sexta-feira, 10 de setembro de 2010

AUDIOTECA SAL E LUZ

São áudios de 2.700 livros que podem ser enviados a deficientes visuais.

Divulgue, por favor!
Eles não precisam de dinheiro, mas de DIVULGAÇÃO!!!


Caros amigos,
Venho por meio deste e-mail divulgar o trabalho maravilhoso que
é realizado na Audioteca Sal e Luz e corre o risco de acabar.
A Audioteca Sal e Luz é uma instituição filantrópica, sem fins lucrativos,
que produz e empresta livros falados (audiolivros).

Mas o que seria isto?
São livros que alcançam cegos e deficientes visuais, (inclusive os
com dificuldade de visão pela idade avançada) de forma totalmente
gratuita.

Seu acervo conta com mais de 2.700 títulos que vão desde
literatura em geral, passando por textos religiosos até textos e provas
corrigidas voltadas para concursos públicos em geral. São emprestados
sob a forma de fita K7, CD ou MP3.

E agora, você está se perguntando: O que eu tenho a ver com isso?
É simples. Nos ajude divulgando. Se você conhece algum cego ou
deficiente visual, fale do nosso trabalho. DIVULGUE!

Para ter acesso ao nosso acervo, basta se associar na nossa sede,
que fica situada à Rua Primeiro de Março, 125- Centro. RJ.
Não precisa ser morador do Rio de Janeiro.

A outra opção, foi uma alternativa que se criou face a dificuldade
de locomoção dos deficientes na nossa cidade. Eles podem
solicitar o livro pelo telefone, escolhendo o título pelo site, e
enviaremos gratuitamente pelos Correios.

A nossa maior preocupação reside no fato que, apesar do governo
estar ajudando imensamente, é preciso apresentar resultados. Precisamos
atingir um número significativo de associados, que realmente contemplem
o trabalho, se não ele irá se extinguir e os deficientes não poderão
desfrutar da magia da leitura. Só quem tem o prazer na leitura, sabe
dizer que é impossível imaginar o mundo sem os livros...

Ajudem-nos, Divulguem!

Atenciosamente,

Christiane Blume - Audioteca Sal e Luz
Rua Primeiro de Março, 125- 7. Andar
Centro- RJ. CEP 20010-000
Fone: (21) 2233-8007

Procure o site: http://www.audioteca.org.br/catalogo.htm
e veja os nomes dos livros falados disponiveis.


Horário de atendimento: 08 às 16 horas
http://audioteca.org.br/noticias.htm

INSISTINDO: eles não precisam de dinheiro, mas de DIVULGAÇÃO!!!

Matéria postada no blog da APNEN: 09/09/2010

Sinalização especial para deficientes é obrigatória nos órgãos públicos

São Roque cria lei para garantir a aplicação de princípio constitucional
da Assessoria de Imprensa

Foi publicada pelo Prefeito, na última sexta-feira, a Lei de Iniciativa, do Vereador Tio Milton, que obriga a implementação de sinalização especial, em todos os órgãos públicos municipais, possibilitando às pessoas com necessidades visuais e auditivas, o acesso aos espaços, equipamentos e serviços disponíveis.

A lei explicita que informações destinadas ao público em geral também deverão ser disponíbilizadas em Braille, caracteres, figuras em relevo, ou mesmo por meio de sinalização sonora para deficientes visuais. As mesmas deverão ser transcritas em textos ou figuras, para acesso do deficiente auditivo. Os símbolos, dispostos em local destacado, deverão obedecer os critérios estabelecidos pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).

A Lei ainda prevê a implantação de sinalização tátil direcional e de alerta nos pisos, corrimões, escadas, elevadores, calçadas e obstáculos suspensos.

Para Tio Milton, a medida tem a finalidade de cumprir o que prevê a Constituição Federal, no que diz respeito ao direito de livre trânsito a todos os cidadãos. "O deficiente, na maioria das vezes, fica excluído de alguns serviços públicos ou extremamente dependentes de terceiros, por conta da falta de sinalização adequada às suas necessidades", explicou o Vereador.

Fonte: Guia São Roque
São Roque - SP, 09/09/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 10/09/2010

Doenças mentais não tornam as pessoas mais violentas

As doenças mentais, isoladamente, não tornam as pessoas mais violentas, mas a tendência de alguns deficientes para o abuso de drogas ou álcool pode contribuir, anunciaram cientistas.
da Redação

Especialistas há muito procuram entender a relação entre doença mental e violência, e resultados recentes sugerem que a percepção generalizada do público - de que os transtornos psiquiátricos deixam as pessoas mais susceptíveis à criminalidade violenta - é equivocada.

Investigadores do Reino Unido e da Suécia, que estudaram as taxas de crimes violentos entre pessoas com transtornos mentais graves, informaram que o maior risco de abuso de substâncias é a chave do problema.

Descobriu-se que, enquanto as taxas de crimes violentos é maior entre pessoas com transtorno bipolar e esquizofrenia do que na população em geral, elas são semelhantes em pessoas com doença mental e aquelas que abusam de substâncias, mas não têm problemas psiquiátricos.

Quando os resultados foram ajustados para a exclusão da influência de álcool ou das drogas ilegais, as taxas de violência entre os pacientes psiquiátricos mudaram pouco em relação aos níveis da população em geral, de acordo com os pesquisadores.

"O abuso de substâncias é realmente a chave para o crime violento. Se tirar o abuso, a contribuição da doença é muito escassa", disse Seena Fazel do departamento de psiquiatria da Universidade de Oxford, que conduziu o estudo.

Fonte: Diário Digital - 09/09/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 10/09/2010

Deficiente não pode ser forçada a evitar gravidez

Um casal de deficientes mentais é capaz de educar uma criança?
Aline Pinheiro

Aos 25 anos, uma inglesa, aqui chamada apenas por A, conheceu um jovem inglês mais ou menos da mesma idade, identificado como B. Dois anos depois, A e B se casaram. Desde então, vivem um relacionamento a três. Não que A ou B tenha algum amante ou coisa do gênero. A terceira ponta desse casamento é a Assistência Social do governo inglês. A e B, ambos com deficiência mental, são acompanhados de perto por funcionários públicos, mas moram sozinhos. Ela exige mais cuidados. Ele, nem tanto.

Recentemente, o triângulo amoroso ganhou uma quarta perna. Provocada por assistentes sociais, a Justiça entrou na relação. No final de agosto, veio a público tanto o pedido da Assistência Social como a decisão do juiz. A Court of Protection (em português, Corte de Proteção) rejeitou pedido para que A fosse obrigada a tomar anticoncepcional. A assistência social pedia a contracepção forçada, nem que, para isso, fosse preciso invadir a casa onde ela mora com B com a ajuda da Polícia, sedá-la e aplicar a injeção que a impediria de ter filhos pelo próximo mês, pelo menos.

O caso de A e B - sempre com as suas identidades protegidas - se tornou público graças a uma maior abertura que vem sendo adotada pela chamada Court of Protection. A corte foi criada em 2007 pelo chamado Mental Capacity Act 2005, a lei britânica que cuida das pessoas consideradas mentalmente incapazes. Como dizem respeito a problema pessoais, os casos que iam parar na corte corriam sob forte sigilo. Isso até o fim do ano passado, quando o tribunal começou a passar por um processo de abertura.

A história de A e B fez parte de uma leva de decisões publicadas em agosto, dois meses depois de um juiz da corte ter rejeitado o pedido da Assistência Social. O drama do casal, no qual estranhos metem sim a colher, ilustrou de uma maneira bem realista os desafios que a ainda jovem corte britânica enfrenta. Pelo Mental Capacity Act 2005, ela pode tomar decisões ou mesmo nomear alguém para decidir pela pessoa considerada incapaz. E, visando o melhor interesse dessa pessoa, pode, por exemplo, decidir onde o deficiente mental vai morar, o que vai comer, até mesmo determinar um aborto ou um tratamento médico, como aconteceu há pouco tempo.

Recentemente, a Justiça britânica autorizou médicos a sedarem uma mulher, que tem câncer no útero, e a levarem para ser operada, mesmo contra a sua vontade. Embora no Reino Unido os doentes possam recusar tratamento de saúde, neste caso a Justiça considerou que a doente, por sofrer de problemas psicológicos - ela tem fobia de hospitais e agulhas -, não tinha plena capacidade para tomar essa decisão.

Há poucos dias, a imprensa britânica noticiou o drama de uma mãe que implora aos médicos para fazerem uma histerectomia na sua filha, ou seja, para que retirem o útero da adolescente de 15 anos. A menina sofre de problemas mentais sérios, sequelas de uma paralisia cerebral, e, de acordo com relatos da mãe, sofre a cada vez que fica menstruada. Os sintomas da variação hormonal e a própria menstruação deixam a menina confusa e, segundo a mãe, ferem a dignidade da adolescente. Como ela nunca vai ser uma adulta normal, casar e ter filhos, o melhor para ela é deixar de menstruar, diz a mãe.

