sábado, 20 de fevereiro de 2010

Norma permitirá que deficiente dirija profissionalmente

A Justiça Federal deu prazo de 15 dias para que o Denatran cumpra decisão liminar de 2007.

A Justiça Federal deu prazo de 15 dias para que o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) cumpra decisão liminar de 2007 e edite norma para que pessoas com deficiência possam dirigir profissionalmente. A decisão é do juiz Rogério Volpatti Polezze, da 10ª Vara Federal Cível de São Paulo. O prazo para cumprimento da decisão começa a contar a partir do dia que os servidores forem notificados da decisão da Justiça Federal.

Em 4 de dezembro de 2007, o juiz da 10ª Vara Federal Cível de São Paulo, Rogério Volpatti Polezze, ordenou liminarmente que o Conselho Nacional de Trânsito (Contran), em 30 dias, publicasse uma nova resolução para regulamentar as adaptações a serem feitas em veículos de categorias profissionais (categorias "C", "D" e "E", da Carteira Nacional de Habilitação), para possibilitar o efetivo exercício da profissão de motorista por pessoas com deficiência que necessitassem de veículos adaptados, mediante análise concreta de suas limitações. À época a União foi intimada pessoalmente da decisão.

O Estado de S. Paulo
19/02/2010

Matéria postada no Blog da APNEN 20/02/2010

Uma dúvida sobre legislação

Dúvida sobre obrigatoriedade de matrícula no ensino regular.

Pergunta de Danila Queiroz de Moraes:

Amados,

Uma dúvida me assombra:

Se eu tenho uma criança, de 8 anos aproximadamente com deficiência intelectual, e opto por colocá-la em uma instituição especializada e não no ensino regular, perante a lei, eu estou errada? Quero dizer: meu filho tem obrigatoriamente que estudar no ensino regular ou eu posso optar entre o ensino regular e o ensino especializado? Como fico perante o conselho tutelar? E quanto à Instituição Especializada?

Por favor, aguardo retorno!

Muito obrigada!

“Não podemos falar de educação sem falar de amor!” (Paulo Freire)


Resposta de Fábio Adiron:


Danila

A escola especial é uma escola complementar à educação regular em classes comuns e não substitutiva. O atendimento educacional especializado pode ser oferecido dentro da escola comum ou em uma escola especial, mas não pode excluir a criança da educação básica obrigatória (6 aos 14 anos), caso contrário é crime de omissão intelectual.

A cartilha da inclusão diz o seguinte (você pode fazer download do texto todo em http://www.adiron.com.br/site/uploads/File/cartilhaatual.pdf)

O atendimento educacional especializado deve estar disponível em todos os níveis de ensino escolar, de preferência nas escolas comuns da rede regular. Este é o ambiente escolar mais adequado para se garantir o relacionamento dos alunos com seus pares de mesma idade cronológica e para a estimulação de todo o tipo de interação que possa beneficiar seu desenvolvimento cognitivo, motor, afetivo.

Esse atendimento funciona em moldes similares a outros cursos que complementam os conhecimentos adquiridos nos níveis de Ensino Básico e Superior, como é o caso dos cursos de línguas, artes, informática e outros. Portanto, esse atendimento não substitui a escola comum para pessoas em idade de acesso obrigatório ao Ensino Fundamental (dos sete aos 14 anos) e será preferencialmente oferecido nas escolas comuns da rede regular. Diferente de outros cursos livres, o atendimento educacional especializado é tão importante que é garantido pela Constituição Federal.

O significado do termo “regular” é encontrado no Parecer CNE/CEB nº 11/00 (pág. 132, das Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação de Jovens e Adultos):

Vale lembrar que o conceito de regular é polivalente e pode se prestar a ambiguidades. Regular é, em primeiro lugar, o que está “subleve”, isto é, sob o estabelecido numa ordem jurídica e conforme a mesma. Mas a linguagem cotidiana o expressa no sentido de caminho mais comum. Seu antônimo é irregular e pode ser compreendido como ilegal ou também como descontínuo. Mas, em termos jurídico-educacionais, regular tem como oposto o termo livre. Nesse caso, livres são os estabelecimentos que oferecem educação ou ensino fora da Lei de Diretrizes e Bases. É o caso, por exemplo, de escolas de língua estrangeira. O acesso de alunos com deficiência às escolas e classes comuns da rede regular.

A Constituição admite mais: que o atendimento educacional especializado seja também oferecido fora da rede regular de ensino, em outros estabelecimentos, já que, como referimos, seria um complemento e não um substitutivo da escolarização ministrada na rede regular para todos os alunos.



Planeta Educação
19/02/2010

Matéria postada no Blog da APNEN: 20/02/2010

Praias de SP terão cadeira de rodas que flutua no mar

Programa lançado pelo governo do Estado faz com que pessoas com deficiência frequentem as praias com mais facilidade.

O governo do Estado lançou ontem um programa para que deficientes físicos frequentem as praias com mais facilidade. Até 31 de março, serão oferecidas cadeiras de rodas que circulam na areia, flutuam no mar e que poderão ser retiradas em postos instalados em Praia Grande, Ilha Bela e Santos. O serviço funcionará, conforme as condições do mar, de terça a domingo, das 9h às 17h.

Para retirar a cadeira, é preciso apresentar documentos, assinar um termo de responsabilidade e seguir as instruções dos monitores, responsáveis por transferir o deficiente da própria cadeira para a anfíbia e acompanhá-lo na praia. O governador José Serra (PSDB) participou do evento entrando no mar de roupa para acompanhar usuários da cadeira especial.

Segundo ele, serão entregues cem equipamentos até a semana que vem --número que deve chegar a mil e abranger todo o litoral. O custo de cada cadeira é de R$ 2.000. Municípios com condições de acessibilidade têm preferência no programa.



Folha de S. Paulo
19/02/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 20/12/2010

Livres, leves e soltos

Incentivar que o filho supere seus limites ou protegê-lo de dificuldades? Especialistas e pais comentam os dilemas de criar uma criança com deficiência.

