sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Página no Facebook indica portadores de Down como alvos de tiro

Na página, a foto de uma criança com Down é colocada como um alvo para tiros com a palavra "idiota".

Da Redação

Políticos e ativistas na Itália denunciaram uma página na rede social Facebook que indica o uso de crianças portadoras de síndrome de Down como alvos para prática de tiro.

A Polícia investiga para descobrir o criador da página, que mostra a foto de um bebê com síndrome de Down com a palavra "idiota".

Na noite deste domingo (21), a página tinha quase 1.700 membros.

O site propõe o que chama de "solução fácil e divertida para se livrar das repugnantes criaturas": utilizá-las como alvos nos estandes de tiro.

A ministra italiana da Igualdade, Mara Carfagna, prometeu uma ação legal contra os responsáveis pela página, que denunciou como "inaceitável e perigosa".


Folha Online
Itália, 24/02/2010

Matéria postada no Blog da APNEN: 26/02/2010

Diretores do Google são condenados por vídeo postado no site

Os 3 diretores foram condenados por violação de privacidade por não terem impedido a circulação de um vídeo em que um menor com síndrome de Down é agredido na escola.

Três diretores do Google na Itália foram condenados nesta quarta-feira por violação de privacidade, depois de não terem impedido que um vídeo mostrando um menino com síndrome de Down sendo agredido fosse veiculado no YouTube.

Conforme a sentença do juiz Oscar Magi, do Tribunal de Milão, os três executivos, David Drummond, George De Los Reyes e Peter Fleitcher, foram condenados a 6 meses de prisão, no primeiro processo penal envolvendo o Google por publicação de conteúdo na internet.

O filme, divulgado em 2006, mostra um menino menor de idade, portador de Síndrome de Down, sendo maltratado e agredido por colegas de classe, enquanto outros olham sem fazer nada. Durante a agressão, um dos alunos desenha a suástica nazista no quadro negro e depois faz a saudação fascista.

As cenas foram filmadas em maio de 2006 numa das classes da Escola Técnica Steiner, de Turim, no norte da Itália, e divulgadas através do Google em setembro do mesmo ano.


Agressores

O vídeo ficou no ar de setembro até novembro de 2006, e neste período teve 5,5 mil acessos, provocando duras reações na Itália.

Com a ajuda do próprio Google, os alunos envolvidos na agressão foram identificados e condenados pelo Tribunal de Menores a prestar serviços sociais.

Os dirigentes do Google foram processados por violação de privacidade, mas a prefeitura de Milão e a associação "Vivi Down", de defesa dos direitos das pessoas com síndrome de Down, haviam pedido que também fossem acusados por difamação.

Mas esta reivindicação não foi atendida pelo tribunal, o que levou essas instituições a declararem que consideram que os três executivos foram, de fato, inocentados.

Mas de acordo com o procurador de Milão, Alfredo Robledo, a sentença que condena os dirigentes do Google Itália é exemplar. "Com este processo, colocamos uma questão séria, ou seja, a tutela da pessoa humana, que deve prevalecer sobre a lógica da empresa", disse Robledo aos jornais italianos.

No entanto, segundo o porta voz do Google Itália, Marco Pancini, a sentença representa uma ameaça à liberdade de expressão. "É um ataque aos princípios fundamentais da liberdade sobre os quais a internet foi criada", comentou o porta-voz, afirmando que a empresa vai recorrer.

"Entraremos com apelação contra esta decisão surpreendente, já que nossos colegas não tiveram qualquer relação com o vídeo". De acordo com Pancini, os executivos não tiveram ligação alguma com a realização, divulgação e controle do filme. "Se este principio não existir mais, será impossível oferecer serviços na internet", disse o porta-voz.



Terra
Itália, 24/02/2010

Matéria postada no Blog da APNEN: 26/02/2010

Teimoso é... quem faz a teimosia: conselhos para professores

Artigo de Carol Johnson explica que não há a chamada "teimosia" dos alunos com síndrome de Down, mas sim uma linguagem limitada para lidar com novas situações.

Para mim é interessante ver como muitas pessoas falam sobre a teimosia de suas crianças como se isso fizesse parte do fato de terem síndrome de Down. Na realidade, em algumas situações, ser teimoso pode ser um traço positivo.

Às vezes ouvimos que o motivo de algumas pessoas se tornarem vencedoras em uma situação foi porque "Eu era teimoso e não deixava ninguém me obrigar a fazer o que eu não queria". "Pensavam que eu ia entregar os pontos, mas eu era teimoso demais para desistir facilmente".

Então, que comportamento teimoso é este que vemos entre alunos que tem síndrome de Down e como encará-lo?

Vejo a teimosia como um resultado direto da falta de habilidade e/ou forma de se expressar para negociar uma posição.

Normalmente, tomamos uma atitude sobre algo que nos interessa, e, certo ou errado, nos atrelamos a ela, insistimos nesta atitude até que entendamos ou concordemos com o ponto de vista de outras pessoas.

Um aluno com síndrome de Down continua a fazer coisas de uma maneira específica porque ela é segura, conhecida e funcionou no passado. Quando tentamos mudar seu comportamento e introduzir novas coisas, ameaçamos sua segurança.

Alguns de nós estamos abertos à mudanças e aceitamos a mudança melhor do que outros. Isso também acontece com alunos com síndrome de Down.

Alguns de nós conseguimos defender o nosso lado da questão, outros podem ser persuasivos e convencer as pessoas do nosso ponto de vista sem ter que fazer mudanças – a outra pessoa que muda.

Alunos com síndrome de Down geralmente não lidam bem com isso. Normalmente a linguagem deles é mais limitada e eles podem não dispor da flexibilidade cognitiva necessária para se expresser, além de uma visão mais ampla do mundo para saírem vencedores de discussões. Dessa forma, eles parecem teimosos. Imagine só: se você estivesse em uma situação em que não entendesse o que estivesse se passando e as pessoas estivessem tentando que você fizesse alguma coisa com a qual você não se sentisse seguro, o que faria?

Você resistiria, continuaria a fazer aquela coisa da forma como soubesse, seria visto como teimoso. Como agir se você não tem habilidade verbal para partilhar seus pontos de vista? Como se comportar se a outra parte não lhe entendeu ou não se importou com o que você tinha a dizer? Daí, você seria punido ou censurado porque foi visto como teimoso. Como isso afetaria seu nível de cooperação da próxima vez?

Como você responderia a essas pessoas que "o levaram a fazer alguma coisa que você não entendeu, nem mesmo concordou?". Você pode se tornar mais teimoso ou resistente. As pessoas, então, verão esta atitude como "rebeldia" ou um "problema".

Elas entenderão que sua teimosia é alguma coisa que existe, independentemente de você ter uma visão diferente da mesma situação ou ser incapaz de comunicar, com sucesso, seu ponto de vista.

Como poderemos mudar este modelo? Deixando de lado o mito da teimosia e vendo o comportamento teimoso como uma resistência. Resistência a alguma coisa nova, resistência a alguma coisa que não foi entendida, resistência a ter outros no controle, resistência a alguém em que eles podem não confiar ou entender.

A única maneira de ajudar alguém a tornar-se menos resistente é ajudá-lo a se sentir seguro bastante para tentar coisas novas e diferentes.

Quando as crianças são mais novas, não reagem muito bem à mudanças e se retraem. À medida que crescem, usam estratégias que deram certo no passado: se retraindo, não olhando, fazendo beiço, gritando, se sentando ou se jogando no chão (comportamento de teimosia).

Quando o aluno se mostra muito teimoso, isso é sinal que este comportamento deve ter dado certo no passado; ao usar este repertório de estratégias o aluno estará se sentindo seguro. Os adultos são parte do problema.

Ensinamos às crianças o que devem fazer, para que paremos de pressioná-las ou para que as deixemos como querem. Algumas vezes, ficamos zangados.(Quando ficamos zangados, as crianças se tornam mais resistentes por não entenderem o que está acontecendo e ficam, frequentemente, nervosas também. Quantos de nós reagimos com raiva, se estivermos nervosos com uma situação? Quantos de nós ficaríamos menos "teimosos" se alguém nos obrigasse a fazer algo que não nos sentíssemos seguros?).

Quando se deparar com um aluno que pareça teimoso, pense no seguinte:
1. Embora faça sentido para você, pode não fazer sentido para este aluno. Como poderá ajudá-lo a adquirir uma melhor compreensão sobre o que você está querendo? Lembre-se: apenas dizer o que é "bom" para eles, não ajuda. Você pode demonstrar, agir, de maneira que a sua solicitação tenha uma resposta positiva? Eles poderiam tentar fazer o que lhes é pedido em pequenas etapas? Você poderia achar um meio de esclarecer mais sobre sua solicitação, de uma maneira menos ameaçadora? Que espécie de linguagem você está usando?

2. Haveria um jeito de ajudar o aluno a usar outros meios de dizer "não", "espere", "tenho medo disso", "o que você quer que eu faça?" ao invés do comportamento que é de teimosia?

3. Siga o velho adágio "Vença-os com mel". Nenhum ser humano reagirá positivamente sob coerção. Em situações novas, use alguma coisa que os alunos já tenham experimentado e que tenham gostado; parta do que o aluno já conheça e construa a partir daí. Trabalhe uma experiência nova com alguma coisa que já é bem sucedida e apreciada pelo aluno. Use brincadeira, músicas, jogos, etc. para ajudar um aluno a lidar com novas experiências. Observar outra criança ser bem sucedida pode não funcionar pois alguns alunos não aprendem por observar os outros e então poderão não entender que eles também poderiam ter sucesso.

