sábado, 27 de março de 2010

Calçadas e acessibilidade

"De que adianta ter, por exemplo, um banco com rampas e elevadores acessíveis, se as calçadas, que são a principal forma de acesso a esses locais e aos meios de transportes, são inacessíveis?"

O artigo 5º da Constituição Federal estabelece o que se convencionou a chamar de direito de ir e vir de todos os cidadãos brasileiros. Ou seja, qualquer pessoa, livre ou não de deficiência ou mobilidade reduzida, deve ter o direito de poder chegar facilmente a qualquer lugar. A liberdade a que me refiro neste caso, é aquela que possibilitaria com que caminhássemos pelos passeios públicos sem nos deparar com desníveis, buracos, inexistência de ligação entre ruas e calçadas, rampas fora dos padrões, lixeiras, pontos de ônibus, bancas de jornais, bueiros destampados, ambulantes e pisos escorregadios.

Utopia ou não, o fato é que esses casos são ainda muito comuns nas mais diferentes cidades do Brasil. Nos países desenvolvidos a legislação de trânsito prioriza o pedestre facilitando sua travessia e forçando a redução da velocidade dos carros. No Brasil ocorre o contrário. O privilégio concedido aos automóveis chega a criar barreiras intransponíveis para quem está a pé.

Da mesma forma, nossos passeios públicos deveriam facilitar a circulação dos pedestres e possibilitar com que as pessoas com deficiência e seus familiares encontrassem menos ou nenhuma dificuldade para chegar até atendimentos de saúde, cinemas, igrejas, estabelecimentos comerciais, parques públicos, shows artísticos. Locais comuns e que devem ser frequentados por qualquer pessoa, mesmo aquelas sem condições ou com dificuldades de locomoção. Os passeios sem qualidade e os locais inacessíveis inibem a circulação dessas pessoas, levando-as ao isolamento, forçando-as a se concentrarem em espaços fechados e impedindo-as de sociabilizarem-se.

As calçadas são os ambientes mais democráticos que existem, já que impulsionam as atividades econômicas. Por meio delas chegamos ao trabalho, ao comércio, aos clubes, aos shoppings. A grande questão é que esses espaços, conforme determinam as leis, são de responsabilidade do proprietário do imóvel e talvez por isso nos deparamos com as mais diferentes situações: pisos inadequados, degraus, raízes de árvores, enfim, passeios deteriorados e, o mais grave, inacessíveis.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2000, apontam que mais de 14% dos brasileiros convivem com algum tipo de deficiência definitiva. Esse dado pode aumentar significativamente, se incluirmos aí os idosos, os obesos ou os deficientes temporários, como aqueles que estão com algum membro imobilizado, assim como os milhares que se acidentam diariamente no trânsito de nossas cidades. Um estudo do Hospital das Clínicas de São Paulo revelou que idosos e mulheres com sapato de salto alto são as duas vítimas mais comuns de acidades nas calçadas.

Os Ministérios Públicos e uma parcela significativa das prefeituras municipais têm feito cumprir as legislações que prevêem que prédios de uso público e coletivo possibilitem acesso a todas as pessoas. Mas, de que adianta ter, por exemplo, um banco com rampas e elevadores acessíveis, se as calçadas, que são a principal forma de acesso a esses locais e aos meios de transportes, são inacessíveis?

A calçada acessível deve atender aos critérios contidos na NBR 9050/2004, da Associação Brasileira de Normas Técnicas. Os Conselhos Regionais de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Creas), instituições que fiscalizam o exercício ilegal dessas profissões, há vários anos têm executado ações fiscalizatórias em parceria com os Ministérios Públicos Estaduais. Essas iniciativas, inclusive culminaram em ações práticas direcionadas a toda a população, como o Guia Prático para a Construção de Calçadas, elaborado pelo Crea de Mato Grosso do Sul, com o apoio de instituições públicas e privadas. De forma prática e, gratuitamente, o guia chega a todas as classes sociais levando informações atualizadas sobre legislações, pisos adequados, rebaixamento de guias, instalação de mobiliários urbanos e até mesmo as espécies de árvores ideais para esse fim.

Enquanto nos couber a obrigatoriedade de construir e reformar nossas calçadas ou enquanto os poderes públicos não colaborarem executando os passeios, assim como se faz com a pavimentação asfáltica, não cometeremos erros alegando ignorância, já que temos à mão mecanismos gratuitos para que respeitemos nosso semelhante.

A questão merece realmente muita atenção. Falamos das cidades que deixaremos para as próximas gerações. As soluções já nos bateram à porta. A construção de ambientes acessíveis deve ser cadeira obrigatória nos cursos de engenharia e arquitetura.

Os órgãos públicos devem fazer cumprir a legislação e, principalmente, os engenheiros e arquitetos são os responsáveis pelos ambientes construídos. Muito nos cabe e já é chegada a hora de se caminhar olhando para o horizonte e não para baixo, desviando dos obstáculos do caminho.


Fórum da Construção
26/03/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 27/03/2010

Projeto Acessa Fácil: parceria para praias acessíveis

Serão instaladas 139 esteiras que facilitarão o acesso de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida ao mar.

A Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência assina convênio hoje, às 16 horas, em Cubatão (SP), com a SABESP (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) para implementação do Projeto Acessa Fácil em todos os municípios da Baixada Santista. A SABESP repassará o valor de 3,8 milhões de reais para a AGEM (Agência Metropolitana da Baixada Santista), órgão vinculado à Secretaria de Estado de Economia e Planejamento.

A finalidade do recurso financeiro é desenvolver e executar obras necessárias para instalar 139 esteiras que facilitarão o acesso de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida ao mar. A consultoria técnica do projeto é da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

O coordenador de Programas da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Flávio Scavassin, participará da cerimônia de assinatura, representando a Secretária Dra. Linamara Rizzo Battisttella. Também participam o vice-governador do estado de São Paulo Alberto Goldman, o presidente da Sabesp Gesner Oliveira e a Secretária de Estado de Saneamento e Energia, Dilma Pena


SERVIÇO

ASSINATURA DE CONVÊNIO ENTRE SECRETARIA DE ESTADO DOS DIREITOS DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA E A SABESP

Dia: 26/03/2010
Horário: 16h00
Local: Rua Waldemar Luiz Martins, s/n
Bairro Afonso Schimidt - Sítio Capivari
Cubatão - SP


Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência
Cubatão, 26/03/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 27/03/2010

O poder do Nada

"Depois de muitos anos de cuidadosa observação, vemos que os adultos frequentemente tomam decisões sem ver o que a criança na verdade quer."

"Nada funciona!" Ouvimos frequentemente, de pais e profissionais. "Por mais que eu faça, o meu filho não brinca comigo; não interage; não imita sons ou ações; não faz nada novo ou criativo, não emite quaisquer sons diferenciados, não conversa comigo, não para de me irritar, não se comporta bem, nem demonstra o que sabe."

Depois de muitos anos de cuidadosa observação, vemos que os adultos frequentemente tomam decisões sem ver o que a criança na verdade quer.

Não dão à criança o tempo bastante para interagir. Fazem as coisas pela criança que ela mesma pode fazer. Não dão à criança o tempo bastante para responder.

Dê-lhe tempo para preparar a resposta. Permita que a criança seja criativa. Consiga que ela seja mais espontânea. Demonstre que você está interessada no que ela possa fazer. Permita-lhe liberdade para ser ela mesma. Ajude-se a ser um real parceiro.

Como poderá você fazer para "nada" funcionar para você? Espere silenciosamente até que a criança comece a interagir. Responda rápido e espere outra vez. Espere com um olhar de antecipação.

Faça uma coisa e espere pela vez de sua criança. O jogo é que cada um tenha a sua vez, alternadamente e, com o mesmo tempo de espera. Aguarde se você achar que ela pode oferecer mais.

Descubra que quanto mais você esperar, mais ela lhe surpreenderá com o que sabe. Quanto mais você esperar, mais você verá o que realmente motiva a criança. Consequentemente, fazendo "nada" ajudará você a conhecer melhor a sua criança.

Brinque algumas vezes sem falar, a menos que ela o faça. Saiba que ela precisa de tempo para saber o que fazer. Espere e se divirta com as surpresas que terá, à medida que espera.

Entenda que você não tem que fazer tudo; ela precisa fazer a metade. Entenda que sua criança aprende fazendo; assim, dê-lhe tempo para fazer. Aprenda que sua própria resposta lhe dirá mais sobre ela do que se respondesse ao que você espera.




Grupo 'Síndrome de Down'
26/03/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 27/03/2010

A via-crúcis nos ônibus do Rio

Desafio vivido ontem por Luciana na novela é rotina de cadeirantes, que sofrem com despreparo no transporte coletivo.

A cadeirante Luciana, personagem de Alinne Moraes em ‘Viver a Vida’, começou a passar ontem por aventura que milhares de homens e mulheres na mesma situação são obrigados a enfrentar todos os dias: (tentar) pegar ônibus nas ruas do Rio. Entre as dificuldades encontradas pela personagem, estão falta de rampas para atravessar a rua, mesas de bares espalhadas nas calçadas, carros mal-estacionados e poucos ônibus adaptados.

Ao menos neste caso a novela imitou a vida real. Esses e outros obstáculos foram flagrados ontem por O DIA, que levou o público Robson Goulart, 39 anos, para testar o serviço no trajeto do trabalho, no Centro, à sua casa, na Baixada. Ao contrário da milionária do horário nobre, que ‘escolhe’ viver essa experiência, ele não tem opção. Robson ganha um salário mínimo (R$ 510) e pega pelo menos 4 ônibus - e dois trens - para se deslocar todo dia. "É uma falta de respeito com os cadeirantes. Além das ruas esburacadas e da falta de rampas, a grande maioria dos ônibus ainda não está adaptada para nos levar", lamenta.

Ontem, a viagem-teste do cadeirante durou três horas. Nos quatro veículos de diferentes linhas e empresas em que ele conseguiu entrar, pelo menos um problema foi verificado: defeito no equipamento ou falta de treinamento do motorista. Sem contar as demais viações, que sequer pararam nos pontos para pegar o servidor público.

Se Robson conseguiu chegar ileso ao destino, foi graças à boa-vontade de motoristas e passageiros, coisa que ele garante não ser lá muito comum: "Normalmente eles sequer olham para a gente, ficam reclamando por estarmos ‘atrasando’".

Segundo a Rio Ônibus, apenas 16% dos 8.600 ônibus da frota fluminense estão adaptados para deficientes.


O CALVÁRIO DE TODO DIA


C10 (TRANSURB)
Robson chegou às 16h20 ao ponto final, na Central, e levou 20 minutos até achar um motorista que soubesse operar o elevador de cadeirantes. No primeiro veículo, a condutora não tinha a chave que aciona o controle. No segundo, o elevador emperrou, mas o motorista Rodrigo de Jesus deu uns pulinhos em cima do equipamento e ele funcionou: "Trabalho aqui há quase dois anos e nunca tivemos treinamento, foi o próprio Robson quem me ensinou a operar o elevador", admitiu. Detalhe: o cinto de segurança estava quebrado.

1136 (EXPRESSO PÉGASO)
Depois de aguardar cerca de 15 minutos até um ônibus adaptado parar no ponto da Av. Presidente Vargas, Robson ainda teve de ensinar o motorista Francisco Ribeiro a operar o elevador, o que levou 8 minutos. "É fácil, mas temos de ter muito cuidado para ele não cair na calçada", explicou Francisco, que também não recebeu treinamento.

SANTA CRUZ (ALGARVE)
Dois ônibus da linha - ambos com adesivo que os identificava como adaptados - foram parados pelo cadeirante na Av.Brasil e não tinham elevador nem espaço reservado para deficientes.

541 (N. S. PENHA)
Às 19h, ele pegou o último ônibus do trajeto, mas teve de ensinar o condutor a operar o elevador. Não havia cinto de segurança.