Prevenir ou remediar

No caso de A e B, o dilema que teve de ser enfrentado pela Court of Protection foi outro. Aqui, o tratamento de saúde (já reconhecido como tal em terras inglesas) é a prevenção de uma possível - e provável - gravidez. O juiz que analisou a história do casal, Mr. Justice Bodey, teve de escolher qual situação ofereceria menos danos para os dois: forçar o uso do anticoncepcional ou apenas fortemente aconselhar, como tem sido feito, e deixar a escolha para eles. Preferiu a segunda opção.

Na decisão, o juiz reconhece que A não entende perfeitamente qual a importância de uma contracepção e nem tem capacidade plena para decidir sobre o assunto. No entanto, ainda assim, acredita que, até o momento, pelos relatos feitos, as consequências de permitir que a Polícia entre na casa do casal e leve A sedada para tomar injeção anticoncepcional seriam muito ruins para os dois. Por conta desse entendimento, o juiz chegou a ser criticado pela imprensa. A linha fina pela qual teve de transitar até escolher um lado, no entanto, não foi exatamente considerada pelos críticos.

Antes de conhecer B, A já teve outros dois filhos, ambos tirados dela logo depois do nascimento e colocados para a adoção. Isso porque, durante a gravidez, avaliações concluíram que ela era incapaz de cuidar de uma criança. A nem sempre sabe responder sua idade, se confunde quando perguntada sobre os meses do ano, não lembra o nome dos seus pais, tem dificuldades para escrever e ler e, muitas vezes, é contraditória nos seus relatos.

Com B, A não tem um casamento tranquilo. E nem poderia ser diferente. A deficiência mental dele é bem menor do que a dela, mas ainda assim ele tem dificuldades de entender. No relacionamento deles, de acordo com análises de psicólogos, é ele o lado dominante. Em diversos relatos para amigos, assistentes sociais e psicólogas, A chegou a narrar agressões físicas por parte de B. Outras vezes, negou que ele batesse nela.

Em algumas ocasiões, afirmou que não tomava mais o anticoncepcional porque B queria um filho. Em outras, disse que ela mesma queria um bebê. B chegou a impedir a interferência da Assistência Social no casamento e proibiu A de se encontrar com esses profissionais. Depois de ouvir esses relatos e o depoimento dos dois protagonistas, o juiz considerou que o conflito familiar se devia a uma inabilidade dos assistentes de lidar com o casal. A é a deficiente incapaz, mas B é visto por eles apenas como seu algoz. Para o juiz, as limitações de A deveriam ser mais bem explicadas para B, e ele também deveria ter apoio dos conselheiros sociais.

É nessa nova estratégia de diálogo que o magistrado aposta suas fichas para evitar uma nova gravidez de A. Ele não autorizou que a jovem seja submetida a um teste para saber sua capacidade de ser mãe. De acordo com o juiz, é interferência indevida numa família, e mais ainda: quem sabe quem está preparado para criar uma criança? O que ele considerou é que deve ser dada informação e toda a assistência necessária para o casal, inclusive para que evitem filhos. Mas nada forçado.

Para Bodey, o histórico de A não pode ser usado para impedir, a todo custo, uma nova gravidez. Agora, segundo o juiz, ela vive uma fase diferente, está casada e não mora mais sozinha. Se engravidar, nova avaliação terá de ser feita dentro desse novo contexto para definir o destino do bebê. Forçá-la a tomar a injeção para remediar um futuro problema, agora, seria provocar mais sofrimento e conflitos para esse casal.

Fonte: Consultor Jurídico - 09/09/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 10/09/2010

São Paulo conta com o primeiro Apartamento Universal e Acessível

Imóvel com 174m2 foi totalmente reformado pela arquiteta Sandra Perito dentro dos fundamentos da Universal Home. Foto: Eugenio Goulart

O bairro do Campo Belo, na capital paulista, foi o escolhido para receber um apartamento dentro dos princípios da Arquitetura Acessível. O imóvel com três quartos foi reformado pela arquiteta Sandra Perito, presidente do Instituto Brasil Acessível (IBA), que aceitou o desafio de transformar o apartamento em uma Universal Home, respeitando as características e a estrutura de um edifício já construído.

A reforma foi norteada para desmistificar o preconceito de que transformar uma moradia dentro dos padrões universais oferece mais custo ao empreendedor e cria ambientes estigmatizados. Para a arquiteta, estabelecer mudanças nos parâmetros das construções residenciais traz grandes vantagens que não representam custos adicionais no projeto. "Prever futuras adaptações não representa custo a mais no orçamento final da reforma, pois o investimento é na capacidade do ambiente em se adaptar às necessidades - atuais e futuras - do usuário, e não em projetos especiais", explica.

"Se planejarmos as construções para que possam ser adaptáveis a qualquer estágio da vida, é possível que o usuário possa viver bem em sua casa em qualquer situação. Adotar critérios que tornam o projeto da moradia mais segura e confortável é uma ação preventiva", acrescenta.

Moradias adaptáveis, inseridas no contexto socioeconômico brasileiro, podem representar aumento na satisfação e, consequentemente, na qualidade de vida do morador. "É preciso mudar o padrão e este é o grande desafio: acabar com os preconceitos e estereótipos e começar uma nova fase, para construção e reformas de casas adaptáveis que possam ser, de fato, usadas pela vida toda, com segurança e independência", defende a arquiteta.

O protótipo da Universal Home pode ser considerado uma bandeira para conscientizar tanto produtores de componentes da construção civil quanto incorporadores, construtores e projetistas de habitação, que, em geral, não permite flexibilidade. "O usuário acaba sendo prisioneiro da própria casa, pois é nela que terá de viver a vida toda", conclui Sandra Perito.

Hall de entrada

Foram utilizados elementos vazados para aumentar a luminosidade do espaço durante o dia.

A mola de segurança da porta permite fechamento suave, evitando possíveis acidentes.

Para abrir a porta, basta introduzir a chave e empurrar.

Luz de emergência proporciona mais segurança à noite, em caso de falta de energia.

Uma estação metereológica orienta a regulagem do ar-condicionado.

Interruptores de luz com led - proporcionam mais segurança à noite -. Tomadas mais altas facilitam o manuseio.

O piso ajuda na circulação de cadeira de rodas.

Interruptor remoto permite acender ou apagar a iluminação de qualquer cômodo.
Sala

Todos os abajures da sala podem ser acionados pelo interruptor na parede.

Maior espaço de circulação permite a circulação com cadeiras de rodas.

No cômodo foi dispensado o uso de cortinas, apenas a tela solar controla a entrada da luminosidade.

A porta de acesso à parte interna do apartamento é larga e de correr.

Cozinha

Optou-se pelo uso de gavetões para facilitar a manipulação dos utensílios; elas permitem que as atividades na cozinha sejam efetuadas com alcance confortável.

Forno elétrico e micro-ondas em alturas mais acessíveis tornam seu uso mais cômodo e seguro.

Tampos em dois níveis na pia e no fogão permitem o trabalho em pé ou sentado.

A despensa com prateleiras em diversas alturas permite ajuste às necessidades individuais e elimina a necessidade de armários altos.

Tampos de granito com cantos arredondados; pia rasa, que permite fácil colocação ou retirada da louça.

Torneira da pia de alavanca, de um quarto de volta, permite uso mesmo com as mãos molhadas ou ocupadas.

Depósito para lixo basculante embaixo do tampo.

Puxadores das portas e gavetas dos armários permitem uso da mão toda para manejo e não somente da ponta dos dedos.

Área de serviço

Varal elétrico facilita o uso por qualquer pessoa, pois não requer esforço para elevá-lo.

Tábua de passar dobrável, que oferece ganho de espaço e permite trabalho sentado ou em pé.

Quartos

As portas internas têm 80 cm de largura, inclusive a do banheiroacessível, o que facilita o acesso de cadeira de rodas. As maçanetas das portas internas são em alavanca roliça, sem pontas expostas, o que evita lesões em caso de esbarrão, além de oferecer fácil manuseio.

Gavetões permitem visualizar conteúdo e facilitam o alcance.

Cabideiros em duas alturas. O mais baixo a 1m do piso.

Prateleiras em alturas variadas facilitam o alcance e a visualização do conteúdo.

Comando do ventilador do teto próximo à cama facilita seu uso.

Banheiros

O grande desafio foi a rede de esgoto. Para recolocar o vaso sanitário sem mexer na instalação pelo apartamento de baixo, optou-se por instalar uma bacia com saída de esgoto na parede e construir uma muretinha para ocultar a canalização.

O sifão da pia é diferenciado para permitir que um cadeirante possa usar a pia sem problemas.

Boxe com barras de segurança que auxiliam o banho.

Espaço reservado para a instalação de uma cadeira higiênica.

Alarme instalado próximo ao boxe, que pode ser acionado em caso de queda.

Sensor contra inundação.

Ralo contínuo no box evita o acúmulo de água.

