sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Nos EUA sites de relacionamentos miram pessoas com deficiência e problemas de saúde

Título da notícia do site Pequenas Empresas e Grandes Negócios:

"Sites de relacionamentos miram pessoas com necessidades especiais* e problemas de saúde"

Sherry Nevius é independente e se vira muito bem sozinha, mas gostaria de alguém que também fosse cadeirante para ser seu parceiro. “Dessa forma estamos na mesma situação”, afirmou em entrevista para o site do The New York Times. Ela chegou a sair com vários homens sem necessidades especiais, mas para ela, eles pareciam não querer comprometimento justamente pelo fato de ela estar em uma cadeira de rodas. Como solução, recorreu aos serviços de relacionamento on-line específicos para pessoas que pensavam da mesma forma que ela.

Atualmente, muitos sites estão focando seus serviços para públicos com necessidades especiais ou problemas de saúde. Sherry, por exemplo, começou a participar do Dating 4 Disabled, um portal de relacionamentos dedicados a portadores de diversas necessidades especiais, como paralisia e esclerose múltipla.
Outros sites desse tipo ainda incluem NoLongerLonely, para adultos com doenças mentais, e POZ Personals, para pessoas soropositivas.

A maioria deles é gerenciada por uma pessoa ou um grupo muito pequeno e geralmente é gratuita, com os custos sendo cobertos por anúncios.

Fonte: http://revistapegn.globo.com/ - 30/12/2010

APNEN, colaborando na divulgação desta metéria: 31/12/2010

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Conviver com pessoa com deficiência

Como diz Reinaldo Bulgarelli, “Diversos não são os outros, diversos somos todos nós”.

Deise Fernandes

Todos acreditamos na frase acima, ninguém duvida que somos todos diferentes, com características físicas, psicológicas, e culturais muito diferentes, e quando pensamos na história mais e maiores diferenças encontramos. Todavia, quando pensamos em uma pessoa com deficiência, essas diferenças vão além. As diferenças de uma pessoa com deficiência vêm carregadas de significados, de interpretações, que levam a construção de imagens, que por sua vez também estão carregadas de emoção impregnadas das vivências ou não, com uma pessoa com deficiência. Isso sem falar do medo que todos temos de adquirir uma deficiência ao longo da vida.

Muitos foram os que tentaram eliminar a incoerência dos conceitos, mas a palavra “deficiente” tem um significado muito forte. Freqüentemente é confundido “deficiente” como antônimo de “eficiente”, que por sua vez leva à idéia de “incapaz”. Idéia que se fortalece, quando não existe vivência com uma pessoa com deficiência, ou se a vivência for com uma pessoa cuja deficiência seja de fato limitante e incapacitante.

E aqui outra questão aparece, “generalização”. De novo, a frase “Diversos não são os outros, Diversos somos todos nós”, não é aplicada para a pessoa com deficiência. O simples fato de ter uma deficiência semelhante ao outro, já é determinante que seja igual. As diferenças individuais, familiares, socioeconômicas, psicológicas, não são levadas em consideração.
A sociedade constrói seus valores culturais, se organiza conforme eles, e se expressam através das palavras. Portanto, o primeiro grande desafio das pessoas com deficiência é superar o significado e a imagem que lhes é imposta pela palavra “deficiente”.

Seu desafio começa na família, que não espera e nem quer ter um filho com deficiência, depois na escola, na sociedade, e por fim na empresa. Outro valor cultuado pela sociedade é o sucesso, que define que para se ter sucesso é necessário ser perfeito, completo, forte, ter tudo em ordem, portanto, aquele que não tem alguma parte do seu corpo, não pode conseguir o sucesso, a ordem, o progresso, e leva o estigma de dependente, com necessidade de tutela.

No fundo, a frase “Diversos não são os outros, diversos somos todos nós” é muito mais frase de desejo do que de realidade, na medida em que a sociedade reconhece e valoriza os iguais, homogêneos, aqueles que de todas as formas atendam suas exigências.

O mais cruel é que a sociedade cria suas regras, e mesmo que essas sejam incoerentes ou injustas, todos acreditam e as seguem. Mesmo aqueles que são os estigmatizados acreditam que de fato são inferiores, menores, menos. E as pessoas com deficiência também trazem dentro de si os conceitos impostos pela cultura, e precisam superar os sentimentos de inferioridade e incapacidade.

Este artigo tem o objetivo de trazer essas questões para serem debatidas pelas pessoas, por ser necessário que se reconstruam esses valores, tanto da pessoa com deficiência, como da sem deficiência, porque as imagens construídas estão na cabeça dos dois lados, e de muitas formas se alimentam, impedindo que se estabeleçam relacionamentos maduros e sustentáveis.

Para escrever essas reflexões, li e reli inúmeros textos, de diversos autores, sensíveis, interessados na questão da pessoa com deficiência. Apesar de reconhecer a riqueza de informações e a dedicação e esforço desses autores em definir e conceituar o que é ser pessoa com deficiência e o que é incluí-las na sociedade, devo confessar que pouquíssimas vezes me senti representada, e raramente reconheci minha vida e meu jeito de ver as coisas nos relatos que li.

Sou cega desde os 15 anos, em conseqüência de um deslocamento de retina, que teve como causa alta miopia. Talvez exatamente por ter perdido a visão aos 15 anos, tenha outro jeito de enxergar as coisas, mas um caso como o meu não é único. Conheço muitos deficientes visuais que adquiriram a cegueira depois de adultos, e não só a deficiência visual como todas as outras, por conta de doenças ou principalmente acidentes de trânsito e de trabalho. Portanto, somos muitos que não nos sentimos retratados pelos estudiosos e pesquisadores do tema “Inclusão das Pessoas com Deficiências”.

Não quero falar em nome das pessoas com deficiência, nem ao menos dos deficientes visuais, não fiz nenhuma pesquisa e não tenho autorização de ninguém para falar em nome do grupo. Tudo que estou escrevendo são minhas próprias reflexões e que eventualmente possam refletir o jeito de viver de várias dessas pessoas.

Em primeiro lugar, não podemos esquecer que estamos no Brasil e que temos carência de quase tudo, e que a desigualdade entre as pessoas no nosso país é um aspecto mundialmente conhecido e que muito nos envergonha como brasileiros.

O ideal de uma sociedade verdadeiramente inclusiva está na cabeça de poucos, e ainda temos muito que avançar para termos uma sociedade com igualdade e respeito a todos.

Percebemos as dificuldades do Brasil na falta de escolas, que é sentida não só pelas pessoas com deficiência, mas por muitas crianças que, em idade escolar, não encontram vagas para estudar; no sistema de saúde, que não previne e nem cuida de todos os nossos doentes; nas poucas vagas e postos de trabalho para os brasileiros em idade economicamente ativa; na realidade de que nem todos possuem casa própria, e que muitos vivem em condições subumanas, e assim por diante. Com esse cenário brasileiro, não podemos e nem devemos esperar que especificamente as pessoas com deficiência tenham tudo o que grande parte dos brasileiros não possui. Não podemos cobrar dos governos, empresas, escolas, e mesmo famílias, o que ainda não sabem e nem podem oferecer. O Brasil está em plena construção de uma sociedade democrática e justa. E nessa construção precisa de todos trabalhando juntos de forma compartilhada e cooperativa, para sermos uma nação forte e sustentável.

Além de sermos brasileiros e vivermos nessa realidade antes de sermos deficientes, somos pessoas, com tudo o que isso significa. Sonhos, medos, história de vida, oportunidades, tendências, vocações, e tudo mais. É comum em minhas palestras eu pedir que as pessoas fechem os olhos e que percebam que continuam sentindo, pensando, desejando as mesmas coisas de quando com os olhos abertos. A deficiência é quase como uma característica pessoal, como cor de cabelo, altura, cor dos olhos.

Desde que nascemos, ou algum tempo depois de adquirirmos uma deficiência, incorporamos suas características, suas limitações, como qualquer outra característica física. Todos nós somos acostumados com a nossa altura, por exemplo, e nos adaptamos às suas particularidades e às vezes até mesmo nos aproveitamos de suas vantagens. Assim também acontece com a deficiência.

A rotina, o sentimento de sobrevivência e a repetição das atividades fazem com que aprendamos a lidar com as limitações e superar as dificuldades, valorizando e explorando ao máximo as facilidades e possibilidades.

Existem inúmeros exemplos de pessoas com deficiência que fizeram e fazem coisas que ninguém acreditava ser possível. Mas eles conseguiram porque convivem consigo mesmos o tempo todo e sabem o que, como, onde e quando devem avançar.

Durante um tempo, e esse tempo depende de cada pessoa, a deficiência causa algum desconforto. A falta de instituições capacitadas, as dificuldades da família na aceitação e no apoio que precisamos, as barreiras arquitetônicas, nos causam insegurança e algumas vezes impotência para superar as dificuldades, mas a vida, com sua força extraordinária, nos impulsiona para o desafio de crescer, de se desenvolver, de avançar.

A deficiência não é doença, a deficiência não dói, portanto nossa vontade, alegria, coragem continuam dentro de nós, e chega um momento que não suportamos a clausura e saímos para a vida.

Sair para a vida, não significa que sabemos o que queremos, nem sempre sabemos ao menos onde estamos, o que somos, quantos somos. Queremos sair para fazer a nossa história, do nosso jeito, de algum jeito.

As crianças fazem birra, gritam, exigem, querem porque querem ir à escola, sair, brincar. Já presenciei inúmeras cenas assim, por um lado a criança tem fome e necessidade de vida, pelo outro os familiares seguram, impedem, proíbem, por medo, por desinformação, por superproteção. Não sei a medida certa. Não tenho receitas prontas, mas sei que falta diálogo entre pais e filhos. Não só das famílias com pessoa com deficiência, infelizmente, mas nesse caso, existe um componente a mais. Cada deficiência tem seus cuidados especiais.

E aqui começam as confusões. O que precisa de cuidados especiais são as deficiências, e não as pessoas. Em algum momento essas duas coisas se cruzam, mas na maioria das vezes deveriam ser tratadas em planos diferentes.

Em um primeiro plano, a pessoa com deficiência, de nascença ou adquirida, precisa de informações, de capacitação, de formas e técnicas de como desenvolver os outros sentidos ou órgãos para superar e compensar ao que foi perdido. Aos deficientes visuais é necessário aprender o uso da bengala, a escrita Braille, a coordenação motora, a noção de espaço, o desenvolvimento do olfato, do ver com os ouvidos. Ao deficiente físico, o desenvolvimento e fortalecimento do membro não afetado e principalmente a exploração do membro deficiente, para que faça o máximo que puder. Aos auditivos, como fazer leitura dos lábios, como aprender a falar (a grande maioria dos deficientes auditivos possuem as cordas vocais perfeitas), aprender LIBRAS (Linguagem Brasileira de Sinais), precisam aprender a se comunicar de alguma forma. Aos deficientes mentais, a se comunicar com clareza, a fazer as atividades da vida diária com facilidade, e aos múltiplos aquilo que precisarem e puderem aprender para se tornarem o mais independente possível.

