, da Uniban.

O acordo veio após dois procedimentos administrativos instaurados no MPF-SP para apurar a falta de acessibilidade nos locais. Caso as instituições descumpram qualquer cláusula firmada nos acordos, a multa é de R$ 5 mil por dia de descumprimento.

A PUC-SP se comprometeu a adaptar, até 31 de março de 2010, banheiros, rampas de acesso e instalação de elevadores dos predios, entre outras reformas que garantam acessibilidade.

A Uniban deve, até 20 de dezembro, instalar barras fixas nos sanitários da biblioteca, da praça de alimentação e dos prédios. Também deverá instalar pisos táteis de alerta com faixa de cor contrastante no degrau e direcionais nas rampas e nas escadas do campus até o dia 10 de janeiro de 2010.

A universidade ainda se comprometeu a construir rotas acessíveis para as pessoas com deficiências visual ou mobilidade reduzida. A inserção da sinalização em braille nos elevadores, a colocação bebedouros acessíveis e a regularização da altura e as dimensões dos balcões de atendimento da Biblioteca e das lojas na Praça de Alimentação também estão previsto no acordo. Todas as obras devem ficar prontas até 30 de janeiro de 2010.


O Estado de S. Paulo
09/12/2009

MPF-SP quer garantir acessibilidade nas casas populares do governo.

Ministério Público Federal protocolou ação civil pública para que a Caixa Econômica Federal exija o cumprimento das normas e técnicas de acessibilidade nas construções das casas do programa "Minha Casa, Minha Vida".

O MPF-SP (Ministério Público Federal) protocolou ação civil pública, com pedido de liminar, para que a Caixa Econômica Federal exija o cumprimento das normas e técnicas de acessibilidade a pessoas com deficiência física nas construções das casas populares do programa "Minha Casa, Minha Vida", do Governo Federal.

De acordo com o procurador regional dos Direitos do Cidadão, Jefferson Aparecido Dias, autor da ação, a Caixa deve exigir das construtoras o atendimento das normas que regulam a acessibilidade nos projetos habitacionais, por ser responsável pela parte operacional dos recursos do programa. Em contrapartida, a Caixa alegou que cabe aos poderes públicos do local, aonde serão realizadas as obras, verificarem se essas normas estão sendo cumpridas.

Porém, a própria Cartilha do Programa, disponível do site do banco, determina que, para ser aprovado o empreendimento, a Caixa deve verificar se estão sendo cumpridas as normas de acessibilidade. Além disso, no mesmo documento, a Caixa informa que é a responsável por analisar a engenharia dos projetos e acompanhar as obras.

No entendimento de Dias, se a Caixa se omitir, o prejuízo ao patrimônio público federal pode ser irreversível. “Recursos financeiros estão sendo liberados às empresas sem qualquer análise prévia quanto à acessibilidade e, se não for dado o alvará de construção ou mesmo se a obras já estiverem prontas, o dano à sociedade será consumado, já que os recursos públicos já terão se esgotado para aquela obra", ressaltou.

Acessibilidade
O Brasil é signatário da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, que tem como objetivo "promover, proteger e assegurar o exercício pleno e equitativo de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais por todas as pessoas com deficiência e promover o respeito pela sua dignidade inerente."

Além disso, o Decreto Federal 5.296/04, estabelece uma série de regras à arquitetura quanto a acessibilidade de pessoas com deficiência.

Segundo o procurador Dias, "não se pode deixar que as pessoas com deficiência sejam prejudicadas em um programa que tem como objetivo construir mais de um milhão de casas em todo o país”.



UOL
09/12/2009

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Células-tronco agora podem ser rastreadas.

Entender o caminho que a célula-tronco percorre no organismo após ser inserida no corpo humano é a mais recente linha de pesquisa multidisciplinar iniciada na Unicamp.

Entender o caminho que a célula-tronco percorre no organismo após ser inserida no corpo humano é a mais recente linha de pesquisa multidisciplinar iniciada na Unicamp. O primeiro passo foi dado pela física Tatiana Midori Martins Telles Alves. A pesquisadora desenvolveu nanopartículas de óxido de ferro sintetizadas por métodos químicos adequadas às aplicações biomédicas. Implantados nas células, os dispositivos "rastreiam" seu percurso.

Depois de vários ensaios, Tatiana chegou a produzir o material de tamanho extremamente reduzido, da ordem 5 a 15 nanômetros (um nanômetro é equivalente a um milionésimo de milímetro), o que permitiu iniciar os testes com as células-tronco. As nanopartículas possuem ainda potencial para muitas outras aplicações, entre as quais a possibilidade de detecção ultra-sensível de doenças. "Não é fácil sintetizar este tipo de material, que tem características diferenciadas. Há necessidade de se experimentar várias técnicas diferentes", explica a física.

Segundo o neurologista e professor da Faculdade de Ciências Médicas (FCM), Li Li Min, que coordenou os testes médicos, no caso das células-tronco, elas têm sido apontadas como uma das esperanças para a cura de doenças. "As expectativas são as mais animadoras possíveis. É como se fosse a salvação para muita coisa. No entanto, há muitas dúvidas com relação às transformações que elas podem ocasionar e o seu percurso no corpo humano", atesta o professor.

As pesquisas, neste sentido, contribuem para que se conheça a biologia e como a célula inserida se desenvolve no organismo. Por isso, a novidade do trabalho de mestrado de Tatiana, que foi orientada pelo professor Marcelo Knobel, do Instituto de Física "Gleb Wataghin" (IFGW) e pela doutora Daniela Zanchet, do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, está justamente em criar mecanismos que consigam rastrear as células e, conseqüentemente, prever o seu comportamento.

As nanopartículas de óxido de ferro, além de serem biocompatíveis, também possuem propriedades magnéticas e, por isso, podem ser usadas como agentes de contraste em exames de ressonância magnética. Alguns estudos internacionais já mostram a eficiência do material para diagnósticos de enfermidades relacionadas ao fígado. A questão, no entanto, seria encontrar as medidas adequadas para melhor absorção pelas células e melhor visualização nos exames.

Nesta etapa, o trabalho se torna complexo, pois é necessário encontrar a técnica ideal para a síntese. "São necessárias várias experiências com solventes e temperaturas altíssimas para que sejam obtidas nanopartículas de melhor qualidade em relação aos modelos comerciais. Neste caso, em especial, adotei a síntese por decomposição térmica", informa.

As vantagens do material desenvolvido por Tatiana são inúmeras. Ao contrário de outros modelos existentes, as nanopartículas de óxido de ferro são uniformes e esféricas, o que facilita o estudo de suas propriedades magnéticas e apresenta potencial para aplicações mais sofisticadas na área médica.

O processo de incorporação das nanopartículas foi outro desafio para a marcação celular devido à necessidade de se utilizar um recobrimento biocompatível e que oferecesse uma resposta eficiente.

O professor Li Li Min destaca que há um longo caminho a percorrer até que se consigam os resultados esperados nos testes. Mas os estudos acerca do desenvolvimento das nanopartículas são animadores, avalia o cientista, pois consistem em uma etapa fundamental para o prosseguimento das pesquisas.


