sábado, 9 de janeiro de 2010

Estudo sugere terapia para síndrome de Down

Remédios poderão servir para os problemas de memória e aprendizado.

Remédios já disponíveis no mercado para tratar depressão e déficit de atenção poderão servir para diminuir os problemas de memória e aprendizado que costumam acompanhar o desenvolvimento de pessoas com síndrome de Down. É o que mostra um estudo publicado na revista Science Translational Medicine. Pesquisadores nos EUA testaram os medicamentos em camundongos geneticamente modificados para desenvolver uma forma da síndrome própria de roedores.

Tudo levava a crer que o problema estava restrito ao hipocampo, região do cérebro responsável pelas memórias espaciais. Em geral, portadores da síndrome têm ótimo desempenho em testes relacionados à memorização de sensações visuais, auditivas ou olfativas, operação coordenada por outra região do cérebro: a amígdala.

Para formar memórias no hipocampo, tanto seres humanos como roedores necessitam do neurotransmissor noradrenalina, produzido nos neurônios do locus coeruleus, outra região do sistema nervoso central. Os cientistas descobriram que, como nos humanos, as cobaias com Down também apresentam um processo de degeneração no locus coeruleus, que prejudica a produção de noradrenalina.

Para corrigir o problema, utilizaram remédios que promovem a produção de noradrenalina no cérebro. Poucas horas depois, os camundongos já apresentavam um comportamento semelhante ao de outras cobaias. Ao serem transferidos para novos hábitats, faziam um rápido reconhecimento e começavam a construir um novo ninho.

– Ficamos surpresos com a rapidez do efeito das drogas – afirma Ahmad Salehi, autor do trabalho e pesquisador da Universidade Stanford, sublinhando que o efeito também cessava com igual rapidez quando o remédio era totalmente assimilado pelo corpo.

Ele acredita que a existência de drogas já aprovadas, capazes de interferir na produção da noradrelina, poderá apressar os testes. Mesmo assim, preferiu não realizar nenhuma previsão de quando a terapia estaria disponível.

A médica Carolina Funayama, da Universidade de São Paulo (USP), comemora o resultado, mas recorda que são necessários estudos para verificar possíveis efeitos adversos, como alterações na pressão e problemas cardíacos.

A fundadora da Associação Reviver Down, Josiane Mayr Bibas, afirma que qualquer nova notícia traz grande alegria para os pais.

– Há grande interesse em qualquer novidade que possa trazer melhora nas condições de vida dessas crianças


Zero Hora
08/01/2010

Matéria postada no Blog da APNEN 09/01/2010

Brinquedo acessível

Criado e pensado para que todas as crianças possam brincar, cadeirantes ou não.





quatro exemplos de brinquedos acessíveis.

Para quem acha que ninguém pensa na diversão das crianças que usam cadeira de rodas, no Brasil foi criado um brinquedo acessível. Pensado e concebido para que todas as crianças possam brincar, e não só as que utilizam as cadeiras de rodas, fato que faz do brinquedo um bom exemplo de inclusão.

O brinquedo além de ser ecologicamente correcto, tem a altura e as medidas adequadas para possibilitar que as cadeiras de rodas passem facilmente e que a criança tenha tudo ao seu alcance para poder brincar.
Também conta com uma Cerca lúdica, Mosaico, rampa, etc.

Este brinquedo faz parte da Linha Forró, da empresa LAO.

Seria muito bom ver e poder usufruir deste tipo de brinquedos nas escolas, parques infantis e espaços públicos do nosso pais.



ajudas.com
08/01/2010

Matèria Postada no Blog da APNEN 09/01/2010

Acessibilidade será tema de audiência pública em Jaciara

A audiência tem como objetivo informar e sensibilizar a população sobre a garantia da acessibilidade às pessoas com deficiência.

O Ministério Público do Estado de Mato Grosso promoverá na próxima quinta-feira (14/01), em Jaciara, uma audiência pública sobre acessibilidade. O evento será realizado às 14h, no anfiteatro da cidade.

De acordo com a promotora de Justiça Cássia Vicente Miranda Hondo, várias ações que dizem respeito à garantia da acessibilidade já foram realizadas em Jaciara. Algumas edificações da cidade passaram por adaptações, mas como novos prédios estão sendo construídos e calçadas vêm sendo ocupadas irregularmente por comerciantes, a discussão sobre o assunto voltará à tona.

“Nesse primeiro momento, estamos convidando para a audiência representantes do comércio, poder público municipal, associações de moradores e população em geral. Pretendemos informá-los sobre o assunto e solicitar a adoção de algumas providências. O próximo passo será a realização de uma vistoria e avaliação das edificações públicas nos municípios de Jaciara e São Pedro da Cipa”, informou a promotora de Justiça.

Segundo ela, além de verificar se as normas técnicas referentes ao acesso e utilização por pessoas com deficiência estão sendo observadas, o Ministério Público pretende também recomendar as medidas necessárias para a correção dos problemas constatados.

Campanha- O Ministério Público do Estado de Mato Grosso vem realizando há vários anos uma série de ações para garantir a acessibilidade às pessoas com deficiência. O trabalho foi intensificado, em 2007, quando foi lançada em todo o Estado uma ampla campanha sobre o assunto.

Por meio de peças publicitárias, os cidadãos que residem em Mato Grosso tiveram acesso a informações sobre a importância do respeito aos direitos das pessoas com algum tipo de deficiência. A campanha foi destinada às pessoas de baixa estatura, cadeirantes, deficientes visuais, idosos e obesos.

Além da campanha nos veículos de comunicação, o Ministério Público vem promovendo diversas audiências públicas sobre o assunto. Também foram firmados Termos de Ajustamento de Condutas (TACs) e ajuizadas várias ações civis públicas para assegurar os direitos dos cidadãos.


O Documento
Jaciara-Mato Grosso, 08/01/2010

Matéria postada no Blog da APNEN 09/01/2010

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Tetraplégicos elogiam Alinne Moraes e alertam para a vida real

Personagem tetraplégica da novela Viver a Vida, da Rede Glogo, ajuda na conscientização da população.

Luciana foi para o exterior tentar uma oportunidade na carreira de modelo. Na volta, o ônibus em que viajava capotou. Depois dos exames, veio a notícia: estava tetraplégica. A personagem da sorocabana Alinne Moraes na novela “Viver a Vida”, exibida pela Rede Globo, tem retratado a realidade de muitas pessoas que passam pela mesma situação, a de perder os movimentos do corpo. Quem sabe muito bem o que é isso elogia o trabalho e espera que a novela consiga ao menos informar a população sobre o tema.