As fechaduras dos banheiros têm chave em vez dos trincos tradicionais, que impedem o fechamento interno (atenção especial em se tratando de morador idoso ou criança).

Torneiras e registros de pressão de alavanca, de um quarto de volta ou monocomando, não exigem esforço para manuseio.

Registros na entrada do boxe permitem regular a temperatura da água de fora do boxe, evitando escaldamento.

Porta do boxe com abertura para os dois lados possibilita a entrada com cadeira higiênica e facilita o socorro.

Espelhos baixos, grandes facilitam a visualização por crianças ou pessoas sentadas.

Gabinetes volantes permitem aumentar o espaço para uso com cadeiras de rodas ou de banho.

Alarme de emergência agiliza o socorro em caso de quedas.

Portas

Batente com rebaixo dos dois lados torna simples a inversão da abertura da porta para se ter mais espaço dentro do banheiro.

No quarto do casal, foi utilizado porta com duas folhas; assim a área de circulação aumenta e permite a passagem confortável com cadeira de rodas.

Fonte:www.vidamaislivre.com.br - 09/09/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 10/09/2010

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Curso gratuito para pessoas com deficiência física

Com o objetivo de contribuir com a inclusão social na região da fábrica de automóveis da marca, localizada na cidade de Sumaré – SP, a Honda promoverá curso de Inspetor de Qualidade para pessoas com deficiência física.


O curso tem duração de 6 meses (18/10/10 à 04/03/11), é inteiramente gratuito, patrocinado pela Honda, e com certificado do Senai. As aulas acontecerão todas as segundas, quartas e sextas-feiras das 19 às 22h. A Escola Senai “Celso Charuri” de Sumaré é o local onde curso será ministrado. As inscrições já começaram e vão até dia 17 de Setembro: copie e cole: http://www.cubotecnologia.com.br/treinamento.htm?OVRAW=curso&OVKEY=curso%20preparatorio&OVMTC=advanced&OVADID=9113030523&OVKWID=41454877023&OVCAMPGID=121398523&OVADGRPID=3421356911

Para realizá-la o candidato necessita ter acima de 17 anos, ser portador de alguma deficiência física, possuir o Ensino Fundamental completo e residir nas cidades de Sumaré, Hortolândia, Nova Odessa, Americana ou Santa Bárbara D’Oeste. No ato da inscrição é necessário levar RG, CPF, Histórico Escolar e Comprovante de Endereço.

Fonte: http://www.odebate.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=15181&Itemid=131
08/09/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 09/09/2010

Algumas considerações sobre a sexualidade das pessoas com deficiência

Adriana, cadeirante, nos mostra como a vida afetiva de um deficiente em pouco difere da de qualquer outra pessoa.
Adriana Lage

A sexualidade das pessoas com deficiência ainda é um tabu em nossa sociedade. Muitas pessoas preferem não falar sobre o assunto e ignoram a situação. Sinto que ainda falta mais conhecimento e orientação por parte das famílias e profissionais que lidam diretamente com as pessoas com deficiência. Superproteção, infantilização do deficiente e preconceito norteiam esse universo.

Desde meus 2 anos de idade, faço acompanhamento médico da minha tetraplegia. Sempre recebi orientações sobre a sexualidade por parte da minha família e, principalmente, por conta própria. Brincava que era discípula de Marta Suplicy. Certa vez, ganhei um livro dela que falava sobre a sexualidade dos adolescentes. Aproveitei a oportunidade para disseminar os conhecimentos com minhas irmãs, primas e amigas. Apenas no ano passado, em uma consulta anual que faço no Sarah, é que o neurologista me lembrou da importância de realizar acompanhamento com uma ginecologista, ressaltando sobre os perigos das DST e de uma gravidez indesejada. Felizmente, já me cuidava há muito tempo. Convivi com inúmeros médicos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, psicólogos, e nenhum deles nunca tocou nesse assunto... Vale ressaltar que, nas clínicas ginecológicas que consultei, nenhuma delas possui móveis adaptados. É sempre uma aventura radical... Tomara que BH copie São Paulo no que diz respeito à saúde da mulher deficiente, com profissionais treinados, equipamentos e espaços adaptados para atender melhor essa parcela da população.

Acho essa questão extremamente importante, pois, infelizmente, muitas pessoas com deficiência não dispõem das informações corretas sobre a sexualidade e podem acabar complicando suas vidas com uma gravidez indesejada ou AIDS por exemplo. Querendo ou não, as pessoas com deficiência ainda são mais vulneráveis, sobretudo as com limitações físicas severas e as com deficiência intelectual. Não costumo ler a parte policial dos jornais, mas, constantemente, ouço falar em crimes sexuais envolvendo deficientes. Vale lembrar que, independente da deficiência, a maioria desses crimes são praticados por pessoas próximas às vítimas (pais, padrastos, tios, primos, etc). Há pouco tempo, fiquei indignada com um caso que uma psicóloga, amiga da minha irmã, contou: ela percebeu que seu paciente, uma criança down, estava muito estranho. Com o tempo, descobriu que ele era vítima de abuso sexual e entrou em contato com a família. Os familiares reagiram de forma indiferente. No final das contas, os pais recebiam dinheiro de um vizinho para que ele pudesse abusar do menino. Situação extremamente inadmissível.

Como, em alguns casos, a família também possui pouco conhecimento sobre os direitos e as possibilidades do deficiente exercer sua sexualidade com consciência, dignidade e segurança, acho de fundamental relevância que os profissionais de saúde e professores forneçam essas informações e participem ativamente desse processo. A informação é sempre a melhor arma contra o preconceito e o desconhecimento. Com ela, muitas situações ruins podem ser evitadas e os riscos minimizados.

Minha família é maravilhosa, mas, quando se trata de sexualidade, tende a ser superprotetora. Isso vale também para minhas irmãs que não são deficientes. Com muito custo, aprendemos a lidar com essa situação. Para terem uma idéia, quando arrumei meu primeiro namorado, meu pai quase caiu duro do coração. Ficou preocupadíssimo, falou que eu era louca e que podia prever o final da história: eu grávida, abandonada pelo namorado, triste e chorosa, e ele tendo que cuidar da filha e do neto. Até então, ele nunca tinha pensado que sua filha cresceria e se tornaria uma mulher como qualquer outra. Foi preciso muito diálogo, paciência e a ajuda de alguns amigos para que ele entendesse e aceitasse a situação. Passado o choque inicial, conseguimos nos entender. Sua grande preocupação era evitar que eu sofresse e me magoasse. Mas, independente de ser deficiente ou não, relacionamento é sempre uma surpresa. Acho que o poeta estava certíssimo quando disse que ele deveria ser eterno enquanto durasse!! Meu primeiro namoro durou cerca de três anos. Foi um período muito legal da minha vida, cheio de descobertas e crescimento. Infelizmente, éramos meio imaturos para lidar com a situação e acabamos deixando que as famílias se intrometessem demais na nossa história. Minha ex-sogra não gostava de mim. Vivia dizendo que o filho dela merecia uma namorada melhor, pois só daria trabalho a ele e seria um atraso de vida. Ignorava esse pensamento, mas, quando meu namorado começou a falar que estava preocupado se daria conta de continuar namorando uma cadeirante, senti que era hora de terminar a relação. Doía ouvir que era complicado ter que me carregar, carregar a cadeira de rodas, que eu gastava muito tempo na fisioterapia, que era complicado namorar comigo. Quando essas queixas se tornaram freqüentes, mesmo gostando muito dele, terminei o namoro. Foi uma decisão difícil, mas extremamente importante. Depois disso, desenvolvi melhor minha autoestima e me tornei outra pessoa: uma mulher muito mais forte e mais atraente.

Brinco que os relacionamentos estão complicados para todo mundo. Hoje em dia, o amor virou algo descartável. Não gosto muito de ficar, mas não recrimino quem o faz. Só que prefiro um relacionamento sério, um único parceiro, coisa difícil de alcançar hoje em dia. Como diria Adélia Prado, não sou feia que não possa casar, mas acabo tendo dificuldades em arrumar um namorado sério. Candidatos a ficantes sempre tenho, mas compromisso... Ninguém quer saber disso. Acho muita cara de pau de alguns ‘amigos’ me falarem, na cara dura, que queriam ir pro motel comigo. Em primeiro lugar, nunca dei liberdade para que falassem isso comigo. E, em segundo lugar, não acho que a cadeira de rodas me torne menos mulher que as outras e que precise me sujeitar a esse tipo de coisa. Já escutei muitos amigos falarem que sou muito inteligente, legal e bonita, mas que não namorariam comigo. Falam que não são preconceituosos, mas acho que a deficiência, em alguns casos, pesa um pouco sim. Mas sou da teoria que nada é impossível e, com um pouquinho de boa vontade e paciência, tudo se resolve e se adapta. Basta querer!!