Algumas vezes esses aprendizados parecem muito esforço e até crueldade para uma criança, ou mesmo um adulto que ficou deficiente e terá que reaprender muitas coisas. Mas na verdade, cruel é não incentivá-los, apoiá-los, empurrá-los, para que aprendam a fazer tudo o que for possível e um pouco mais.

Cruel e desumano é fazer que a deficiência seja motivo da dependência, da submissão, de sua descaracterização. É fazer essas pessoas mais limitadas do que a própria deficiência já o faz. Cuidar do aprendizado específico para cada deficiência é ser responsável e humano.

Em um outro plano encontramos as pessoas que desde o nascimento ou depois de adultos adquiriam uma deficiência. E aqui os cuidados são outros. Alguns aceitam rapidamente e partem para recuperar o que perderam, outros, no entanto, ficam paralisados, sem saber por onde começar. Respeitar o tempo de luto de cada um é fundamental. Ensiná-los as coisas mais práticas ajuda muito. Como escovar os dentes, tomar banho, pentear os cabelos. Na medida em que percebem que conseguem resolver suas necessidades primárias, a mente, o psicológico, vai ousando avançar em outros campos da vida.

Importante entender que as deficiências simplesmente trazem as limitações específicas de sua natureza, nada mais. A cegueira apenas traz à pessoa a limitação de não enxergar, a surdez de não ouvir, a paraplegia de não andar, e assim por diante, portanto é incorreto pensar que a deficiência determina o jeito de ser da pessoa que a possui.

A pessoa é a somatória de suas experiências, oportunidades, sua formação psicológica, sua maturidade espiritual. Por isso é comum encontrarmos pessoas com a mesma deficiência, porém com trajetórias de vida muito diferentes.

Esse é outro conceito importante: as pessoas com deficiência, apesar das semelhanças de suas limitações, não são de forma nenhuma iguais. A generalização, muito comum na cabeça das pessoas, não tem fundamentos sólidos e nem lógicos.

Nesse sentido, as pessoas com deficiências não são santas, e nem diabólicas. Não são absolutamente corajosas, e nem covardes. Nem felizes, nem sofredoras. Não necessariamente ajudam a motivação no ambiente de trabalho, nem prejudicam. As pessoas com deficiência são antes de tudo pessoas, com tudo o que isso significa, somado a um esforço diferente, que é aprender a viver, apesar de sua limitação física, sensorial ou mental.

Pessoas com deficiência trazem consigo medos, inseguranças, desânimos, preguiça, comodismo, rebeldia, tanto como coragem, determinação, alegria, vontade, inteligência, bom senso. Como, aliás, todas as pessoas que estão vivendo e que precisam levantar todos os dias de manhã e ir à luta. E que muitas vezes gostariam de ficar deitadas, que outras tantas se sentem desvalorizadas, cansadas e tristes, e em outros dias, estão absolutamente felizes, realizadas, esperançosas.

Ser pessoa é uma mistura de todos os sentimentos, é ter que enfrentar as limitações, que não são apenas aquelas oficialmente consideradas deficiências, mas todas as outras, como ser loira, ser obesa, ser baiana, ser magra demais, ser mais lenta, ter necessidade de pensar um pouco mais antes de decidir, e assim por diante.

Na verdade, “diversos não são os outros. Diversos somos todos nós”. E em alguma medida, todos precisamos ser aceitos, incluídos, reconhecidos e valorizados.

Relatos como o de Guga Dorea, logo abaixo, são mais comuns do que deveriam. A maioria das famílias não estão preparadas para receber um membro deficiente.

“Eram 12h30 da tarde. Algo de novo estava preste a acontecer em minha existência. O primeiro filho. Sensações inéditas percorriam o meu corpo naquele instante quando, de repente, experimentei o inesperado, que se instalou em meu organismo – fortemente marcado por cargas estigmatizadas – como se fosse um pontiagudo aguilhão.

As horas já haviam se passado. No momento mágico do nascimento, quando aquela nova vida já fazia parte de minha subjetividade, a enfermeira se postou em minha frente, com uma fisionomia de desalento e de quase perplexidade. Thiago estava em seus braços quando ela disse: ‘olhe a testa de seu filho’. Sem compreender o porquê, olhei e, em função da requisição da própria enfermeira, fui levado a confirmar que realmente aquele não compreensível olhar havia se concretizado.

Logo em seguida, a própria enfermeira apontou o corredor ao lado da sala de parto e me chamou para informar, da pior maneira possível, que meu filho poderia ter nascido com alguma ‘anomalia’ genética, mas era para que eu voltasse ao lado da mãe e não transmitisse nenhuma fisionomia contrária àquele momento de habitual alegria e de incontável realização. Afinal, a sua barriga ainda estava aberta.

Nesse instante, e não poderia ter sido diferente, a minha vida parecia haver desabado, o que significou, na prática, a saída instantânea de um mundo aparentemente seguro e confortável, repleto de opiniões e convicções supostamente formadas, para um universo desesperador do caos, da incerteza, da fúria, do ódio, enfim, a minha impressão era de que toda uma existência havia se quebrado, sem chances de retorno a um mar calmo, a um porto seguro.

É como se eu estivesse sendo sugado, exatamente naquele segundo, por um mar extremamente bravio, surgido do nada, que havia me lançado para outro mundo, preocupadamente intolerável e enigmático. O meu corpo não se reconhecia mais naquele ‘eu’, que havia se transformado em um outro corpo, uma outra subjetividade, em suma, estava assustadoramente no limiar de um outro mundo em que meus projetos de futuro não caberiam mais.” (Guga Dorea).

As familias não estão preparadas, principalmente, porque receberam toda carga ideológica que reina no interior de nossa cultura. Deste modo, as reações podem ser as mais variadas: rejeição, simulação, segregação, superproteção, paternalismo exacerbado, ou mesmo piedade. Em geral, um casal nunca tem a idéia de que um dia poderá ter um filho que nasça com qualquer tipo de deficiência. Uma família não tem a idéia de que um membro poderá um dia sofrer um acidente que o faça deficiente. A palavra “deficiente” adquire uma conotação negativa. Deficiente será aquele membro que dará sempre muito trabalho, que viverá encostado à custa da família. Outra angústia é a culpa que a maioria dos pais, particularmente as mães, sentem em relação a um filho deficiente. Sempre encontram falhas, equívocos, esquecimentos, que imaginam ter sido a causa da deficiência do filho. Também existem os casais que culpam um ao outro pelo que aconteceu e é muito comum, os casais se separarem depois do nascimento do filho deficiente, o que só aumenta a culpa e o desconforto com a deficiência.

Alguns pais procuram centros de reabilitação, ou clínicas para um acompanhamento, o que, aliás, é absolutamente necessário, sob pena do agravamento da limitação se isso não for feito em tempo certo. Mas infelizmente, não são todos os pais que podem ou têm a consciência desse dever, e negligenciam os cuidados consigo mesmos, com o filho, e com as necessidades da deficiência. O resultado é, na maioria das vezes, deprimente e cruel, porque traz seqüelas a todos da família, não só para a pessoa com deficiência, mas para todos, e muitas delas limitadoras e traumáticas até mesmo para aqueles que não possuem nenhuma deficiência.

Nesse ambiente de restrições, incompreensões, as crianças com deficiência vão se desenvolvendo como podem, com as dificuldades de qualquer criança, acrescidas das dificuldades da sua deficiência, porque não possuem parâmetros de comparação (em geral, nas famílias, existe uma única pessoa com deficiência). Como essas crianças são mantidas dentro de casa, até por conta da preocupação com sua segurança, ou pelos constrangimentos que trazem, ou mesmo pelo trabalho que dão, não conseguem ter grandes vivências ou experiência, que sabemos serem fundamentais no desenvolvimento infantil. Assim, temos um outro problema sendo construído. Além das limitações da deficiência, encontramos, com bastante freqüência, pessoas com deficiência com dificuldades cognitivas, de desenvolvimento motor e, claro, com imensos comprometimentos psicológicos.

Não é uma tarefa fácil ser pai ou mãe, é um papel dos mais exigentes. Ser pai ou mãe de uma criança com deficiência é significativamente mais difícil, exigindo desses pais dedicação, tempo disponível, autocontrole, energia, e muitos outros atributos que nem sempre são possíveis, até porque não existe uma cartilha que possam seguir, e a maioria das instituições para pessoa com deficiência não possuem programas eficazes para orientação de pais.

A peregrinação de médico em médico, de clínicas especializadas, de Instituições, em busca de ajuda, de entendimento do que está acontecendo com seu filho, é constante e nem sempre frutífera. Na maioria das vezes causa grandes frustrações.

Mas a única saída para que essas crianças tenham maiores perspectivas, mais condições de enfrentar a vida adulta, de conseguirem ser independentes e se sustentarem, é a conscientização dos pais. É a coragem de enterrar o “filho ideal” e de aceitar o “filho real”. Com tudo o que isso significa, inclusive e principalmente a dedicação que lhes será exigida a vida inteira. Não é fácil, porém é a única forma de encontrarem alguma felicidade, quando observarem seus filhos adultos e independentes.

Depois que as crianças crescem, e chegam a idade escolar, a situação não fica mais fácil. Já começa pelo esforço da criança e da família na organização e na superação da insegurança de ir para a Escola. Depois as dificuldades com a locomoção desde a porta de sua casa até a porta da Instituição Escolar. Os cadeirantes, muletantes e cegos, muito mais do que as Deficiências moderadas e leves, mas na falta quase total de acessibilidade nas calçadas, ruas e meio de transporte, em alguma medida todos enfrentam grandes desafios.

Quando conseguem chegar no prédio da escola, se deparam com outros três grandes obstáculos: O primeiro é conseguir entrar no prédio. Na maioria das vezes possuem escadas, (sem rampas ou elevadores) salas super lotadas, com carteira fixas. Depois tem a falta de material didático adaptado. Dificilmente uma escola possui livros em Braille ou com letras ampliadas, computadores com ledores de telas, filmes e documentários com legendas, etc., e, por fim, os professores e diretores, sem nenhum preparo e interesse em ter em sala de aula uma pessoa com Deficiência.
É sempre um esforço sobre-humano da pessoa com Deficiência e suas famílias, a conquista de uma vaga e a aquisição de conhecimentos escolares. Aqueles que conseguem sempre possuem histórias de desconforto, exclusão e até mesmo de humilhações.
Com tantos desafios a enfrentar, agravados pelas dificuldades financeiras, ainda não é grande o número de pessoas com Deficiência que conseguem avançar nos estudos e chegarem até a Universidade e a Pós Graduação.

A Lei de Cotas, (lei 8213/91) que determina que as Empresas tenham um percentual de pessoas com deficiência no quadro de empregados efetivos, trouxe um grande incentivo ao avanço dessas pessoas em todos os aspectos. Provocou efeitos colaterais importantíssimos no processo de inclusão e de respeito pelas Diferenças.

Ao conseguirem emprego e salário, a auto-estima e as condições de consumidores, os tiraram de suas casas e os colocaram nos shoping, cinemas, teatros, nas escolas para se aprimorarem, nas ruas, na vida enfim.