Na cinebiografia do cantor e pianista Ray Charles, lançada em 2004, uma das cenas mais comoventes tem início com o músico, ainda menino, tropeçando em uma cadeira e se estatelando no chão de casa. Ele havia perdido a visão pouco antes desse episódio e, assustado, grita por socorro. Da cozinha, a mãe assiste ao incidente e tem um impulso de ajudá-lo, mas refreia-se. Decide observá-lo, em silêncio, para saber se o garoto consegue lidar com sua nova condição.

O dilema que a atriz Sharon Warren representa na tela é o mesmo que pais e mães de crianças e adolescentes com alguma deficiência sensorial ou motora enfrentam em seu dia a dia: incentivar que o filho supere seus limites a fim de crescer em relativa igualdade com seus pares ou poupá-lo de frustrações e agir de forma a atenuar os obstáculos que, devido à deficiência, são mais difíceis para ele do que para os demais.

Doralice da Silva Nascimento, 45, mãe de Anderson, 25, Alexandre, 23, e André, 19, que nasceram cegos, passou por essas duas situações: superprotegeu o primogênito por não aceitar o problema de início, mas mudou de atitude quando os outros filhos nasceram, também sem enxergar.

"Quando soube que o Alexandre era cego, procurei ajuda em uma escola especializada. Passei a aceitar a condição deles e a entender que precisavam aprender a se virar sozinhos, pois eu não poderia ajudá-los para sempre", diz.

Nascidos no interior de São Paulo, os três foram criados com autorização para subir em árvores, brincar de pega-pega e jogar bola. "Minha mãe embrulhava a bola em um saco plástico para que pudéssemos saber onde ela estava", conta Alexandre. Aprenderam até a andar de bicicleta e a cavalo.
Quando os três filhos saíram sozinhos pela primeira vez, Doralice os seguiu sem que eles soubessem. "Foi terrível deixá-los andar sozinhos. Várias vezes eu os via em situação de perigo e tinha vontade de gritar para eles tomarem cuidado, mas não podia reagir para não atrapalhá-los", recorda-se.

Hoje, os irmãos usam transporte público, viajam sozinhos, fazem faculdade de gestão de RH e são medalhistas em atletismo. "Graças à minha mãe, somos totalmente independentes. Fazemos qualquer coisa, como qualquer pessoa", diz Alexandre.


Equilíbrio

Segundo a psicóloga e psicanalista Ana Cristina Marzolla, professora da PUC-SP, a maneira como os pais encaram a condição do filho depende de uma série de fatores, como o tipo e o grau de limitação da criança, a estrutura familiar, a relação do casal e a personalidade de cada um deles. "E esse comportamento não é estanque, ele muda com o tempo."

O psicólogo Roberto Benedito de Paiva e Silva, do Departamento de Desenvolvimento Humano e Reabilitação da Unicamp, acredita que os pais devem ter uma visão real das limitações. "A criança precisa de estimulação e de recursos que facilitem sua vida, mas tem que aprender a conviver com o mundo com naturalidade."

Na prática, isso nem sempre acontece. Não é difícil encontrar pais que protegem seus filhos com deficiência além do que seria recomendado. Em parte, segundo Marzolla, essa atitude se deve ao fato de eles projetarem no filho sua própria fragilidade diante da situação, à culpa que sentem por terem gerado um filho com deficiência -ou por não terem conseguido evitá-la- e aos sentimentos ambivalentes, de amor e de rejeição, em relação à criança.

Para Ana Cristina Marzolla, a superproteção faz com que a criança tenha uma autoimagem de fragilidade, impede-a de conhecer seus recursos e cria dificuldade para lidar com a frustração. "Isso ocorre também com filhos não deficientes, mas uma criança com deficiência física, dependendo do grau de superproteção, pode não desenvolver toda a sua capacidade cognitiva", alerta.

Na opinião do psiquiatra Geraldo Possendoro, professor do curso de atualização de Medicina Comportamental da Unifesp, o equilíbrio é fundamental e pode ser buscado com a ajuda de especialistas. "Deve-se procurar, o tempo todo, um balanceamento entre ajudar a criança em coisas que ela não consegue fazer sozinha e estimulá-la a resolver as outras. É preciso bom senso, o máximo de orientação técnica e flexibilidade", acredita.


Paralisia

Quando a pesquisadora Denise Crispim, 30, ouviu pela primeira vez de um médico que sua filha, Sofia, então com um ano, tinha paralisia cerebral, levou um susto. "Eu não acreditei. Pensava que ela era mais molinha por ser prematura."

Durante três meses, procurou diversos neurologistas até encontrar um de sua confiança. "As primeiras notícias são muito complicadas. O primeiro instinto é correr atrás de médicos para ouvir algo mais animador, uma espécie de cura", afirma.

Hoje, aos quatro anos de idade, Sofia frequenta uma creche municipal em Osasco, onde mora, e faz 12 sessões semanais de terapia -como fisioterapia, musicoterapia e hidroterapia. Fala, senta sozinha e consegue ficar em pé com apoio, enquanto aguarda a chegada de sua primeira cadeira de rodas -roxa, como ela gosta.

No dia da entrevista, Sofia estava proibida de assistir ao seu desenho favorito. O castigo veio porque a menina havia se recusado a fazer fisioterapia. "Isso já tinha acontecido antes, mas ela havia melhorado. Tenho que usar todos os recursos para convencê-la", diz a mãe.

Conscientemente, Denise procura educar a única filha para que ela tenha uma vida normal. "Tento dar uma educação que lhe permita ser independente e lidar com seus limites", diz. "Mas existem momentos em que o instinto de proteção é mais forte. Sei que ela não tem as defesas de crianças da mesma idade", justifica.

Festas infantis e passeios organizados pela escola, que incluem brincadeiras das quais a menina não consegue participar, são atividades que costumam ser evitadas. "Tento defendê-la do risco físico e também da parte emocional, evitando situações que possam causar sofrimento", afirma.