Algumas dicas são valiosas e a expectativa é de que a gravação ajude a esclarecer coisas simples, como por exemplo não ficar em pé enquanto conversa com um cadeirante (o que o obrigaria a ter de ficar olhando para cima, causando desconforto) e ter cuidado ao tentar a empurrar a cadeira, pois ela é como uma extensão do corpo de quem a usa. Espera-se ainda que a novela ajude na conscientização com relação à acessibilidade, que mostre as dificuldades de quem pretende andar por vias que não são rebaixadas ou ainda denuncie indivíduos que estacionam em locais reservados aos deficientes.

Alessandra (nome fictício), conta que assim como Luciana, sofreu um acidente. No caso de Alessandra, o ocorrido foi em um Parque Aquático. Ficou tetraplégica aos 21 anos de idade. Sua lesão permite alguns movimentos da mão e dos braços, mas não chega aos dedos. Atualmente com 24 anos de idade, ela disse que não costuma assistir novelas, mas está acompanhando apenas a evolução da personagem de Alinne Moraes pelo Youtube.

E elogia: “A atuação da Alinne está perfeita. É muito difícil mostrar corretamente alguns pequenos movimentos que ela tem, e imagino que seja mais complicado ainda para uma pessoa que na verdade possui esses movimentos. Não é qualquer um que consegue reproduzir não, ou exageraria ou não faria bem, e ela está passando para o público como realmente é. Mas é claro que tem algumas coisas que nunca vão mostrar na televisão”, afirma.

Conforme Alessandra, é importante que a novela esteja abordando o assunto. “A televisão infiltra o pensamento na cabeça da população. Se eles fazem faculdade de dramaturgia para tocar o coração do povo, quem sabe alguém consiga lembrar, olhar para a gente... Além de ter lei e multas, acredito que para algumas pessoas apenas a conscientização já ajude, então quem sabe a novela acabe mudando alguns, nem que seja uma pequena porcentagem, mas já ajuda, o importante é começar...”. Ela lembra que o apoio da família é imprescindível. “No começo você fica revoltado, mas depois eu percebi que tinha tanta gente lutando por mim que você começa a reagir até mesmo pelo outro.”

Para outras pessoas que passam pela mesma situação, ela deixa o recado: “Quando acontece um acidente com a gente, apesar de ser algo novo e complicado, é fundamental procurar sempre o melhor pra você, onde é o melhor tratamento, por exemplo. Às vezes a pessoa fica numa cadeira de rodas e começa a ter doenças, isso é sinal que ela está fazendo algo que o corpo não está aceitando mais. Então pode ser que aquele tratamento exija mais esforço, mas a longo prazo vai ter mais resultado. Eu penso que não se deve desistir de viver bem, pra que piorar a situação?”.


Na ativa

Morador de Araçoiaba da Serra, Leandro Portella, hoje com 28 anos de idade, ficou tetraplégico ao fraturar o pescoço durante um mergulho no mar de Ubatuba, aos 18 anos. Ele, que sempre esteve envolvido com esportes, sendo inclusive vice-campeão paulista de hipismo rural, teve de se adaptar à nova realidade. Não desistiu da luta. Pelo contrário, tem encarado de forma bastante corajosa toda uma sociedade que ainda vive na ignorância, que desconhece até mesmo como se portar diante de uma pessoa com deficiência.

Tem quem não saiba ao menos como falar com cadeirantes, e que se sente constrangido por isso. Foi pensando nas mais variadas dificuldades - tanto para orientar a população quanto para auxiliar o próprio deficiente - que Leandro criou o blog leandroportella2009. Ele ainda gerencia o site guia de acessibilidade e é apresentador do programa Acesso Livre, juntamente com Sandro Amaro, que vai ao ar todas as quartas-feiras, a partir das 20h, no site.

Para Leandro é importante que as novelas tratem do tema. “Já teve várias com deficientes, mas nenhuma com uma lesão tão grave quanto à da Luciana. Muita gente não sabia como era a vida de um tetraplégico, então isso já conscientiza as pessoas que existe, pelo menos, mas acho que poderia mostrar mais da realidade. Para ela, está sendo muito fácil pois pertence a uma classe alta, então pode pagar pela cadeira de rodas, fisioterapia e até mesmo uma auxiliar de enfermagem. Ela chegou, a casa já estava adaptada, então fica mais fácil, né?”.

Conforme o apresentador, seria legal se a novela mostrasse as dificuldades do dia-a-dia, como um simples passeio pelas ruas, onde é difícil encontrar calçadas com guias rebaixadas. “Não sei se eles pensam nisso, eles estão mais centrados na recuperação dela. Aliás, como ela é bem de vida, não precisa tomar ônibus, por exemplo, e nem trabalhar, o que também seria interessante mostrar. Sei que é novela, mas eu gostaria que ela não voltasse a andar”, afirma.

Leandro diz que gostou de terem mostrado sobre a parte do relacionamento afetivo. “A Globo tem muita audiência, então mais pessoas podem ficar informadas sobre isso. A mãe do namorado dela quer evitar de qualquer maneira o relacionamento dos dois porque ela acha que o tetraplégico não pode ter filhos. Ela acha que não vai ter futuro, e não quer isso para o filho, que é um arquiteto famoso. A novela mostrou bem o preconceito, a ignorância... O pessoal não bota muita fé na gente...”. Questionado sobre como é assistir à novela, ele afirma que evitou ver a parte do acidente e do hospital, inclusive o momento em que Luciana recebe a notícia sobre seu estado. “Em casa, o pessoal não gosta muito de assistir. Para quem já passou por isso é mais complicado...”.

Sobre a possibilidade de Luciana continuar a carreira de modelo mesmo estando em uma cadeira de rodas, Leandro afirma que isso já acontece na vida real. “É recente ainda, mas a gente mesmo já organizou um desfile de modas em Sorocaba com deficientes. No Youtube também é possível achar modelo em cadeira de rodas. Aliás, já existe também o que se chama de moda acessível, que são roupas apropriadas para deficientes, mais fáceis de vestir, com malha elástica. É bem pouco divulgado ainda, mas já tem gente se preocupando com isso no Brasil. Estão percebendo que o deficiente consome também”, dispara.

Leandro, que trabalha com acessibilidade, afirma que 17% dos sorocabanos tem algum tipo de deficiência, totalizando 60 mil pessoas. “Isso sem contar os deficientes temporários, gente que quebrou a perna, por exemplo, todos precisam de acessibilidade. Imagine se uma loja abrisse para 60 mil consumidores. Por isso é que muitos acabam comprando pela internet. Bem, de pouco em pouco a gente vai conquistando espaço.” le ainda espera que a novela mostre mais sobre a parte de cuidados com o deficiente, como virar de lado para não formar ferida. “Não é bom ficar com a mão sempre fechada, a perna não deve estar sempre esticada e o pé não pode ficar caído, senão deforma. Eles deveriam se preocupar também com essa parte de orientação”, ressalta.