Comentário da APNEN: Cada vez mais presenciamos a falta de respeito aos direitos adquiridos das Pessoas Portadoras de Deficiência, as autoridades responsáveis, devem tomar as devidas providências, e fazer com que as leis sejam cumpridas.


O Dia
Rio de Janeiro, 26/03/2010
Data da notícia: 23/03/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 27/03/2010

Palestra sobre Síndrome de Down discute inclusão social

Evento teve como tema "A criança com Síndrome de Down na família e suas atenções"

Em comemoração ao Dia Internacional da Síndrome de Down, o Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência (CMPD) de Taboão da Serra promoveu uma palestra na segunda-feira, 22, no auditório do Santuário Santa Terezinha. O tema do evento foi "A criança com síndrome de down na família e suas atenções".

A palestrante foi a escritora, mestre em educação e fonoaudióloga, Márcia Honora, que é responsável também pela revista Ciranda da Inclusão, publicação especializa. De acordo com Márcia é preciso vencer o preconceito. "Quando nasce uma criança especial na família, os pais custam a aceitar. É preciso acabar com o mito que o downismo é uma espécie de castigo para os pais, isso não existe. A Síndrome de Down é um erro genético que acontece em um a cada 700 nascimentos e as famílias só precisam cuidar com atenção, amor e carinho do filho, assim como qualquer criança", explica Márcia.

Uma das espectadoras na plateia era Sheila Pereira Pascoal, mãe de Luiz Sergio de 2 anos. Sheila fez questão de dar seu depoimento e contar que encarou com naturalidade quando os médicos avisaram que seu filho tinha a síndrome. "Confesso que fiquei tranquila, meu filho só me dá felicidade. Mas as pessoas ainda tem muito preconceito, porque se fala muito em inclusão social, mas na prática não é isso que acontece", desabafa.

Para o presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência (CMPD), Josemar da Luna, o papel do conselho é mobilizar a população para discutir e refletir sobre as questões que envolvem o dia a dia das pessoas com deficiência, além de propor soluções e cobrar medidas do poder público. "Através de reuniões e palestras como essa, levamos o conhecimento para as pessoas e ao mesmo tempo temos a chance de conhecer e conviver com aqueles que enfrentam as mesmas dificuldades que nós".


Inclusão nas escolas

Em Taboão da Serra há cerca de 300 estudantes com necessidades educacionais especiais na rede regular de ensino, inclusive portadores de síndrome de down, que são acompanhados por uma equipe multidisciplinar composta por psicólogos, pedagogos e pediatra que ajudam na integração dos estudantes.

Para atender também os adultos com necessidades especiais, a Prefeitura de Taboão da Serra possui parcerias com entidades especializadas, a Associação dos Deficientes e Taboão da Serra (ADT) e a Associação Pró Trabalho Ocupacional para Deficientes (APTO). Além disso, através do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência, a sociedade pode se organizar, discutir políticas de inclusão e sugerir ações para beneficiar a todos.

Serviço

Associação dos Deficientes de Taboão da Serra- ADT
Rua Ida Romussi Gasparinete, 126 - Parque Laguna
Tel: 4135-1858

Associação pró Trabalho Ocupacional para Deficientes- APTO
Rua Pedro Borba, nº 198- Jd. Maria Rosa
Tel: 4788-0787/4135-4911

Secretaria de Educação
Rua Elizabetta Lips, nº 166 - Jd. Bontempo
Tel: 4788-5822

Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência
Sede: Secretaria de Assistência Social e Cidadania
Endereço: Rua Luís Carlos Ventura, 79, Jardim Mituzi
Tel: 4138-8040


O Taboanense
Taboão da Serra, 26/03/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 27/03/2010

Necessidades Especiais: a deficiência está nas empresas

Para avançar na questão "integração do deficiente visual" no mercado de trabalho, é necessário mudar o foco da análise atual vigente que analisa a deficiência sob um ponto de vista restritivo.

De acordo com os doutores Luis Gustavo Ribeiro e Leo Carvalho da Clínica de Olhos, conhecer e definir a pessoa portadora de deficiência do ponto de vista médico, social e profissional é uma tarefa multidisciplinar, cuja gestão se dá não pelos profissionais internos da área de saúde, mas pelo sistema de gerenciamento do capital humano: os administradores das empresas.

"É a área de Desenvolvimento de Pessoal que deve dar as cartas", diz o doutor Leo Carvalho. "É ela a responsável pelo potencial humano e a área competente para promover as habilidades de cada profissional, qualquer que seja ele".

"Sistemas e procedimentos internos que permitam o desenvolvimento de habilidades do portador de deficiência devem ser desenvolvidos e otimizados na estrutura empresarial", conclui Luis Gustavo "Por outro lado, é necessário conhecer qualificações, para que a atuação do deficiente visual seja de interesse na empresa. "Ele deve ser, como qualquer outro, um profissional competente".

A ótica das restrições é uma postura antiquada é exatamente o que não deveria existir num cenário empresarial moderno.


Dados

Segundo a Organização Mundial da Saúde, existem aproximadamente 180 milhões de deficientes visuais no mundo, destes 45 milhões são totalmente deficientes e 135 milhões tem baixa visão. A previsão da OMS é que até 2020 esse número deve dobrar. Atualmente cerca de 80% das crianças diagnosticadas como deficientes visuais podem ter alguma visão útil.

No público infantil, a OMS indica que a prevalência de cegueira infantil em países em desenvolvimento é de 1/1,5 por mil e a de baixa visão é três vezes maior.

Já no Brasil, segundo o IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, no Censo de 2000 foram identificadas 148 mil pessoas totalmente deficientes visuais e 16 milhões que possuem visão parcial ou baixa visão, que significa que enxerga no mínimo três vezes menos que uma pessoa com visão normal

Neste contexto é importante destacar que o mercado de trabalho precisa se preparar para receber essas pessoas, que estão cada vez mais conquistando seu espaço. Porém, é importante além de oferecer oportunidades de desenvolvimento, aprimorar exames e tratamentos para crianças que trazem algum problema.

De qualquer forma é importante que as empresas tenham essa visão.


Incorporativa
São Paulo, 26/03/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 27/03/2010

sexta-feira, 26 de março de 2010

Pessoas com deficiência fazem protesto contra falta de acesso aos estádios da Copa do Mundo

Manifestação foi realizada em Joanesburgo, África do Sul. Representantes das pessoas com deficiência entregaram reivindicações ao Comitê Organizador da Copa.



Para protestar contra a falta de acesso para os deficientes físicos nos estádios da próxima Copa do Mundo, na África do Sul, membros da Aliança de Deficientes da África do Sul (Sa'adah) fizeram uma manifestação nesta quinta-feira, 25 de março, queimando pneus e rodas em frente ao estádio Soccer City, em Joanesburgo.

“Queimamos rodas porque elas são nossa mobilidade, mas não podem nos levar aos estádios”, disse Ari Seirlis, membro da Sa'adah, à agência local de notícias "Sapa". Segundo Seirlis, o gesto simbolizava a frustração dos deficientes por não poder assistir aos jogos da Copa, mas não houve pretensão de incitar a novos protestos. “Queremos estar ali, queremos ser parte da ação, mas os estádios não estão preparados para nos acomodar”, afirmou.

Vários membros também protestavam no estacionamento em frente à sede da federação sul-africana de futebol. Lá, entregaram um memorando com reivindicações a Danny Jordaan, diretor-executivo do Comitê Organizador da Copa.

Após receber o memorando, Jordaan disse que se reuniria com o representante da Sa'adah no próximo dia 31 para discutir as reivindicações.

Fonte: agências de notícias Joanesburgo
Matéria postada no blog da APNEN: 26/03/2010

Violência sexual contra jovens com deficiência é preocupação de instituições

O abuso sexual contra jovens com deficiência é um tema pouco abordado e que ainda conta com dados específicos. Políticas públicas começam a ser pensadas.

Muito tem se falado de abuso sexual contra crianças e adolescentes no Brasil, atualmente. No entanto, a violência sexual contra jovens com deficiência ainda é um tema invisível. Instituições do Distrito Federal que trabalham na inclusão de pessoas deficientes aderem políticas públicas visando combater o problema. Elas relatam os vários fatores de dificuldades no combate ao crime. O principal deles é a falta de denúncias.

De maio de 2003 a julho de 2008, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH) da Presidência da República, registrou por meio do disque 100, cerca de 2.800 denúncias de violência contra pessoas com deficiência no Brasil, das quais 2.500 foram contra crianças e adolescentes. No entanto, o abuso sexual contra jovens com deficiência é um tema tão pouco abordado que ainda não existem dados específicos sobre o fenômeno. Os registros do Disque 100 incluem qualquer tipo de violência, como – além de abuso sexual -, negligência, maus tratos e violência psicológica.

Preocupados com esse fator e com a falta de debates sobre o problema, o Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência (Conade) e o Conselho Nacional do Direito da Criança e do Adolescente (Conanda), órgãos da SEDH, colocaram o assunto em pauta para debater a implantação de políticas públicas para combater o problema. Contudo, as organizações relatam que o problema é difícil de ser diagnosticado. “São poucas as denúncias, algumas chegam por e-mail, mas, não existe um quadro oficial. Normalmente essa violência é contra a criança com deficiência intelectual, outro fator que dificulta detectar o abuso”, relata Isaías Dias, vice-presidente do Conade.

Segundo Dias, ação de política pública é o principal fator para combater o abuso sexual contra jovens portadores de deficiência. “O Conade, em ação conjunta com o Conanda, tem o objetivo de trabalhar em uma linha de campanha no sentido de traduzir o retrato de como combater o crime com políticas públicas” afirmou. “Estamos trabalhando também com outros conselhos para promover ações também para a proteção das pessoas portadoras de deficiência que sofrem esse tipo de exploração, mas é preciso trabalhar a própria consciência da sociedade para que esses casos diminuam”, completou.

Uma das dificuldades no combate a esse tipo de violência é que, na maioria das vezes, eles ocorrerem no meio familiar. “O convívio mais restrito das vitimas, muitas vezes dentro apenas de quatro paredes sem contato com outras crianças e adolescentes é outro fator que dificulta a denúncia e o torna mais vulnerável”, afirma.

Segundo Fernando Cotta, coordenador da Inclusão da Pessoa com Deficiência (Corde-DF) da Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejus), o assunto é muito grave, mas, ainda pouco abordado. “A Corde realiza programas de palestras de sensibilização a respeito do assunto, mas, para muita gente a questão ainda é um tabu, muito aquém da realidade. Principalmente, porque é muito difícil de detectar”, enfatizou.

Fonte: Tribuna do Brasil (Sulamita Rosa) e Inclusive

Matéria postada no blog da APNEN: 26/03/2010

Seminário sobre Dia Municipal da Educação Inclusiva

Seminário ocorrerá no dia 14 de abril, no plenário da Câmara Municipal de São Paulo.

Claudia Varella

Pela primeira vez, a cidade de São Paulo celebra o Dia Municipal em Defesa da Educação Inclusiva, cuja data (14 de abril) foi instituída pela Lei 15.034, de iniciativa do vereador Floriano Pesaro. Para comemorar a data, os vereadores Floriano Pesaro e Mara Gabrilli promovem na Câmara Municipal uma Sessão Solene, reunindo especialistas para debater as diversas possibilidades para uma educação inclusiva. A cerimônia será no dia 14 de abril, das 8h30 às 12h30, no plenário da Câmara Municipal.

“Comemorar esta data significa incluir este tema na agenda política da cidade, em consonância com as ações do Sistema Conselho de Psicologia, composto pelo Conselho Federal de Psicologia e 17 Conselhos Regionais, reforça a conceituação de Educação Inclusiva, incorporando ao processo os indivíduos deixados à margem do processo educacional brasileiro”, ressalta o vereador Floriano Pesaro.