4. Temos que ter uma relação de confiança com alguém, para que possamos obter dele uma resposta positiva. Alguns alunos custam a chegar a este nível de confiança. Você não poderá ser o que pune, mas o que constrói uma relação de confiança com o aluno. Você não poderá impor alguns comportamentos e reforçar outros; esta inconsistência causará estresse; os alunos poderão nunca se sentir suficientemente seguros com você.

5. Quando você sentir que está ficando aborrecido, pare, sorria, caminhe, relaxe, conte até 10, etc. Solte a tensão e, depois tente outra vez. Talvez de um modo diferente. Por vezes, os alunos se aproximarão justo por você ter se acalmado. Então reinicie o relacionamento de um modo que não seja ameaçador.

Algumas das melhores pessoas são bastante teimosas para insistir quando muitas outras desistem das crianças. Una-se às primeiras.

Seja teimoso (insistente) em relação à habilidade da criança para aprender e a ajude a se sentir segura o bastante para aventurar-se em um novo território juntamente com você.


Fonte

www.ndsccenter.org/resources/documents/stubborn.php.


Inclusive
Canadá, 24/02/2010

Matéri postada no Blog da APNEN: 26/02/2010

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Explicando a Síndrome de Down para Crianças

Artigo de Pamela Wilson mostra como contar para irmãos mais velhos e para as próprias crianças com a síndrome sobre Down.

Explicar a Síndrome de Down para crianças pode ser um desafio até para adultos que cresceram com amigos, colegas de trabalho, colegas de classe ou membros da família com a síndrome. Nossas próprias atitudes podem influenciar na maneira pela qual as crianças irão facilmente aceitar e interagir com seus colegas e vizinhos. É importante estar consciente da linguagem respeitável bem como de informação acurada sobre o potencial, a diversidade, os talentos e as aptidões dos indivíduos com síndrome de Down.

As primeiras crianças que deverão ouvir a explicação dos pais sobre o que é síndrome de Down e o que significa, são os irmãos do recém-nascido com o diagnóstico. Dependendo da idade do irmão mais velho, qualquer novo bebê que chame toda a atenção dos pais e tome todo o seu tempo pode ser visto como um intruso ou um visitante não muito bem vindo. É importante ter em mente que síndrome de Down significa muito pouco para os irmãos do recém-nascido e, os bebês com síndrome de Down, são exatamente como os bebês sem síndrome de Down para seus irmãos.

No início, apenas uma menção casual é bastante, de que seu irmãozinho ou irmãzinha tem síndrome de Down e, teremos que ver qual o efeito, à medida que se tornam mais velhos. Apresentamos o bebê como o encantador novo membro da família e, lembramos aos mais velhos que, igualmente, nos apaixonamos por eles, a partir do primeiro momento e à medida que tomavam todo o nosso tempo e atenção, quando recém-nascidos também.

Temos que ser conscientes de que os filhos, adolescentes e adultos com síndrome de Down, provavelmente, ouvirão e lerão o que dizemos ou ensinamos aos seus irmãos. Os irmãos mais velhos necessitarão de suas afirmações diárias e a confirmação de que cada um deles, é um membro muito importante da família; que têm seu lugar próprio, são estimados, não importando quais os seus desafios ou realizações. Poderia ser uma revelação para eles de que os teríamos amado se tivessem nascido com a síndrome de Down também.

Estamos menos conscientes do que deveríamos, sobre o nível de desenvolvimento das crianças, bem como suas experiências com crianças com síndrome de Down ou dificuldade de desenvolvimento, em suas próprias famílias, atividades extra-curriculares ou salas de inclusão.

As crianças da escola elementar que estão, cada uma delas, no centro do seu próprio universo, podem apreciar ser reconhecidas por seus próprios talentos e desafios, de uma maneira bastante positiva, à medida que o tópico síndrome de Down é introduzido. Elas podem já ter experimentado o desprazer de serem únicas, embaraçadas, ou deixadas de lado porque alguém que não soube avalia-las. Para explicar o que a síndrome de Down poderia significar, a uma criança que a tem, pode-se seguir os mesmos modelos usados para explicar o mesmo assunto para outras crianças.

Quando introduzimos o conceito de celebrar diferenças e reconhecer atributos positivos em cada criança, poderá ser tão útil como o é para criar uma atmosfera inclusiva para uma criança com síndrome de Down. Informar as crianças sobre a síndrome de Down é uma excelente oportunidade para entendermos o valor e o potencial de cada criança. Ter livros de cabeceira e livros infantis em casa, retratando personagens energéticos e capazes com síndrome de Down, pode ser, para a criança com o diagnóstico e também para os outros membros da família.

Todas as crianças deveriam ser informadas sobre escritores, artistas e outros adultos criativos que têm síndrome de Down e que são os melhores embaixadores e advogados a serem encontrados.

Pesquisando em livrarias ou bibliotecas locais, poderemos conhecer excelentes livros para crianças que incluem personagens com síndrome de Down e que dão informações que você poderá partilhar.

Para mais informações sobre bebês, crianças e adultos com síndrome de Down, você poderá achar nos livros da www.amazon.com/, na sua livraria ou nos editores da “web”.

Comentário SACI:No final do artigo, a autora recomenda o site www.amazon.com para a compra de livros com informações sobre a síndrome de Down. É importante lembrar, porém, que essa página da web é um site de vendas internacional, e por isso grande parte dos livros disponíveis encontram-se em outros idiomas. A tradução do artigo é de Luciene Codeço Coelho.



Bella Online - The Voice of Women
24/02/2010

Matéria postada no Blog da APNEN: 25/02/2010

Números escondem vidas

Os recentes dados sobre a educação brasileira mostram que é a escola que abandona seus alunos.

Os dados recentes da Educação brasileira atualizam uma discussão que povoa o mundo Escolar: a reprovação no primeiro ano do ensino fundamental. O número agora apresentado, se analisado apenas sob o ponto de vista estatístico, parece pouco: a cada cem crianças, quatro são reprovadas. No entanto, devemos lembrar que os números escondem muitas vidas, pedindo reflexão.

Os caminhos são vários. Sem pretender esgotar o assunto, sinalizo dois extremos. De um lado, o mais óbvio, e que revela um traço da cultura Escolar em nossa sociedade: a suposição de que "é normal que alguns alunos fiquem para trás", cuja consequência no dia a dia é reforçar preconceitos em torno de alunos, que são, por vezes de maneira precoce, tratados como "aqueles que não têm condição de aprender".

Com isso, a reprovação é vista como responsabilidade apenas desses alunos, que "não têm competência intelectual".

Tratados como incapazes, eles aprendem na Escola que lá não é lugar para eles. No futuro, muitos dirão "abandonei a Escola", sem se dar conta de que foi a Escola que os abandonou.

A estrutura (que acompanha a história da Educação brasileira há décadas quase de forma intocada) foi um dos motes para a implantação do ensino fundamental de nove anos, que veio acompanhada da promessa de alfabetizar todas as crianças antes dos sete anos, direito que faltava aos mais pobres e que, se supunha, os fazia reprovar logo ao entrar na Escola.

No outro extremo, um "novo" aspecto deve compor a leitura desse índice, apontado por alguns como pequeno: diversos Estados e municípios implantaram políticas que proíbem a reprovação, produzindo como efeito que um número significativo de crianças passa de ano sem de fato aprender.

Basta olhar com atenção para notar que menos da metade dos municípios brasileiros registrou reprovações no primeiro ano. Assim, os alunos concluem o ensino fundamental e melhoram a estatística brasileira.

Pelos números, parece um bom resultado, mas o fato é que, mesmo dentro das Escolas, eles permanecem excluídos e abandonados ao próprio azar.

Esses dois extremos da situação apontam para um aspecto comum: o descompromisso político com a melhoria da Escola, sobretudo quando voltada para a população mais pobre. Saibamos: em termos de Educação, os números não revelam a realidade! O fato é que ainda temos muito que avançar.


Lygia Viégas é mestre e doutora em psicologia Escolar pelo Instituto de Psicologia da USP. Atualmente, coordena o curso de Psicologia da Faculdade São Bento da Bahia.



Folha
24/02/2010

Matéria postada no Blog da APNEN: 25/02/2010

Comissão examina sete propostas em favor de pessoas com deficiência

Entre as propostas estão as isenções de impostos incidentes sobre a venda de cadeiras de rodas e a de imposto de renda para os deficientes físicos aposentados ou pensionistas.

Em reunião que está sendo realizada neste momento, a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) analisa sete propostas que beneficiam as pessoas com deficiência. Entre essas proposições estão o PLS 277/09, que prevê isenção de impostos incidentes sobre a venda de cadeiras de rodas, e o PLS 46/09, que isenta do imposto de renda os deficientes físicos aposentados ou pensionistas.

Outro texto que beneficia esse segmento da população é o PLS 216/04, que dá prioridade de tramitação às causas judiciais que envolvam pessoas com deficiência, e o PLS 738/07, que obriga empresas públicas e privadas a fazerem adaptações para assegurar condições de acessibilidade em suas edificações.

Ainda em pauta incentivos tributários para pessoas com deficiência (PLS 123/06); auxílio para o uso de caixas eletrônicos (PLS 24/08); e criação de mecanismos de acesso de deficientes visuais a livros adquiridos por programas públicos (PLS 111/08).


Idosos, crianças e adolescentes

Consta ainda da agenda da CDH, formada por 26 itens, projetos que ampliam a proteção aos idosos, como o PLS 333/09, que torna obrigatória a disponibilização, em todos os aeroportos do país, de cadeiras de rodas para idosos com dificuldade de locomoção. Os senadores também votam diversas propostas que tratam de direitos de crianças e adolescentes, como o PLS 241/08, que inclui menores moradores de rua como beneficiários de programa federal de inclusão de jovens (ProJovem Adolescente).