Daniela Jacinto
Jornal Cruzeiro do Sul
07/01/2010

Matéria postada no Blog da APNEN 08/01/2010

Shopping também podia ter um Avatar?

Acessibilidade em questão.

Após longo período, alguns meses com certeza, estive afastado das grandes telas. Estive sem poder ir a um cinema, e assistir em tela ampla o que tanto amo. Este fim de semana escolhi um filme e um local para ver uma 'boa fita', como se dizia antigamente. Escolhi a obra de James Cameron que nos traz alguém que também 'anda', ficcionalmente sonhando com outros vôos: a história do militar Jake Sulli, um fuzileiro naval paraplégico que ocupará o lugar do irmão morto em ação futurista de mercenários em um planeta chamado Pandora.

E lhes digo gostei profundamente da experiência do 3D e da mensagem sobre a sustentatibilidade em rede de um planeta, que se interliga com uma rede neural em todos os sentidos, um reverso da caixa de Pandora: quase um paraíso com um povo que ainda usa arcos e flechas. E pedem desculpas ao abater um ser vivo para sua sobrevivência, ou seja os Na'vvi poderiam muito bem ser comparados a aborígenes da Austrália, algumas tribos da África ou alguns dos nossos índios do Xingu..., muito antes da chegada dos seus colonizadores e genocidas.

Mas para ir ao cinema é preciso chegar à sua sala de projeção. E aí começa a minha 'estória' sobre a possibilidade de criar um "avatar", um ser copiado do original mas que poderia ser aprimorado e "humanizado", como no filme. Esta ficção científica sobre corpos geneticamente modificados, porém controlados e monitorados a distância, com a finalidade de invasão de um território florestal de 'nativos' deste planeta, me atraiu para uma aventura em um shopping, que, como na tela, também tem muitas questões e falhas graves no campo da sua acessibilidade.

Fiquei muito aborrecido com a chegada ao Shopping Dom Pedro, que se diz o maior shopping da América Latina. Talvez seja esse gigantismo que explicará o que encontrei de barreiras ainda em ação. Ao chegar no estacionamento me deparo com jovens que, acríticamente e sem serem importunados, estavam 'guardando' para outros jovens as vagas de pessoas com deficiência e de idosos. Estavam, como é comum em outros espaços públicos, estacionando seus carros em vagas que são, por lei, destinadas a quem necessita delas.

Consigo entrar no meio da multidão. Caminho usando meu andador e bengala, na entrada das Águas, que é onde se encontram as cadeiras de rodas e os scooters (cadeiras motorizadas), que poderiam ser as montanhas suspensas e suas cascatas do Avatar. Vamos em busca de uma cadeira de rodas, pois depois de ficar um bom tempo deitado e com dores, ela é indispensável para um espaço como esse. Além do mais ainda estou em reabilitação pós-cirurgica, aprendendo a conviver com os meus parafusos de titânio. Aí ampliou-se a minha indignação, pois em um dia de sábado, com mais de não sei quantas mil pessoas lá, sou informado, de forma seca e simples, que "não temos mais cadeiras motorizadas... só temos 08... e estão todas ocupadas...". Após alguma relutância vou procurar uma cadeira de rodas simples, e encontro uma. Nesse momento chega uma pessoa, sentada em uma cadeira motorizada, empurada por um segurança, pois a bateria do scooter tinha acabado: portanto restavam agora na área do shopping apenas 07 cadeiras motorizadas. E ao retirar a cadeira de rodas, a última, não restavam, àquela hora, 13 horas, mais nenhuma outra para quem chegasse naquele local (o único com estas 08 cadeiras em todo o shopping). Façam uma rápida conta de proporcionalidade da multidão e do número de cadeiras!

Como já havia participado de uma iniciativa importante do CVI Campinas, há alguns anos atrás, com palestras sobre a questão da pessoa com deficiência e sua acessibilidade nesse mesmo shopping, resolvi ir até a Administração. Mais uma surpresa me aguardava no trajeto. O elevador "social" estava em "manutenção", donde termos de andar um bom pedaço até encontrar uma possível solução para descer até a àrea de alimentação e sua praça, assim como a administração e a bilheteria do cinema. Cheguei até a pensar nas escadas rolantes... mas como seria útil agora um elevador específico para cadeiras de rodas, daqueles que até alguns clubes, bancos e outros locais públicos já colocaram. Mais uma vez experimentei a solução de outros locais públicos onde já discuti e/ou falei sobre acessibilidade: a saida do elevador de serviços.

E lá fomos nós, eu, o andador, a bengala e a cadeira de rodas rudimentar sendo empurados por longos corredores nas entranhas do shopping. Pensei com os meus botões e colete, como seria bom agora se o segurança que nos acompanhava, tivesse sido um dos alunos do tempo das palestras do CVI por lá. Mas para começar tinha sido difícil encontrá-lo lá fora, e sua atitude era apenas de proteção do local. Como disse minha filha: "por sorte acabamos na entrada do cinema...". Mas fiz questão de ir até a Administração, para registrar minhas queixas e sugestões. Acabei no Fraldário, não para me trocar ou pegar fraldas, mas porque ele fica em frente à Administração que estava fechada. Deixei por escrito junto à recepção do Fraldário a minha reclamação em papel do S.A.C, já comunicando que iria escrever em outros espaços públicos sobre essa 'carência' de recursos de acessibilidade em um shopping desse porte e de tanta fama.

Diante do ocorrido um pouco da alegria de ir ao cinema se esvaiu. Por sorte, como disse a minha filha, o James Cameron, nos apresenta um belíssimo filme. A 'natureza' criada é realmente paradisíaca, quase um mundo virtual onde todos, se nos tornarem avatares, talvez um dia, gostariamos de viver aquela aventura. Mas a realidade de um mega-shopping e suas barreiras, inclusive as humanas, nos traz de volta à dura realidade: muito embora tenhamos avançado muito no campo dos direitos de pessoas com deficiência ou mesmo com imobilidade temporária, bem como outras situações como a obesidade, o nanismo, as gestantes e os idosos, ainda temos muito a conquistar e afirmar, principalmente na garantia de acesso e uso de espaços públicos como os shoppings.

Ficaram em mim algumas indagações sobre possíveis ações a realizar junto a este Shopping. Outro dia li que pessoas defensoras de direitos humanos estavam protestando ativamente diante do Carrefour, aqui em Campinas, contra a discriminação que duas mulheres sofreram por causa de homofobia. Será que precisamos deste tipo de ação? Como mobilizar as pessoas que administram um enorme 'exército-empresa', como o do filme, que ainda pensam primeiro no lucro e na segurança e depois, quem sabe, na humanização de seus cuidados com seus cidadãos e cidadãs consumidores? Como sedimentar na cultura de todos nós, dentro desse modelo de avalanche de consumo, com uma massa em deslocamento voraz e individualista, de uma outra forma de convívio, lazer e prazer de uso destas babéis de compras e diversão?

