quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

FLAGRANTE DE DESRESPEITO







A APNEN, (Associação dos Portadores de Necessidades Especiais de Nova Odessa, denuncia um flagrante de desrespeito a Pessoas com Deficiência, mobilidade reduzida, e aos idosos, esta foto foi tirada na esquina da Rua Quinze de Novembro, com Rua Aristeu Valente ao lado do Banco do Brasil no Centro.
Além das poucas vagas existentes no centro da nossa cidade, não são respeitadas por motoristas, que param seus veiculos, simplesmente ignorando estas vagas, talvez pelo motivo de estarem mal sinalizadas, ou falta de orientação, ou punição, onde algumas destas vagas, necessitem de uma nova pintura, e também a colocação de placas com informações, e advertência , em acordo com a nova resolução do Contran nº 304/08, onde diz que o uso em desacordo com esta nova resolução, caracteriza infração prevista no Art. 18, inciso XVII do CTB.( Quem estacionar na vaga reservada em desacordo com as normas, (exemplo: sem transportar idoso nem pessoa com deficiência ou sem ter a identificação obrigatória no veículo) está sujeito a multa por infração leve, de R$ 53,20, além da remoção por guincho e três pontos na CNH), esta vaga que estamos nos referindo, foi uma solicitação da APNEN, porque pessoa portadora de deficiência já foi multada por estacionar em frente ao Banco do Brasil, denunciamos esta verdadeira falta de respeito, porque além de estar iterditando o passeio público, este entulho, esta depositado em uma vaga exclusiva de estacionamento de pessoas com deficiência, e mobilidade reduzida, e ainda esta em desacordo com a Lei municipal nº 1303 de 05 de Junho de 1992 (revogada pela lei municipal nº 1564 de 01 de outurbro de 1997) onde no seu Art. 2º, diz: É obrigatório a construção de passeio publico desde que o imóvel edificado ou não, esteja localizado em via publica pavimentada.
§ 1.º Os passeios deverão ser revestidos de mosaico português ou executados em concreto, a critério da Prefeitura e mantidos sempre limpos e desobstruídos, de forma a permitir o livre trânsito de pessoas.
Solicitamos ao setor responsável da Prefeitura, que tome as devidas providências quanto ao assunto.
“ACESSIBILIDADE. Siga esta idéia.”

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Cidade insensata.

Cidade insensata.



Conheci Lahiry Romero outro dia e fiquei muito impressionado. Tendo aprendido a nadar há apenas nove anos, ela ocupa o terceiro lugar no ranking brasileiro da sua categoria, já quebrou recorde nacional e ganhou cerca de 200 medalhas e troféus. Para conseguir tudo isso, é claro que Lahiry treina quase todos os dias, faz musculação e cuida da alimentação, embora não dispense o chopinho no fim de semana, pois ninguém é de ferro. O bom humor de quem está sempre de bem com a vida é a marca registrada dessa atleta de 81 anos que, evidentemente, não tem dificuldade para andar em nossas cidades e em nossos transportes coletivos sem acessibilidade.

Já a ex-ginasta Luísa Parente, outra pessoa que irradia grande alegria de viver, e dispensa maiores apresentações, eu conheço há mais tempo e igualmente me impressionou bastante. O preparo de atleta duas vezes olímpica lhe deu condições de também enfrentar sem dificuldade a falta de acessibilidade no Rio de Janeiro e no Brasil quando grávida. Cá entre nós, sempre achei que Luísa seria capaz de fazer uma pirueta no quinto mês de gestação.

Da mesma forma, Alarico Moura, ciclista amputado de uma perna há 28 anos, hexacampeão brasileiro, não tem problemas para superar os obstáculos da falta de acessibilidade nas ruas, prédios e transportes. Sem fugir à regra dos vencedores, Alá é muito querido por sua força de vontade e alto-astral e, com seu visual moderno de piercing, barbicha e tatuagens, não gosta de ser chamado de senhor, apesar dos mais de 60 anos de idade.