Raquel do Carmo Santos
Revista Sentidos
08/12/2009

Inclusão, Sociedade e Outros Abusos Conceituais.

Muitos conceitos costumam habitar temporariamente a mentalidade da sociedade e das pessoas. A inclusão é mais um deles, o que torna sua compreensão suscetível a maus entendidos.

Muitos conceitos costumam habitar temporariamente a mentalidade da sociedade e das pessoas. Assim foi que a sustentabilidade passou a significar menos uma postura ético-ambiental e mais um termo do arcabouço aparentemente infindável do discurso político. Participação popular e democracia participativa são termos muito empregados por pessoas que são profissionais em representar os demais. Controle público já se pode ouvir da voz eletrônica de um 0800 de uma repartição pública. Sem falar no paradigma que, também por sua origem grega, impressiona, mesmo quando não há nada perto de um paradigma em questão.

Com a inclusão não haveria de ser diferente. A inclusão é um a palavra mágica que deveria recolocar o sujeito imediatamente numa condição de vida ideal, imaginada normalmente por um terceiro. Além disso, tem a vantagem de casar muito bem com outro termo: a transversalidade. Então temos que a inclusão é transversal, ou seja, é aplicável a qualquer segmento social, grupo humano ou temática. A crença de que a inclusão fica nisso é o que torna o conceito suscetível a maus entendidos, muitas vezes criados intencionalmente. Mas a inclusão é a condição da ausência, mais que da presença. Seu foco não é o sujeito e suas particularidades, mas o ethos e suas complexidades.

Muito da dificuldade em desfazer a crença comum de que a luta pela inclusão seja meramente uma tentativa de reconciliação social se deve ao fato de que também muitas vezes se faz uma relação apressada com outro conceito que também ganha eco em proporções e direções geométricas: a reparação.

A reparação é possível e cabível quando aqueles a serem reparados tem em consenso que ela por si só é condição si ne qua non de resolução de um conflito. É como um passo sem o qual não é possível avançar. A noção de reparação não tem muita semelhança com a inclusão, pois aqui não há uma espécie de dívida histórica. A inclusão é uma necessária interlocução nas democracias contemporâneas porque se trata da ocupação de um vazio histórico, no qual a invisibilidade é um tipo de violência pactuada por toda a sociedade.

A inclusão não existe sem o seu oposto: a exclusão. E todos os processos em que se coloca a perspectiva de incluir sujeitos é porque estes mesmo sujeitos se encontram de uma forma ou de outra alijados de seus direitos fundamentais e de qualquer oportunidade social.

Quando se fala em incluir um aluno numa escola, não se fala somente em seu direito a pertencer, a ocupar um espaço social, mas sobretudo em destituir a escola de sua cultura excludente, onde cabem uns e não cabem outros. Quando se fala em incluir uma pessoa no mercado de trabalho, não se está falando apenas do seu direito ao acesso ao autosustento, mas na transformação do mercado num espelho de toda a sociedade e não apenas dos privilegiados que criam o seu ordenamento. Quando se fala em inclusão, não se fala apenas por pregação da diversidade ou pela afirmação da igualdade de direitos e oportunidades, mas se admite que o estado de direito e a organização social competem e organizam uma sociedade essencialmente desigual e heterogênea. O que se busca com a inclusão é a construção de uma sociedade mais igual, que respeite mais as diferenças entre os grupos e que providencie direitos comuns aos cidadãos e seu acesso a estes direitos.

Muitas vezes será impossível avançar nesse sentido sem que se desarticule o discurso da exclusividade, do preferencial, da proteção e até mesmo da reparação. Talvez aqui estejamos falando de um paradigma, de uma situação formalmente assumida pela sociedade. Bem como pensava Thomas Khun, não há mesmo meio de suplantar um modelo de organização sem que suas bases sejam desestruturadas, desconstituídas. A sociedade brasileira ganhará muito se conceitos como sustentabilidade, participação popular, controle público, inclusão e estado de direito deixarem de ser ameaçados por discursos vazios e eventuais. Se forem incorporados como valores "da" sociedade e não conceitos com finalidade específica. Estes são termos que precisam ser 'incluídos" em definitivo em nossa sociedade para que possamos começar a construir mais realidades e menos conceitos, mais dignidade para a vida de todos e menos discurso. Para que possamos construir de uma vez um novo tempo a partir de agora.


Bengala Legal
08/12/2009

Justiça determina que SPTrans não pode exigir exames para isentar deficientes

Liminar foi obtida após ação da Defensoria Pública do Estado, que afirma receber muitas reclamações de cidadãos com deficiência ou de representantes, nos casos de deficiência intelectual, que não conseguiram a isenção.

A Justiça de São Paulo determinou que a SPTrans (empresa que gerencia o transporte coletivo) não pode mais exigir exames para conceder a isenção de tarifa a deficientes físicos e mentais. Agora a empresa somente pode exigir os requisitos especificados na lei municipal 11.250/92, que regula a isenção a essas pessoas.

A liminar --decisão provisória-- foi obtida após ação da Defensoria Pública do Estado, que afirma receber muitas reclamações de cidadãos com deficiência ou de representantes (nos casos de deficiência mental) que não conseguiram a isenção.

Além de cumprir a lei municipal, também foi decidido que a SPTrans não pode submeter as pessoas à realização de perícia para comprovação da doença.

Segundo o defensor público Luiz Rascovski, a SPTrans criou uma portaria em 2008 que exige novos requisitos para liberar as passagens. "Antes, uma portaria intersecretarial apenas listava as doenças. Agora, ao lado da doença, há alguns critérios subjetivos, que não dá para serem aferidos. Além da exigência ser ilegal, gera abuso de poder e discricionariedade", afirma.

Na decisão, a juíza Maria Fernanda de Toledo Rodovalho, da 12ª Vara da Fazenda Pública, afirma que "a empresa não apenas condicionou a isenção à realização de perícia, como inovou a lei, criando um requisito não antevisto como necessário pelo legislador. A SPTrans transbordou os limites de mera executora da política pública. E esse excesso atinge direitos de todos".

Outro lado
Em nota, a SPTRans afirmou que "cumpre estritamente a legislação municipal" e disse desconhecer a ação movida pela Defensoria Pública.


Folha de s. Paulo
08/12/2009

Empresas brasileiras estão preparadas para atender clientes com deficiência?

Executiva Stella Kochen Susskind responde e apresenta um panorama de como anda esse atendimento.

Stella Kochen Susskind

As estatísticas têm mostrado que investir em acessibilidade pode ser mais do que um ato de cidadania e de responsabilidade social. Esse investimento pode se tornar um excelente negócio; um investimento em sustentabilidade. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou, no Censo 2000, que o Brasil possui um contingente de 14,5% da população com algum tipo de deficiência, ou seja, um universo de 24,5 milhões de pessoas com um potencial de consumo estimado em R$ 5 bilhões. Ao analisarmos os dados globais encontramos estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) que apontam que 10% da população mundial é portadora de deficiência - algo em torno de 610 milhões de pessoas, sendo que 386 milhões são economicamente ativas.

