sábado, 14 de agosto de 2010

A nova era das pesquisas com células-tronco

Especialistas vão discutir em SP novos limites técnicos e desafios da técnica.

Diabetes, paraplegia, infarto, Parkinson, câncer e até estética. Os benefícios projetados para a terapia com células-tronco são tantos, que fizeram as pesquisas ganharem fôlego nos quatro cantos do País.

Os estudos brasileiros começaram há 10 anos e a avaliação dos especialistas é de que chegou a hora de rever os limites éticos dos ensaios e traçar novas estratégias para que a medicina regenerativa saia do papel e vire realidade.

Por enquanto, toda e qualquer utilização das células-tronco é experimental, não tem validade científica comprovada e não pode ser oferecida como primeira opção de tratamento. Por isso, na próxima sexta-feira, dia 13, a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e o Hospital das Clínicas vão reunir os principais especialistas da área para pontuar os novos marcos regulatórios dos trabalhos científicos.

“Somente assim poderemos sugerir mudanças nos marcos regulatórios, garantindo a segurança e a rapidez necessárias para a evolução das pesquisas”, observa o professor titular do departamento de Cardiologia do Hospital das Clínicas de São Paulo, José Eduardo Krieger, organizador do evento.

Promissora
As células-tronco são consideradas a grande esperança da medicina terapêutica. Evidências científicas mostram que este tipo de célula tem a capacidade de regenerar órgãos vitais. A esperança é de que um dia seja possível usá-las com amplo sucesso em órgãos danificados, evitando a necessidade de transplante, e também para recuperar peles e tecidos de pessoas acidentadas ou com câncer, por exemplo.

Este ano coleciona algumas boas notícias sobre as células-tronco.
Pesquisadores da Universidade da Carolina do Sul identificaram, em testes feitos em ratos, que a técnica teria a capacidade de deixar o organismo resistente ao vírus HIV, o causador da Aids.

Pouco tempo depois, o principal órgão sanitário dos Estados Unidos, o FDA, autorizou de forma inédita que essas células sejam injetadas experimentalmente em seres humanos em testes com pacientes com lesões medulares. Nesta semana também, um garoto inglês de 11 anos teve alta hospitalar após receber o transplante de uma traquéia feito a partir de células-tronco.

Coração
No País, uma das áreas mais avançadas nas pesquisas com este tipo de célula é a cardiologia. No Instituto do Coração do HC (Incor) elas foram usadas em um experimento para tratar corações infartados – que perderam função muscular e ficaram impossibilitados de bombear sangue.

“No início das pesquisas, acreditava-se que as células-tronco da medula óssea poderiam criar músculos e recuperar o coração, o que não ficou demonstrado. No entanto, as células conduziram à formação de vasos que apuraram a capacidade dos músculos, permitindo, em alguns casos, melhorar o funcionamento do órgão”, conclui o professor Krieger.

Fonte: IG - 13 de agosto de 2010

Matéria postada no blog da APNEN: 14/08/2010.

Sou deficiente físico e quero comprar um carro

Muitos deficientes que podem dirigir não sabem como proceder para obter isenções de tributos e descontos na compra de um carro. Veja as dicas.
Marco Quintarelli

Sou deficiente físico e quero comprar um carro. É verdade que existe desconto ou isenção para deficientes? João Marcelo Silva

Acredito que você tenha Carteira de Habilitação com observação de como seu carro deve ser, automático ou adaptado. Caso não a possua, este será seu 1º passo. Procurar uma auto-escola especializada e emitir a sua carteira especial. Você deverá portar também laudo médico para condutor. Estes documentos são a base dos requerimentos para obter as isenções de impostos na compra de seu automóvel.

Dependendo do caso, o veículo pode ser isento de ICMS, IPI , IOF e até IPVA. As isenções de ICMS, IPI, IOF e IPVA são para deficientes condutores habilitados e há também desconto do IPI para não condutores com deficiência visual e deficiência mental.

Munidos destes documentos, e outros que serão solicitados pela Receita federal, você deverá preencher o formulário de requerimento e entregar na Delegacia Regional da Receita de sua cidade solicitando as isenções. Seu requerimento sendo deferido, você poderá com este documento adquirir seu automóvel com as isenções ou suspensões solicitadas.

Somados, os descontos ou isenções de tributos para deficientes podem girar em torno de 25% a 30% do valor do automóvel, mas limitados aos veículos que custam até R$ 70.000,00. O tempo de espera de todo o processo pode chegar a 3 meses.


Marco Quintarelli é Consultor de Varejo do Grupo Azo

Fonte: O Dia Online - Rio de Janeiro, 13/08/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 14/08/2010.

"A pior coisa é quando a pessoa tem preconceito dela mesma"

Para Fábio Manfrinato, objetivo da Semana de Prevenção a Deficiência de Bauru é mostrar aos portadores de deficiências que eles possuem um meio para a integração entre eles e com outros grupos da sociedade.
Alexandre Padilha

A Semana Municipal de Prevenção às Deficiências de Bauru, que começa hoje (11) e vai até dia 19, chega à sua 11ª edição com significativas implementações em sua programação. Além de ser realizada de fato em sete dias - e não apenas um único dia -, a programação visa maior interação para ampliar o debate sobre inclusão social, respeito, acessibilidade e superação.

De acordo com Fábio Manfrinato, vice-coordenador da Comissão Permanente de Acessibilidade (CPA) da Secretaria de Planejamento (Seplan), o principal objetivo da Semana de Prevenção a Deficiência é mostrar aos portadores de deficiências que eles possuem um meio para a integração entre eles e com outros grupos da sociedade.

"A pior coisa que existe é quando a pessoa tem o preconceito dela mesma. Existem deficientes que não saem de casa por vergonha, ou medo. Com este evento, pretendemos mostrar que todos são capazes de sair de casa para passear, se divertir, exercitar e tudo o mais que desejarem", frisa Manfrinato.

Ele destaca, ainda, que as atividades incluem algumas novidades que prometem surpreender os bauruenses nesta 11ª edição, como a apresentação da equipe de basquete em cadeiras de rodas de São José do Rio Preto e as palestras do consultor da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Daniel Monteiro, e a vereadora de São Paulo Mara Gabrilli, que é cadeirante.

Por sua vez, a titular da Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes), Darlene Tendolo, disse que um dos propósitos da Semana Municipal de Prevenção às Deficiências é fazer os portadores sentirem-se "acolhidos" pela administração pública, o que viabiliza a inclusão social.

"Nós tentamos mostrar que todos têm seu lugar na cidade. Bauru está no caminho certo e serve de referência para todo o País em diversas áreas, mas temos que valorizar mais as pessoas com deficiências. Podemos ter muitos indivíduos capazes de grandes coisas, mas que não se acham capazes de encontrar formação adequada", avalia Darlene.

Regina Valentin, coordenadora do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência (Comude), aponta que a 11ª Semana de Prevenção às Deficiências também deve servir para reunir interessados sobre este tema com a intenção de fortalecer ainda mais o movimento em Bauru.

"Temos que aproveitar este crescimento da Semana para encontrar mais pessoas dispostas a ajudar e debater este assunto. Bauru já é referências nacional, mas se tivermos mais apoio podemos chegar ainda mais longe", acredita Regina.


Evolução

Ainda está longe do ideal, mas Bauru tem evoluído no quesito acessibilidade para portadores de deficiência. Entre as melhorias, está o aumento progressivo de ônibus circular adaptados, a adaptação de sarjetas nas vias para passagem de cadeirantes e o projeto da quadra paradesportiva. "Quando eu conto as políticas bauruenses, as pessoas realmente ficam surpresas", relata Fábio Manfrinato, o vice-coordenador da CPA.

Segundo ele, a frota de ônibus da cidade foi renovada recentemente, o que representou um grande avanço para a acessibilidade. Quando os veículos estiverem em circulação, Bauru vai contar com 80% de sua frota adaptada com plataforma de elevação, assentos para gestantes e obesos e espaço para cadeirantes e cães guia.

A secretária municipal da Educação, Vera Caserio, concorda. "Muitas coisas nós vamos conseguir mudar efetivamente a partir da educação, a partir da transformação da consciência das pessoas. Para isso as escolas possuem diversos trabalhos para a inclusão de deficientes, a motivação desses alunos ao longo dos anos de estudo e a preparação adequada para a formação desses cidadãos", define Caserio.


22 ônibus adaptados entram em circulação

Mais 22 ônibus novos equipados com dispositivos de acessibilidade passam a circular neste mês pelas ruas de Bauru, dentro do programa de renovação de frota das concessionárias Grande Bauru e Baurutrans. O transporte coletivo urbano passa a oferecer 179 ônibus ‘acessíveis’, equivalendo a 81% da frota operacional.

Os novos carros apresentam plataforma de elevação e nicho interno de fixação para cadeira de rodas - onde também pode-se optar por acionar assento dobrável, com espaço para cão guia. De acordo com as normas que regulamentam o setor, ainda é oferecido banco especial para pessoas obesas.

E os assentos preferenciais para idosos, gestantes e pessoas com limitações físicas são destacados na cor amarela. Atendendo às determinações do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), os ônibus são equipados com motores eletrônicos com menor emissão de poluentes, parametrizados para limitar a velocidade em 60 km/h, e carroceria com vedação que proporciona maior conforto acústico interior.

Fonte: Jornal da Cidade - Bauru, 13/08/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 14/08/2010.

Designers criam dispositivo para deficientes auditivos que capta movimentos

Produto tem sensores que indicam ao deficiente auditivo o que está acontecendo a seu redor.

Da redação

Os designers Kwang-seok Jeong, Min-hee Kim e Hyun-joong Kim criaram o Vibering, um dispositivo para deficientes auditivos que capta e identifica a vibração dos sons do ambiente em que o usuário está (por exemplo a buzina de um carro) e transmite a informação em forma de imagem.

O dispositivo é composto por um relógio e dois anéis. Em um dos anéis fica um sensor capta toda a vibração do ambiente e transmite ao relógio que repassa ao outro anel em forma de vibração também. Além de sentir a vibração, o usuário vai olhar no relógio e vai saber do que se trata, pois as informações são precisas e o sistema utiliza uma simbologia fácil de ser compreendida.

Dispositivo criado pelos designer.

Fonte: Pequenas Empresas & Grandes Negócios - 13/08/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 14/08/2010.

"Ações e reflexões sobre aids e deficiência: diferentes vozes": aprendizados e recomendações

"É preciso dar visibilidade aos pontos de convergência existentes entre os segmentos formados por pessoas vivendo com deficiência e pessoas vivendo com HIV/aids"
Marta Gil
Ações e reflexões sobre aids e deficiência: diferentes vozes. Curuera: palavra de origem tupi, designa o que restou na peneira quando nela se passa a massa crua da mandioca, apurando-a para ser levada ao forno de torrefação, no fabrico da farinha.
O Amankay Instituto de Estudos e Pesquisas foi o responsável pela concepção e realização do projeto "Ações e reflexões sobre aids e deficiência: diferentes vozes", que foi selecionado no Edital 2009 da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo/Centro de Referência e Treinamento DST/Aids da Coordenação Estadual DST/Aids.