Outro fato que me intriga são os devotees – pessoas que sentem atração sexual por deficientes. Por curiosidade, mantive contato virtual com alguns deles, mas não gostei da experiência. Um deles, também de BH, me encontrou pelo Orkut. Logo de cara, veio me perguntar se eu tinha sensibilidade e se minhas pernas eram fininhas, pois era louco por cadeirantes com pernas atrofiadas. Minha primeira reação foi de indignação e repulsa. Acabei sendo grossa com ele. Dias depois, ele voltou a me procurar e me pediu um voto de confiança para me mostrar que eu estava errada e sendo preconceituosa. Por curiosidade, acabei aceitando manter o contato. Mas só aceitei conversar por email. Nada de MSN e, muito menos, um encontro real. Ele me disse que era noivo, fazia pós graduação na FGV, morava em um bairro nobre de BH e que queria muito ficar comigo. Se gostássemos um do outro, largaria a noiva para ficar comigo. Sinceramente, não acreditei. Para completar, ele me mandou uma foto de um homem lindo, lá em Nova York, dizendo que era ele. As conversas sempre caiam nas minhas limitações físicas. Bloqueei os contatos dele e sai de todas as comunidades que pudessem levar devotees até mim. Pouco adiantou. Sabe-se lá como, eles continuam me localizando em redes sociais. Dias atrás, resolvi dar corda para outro devotee. Como sempre, ele não podia dizer seu nome real e nem mostrar seu rosto. Trata-se de um homem de 45 anos, casado, pai de um casal, morador de Recife e empresário. Ele veio com a mesma conversa sobre as pernas finas e, como cortei o assunto, mudou o foco e disse que gostaria de ter amigas cadeirantes. Falou que a esposa e os filhos nem sonham que é devotee e que não me revelaria sua identidade, pois tinha medo de repressão. Ele me contou o caso de um amigo devotee que perdeu o emprego por causa disso. Descobriram que sentia atração por deficientes físicos e o trataram como se fosse um pedófilo.

Conversei com uma nadadora amputada que conheci em Brasília e ela me disse que adora conversar com devotees. Nos momentos de solidão, eles sempre a amparam. Já se encontrou com alguns deles e gostou. Mas fica chateada, pois os considera ‘galinhas’. Ela me disse que conversou com várias deficientes que foram abordadas pelos mesmos devotees. Passa horas batendo boca com eles na internet. Tem gosto pra tudo nessa vida...

Particularmente, acho esse assunto muito complexo e ainda pouco explorado. Atualmente, prefiro manter distância deles.

Outro fator interessante é a procura por profissionais do sexo. Em muitos casos, o deficiente não consegue arrumar um parceiro e acaba contratando garotos (as) de programa. Tenho um amigo que sempre contrata garotas de programa. Para tanto, ele enfrenta dois problemas: a ressaca moral por ter pagado alguém para fazer sexo com ele e a falta de locais adequados para suas relações sexuais. Como mora com os pais e não existem motéis adaptados em BH, ele costuma freqüentar locais ermos e perigosos.

Uma postura que me incomoda é o fato de algumas pessoas acharem que deficiente só pode namorar deficiente. Meu ex professor de natação pensa assim. Ele vivia me empurrando outros deficientes. Eu falava que não tinha nada contra namorar um deficiente, mas gostaria de saber por que ele pensava assim e nunca quis me apresentar a algum amigo gatinho... Ele desconversava. Acho que isso não tem nada a ver. Para mim, a paixão e o amor, superam obstáculos e diferenças sim! Quando o coração bate mais forte por alguém, pouco importa se ele é branco, negro, andante, cadeirante, amputado, surdo, cego, etc. os hormônios não são preconceituosos... Minha mãe sempre me disse para ser prática: podendo evitar, melhor não me relacionar com uma pessoa com deficiência igual ou pior que a minha, já que as dificuldades seriam multiplicadas nesse caso. Só que nem sempre se pode controlar o coração. Mas acho que esse pensamento faz sentido!

Enfim, a sexualidade das pessoas com deficiência ainda é um assunto pouco discutido. Só através do conhecimento e de profissionais da área de saúde capacitados e treinados para orientar os deficientes e suas famílias é que iremos reduzir esse preconceito velado, permitindo que as pessoas com deficiência exerçam sua cidadania em sua plenitude.

Fonte: Rede Saci - Minas Gerais, 08/09/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 09/09/2010

Mães de pessoas com deficiência: pesadelos acerca do futuro

Depoimento do Secretário do Idoso e da Pessoa com Deficiênciaa de Três Rios.
Wiliam César Alves Machado

Não é de hoje que percebo a atmosfera de ansiedade com forte teor de preocupação que domina o cotidiano da maioria das mães, inclusive a minha - e olha que já passei dos 58 anos - sobre o que o futuro reserva para seus filhos com deficiência. Cuidadoras em tempo integral, essas mulheres, embora desgastadas pelo absoluto fazer e pensar na cria, apresentam-se aparentemente incansáveis e absolutamente determinadas no agir para cuidar do suprimento das necessidades físico-sensoriais, funcionais, emocionais, mentais e existenciais, de seus filhos. Aquele tipo de criatura que se esconde para chorar, só para que seu filho deficiente não flagre a exposição da sua face frágil e capaz de extravasar emoções contidas.

Tenho procurado ajudar muitas essas mulheres, nos momentos em que procuram por orientação e apoio na Secretaria do Idoso e da Pessoa com Deficiência de Três Rios, Rio de Janeiro. São mães de crianças e jovens com lesão cerebral, com síndrome de Down, surdas, cegas, com deficiência física, entre outras deficicência. Trazem histórias singulares, porém, convergem para o mesmo núcleo: Quem assumirá o meu papel quando eu não estiver mais aqui? Por que não existe política pública para a criação de instituições para abrigar pessoas com deficiência?

Argumentam que não compreendem o fato de existirem tantos investimentos do setor público e privado, balizados no atendimento de outros segmentos da sociedade, enquanto inexistem iniciativas para criar unidades de longa permanência para pessoas com deficiência. Uma delas me falou: "Estou tão cansada com tudo isso e muito preocupada. Já não sou mais a mesma. Cuidar dele [adulto com lesão cerebral] o tempo todo, há 32 anos... Quem vai cuidar dele quando eu morrer?". Faltam instituições que se prestem a assistir essas mulheres, dando-lhes suporte psicológico, atendimento aos problemas físicos decorrentes do excesso de peso que tiveram de assumir para não deixar seus filhos sem cuidados de higiene e conforto.

Isso não significa deixar de cuidar dos filhos com deficiência, mas oferecer oportunidade para que elas também se cuidem e participem como voluntárias nessas instituições. "Gostaria de deixar claro que não pretendo abandonar meu filho na instituição, ao contrário disso, pretendo participar de tudo lá, cuidar deles, cozinhar, passar, aprender... Só que ficaria mais tranqüila para morrer, quando chegasse a minha hora".

São desabafos de mães, dúvidas comuns a tantas famílias e pessoas com deficiência, que precisam ser eliminadas a partir de uma mudança de paradigma, de olhar, e, sobretudo na forma convencional de se priorizar políticas e ações públicas. Penso que é chegada hora de rever conceitos, métodos e fórmulas pré-estabelecidas, dando margem para o emergir de espaços participativos, oportunidades para nos coadunar melhor com a sintonia da realidade.

Bom princípio poderia ser gerado com a criação do Fundo Nacional da Pessoa com Deficiência. A exemplo do já conquistado por outros segmentos da sociedade brasileira, a criação do Fundo Nacional traria possibilidades para se criarem os fundos Estaduais e Municipais, dando ao gestor público maiores oportunidades de instituir programas e projetos que visem o atendimento mais amplo das necessidades das pessoas com deficiência.

Fonte: Secretaria do Idoso e da Pessoa com Deficiência de Três Rios - Três Rios - RJ, 08/09/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 09/09/2010

MPE ingressa com Ação Civil Pública em defesa dos portadores de deficiência

Ministério Público afirma que medidas de acessibilidade já deviam ter sido tomadas.
da Redação

O Ministério Público Estadual ingressou com uma Ação Civil Pública, com pedido de tutela antecipada contra o município de Maceió. O MPE está saindo em defesa dos portadores de deficiência física e requerendo a adequação da infraestrutura urbana de Maceió, priorizando alguns pontos da cidade, como a orla da Ponta Verde e a orla lagunar.

No pedido de adequação é solicitado a colocação de pisos táteis direcionais e de alerta nos terminais de ônibus, remoção de obstáculos, a exemplo de desníveis de calçadas, que impossibilitam a locomoção dos cadeirantes, além da instalação de para-ciclos e bicicletários em vias arteriais e coletores com grandes tráfegos de veículos motorizados.

Outra exigência é a manutenção da largura do canteiro central da Av. Fernandes Lima e implantação de mais rampas de acessibilidade, bem como a correção das que já estão danificadas nas ruas da capital, segundo a legislação em vigor. A Ação Civil Pública (ACP) tem um mapa, feito em conjunto com a Associação dos Deficientes Físicos de Alagoas (Adefal) apontando as áreas mais críticas de Maceió.