Diante desse cenário, será que as marcas e as empresas brasileiras estão preparadas para atender com qualidade o consumidor portador de deficiência? Quais as barreiras e erros mais frequentes? A resposta é um sonoro não! Mas, a boa notícia é que inúmeras empresas estão interessadas em saber onde erram e quais são as alternativas para iniciar um projeto de acessibilidade, de inclusão social. Entre os erros mais frequentes - detectados pela equipe de "clientes secretos" da Shopper Experience - começo citanto as barreiras físicas, porque são as que tangibilizam e ilustram o quanto a sociedade brasileira está despreparada para incorporar a inclusão de portadores de deficiência no cotidiano. Portas estreitas, correntes protegendo as vagas destinadas a cadeirantes, acessos não sinalizados para deficientes visuais e equipamentos de autoatendimento em alturas incompatíveis com cadeirantes são alguns dos erros estruturais mais comuns.

Os "clientes secretos" da Shopper Experience - pessoas com deficiência que integram projeto de inclusão profissional e atuam como pesquisadores responsáveis pelo atendimento a clientes de empresas de vários segmentos - citam, ainda, as barreiras emocionais e comportamentais. Em geral, profissionais do varejo, serviços financeiros e órgãos públicos não receberam treinamento adequado para lidar corretamente com o atendimento. Há casos de total ignorância que geram comportamentos como:

- o atendente grita com o deficiente visual. A questão é que ele não enxerga, mas ouve muito bem;
em um restaurante, o garçon pergunta ao acompanhante de um cadeirante qual é o pedido; o que o cadeirante gostaria de comer. Ou seja, "imbecializam" a pessoa com deficiência, tratando-a como um ser incapaz de tomar decisões;
- o atendente recebe o cadeirante, auxilia-o a entrar em determinado local, mas o abandona. Ou seja, não prossegue no atendimento por motivos inexplicáveis;
- o atendente pergunta ao cadeirante se não gostaria de ir ao provador, embora a loja não tenha um provedor adaptado;
- o atendente não pergunta ao deficiente visual a cor que prefere, porque acha que tanto faz;
- o atendente fala muito rápido com deficiente o auditivo, impossibilitando a leitura de lábios;
- o atendente leva o cadeirante até o banheiro e acende a luz;
- o atendente, ao recepcionar um deficiente visual com cão-guia, começa a brincar, distraindo o cachorro. Nunca se deve brincar com cães-guias quando os animais estiverem trabalhando;
- o atendente que segura no braço do deficiente visual para guiá-lo; prática que tira o equilíbrio. O correto é oferecer o braço para que o deficiente visual segure.

Outros casos de despreparo são protagonizados pelo que costumo chamar de "deficientes sociais", ou seja, pessoas que têm a coragem de parar em vagas exclusivas para cadeirantes e idosos; um tipo de ser humano que trata as pessoas com deficiência física como cidadãos de segunda categoria. Essas pessoas têm que ser reeducadas; passar por um processo de humanização social.

Em suma, a inclusão é uma cruzada que deve envolver todos os níveis da sociedade em torno de uma aliança firme, que trate a questão com a seriedade que merece.

Recentemente, a executiva criou um projeto de inclusão profissional inédito que capacita pessoas com deficiência a atuar como "clientes secretos". O recrutamento tem sido realizado em parceria com o Programa Trabalho Eficiente, da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD); Mara Gabrilli, vereadora e presidente do Instituto Mara Gabrilli; e Cid Torquato, coordenador da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Os interessados podem fazer a inscrição no site www.secretshopper.com.br/portal.

Comentário SACI: Pioneira no Brasil na avaliação do atendimento ao consumidor por meio do "cliente secreto", Stella Kochen Susskind preside a Shopper Experience, empresa de pesquisa que representa uma evolução do modelo. Contando com uma equipe expert no assunto e com o know-how de 20 anos gerindo pesquisas com secret shopper e de satisfação, a empresa tem por ferramenta uma rede formada por mais de 20 mil clientes secretos no Brasil e exterior - equipe frequentemente treinada e renovada, que possui diferentes perfis e hábitos de consumo. Com produtos diferenciados, a Shopper Experience atua com Customer Experience, Secret Shopper (cliente secreto) e Workshop in Company, e busca trazer conhecimento sobre a experiência dos clientes com produtos e marcas.


Revista Sentidos
08/12/2009

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Por uma mídia que se preocupe com sua língua...

...e as possíveis consequências ético-político-estéticas de sua responsabilidade social
Dizem que o melhor e fiel escudeiro de Hitler, o seu Ministro da Propaganda, Sr. Paul Joseph Goebbels, tinha como alguns porta-vozes oficiais de Governo, à mesma maneira do que ainda assistimos muitas vezes, um bordão, ou seja um clichê, ou seja uma frase de efeito dos que desejam o controle ou a mistificação através da informação. Ele gostava de afirmar que uma "mentira cem vezes dita, torna-se uma verdade". A partir deste modelo ainda frequente na Sociedade do Espetáculo é que proponho uma preciosa crítica e atenção para o que nos é dito, escrito, lido e televisionado. No campo das minorias e marginalizados cada dia mais temos de cuidar da linguagem e dos termos de uso comum que se naturalizam, assim como os usos e costumes da moda na e da Mídia. Acho que devemos olhar o que há debaixo da língua da Mídia, quando esta faz suas reportagens ou seus informes.

O que escrevo agora é uma continuidade do que escrevi há alguns dias. Era um desejo-antevisão dos 300 que entrariam/entrarão na Universidade pela porta da frente, sem escadarias ou barreiras atitudinais, comunicacionais, de informação e de "linguagem". Era uma opinião sobre o direito de uso de ajudas técnicas, tecnologias assistivas e todas as formas de facilitação e suplementação que permitiriam a acessibilidade e o acesso de um jovem com paralisia cerebral às Provas do Enem. Guilherme Finotti fez a prova do Enem. Assim espero. Ele conseguiu sua participação, escoltado por "agentes'" do INEP e da Polícia Federal.

Me lembrei de imediato, ao ler a reportagem, das imagens de crianças negras sendo escoltadas, pelo Exército, no Arkansas, EUA, para entrarem nas escolas públicas, por ordem presidencial de Eisenhower, no árduo processo de afirmação dos direitos civis dos negros na história norteamericana. Porém há que notar nessas aparentes cenas superpostas no meu imaginário, que lá, em 1957, entravam pelo menos umas 10 ou mais crianças nas escolas 'only for White', e aqui, nesse momento histórico, estamos com um (01) jovem gaúcho com paralisia cerebral, escoltado, que fez sua autodefesa e não teve nenhuma determinação presidencial para que lhe 'abrissem todas as portas da Educação'... A ele não foi negado o acesso, em princípio, mas sim negado que ele tem e terá sempre algumas diferenças a serem respeitadas e reconhecidas.

