sábado, 31 de julho de 2010

Aprovado projeto de lei que torna obrigatório teste para detectar deficiência auditiva de bebês

Os especialistas recomendam o exame nos primeiros seis meses de vida. Depois da sanção presidencial, caberá a estados e municípios regulamentar a medida e determinar como os hospitais vão realizar o teste.
Da redação

De cada mil crianças que nascem no Brasil todos os anos, pelo menos duas apresentam algum tipo de deficiência na audição. Agora, um teste obrigatório vai detectar esses problemas ainda na maternidade.

Só quando Marina completou quatro meses, os pais perceberam que ela não escutava direito. "Ela não se assustava com barulho, não acordava com barulho. E aí comecei a indagar se ela tinha problema auditivo ou não", contou Pedro Pegolo Filho, pai de Marina.

Marina passou por uma cirurgia, colocou um aparelho e hoje, com um ano e dois meses, ouve tudo.

A Ciência já sabe que os recém-nascidos são capazes de reagir a todos os tipos de som, principalmente os mais fortes. Muitos pais acreditam que aquele susto que o bebê leva com o ruído da buzina de um carro, por exemplo, já é prova suficiente de uma audição perfeita. A descoberta de um problema auditivo nem sempre é tão simples assim.

Um projeto de lei aprovado no Congresso torna obrigatória a triagem auditiva, conhecida como teste da orelhinha, em todos os recém-nascidos. O exame detecta deficiências sutis que não são percebidas no dia a dia.

"Imaginamos que 5% a 10% da população brasileira de recém-nascidos fazem a triagem auditiva durante o ano", afirmou Doris Lewis, da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia.

Durante o teste, um pequeno fone é colocado no ouvido do bebê. O aparelho emite um som fraco. O ruído "viaja" pela cóclea. Ao detectar o sina, os cílios se movimentam e emitem uma resposta, que é registrada pelo equipamento.

Se houver problemas na audição, os cílios não se mexem e o aparelho nada registra. Pedrinho, com dois dias de vida, fez o teste. "O bebê ficou tranquilo, não se machucou e é uma prevenção também", disse Adelson Santana Maciel, pai de Pedrinho.

Os especialistas recomendam o exame nos primeiros seis meses de vida. "Hoje, sabemos que a detecção precoce do problema auditivo é fundamental pro melhor prognóstico. Ou seja, pro melhor desenvolvimento dessa criança", declarou a fonoaudióloga Flávia Ribeiro.

É o que os pais esperam de Marina. "Ela vai participar, vai estudar em escola normal, sem ter necessidade de linguagem de sinais, nada disso", disse Pedro.

O presidente Lula tem até a semana que vem para sancionar e lei. Depois, caberá a estados e municípios regulamentar a medida e determinar como os hospitais vão realizar o teste nos recém-nascidos.

Fonte: Jornal Floripa - 30/07/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 31/07/2010

PM comemora resultados de equoterapia com crianças

Cada criança é amparada por cinco profissionais, entre psicólogas e terapeutas.
Thiago Arioza

O 7.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (7º BPM/I) comemorou na manhã de ontem a evolução no desenvolvimento das crianças portadoras de deficiências mentais que praticam equoterapia, dentro do projeto retomado pela polícia há três meses com parceria entre a Secretaria Municipal de Saúde (SES), entidades de ensino superior e voluntários nas áreas de desenvolvimento físico e psicológico.

Além de promover a confraternização entre os profissionais, as crianças e seus familiares, a sessão de ontem também foi para reunir a equipe e avaliar resultados do trabalho executado gratuitamente desde abril deste ano. Segundo o Capitão Atilio Gracco, coordenador da atividade no 7º BPM, o projeto teve início em 2002, durou um ano e parou por falta de profissionais voluntários. Em fevereiro deste ano, o trabalho voltou, desta vez com apoio da faculdade Anhanguera e a Faculdade de Educação Física (Fefiso), por meio da Associação Cristã de Moços (ACM), que cederam profissionais especializados para desenvolver o projeto que atende cinco crianças de sete a 12 anos com autismo, paralisia cerebral, entre outras debilidades. Conciliamos essa atividade dentro do nosso trabalho em que temos de fazer o manejo dos animais, que também atuam no patrulhamento. Aproveitamos esses cavalos e os profissionais e damos movimento a uma estrutura para aproveitá-la em sua totalidade, explica.

Leonor Trigo, médica da rede municipal, conta que há uma extensa fila de espera de indicados para o tratamento. Se chamadas, essas crianças passam por uma bateria de exames, que indicam se o paciente possui restrições ou contraindicações para a prática dessa atividade terapêutica. Uma vez selecionada, a criança passa por um período de integração com os animais, até chegarem à fase de montaria. A prática é adaptada de acordo com as necessidades de cada paciente. Alguns já conseguiram mais autonomia no equilíbrio e na postura, outros precisam de um cuidado especial, explica a médica.

Dos 18 cavalos que atuam em patrulhamento da PM na cidade, Black e Danone foram os escolhidos para a terapia, por serem dóceis, relativamente baixos e receptivos no contato com as crianças. Tão mansos são esses animais que as crianças já se familiarizaram a ponto de reconhecê-los, como é o caso de Guilherme Carvalho Silva, de 12 anos. O menino, portador de paralisia cerebral, se entusiasma todas as semanas e não esquece do compromisso. Foi um avanço muito grande. Ele aprendeu a manter a postura e o pescoço reto em vez de deixar a cabeça caindo, como fazia antes. Com o tempo ele também ficou menos agitado, relata a mãe, Irene Carvalho.

A eficácia do tratamento é atestada por Adriane Almeida, mãe de Gabrielli, de 9 anos. Ao final da terapia, o sorriso da menina demonstra a satisfação com a atividade semanal. Ela mudou desde a postura, o andar e até a interação com outras pessoas. Antes ela também tinha muito receio com animais e isso foi superado, afirma.

No campo de areia, o cavalo é preparado e os praticantes chegam um a um. Para obterem concentração necessária e sentirem-se independentes, as mães esperam em outro local. Ao montar, cada criança é amparada por cinco profissionais, entre psicólogas e terapeutas. A montaria dura em torno de 30 minutos e varia nos movimentos e velocidade, conforme a indicação de cada paciente.

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul - Sorocaba, 30/07/2010

Matéria postada no blog da APNEN:31/07/2010

Familiares abandonam as crianças por serem portadoras de deficiência

Já existe projecto para a construção da primeira escola do ensino especial em Cabinda.

Augusto Cuteta

Mais de 90 por cento das crianças portadoras de deficiência que estudam em Cabinda são vítimas de abandono por parte dos progenitores devido à sua condição.

O chefe da área do ensino especial da Secretaria Provincial da Educação, Jonato Pítulo, disse, na sexta-feira, ao Jornal de Angola, que os divórcios e separações entre os pais de crianças com necessidades educativas especiais não contribuem para a recuperação dessas pessoas.

Jonato Pítulo, que também é professor, apelou aos pais e encarregados de educação para que reflictam, de forma aturada, sobre as decisões que venham a tomar em relação aos filhos com deficiências mentais, visuais e auditivas, congénitas ou adquiridas. "Ao ver a mãe abandonada, os meninos sofrem muito mais ainda por saberem que é por eles que a mamã perde o marido", salientou o funcionário da Secretaria Provincial de Cabinda da Educação.

Neste ano lectivo, a província de Cabinda, segundo dados fornecidos por Jonato Pítulo, tem integrados 163 alunos portadores de deficiências visuais, auditivas e mentais, distribuídos por sete salas de aulas especiais, onde, até agora, se ministram matérias da 1ª à 10ª classe.

O município de Cabinda, sede provincial, é o que regista um maior número de alunos com necessidades educativas especiais, num total de 145, em que se destacam quatro jovens, sendo três surdos-mudos e um cego, que estão a frequentar o ensino médio.

Os restantes alunos matriculados nas salas especiais da província de Cabinda encontram-se nos municípios de Belize, Buco-Zau e Cacongo. Esta estatística, salientou o responsável, não faz referência aos alunos que se encontram a frequentar instituições privadas.

Para garantir o funcionamento das salas do ensino especial, estão 15 professores, entre os quais um cego e um surdo-mudo. A estes efectivos juntar-se-ão, provavelmente ainda este ano, mais cinco professores que estão a ser formados.

O responsável da área do ensino especial salientou que, apesar dos avanços que a província de Cabinda tem alcançado, muitas dificuldades ainda são visíveis no sector, principalmente na sede provincial onde há uma maior concentração populacional.

A falta de uma escola especial, a carência de material de apoio pedagógico, como equipamentos em Braille, e o reduzido número de professores e técnicos formados para trabalharem com crianças com necessidades educativas especiais são as principais dificuldades que esta área enfrenta. O chefe da área do Ensino Especial em Cabinda manteve há dias, nesta cidade, um encontro com uma delegação da Associação de Professores de Educação Especial em Angola (APEEA), encabeçada pela vice-presidente, Maria Lúcia.

A delegação levou de Cabinda uma lista contendo as dificuldades por que passa o ensino especial no enclave rico em petróleo e madeira.

Fonte: Jornal de Angola - Cabinda, 30/07/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 31/07/2010

Nova tecnologia permite que pessoas completamente paralisadas digitem mensagens

Aparelho, que é parecido com tubos nasais de hospital, mede a pressão nasal e gera sinais elétricos através deles.

Um aparelho que detecta a respiração através do nariz ou da boca pode mover uma cadeira de rodas ou permitir que pessoas completamente paralisadas digitem mensagens.

Segundo pesquisadores israelenses o "controlador de sopro" (como foi batizado o aparelho) funciona melhor do que aparelhos que detectam piscadas de olhos ou outros métodos de comunicação.

Noam Sobel, um dos pesquisadores, disse que os resultados mais impressionantes foram em pessoas que perderam completamente o movimento do corpo, mas cuja capacidade cognitiva está intacta. Isso pode ser causado por infartos, AVC ou até por alguns tipos de esclerose.

Segundo Sobel, alguns de seus pacientes puderam escrever mensagens para seus entes queridos pela primeira vez em muitos anos e puderam expressar seus pensamentos e sentimentos.

O aparelho é parecido com tubos nasais de hospital, que ajudam pessoas a respirar, mas ele mede a pressão nasal e gera sinais elétricos através deles. Os pesquisadores testaram o controlador de sopro, primeiramente, em 36 voluntários saudáveis, que usaram o aparelho para jogar videogames em vez de joysticks.

Depois o primeiro teste em pacientes paralisados foi feito em uma mulher de 51 anos que está completamente paralisada desde seu infarto, sete meses atrás. Ela primeiro respondeu a perguntas usando o aparelho, depois escreveu uma mensagem para sua família.

Outra paciente, tetraplégica de 63 anos, usou o aparelho para mover sua cadeira de rodas.

Agora os cientistas estão estudando formas de tornar o controlador de sopro acessível ao público.

Fonte: HypeScience - 30/07/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 31/07/2010

Como lidar com os distúrbios mentais na infância

João*, de 8 anos, não sorria para os familiares, não gostava de contato social e era agressivo com os pais. Conheça a história da mãe que teve de aprender a amar seu filho.