Para o promotor de justiça Flávio Gomes da Costa, a legislação atual fixa prazo para vigência imediata para que a prefeitura faça a adequação necessária. "Estamos requerendo o que é por lei um direito garantido e não está sendo respeitado, os deficientes acabem encontrando muita dificuldade de locomoção em Maceió, seja na orla, nos pontos de ônibus, nas ruas e calçadas", desabafou.

A ação se deve a várias denúncias promovidas pela Adefal e o Centro de Tecnologia da Universidade Federal de Alagoas (Cet/Ufal). Inclusive, antes da ACP, foi firmado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre as Secretarias responsáveis pelas obras e políticas de adequação no município, mas nada foi cumprido.


Fonte: Aqui Acontece - Maceió - AL, 08/09/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 09/09/2010

Flagrante mostra carro da prefeitura do Rio parado em vaga para deficiente físico

Leitor flagra uso indevido da vaga exclusiva para pessoas com deficiência por carro da prefeitura da cidade em frente ao prédio da SMTR.
Fernando Ramos
Carro da prefeitura do Rio parado em vaga para deficiente físico em Botafogo. Foto do leitor Fernando Ramos Vergonhoso é chegar à Rua Dona Mariana, em Botafogo, Zona Sul do Rio, e se deparar com esta cena. No início do mês de agosto, fui à Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) para renovar minha autorização de estacionamento especial e vi um carro da prefeitura estacionado sobre a única vaga do local exclusiva para pessoas com deficiência A vaga, aliás, fica em frente ao prédio da SMTR, para que as pessoas que têm que fazer o pedido de estacionamento possam estacionar.

Ao ser perguntado se tinha autorização para estacionar no local, o motorista foi mal educado, dizendo que somente retiraria do local o seu veículo se eu quisesse estacionar na vaga. A vaga é exclusiva para pessoas com deficiência locomotiva e é necessário possuir o cartão de autorização da prefeitura para poder usá-la.

Fonte: O Globo -Rio de Janeiro, 08/09/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 09/09/2010

Inclusão: a gente vê por aqui?

Leandro Carabet faz uma avaliação das obras de acessibilidade no campus da USP em São Paulo.
Leandro Carabet

Dia desses, estava na aula de inglês comentando com a professora sobre as pessoas que usam wheelchair (cadeira de rodas), e logo ela me falou que se tratavam dos disabled (desabilitados, inválidos). Engoli tão a seco essa palavra que não conseguia associá-la a pessoas que, apesar das deficiências, têm demonstrado garra para superar os imensos degraus de concreto e preconceito que a sociedade coloca diariamente.

Depois dessa aula, decidi prestar atenção na Cidade Universitária da USP para verificar se ela estava realmente apta a receber fisicamente alguém com deficiência.

Decidi, então, registrar no post de hoje os resultados da minha observação. Gostaria de ressaltar que, nesse primeiro momento, meu olhar ainda não está focado em apurar se a USP apresenta condições psicopedagógicas para receber e acompanhar um deficiente (pretendo abordar esse assunto num futuro post, já que preciso de mais tempo, fontes e opiniões). Nesse relato, busquei abordar os aspectos estruturais e de instalações.


É interessante que a Universidade tem sinalizado as obras que realiza para a “adequação de acessibilidade” não só para justificar um possível “transtorno”, mas também para alertar os transeuntes sobre o que a reitoria tem feito para manter seu compromisso com a questão da inclusão.

Entre as reformas e adaptações, que levaram a USP a desembolsar a quantia de R$ 689.235,00, está a construção de uma rampa em zigue-zague, construída rapidamente na Avenida Prof. Luciano Gualberto.



Além disso, é possível encontrar em vários locais do câmpus aquela sinalização especial para pessoas com deficiência visual, indicando que à frente existe uma guia rebaixada, uma escada ou rampa. As entradas de alguns prédios também são facilitadas por rampas, mas algumas são íngremes.


No estacionamento de vários institutos, há vagas especiais para deficientes, bem sinalizadas. No da Poli, por exemplo, é interessante notar que foi colocada uma espécie de corredor entre as outras vagas, para que sempre exista um espaço livre entre os carros para o trânsito de cadeiras de rodas.


A grande maioria das calçadas tem guias rebaixadas e na entrada da FEA (Faculdade de Economia e Administração), existe até uma passarela. A nova frota de circulares é equipada com o sistema de elevação para as cadeiras de rodas e alguns prédios – poucos – possuem elevadores.


O Restaurante Central, conhecido como “bandejão”, possui mesas especiais, mais baixas. O problema é que, para entrar no restaurante e se servir, é necessário passar pela catraca. Por isso, pessoas com cadeira de rodas devem entrar por uma das saídas. Pior do que isso é que, para chegar ao outro restaurante, o “bandejão” da Química, é necessário enfrentar uma escada com mais de 90 degraus!

Diante desse primeiro olhar, verifica-se que a universidade tem demonstrado a preocupação de aperfeiçoar algumas de suas estruturas para receber de maneira mais digna pessoas com deficiência. O maior problema está nos indivíduos – já vi gente estacionar o carro em cima das guias rebaixadas e pessoas comentarem: “Nossa, a USP dá tantas vagas no estacionamento para os deficientes! Será que tem tanto deficiente assim?!”.

Quanto a essa pessoas, bem, elas sim são “disabled”.

Fonte: Rotina de estudante - Blog do Estadão - São Paulo, 08/09/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 09/09/2010

Recenseamento de deficientes sem sucesso

Em Uberaba, espectativa de interatividade da população é frustrada.
da Redação

Tentativa de recensear portadores de deficiência em Uberaba não produziu resultado esperado pela Câmara Municipal. Constatação foi divulgada em plenário no dia 3 de setembro, pelo vereador Carlos Godoy (PTB), autor da proposta.

Iniciada em julho deste ano em parceria com o Codau, a pesquisa vislumbrava quantificar os portadores de necessidades especiais, para construção de políticas públicas a partir dos resultados.

A manifestação da comunidade seria de forma espontânea por meio de formulários entregues junto com as contas de água, contendo as formas de devolução. No entanto, a prática não foi consolidada pelos leituristas, confirmando o desconhecimento da população.

Considerando a possibilidade de o IBGE estar registrando tais informações no trabalho de campo, o vereador sugeriu a participação do representante na sessão plenária.

Caso a pesquisa do instituto não contemple esses detalhes, o vereador pretende insistir alterando a sistemática da atividade. Por sugestão do Rotary Club Portal do Cerrado, o recenseamento poderá focar também a população idosa de Uberaba.

Fonte: Jornal da Manhã - Uberaba - MG, 08/09/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 09/09/2010

Justiça vê retrocesso em exigência de cotas

Empresa consegue se livrar de encargo por não cumprir cota mínimo de empregados deficientes.
Alessandro Cristo
Uma decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, com sede na capital paulista, livrou a operadora de planos de saúde Omint de pagar uma multa de R$ 7,5 mil ao Ministério do Trabalho por não cumprir sua cota de empregados com deficiência. Além de mandar a União devolver o valor à empresa, a corte reconheceu deformidades provocadas pela falta de critério da obrigação.

Em acórdão publicado no dia 30 de agosto, a desembargadora Rita Maria Silvestre, relatora do recurso levado pela empresa ao tribunal, citou exemplos do que a mera imposição de multas às empresas, sem a preocupação com a formação dos candidatos, tem causado à sociedade. Uma simples busca na internet mostrou casos, segundo ela, "de pessoa que simulou surdez em exame de seleção, de portadores de deficiência segurados da Previdência Social que preferem receber o benefício a retornar ao mercado de trabalho, e de empresas que, para se livrarem das multas, acabam contratando pessoas portadoras de deficiência sem qualquer condição de trabalho, apenas para preencher a cota exigida por lei".

O voto vencedor da desembargadora na 9ª Turma da corte questiona a efetividade da norma que entrou em vigor em 1991, e que só foi regulamentada pelo Ministério do Trabalho e Emprego dez anos depois. O artigo 93 da Lei 8.213/1991 obriga as empresas a preencherem parte de seus quadros de funcionários com empregados com deficiência. O mínimo permitido é de 2% das vagas, para quem tem até 200 empregados. Organizações com mais de mil contratados estão sob a cota de 5%. Em 2001, a Instrução Normativa 20/2001 do MTE orientou a aplicação da regra, e os auditores do Trabalho passaram a multar quem estava fora dos padrões.

A medida gerou uma corrida desesperada por profissionais, que rapidamente sumiram do mercado. Entidades de apoio aceleraram o treinamento de deficientes para um ritmo industrial, mas a demanda ainda vence a oferta. Para a desembargadora Rita Silvestre, essa escalada desviou o curso traçado pela lei, "que é o de trazer o portador de deficiência ao convívio social, como uma pessoa produtiva, igual às demais, desenvolvendo seus talentos, aptidões, habilidades, com efeitos benéficos em sua auto-estima, e não de retirá-lo do convívio familiar, para que cumpra horário de trabalho sem função alguma", diz. Na prática, segundo a opinião da julgadora, a emenda saiu pior que o soneto. O trabalhador nessas condições, ela afirma, acabar "mais inferiorizado do que se não tivesse emprego".