Agência Senado
Brasília, 24/02/2010

Matéria Postada no Blog da APNEN:25/02/2010

Deficientes mentais são tratados como bicho em abrigo do Rio

O mau cheiro é muito forte e os casos de sarna são frequentes. Não há chuveiros. Banhos somente com baldes.

O Jornal mostra imagens impressionantes, absurdas, de pessoas sendo tratadas como bichos. A equipe de reportagem flagrou cenas deprimentes em um abrigo público para deficientes mentais no Rio de Janeiro.

Eles têm nome, sobrenome. No passado, tinham família, mas foram abandonados. Hoje, vivem à margem da sociedade, à beira da indigência. Apáticos, praticamente, não saem da cama - que muitas vezes, não tem lençol. O colchão está em condições precárias.

Em dias tão quentes, o chão da varanda parece o melhor lugar. É o Centro Integrado da Criança e do Adolescente, em Conceição de Macabu, a 220 quilômetros do Rio de Janeiro. Mas no local vivem 90 homens, com deficiência mental, que têm entre 24 e 48 anos. O abrigo é responsabilidade do governo do estado.

Nos cômodos, o mau cheiro é muito forte e os casos de sarna são frequentes. Não há chuveiros. Banhos somente com baldes. Há nove meses, a defensoria pública recebeu denúncias e notificou os responsáveis.

Uma cama ao lado da outra. A superlotação preocupa os defensores público. Os pacientes ocupam a sala. Em um quarto há um beliche, que não seria adequado para portadores de deficiência dormirem e até a cozinha vira dormitório.

Para cuidar dos internos, existem apenas dez funcionários por turno, segundo a coordenadora do abrigo. E não há médico de plantão.

"Temos um médico, que está prestes a se aposentar, mas ele dá assistência aqui", informa a funcionária Rosangela Rocha.

De acordo com o governo do estado, existe um projeto de reforma da unidade. "O projeto está pronto, finalizado em dezembro do ano passado com orçamento próprio, pronto, já está sobre a mesa do secretário de obras, Pezão, que é o vice-governador, para ser licitado", aponta a presidente da Fundação responsável pelo abrigo Ellen Peres.

"As pessoas que estão aqui ficam esquecidas. O que eu vejo é como se a decadência de um estabelecimento tivesse passado para a decadência da vida dessas pessoas. Hoje temos uma situação de muito abandono", comenta a defensora pública Patrícia Magno.

A Secretaria de Obras do Estado do Rio de Janeiro informou que o projeto teve que ser refeito e foi devolvido para a fundação responsável pelo abrigo. Portanto, ainda não há prazo para o início da reforma no local.


Jornal Floripa
Rio de Janeiro, 24/02/2010

Matéria postada no Blog da APNEN: 25/02/2010

Passe livre pode ser estendido também ao acompanhante de pessoa com deficiência

Benefício poderá ser concedido quando a assistência de um acompanhante for necessária. O projeto está em fase de recebimento de emendas.

Em viagens interestaduais, o passe livre já garantido à pessoa com deficiência deve ser também estendido ao seu acompanhante quando essa assistência for necessária. É o que prevê projeto (PLS 27/10) do senador Flávio Arns (PSDB-PR) que está começando a tramitar na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), nesse momento em fase de recebimento de emendas.

O autor afirma que a instituição do passe livre nas viagens interestaduais representou um avanço significativo nos direitos da pessoa com deficiência. No entanto, observa que o seu uso fica restrito aos que são capazes de viajar desacompanhados. Dessa forma, argumenta Flávio Arns, ficam sem acesso ao benefício todos que precisam de acompanhante para seus deslocamentos.

A proposta será analisada pela CDH em decisão terminativa. O texto acrescenta novo dispositivo à Lei 8.899, de 1994, que criou o passe livre para pessoas com deficiência comprovadamente carente. A proposta deixa ao próprio Executivo a iniciativa de criar regras necessárias à comprovação da necessidade de acompanhamento.


Agência Senado
Brasília, 24/02/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 25/02/2010

Aparelho desenvolvido no Sul de Minas leva esperança para tetraplégicos

Tratamento experimental permite recuperação rápida de deficientes com lesões medulares. Programa especial já é testado em 12 pacientes.

O sonho de voltar a ter os movimentos fez com que Leandro Aparecido de Carvalho, de 30 anos, que ficou tetraplégico há quatro, depois de sofrer um trauma na coluna ao mergulhar numa piscina, fez com que buscasse vários métodos de recuperação. Depois de inúmeras sessões de fisioterapia, o rapaz aceitou participar de um tratamento experimental de reabilitação de pessoas com lesões medulares, feito em Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas.




Leandro, que antes vivia em uma cama e dependia totalmente de familiares e amigos, passou sete meses fazendo sessões de fisioterapia com a ajuda de um novo equipamento, em que o paciente fica de pé e aos poucos vai sendo estimulado a se movimentar. Hoje, ele consegue se locomover com ajuda de um andador e já faz quase tudo sozinho e até dirige carro normalmente.
Ele explica que todo o seu progresso não foi um milagre, mas uma conquista com força de vontade. "Com a ajuda do tratamento pude fortalecer a musculatura da coluna, braços e pernas e consegui retomar grande parte dos meus movimentos", disse.
O jovem e mais 11 pessoas, de 20 a 51 anos, tetraplégicos e paraplégicos, fazem parte do grupo de pesquisa da fisioterapeuta Cláudia Cristina Garcez, que desde julho usa o Elevador Ortostático Dinâmico. O aparelho criado por ela com apoio de especialista do curso de pós-graduação em engenharia biomédica do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel) e de empresas privadas, já representa uma esperança para pacientes portadores de deficiências físicas.

Fisioterapia

O elevador, que funciona no asilo da cidade, consiste em uma barra de aço de seis metros de comprimento por três de altura, com um motor elétrico acoplado a uma corrente e um gancho de suspensão, adaptada a um controlador de velocidade. Com o equipamento, a pessoa com tetraplegia é içada, de maneira suave, e colocada na posição vertical para realização de fisioterapia, exercícios nos pés e nas pernas. O equipamento foi patenteado há três meses e já está sendo comercializado por R$ 8,5 mil.


Um acidente de moto mudou a rotina de Francinei Paulo Silva do Carmo, 20, que ficou paraplégico depois de fraturar três vértebras da coluna. Ele afirma que o uso do elevador na fisioterapia lhe dá segurança e facilita a recuperação. “Com os exercícios, consigo trocar os passos novamente e isso me dá uma sensação de liberdade. Cheguei a fazer outros tratamentos, mas só esse é que está dando resultado”, disse.
Com 12 anos de experiência na área, a fisioterapeuta explica que antes precisava de muitas pessoas para colocar o paciente de pé, o que dificultava o trabalho, por isso resolveu investir na criação do equipamento. Segundo ela, a técnica tem trazido resultados satisfatórios e melhorado a autoestima dos usuários. “Todos os assistidos pelo projeto deixaram de andar por algum motivo, mas, mesmo com a deficiência motora, o cérebro deles reconhece o movimento. Quando a pessoa está deitada numa cama ou sentada, o corpo também entende, mas não é tão eficiente quanto colocá-la em pé e incentivá-la dar um passo.”, explica.


Foto: Com uso de equipamento, Leandro de Carvalho saiu da cama e dirige carro
Fonte: Uai Minas
Referência: http://deficientealerta.blogspot.com

Matéria postada no Blog da APNEN: 25/02/2010

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Considerado um exemplo de superação.

Paraatleta novaodessense é convocado para treinamento da Confederação Brasileira de Tiro com Arco.




No dia 6 de fevereiro, o novaodessense Orlando Alves Rocha, arqueiro da equipe Arco, de Campinas, recebeu uma convocação especial e mostrou que a inclusão social existe também no esporte de alto nível. Treinando na modalidade tiro com arco e flecha há dois anos, o atleta foi convocado pela Confederação Brasileira de Tiro com Arco para participar do treinamento oficial da seleção brasileira paraolímpica, de 6 a 15 de março, em Brasília.

Considerado um exemplo de superação, em 2006 Rocha sofreu graves problemas de saúde, ficando hospitalizado por 6 meses e outros 5 meses acamado. Após quase um ano, começou a utilizar cadeiras de rodas e logo após, andador. Em 2008, o paraatleta iniciou os treinamentos e, no mesmo ano, já participava de competições paraolímpicas oficiais pela categoria standard.

“Durante todo esse período, vi no esporte a minha reabilitação e o melhor remédio para minha auto-estima. Esse convite foi uma grande surpresa e as expectativas são as melhores possíveis. Espero trazer bons resultados para a minha equipe, para Nova Odessa e para o Estado”, contou o atleta.

Para o técnico da Arco, Jener Takeshi Sato, a modalidade é igualitária e dá exemplo de inclusão social. “No tiro com arco e flecha não existe diferença entre a linha de tiro ou equipamento entre um arqueiro e outro. Todos, tanto andantes quantos os deficientes, como amputados e paralíticos da categoria standard, quando não possuem firmeza nas pernas, ou os arqueiros sem visão alguma – todos disputam juntos”, contou o técnico.

Segundo atleta paraolímpico, “é possível a inclusão através do esporte”. Já para o coordenador de Esportes e Lazer, Eduardo Mota, o próprio atleta é a prova disso. “É emocionante ver o exemplo que é o Orlandinho. Ele é um grande exemplo de que o esporte é importante para sociedade e prova que inclusão social não só é possível, como também existe de fato”, disse Mota.