De janeiro a junho deste ano a Equipe Técnica do Amankay, composta por Fernanda Sodelli, Marta Gil e Mina Regen esteve envolvida com providências, decisões, demandas, desafios, alegrias e conquistas que um projeto inovador, abordando uma temática delicada, complexa e ainda pouco conhecida como essa apresenta, qual uma Esfinge atravessada no caminho.

O Seminário final, realizado nos dias 23 e 24 de junho, encerrou o Projeto - ou sua face pública. O mês de julho foi dedicado à redação dos Relatórios Técnico e Financeiro, momento propício à reflexão e revisão dos passos dados nestes quatro meses, de intensa atividade.

A entrega da documentação assinala o fim das obrigações e procedimentos burocráticos, contratados entre a Secretaria da Saúde e o Amankay.

Porém, o processo social que o Projeto pôs em marcha, a essência do que buscamos construir, as trocas e aprendizados - nada disso se encerrou. Ao contrário, está em efervescência, demandando atenção, depuração e divulgação.

Agora é o momento da "curuera", de examinar o que restou na peneira, visando a próxima etapa do processo: no caso da mandioca, o cozimento da massa até sua torrefação e distribuição para consumo por muitos. No caso do projeto, a curuera designa o momento interno para pausa e reflexão para, em seguida, ser disseminada e alimentar novas ações, reflexões, projetos e até mesmo políticas públicas.

Iniciamos com a apresentação sucinta do Projeto, que é a matéria prima da "curuera" e depois vamos examinar, juntos, o que temos nas mãos.


APRESENTAÇÃO DO PROJETO

Construção de processo participativo na cidade de São Paulo, durante quatro meses, com serviços especializados do Estado e do Município; Conselhos de Saúde, de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência (PcD), Tutelares, Saúde, Educação, Promoção Social, sociedade civil organizada, representantes do Poder Público, Universidades, formadores de opinião, e outros.


OBJETIVOS

>> Dar visibilidade aos temas sobre HIV/aids e correlatos (vulnerabilidade, direitos sexuais e reprodutivos, autoestima, acessibilidade, prevenção), envolvendo pessoas com deficiência (que tenham ou não o vírus HIV), pessoas soropositivas que posteriormente adquiriram deficiência (ou não) e demais atores sociais;

>> Ampliar o conhecimento sobre os vários pontos de intersecção e sinergia existentes entre os temas HIV/aids e Deficiência e coletar subsídios para intervenções efetivas de prevenção e assistência;

>> Coletar ações, iniciativas locais e materiais produzidos sobre Prevenção, Sexualidade, HIV/aids voltadas para pessoas com deficiência e pessoas vivendo com HIV/aids.


AÇÕES

>> Dois Encontros Locais, nas zonas Leste e Sul da cidade

>> Seminário final


METODOLOGIA E INSTRUMENTOS DESENVOLVIDOS

>> Criação do blog: www.aidsedeficiencia2010.blogspot.com, um espaço virtual para troca e disseminação de informações;

>> Reuniões presenciais com atores e comunidades das Zonas Leste e Sul, estratégia para estabelecer espaços de diálogo multissetorial em bairros periféricos;

>> Mapeamento de sites, blogs, publicações e formadores de opinião, enquanto canais para disseminação de informações;

>> Organização de textos e vídeos para distribuição no Seminário final, utilizando mídias digitais CD ROM (textos) e DVD (vídeos);

>> Redação de matérias jornalísticas, abordando os Encontros locais e o Seminário final;

>> Criação de formulários para coleta de informações; ficha de avaliação; dinâmicas e material de apresentação para os Encontros locais; articulação de parcerias.


FICHA TÉCNICA

Realização: Amankay Instituto de Estudos e Pesquisas

Apoio:
Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo/Coordenadoria de Controle de Doenças/CRT - Programa Estadual de DST AIDS

Parcerias: AVAPE, CECCO Santo Amaro, Casa de Cultura do Itaim Paulista, Casa de Cultura de Santo Amaro, Rede Atitude, Instituto APAE SP, Oficina dos Menestréis, HGN Gestão Empresarial, Fernando Lúcio Viagens e Turismo, MGM Equipamentos de Audio e Interpretação Simultânea


Aprendizados e Recomendações

É preciso dar visibilidade aos pontos de convergência existentes entre os segmentos formados por pessoas vivendo com deficiência (que podem adquirir HIV/aids, caso não adotem medidas de prevenção) e pessoas vivendo com HIV/aids (que podem adquirir algum tipo de deficiência), inserindo-os na agenda das políticas públicas, dos movimentos sociais, dos currículos escolares, de pautas jornalísticas e, principalmente, no nosso cotidiano.

Os pontos elencados a seguir não seguem nenhum critério de hierarquização.

Vamos à curuera!

>> Utilizar TODOS os recursos de acessibilidade, lembrando da especificidade de cada segmento da deficiência: Libras (língua brasileira de sinais), audiodescrição, legendas em tempo real, utilização de imagens e frases curtas, para contemplar pessoas com deficiência intelectual. Em geral, lembramos apenas dos surdos e providenciamos tradutores/intérpretes de Libras. Os demais recursos estão igualmente disponíveis, têm a mesma importância que Libras e também estão previstos na legislação;

>> Adotar o lema do Movimento "Nada sobre nós, sem nós", o que implica em dar voz e vez às pessoas vivendo com HIV/aids e/ou pessoas com deficiência, propiciando ocasiões de exercício de seu protagonismo;

>> Ao planejar ações futuras, levar em consideração ações, reflexões e marcos conceituais existentes (como as Cartas de Santos e Florianópolis, a Política Nacional de Saúde da Pessoa com Deficiência e principalmente a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, ratificada pelo Brasil com o status de Emenda Constitucional);

>> Criar espaços de diálogo multissetoriais, mesclando especialistas, estudiosos e profissionais das áreas da Saúde, Educação, Assistência Social e outras, pessoas comuns, representantes das esferas federal, estadual e municipal e da sociedade civil organizada, formadores de opinião e formuladores de políticas públicas;

>> Produzir e disseminar amplamente informações em quantidade e com conteúdo e formatos segmentados, levando em consideração a especificidade dos diversos segmentos e a acessibilidade comunicacional;

>> Levar a informação às áreas periféricas, com menor probabilidade de ter acesso a informações ainda consideradas "tabu", alcançando pessoas que frequentemente não têm oportunidade de tomar contato com esta problemática e criando espaços para troca de informações e vivências. Em outras palavras, "é preciso pregar para os não convertidos" e "ir onde o povo está";

>> Informar entidades das áreas da deficiência sobre a possibilidade desse segmento vir a adquirir o vírus do HIV, dada sua vulnerabilidade e falta de acesso à prevenção, sobre a necessidade de disseminar informações e estimular comportamentos de autoestima, cuidado e respeito com seu corpo;

>> Por outro lado, informar entidades ligadas ao movimento HIV/aids sobre a possibilidade de aquisição de algum tipo de incapacidade ou deficiência e promover encontros entre estes segmentos, visando estimular a troca de informações sobre recursos, tecnologias assistivas, políticas públicas, estratégias de organização e luta em defesa de direitos;

>> Utilizar todos os meios existentes de comunicação, levando em conta a especificidade dos segmentos a serem alcançados;

>> Proporcionar condições de acolhimento e acessibilidade às PcD e mobilidade reduzida em toda a rede de serviços de saúde, englobando todas as facetas da acessibilidade: arquitetônica, de comunicação, atitudinal, alinhando a conduta com a legislação vigente (especialmente o Decreto 5.296, de 2004 e a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência);

>> Inserir atividades e informações sobre o exercício seguro da sexualidade e os direitos sexuais e reprodutivos na programação regular de entidades, Conselhos e órgãos de defesa dos direitos das PcD;

>> Produzir material com conteúdo e formato acessíveis aos diferentes segmentos da área da Deficiência visando estimular atitudes de autoestima, de valorização e de respeito ao seu corpo, além de prevenir situações de bullying, abuso e violência sexual;

>> Inserir questões sobre a existência de deficiência antes e/ou depois de adquirir o vírus do HIV nos sistemas de coleta de dados nas esferas municipal, estadual e federal.


Marta Gil, socióloga, Coordenadora Executiva do Amankay Instituto de Estudos e Pesquisas e consultora na área da Deficiência

Fonte: Rede SACI - São Paulo, 13/08/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 14/08/2010.

Média salarial do trabalhador com deficiência é maior que média geral

Diferencial está na remuneração dos trabalhadores reabilitados, deficientes auditivos e físicos.

Da redação

Em 2009, o rendimento médio das pessoas com deficiência (R$ 1.670,46) foi superior à média de rendimento geral (R$ 1.595,22). O diferencial está na remuneração média dos trabalhadores reabilitados (R$ 1.866,29), com deficiência auditiva (R$ 1.765,20) e com deficiência física (R$ 1.680,98). Os assalariados com deficiência mental recebem os menores rendimentos (R$ 713,91). Os dados são da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) 2009.

Os trabalhadores com deficiência auditiva apresentaram a maior diferença (58,3%) entre os rendimentos recebidos, segundo o gênero (R$ 2.048,25 para os homens e R$ 1.194,03 para as mulheres). Entre as pessoas com as demais deficiências, a disparidade entre os rendimentos médios recebidos por ambos os gêneros, foi menor, variando de 74,8% para os deficientes físicos a 87,2% para os assalariados com deficiência mental.

Do total de 41.207.546 milhões de vínculos trabalhistas ativos, registrados em 31 de dezembro de 2009, as pessoas declaradas com deficiência eram 288.593 mil (0,7% do total). Sendo que destas, as com deficiência física representavam (54.68%), auditiva (22,74%); visual (4,99%); mental (4,55%); múltiplas (1,21%) e reabilitados, (11,84%).


Dados considerando a escolaridade

Do total de 288.593 trabalhadores com deficiência, em 31 de dezembro do ano passado, 110.117 tinham Ensino Médio completo; 40.890l a oitava série completa do Ensino Fundamental; 32.663, ensino Superior Completo. Os trabalhadores com deficiência, analfabetos, eram apenas 3.007.


Dados considerando o gênero

Considerando-se o gênero, os homens tiveram uma maior representatividade em todos os tipos de deficiência, em relação à inserção no mercado de trabalho formal, no ano passado (65,57%), aumento de 64,32% em relação a 2008. Aqueles com deficiência física representavam (63,91%); com deficiência auditiva (66,78%); visual (65,21%); mental (72,86%); e múltiplas (69,74%).

Fonte: CidadeVerde.com - Teresina, 13/08/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 14/08/2010.