Visão estrábica

Dados do IBGE apresentados pela Advocacia-Geral da União para contrariar a Omint no processo apontaram a existência de 24,6 milhões de portadores de deficiência no país, o equivalente a 14,5% da população. Para o procurador federal Homero Andretta Junior, que representou a União, o número comprova que não há escassez no mercado e a operadora poderia ter preenchido sua cota se quisesse. Ele também argumentou que uma procura rápida na internet pelos termos "deficiente físico", "procura" e "emprego" resultou em 12,1 mil ocorrências no buscador Google, 36 mil no Cadê, e 3,7 mil no UOL.

Mas a desembargadora desmontou os argumentos ao confrontar as informações com notícias divulgadas pelo próprio Ministério do Trabalho. O site da pasta relatou, em 2007, que um grupo de trabalho formado por representantes do ministério, de empregadores e de empregados questionou o IBGE quanto aos critérios adotados na contagem de deficientes feita no Censo de 2000. "O documento entregue aponta alguns aspectos técnicos e metodológicos adotados no Censo/2000/IBGE que divergem ou se contrapõem à conceituação de deficiência adotada por outros órgãos e entidades, como o Ministério da Saúde, Organização Mundial de Saúde - OMS e Organização Panamericana de Saúde - Opas", diz a notícia.

"O grupo constatou como divergente, ainda, a forma como foi definida a investigação das variações de deficiência ou de incapacidade, que teve como estratégia o questionamento subjetivo do grau da incapacidade sentido pelo indivíduo, no momento em que utilizava os suportes necessários para seu cotidiano. Essa generalização de dados e a forma de interpretação em sentimentos subjetivos podem ter elevado consideravelmente as taxas brasileiras", completa a nota publicada no dia 17 de abril de 2007.

Rita Silvestre diz ainda que a quantidade de respostas encontradas pela AGU nos buscadores da internet para deficientes desempregados não eram exatos por incluírem "resultados repetidos inúmeras e inúmeras vezes", e situações que "em nada aproveitam àqueles que têm como missão arregimentar PPDs [profissionais portadores de deficiência] para postos de trabalho".

Para a advogada Gilda Figueiredo Ferraz, autora do recurso da Omint ao TRT, a decisão é "emblemática e deve orientar a jurisprudência sobre o assunto". Segundo ela, a interpretação equivocada da lei "tem depositado apenas nos ombros da iniciativa privada a obrigação de inserir os deficientes no mercado de trabalho a qualquer custo e sem qualquer envolvimento do Estado". A empresa, segundo ela, tenta atingir a cota determinada, mas tem enfrentado dificuldades para encontrar pessoal capacitado. "Como é possível permitir a aplicação de multas a empresas que têm tentado suprir a própria deficiência do Estado?", questiona. Por estar na faixa entre 200 e 500 empregados, a Omint é obrigada a preencher 3% dos postos com portadores de deficiência.

Em seu voto, a desembargadora criticou falhas da administração pública no processo de inclusão, como na educação e formação dos candidatos, assim como de não perceber que, "conforme a atividade preponderante da empresa, específicas deficiências inviabilizam a adequação da pessoa à função". É necessário, ela diz, "respeitar o tipo de deficiência em relação ao trabalho que será realizado. A capacitação profissional é degrau obrigatório do processo de inserção social". A decisão, por hora, anulou o débito fiscal da Omint. A União ainda pode recorrer.

Fonte: Consultor Jurídico - 08/09/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 09/09/2010

Conselho da pessoa com deficiência acusa IBGE de exclusão

Entidade chegou a colher 621 assinaturas e pede censo local da Prefeitura de Catanduva.

O Conselho da Pessoa com Deficiência de Catanduva acusa o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de excluir as pessoas com deficiência do Censo 2010. A entidade local, bem como o órgão estadual correspondente, quer que a contagem seja feita na totalidade e não por amostragem.

O IBGE de Catanduva rebate dizendo que cada município, de acordo com o número de habitantes, tem uma porcentagem na aplicação dos questionários. A taxa de amostragem de um município como Catanduva é de 10%, isso corresponde a cada 10 casas um questionário amostra.

Existem dois tipos de contagem: básica e por amostra. No questionário por amostra existem vários quesitos e quanto ao assunto deficiência, perguntamos sobre a gravidade, abordam os campos visual, motor, auditivo e mental. "A aplicação do questionário-amostra não prejudica em nada a apuração dos resultados já que a amostragem é um método estatístico amplamente utilizado na realização de pesquisas, não só pelo IBGE", explica Priscila Bueno Alves, coordenadora do censo na cidade.

Para Maura Silva Mello Guerreiro, presidente do conselho, essa forma é exclusiva. "Queremos saber ao certo quantas pessoas com deficiência existem na cidade. Para isso, entramos na campanha estadual para que o censo seja feito de maneira correta e coerente". Ela vai pedir à Prefeitura uma contagem mais coerente.

Dona de casa sentiu ‘descaso’

A dona de casa Márcia da Silva, 38 anos, diz que sentiu descaso ao receber os recenseadores em sua casa. Ela ajuda a cuidar de Osnir Roberto Vincci, 54, que tem problemas mentais. Márcia fala que não perguntaram nada sobre o deficiente. "Senti como se fosse um descaso, não das pessoas que fazem o Censo, porque elas estão fazendo o trabalho dela, mas de um modo geral".

"Apenas me perguntaram se havia pessoas com deficiência, mas não quiseram saber que tipo, quais as dificuldades que enfrentamos, entre outras coisas que eu considero importante para essas pessoas especiais", desabafa.

O IBGE rebate novamente dizendo que este tipo de contagem foi explicado em lei e que é feito um balanço através dos dados recolhidos.

Fonte: Rede Bom Dia - 08 de setembro de 2010
Matéria postada no blog da APNEN: 09/09/2010

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Por ano ocorrem quase 40 milhões de quedas graves

Quedas provocam também 424 mil mortes, afetando principalmente idosos.

A cada ano, pelo menos 37,3 milhões de pessoas precisam de assistência médica porque sofreram uma queda grave. Os dados, da OMS (Organização Mundial de Saúde), mostram ainda que esse tipo de acidente provoca 424 mil mortes por ano. Isso faz das quedas a segunda principal causa de morte não intencional no mundo, atrás apenas dos acidentes de trânsito.

De todas as vítimas fatais, 80% são de países de renda baixa ou média. Apesar de os mais afetados serem idosos com mais de 65 anos, as crianças correm também risco de sofrer esse tipo de acidente.

Segundo a OMS, as quedas são um problema de saúde pública. E os números de mortes escondem outras estatísticas preocupantes. Na China, por exemplo, para cada criança que morre após uma queda fatal, outras quatro ficaram incapacitadas, 13 tiveram de ser internadas por mais de dez dias, 24 ficaram no hospital de um a nove dias e 690 precisaram de assistência médica.

No Brasil, esses acidentes cresceram na última década. Em oito anos, o número de idosos que morreram após sofrer quedas aumentou quase cinco vezes no Estado de São Paulo, de acordo com dados da Secretaria de Saúde divulgados recentemente.

Além disso, o custo do tratamento também tem acompanhado esse crescimento. Em 2009, os gastos públicos no país com internações e medicamentos nesses casos foram R$ 81 milhões - R$ 12 milhões a mais que em 2006.

Estudos canadenses revelam que, se fossem implementadas medidas de prevenção que reduzissem em 20% o número de acidentes entre crianças com menos de 10 anos, seria possível economizar por ano mais de R$ 207 milhões (US$ 120 mi).

De acordo com especialistas, as quedas causam a morte do idoso não pelo acidente em si, mas, sim, pelas complicações durante a recuperação.

Isso acontece porque o paciente tem de ficar de cama, o que abre espaço para uma série de problemas como a trombose, que é a formação de coágulos nos vasos sanguíneos. A consequência mais temida desse problema é a embolia pulmonar, em que o coágulo se desloca para o pulmão, o que pode levar à morte.

Para a OMS, os países precisam trabalhar mais na prevenção dos acidentes, priorizando investimentos em educação, treinamento de profissionais de saúde e a construção de ambientes adequados e seguros, tanto para idosos quanto para crianças.

Fonte: R7.com - publicado em 05/09/2010
Matéria postada no blog da APNEN:07/09/2010

Evento no Instituto de Química da USP discute perspectivas sobre Células-Tronco

Acontece em setembro 1º Encontro sobre Pesquisas em Células-Tronco do Instituto de Química da USP.
O 1º Encontro sobre Pesquisas em Células-Tronco do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) será realizado entre 20 e 24 de setembro, em São Paulo.

