segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

A moçada está saindo.

Foi bonito de se ver. Na semana que antecedeu o Natal fui duas vezes ao shopping comprar presentes e tive gratas surpresas. Depois de batalhar por uma vaga reservada para pessoas com deficiência, todas ocupadas, tive que esperar na fila para usar o banheiro adaptado e vi muitas cadeiras de rodas circulando pelos corredores e lojas.

Não é à toa que o símbolo de acessibilidade mais difundido e conhecido é uma cadeira de rodas. Claro que outras pessoas, com outras deficiências, também foram às compras, mas a idéia de um espaço acessível conquistado é facilmente passada pela imagem dos cadeirantes circulando com facilidade.

Mais do que uma simples inclusão nos templos do consumo, esta nossa maior afluência aos shoppings resulta da irreversível elevação da nossa autoestima, tanto por conquistas de natureza pessoal como política. Nossa determinação e luta constante fizeram com que chegássemos à atual situação e vão nos levar mais longe ainda. A porta do consumo é a mais fácil de ser aberta, pois a chave é o dinheirinho nada desprezível de 25 milhões de brasileiros e seus familiares.

É preciso que tenhamos clareza em relação a esse poder econômico, significativamente aumentado por nossa inclusão cada vez maior no mercado de trabalho, e saibamos usá-lo para efetivar todas as outras conquistas já consolidadas nas leis. Se associarmos essa compreensão às questões de direitos do consumidor e de que somos tão pagadores de impostos quanto os outros, a despeito de isenções fiscais plenamente justificadas que nos atendem, potencializaremos nossa força política na luta pela cidadania plena.

Por outro lado, também sabemos que usuários de vagas reservadas em shoppings ainda representam uma minoria entre nós e que, por isso, devemos fazer com que a acessibilidade desse comércio de luxo seja implementada em todas as construções e transportes das cidades. Afinal, nenhum dos sorridentes cadeirantes “consumistas” deve ter chegado de ônibus. Mas, de qualquer maneira, foi bonito de se ver porque a diferença foi grande “em relação ao mesmo período do ano anterior”, marcando 2009 como o ano em que muitos cadeirantes saíram da toca.

Na minha última incursão consumista, ao sair do elevador me deparei com um congestionamento de cadeiras de rodas. Foi divertido porque, sem perceber, de repente estávamos num papo solto como se fôssemos velhos conhecidos, rindo e brincando com nossas cadeiras e muletas, e atrapalhando o trânsito, é claro. Foi quando um jovem e bem humorado cadeirante do grupo, olhando para a confusão, expressou o que percebíamos ao dizer que “a moçada está saindo”.

É isso mesmo: estamos saindo para a vida, para o mundo, e tudo indica que 2010 será o ano em que provocaremos congestionamentos também nas avenidas, ruas e pontos de ônibus, lutando por acessibilidade para todos. Vocês já imaginaram o impacto que apenas dois ou três cadeirantes podem provocar se tentarem pegar, ao mesmo tempo, o mesmo ônibus adaptado sobre chassi de caminhão? É primeira página na certa.

A moçada está saindo e vai ganhar as ruas. Feliz 2010 acessível!



Publicado no blog Andrei Bastos Domingo, 27 de Dezembro de 2009 às 20:42.
Matéria postada no Blog da APNEN 28/12/2009

Jaú implanta sistema pioneiro de acesso de deficientes visuais aos ônibus.

Acessibilidade no trânsito de Jaú - Sistema para deficientes visuais será implantado.

Jaú será mundialmente pioneiro na implantação de um sistema para a acessibilidade de deficientes visuais ao transporte coletivo urbano. É o DPS2000, criado por Dácio Pedro Simões e aperfeiçoado pela Universidade Federal de Minas Gerais. O sistema foi apresentado na tarde da última sexta-feira (18/12) no auditório do Ciesp pelo diretor da empresa Geraes, de Belo Horizonte, Júlio César David de Mello para o Prefeito Municipal e Primeira Dama, Presidente do Fuss e Secretária dos Direitos das Pessoas com Deficiências e Idosos.