Quantos são, nos 365.900 m² os milímetros de solidariedade, respeito, afirmação de direitos e de aprendizagem de cidadania, para além das vagas especiais, que conseguiremos implantar e consolidar entre nossos jovens no futuro? Conseguiremos a abertura de espaço junto a estes adminstradores para que os CVIs e outras associações, por todo o país, possam ir tentar e, ativamente, persistir na afirmação e conscientização ampliada da acessibilidade e do desenho universal nos shoppings? Não seria interessante lembrar que os carrinhos de bebê que encontrei percorrendo as 'entranhas' de serviço do shopping, serão os futuros jovens nas praças de alimentação, lojas, cinemas e outros locais do shopping? E se esses bebês já estiverem dotados da memória neuro-científica e ficcional dos personagens do filme Avatar, será que eles preferirão o shopping e suas atuais configurações e barreiras ou um outro modo de vida e de consumo?

Por isso sugiro que todos e todas tenhamos menos passividade e mais incômodo ao nos depararmos com estas situações dos locais públicos. Não gosto da idéia de que não temos mais cinemas fora de shoppings, hoje tornados em templos e assembléias evangélicas doutrinantes. Ainda considero o cinema um bom espaço para diversão, para a arte, para o sonho em que o espectador sabe que sonha. O cinema, mesmo dentro dos shoppings, pode ser um excelente espaço para a reflexão e a crítica sobre os tempos em que vivemos, assim como para sonharmos um tempo em que ainda queremos viver: com o máximo de acessibilidade e de respeito às diferenças.

Que tal criar um Shopping, que além de "amigo do meio ambiente", com responsabilidade social, também possa se tornar um "shopping acessível e universal", já que sua economia, segurança e manutenção dependem, no presente e no futuro, desses possíveis consumidores e seus avatares em cadeiras de rodas ou em outras situações de incapacidade ou deficiência, ou mesmo em carrinhos de bebê??

Vamos inventar uma máquina desejante que invada os shoppings e lhes traga uma compreensão não utilitarista e apenas hipercapitalista, pois sem espectadores até mesmo o cinema perde seu sentido... e para se ver um espetáculo há que se remover e demolir quaisquer barreiras que impeçam a beleza... Não se constroem shoppings em 'desertos' de consumo...

Por isso está na hora de ir despertar o Avatar do Parque Dom Pedro Shopping... com apoio da Doutora Augustine, personagem interpretado pela Sigourney Weaver (Ex-Alien), a quase-ecosófica botânica que descortina a rede de sustentabilidade de vida daquele planeta, que poderá lhes apontar a sustentabilidade futura ou a terminalidade, em muitas línguas, dos espaços de consumo e lazer.

AVISO AOS NA'VI-CADEIRANTES - ao ir aos Shopping Centers, bem-humorados, levem suas próprias cadeiras de rodas (não-descartáveis) e comuniquem aos administradores que irão invadir o seu planeta Comércio, com a Companhia Alada dos Na'vi-Cegos que desejam assistir com AUDIODESCRIÇÃO todos os filmes em cartaz, além de invadirem as livrarias em busca de livros acessíveis... ACESSIBILIDADE NÃO É CONCESSÃO É UM DIREITO...

Jorge Márcio Pereira de Andrade
InfoAtivo.DefNet
Campinas-São Paulo, 07/01/2010

Matéria postada no Blog da APNEN 08/01/2010

Perfil sócio-econômico de pessoas com deficiência

Lei publicada hoje no Diário Oficial da Cidade prevê um levantamento detalhado com perfil sócio-econômico dos 1,5 milhão de pessoas com deficiência na capital paulistana.


Foi sancionada nesta quarta-feira (6) pelo Prefeito Gilberto Kassab lei da vereadora Mara Gabrilli que cria o Programa Censo-Inclusão. O texto, publicado no Diário Oficial de hoje, prevê que a Prefeitura faça periodicamente um levantamento sócio-econômico da população com deficiência na cidade de São Paulo - hoje estimada em 1,5 milhão de pessoas. O objetivo é levantar informações detalhadas do segmento para que possam ser elaboradas políticas públicas específicas voltadas à inclusão destas pessoas.

"Quem é a pessoa com deficiência em São Paulo hoje? O dado estatítico ao qual temos acesso é o Censo IBGE, realizado por amostragem de dez em dez anos, de modo que não há um número confiável e atualizado sobre o qual trabalhar possamos com eficiência", diz a autora do texto Mara Gabrilli.

O Instituto Ágora em Defesa do Eleitor e da Democracia, uma das mais importantes ONGs brasileiras de acompanhamento das atividades parlamentares, classificou o Censo-Inclusão como um dos 13 mais importantes Projetos de Lei que entraram na pauta da Câmara Municipal de São Paulo em 2009.

O relatório resultante do censo será chamado Cadastro-Inclusão, e deverá conter informações tais como informações quantitativas sobre os tipos e graus de deficiência encontrados e informações que contribuiam com a qualificação, quantificação e localização das pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Finalizado o levantamento, as informações ficarão disponíveis para livre consulta no site da Prefeitura de São Paulo e na Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida (SMPED).

Ao saber, por exemplo, qual a faixa de renda majoritária dos cerca de 1,5 milhão de pessoas com deficiência na capital, muitos fabricantes poderão alcançar um mercado a mais. "Atualmente a maioria das pessoas com deficiência não é bem-recebida pelo comércio da cidade em geral. Um levantamento como este pode jogar luz para este potencial público consumidor hoje praticamente ignorado", diz a vereadora. Um exemplo trivial é uma loja de roupas que tenha um degrau, extinguindo automaticamente todos os cadeirantes que possam vir a se interessar por seus modelos. Outro exemplo, estrutural e mais importante, é que, com os novos números e dados, as instituições de ensino poderão dimensionar melhor seus espaços para receber este público.

O Censo-Inclusão, publicado sob número de lei 15.096, de 5 de janeiro de 2009, no Diário Oficial da Cidade desta quarta-feira (6) prevê que o levantamento seja feito a cada quatro anos, pela SMPED, que também se responsabilizará por fazer parcerias e convênios necessários para a realização do censo. Prevendo esta nova atribuição do órgão, a vereadora havia definido, no início de dezembro, a alocação de R$ 500 mil de suas emendas parlamentares à SMPED que poderão ser empregadas na realização do Censo-Inclusão


Site da Revista Sentidos
São Paulo, 07/01/2010

Matéria postada no Blog da APNEN 08/01/2010

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Nove Regras Douradas

A Unesco propõe seu guia com as regras para atuação dos professores na sala de aula
Texto traduzido do inglês e digitado em São Paulo por Maria Amelia Vampré Xavier, da Rede de Informações Área Deficiências e Programa Futuridade da SEADS Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo,FENAPAES, Brasília (Diretoria para Assuntos Internacionais), Rebrates, SP, Carpe Diem, SP, Sorri Brasil, SP, Inclusion InterAmericana e Inclusion International, em 20 de dezembro, 2009.