Depois, no auge do movimento de direitos civis de negros, o presidente Kennedy, nos anos 60 confirmou essa cena, quando teve de colocar também o Exército, para garantir a entrada e permanência de a necessidade de 01 cidadão negro à Universidade, em um estado sulista e reduto da KKK (Ku-Klux-Klan), o famoso Mississipi (em chamas). O seu governo tinha de cumprir uma determinação de 1954, quando a Suprema Corte, respeitou o posicionamento de seu juiz Earl Warren, que afirmou: "A segregação de crianças em escolas públicas baseada apenas na raça, mesmo que as instalações físicas e outros fatores sejam iguais, privam as crianças do grupo minoritário de oportunidades de igual educação? Acreditamos que sim (...) no campo da educação pública a doutrina "separados, mas iguais" não tem mais lugar. Escolas separadas são intrinsecamente desiguais. Além disso, defendemos que os litigantes e outros que estejam em situação semelhante (. ..) estão, pelas razões de segregação alegadas, [privados da igual proteção das leis e da 14ª Emenda]" (tradução livre) (1).

O que ficamos sabendo pela mídia, e que foi divulgado, muito ajudou a mudar a história de Guilherme. Nesse ponto reafirmo a responsabilidade da socialização de todos os acontecimentos, fatos ou dados. Obviamente sem o sensacionalismo e as distorções que uma notícia pode ela, sim, sofrer.

No século passado, a principal demanda era poder entrar, no caso norte-americano, nas instituições de ensino segregantes, o que assistimos hoje é um outro momento, mas ainda segregante quando um sujeito com deficiência desejava apenas fazer uma prova, com os devidos apoios de um computador E TECNOLOGIAS ASSISTIVAS. (LEIA O TEXTO publicado, EM 17/11/09, aqui no blog- "Seremos 300? Um pc para cada PC... - iNFOATIVO.DEFNET Nº 4303).

Será importante para a mídia, do jornal local ao Jornal Nacional, esclarecer e elucidar que ele, assim como outros jovens e crianças, NÃO SOFREM DE OU COM A PARALISIA CEREBRAL, pois esta condição neuro-psicomotora e física, não é motivo de sofrimento contínuo e progressivo. A paralisia cerebral dele é decorrente de possível situação de má oxigenação de seu cérebro, ocorrida antes, durante ou depois de seu parto. É preciso dizer e publicar que seu Sistema Nervoso Central, ou seja seu cérebro, tão aficcionado à Astronomia, por mais que tenha uma lesão do passado é o mesmo que lhe leva hoje a tentar entrar para a Uni - diversidade. Muito embora, se saiba que a sua condição diversa e diferente lá também encontrará, sem dúvida,muitas barreiras.

Há sofrimento quando um sujeito, como ele, é visto como único responsável por sua condição e incapacidades, e não o que lhe foi imposto a partir das limitações e das barreiras que lhe foram e são impostas pela sociedade e o meio que o cercam. E o cercam literalmente.

Recomendo que conheçam uma história de um outro jovem com paralisia cerebral, que também teve barreiras enfrentadas e demolidas. Assistam ao documentario: KING GIMP. É o resultado de trabalho sério e dedicado de 12 anos, nos quais dois cineastas acompanharam e filmaram a vida de Dan Keplinger. Hoje ele é um reconhecido artista plástico, e para tal é só acessar seus trabalhos em: http://www.kinggimp.com/film.html (site com versão acessível), com uma história de vida e determinação, daí ser nomeado um Rei Coragem, apesar de Gimp também significar 'aleijado'. Os cineastas, Susan Hadary e Willian Whiteford, ganharam o Oscar de melhor documentário em 2000. Dan usa uma ponteira na cabeça tanto para fazer o roteiro desse documentário premiado, assim como ainda hoje para digitar e fazer suas obras de arte. Pela matéria do jornal, podemos saber que também Guilherme utiliza uma ponteira para estes fins. As suas 'artes' e intervenções são em outros campos. Elas porém precisam de ajudas técnicas e de tecnologias assistivas para serem transformadoras. Vejam e ouçam o King Gimp. O documentário já foi exibido com legendas na HBO, quem sabe um dia entrará nos canais abertos?

A similitude entre Dan e Guilherme, porque foram veiculados em canais de mídia, é que ambos persistiram, com os indispensáveis apoios de outras pessoas, inclusive de familiares, para que as barreiras, de todo tipo, fossem superadas e removidas de seu caminho educacional. Mas estas barreiras não são removidas facilmente. Nem mesmo a existência de leis, como o Decreto 5296, assim com a recente Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência (Decreto 186-08), tem providenciado, como por exemplo atitudes de respeito às mesmas, pois até nossos gestores, governantes e representantes legislativos ou executivos, quicá o judiciário, tem feito O QUE É POSSÍVEL, a não ser nos seus espaços dedicados apenas a pessoas com deficiência. AFIRMAMOS QUE O ACESSO E A ACESSIBILIDADE TEM AMBOS SUA INTERDEPENDÊNCIA, como DIREITOS HUMANOS, e uma exigente implantação e realização dessas leis e direitos.

Basta o exemplo de Guilherme, que precisou de muita luta para estar na prova do Enem. Lembrando que ele, apesar de não conseguir guardar dólares nas meias ou cuecas, ficou numa sala 'cercado de agentes'. Talvez essa proteção, além do risco dele 'colar' pelo computador, tenha sido por sua 'periculosidade imanente". Ele e os supostos 300 que virão empurrar as portas fechadas das Universidades brasileira, nos dizem que é IMPOSSÍVEL DETER A 'ONDA', A TSUNAMI DE TRANSFORMAÇÃO DOS DIREITOS SAINDO DO PAPEL, apesar da VONTADE, NA SOCIEDADE DE CONTROLE, de fazê-lo. Eles e suas diferenças estão chegando e sonho, como Martin Luther King, serão incluídos em todos os espaços sociais.

Cada dia mais novas brechas e novos ares estão se abrindo para nossas mentes e corações. Aí, nesses interstícios e espaços de liberdade, como as 'extintas' rádios-livres, é onde deveríamos e devemos manter nossas revoluções moleculares contra todas as barreiras, todas as formas de discriminação ou segregação. As similitudes de imagens, histórias ou de desejos poderá ainda ser maior se, no mundo das mídias, houvesse uma preocupação ética-política e estética. Se na Idade Mídia não mais se transmitissem, reforçassem ou naturalizassem os preconceitos. Isso vale também para todos e todas que militam ou atuam em defesa dos direitos das pessoas com deficiência ou outros sujeitos em discriminação ou segregação. Nós também estamos imersos, ou até submersos, na mesma sociedade que desejamos mudar...

HÁ QUEM AINDA ACREDITE QUE SE ESTÁ FAZENDO O MELHOR, "DENTRO DAS POSSIBILIDADES", QUANDO AJUDAMOS A VIDA DE GUILHERMES OU DAN, ESSES SERES APARENTEMENTE PARALISADOS, USANDO DAS MUITAS LÍNGUAS E PODERES QUE UMA MÍDIA PODE TER... MAS SE ELA NÃO CUIDAR DE SUA FORMA DE USO DESTAS LINGUAGENS, DA ESCRITA, DA IMPRENSA, INDO DA TELEVISÃO AO CINEMA, O QUE ESTAREMOS FAZENDO É 'PROPAGANDA'. O QUE ESTAREMOS REPETINDO É A POSIÇÃO DO VELHO MINISTRO NAZISTA, MESMO QUE SUBLIMINARMENTE. ESTAREMOS COLOCANDO, POR EXEMPLO, O SOFRIMENTO ONDE NUNCA DEVERIA ESTAR NA PONTA DA NOSSA LÍNGUA: A FAMOSA VOX POPULI. EXPLICO: POR EXEMPLO NESSA REPORTAGEM, SE O GUILHERME "SOFRE DE PARALISIA CEREBRAL", PARA ALGUNS CIDADÃOS E CIDADÃS QUE LERAM O JORNAL DIÁRIO CANOENSE, ESTÁ IMPLICITA A SUA CONDIÇÃO DE ' DOENÇA' OU 'INVALIDEZ', QUE DE IMEDIATO SE CONSTROE COMO UMA VERDADE COM ESTA LINGUAGEM E TERMINOLOGIA. MAS ELE NEM É PORTADOR E NEM É UM SOFREDOR DE UMA DEFICIÊNCIA. AS DEFICIÊNCIAS NÃO SÃO DOENÇAS, NEM PRECISAM DE NOSSA CURA OU PIEDADE.