“Desejamos que, em um futuro próximo, eventos como esse não sejam mais necessários, já que o planejamento pedagógico de cada escola atenderá às necessidades e possibilidades de cada aluno e assim, teremos uma educação mais condizente com as necessidades do nosso tempo”, completa a vereadora Mara Gabrilli.


Programação

8h: Café
9h: Abertura e Mesa das Autoridades
10h15: Mesa1: Os desafios da Educação Inclusiva

Palestrantes:
Dr. Lino de Macedo (área escolar)
Dra. Maria Cristina Kupfer (dia a dia das instituições)

Mediadora: Eliana Almeida
Testemunhos - Neivaldo Zovico e Rodrigo Mendes

11h15: Mesa 2: Experiências Escolares

Palestrantes:
1) Escolas Particulares (Alecrim e Bandeirantes)
2) Silvana Drago - Representante da Secretaria Municipal de Educação
3) Maria Elizabete da Costa – Diretora do CAPE/ Serviço de Educação Especial da Secretaria Estadual de Educação
4) Claudinei Radica – EMTU

Mediador: Guilherme Bara

12h30: Encerramento – vereadores Floriano Pesaro e Mara Gabrilli


Floriano Pesaro
São Paulo, 25/03/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 26/03/2010

Derrubando Barreiras pela informação

"Quando temos acesso a um determinado conteúdo nos sentimos mais livres para buscarmos o que precisa ser feito."

Mara Gabrilli

Você já imaginou algum momento da sua vida em que não existisse sequer uma maneira para se comunicar? Eu posso falar por experiêcia própria o quão difícil é conviver com o silêncio forçado. Digo isso porque ao sofrer o acidente, que resultou em minha tetraplegia, fiquei um bom período sem poder falar. Comunicava-me somente com meus olhos, por meio de uma tabela com as letras do alfabeto.

Pense desde a época de criança, dos rabiscos no caderno, até o momento em que você estava apto para se comunicar efetivamente, utilizando uma série de recursos tecnológicos. Sem dúvidas, a informação é um poderoso instrumento que nos leva a conclusões imprescindíveis em qualquer período de nossa trajetória. Seja ela rápida ou memorável. Para uma pessoa com ou sem deficiência.

Quando penso em informação, vem à minha mente liberdade. O ato de estar informada me deixa livre para desenvolver meu trabalho, saber o que ainda precisa ser feito, buscar pessoas, agregar ideias e me livrar de conceitos errôneos. Já teve aquela sensação maravilhosa de quando recebe uma notícia boa? Ou quando fica sabendo de algo que desconhecia e isso muda a sua maneira de pensar sobre várias coisas? Parece "midiaticamente" mágico, mas quando temos acesso a um determinado conteúdo nos sentimos mais livres para buscarmos o que precisa ser feito. Comigo funciona assim. Pena que ainda não posso te informar (olha a bendita informação de novo) que esse fluxo comunicativo faz parte da vida de todas as pessoas com deficiência no nosso país.

Há algum tempo quando inaugurei meu portal com informações sobre meu trabalho, fiz questão que pessoas com deficiência visual ou auditiva também tivesse acesso ao conteúdo informativo. Para que isso se realizasse não foi preciso grandes investimentos em tecnologia. Hoje, já existem diversos recursos, inclusive gratuitos, que dão acesso a leitura para uma pessoa cega. O resultado deste empreendimento chega a cada dia, quando recebo e-mails, visitas e telefonemas de várias pessoas que agora se sentem um pouco mais inclusas na sociedade. Eu sabia que isso era só o inicio de tudo. E que outras notícias boas viriam.

Recentemente, o Instituto Mara Gabrilli, no qual sou presidente, em uma parceria inédita com a Espiral Interativa, inaugurou o primeiro portal de noticias dirigido para pessoas com deficiência no país. O Vida Mais Livre permite, por exemplo, que as pessoas com deficiência visual ouçam as reportagens com a ajuda de tecnologias assistivas como os leitores de tela. E pessoas com deficiência auditiva podem ler as transcrições dos conteúdos em áudio e vídeo. E a melhor noticia é que além de acessibilidade, o portal oferece conteúdo direcionado tanto sobre temas concernentes a deficiência, quanto dicas de lazer e entretenimento.

Para quem tem acesso a qualquer conteúdo informativo, o projeto pode não parecer audacioso. Mas para mim e milhares de outras pessoas com deficiência isso não representa apenas uma nova opção para se informar, é uma ruptura de valores culturais e econômicos. É um olhar sagaz para algo que ainda não haviam percebido: a pessoa com deficiência como público alvo de um veículo de comunicação.

Em 2008, a Convenção da ONU sobre os direitos da pessoa com deficiência foi ratificada pelo Congresso Nacional. Isso significa que todos os seus artigos, inclusive aqueles que dizem respeito à acessibilidade nos meios de comunicação, devem ser cumpridos. Infelizmente, não é isso que temos visto do Ministério das Comunicações, que vem protelando há alguma tempo a implantação da audiodescrição na tevê brasileira. Isso é apenas um exemplo de barreira informacional. Se pensarmos em todos os veículos de comunicação que existem, encontraremos mais uma muralha de obstáculos, que embora intangíveis, atrapalha milhares de pessoas de se divertir, trocar idéias, se informar, e principalmente, de cobrar pelos seus direitos. Integrar pessoas com deficiência na sociedade é permitir que elas tenham as mesmas oportunidades que qualquer outra. É dar igualdade de acessos. Pense em como você pode eliminar barreiras da informação. Divulgar este assunto é um ótimo começo! Você já fez a sua parte?


Derrubando Barreiras
São Paulo, 25/03/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 26/03/2010

Espeleoinclusão em parque estadual

Caverna do Diabo é avaliada, pela Sociedade Brasileira de Espeleologia, com o objetivo de se verificar a acessibilidade.

O Parque Estadual Caverna do Diabo, depois de ganhar, neste mês, um plano de manejo e melhorias em sua infra-estrutura, teve a visita da Comissão de Espeleoinclusão da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE). A intenção foi avaliar especificamente as estruturas de acesso aos Portadores de Necessidades Especiais (PNE’s) no interior da Gruta da Tapagem (mais conhecida como Caverna do Diabo).

Na próxima edição da Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade (Rea Tech), que acontece entre os dias 15 e 18 de abril no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo, a SBE vai apresentar o trabalho realizado na Caverna do Diabo. O objetivo é atrair parceiros para realização de estudos mais aprofundados ou a criação de equipamentos auxiliares para a visitação dos PNE’s nas cavernas daquela região do Estado de São Paulo.

Para a cadeirante Érica Nunes, que coordenou a comissão da SBE, “a caverna é uma beleza impressionante e já possui no interior algumas facilidades como iluminação artificial, espaço físico amplo e piso regular”, disse. Na área externa ela também algumas adaptações importantes como rampas no centro de visitantes e sanitários. A única ressalva, no interior da caverna, diz respeito a algumas escadas irregulares e em curvas.

Segundo o gestor do Parque Caverna do Diabo, Josenei Gabriel Cará, que acompanhou o trabalho da comissão da SBE, a questão da acessibilidade foi amplamente discutida durante a elaboração do Plano de Manejo Espeleológico. Para ele, a visita da SBE ao parque trará subsídios para os estudos de adaptações de acessibilidade aos PNE’s.


EPTV.com
Eldorado - São Paulo, 25/03/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 26/03/2010

Sexualidade, HIV/aids e deficiência: o que sua entidade está fazendo?

Uma conversa, que ocorrerá no dia 13 de abril, sobre ações desenvolvidas por sua entidade, Conselho ou Associação nas áreas da sexualidade, HIV/aids e deficiência.

O Amankay Instituto de Estudos e Pesquisas, em parceria com a Rede Atitude e com o CECCO Santo Amaro têm o prazer de convidá-lo (a) para participar de uma conversa sobre ações desenvolvidas por sua entidade, Conselho ou Associação nas áreas da sexualidade, HIV/aids e deficiência.

Data: 13 de abril de 2010

Horário: 13h00 às 17h00

Local: Casa de Cultura de Santo Amaro - Pça. Dr. Francisco Ferreira Lopes, 434

Vagas: 40 vagas

Essa reunião é uma etapa preliminar do projeto "Ações e reflexões sobre aids e deficiência: diferentes vozes", desenvolvido pelo Amankay com o apoio do Centro de Referência e Treinamento DST/Aids (Coordenação Estadual DST/Aids) da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo.

O projeto pretende discutir situações semelhantes vividas por pessoas soropositivas e pessoas com deficiência, coletar informações sobre projetos e ações que estão acontecendo e que possam contribuir para a prevenção e a assistência.

Para isso, queremos construir um processo participativo na cidade de São Paulo, envolvendo diversos atores e movimentos sociais: serviços especializados do Estado e do Município; Conselhos de Saúde, de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, Conselhos Tutelares, Conselhos de Defesa das Crianças e Adolescentes, Educação, Promoção Social, sociedade civil organizada, representantes do Poder Público, Universidades, formadores de opinião, meios de comunicação e outros.

Em maio haverá um Seminário final, para apresentar os resultados e discutir propostas.

Faça sua inscrição, apenas por e-mail: deficienciaids@gmail.com

As inscrições serão aceitas por ordem de chegada.


InfoAtivo.DefNet
Santo Amaro - São Paulo, 25/03/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 26/03/2010

Entidades realizam movimento em favor dos autistas na cidade de Dourados

No dia 1º de abril será realizada uma parada em favor dos direitos dos autistas, a partir das 8h na Praça Antônio João, e das 19h no Shopping Avenida Center.

O Grupo de Estudos e Apoio a Profissionais e Pais de Autistas (Geappa) e o Movimento Luta e Trabalho pelos Direitos dos Autistas (MLTDA) realizam no dia 1º de abril, evento em favor dos direitos dos autistas com uma parada que acontece a partir das 8h, na Praça Antônio João, e a partir das 19h no Shopping Avenida Center, em Dourados.

Entre os objetivos dos grupos está o de conscientizar a população e buscar o apoio na luta pelos os direitos dos autistas e reivindicar aos órgãos públicos que tais direitos sejam respeitados e atendidos.


Autismo

É uma disfunção neurológica que não tem cura e o melhor tratamento é a estimulação em todas as áreas. Sabe-se que ele afeta o desenvolvimento relacionado à comunicação, interação social e imaginação e que, na maioria das vezes, dificulta o exercício da vida autônoma, dentro dos padrões ditados pela “normalidade”, daí a necessidade de que a criança seja estimulada e atendida o mais cedo possível.

Pesquisas recentes revelam que a proporção da incidência do autismo é de 1 em cada 175 nascimentos. Apesar de ser uma das síndromes que mais cresce na atualidade, em nossa cidade e em nossa região, não há um centro de atendimento especializado para tratamento dessas crianças.


MS Notícias
Dourados - Mato Grosso do Sul, 25/03/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 26/03/2010

quinta-feira, 25 de março de 2010

Ruas em bairro de São Paulo passam por reformas para garantir acessibilidade

Reforma deve ser entregue em abril e prevê rampas e piso podotátil nas esquinas, além da reforma e realinhamento de guias.


A subprefeitura de Pinheiros, na capital paulista, está revitalizando as calçadas da rua Fradique Coutinho, em Pinheiros. As obras estão sendo realizadas nos dois lados da rua, no trecho entre a rua Teodoro Sampaio e Rua dos Pinheiros.

Num total de 2.450 m² de passeio revitalizado, as melhorias contemplam implantação total de acessibilidade, com rampas e piso podotátil nas esquinas, além da reforma e realinhamento de guias. O piso apresentará uma faixa livre em concreto e duas faixas laterais em blocos intertravados assentados sobre areia, que são permeáveis e contribuem para a captação da água da chuva. As obras, que começaram em janeiro, têm término previsto para o final de abril.

Até 2009, foram executados 450 km de calçadas em toda a Cidade de São Paulo e, até 2012, serão adequados outros 600 km.