Eliseu Barreira Junior

Os craques santistas Neymar, Paulo Henrique Ganso e Robinho são os três ídolos de João*, de 8 anos. Assim como muitos garotos da sua idade, ele adora futebol e toda semana se reúne com os coleguinhas de escola para jogar uma "pelada". "Sou meia-atacante", diz orgulhoso. Na vida de João, porém, o esporte é mais que uma paixão ou divertimento. É uma forma dele se socializar e superar as dificuldades de um grave transtorno de desenvolvimento que já trouxe muita preocupação para sua mãe, a engenheira química Cláudia*.

O filho tão desejado por Cláudia nasceu em um parto complicado. Por causa disso, ele teve de ficar internado durante dez dias antes de ir para casa com a mãe. Conforme crescia, João demonstrava um comportamento pouco comum: não sorria para os familiares, não gostava de contato social, era agressivo com os pais sem motivo, não reagia afetivamente e não falava. Para a família, tudo aquilo parecia natural, coisa de criança. Até que, ao completar 1 ano e 8 meses, ele passou a frequentar um berçário. No ambiente escolar, ficou evidente que havia algo de errado: João batia nas outras crianças, não gostava das professoras e evoluía de modo incompatível com a sua idade. Os profissionais do berçário recomendaram então que Cláudia procurasse ajuda médica.

Levado a um psicólogo, foi constatado que João apresentava traços de uma criança autista, apesar de não ter autismo. O diagnóstico: Transtorno Global do Desenvolvimento. Sob o nome, estão incluídos graves distúrbios emocionais e transtornos relacionados à saúde mental infantil. "Os problemas dessas crianças não vêm necessariamente de uma debilidade intelectual nem de uma debilidade física", afirma Maria Cristina Kupfer, professora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IP-USP) e estudiosa da psicose e autismo infantis há mais de vinte anos. "Seus problemas vêm de uma falha precoce no estabelecimento da relação com os outros."

Isso quer dizer que, para crianças como João, a construção do psiquismo voltado para o convívio social não se fez convenientemente. Nosso psiquismo (ou nossa personalidade) é construído para ser um instrumento de relação com os outros, uma espécie de porta aberta para o mundo. "A falha nesse processo é resultado de dificuldades, acidentes, entraves ou impasses ocorridos durante o processo de estruturação subjetiva da criança", diz a psicanalista Enriqueta Nin Vanoli, da equipe multidisciplinar da Associação Serpiá (Serviços Psicológicos para a Infância e Adolescência), de Curitiba (PR).

A análise do histórico de vida de João pode ajudar a entender como o problema se desenvolveu. Cláudia conta que o fato do menino não corresponder aos carinhos que recebia ainda bebê, evitar o seu olhar e não esboçar nenhum tipo de sentimento criou uma barreira entre ambos. Ela sonhara com um modelo ideal de criança a que João não correspondia. A frustração impedia uma proximidade, uma relação genuína de mãe e filho. "Era como se o João fosse uma criança qualquer. Apesar de estar ao seu lado fisicamente sempre, não conseguia me aproximar emocionalmente. Ele cresceu isolado de mim", afirma. Cláudia acredita que o problema no parto, de certa forma, criou uma ferida psicológica que marcou o garoto. "A verdade é que eu também tinha dificuldade de amar meu filho, talvez pelo meu histórico familiar. Cresci num ambiente em que as pessoas eram muito fechadas. Costumava me julgar uma pessoa carinhosa, mas dar carinho é diferente de dar amor."

O relato de Cláudia revela dois elementos que os especialistas costumam notar nos casos em que o Transtorno Global de Desenvolvimento é diagnosticado. Em primeiro lugar, há uma enorme dificuldade para os pais aceitar o não-olhar dos filhos, interpretado como falta de afeto por parte da criança. Em segundo lugar, o problema sempre envolve o menor e o adulto responsável por sua criação, ou seja, ele não pode ser concebido como um fenômeno que acontece com somente uma pessoa. "É preciso tomar cuidado, porém, para não culpar os pais, porque são coisas que não costumam passar pela consciência deles", diz Jussara Falek Brauer, professora aposentada e coordenadora do Laboratório de Estudos e Pesquisas Psicanalíticas dos Distúrbios Graves na Infância do IP-USP. "A criança pode estar respondendo a algo de errado que está na mãe e que, às vezes, nem a própria mãe sabe que tem. Só por meio de análise é possível descobrir o que está acontecendo."

Um estudo epidemiológico feito em 2008 pelo pesquisador americano Myron Belfer mostrou que até 20% das crianças e adolescentes sofrem de algum transtorno mental grave. Se for considerado o espectro autístico, pode-se falar em uma criança em cada 150, de acordo com a agência Centers for Disease Control e Prevention (ou CDC), do departamento de saúde e serviços humanos dos Estados Unidos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta uma taxa de 12% a 29% de prevalência de transtornos mentais na infância. De forma geral, a incidência de distúrbios como o de João é maior em meninos do que em meninas. Diagnosticar problemas psiquiátricos em crianças, no entanto, costuma ser difícil. "A partir de seis meses de idade, uma criança já pode mostrar sinais de autismo, como o não-olhar para a mãe, mas isso isoladamente não quer dizer que ela vá se tornar autista", afirma Maria Cristina. "É muito perigoso pegar um rótulo e colocar num bebê, porque ele vai procurar responder àquilo que todo mundo está falando que ele tem", diz Jussara.

Daí a necessidade de um diagnóstico feito por profissionais especializados. "Um bom acompanhamento médico é fundamental. Ele envolve um trabalho que deve considerar uma série de fatores, além da sutileza e singularidade de cada caso", diz Enriqueta. Foi o que aconteceu com João. Após a primeira consulta médica, ele já começou um tratamento que buscava reatar o diálogo perdido com os outros. Sua mãe também passou a se consultar com a mesma psicóloga responsável pelo acompanhamento do filho. "Nas sessões, eu aprendi como superar as minhas dificuldades de relacionamento com ele", afirma Cláudia.

Trabalhar a mãe e a criança com o mesmo profissional, mas em sessões individuais, é um dos segredos para o sucesso do tratamento. "Esse trabalho conjunto vai na direção da reconstituição da história familiar. A partir dele, tenta-se desfazer o emaranhado que cria problemas para a criança", afirma Jussara. A experiência da professora da USP mostra que 90% dos 105 menores que atendeu ao longo de sua pesquisa clínica na universidade deixaram de apresentar os sintomas que os levaram ao médico pela análise e correção do que havia de errado entre mãe e filho.

Seis anos após o início do tratamento, João leva hoje uma vida normal. Ele vai a uma escola comum - João está na segunda série do ensino fundamental de um colégio particular de São Paulo - , estuda inglês e, além de futebol, pratica natação e capoeira. Agora, convive bem socialmente, não se isola mais, gosta de conversar e qualquer dificuldade que tem recorre à ajuda da mãe. "Ele aprendeu a expressar muito bem o que sente. O distanciamento que existia antes acabou", diz Cláudia. Como João demorou para desenvolver seu lado social, o menino ainda apresenta algumas reações que não são adequadas, como querer exclusividade quando está brincando com um amiguinho.

Para mudar comportamentos como esse, ele frequenta duas vezes por semana a Associação Lugar de Vida, dedicada ao tratamento e à escolarização de crianças psicóticas, autistas e com problemas de desenvolvimento. Localizado no Butantã, na zona oeste de São Paulo, o Lugar de Vida iniciou suas atividades em 1990 como um serviço do Departamento de Psicologia da Aprendizagem, do Desenvolvimento e da Personalidade do IP-USP. Lá, João participa de Grupos de Educação Terapêutica (GETs) com outras crianças. Há dois focos de trabalho nos GETs: o primeiro compreende atividades como movimentação em brinquedos de grande porte, corridas, jogos de pátio com regras simples, encenação de pequenas peças, aprendizado de músicas e escuta de relatos de histórias - atividades, em geral, de cooperação grupal para o desenvolvimento do laço social; o segundo foco é na escrita e compreende atividades para o desenvolvimento do desenho, do grafismo e da superação das dificuldades de alfabetização. Para os pais, há uma reunião uma vez por semana em que eles podem conversar sobre os problemas dos filhos com a mediação de uma psicóloga. Nos encontros, compartilham suas dúvidas, obtêm esclarecimentos e trocam experiências."É bom participar desse tipo de reunião porque a gente percebe que não está sozinha nisso", afirma Cláudia.

Contar com o auxílio de bons profissionais e abraçar o problema para superá-lo - sem buscar um culpado - foram os principais elementos para a melhora do filho, segundo Cláudia. "Se o pai e a mãe não estão ali para ajudar, nada adianta. No começo, eu e meu marido ficamos muito atormentados com o que estava acontecendo, e juntos conseguimos enfrentar a situação". A mãe coruja diz que João já sabe o que quer ser quando ficar mais velho: jogador de futebol do Santos, seu time do coração. O menino que antes não sabia se relacionar se apaixonou por um esporte em equipe e ensinou sua mãe a amá-lo.

* Os nomes foram trocados para preservar a identidade do menor e da mãe

Fonte: Revista Época - São Paulo, 30/07/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 31/07/2010

Fisioterapia para todos no Hospital SARAH RIO na Barra da Tijuca

Um imenso centro de reabilitação na Barra da Tijuca oferece tratamento fisioterápico grátis, coisa de primeiro mundo.

O HOSPITAL SARAH RIO, especializado em neuroreabilitação, inaugurado no dia 01 de maio de 2009, na Barra da Tijuca, já está cadastrando para atendimento novos pacientes adultos e crianças com as seguintes patologias:

* Paralisia cerebral;
* Crianças com atraso do desenvolvimento motor;
* Sequela de traumatismo craniano;
* Sequela de AVC;
* Sequelas de hipóxia cerebral;
* Má-formação cerebral;
* Sequela de traumatismo medular;
* Doenças medulares não traumáticas, como mielites e mielopatias;
* Doenças neuromusculares, como miopatias, neuropatias periféricas hereditárias e adquiridas, amiotrofia espinhal;
* Doença de Parkinson e Parkinsonismo;
* Ataxias;
* Doença de Alzeihmer e demências em estágio inicial;
* Esclerose múltipla;
* Esclerose lateral amiotrófica em estágio inicial;
* Mielomeningocele;
* Espinha bífida;
* Paralisia facial.

O atendimento é totalmente gratuito.

O cadastro para atendimento de novos pacientes é feito exclusivamente pelo telefone (21) 3543-7600, das 08 às 17 horas, de segunda a sexta-feira.

Fonte: A Bengala Legal - Rio de Janeiro, 30/07/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 31/07/2010

Teste com células-tronco embrionárias

EUA liberam em humanos teste com células-tronco embrionárias.
DE SÃO PAULO
A FDA (órgão que fiscaliza alimentos e medicamentos nos Estados Unidos, similar à Anvisa) liberou nesta sexta-feira (30) o primeiro teste no mundo em seres humanos de um tratamento médico derivado de células-tronco embrionárias.

Agora, a empresa Geron Corp. (Gern) poderá seguir em frente com seu teste preliminar, interrompido há cerca de um ano, em agosto de 2009.

Células-tronco embrionárias são consideradas as mais versáteis de todas, obtidas de embriões com poucos dias de vida --elas podem se transformar em qualquer tipo de célula no corpo.