Para a psicóloga Ana Cristina Marzolla, em situações como essa uma possibilidade é a mãe ou o pai levar a criança ao passeio e intermediar o contato com as outras crianças. "Deixá-la em casa significa excluí-la."


Negação

Uma espécie de avesso da superproteção, a negação é outra maneira que os pais encontram para lidar com o diagnóstico de deficiência. "Alguns podem fazer de conta que está tudo normal e, com isso, não conseguem atender às necessidades específicas da criança", afirma a psicóloga da PUC-SP.

Segundo ela, muitos deles, de maneira consciente, incentivam o filho a se virar sozinho. "Aqueles que deliberadamente criam o filho para ser totalmente independente causam um ônus porque são muito exigentes, tratam-no como se ele não tivesse a deficiência. Os filhos se desenvolvem bem, mas se preocupam muito em ser aceitos", explica.

Mãe de João Lucas, 6, que ficou paraplégico devido a um tumor congênito que comprimiu sua medula, a advogada Adriana Dutra, 33, afirma que sempre procurou criar o menino com liberdade. Ele frequenta uma escola de esportes com crianças da mesma faixa etária e passou as últimas férias em uma colônia -em ambos os lugares, não havia outras crianças com deficiência. "Já que a situação dele é essa, dou a maior independência possível para ele ter qualidade de vida", diz.

Assim como João Lucas, o adolescente Gabriel do Rosário Mendes, 14, foi educado para ser como as outras crianças. Até os quatro anos, ele não falava nem sentava. Sua mãe, a recepcionista Ágda do Rosário Mendes, 40, deixou o trabalho de lado para levá-lo a sessões de terapia que tomavam praticamente o dia inteiro.

No fim da tarde, ela não abria mão, no entanto, de levá-lo com as irmãs mais velhas à pracinha próxima de casa. "Eu o colocava no balanço, no escorregador. Fazia de tudo para ele acompanhar e não se sentir diferente", recorda-se a mãe. Até na aula de judô Ágda o matriculou. "A fisioterapeuta não queria porque tinha medo de que ele caísse e se machucasse, mas deixei porque era uma alegria para ele", diz.

Nas horas vagas -o menino estuda e faz tratamento na Apae (Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais)-, o único passeio que a mãe desautoriza é ir ao parque de diversões. O medo que ela sente e que impede o menino de ir a esses locais vem da época em que Gabriel sofria convulsões -oito anos atrás, o que teria levado o neurologista a proibir esse tipo de brincadeira. "Ele me cobra até hoje", diz a mãe.



Mudança gradual

A família de Francisco Marotto Avelaneda, 17, descobriu que ele sofre de uma síndrome genética que causa a perda de movimentos há quatro anos. "Em seis meses, ele passou para a cadeira de rodas e foi se despedindo de coisas como jogar bola e andar de bicicleta", afirma o pai, o publicitário Norberto Avelaneda, 54. No início, como o prognóstico era ruim -"O médico disse para deixarmos ele viver seus 13 anos porque não sabia quanto tempo ele teria", lembra-se-, a família chegou a mimá-lo em alguns aspectos, mas não cerceou sua liberdade. "De manhã, eu o levo para a escola porque cansa muito e é cedo, mas ele volta sozinho, de cadeira de rodas motorizada. Demora 30 minutos", diz o pai.

Quando Francisco não está estudando ou em atividade na Avape (Associação para Valorização de Pessoas com Deficiência) e deseja passear, os pais avaliam com ele o trajeto a ser percorrido. "Aos poucos, estamos liberando. Sempre evitamos superprotegê-lo. Na equoterapia, por exemplo, ele anda sozinho e já caiu duas vezes."

Para o adolescente, no entanto, as coisas seriam diferentes se ele não tivesse essa síndrome. "Eu não precisaria avisar se cheguei ou se vou sair. E meus pais me tratariam como tratam meus irmãos [de 20 e 22 anos]."

O pai admite que a percepção do garoto está correta. "O Francisco não tem muita saída se acontecer algo com a cadeira na rua porque não tem força nos braços, o que não acontece com os irmãos."


Folha de S. Paulo
19/02/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 20/02/2010

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Paralisia cerebral: aprovado primeiro ensaio clínico com células estaminais

Objetivo é determinar se uma infusão de células estaminais do sangue do cordão umbilical pode melhorar a qualidade de vida das crianças com paralisia cerebral.

A entidade reguladora norte-americana do medicamento, a Food and Drug Administration (FDA), aprovou o primeiro ensaio clínico controlado com o objetivo de determinar se uma infusão de células estaminais do sangue do cordão umbilical pode melhorar a qualidade de vida das crianças com paralisia cerebral, avança o site Saúde na Internet.

A paralisia cerebral, causada por uma lesão cerebral ou falta de oxigênio no cérebro antes do nascimento ou durante os primeiros anos de vida, pode afetar o movimento, aprendizagem, audição, visão e capacidades cognitivas. De acordo com o Centers for Disease Control, 2 a 3 crianças em cada mil são afetadas por esta doença.

Segundo o líder da investigação, James Carroll, do Medical College of Georgia, nos EUA, estudos prévios realizados em animais tinham indicado que as células estaminais contribuíam para a recuperação das células danificadas do cérebro e substituíam aquelas que tinham morrido.

Por outro lado, estudos anteriores também já tinham demonstrado uma melhoria significativa nas crianças com paralisia cerebral três meses após a primeira infusão de sangue do cordão umbilical.

Para este estudo, 40 crianças com uma idade compreendida entre os dois e os doze anos irão ser submetidas a um exame neurológico. Seguidamente, metade dos participantes receberá uma infusão do seu próprio sangue do cordão umbilical, enquanto a outra metade irá ser administrado um placebo. Três meses depois, as crianças voltarão ser avaliadas sem que os médicos saibam que crianças receberam a infusão das células estaminais. Numa fase posterior, as crianças pertencentes ao grupo de controle também irão receber a infusão.

Periodicamente, os investigadores vão avaliar as capacidades motoras e o desenvolvimento neurológico das crianças.