O objetivo do encontro é reunir e favorecer a discussão científica e ética das perspectivas na pesquisa com células-tronco envolvendo pesquisadores nacionais e internacionais cujas pesquisas tenham contribuído de modo relevante para a área.

O evento será composto por palestras e mesas-redondas, além do lançamento do livro "Perspectives Of Stem Cells: From Tools For Studying Mechanisms Of Neuronal Differentiation Towards Therapy [Perspectivas das células-tronco: Ferramentas para estudar mecanismos de diferenciação neuronal para a terapia, em tradução livre]", que tem como público-alvo estudantes de pós-graduação de diferentes instituições nacionais, bem como pesquisadores e profissionais atuantes na área.

Luiz Eugênio Mello, professor do Departamento de Fisiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e responsável pela implantação do Instituto Tecnológico Vale, apresentará a palestra de abertura, sobre o tema "Comparative assessment of stem cell therapy in a rat model of amyotrophic lateral sclerosis [Avaliação comparativa da terapia com células-tronco em um modelo de rato com esclerose lateral amiotrófica, em tradução livre]".

Fonte: Agência Fapesp - 06 de setembro de 2010
Matéria postada no blog da APNEN: 07/09/2010

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Conheça a história dos rapazes e moças com Síndrome de Down que trabalham no STJ

Um deles virou assessor. Os outros cinco, agentes de portaria. Desde que chegaram, com verdade e alegria, mudaram as relações interpessoais naquela Casa de corredores largos e leis implacáveis.
Marcelo Abreu
Aline, Renan, Paula, Wagner, Liane e Fernando são os seis mais novos funcionários da Casa. O que os diferencia das outras pessoas é exatamente a capacidade de transformação e de superação de limites e preconceitos.

Era pra ser apenas inclusão. O nome é bonito. Está na moda. É politicamente correto, até. Foi mais que isso. Foi melhor que isso. Virou histórias de vida. De renascimentos, de encontros e de emoção. Difícil esconder a lágrima que é engolida para que o choro não molhe o terno preto do magistrado. São 11h, estamos no Superior Tribunal de Justiça (STJ), lugar onde homens andam de toga e mulheres, de vestidos e saias bem-cortados e salto alto. Os corredores são largos. Os gabinetes, climatizados. Ali, julga-se a legalidade das decisões tomadas em instâncias inferiores.

Nas várias portarias internas do prédio gigantesco nota-se, trabalhando, uma gente que comumente não estaria ali. Não, não são os seguranças. São os seis novos funcionários. Moças e rapazes educados, sorridentes e muito dispostos a ajudar. Eles vestem impecáveis ternos pretos. Elas, terninhos — da mesma cor. Um deles não está na portaria. É assessor especial. Até ontem, trabalhava no gabinete da presidência. A partir da semana que vem, trabalhará no terceiro andar, na sala do mesmo ministro, o homem que humanizou aquele lugar de corredores largos e gabinetes abarrotados de leis.

Mas, afinal, quem são esses seis novos funcionários do STJ? É uma gente especial mesmo. Tão especial que, em menos de um ano, arrebatou a simpatia e o carinho de todos os outros funcionários da Casa. Até daquela gente de toga. Esses rapazes e essas moças são portadores da Síndrome de Down. Sim, e a única coisa que os torna diferentes daquela outra gente são os olhos puxadinhos. O resto é detalhe. Puro detalhe.

Eles levaram o sorriso, uma certa inocência e muita verdade — nunca mentem, não dissimulam e só dizem o que pensam e sentem. Levaram leveza a um lugar que nem sempre é leve. E fizeram aquela outra gente pensar em si mesma. Sem imaginar, esses rapazes e moças de olhos puxadinhos quebraram a sisudez do STJ. E ratificaram que ainda é bom sorrir e ser feliz. E como fizeram isso? Sorrindo, apenas sorrindo. Lei nenhuma seria capaz de ensinar isso.

Na manhã de ontem, o Correio teve o privilégio de conhecer essas seis pessoas. E ver como trabalham. Como se situam e estão inseridas naquele lugar. Chega-se à primeira portaria. É a que dá acesso ao gabinete da presidência. Lá, somos atendidos por um rapaz de terno escuro, sapatos da mesma cor, camisa branca e gravata vermelha. Está impecável. Senta-se à mesa onde trabalha, ao lado do gabinete do homem mais importante daquela Casa e um dos mais poderosos do país.

O rapaz se apresenta: “Meu nome é Renan de Castro Mota”. E faz questão de dizer que o Mota dele é apenas com um t. Conta mais. Revela sua grande paixão, o Corinthians. E nos mostra, no computador que usa, o brasão do timão. “Quero ser jogador de futebol”, revela. Passava das 11h. O homem de quem ele é assessor, dali a algumas horas, deixará a presidência. Passará a ser um dos 33 ministros daquela Casa.

“Capinha”
Na tarde de ontem, às 16h, o cearense Cesar Asfor Rocha, 62 anos, deixou, depois de dois anos, a presidência do STJ. Quem assume no seu lugar é o ministro Ari Pargendler, gaúcho de 65. Ao lado de Cesar, Renan, 25, o inseparável assessor. Foi na gestão de Cesar que a inclusão se fez presente. Em 2008, 220 deficientes auditivos compuseram o quadro de funcionários da Casa. Trabalharam na seção de digitalização dos processos.

A iniciativa foi um sucesso. “A produtividade foi 30% maior que a do ouvinte”, diz Cesar. Economia de tempo e dinheiro gasto nos correios (os processos demoravam, em média, sete meses para chegar a Brasília). Redução de papel, estantes e arquivos. Hoje, grande parte desses profissionais, que teve a chance do primeiro emprego, está em outros órgãos públicos. Gol de placa!

Há nove meses, chegou uma outra turma. Eram oito, mas dois desistiram. Ficaram seis — três rapazes e três moças. Todos têm Down. E isso, rigorosamente, como as decisões que são tomadas naquela Casa de homens de toga, não os tornou diferentes em nada. Renan foi levado para o então gabinete do presidente do STJ. Passou a acompanhá-lo nas sessões de plenário. Ajuda com os processos.

Usa até capinha — uma toga menor. E se sente, de verdade, um assessor. Ao andar pelos corredores assépticos do STJ, quando alguém lhe pergunta onde trabalha, o rapaz de 1,57m não hesita. Torna-se gigante ao responder: “Trabalho no gabinete do presidente”. Renan tem razão. Cesar é só elogios para o assessor: “Ele é muito esforçado”. E vibra com os novos rumos do rapaz de Brazlândia: “Ele abriu a própria conta bancária”.

Ao ser perguntado por que resolveu investir tanto em gente na sua gestão, o ministro Cesar chora. Segura a lágrima, para que ela não caia sobre o paletó preto, e mareja a voz: “A gente precisa acabar com tanto preconceito. Fiz tudo que podia fazer”. Sentado no sofá da ampla sala de recepção do chefe, Renanzinho, como é chamado na Casa, conta histórias de sua vida quando “era bebezinho”. Fala da morte do avô, de quem gostava muito. Que estuda num escola na região do Incra 8.

Empolgado, mostra o cartão de visita. E pede ao fotógrafo que mande as fotos para o e-mail dele. Dá-lhe, Renanzinho! Emocionado, o ministro diz: “Todos gostam dele aqui”. Renan sorri. É riso de verdade. E depois, numa pose de autoridade, com a mão no bolso da calça, andando de um lado para o outro, fala ao celular com um amigo de Brazlândia. Combina a balada. Sim, Renanzinho adora forró, sertanejo e axé.

A mãe, Jucela de Castro Mota, 49, apoio técnico da Secretaria de Educação, alegra-se: “Desde a ida para o STJ, ele ficou mais responsável, com maior autonomia. Com o salário (todos ganham R$ 690), compra as coisinhas dele e adora chamar os amigos para passear”.

Nas portarias, o Correio encontrou os outro cinco novos funcionários. Fernando César Tocantins Filho, 25 anos, mora no Cruzeiro. Faz natação e jiu jitsu. Adora malhar. Há nove meses, vê quem entra e sai. “É bom trabalhar com gente. Todo dia conheço uma pessoa nova”, diz. E conta que tinha uma namorada, ia se casar, mas a sogra “foi contra o casamento”. Antes, ele era empacotador de um supermercado na Asa Norte. “Aqui é o meu segundo emprego. Gosto mais daqui. Tenho mais amigos”, comemora. Vascaíno roxo, sonha ser advogado.

Com a saída de Cesar da presidência, a partir da semana que vem, Fernando será o novo “capinha” do novo presidente do STJ. E Renan? Continuará com o ministro Cesar, no gabinete. O mais comovente é que foi Renan quem indicou o amigo para o novo cargo. Pergunto para Fernando se ele vai ser mesmo. Espantado, ele responde: “Isso é com o Renan”. Eles são sensacionais.