O DPS2000 é um equipamento que através de rádio-frequência permite ao deficiente visual acionar a linha de ônibus que pretende utilizar e alerta ao motorista, através de um sinal sonoro, que no próximo ponto à frente há um deficiente visual para embarcar. Quando o ônibus pára no ponto um alerta sonoro, partindo de dentro do veículo, informa o número da linha para que o deficiente saiba que estará embarcando no ônibus correto para o seu destino.


A Previsão de funcionamento do novo sistema nos ônibus de Jaú é até maio de 2010. Segundo a Primeira Dama, "Estamos tentando sair na frente. Pela demonstração pudemos ver que é um projeto ousado, mas que não é uma tecnologia cara. Percebemos que em valor para nós custaria em torno de R$ 18 mil da Prefeitura a proposta inicial de implementação do sistema. Nós estávamos pensando em sonorizar o Terminal Urbano de Integração, mas esse projeto é muito mais amplo e atende ao deficiente em qualquer lugar onde estiver na cidade".


O projeto prevê também palestras, cursos de formação de motoristas, e será custeado através de uma parceria inicial da Prefeitura Municipal de Jaú com a Empresa Macacari. A Secretaria dos Direitos das Pessoas com Deficiência e Idosos também está buscando novas parcerias para custear a linha de produção e baratear ainda mais o preço final do produto.

Prefeitura de Jahu 28/12/2009
Mat´ria postada no log da APNEN 28/12/2009

domingo, 27 de dezembro de 2009

Futebol dribla paralisia e miséria em Campo Grande.

Na capital sul-matogrossense, esporte se transforma em meio de vida e já produz até uma nova geração de jogadores.

Com estrutura precária, cidade concentra três dos principais times do país e integrantes da seleção que ganham bolsas do governo.



Em Campo Grande, futebol é muito mais uma atividade para deficientes físicos do que um esporte para profissionais.
Na capital do Mato Grosso do Sul estão as bases das seleções principal e sub-20 de futebol para paralisados cerebrais.
Rede de saúde falha, erros médicos, falta de informação e difícil condição financeira das famílias. A situação de Campo Grande não é muito diferente da do resto do Brasil.
A diferença é que existe uma certa estrutura para a prática de futebol para quem tem paralisia. Pobre, precária, mas ainda assim uma estrutura.
No último Brasileiro da modalidade, disputado há 15 dias em São José dos Pinhais (PR), três dos oito times eram de Campo Grande. No futebol profissional não há nem sequer um clube de Mato Grosso do Sul nas séries A, B e C.
A última equipe do Estado a disputar a primeira divisão foi o Operário, em 1986, quando o torneio teve 80 participantes.
Nenhum dos times paraolímpicos paga salários para jogadores e comissão técnica, mas há dezenas de praticantes incluídos no programa bolsa--atleta, do governo federal.
No Campeonato Brasileiro, o título ficou com o IBDD, do Rio. Mas o Caira e o Pantanal, de Campo Grande, ficaram em segundo e terceiro lugares, respectivamente. O outro time da cidade (ADD) terminou em sexto e teve a revelação do torneio, Rafael Franciscatto, 16.
Um lugar no pódio vai valer R$ 750 mensais para cada jogador ao longo de 2010 -a não ser que o atleta já receba outro auxílio, como o pago a quem disputou a última Paraolimpíada (no caso, R$ 2,5 mil mensais).
O futebol paraolímpico virou um meio de vida na capital sul-mato-grossense. Em Atlanta-96, 3 dos 12 integrantes da seleção eram de Campo Grande.
Em Pequim-08, 6 dos 12 convocados defendiam times de Mato Grosso do Sul.
Hoje, o Estado já produz uma nova geração de jogadores, quase todos concentrados na capital. Em outubro, a seleção brasileira sub-20 ganhou os Jogos Parapanamericanos em Medellín, com seis sul-matogrossenses no time -quatro deles entre os sete titulares.
Rael Medeiros Coelho, 15, era um dos mais novos da equipe. Começou a jogar por influência do vizinho Joelson da Rocha Cabral, 20, também paralisado cerebral, de quem acabou companheiro de seleção.
"Agora que ele vai ganhar a bolsa, vou poder pagar o que devo", diz Adriana, 40, mãe de Rael e empregada doméstica. "Faço tudo para ele jogar. Pego passe de ônibus emprestado, faço prestação para comprar chuteira, meia, tudo."