“É possível termos um mundo sem exclusão de pessoas. Mas, para que isso aconteça, precisamos de incentivadores e pessoas que estejam prontas a contribuir. Esperamos que o Orlandinho tenha muito sucesso”, finalizou Mota.

O coordenador lembrou que, desde 4 de setembro de 2006, Nova Odessa possui a lei nº 2173, que “Dispõe sobre a instituição do Fundo de Apoio ao Esporte e dá outras providências”, e convidou as empresas privadas do município a se aliarem a luta pela inclusão social e incentivo ao esporte.


Nayara de Oliveira

Leia mais sobre a lei em:
http://www.novaodessa.sp.gov.br/LegislacaoConteudo.aspx?IDLei=2165

Matéria postada no Blog da APNEN: 24/02/2010

Escolas têm resistência a deficientes

Baixos índices de inclusão em unidades públicas do Estado traduzem, não exclusivamente o despreparo da rede, mas o desinteresse de profissionais.

A resistência de diretores e professores das escolas públicas é uma das principais causas dos baixos índices da inclusão dos deficientes no ensino regular. Grande parte dos trabalhadores da educação não quer alunos com deficiência, mesmo com a limitação legal de 18 estudantes "normais" e dois deficientes para cada sala.

Na rede pública estadual, que em 2010 tem 400 mil alunos matriculados, atende somente 5,5 mil deficientes em escolas e outros 5,5 mil em instituições de assistência social conveniadas, como APAE e Pestalozzi.

Experiências relatadas por famílias, constatações do Conselho dos Direitos da Pessoa com Deficiência e do grupo de apoio em saúde para portadores de deficiência, assim como situações nas próprias unidades escolares contadas por professores, apontam o grau de rejeição das escolas.

"O professor assusta com o diferente e não quer ter mais trabalho, por isso, não aceita alunos com deficiência", critica o presidente do Conselho, Heron Carlos de Sousa. Por causa dessa situação, diz, o discurso é o mesmo há mais de 20 anos. "É sempre a falta de preparo, mas sabemos que os profissionais que mais passam por capacitação são os da área do ensino", argumenta Heron.

Sem encontrar a abertura ou recepção esperada e com um pouco de comodismo, os pais, acrescenta ele, acabam optando por deixar o filho em instituição assistencial com atendimento integral onde, pelas as próprias funções, o ensino não é a atribuição prioritária.

Além de não acreditar no potencial do filho, as famílias têm medo do que pode acontecer com a criança na escola. Entretanto, ao contrário do que se pensa, no geral não há discriminação por parte de outra criança, mas não se pode dizer o mesmo do adulto, diz o presidente do Conselho.

Pai de um adolescente (de 14 anos) portador de síndrome de Down, Heron Sousa criou, em 2007, o Conselho do Deficiente em Cuiabá. Com formação em psicopedagogia, preferiu manter o filho em escola da rede privada, mas trabalha pela inclusão dos deficientes de outras famílias nas escolas públicas.

Há alguns anos psicopedagos e outros profissionais do Centro de Reabilitação Dom Aquino Corrêa, órgão da Secretaria Estadual de Saúde, criaram um grupo para acompanhar o desenvolvimento de alunos com deficiência nas escolas. O coordenador Vitor Leite diz que perceberam a necessidade de fazer esse trabalho porque o atendimento em saúde dos alunos com deficiência de aprendizagem não estava sendo produtivo pela faltava da complementação das escolas. "O projeto de inclusão é maravilhoso, mas, na prática, não acontece" lamenta, observando que as universidades que formam professores não preparam esses profissionais para lidar com o diferente.

A dona-de-casa Selma dos Santos, mãe de Raiane Toroto, de 18 anos, portadora de deficiência mental, sentiu e ainda sente que a filha é rejeitada. Nas primeiras duas escolas públicas que matriculou Raiane, perto de onde mora, logo foi obrigada a tirá-la por orientação das próprias instituições, que alegaram falta de preparo e condições para recebê-las.

Somente na Escola Estadual Fenelon Müller, no CPA III, onde a filha foi aceita e estudada há mais de cinco anos, Selma diz que houve acolhimento. "Ela foi recebida com um abraço" diz. Moradora do bairro Nova Conquista, Selma passou um ano levando a filha a pé, por mais de dois quilômetros, porque precisaria tomar dois ônibus para chegar à escola. Agora, conta com a ajuda de um irmão para deixar Raiane e da filha Carolina, de 19 anos, para apanhá-la em uma motocicleta que acabou de comprar.


Diário de Cuiabá
Cuiabá, 23/02/2010

Matéria postada no Blog da APNEN 24/02/2010

Recusas geram dificuldade e Seduc tenta contornar

Escolas criam dificuldades para aceitar deficientes físicos.

O professor Marcino Benedito de Oliveira, subgerente de Educação Especial na Secretaria Estadual de Educação (Seduc), diz que muitas escolas criam dificuldades para receber alunos deficientes. "É um embate constate com as escolas", completa.

Essa recusa, diz, acaba gerando uma série de problemas e outras demandas, como a de transportes com os alunos estudantes para instituições mais distantes de suas residências.

Entretanto, Oliveira reconhece que esses não são os únicos problemas da inclusão. A migração das famílias, de cidade ou de um bairro para outro também traz prejuízos gerando demanda reprimida de transportes.

Marcino Oliveira, que é cego, tem 40 anos e se formou em Pedagogia, acredita que as instituições de educação já evoluíram bastante na aceitação e no atendimento dos deficientes. Antes, diz, o aluno ingressava na escola pela raça, força e vontade própria. Hoje, tem as garantias legais.

O subgerente da Seduc assegura que o governo do Estrado, por meio da Secretaria de Educação, vem ser esforçando e tem conseguido trabalhar a inclusão. Segundo ele, existe uma política específica para o setor, que trabalha a inclusão e faz o acompanhamento do aluno.

Além disso, sempre atendem as demandas apresentadas pelas escolas, pais ou instituições de defesa da pessoa com deficiência. No quadro de professores do Estado, informa, há 83 profissionais que atuam exclusivamente como intérpretes de libras nas escolas com alunos surdos. O Estado também dispõe do Centro de Apoio e Suporte à Inclusão (Casies).

A vice-presidente do Sindicato Estadual dos Trabalhadores no Ensino (Sintep), Jocilene Barbosa dos Santos, admite que há resistência dos professores, mas argumenta que ocorre por força do despreparo para lidar com os casos e por ser um trabalho relativamente novo.

Jocilene acha que, apesar de estar prevista na LDB (Lei de Diretrizes Básicas da Educação) desde 1996, os órgãos de educação pública demoraram a trabalhar a questão da inclusão nas escolas.



Diário de Cuiabá
Cuiabá, 23/02/2010

Matéria postada no Blog da APNEN: 24/02/2010

Projeto facilita acesso de pessoas com deficiência às praias do Litoral Norte

Ilhabela é a primeira cidade da região a receber essa iniciativa.

Um projeto da Secretaria Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência e da Associação dos Amigos dos Excepcionais quer facilitar o acesso dessas pessoas às praias. Na região, a primeira cidade a receber essa iniciativa é Ilhabela.

O sol brilha forte, o vento que balança as palmeiras é a brisa que espanta o calor de 32ºC. O mar é o protagonista deste espetáculo. A paisagem é conhecida. Mas será que dá para sentir tudo isso só com os olhos? Como é estar assim tão perto e tão distante do mar?

"Ficar longe e não poder tocar é difícil, é ruim e eu não quero pra ninguém, não", diz Luís Ferreira, marinheiro aposentado.

Ele perdeu uma das pernas por causa do diabetes. E depois disso, ficou dez anos sem visitar a praia.

"Tinha lebrança de tudo, dos meus companheiros no mar, de navegar novamente".

Em Ilhabela, o projeto coloca cadeiras especiais à disposição das pessoas com deficiência para chegar até a água.

E com uma cadeira especial lá vai o ex-marinheiro Luís. Ele entra com a cadeira no mar, até se soltar. Brinca feito uma criança. Junto com ele, estão outros cadeirantes. A água parece que acolhe, refresca, acarinha, diverte.

"Não tem sensação melhor, não tem explicação, dá mais prazer de você viver; só Ele mesmo é que pode mandar isso pra gente", diz emocionado.

Em Ilhabela as cadeiras especiais ficam até o dia 31 de março, aos sábados e domingos, na praia do Perequê.

O município que se interessar em ter uma cadeira adaptada deve entrar em contato com a Secretaria Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

A contrapartida é que a praia deve ser própria para o banho, ter acessibilidade para os cadeirantes e a presença de um facilitador, para acompanhar.



Vnews
Ilhabela, 23/02/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 24/02/2010

Estado deve fornecer medicamentos e fraldas a paciente com tetraplegia

O homem beneficiado sofre de atrofia muscular e desnutrição e não tem condições financeiras para sustentar seu bem-estar.

A Terceira Câmara Cível do Tribunal de justiça de Mato Grosso indeferiu o Recurso de Reexame Necessário e Apelação nº 90014/2009 interposto pelo Estado e manteve a determinação do ente público fornecer medicamentos e fraldas especiais a um paciente com tetraplegia. A câmara julgadora considerou o princípio da dignidade humana, já que o apelado sofre de atrofia muscular e desnutrição, além de não ter condições financeiras para aquisição do necessário para seu tratamento e bem estar. A decisão foi pela unanimidade.