O QUE PRECISAMOS, então, DESTA MÍDIA? PRECISAMOS, URGENTEMENTE, É QUE DOBRE A SUA LÍNGUA E RE- DIGA:

JOVEM COM PARALISIA CEREBRAL, POR SEU ESFORÇO E DETERMINAÇÃO, REALIZOU HOJE A PROVA DO ENEM.
Guilherme Finotti utilizou um teclado adaptado e poderá entrar na Feevale.

AOS NOSSOS CINEASTAS, JORNALISTAS, MIDIATIZADORES E TODOS QUE TRABALHAM COM A COMUNICAÇÃO E OS VEÍCULOS DE INFORMAÇÃO DE MASSA, UM ÚLTIMO APELO: PROCUREM OS PRÓPRIOS SUJEITOS COM CONDIÇÕES HETEROGÊNEAS E DIVERSAS DE SER E ESTAR NO MUNDO, A EXEMPLO DOS QUE COSTUMAM, POR FALTA DE ESPAÇO NO JORNAL, SEREM DENOMINADOS DE DEFICIENTES, PARA LHES AJUDAR A MUDAR SEUS PRÉ-CONCEITOS....
Pessoas em situação de deficiência vivem uma diversidade funcional, que podemos afirmar lhes permite, para além das limitações visíveis ou invisíveis, ultrapassar o que lhe impomos como barreiras. Mas estas só caem se retirarmos o nosso tijolinho, de cada um, de preconceito, o qual ajudamos a sedimentar nesse novo/antigo e renovável muro da exclusão e da desigualdade.

PS- Não seria interessante que alguém começasse a acompanhar a historia e a trajetória do Guilherme? Quem sabe um dia alguém possa dizer que o viu na telinha da Globo ou da Band? E o melhor ainda é que ele possa ser visto "por cegos", ouvido "por surdos", entendido "por pessoas com deficiência intelectual", e até pelos surdo-cegos, que conseguem afetar-se pelo seu "tato" e sensibilidade, quando distribuídas, garantidas e mantidas as tecnologias, com indispensável audiodescrição e o desenho universal nas telecomunicações. Bem como, quando nosso Ministro das Comunicações, não repetindo o Ministro da Propaganda do passado, lembrar que NÃO PODEMOS NOS OMITIR E MENTIR SOBRE DIREITOS JÁ GARANTIDOS NA LEI, PARA ALÉM DE QUAISQUER PRESSÕES GLOBAIS OU INTERESSES POLÍTICOS... E nesse passo oferecer e garantir acesso a todas as forma de comunicação e todos os avanços tecnológicos que garantirão a ACESSIBILIDADE UNIVERSAL, da Escola, da Rua, da Cidade, da Internet e todos os espaços onde a vida EXIGE MOVIMENTO.

jorgemarciopereiradeandrade copyright 2009-2010.


DefNet
07/12/2009

Vinheta de fim de ano da Globo terá pessoas com deficiência, mas não terá acessibilidade.

Portadores de deficiência aparecem no filme para ressaltar o respeito às diferenças.

“Hoje a festa é sua, hoje é a festa é nossa, é de quem quiser”. O refrão da tradicional música que embala os finais de ano da TV Globo há 32 anos permanece o mesmo. O restante da letra, porém, ganhará uma nova roupagem e um novo ritmo neste Natal de 2009. A campanha entrará no ar no próximo domingo, 29 e será exibida até o final do ano.

Para ressaltar a diversidade, a inclusão social e, principalmente, o respeito entre todas as pessoas da sociedade, a emissora decidiu apostar em um arranjo que mescla hip-hop e tribal e misturar as estrelas de seu elenco com anônimos integrantes de grupos sociais e portadores de deficiências físicas para transmitir a sua mensagem de agradecimento por um ano inteiro de parceria.

Criada pela Giovanni+DraftFCB, a campanha natalina da Globo contará com as participações de atores, humoristas e jornalistas da emissora, além de MV Bill e a Central Única das Favelas, das crianças do grupo de cordas do Afro Reggae, dos integrantes da banda 190 da PM do Rio de Janeiro, do Grupo Teatral Nós do Morro e de portadores de Síndrome de Down que fazem parte do movimento “Ser Diferente é Normal”. Além das imagens, o tema da diversidade também será transposto para a letra da canção.

A agência transformou o início dos tradicionais versos - composto em 1972 por Nelson Motta, Marcos e Paulo Sérgio Valle para celebrar o Ano Novo da emissora - em uma música que enfatiza o respeito às diferenças. Em vez do já conhecido “Hoje é um dia novo dia, de um novo tempo que começou / Nesses novos dias, as alegrias serão de todos, é só querer / Todos nossos sonhos serão verdade, o futuro já começou”, a música deste ano será “Hoje é um novo dia de cuidar da nossa gente/ De um novo tempo e abraçar as diferenças/ Que começou a renovar nessa esperança”.

A criação da campanha foi assinada por Adilson Xavier e Cristina Amorim e a produtora responsável pelo comercial foi a Fulano Filmes. O arranjo e a trilha sonora da canção são de autoria de Ary Sperling.

Nota do Blog da Audiodescrição:
Por e-mail, o diretor de comunicações da Globo, Luiz Erlanger, informou ao blog que a vinheta será veiculada sem os recursos da audiodescrição e legenda oculta.


Blog da Audiodescrição
07/12/2009

Realização de prova do Enem no sábado é vitória para Guilherme

Jovem hamburguense teve paralisia cerebral ao nascer, que o deixou com sequelas motoras e de fala.



Por volta das 12 horas de ontem o estudante Guilherme Finotti, 17 anos, chegou ao Câmpus 1 do Centro Universitário Feevale, em Novo Hamburgo. Seu pai o colocou em uma cadeira de rodas motorizada e ele ganhou os corredores da instituição, comandando a cadeira com o pé esquerdo. Depois que sua mãe falou com a imprensa, Guilherme pegou o elevador e subiu até o quarto piso, onde começou a fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Na sala, apenas ele e técnicos do Instituto Nacional de Educação e Pesquisa (Inep) e policiais federais. Finotti utilizou um computador adaptado e a fiscalização ocorreu para que não haja fraude.