Por outro lado, as pessoas sem Deficiência também tiveram a oportunidade de conviverem com pessoas com Deficiência, e os estigmas, paradigmas, velhos conceitos, pouco a pouco vão se desfazendo, transformando, desaparecendo, e dando lugar a um pensamento inclusivo, humano, natural.

Ouso afirmar, que a comunidade de pessoas com Deficiência, começa ter a Esperança de que a frase “Diversos não são os outros, diversos somos todos nós” seja de fato Realidade. E que a Sociedade, dentro de pouco tempo, seja Inclusiva, Ética e Humana.

Deise Fernandes
Consultora Interna de RH na CPFL – Energia
Responsável pelo programa de Valorização da Diversidade.


Fonte: Planeta Educação - 29/12/2010

APNEN, colaborando na divulgação desta maéria: 30/12/2010

Por um Brasil mais igual

A matéria abaixo foi extraída do jornal Estadão e escrita pela deputada federal Mara Gabrilli*
Há 25 anos uma criança nascida com hidrocefalia não conseguia sobreviver. Hoje, com uma cirurgia para implante de válvula no cérebro ela pode ter vida longa e saudável. Situação parecida ocorre com aqueles que nasceram com paralisia cerebral e não conseguem fisicamente falar. Graças aos avanços tecnológicos, essas pessoas se comunicam por meio de um sistema de computador. Outras, com doença muscular degenerativa, já podem sair das UTIs com respiradores portáteis que contam com baterias de longa duração. Todas elas têm algo em comum: foram agraciadas pelo avanço da medicina e da tecnologia. No entanto, ainda convivem com o pensamento retrógrado de grande parte da sociedade quando têm seu ir e vir ou sua entrada impedida nas edificações por falta de acesso físico, ou, então, quando sofrem com algo muito mais excludente e limitador: falta de conduta acessível e discriminação.

É de espantar que crianças e jovens com deficiência física, visual, auditiva, intelectual, múltipla - beneficiadas por tantos avanços médicos - ainda tenham sua matrícula recusada em escolas comuns. O motivo? As instituições alegam não estar preparadas para isso. Pode até soar responsável, porém uma escola que se diz atualizada, com os melhores professores, laboratórios e tantas outras qualidades, estará pronta para a diversidade humana quando? A mim soa como falta de interesse e, sobretudo, preconceito em razão da deficiência que tais indivíduos têm.

Em 1950, Marlon Brando estreava no cinema como um veterano de guerra que fica paraplégico, no filme Espíritos Indômitos, um drama sobre a angústia e a dificuldade de adaptação que os combatentes da 2.ª Guerra sofriam por terem ficado deficientes. Uma cena foi particularmente marcante para mim: quando o médico explica a altura de sua lesão e conta que, se tivesse atingido o pescoço, não teria chance de sobreviver. "Quem quebra o pescoço morre", decretava. Puxa, eu quebrei o pescoço num acidente de carro, em 1994, e graças aos avanços da medicina estou aqui produzindo, trabalhando.

É paradoxal a ciência possibilitar a continuidade da vida, enquanto a sociedade, de um modo geral, não oferece os suportes necessários para a retomada da vida cotidiana. Garantias legais para vida digna há: desde a Constituição de 1988, a lei federal de acessibilidade (Lei 10.098/ 2000) e o decreto que a regulamenta (Decreto 5296/2004) até a incorporação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU, com força de emenda constitucional. Falta aplicá-las para avançar nas políticas de direitos humanos. A própria Câmara dos Deputados, que aprovou tais leis, somente agora tornará a tribuna acessível a um deputado cadeirante.

Desenvolvemos coisas que o cinema de 1950 chamaria de ficção científica: membros robóticos movidos com a força do cérebro, células que regeneram músculos, neurônios e ossos. Eu mesma ando e pedalo toda semana com a ajuda da tecnologia - quem me vê sentada na cadeira não imaginaria - e o astrofísico Stephen Hawking, que tem uma doença degenerativa, surpreende o mundo com suas ideias.

Conquistamos o mais valioso: o direito a vida. Mas até quando viver vai soar estranho a tantas pessoas com deficiência habituadas a uma sobrevida? Muitos dos progressos que esperamos para as próximas décadas na medicina não beneficiarão a todos porque a maioria das pessoas com deficiência não consegue fazer a manutenção de sua saúde e qualidade de vida porque, simplesmente, os serviços as excluem.

Ouço muito a expressão "preso a uma cadeira de rodas". Nada mais errado: a cadeira é sinal de mobilidade. Ela dá liberdade para ir a qualquer lugar. A verdadeira prisão é a discriminação e o desrespeito ao direito constitucional de igualdade, cujo resultado é visível no número expressivo de pessoas com deficiência que ainda não usufruem os benefícios de educação, trabalho, saúde, esporte, cultura, lazer e transporte por falta de acessibilidade. Ficam trancadas dentro de sua casa.

Por isso, cobrar as políticas públicas necessárias para fazer valer os direitos já garantidos pela legislação e provocar novas mudanças nas cidades é um movimento sem retorno.

A mídia tem papel fundamental e vem contribuindo, seja por meio do noticiário mais abrangente ou pela ficção e pelo entretenimento. A novela das 21 horas da Globo mudou, este ano, costumes e visões. Antes já havia ocorrido, por meio de personagens cegos, surdos, com síndrome de Down. A Eldorado AM tem programa focado nessa temática e chegou a entrevistar no rádio dois surdos, num programa memorável.

O respeito à dignidade da pessoa, inclusive a liberdade de fazer as próprias escolhas, a não discriminação, a plena e efetiva participação e a igualdade de oportunidades são compromissos da República que precisam sair da letra fria da lei e ser adotados pelos cidadãos. Isso é profundamente libertador. Para quem tem uma deficiência e para quem não tem, porque este tema faz parte do coletivo. Não se trata de um segmento isolado ou de uma política específica, mas de habitantes de uma mesma nação democrática.

Somos 28 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência (Censo 2000 IBGE). Não queremos mais brigar para provar que existimos. Queremos dividir o mundo com pessoas de peso, altura, cor, idade, características e condições físicas diferentes das nossas. O movimento pela acessibilidade e a adoção de práticas que atendam a todos está nas ruas para ser visto, comentado e, sobretudo, entendido e promovido. Faça parte deste encontro e se comprometa com a inclusão. Está em suas mãos a escolha de viver num País mais igual.

*VEREADORA EM SÃO PAULO, DEPUTADA FEDERAL ELEITA EM 2010, PSICÓLOGA, PUBLICITÁRIA, COMANDA O PROGRAMA DE RÁDIO "DERRUBANDO BARREIRAS: ACESSO PARA TODOS", NA ELDORADO AM .Portal Mara Gabrilli

Comentário APNEN: Desejamos a Deputada Federal Mara Gabrilli, muita sorte e sabedoria nesta sua nova empreitada, e na luta por melhores condições de vida, direitos respeitados das Pessoas com Deficiência em nosso país.

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 30/12/2010

Assento preferencial não é respeitado no Metrô de SP, dizem passageiros

Usuários do Metrô de São Paulo reclamam da falta de respeito dos passageiros que não cedem lugar a deficientes, idosos e mulheres grávidas. Uma lei federal garante o direito dessas pessoas ao uso do assento preferencial, mas nem sempre isso acontece.

A aposentada Bruna Valente, de 84 anos, afirmou que já passou por situação semelhante. “Pedi para duas moças se elas podiam ceder o lugar para mim, e elas fingiram que não estavam ouvindo”, contou. A idosa insistiu e pediu novamente: “Faz o favor e dá o lugar para mim?” Outros usuários repreenderam as jovens e Bruna finalmente conseguiu sentar-se.

Em algumas ocasiões, a falta de respeito termina em briga. O telespectador Jonatan Santiago registrou imagens pelo celular de uma discussão ocorrida em um trem lotado na Linha 3-Vermelha. Uma jovem que estava em um assento preferencial não quis se levantar para dar lugar a uma idosa. Uma passageira se irritou e começou a discutir.

O bate-boca se transformou em agressão e a mulher tirou a jovem à força do lugar. Após trocarem tapas, as duas foram separadas e uma idosa pôde sentar-se.

Grávida e deficiente

Não são apenas as idosas que passam por situações desagradáveis no transporte público. Amanda está grávida e, apesar da barriga inconfundível, nem sempre consegue lugar no Metrô. “É muito complicado. O pessoal empurra. Essa semana levei um empurrão que as pessoas tomaram minhas dores.”

João Batista, que é deficiente físico, prefere ficar em pé, de muletas, na porta do vagão. “É para não ter amolação para ninguém. Se eu for pedir, às vezes as pessoas querem brigar com a gente.”

De acordo com o Metrô, apesar dos relatos, o clima nos vagões é de respeito mútuo. “É rara [a falta de respeito]. O comportamento mais comum é que ajudem um ao outro”, afirmou o chefe de segurança do Metrô, Rubens Menezes.

Ele disse que, em casos como os citados acima, os usuários devem avisar os seguranças que ficam nas plataformas. São eles que têm a autoridade para retirar o usuário que desrespeita a lei. Em caso de insistência, o infrator pode ser retirado do sistema.

Fonte: G1

APNEN,colaborando na divulgação desta matéria: 30/12/2010

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A questão da acessibilidade

"... a questão da acessibilidade se arrasta com o passar dos anos, sem solução. São muitos os projetos e estudos já apresentados. O que falta é boa vontade dos órgãos estaduais e municipais em realizar as obras necessárias".

Uma "luta" diária enfrentada por deficientes físicos, idosos e pessoas com dificuldades de locomoção pode terminar se mudanças estruturais forem realizadas em Cuiabá e na maioria das cidades brasileiras, que não cuidam da acessibilidade como deveria acontecer. Também nesse setor, a realização de jogos da Copa do Mundo de Futebol em 2014 na Capital aparece como uma boa perspectiva de melhorias. Hoje a realidade é bem diferente do que todos esperam e o sofrimento de milhares de pessoas continua.

O médico Sérgio Henrique Allemand Motta apresentou o projeto de conclusão do curso de Arquitetura e Urbanismo que recebeu a denominação de "Acessibilidade no Centro Histórico de Cuiabá".
O trabalho pode ser de grande utilidade na busca dessas mudanças estruturais pois escancara as problemáticas locais, mais precisamente em ruas centrais de Cuiabá, como a Sete de Setembro, que engloba 3 prédios públicos: Museu da Imagem e Som de Cuiabá (Misc), Igreja Senhor dos Passos e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Motta enumerou problemas como a má conservação da pavimentação em paralelepípedos; a ausência de rebaixamento nas calçadas ("e, quando existem, fora dos padrões"); obstáculos como postes de energia elétrica, troncos colocados nas calçadas para impedir o estacionamento dos veículos e placas de sinalização; calçadas estreitas; inexistência de semáforo nos cruzamentos; falta de estacionamento para deficientes e idosos; falta de informações em braile e de sanitários adaptados.