Ressonância cerebral pode identificar autismo, diz estudo

Novo método pode estar pronto para uso geral dentro de dois anos.

Ben Hirschler

Uma ressonância magnética feita em 15 minutos no futuro poderá ser usada para o diagnóstico mais fácil e barato do autismo, disseram cientistas britânicos na terça-feira.

Eles afirmaram que o teste rápido teve índice de acerto superior a 90 por cento em adultos, e que não há razão para crer que não funcione tão bem quanto em crianças.

Atualmente, o diagnóstico é feito em entrevistas e observações comportamentais que podem ser demoradas e emocionalmente desgastantes.

O autismo é um distúrbio cerebral complexo, caracterizado por dificuldades na comunicação e na interação social, podendo provocar um comprometimento de brando a profundo.

O novo método, que examina alterações estruturais na matéria cinzenta cerebral, pode estar pronto para uso geral dentro de dois anos. O próximo passo é testá-lo em crianças.

Declan Murphy, professor de psiquiatria do King's College, de Londres, disse em entrevista que o novo método permitirá um tratamento mais imediato dos pacientes, especialmente em crianças. Em alguns casos, a terapia cognitivo-comportamental e tratamentos educacionais podem ser altamente eficazes contra o transtorno.

Murphy e seus colegas, que divulgaram a descoberta na publicação Journal of Neuroscience, estudaram 20 adultos saudáveis e 20 outros com diagnostico prévio de distúrbios do espectro do autismo, o que inclui também a síndrome de Asperger.

O índice de acerto foi considerado altamente significativo, mesmo em se tratando de uma amostra tão pequena.

O exame analisa variações na forma e na estrutura de regiões cerebrais ligadas à linguagem e ao comportamento social, usando máquinas comuns de ressonância magnética por imagens.

Como o exame é muito mais rápido, acaba custando cerca de 5 por cento do valor de exames tradicionais, que podem exigir quatro a oito horas do trabalho de vários médicos. Uma ressonância cerebral custa cerca de 150 dólares.

O autismo e os transtornos correlatos são diagnosticados em cerca de 1 por cento da população da Grã-Bretanha e Estados Unidos, e afeta igualmente meninos e meninas. Pesquisadores concordam que há um forte componente genético.


Fonte: O Globo - Londres, 12/08/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 14/08/2010.

Começaram as inscrições para o Terceiro Fórum Municipal de Conscientização à Inclusão do Deficiente

O evento é aberto ao público e traz palestrantes especializados em áreas como deficiência auditiva e acessibilidade.

da Redação

A prefeitura municipal de Taubaté abre inscrições para participação no III FORME CONSCIENTE (Fórum Municipal de Conscientização à Inclusão do Deficiente), que acontecerá nos dias 25, 26 e 27 de agosto, no CEMTE Madre Cecilia (Centro Municipal Terapêutico Especializado).

O FORME CONSCIENTE é aberto a profissionais da área e população e tem como objetivo a conscientização da necessidade de inserção dos deficientes na sociedade.

As inscrições podem ser feitas através do site da prefeitura no endereço www.taubate.sp.gov.br.

O III FORME contará com aproximadamente 40 palestras e reunirá nomes como o do Profº. Dr. Romeu Sassaki (especialista em inclusão e consultor da CNBB), Dr. Luiz Augusto Salles Vieira (Desembargador do Tribunal Judiciário de São Paulo), Maria Cecília Bevilacqua (Mestre, Doutora e Livre Docente pela FOB/USP-Bauru, fonoaudióloga do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo), Prof. Dr. Orozimbo Alves Costa Filho (Médico, Mestre, Doutor e Livre Docente em Medicina. Professor Titular do Departamento de Fonoaudiologia da Faculdade de Odontologia de Bauru. Universidade de São Paulo e Coordenador do Comitê de Implante Coclear), Dr. Silvio Penteado (médico responsável pelo Projeto do desenvolvimento do Aparelho Auditivo Nacional - USP), Helenice Nakamura (fonoaudióloga da UNICAMP), Prof. Dr. Tae Mo Chung (Professor Doutor da USP), entre outros renomados profissionais que ministrarão palestras de diversos assuntos relacionados à inclusão social de pessoas com deficiência.

O FORME Consciente é realizado de dois em dois anos, de acordo com Decreto Municipal assinado pelo prefeito Roberto Peixoto, e representa mais um grande avanço da atual administração dentro do âmbito da inclusão do deficiente.

Fonte: Vale Notícia - Taubaté, 12/08/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 14/08/2010.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Para presidente da CNTE, Serra distorceu informações e reforçou preconceitos


por Conceição Lemes, do Viomundo

Na última quinta-feira, durante o debate entre presidenciáveis na Band, José Serra (PSDB), ao questionar Dilma Rousseff (PT), fez acusações ao governo Lula, ao ministro Fernando Haddad, da Educação, e, por tabela, à candidata petista:

O Ministério da Educação [MEC] quis proibir a Apae [Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais] de ensinar, dar o ensino primário, fazer isso, aquilo. Mais que isso. Cortaram todo tipo de convênio, cortaram equipamentos…Os convênios vem sendo encolhidos… Uma crueldade. As Apaes estão sendo perseguidas…Por que o governo neste momento está discriminando as Apaes?

“Serra distorceu as informações”, denuncia o professor Roberto Franklin Leão, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). “Tirou proveito de dúvidas e angústias de pais de crianças com necessidades especiais e da desinformação da população em geral, para reforçar preconceitos e se promover eleitoralmente.”

Até o final de 2006, as Apaes e outras entidades especializadas no atendimento de pessoas com necessidades especiais, como as deficientes auditivas e visuais, ficavam na dependência de convênios. O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental (Fundef), instituído em 1996, originalmente não lhes destinava verbas.

Em 2007, o Fundef deu lugar ao Fundeb — o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação. O Fundeb, desde a sua criação, fez constar no orçamento do MEC, de municípios e estados a previsão de repasses específicos para a educação de crianças especiais.

É lei. Independentemente do inquilino do Palácio do Planalto, tem de ser cumprida. Segundo o MEC, em 2009, as Apaes e outras instituições especializadas receberam via Fundeb R$ 282.271.920,02. Em 2010, R$ 293.241.435,86.

Além disso, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) envia recursos às instituições filantrópicas para merenda, livro e aqueles originários do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE). Nos últimos três anos, foram repassados para essas ações R$ 53.641.014,94.

No dia do debate, premonitoriamente, a Apae de Patos de Minas (MG) desmentia Serra. Com a presença de diretores, professores, pais e alunos em festa, apresentou três veículos, incluindo um ônibus com 42 lugares, equipado com elevador, para facilitar o acesso de estudantes cadeirantes. Custaram R$357.232,48 e foram comprados com a verba de convênios com o FNDE.

Então, por que das acusações ?

Desde sexta-feira, o Viomundo ouviu vários educadores. Os fatos são estes:

1 – Parte das Apaes diverge da forma como o MEC repassa atualmente as verbas. Esse é um dos motivos das críticas de certos representantes dessas entidades.

2 – Também parte das Apaes defende que as crianças especiais só estudem com crianças especiais. Já o MEC propõe que crianças com necessidades especiais estudem junto com as demais em escolas públicas regulares.

3 – O MEC nunca proibiu as Apaes — atendem principalmente portadores de síndrome de Down – de ensinar, dar cursos.

4 – Nenhum pai é obrigado a colocar a sua criança especial numa escola pública regular. Tampouco está sendo criminalizado se não o fizer, como disse Serra na semana passada.

5 – A matrícula e o atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência devem ser preferencialmente na rede regular de ensino. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, de 1996, atende a esse preceito.

6 – A Convenção de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, da Organização das Nações Unidas (ONU), de 2006, assegura às pessoas com deficiência o acesso a um sistema educacional inclusivo em todos os níveis.

7 – Para o MEC, “o direito à educação inclusiva é uma conquista dos movimentos sociais e dos governos comprometidos com as transformações. O acesso, a participação e a aprendizagem dos alunos público alvo da educação especial no ensino regular estão entre os seus princípios”.

8 – É possível, sim, a criança com necessidades especiais estudar com as demais. Nos Estados Unidos e em vários países da Europa, isso já acontece há muitos anos.

Os dois lados se beneficiam. Em 2005, quando essa nova política começou a ser implantada pelo MEC, 87% das crianças especiais estavam inscritas em instituições especializadas e 13%, em escolas regulares. Em 2009, pela primeira vez, inverteu-se a proporção: 57% se matricularam em escolas regulares e 43% nas especializadas.

Para aprofundar esse debate, conversamos mais com Roberto Franklin Leão, presidente da CNTE e professor da rede estadual de ensino de São Paulo.


Viomundo – As Apaes estão sendo mesmo perseguidas, discriminadas, como disse o Serra?

Roberto Franklin Leão – De jeito nenhum. As Apaes e outras entidades que atuam com portadores de necessidades especiais prestaram – e prestam — serviços relevantes à população brasileira, inclusive porque o Estado sempre foi ausente nessa área.

Porém, a partir de 2007, o Estado chamou para si a responsabilidade de atender a essa demanda, não contemplada plenamente pelas entidades da sociedade civil, apesar da boa vontade. A prova são as crianças, adolescentes, jovens e adultos especiais por esse Brasil afora que vivem em situação precária. Quantos ficam “jogados”, “amarrados”, “presas” em casa, por que na cidade onde moram não tem entidade que cuide delas?

O Estado, portanto, começou a atuar onde não agia. E isso é muito bem-vindo, pois vai permitir a universalização do atendimento aos portadores de necessidades especiais. E, aí, é lógico que as entidades vão começar a receber menos, porque o dinheiro que seria destinado a elas vai ser usado no atendimento prestado pelo Estado.

No meu entendimento, esse dinheiro tem de ir para a educação pública. Em hipótese alguma caracteriza perseguição à entidade a, b ou c. Este é o papel do Estado. Garantir educação de qualidade a todas e todos, independentemente da sua condição.

O que o MEC fez foi alterar o processo de repasse de dinheiro às entidades da sociedade civil que prestam serviços nas áreas de crianças com necessidades especiais.

Viomundo – Como era antes?

Roberto Franklin Leão — Além de verbas do Fundef limitadas a crianças de 7 a 14 anos, as Apaes e outras instituições recebiam recursos por meio de convênios com prefeituras, estados, governo federal ou doações. E convênio é convênio. Hoje tem, amanhã não. Tem de ser renovado constantemente, pois tem prazo de validade.

Com o Fundeb, isso mudou. Pela primeira vez na história, o repasse de verbas está previsto em lei para toda e qualquer pessoa com deficiência matriculada em escola pública, filantrópica, confessional ou conveniada. Essas três últimas desde que cadastradas no MEC.

Viomundo – Então as entidades não precisam mais passar o chapéu?