Em comunicado de imprensa, James Carroll afirma que “Embora já várias terapias que envolvem o uso de células estaminais do cordão umbilical tenham sido utilizadas com sucesso nos últimos vinte anos, este estudo é inovador no que diz respeito ao desenvolvimento de terapias para os danos cerebrais – uma condição que não tem cura atualmente”.


RCM Pharma
18/02/2010

Matéria postada no log da APNEN 19/02/2010

Córneas de SP devolvem visão no Norte e Nordeste

Após praticamente zerar fila de espera, Estado passa a 'exportar' tecido; 54 pessoas foram beneficiadas.

Além de nordestinos, o agricultor Jean-Carlos Miranda, de 25 anos, e o aposentado Antônio Gomes Leal, de 60, têm outra coisa em comum: receberam transplantes de córneas captadas em hospitais de São Paulo.

Morador de Umarizal (RN), a 334 km de Natal, Jean-Carlos sofria de uma doença degenerativa que modifica a curvatura da córnea e deforma a visão, chamada ceratocone. Em 2006, ele operou um olho, após quatro anos na fila. A segunda córnea só chegou três anos e meio depois. "Nem esperava mais me chamarem", lembra Jean-Carlos, que viajou até Natal para fazer a cirurgia.

A córnea para o olho direito foi captada em São Paulo, que distribuiu o tecido a outros Estados por meio do Sistema Nacional de Transplantes. "Nunca imaginei que receberia a córnea vinda de tão longe. Estou realizado e enxergo com tranquilidade", diz o agricultor.

De acordo com o coordenador da Central de Transplantes de São Paulo, Luiz Augusto Pereira, o encaminhamento de córneas para outras regiões do País é possível porque a Secretaria da Saúde conseguiu, no fim do ano passado, praticamente zerar a fila para transplante do tecido no Estado. "A obtenção de córneas se manteve no mesmo ritmo e, conforme a legislação, ofertamos as excedentes para o sistema. É ele que nos informa para onde enviá-las", explica. A ação já beneficiou 30 pessoas no Rio Grande do Norte, 11 no Maranhão, 7 no Acre e 6 no Pará.

Em 2009, a secretaria registrou 5.686 operações, das quais 24,7% em pessoas residentes em outros Estados, mas inscritos na fila paulista. Neste ano, até a última quinta-feira, haviam sido feitas 579 cirurgias, e 101 pessoas aguardavam a vez. "O tempo de espera médio é de quatro dias", diz Luiz Augusto. "Se pararmos de captar, a lista estoura."

O pernambucano Antônio Gomes, de São José do Belmonte, a 473 km de Recife, está entre os brasileiros que vieram a São Paulo para receber transplante. O ex-vigilante estendeu a visita familiar de fim de ano em Santo André, onde morou de 1990 a 2004, para resolver o problema da visão. Submeteu-se à cirurgia no último dia 20 de janeiro, no Hospital Oftalmológico de Sorocaba.

O aposentado sofreu trauma no olho esquerdo em 1988, após uma queda. Segundo ele, a fila de espera por uma córnea nos anos 1990 e início dos anos 2000 era "desestimulante". "Todos os médicos diziam que meu caso era de transplante, mas não quis entrar na fila porque demorava muito", conta Gomes.

No Natal de 2008, a filha insistiu para que ele se tratasse. A primeira consulta, em Sorocaba, ocorreu em março do ano seguinte. Dois meses depois, ele passou por uma cirurgia para "fortalecer" o olho. A intervenção cicatrizou em janeiro deste ano e o oftalmologista o inscreveu na fila de espera. Demorou apenas dois dias para o aposentado ir para a mesa cirúrgica e receber a nova córnea. A alta hospitalar saiu na manhã seguinte. "O médico disse que minha visão estará 100% em três meses. Voltarei para casa e minha vida vai melhorar."


O Estado de S. Paulo
Matéria publicada no dia 14 de fevereiro de 2010.

Matéria postada no blog da APNEN: 19/02/2010

Professora cega passa em concurso, mas é barrada

Aprovada em 1º lugar entre os deficientes visuais que fizeram o concurso público da Secretaria Municipal de Educação no ano passado, a pedagoga Telma Nantes, trava uma batalha para conseguir assumir a vaga de professora de Educação Infantil.

Aprovada em 1º lugar entre os deficientes visuais que fizeram o concurso público da Secretaria Municipal de Educação no ano passado, a pedagoga Telma Nantes, trava uma batalha para conseguir assumir a vaga de professora de Educação Infantil.

Enquanto em cidades paulistas existem professores portadores de deficiência visual, em Campo Grande, a profissional foi considerada inapta por não ter condições de corrigir cadernos e provas. Telma Nantes ocupa o posto de presidente do Instituto dos Cegos e também é vice-presidente da entidade nacional.

Segundo ela, o poder público deve dar exemplo de inclusão social e como professores de Educação Infantil têm auxiliares, a pedagoga garante que não teria problemas para lecionar. Ela acionou a OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso do Sul), a Assembleia Legislativa e espera que a Prefeitura reveja a situação.

Discriminação

Segundo Telma Nantes, quando teve que ser entrevistada pela equipe multidisciplinar da Secretaria de Educação, foi surpreendida pelas risadas de um médico que teria dito: "Como você pensa que vai ensinar desse jeito?".

"Foi um ato de discriminação devido o preconceito da equipe multiprofissional com pessoa de deficiência".

"Na hora eu fiquei quieta por medo de não ser nomeada. Eu sei que o prefeito não sabe o que acontece, mas todo professor tem um auxiliar. Eu que crie as minhas metodologias ou seja adequada a um espaço porque tenho certeza que tenho muito o que contribuir".

No ano passado, na hora da inscrição, a pedagoga protocolou os documentos, pagou R$ 70, 00 e o concurso aconteceu no dia 13 de dezembro de 2009. "Passei fiz a prova de títulos. Não estudei. É meu saber puro".