As nove regras douradas

Aqui estão resumidas as nove regras para lidar com a diversidade encontrada em qualquer classe de crianças mas, especialmente, algumas crianças com necessidades especiais. Professores em todo o mundo
têm achado que são úteis. E que os alunos aprendem mais. São elas:

1. Incluir todos os alunos.

2. Comunicar

3. Gerenciar a classe

4. Planejar suas lições

5. Planejar para indivíduos

6. Dar ajuda individual

7. Usar ajudas assistivas

8. Gerenciar o comportamento

9. Trabalhar junto

O valor da educação inclusiva para os estudantes vem de misturar e com partilhar com outras crianças. Os professores precisam encorajar que isso aconteça, pois a experiência sugere que crianças com necessidades especiais podem ficar isoladas dentro de salas de aula e escolas.

Os professores podem ter de explicar a outras crianças as razões pelas quais algumas crianças não conseguem falar, se comportam de maneira diferente e assim por diante. A diversidade deve ser reconhecida e respeitada. Deixem que os alunos descubram por si mesmos como trabalhar em conjunto com seus colegas. Um trabalho semelhante a esse pode precisar ser feito em reuniões entre pais e professores.

O maior obstáculo entre todos à inclusão são geralmente atitudes negativas. As crianças podem não estar acostumadas com outras crianças que parecem diferentes e se comportam de maneira diferente. Os pais podem também ficar preocupados acerca de reduzir o padrão da escola se crianças com deficiências e outras necessidades especiais forem incluídas em salas de aula comuns. Os professores têm um papel básico no desenvolvimento de atitudes positivas entre alunos, pais, e, certamente, outros professores.

As crianças que utilizam tecnologias assistivas, tais como aparelhos de surdez ou que dependem de equipamento especial podem contar à classe a respeito disso e demonstrar seu uso.

Dica de professor: uma atividade fora da classe ajudou os alunos a formar amizades novas. Os alunos mais capazes ficavam muito interessados em ajudar os outros.

Encorajem as crianças a “serem receptivas” a alunos com necessidades especiais. É importante para a inclusão social que as crianças brinquem e trabalhem juntas. Elas podem também ajudá-las nos banheiros, a se movimentarem pela classe e em períodos de pausa.

Dentro da classe, desenvolvam oportunidades para “ensino dado por colegas. Os alunos mais capazes podem ajudar os menos capazes no trabalho da classe. Também se assegurem de que crianças com necessidades especiais possam dar sua contribuição significativa ao trabalho realizado na classe, a fim de que não se tornem dependentes e objetos de ajuda.

Elaborem jogos de aprendizado em que os alunos possam brincar juntos na classe. Grupos de crianças podem brincar dessa forma, para ajudar os menos capazes a dominar habilidades de leitura e aritmética.

Estabeleçam as atividades para se completarem como um grupo; a fim de que todas as crianças possam contribuir para que sejam completadas, e ganhem créditos por conseguir isso.

Pensem em como as crianças com necessidades especiais podem juntar-se às outras em esportes e jogos. Por exemplo, uma criança cega pode ter como parceira uma criança que enxerga numa competição de corrida. Ou criar um jogo no qual todas as crianças se movimentam com os olhos vendados.

Promovam os talentos de todas as crianças, encorajando sua participação em atividades escolares tais como cantar, dançar e fazer teatro.

Envolvam todas as crianças em todas as atividades escolares, por exemplo em tarefas de limpar e cozinhar e como monitores de classe.

É um bom sinal quando vemos crianças brincando juntas felizes nos períodos de recreio ou se contam para vocês que estiveram se visitando em suas casas.

Observação: existem outras maneiras de garantir que crianças com deficiência sejam incluídas socialmente na escola. Anote aquelas que vocês poderiam usar com mais freqüência em sua escola.


Lista inclusão
05/01/2010

Matéria postada no Blog da APNEN 07/01/2010

Professor de inglês relata sua experiência com seu primeiro aluno com paralisia cerebral

Relato mostra que mesmo pouca informação pode fazer a diferença.

Rômulo de Andrade Faria é graduado em letras português/inglês pela Universidade Braz Cubas e logo no começo de sua carreira de 10 anos como professor de inglês deparou-se com um desafio ao ver entrar em sua sala de aula seu primeiro aluno com paralisia cerebral.

Sem conhecimento algum sobre como lidar com a situação, Rômulo ouviu comentários desmotivadores e pessimistas de colegas professores, mas mesmo diante das adversidades não desanimou. Ao conversar com a mãe do aluno, ele aprendeu que deveria tratá-lo como igual, respeitando suas limitações e desse modo conseguiu reverter uma sala de aula, antes, numa situação desconfortável num ambiente divertido e engraçado.


Depoimento de Rômulo

"Hoje em dia, a Educação Inclusiva tem sido considerada um dos maiores desafios do sistema educacional brasileiro. A cada dia que passa, o ensino inclusivo vem conquistando o seu merecido espaço e respeito em todo o território nacional.

No entanto, por volta de 10 anos atrás quando comecei a dar aulas de inglês ainda não havia tido contato com tal assunto e nem pensava em fazer faculdade na área de Letras (era apenas um aluno de um curso técnico em Processamento de Dados que pretendia fazer faculdade de Engenharia da Computação e que dava aulas de inglês por gostar muito da língua).

Nessa época, apesar da inexperiência como professor e de não conhecer nada a respeito da Educação Inclusiva, tive meu primeiro contato prático com o assunto quando passei a ter a presença do aluno Diego na minha sala de aula. Lembro perfeitamente dessa primeira aula, com toda a turma nervosa por estar iniciando o primeiro módulo de um curso de inglês, e eu com o típico frio na barriga de mais um início de semestre. Quando o Diego entrou na sala, a turma (que tinha, na média, 13 anos de idade) ficou em silêncio olhando de forma um tanto quanto assustada para ele, que caminhava de forma 'diferente' e tinha dificuldades para falar e lidar com sua coordenação motora. Ele havia tido paralisia cerebral logo após o nascimento.