Roberto Franklin Leão – Exatamente, apesar de o investimento ainda ser insuficiente para atender integralmente a demanda, como de resto acontece com toda a Educação. Mas é preciso reconhecer que algo inovador e melhor já começou. Temos de aplaudir. Só que, desde que o início desse debate, parte das Apaes é contra o novo formato de repasse de verbas.

Viomundo – Pelo que apurei, o repasse de verbas pelo MEC obedece ao seguinte critério. Se pela manhã a criança especial estuda numa escola pública, essa escola recebe uma quantia. Se à tarde ela oferece também atendimento especializado, recebe essa quantia em dobro. O mesmo acontece se a criança estuda na escola pública e em instituição especializada, como a Apae. O MEC paga à escola pública e à Apae. Ou seja, paga o dobro por essa criança. Agora, se a pessoa freqüentar apenas a instituição especializada, o MEC paga uma só vez. Isso é correto?

Roberto Franklin Leão — Sim. Veja bem. A escola pública está praticando política de inclusão. E a escola especializada atua naquilo que a gente chama de atendimento especializado. Portanto, é justo que ambas recebam por essa criança.

Agora se escola pública cria um espaço para trabalhar também com essa criança numa sala especial, é correto que receba em dobro. Ao dar atendimento adicional, está ajudando essa criança a progredir mais. E, é claro, vai ter mais despesa Afinal, além de atendê-la na sala comum junto com os outros alunos, vai dar o suporte especial que ela precisa, já que não é absolutamente igual aos demais.

Viomundo – E qual a reivindicação de parte das Apae?

Roberto Franklin Leão – Pelo que consta, elas querem receber o mesmo valor repassado às escolas públicas regulares que praticam educação integrada.

Não tem sentido. Se a criança freqüenta apenas a Apae, a entidade só deve receber uma vez. A verba pública tem de ir, prioritariamente, para a escola pública. E o público tem de servir para sustentar o sistema público de ensino. É o que reza a Constituição.

Eu insisto. Essas entidades existem, porque o Estado não atuava. A partir do momento em que o Estado começa a construir a sua rede, é natural que o repasse do dinheiro às entidades beneficentes diminua.

Viomundo – Segundo o MEC, há um aumento progressivo de alunos especiais matriculados nas escolas públicas regulares. O senhor acha que elas estão preparadas para lidar com esse novo desafio?

Roberto Franklin Leão — É um processo lento em que as escolas públicas regulares terão de se adequar aos poucos a essa nova realidade. O que não pode ser feito é o que aconteceu em São Paulo na gestão do ex-governador Mário Covas (PSBB). Em 1999, o Conselho Estadual de Educação deliberou mudanças no atendimento da educação especial. Elas entraram em vigor em 2000.

Na rede estadual de ensino, havia classes especiais para atender a crianças portadoras de déficit visual, auditivo e mental. As salas foram desmontadas e as crianças incluídas nas salas comuns, sem que tivessem qualquer tipo de acompanhamento. Os próprios professores não tiveram o preparo necessário para orientar as crianças.

Viomundo – Todas as salas especiais foram extintas?!

Roberto Franklin Leão — Talvez ainda exista alguma sala que eu desconheça, mas praticamente todas foram extintas sem que houvesse a necessária integração, inclusive entre os professores, para atender as necessidades dessas crianças. Essa integração tem de ser acompanhada, planejada e os técnicos especializados no assunto não podem ser deixados de lado, como aconteceu em São Paulo.

Viomundo – Ou seja, não basta colocar numa sala comum as crianças com necessidades especiais.

Roberto Franklin Leão – Exatamente. As crianças com necessidades especiais têm de ir para a classe comum, mas elas necessitam também do atendimento diferenciado. Aqui, em São Paulo, o governo tucano fez uma integração que, na verdade, acabou não atendendo às necessidades das crianças e causou muita insatisfação nos professores. Não poderiam de jeito algum ter destruído o que já existia na rede, pois tudo aquilo era necessário para que as crianças conseguissem evoluir.

Viomundo – A integração foi na marra?

Roberto Franklin Leão — Foi como se as crianças tivessem ido dormir numa sala especial e acordado numa sala comum. Não foi bom para elas nem para os professores, que ficavam preocupados, pois não conseguiam fazer com que elas acompanhassem, ainda que no ritmo delas, o desenvolvimento desse programa de ensino.

Tanto que em São Paulo, em muitos lugares, os pais resistem. Reclamam muito. E com razão. O governo deixou de dar às crianças o atendimento especializado que elas tinham na própria rede pública estadual.

Viomundo – Essa situação persiste?

Roberto Franklin Leão – Aqui, as crianças continuam, sim, a ser integradas na sala de aula de maneira comum.

Viomundo – Como deveria ser a integração?

Roberto Franklin Leão – Ainda que num período do dia estejam na mesma sala que as demais, as crianças especiais precisam de atendimento especializado, pois isso faz parte do processo de desenvolvimento dela.

É importante ressaltar que o projeto do MEC não exclui o atendimento especializado. Num período do dia, as crianças freqüentam as escolas regulares. No outro, a escola especial. Aquelas com deficiência auditiva aprendem Libras – a Língua Brasileira de Sinais. As com deficiência visual, o código braile. Já as com déficit mental, se necessário, podem receber atendimento especializado nas Apaes ou na própria rede pública de ensino. Portanto, educação mista. Nos casos mais graves, obrigatoriamente só poderão estudar em escolas especializadas.

Viomundo – Quais os benefícios da integração?

Roberto Franklin Leão – Houve um momento da história em que as instituições especializadas eram o que existia de melhor para as crianças com necessidades especiais. Com o tempo se comprovou que se elas tiverem contato com pessoas sem as mesmas necessidades, elas podem se desenvolver melhor. Ao conviverem só com iguais, elas não têm condições de sair daquele mundo.

As crianças especiais se sentem mais integradas, fazendo parte da sociedade em geral. Ao mesmo tempo, as outras crianças, sem qualquer deficiência física ou mental, aprendem desde cedo a aceitar e respeitar o diferente. Desenvolvem ainda a tolerância e a solidariedade. Respeitando a deficiência do outro, aceitamos mais as nossas próprias. Portanto, todos se beneficiam.

Viomundo – E o preconceito e as resistências, como ficam?

Roberto Franklin Leão — Existem, claro. Há pais de alunos sem deficiência que acham que o convívio com os especiais vai ter repercussão negativa na vida de seus filhos. Isso não é verdade. Mas é um preconceito que ainda tem de ser superado na nossa sociedade.

Há pais também que têm vergonha de ter um filho especial e esconde a criança, pois sabe do preconceito que existe na sociedade em relação às pessoas especiais. A melhor maneira de fazer com que as crianças especiais sejam mais felizes é fazer com que elas consigam conviver com as outras pessoas. Mas é fundamental que tenham atendimento extra. Elas não podem ser colocadas simplesmente numa sala de aula comum e largadas lá.

Viomundo – Nessa altura, alguns vão dizer: “Ah, mas as crianças especiais não vão acompanhar o restante da turma…”

Roberto Franklin Leão – E daí? Deixe-as tocar no ritmo delas. Os ganhos sociais e emocionais ganham longe. Por isso, o Estado tem de chamar para si, cada vez mais, a responsabilidade pela educação desses meninos e meninas. É dever do Estado oferecer educação gratuita de boa qualidade a todos e todas, do berçário ao ensino. Isso tem de ser aplaudido.

Viomundo – E como ficam as instituições especializadas da sociedade civil?

Roberto Franklin Leão – Ainda que exista um período de transição, a verba pública tem de ser usada na escola pública, na educação pública, com todo o respeito ao grande trabalho desenvolvido por essas entidades. Mas à medida que o Estado for desenvolvendo a sua rede própria, elas terão de buscar outras formas de se sustentar que não as verbas públicas.

Ainda que tenhamos uma ligação afetiva e de respeito com essas entidades, é fundamental que o Estado assuma, cada vez mais, o papel de grande investidor da educação pública. Apesar do empenho dessas entidades beneméritas, elas não dão conta da demanda, que não é pequena. Tanto que muitas e muitas crianças ficaram sem atendimento nesses anos todos.

É uma educação cara. E só o Estado tem condições efetivas de universalizar o acesso da criança que precisa desse atendimento.

Viomundo – Mas, professor, muitas famílias têm preconceito em relação ao atendimento na rede pública. Algumas se apavoram apenas de pensar nessa possibilidade. Como vencer isso?

Roberto Franklin Leão – É uma cultura de décadas e décadas. Um preconceito que terá de ser vencido aos poucos. Quem tem um filho com necessidades especiais procura cercá-lo de todos os cuidados. Mas a grande preocupação desses pais é o que vai acontecer com o seu filho quando eles não estiverem mais aqui.

Pois bem, o Estado intervindo e dando a essas crianças a possibilidade de terem um projeto de integração mais humanizado, em que elas se sintam mais felizes e se acostumem a conviver mais com as demais, vai lhes ajudar no futuro. Com certeza, viu, pai, viu, mãe?

Nota do Viomundo:Palmas para os pais e mães de crianças especiais que estão dando uma lição de cidadania a José Serra. Aplausos também para as escolas regulares que aceitam crianças especiais. Quanto a você, pai e mãe, não é porque seu filho é diferente e tem dificuldades, que não será querido e feliz. Arregacem as mangas. Aproveite cada momento do dia para ensinar e ele aprender. A boa mãe e o bom pai, além de não se envergonharem de mostrar o filho ao mundo, mostram o mundo ao filho. Pratique inclusão social, cidadania, tolerância e solidariedade.


Fonte: Viomundo - http://www.inclusive.org.br/?p=16882 - 12/08/2010


Matéria postada no blog da APNEN: 13/08/2010

Bailarina com síndrome de Down supera obstáculos pela dança

A jovem é a única portadora da síndrome a dançar com sapatilhas de ponta no Brasil e já foi convidada a representar o país em congressos internacionais.

Assista ao video: http://noticias.r7.com/videos/bailarina-com-sindrome-de-down-supera-obstaculos-pela-danca/idmedia/49401c45a648e0cab0aa02487c505f1b.html

Fonte: R7 - 12/08/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 13/08/2010

MP obtém liminar para construção de adaptações para pessoas com deficiência

Prazo para construção das rampas de acesso é de 60 dias, sob pena de multa diária de R$ 1.000, em caso de descumprimento.

O Ministério Público de Rondônia, por meio da Promotoria de Justiça de Colorado do Oeste, obteve na Justiça liminar que obriga o Município, Estado de Rondônia e Emater a construírem rampas de acesso para pessoas com deficiência no Posto Municipal de Saúde "Balanção", no Conselho Tutelar dos Direitos da Criança e do Adolescente, na Escola Estadual Ângelo Angelim e no escritório local da Emater, no prazo de 60 dias, sob pena de multa diária de R$ 1.000, em caso de descumprimento.