Ou seja, queridos idosos, gestantes, pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida: todos devemos ser atletas para vencer as dificuldades criadas pela falta de consciência e incompetência dos nossos governantes, que muitas vezes são os primeiros a desrespeitar as leis.

De outra forma, chega de dizer que a falta de acessibilidade resulta de longo e tenebroso inverno obscurantista e que a sociedade precisa ser conscientizada. Já sabemos o que é preciso ser feito, as leis e suas regulamentações estão aí, assim como as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), e o que falta para acabar com a desfaçatez é uma verdadeira vontade política, que começa na firme cobrança de direitos pela cidadania, pois todos precisam e se beneficiam do alto grau de civilização que um mundo acessível proporciona.

As ferramentas para a construção desse mundo também já estão aí. O desenho universal e a tecnologia que atende às necessidades específicas de pessoas com deficiências sensoriais e intelectuais, como cegos, surdos, paralisados cerebrais e com síndrome de Down, já estão mais do que suficientemente desenvolvidos para aplicação e uso imediatos. E tais recursos ampliam o conceito de acessibilidade para muito além do mundo físico das cidades, veículos e objetos, atingindo a comunicação, a literatura, o teatro, o cinema e a televisão.

Acessibilidade é tudo isso e serve para tirar as pedras do caminho, tanto nas calçadas como na insensatez humana.


O Globo, Opinião, 21/12/2009:

Blog de: ANDREI BASTOS é jornalista e integra a Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ.

Matéria postada no BLOG da APNEN 22/12/2009

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Papai Noel cadeirante.

Chegou o Natal e a agitação é grande no Polo Norte com os preparativos de última hora para a longa viagem do Papai Noel cadeirante. Finalmente o novo trenó de rodas, mais largo, ficou pronto e o bom velhinho faz um test drive pelos céus do Ártico. 2009 foi um ano de grandes comilanças nos muitos feriados e a gula deixou sua marca na aposentadoria do antigo veículo, incompatível com as novas medidas do nosso Noel.

Muitas outras coisas também mudaram, no mundo glacial, que diminuiu por causa do aquecimento do planeta, e no mundo tropical, que tem vivido períodos de grande turbulência climática pela mesma razão. Diante disso, a equipe multidisciplinar de engenheiros natalinos inclusivos, formada por profissionais com deficiências físicas, sensoriais e intelectuais, lançou mão da tecnologia mais avançada e construiu um trenó de rodas cheio de recursos de navegação acessíveis e movido a solidariedade humana, a energia mais limpa e poderosa que existe na Terra.

Com a aprovação no test drive, os presentes começam a ser carregados e logo se descobre que será necessário atrelar vários contêineres, pois a lista de pedidos é gigantesca neste Natal. Coçando a longa barba branca, Noel conclui que o aumento se deve às conquistas da luta pelos direitos humanos e manda juntar a cada presente um exemplar da versão para crianças da Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.

Apesar da enorme quantidade de presentes, nenhum deixou de ser analisado pela equipe técnica de acessibilidade do Polo, também multidisciplinar, que verificou qualidade, sustentabilidade e adequação às determinações de acessibilidade da Associação Ártica de Normas Técnicas (AANT). Cada criança com deficiência da Terra receberá o presente que pediu devidamente aprovado e com o selo da Organização Natalina Deficiências e Acessibilidade (ONDA).

Feliz da vida com o sucesso da organização deste Natal, ao menos dentro das fronteiras do Ártico, nosso querido velhinho agora dedica todo o seu brilhantismo intelectual de PCC (Paralisado Cerebral Criativo) à elaboração de uma estratégia de enfrentamento e superação dos tristes problemas de preconceito, discriminação e falta de acessibilidade que vai encontrar na viagem, como estranheza diante do seu “Ho, ho, ho!” mal pronunciado, exclusão total das crianças com deficiência pobres, não aceitação por pais de crianças atendidas por seu colega sem deficiência, desrespeito a vagas de estacionamento reservadas, ruas e prédios públicos e privados sem acessibilidade e, pior de tudo, chaminés estreitas…

Mesmo com esses obstáculos a vencer, é com a alegria pelas conquistas de emancipação das pessoas com deficiência já obtidas somada às 2.009 alegrias das comemorações pelo nascimento de um menino que se tornou apóstolo de uma inclusão absoluta que nosso Papai Noel cadeirante vai à luta. Ou melhor, pois é verdade e estamos em clima natalino: vai correr o mundo distribuindo presentes de amor e solidariedade. A nós, simples humanos com deficiência, cabe incorporar esses presentes à nossa vida, sonhar com um Natal inclusivo de verdade e, como ninguém é de ferro, cair de boca nos comes e bebes da festa!