Fonte: Site da Subprefeitura de Pinheiros
www.vidamaislivre.com.br- 24/03/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 25/03/2010

Erro de sistema informatizado cria vaga inexistente para pessoa com deficiência em universidade federal

Lilian se inscreveu para uma vaga que o SiSU oferecia em sua segunda etapa. Ao ligar para a coordenadoria do curso, ela ouviu da atendente que a vaga já havia sido preenchida e por isso nunca deveria ter sido oferecida.

Isabela Morais

No dia 17/02/2010, Lilian Setsuko Nambu de Oliveira, 30 anos, moradora de São Paulo e deficiente física por fraturar duas vértebras fez sua inscrição na segunda chamada do processo seletivo SiSU para uma vaga de medicina na Universidade Federal do Maranhão (UFMA) através de cota afirmativa para deficientes. O SiSU é o novo sistema informatizado do Ministério da Educação, que passou a funcionar esse ano, por onde as instituições públicas de ensino superior cadastradas selecionaram os seus novos graduandos através da nota do Enem de 2009.

A segunda chamada oferecia vagas remanescentes, ou seja, aquelas que não foram preenchidas ou ficaram abertas por conta da desistência dos selecionados na primeira fase. Segundo Lilian, nessa chamada, o curso oferecia uma vaga para deficiente, em São Luiz. O site da UFMA (www.ufma.br) informava que no curso de medicina havia 22 vagas, sendo que 5 eram para ampla concorrência e 17 para as cotas.

Os problemas começaram após a divulgação dos resultados. Lilian diz que, nesse momento, estranhou ao entrar no site para verificar o resultado e a sua colocação no ranking. O estranhamento foi causado pela seguinte mensagem que lhe foi mostrada:

"Você se inscreveu no curso abaixo:
Número de inscrição: 2154599
Sua classificação: ª posição de um total de 0 vagas
Sua nota calculada para este curso 618,40
Data de inscrição: 17/02/2010 às 17:39:10
Curso: Medicina
Turno: Integral
Grau: Bacharelado
Instituição: UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO
Campus: São Luís-MA, AV. DOS PORTUGUÊSES, BANCANGA"

Atente para a terceira linha, que mostra a classificação. Lilian ligou imediatamente para o Fala Brasil. A atendente disse não saber o porquê daquela mensagem aparecer na tela de Lilian, ao invés do site mostrar seu resultado, além do número correto de vagas disponíveis na segunda chamada. Então, a atendente lhe deu um número de protocolo e pediu que Lilian aguardasse para mais informações e esclarecimentos. Ela aguarda o contato até hoje.

Sem um retorno, as ligações de Lilian em busca de uma resposta começaram. Ela voltou a ligar para o Fala Brasil, mas sempre que atendida era orientada a aguardar contato. Vendo que por esse caminho seria difícil obter alguma resposta satisfatória, o novo destino de suas ligações foi a coordenadoria do curso de medicina da UFMA. Lilian diz: "uma das atendentes não quis me dar maiores explicações, e foi, de modo grosseiro, me dizendo que não havia nenhuma vaga disponibilizada para deficiente no curso de medicina. A única vaga ofertada já tinha sido preenchida por uma aluna deficiente que tinha vindo de Rondônia e que essa vaga nunca poderia ter sido disponibilizada na segunda etapa do SiSU". A atendente da UFMA disse que Lilian deveria se entender com quem errou, segundo a funcionária da universidade, o MEC.

A vaga disponibilizada para deficientes, pela qual Lilian concorreu, estava disponível na segunda chamada do SiSU e permaneceu com esse status durante todo o período de inscrição no sistema. O que houve foi um erro entre o sistema informatizado do governo e a realidade da UFMA: se a vaga já havia sido preenchida na primeira chamada, ela não deveria encontrar-se disponível para os que se inscreveram para a segunda chamada. Se o erro não tivesse acontecido, Lilian poderia ter se inscrito em outra instituição (o sistema só permite uma inscrição em uma instituição de ensino). Conforme ela conta, frustrada: "deixei de fazer provas em outros lugares, criei expectativas, me inscrevi corretamente em uma vaga que estava disponível no sistema para nada? Se eu soubesse, teria me inscrito em outra instituição. Quero os meus direitos, quero estudar, só isso. E o SiSU não me dá nenhuma satisfação".

Lilian Setsuko Nambu de Oliveira tem provas de sua inscrição no sistema, com data, horário e o curso pretendido. Ela ainda lembra que "casos de candidatos sem deficiência que também foram lesados pelo MEC/UFMA já foram resolvidos, sem necessidade de processo judicial, já foram matriculados, tudo isso após os candidatos aparecerem em entrevista na Rede Globo".

Na legislação que regula as normas de funcionamento do SiSU e que se encontra disponível no site do sistema (www.sisu.mec.gov.br/arq/portaria_sisu.pdf), o artigo 17 diz: "Inscrição de candidato não efetivada por motivos de ordem técnica ou por fatores externos que impossibilitem a transferência de dados não implicará a responsabilização do Ministério da Educação".

Lilian e sua advogada entraram com um mandado de segurança. Mas apesar do pedido de urgência e prioridade, o juiz responsável declinou o pedido por julgar que o caso não é da competência dele e sim do Superior Tribunal Federal.

Fica o jogo de empurra.


Com informações de:
www.sisu.mec.gov.br e
www.ufma.br.


Rede SACI
24/03/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 25/03/2010

Uma Eleição "Deficiente"

"Numa eleição onde os meios de comunicação eletrônicos serão cada vez mais a ferramenta para se chegar aos eleitores, a falta de preocupação com a acessibilidade comunicacional é gritante."

Fábio Adiron

A chamada do noticiário para o jornal da noite cita uma matéria onde o chefe político de plantão da localidade inaugurou um novo complexo esportivo dedicado às pessoas com deficiência. A reportagem, para ilustrar a matéria mostra a quadra poliesportiva novinha e cenas de um jogo de basquetebol entre cadeirantes, seguido de um jogo de futebol de salão para pessoas com deficiência visual.

Todos elogiam o lugar e exaltam a figura do doutor fulano que tornou aquele sonho possível. Em sua entrevista, o doutor fulano ressalta a importância da inclusão social (mesmo que isso signifique isolar pessoas com deficiência em um local só para elas) e faz promessas de mais benefícios para os "coitadinhos deficientes". Candidato a deputado na eleição que se aproxima, o doutor Fulano espera ser votado maciçamente por esse público.

Em casa, Marcos, que é pessoa com deficiência visual, ouve a matéria e chama a esposa para descrever o que a TV está mostrando, pois, em nenhum momento a emissora pensou que do outro lado da telinha existem milhões de cegos assistindo ao jornal e não têm acesso às imagens, pois a tal emissora não disponibiliza áudio-descrição dos seus programas.

Em casa, Ana Maria, que é surda e vive sozinha, não tem ninguém para chamar para lhe ajudar a saber a que exatamente as imagens da TV se referem, pois a emissora também não legendou a programação, nem providenciou a oferta da janela de LIBRAS para traduzir o que estava sendo dito na matéria.

Em casa, Dagoberto, que é cadeirante, achou tudo muito bonito, mas lamentou que não vai poder usar o complexo esportivo pois esse, apesar de acessível,está localizado num bairro da cidade que não é servido por transporte público adaptado.

Em casa, Mariana, pessoa com deficiência intelectual, pediu que a mãe a levasse para jogar basquete naquela quadra e teve de ouvir como resposta que a TV informara que aquele local tinha sido cedido para uma entidade de reabilitação, a qual não atende pessoas com a deficiência de Mariana.

Nesse momento, o doutor fulano acabava de perder ou, pelo menos, deixava de ganhar, no mínimo, 4 votos.

O último censo demográfico brasileiro aponta a existência de mais de 24 milhões de pessoas com deficiência no Brasil. Se mantida a proporção (14,5%), o censo que será realizado este ano de 2010 deverá encontrar quase 30 milhões de pessoas com deficiência. O maior grupo é o das pessoas com deficiência visual, parcial ou total, seguido pelo grupo das pessoas com deficiência física ou motora.

Desse total, mais de 70% têm mais de 16 anos e, portanto, são eleitores. Cerca de 20 milhões de votos (na verdade, muito mais, se considerarmos os familiares dessas pessoas) espalhados por todo Brasil. Sonho de consumo de qualquer candidato. Deveria ser o sonho de consumo de todo marketeiro que vai cuidar da propaganda eleitoral desses candidatos.

Os políticos ainda se preocupam em fazer jogo de cena e em entregar pacotes de caridade em forma de benefícios fiscais, gratuidades ou verbas para entidades assistencialistas. Os marketeiros não têm esse poder. Mas teriam o poder de fazer a mensagem publicitária chegar a esses eleitores e isso seria muito mais simples do que parece.

Numa eleição onde os meios de comunicação eletrônicos serão cada vez mais a ferramenta para se chegar aos eleitores, a falta de preocupação com a acessibilidade comunicacional é gritante. Se você entrar no site de qualquer um dos grandes partidos políticos vai encontrar, em todos eles, programas de TV da legenda. Nenhum deles tem qualquer recurso de acessibilidade.

Nem vou entrar no mérito da falta de acessibilidade nas TV´s abertas, essas estão protegidas da obrigatoriedade da oferta de acessibilidade por manobras protelatórias do Ministério das Comunicações.
Verdade se diga, isso não é exclusividade de políticos e de marketeiros. Esta semana mesmo recebi um material de divulgação de um curso sobre inclusão.

Nem o material, nem o site da faculdade que o promovia eram acessíveis. Ao procederem assim, os promotores de tal curso pareciam dizer: "Afinal de contas, para que as pessoas com deficiência precisam de acesso a conteúdos que falem a respeito delas?"

Pior ainda é visitar algumas páginas de políticos que são, eles mesmos, pessoas com deficiência, e descobrir que em seus sites existem conteúdos sem acessibilidade.

Convém lembrar que essa preocupação dos criadores e produtores dos programas de TV, rádio e de páginas da Internet não pode se resumir às questões tecnológicas (se bem que só isso já seria um salto de qualidade enorme), mas também à linguagem e às atitudes devem ser ponto de preocupação desses profissionais.

Muitas pessoas com deficiência, historicamente, tiveram pouco ou nenhum acesso à educação formal e, em decorrência disso, nem sempre vão entender mensagens que usam expressões mais complexas. O que os marketeiros não podem esquecer é que, mesmo sem a mesma bagagem cultural, essas pessoas têm consciência política.

Claro, existe uma grande massa de manobra que se satisfaz com o fato de ganhar um passe livre para o transporte público e barganhar seu voto em troca disso, para depois descobrir que o ônibus é gratuito. E também essas pessoas, junto às demais pessoas com deficiência não conseguirão chegar ao ponto ou embarcar no transporte, pela falta de acessibilidade física.

Claro, existe uma grande massa manobrada por instituições assistencialistas que as tutelam e fazem qualquer negócio para não perder esse poder. Não poucas dessas instituições têm representantes (geralmente, não são as próprias pessoas com deficiência) nas câmaras e no senado, eleitos às custas dessa troca de favores. Tanto uns como outros continuarão presentes na próxima eleição, mas isso também está mudando.

As pessoas estão ficando mais críticas e mais preocupadas em conquistar sua autonomia. Não adianta a propaganda do governante Beltrano falar que está colocando professores auxiliares nas séries iniciais do ensino fundamental se, quando o aluno chega à escola ele descobre que isso só acontece numa escola modelo ou projeto piloto do outro lado da cidade.

Não adianta nada políticos e marketeiros tomarem todas as medidas para que suas campanhas sejam acessíveis se os locais de votação estão repletos de escadas inacessíveis, armadilhas diversas para pessoas com deficiência física, com dificuldade de locomoção, com baixa visão e cegas.