A liminar foi concedida em Ação Civil Pública, proposta pelo Promotor de Justiça Fernando Franco Assunção, para que o Município, Estado e Emater fossem obrigados a fazer obras de adaptação para pessoas com deficiência, segundo as normas da ABNT (NBR 9050/2004), nos locais apontados pelo MP.

A ação teve por base procedimento extrajudicial que tramitou na Promotoria de Justiça, sendo que, no início, havia vários órgãos e entidades que não estavam garantindo acessibilidade às pessoas com deficiência, todavia, aos poucos, a grande maioria desses órgãos foram atendendo às recomendações do Ministério Público e se adequaram às normas de acessibilidade, sendo que apenas as quatro entidades já mencionadas permaneceram à margem da Lei, ensejando assim a ação judicial.

O Promotor de Justiça esclarece que o direito de acessibilidade das pessoas com deficiência é garantido pela Constituição Federal (Art. 227, § 2º) e pelas Leis 7.853/89 e 10.098/00 e tem como objetivo proporcionar uma integração social plena dessas pessoas, sendo que as chamadas barreiras arquitetônicas são "absolutamente inaceitáveis numa 'sociedade solidária', como busca nossa Constituição (art. 3º, I), bem como representam uma grave afronta à 'dignidade da pessoa humana', um dos princípios fundamentais insculpidos em nossa Constituição (art. 1º, III)".

Fonte: Rondoniagora.com - Colorado do Oeste, 12/08/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 13/08/2010

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Novos ônibus com acessibilidade começam a rodar

São 26 novos veículos que começam a rodar hoje por diversas linhas da cidade.

Da Redação

Equipados com elevadores de última geração, bancos para idosos, para acompanhantes de cadeirantes e um especial para obesos, 26 novos ônibus começam a rodar, a partir da quarta-feira (11), nas linhas Portão/Terminal da França, Lauro de Freitas/Lapa e Vilas do Atlântico/ Praça da Sé.

Os novos veículos são da empresa de transporte de passageiros Costa Verde, que já havia incorporado, em fevereiro, outros 16 veículos com acessibilidade à frota que atende ao município.

A apresentação dos veículos à população, no estacionamento do Restaurante Popular, contou com a presença do diretor executivo da Agerba, Renato Andrade, representantes da empresa, do Conselho de Transportes de Itinga, secretários municipais e o vice-prefeito João Oliveira, que representou a prefeita de Lauro de Freitas Moema Gramacho.

Fonte:iBahia.com - Itinga - Bahia, 11/08/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 12/08/2010

Encontro no TRT do Paraná sela compromisso pela inclusão

Evento reuniu 32 participantes vindos do Paraná, São Paulo e Santa Catarina.

Na quinta-feira (05/08/10), diversas entidades foram visitar o Tribunal Regional do Trabalho – 9ª Região para buscar informações sobre o papel da justiça no cumprimento do direito ao trabalho das pessoas com deficiência.

A Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência não está sendo respeitada em processos trabalhistas, quando há desconhecimento ou preconceito de quem deveria garantir o seu cumprimento.

Abrindo o encontro, a Vice-Presidente do Tribunal, Desembargadora Rosemarie Diedrichs Pimpão, saudou os visitantes afirmando que “implementar ações voltadas à inclusão social é questão de atitude, de consciência e de trabalho contínuo, o que vem sendo diuturnamente prestigiado pela administração do nosso tribunal.”

Já o Desembargador Ricardo Tadeu Marques da Fonseca alertou que a lei tem que valer para todos. Disse também que o Conselho Nacional de Justiça publicou Resolução que orienta a inclusão no Judiciário de todo o território nacional.

Ele aproveitou para chamar à responsabilidade todos os presentes para que garantam uma sociedade mais inclusiva e fez um apelo para que as centrais sindicais orientem os sindicatos filiados a assumirem cláusulas inclusivas nas convenções coletivas de trabalho.

O encontro reuniu 32 participantes vindos do Paraná, São Paulo e Santa Catarina.

Todos puderam esclarecer dúvidas, manifestar opiniões e apresentar preocupações.

Os participantes do Paraná reforçaram a questão de acessibilidade. Quem veio de Santa Catarina buscou informações sobre o papel do Ministério Público do Trabalho frente ao descumprimento de lei de cotas. Já o pessoal de São Paulo distribuía aos participantes cópias de Sentenças e Acordão cujos julgadores demonstravam desconhecer quem são “pessoas com deficiência”. Circulava até sentença repetida para empresas de atividades diferentes.

O encontro propiciou troca de conhecimentos com o Judiciário, com o Ministério Público do Trabalho, com órgãos do governo, sindicatos, empresas, escolas e entidades especializadas. A imprensa registrou.

Previsto para duas horas, teve o dobro de duração. Ganharam a diversidade, a democracia e a justiça.

Fonte:Espaço da Cidadania - Curitiba, 11/08/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 12/08/2010

Chega ao mercado brasileiro nova cadeira elevatória

A cadeira foi projetada com assentos mais largos, que medem 64 centímetros, medida adequada para o transporte confortável de uma pessoa com até 138 quilos.
A ThyssenKrupp Elevadores lança no mercado brasileiro a cadeira elevatória para escadas Levant. O produto reúne diferenciais que ampliam a qualidade e a segurança no transporte de pessoas com mobilidade reduzida, como idosos.

“A Levant é um produto tecnologicamente mais eficiente e esteticamente mais confortável para o usuário”, afirma Rafael Villar, Gerente da Divisão de Acessibilidade da ThyssenKrupp Elevadores, que também comercializa o elevador residencial Levità e as plataformas elevatórias verticais e inclinadas - Easy Vertical e Easy Inclined.

A evolução está presente, especialmente no design ergonômico, que garante mais conforto e segurança aos usuários. A Levant foi projetada com assentos mais largos, que medem 64 centímetros, medida adequada para o transporte confortável de uma pessoa sentada com até 138 quilos.

O assento possui estofamento confeccionado com material resistente e impermeável que facilita a limpeza da cadeira. Disponível em cor neutra, para combinar com a decoração dos diferentes ambientes, o assento pode ser dobrado, quando a cadeira não estiver sendo usada, deixando livre o acesso à escada.

A segurança é outro aspecto importante deste lançamento que possui as certificações americanas CE e ELT. Além de cinto de segurança, a Levant possui outros recursos inovadores, como as bordas especiais de proteção que podem ser acionadas quando houver risco de travamento. Além disso, um alerta sonoro é emitido quando a cadeira chega ao fim do seu percurso.

O acionamento também foi projetado para garantir a tranquilidade dos usuários. Através de um botão posicionado no encosto de descanso para o braço, o próprio usuário movimenta a cadeira fazendo pressão constante sobre o botão. Assim, a cadeira para automaticamente quando o botão deixa de ser pressionado. Controles remotos de chamada e envio com infravermelho também facilitam o comando à distância e com amplo raio de alcance. O usuário não precisa apontar o controle diretamente para a unidade de acionamento, basta apenas direcioná-lo para a cadeira.

A cadeira também possui uma alavanca que permite girar o assento e posicioná-lo de frente para o hall, ajudando o usuário na hora de descer quando a cadeira atingir a parte superior da escada. E para o descanso dos pés, um apoio especial, com bordas de segurança, garante o conforto e a segurança dos usuários. Quando um obstáculo é detectado no percurso de deslocamento da cadeira junto à escada, seja ao subir ou descer, a cadeira elevatória para imediatamente.

O equipamento funciona por meio de bateria com alimentação monofásica 110 volts, e opera mesmo com a falta de energia elétrica. O deslocamento da cadeira é feito a partir de um trilho (pinhão e cremalheira) que garante um deslocamento suave e silencioso a uma velocidade de 6 metros por minuto. A instalação também é simples e a estrutura se adapta à escada existente sem a necessidade de obras civis.

Fonte:http://www.vidamaislivre.com.br/noticias/noticia.php?id=1696&/chega_ao_mercado_brasileiro_nova_cadeira_elevatoria

Matéria postada no blog da APNEN: 12/08/2010

Hotéis e motéis terão que adaptar instalações para deficientes em Caxias do Sul

Projeto de lei foi aprovado na Câmara de Vereadores.

Kelly Isis Pelisser

Os hotéis e motéis de Caxias do Sul terão que adaptar suas instalações para receber pessoas com deficiência física. Um projeto de lei foi aprovado por unanimidade na sessão desta terça-feira da Câmara de Vereadores, obrigando a reserva de 2% dos apartamentos e quartos, sendo no mínimo uma unidade, para deficientes.

O texto determina advertência, multa e até interdição dos estabelecimentos que não se adequarem. Conforme a autora da proposta, vereadora Geni Peteffi (PMDB), a intenção é assegurar a liberdade de locomoção do deficiente físico.

Fonte: Pioneiro - Caxias do Sul, 11/08/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 12/08/2010

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

AACD celebra 60 anos com regência de João Carlos Martins



FERNANDA BASSETTE
DE SÃO PAULO

Sob os aplausos de 1.300 convidados, o maestro João Carlos Martins abriu ontem o evento em comemoração dos 60 anos da AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente).

Regente da Orquestra Filarmônica Bachiana Sesi-SP, Martins foi escolhido pela AACD por ser um exemplo de superação, já que a deficiência nas mãos não o impossibilitou de ser um dos nomes mais reconhecidos da música brasileira.

Depois que um acidente e alguns problemas de saúde tornaram mais difícil o movimento de suas mãos, Martins trocou o piano pela regência.

"Na minha vida, eu tenho três missões: manter a música de alto nível, continuar meu trabalho social [em 13 comunidades] e lidar com a deficiência física", disse Martins na noite de ontem.

"Ele é uma referência aos portadores de deficiências", afirmou Eduardo de Almeida Carneiro, diretor-presidente da entidade.

Um coral com 150 crianças de Paraisópolis e Carapicuíba complementou a apresentação da orquestra. Os cantores Daniel e Simone também participaram do evento.

AMPLIAÇÃO

A AACD é uma entidade filantrópica que atende quase 6.000 pessoas com deficiência de todo o país.

A associação tem nove unidades espalhadas pelo Brasil. Mesmo assim, a fila de espera por atendimento especializado chega a 32 mil pessoas -já que cada paciente fica, em média, oito anos em atendimento.

Antes do início da apresentação da orquestra, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) assinou um documento que transfere oficialmente dois terrenos da prefeitura para a AACD, um na zona sul e outro na zona norte. Nesses locais, serão construídas duas novas unidades.