Em Primeira Instância, o recorrido solicitou o fornecimento dos medicamentos fenitonia (pomada papaína) e suplemento nutricional Cubitan (uma caixa por mês), além das fraldas especiais. O Estado sustentou que embora tenha o dever de prestar assistência à saúde, deve proceder de forma ordenada, respeitando as políticas traçadas, sob pena de os atendimentos indiscriminados colocarem em perigo a vida de demais usuários do Sistema Único de Saúde. Aduziu que a Secretaria do Estado de Saúde, ao elaborar o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas, baseou-se em ampla e detalhada pesquisa científica, de forma que a prescrição de medicamento por médico particular não poderia sobrepor-se a esse documento. Afirmou que a disponibilização de recurso sem prévia autorização normativa afrontaria o artigo 167, inciso II da Constituição Federal.

O relator, desembargador Rubens de Oliveira Santos Filho, ressaltou que a saúde constitui direito fundamental assegurado a todos os cidadãos, cujo responsável é o Estado, que por meio de políticas sociais e econômicas, deve reduzir riscos de doenças e garantir acesso universal às ações e serviços de saúde, nos termos do artigo 196 da CF/88. O magistrado destacou que o recorrido foi vítima de arma de fogo, que lhe causou diversas sequelas, como quadro agudo de desnutrição, tetraplegia e atrofia muscular. Observou que o paciente não tem condições de adquirir os medicamentos e o Estado não apresentou similares para substituir os solicitados.

Em relação ao argumento de que a prescrição de remédio por médico particular não poderia ser acatada, consignou o relator que não pode sobrepor-se ao estabelecido em norma, já que o profissional que acompanha a paciente é quem detém as melhores condições de indicar o medicamento mais apropriado. Quanto ao custeio das fraldas especiais, o desembargador manteve a concessão, destacando que apesar de, em princípio o Poder Público não ter essa responsabilidade por não envolver risco de morte, a questão envolve o bem-estar físico, mental e social do paciente, conforme o princípio da dignidade da pessoa humana.

Quanto às despesas fora do orçamento previsto, o julgador grifou que não há descumprimento do artigo 167 da Constituição Federal, já que o direito à saúde se impõe ao Estado. Também participaram da votação o desembargador Evandro Stábile, revisor, e o juiz substituto de Segundo Grau Antônio Horácio da Silva Neto, vogal.

Jurid
Mato Grosso, 23/02/2010

Matéria postada no Blog da APNEN: 24/02/2010

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Ter filhos em duas rodas

O senso comum sugere que cadeirantes como a Luciana da novela não poderiam ser mães. Mas elas podem. E são. Conheça suas histórias comoventes.



A história vivida pela atriz global Alinne Moraes é baseada na vida da jornalista Flávia Cintra, tetraplégica, que teve os gêmeos Mateus e Mariana, de 2 anos e 7 meses. Ambos moram com a mãe em São Paulo.

A tetraplégica Luciana, personagem interpretada pela atriz Alinne Moraes na novela Viver a vida, da TV Globo, vai ficar grávida. Segundo o roteiro do autor Manoel Carlos (que está sujeito a mudanças de última hora), Luciana terá ao menos um filho do médico Miguel. Existe ainda a possibilidade de que ela venha a ser mãe de gêmeos. Uma das fontes de inspiração para a personagem Luciana é a jornalista paulista Flávia Cintra, de 37 anos, tetraplégica e mãe dos gêmeos Mateus e Mariana, com 2 anos e 7 meses. Flávia, que trabalha com palestras sobre inclusão e é consultora de Alinne desde maio de 2009, ajuda a atriz a se preparar para ser uma grávida em cadeira de rodas. Ela conta que, no início, a atriz tinha as mesmas dúvidas que outras pessoas. “Mas depois ela mergulhou neste universo e absorveu as emoções e reflexões vivenciadas por uma mulher cadeirante.” Flávia conta que, quando engravidou, houve um misto de espanto e incompreensão ao redor dela. “Como assim grávida? E de gêmeos?”, costumavam perguntar. Nem passava pela cabeça das pessoas que uma mulher numa cadeira de rodas poderia ter sexualidade ativa. Muito menos que ela viesse a ter filhos. Além do tabu sobre a sexualidade dos deficientes físicos, existe o desconhecimento sobre a capacidade dessas mulheres de gerar e criar. Talvez a novela ajude a desfazer esses mitos. Talvez não. O fato é que, no Brasil, os deficientes com mobilidade reduzida são 27% do total da população dos 25 milhões de deficientes físicos, ou seja, cerca de 6 milhões de pessoas. É o equivalente a uma cidade do Rio de Janeiro de pessoas com limitações para se locomover. Mas não se sabe muito mais sobre elas.O IBGE ainda não discrimina o gênero dos deficientes e, no próximo censo, previsto para este ano, isso também não deverá acontecer.

Essa população quase invisível namora, casa e tem filhos. As histórias desta reportagem são sobre mulheres “anônimas” que vivem a gravidez e a maternidade com seus medos e suas vitórias. Flávia, Tatiana, Ekaterini e Marcela simplesmente enfrentam o cotidiano, como grávidas e como mães. Flávia Cintra ficou tetraplégica aos 18 anos em um acidente de carro. Ela se lembra de que, logo depois do acidente, ainda no hospital, perguntou aos médicos se poderia engravidar. A resposta foi “sim”. Aos poucos, Flávia recuperou sua sensibilidade, o que permitiu que ela voltasse a ter prazer sexual. Namorou várias pessoas, até conhecer o pai de seus filhos. Depois de marcar o casamento, ela descobriu que estava grávida.


Aline Moraes, interpretando Luciana, na novela Viver a Vida.

“Quando eu soube, só conseguia chorar de alegria. Eu me senti a pessoa mais abençoada do mundo. Costumo brincar que foi o melhor acidente da minha vida.” Ao visitar o primeiro ginecologista, Flávia ouviu um sermão e a insinuação de que deveria fazer um aborto: “Ele me disse barbaridades”. Ela desconsiderou as palavras do médico e procurou a ginecologista e obstetra Miriam Waligora, do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Miriam lembra que uma de suas primeiras providências foi fazer exames para detectar o exato tipo de lesão medular de sua paciente – dependendo da vértebra afetada, isso determina a sensibilidade e a mobilidade da pessoa. Depois Miriam ensinou Flávia a observar suas secreções, a apalpar o abdome e a perceber os sinais da presença dos bebês. Flávia podia senti-los mexer em sua barriga. Ela também tomou uma medicação anticoagulante para evitar qualquer risco de trombose – mais elevado nos deficientes por falta de movimentação. A ginecologista afirma que o remédio não afeta o desenvolvimento do feto.

Flávia diz que não teve os problemas sérios que podem acometer as gestantes cadeirantes, como trombose, infecção urinária, escaras (as feridas na pele causadas pela pressão do corpo imóvel). Além de controlar o aumento de peso, todos os meses ela ia até a Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) para calibrar a almofada de sua cadeira. Ao acertar a calibragem, Flávia conseguiu impedir o aparecimento de escaras. Ela também bebia muito água para evitar infecção urinária, muito comum entre as mulheres que vivem sentadas. Passou tão bem que com seis meses de gestação foi sozinha a Buenos Aires numa viagem a trabalho. “Eu me sentia muito protegida e tinha certeza de que meus filhos iriam nascer bem”, afirma. A maternidade também tem trazido belas surpresas a Flávia. Ao aprender a engatinhar, Mateus e Mariana escalaram as pernas da mãe na cadeira de rodas para alcançar seu colo. Ela conta que não sabia se gritava de alegria ou pedia ajuda. Os gêmeos também começaram a andar de forma inusitada: seguravam na barra de ferro atrás da cadeira de rodas e empurravam a mãe. Nunca houve um momento de pânico, em que suas limitações físicas a impediram de acudir as crianças em necessidade? “Como eu conheço muito bem minhas limitações, nunca tive problemas para cuidar dos meus filhos”, afirma Flávia. “Sempre criei soluções antes que os problemas aparecessem.”

Mas será que as grávidas e as mães em cadeiras de rodas não questionam sua própria capacidade de cuidar dos filhos? Elas não estariam sujeitas, em grau muito maior, às aflições e aos pavores que cercam a gravidez e a maternidade? Marcela Cálamo Vaz, de 43 anos, paraplégica e mãe de duas crianças, Ricardo, de 10 anos, e Luís Felipe, de 5, viveu essas incertezas – “Será que vou conseguir trocar fraldas, será que vou conseguir colocá-lo sozinha no berço? E se eu derrubar meu bebê ou ele engasgar, quem virá para socorrê-lo?” – e conseguiu resolvê-las. “Não é fácil ser responsável por outras vidas. Não é fácil ser mãe de dois.” Ela conta que era mais difícil quando seus dois filhos eram pequenos. Às vezes ela tinha de ser rápida para apartar as brigas entre eles. Marcela não tem empregada. Ela dá aulas particulares de matemática e português em casa, faz o almoço das crianças, o lanche deles para a escola, recolhe os brinquedos e ainda lava a louça nos intervalos das aulas particulares.