Planos e sonhos
As comoventes histórias se sucedem. Contratados por meio do Centro de Treinamento de Educação Física Especial (Cetefe) — exceto Renan, cujo contrato foi feito com a presidência do STJ —, os cinco funcionários são de diferentes regiões do DF. Paula Vidal, 22 anos, mora no Sudoeste. Faz teatro e dança. Numa das portarias do STJ, aprendeu a conhecer, todo dia, gente nova. “Eles são educados comigo”, ela diz. Sonho de verdade? “Quero trabalhar com eventos.”

Wagner Rodrigo Santos, do Lago Norte, é o mais novo do grupo. Está ali há um mês. De gel no cabelo, o rapaz de 20 anos é só empolgação: “Coloco as bolsas das mulheres na esteira e dou informações”. No futuro, Wagner decidiu: “Vou abrir uma loja de pizza”.

Liane Martins Collares (com dois “eles” , ela faz questão de esclarecer) é gaúcha de Bagé, tem 47 anos (carinha de menina), mora na Asa Sul, é atriz, escritora e nadadora. Já tem uma obra lançada: “Liane, mulher como todas”. Foi sucesso de público. “O livro foi patrocinado pela minha família. Lancei em Salvador, Bagé, Porto Alegre, Teresina e aqui”, conta. “Do que falo? Da minha vida, minha história, do nascimento até os 40 anos.”

Pensa que Liane parou por aí? Nunca. “Meu nome é trabalho”, diz, maravilhada. Uma segunda obra está a caminho: “Teatro, minha vida como atriz”. Insisto em saber do que se trata. Às gargalhadas, ela diz: “Não vou contar mais nada. Já falei demais. É surpresa”. Liane é deslumbrante. Feliz de quem pode cruzar com ela pelo caminho.

Aline de Jesus Luz, 33 anos, é do Riacho Fundo. Trabalhou numa creche, como monitora. Agora, é agente de portaria do STJ. “Fiz entrevista pra vir pra cá. Aí, pedi demissão do meu emprego”, conta. “É bom mudar de vez em quando”, avalia a moça, que também é atleta de natação e ganhou medalhas de ouro em competições nos Estados Unidos.

Supervisor do Cetefe, Gilberto Cardoso de Araújo, 30 anos, que acompanha o grupo diariamente no STJ, emociona-se: “Somos nós que aprendemos com eles”. O ministro Cesar, que acordou hoje ex-presidente do STJ, reflete: “Ninguém diz o que é pra eles. Não se apresentam como doutores, juízes, advogados. Dizem os próprios nomes. Com eles, até as relações mudaram por aqui”.

Isso, maior do que qualquer lei, chama-se humanização. É olho no olho. É verdade. E foi isso que esse homem de toga levou para aquela Casa gigantesca de corredores largos. Renan, Aline, Fernando, Liane, Wagner e Paula são, de fato, excepcionais — no sentido mais humano que a palavra puder expressar.

Fonte:www.correiobraziliense.com.br - Cidades - 06/09/2010

Matéria postada no Blog da APNEN: 06/09/2010

Para superar a escuridão e o silêncio

Mesmo sem a visão e a audição, surdocegos aprendem a linguagem; associação aponta 2.750 pessoas com a condição no País.
Alexandre Gonçalves

Como arrancar uma criança surda e cega do isolamento? Como ajudar um adulto que, depois de perder a visão e a audição, não consegue transpor as muralhas sensoriais de seu novo mundo? Há cerca de 50 anos, pedagogos, psicólogos e professores ajudam os 2.750 brasileiros surdocegos - como as entidades pedem para que os portadores da dupla deficiência sejam chamados - a superar o silêncio e a escuridão.

O número, uma estimativa da Associação Brasileira de Surdocegos (Abrasc), só inclui pessoas que tiveram algum acesso à educação e, por isso, figuram nas estatísticas.

Janine Farias nasceu prematura e passou dois meses em uma UTI pré-natal improvisada na cidade de Itabuna, a 440 quilômetros de Salvador. Ao sair do hospital, os pais descobriram que era cega. Com 8 meses de vida, a surdez foi diagnosticada. "Eu me sentia muito sozinha", recorda Samara Farias, mãe de Janine. "Me sentia a única mãe de uma criança surdocega no País."

Com 3 anos, a menina apresentava um comportamento agressivo: não gostava de ser tocada, puxava os cabelos e se mordia. Queria sair de dentro de si, mas não conhecia a linguagem. Ainda não havia palavras no seu universo interior: apenas um turbilhão de sensações e sentimentos sem ordem.

Mas Samara descobriu intuitivamente a principal forma de comunicação dos surdocegos: a libras tátil. O deficiente segura as mãos do interlocutor, que realiza os gestos da língua brasileira de sinais (libras), usada pelos surdos.

A mãe recorda o primeiro conceito que Janine aprendeu: água. No banho, ao matar a sede ou quando abria a torneira, Samara repetia o sinal da água nas mãos da criança. Não demorou para que a garota descobrisse o segredo da comunicação: o sinal representa o conceito. Helen Keller, a famosa surdacega americana do início do século 20, também penetrou no mundo da linguagem pela palavra "água" (mais informações nesta página).

Janine tornou-se ávida pelo aprendizado dos sinais. Partiu dos mais concretos - comida e banheiro - para chegar aos abstratos - tais como saudade.

A palavra serviu para a garota definir seu sentimento quando a mãe visitou o Rio, em 1998, para um congresso do Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines). No evento, Samara descobriu que já existiam três instituições em São Paulo especializadas em surdocegueira: a Fundação Municipal Anne Sullivan, em São Caetano do Sul, a Adefav e a Ahimsa, na capital paulista. Ela não estava mais sozinha.

"É impossível estabelecer um padrão para ajudar essas pessoas", explica Shirley Rodrigues Maia, da Ahimsa. "Cada uma delas tem necessidades específicas."

Alguém que perdeu a audição e a visão depois de já ter aprendido a linguagem enfrenta desafios diferentes dos encontrados por Janine e Samara.

A paulista Cláudia Sofia Indalécio Pereira tem 40 anos. A caxumba e o sarampo tornaram-na surda aos 6 anos. A retinose pigmentar roubou progressivamente sua visão. Com 19 anos, no Natal, disse à mãe enquanto a família assistia à televisão: "Não vejo mais nada."

O carioca Carlos Jorge Wildhagen Rodrigues, de 50 anos, nasceu surdo. Ele tem síndrome de Usher, que causa surdez congênita acompanhada por perda progressiva da visão. Com 10 anos, começou a ficar cego. Depois do ensino médio, tornou-se digitador. Trabalhou 11 anos, mas a cegueira obrigou-o a se aposentar. Foi o primeiro aluno surdocego do Instituto Benjamin Constant (IBC), no Rio.

Tato. Cláudia Sofia usa o tadoma para compreender o que as pessoas falam: ela encosta o polegar e o indicador no queixo do interlocutor. Ao ficar surda, aprendeu a ler os lábios. Depois de ficar cega, tocou a boca da mãe em um momento de aflição e descobriu que também era capaz de ler os lábios com o tato. Apenas três pessoas no País utilizam esta forma de comunicação.

Rodrigues utiliza libras tátil e sabe ler em braile. Trabalha em um computador devidamente adaptado, utilizando o resquício visual para presidir a Abrasc.

Em maio de 2005, Cláudia Sofia e Rodrigues tornaram-se o primeiro casal de surdocegos do País. Vivem em um apartamento na Vila Mariana, zona sul de São Paulo. Gostam de praticar esportes radicais - ele já foi instrutor de mergulho e ela pulou de paraquedas. Para conversar, utilizam libras tátil. A autonomia dos dois impressiona familiares, vizinhos e amigos.

E o casal ainda alimenta muitos planos para o futuro. "Quero ter filhos", afirma Cláudia Sofia. "Se necessário, vamos adotar."


PARA LEMBRAR

Americana é símbolo para movimento

A primeira pessoa surdocega a receber uma educação formal foi a norte-americana Laura Bridgman, no século 19. Morou a maior parte da vida na Instituição Perkins para Cegos, em Boston. Na década de 1880, Laura dividiu o quarto na entidade com Anne Sullivan.
Anne foi professora da surdocega mais famosa do mundo: Helen Keller. Em sua autobiografia (A história da minha vida, Editora José Olympio), Helen descreve o momento mais importante da sua vida, quando tinha 7 anos: "Descemos o caminho para a casa do poço (...). A srta. Sullivan colocou minha mão sob o jorro da água. Enquanto a fria corrente despejava-se sobre uma de minhas mãos, a srta. Sullivan soletrava na outra a palavra água, primeiro lentamente, depois rapidamente. (...) De repente, senti (...) o eletrizar de um pensamento que voltava; e de algum modo o mistério da linguagem foi revelado a mim."
"Soube então que "á-g-u-a" significava a maravilhosa coisa fresca que fluía sobre minha mão. Aquela palavra viva despertou minha alma, (...) libertou-a! Ainda havia barreiras, é verdade, mas barreiras que poderiam ser varridas com o tempo."

Fonte:Jornal O Estado de S.Paulo - 05/09/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 06/09/2010