Segundo Carneiro, as obras devem ser entregues no segundo semestre de 2011. A expectativa é que, juntas, essas unidades façam cerca de 700 atendimentos por dia.
O prefeito também anunciou que vai enviar um projeto de lei para a Câmara pedindo a transferência para a entidade da posse do terreno onde fica a sede da AACD.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo - Cotidiano - 11/08/2010

Matéria postada no blog da APNEN:

Pessoa com deficiência pode receber incentivo para abrir empresa

Projeto que está em análise na Comissão de Direitos Humanos incentiva o empreendedorismo e estabelece linhas de crédito orientadas especificamente para pessoas com deficiência.
O poder público deverá incentivar ações para promover o empreendedorismo e estabelecer linhas de crédito orientadas especificamente para pessoas com deficiência. Projeto com esse objetivo, de iniciativa do senador Paulo Paim (PT-RS), está sendo examinado pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH).

Paim justifica seu projeto afirmando que a legislação brasileira protege e estimula o ingresso no mercado de trabalho das pessoas com deficiência, mas não incentiva o empreendedorismo. Embora considere que a conquista do emprego seja relevante, do ponto de vista econômico e social, Paim argumenta que as pessoas com deficiência também podem e devem ser incentivadas a desenvolver suas próprias empresas, contribuindo tanto para seu processo de inclusão social e crescimento econômico, quanto para o desenvolvimento do país.

Em apoio à iniciativa, o relator lembra que o Brasil incorporou à sua Constituição, em 2008, por meio de emenda, o que estabelece a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, da Organização das Nações Unidas (ONU). O protocolo reconhece às pessoas com deficiência o direito ao trabalho, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, e compromete-se a adotar as medidas apropriadas, inclusive no campo legislativo, para promover oportunidades de trabalho autônomo, empreendedorismo, desenvolvimento de cooperativas e estabelecimento de negócio próprio.

Segundo o senador, cerca de oito milhões de brasileiros com deficiência - mais de 35% do total - são trabalhadores informais ou profissionais autônomos, que começam um negócio próprio por necessidade ou por vocação, sem nenhum incentivo do Estado. Essas pessoas, diz também o relator, em geral, não têm posses e, por isso, enfrentam enormes obstáculos para acesso ao crédito.

Fonte: Agência Senado - 10/08/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 11/08/2010

Espaço deficiente

Passear pela cidade e ter acesso aos ambientes culturais ainda é um grande desafio para as pessoas com dificuldade de locomoção.


Marjorie Ribeiro

Três vezes por semana, Leandro Mendes sai de casa cedo para visitar empresas de transportes metropolitanos do Rio de Janeiro. O jovem de 28 anos teve paralisia cerebral ao nascer e o motivo que o faz ir de Jacarepaguá até Niterói é concluir a apuração do número de ônibus adaptados para deficientes. "Nem todo cadeirante do Rio tem acesso a todos os lugares, como minha deficiência não me impede de andar eu abracei a causa", explica.

Em 2004, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou a lei que previa a adaptação progressiva dos ônibus para a circulação e acomodação de deficientes, mas muitas empresas ainda não ajustaram seus veículos. Enquanto isso, as pessoas com deficiência reclamam não só das dificuldades no transporte público, mas também dos problemas de acesso aos espaços públicos e privados.

"A maioria dos lugares contam somente com escadas, faltam rampas em muitos teatros e cinemas", salienta Leandro. Outro alvo de críticas são os banheiros, com portas estreitas ou pesadas demais, e as calçadas, sem dimensões adequadas para uso de cadeirantes e nem condições necessárias que permitam a mobilidade de deficientes visuais.

Um estudo realizado em julho de 2009 pela RedeTuris - Rede de Desenvolvimento do Turismo Sustentável do Rio de Janeiro revelou a estrutura inadequada de pólos históricos, culturais e gastronômicos do estado. Todos os 116 estabelecimentos pesquisados em Botafogo, Tijuca, Novo Rio Antigo e Praça XV receberam nota zero, já que não atendiam ao mínimo de acessibilidade.


Tratamento diferenciado

Renato Costa, que mora na capital paulista e tem deficiência física há seis anos, ressalta que mesmo quando há locais reservados para o uso de deficientes, não há a preocupação com o bem-estar. "No cinema, as cadeiras disponibilizadas são em frente à tela, próximo ao corredor, locais que não são escolhidos pelos outros frequentadores", afirma. Segundo ele, isso ocorre também nas casas de shows, onde tampouco se leva em conta se o cadeirante tem a visão plena do palco.

Por motivos como esses é que Renato adquiriu o costume de ligar antes de ir a qualquer lugar, para saber qual é o seu nível de acessibilidade. Mesmo assim, conta que já houve ocasiões em que foi até o local e desistiu ao chegar e perceber que não havia a mínima possibilidade de se locomover. "Isso gera um contra-senso, são espaços que promovem a diversidade cultural, mas que não dão um tratamento igual a seu público", acredita.

Para ele, é preciso trabalhar a acessibilidade não só na questão arquitetônica como forma de cumprir a lei mas, sim, com um olhar humano e igualitário. "Do jeito que está só mostra que o espaço é que está deficiente e não a pessoa", complementa.


A passos de formiga

A boa notícia que o nível de conscientização tem aumentado nos últimos anos e espaços culturais são construídos com estruturas para pessoas com diversas deficiências, como é o caso da nova Biblioteca de São Paulo. Inaugurada no começo deste ano, ela conta com elevadores, mesas de leitura adaptáveis para cadeirantes, áudio-livros, leitores autônomos e impressoras que transformam obras em braile.

Mas o Secretário Estadual da Pessoa com Deficiência de São Paulo, Marco Pellegrini, admite que há muito trabalho a ser feito. "Ainda existem barreiras atitudinais na sociedade, que não enxergam as pessoas com deficiência como consumidoras e detentoras de direitos plenos. Apenas no estado de São Paulo, são cerca de 4 milhões de pessoas com deficiência que encontram dificuldades para ter acessibilidade plena nos espaços", afirma.

Com o intuito de conscientizar os gestores municipais sobre a importância do tema, a Secretaria do Estado da Pessoa com Deficiência promove audiências e eventos durante o mês de agosto por meio da Caravana da Inclusão, Acessibilidade e Cidadania. Isso porque, segundo Pellegrini, a maior parte das políticas públicas de acessibilidade são tratadas no âmbito do Município.

Enquanto isso, Leandro Mendes continua contando os ônibus e espera ansiosamente para o dia em que a apuração de veículos adapatados seja o mesmo do total da frota. Nas horas vagas, participa da ONG Adaptsurf, que promove o banho de mar e surf adaptado a pessoas com mobilidades reduzidas. Porque aproveitar as praias cariocas também é direito de todo cidadão, com ou sem deficiência. E faz muito bem, obrigada.

Fonte: Guia da Semana - 10/08/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 11/08/2010

Investir na acessibilidade

Funcionários do Aeroporto Pinto Martins recebem treinamento de acessibilidade para deficientes físicos.


Da Redação

Noventa e cinco operadores do Aeroporto Internacional Pinto Martins concluíram, ontem, o Curso de Acessibilidade. A iniciativa, que acontece simultaneamente em outros aeroportos brasileiros, tem como meta estabelecer em 100% os padrões de mobilidade para portadores de deficiência ou com dificuldade de locomoção até a Copa do Mundo, que acontece em 2014.

Transportar deficientes visuais pela escada, cadeirantes por rampas e, sobretudo, formar uma consciência de maior democratização aos acessos do aeroporto fizeram parte do treinamento, que aconteceu desde o último dia 2,segundo informou o instrutor do curso, Reinaldo Sousa.

"Nosso trabalho visa garantir total acessibilidade nos aeroportos brasileiros até a próxima Copa do Mundo e isso não implicará apenas em recursos humanos melhor preparados, mas também em intervenções na arquitetura dos terminais e entornos", disse Sousa. Ele lembra que esse recurso já está assegurado por meio de editais.

Uma das ações previstas será a instalação de balcões de check in tanto para cadeirante com para pessoas sem deficiência. Uma altura compatível com esses dois segmentos da população já é adotado em alguns países europeus, Estados Unidos, dentre outros.

Essa não foi a primeira vez que a Empresa Brasileira de Infra estrutura Aeroportuária (Infraero) promoveu treinamento com a equipe de recursos humanos e envolvendo funcionários que atuam no Aeroporto Pinto Martins.

No entanto, salientou que a capacitação será mais frequente e voltada para todos os tipos de deficiência, que inclui ainda os auditivos, visuais e aqueles com mobilidade reduzida, a exemplo de idosos e mulheres grávidas. Isso envolve ensino de linguagem de libras, cardápios e letreiros em braille, bem como a instalação de pisos táteis.

O objetivo do curso, segundo a Infraero, foi também promover o debate sobre acessibilidade no Aeroporto Internacional Pinto Martins, além de proporcionar a melhoria no atendimento às pessoas com deficiência (física, sensorial, auditiva e visual, intelectual e múltipla) ou mobilidade reduzida (idosos, obesos, baixa estatura, enfermos, gestantes, lactantes e as pessoas acompanhadas por crianças de colo).

Fonte:Diário do Nordeste - Fortaleza, 10/08/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 11/08/2010

Inclusão social e oportunidade

Joinville inaugura o primeiro posto de gasolina adaptado para deficientes físicos.

Mariana Pereira

O cadeirante Rodrigo Campos Rodrigues trabalha como frentista em um posto de gasolina, em Joinville. Outros dois colegas dele também têm algum tipo de deficiência.

Os três funcionários compõem um quadro de 23 trabalhadores. Número que pode aumentar quando as cinco vagas disponíveis forem preenchidas por pessoas com limitações.

Joinville é a primeira cidade de SC a ter o primeiro posto de gasolina totalmente acessível a pessoas com deficiência. O posto modelo foi projetado para ser acessível não só aos clientes, mas aos funcionários, oferecendo oportunidades de emprego a pessoas com deficiência.

O posto Magnum, que fica na Marquês de Olinda, na esquina com a Rua 15 de Novembro, no Bairro Glória, é um dos 15 postos em todo o país que integram o projeto de inclusão social Cidadão Capaz, que promove a adaptação de postos de combustíveis da Petrobras para que pessoas com deficiência sejam empregadas na rede. Das calçadas com rampas e piso podotátil (para deficientes visuais) às bombas de gasolina mais baixas, ao alcance de cadeirantes, tudo foi projetado para que o posto possa empregar até oito deficientes físicos.

– A unidade está equipada com vestiários e banheiros especiais, e o espaço entre as ilhas, onde ficam as bombas, é maior do que num posto comum, para permitir o acesso dos cadeirantes – diz o sócio-proprietário do posto Magnum, Carlos Boing.

– A ideia é de que, a cada turno, dois funcionários que utilizem cadeira de rodas trabalhem no abastecimento, e para garantir segurança, a pista onde os carros abastecem é toda adaptada, com pinturas que delimitam o acesso exclusivo para os cadeirantes – acrescenta.

– Outros postos da cidade já estão dentro de padrões de acessibilidade, com rampas de acesso, banheiros; e todos que passam por reforma são obrigados a se adaptar, mas este é o primeiro 100% aprovado, que atende a todos os quesitos para empregar pessoas com deficiência – ressalta o presidente do Conselho Municipal das Pessoas com Deficiência (Comde), Mário Cezar da Silveira.