Essa reação dos alunos se repetiu por mais algumas semanas e, paralelamente, ouviam-se comentários pela escola como 'Não sei o porquê de a mãe colocar um aluno assim para estudar inglês. Ele está perdendo o tempo dele aqui. É óbvio que ele não vai ter um bom rendimento nas aulas'. Infelizmente, tais comentários eram ditos na maior parte das vezes por professores, que eram as pessoas que mais deveriam incentivá-lo nesse novo desafio de sua vida.
Para a minha sorte, a mãe do Diego (uma senhora muito cativante) era coordenadora de uma respeitada escola particular da cidade e possuía experiência na área do ensino inclusivo. Percebendo a minha dificuldade em trabalhar com seu filho, ela se ofereceu para me dar algumas dicas sobre como lidar com esse tipo de aluno e/ou pessoa. Seu principal comentário foi: 'Não trate meu filho como uma pessoa problemática ou diferente. Não tenha dó dele. Trate-o da mesma forma em que você trata os outros, respeitando seu limites'.
Após essa nossa conversa e minha mudança de atitude, não demorou muito para perceber o crescimento do Diego nas aulas e também o seu entrosamento com os outros alunos. Ele deixou de ser o aluno diferente da turma, passando a ser o mais divertido, engraçado e querido do grupo. Devido ao sucesso dessa parceria, passei a ser seu professor também nos semestres posteriores, após uma solicitação da sua mãe à coordenação da escola.

Minha maior satisfação, porém, veio recentemente, sete anos depois de ter parado de dar aulas ao Diego. Dirigindo por uma avenida da cidade, parei o carro em um semáforo e, ao longe, ouvi alguém gritar meu nome. Quando desliguei o rádio do carro e olhei para o lado, vi o Diego acenando de longe e dizendo que sentia saudade dos tempos em que teve aulas comigo. Essa sua atitude de gritar meu nome no meio da rua e dizer que tinha saudades das nossas aulas foi algo que me trouxe à memória ótimas lembranças daquele tempo. Hoje, com o pouco conhecimento que tenho sobre Educação Inclusiva, vi que naquela época felizmente acabei tomando a atitude certa (graças, principalmente, à mãe do Diego) e o resultado do nosso trabalho foi um sucesso".


Rede SACI
05/01/2010

Matéria postada no Blog da APNEN 07/01/2010

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

A tecnologia a serviço da pessoa com deficiência visual.

Projeto auxilia deficiente visual a se localizar por meio de GPS.

Pulseira conectada aos pulsos promete ajudar a locomoção de deficientes visuais.



O Instituto Faber-Ludens divulgou um projeto tecnológico que orienta os deficientes visuais por meio de duas pulseiras conectadas a um dispositivo GPS.

As pulseiras seriam usadas em ambos os pulsos para orientar as rotas. Conectadas a um GPS por meio de conexão Bluetooth, elas emitiriam vibrações de acordo com o caminho que deve ser feito. Se o usuário precisar virar para a direita, a pulseira o alertaria, e vice-versa.

Além disso, o sistema também propõe um alerta para quando o usuário chegar a um cruzamento com tráfego agitado ou considerado perigoso. Depois de captar a informação dos mapas do dispositivo, ambas as pulseiras vibram. Ao chegar ao destino, o usuário é alertado com três vibrações de cada uma das pulseiras.

O projeto é aberto ao público e qualquer um pode participar do desenvolvimento. Para se registrar ou enviar um comentário, acesse o site oficial do Instituto Faber-Ludens www.faberludens.com.br


William Marchiori
UOL
05/01/2010


Matéria postada no Blog da APNEN:06/01/2010

Artigo trata sobre o papel do diretor na formação de uma educação inclusiva

Publicado em revista especializada em psicologia o artigo ajuda a refletir sobre a educação.

A revista "Psicologia: Ciência e Profissão", divulgou em setembro de 2009, o artigo: "O papel do diretor escolar na implantação de uma cultura educacional inclusiva" de autoria de Claudia Lopes da Silva* e sua orientadora Maria Isabel da Silva Leme**.

O artigo se baseia na dissertação de mestrado de Claudia, defendida em 2006 no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.

Resumo do artigo
Investiga-se aqui o papel do diretor escolar na constituição de uma cultura escolar inclusiva, tendo como referencial teórico a Psicologia histórico- ultural de Vigotski. Busca-se estabelecer uma relação entre a democratização da escola e a implantação de uma cultura escolar inclusiva através da atuação do diretor escolar. Como hipótese, considerou-se que o diretor influencia de maneira decisiva a forma como se constitui a cultura escolar, facilitando ou dificultando a efetivação da inclusão escolar. Os conceitos de cultura escolar, educação inclusiva e ambiente inclusivo foram examinados de forma a estabelecer a importância do contexto da escola na inclusão escolar de alunos com deficiência. Realizou-se um estudo de caso, tendo sido colhidos dados por meio de análise documental e realizada entrevista com uma diretora escolar. Foi utilizado como método a análise de conteúdo de Bardin. Como resultado, concluiu-se que a democratização da gestão e a educação inclusiva se encontram estreitamente relacionadas, o que sugere que uma escola inclusiva é, antes de tudo, uma escola democrática.


O artigo pode ser conferido na íntegra pelo link pepsic.bvs-psi.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932009000300006&lng=pt&nrm=is&tlng=pt



*Doutoranda em Educação na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FE-USP).
**Professora associada do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IP-USP).

Matéria postada no Blog da APNEN: 06/01/2010

Falta de acessibilidade em Osasco

Shopping União não tem acesso para cadeirantes.

Vanessa Cariatti, é cadeirante desde 2000, quando foi vítima de um assalto no qual levou dois tiros. Ela afirma que hoje, depois de muita luta, já se sente totalmente adaptada à sua condição.

Porém ela reclama que na cidade de Osasco, onde mora, ocorrem sérios problemas de acessibilidade para pessoas com deficiência em shoppings e mercados, por exemplo. "Mercados por aqui como wal mart, carrefour e os shoppings nunca tem vaga para deficiente, e os carros parados não tem adesivo e ninguém fala nada".

Mas o pior para ela foi quando tentou visitar o Shopping União, localizado na Av. dos Autonomistas, n. 1400. Ela afirmou que o Shopping não possui acesso para cadeirantes. "Fui até lá e me disseram: volta em janeiro pois não temos ascesso para cadeirantes".

Ela concluiu dizendo: "gostaria que esta reclamação tivesse uma boa repercursão, pois temos direito a ir e vir e este direito esta sendo desrespeitado na cidade de osasco".

Comentário APNEN: Infelizmente não é so na Cidade de Osasco que tem este problema, e em todas as Cidades do Brasil, a falta de respeito e muito grande, ontem mesmo, as 19:00 horas, estive com meu filho que e deficiente físico cadeirante no Supermercado Paguemenos (loja de Nova Odessa), e como sempre as vagas para pessoas com deficiência, ocupadas por automóveis não identificados, e um desrespeito total.


Rede SACI
Osasco-São Paulo, 05/01/2010

Matéria postada no Blog da APNEN 06/01/2010

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Qual é o melhor tipo de escola para uma criança com síndrome de down?

Os pais, com justa razão, muitas vezes não sabem se o melhor é matriculá-los numa escola regular ou especial.