A psicóloga paulista Tatiana Rolim fez faculdade e morou sozinha durante cinco anos. Agora está grávida de quatro meses.
A psicóloga paulista Tatiana Rolim, de 33 anos, paraplégica, está na fase de se perguntar como vai enfrentar a maternidade em duas rodas. Grávida de quatro meses, Tatiana tem uma história de vida ímpar. Quem não a conhece, rapidamente se impressiona com sua independência, sua determinação em viver e sua maneira articulada de falar. Ela ficou paraplégica aos 18 anos por conta de um caminhão desgovernado que a atropelou. Antes de se casar, morou cinco anos sozinha. Depois do acidente, Tatiana formou-se em psicologia, voltou a trabalhar como modelo e foi eleita, em 2004, uma das condutoras da tocha olímpica dos Jogos de Atenas. Por muito tempo, ela saía de sua casa às 7 da manhã em Franco da Rocha (periferia de São Paulo) para enfrentar três horas de transporte público até chegar ao trabalho, no bairro de Santo Amaro. Certa vez, um motorista de ônibus recusou-se a levá-la. Ela não teve dúvidas e jogou a cadeira de rodas em frente ao ônibus. Resultado: ela e o motorista foram parar na delegacia. Em 2001, ao entrar na faculdade de psicologia, Tatiana conseguiu que a direção da escola colocasse rampas para facilitar seu acesso às salas de aula. Com as mãos na barriguinha, ela diz esperar que seu filho seja tão determinado quanto ela.

Entre as várias conquistas de Tatiana depois de ficar paraplégica está o resgate de sua sexualidade. Em seu livro Meu andar sobre rodas (editora Scortecci), ela conta que um dos rapazes que se apaixonaram por ela dizia que não conseguia vê-la como uma mulher deficiente, porque isso significaria dizer que ela era um ser “assexuado, sem desejos, sem tesão”. Segundo um estudo sobre sexualidade e deficiência da psicóloga Ana Cláudia Bortolozzi Maia, do Núcleo de Estudos em Sexualidade da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o portador de deficiência pode levar uma vida sexual ativa. “As pessoas nem pensam que os cadeirantes fazem sexo. Muito menos que venham a ter filhos”, diz Ana Cláudia. Em sua pesquisa, ela constatou também que a maior parte dos deficientes deseja construir uma família. Mas Ana Cláudia faz um alerta às que querem ser “supermães”: “Ter filhos é uma decisão importante. Porém, é preciso não romantizar”, diz ela. Ou seja, elas precisam estar conscientes de que o sonho da maternidade é possível, mas as limitações de locomoção estarão sempre presentes.

Ekaterini já preparou uma logística à espera das gêmeas
Ekaterini Hadjirallis, filha de gregos e nascida no Uruguai, diz ter essa consciência e que por isso já montou um esquema para receber seus bebês. Ekaterini é paraplégica e está grávida de duas meninas. Por conta da gravidez das gêmeas, ela se mudou para o mesmo prédio da mãe em Brasília e pediu licença do trabalho. Psicóloga formada na Universidade de Brasília, ela trabalha no Tribunal Superior do Trabalho e diz que contará com a ajuda do marido, dos familiares e de uma babá para cuidar das crianças: “Estamos construindo uma logística”.

A pediatra Alice Deutsch, responsável pelo setor de neonatologia do Hospital Albert Einstein, diz que tanto a grávida como a mãe cadeirante sempre vão precisar de apoio adicional. A pediatra afirma que já viu situações delicadas com grávidas que sofreram lesão medular. Uma delas não sentiu as contrações e deu à luz, em um parto normal, a trigêmeos no quinto mês e meio de gravidez. Os bebês ficaram na UTI e sobreviveram. Apesar das cautelas, em nenhum momento a médica desencoraja a mãe com deficiência a realizar o sonho de ter um filho.

Um dos cuidados essenciais na hora do parto dessas mulheres é a anestesia – e por isso a importância de verificar o tipo de lesão medular que elas carregam. Apenas um neurologista pode fazer essa avaliação. Uma tetraplégica com lesão cervical precisa tomar cuidado especial, porque já sofre de limitação respiratória, dizem alguns médicos. Algumas pacientes paraplégicas recebem anestesia geral, outras a local. A obstetra Miriam diz que já realizou dois partos de paraplégicas com anestesia local. Uma delas desejava ver o filho nascer. Existem especialistas que defendem o parto normal para mulheres deficientes, como a terapeuta ocupacional americana Judith Rodgers, que sofreu lesão parcial cerebral e estuda pacientes com deficiência há 30 anos. Judith é autora do livro Mother to be: a guide to pregnancy and birth for women with disabilities (editora Demos, 1991), algo como Gestante: um guia para a gravidez e o parto de mulheres com deficiências. Ela disse a ÉPOCA que em seu livro “são citados casos de mulheres deficientes que tiveram parto normal sem fazer esforço”. Ela sustenta que um dos principais problemas na gravidez das deficientes é a falta de informação entre os profissionais de saúde. A pesquisa Pregnancy for women with spinal cord injury (Gravidez de mulheres com lesões medulares), coordenada pelo médico americano Phil Klebine, da Universidade de Alabama, publicada em 2000, oferece uma lista dos problemas que a grávida cadeirante pode vir a ter. Além de trombose e infecção urinária, podem surgir complicações respiratórias, espasmos musculares e até hiper-reflexia autonômica – um aumento severo dos estímulos do sistema nervoso que pode causar hipertensão e sudorese. No final do estudo, os médicos dão um recado: “Não deixe que amigos, familiares ou até médicos façam com que você não tenha um bebê”. E concluem: “Embora haja riscos de complicações relacionadas à gestação, você pode reduzi-los e administrá-los com cuidados de um pré-natal adequado e um planejamento apropriado”.

No mês de março, uma iniciativa inédita deverá acontecer em um hospital público em São Paulo: o primeiro serviço de atendimento à saúde da mulher com deficiência. O projeto piloto deverá começar em março no Hospital Municipal Maternidade-Escola de Vila Nova Cachoeirinha e deverá ser expandido para outros hospitais da rede municipal paulista ainda neste ano. A maternidade já recebeu dez camas especiais para exames ginecológicos, um mamógrafo para que a gestante faça exames sem sair da cadeira de rodas e uma espécie de guindaste para transferi-la da cadeira para a cama. Os funcionários da saúde do hospital (médicos, enfermeiros, terapeutas, psicólogos) deverão passar neste mês por um treinamento. “O médico que diz que uma paciente tetraplégica não pode engravidar está desinformado”, diz o ginecologista e obstetra Carlos Alberto Ruiz, diretor do hospital-maternidade. “Essa mulher não é diferente das outras. Muitas vezes, as limitações estão mais presentes é na cabeça das pessoas.”

Matéria da Revista Época - 19/02/2010 - Edição nº 614
Kátia Mello


Revista Época
22/02/2010

Matéria postada no blog da APNEN 23/02/2010

Inclusão queimada

Jogo de queimada, tão utilizado pelos professores de Educação Física do país, exclui crianças com deficiência, além de causar tédio em algumas das outras crianças.

Fabio Adiron

Dois fatos me chamaram a atenção na semana que passou. O primeiro foi relatado pela Rosangela Gera, contando que a Laurinha (sua filha que é cega) foi excluída de um jogo de queimada durante a aula de educação física na escola. O outro aconteceu aqui em casa, quando perguntei à minha filha o que tinham feito na educação física, e ela, com uma cara de desgosto, respondeu: teve queimada.

A Laurinha não pode participar do jogo de queimada, pois não vê quem detém ou onde está a bola. Minha filha não aguenta mais jogar queimada a cada aula de educação física e faz o possível para ser eliminada do jogo o mais rapidamente possível. O que não deixa de ser uma forma de auto exclusão.

Não sei exatamente o que se aprende nas faculdades de educação física desse país, mas imagino que, ao contrário do que acontece nas escolas, não deve ser somente as regras do jogo de queimada. Até entendo que é uma brincadeira que facilita a vida dos professores, não é necessária uma quadra, basta um terreno plano e uma bola. Também entendo que é um jogo que estimula a rapidez de movimento, a destreza, domínio e cooperação.

Mas será que os professores não percebem que não é um jogo adequado para todo mundo? (e nem estou me referindo somente às crianças com deficiência). Será que não reparam que as crianças se entendiam com o jogo depois de anos fazendo a mesma coisa? Ah sim… reparo que existe criatividade nesse campo. Algumas vezes jogam queimada de 3 bolas. Muito original.

Tirando o enfado das crianças sem deficiência, o que fazer então com aquelas que tem deficiência?

A essa altura do campeonato (para usar um termo esportivo), não é possível que os profesores de educação física nunca tenham ouvido falar em inclusão. Também não deixa de ser verdade que, assim comos muitos outros educadores, ainda estão arraigados a práticas pseudo educativas cheias de preconceitos e focadas nas incapacidades das crianças (modelo deficitário).

Partem do princípio que as pessoas com deficiência são seres subnormais portanto deveriam ser encaminhadas para classes especiais, um tipo de segunda (ou será terceira) divisão da educação. Para que esse modelo caritativo não soe tão feio usam nomes como jogos especiais, paradesporto. Estão apenas dizendo que a criança não cabe no mesmo espaço das demais que podem ser atletas competitivos.

Esquecem que educação física é, antes de mais nada, educação. “As necessidades básicas das pessoas com deficiência são o reconhecimento e o direito de serem atendidas adequadamente. Eles têm os mesmos direitos que o resto das crianças: manipular, conhecer, experimentar, brincar, relacionar-se, sentir, emocionar-se, desfrutar, rir…viver. Não estamos falando de caridade: estamos falando de direitos de pessoas”.*

Claro que as atividades esportivas precisam ter algum objetivo além de escapar das boladas do adversário. Da mesma forma que um objetivo em educação física não é aquele que só é alcançado no jogo final de uma competição. Aliás, nem acredito que a educação física se limite a jogos competitivos, que seja apenas vencer quem está do outro lado. Por que é preciso existirem vencedores e perdedores? Será que não existem atividades físicas que desenvolvam um modelo cooperativo? Será que nenhum professor de educação física nunca pensou nisso?