Jeff Miller/AP/UW-Madison University CommunicationsObservação de células-tronco através de microscópio; agência dos EUA aprovou testes de tratamento em humanos. A companhia de Menlo Park, Califórnia, inicialmente lançou sua experiência, que teria o potencial de curar lesões na medula espinhal, no início de 2009. Mas ele foi paralisado sete meses depois, quando preocupações sobre a segurança foram levantadas por conta de um teste utilizando camundongos. De acordo com a Geron, os animais haviam desenvolvido cistos espinhais.

A Geron diz agora que encontrou uma nova forma de testar sua terapia e que não viu cistos em um estudo separado com animais --diferente do que impulsionou a paralisação da FDA no ano passado.

PACIENTES

A Geron pode começar a recrutar pacientes com lesões na medula espinhal em cerca de um mês, disse Thomas Okama, presidente da empresa, à Bloomberg. Entre oito e dez pacientes devem ser inscritos para o experimento, em diferentes locais do país.

De acordo com o divulgado, a Geron espera começar os testes em humanos com sua terapia, chamada GRNOPC1, até o fim do ano. Os testes devem durar cerca de dois anos, e cada paciente deve ser estudado por um ano.

Esses testes clínicos preliminares são focados na segurança da terapia, mas a Geron também espera medir sua eficácia com isso. Um teste bem sucedido conduziria a estudos maiores e mais longos, com foco na eficácia da tratamento. De todo modo, a empresa diz que planeja continuar a monitorar pacientes por mais 15 anos, por segurança.

O anúncio fez as ações da empresa --que ajudou a financiar o isolamento das primeiras células-tronco embrionárias da Universidade de Wisconsin, nos anos 90-- subirem 17%.

Editoria de Arte/Folhapress

PARALISIA

O tratamento utiliza células chamadas oligodendrocyte progenitoras. Elas se transformam em oligodendrocytes, tipo de célula que produz mielina, capa que permite aos impulsos se moverem pelos nervos.

Quando estas células são perdidas por lesões, pode haver paralisia. Se o tratamento GRNOPC1 funcionar, as células progenitoras vão produzir novos oligodendrocytes na área afetada da espinha do paciente, potencialmente permitindo movimentos novamente.

A terapia será injetada na espinha do paciente entre uma e duas semanas depois de os pacientes terem sofrido lesão, entre a terceira e décima vértebras torácicas. Essa região fica aproximadamente na região das costas entre a parte média e superior.

Testes posteriores incluiriam pacientes com lesões espinhais menos severas e danos para outras partes da espinha.

ACOMPANHADA

A Geron não é a única companhia que espera começar experimentos com células-tronco em breve. A empresa Advanced Cell Technology Inc também busca a liberação da FDA para uma terapia que utiliza células-tronco embrionárias chamada epitélio de pigmento de retina (RPE).

Esta terapia busca tratar a doença de Stargart, uma condição herdada que afeta crianças e pode levar à cegueira na vida adulta.

A Advanced Cell Technology pediu autorização à FDA em novembro. Depois que a agência pediu informações adicionais, a empresa as submeteu semana passada. Agora a companhia espera nova resposta da FDA dentro de 30 dias.

POLÊMICA

A liberação de pesquisas com células-tronco embrionárias de humanos para experimentos científicos nos EUA foi feita na gestão do presidente Barack Obama.

Isso foi sempre algo limitado e restrito pelo antecessor George W. Bush, cujo impedimento se sustentou sempre sob o argumento moral. Na era Bush, a verba federal para cientistas era limitada para determinadas linhas de pesquisa.

Apesar da liberação, especialistas destacam o temor de que esta terapia não tenha sido testada o suficiente em animais e possa causar danos aos pacientes.

Por outro lado, muitos cientistas acreditam que as células-tronco embrionárias vão permitir conhecimento fundamental nas causas de muitas doenças e que poderão ser usadas para curar diabetes, mal de Parkinson, paralisias e outras enfermidades.

Arte Folha Com AP

Fonte:http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/775527-eua-liberam-em-humanos-teste-com-celulas-tronco-embrionarias.shtml 30/07/2010.

Matéria postada no blog da APNEN: 31/07/2010

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Piracicaba inicia cadastro de pessoas com deficiência em agosto

Objetivo é conhecer a fundo o perfil dessas pessoas e as suas reais necessidades.

A partir da segunda quinzena de agosto, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Semdes), em parceria com o Centro de Reabilitação, inicia o Camped (Cadastramento das Pessoas com Deficiência).

É a primeira vez que o cadastro ocorre em Piracicaba, e o objetivo é conhecer a fundo o perfil dessas pessoas e as suas reais necessidades, para que, então, sejam definidas políticas públicas mais eficazes.

Inicialmente, será feito um levantamento com cerca de 2.000 pessoas portadoras de deficiência, como física, mental-intelectual e auditiva, com base nos dados do Cadastro Único da Assistência Social. Uma equipe de cadastradores, identificados com crachá, irá, de casa em casa, aplicar o formulário a deficientes ou responsáveis.

O Cadastro Único traz informações sobre essas pessoas, mas não detalha as suas necessidades e dificuldades (onde estão, se têm ligação com alguma entidade, entre outras perguntas feitas por meio do Camped). O levantamento deve se estender até meados de novembro, e a expectativa é que o resultado final seja divulgado ainda neste ano.

Mais informações podem ser obtidas Semdes, pelo telefone 3417-8800.

Fonte: Canal Rio Claro - Piracicaba, 29/07/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 30/07/2010

Decreto nº 56.032, de 21 de Julho de 2010

Nova denominação do Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa Portadora de Deficiência.

Altera a denominação do Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa Portadora de Deficiência e dá providências correlatas

ALBERTO GOLDMAN, Governador do Estado de São Paulo, no uso de suas atribuições legais,

Considerando que o Brasil é signatário desde 30 de março de 2007 da Convenção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, tratado internacional aprovado em Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas - ONU em dezembro de 2006 e ratificado pelo Congresso Nacional em julho de 2008;

Considerando as disposições da Lei nº 12.907, de 15 de abril de 2008, que consolida a legislação relativa à pessoa com deficiência no Estado de São Paulo, em especial seu artigo 9º, versando que o Conselho Estadual para Assuntos das Pessoas com Deficiência proporá aos órgãos competentes, regulamentos e medidas administrativas necessárias à viabilização dos direitos garantidos na referida lei; e

Considerando que a conjunção desses novos fatores impõe nova terminologia para a expressão que se designava por "pessoa portadora de deficiência" atualizando-a para "pessoa com deficiência",

Decreta:

Artigo 1º - O Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa Portadora de Deficiência de que trata o Decreto nº 40.495, de 29 de novembro de 1995, passa a denominar- se Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa com Deficiência.

Artigo 2º - Os membros do Conselho a que se referem os incisos I e II do artigo 3º do Decreto nº 40.495, de 29 de novembro de 1995, passam a ser representantes, respectivamente, de:

I - movimentos de pessoas com deficiência, atendendo à globalidade das deficiências;

II - entidades prestadoras de serviços às pessoas com deficiência, atendendo à globalidade das deficiências.

Artigo 3º - Os dispositivos adiante enumerados do Decreto nº 52.841, de 27 de março de 2008, passam a vigorar com a seguinte redação:

I - o inciso II do artigo 4º: "II - Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa com Deficiência;"; (NR)
II - a Seção I do Capítulo VIII e seu artigo 46:

"SEÇÃO I
Do Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa com Deficiência

Artigo 46 - O Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa com Deficiência é regido pelo Decreto nº 40.495, de 29 de novembro de 1995, alterado pelos Decretos nº 48.878, de 17 de agosto de 2004, nº 51.074, de 28 de agosto de 2006, nº 51.325, de 4 de dezembro de 2006, e nº 51.665, de 16 de março de 2007, e outras alterações posteriores.". (NR)

Artigo 4º - As disposições deste decreto aplicam-se, no que couber, aos decretos de dispensa e designação de membros do Conselho, publicados no Diário Oficial do Estado de 27 de maio de 2009, de 29 de outubro de 2009 e de 14 de maio de 2010.

Artigo 5º - Este decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Palácio dos Bandeirantes, 21 de julho de 2010

ALBERTO GOLDMAN

Linamara Rizzo Battistella
Secretária dos Direitos da Pessoa com Deficiência

Humberto Rodrigues da Silva
Secretário-Adjunto, Respondendo pelo Expediente da Casa Civil

Fonte: Publicado na Casa Civil, aos 21 de julho de 2010.
Procuradoria Geral do Estado de São Paulo
São Paulo, 29/07/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 30/07/2010

Células-tronco e veneno de cobra são usados para reconectar neurônios

Pesquisadores utilizam células-tronco mononucleares de medula óssea e uma “cola” desenvolvida a partir do veneno de serpentes.

A realização de reparos eficientes em lesões do sistema nervoso é um desafio para a medicina. Compreender o rearranjo dos circuitos neurais provocado por essas lesões pode ser um passo fundamental para otimizar a sobrevivência e a capacidade regenerativa dos neurônios motores e restabelecer os movimentos do paciente.

A partir de investigações sobre esses mecanismos de rearranjo dos circuitos nervosos, um grupo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) está desenvolvendo um modelo inovador que associa terapia celular ao reimplante das raízes nervosas.

Para restabelecer a conexão entre o sistema nervoso periférico e o central, os pesquisadores utilizam células-tronco mononucleares de medula óssea e uma “cola” desenvolvida a partir do veneno de serpentes.

O projeto é coordenado por Alexandre Leite Rodrigues de Oliveira, professor do Departamento de Anatomia, Biologia Celular e Fisiologia e Biofísica, e conta com apoio da FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular.

Participam também do projeto Roberta Barbizan, orientanda de doutorado de Oliveira no Programa de Pós-Graduação em Biologia Celular e Estrutural da Unicamp, Rui Seabra Ferreira Júnior, professor do Departamento de Doenças Tropicais e Diagnóstico por imagem da Faculdade de Medicina (FMB) da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), em Botucatu e Antônio de Castro Rodrigues, professor da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB), da USP.

Coordenador do Laboratório de Regeneração Nervosa da Unicamp, Oliveira apresentou na segunda-feira, durante o 15º Congresso da Sociedade Brasileira de Biologia Celular, em São Paulo, modelos utilizados por sua equipe para investigar os mecanismos de regeneração do sistema nervoso central e periférico.
Este ano, o grupo já publicou artigos sobre o tema nas revistas Neuropathology and Applied Neurobiology, Journal of Comparative Neurology e Journal of Neuroinflammation.
– Após lesão no sistema nervoso – periférico ou central –, ocorre um rearranjo considerável dos circuitos neurais e das sinapses. Entender esse rearranjo é importante para determinar a sobrevivência neural e a capacidade regenerativa posterior –, disse Oliveira.

Para estudar os mecanismos de regeneração, os cientistas utilizam técnicas que unem microscopia eletrônica de transmissão, imuno-histoquímica, hibridação in situ e cultura de células gliais e neurônios medulares.

– Procuramos associar a terapia celular ao reimplante das raízes nervosas. Para isso, temos usado células-tronco mesenquimais e mononucleares no local da lesão ou nas raízes reimplantadas. A ideia não é repor neurônios, mas estimular troficamente essas células e evitar a perda neural, de modo a conseguir otimizar o processo regenerativo –, disse.

O projeto mais recente do grupo envolve o uso de um selante de fibrina – uma proteína envolvida com a coagulação sanguínea –, produzido a partir de uma fração do veneno de jararaca pelo Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Botucatu.