Agora, se você é profissional de marketing, ou produtor de mídia eletrônica e vai trabalhar para algum candidato nas próximas eleições, não deixe de se informar a respeito dos recursos de acessibilidade disponíveis e não se esqueça de incluí-los na sua campanha.

Descubra o que é áudio-descrição, legendagem, interpretação de Libras, existe muita informação a respeito disso na Internet. Convide pessoas com deficiência para participarem dos focus groups sobre a campanha. Entenda a terminologia e a linguagem usadas com essas pessoas.

Isso tudo não garante que todas as pessoas com deficiência votarão no seu candidato mas, pelo menos, evitará que votos sejam perdidos pelo fato de todos esses eleitores em potencial sequer haverem tido conhecimento da sua proposta, pois ela lhes estava inacessível.


Fábio Adiron é consultor e professor de marketing direto, pai de pessoa com deficiência e militante dos movimentos em defesa dos direitos das pessoas com deficiência.



Revista Brasileira de Tradução Visual
24/03/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 25/03/2010

Inclusão a fórceps

"A idéia de que os problemas relacionados à inclusão da pessoa com deficiência intelectual serão solucionados com o seu adestramento e adaptação ao mundo tal como ele é tem ganho uma força impressionante na mentalidade social vigente."

Lucio Carvalho

Há poucos dias li uma reportagem que, como já fazia algum tempo não acontecia, me provocou a uma terceira releitura. Apesar de plenamente desperto e até satisfeito com o que lia, afinal a notícia tratava de uma bem sucedida experiência de trabalho de pessoas com deficiência intelectual numa grande empresa, aquelas palavras sacudiram alguma parte do meu subconsciente e fizeram com que meus olhos estalassem e paralisassem por um momento, mesmo que nessa altura da minha vida os ossos já tenham se adiantado a eles nesse hábito.



Fórceps, intrumento utilizado na indução de partos

Ainda agora fico pensando se tinha razão para me surpreender com a informação que vasculhava no cristal líquido da tela ou se eu é que estava numa conjunção astral que favorecia o espírito à desconfiança, como num jogo aleatório de astros e posições solares e lunares. Creio que não. Mas, então, por que raios eu vacilara tanto diante de uma notícia desse tipo? Afinal, tudo parecia certo e inquestionavelmente adequado: a notícia anunciava em tom magnânimo o esforço que se empregara para que aquelas pessoas pudessem estar incluídas naquele ambiente de trabalho, que inclusive parecia ótimo: corredores limpos, móveis novos em folha, funcionários sorridentes.

Já estou tão acostumado a essa idéia de concessão para a inclusão das pessoas com deficiência intelectual que, definitivamente, posso assegurar que não foi isso o que me surpreendeu. O que me causou o estalo foi a maneira pela qual a situação foi narrada, o mérito que ainda se dá a iniciativas que visam cumprir um rito social baseado numa representação de papéis. A idéia de incapacidade subjacente ao tom de favor da iniciativa. A incapacidade do sistema produtivo em incorporar essa força de trabalho sem que seja preciso identificá-la como "trabalho especial", ou pior, "trabalho realizado por pessoas especiais". A bem da verdade, pior que o estalo em si mesmo é o seu efeito cascata e a enxurrada de sensações que a leitura é capaz de causar. O lado bom é que isso pode também servir para sacudir (e estalar) um pouco estes ossos aqui.

A idéia de que os problemas relacionados à inclusão da pessoa com deficiência intelectual serão solucionados com o seu adestramento e adaptação ao mundo tal como ele é tem ganho uma força impressionante na mentalidade social vigente: de legisladores a educadores, de familiares a formadores de opinião. Parece não restar mais dúvidas a respeito de que estamos vivendo em legítimos paraísos, lugares e espaços sociais os quais não comportam um questionamento sequer. Parece que estamos tratando de um processo no qual a única adaptação que se pode desejar é a que se opera no sujeito, pois a ele é debitado todo o ajuste necessário. O sujeito é que deve ser incluído. A sociedade apenas deve abrir suas portas (nesse caso, é bom avisar a imprensa) e a mágica finalmente estará feita.

Assumir essa narrativa, esse discurso, é como dizer que vivemos na sociedade perfeita, que aprendemos através da educação ideal e compartilhamos as mais justas oportunidades sociais no mundo do trabalho também. Por outro lado, basta questionar-se por um breve momento o funcionamento da escola convencional ou do trabalho enquanto espaços sociais de produção de mentalidades, para que as forças de guarda exijam a palavra. Mas aqui, e diga-se de passagem infelizmente, não há novidades nem risco de surpresa: há uma grande abundância de nomes, manchetes e ainda uma extrema carência de coisas, de realidades. Nesse contexto, a inclusão obedece a modelos tão rígidos que não oferece perigo aos modelos de organização social ao qual submetem-se alunos e trabalhadores, educadores e também patrões.

Sem reflexão, sem impostura, sem diálogo, sem contradição, sem discordância, sem que os alunos levantem-se das cadeiras, sem que os trabalhadores assumam a consciência de seu lugar e papel, sem que educadores e famílias assumam seus erros, sem que a liberdade seja um direito efetivamente exercido, nós só teremos uma imagem pálida de um nome de algo que precisa ser real. Em sã consciência, ninguém quer que seus filhos sejam incluídos, o que é preciso é que eles possam incluir-se por si próprios, por existir espaço inclusive para eles e para suas particularidades humanas.

Uma dinâmica social que propõe como natural uma inclusão feita unilateralmente, como à forceps, é o reflexo exato da imagem de um mundo que se recusa à transformação mas que quer de imediato parecer transformado. Sei que tentarão me convencer de que as mudanças ocorrem mesmo dessa forma, gradualmente, a seu tempo, etc. Eu concordo, desde que me reserve ao direito eventual da dúvida. A dúvida é uma maneira saudável de mantermo-nos despertos.

Nesse caso, não duvido do fato de que podemos causar mudanças profundas no mundo em que vivemos. Mas também não tenho direito a deixar de duvidar, nem que seja por um instante, na possibilidade de que o mundo é quem esteja nos transformando. E o fato de que nós possamos estar sendo transformados sem esforço, e a inclusão oferecida como brinde, tem me deixado mais aflito do que exatamente em dúvida.


Lucio Carvalho é coordenador da "Inclusive: inclusão e cidadania" e autor de "Morphopolis"

Inclusão: ampla, geral e irrestrita
Porto Alegre, 24/03/2010


Matéria postada no blog da APNEN: 25/03/2010

O efeito não terapêutico de algumas terapias

Essas terapias podem provacar efeitos como crianças sem espontaneidade, sem a alegria, o senso de humor e a peraltice próprios da infância.

Carla Codeço

Fico, a cada dia que passa, mais surpresa com os efeitos nada terapêuticos que algumas terapias provocam. Crianças sem espontaneidade, sem a alegria, o senso de humor e a peraltice próprios da infância.

São crianças ensinadas em cada atendimento a se encaixar, a exibir um comportamento normal. É como se nascessem com uma “dívida” em seu desenvolvimento, sendo obrigadas a recuperar esta defasagem evidenciada pela comparação a outros indivíduos de mesma idade. Ao invés de receberem as condições necessárias para aprender são condicionadas através das simulações da vida real dentro de consultórios. A estas crianças é mostrado, desde a mais tenra idade, como devem se comportar para se encaixarem ao padrão aceitável.

As crianças normalizadas podem ser reconhecidas a distância, acabam se parecendo com aqueles andróides dos filmes de ficção científica, que parecem humanos mas têm um que de robô.

Não quero com isso dizer que não devemos propiciar as terapias necessárias para que os potenciais de nossos filhos possam ser melhor desenvolvidos, mas devemos lembrar sempre que eles têm direito a infância, ao seu tempo de ócio. Devem vivenciar a conversa em família, ao invés de apenas terem acesso a conversa simulada na seção de terapia, devem aproveitar seu tempo de ócio em casa para recortar, rabiscar, pintar, livremente, não apenas no ambiente simulado do consultório da TO e assim por diante. Devemos ter cuidado ao estender o ambiente terapêutico para dentro de nossas casas, para que não nos tornemos também profissionais padronizadores dos nossos filhos.

Ao imputarmos aos nossos filhos a obrigação de passar no funil normalizador estamos retirando-lhes a alegria e a espontaneidade infantis. Ao invés de aceitarmos as limitações que a síndrome impõe, estaremos, nós mesmos, impondo várias outras limitações emocionais que a própria síndrome não acarreta. Falo da síndrome de Down.

A partir de um determinado momento, no acompanhamento das terapias do meu filho, percebi que os profissionais e métodos me ofertavam dois caminhos a seguir: ou nos esforçaríamos para passá-lo pela forma normalizadora ou daríamos a ele a liberdade de ser como ele é e, de mãos dadas, ajudaríamos no que fosse preciso para o seu crescimento global. Optei pela última e hoje vejo meu filho feliz, espontâneo, e levado, como toda criança de sua idade que tem o privilégio de viver uma infância saudável.

"Carla Codeço, moderadora dos grupos Sindrome de Down e RJDown e mãe do Rafael e da Joana."

Inclusão: ampla, geral e irrestrita
24/03/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 25/03/2010

Prefeitura de Paulínia apresenta Projeto de Inclusão e Acessibilidade aos servidores com deficiência

Será organizado pela prefeitura, no dia 31, um encontro com todos servidores municipais com deficiência e com a equipe do Programa de Humanização e Acolhimento ao Servidor.

Administração de Paulínia promove no dia 31, às 9 horas, no Salão Nobre, da Prefeitura encontro com todos os servidores municipais com deficiência e com a equipe do Programa de Humanização e Acolhimento ao Servidor (PHAS), da Secretaria de Recursos Humanos.

Por meio deste novo Projeto, a Prefeitura busca ampliar a política de valorização ao servidor municipal, demonstrando a importância em adotar estratégias positivas de gestão, voltadas às pessoas com deficiência e respeito pelos direitos deste público.

Assim, o projeto a ser implantado oferecerá espaço de escuta, acolhimento, orientação e encaminhamento ao funcionário público visando sua inclusão social.

A Secretaria de Recursos Humanos tem conhecimento dos entraves que estas pessoas enfrentam no cotidiano e quer contribuir nesse processo.

Através de encontros bimestrais, os servidores com deficiência poderão debater questões pertinentes a este segmento, buscando desta forma um local de trabalho mais seguro, acessívele saudável, assim como a melhoria do ambiente organizacional, oferecendo assessoria quando necessário, da equipe do PHAS junto às chefias na superação de dificuldades na rotina do trabalho.

Os interessados em participar do Projeto deverão entrar em contato através do fone (19)3874-5754, com Assistente Social Eliete, para seu cadastramento.


Paulínia News
Paulínia - São Paulo, 24/03/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 25/03/2010

Audiências sobre benefícios das pessoas com deficiência e regulamentação de ações do terceiro setor são aprovadas

A Comissão de Assuntos Sociais aprovou o benefício de prestação continuada e a realização de audiência pública para a regulamentação da lei que trata da certificação das entidades beneficentes de assistência social.

A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) aprovou, nesta quarta-feira (24), dois requerimentos apresentados pelo senador Flávio Arns (PSDB-PR). No primeiro, ele solicitou a participação da subprocuradora-geral do Ministério Público do Trabalho, Maria Aparecida Gugel, em audiência pública da Subcomissão Permanente de Assuntos Sociais das Pessoas com Deficiência para debater o restabelecimento do Benefício de Prestação Continuada (BPC), no valor de um salário mínimo, para o portador de deficiência que perder o emprego.

Flávio Arns quer que a subprocuradora-geral do Trabalho também se manifeste, nessa mesma audiência, sobre a perda do direito a pensão por morte do portador de deficiência que ingressar no mercado formal de trabalho. Ao debater esse requerimento, o senador Geraldo Mesquita Júnior (PMDB-AC) considerou "justíssima" a garantia dada a essas pessoas de trabalharem com carteira assinada sem perder os benefícios já adquiridos.