O projeto também apontou poluição visual devido ao acúmulo de fios elétricos e telefônicos nas vias. "Não é possível o turista tirar uma fotografia da Igreja Senhor dos Passos sem que não apareçam os fios", disse Sérgio Motta. O péssimo estado de conservação de alguns prédios e o abandono de outros (além do lixo acumulado na esquina com a rua Campo Grande) prejudicam tanto o tráfego quanto a permanência das pessoas no centro.

Não apenas a parte externa dos prédios públicos conta com barreiras aos deficientes. No Misc não existe elevador pneumático ou hidráulico para o piso superior, nem rampas. Além disso, os degraus são estreitos demais, não cabe todo o pé do visitante

Esses problemas sempre existiram e não faltaram alertas para que obras fossem realizadas. porém, por mais que as leis existam, estas nem sempre são cumpridas e a questão da acessibilidade se arrasta com o passar dos anos, sem solução. São muitos os projetos e estudos já apresentados. O que falta é boa vontade dos órgãos estaduais e municipais em realizar as obras necessárias. O projeto envolvendo a Copa do Mundo aparece como o caminho mais curto para essa finalidade. Afinal, será, com certeza, uma das exigências para que os jogos sejam realizados na capital.

Esperamos que essa questão, finalmente, seja encarada com mais seriedade.

Fonte: http://www.gazetadigital.com.br/ 28/12/2010

Comentário APNEN: Não é só em Cuiabá não, em muitas outras cidades os nossos direitos não são respeitados, podemos tirar como exemplo, o CENSO do IBGE 2010, fomos excluidos a Lei nº 7853/89 diz no seu Art. 17, "Serão incluídas no censo demográfico de 1990, e nos subseqüentes, questões concernentes à problemática da pessoa portadora de deficiência, objetivando o conhecimento atualizado do número de pessoas portadoras de deficiência no País". No Art.2º desta mesma Lei diz: "Ao Poder Público e seus órgãos cabe assegurar às pessoas portadoras de deficiência o pleno exercício de seus direitos básicos, inclusive dos direitos à educação, à saúde, ao trabalho, ao lazer, à previdência social, ao amparo à infância e à maternidade, e de outros que, decorrentes da Constituição e das leis, propiciem seu bem-estar pessoal, social e econômico".Leis existem, e muitas....mais falta se fazer cumprir....devemos exigir que os nossos direitos sejam respeitados.

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 29/12/2010

domingo, 26 de dezembro de 2010

Região tem 9,5% de ônibus adaptados

Segundo a EMTU, somente 47 veículos que fazem transporte metropolitano são adequados para cadeirantes.

Raoni Zambi - Região

Pedro Amatuzzi TodoDia Imagem
Cadeirante e ônibus não adaptado
Números da EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos) mostram que dos 495 ônibus que fazem o transporte nas 19 cidades da RMC (Região Metropolitana de Campinas), 47 veículos de três concessionárias possuem adaptação para receber cadeirantes, o que representa 9,5% dos coletivos. No total, dez empresas têm permissão para fazer o transporte na região.
Segundo as normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), para ser acessível para cadeirantes, um ônibus precisa de um elevador para subir as cadeiras e espaço sinalizado, com acento especial e cinto de segurança.

A cadeirante e presidente do Conselho de Campinas de Direito de Pessoas com Deficiência, Roseli Bianco Piantoni, explica que a limitação da acessibilidade dos coletivos causa dificuldades de convivência social e prejudica a entrada no mercado de trabalho. “Estamos entrando no mercado de trabalho, frequentando a universidade. E queremos a nossa autonomia, mas para isso precisamos nos sustentar com um trabalho. Se falta transporte para isso tudo fica mais difícil”, disse.

Um decreto federal obriga todos os ônibus intermunicipais, a partir de 1° de janeiro de 2014, a oferecerem condições ao transporte de cadeirantes. No entanto, uma outra determinação obriga, já a partir deste ano, que todos os ônibus que passem a integrar o transporte intermunicipal tenham condições de acessibilidade.

O proprietário da JJ Transportes, Émerson Ghilardi, que atua entre Santo Antônio da Posse e Holambra, disse que o problema da acessibilidade vai além. “Para as empresas terem toda a frota adaptada para cadeirantes é necessário também que os pontos de ônibus e as sargetas das ruas sejam acessíveis”, explicou.

As empresas que possuem parte da frota com ônibus adaptados são Boa Vista, Metropolis e Ouro Verde. A VB Transportes e a Rápido Luxo explicaram por meio de suas assessorias de imprensa que não faz parte do orçamento para 2011 adquirir ou adaptar ônibus para cadeirantes. A Fênix informou que a empresa estuda adquirir nos próximos meses coletivos adaptados. AVA Transportes, Campestre, Salamanca foram procuradas pelo TodoDia, mas não comentaram o assunto.

Fonte: Jornal TodoDia - 26/12/2010

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 26/12/2010

Medalhista paraolímpica volta a andar após dez anos e quer disputar Ironman do Havaí

DA ASSOCIATED PRESS
Bas Czerwinski/AP
A holandesa Monique van der Vorst pode dizer que vive, hoje, uma terceira vida.

Ex-atleta paraolímpica, aos 26 anos, ela passou neste ano o que muitos diriam que é impossível: voltar a andar depois de mais de dez anos, quando médicos davam como irreversível uma paralisia nas duas pernas.

A história de superação de Monique começou há 13 anos, quando ela, sonhando em ser uma atleta profissional, torceu o tornozelo jogando hóquei.

Após um erro médico, uma simples lesão resultou, primeiro, na paralisia da perna esquerda e um ano depois na da direita.

"Na época, vi que depois da consulta minha perna ficou roxa e fria. Dias depois parou de fazer qualquer movimento, e nenhum médico conseguiu me explicar o motivo", disse a holandesa.

"Minha família tentou tudo o que era possível para eu voltar a andar. Fomos a dezenas de médicos, mas ninguém entendia o que acontecia com minhas pernas", comentou.

Após um grande período deprimida, tentando se adaptar a nova vida, Monique conheceu o esporte paraolímpico, mais precisamente as corridas de cadeira de rodas e o handcycle (corrida de bicicleta onde se pedala com as mãos).

Aos 15 anos participou da primeira competição nas modalidades.

"Na época, o esporte me deu autoestima. Aprendi a pensar em possibilidades e não em limitações", disse ela.

Com o passar do tempo, Monique não pensava mais em voltar a correr. A atleta aprendeu, com o esporte, a viver com independência.

Mathilde Dusol/AP - 12.set.2010/AP
Depois de muito treino, ela conseguiu atingir um de seus objetivos: a medalha nos Jogos Paraolímpicos de Pequim-2008.

A atleta foi prata nas duas modalidades, sendo que no handcyle o ouro não foi conquistado na prova de 40km de estrada por apenas 0,13s.

Em 2009, ela também foi destaque do Ironman 2009 no Havaí, como uma das poucas atletas da modalidade paraolímpica a completar a prova.

O Ironman do Havaí é uma das provas mais difíceis do mundo e consiste em um triatlo de 3,8 km de natação, 180 km de ciclismo e 42 km de corrida (equivalente a uma maratona).

Na temporada de 2010, Monique começou a preparação para os Jogos de Londres, em 2012. O objetivo era deixar a segunda colocação para trás e conquistar dois ouros.

Mas o sonho, novamente, não será possível.

Dois acidente mudaram a vida da atleta. Um primeiro em março deste ano, quando estava treinando e uma companheira se chocou contra ela. O impacto a fez cair no chão e, surpreendentemente, as pernas reagiram com espasmos.

"No começo fiquei muito triste com o acidente porque minha preparação para a temporada tinha sido afetada e temia não poder estar bem nos Jogos de Londres", revelou a ex-atleta.

O outro acidente ocorreu em junho e resultou em um momento único na vida de Monique. Durante o treino, ela foi atingida por um carro e sofreu danos na medula espinhal. Neste momento, as pernas voltaram a formigar e em poucos dias ela já podia senti-las.

No primeiro momento, ter a possibilidade de voltar a andar foi um choque.

Mathilde Dusol/AP
"Não foi fácil para ela abandonar a possibilidade competir nos Jogos Paraolímpicos. Tivemos que apoia-la muito para fazer esta transição", disse André Gatos, chefe da missão paraolímpica da Holanda.

Os resultados dos exames foram tão fora do comum, que todos os médicos que cuidavam de Monique ficaram surpresos com o novo quadro.



"Milhares de pessoas tem lesões na medula óssea, cada uma com sensações diferentes no corpo. Mas é incomum poder andar de novo", o médico John Ridwell, especializado em lesões da medula espinhal na Universidade de Glasgow.

Em julho começou a fazer fisioterapia e em dezembro a ex-atleta se emociona por poder dar seus primeiros passos nesta nova vida.

"Competir foi uma grande paixão. Agora é difícil porque eu preciso encontrar um novo propósito na vida. Mas sei que vou superar", falou Monique

Nesta nova fase da vida, a holandesa já tem um novo objetivo também:

"Seria um sonho poder participar do Ironman, mas desta vez como uma atleta comum", finalizou.

Fonte: BOL Notícias - 25/12/2010

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 26/2/2010

Disque Direitos Humanos – 100 – lança novos módulos e terá atendimento 24 horas

Simbolo do telefone
Fone branco sobre fundo preto
A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) lançou os novos módulos de atendimento do Disque Direitos Humanos.

A partir de agora o serviço também vai acolher denúncias que envolvam violações dos direitos de pessoas em situação de rua, idosos, população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) e pessoas com deficiência; esses segmentos se somam ao de crianças e adolescentes, que já era atendido pelo chamado Disque 100. O serviço funciona 24 horas, todos os dias da semana, incluindo domingos e feriados. Os telefonemas são gratuitos e podem ser feitos a partir de linhas fixas ou móveis para o número 100.

O Disque Direitos Humanos é também um canal para divulgar informações e orientações sobre ações, programas e campanhas, bem como de serviços de atendimento, proteção, defesa e responsabilização em direitos humanos disponíveis nas três esferas de governo (federal, estadual e municipal).

As manifestações de violações de direitos humanos acolhidas pelo Disque Direitos Humanos serão examinadas e encaminhadas para os órgãos responsáveis para apuração e providências cabíveis.

Cabe ao Departamento de Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, por meio da Coordenação Nacional do Disque Direitos Humanos “coordenar o serviço de atendimento telefônico gratuito por intermédio do Disque Direitos Humanos, destinado a receber as denúncias e reclamações, garantido o sigilo da fonte de informações, quando solicitado pelo denunciante”, conforme disposto no Decreto nº 6.980, de 13 de outubro de 2009, que aprova a estrutura regimental da SDH/PR.

Atualmente, o número 100 é utilizado para o serviço Disque Denúncia de Abuso e Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes, que é operacionalizado por meio de uma parceria firmada entre a Petrobras e a organização não-governamental Centro de Referência, Estudos e Ações sobre Criança e Adolescentes (Cecria), sob a coordenação da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente da SDH.