Rivalidade
O Pantanal é o mais antigo dos clubes de paralisados cerebrais de Campo Grande. Ligado à ONG Cemdef, foi fundado em 1996 e sobrevive da ajuda eventual de empresas e políticos.
Sob o comando de Dolvair Castelli, acumulou títulos nos dez anos seguintes, até que um racha resultou na criação de outro time, ligado a outra ONG da cidade, o Caira, que se sustenta da mesma maneira.
Para lá foram o técnico José Renato Ferreira e vários jogadores, como Marcos dos Santos Ferreira e Luciano Rocha, atacante da seleção brasileira nas últimas três paraolimpíadas.
O outro time da cidade é o ADD (Associação Driblando Diferenças), que concentra jogadores mais jovens e treina junto com o Pantanal num campo improvisado, ao lado do ginásio Guanandizão.
"Ainda é longe do ideal, mas é o que temos", diz o técnico Castelli, resignado. O campo de grama alta e fofa tem dimensões menores que as oficiais, as traves não têm redes e não há linhas marcadas.
A reforma por que passa o local não tem nada a ver com futebol. Torres de iluminação estão sendo instaladas para aumentar a segurança do campo à noite, quando o gramado se transforma em estacionamento para os cultos evangélicos realizados no Guanandizão.
A "sede" do Pantanal são duas salas contíguas, de teto inclinado, localizadas embaixo das arquibancadas do ginásio.
Numa delas fica o único aparelho de ginástica -que é dividido entre os 20 jogadores-, os armários de ferro para os uniformes e os colchonetes para sessões de alongamento.
Na outra ficam os troféus e a mesa do presidente do Pantanal, Antonio Carlos Barbosa, que também atua como auxiliar-técnico, motorista e o que mais for necessário. Há dois meses, o local foi assaltado. "Roubaram o computador e os uniformes", relata Barbosa.
O Caira usa duas vezes por semana as instalações de um clube de elite. "Nos outros dias a gente corre no parque e faz treinos táticos em quadras públicas de futsal", conta o treinador José Renato Ferreira.
A rivalidade entre Caira e Pantanal é tamanha que os times nunca se enfrentaram em amistosos. Situação que pretendem mudar em 2010.


Folha de São Paulo: ESPORTES
São Paulo, domingo, 27 de dezembro de 2009

Matéria postada no Blog da APNEN 27/12/2009

Anvisa muda regras para embalagens de remédios; braile será obrigatório

Uma norma da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicada na semana passada no Diário Oficial da União irá mudar as embalagens de medicamentos. A partir da publicação, as fabricantes terão de seguir novas regras como a obrigatoriedade do nome do remédio em braile nas caixas, além da inclusão de informações sobre conservação e prazo de validade do produto após a abertura. O objetivo da medida é “tornar os rótulos de medicamentos mais claros e úteis para a sociedade”. Os fabricantes terão 18 meses para se adaptarem às mudanças. Todos os medicamentos terão que conter a bula obrigatoriamente. Antes, os remédios isentos de prescrição e que incluíssem as informações exigidas na própria embalagem, eram dispensados da bula. A partir da resolução, informações impressas nas caixas, como o número de lote, data de validade e de fabricação terão que aparecer em tintas coloridas. Está proibida a impressão apenas em alto ou baixo relevo, como é feito atualmente. Os laboratórios só poderão utilizar figuras nas embalagens se a função for de auxiliar o uso do remédio. E para evitar confusão com a gradação das tarjas, o uso das cores vermelha, preta e amarela nos rótulos estão restritas.


(Agência Brasil)
Jornal TodoDia 27/12/2009
Matéria postada no Blog da APNEN 27/12/2009