Outro lado

Segundo informações da assessoria de imprensa da Prefeitura, a pedagoga Telma Nantes de Matos fez o concurso e foi aprovada na prova escrita, mas foi considerada inapta pela comissão de avaliação.

A comissão de avaliação é composta de uma fisioterapeuta, dois pedagogos, um médico e um psicólogo. "Ao inscrever no concurso o candidato toma ciência que passara pela comissão de avaliação. Esta avaliação é aplicada em todos os concursos. As regras do concurso estão publicadas no suplemento do Diogrande (Diário Oficial de Campo Grande), do dia 03.11.2009. A Prefeitura de Campo Grande segue a Lei Federal de 3.299 de 20 de dezembro de 1999".

Porém, segundo informações da assessoria de imprensa da Prefeitura, está sendo avaliada uma saída para a situação. Detalhes sobre as questões discriminatórias, denunciadas pela pedagoga não foram detalhados na nota à imprensa.

Inclusão

Uma notícia relacionada ao tema veicula na Internet no site e-educador – ‘Cego desde os 7 anos o professor José Carlos da Silva dá exemplo de superação e serve de inspiração à categoria que comemora sua data hoje'.

Deficiente visual após contrair meningite aos 3 anos, o professor de geografia José Carlos da Silva, de 40 anos, há 20 no magistério, tinha 7 anos quando começou a ser alfabetizado em braile. Passava horas imaginando como seriam as paisagens relatadas pelos professores em sala de aula. Foi quando decidiu abraçar o ofício de lecionar a matéria como carreira profissional.

"Ficava viajando sobre como seriam as imagens de verdade", lembra. Até a formatura, enfrentou uma série de obstáculos até assumir a própria turma em uma escola estadual na região de Suzano, na Grande São Paulo, onde leciona até hoje. Alguns de seus alunos, com a mesma limitação visual que ele, agora não precisam enfrentar mais tantas dificuldades como as que passou.

"Na minha época não era como hoje. Agora as escolas tem mobilidade, elevador, piso podotátil e material didático em braile e em áudio", afirma. Desde 2001, ele e a direção da Escola Estadual Professora Leda Fernandes Lopes criaram um projeto de inclusão para alunos e moradores da comunidade que também não enxergam.

Com a proposta, Silva faz mais do que alfabetizar em braile. "Muitos não nasceram cegos, mas perderam a visão pelos mais diversos motivos, muitas vezes já com certa idade", diz. "Eu os ensino a andar com a bengala e a se inserirem novamente no mercado de trabalho depois de participar de oficinas profissionalizantes." Atualmente, tem cerca de 20 alunos, de oito a 60 anos de idade.

Uma das histórias de superação que mais o comoveu foi a de um garoto que era "escondido" em casa pela família por causa da deficiência visual. "Ele não saía, não era levado a lugar algum. Veio para a escola depois de convencermos os pais. Hoje não só está alfabetizado como ganhou autonomia, trabalha e está casado."

O professor também leciona para alunos que enxergam. Garante nunca ter tido problemas. "Piadinhas acontecem, mas é normal nesse ambiente. Faço tudo o que um professor que enxerga faz. Passo lição na lousa, desenho mapas, ensino informática." Nas provas, uma secretária o auxilia a vigiar a turma para não colar. Quem o auxilia na correção é a mulher dele, Adriana, 40 anos, também professora. O casal tem um filho, Brian, de 18 anos, modelo profissional. Mãe e filho enxergam.


Anastácio Notícias
18/02/2010

Matéria postada no Blog da APNEN: 19/02/2010

Fatos, desafios e realizações

No Brasil, a Educação Especial tem como perspectiva a Educação Inclusiva; por isso ela é parte intrínseca do panorama educacional como um todo.

O desafio inicial deste texto é falar sobre o Brasil, de forma resumida e abrangente, pois a nossa diversidade, presente em todos os campos e esferas – ambiental, cultural, educacional, social e outros, desenha quadros regionais com características bastante diferenciadas.

Os dados abaixo contribuem para delinear a realidade brasileira em rápidas pinceladas:

- O Brasil – oficialmente República Federativa do Brasil – é uma república federativa presidencialista, localizada na América do Sul, formada pela união de 26 estados, divididos em 5.564 municípios incluindo o Distrito Federal, capital nacional.

- Área de 8.514.876,599 km², equivalente a 47% do território sul-americano.

- População estimada: 191.939.434 de pessoas, sendo a 5 a. nação mais populosa do mundo: 31,8% têm de 0 a 15 anos, 28,5% têm de 15 a 29 anos.

- A população, distribuída entre as Regiões Norte, Nordeste, Sudeste, Centro-Oeste e Sul, tem hábitos e culturas diferenciadas, assim como as respectivas paisagens naturais e clima.

- Possui entre 15 e 20% de toda biodiversidade mundial.

- 9a. maior economia do planeta e maior economia latino-americana.

- De colonização portuguesa, o Brasil é o único país de língua portuguesa no continente americano.

- A sociedade brasileira é multirracial, sendo formada por descendentes de europeus, indígenas, africanos e asiáticos.

- 39o lugar entre os países com melhor qualidade de vida do planeta.

- Tem 27 milhões de pessoas com deficiência, equivalente a 14,5% da população total (Censo Demográfico 2000 do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).


Realidade educacional

No Brasil, a Educação Especial tem como perspectiva a Educação Inclusiva; por isso ela é parte intrínseca do panorama educacional como um todo. Neste texto, faremos inicialmente uma breve caracterização geral da Educação nacional para, em seguida, focalizar a Educação Especial.

Segundo o que determina a Constituição Federal (1988) e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), a Educação é gerida e organizada separadamente pelos respectivos municípios, estados e federação. Cada um deles é responsável pela manutenção e gestão de fundos, bem como pelos mecanismos e fontes de recursos financeiros.

O Estado tem obrigação de garantir a universalidade no Ensino Fundamental.

Para ler o artigo completo, em PDF, acesse o link http://www.planetaeducacao.com.br/portal/imagens/artigos/diario/Artigo-revisao-Marta-e%20Liliane.pdf


Planeta Educação
18/02/2010

Matéria postada no blog da APNEN 19/02/2010

Ensino regular é para todos?