– Os axônios dos neurônios motores saem da medula espinhal e entram na raiz nervosa, dirigindo-se aos nervos. O nosso modelo emprega essa ‘cola’ biorreabsorvível para reimplantar as raízes nervosas na superfície da medula, onde o sistema nervoso periférico se conecta ao sistema nervoso central. Associamos essa adesão às células-tronco, que produzem fatores neurotróficos – isto é, moléculas proteicas capazes de induzir o crescimento e a migração de expansões das células neurais–, explicou Oliveira.

Quando as raízes motoras são arrancadas, cerca de 80% dos neurônios motores morrem duas semanas após a lesão. Mas os motoneurônios que sobrevivem têm potencial regenerativo após o reimplante de raízes nervosas.

– Porém, na maioria das vezes, o reimplante das raízes não é suficiente para se obter um retorno da função motora, porque a lesão causa uma perda neuronal grande demais. Por isso, é preciso desenvolver estratégias para diminuir a morte neuronal após a lesão. Achamos que o uso do selante de fibrina pode auxiliar nesse processo –, indicou.

Segundo Oliveira, quando há uma lesão periférica – comum em acidentes de trabalho, por exemplo –, com transecção ou esmagamento de nervos, ocorre uma resposta retrógrada, isto é, uma reorganização sináptica visível na medula espinhal, onde se encontram os neurônios.

– O interessante é que, quando a lesão é periférica, o neurônico sinaliza de alguma forma para a glia – o conjunto de células do sistema nervoso central que dão suporte aos neurônios –, que se torna reativa. Essa reatividade está envolvida no rearranjo sináptico por meio de mecanismos ainda pouco conhecidos. Nosso objetivo é compreender e otimizar esse processo de rearranjo sináptico para, futuramente, criar estratégias capazes de melhorar a qualidade da regeneração neuronal –, afirmou.

No laboratório da Unicamp, os cientistas induzem em ratos e camundongos doenças como a encefalomielite autoimune experimental – que é um modelo para estudar a esclerose múltipla. Após a indução de uma forma aguda da doença, os animais apresentam todos os sinais clínicos, tornando-se tetraplégicos de 15 a 17 dias após a indução.

– Por outro lado, eles se recuperam da tetraplegia muito rapidamente, entre 72 e 96 horas. O rearranjo sináptico induzido pela inflamação é tão grande que paralisa completamente a funcionalidade tanto sensitiva como motora, mas de forma transitória –, disse Oliveira.

No entanto, a esclerose múltipla destrói a bainha de mielina, uma substância que isola as terminações dos nervos e garante o funcionamento dos axônios. Segundo Oliveira, porém, essa bainha se recupera em surtos temporários: em alguns momentos há desmielinização; em outros, a resposta imune fica menos ativa, permitindo que a bainha de mielina se recomponha.

– O paradoxal é que, mesmo que a remielinização não tenha se completado, o animal volta a andar normalmente. Nossa hipótese é que o processo autoimune causa lesões cuja repercussão no sistema nervoso central é similar àquela que ocorre após uma injúria axonal. Transitoriamente, os neurônios param de funcionar. Quando a inflamação cede, as sinapses retornam muito rapidamente. No modelo animal, em algumas horas a função é retomada e os sinais clínicos vão desaparecendo –, disse.

Além do modelo da esclerose múltipla, os cientistas trabalham também com um modelo de lesão periférica dos nervos e na superfície da medula espinhal.

– Quanto mais perto da medula ocorre a lesão, mais grave a lesão em termos de morte neuronal. Todas são graves, mas aquela que ocorre perto da medula causa perda neuronal e aí não há perspectiva de recuperação. Mesmo com as vias íntegras, o neurônio que conecta o sistema central com o músculo morre e nunca mais haverá recuperação –, explicou o professor da Unicamp.

– Tanto no animal como no homem, ocorre uma perda grande de neurônios, mas da pequena porcentagem que resta, apenas cerca de 5% consegue se regenerar. No homem, entretanto, há uma demora de mais de dois anos para que se recupere alguma mobilidade. No rato, a mobilidade é recuperada em três ou quatro meses –, disse.

– Uma vez que isso foi descoberto, começou-se a tentar reimplantar as raízes, desenvolvendo estratégias cirúrgicas e tratamentos com drogas que evitem a morte neuronal nesse período em que há desconexão. Essa parece ser a saída mais promissora para evitar a perda neuronal e otimizar a regeneração–, afirmou.

Fonte: Correio do Brasil - Campinas, 29/07/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 30/07/2010

Bahia fará testes com células-tronco em pessoas paraplégicas

Pesquisadores do CBTC vão realizar os primeiros testes em humanos de um tratamento para recuperação dos movimentos de pacientes paraplégicos.

Nas próximas semanas, a ciência da Bahia dá um passo importante para a consolidação das terapias com células-tronco. Pesquisadores do Centro de Biotecnologia e Terapias Celulares (CBTC) do Hospital São Rafael, em Salvador, vão realizar os primeiros testes em humanos de um tratamento para recuperação dos movimentos de pacientes paraplégicos.

As experiências iniciais realizadas em cães e gatos apresentaram bons resultados. Segundo a pesquisadora Milena Soares, que coordena o trabalho, a terapia foi usada em dez animais que haviam sofrido quedas ou atropelamentos e perdido parte dos movimentos. As células-tronco foram retiradas dos próprios animais, cultivadas durante quatro semanas em laboratório e depois injetadas nos locais lesionados.

“Esses animais tiveram melhora em termos de ganho de movimentação dos membros, função urinária e sensibilidade. Com base nesses resultados, nós tivemos aprovado na Comissão Nacional de Ética e Pesquisa (Conep) um estudo clínico que será iniciado semana que vem em 20 pacientes com paraplegia. Depois eles vão passar por um período de fisioterapia e esperamos que melhorem como os animais”, explica a pesquisadora.

Se tudo correr bem e os resultados forem os esperados, os testes serão ampliados até que o procedimento possa ser adotado como um tratamento médico. A fase inicial da pesquisa vai durar no mínimo dois anos; com base no que for observado, serão feitas novas análises, até a liberação.

“Podemos calcular entre quatro e cinco anos para que o processo seja concluído. Obviamente que, como qualquer terapia, ela vai passar por ajustes e aprimoramentos para que se tenha o melhor efeito terapêutico. Vamos avaliar o número de administrações de células-tronco e a dose que precisa ser aplicada em cada tipo de lesão, para que se tenha o melhor resultado terapêutico possível”, afirma Soares.


Tecnologia

A Bahia é pioneira em pesquisas com células-tronco e o CBTC o melhor centro de estudos desse tipo de tratamento na América Latina. As pesquisas são financiadas, em parceria, pelo próprio Hospital, Governo do Estado, Ministério da Saúde, Fiocruz e CNPQ.


Bahia na fronteira das pesquisas

Um dos destaques do CBTC é a sala de cultivo de células humanas. Inaugurado recentemente, é o primeiro no Brasil a realizar o trabalho de cultivar as células-tronco que serão usadas nas pesquisas com humanos. O centro também ganhou, com apoio da Fapesb, um biotério. O espaço serve para a criação e manipulação das cobaias usadas na fase pré-clínica das pesquisas.

O pesquisador Ricardo Ribeiro, que é o coordenador nacional das pesquisas com células-tronco para tratamento de Doença de Chagas, explica que “o Conep, antes de liberar as experiências com humanos, exige a realização de testes com animais, para mostrar que o procedimento é eficaz e não tem riscos. Para isso nós conseguimos, com o apoio da Fapesb, esse biotério que pode ser usado em ambiente hospitalar”.

Segundo Ribeiro, com a estrutura que tem hoje “a Bahia está na fronteira das pesquisas em terapia celular. Quando pesquisadores do exterior e do Sul do país chegam aqui no CBTC eles tomam um susto, não acreditam que temos um laboratório tão avançado na Bahia. A gente está na frente. O centro foi implantado antes e já fornece até material para os estudos deles. Isso é a Bahia”.

Para o diretor de Inovação da Fundação de Amparo a Pesquisa da Bahia (Fapesb), Elias Ramos de Souza, o apoio a projetos considerados estruturantes na área da ciência e tecnologia é uma prioridade do Governo do Estado. “As pesquisas em terapia celular, que prometem uma aplicação imediata, é um desses projetos que nós apoiamos em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP)”.


O que são as células-tronco

As células-tronco são células que têm a capacidade de se multiplicar e de se transformar em outros tipos de células do corpo humano. Nos últimos anos, cientistas de todo o mundo têm aproveitado essa característica e usado as células-tronco no tratamento de diversas doenças.

O procedimento consiste, em resumo, na retirada dessas células da medula óssea, aquela região esponjosa que existe dentro do osso e que é rica em células-tronco. O líquido coletado é separado em seus diversos constituintes, de modo a se obter uma fração concentrada de células-tronco. Elas são então injetadas nos locais lesionados e passam a se multiplicar, transformando-se em células sadias que substituem as doentes.

Fonte: Portal do Beirú - Salvador, 29/07/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 30/07/2010

O idioma do silêncio

Os quase 6 milhões de deficientes auditivos do País reivindicam a difusão da Língua Brasileira de Sinais para facilitar a comunicação e a convivência em sociedade.
Gisele Brito
No último Fashion Rio, uma modelo chamou atenção porque, além de ser linda, é surda. Brenda Costa, de 27 anos, nasceu sem audição. Aos 17, tornou-se modelo internacional. Desde criança ela tem o acompanhamento de fonoaudiólogos e por isso consegue falar, ainda que com dificuldade. Há 4 anos passou por um procedimento cirúrgico que possibilitou que escutasse alguns sons. Assim como Brenda, quase 6 milhões de pessoas no Brasil são surdas, segundo dados do IBGE.

O grupo tem o segundo maior índice de empregabilidade entre todas as chamadas deficiências - segundo o ministério do Trabalho, em 2008 havia 79,6 mil trabalhadores com carteira assinada - e possui a maior média salarial, de R$ 2.162. "O surdo não tem uma deficiência, só tem uma língua diferente", diz Neivaldo Zovico, coordenador da Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis), que nasceu surdo. Ele explica que existe diferença entre quem perdeu a audição em um determinado momento da vida e aquele que já nasceu sem audição. "O deficiente auditivo pensa como ouvinte, o surdo pensa diferente".

A surdez dificulta e às vezes impossibilita a comunicação na língua falada fluentemente na sociedade em que o surdo vive, e essa acaba sendo sua maior dificuldade de inserção social. Por isso, o acesso a escolas que ensinem a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e a difusão dela por toda a sociedade é a principal reivindicação de quem não possui audição. "É a língua que te constrói. O surdo sempre consegue uma forma de se comunicar, mas é fundamental que ele se torne um usuário da língua de sinais", explica Jarbas Batista de Oliveira, diretor da Escola Especial de Educação Básica da Divisão de Educação e Reabilitação dos Distúrbios da Comunicação, instituição ligada à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Apesar de conseguir emprego com mais facilidade, os surdos são os mais demitidos. Os empregadores se interessam por não precisar fazer adaptações no espaço físico do ambiente de trabalho, mas logo percebem que contrataram alguém que não fala a mesma língua que eles. Para contornar essa situação, acaba de ser lançado País o primeiro dicionário que reúne Inglês, Português e Libras. "Quem aprende um idioma, aprende uma forma nova de enxergar a realidade", diz Fernando Capovilla, um dos autores.