A criação do Disque Direitos Humanos tem por objetivo ainda apoiar ações que consolidem as metas e diretrizes de documentos que reflitam o avanço na luta pela garantia dos direitos humanos de grupos sociais vulneráveis, como é o caso da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que tem status de Emenda Constitucional no Brasil, do Estatuto da Criança e Adolescente e do terceiro Programa Nacional de Direitos Humanos – PNDH-3.

Fonte: SDH/PR - 25/12/2010

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 26/12/2010

COE - Centro de Orientação e Encaminhamento para Pessoas com Deficiência e Familiares

Começou a funcionar, a partir do dia 3 de dezembro de 2010, o Centro de Orientação e Encaminhamento para Pessoas com Deficiência e Familiares - COE.

A Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência criou o número 08007733723, com funcionamento de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, e aos sábados, das 8h às 14h, com seis atendentes com deficiência.

O serviço visa disseminar informações sobre os direitos das pessoas com deficiência. O intuito é ampliar a melhoria da qualidade de vida dessas pessoas e seus familiares; minimizar as dificuldades para obtenção de informação e incentivar a criação de políticas públicas, com abrangência no Estado de São Paulo e demais localidades do território brasileiro, voltadas à cidadania e inclusão social das pessoas com defiicência.

O COE surgiu por meio da Lei nº 12.085, de 5 de outubro de 2005 e Decreto nº 50.572, de 1º de março de 2006. O Decreto nº 54.510, de 27 de julho de 2009, altera a denominação do COE e o transfere para a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência.


Informações de Atendimento:
Tel: 08007733723
E-mail: coe.sedpcd@sp.gov.br


Fonte:http://deficientealerta.blogspot.com/2010/12/coe-centro-de-orientacao-e.html
25/12/2010

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 26/12/2010

sábado, 25 de dezembro de 2010

Vídeos

Milagre: polícia faz homem com deficiência andar.

Vejam o absurdo dos absurdos, cidadão se passa por deficente fisico.
Assista o vídeo: http://cosmo.bol.uol.com.br/noticia/70892/2010-12-20/milagre-policia-faz-homem-com-deficiencia-andar.html

Deficiente visual faz denúncia contra o Inep.
Assista o vídeo: http://cosmo.uol.com.br/multimidia/multimidia.php?id=1995&tp=Video&id_publicidade=64

Deficientes invadem a passarela.
Parabéns aos organizadores.
Assista o vídeo: http://cosmo.uol.com.br/noticia/68927/2010-11-26/deficientes-invadem-a-passarela.html

Loja de Campinas investe em acessibilidade.
Parabéns pela iniciativa.
Assista o vídeo: http://cosmo.uol.com.br/noticia/71037/2010-12-22/loja-de-campinas-investe-em-acessibilidade.html


Fonte:www.cosmo.com.br - Multimídia - vídeo.

APNEN, colaborando na divulgação destas matérias: 25/12/2010

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Feliz Natal, e um Próspero Ano Novo

Aos nossos Amigos, Seguidores, Simpatizantes, Colaboradores, Voluntários, Membros da Diretoria, e nossos Familiares.


Desejamos a todos, um FELIZ NATAL, e um ANO NOVO com muitas conquistas e relizações.






Muito Obrigado por visitarem nosso blog.

Carlos Alberto Raugust
Vice-Presidente da APNEN.
23/12/2010

Poste divide calçada e dificulta passagem

Empresa de transporte público de Bauru instala placas no meio do passeio público, impossibilitando a passagem de cadeirantes.
Ricardo Santana

A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) surpreendeu a população ao criar um obstáculo a mais para quem circula em algumas calçadas de Bauru. O cadeirante que se atrever a tentar circular na quadra 9 da avenida Getúlio Vargas, no calçamento sentido Centro-bairro, ficará bloqueado pelo poste de sustentação de uma placa de sinalização instalado exatamente no meio da calçada. O mesmo obstáculo foi implantado na quadra 4 da rua Fuas de Matos Sabino.

O tráfego intenso na avenida Getúlio Vargas já oferece riscos para quem tenta atravessar a via de forma distraída, por exemplo. Para os cadeirantes, seria um risco a mais e potencializado por manobras para tentar desviar do poste.

A equipe de operações viárias da Emdurb promete remanejar na manhã de hoje as duas sinalizações. A remoção teria sido impossibilitada ontem pelo esforço concentrado dos funcionários de pintura na demarcação de vagas na rua Gustavo Maciel, entre as ruas Vivaldo Guimarães e Antoônio Garcia, lados par e ímpar, segundo a assessoria de imprenda da empresa.

A definição de espetar no meio da calçada um poste era evitar que a placa invadisse o espaço da rua, podendo ser colhida por um ônibus ou caminhão com carga. Porém, é notório que o vão estreito da passagem dificulta a circulação de pedestres, quanto mais de um cadeirante ou de pessoas com outras necessidades especiais na locomoção.

Fonte: JC Net - Bauru - SP, 22/12/2010
APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 23/12/2010

Transerp terá de oferecer ônibus adaptado a cadeirante

Empresa precisa fornecer transporte para tratamento de portador de necessidade especial sob pena de multa diária de R$ 5 mil.

Adriana Matiuzo

A empresa de transporte urbano Transerp foi condenada pela Justiça a oferecer transporte adaptado para um usuário de cadeira de rodas de Ribeirão Preto. Segundo a decisão, a empresa pode ser multada em R$ 5 mil por dia caso não cumpra a determinação.

A sentença beneficia Antonio Luiz da Silva, que entrou com uma ação judicial para preservar o direito de ser transportado. De acordo com a decisão, a Transerp terá de providenciar transporte adaptado de ida e volta entre a casa dele e o local onde faz tratamento de fisioterapia e acompanhamento médico.

O advogado de Silva, Henrique Parisi Pazeto, foi procurado nesta terça-feira, dia 21, mas não foi localizado para comentar o assunto, apesar de recados deixados no escritório dele.

A Transerp informou que ainda não foi notificada sobre a decisão judicial e que apenas se pronunciará sobre o caso quando for comunicada oficialmente a respeito da sentença.

Segundo dados da Transerp, hoje 24% da frota de ônibus está adaptada para deficientes físicos, o que equivale a 77 dos 311 ônibus da cidade. O Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência estima que existam 68 mil deficientes que morem na cidade.

A normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) prevêem "que até 2014 seja assegurado o direito ao uso pleno com segurança e autonomia por todos do sistema de transporte coletivo"

Fonte: A Cidade - Ribeirão Preto - SP, 22/12/2010

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 23/12/2010

Campeão brasileiro de xadrez para pessoa com deficiência visual 2010

André Rezende, deficiente visual, conta sua trajetória até o campeonato nacional.
André Rezende Marques
Jogar xadrez com a perda da visão há alguns anos me parecia uma coisa muito distante; ainda morando em uma pensão arrisquei umas partidas somente dizendo anotação dos lances aos adversários e companheiros de quarto. Claro que todos tinham um nível de jogo muito fraco e não serviu de referência para quase nada a não ser para lembrar que eu ainda gostava de xadrez. Faz três anos que um amigo disse que ia fazer um jogo adaptado no computador, grande Luiz Eduardo... Terminei por fazer todo o manual deste jogo.

Na mesma época do anuncio do Xadvirt, que era o programa feito pelo Luiz, o campeão Roberto Carlos Hengles ia ministrar um curso básico de xadrez, tudo caminhava para o retorno ao mundo mágico das 64 casas.

Comecei o curso e algumas aulas depois, o Sr. Roberto não pôde mais continuar. Assim resolvi eu assumir o curso. Eu já havia descoberto que as peças não cairiam do tabuleiro porque o mesmo podia ter furos e pinos para encaixe nas peças, também que com uma diferenciação tátil se distinguia brancas de negras.

Com os alunos do CADEVI formei uma família que me fez aprender para ensinar, que me fez reconhecer o crescimento individual dos que estavam ao meu redor e que se tornaram ótimos companheiros de viagens. Tudo foi conspirando a favor, conheci uma galera no centro cultural Vergueiro que jogava xadrez todo dia, criei com o amigo Bronislaw matchs incríveis durante estes anos e fiz umas aulas de final com o professor Mello. Mais tarde apareceu meu anjo da guarda no tabuleiro, Sérgio Luiz Mazetto, este se tornou amigo, treinador, companheiro de partidas e viagens.

Um parêntese nesta trajetória é para dizer que a trajetória era possível porque minha esposa Ana Lúcia me ageentava durante todo o tempo e ser mulher de enxadrista é coisa pra se premiar todo dia.

Começaram os torneios e os resultados foram melhorando passo a passo. A rede de relacionamento com o xadrez não parou de crescer em nenhum momento sequer. Em 2010 fiquei muito bem classificado em todas as etapas do nacional e pude inclusive participar de um pan-americano. Fui classificado em terceiro lugar para participar da fase final da Copa Brasil de Xadrez para Deficiente Visual que ocorreu em Brasília dias 17, 18 e 19 de dezembro de 2010.

O torneio foi muito difícil, joguei em 5 partidas com os 4 melhores do rating nacional, e em alguns momentos tive muita sorte, especialmente na última partida onde eu estava completamente perdido e o adversário me permitiu um pleno ganhador. Foi complicado jogar uma partida com o Rodrigo que é meu amigo; foi duríssima a partida que empatei com o Roberto Hengles, que já é uma lenda do xadrez para pessoa com deficiência visual, e foi muito impressionante em todos os momentos eu acreditar que podia!

Hoje sei que o xadrez é acessível, que o computador pode ajudar e muito, porém agora é hora de lutar pela democratização deste jogo e para que ele possa chegar cada vez mais a todos que o queiram como recreação, competição, módulo de apoio ao ensino e simplesmente também aquele que queira matar a curiosidade de conhecer...

O bom de ter me tornado campeão é reconhecer quanta gente me carregou até o troféu, então termino esta agradecendo a Deus, a minha mãe Lucinéa, a minha esposa Ana e a todos meus amigos citados e não citados acima. Somos campeões!

Fonte: Rede SACI - 22/12/2010
Imagem: Internet
APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 23/12/2010

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Políticas públicas para pessoas com deficiência são insuficientes para promover a igualdade

APESAR DO AVANÇO DAS LEIS, RESULTADOS AINDA SÃO INSATISFATÓRIOS E AS OPORTUNIDADES, DESIGUAIS.
Apesar de apresentar limitações e mobilidade reduzida, as pessoas com deficiência física, são cidadãos capazes de levar uma vida completamente normal e independente. Rodrigo Araújo é um destes exemplos, cadeirante devido à falta de oxigenação no cérebro durante o parto, o rapaz de 25 anos, leva uma vida igual a todo jovem de sua idade. Algumas tarefas triviais e cotidianas, como tomar banho, escovar os dentes, lavar as mãos e se locomover por sua casa, Araújo só é capaz de fazer, sem o auxilio de ninguém, graças a algumas adaptações feitas em sua casa. “O banheiro possui barras de apoio para eu poder segurar, as pias são mais baixas para que eu possa alcançar mesmo sentado, e as portas de todos os cômodos são mais largas para que minha cadeira de rodas possa passar sem maiores problemas”, afirma.