Obrigatoriedade da inclusão de crianças deficientes na rede pública, no turno inverso ao da educação especial, enfrenta resistência das Apaes. Município não tem estrutura adequada, mas é a favor da medida.

A obrigatoriedade da inclusão de crianças e adolescentes deficientes nas escolas públicas de ensino regular, no turno inverso ao do ensino especial, enfrenta resistência no Vale. Instituições e especialistas que atuam na área de educação especial defendem que as escolas tradicionais não têm condições de atender alunos com comprometimento mental ou motor severo porque faltam equipamentos, infraestrutura e mão de obra especializada. A nova regra do Ministério da Educação passou a valer este ano e vai ao encontro da Política Nacional de Educação Inclusiva, que tem mais de uma década. A Federação Catarinense das Apaes considera a medida radical porque exclui particularidades. Semana passada, a mudança foi discutida em audiência pública no município.

– Não tem como da noite para o dia incluir todos os alunos especiais no ensino regular. Nem todos têm as mesmas características, as deficiências são diferentes. Somos a favor da inclusão social e escolar com responsabilidade. Tem de haver toda uma preparação da infraestrutura, do profissional. Às vezes o aluno entra na escola regular e o efeito é contrário. Ele se sente excluído. Lutamos para que os pais tenham o direito de optar – argumenta a presidente da federação, Rosane Teresinha Jahnke Vailatti.

A diretora de Políticas de Educação Especial do Ministério da Educação (MEC), Martinha Clarete Dutra Santos, reconhece a falta de condições da rede pública para atender alunos especiais. Ela garante que a obrigatoriedade da matrícula é justamente para proporcionar às escolas regulares uma fonte de recursos para esse atendimento.

– Historicamente, a rede pública não se organizou para a vinda desses alunos. Mas agora o Fundeb (Fundo de Manutenção da Educação Básica) dobrou o recurso para matrículas de alunos deficientes em escola regular, cujo valor varia de acordo com a região do Brasil e etapa de ensino. Dessa forma, a escola é obrigada a oferecer condições para atender a qualquer tipo de deficiência – explica Martinha.

As Apaes também receberão recurso do Fundeb, desde que o aluno esteja matriculado no ensino regular no contraturno. O Ministério da Educação também prevê investimento em salas multifuncionais, que oferecem Atendimento Educacional Especializado complementar aos deficientes. Em Blumenau há 10 delas, distribuídas em 10 escolas municipais que funcionam como polos para as demais. Segundo Martinha, serão montadas no município outras 18 até o final do ano.

O gerente municipal de Educação Especial, Charles Belz, diz que o município tem dificuldades orçamentárias para adequar as escolas às necessidades dos deficientes. No entanto, apoia o MEC:

– Acreditamos que o processo de desenvolvimento de aprendizagem é inerente à condição humana. Talvez muitas vezes a compreensão curricular seja difícil, mas a convivência social com a diversidade e com valores é benéfica. Estamos muito centrados no rendimento escolar, mas temos de ver o rendimento global do aluno especial.


Jornal de Santa Catarina
Blumenau-Santa Catarina, 18/02/2010

Matéria postada no log da APNEN: 19/02/2010

Quando Davi nasceu, ele não veio sozinho, com ele veio um diagnóstico: o da síndrome de Down

Patrícia conta sua experiência, as dificuldades e desafios, de ter um filho com síndrome de Down.

Patrícia Antonio

Descobri que o bebê que gerava era portador de uma trissomia no cromossomo 21, portanto um defeito orgânico, genético.

Quando meu filho Davi nasceu ele não veio sozinho, com ele veio um diagnóstico: o da síndrome de Down, dando a minha vida um sentido especial, trazendo-me para uma nova e desafiadora realidade, pois acredito na real possibilidade de toda pessoa que nasce com uma condição biológica diferente da nossa, se desenvolva dentro dos padrões esperados pela sociedade.

Acredito também que, para que isso aconteça, é necessário que as pessoas se dispam dos preconceitos e procurem olhar para eles como pessoas e não como portadores dessa ou daquela deficiência. Acredito que rompendo a barreira do preconceito muita coisa pode mudar. Acredito que o verdadeiro obstáculo que terei que vencer não é o Davi ou a sua especialidade, mas precisamente o enorme preconceito que o envolve.

Estou me surpreendendo pelo tamanho e vigor do preconceito. Tenho a certeza de que, ultrapassando o preconceito, muita coisa, mais muita coisa mesmo poderá mudar! Terei que lutar contra o preconceito. Aceito o Davi, aceito também que ele tem Síndrome de Down. Recuso-me aceitar o preconceito, e contra ele manifesto minha indignação.

Viver é lutar, é sempre, e sempre um recomeçar.

Gerar e sentir o Davi foi de uma emoção indescritível, o nascimento dele está sendo sentido com muito amor e agradecimento, pois pessoas especiais são dadas apenas para pessoas especialmente capazes.

No principio, era o verbo aceitar, o verbo amar, estimular, mediar, ensejar, confiar, lutar e por ai vai... Estou me preparando para conjugar esses e outros verbos que, devidamente empregadas darão resultados nos adjetivos normal, esperto, inteligente, capaz, feliz e por ai vai... A ação conduzirá a qualidade.

O nascimento do Davi está mudando a minha vida e a minha história, está provocando em mim a capacidade de ver o mundo de maneira mais sutil, mais humano, fazendo com que eu comece a pensar porquê das coisas e a compreender que eu tenho um papel a cumprir, através do Davi foi me dado oportunidades, que cabe a mim aproveitá-las, desenvolvendo e reconhecendo as minhas próprias competências. Sinto-me premiada pela oportunidade de ter uma vida com sentido maior.