Fonte: Blog ANDREI BASTOS 20/12/2009

Matéria postada no BLOG da APNEN 21/12/2009

Meningite bacteriana mata cerca de 40% dos atingidos.

No fim de outubro, um surto de meningite ocorrido em Porto Seguro, na Bahia, resultou em seis mortes, e acabou voltando a exigir a atenção da população para a doença. Não é para menos, já que a meningite é uma das patologias mais temidas, tendo um alto índice de morte entre crianças e adultos jovens. A doença é uma inflamação das membranas que recobrem o cérebro e a medula espinhal causada por vírus ou bactérias.
As formas virais são mais brandas e, apesar de não haver vacinação, esse tipo de meningite não mata nem deixa sequelas. Já as meningites bacterianas — causadas pelos meningococos, pneumococos ou hemófilos —, se não tratadas, podem ter efeitos irreversíveis ou letais.

De acordo com as estatísticas do Ministério da Saúde, cerca de 40% dos infectados pela meningite bacteriana morrem e 30% ficam com sequelas. Isso porque alguns sintomas da doença podem ser facilmente confundidos com problemas como, por exemplo, a otite e a infecção de garganta. “O sucesso do tratamento da meningite está no rápido diagnóstico e na administração correta do antibiótico”, explica Bruno Vaz, pediatra da enfermaria do isolamento do Hospital Regional da Asa Sul (HRAS) e diretor da Sociedade Brasileira de Pediatria no Distrito Federal (SBP/DF).


Somente febre, abatimento ou falta de apetite não são efeitos específicos da doença. Os portadores da patologia sentem dor de cabeça, nuca rígida, irritabilidade, vômitos violentos, convulsões e alterações na pele (sinais vermelhos que parecem picadas de mosquito). As crianças lactantes e abaixo de 2 anos, entretanto, apresentam sintomas diferentes, mas muito específicos. “Essas crianças não apresentam rigidez da nuca. Seus sintomas vão de um extremo ao outro: ou ela fica muito quieta ou muito agitada, ou não dorme nada ou fica muito sonolenta. O vômito e a falta de vontade de mamar ou comer, relacionados aos outros sintomas, também são indícios da doença”, esclarece o pediatra Wilson Marra.

O médico ainda alerta para outro sinal de inflamação na meninge: a moleira alta. “A meningite, quando ataca os bebês, deixa a moleira alta e dura. É importante que os pais levem a criança imediatamente para o hospital. O tempo é precioso.”

Trágica confusão

Foi justamente essa confusão de sintomas que provocou a morte de Ana Lídia, de apenas 7 meses. A mãe, Maria Aparecida Franco de Oliveira, conta que a criança apresentou febre alta e foi levada ao médico plantonista. “Ele examinou e disse que era otite. Receitou um anti-inflamatório e nos mandou para casa.” A febre da menina, porém, não cedeu — e a mãe retornou ao médico. Ele novamente examinou a criança e disse que o quadro, dessa vez, era de infecção na garganta. “Ele nos mandou continuar com o tratamento e voltamos para casa.”

No dia seguinte, Maria Aparecida recebeu uma ligação da irmã relatando que a menina estava com a moleira alta e endurecida. “Fiquei apavorada, porque a moleira parecia um caroço”, lembra. Os pais de Ana Lídia correram para outro hospital e a médica suspeitou de meningite. “A pediatra disse que minha filha teria que ficar internada em uma UTI e nos mandou para o Hospital Materno Infantil (Hmib). Quando chegamos, demoramos a ser atendidos. Os médicos fizeram a punção lombar e constataram a meningite”, relata. Ana Lídia ficou internada por cinco dias na UTI e não resistiu à infecção na meninge.