Os pais de crianças com síndrome de Down se defrontam com alguns dilemas quando seus filhos atingem a idade de frequentar a escola. Se questionam se devem ou não colocá-los numa escola e se essa escola deve ser regular ou especial. "A entrada dos filhos na escola, tanto na educação infantil quanto no ensino fundamental, representam momentos marcantes para seus pais", explica Fernanda Travassos Rodriguez, psicóloga, terapeuta de família e doutoranda em psicologia clínica na PUC do Rio de Janeiro. "Suscita temores ligados a adaptação e proteção", acrescenta.

Entretanto, é importante lembrar, esses dois momentos são distintos e geram ansiedades específicas. "Porém, sabe-se que quando a inclusão é bem feita, a socialização começa a se dar de maneira muito fluida", conta. Fernanda Travassos lembra que o nosso modelo de educação tem um padrão que não contribui muito para a inclusão. "Mas com frequência percebemos boas experiências de inclusão em escolas consideradas ‘alternativas’, são as escolas construtivistas, a montessorianas, e outras", explica.

De acordo com a psicóloga, as duas opções apresentam lados positivos e negativos. Ela explica: "Se de um lado a criança portadora da síndrome de Down tem muito a ganhar em termos sócios afetivos permanecendo no ensino regular, na maioria das vezes, estas escolas têm poucas alternativas para oferecer a estes alunos na apreensão dos conteúdos em sala de aula. Em contraste, as escolas especiais que, cada vez mais são escassas, no entanto, focam-se mais no seu aprendizado formal, usando ferramentas adequadas para a sua aprendizagem".

Fernanda Travassos enfatiza que é no ensino fundamental, quando este é desenvolvido numa escola regular, que os problemas se tornam mais evidentes. "É que a partir do ensino fundamental, quando a criança deve apreender muitos novos conteúdos escolares e, na maioria das vezes, as turmas das escolas regulares são grandes, não permitindo que o professor de uma atenção especializada ao aluno".

Diante do exposto, a pergunta que se coloca é: por qual escola então optar? Fernanda Travessos alerta que não existe uma "receita de bolo" para estes casos. Ela tem razão, pois as crianças com síndrome de Down, assim como outra criança qualquer, são muito diferentes entre si, tanto acerca de sua personalidade quanto em relação aos diversos e variados interesses e habilidades. Esses aspectos devem ser considerados pelos pais na hora da fecharem sua decisão.

"Algumas vezes aconselhamos uma mescla destes modelos", diz a psicóloga. Porém, quando os pais não conseguem escolher e sentem um peso muito grande sobre a sua responsabilidade, argumentando de forma legítima que não são especialistas em educação, eles devem buscar um profissional qualificado da área de psicologia ou pedagogia para que os ajude a fazer essa opção de forma coerente com o seu modelo de família e levando em conta a singularidade de seu próprio filho. "Uma experiência exitosa para um amiguinho pode ser desastrosa para o seu próprio filho, visto que cada indivíduo portador ou não de síndrome de Down é única", ressalta Fernanda Travassos.



Guia do bebê
04/01/2010

Matéria postada no Blog da APNEN 05/01/2010

Diagnóstico pessimista prejudica bebês com Síndrome de Down

Notícia transmitida com informações improcedentes faz com que muitas mães tenham dificuldades para criar seus filhos.

A informação sobre o diagnóstico da Síndrome de Down em bebês frequentemente é transmitida para as mães de forma equivocada e pessimista. Uma pesquisa realizada na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP mostra que a notícia transmitida de forma inadequada faz com que muitas mães tenham dificuldades para cuidar dos filhos, sintam-se desmotivadas para lidar com a criança, fazendo com que elas demorem mais para estimular os filhos.

Durante o seu doutorado, o psicólogo Marcos Augusto de Azevedo entrevistou 28 mães de crianças com Síndrome de Down. Dessas, 22 tinham filhos tratados em um hospital público e haviam recebido o diagnóstico depois do nascimento. As outras 6 levavam os filhos a uma clínica particular especializada no tratamento de crianças com a síndrome e receberam o diagnóstico ainda na gestação. As entrevistas tratavam sobre a forma como foi transmitido o diagnóstico e a experiência da mãe com o filho.

Negações
Todas as mulheres receberam prognósticos recheados de negações e informações improcedentes. "Eles diziam, por exemplo: 'seu filho não vai casar, andar, trabalhar. Vai ser uma pessoa dependente para o resto da vida, uma eterna criança'", conta Azevedo. A síndrome não impede essas atividades, apesar de comprometer o desenvolvimento cognitivo da pessoa e trazer alguns problemas físicos como deficiências no coração.

A palavra do profissional de saúde influencia muito as mães, especialmente aquelas que receberam o diagnóstico após o nascimento do filho e não tiveram acesso a outras informações, como a literatura especializada. "Se o médico falou que aquele filho vai ser um eterno dependente, a tendência é que a mãe sinta-se desmotivada a participar do processo de desenvolvimento global de seu filho. A mãe diz: será que vale a pena estimular uma criança assim?", explica Azevedo. O resultado é que os cuidados necessários, como a ajuda de um fisioterapeuta, fonoaudiólogo, psicopedagogo e outros profissionais, tendem a chegar mais tarde e a criança tem mais dificuldade para desenvolver-se.

A pesquisa mostrou que o prognóstico inadequado atrapalha o vínculo entre mães e filhos. As mães, mesmo aquelas que já criaram outros filhos, sentem-se inseguras para oferecer cuidados comuns, como dar banho e alimentação à criança com Down. "A mãe passa a se relacionar com um desconhecido", diz Azevedo. Isso dificulta o processo em que a mãe abre mão do filho que idealizou durante a gestação para se relacionar com o filho real, com deficiência.

As mães que participaram da pesquisa que receberam o diagnóstico durante a gravidez tiveram mais tempo para aceitar que estavam gestando uma criança com deficiência. Elas procuraram segundas opiniões, livros que tratam da síndrome e visitaram, por exemplo, instituições que recebem crianças com Down. "Elas viram que são crianças com potencialidades, que se desenvolvem, aprendem e brincam", explica Azevedo.

"Hoje estas criança estão cada vez mais inclusas na sociedade. É possível ter um papo bem interessante com alguém que tenha a síndrome, até para ressignificar os conceitos de normalidade", diz o psicólogo. Segundo ele, a informação incompleta dos profissionais de saúde é decorrente de uma formação que reduz a pessoa ao aspecto biológico e esquece os aspectos sociais e emocionais, entre outros.

O psicólogo sugere em sua tese que as maternidades tenham equipe multidisciplinar para transmitir diagnósticos que contemplem as dificuldades da mulher e aponte potencialidades de quem tem a síndrome. "Profissionais como fisioterapeutas, fonoaudiólogos e psicólogos podem explicar que, apesar da criança apresentar algumas dificuldades, ela poderá andar, falar e escrever e ser plenamente incluso na sociedade".