Mas, não é só nas residências das pessoas com deficiência que as adaptações devem ser feitas. Graças às leis de acessibilidade, todo estabelecimento é obrigado a possuir rampas, elevadores, ou qualquer adaptação necessária para o acesso e conforto desses indivíduos. Para a arquiteta especializada em acessibilidade, Taís Frota, estas leis representam um enorme avanço. “Edificações e espaços públicos, por exemplo, tiveram que obedecer a parâmetros para se tornar acessíveis, pois existe uma lei que exige acessibilidade em todos os lugares”, diz a arquiteta.

As leis de acessibilidade não são cumpridas em todos os lugares. O próprio congresso nacional, lugar onde a legislação foi criada, não é acessível. “Os arquitetos da época não eram obrigados a obedecer a uma lei de acessibilidade. Contudo, as adaptações necessárias já estão em processo de finalização”, explica Taís Frota. A arquiteta também comenta a razão da falta de acessibilidade em certos locais: “as leis são elaboradas, mas ainda falta uma fiscalização rigorosa, quanto as suas aplicações”.

Araújo sente na pele a falta de maior fiscalização do cumprimento das leis de acessibilidade nos locais e estabelecimentos públicos. “Algumas adaptações básicas e de fácil aplicação, como por exemplo, guia rebaixada nas calçadas, adaptação de banheiros e construção de rampas em lugares públicos ainda estão longe de existir em todos os lugares onde são necessários”, reclama Araújo.

Mercado de trabalho

A lei de cotas, criada em 24 de julho de 1991, exige que toda a empresa com mais de 100 funcionários, preencha seu quadro de funcionários, com dois a cinco por cento de pessoas com deficiência. Apesar da lei, apenas 323 mil, em um total de 30 milhões de deficientes no Brasil, estão empregados formalmente.

Para a vereadora e deputada federal eleita (PSDB-SP), Mara Gabrilli, apesar de ainda representar um contingente baixo, o número deve ser visto forma positiva. “Temos que comemorar o fato de que 323 mil deficientes já possuem renda própria e podem mostrar que são capazes, pois no ano de 2001, existiam apenas 110 pessoas com deficiência empregadas com carteira assinada em todo o país”, comenta a vereadora.

O principal problema da lei de cotas é que a maioria das vagas oferecidas pelas empresas para as pessoas com deficiência são apenas vagas operacionais e que pouco valorizam o intelecto. Mara Gabrilli explica este fator: “Infelizmente, ainda são poucos os deficientes que têm acesso a altas graduações de estudo. Mesmo os que possuem alto nível de conhecimento sofrem com falta de oportunidade, devido a um preconceito enraizado na sociedade, de que o deficiente é incapaz”, afirma.

Rodrigo Araújo, apesar de ser formado em publicidade e propaganda há dois anos, está desempregado desde que terminou a universidade. Ele garante que a maioria das empresas disponibiliza para as pessoas com deficiência apenas oportunidades de trabalho nos cargos operacionais, independente de sua formação acadêmica. “Apesar de eu ser publicitário, até hoje, só recebi propostas da lei de cotas pra trabalhar em cargos como auxiliar de limpeza e telemarketing”, desabafa.

Melhorias a serem feitas

Apesar de as políticas públicas, para pessoas com deficiência representaram um avanço na qualidade de vidas destes cidadãos, Mara Gabrilli, que também é tetraplégica, devido a um acidente automobilístico ocorrido em 1994, acredita que muita coisa ainda precisa ser melhorada de forma urgente, em especial, nas áreas de saúde e educação. “Hoje, o tempo de espera para conseguir uma doação de cadeira de rodas do governo é de dois anos. As escolas públicas, em sua maioria, não oferecem adaptações, nem transporte adequado”, diz a parlamentar.

Para Araújo, mais importante do que leis e políticas públicas, o fator primordial para a melhoria nas condições de vida das pessoas com deficiência, é a conscientização da sociedade. “O dia em que todas as pessoas entenderem que o deficiente é uma pessoa igual a todos e com a mesma capacidade, certamente, a sociedade terá um enorme avanço”.

Fonte: http://oestadorj.com.br/ (16/12/10)
Referência: Portal Mara Gabrilli

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 22/12/2010

Criança Especial

Uma criança especial, que possa eventualmente precisar de atenção particular, pode ser uma criança cujo o desenvolvimento possa ter sido prejudicado por uma dificuldade física ou psíquica e exige um esforço por parte da família em trono da criança especial.

Uma criança especial pode ser uma criança sobredotada, e esta pode ser tão difícil de educar como as que têm necessidades especiais. Quando as crianças são particularmente inteligentes, mais inteligentes que os pais pode fazê-los sentir inadequados e de certa forma incapazes de lhe fornecer um ambiente estimulante para poderem crescer e desenvolver. As aulas para a idade destas crianças são enfadonhas, e podem tornar-se anti-sociais e isolar-se, tornando-se crianças desajustadas socialmente.

Estas crianças são muito exigentes, precisam de muita atenção de muito amor e paciência. O aconselhamento profissional sobre como educar estas crianças é muito importante para que esta possa ter um crescimento e um desenvolvimento adequados às suas necessidades, explorando o total das suas capacidades.

É importante que os pais de crianças especiais não pensem que devem ser os super pais, com a resposta para todas as situações ou que eventualmente deverão ser perfeitos, nada disso, antes demais deverão pensar que deverão ir ao encontro com as necessidades dos seu filho e que deverão manter um ambiente saudável e feliz acima de tudo o mais normal possível, pois assim será positivo.

In: Net Bebes
Fonte: http://gritodemudanca.blogspot.com/2010/12/crianca-especial.html

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 22/12/2010

Autismo e educação inclusiva – questão de cidadania

Artigo de associação de autistas do Brasil.
da Redação
A Associação Brasileira para Ação por Direitos das Pessoas com Autismo (Abraça) vem expressar sua preocupação quanto ao tratamento recebido pelas pessoas diagnosticadas com algum transtorno global do desenvolvimento, chamadas aqui de pessoas autistas. Na nossa Constituição Federal, todos são iguais perante a lei; ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer algo, senão em virtude da lei, nem será submetido a tratamento desumano ou degradante. Ainda nossa lei máxima determina que educação, saúde, trabalho, previdência social, entre outros, são direitos sociais, especificando que é competência comum da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, proporcionar os meios de acesso à cultura e educação e cuidar da saúde e assistência pública, dando proteção e garantia às pessoas com deficiência. Perguntamos, então, quanto dessas determinações de nossa Carta Magna estão sendo cumpridas, em particular no que tange às pessoas autistas?

Desde 1990, entidades ligadas à defesa e acolhimento das pessoas autistas vêm propondo políticas públicas de atendimento, dentro de suas especificidades. Já naquele ano, apontava-se o foco para a garantia da cidadania, propondo que os poderes públicos locais se articulassem com Estados, União e a sociedade organizada.

Serviços como o SUS e SUAS devem estar preparados para diagnosticar, atender e acolher as pessoas com autismo. Enquanto as Portarias 1635 e 336/2002 do Ministério da Saúde garantem assistência através de equipe multidisciplinar e determinam a forma com que os CAPS devem se organizar, no âmbito dos municípios, até hoje, oito anos passados, ainda encontramos dificuldade para garantir o atendimento de pacientes autistas por esses serviços. Muitas cidades ainda não os têm implantados; onde existem, os profissionais alegam desconhecimento, deixando de acolhê-los. Assim, é preciso garantir, mais do que treinamento, um preparo adequado desses profissionais.

Em relação à Assistência Social, é preciso compreender que a presença de uma pessoa com deficiência na família implica, na maioria dos casos, na dedicação exclusiva de um familiar no seu acompanhamento. Assim, essas famílias passam a contar com uma diminuição de renda, em paralelo com o aumento das despesas. Garantir-lhes serviços de apoio que sirvam de desenvolvimento familiar, tanto no aspecto social - como no educacional e assistencial, como bolsas de estudo, programas de inclusão no mercado de trabalho para as pessoas autistas, aproveitando suas potencialidades e habilidades, bem como de seus familiares -, são formas de compensar essas limitações que naturalmente já lhes são impostas.

A escola regular brasileira deve estar pronta a acolher e educar nossas pessoas autistas. Nesse aspecto, a Abraça vem expressar seu apoio às iniciativas do MEC de garantir a inclusão de alunos com autismo em salas de aula regulares. Entendemos que o espaço para pleno desenvolvimento da pessoa é o espaço social e, dentro deste, um dos primeiros lugares é, justamente, a escola regular, onde a criança pode experimentar as diversas interações e estabelecer suas primeiras relações sociais fora do seio de sua família. Não temos tempo para aguardar propostas perfeitas. O bom trabalho se faz na prática, revendo-se e corrigindo seus rumos, à medida em que vão surgindo os desafios.

A substituição do ensino regular pela Educação Especial não tem se mostrado efetiva na formação cidadã dos alunos com necessidades educacionais especiais, em qualquer modalidade. Ao contrário, reforça o paradigma de que os alunos com deficiência, entre eles as pessoas com transtornos globais do desenvolvimento, seriam incapazes de viver de maneira autônoma. Compete ao ensino regular se reorganizar para acolher todos os alunos, de forma a lhes propiciar pleno desenvolvimento como sujeitos de seu próprio destino.

A Escola não é, apenas, o lugar de aquisição de conhecimentos formais, mas o espaço onde se desenvolve a cognição social, a compreensão dos próprios sentimentos e ações e sua correspondência nas demais pessoas. O papel do professor do atendimento escolar especializado deve ser, como aponta o MEC, o de orientar os profissionais da escola regular na elaboração de estratégias no cotidiano escolar.

Concordamos com o MEC quando, em sua cartilha “A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar – Transtornos Globais do Desenvolvimento” –, define a escola como espaço de desenvolvimento de aprendizagens, assumindo que “a exposição ao meio social é condição de desenvolvimento para qualquer ser humano”. Entendemos que não é possível à criança autista se desenvolver plenamente sem ter a oportunidade de viver situações sociais – e é na escola que encontramos as maiores possibilidades desses contatos, com a intermediação de profissionais da Educação.

Apesar das iniciativas do MEC, a realidade mostra que alunos autistas ainda encontram dificuldades para acessar e se manter na escola. É necessário o aprofundamento dos esforços conjuntos das instâncias de governos, famílias, instituições representativas e de atendimento especializado para superar essas barreiras.

É fundamental compartilhar o entendimento de que Educação é um direito indispensável de toda e qualquer criança e adolescente. O desafio que enfrentamos hoje é propiciar às futuras gerações as oportunidades de se constituir como uma sociedade mais justa, mais integrada, mais cidadã.

Fonte: Portal Inclusive - 21/12/2010
Foto: Internet

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 22/12/2010

Estímulos na infância levam jovem com síndrome de down a fazer pós-graduação

Pais apostaram em exercícios e na inclusão em escolas comuns. Hoje, aos 29 anos, Ana Carolina Fruit conquistou independência financeira.

da Redação

Estímulos físicos, motores e neurológicos feitos pelos pais durante a infância da portadora de síndrome de down, Ana Carolina Fruit, de Joinville, em Santa Catarina, foram decisivos para determinar o futuro da garota. Hoje, aos 29 anos, a jovem tem pós-graduação trabalha em uma multinacional e conquistou a independência financeira.