O nascimento de uma criança com Síndrome de Down não é o fim do mundo, mas o começo de uma nova experiência, de uma nova vida. Não há porque me desesperar, no momento mesmo da noticia, a vontade foi só de chorar, chorei, mas não por muito tempo. Reconheço que foi dada uma grande oportunidade em minha vida: a de provar que o ser humano é bastante misterioso para nos surpreender e superar as nossas mais firmes expectativas. E o Davi a cada segundo vem me surpreendendo mais e mais, está se desenvolvendo muitíssimo bem, que orgulho!

Darei tudo de mim para alterar as condições do Davi, farei ele progredir sempre em direção aos mais altos ideais, por meio do meu amor, do acolhimento e da disposição para trabalhar com afinco.

Amo o Davi e quem ama acolhe e o acolhimento é a chave mestra para o desenvolvimento. Amor e acolhimento são os principais ingredientes para que a dedicação ao Davi seja bem-sucedida para que aconteça o milagre da transformação.

Nós vivemos só uma vez. Cabe-nos dar a nossa vida um sentido verdadeiro. Buscar caminhos que nos possam levar a concluir que valeu a pena.

Um filho com Síndrome de Down, está me dando, e dará condições de transformar essa jornada da maneira mais proveitosa possível. Não perder a oportunidade de trabalhar e transformar o Davi de ser potencialmente capaz em uma pessoa realmente capaz.

Agradeço a Deus, pelo Davi que, com certeza veio para nos dizer alguma coisa muitíssimo importante.

Grupo Síndrome de Down
18/02/2010

Matéria posrada no blog da APNEN: 19/02/2010

Shoppings são alvo de blitz



A Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, de Marcos Belizário, começou este mês, sem muito alarde, uma série de vistorias nos shopping centers da capital para averiguar as condições de acesso de deficientes físicos. Já foram visitados por funcionários da pasta e fiscais das subprefeituras de cada região o Anália Franco, na zona leste, Higienópolis e Eldorado, na zona oeste, e o Center Norte, na zona norte.


Integrante da pasta afirma que “todos têm problemas e necessitam de modificações”, mas que a situação em alguns é pior. O resultado da análise já foi enviado à Secretaria de Controle Urbano, de Orlando Almeida - responsável pela fiscalização de imóveis da cidade -, e ao Ministério Público, para que tomem providências. E outros shoppings devem ser vistoriados nas próximas semanas.


Jornal da Tarde
18/02/2010

Matéria poetada no Blog da APNEN 19/02/2010

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Ministério da Saúde investe R$ 39,1 milhões em serviço para pessoas com cegueira e baixa visão

Ministério da Saúde investe R$ 39,1 milhões em serviço para pessoas com cegueira e baixa visão.


Os brasileiros com baixa visão ou cegueira vão contar com novo serviço no Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde liberou recurso de R$ 1,9 milhão para implementar as primeiras cinco unidades de reabilitação visual do país, que vão atender, em média, 7,5 mil pessoas por ano. Serão 75 unidades no país distribuídas em todos os estados, até 2011, um investimento de R$ 39,1 milhões. Essas unidades terão o papel de acompanhar a pessoa com deficiência visual para que ela desenvolva habilidades que a auxilie em suas atividades diárias. O acompanhamento especializado também vai permitir a adaptação delas aos recursos ópticos fornecidos no SUS, como óculos especiais, sistemas telescópicos, lupas, próteses visuais e bengalas. A ação faz parte da Agenda Social da Pessoa com Deficiência, coordenada pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH/PR).

Outra novidade no tratamento da pessoa com deficiência visual é a ampliação da oferta de equipamentos para auxiliar na reabilitação visual, que passou de 4 para 10 tipos (veja lista abaixo). Agora, o SUS vai fornecer óculos com lentes filtrantes para controle da iluminação. Esse recurso óptico evita a fotofobia causada pela ausência de pigmentos de melanina, no caso de albinos, por exemplo. Também serão financiados sistemas telescópicos monoculares e binoculares, utilizados para ampliar a imagem para distâncias longas, intermediárias e curtas. Também foram incluídos dois tipos de lupa, uma manual com ou sem iluminação e uma de apoio (para pessoas que têm tremores nas mãos), com ou sem iluminação. Antes, era fornecida um tipo de lupa, a comum.

As primeiras unidades estão localizadas em São Paulo e no Rio de Janeiro (veja lista abaixo). São hospitais, associações, institutos ou clínicas que já fornecem algum tipo de serviço em oftalmologia, mas receberão recursos para oferecer a reabilitação visual. Eles passarão a ser credenciados ao SUS. O investimento vai custear avaliação e acompanhamento oftalmológicos, tratamento terapêutico especializado, acompanhamento com equipe multiprofissional para a reabilitação do paciente e a concessão dos onze recursos ópticos, dos quais sete são novos.

O usuário será acompanhado por oftalmologistas, pedagogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos, assistentes sociais e técnicos em orientação e mobilidade. A atenção especializada e integral a essas pessoas é uma novidade na rede pública de saúde. Com o novo serviço, um deficiente visual que é atendido em ambulatórios de oftalmologia receberá o diagnóstico de baixa visão ou cegueira e poderá ser encaminhado para uma unidade de reabilitação.

“O serviço é um avanço na implantação da Política Nacional de Saúde para Pessoa com Deficiência. Nele será oferecido o atendimento necessário para que a pessoa com baixa visão ou cegueira desenvolva suas potencialidades e enfrente com maior autonomia as dificuldades no seu dia-a-dia”, afirma Érika Pisaneschi, coordenadora da Área Técnica Saúde da Pessoa com Deficiência do Ministério da Saúde.

Uma pessoa que fica cega, por exemplo, pode adquirir habilidades para caminhar na rua e movimentar-se em casa com maior autonomia. Pacientes com baixa visão muitas vezes não sabem utilizar os recursos ópticos com destreza. A adaptação aos equipamentos faz parte do processo de reabilitação que irá, por exemplo, orientá-lo a focar melhor seu campo visual. Há aqueles, ainda, que não aceitam sua nova condição e resistem o uso dos recursos ópticos. O trabalho do psicólogo, neste caso, será crucial para conscientizá-lo da importância do uso dos equipamentos para melhor qualidade de vida.