O jovem estudante hamburguense teve paralisia cerebral ao nascer, que o deixou com sequelas motoras e de fala. Até acompanhar o filho para o início das provas ontem, a dona-de-casa Eunice Finotti, 45 anos, batalhou durante seis meses para conseguir que ele realizasse a prova. "Estou sentido o gosto da vitória. Finalmente conseguimos", disse a mãe, que acionou inclusive o Ministério Público Federal na tentativa de ver o filho realizando a teste.

Para a diretora da Escola de Aplicação Feevale, Cecília Mariano da Silva, o caso de Finotti representa toda a possibilidade do aluno com inclusão ter acesso ao Ensino Superior. "Preparamos ele ao longo de vários anos para este desafio", afirmou, com sorriso no rosto. "Ele está seguro."

Pai também fez o exame
Logo que o filho começou a prova, Eunice Finotti contou que ele pretende seguir carreira profissional na área de tecnologia. Ele prestou vestibular no curso Sistemas para Internet na Feevale e passou em nono lugar. A partir da realização da prova do Enem, o estudante pretende concorrer a uma das vagas do ProUni. Enquanto o jovem prestou prova sozinho em uma sala, seu pai, o manobrista Luis Carlos Finotti, prestou o Enem na sala 42 do Colégio 25 de Julho.

Prova é feita por 4,5 milhões de estudantes
O desafio do Enem continua hoje para Guilherme Finotti e outros 4,5 milhões de brasileiros. Em 22 municípios da região são 36 mil candidatos. As provas serão aplicadas a partir das 13 horas. Os estudantes responderão a questões sobre Linguagens, Códigos e suas Tecnologias e Redação, Matemática e suas tecnologias. Os portões de acesso às escolas que sediam as provas são abertos ao meio-dia e fechados cinco minutos antes do início da aplicação das provas.

É importante que os candidatos não se esqueçam de levar junto o cartão de confirmação da inscrição. Ontem, no primeiro dia de provas, durante quatro horas e meia foram respondidas questões de Ciências da Natureza e suas
Tecnologias e Ciências Humanas e suas Tecnologias. Ao contrário de anos anteriores, o Enem 2009 não separa as perguntas por disciplinas, mas as
interliga conforme suas áreas de conhecimento. Ontem foram registrados transtornos em diversos pontos do País.




Uma vitória contra a discriminação no Enem 2009.

Guilherme Finotti, 17 anos, conseguiu fazer as provas neste fim de semana.



Novo Hamburgo - "Só quando cheguei na sala e vi tudo lá que eu realmente acreditei." Este foi o desabafo do estudante hamburguense Guilherme Finotti, 17 anos, depois de prestar as provas para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), neste fim de semana. Foram seis meses de luta até que o filho de Eunice e Luis Carlos Finotti tivesse a liberação do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) para fazer a prova.

O exame foi realizado de forma tranquila por 4,5 milhões de estudantes. Só na região, em 22 municípios, foram 36 mil candidatos. Já no País, foram 9.490 locais de provas espalhados por 1.810 cidades. A abstenção nacional chegou a 37,7% no sábado e, ontem, outros 2,9% não compareceram. O gabarito está disponível no site www.inep.gov.br.

Na Escola Estadual Wolfram Metzler, em Novo Hamburgo, 720 alunos fizeram a prova. Segundo o chefe de local, Raul André Aguirre, a abstenção foi de 30%. Até 2008, o Enem era uma prova com 63 questões interdisciplinares, sem articulação direta com os conteúdos do ensino médio e sem a possibilidade de comparação das notas com anos anteriores. Agora, a intenção é que o exame possa ser comparável e aborde diretamente o currículo do ensino médio. Assim, as universidades federais e particulares podem utilizá-lo no processo de seleção.

BATALHA

Guilherme, que tem dificuldades motora e de fala, sequelas de uma paralisia cerebral, precisava de condições especiais para responder as questões. Mas a batalha travada pela família, que levou o caso ao Ministério Público e a Brasília, foi vencida. Na sala preparada exclusivamente para ele, no Câmpus 1 da Feevale, o garoto checava o computador adaptado. O juiz concedeu a ele duas horas a mais de tempo. "Mesmo assim, quase que foi pouco. Mas estamos confiantes que ele conseguirá a bolsa", diz a mãe. Ele quer garantir uma vaga do Programa Universidade para Todos (ProUni).



Francine da Silva/ Da redação
Diário de Canoas
Novo Hamburgo - RS, 07/12/2009

Beatriz Padovan: “Da curiosidade à vontade de ajudar”

Conhecida mundialmente por ter criado o Método Padovan, a fonoaudióloga é uma referência no tratamento de crianças e adultos com síndromes, paralisia cerebral, vítimas de Acidente Vascular Cerebral.

Conhecida mundialmente por ter criado o Método Padovan, a fonoaudióloga Beatriz Padovan é uma referência no tratamento de crianças e adultos com síndromes, paralisia cerebral, vítimas de Acidente Vascular Cerebral. O modelo de tratamento que ela desenvolveu é focado na “reconstrução” das fases do desenvolvimento, atuando na organização do sistema nervoso.

A eficácia desse método é comprovada pela proliferação dele no mundo todo. Desde 1979 Beatriz Padovan ministra cursos em países europeus ensinando o modelo de tratamento. A fonoaudióloga ressalta que o centro de todo trabalho não é a doença, mas o ser humano, o próprio paciente.

“Uma criança que tem um retardo no seu desenvolvimento você pode curá-la com o método. Ou uma pessoa que tenha tido um derrame cerebral, você pode levá-la a ter uma vida normal outra vez, depende da extensão, da lesão, depende do tempo”, destaca a criadora do método, que esteve em Natal para ministrar um curso a convite da fonoaudióloga Yara Caldas.

E, acreditem, todo esse trabalho de Beatriz Padovan surgiu por curiosidade. Ela trabalhava como professora em uma escola pública quando percebeu que cinco alunos não acompanhavam o aprendizado. Informada que se tratava de um caso de Dislexia, a então educadora foi em busca de descobrir como tratar a doença. Começava aí todo o processo de descoberta que viria, mais tarde, a originar o Método Padovan.

É com toda autoridade de quem desenvolveu o método, que Beatriz afirma: o Rio Grande do Norte é referência nesse trabalho para o Norte e Nordeste. Inclusive é no Estado potiguar que está instalado o Centro Nordestino Padovan.

A convidada de hoje do 3 por 4, é uma pessoa muito carismática, simpática no trato, simples no falar e que empolga com o importante método que desenvolveu. Com vocês, Beatriz Padovan.