Para isso é preciso olhar o mundo com outros olhos, não basta aplicar fórmulas prontas ou dividir os times para o jogo de queimada. É preciso ver todas as crianças como detentoras de direitos, inclusive o de participar da educação física. É preciso fazer com que a educação seja prazeirosa.

Nesse o momento, não existirão mais exclusões, nem das pessoas com deficiência, nem das que não tem deficiência. E a educação física será, de fato, educação de qualidade para todos.



Inclusive
22/02/2010


Matéria postada no blog da APNEN: 23/02/2010

Norma prevê mudanças em carros para portadores de deficiência física

O Denatran esclarece que é permitida a modificação em qualquer veículo para ser conduzido por pessoas com necessidades especiais.

O Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) esclarece que é permitida a modificação em qualquer veículo para ser conduzido por pessoas com necessidades especiais. A partir da publicação da Portaria 659, em 17 de dezembro de 2009, todos os veículos podem ser adaptados, inclusive os de carga, tração e os coletivos de passageiros, dando condições para que esses condutores possam exercer a profissão nas categorias “C”, “D” ou “E”.

O processo para permitir o exercício de atividade remunerada por condutores com necessidades especiais teve início em 2007, quando o presidente do Conselho Nacional de Trânsito/Contran, atendendo decisão do Juízo da 10ª Vara Cível de São Paulo, em ação promovida pelo Ministério Público Federal, publicou a Deliberação 61 em 17 de dezembro, retirando a vedação desse tipo de atividade para condutores com veículos adaptados com a revogação da Resolução 80/98. A Deliberação foi referendada pela Resolução 267/2008.

Apesar da edição da Resolução 267, havia ficado uma lacuna quanto a permissão das modificações nos veículos das categorias “C”, “D” ou “E”. Ou seja, o condutor com veículo adaptado poderia exercer atividade remunerada, porém não estavam previstas as modificações em veículos de carga, tração e os coletivos de passageiros.

Essa questão foi levantada pela Procuradoria da República do Estado de Pernambuco em 29 de junho de 2009, que solicitou esclarecimentos do Contran sobre os critérios em vigor para adaptação desses veículos. Segundo a Procuradoria, “embora o Contran tivesse retirado a vedação para que os deficientes físicos realizassem atividade profissional de condutor, permaneceu silente quanto às adaptações de veículos das categorias “C”, “D” e “E””.

Diante disso, o Denatran publicou a Portaria 659 em 17 de dezembro de 2009, alterando o anexo da Resolução 292/2008 para permitir a modificação em todos os veículos para serem conduzidos por portadores de necessidades especiais. Com a edição da norma, ficaram atendidas às determinações da Procuradoria da República do Estado de Pernambuco, bem como da Ação Civil Pública proposta pelo Ministério Público Federal do Estado de São Paulo. As informações são da assessoria.


Olhar Direto
22/02/2010
Matéria postada no Blog da APNEN: 23/02/2010

Programa de inclusão de pessoas com deficiência no trabalho será lançado quarta-feira

Programa que pretende enfrentar o preconceito que ronda a questão do deficiente no mercado de trabalho será lançado dia 24 em Osasco.

Da Acessoria

Com a presença dos principais parceiros voluntários o Espaço da Cidadania lançará o 3º Programa de sensibilização social e empresarial para colocação de pessoas com deficiência no mercado de trabalho nesta quarta-feira, dia 24.

Ele foi idealizado por um conjunto de sindicatos, empresas, entidades que atuam com pessoas com deficiência, escolas e órgãos públicos e visa enfrentar o preconceito cultural que ronda a questão, que ainda impede expressiva parcela da população ter acesso ao trabalho, direito previsto na Lei de Cotas e na Constituição Brasileira.

A Superintendência Regional do Trabalho de São Paulo e a Secretaria Estadual dos Direitos das Pessoas com Deficiência também são parceiros do Programa. O lançamento será na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região, que amparado em pesquisa com a Gerência Regional do Trabalho local comprovou que 30% das empresas do setor já estão contratando profissionais com deficiência em quantidade superior ao previsto na Lei de Cotas. O evento é aberto ao público.


Serviço
Lançamento do Programa dia 24/02/2010.
Horário: 9h00 às 11h00 (credenciamento terá inicio as 8h20 horas).
Local: Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região.
Endereço: Rua Erasmo Braga, 307 – Presidente Altino – Osasco.


Mais informações
E-mail: ecidadania@ecidadania.org.br
ou pelo telefone (11)3685-0915.



Espaço da Cidadania
Osasco, 22/02/2010

Matéria postada no Blog da APNEN 23/02/2010

Procuradoria eleitoral recomenda garantia de acessibilidade em locais de votação

A PRE-SP expediu pedido para que os membros do MPE verifiquem os locais de votação dos municípios em que atuam quanto à acessibilidade.

A PRE-SP (Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo) expediu na última quinta-feira (18/2) a primeira Recomendação de 2010, pedindo para que os membros do MPE (Ministério Público Eleitoral) em todo o Estado verifiquem os locais de votação dos municípios em que atuam quanto à acessibilidade.

Segundo o procurador regional eleitoral Luiz Carlos dos Santos Gonçalves, caso se faça necessário, os promotores estaduais devem tomar as providências cabíveis, a fim de garantir o acesso das pessoas com deficiências e com dificuldades de locomoção às eleições de 2010.

O texto da recomendação lembra ainda que a Constituição tem como objetivo fundamental a construção de uma sociedade sem preconceitos de qualquer tipo e que o Estado tem o dever de respeitar e promover as pessoas com deficiência.

No documento, o procurador também cita a Resolução TSE 21.008/2002, cujo texto já prevê que os juízes eleitorais devem criar seções eleitorais especiais destinadas a eleitores com deficiência.

A Recomendação PRE-SP 01/2010 pode ser conferida na íntegra pelo link http://www.presp.mpf.gov.br/index.php?option=com_remository&Itemid=192&func=startdown&id=691



Última Instância
22/02/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 23/02/2010

A REABILITAÇAO DA PESSOA COM LESAO MEDULAR -

LESÃO MEDULAR TRAUMÁTICA-CAUSAS EXTERNAS.


A incidência de lesão da medula espinhal vem aumentando de maneira significativa no últimos 20 anos.


No Brasil, embora não haja dados epidemiológicos nacionais organizados, a incidência da lesão medular vem aumentando, principalmente nos grandes centros urbanos.


A lesão da medula espinhal acomete pessoas jovens, predominantemente, na faixa etária entre 18 e 40 anos e do sexo masculino (5 homens para 1 mulher), sendo a principal etiologia, a traumática.


As causas externas que causam o TRM são ferimentos por arma de fogo (FAF), acidentes automobilísticos ou de trânsito, quedas de altura e mergulho em águas rasas.


Vale salientar que os ferimentos penetrantes por arma de fogo produzem lesões graves com perda de substância, fístulas, infecções e meningites.


O projétil causa danos aos tecidos por meio de três mecanismos: direto com destruição total dos tecidos nervosos, ondas de choque, cavidades temporárias.


É oportuno esclarecer que os acidentes com mergulho são comuns no Brasil dada à sua exuberante hidrografia e clima quente.


Quanto às quedas de altura, sobretudo na região sudeste, estão relacionadas à construção civil e às construções artesanais na periferia da cidade. Ainda, há os acidentes domésticos como queda do telhado, do muro, de árvore que têm ocasionando lesões medulares.


Os acidentes de trânsito envolvem colisão entre veículos e atropelamentos, principalmente nas metrópoles. O uso obrigatório do cinto de segurança trouxe resultados mais satisfatórios.


Atualmente, com o desenvolvimento crescente de esportes tradicionais e os considerados esportes radicais, temos verificado a ocorrência de trauma raquimedular entre atletas.


O aumento do número de pessoas com lesão medular traumática aponta para a necessidade premente de se instituir cuidados precoces voltados para a prevenção das complicações decorrentes da lesão neurológica.




Por
*Mancussi e Faro, Ana Cristina


*Doutora en Enfermagem. Profesora Livre Docente do Departamento de Enfermagem Médico-Cirúrgica da


Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. Brasil.


Fonte: Enfermaria Global pdf
http://revistas.um.es/eglobal

Matéria postada no Blog da APNEN: 23/02/2010

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Robô ajuda a tratar pacientes que não podem andar

O equipamento, o primeiro a chegar ao Brasil, é fabricado na Suíça, custa quase R$ 2 milhões e foi doado à Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), que não tem fins lucrativos.

Um robô está ajudando quem quer andar e não pode. Como todas as outras meninas de 8 anos, o que Giulia Castilho mais gosta de fazer é brincar. “Na escola, eu pinto, faço prova. Eu gosto de português”, avisa.

Ela tem paralisia cerebral, o que compromete a mobilidade. A menina se identifica com uma personagem da novela Viver a Vida. “Eu gosto da Luciana”, diz Guilia.

Luciana, interpretada por Aline Moraes, é uma modelo que sofreu um grave acidente e agora anda em cadeira de rodas. “O papel da moça da novela está sendo bem claro, bem otimista. E eu vejo que a Giulia meio que se compara”, conta a mãe de Giulia, Paola Castilho.

A rotina é puxada: ecoterapia, hidroterapia e fisioterapia três vezes por semana. Hoje, a Giulia vai experimentar um aparelho novo, e como toda novidade, ele vai dar mais ânimo aos pacientes e deverá acelerar o processo de reabilitação de quem tem dificuldade para andar.

O equipamento, o primeiro a chegar ao Brasil, é fabricado na Suíça, custa quase R$ 2 milhões e foi doado à Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), que não tem fins lucrativos.