O catarinense Alexandre Cardoso, de 21 anos, foi incentivado a falar desde pequeno e se alfabetizou em Português. Mas seu desenvolvimento pleno só aconteceu quando aprendeu a língua dos sinais. Atualmente cursa Direito e Letras com habilitação em Libras. Ele conta que, apesar de fazer leitura labial, a comunicação com os ouvintes sempre foi complicada e que quando estava com mais de uma pessoa era quase impossível acompanhar a conversa antes de aprender Libras. Nas duas faculdades, Cardoso conta com intérprete que traduz a aula para a língua de sinais. A figura do intérprete de Libras, aliás, é muito importante para a inclusão do surdo na sociedade. A presença dele em hospitais, por exemplo, é fundamental, apesar de rara. A lei brasileira exige a presença do intérprete em locais públicos, mas isso não é respeitado. "Existem diversos relatos de surdos que ingerem remédios de maneira errada porque não conseguem se comunicar com o médico", alerta Zovico.

Fonte:Folha Universal - 29/07/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 30/07/2010

Menino surdo ganha ouvido biônico no RJ

Cirurgia é a primeira realizada pelo Hospital do Fundão, no Rio.
Aos 6 anos, o menino Yago Bueno dos Santos não consegue ouvir a voz da mãe, vê desenho tentando imaginar as falas dos personagens e ainda não entendeu o nome da irmã que está prestes a nascer. Sem conseguir ouvir desde janeiro, quando teve meningite, Yago passou os últimos meses num mundo de silêncio, difícil para um menino que sempre foi muito falante. Mas o drama está próximo de ter fim. Yago foi submetido, há uma semana, a uma cirurgia de implante de ouvido biônico, a primeira realizada pelo Sus no Rio de Janeiro.

"Em cerca de 20 dias, o implante será ativado. A partir daí, ele já começará a ouvir barulhos, mas aos poucos vai ouvir melhor. Acredito que em um ano vai ter uma vida normal", afirma a chefe do serviço de Fonoaudiologia do Hospital do Fundão, onde foi feita a cirurgia, Maria Isabel Kos.

Mãe de Yago, Patrícia Bueno dos Santos, que está grávida, espera ansiosa a recuperação do menino. "Quero que ele possa voltar a estudar, a me ouvir", conta emocionada.

Pai do menino, o militar Sérgio Bueno dos Santos, 40, diz que a perda de audição da criança deixou a família em desespero. "A gente estava sofrendo muito. Yago sempre foi muito falante, já estava com dificuldades para falar e esqueceu algumas palavras", diz Sérgio, que saiu com a família do Mato Grosso do Sul para o Rio em busca de tratamento.

Segundo o Fundão, só o ouvido biônico - dispositivo eletrônico colocado no ouvido interno do paciente para que ele volte a ouvir - custa cerca de R$ 50 mil. Hoje, cerca de 100 pacientes esperam pela oportunidade de fazer o procedimento no Hospital do Fundão, onde tudo é gratuito.

"O implante é indicado para pessoas que não têm resultado com aparelhos de audição. Recupera 99% dos casos de surdez", afirma Kos. Para ser operado no Fundão, o paciente precisa ser encaminhado por uma unidade de saúde.

Plano de saúde não cobre

O menino Yago não poderia ter sido operado com as despesas cobertas pelo plano de saúde, caso tivesse um. Desde a última semana, os planos de saúde, que eram obrigados a cobrir implantes auditivos, estão isentos do dever. Resolução da Agência Nacional de Saúde desobriga os planos a cobrirem implantes em deficientes entre 6 e 18 anos.

Para as outras faixas etárias, os planos de saúde só precisam pagar pelo implante de um ouvido. "É como dar um óculos com uma lente. Mas é muito melhor você ter dois olhos", critica o presidente da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia Ricardo Ferrreira Bento.

Fonte: http://noticias.terra.com.br/ 29/07/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 30/07/2010

Os benefícios da equoterapia para as pessoas com deficiência

Esta terapia que utiliza o cavalo como ferramenta promove ganhos motores e psicológicos.
Daniel Limas, da Reportagem do Vida Mais Livre Sem precisar de qualquer pesquisa científica, é fácil apontar alguns dos inúmeros benefícios de ter um animal de estimação ou mesmo estar próximo deles. Ah! vale dizer que é preciso gostar de animais. No entanto, o que poucos sabem, é que os bichos também podem ser protagonistas de terapias de reabilitação de pessoas com deficiência. Instituições e profissionais que trabalham com este tipo de terapia relatam excelentes resultados.

Uma das terapias que fazem uso de animais é a equoterapia, que como o próprio nome diz, trabalha com cavalos. Ela une as técnicas de equitação e atividades equestres com a finalidade de reabilitar e educar as pessoas com deficiência. “Os principais ganhos são os motores e os psicológicos”, explica Liana Pires Santos, psicopedagoga do Gati (Grupo de Abordagem Terapêutica integrada). Jorge Matsuda, especialista em educação e vice-diretor do Centro Básico de Equoterapia General Carracho (CBEGC-DF), da Ande (Associação Nacional de Equoterapia), também é da mesma opinião: “o passo do cavalo estimula o deslocamento do corpo no espaço e, com isso, exercita o equilíbrio, a coordenação, o tônus muscular e a postura. Além disso, possibilita ganhos psicológicos, aumentando a autoestima e a autoconfiança”, explica. Isso ocorre porque o animal torna-se um amigo digno de total confiança, que ajuda com suas pernas e patas para a melhora dos pacientes.

“Durante toda a sessão, os terapeutas também ajudam a estimular a fala, a linguagem, o tato, a lateralidade, cor, organização e orientação espacial e temporal, memória, percepção visual e auditiva, direção, análise e síntese, raciocínio, e vários outros aspectos”, explica Jorge Matsuda. Na esfera social, a equoterapia ainda é capaz de diminuir a agressividade, tornar o paciente mais sociável, diminuir antipatias, construir amizades e treinar padrões de comportamento como: ajudar e ser ajudado, diminuir e aceitar regras, encaixar as exigências do próprio indivíduo com as necessidades do grupo, aceitar as próprias limitações e as limitações do outro.

Apesar de ser uma terapia bastante recomendada, ela tem restrições ou contra-indicações, como quase tudo nessa vida. Por isso, é imprescindível que o paciente passe por uma avaliação médica que ateste as condições e também é recomendada uma análise psicológica e fisioterápica do futuro praticante. “Também não costumo recomendar a equoterapia para pessoas com alergias aos animais e com restrições ortopédicas”, explica Liana.

Antes de começar o tratamento em si, Jorge Matsuda ainda recomenda que o paciente seja estudado por uma equipe interdisciplinar composta por profissionais das áreas de educação, saúde e equitação, quais sejam: pedagogos, professores de educação física, de ensino especial, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, médicos, profissionais de equitação habilitado em Equoterapia e outros. O praticante é avaliado pela equipe e a partir disso é elaborado um programa especial e definido os seus objetivos.

Normalmente, as sessões são individuais e têm a duração média de 30 minutos cada. O tratamento em equoterapia dura em média dois anos no Centro Básico de Equoterapia General Carracho (CBEGC-DF), podendo ser reduzido ou dilatado em função do diagnóstico, da característica de cada praticante, do desenvolvimento do trabalho terapêutico e outros fatores intervenientes. Outra característica importante é que, para poder atuar no tratamento das pessoas com deficiência, os cavalos são selecionados e separados segundo uma série de características físicas e psicológicas e necessitam ser constantemente trabalhados e adaptados para a equoterapia.

Segundo profissionais da área, a equoterapia é indicada para o tratamento dos mais diversos tipos de comprometimentos motores, como paralisia cerebral, problemas neurológicos, ortopédicos, posturais; comprometimentos mentais, como a Síndrome de Down, comprometimentos sociais, tais como: distúrbios de comportamento, autismo, esquizofrenia, psicoses; comprometimentos emocionais, deficiência visual, deficiência auditiva, problemas escolares, tais como distúrbio de atenção, percepção, fala, linguagem, hiperatividade, e pessoas "saudáveis" que tenham problemas de posturas, insônia, stress.

Heitor Borella, que nasceu com paralisia cerebral, praticou equoterapia com a psicopedagoga Liana durante dois anos – de 2003 a 2005. “Só parei porque um médico orientou que eu parasse porque eu estava ficando corcunda e a terapia poderia prejudicar ainda mais”, explica o rapaz que hoje tem 19 anos, estuda jornalismo (quarto semestre) e é assistente administrativo da área de seguros do Itaú Unibanco.

Ele considera esse tratamento fundamental para a vida das pessoas com deficiência. “Essa prática mexe com todos os movimentos da pessoa. Traz benefícios enormes para a coluna e para as pernas. Fora isso, é ótimo para a parte psicológica, pois a oportunidade de ter contato direto com os animais acaba refletindo no psicológico. Ao fazer a terapia, percebi grande melhora no meu humor, na vontade de fazer as coisas e no ritmo de vida”, relata Heitor.

O jovem também recomenda que o paciente saiba esperar um pouco, pois os resultados não aparecem logo nas primeiras sessões. “Mas eu já vi caso de uma pessoa que não conseguia ficar sobre o cavalo e logo foi progredindo. Achei espetacular”, lembra. Ele também conta que descobriu essa terapia graças à Liana, que já foi a sua psicopedagoga. Ela começou a trabalhar com a equoterapia por volta do ano 2000, e ele se interessou pelo novo trabalho da Liana. “Demorei três anos para convencer a minha mãe”, conta. Para finalizar, uma dica de Liana: “Ter um animal em casa já ajuda muito. Além disso, está comprovado que ter um animal tira a pessoa do sedentarismo e traz benefícios para a rotina de vida e responsabilidades”, explica.

Fonte: http://www.vidamaislivre.com.br/especiais/materia.php?id=1574&/os_beneficios_da_equoterapia_para_as_pessoas_com_deficiencia 29/07/2010

Matéria postada no blog da APNEN:30/07/2010

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Técnica respiratória ajuda portador de deficiência com problema motor grave

Aparelho que funciona graças à pressão exercida pela respiração nasal promete fazer com que pessoas com incapacidade motora grave possam escrever, conduzir sua cadeira de rodas ou navegar na internet.

Da Redação

As pessoas que sofrem de alguma incapacidade motora grave, muito em breve poderão até escrever, conduzir sua cadeira de rodas ou navegar na internet graças a um novo aparelho acionado pela própria respiração, segundo um estudo difundido nesta segunda-feira nos Estados Unidos.

O aparelho funciona graças à pressão exercida pela respiração nasal, que percorre o véu do palato, explica o estudo divulgado nos Anais da Academia Nacional de Ciências Americanas (PNAS).

"O véu do palato é controlado pelos nervos cranianos, que se mantêm bem conservados por trás de um ferimento grave", explicou à AFP Noam Sobel, professor de neurobiologia do Instituto Weizmann de Rehovot, de Israel, um dos principais autores do estudo.

"É por essa razão que o piscar dos olhos pode ser usado na comunicação com as pessoas gravemente feridas. Ele também é controlado pelos nervos cranianos", explica o especialista.

Noam Sobel trabalhou com colegas do Instituto Weizmann e da Faculdade de Medicina Sackler da Universidade de Tel Aviv para desenvolver um meio de transformar a respiração em sinais elétricos.