De acordo com Bruno Vaz, a meningite causada pelo penumococo — a mesma bactéria que causa a penumonia — é a que mais deixa sequelas. “Esse tipo de meningite é uma das mais difíceis de diagnosticar, porque seus sintomas podem ser confundidos com os de outras infecções. Quando ela não mata, deixa sequelas, por conta da demora no início do tratamento”, diz.

O risco das sequelas das meningites bacterianas é proporcional ao tempo que se demora para fazer o diagnóstico e instituir o tratamento. “A meningite provoca uma inflamação das membranas que estão em volta do cérebro. Se nada for feito, há um acúmulo de pus que não tem por onde escapar e a formação de abscessos que afetam partes nobres do cérebro ou alguns nervos. Essas lesões neurológicas são irreversíveis. Por isso, quando a doença demora a ser diagnosticada e tratada, pode provocar sequelas, como surdez, alterações de percepção e movimento ou outras ainda mais graves”, explica Vaz Ruan.
Patrick Lima Dantas, 15 anos, teve meningite com apenas três dias de vida, a chamada meningite neonatal. Segundo sua mãe, Maria da Graça de Lima, o menino apresentou febre alta e ela o levou ao hospital. Ruan teve uma convulsão e foi internado imediatamente na UTI neonatal. “Ele passou por uma bateria de exames e nenhum médico sabia dizer o que ele tinha. Meu filho apresentava convulsões quase de hora em hora, até que teve uma parada cardiorrespiratória.”

A mãe relata que alguns médicos desistiram do menino, por não conseguirem saber o que ele tinha. “Foi quando uma residente suspeitou de meningite e o levou para fazer a punção lombar. O resultado era meningite meningocócica.”
Maria da Graça conta que tudo aconteceu em menos de 24 horas. “Foi tudo tão rápido, do começo da febre até o exame que diagnosticou meningite”, lembra com os olhos marejados. Ruan sobreviveu, mas ficou com paralisia cerebral leve por conta da doença.

Disseminação
David Barroso, da Fiocruz, afirma que os surtos ocorridos na Bahia e, recentemente, em Araguari (MG) — com sete pessoas infectadas e duas mortes, de jovens adultos —, são isolados e não caracterizam uma epidemia(1). “Com o deslocamento rápido de pessoas, a disseminação do meningococo se faz eficaz e é dificilmente contida, pois os portadores sadios não adoecem e nada sentem durante semanas ou meses.”

Já o infectologista da SBI Francisco Bonasser diz que 25% da população têm a bactéria meningocócica na garganta, mas não desenvolve a doença. Com isso, a meningite pode ser transmitida com facilidade. “A transmissão desse tipo de meningite é igual à da gripe, por contato com gotículas”, explica. Por isso, as melhores formas de prevenção são as vacinas e os cuidados com a higiene. “Hoje, todo mundo beija todo mundo, come e bebe nos objetos usados por qualquer um. Aí fica fácil para as doenças”, afirma.

Explosão de casos.

Entre 1972 e 1974, havia no Brasil uma série de casos provocados pelo meningococo C, quando surgiu um outro problema, o meningococo do sorogrupo A, que praticamente não se encontra no Brasil — o que provocou uma epidemia explosiva. As estatísticas indicam que, a cada 100 mil habitantes, 250 tiveram a doença. Naquela ocasião, foi realizada uma campanha de vacinação nacional, na qual foi utilizada a vacina antimeningocócica AC.


http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2009/12/18/cienciaesaude.
Publicação: 18/12/2009

Matéria postada no BLOG da APNEN 21/12/2009

domingo, 20 de dezembro de 2009

RESOLUÇÃO Nº 4, DE 2 DE OUTUBRO DE 2009.

CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO CÂMARA DE EDUCAÇÃO BÁSICA.


Institui Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional Especializado na Educação Básica, modalidade Educação Especial.