A dificuldade, segundo o empresário Carlos Boing, tem sido encontrar pessoas com deficiência aptas a ocupar as vagas em aberto nos serviços de pista (abastecimento, calibragem e lavação) e na área administrativa (loja de conveniência). Os interessados em trabalhar neste posto podem ligar para (47) 3028-4829.

Fonte: Diário Catarinense - Joinville, 10/08/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 11/08/2010

Pais ajudam os filhos a superar as limitações cotidianas

Na semana em que comemorou-se o dia dos pais, "O Diário" conta um pouco da experiência de homens que têm filhos com algum tipo de deficiência.

Glaucia Nielsen

Nicácio, José Marcos, Laércio e Edecarlos são pais especiais em todas as suas possíveis interpretações. São eles os responsáveis pelos cuidados diários a Ana Victória, Renan, Natália e Eduardo, respectivamente. Cada um com suas necessidades e limitações, são especiais desde o nascimento, mas muito mais especiais por um simples motivo: o amor incondicional e o fato de fazerem as lágrimas correr dos olhos dos pais facilmente.


Nicácio e Ana

"Deus estava guardando a Victória para nós." Com os olhos embargados e um sorriso largo no rosto, o pastor Nicácio Moura, 43 anos, é o resumo da alegria em ser pai de Ana Victória de Souza Moura, 8, foi adotada e, vítima de paralisia cerebral por complicações no parto, foi escolhida a dedo. "Quando a recebemos, era uma criança totalmente insegura. Mas sabíamos que nosso amor poderia mudar isso."


José e Renan

"O Renan me ensinou tantas coisas, conseguiu me fazer entender o mundo surdo. É competente, capaz e muito determinado." Os predicados ao jovem Renan de Bastos Andrade, 25 anos, são proferidos pelo pai, o professor universitário José Marcos de Bastos Andrade, 52. Formado em Artes Visuais e pós-graduando em Libras, agora o rapaz deixa o pai mais orgulhoso: passou no concurso para lecionar na Universidade Técnica do Paraná.


Láercio e Natália

Natália Colli Pavan, 14, sai da sessão de fonoaudiologia na sede da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) e abre os abraços, com um sorriso doce. Tanta alegria é por ver que o pai, o agricultor Laércio Pavan, foi buscá-la. Aos 52 anos, ele se dedica plenamente à menina. "Nossa recompensa, entretanto, é diária. A Natália é uma menina extremamente afetuosa e seu nascimento contribuiu em muito para que a família se tornasse ainda mais unida."


Edecarlos e Eduardo

Eduardo Santana Cardozo, 6, sabe o que quer. Ao explicar que ainda faltavam algumas horas para o passeio, Edecarlos Aparecido Cardozo, 41, não conseguia convencer o filho. Autista, Dudu nasceu de uma gestação normal. Aos 4 anos que a família obteve o diagnóstico, época em que foi levado à Associação Maringaense de Autistas para avaliação. "Descobri que não era meu filho quem precisa se adaptar às nossas atitudes, e sim a família. Dia a dia, fui me acostumando com as maneiras e ações dele".

Fonte: O Diário - Maringá, 10/08/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 11/08/2010

Tratamento com células-tronco traz esperança a paraplégicos

Médicos baianos realizam avanços nos testes com células-tronco no país. A partir de agosto, 20 voluntários participarão das pesquisas do Centro de Biotecnologia e Terapia Celular do Hospital São Rafael.


Marcelle Fracchinetti

Um acidente de carro há 18 anos mudou por completo a vida do engenheiro químico paulistano Alexandre Baroni. Hoje, com 42 anos, Alexandre ainda se lembra com riqueza de detalhes quando seu carro capotou por algumas vezes após ele ter pegado no sono ao volante. Com o impacto da batida, o capô afundou e comprimiu sua cabeça, causando-lhe uma lesão completa na 5ª vértebra cervical. Alexandre ficou tetraplégico. Após algum tempo de espera para tentar readquirir os movimentos, mas sem sucesso, o engenheiro se rendeu à sua nova condição de vida, passar o resto dos dias sob uma cadeira de rodas.

Mas o que poderia estar tachado para ser definitivo, tanto para ele como para milhares de outras pessoas com paraplegia, que têm como o grande sonho poder um dia voltar a andar, já há uma esperança para um recomeço. Novas conquistas na medicina já estão sendo alcançadas em pesquisas com células-tronco, realizadas por um grupo de médicos baianos. Depois de muitos meses desenvolvendo o trabalho em cães e gatos com a deficiência física, onde os testes preliminares foram considerados bastante satisfatórios, agora, com pioneirismo no país, será a vez de realizar os testes clínicos em humanos.
Vinte pacientes voluntários participarão, já a partir do mês de agosto, do protocolo de pesquisa com células-tronco de medula óssea, que está sendo realizado pelo Centro de Biotecnologia e Terapia Celular do Hospital São Rafael (CBTC), em Salvador (BA).

De acordo com a coordenadora do projeto, a imunologista Milena Soares, cada pessoa selecionada terá seu material colhido do próprio osso da bacia, depois as células irão para o laboratório para cultivo e testes. Em seguida, o paciente irá novamente para cirurgia, mas dessa vez para a inserção das células na área da coluna que foi fraturada. "A partir desta fase, cada participante da pesquisa passará por um intenso programa de fisioterapia para reabilitação. No total, esse trabalho terá dois anos e a equipe multidiscilpinar envolvida no projeto está bastante otimista", declara a pesquisadora.

Segundo o neurocirurgião Marcus Vinícius, que faz parte da equipe médica do projeto e é o responsável pelo transplante de células, esse trabalho é a ponta do iceberg e muitas outras pesquisas serão realizadas a partir dos resultados desses primeiros testes. "Estamos começando uma estrada, e temos muito caminho a percorrer. Apesar de vários estudos e vários tratamentos, até o momento não existe nada na medicina que resolva o problema, nenhum leva a algum resultado. E estamos tentando gerar um", pontua Marcus Vinícius.

Alexandre Baroni, que saiu de São Paulo há dois anos para assumir em Salvador o cargo de Coordenador Executivo dos Direitos de Pessoas com deficiência do Estado da Bahia, fala sobre a importância do Brasil dar esse passo em uma pesquisa tão importante. "Se nosso país não avançar nas pesquisas, principalmente com células-tronco, elas serão feitas lá fora. E tudo será mais difícil e demorado até chegar aqui. Assim como eu, todos os que passam pelo problema esperamos êxito e que esse trabalho possa trazer melhor qualidade de vida para nós deficientes. A gente aprende a viver em novas condições, mas é indiscutível que se a gente puder, sai da cadeira de rodas", declara.

O neurocirurgião comenta que ainda há vagas para voluntários, pois para esse primeiro momento há uma série de pré-requisitos, a exemplo da lesão não ter sido ocasionada por arma de fogo ou algum material perfurante, e esta ter mais de seis meses. Os interessados podem se inscrever por meio do e-mail ticiana@cbtc-hsr.org, recomenda o médico. A pesquisa é realizada pelo Monte Tabor/Hospital São Rafael, em parceria com o Hospital Espanhol, a Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) e o Centro Universitário da Bahia e é financiada pelo Ministério da Saúde.


Pesquisa ajudará portadores da Doença de Chagas

Além de portadores de paraplegia, o Centro de Biotecnologia e Terapia Celular (CBTC) do Hospital São Rafael vai desenvolver pesquisas com portadores da doença de Chagas, doença adquirida por um parasita e que em muitas pessoas não apresenta sintomas. A pesquisa será para identificar a forma correta do tratamento seja ela terapêutica, imunológica ou por terapia celular, no intuito de bloquear ou inibir a evolução da doença para a forma cardíaca. "Precisamos compreender melhor os motivos pelos quais os indivíduos portadores da forma indeterminada da doença de Chagas vivem tanto tempo sem apresentar os sintomas, mesmo com sorologia positiva, ou seja, coexistindo com a presença de parasitas", diz o imunologista e coordenador do Estudo Multicêntrico de Terapia Celular em Cardiopatia Chagásica, Ricardo Ribeiro, responsável pelo CBTC.

Os estudos serão realizados no Laboratório de Cultura de Células Humanas e no Ambulatório Avançado de Doença de Chagas. Os voluntários a participarem do projeto terão acompanhamento terapêutico para insuficiência cardíaca e total assistência de uma equipe multidisciplinar formada por profissionais de Medicina, Enfermagem, Psicologia, Nutrição e Fisioterapia.


Desenvolvimento

Nomes importantes da pesquisa no Brasil estiveram presentes em Salvador durante a inauguração do primeiro Laboratório de Cultura de Células Humanas do Brasil e único no Norte e Nordeste. Para o secretário de Ciência e Tecnologia e Insumos do Ministério da Saúde, Reinaldo Guimarães, a terapia celular é o novo paradigma a ser desvendado quando se trata do cuidado com a saúde humana, e comemora o desenvolvimento do Brasil no setor. O Ministério da Saúde faz questão de manter o fomento nessa área. Dessa forma a distância que separa o Brasil dos países desenvolvidos, em relação às pesquisas com terapia celular, é muito pequena, festeja o secretário. Já o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Carlos Aragão, avalia o momento como um avanço no desenvolvimento social brasileiro.


CTBC

O Centro de Biotecnologia e Terapia Celular do Hospital São Rafael (CBTC) é o primeiro do Norte-Nordeste e um dos oito centros credenciados pelo Ministério da Saúde para manejo de células-tronco a nível de GMP (Good Manufacture Practice ou Boas Práticas de Manufatura). Possui uma área de aproximadamente 700 m², onde são realizadas pesquisas básicas e aplicadas na área biomédica, e investigações de doenças neurológicas (trauma raquimedular, epilepsia, lesão do nervo periférico); de doenças renais (insuficiência renal aguda), do diabetes (tipos I e II, com foco na regeneração de lesões teciduais), doenças cardiovasculares, doenças hepáticas e do envelhecimento. Sobre este último, são monitorados e identificados os mecanismos que levam à transformação tumoral de células-tronco e a comparação do potencial terapêutico de células de diferentes origens.

Fonte: Terra - Salvador, 10/08/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 11/08/2010

Declarações de José Serra quanto à educação das pessoas com deficiência, no debate da Band, geram polêmica

Claudia Grabois diz que FBASD sempre optou claramente pela Educação Inclusiva e que as declarações do candidato no debate presidencial foram infelizes.