“Ela encurta o tempo de terapia. Ela realmente traz um benefício bastante grande, ela é um elemento coadjuvante na terapia, mas que acelera bastante os resultados”, diz o diretor da AACD, Eduardo de Almeida Carneiro.

Primeiro o tronco é todo amarrado a um colete que suspende a pessoa. Depois, o aparelho reveste o paciente, dando suporte para os movimentos.

“Ela vai trabalhar a parte de força muscular e essa troca de passos que a gente precisa automatizar. Comprimento de passo, velocidade, cadência. São todas essas coisas que a gente trabalha na marcha”, explica a médica Alice Ramos.

O exercício estimula a musculatura e dá condicionamento físico. Pode encurtar o caminho para pacientes como Giulia e Edson Barbezan. Dois anos atrás, a bicicleta dele quebrou na estrada. No tombo, ele lesionou a medula.

“Na hora, que você sai dessa máquina a sensação é muito boa. É uma sensação de leveza. Eu espero que ela me leve ao lugar, onde eu comecei, como eu era antes”, diz o serralheiro Edson Barbezan.

Na tela, um vídeo simula nos movimentos que a criança faz durante o treino. “Então, eu vou associar movimentos que o paciente vai fazer no aparelho com os movimentos que vão aparecer na tela”, explica a médica.

A novidade faz sucesso! “Qualquer coisinha que ela faça, por menor que seja, para mim já é uma vitória”, comemora a mãe de Giulia, Paola Castilho.


http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1499531-15605,00-ROBO+AJUDA+A+TRATAR+PACIENTES+QUE+NAO+PODEM+ANDAR.html

Matéria postada no Blog da APNEN:22/02/2010

domingo, 21 de fevereiro de 2010

HERANÇA GENÉTICA E FATORES PSICOLÓGICOS PODEM CAUSAR O ALCOOLISMO

Doença também pode ter como causas a depressão, dificuldade de superar problemas e até a ejaculação precoce. Dia 18 de fevereiro teve início a Semana Nacional Contra o Alcoolismo.

Um dos maiores problemas de saúde do mundo, o alcoolismo, gera grandes prejuízos sociais e traz amplo impacto em diversos campos, desde custos médicos até o absenteísmo, que impacta na produtividade das empresas. Suas causas estão associadas direta ou indiretamente a questões genéticas e a questões psicológicas.

Segundo o psiquiatra da Beneficência Portuguesa de São Paulo, Dr. Carlos Augusto Galvão, a genética não só transfere o chamado "gene do alcoolismo", como também outras doenças que podem provocar a dependência. "Por ser um sedativo, o álcool traz conforto psíquico. Pessoas com depressão, pânico e disritmia cerebral podem apresentar predisposição para o consumo da droga.

A dificuldade em lidar com alguma questão social específica também pode causar a doença. O especialista explica, "desemprego, separação conjugal e falecimento de ente querido são casos comuns que geram o alcoolismo. Porém, existem outras razões que também podem provocar o vício, por exemplo, homens que sofrem de ejaculação precoce e se tornam dependentes do álcool pela droga auxiliá-los a ter uma relação sexual mais duradora."

Os familiares têm um papel importante no controle e melhora da doença, já que o alcoólatra tem muita dificuldade de aceitar o diagnóstico e, muitas vezes, torna-se agressivo. Segundo o psiquiatra os familiares dos dependentes devem ter cautela, pois têm maior predisposição a desenvolverem o alcoolismo. "Há uma maior incidência da doença em parentes diretos de alcoólatras.", alerta o psiquiatra da Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Efeitos colaterais

Segundo dados do Ministério da Saúde, 11% da população brasileira entre 12 e 65 anos apresentam quadro de dependência de bebidas alcoólicas. Galvão conta que o impacto do alcoolismo é tão grande que se calcula que metade da ocupação dos leitos dos hospitais são decorrentes de doenças ocasionadas pelo consumo excessivo do álcool, como cirrose hepática, hipertensão, diabetes e alguns tipos de câncer, além de acidentes de trânsito.

Para tratar a doença, o psiquiatra ressalta que o acompanhamento médico é essencial. "O momento de parar de beber é muito delicado. A interrupção brusca do consumo da droga pode gerar quadros de 'delirium tremins' associados a convulsões podem levar à morte. Por isso, um médico deve ser procurado para orientar o dependente e acompanhar o tratamento", afirma Galvão.


http://www.planetamedico.com.br/materias/?id=5423&t=1
19/02/2010 - Da Redação

Matéria postada no Blog da APNEN: 21/02/2010

A música que educa não depende só dos olhos

Um artigo sobre a contradição entre a tese de doutorado sobre Musicografia Braille, e a professora que passou num concurso público mas não foi aprovada por ser cega.


Jorge Márcio Pereira
Recebi, em pleno Carnaval, duas notícias importantes, ambas tratam da cegueira, mas são incongruentes. Uma eu já difundi, é a defesa de tese de doutorado, de Fabiana Bonilha, uma jovem cega, sobre Musicografia Braille, aprovada dia 10 na UNICAMP. A ela presto a minha homenagem elogiando sua tese: “Do toque ao som: ensino da musicografia Braille como um caminho para a educação musical inclusiva”.

Mas também terei de homenagear uma outra mulher. Uma mulher cega que conseguiu passar em um concurso público, como pedagoga, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Mas ela passou, venceu esta etapa, mas não levou,como dizem popularmente. Ela foi recusada como pedagoga pois, segundo a matéria, "não poderia,sendo cega, corrigir os cadernos" de seus (im) possíveis e invisíveis alunos. Telma é o seu nome, com sobrenome Nantes de Matos, e já está sendo providenciada a sua defesa, pois foi barrada na avaliação médica, após uma sonora risada profissional.

Ao meu colega médico que barrou a Telma envio minha orientação de que urgentemente se atualize. O que é válido para todos os outros profissionais de saúde do País. Já faz mais de 09 anos que a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, a CIF -2001, foi promulgada pela OMS, Ela deveria já ter sido incorporada pelos responsáveis por perícias, avaliações ou reprovações médicas,em especial nos serviços e concursos públicos. É preciso que o Estado, assim como os seus servidores públicos, assuma a sua posição de primeiro a cumprir e fazer valer as mudanças de paradigmas.

O modelo hoje reinvindicado por todos e todas que vivenciam uma ou mais deficiências é o chamado "Modelo Social". Este paradigma vem substituir o modelo biomédico e reabilitador. É um modelo que considera que as causas que geram as deficiências NÃO são de origem religiosas, míticas, e muito menos médicas. Repito o já dito: Deficiências não são Doenças...

É um modelo que aspira potencializar o respeito à dignidade humana, a igualdade de direitos, a não discriminação, a vida independente, e a acessibilidade universal. É o que faz com que uma pessoa cega, quando respeitada as suas diferenças e a sua diversidade funcional, possa estar em igualdade de exercício de funções sociais, quando rompidas as barreiras que o incapacitam, assim como o restante das outras pessoas consideradas videntes.

Ao afirmarmos o modelo social, ao qual incorporo a necessidade de um avanço estético-ético e político, devemos afirmar também que os direitos, em especial os Direitos Humanos, de todos e todas pessoas com deficiência é o cerne de quaisquer legislações e suas aplicações na vida social, como disse hoje cedo em entrevista telefônica para a Rádio Espaço Mulher, de São Paulo.

A música e a educação não são, e nunca foram, por si mesmas criações humanas ou espaços de aprendizagem excludentes, muito pelo contrário. Por isso uma Doutora em Musicografia Braille é tão importante como uma Pedagoga, dentro de uma visão inclusiva. A professora Nantes de Matos nos provará que, recebendo ajudas técnicas e outros auxílios, por exemplo um bom computador, poderá corrigir todos os cadernos e rabiscos de quaisquer alunos, com ou sem deficiência.

Porém, para que isso ocorra a Inclusão escolar não pode ser uma concessão. Deve ser um processo intrinsicamente ligado às políticas públicas , assim como um exercício de direitos. A educação e a música, sem discriminação ou exclusão, ao se superar a desfiliação social, tornam-se direitos humanos indispensáveis.

Eu escrevi este texto sem ficar todo o tempo olhando para o teclado. Assim como me deixei emocionar pela música de Joaquín Rodrigo, em seu Concerto de Aranjuez, com as cordas de um violão vibrante de Christopher Parkening me provocando. Precisava ouvir e sentir-me afetado, principalmente pelo belíssimo Adagio, tão popular como tema de milhares de propagandas que nos cegam e iludem para o máximo de consumo.

Mas o que me levou a este músico, pianista e compositor? É que Joaquín Rodrigo Vidre era um homem cego desde a mais tenra idade. É o compositor de uma das principais peças de música clássica mais executadas no Ocidente vidente. Ele é para os meus ouvidos e meu coração uma música que não depende só dos olhos, daí ter tentado uma escrita automática saindo direto de meu âmago, sem a vigilância do olhar.

Experimentem a ponta de seus dedos, sensibilizem-se com a possibilidade de tratar um teclado como se tocassem, incorporando um pouco de Joaquin Rodrigo, um piano imaginário. Um piano que a cada tecla tocada gerasse um som esclarecedor para os ouvidos/mentes dos políticos, magistrados, promotores, médicos e demais encarregados de reconhecer o direito de Telma, assim como o de Fabiana, de serem propagadoras de letras, partituras ou músicas que nos transformem em eternos aprendizes.


Texto publicado no dia 12 de fevereiro de 2010
InfoAtivo.DefNet
19/02/2010

Matéria postada no Blog da APNEN: 21/02/2010