O Presidente da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, no uso de suas atribuições legais, de conformidade com o disposto na alínea "c" do artigo 9º da Lei Nº 4.024/1961, com a redação dada pela Lei Nº 9.131/1995, bem como no artigo 90, no § 1º do artigo 8º e no § 1º do artigo 9º da Lei Nº 9.394/1996, considerando a Constituição Federal de 1988; a Lei Nº 10.098/2000; a Lei Nº 10.436/2002; a Lei Nº 11.494/2007; o Decreto Nº 3.956/2001; o Decreto Nº 5.296/2004; o Decreto Nº 5.626/2005; o Decreto Nº 6.253/2007; o Decreto Nº 6.571/2008; e o Decreto Legislativo Nº 186/2008, e com fundamento no Parecer CNE/CEB Nº 13/2009, homologado por Despacho do Senhor Ministro de Estado da Educação, publicado no DOU de 24 de setembro de 2009, resolve:
Art. 1º Para a implementação do Decreto Nº 6.571/2008, os sistemas de ensino devem matricular os alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação nas classes comuns do ensino regular e no Atendimento Educacional Especializado (AEE), ofertado em salas de recursos multifuncionais ou em centros de Atendimento Educacional Especializado da rede pública ou de instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos.
Art. 2º O AEE tem como função complementar ou suplementar a formação do aluno por meio da disponibilização de serviços, recursos de acessibilidade e estratégias que eliminem as barreiras para sua plena participação na sociedade e desenvolvimento de sua aprendizagem.
Parágrafo único. Para fins destas Diretrizes, consideram-se recursos de acessibilidade na educação aqueles que asseguram condições de acesso ao currículo dos alunos com deficiência ou mobilidade reduzida, promovendo a utilização dos materiais didáticos e pedagógicos, dos espaços, dos mobiliários e equipamentos, dos sistemas de comunicação e informação, dos transportes e dos demais serviços.
Art. 3º A Educação Especial se realiza em todos os níveis, etapas e modalidades de ensino, tendo o AEE como parte integrante do processo educacional.
Art. 4º Para fins destas Diretrizes, considera-se público-alvo do AEE:
I - Alunos com deficiência: aqueles que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, intelectual, mental ou sensorial.
II - Alunos com transtornos globais do desenvolvimento:
aqueles que apresentam um quadro de alterações no desenvolvimento neuropsicomotor, comprometimento nas relações sociais, na comunicação ou estereotipias motoras. Incluem-se nessa definição alunos com autismo clássico, síndrome de Asperger, síndrome de Rett, transtorno desintegrativo da infância (psicoses) e transtornos invasivos sem outra especificação.
III - Alunos com altas habilidades/superdotação: aqueles que apresentam um potencial elevado e grande envolvimento com as áreas do conhecimento humano, isoladas ou combinadas: intelectual, liderança, psicomotora, artes e criatividade.
Art. 5º O AEE é realizado, prioritariamente, na sala de recursos multifuncionais da própria escola ou em outra escola de ensino regular, no turno inverso da escolarização, não sendo substitutivo às classes comuns, podendo ser realizado, também, em centro de Atendimento Educacional Especializado da rede pública ou de instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos, conveniadas com a Secretaria de Educação ou órgão equivalente dos Estados, Distrito Federal ou dos Municípios.
Art. 6º Em casos de Atendimento Educacional Especializado em ambiente hospitalar ou domiciliar, será ofertada aos alunos, pelo respectivo sistema de ensino, a Educação Especial de forma complementar ou suplementar.
Art. 7º Os alunos com altas habilidades/superdotação terão suas atividades de enriquecimento curricular desenvolvidas no âmbito de escolas públicas de ensino regular em interface com os núcleos de atividades para altas habilidades/superdotação e com as instituições de ensino superior e institutos voltados ao desenvolvimento e promoção da pesquisa, das artes e dos esportes.
Art. 8º Serão contabilizados duplamente, no âmbito do FUNDEB, de acordo com o Decreto Nº 6.571/2008, os alunos matriculados em classe comum de ensino regular público que tiverem matrícula concomitante no AEE.
Parágrafo único. O financiamento da matrícula no AEE é condicionado à matrícula no ensino regular da rede pública, conforme registro no Censo Escolar/MEC/INEP do ano anterior, sendo contemplada:
a)matrícula em classe comum e em sala de recursos multifuncionais da mesma escola pública;
b)matrícula em classe comum e em sala de recursos multifuncionais de outra escola pública;
c)matrícula em classe comum e em centro de Atendimento Educacional Especializado de instituição de Educação Especial pública;
d) matrícula em classe comum e em centro de Atendimento Educacional Especializado de instituições de Educação Especial comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos.
Art. 9º A elaboração e a execução do plano de AEE são de competência dos professores que atuam na sala de recursos multifuncionais ou centros de AEE, em articulação com os demais professores do ensino regular, com a participação das famílias e em interface com os demais serviços setoriais da saúde, da assistência social, entre outros necessários ao atendimento.
Art. 10. O projeto pedagógico da escola de ensino regular deve institucionalizar a oferta do AEE prevendo na sua organização:
I - sala de recursos multifuncionais: espaço físico, mobiliário, materiais didáticos, recursos pedagógicos e de acessibilidade e equipamentos específicos;
II - matrícula no AEE de alunos matriculados no ensino regular da própria escola ou de outra escola;
III - cronograma de atendimento aos alunos;
IV - plano do AEE: identificação das necessidades educacionais específicas dos alunos, definição dos recursos necessários e das atividades a serem desenvolvidas;
V - professores para o exercício da docência do AEE;
VI - outros profissionais da educação: tradutor e intérprete de Língua Brasileira de Sinais, guia-intérprete e outros que atuem no apoio, principalmente às atividades de alimentação, higiene e locomoção;
VII - redes de apoio no âmbito da atuação profissional, da formação, do desenvolvimento da pesquisa, do acesso a recursos, serviços e equipamentos, entre outros que maximizem o AEE.
Parágrafo único. Os profissionais referidos no inciso VI atuam com os alunos público-alvo da Educação Especial em todas as atividades escolares nas quais se fizerem necessários.
Art. 11. A proposta de AEE, prevista no projeto pedagógico do centro de Atendimento Educacional Especializado público ou privado sem fins lucrativos, conveniado para essa finalidade, deve ser aprovada pela respectiva Secretaria de Educação ou órgão equivalente, contemplando a organização disposta no artigo 10 desta Resolução.
Parágrafo único. Os centros de Atendimento Educacional Especializado devem cumprir as exigências legais estabelecidas pelo Conselho de Educação do respectivo sistema de ensino, quanto ao seu credenciamento, autorização de funcionamento e organização, em consonância com as orientações preconizadas nestas Diretrizes Operacionais.
Art. 12. Para atuação no AEE, o professor deve ter formação inicial que o habilite para o exercício da docência e formação específica para a Educação Especial.
Art. 13. São atribuições do professor do Atendimento Educacional Especializado:
I - identificar, elaborar, produzir e organizar serviços, recursos pedagógicos, de acessibilidade e estratégias considerando as necessidades específicas dos alunos público-alvo da Educação Especial;
II - elaborar e executar plano de Atendimento Educacional Especializado, avaliando a funcionalidade e a aplicabilidade dos recursos pedagógicos e de acessibilidade;
III - organizar o tipo e o número de atendimentos aos alunos na sala de recursos multifuncionais;
IV - acompanhar a funcionalidade e a aplicabilidade dos recursos pedagógicos e de acessibilidade na sala de aula comum do ensino regular, bem como em outros ambientes da escola;
V - estabelecer parcerias com as áreas intersetoriais na elaboração de estratégias e na disponibilização de recursos de acessibilidade;
VI - orientar professores e famílias sobre os recursos pedagógicos e de acessibilidade utilizados pelo aluno;
VII - ensinar e usar a tecnologia assistiva de forma a ampliar habilidades funcionais dos alunos, promovendo autonomia e participação;
VIII - estabelecer articulação com os professores da sala de aula comum, visando à disponibilização dos serviços, dos recursos pedagógicos e de acessibilidade e das estratégias que promovem a participação dos alunos nas atividades escolares.
Art. 14. Esta Resolução entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