O Método Padovan é conhecido e aplicado hoje mundialmente. Quando a senhora concebeu esse tipo de tratamento imaginava que fosse chegar tão longe?
Não. Honestamente não. Eu era professora de uma escola onde eu comecei a observar que algumas crianças não aprendiam a ler e escrever e eram inteligentes. E eu me incomodava com isso. Eu dava um reforço para essas crianças, eram cinco de um grupo de 32, e elas pareciam que iam para frente e depois elas regrediam quando eu parava. E isso me incomodava muito até que eu fiquei sabendo que uma delas havia sido diagnosticada como disléxica. E aí pensei que as outras também eram porque as características eram muito semelhantes. E aí pensei: onde vou aprender sobre dislexia? Seria numa faculdade de Fonoaudiologia. E lá fui eu fazer a faculdade de Fono. Essas crianças iam mal em todas as matérias, principalmente naquelas que exigiam corpo, educação física e fazer trabalhos manuais era difícil para elas. Deixei a escola e fui fazer o curso para aprender mais sobre dislexia. Lá eu aprendi e vi a importância da dislexia, não estava relacionada com inteligência, não estava relacionada com preguiça, mas era uma dificuldade real que elas tinham e chegavam (especialistas) a dizer que poderia estar relacionada à disfunção cerebral mínima, que significa alguma coisa neurológica. Fiquei bem interessada em conhecer todo processo, por que isso acontecia e como tratava? Quando chegou na hora de tratar não gostei da metodologia (da universidade) que era o tratamento. Eu vi que eles faziam trabalhar a dificuldade da criança, mas não a criança toda para que ela superassse aquela dificuldade. Cheguei a perguntar para o professor, comentando que via nas crianças dificuldade motora de atenção, concentração e hiperatividade muito grande. E perguntei o que fazer? Ele disse que faria avaliação e ia direto no assunto, se ela não sabe ler vamos ensinar a ler. Muitas abordagens terapêuticas trabalham mais o sintoma e não a causa. E eu pensei: preciso descobrir algo que me convença a trabalhar essas crianças ou vou voltar a ser professora. Estava disposta a fazer isso, quando comecei a estudar muito, ler muito e encontrei a solução do que procurava, mostrando que todo processo de amadurecimento de uma criança estava intimamente relacionado com a capacidade que ela teria mais tarde para manifestar todo aprendizado. Encontrei um neurocirurgião americano que descrevia o desenvolvimento da criança e dizia que se houvesse falha no desenvolvimento se manifestaria mais tarde.

Ou seja, o Método Padovan surgiu de uma grande curiosidade?
De uma grande curiosidade e uma grande vontade de ajudar as crianças.

Mas o método que a senhora desenvolveu é aplicado também a crianças e adultos. Como um tratamento pode atuar em fases tão distintas?
A relação é que quando nós nascemos temos uma programação genética a ser cumprida. Com o filho você espera que ele vá se desenvolvendo, rasteje, engatinhe, fique em pé e depois ande. E se eu tenho uma criança que não alcançou tudo isso por alguma razão, que poderia ser até uma falha de amadurecimento do sistema nervoso central, então o que nós poderíamos fazer era recapitular as fases do desenvolvimento, atingindo e estimulando o sistema nervoso central em cada nível correspondente a cada uma das atividades. Com isso, você vai organizando, estimulando e até nutrindo o sistema nervoso central para que ele retome ou adquira a maturidade para poder estar no seu ambiente, agindo e reagindo.

No Método Padovan a senhora não trabalha a doença, mas o ser humano?
Trabalho com o ser humano, que pode estar doente e pode estar sã. Uma criança com dislexia ela é ativa, muitas vezes a pessoa nem pensa que ela tem alguma doença.

Qual a doença mais difícil de ser tratada com Método Padovan? São síndromes, paralisias?
Tem todas as síndromes, tem as doenças degenerativas do sistema nervoso central, como Parkinson, Alzeimer e outras doenças neurológicas. Com essas doenças que são degenerativas você pode levar a uma melhor qualidade de vida, mas você não pode dizer que cure isso. Mas uma criança que tem um retardo no seu desenvolvimento você pode curá-la com o método. Ou uma pessoa que tenha tido um derrame cerebral, você pode levá-la a ter uma vida normal outra vez, depende da extensão, da lesão, depende do tempo. Você pode levar a ter uma vida normal em qualquer idade. Até as pessoas que ainda estão em coma você começa a aplicar o método, você vai fazer no indivíduo os movimentos que são considerados movimentos genéticos do ser humano.

Mas a senhora conseguiria aplicar esses exercícios com o paciente em coma?
Sim. A gente vai atingindo os níveis neurológicos. O paciente não precisa ter consciência e nem colaborar. Eu faço nele os exercícios. O Método é dividido em duas partes: os exercícios corporais, que é uma recapitulação de todo desenvolvimento do indivíduo. A gente vai repetindo os movimentos sempre na mesma ordem de aquisição e chega até o ponto onde o indivíduo se encontra na sua maturação. A segunda parte é restabelecer e fortalecer, melhorar as funções orais. Nós não temos um órgão para falar, usamos a boca, que foi feita para comer. Esses exercícios seriam toda recapitulação do desenvolvimento que recapitula a própria evolução. Você faz primeiro exercício corporal, em seguida restabelece as funções orais, usando a própria função, respiração, de mastigação, sucção e deglutição.

Mas, mesmo sem a colaboração do paciente, tem resultado?
Mesmo assim tem resultado, um bom resultado. Até com crianças autistas, elas não colaboram nada e você vai fazendo os exercícios e elas vão melhorando cada vez mais.

O que leva o Rio Grande do Norte a ser apontado como uma referência para o Nordeste nesse Método Padovan? Como o Método veio para cá?
Conheci Yara Caldas (coordenadora do Centro Nordestino Padovan, que funciona em Natal), quando eu estava dando um curso em Recife de especialização, do qual ela participou. Esse foi o primeiro curso do Nordeste, foi um curso de dois anos. E a partir de 1997 o Método começou a ser aplicado no Rio Grande do Norte. Em 1999 vim ao Rio Grande do Norte para apresentar o Método, com evento organizado por Yara Caldas, que foi pioneira aqui. Foi aberto o curso de especialização para Norte e Nordeste em Natal. O Rio Grande do Norte é referencial hoje para essa região.

Qual o paciente que lhe deixou mais emocionada?
Se eu não fiz nada na minha vida eu vou contar a história de uma paciente. Era uma paciente autista, tinha 14 anos de idade, isso foi em 1973, e comecei a trabalhar e fui fazer as funções orais. Muitos pacientes demoram a fazer cada função de forma correta. Mas essa menina não falava nada e o prognóstico era nunca falar. Mas fui trabalhando primeiro o corpo e as funções orais. E chegou na hora da sucção e foi muito complicado. Levei um ano e dois meses para conseguir fazê-la dá umas três sugadas. E eu trabalhava todos os dias, cinco vezes por semana. Quando ela começou a sugar, continuei a fazer os exercícios corporais e em seguida os orais e depois de um ano e meio, que ela já estava sugando bem, começou a balbuciar. Ela levou uns cinco anos para falar e hoje ela é uma mulher de mais de 40 anos e hoje fala. De vez em quando ela me telefona. Se eu não fiz nada nesse mundo eu fiz isso, que me deu uma satisfação muito grande.

Detalhes
Sonho concretizado:
Ajudar as pessoas a se desenvolverem

Em que acredita:
Em Deus, foi Ele quem fez toda a natureza

Plano:
É uma boa pergunta. Meu plano é divulgar o mais possível, não para mim, mas para pessoas que recebem a terapia. É uma alegria muito grande quando se vê a melhora do paciente.


Tribuna do Norte
07/12/2009

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A deficiência é uma vergonha.

Texto de Fábio Adiron fala sobre como a mídia lida com pessoas com deficiência em notícias.