Apaixonada por crianças, a jovem se formou em pedagogia e depois se especializou em educação infantil. Desinteressou-se pelo trabalho na área após alguns estágios. “Tem que ter paciência, lidar com os pais, que parece o mais difícil”, afirmou Ana Carolina. Na empresa em que trabalha, Ana Carolina já passou por várias áreas e agora está no setor comercial.

A rotina, que incluía exercícios motores e lúdicos, era toda voltada ao desenvolvimento da filha, "Era uma programação bem intensa. Rastejava, engatinhava, corria. Tinha estímulo dos cinco sentidos. Dou graças a Deus”, afirmou Ana Carolina, que fazia ainda jazz e natação como atividades extracurriculares. Segundo a mãe da jovem, Gina Fruit, de 52 anos, que abandonou o trabalho como professora de educação física para cuidar da filha, “era cansativo e desgastante. Às vezes, ela sofria, chorava, mas depois vimos o resultado”.

O programa seguido por Ana Carolina foi criado nos Estados Unidos na década de 50 pelo fisioterapeuta Glenn Doman e é desenvolvido no Brasil pelo Instituto Véras, no Rio de Janeiro. De acordo com a diretora do instituto, Conceição Véras, os estímulos motores e sensoriais, como contrastes luminosos, sons, contraste entre calor e frio, buscam a organização cerebral. "Entendemos a síndrome como causadora de uma desordem das funções cerebrais", disse Conceição.

Os exercícios têm alta frequência, intensidade e baixa duração. São feitos durante um a dois minutos dez a doze vezes por dia. "O propósito é ajudar a criança a ter um desenvolvimento normal, como o de qualquer criança. O programa faz com que tenha necessidade de se moviemntar", disse Conceição. O tipo de exercício a ser feito e a forma e a duração depende de cada caso. "A evolução depende da criança, do ambiente e da família", disse. O instituto cobra para desenvolver o programa com a família.

Questionada, Ana Carolina diz que as épocas da escola, que fez inteira em turmas comuns, da faculdade e da pós foram tranquilas. “Nunca percebi preconceito. Tinha um relacionamento legal com meus colegas e professores”, afirmou. Atualmente, a jovem é independente e mora com os pais porque quer. “Ela ganha mais do que muito pai de família. Está feliz e realizada”, disse Gina.

Fonte: G1 - 21/12/2010

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 22/12/2010

São José dos Campos faz pesquisa para melhorar vida dos deficientes

Mais de 81% dos deficientes da cidade são sedentários.
da Redação
São José dos Campos tem 70 mil deficientes, 8 em cada 10 deles não trabalham, e poucos fazem faculdade. Com esses números, a Prefeitura deve agora desenvolver projetos mais específicos para tornar a vida dessas pessoas cada vez mais normal.

Cego desde que nasceu, Carlos Perez é revisor de textos em braille. Ele trabalha o dia inteiro e a noite faz faculdade de Letras. Mas ele é exceção, em São José, apenas 8% dos portadores de deficiência cursam nível superior. A situação também é difícil no mercado de trabalho: 81,5% dos deficientes não trabalham. O que é ruim para a saúde e para a vida social. Falta acessibilidade, mas em muitos casos o problema é a motivação.

Os dados foram colhidos em uma pesquisa da Prefeitura. A intenção é entender mais sobre os deficientes da cidade, para assim planejar políticas públicas.

Alexandre Martins, que perdeu uma perna em um acidente de moto, e Daniele Gonçalves, que nasceu com um tipo de má formação, mudaram o jeito de ver a vida com o esporte: a natação. E fora das piscinas, estudam, sonham com uma carreira.


Fonte: VNews- São José dos Campos - SP, 21/12/2010
Foto: Internet

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 22/12/2010

Acessibilidade em lotação será demonstrada em Porto Alegre

Plataforma elevatória e box de cadeirante estão entre os requisitos essenciais de acessibilidade. A introdução da acessibilidade em veículos do transporte seletivo é pioneira no Brasil.
Porto Alegre terá lotações adequadas para o transporte de deficientes físicos. Um protótipo com essa finalidade será apresentado quarta-feira, 22, às 10h, em frente ao Paço Municipal. O veículo, em teste, está em avaliação e recebe sugestões para sua versão definitiva. Plataforma elevatória e box de cadeirante estão entre os requisitos essenciais de acessibilidade. A introdução da acessibilidade em veículos do transporte seletivo é pioneira no Brasil. Porto Alegre será referência do Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro) para definição das exigências técnicas em todo o país.

A planta do veículo acessível mede 4800 mm entre eixos, diferente dos 4250 mm estabelecidos pela legislação atual do transporte seletivo de Porto Alegre para carroçarias de 21 lugares, exigência que permanece, acrescentada apenas para a vaga do cadeirante, dimensão que também serve à inclusão do elevador.

O Conselho Municipal de Transportes Urbanos (Comtu) aprovou os critérios da nova condução coletiva em reunião de 29 de junho. O acordo operacional foi formalizado entre representantes da Subsecretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SNPD), da Associação dos Transportadores de Passageiros por Lotação (ATL), da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC, da Secretaria Especial de Acessibilidade e Inclusão Social (Seacis) e do Inmetro.

O secretário de Acessibilidade e Inclusão Social, Tarcízio Teixeira Cardoso, solicitou à EPTC e à ATL cronograma de substituição de frota contemplando veículos adequados em relação aos antigos e novos lotações integrantes da frota.

Fonte: http://www2.portoalegre.rs.gov.br/
Foto: Luciano Lanes / PMPA
APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 22/12/2010

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Melhora o estado de saúde de cadeirante que sofreu acidente em Congonhas

Ainda em coma, idoso mostra sinais de recuperação do acidente.da Redação

Fernando Porto Vasconcelos, de 71 anos, o cadeirante que sofreu um acidente no Aeroporto de Congonhas na semana passada, apresentou melhoras em seu quadro de saúde.

O paciente continua em coma, mas uma tomografia, evidenciou a melhora. A equipe médica irá iniciar um processo de redução de sedação do paciente nas próximas 48 horas.

No último sábado, Fernando voltava de Brasília e, por ser cadeirante, foi levado em um equipamento de transporte de deficientes, o ambulift. De acordo com a filha dele, Moira de Castro Vasconcellos, uma funcionária da companhia aérea Gol estava com o passageiro na viatura e, após uma freada brusca, caiu sobre Fernando. Ele caiu no chão e bateu a cabeça, sofrendo um traumatismo craniano.

A Infraero abriu sindicância para apurar o acidente e a Gol Linhas Aéreas informou que mantém contato com a família e oferece assistência ao cliente.

Fonte: Band - 20/12/2010

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 21/12/2010

Primeiro deficiente visual a ocupar cargo na magistratura nacional

Agora desembargador, Fonseca já perdeu uma vaga a que tinha direito por ser considerado inapto a ser juiz.
da Redação

A posse foi do desembargador Ricardo Tadeu Marques da Fonseca, de 50 anos, no Tribunal Regional do Trabalho – TRT. Fonseca é ex-procurador do Ministério Público do Trabalho – MPT, e foi nomeado pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva em cerimônia solene de posse, a partir de lista tríplice, na cidade de Curitiba – PR.

Fonseca nasceu na cidade de São Paulo, entrou na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo – USP no ano de 1979 e perdeu a visão aos 23 anos quando estava no terceiro ano da faculdade, sequela do nascimento prematuro de seis meses. Mas isso não impediu a conclusão do curso de Direito, depois de formado dedicou-se a advocacia trabalhista.

No ano de 1989 a tentativa de ingressar na magistratura de São Paulo foi interrompida previamente, apesar de estar entre os dez primeiros colocados no concurso, seu exame médico foi antecipado, e Fonseca foi cortado do restante do concurso, com a argumentação de que um “juiz cego não poderia trabalhar”.

Mas esse contratempo não impediu que Fonseca buscasse seus objetivos, em 1991 ingressou na carreira do Ministério Público do Trabalho, com a 6ª colocação entre mais de quatro mil concorrentes. Atuou na 15ª região, em Campinas – SP, onde chegou a procurador chefe, e no ano de 2002 transferiu-se para Curitiba para cursar doutorado na Universidade Federal do Paraná, após concluir o mestrado na USP.

O RankBrasil parabeniza o mais novo Juiz do Brasil, e acredita que o título conquistado por Ricardo Tadeu Marques da Fonseca representa uma vitória para a nação brasileira, que superou mais um tabu em relação às pessoas com algum tipo de deficiência.

Fonte: RankBrasil - Curitiba – PR, 20/12/2010 - Imagem da Internet

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 21/12/2010

Audiência pública discutiu a inclusão de pessoas com deficiência

O tema principal da audiência foi a inclusão das PCDs no mercado de trabalho.
Uma audiência pública no auditório do Senac de Araçatuba debateu, na sexta-feira (17), a inclusão de pessoas com deficiência (PCDs) no mercado de trabalho. O evento, que deverá contar com a presença de 34 empresas notificadas, é uma iniciativa do Ministério Público do Trabalho (MPT) em Araçatuba, no sentido de esclarecer a importância desta inclusão.

Com início previsto para 8h30, a audiência trará depoimentos de pessoas com deficiência que já estão inseridos no mercado de trabalho, assim como empregadores que já possuem PCDs no seu quadro de funcionários. Também estarão presentes representantes da Gerência Regional do Trabalho e Emprego (GRTE) em Araçatuba e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Representando o MPT em Araçatuba, a procuradora do Trabalho Guiomar Pessotto Guimarães ressalta a importância do comparecimento não só dos empregadores convocados, mas da sociedade em geral, principalmente das instituições ligadas à causa das pessoas com deficiência, das empresas que não foram convocadas e sobretudo das pessoas com deficiência que almejam ingressar no mercado. "Uma das intenções da audiência é chamar a pessoa com deficiência para que ela possa ouvir pessoas em situação semelhantes que estão inseridas no mercado produtivo e sentir o quanto é positiva a experiência do trabalho", afirma Guiomar em nota divulgada à imprensa pela assessoria da Procuradoria da República do Trabalho.

As PCDs que se interessam em buscar uma vaga no mercado de trabalho poderão fazer um cadastro no próprio local da audiência, com o intuito de auxiliar o contato com potenciais empregadores.

Fonte: http://www.folhadaregiao.com.br/ 20/12/2010

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria:21/12/2010

Acabou a folga dos infratores em Sorocaba

Motoristas que estacionam irregularmente em vagas para deficientes e idosos passam a ser multados por agentes de trânsito da Prefeitura.

Um mar de multas. Essa foi a visão de quem passou pelo estacionamento do Shopping Esplanada neste fim de semana. Toda a confusão, que reuniu mais de 10 agentes de trânsito da Prefeitura, foi gerada pelo desrespeito dos motoristas que ocupam irregularmente as vagas de estacionamento destinadas aos deficientes físicos e idosos.