CESAR CALLEGARI
Blog do CNE
Ferramenta de informação e comunicação interna do Conselho Nacional de Educação (CNE), criada para promover a interação e a troca de informações entre as equipes de trabalho. A partir de 09/set/2009, o blog foi tornado público, com foco na divulgação das ações do CNE.

Matéria postada no BLOG da APNEN 20/12/2009
Fonte:

Nossos esquecidos

O Natal está chegando, com essa coisa de festa consumista e confraternização universal ao mesmo tempo. Mas, confraternização universal até que ponto, gente boa? Quando ultrapassamos as grades e muros das “cidadelas” dos bem-nascidos, que a cada dia ficam mais vulneráveis e menores diante das não-cidades formadas pelas favelas e pelas comunidades pobres, ficamos assombrados com a invisibilidade total das pessoas com deficiência dos lugares além-fronteiras.

Depois que passei a priorizar e promover a interseção da questão da pessoa com deficiência com a da criança, diante da constatação óbvia de que a efetividade do combate ao preconceito e à discriminação é praticamente absoluta na infância, tenho participado de muitas atividades fora da área das deficiências. Juntando a tal posicionamento o fato de que a Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência contempla as mais pobres dessas pessoas, estabeleci meu foco nas chamadas comunidades de baixa renda com a difícil equação deficiência/criança/pobreza.

Com essa “mala cheia de ilusões”, circulei pelas vielas da Maré, no Rio de Janeiro, e de Mangueirinha e Nova Campina, em Duque de Caxias, assuntando a exclusão social e os direitos humanos em seus múltiplos aspectos - da reintegração familiar e comunitária de crianças em situação de rua à violência praticada por polícia, tráfico e milícia contra cidadãos de bem, que ficam acuados e silenciados.

Nessa trajetória, estive presente em reuniões, manifestações e debates, sempre concorridos e de grande qualidade. Porém, assim como aconteceu na primeira audiência pública do Plano Nacional pela Primeira Infância no Rio de Janeiro, quando deixei mesa e platéia intrigadas ao me inscrever em todos os grupos temáticos porque era a única pessoa com deficiência participante, eu também me vi sozinho em todas essas ocasiões.

Diante disso, fiz duas perguntas. Uma, de mim para mim, questionando a própria luta pela inclusão das pessoas com deficiência que, em geral, fala para quem já está dentro dela, reforçando a idéia de gueto e podendo explicar a ausência de outros companheiros comigo. A segunda pergunta, para os militantes dos outros segmentos de excluídos, indagando se por acaso não existiam paraplégicos, surdos, cegos, paralisados cerebrais ou pessoas com síndrome de Down nas favelas, pois eu não tinha visto ninguém assim em nenhuma reunião ou viela.

Pois é, gente boa - é aí que o bicho pega! O pessoal começou a balbuciar, tentando se lembrar do garoto que queimou os olhos com algum produto e ficou cego, da menina com Down ou mesmo do rapaz que caiu da moto e ficou paralítico, mas todos tinham sumido na poeira das suas histórias.

É por essas e outras, Papai Noel, que aproveito este texto para pedir por todas as crianças, jovens e adultos com deficiência esquecidos nos labirintos de barracos, em meio aos ratos das palafitas ou adormecidos em cubículos precários nas pirambeiras.

Para nós, bem-nascidos da Zona Sul carioca, ou de qualquer outra “cidadela”, é muito fácil trabalhar e construir belos discursos contra o preconceito e a discriminação ou a favor das cotas no mercado de trabalho e da educação inclusiva. Difícil é combinar tais práticas com a luta contra a pobreza ou com a formulação de normas da ABNT para a acessibilidade nas favelas.

Com muita fé, desejo o Natal mais feliz possível para os nossos esquecidos!

Fonte: http://blog.andrei.bastos.nom.br/2009/12/13/nossos-esquecidos/

Matéria postada no Blog da APNEN 20/12/2009