No outro requerimento, o representante do Paraná pediu a realização de audiência pública na CAS sobre a regulamentação da Lei nº 12.101/09, que trata da certificação das entidades beneficentes de assistência social (terceiro setor). Flávio Arns afirmou que essa regulamentação é urgente, pois a lei estipula prazos e exigências que precisam ser observados pelas entidades interessadas na certificação ou renovação desse registro e seu descumprimento pode comprometer o benefício da isenção das contribuições previdenciárias.

Antes que o Poder Executivo edite a regulamentação da Lei nº 12.101/09, Flávio Arns considera importante que as entidades do terceiro setor que atuam nas áreas de saúde e assistência social possam oferecer sugestões. O parlamentar recomenda a participação no debate de um representante dos Ministérios da Saúde e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; da Casa Civil da Presidência da República; da Pastoral da Criança e da APAE (Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais).

A presidente da CAS, senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN), e o senador Roberto Cavalcanti (PRB-PB) deram apoio aos requerimentos de Flávio Arns. Rosalba Ciarlini considerou a atuação das entidades do terceiro setor fundamental, mas afirmou ser necessário fiscalizá-las para impedir a ação das que fingem cumprir uma missão social por meios não-lícitos.


Agência Senado
Brasília, 24/03/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 25/03/2010

quarta-feira, 24 de março de 2010

Polícia apura estupro de garota dentro de hospital psiquiátrico

Polícia apura estupro de garota dentro de hospital psiquiátrico.




O 87º Distrito Policial, em Pirituba (zona oeste de SP), investiga denúncia de estupro da adolescente 23225, 15 anos, dentro do Hospital Psiquiátrico Pinel. O crime teria sido cometido em 21 de fevereiro pelo segurança da guarita nº 2 do complexo manicomial.

23225 é o número do prontuário médico da menina, que foi internada no Pinel aos 11 anos com diagnóstico de "transtorno de conduta" e continua lá, quatro anos e três meses após ter alta, conforme revelou a "Folha de S.Paulo" no domingo.

A mãe de 23225 está presa por tráfico e roubo, a avó não a quer e a prefeitura não conseguiu, nestes quatro anos, achar um abrigo em condições de acolhê-la. O delegado João Batista Filogônio registrou a ocorrência como "estupro de vulnerável", que se caracteriza por manter "conjunção carnal com alguém que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento".

A reportagem apurou junto a funcionários do hospital psiquiátrico que 23225 os avisou do ocorrido ao ser vista na guarita do acusado. Na ocasião, dizem os funcionários, o suspeito admitiu. O acusado trabalha em uma empresa terceirizada. "Sumiu" depois do BO.

A menina foi levada ao Hospital Pérola Byington, onde fez exame de corpo de delito. O resultado ainda não saiu. O diretor do Pinel, Eduardo Guidolin, não deu entrevista, alegando que o caso corre em segredo de Justiça. A Secretaria de Estado da Saúde disse que o Pinel "afastou o profissional."

O promotor Francismar Lameza, da Vara da Infância e da Juventude do Foro Regional da Lapa, disse que "tem feito todos os esforços no sentido de obter vaga (...) em instituição que possa abrigá-la adequadamente". A prefeitura afirmou que conseguiu vaga num abrigo e a transferência "está em fase de preparação".

Folha de S.Paulo- Cotidiano
24/03/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 24/03/2010

Reunião discute dados sobre as pessoas com deficiência no Mercosul

Grupo de trabalho atua para fortalecer a rede de cooperação e colaboração entre os países membros e associados.




A subsecretária nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Izabel Maior, participará, nos dias 22, 23 e 24 de março, da 17ª Reunião de Altas Autoridades em Direitos Humanos e Chancelarias do Mercosul e Estados Associados (RAADH). Izabel integra o Grupo de Trabalho “Promoção e Proteção dos Direitos das Pessoas com Deficiência” da RAADH.

“A meta do grupo de trabalho é discutir os dados e estatísticas da população de pessoas com deficiência nos países do bloco, indicadores e parâmetros do Plano da Década da OEA, entre outros temas. Também apresentaremos as campanhas de sensibilização com relação à inclusão de pessoas com deficiência realizadas a partir da Agenda Social brasileira, além de contextualizar os avanços da política brasileira com relação à educação inclusiva, desenho universal, trabalho e reabilitação”, concluiu Izabel.



Fonte: Site da Presidência da República

Matéria postada no blog da APNEN: 24/03/2010

Brasil terá cinco representantes em competição paraolímpica de atletismo

Atletas de destaque participarão da competição que é prévia do mundial da categoria.



Antônio Delfino, Jonathan Santos, Lucas Prado, Shirlene Coelho e Terezinha Guilhermino são os cinco atletas brasileiros que disputarão o Open Paraolímpico de Atletismo, que será realizado de 26 a 28 de março na Nova Zelândia. A competição é uma prévia do Mundial da categoria, que será em janeiro de 2011, também na Nova Zelândia.

“O objetivo principal é conhecer as instalações e ver como será a adaptação dos atletas”, explica o coordenador do atletismo, Ciro Winckler. Por isso, apenas os principais nomes da modalidade foram escolhidos para participarem da competição neste país. “A gente quer ver como eles vão se sair lá.”

A expectativa, segundo Ciro, não é muito alta. Afinal, eles chegam à Nova Zelândia apenas dois dias antes das provas e terão de se adaptar a um fuso-horário de 15 horas de diferença. Mas nada que diminua a empolgação do caçula do grupo, Jonathan. “No disco o meu objetivo é ir em busca do novo recorde mundial, algo em torno dos 37m”, arrisca, dizendo em seguida que se não conseguir a marca na primeira competição do ano, tentará no Circuito Loterias CAIXA Brasil Paraolímpico.

www.vidamaislivre.com.br
Publicada em 23 de março de 2010

Matéria postada no blog da APNEN: 24/03/2010

Clínica oferece tratamento gratuito para pacientes com afasia

O seviço é oferecido na Tijuca. Os agendamentos podem ser feitos até 31 de março.


Anna Beatriz Cunha
A afasia, problema comum a vítimas de acidentes vasculares cerebrais, traumatismo crânio-encefálico e pessoas com tumores, fungos e bactérias no cérebro, é um distúrbio da linguagem oral e escrita. Pacientes afásicos têm dificuldade ou incapacidade de expressar pensamentos, embora suas mentes consigam organizá-los de forma correta. Como consequência, problemas de comunicação que acabam afetando o trabalho e o convívio social. A cada três anos a Clínica de Fonoaudiologia do Centro de Saúde Veiga de Almeida (CSVA) promove o tratamento e realiza pesquisas com portadores deste sintoma.

O trabalho é desenvolvido no Centro de Recuperação de Pacientes Afásicos, criado em 2005, e que já atendeu mais de 100 pessoas. Para participar do novo grupo de tratamento é só fazer a inscrição entre os dias 22 e 31 de março. Solange Iglesias, diretora da clínica, informa que nestes dias serão agendadas e realizadas as avaliações. Para participar, os interessados devem telefonar para (21) 2574-8844 ou 2574-8832, estando com identidade e CPF em mãos para marcar a avaliação. O serviço é gratuito, mas a direção da clínica pede que os participantes façam doações de suco concentrado, geléia de mocotó, leite em pó integral ou fralda geriátrica. O material arrecadado será repassado a Ação Cristã Vicente Moretti, que habilita e reabilita pessoas carentes portadoras de necessidades especiais.


Tratamento

De acordo com a diretora da clínica de fonoaudiologia, o tratamento de um afásico dura de 1 a 2 anos. "Dependendo da lesão, é possível que o paciente tenha 100% de melhora. Consideramos um caso de recuperação total as pessoas que voltam a trabalhar e conseguem se comunicar de forma independente, mas vale ressaltar que o retorno da comunicação com autonomia depende de vários fatores como, idade, tempo da lesão, áreas cerebrais comprometidas", explica.

Solange informa ainda que diversas pesquisas são feitas a partir do trabalho realizado na clínica. Um exemplo é o CD-Room, que traz métodos para trabalhar com pacientes afásicos (pode ser adquirido ao custo de R$ 20,00). "Na clínica é aplicada uma terapia de base linguística, fundamentada na teoria gerativa, ou seja, buscamos identificar o problema linguístico e reestruturá-lo utilizando uma técnica gramatical", explica. O CD-room pode ser solicitado por profissionais que atuam com esses pacientes ou por alunos de fonoaudiologia e letras através do e-mail fono@uva.br ou na própria Clínica de Fonoaudiologia. "Nosso trabalho também vem sendo objeto de projetos de iniciação científica e dissertações de mestrado", revela.


Serviço
O que? Agendamento para tratamento gratuito de Pacientes Afasíacos
Quando? De 22 de março a 31 de março, de segunda a quinta-feira, das 14h às 18h.
Como? Pelos telefones (21) 2574-8844 ou 2574-8832
Onde? Clínica de Fonoaudiologia do Centro de Saúde Veiga de Almeida, Rua Ibituruna, 108,casa 09, Tijuca.



Segs
Rio de Janeiro, 23/03/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 24/03/2010

Crianças com Down sem direito à matrícula

Entidades realizam ato no Dia Internacional da Síndrome de Down.

Ivna Girão

Se já não bastassem os inúmeros preconceitos vivenciados pelas pessoas portadoras da Síndrome de Down (SD), um novo desafio surge: a urgente necessidade do cumprimento da Lei de Diretrizes Educacionais - LDB (Lei 9394/96) que obriga as escolas a receberem crianças e adolescentes com a Síndrome. Em um ato na tarde de ontem – data em que se comemorou o Dia Internacional da SD, dezenas de pais, mães e membros de grupos de apoio participaram de uma caminhada na Praça dos Estressados, na Avenida Beira-mar, para exigir direitos e denunciar as dificuldades em inserir meninos e meninas no ensino regular.

"Meu filho já tem 15 anos e ainda não conseguiu se alfabetizar. Eu tive muitas dificuldades de matriculá-lo em uma escola normal; as professoras não querem, dizem que as instituições não estão preparadas. Ou arranjo dinheiro para colocá-lo em uma escola paga ou ele fica sem estudar. Ele tem direito à educação como toda e qualquer criança", disse Regina Celle, mãe de um garoto com Down, relatando os mil "nãos" que levou de diretoras escolares. Uma audiência pública será realizada hoje, a partir das 14h na Assembleia Legislativa, para revelar esses e outros direitos negados.


51 anos de Down

Com faixas, cartazes e muita animação, o cortejo chamou atenção para a necessidade de políticas públicas inclusivas e para o fim do preconceito. A vice-presidente da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down, Maria de Lourdes Marques, afirmou que o grande problema é a superação da rejeição e o estímulo à potencialidade. "Sabemos que eles são diferentes, têm ritmos distintos, mas não por isso deixam de ser cidadãos de direitos. As pessoas com a Síndrome devem, principalmente no âmbito da escola, ser estimuladas a desenvolverem-se e ganharem asas para crescer como qualquer outra criança", frisou uma das organizadores do Ato, que lembrou os 51 anos da descoberta do cromossomo 21.


Muitos "nãos"

Superação. Essa é a palavra de ordem das vidas de Thiago Sandes, cantor e portador da Síndrome, e de sua mãe, Tereza Sandes. Comentando sobre os diversos ‘nãos’ que levou na vida ao tentar matricular seu filho na rede de ensino regular, a mãe lembrou a tamanha resistência que tiveram com seu filho: "ele nunca estudou em uma escola regular, tentamos muito matriculá-lo, mas não conseguimos. Ele era visto como um menino problemático, que não ia conseguir nada na vida. Que criança não tem seus limites e dificuldades, o papel da escola não é ajudá-la a superar seus medos e limitações?", questionou Tereza Sandes. Hoje, Thiago é músico, já escreveu livros e interage socialmente com todos. "Todo avanço só foi possível devido à superação dele e aos estímulos positivos recebidos", disse a mãe coruja.