Comentário SACI: A nota, de autoria de Claudia Grabois da Federação Brasileira de Associações de Síndrome de Down, é uma resposta às declarações de Eliana Maria de Oliveira Pereira e Almeida, da ADID, sobre a fala do candidato à presidência da república José Serra no debate realizado pela emissora Bandeirantes no dia 5 de agosto.Leia mais sobre isso em Associação de deficientes repudia declaração de Serra em debate: http://www.saci.org.br/?modulo=akemi¶metro=29672

Claudia Grabois

Segue a resposta da FBASD à Sra Eliana Maria de Oliveira Pereira e Almeida, esposa do Presidente da ADID.

Esclareço que em momento algum tem na nota da FBASD qualquer referência ao Partido dos Trabalhadores, e que a posição da FBASD sempre foi clara pela Educação Inclusiva, sem restrições. Apoiamos abertamente a gestão atual do MEC/SEESP, por ser direcionada para a educação inclusiva e cumprir com a legislação vigente, mesmo com a forte pressão contra à educação inclusiva
que enfrenta diariamente,por parte de instituições, políticos e pessoas que não aceitam os avanços.

A Política Nacional de Educação Especial não é de partido algum, é do povo brasileiro e formulada em seu benefício.

A FBASD é apartidária e independente.

Apoiar a educação inclusiva e trabalhar pela sua efetivação é papel da Federação.

O candidato Serra defendeu a escolarização em escola especial abertamente, e, por isso, não poderia ficar sem resposta.

Lamento que uma associação se coloque contra a política nacional e apoie a fala do candidato no debate do dia 5 de agosto.

A FBASD se manifestou porque ele Falou Contra a Educação Inclusiva. Sempre nos manifestamos e continuaremos a nos manifestar!

As ações do Governo Serra não estão em discussão, mas sim a sua infeliz manifestação no debate.

A educação é um direito humano indisponível e as associações que fazem parte da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down conhecem as posições da entidade, pela inclusão e autonomia das pessoas com síndrome de down, passando necessariamente pela educação formal, na escola de todos e de cada um.

Em momento algum a nota defende partido político, e estou estarrecida com a posição da responsável pela associação ADID, que contraria os nossos princípios.

Claudia Grabois - FBASD


Leia a declaração de Eliana Maria de Oliveira Pereira e Almeida, a qual a resposta acima é direcionada

Fiquei perplexa com suas despropositadas declarações a respeito da participação do Sr. José Serra no debate da rede Bandeirantes. É com profundo pesar que constato seu total desconhecimento sobre o fantástico trabalho desenvolvido pelo Sr. José Serra como Prefeito da cidade de São Paulo e como Governador do Estado de São Paulo para estabelecer o ideal da inclusão da pessoa com deficiência. É estarrecedor que a Presidente da Federação das Associações de Síndrome de Down tenha uma atitude tão lamentável e trabalhe contra os verdadeiros pilares para uma sociedade diversificada e justa.

Eliana Maria de Oliveira Pereira e Almeida.
Esposa do Presidente da ADID.

Fonte:Inclusão : ampla, geral e irrestrita - 10/08/2010 - http://www.saci.org.br/index.php?modulo=akemi¶metro=29673

Matéria postada no blog da APNEN: 11/08/2010

Associação de deficientes repudia declaração de Serra em debate

Federação Brasileira de Associações de Síndrome de Down diz que as declarações de José Serra contrariam "todos os avanços duramente conquistados por entidades, pessoas com deficiência e familiares"

Da Redação

A Federação Brasileira de Associações de Síndrome de Down publicou uma nota nesta segunda-feira repudiando as declarações feitas pelo candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, criticando a política do governo federal para as pessoas com deficiências no debate da Band, no dia 5 de agosto.

Ao questionar a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, no primeiro bloco do debate, Serra afirmou que o governo federal teria perseguido as associações civis que atendem pessoas portadoras de deficiência e que teria tentado impedir que as APAEs funcionassem como escolas.

"Manifestamos a nossa indignação e repudiamos as declarações do senhor José Serra, no debate realizado no dia 5 de agosto de 2010, por contrariar todos os avanços duramente conquistados por entidades, pessoas com deficiência e familiares, ao questionar e instigar contra o direito à educação inclusiva garantido por Lei", diz a nota da federação.

A entidade declara ainda que o governo "vem agindo em conformidade com as legislações e disponibilizando recursos para a equiparação de direitos e igualdade de condições" para educação especial.

Na sexta-feira após o debate, o Ministério da Educação divulgou uma nota em seu site esclarecendo os repasses às associações civis e a política do governo para as pessoas portadoras de deficiência.


Redator: Samanta Dias

Fonte: Band - 10/08/2010 - http://www.saci.org.br/index.php?modulo=akemi¶metro=29672

Matéria postada no blog da APNEN: 11/08/2010

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Lutamos por um Brasil inclusivo, de todos e para todos

A Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down, entidade apartidária e independente, que tem como objetivo a inclusão das pessoas com síndrome de down na sociedade, entende que a educação é dever do estado, família e sociedade.


Considerando a importância para todas as crianças e adolescentes de crescer e aprender na classe comum da escola regular. Considerando a Constituição Federal, a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e ainda as diretrizes do Ministério da Educação,o Decreto 6571 de 2008 e a Resolução No 4 do CNE/CEB. Considerando que a educação é um direito humano indisponível e inquestionável.

Considerando que a Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação vem agindo em conformidade com as legislações acima citadas, disponibilizando recursos para a equiparação de direitos e igualdade de condições.

Considerando que trabalhamos diariamente por uma sociedade mais justa e inclusiva, manifestamos a nossa indignaçao e repudiamos as declarações do Sr Jose Serra, no debate realizado no dia 5 de agosto de 2010, por contrariar todos os avanços duramente conquistados por entidades, pessoas com deficiência e familiares, ao questionar e instigar contra o direito à educação inclusiva garantido por Lei.

A legislação vigente é resultado de anos de luta pela garantia do direito à inclusão educacional de alunos com deficiência em turma regular . No que diz respeito às pessoas com deficiência, as verbas destinadas para a educação devem ser utilizadas para inclusão, acessibilidade e atendimento educacional especializado, ou seja, recursos para que os alunos público alvo da educação especial tenham direito ao acesso e permanência, com as suas especifidades atendidas,para que possam aprender em igualdade de condições, e de acordo com as suas possibilidades.

É preciso por fim ao aparthaid , ao preconceito e à discriminação, e não há como fazer isso sem que os alunos público alvo da educação especial estudem nas mesmas salas de aulas.

É preciso garantir e oportunizar o pleno acesso à educação, reunindo qualidade e quantidade.

Nada temos contra a entidade citada pelo Sr Jose Serra, que recebe recursos do MEC (ver http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=15743) para a realização do atendimento educacional especializado , de acordo com a Resolução No 4 do CNE/CEB. É merecedora do respeito e apreço da sociedade brasileira, pela sua história e pelos conteúdos e saberes acumulados, que são de extrema relevância para a efetivação da educação inclusiva.

A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência foi ratificada com equivalência de Emenda Constitucional em 2008, e, em respeito às pessoas com deficiência, associações e ativistas, e, em particular, as crianças e adolescentes com e sem deficiência, pedimos que não discrimine pessoas com deficiência, no discurso e na prática.

Lutamos por um Brasil inclusivo, de todos e para todos.

Fonte: Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down – FBASD - http://www.inclusive.org.br/?p=16838 - publicada em 08/08/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 10/08/2010

Acessibilidade, um bom negócio

Economia brasileira exclui pessoas com deficiência: uma péssima notícia para consumidores e vendedores.

Isabela Morais
Investir em acessibilidade pode ser mais do que um ato de responsabilidade social e cidadania. O investimento em setores do mercado que visem o atendimento ao público com alguma deficiência pode ser também um excelente negócio. O IBGE, no último Censo realizado no país, em 2000, registrou que o Brasil tem aproximadamente 14,5% da população com algum tipo de deficiência: um público de 27 milhões de pessoas (com dados atualizados da população) com poder de consumo estimado em R$ 5 bilhões. No mundo, segundo a OMS, são 610 milhões de pessoas, sendo 386 milhões economicamente ativas.

A economia, em geral, é inacessível. Apesar do número expressivo dessa população no Brasil, o que representa uma fatia considerável para um possível mercado consumidor, as empresas parecem ignorar o potencial de consumo desse público. Segundo Adriana Letícia Lage Gomes, 32 anos, funcionária pública de Belo Horizonte e cadeirante há muita dificuldade para encontrar produtos e serviços acessíveis. Como são poucas as empresas que oferecem tais mercadorias, a concorrência é pequena e por isso “os produtos adaptados ainda possuem um custo muito elevado”, diz. O preço abusivo não encontra correspondência com a vontade de consumir, “sempre dentro do meu orçamento, busco adquirir produtos e serviços que melhorem minha qualidade de vida”, diz Adriana. Além de produtos e serviços, a falta de acessibilidade também está no preparo dos lojistas; Adriana revela já ter passado por situações constrangedoras, quando vendedoras recusavam-se a atendê-la, imaginando que pessoas com deficiência não têm renda. O Censo 2000 registrou que a renda média desse segmento da população é pouco inferior à média do resto da população, apenas R$ 114,00.

Mesmo sendo um mercado restrito, um serviço em especial vem ganhando destaque na área; a adaptação de carros. Em São Paulo, ano passado, foram registradas vendas mensais de até 30 unidades de veículos adaptados ou readaptados por loja. Com as vendas em expansão e a confirmação de que pessoas com deficiência têm grande poder de consumo, algumas concessionárias já estão pensando numa acessibilidade maior. A concessionária Honda Daitan inaugurou no primeiro semestre de 2009 uma loja no Jabaquara que já possui um carrinho de golfe que permite a visita sem a necessidade de subir ou descer escadas.

Renato Laurenti, 48 anos é cadeirante e empresário. Junto com João Pacheco, criou em 2008 uma loja virtual especializada no atendimento a pessoas com deficiência física ou mobilidade reduzida. A criação da “Como Ir!” surgiu com o pensamento na acessibilidade, “eu e o João, ao sentirmos as dificuldades para comprar os produtos fundamentais para o dia-a-dia em São Paulo, imaginamos como deveria ser muito mais complicado o acesso a esses produtos em regiões menos favorecidas do Brasil”, diz. Os produtos são diversos, desde cadeiras de rodas até materiais para contenção de incontinência urinária, talheres com cabos adaptados e roupas especiais. Renato reforça que o mercado nessa área ainda é pouco explorado, mas está crescendo.

Um agente capaz de garantir que as pessoas com deficiência tenham acesso à vida econômica do país é o poder público. Nesse sentido, a vereadora de São Paulo, Mara Gabrilli lembra que, como forma de estimular esse acesso e garantir renda, há no Brasil desde 1991 a Lei de Cotas (8.213/91) que obriga as empresas com mais de 100 funcionários a contratar pessoas com deficiência numa determinada porcentagem. Mas Mara também ressalta que, apesar do potencial das empresas para atender esse público, o que falta é informação e vontade de investir.

Fonte: Rede SACI - São Paulo, 09/08/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 10/08/2010