A não obediência à lei gera uma multa de R$ 53,20 e a perda de três pontos na CNH (Carteira Nacional de Habilitação). Segundo informações dos próprios agentes, em três dias foram emitidas mais de 100 multas, com pico das autuações no domingo.

Já a assessoria de comunicação da prefeitura garante que, em 2010, já foram registradas mais de 560 autuações por estacionamento irregular. “O duro é que saímos como vilão da história. Nós apenas aplicamos a lei. O culpado é o motorista que não a respeita”, afirma um dos GMs que pediu para não ser identificado.

REVOLTADOS

Aos 69 anos de idade, Luíza Artur passou exibindo o cartão que a autoriza a parar em uma das 50 vagas – 5% do total de 2.500 – que o Esplanada Shopping destina aos idosos.

O único problema era que a grande parte dessa vaga especial já estava ocupada por carros sem credencial. “Meu carro está perto das últimas vagas. É uma vergonha como a sociedade desrespeita o idoso. Nos sentimos revoltados com tanta indiferença”, diz.

Já a aposentada Esvani Cappareli Coria, 71 anos, afirma que gostaria de arrancar nas mãos as quatro rodas dos carros que estão parados em vagas para deficientes e idosos. “Trabalhei a minha vida inteira. É hora de se ter o mínimo de respeito. Por isso tenho essa vontade de tirar os pneus”, explica

INDIGNADOS

A mistura de vergonha e indignação toma conta da maioria dos motoristas que são flagrados e autuados por estarem em vagas proibidas de estacionamento.

Tanto que nenhum deles quis dar declarações ao BOM DIA tendo a identidade revelada. Um deles, quando chegou ao carro, notou que estava sendo multado pelo Agente de Trânsito e disparou: “É só na base da canetada mesmo. Não podemos nem parar em qualquer vaga agora que já gera multa e mais dinheiro para a prefeitura”, afirmou em tom agressivo.

Outro motorista pediu à reportagem para que apurasse a quantidade de vagas nos shoppings e hipermercados, o que justificaria o estacionamento irregular. “É uma vergonha. Não temos onde parar o carro. Só existem vagas para deficientes e idosos. O resto está tudo ocupado”, esbravejou.

Veja como adquirir, por direito, o credenciamento da Urbes
Para ter o direito a estacionar em vagas especiais, os interessados devem “baixar” o requerimento no site da Urbes (www.urbes.com.br) ou deve requisitá-lo junto à sede da empresa, na rua Pedro de Oliveira Neto, 98, Jardim Panorama, ou em uma das unidades da Casa do Cidadão.

Após preencher o requerimento e entregá-lo, num prazo de 15 dias, a credencial estará disponível para o interessado.

Até o momento, aproximadamente oito mil credenciais foram emitidas pela Urbes, sendo pouco mais de 900 para portadores de deficiência e as demais para idosos.

Fonte: http://www.redebomdia.com.br/ 21/12/2010

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 21/12/2010

domingo, 19 de dezembro de 2010

Iara pede ajuda para ir a Cuba

Quem olha para o sorriso da pequena Iara Santos, de três anos, não adivinha o problema que carrega. Portadora de paralisia cerebral, com tetraparesia espástica, associada a epilepsia, não tem controlo de tronco nem membros e luta todos os dias para ser uma menina igual a todas as outras. Sónia Freire, a jovem mãe de 26 anos, batalha sem parar em busca do sonho de tornar Iara mais autónoma.


Iniciou uma campanha de angariação de fundos, com uma esperança: levar a filha à Clínica de Fisioterapia Cires, em Cuba. Com os donativos que já conseguiu – 13 mil euros – marcou viagem para Janeiro. Mas este será só o início de uma longa jornada.


"Sei que ela nunca vai poder andar a correr e a saltar. Só quero que a minha princesa tenha o mínimo de autonomia e qualidade de vida", confessa Sónia.


Sónia, que trabalha num supermercado, vive com Iara num apartamento alugado, na Gafanha de Aquém, em Ílhavo. E o dinheiro não chega para o tratamento. "Conheço casos que tiveram muito sucesso em Cuba. Não vou baixar os braços até que a Iara recupere", garante. A conta com o NIB 0010 0000 4100 4190 00131 1, em nome de Iara, foi criada para todos os que quiserem contribuir.


In: Correio da Manhã - 18/12/2010

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 19/12/2010

sábado, 18 de dezembro de 2010

MP requer na Justiça estrutura para estudante com deficiência visual de São Francisco

Sem as adequações necessárias, a estudante não consegue aprender, apesar de todos os esforços que tem feito para ir à escola.

da Redação

O Ministério Público de Rondônia propôs Ação Civil Pública, com pedido de liminar, contra o Município de São Francisco do Guaporé para que a Administração disponibilize professores qualificados, com formação em braile, e sala de recursos multifuncionais para atender criança de oito anos com deficiência visual.

A ação foi ajuizada pela Promotora de Justiça Marcília Ferreira da Cunha e Castro diante de reclamação da mãe da estudante de que a rede municipal de ensino não vem promovendo a educação da menina a contento porque faltam equipamentos e profissionais especializados para lidar com a deficiência da criança.

De acordo com a Promotora, o Ministério Público tem feito várias tentativas de resolver o problema administrativamente, não tendo obtido êxito. “Em todas as vezes que foi provocado, o Município, por meio da Secretaria de Educação, argumentou que colocaria profissional e equipamentos especializados à disposição da aluna. No entanto, nada ou muito pouco foi feito”, argumentou na ação.

Com base nas queixas da mãe da estudante, a Promotora de Justiça relata que a criança não tem conseguido aprender, apesar de todos os esforços que vem fazendo para ir à escola. A menina, segundo ela, sai de casa para a escola Neuza Bravin de Oliveira às 10h30 e retorna às 19 horas, quando tem que se deslocar para a Escola Regina de Almeida Araújo, onde é atendida, juntamente com mais três crianças com outros tipos de deficiência, sendo que a professora não tem nenhum tipo de capacitação para o trabalho. A aluna estuda sem qualquer tipo de material apropriado a sua limitação.

Para o Ministério Público, a omissão do Município com a estudante tem sido flagrante, já que não tem disponibilizado material e profissionais necessários para seu atendimento educacional. Assim, o MP requer decisão liminar da Justiça para que o Município, sob pena de multa de R$ 5 mil, instale sala de recursos multifuncionais do tipo 2, com todos os itens assinalados no Manual de Orientação Sobre o Programa de Implantação de Sala de Recursos Multifuncionais, bem como disponibilize professores qualificados, principalmente com formação completa em braile para atender a criança tanto na rede regular quanto na sala de recursos.

Fonte: Rondonotícias - São Paulo - SP, 17/12/2010
APNEN, colaborando na divulgaçãod esta matéria: 18/12/2010

Inclusão da Pessoa com Deficiência

Artigo de Aracélia Lucia Costa que reflete sobre o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência.
Aracélia Lucia Costa


No mês em que comemoramos o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, é importante que façamos uma reflexão sobre o papel de todos os agentes da sociedade, organizações, poder público e empresas privadas acerca da participação plena em igualdade de condições de aproximadamente 14,5% da população nacional, segundo dados do Censo de 2000.
Seguimos rumo a uma comunidade inclusiva, capaz de abolir a marginalização da pessoa com deficiência, garantindo a ela o respeito a seus direitos e deveres e uma vida com qualidade. Precisamos, para tanto, estruturar uma política ainda mais efetiva com a dedicação e a transformação da própria sociedade, a fim de promover a inclusão das pessoas com deficiência, bem como seu acesso a todos os recursos disponíveis – em especial, nas áreas de maior vulnerabilidade. Sabe-se que aproximadamente 80% das deficiências têm causas associadas à pobreza e às condições inadequadas de vida, segundo dados do Banco Mundial (2005).

Entendemos que ainda enfrentaremos adversidades no que diz respeito à educação, pois no Brasil e no mundo é recente a prática da educação inclusiva, e, especificamente no Brasil, a oferta de educação com qualidade para todos é uma meta e não uma realidade.

No entanto, há de se comemorar os avanços conquistados nos últimos anos, em relação ao direito de todos os alunos freqüentarem a escola comum e receberem atendimento educacional especializado no contra turno escolar, quando necessário. Esse é o início de uma ação conjunta de extrema relevância para a causa, e que une esforços do Estado, das organizações da sociedade civil, da escola e da família.

Ao colocar em pauta a inclusão social da pessoa com deficiência, certamente nos confrontamos com desafios e com a necessidade de promover mudanças integradas e urgentes. É preciso superar os estigmas da incapacidade, da desvalorização e da desinformação que cercam o universo da deficiência, bem como promover a transformações da própria sociedade.

Nesse contexto, vale ainda ressaltar as questões que envolvem a Deficiência Intelectual, a mais “invisível” de todas as deficiências, e cujo diagnóstico, estimulação e oferta de apoios são os mais complexos. Em razão disso, muitas vezes a pessoa com deficiência intelectual é negligenciada, o que dificulta tanto o seu desenvolvimento como a sua inclusão na sociedade.

Atuando como facilitadora nesse processo, a APAE DE SÃO PAULO – que completa 50 anos em 2011 –, tem consciência de seu papel na sociedade e busca prover condições dignas de atendimento e apoio a famílias e atendidos, além de restituir a autonomia do indivíduo. Para isso, presta o apoio necessário no processo educacional, como ponte da capacitação de professores e preparo da escola regular para o acolhimento de crianças e adolescentes com deficiência intelectual. Além disso, em outro estágio, investe na capacitação e na orientação para o trabalho, sendo responsável, nos últimos dez anos, por 22% dos processos de inclusão nas empresas no Estado de São Paulo – com um índice de retenção desses indivíduos de 96%.

Acreditar na inclusão é também dar voz à pessoa com deficiência, para que esta possa ter participação efetiva nas comunidades e influência sobre programas e políticas que afetam a vida de todos. A APAE DE SÃO PAULO, assim como a Federação das APAEs e outras organizações, apostam no desenvolvimento e na disseminação da autodefensoria (self-advocacy), ou seja, o processo de conquista da autonomia por pessoas com deficiência. Acreditamos que o autodefensor é aquele que aprende a lutar pessoalmente pela defesa de seus direitos, a tomar suas próprias decisões a respeito de sua vida, e a reivindicar espaço para expressar suas ideias, desejos, expectativas e necessidades. Assim, a pessoa com deficiência – e aqui falamos de todas as pessoas com alguma deficiência - passa a ser agente de seu próprio destino, apoiada pelos esforços conjuntos da sociedade.

Percorremos boa parte do caminho e estamos entusiasmados com o que está por vir. Há ainda muito a se fazer. Nós, a sociedade e muitos dos atores desse processo ainda precisamos assumir nossos papéis e trabalhar em um mesmo sentido, promovendo a ampla proposição de ideias, a intensa reflexão das condições da pessoa com deficiência e, acima de tudo, a construção de uma política consistente de inclusão social.


Fonte: Rede SACI - São Paulo - SP, 17/12/2010

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 18/12/2010