Direito à educação regular

Matricular na escola regular - dita normal - ou incluir os meninos e meninas em uma entidade especial? Esse é um dilema comum entre as mães e pais. Para Ângela Stela Viana, diretora da Escola da Associação dos Pais de Filhos com Síndrome de Down de Fortaleza (Apae), as escolas – tanto privadas quanto públicas não estão totalmente preparadas para receber os portadores e suas especificidade; entretanto, o direito é garantido. "É recomendado que eles interajam com outros, que eles vivenciem espaços de sociabilidade diversos, mas tudo tem que ser feito com responsabilidade", disse a diretora.

Comentando sobre a crítica de que as entidades não estão preparadas para as demandas, Adriana Lima Verde, professora da rede pública, comentou que há sim projetos específicos para os meninos e meninas ‘especiais’. O que falta, segundo ela, é uma maior apropriação dos espaços e dos direitos e mais informação, principalmente das famílias mais pobres. "A melhor maneira de melhorar a qualidade da educação inclusiva na rede pública é colocar meninos e meninas para estudar lá. Os pais escondem-se no discurso de que a escola não serve e deixam de pressionar por melhorias", finalizou a professora.

O Estado
Fortaleza, 23/03/2010
Notícia do dia 22/03/2010.

Matéria postada no blog da APNEN: 24/03/2010

Executivo adopta plano de acção para maior inclusão de pessoas com deficiência

O objectivo é uma união dos sectores públicos e privado para promover a igualdade e acesso aos direitos, do desporto à recreação e lazer, da formação à qualificação das pessoas com deficiência.

Da Redação

O Governo Regional dos Açores vai lançar, em breve, um plano de acção regional para a inclusão, destinado a pessoas com deficiência. O anúncio foi feito ontem, em Ponta Delgada, pela directora regional da Igualdade de Oportunidades no encerramento do Campeonato Regional de Atletismo Adaptado/Deficiência Intelectual promovido pela Associação de Pais e Amigos das Crianças Deficientes do Arquipélago dos Açores e Aurora Social.

Natércia Gaspar disse, na ocasião, que o objectivo do novo plano é fazer dos Açores uma região ainda mais inclusiva, onde todos tenham vez e voz. Esta responsável manifestou a total abertura e receptividade do executivo açoriano em colaborar com a Associação de Pais e Amigos das Crianças Deficientes do Arquipélago dos Açores na criação de residências, em S. Miguel, para pessoas com deficiência. Considerou tratar-se de um projecto que vai responder às actuais necessidades e angústias das famílias que se preocupam com o futuro dos seus membros portadores de deficiência. Referiu, no entanto, que o Governo Regional tem criado algumas medidas que visam promover a igualdade e o acesso aos direitos, do desporto à recreação e lazer, da formação à qualificação das pessoas com deficiência, numa missão que exige união de esforços entre os sectores público e privado.

A directora regional da Igualdade de Oportunidades sublinhou que só em 2009 é que o Governo da República ratificou a Convenção para os Direitos das Pessoas com Deficiência e apelou para que as famílias e as pessoas portadoras de deficiência sejam um pólo impulsionador de afirmação, na sociedade, das suas exigências e necessidades. Sobre a realização do Campeonato Regional de Atletismo Adaptado/Deficiência Intelectual, Natércia Gaspar afirmou ser um verdadeiro testemunho de que é possível transpor barreiras e superar dificuldades pessoais. Na sua opinião, a participação de cerca de 70 atletas das ilhas de Santa Maria, S. Miguel, Terceira e Pico, naquele campeonato, representa um elevado testemunho para os que se queixam de coisas tão pequenas e de dificuldades tantas vezes insignificantes.

Salientou, ainda, a importância das pessoas portadoras de deficiência usufruírem de espaços adequados, onde possam, durante o dia, desenvolver e aumentar as suas competências pessoais e sociais.


Jornal Diário
Açores, 23/03/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 24/03/2010

Campinas ganha Centro de Reabilitação Lucy Montoro

Unidade será coordenada pela Unicamp e Centro Boldrini.

O governo de São Paulo inaugura nesta segunda-feira (22), às 14h, em Campinas, o Centro de Reabilitação da Rede Lucy Montoro. A coordenação será do Centro Infantil Boldrini em parceria com a Unicamp.

O Centro de reabilitação foi construído em uma área de 4 mil metros quadrados e com investimentos de R$ 11 milhões e oferecerá reabilitação integral, com procedimentos de alta complexidade e tecnologia de ponta no Brasil.

"Rede Lucy Montoro trará qualidade de atendimento à população da região, associando assistência a recursos humanos qualificados", disse a secretária de Estado dos Direitos da Pessoa Com Deficiência, Linamara Rizzo Battistella. O centro atenderá pacientes da macrorregião de Campinas. De acordo com o IBGE, são 250 mil pessoas precisando deste tipo de tratamento na região. Serão beneficiados crianças e adultos com deficiências físicas provocadas por acidentes, doenças congênitas e crônicas, que resultem em comprometimento da mobilidade.

O Centro de Reabilitação Lucy Montoro fica na Rua Márcia Mendes, 619, na Cidade Universitária, em Campinas.


EPTV
Campinas, 23/03/2010
Notícia do dia 21/03/2010.

Matéria postada no blog da APNEN: 24/03/2010

Physicus apresenta aparelhos de musculação para cadeirantes no 54º Congresso Estadual de Municípios, em Serra Negra

Empresa é primeira fabricante mundial de aparelhos destinados exclusivamente para pessoas com deficiência física.



A grande novidade no 54º Congresso Estadual de Municípios, em Serra Negra, será a linha Apadef, desenvolvida pela Physicus e destinada exclusivamente para cadeirantes. A Physicus é a primeira fabricante de aparelhos deste tipo no mundo. “Os aparelhos foram elaborados pensando na necessidade e carência que existe em relação aos cadeirantes”, conta o coordenador de projetos da Physicus, Carlos Firmino. O Congresso é promovido pela Associação Paulista de Municípios entre os dias 22 a 26 deste mês, no “Centro de Convenções Circuito das Águas”.

Os aparelhos da Apadef funcionam sobre uma plataforma na qual o usuário se instala com a cadeira de rodas que é travada com um sistema próprio da estação. Em seguida, o usuário começa a exercitar-se. No movimento, a plataforma onde está apoiada a cadeira irá elevar-se com a cadeira e consequentemente com o usuário, ou seja, o cadeirante durante o exercício utiliza o peso do próprio corpo. “São equipamentos com ótima biomecânica e ergonomia, proporcionando um excelente resultado e oferecendo conforto ao usuário”, afirma Firmino.

A Physicus desenvolveu máquinas de tríceps, de bíceps, puxada alta, supino vertical, remada sentado, abdominal, twist, torre elevação dos braços, jogo de barras, paralelas, maquina giro de punho, roda de ombros, multi rodas de ombros, barra alta giratória e bicicleta de mão.

No evento em Serra Negra são esperados agentes políticos, entre prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e secretários municipais. O stand da Physicus tem 48 metros quadrados e terá também aparelhos da linha ao ar livre.

Rede Saci
23/03/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 24/03/2010

terça-feira, 23 de março de 2010

Inclusão Escolar

Alunos da Escola Estadual Domingos José Martins já contam com o trabalho dos intérpretes para deficientes auditivos.

Para proporcionar um atendimento de qualidade, onde se busca encurtar as distâncias e ultrapassando as barreiras lingüísticas que separam o "mundo" de surdos e ouvintes, a escola estadual de ensino fundamental e médio "Domingos José Martins" conta desde 2007 com o trabalho de intérpretes educacional para alunos surdos e deficientes auditivos, usuários da LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais. Informou a diretora do educandário Heloisa Valli Bittencourt. Explicou ainda que a Secretaria Estadual de Educação tem mantido os profissionais em toda a rede. Em resposta a política pública inclusivas implantadas no país, que umas das mais modernas no cenário internacional.

A diretora ressalta que as propostas auxiliam tanto professores como os demais profissionais da educação no dia a dia nas unidades escolares. Fruto da luta da própria comunidade surda, esse atendimento embora, minimize a distância ainda esta longe de ser ideal, que seriam "todos" os docentes tivessem o conhecimento da língua de sinais.

Os alunos de uma quinta série onde estudam dois inclusivos, ao serem consultados disseram que a intérprete ajuda muito, pois os professores às vezes não conseguem falar de perto com eles dificultando o seu entendimento dos conteúdos.

Segundo a pedagoga Julia Carneiro, a escola pensa em revisar oficinas de libras para alunos e professores estreitar e interagir com os alunos surdos no contexto escolar.


Maratimba
Marataízes, 22/03/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 23/03/2010

60 mil cearenses sofrem com deficiência visual

Consumo de cigarro pode ser considerado a principal causa da Degeneração Macular Relacionada à Idade.

No Estado, há aproximadamente 60 mil cegos, segundo a Sociedade de Oftalmologia do Ceará (SOC), e a maior parte das doenças que causam deficiência visual é acometida aos idosos. No entanto, a principal delas, ainda é desconhecida por grande parte da população: a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI), que atinge, no Ceará e no mundo, 10% dos idosos, entre 65 e 74 anos.

Diante disso, o Centro de Estudos Professor Fernando Oréfice, com apoio da Sociedade de Oftalmologia do Ceará (SOC), realizaram, na manhã de ontem, exames de visão gratuitos para 200 idosos acima de 65 anos. A ação, que ocorreu no Centro Avançado de Retina e Catarata, fez parte da 8ª edição do Mácula, envolvendo palestras e distribuição de cartilhas educativa sobre a DMRI.

A aposentada Maria Sesy Monteiro, 95 anos, há três anos começou a sentir dificuldade para assistir televisão. Segundo ela, as imagens e objetos pareciam fazer curvas, além de sentir constantes manchas pretas nos olhos. "Fiquei com muito medo, pois pensei que iria ficar cega, então procurei imediatamente o oftalmologista", diz.

Depois de realizar alguns exames, dona Maria Sesy descobriu que sofria de DMRI. No entanto, o médico recomendou o uso de um colírio, mas o remédio não ajudou muito e agora a visão da aposentada está bastante comprometida. "Soube dessa ação através da televisão e pedi para que minha filha me trouxesse, tenho esperança que não ficarei cega", frisou.


Sintomas

De acordo com Abelardo Targino, médico oftalmologista especializado em retina, a DMRI, atinge 10% dos idosos entre 65 e 74 anos, e 25% dos idosos acima de 75. Ele explica que é uma doença que se manifesta em uma região do olho chamada mácula, que fica localizada no centro da retina. Essa região pode ser atacada por diversas doenças, no entanto a DMRI é a mais comum e leva a cegueira.

O médico explica que existem duas formas de degeneração: a forma seca, onde não há hemorragias dos olhos, ou seja, o idoso, vai perdendo a visão de forma lenta, e os óculos não são mais tão úteis. A segunda, é a úmida ou hemorrágica, em que surge o aparecimento de veias sanguíneas e o idoso pode perder a visão em até duas semanas. Mas, o oftalmologista alerta sobre a importância da prevenção, pois a qualquer momento a forma seca da doença pode se transformar na hemorrágica.

Os sintomas da DMRI são deformações nas imagens que vão se tornando intensas e causam manchas pretas na visão central, que levam a cegueira. Um dos principais vilões da doença é o cigarro. "Os químicos do cigarro, são altamente tóxicos para a mácula. A medida que são inalados e chegam a corrente sanguínea, podem causar a doença", diz o médico.


Diário do Nordeste
Fortaleza, 19/03/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 23/03/2010

"Projeto Perspectivas em Movimento" traz capacitação para professores da rede estadual

Pessoas com necessidades especiais e professores da rede estadual de ensino contam com iniciativa para capacitá-los no campo das artes. Projeto tem apoio do Fundo de Cultura da Secretaria de Cultura do Estado.