As notícias geralmente repetem um discurso muito parecido: "apesar da deficiência ele conseguiu fazer isso ou aquilo". "fulana supera suas limitações", "fulano trabalha como se fosse um funcionário normal"... e por aí vamos.

Que esse discurso parta de pessoas que acham normais e se surpreendam com as conquistas de pessoas com deficiência me incomoda, mas é compreensível. Afinal de contas elas não estão acostumadas com o fato de que alguém considerado subnormal tenha capacidade para realizar uma série de coisas.

O que incomoda mesmo é esse discurso na boca das pessoas com deficiência ou dos seus parentes.

Pessoas que se dizem convertidas ao credo da diversidade, que reclamam quando a diversidade não é respeitada, que xingam os leigos quando usam expressões como as que citei acima.

E são as mesmas pessoas que dariam a vida para não ser como são. Diversas.

Para elas a diversidade tem valor, mas poderia ter valor nos outros ou nos filhos dos outros, não nelas ou nas suas casas.

Pessoas que entendem que a única solução aceitável para a deficiência com as quais convivem é a busca incessante da cura (se achassem mesmo que a diversidade tem valor, para que curar?)

Pessoas que só vêem valor quando as pessoas com deficiência desempenham atividades que as iguale à normalidade em que acreditam.

Sim, são pessoas que acreditam que "deficiente bom é deficiente quase normal". Que se envergonham das suas deficiências.

Nunca vão lutar pela construção de um mundo que seja bom para todos. Acreditam que esse mundo já existe, e é o mundo dos normais.

Alguém pode me retrucar dizendo: "mas não é bom ter uma deficiência". E eu questionaria o por quê. A deficiência não faz parte da natureza daquela pessoa?

Se o objetivo é mudar a natureza das pessoas, eu poderia declarar (com o mesmo conceito) que não é bom ser negro, não é bom ser baixo, não é bom ser careca, portanto preciso "curar" essas pessoas para que elas sejam felizes.

Amanhã se comemora o dia internacional da pessoa com deficiência. Exatamente o que vamos comemorar? O reconhecimento da diversidade como valor, ou a conquista de normalidades?

Acompanhem o noticiário e depois me digam.


Blog Xiita da Inclusão
04/12/2009
Fábio Adiron

Uso e dependência de cadeira de rodas no verão: Exercício transcendente da dimensão física humana

Depender de cadeira de rodas para locomover-se de um lado para outro é muito desagradável, porque elas, frequentemente, não garantem acesso ou cabem nos espaços dos ambientes sociais que cadeirantes precisam frequentar.

Sabe-se, através do imaginário humano coletivo o quanto a hipótese da dependência do uso de cadeiras de rodas assusta, pelo que o signo da condição representa para as pessoas em geral, e não é para menos, considerando que a forma arquetípica humana original foi criada para acionar de pleno controle, equilíbrio e autonomia funcional, no qual a dependência para o ir e vir, foge ao padrão. Ainda assim, é fundamental considerar que alguns espécimes humanos encarnados, com raras características de força e resistência, são eleitos pela Vontade Una para experienciar a limitação física que redunda na disfunção dos membros superiores e inferiores, ou apenas os inferiores, com a conseqüente dependência do uso de cadeiras de rodas. Mais positivo pensar assim, ao menos nos abastece de energias anímicas essenciais ao processo de transcendência do ardor dos fogos fricativos, dando-nos a sensação, esperança, certeza e Fé, de que tudo não passa de estágios transitórios da forma em nossa caminhada rumo ao eterno presente.

Na ótica do plano físico, depender de cadeira de rodas para locomover-se de um lado para outro é muito desagradável, embora inevitável para tetraplégicos e paraplégicos, porque elas, frequentemente, não garantem acesso ou cabem nos exíguos espaços dos ambientes sociais que precisamos frequentar. Não sobem escadas, tampouco transpõem barreiras físicas, e escadas e degraus estão por todo lado, não obstante o teor da NBR 9050/2003, o Decreto nº 5.296/2004, e o Decreto nº 6.949, de 25 de agosto de 2009, que promulga a convenção internacional sobre os direitos das pessoas com deficiência e seu Protocolo Facultativo, assinados em Nova York, em 30 de março de 2007. Ocorre que estamos no Brasil, que, embora haja vasta legislação a favor dos direitos das pessoas com deficiência, raros são os casos que se aplicam rigores da Lei a quem delas não tome conhecimento, desdenhe ou as cumpra na íntegra.

Com aproximação do verão e as temperaturas ambientes na casa dos trinta e tantos graus, quiçá quarenta, tudo converge a nos conduzir aos limiares do humanamente suportável. Uma crescente sensação de mal-estar, respiração, pulsação, e mente aceleradas, mescladas com intensa sudorese, nos acomete e desfigura a ponto de quase perdermos controle do humor, indispensável ao harmônico relacionamento com todos que nos cercam. Deus, como é difícil manter a calma, quando o que sentimos é similar ao estar sentado em braseiro. Quando temos a sensação de que a roupa está toda colada nas costas, nas pernas, no corpo inteiro, não obstante tenhamos saído do banho a menos de uma hora. Pior ainda é a quase certeza de que outro banho tão refrescante e aliviador pode não mais acontecer no dia em curso, tendo em vista a pouca disposição das pessoas que nos ajudam nas atividades cotidianas, ainda que pagas para tais tarefas, raramente as acatam com disposição, sem expressar desagrado.

Quando pagamos pela prestação de serviços e o cuidador é saudável, melhor não dar conta da sua expressão negativa, e respeitosamente fazê-lo compreender e atentar quanto ao compromisso assumido, agindo como se o que se tivesse a fazer é justo nos ajudar a tomar outro banho para aliviar a sensação de calor. Porém, quando se trata de cuidador domiciliar e ente familiar, na maioria dos casos mãe ou pai, nem sempre solicitamos outro banho, a consciência fala mais alto, devido ao desgaste e esforço físico requeridos para o preparo e desfechos da tarefa.

Nos dias muito quentes, a exemplo dos anos anteriores, de manhã cedo, mal somos ajudados a sair da cama para sentar na cadeira de rodas, o desconforto logo nos acomete, passando-nos a clara idéia dos desafios a superar ao longo do dia. Assim, temos de agregar o maior número de elementos positivos na forma de pensamentos, palavras e atitudes, capazes de tecer aura harmônica em torno dos nossos campos magnéticos, tornando-nos menos vulneráveis ao sucumbir dos corpos materiais (o físico, o mental e o emocional). Um exercício transcendente!

Levar a vida em sintonia com planos elevados de consciência é via segura para nos manter equilibrados, como usuários de cadeiras de rodas, a despeito das altas temperaturas que se projetam para o próximo verão. Havemos de acreditar com muita Fé, Luz e esperança, de que tudo passa. Afinal, essa é a tarefa que nos compete dar conta. Nossa contribuição ao Plano Evolutivo para o equilíbrio planetário. Se essa é a Vontade de Deus, que a cumpramos com devoção.


Comentário SACI: Wiliam César Alves Machado é Secretário Municipal do Idoso e da Pessoa com Deficiência de Três Rios - Rio de Janeiro


Rede Saci
04/12/2009