O aparelho, um pequeno tubo instalado na entrada da narina e conectado a um sensor que mede a pressão, é parecido com os tubos usados para administrar oxigênio em pacientes nos hospitais. Os portadores de deficiência que o testaram conseguiram rapidamente jogar games no computador ou escrever utilizando sua respiração.

Estimulados por esses resultados, os pesquisadores decidiram testar o aparelho com pessoas tetraplégicas ou com claustrofobia: uma moça tetraplégica que sofre de esclerose severa conseguiu escrever pela primeira vez em dez anos, aprendeu a mover um cursor na tela graças à respiração e, desde então, utiliza o aparelho para enviar e-mails.

"Este aparelho permitiu que nos comunicássemos com as pessoas seriamente incapacitadas e, inclusive, com pessoas que não podiam sequer piscar e que agora nos enviam sinais através da respiração. É emocionante", comentou Sobel.

Os pesquisadores adaptaram o aparelho, em seguida, para ser utilizado em uma cadeira de rodas elétrica.

"Um tetraplégico pode utilizar o controle da respiração para conduzir uma cadeira de rodas elétrica com uma grande precisão depois de apenas 15 minutos de treinamento", segundo o estudo.

Esta tecnologia ainda está em desenvolvimento e o Instituto Weizmann já solicitou a patente. Se chegar a uma etapa de produção em massa, o aparelho não deverá custar mais de 10 a 20 dólares, segundo Noam Sobel.

Fonte: Terra - 28/07/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 29/07/2010

Balbuciar de bebês pode ajudar a identificar autismo

Tecnologia de análise de voz automática identifica as diferenças entre o balbuciar de um bebê autista e o de um bebê sem o transtorno com 86% de precisão.

Da Redação

Cientistas descobriram que é possível identificar o autismo em bebês a partir dos barulhos que eles fazem. Uma pesquisa mostrou que o balbuciar das crianças que têm o transtorno não é o mesmo das consideradas normais - com base em uma tecnologia de análise de voz automática usada para identificar as diferenças com 86% de precisão. O sistema também conseguiu distinguir dificuldades no desenvolvimento da fala.

Steven Warren, especialista em transtornos do espectro autista (ASD, sigla em inglês) da Universidade do Kansas, participou do estudo e disse que “essa nova tecnologia pode ajudar pediatras a diagnosticar crianças com ASD e determinar se o paciente deve ser encaminhado a um especialista para que o tratamento seja mais eficiente”, disse ao jornal inglês Daily Mail. Autismo é identificado pela inabilidade de se comunicar ou se relacionar com os outros, falta de habilidades sociais, traços obsessivos e comportamento repetitivo.

Os cientistas americanos analisaram 1.500 gravações de dispositivos que foram colocados junto às roupas de 232 crianças entre 10 meses e 4 anos de idade. No total, mais de 3 milhões de amostras de fala de crianças foram observadas, com base em 12 parâmetros específicos de som associados ao desenvolvimento da voz. Os mais importantes foram aqueles envolvendo a silabificação - habilidade para produzir sílabas com movimentos rápidos da língua e maxilar, que ajudam a formar a base das palavras.


Distinções

Em crianças autistas com até 4 anos, houve uma diferença entre os valores de parâmetro esperados e a idade. As características vocais não são usadas para diagnosticar o autismo, mesmo que a ligação entre eles tenha sido indicada antes. “Um pequeno números de estudos sugeriram que crianças com autismo têm uma assinatura vocal diferente. Mas, até agora, não podíamos usar o conhecimento nas aplicações clínicas por causa da falta de tecnologia de medição”, disse Warren.

Os pesquisadores acreditam que o novo sistema pode fazer uma grande diferença no diagnóstico, avaliação e tratamento do autismo. “A física da fala humana é a mesma em todas as pessoas, até onde sabemos”, concluiu Warren.

Fonte: Veja - 28/07/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 29/07/2010

Jogo auxilia na reabilitação de criança com problema motor

Em testes realizados na Associação Brasileira de Distrofia Muscular (Abdim), a taxa de motivação dos pacientes que usavam o programa aumentou em 10% em relação à terapia convencional.

Nilbberth Silva

Terapias de reabilitação para pacientes que perderam o movimento dos membros superiores costumam ser monótonas ou exigir equipamentos caros. Pensando nisso, engenheiros da Escola Politécnica (Poli) da USP desenvolveram o Genvirtual, um programa de computador capaz de tornar os métodos de reabilitação mais estimulantes.

Em testes realizados na Associação Brasileira de Distrofia Muscular (Abdim) a taxa de motivação dos pacientes que usavam o programa aumentou em 10% em relação à terapia convencional, com massinha e bastão.

O software permite que o paciente interaja com jogo da memória e compositor musical virtuais, enquanto passa a mão sobre cartões de papel localizados no campo de visão de uma webcam. Para o sistema funcionar, basta conectar tudo a um computador comum.

O jogo da memória lembra o “Genius”, brinquedo lançado no Brasil na década de 1980. O terapeuta coloca abaixo da webcam os cartões na disposição desejada. Na tela do computador, o software faz aparecer cubos coloridos que giram e brilham em sequências cada vez mais complicadas. A criança precisa tocar nos cartões repetindo a sequência dos cubos da tela.

Já no compositor, o terapeuta posiciona à vista da webcam quadrados com letras que representam as notas musicais. Em resposta, o software faz aparecer na tela cubos coloridos. Quando o paciente passa a mão sobre o cartão, o computador mostra os cubos coloridos sendo apertados e produzindo os sons das respectivas notas. Colocando cartões com desenhos de instrumentos sob a câmera, os pacientes podem “tocar” flauta, guitarra, piano, violão, pandeiro, caixa ou prato.


Mais recursos

“O que tentamos fazer é oferecer mais recursos para que o processo de reabilitação motora se torne mais atraente e divertido”, explica Ana Grasielle Corrêa, engenheira elétrica que desenvolve o programa em seu doutorado no Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI) da Poli.

Ela percebeu essa necessidade ao conhecer o setor de terapia ocupacional da Abdim e o de musicoterapia da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD). Os exercícios de terapia ocupacional muitas vezes eram monótonos, causando baixa aderência ao programa de reabilitação. E, segundo Ana, recursos para apoiar atividades de musicoterapia de pacientes com grave comprometimento motor são poucos e caros no Brasil.

“Para tocar piano, por exemplo, era necessário utilizar um adaptador, caso o paciente apresentasse dificuldades em separar os dedos das mãos”, relata. “Pacientes em estágio avançado de uma distrofia muscular não possuíam forças suficientes para tocar pandeiro, caixas e tubas.”

O Genvirtual é mais acessível, porque dispensa o uso da força muscular e o terapeuta pode posicionar os cartões da forma que for melhor para cada paciente. O profissional também pode decidir o tamanho e cor dos cartões, além de elaborar as atividades de acordo com as necessidades do paciente.

“As avaliações realizadas na AACD e ABDIM comprovam que o GenVirtual foi capaz de aumentar a motivação e satisfação tanto dos pacientes quanto dos terapeutas e cuidadores em sessões de reabilitação motora”, explica a pesquisadora.

O programa tem algumas limitações: precisa de ambientes bem iluminados para funcionar e com o tempo e não tem grande efeito em pacientes com limitações graves.

Interessados podem fazer o download e encontrar instruções sobre o Genvirtual no site do projeto.

Mais informações: (11) 3091-9157, email - anagrasi@lsi.usp.br, site - www.lsi.usp.br/nate/projetos/genvirtual

Matéria postada no blog da APNEN:29/07/2010

Santander abre 400 vagas para pessoas com deficiência em São Paulo

Contratados passarão por programa de capacitação específico com duração de 3 meses.
Em linha com o seu Programa de Valorização da Diversidade, o Santander abre 400 vagas para pessoas com deficiência na cidade de São Paulo. Além de contratar, o banco vai investir no desenvolvimento profissional dessa nova turma de funcionários por meio de um programa de formação com duração de 90 dias.

Para os primeiros três meses, nos quais acontecem a capacitação, os selecionados serão contratados como auxiliares, com carga horária de 4h ao dia e direito a todos os benefícios de bancários. Nesse período, o grupo terá aulas de noções básicas sobre conhecimentos bancários, informática e questões comportamentais. Para auxiliar no desenvolvimento profissional dos funcionários, os gestores ficarão responsáveis por fazer um acompanhamento bimestral de cada um e orientar na construção do plano de carreira.

Após o treinamento, os contratados serão posicionados em áreas do banco como Canais, Rede de Agências, Call Center, Áreas Administrativas e Aymoré Financiamentos. A carga horária e o salário serão compatíveis com as habilidades de cada um e a área em que for alocado.

Para participar do processo de seleção, os candidatos devem enviar currículo com e-mail e telefone para o endereço diversidade@santander.com.br.

Fonte:http://www.vidamaislivre.com.br/noticias/noticia.php?id=1567&/santander_abre_400_vagas_para_pessoas_com_deficiencia_em_sao_paulo

Matéria postada no blog da APNEN: 29/07/2010

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Após o terremoto, surge o sofrimento das crianças do Haiti

Meninas de um orfanato de Croix des Bouquets, no Haiti, cuidam de duas gêmeas de 11 meses que perderam os pais durante o terremoto que abalou o país há quase seis meses.




John Juillet mantém a cabeça baixa. Esse menino de 5 anos tem a cara amarrada e um olhar triste. “Seus pais e irmãos morreram na tragédia, ele foi o único sobrevivente da família”, explica Daniel Tercier, responsável pelo playground “Espaço Amigos Crianças” construído sob uma tenda, na praça Saint-Pierre, em Pétionville, periferia da capital haitiana.

A tragédia em questão é o terremoto que matou quase 250 mil pessoas, inclusive muitas crianças, no dia 12 de janeiro, e que continua a alimentar seus pesadelos, passados seis meses. Em um terreno emprestado pela delegacia de polícia, os coordenadores da Idejen, uma ONG haitiana que trabalha há muito tempo com os jovens excluídos do sistema escolar, se esforçam para fazer com que mais de 70 crianças traumatizadas pelo terremoto recuperem o gosto pela vida.

Nesta sexta-feira, a terapia é simples: músicas e jogos, e depois um torneio de futebol improvisado sob a tenda. “No início, as crianças desobedeciam e brigavam o tempo todo. Agora melhorou”, diz Louis Junior, um dos coordenadores desse programa financiado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). A organização internacional subsidia 225 parques de recreação, e dá apoio psicossocial a mais de 62 mil crianças.

Outras ONGs, como a Médicos do Mundo, também organizam oficinas para combater os traumas causados pelo terremoto. Os participantes dos “grupos de fala” contam com detalhes suas experiências da catástrofe, como eles sobreviveram. Eles falam daqueles que morreram, muitas vezes sem que seus corpos fossem encontrados. Desde abril, mais de 6 mil crianças participaram das oficinas nas dez clínicas da Médicos do Mundo. Ali elas fazem desenhos de suas casas destruídas e dos restos de vítimas em meio aos escombros.