Com intuito de desenvolver habilidades artísticas voltadas para dança e teatro, o projeto Perspectivas em Movimento vai capacitar professores da rede estadual para estimular e potencializar alunos com necessidades especiais. O projeto foi um dos contemplados no edital Formação e Qualificação Artístico-Cultural realizado pela Secretaria de Cultura do Estado, através da Fundação Cultural do Estado da Bahia – FUNCEB. A festa de lançamento acontece no dia 23 de março, às 17h, no Auditório da CESE (Coordenadoria Ecumênica de Serviço), na Rua da Graça, 164 – Bairro da Graça. Participam do lançamento o cantor e compositor Evangel Vale e a sambista baiana Juliana Ribeiro.

"A Secretaria de Cultura é a principal financiadora desse projeto que tem como objetivo a capacitação de pessoas com deficiência para que sejam autoconfiantes", explica Ninfa Cunha, coordenadora do projeto. Para ela, a formação da pessoa com deficiência, na área do teatro/dança, possibilitará a sua qualificação profissional, criando condições para o seu reconhecimento e participação efetiva nos movimentos artístico-culturais da cidade.

Dançarina profissional e coordenadora da Companhia de Dança RodArt formada por quatro dançarinos com necessidades especiais, Ninfa compreende as dificuldades encontradas para formação técnica. "Sentíamos uma carência devido a falta de acessibilidade em todos os sentidos: arquitetônicos, comunicacionais e com os profissionais do ensino superior", completa.

O diretor de dança da Fundação Cultural do Estado – FUNCEB, Alexandre Molina, está atento para a questão da acessibilidade através das práticas artísticas contemporâneas. "A questão da acessibilidade vem ocupando cada vez mais a agenda de discussões em diferentes campos, e nas artes não poderia ser diferente", diz Molina. "Existem muitas iniciativas de produção por artistas com deficiência, e propostas como esta garantem um espaço de efetiva atuação. Focar na formação profissional para a pessoa com deficiência ou para quem trabalha com este público, especialmente na educação, configura-se como uma ação estruturante, deslocando o foco do ‘problema’ para uma possibilidade real de intervenção social e artística", completa o diretor.

As aulas terão início em abril, com duração de 6 meses. São 64 vagas disponíveis: 32 para pessoas com deficiência e 32 para professores interessados em se especializar. Para participar das oficinas, os interessados devem ser maiores de 16 anos e ter alguma habilidade no campo das artes. Os professores devem pertencer à rede púbica de ensino, participar de programa de inclusão ou ter interesse artístico. As aulas serão ministradas pelo professor Walter Rozadilla (Diretor do Espaço Aberto Cultural Vánacontramão) e acompanhamento de Ana Rita Ferraz, psicoterapeuta e doutoranda em Educação e Contemporaneidade da UNEB – Universidade do Estado da Bahia.

"Esse projeto é de extrema importância para a profissionalização de pessoas com deficiência em dança-teatro e para professores que irão vivenciar as questões que envolvem o cotidiano das pessoas com deficiência e que aprenderão a lidar com alunos com deficiência na sala de aula, possibilitando uma melhor comunicação entre eles", garante Ninfa Cunha.

O projeto conta ainda com o apoio da Secretaria da Educação do Estado da Bahia, Coordenadoria Ecumênica de Serviço - CESE, Instituto Anísio Teixeira – IAT, Associação Baiana de Cegos - ABC, Acesso e Reintegração à Comunicação, Cultura e Arte – ARCCA, Centro de Vida Independente – CVI e Associação Especializada Françoise de Laval.


Serviço

O Quê: Lançamento do projeto Perspectivas em Movimento.
Onde: Auditório da Coordenadoria Ecumênica de Serviço – CESE - Rua da Graça, 164 – Bairro da Graça.
Quando: 23 de março – 17h.
Inscrições para os cursos: (71) 2104-5481 / 8744-2378 - Fax: (71) 2104-5456.
E-mail: perspectivasemmovimento@gmail.com.

Bahia - Acessoria Geral de Comunicação Social
Bahia, 22/03/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 23/03/2010

Governo promove Caravana da Inclusão, Acessibilidade e Cidadania no interior

Objetivo é conscientizar a sociedade para necessidade de consolidar políticas públicas que contemplem os direitos da pessoa com deficiência.

A Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência, em parceria com a União de Vereadores do Estado de São Paulo (UVESP) e com apoio do Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa com Deficiência (CEAPcD), promove entre os meses de abril e agosto, a Caravana da Inclusão, Acessibilidade e Cidadania. Ao todo, serão realizados dez encontros no interior do estado.

O objetivo da caravana é mobilizar e conscientizar a sociedade para a necessidade de consolidar políticas públicas que contemplem os direitos das pessoas com deficiência. Os encontros abordarão temas como a Rede Lucy Montoro, desenho universal, empregabilidade, paradesporto e cidadania e valorização do voto. O público alvo são prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, gestores públicos, pessoas com deficiência e representantes de entidades dos municípios do Estado de São Paulo.


Congresso de municípios

A caravana será apresentada para gestores municipais de todo o estado durante o 54º Congresso Estadual de Municípios, que será realizada entre os dias 22 e 26 de março, em Serra Negra, pela Associação Paulista de Municípios. No dia 26, a titular da pasta, Linamara Rizzo Battistella apresenta o painel "Direitos da Pessoa com Deficiência" com o tema "Como materializar o Direito à Inclusão Social das Pessoas com Deficiência".


Confira a programação da Caravana da Inclusão, Acessibilidade e Cidadania

Jaú - 10 de abril
Ribeirão Preto - 24 de abril
Sorocaba - 15 de maio
São José dos Campos - 29 de maio
Presidente Prudente - 12 de junho
Santos - 26 de junho
São José do Rio Preto - 17 de julho
Peruíbe - 31 de julho
Fernandópolis - 14 de agosto
Americana - 28 de agosto


Da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência.


O Serrano
São Paulo, 22/03/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 23/03/2010

"É comum cadeirantes não serem examinadas nos ginecologistas", diz Flávia Cintra

Jornalista, que é uma das fontes de inspiração para Manoel Carlos, autor de Viver a Vida, conta um pouco da sua experiência como cadeirante.

A jornalista Flávia Cintra, de 37 anos, é uma das fontes de inspiração do autor Manoel Carlos para criar a personagem Luciana, vivida por Alinne Moraes na novela global Viver a Vida. Sofreu um acidente em 1991, perdeu os movimentos das pernas e parcialmente os dos braços, e teve gêmeos em 2007. O Terra conversou com a "Luciana real", consultora da trama.

Confira abaixo o que ela disse sobre sua colaboração com a novela, o processo de adaptação após o acidente e como cuida dos filhos:

Terra: Como é o seu trabalho com a Alinne Moraes?

Flávia: Eu e Alinne iniciamos nossos laboratórios em maio de 2009. Foi importante termos esse tempo antes da novela para elaborarmos aspectos delicados que dariam forma à personagem.

Ela esteve diversas vezes na minha casa, observando minha rotina com meus filhos, vimos fotos, filmes e conversamos muito.

No início, Alinne tinha as mesmas curiosidades das pessoas que não conhecem alguém com deficiência, mas mergulhou profundamente nesse universo e absorveu todas as sensações, emoções e reflexões que compartilhamos sobre preconceito, sexualidade, maternidade e todos os assuntos vividos por uma mulher cadeirante.

Ela se preparou para dar a Luciana um conteúdo sensível, sensual, estético e realista, porque é assim que Manoel Carlos escreve.

Nessa fase em que estamos, nosso contato é mais no Projac, aonde vou periodicamente acompanhar gravações.

Terra: Assim como a personagem, você foi modelo. Quando deixou essa profissão? Foi por conta do acidente?

Flávia: Eu não era modelo profissional. Fazia alguns desfiles interessada em ganhar as roupas e receber o cachê, que era ótimo (equivalente ao meu salário do mês trabalhando como secretária).

Terra: Como foi o período de adaptação após o acidente?

Flávia: No início, é difícil encarar o olhar das pessoas, mas depois você percebe que o preconceito é uma limitação do outro. Hoje em dia, eu sinto muito pelas pessoas preconceituosas, porque sei que são elas que perdem mais com isso.

Alguém numa cadeira de rodas entrando em um ambiente chama atenção sempre. As pessoas olham e apresentam os mais variados comportamentos.

Tem aquelas mães que puxam o filho pelo braço, dizendo "não olhe!". Tem aquelas pessoas que lacrimejam de piedade. Tem as que ficam tentando perceber se o cadeirante precisa de ajuda e oferecem logo o auxilio, às vezes sem ser necessário.

O fato é que há um estranhamento provocado pela falta de convívio e só poderemos superar esse tipo de constrangimento quando alcançarmos a tão desejada sociedade inclusiva.

Terra: Em algum momento, pensou em desistir?

Flávia: Nunca pensei em desistir, mas é claro que passei por momentos de tristeza, impotência, angustia e muita dor. A superação veio quando decidi que não esperaria o dia de voltar a andar para voltar a viver.

E para viver bem foi necessário garimpar informações sobre as possibilidades disponíveis. Quem passa por um acidente hoje se recupera mais rápido porque consegue todas as informações com a velocidade da internet.

Além disso, a visibilidade alcançada por uma novela do Maneco, em horário nobre na TV Globo, traz o assunto para discussões no happy hour, no jantar com a família, no cafezinho do trabalho.

Terra: Da mesma forma que a personagem, você também teve dúvidas quanto à vida sexual e a possibilidade de ter filhos?

Flávia: Sim. Perguntei logo aos médicos e eles me explicaram que nada me impedia de engravidar. Mas tive sorte.

Ainda existem muitos médicos que costumam desaconselhar a gravidez de mulheres com deficiência e, estas, sem outra opção para buscar orientação, acreditam que possuem essa impossibilidade e desistem do sonho de ser mãe.

Nos consultórios ginecológicos, é muito comum que mulheres cadeirantes não sejam examinadas pelos seus médicos simplesmente porque transferi-las da cadeira para a mesa do exame dá muito trabalho.

Como ele acredita que aquela mulher não tem vida sexual, acaba considerando desnecessário examiná-la.

Terra: Já estava com o pai dos gêmeos antes do acidente?

Flávia: Meu acidente aconteceu em outubro de 1991. Eu tinha 18 anos e, com o namorado que tinha naquela época, vivi todo o processo inicial da reabilitação e da redescoberta da sexualidade, do corpo etc.

Terminamos o namoro um tempo depois e, em seguida, tive alguns relacionamentos. Conheci o pai dos meus filhos e fiquei grávida, quando havíamos acabado de marcar o casamento.

Decidimos cancelar a cerimônia e morar juntos. Permanecemos casados por dois anos e meio e nos separamos no ano passado.

Terra: Como é cuidar dos gêmeos?

Flávia: Minha condição física é minha circunstância de vida, é parte integral da minha rotina. É na minha cadeira de rodas que desempenho meus papéis de filha, de mulher, de profissional, de amiga, de mãe.

Meus maiores desafios não se referem à minha deficiência, mas ao universo da maternidade inserido no mundo moderno.

Esforço-me para driblar a agenda de trabalho, por exemplo, para estar muito tempo com meus filhos.

Estudo sobre desenvolvimento infantil, pesquiso sobre diferentes linhas pedagógicas, porque estão chegando na idade de ingressar na escola.

Cuido da alimentação, dos horários, das consultas médicas, brinco, canto, danço, dou as refeições, levo para passear, faço dormir, como qualquer mãe.

Terra: Contou ou ainda conta com a ajuda de alguém para cuidar dos gêmeos?

Flávia: Contei e conto até hoje com o apoio de uma babá que trabalha sob a minha supervisão e, além disso, tenho a sorte de morar a três quarteirões da casa minha mãe. Ter mãe por perto é tudo de bom!


Terra
22/03/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 23/03/2010