As outras unidades serão implantadas no país conforme adesão dos estados e municípios, que devem identificar nas cidades as unidades capazes de oferecer o serviço e encaminhar processo de habilitação do serviço ao Ministério da Saúde.

ESTATÍSTICA

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, no Brasil, a prevalência de cegueira na população é de 0,3% e de baixa visão, 1,7%, A pessoa com baixa visão é aquela que mesmo após tratamentos ou correção óptica apresenta diminuição considerável de sua função visual. A maior parte da população considerada cega tem, na verdade, baixa visão e é, a princípio, capaz de usar sua visão para realizar tarefas. Para cada pessoa cega há em média, 3 ou 4 com baixa visão. Já o paciente com cegueira é aquele que perde totalmente a visão por diversas causas, que vão desde traumas oculares até doenças congênitas.

A prevalência de doenças oculares que levam ao comprometimento da visão cresce com o avanço da idade. As taxas maiores de cegueira e baixa visão são observadas com o aumento da vida média da população. Na população com mais de cinqüenta anos de idade as principais causas de cegueira são: catarata, o glaucoma, a retinopatia diabética e a degeneração macular (perda da visão no centro do campo visual, a mácula) relacionada a idade.

POLÍTICA NACIONAL


A Política Nacional da Pessoa com Deficiência criada pelo Ministério da Saúde busca proteger a saúde e reabilitar a pessoa com deficiência. Os recursos para a política tiveram acréscimo de R$ 115 milhões em 2009, sendo que R$ 75,5 milhões já foram repassados aos municípios. Os 39,1 milhões restantes serão destinados a implantação dos serviços de reabilitação visual.

De 2002 a 2009, foram implantadas 53 unidades em reabilitação física, totalizando 156 existentes no país. Hoje o país já conta com 142 unidades de saúde auditiva, implantadas a partir de 2004. Essas unidades, que promovem a reabilitação e a aquisição de órteses e próteses para pessoas com deficiência física ou deficiência auditiva atendem entre 280 a 300 mil pessoas por ano.

A redução da fila de espera por órteses e próteses e a melhora na qualidade do atendimento a pessoas com deficiência é uma das metas do programa Mais Saúde do Ministério e da Agenda Social de Inclusão das Pessoas com Deficiência do Governo Federal. Lançada em 2007 (Decreto 6.215 de set/07), a Agenda tem o objetivo de promover maior cobertura das ações para os 14,5% da população que possuem algum tipo de deficiência.

Novos recursos ópticos a serem oferecidos no SUS.
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Óculos com lentes esferoprismáticas: serve para aproximar a visão de objetos em uma distância mais próxima.
- Óculos com lentes asféricas positivas: serve para enxergar objetos de forma tanto mais próxima quanto mais distante.
- Lupa manual com ou sem iluminação: utilizada para leitura e ampliação de imagens.
- Lupa de apoio com ou sem iluminação: também é usada para leituras e para ter uma visão mais de perto. A diferença é que serve para pessoas que têm tremor ao segurar objetos e/ou dificuldades de sustentar um objeto com as mãos.
- Sistema Telescópico manual monocular com foco ajustável: é um mini telescópio monocular que serve para visualizar objetos a distância. É ajustável para ampliar a imagem para distâncias longas, intermediárias e curtas.
- Sistema Telescópico manual binocular com foco ajustável: utilizado para aproximar a visão. É montado para evitar a movimentação e fixar melhor a imagem.
- Óculos com lentes filtrantes: utilizadas para controle da iluminação, para diminuir o desconforto visual, diminuir o ofuscamento, aumentar o contraste e a resolução da imagem. Evita a fotofobia causada pela ausência de pigmentos de melanina como no caso das pessoas com albinismo.


http://www.presidencia.gov.br/estrutura_presidencia/sedh/noticias/ultimas_noticias/MySQLNoticia.2010-02-08.5945
17/02/2010

Matéria postada no blog da APNEN 18/02/2010

Crianças também podem sofrer AVC

Crianças também podem sofrer AVC, alerta secretaria.

Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo fez um alerta, nesta quarta-feira (17), para o risco de Acidente Vascular Cerebral (AVC) em crianças. Apesar de ser um problema que acomete, na maior parte dos casos, pessoas adultas, há risco também para os pequenos. Em 2008, foram registrados 266 casos, com 28 óbitos e, em 2009, foram 177, entre crianças até 14 anos de idade.

O AVC ocorre quando há uma interrupção do fluxo sanguíneo para determinada área do cérebro, provocando um infarto ou hemorragia. Em 90% dos casos algum membro do corpo pára de funcionar. Os sintomas mais frequentes são: diminuição da força muscular, que pode ser localizada ou generalizada, perda da consciência, defeito no campo visual, dificuldade na fala, dor de cabeça, convulsão, entre outros.

Segundo o neuropediatra do Hospital Infantil Darcy Vargas, Paulo Breinis, não existe prevenção para o AVC na população infantil. Algumas crianças fazem parte de grupo de risco, como portadores de anemia falciforme, cardiopatias congênita, hipercolesterolêmia e diabetes.

Existem dois tipos de AVC: o isquêmico e o hemorrágico. O isquêmico é mais comum, em que há uma interrupção da passagem do fluxo sanguíneo para uma determinada área do cérebro. E o hemorrágico, geralmente o mais grave, é o que se conhece como derrame: além da obstrução, existe vazamento de sangue. As sequelas podem ser reversíveis, como num AVC isquêmico pequeno ou podem deixar sequelas neurológicas importantes. O tratamento é baseado na reabilitação multidisciplinar com fisioterapia, psicologia e outros tratamentos.

A investigação sobre as causa do AVC na infância é fundamental. Mesmo assim, apesar de todo aparato científico e tecnológico, os médicos ficam sem saber o que realmente ocorreu em cerca de 30% dos casos, segundo Breinis.


UOL Notícias
17/02/2010
Matéria postada no Blog da APNEN 18/02/2010