Com ajuda de suas muletas, Sébastien Lamothe passa por entre as tendas do acampamento da Cité Jean-Baptiste, cerca de 12 quilômetros ao sul de Porto Príncipe. Ele ficou soterrado por três dias sob os escombros de sua casa, junto dos cadáveres de membros de sua família, antes de ter sua perna direita amputada. Assim como John Juillet, ele foi acolhido por uma tia, Roselène Royer, que junto com outros pais de crianças traumatizadas, assiste a uma dessas reuniões de apoio. Ao seu lado, Natacha Biron abraça sua pequena filha Love, de 3 anos. “Desde o terremoto, ela sofre de aceleração cardíaca”, diz.

Presente no Haiti há meio século, a ONG Care decidiu agir primeiramente junto aos pais para ajudá-los a enfrentarem os sintomas de trauma observados entre as crianças. O programa, que recebe um financiamento de 660 mil euros pagos pela Alemanha e pela Áustria, atinge 2 mil pais e 20 mil crianças que vivem em diversos acampamentos. De Carrefour, um subúrbio ao sul de Porto Príncipe, até Léogâne, a cidade que mais vítimas teve no terremoto.

“O medo, a tristeza, a raiva estão em nós; precisamos nos livrar disso, e sobretudo dar mais carinho e atenção a nossas crianças”, diz Leslie Guerrier, o jovem psicólogo contratado pela Care. Os cerca de trinta pais reunidos em um galpão estão divididos em três grupos para discutir sobre os melhores meios de administrar os conflitos.

“Pesadelos, agressividade, enurese [emissão involuntária de urina], dores de barriga, palpitações, medos injustificados, tremores: são vários os sintomas. Há crianças que comem bem, mas estão emagrecendo”, conta Leslie Guerrier. No fim do curso, “kits escolares” são distribuídos às famílias em uma mochila: cadernos, lápis, bola e corda de pular.

Quase 80% das cerca de 5 mil escolas destruídas ou danificadas pelo terremoto voltaram às atividades, muitas vezes sob tendas e abrigos provisórios. Mas muitas famílias, arruinadas pela catástrofe e sem perspectivas de emprego, não podem pagar as mensalidades, nesse país onde quase 90% dos estabelecimentos escolares são particulares.

Os professores se queixam de não serem pagos há vários meses, e protestaram em diversas cidades, como em Léogâne e Petit-Goâve. O ministro da Educação Nacional, Joël Desrosiers Jean-Pierre, pediu ajuda a doadores para regularizar a situação e subsidiar o ensino para o próximo semestre escolar.

A volta às aulas também é um dos melhores meios de combater a desnutrição. Graças ao apoio do Programa Alimentar Mundial, as cantinas escolares forneceram 562 mil refeições. É muitas vezes a única refeição do dia para esses estudantes.

Tradução: Lana Lim

Fonte:http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/lemonde/2010/07/27/apos-o-terremoto-surge-o-sofrimento-das-criancas-do-haiti.jhtm

Matéria postada no blog da APNEN: 28/07/2010

I Congresso e Feira Muito Especial de Tecnologia Assistiva e Inclusão Social das Pessoas com Deficiência da Paraíba

Evento será realizado em Campina Grande (PB) de 16 a 19 de agosto e visa apresentar as inovações na área de Tecnologia Assistiva, além de debater a inclusão social.
O 1º Congresso Muito Especial de Tecnologia Assistiva e Inclusão Social das Pessoas com Deficiência da Paraíba é uma realização do Instituto Muito Especial com o apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia. O evento visa reforçar a importância do tema e apresentar as inovações na área de Tecnologia Assistiva, além de debater sobre as novas possibilidades que facilitam e contribuem para a inclusão social da pessoa com deficiência.

O Congresso será realizado na cidade de Campina Grande (PB) do dia 16 a 19 de agosto de 2010.

O credenciamento ocorrerá no dia 16, às 17h, mas apenas as 500 primeiras pessoas a se credenciarem, garantem o kit do Congresso (mochila, cartilhas, bloco, pasta e caneta).

Na abertura do congresso haverá show do artista Jessier Quirino!

Já entre 30 de agosto e 1º de setembro, Tocantins recebe o II Congresso Muito Especial de Tecnologias Assistivas. Ainda em agosto, o Rio de Janeiro recebe o III Congresso e II Feira Muito Especial de Tecnologias Assistivas (de 23 a 26 de agosto)

Inscrições (gratuitas) e informações: http://www.congressoassistivaparaiba.org.br/

Fonte:http://www.vidamaislivre.com.br/noticias/noticia.php?id=1561&/i_congresso_e_feira_muito_especial_de_tecnologia_assistiva_e_inclusao_social_das_pessoas_com_deficiencia_da_paraiba - 27/07/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 28/07/2010

Sete em cada dez ortopedistas tiveram pedido negado por operadora de saúde

A pesquisa, feita pelo Ibope para a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (Sbot), evidencia a interferência das operadoras no trabalho médico e corrobora os dados de associações de defesa do consumidor.

Sete em cada dez ortopedistas do País já tiveram algum tipo de atendimento solicitado para o paciente negado pelo plano de saúde. As cirurgias encabeçam a lista, com 55%.

A pesquisa, feita pelo Ibope para a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (Sbot), evidencia a interferência das operadoras no trabalho médico e corrobora os dados de associações de defesa do consumidor.

Também aparecem na lista de itens recusados pelas operadoras procedimentos ambulatoriais ou exames (37%), material cirúrgico (25%), próteses (12%) e implantes (9%). A pesquisa ouviu 400 profissionais.

"Há uma pressão velada. O médico é instruído a não pedir tantos exames ou pode ser punido com redução do preço da consulta, por exemplo. O paciente nem fica sabendo que poderia ter acesso a um atendimento mais completo. A relação com as operadoras é uma das coisas mais limitantes do exercício da medicina", afirmou Claudio Santili, presidente da Sbot.

Entre os 275 médicos que tiveram recusas no atendimento e informaram quantas vezes isso ocorreu no período de um ano, 35% tiveram até 6 negativas e 24%, entre 7 e 12 vezes. O professor de educação física Edgard Alberto de Oliveira, de 28 anos, sofreu com sucessivas negativas de seu plano de saúde. Após romper os ligamentos do joelho durante um jogo de futebol, seu médico confirmou o diagnóstico com exames de ressonância magnética e solicitou à operadora autorização para uma cirurgia corretiva - sem ela, Oliveira não poderia voltar ao trabalho. Depois de tentar durante dois meses agendar a operação e não obter a autorização da operadora, Oliveira recorreu à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que advertiu a empresa. Após dois dias, foi operado.

Na pesquisa, as operadoras alegaram principalmente falta de vagas (65%), de cobertura do plano para o atendimento (53%), carência (18%) e alto custo do procedimento (18%).

Reclamação. A maior queixa dos médicos é que a recusa foi feita por um funcionário não médico em 27% dos casos e o auditor médico não se identificou em 41% das negativas. "O que pleiteamos é que a negativa venha acompanhada de justificativa e do CRM do médico que avaliou o caso. As negativas atrasam os procedimentos e desgastam a relação com o paciente, que fica desconfiado", afirma Santili.

Os médicos ouvidos afirmam que, quando intervieram pessoalmente junto às operadoras, conseguiram reverter a situação a favor do paciente em 22% dos casos. A maioria (65%) só conseguiu que o plano arcasse com algumas das solicitações. A negativa foi mantida em 10% dos casos.

O presidente da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), Arlindo de Almeida, reconhece que os auditores tomam "cuidado muito grande" com pedidos que elevam os custos. "Acontece de o médico exigir determinada prótese, por exemplo, porque seria o melhor para a saúde do paciente, mas muitas vezes os interesses não são bem esses. O conselho de medicina quer regular presentes e vantagens oferecidos pelas empresas aos médicos", disse Almeida.

Fonte: http://www.estadao.com.br/ 27/07/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 28/07/2010

Organização de pessoas cegas delibera novas ações na luta pela audiodescrição

ONCB reforça em sua assembleia necessidade de luta e mobilização em defesa da audiodescrição.

A implementação da audiodescrição em programas televisivos, preocupação que norteou muitas das ações da Organização Nacional de Cegos do Brasil no ano de 2009, continuará na ordem do dia da entidade, para suas lutas em 2010.

A assembleia do dia 17 de julho aprovou deliberação que autoriza a entidade, através das suas consultorias, a empreender estudo e gestões para uma denúncia formal do governo brasileiro junto ao Comitê de Monitoramento da Convenção Sobre Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas, pois já são mais de cinco anos de uma disputa burocrático-jurídica que dificulta e impede o cumprimento do direito ao acesso à informação e à comunicação para milhares de pessoas com deficiência visual, no que toca aos conteúdos televisivos.

A audiodescrição já deveria ter sido implementada há pelo menos três anos, entretanto, o Minicom, atendendo a gestões dos proprietários da radiodifusão brasileira, vem adiando sistematicamente o cumprimento da medida. A última portaria, alterando o cronograma de implantação do recurso na televisão brasileira, foi publicada em 25 de março deste ano, dando pelo menos dez anos de prazo às empresas radiodifusoras para a readequação de suas metas de criação do serviço.

Para o presidente da ONCB, Moisés Bauer, há que se ter muita disposição de luta e cobrança sistemática da parte do segmento de pessoas com deficiência, a fim de que essa trajetória desfavorável possa ser modificada.

Fonte: Blog da Audiodescrição - 27/07/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 28/07/2010

Cego há 14 anos dirige filme com auxílio de sons e bengala

O Fantástico foi até Brasília registrar as gravações do primeiro filme do diretor João Julio Antunes, de 44 anos. Por que esse amante da arte só agora conseguiu realizar seu grande sonho?

Da Redação

O Fantástico acompanhou os bastidores de um projeto original. João Júlio Antunes é o diretor. Ele ouve a cena, mas não enxerga.

“Cego? Como assim, um diretor cego? Mas a primeira reação que veio foi: eu preciso ver como isso funciona”, disse o ator João Campos.

O diretor usa os sons e tão fundamental quanto a câmera é a bengala. “Minha bengala tem 1m30, eu mais ou menos tenho essa noção. As pessoas ficam sem entender como eu meço os espaços”.

A equipe descreve para ele como vai ficar a imagem em todas as cenas. “Os olhos dele são os meus olhos”, diz o diretor.

“Eu estou criando a imagem do imaginário dele. Eu tenho que entrar na mente dele e ele dizer: ‘Eu quero isso’”, explica o diretor de fotografia Cláudio Luis de Oliveira.

João, de 44 anos, sabe o que quer. Cego há 14 anos, ele tem a memória repleta de imagens. Um grande branco é como João descreve sua visão. A dificuldade para enxergar começou na adolescência.

“O médico falou que tinha alguma coisa errada. ‘Até os 45 anos, você vai estar cego’. Eu fiquei cego com 30”.

João e os irmãos têm uma doença chamada retinose pigmentar. Uma das partes do olho é a retina, formada por células que recebem a luz. Na doença, essas células morrem aos poucos.

A visão periférica é a primeira a ser comprometida. A retinose pigmentar atinge uma em cada cinco mil pessoas e em metade dos casos pode passar de uma geração para outra.

“Alguns pacientes continuam com uma visão útil”, diz a genética ocular do HC - USP Simone Finzi.

A paixão pela arte é antiga. João era ator de teatro, mas a mãe, antes de morrer, há 20 anos, fez um pedido: “Você jura que você vai largar esse tal de teatro? Isso não dá camisa pra ninguém!”.