Envolverde
04/01/2010

Mtaéria postada no Blog da APNEN 05/01/2010

Novo aparelho de surdez é invisível.

O sistema que está sendo testado em São Paulo é implantado atrás da orelha e fica imperceptível.

Os aparelhos de surdez visíveis podem estar com os dias contados. Um novo sistema totalmente implantável está sendo testado no Hospital das Clínicas de São Paulo. Sete pacientes já passaram pela cirurgia, ainda experimental no Brasil.

O equipamento só é indicado para pessoas com perda auditiva moderada ou severa. É colocado através de um corte atrás da orelha e fica totalmente imperceptível. O aparelho promete mais qualidade sonora.

Segundo o otorrinolaringologista Ricardo Ferreira Bento, professor da Faculdade de Medicina da USP e responsável pelas primeiras cirurgias no país, ele permite uma distinção mais eficiente dos diversos ruídos que ocorrem ao mesmo tempo.

"O som é muito mais natural do que no aparelho eletrônico comum. E a pessoa fica 24 horas com o aparelho ligado. Não precisa tirá-lo para dormir, para tomar banho ou para fazer esporte, como acontece com o aparelho comum", afirma.

Outra vantagem é que a bateria do implante dura de sete a dez anos (é trocada com uma nova cirurgia, mais simples). A dos aparelhos eletrônicos atuais dura, no máximo, 15 dias.

"Esse é o primeiro passo para o futuro. Em 20 anos, ninguém mais vai andar com aparelho pendurado no ouvido."

O implante pode ser ajustado por controle remoto. A pessoa pode aumentar ou diminuir o volume, ligar e desligar. Também tem programas que se ajustam automaticamente em locais ruidosos ou silenciosos.

Por enquanto, o implante é vendido a US$ 18 mil apenas na Europa. Nos EUA, a FDA (agência americana que regula fármacos e equipamentos) ainda não o aprovou. Espera mais testes de segurança, especialmente se houver a necessidade de reverter a cirurgia.

Segundo a médica Mariana Hausen, representante da Câmara Técnica de Implantes da AMB (Associação Médica Brasileira) na área de otorrinolaringologia, durante a cirurgia é feito um corte em um dos ossículos do ouvido, a bigorna.

"A FDA quer saber, por exemplo, se esse osso pode ser reconstituído se houver uma falha e o aparelho tiver que ser retirado", explica.

Das 300 cirurgias feitas até agora, apenas três foram revertidas, com a reconstrução da bigorna-todas com sucesso, segundo Hausen. "A FDA ainda considera esse número pequeno. Mas acontece que a reconstrução só pode ser feita se houver falha. E o índice de falhas foi pequeno. Não se pode quebrar a bigorna de alguém que escuta e reconstrui-la só para teste."

No Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) deve avaliá-lo a partir de fevereiro de 2010, quando termina o estudo clínico realizado USP. O trabalho é financiado pela empresa Envoy Medical, fabricante do implante.

Na opinião de Hausen, dificilmente o SUS ou os convênios médicos brasileiros irão custear o aparelho em razão do alto custo e do fato de existirem alternativas mais baratas.

"Ele é uma nova opção, mas não é o único tratamento. Oferece mais qualidade de som e resolve a questão estética. Muitas pessoas, especialmente as mais jovens, relatam preferir não escutar direito a ter que usar os aparelhos externos."



Folha Online
04/01/2010

Matéria postada no Blog da APNEN 05/01/2010

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Um dia depois do outro

Pensei em escrever estas mal traçadas linhas antes do réveillon, mas resolvi deixar para os primeiros momentos do ano novo, na expectativa de ver comprovado um dos aspectos do que assunto aqui, que é a efemeridade do tempo evidenciada na passagem de ano. Mesmo considerando minha condição de aprendiz limitado, não mais que mero curioso, tento pegar carona nas idéias de relatividade do tempo, do disléxico Albert Einstein a Stephen Hawking, que nasceu 300 anos depois da morte do cego Galileu Galilei e tem esclerose lateral amiotrófica. Três pessoas com deficiência, vejam só!

Fiquei impressionado com a afirmação de Hawking de que só perceberemos o apagamento do Sol vários minutos depois, se tal acontecer, e comecei a construir caraminholas sobre nossa percepção do tempo no momento em que festejamos a chegada de um novo ano.

Muitos sóis se apagam no universo e nem sabemos, apenas porque seus destinos não nos afetam. Muitos talentos são excluídos da vida pela indiferença gerada no preconceito e na discriminação, e nem sabemos. O hiato entre o apagar da luz de um sol ou da inteligência e sensibilidade de um ser humano com deficiência e o momento em que o percebemos pode ser medido em minutos, anos-luz ou graus de incivilidade. São percepções diferentes que podemos ter do tempo.

Um ano tem doze meses, 365 dias, 8.760 horas, 525.600 minutos. Em cada um desses períodos acontecem coisas boas e ruins, em muitos desses minutos ocorrem desfechos de impasses. No entanto, podemos sintetizar essas noções de medidas para apenas o último dia do ano que termina, e que o sintetiza, e entendermos que a passagem de ano se dá, simplesmente, de um dia para o outro.

Pensando assim, começamos um novo dia em nossas vidas e nele queremos políticas públicas que efetivem a inclusão integralmente, ações de Estado que levem essa inclusão para todos, nos mais distantes rincões, e ver pelas costas governantes e legisladores que não trabalham para o bem comum ou que manipulam as carências populares em proveito próprio.

O dia que começa é de eleições e precisamos ficar atentos para não perdermos nada do que já conquistamos, assim como para avançarmos nessas conquistas não desperdiçando nossos votos e lutando por uma democracia participativa. Mais do que não precisarmos de nenhuma tutela excepcional, como o famigerado “Estatuto do Coitadinho”, somos plenamente capazes de cerrar fileiras com todos os cidadãos que desejam acabar com a política podre e corrupta praticada em nosso país.

A luta que travamos a vida inteira por inclusão e cidadania é suficientemente rica para fortalecer e garantir nossa autonomia e para consolidar a idéia de “nada sobre nós sem nós”. Nosso sol não se apagará e o tempo que precisamos é o nosso tempo.

Da mesma forma que na vida e no universo, nosso tempo também é relativo. Cada criança com deficiência tem seu próprio tempo para desenvolver plenamente seu potencial, cada adulto com deficiência tem seu próprio tempo para exercer plenamente sua cidadania, e para os governantes que não fazem com que nossas leis sejam cumpridas e abreviem esses tempos, nada como um dia depois do outro.

http://blog.andrei.bastos.nom.br/2010/01/01/um-dia-depois-do-outro/ 01/01/2010

Matéria postada no Blog da APNEN 04/01/2010