Ele também sofre de pressão alta, o que comprometeu seus rins. Em meio a uma crise, sonhou com a mãe.

“Aí eu falei: ‘Essa é a autorização pra eu voltar ao que eu gosto de fazer, cinema e teatro’. E aí foi quando eu comecei a correr atrás do meu sonho”.

‘Uma vela para Deus e outra para Beto’ é um filme simples e barato, com patrocínio público. A grande inovação do filme, que é feito todo em Brasília, é a possibilidade de inclusão de pessoas com deficiência. Isso acontece tanto no set de gravações, com um diretor cego, uma atriz cadeirante, quanto nas salas de cinema.

Haverá descrição falada das cenas para os cegos e linguagem de sinais para os surdos. “Mas não é um filme feito pra deficientes. É um filme feito pra todo mundo!”, esclarece o diretor.

“Acho que a arte tem um pouco essa função de quebrar limites. A visão é um detalhe”, finaliza João Campos.

Fonte: Fantástico - Brasília, 27/07/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 28/07/2010

Instituto Votorantim lança 4º edital de seleção de projetos culturais

Novidade fica por conta da categoria Acessibilidade, que contemplará projetos de inclusão e formação cultural para jovens com deficiência ou mobilidade reduzida.

No dia 3 de agosto, o Instituto Votorantim inicia seu 4º processo de seleção pública de projetos, voltados a todas as áreas culturais – artes visuais, artes cênicas, cinema, vídeo, literatura, música e patrimônio. O edital, que acontece desde 2007, seleciona iniciativas que promovam a ampliação e a qualificação do acesso de jovens, entre 15 e 29 anos, a bens culturais.

Nessa edição, serão investidos R$ 3 milhões, e a novidade fica por conta da categoria Acessibilidade, que contemplará projetos de inclusão e formação cultural para jovens com deficiência ou mobilidade reduzida. Do investimento total, até R milhão será destinado à essa categoria. Segundo o Gerente de Planejamento e Desenvolvimento do Instituto Votorantim, Rafael Gioielli, “é preciso investir em projetos que diminuam as barreiras simbólicas, econômicas e físicas que dificultam o acesso às artes, e que no caso de jovens com deficiência, são ainda mais complexas”.

As inscrições começam em agosto, pelo blog Acesso. O regulamento do edital já está disponível. Link para o download:http://www.blogacesso.com.br/wp-content/uploads/2010/07/4%C2%BA-Edital-cultural-Votorantim-Regulamento-12.pdf

Fonte: A Rede - 27/07/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 28/07/2010

Famílias (de pessoas com deficiências intelectuais) têm dificuldades em aderir programa contra obesidade

Questões socioeconômicas e de dinâmica familiar são as maiores dificuldades apontadas por familiares de crianças e adolescentes com deficiência intelectual para a orientação e prevenção das consequências da obesidade.

Júlio Bernardes

As questões socioeconômicas e de dinâmica familiar são as maiores dificuldades apontadas por familiares de crianças e adolescentes com deficiência intelectual para a orientação e prevenção das consequências da obesidade. É o que revela uma pesquisa da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP que defende a criação de políticas públicas e maiores opções de atendimento para essa população, especialmente junto às famílias de baixa renda.

A fisioterapeuta Cláudia Queiroz, autora da pesquisa, atua em um programa para orientar e prevenir sobre complicações da obesidade oferecido por uma instituição para portadores de deficiência intelectual na Zona Norte de São Paulo. Lá, a pesquisadora analisou as principais dificuldades relatadas pelas famílias participantes. Cláudia conta que a equipe é composta por uma psicóloga, uma neuropediatra e uma fisioterapeuta. "Em média, são atendidos de 45 a 50 crianças e adolescentes obesos por mês, e seus familiares, em reuniões mensais de orientação ou, em casos mais críticos, com atendimento quinzenal."

Além da dificuldade financeira para adquirir alimentos considerados saudáveis e para matriculá-los em uma academia, os familiares citam a falta de tempo para acompanhar seus filhos nas atividades físicas e a falta de preparo dos profissionais atuantes nestes estabelecimentos. "A obesidade tem crescido entre crianças e adolescentes como um todo e, no caso dos jovens com deficiência intelectual, existem ainda outros agravantes como possíveis distúrbios hormonais, alterações cardio respiratórias e pouca atividade física, que favorecem a uma vida sedentária e, consequentemente, a ocorrência da obesidade", explica a fisioterapeuta.

As principais orientações fornecidas pelo serviço estão relacionadas com alimentação mais saudável e atividade física regular. "Na pesquisa, verificou-se que a alimentação dos pacientes é inadequada", aponta. "Muitas famílias tem poder aquisitivo prejudicado e não apresentam condições para adquirirem alimentos necessários a manter uma dieta saudável, como carnes, magras, peixes, verduras e frutas.


Disponibilidade

A maioria das crianças e adolescentes consomem preferencialmente, alimentos mais calóricos, como os carboidratos, por estarem presentes em alimentos de custo mais acessível, como pães, macarrão, arroz e batata. "Alguns participantes ficam na instituição o dia todo, e fazem refeições ali, mas as opções de alimentos nem sempre são adequadas porque o fornecimento depende de doações, que não tem um fluxo regular", ressalta Cláudia. Outro aspecto importante citado na pesquisa é referente a falta de independência e autonomia dos jovens, o que torna indispensável a participação das famílias nas atividades e orientações realizadas pela equipe do programa.

A maioria dos pais envolvidos no programa se queixam da dificuldade de participar das reuniões de orientação durante a semana. "Em muitos casos, as mães são o único adulto da família, e precisam trabalhar para sustentar seus filhos", conta a fisioterapeuta. Também são mencionadas dificuldades para acompanhar os filhos na atividade física com a frequência recomendada, que é de pelo menos três a quatro vezes por semana.

"Há dificuldade de acesso a academias, seja pela não existência de opções próximas a residência, falta de dinheiro para mensalidades ou de atendimento especializado para portadores de deficiência intelectual", observa Cláudia."Uma opção poderiam ser as caminhadas, mas nesse caso existe o problema da falta de tempo dos pais para acompanhar os filhos, que apesar de serem adolescentes, necessitam de companhia." A instituição oferece aulas de educação física e oficina de dança, mas não são suficientes para atender as necessidades do programa.

De acordo com Cláudia, as dificuldades levantadas na pesquisa servirão de base para estudar formas de aprimorar a atuação do programa. "Embora a instituição dependa de doações para se manter, há necessidade de se ampliar o tempo das ações, o número de profissionais atuantes no programa e uma maior divulgação do serviço", afirma. "Também é preciso implantar políticas públicas para prevenir a obesidade em jovens com deficiência intelectual, pois existem poucas opções específicas de atendimento".

Fonte: Agência USP de Notícias - 27/07/2010
Matéria postada no blog da APNEN:28/07/2010

terça-feira, 27 de julho de 2010

XX Encontro Paulistano de Pessoas com Deficiência

Evento será realizado em 21 de agosto, em São Paulo. Inscrições devem ser feitas até 3 de agosto.

A 20ª Edição do Encontro Paulistano de Pessoas com Deficiência, promovido pelo Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência - CMPD, será realizado em 21 de agosto, das 12h às 18h.

O objetivo do evento é reunir as pessoas com deficiência que lutam pela mesma causa, para discussão e elaboração das propostas e ações a serem implementadas.

Nesta ocasião, o Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência estará comemorando 20 anos de existência e vai apresentar para a sociedade paulistana o resultado de suas ações a favor das pessoas com deficiência e seus familiares na cidade de São Paulo.

Serviço:
XX Encontro Paulistano de Pessoas com Deficiência

Realização: Conselho Municipal da Pessoa da Pessoa com Deficiência
Local: Memorial da America Latina - Prédio do Parlatino
Endereço: Av. Auro Soares de Moura Andrade, 564 - Portão 10 - Barra Funda - São Paulo / SP.
Horário: 12h às 18h
Credenciamento: das 12h às 13h
Público-alvo: Pessoas com Deficiências e interessados na causa das pessoas com deficiência.
Inscrição:http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/pessoa_com_deficiencia/conselho/noticias/index.php?p=19824vá em Inscrições: Clique aqui para fazer sua inscrição, e faça a sua

O XX Encontro é aberto à participação de todas as pessoas desde que devidamente inscritas. As inscrições podem ser feitas até as 18h do dia 03 de agosto das seguintes formas:

- pessoalmente, no Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência - CMPD, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h;

- Pelo site do CMPD, enviando a ficha de inscrição para o seguinte e-mail: xxencontropaulistano@yahoo.com.br. O aviso de recebimento deverá ser apresentado no credenciamento do Encontro.

- nas reuniões e atividades do CMPD;

Programação:

12h às 13h - Credenciamento e Coffe Break
13h - Mesa de Abertura
Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência
Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida - SMPED
Subsecretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SNPD) - CORDE
Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência - CONADE
Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência - CEAPCD
Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência - CMPD

13h - Hino Nacional
13h30 - "Resgatando o passado".
Juelina Nunes - Presidente da ABSW
Dora Simões - Fundadora da ABIS
14h - Homenagens
Sra. Luiza Erundina - Deputada Federal
Sra. Silvia Maluf
Ex- presidentes, conselheiros.
14h30 - Prestação de contas da gestão atual
Sra. Gersonita Pereira de Souza
15h - "Construindo o Futuro" - Planos e ações do CMPD
Sandra dos Santos Reis - Conselheira
16h - Considerações Finais
Apresentação de propostas de políticas públicas.
Avisos Gerais
18h00 - Encerramento.

Mais informações:
Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência - CMPD
Rua: Libero Badaró, nº 119 - 3º andar
(11) 3113-9672 // 9674 // 9675 FAX

A cura que vem a galope

"A equoterapia é abrangente para o ser humano porque o cavalo faz movimentos equivalentes aos de uma pessoa e ainda estimula o cérebro"

Equoterapia ajuda no desenvolvimento de pessoas com alguma deficiência e com falte de atenção.Engana-se quem pensa que a equoterapia serve apenas para pessoas com alguma forma de deficiência. O método terapêutico que utiliza cavalos é útil até para quem tem falta de atenção. E a região da Barra da Tijuca e de Vargem Grande oferece essa alternativa a quem precisa de ajuda.
— A equoterapia é abrangente para o ser humano porque o cavalo faz movimentos equivalentes aos de uma pessoa e ainda estimula o cérebro — explica o instrutor de cavalos Luiz Gustavo Belmiro, do Centro de Equoterapia e Qualidade de Vida, a Equovida, em Vargem Grande.

A aposentada Edna Balthazar teve um câncer há 20 anos e passou por sessões de quimioterapia sem saber que estava grávida. Devido à medicação, o filho Pedro nasceu com encefalopatia crônica, uma doença rara.

Atualmente, o jovem faz tratamento na Associação de Equoterapia do Estado do Rio de Janeiro (Aeterj), que funciona no Clube da Aeronáutica, na Barra da Tijuca.

— Quando ele começou o tratamento, ainda com 6 anos, tinha um problema nos pés e os médicos não acreditavam que um dia ele iria andar. Hoje, meu filho caminha normalmente — explica Edna, feliz porque o seu filho melhorou e hoje tem mais equilíbrio e confiança, graças à terapia com cavalos.

Fonte: O Globo - Rio de Janeiro, 26/07/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 27/07/2010