sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Prefeitos sentem na pele as dificuldades da pessoa com deficiência

Prefeitos, secretários de obras e de educação, que participam do evento, fizeram uma dinâmica para simular as dificuldades que uma pessoa com deficiência enfrenta no dia a dia.
Como preparar os municípios para cumprir a lei que garante à pessoa com deficiência acesso à educação. Este é o tema da reunião que aconteceu em 18/10, na sede da Procuradoria de Justiça do Rio Grande do Norte durante toda a manhã. Prefeitos, secretários de obras e de educação, que participam do evento, fizeram uma dinâmica para simular as dificuldades que uma pessoa com deficiência enfrenta no dia a dia.

Os gestores foram convidados a se deslocar de cadeira de rodas, a andar com venda nos olhos, com as pernas amarradas para sentir na pele os obstáculos enfrentados por cadeirantes e cegos. Eles subiram rampas e encararam os obstáculos impostos a quem não conta com condições motoras naturais. "Nossa ideia é fazer um trabalho educativo junto aos municípios para que eles conheçam a lei e façam as adaptações o quanto antes", explica a coordenadora do Centro de Apoio às Promotorias de Defesa do Idoso e da Pessoa com Deficiência, Promotora de Justiça Rebecca Nunes.

O foco da atuação é garantir acessibilidade à escola, mas para isso é preciso adequar as calçadas de toda a cidade, melhorar o transporte escolar, modificar a infraestrutura dos prédios onde as escolas funcionam. Outro investimento é na qualificação dos educadores para que saibam lidar com as necessidades do aluno com deficiência motora, visual, auditiva, neurológica.

Fonte: Ministério Público do Estado do Rio Grande do Norte - 21/10/2010
Matéria postada no blog da APNEN:22/10/2010

Estatuto municipal dos deficientes é aprovado sob polêmica

Educadora não acredita haver necessidade de criar um estatuto próprio para Santa Bárbara, sendo suficiente aplicar as leis federais e estaduais.
Patricia Vieitez
A votação do projeto de lei que institui o Estatuto Municipal da Pessoa com Deficiência e do Portador de Necessidades Especiais, de autoria de Edison Carlos Bortolucci Júnior (PSDB), gerou polêmica ontem na sessão da Câmara de Santa Bárbara d'Oeste. O adiamento, pedido por um grupo de professoras, não foi acatado e a proposta acabou aprovada por unanimidade.

Para a professora de educação especial, Rogéria Bueno, o que essas pessoas precisam é que as leis já existentes sejam aplicadas. "Já existe o estatuto nacional das pessoas com deficiência. Mas o que muito vereador tem hábito de fazer é copiar leis que existem no âmbito estadual e federal, trazer para o âmbito municipal e dizer que é o pai da criança", alfinetou, garantindo que o projeto municipal não soma nada. "Como professores da área e cidadãos, a gente quer que o estatuto seja colocado em prática. Não que se venha a criar mais estatutos", defendeu.

Segundo ela, Santa Bárbara nem conta ainda com as adequações que são direito dos portadores de deficiência. Há aluno com deficiência visual que frequenta aulas sem a infraestrutura necessária e outro com paralisia cerebral que aguarda seis meses por uma cadeira de rodas. "É apenas um exemplo da dificuldade enfrentada", apontou Rogéria.

Para a coordenadora de educação especial da rede de ensino municipal, Fátima Cristina Lima de Paula, um estatuto municipal precisa adequar as leis às necessidades locais e para isso é preciso ouvir a comunidade envolvida, fazer audiência pública. "Aí sim, faz sentido criar um estatuto", observou, dizendo que é imprescindível apurar a necessidade e buscar caminhos para viabilizar as soluções.

Segundo Rogéria, há dois meses ela chegou a falar com os vereadores Ducimar de Jesus Cardoso (PR) e Ademir da Silva (PT) dizendo que era contra o projeto, mas nada foi feito. Silva garantiu que ninguém o procurou para falar sobre o assunto antes de ontem, mas como acredita que criar um estatuto não é tarefa fácil e que é necessário ouvir especialistas na área, concordou em pedir o adiamento sugerido. Só não deixou claro porque não propôs isso enquanto o projeto, que foi protocolado há 120 dias, estava tramitando nas comissões. "Na verdade não propus porque esse projeto saiu fora de discussão e eu nem lembrava se esse projeto ia ser votado", justificou.

Fonte: O Liberal - Santa Bárbara d'Oeste - SP, 21/10/2010
Matéria postada no blog da APNEN:22/10/2010

Parte das linhas urbanas em Campinas(SP) barra acesso de deficientes

DESRESPEITO! MOTORISTAS NÃO TÊM CAPACITAÇÃO PARA OPERAR ELEVADORES

Cadeirantes estão impedidos de utilizar os elevadores adaptados em parte dos ônibus do transporte público de Campinas por falta de preparo de motoristas e cobradores. Apesar do recente aumento da frota com acessibilidade, algumas linhas ainda não têm profissionais capacitados para operar os elevadores.

Anteontem, o tapeceiro Claudio Silva Mendonça, de 44 anos, perdeu uma audiência na Cidade Judiciária porque não conseguiu transporte até o local. “É um absurdo. Eles (motoristas) param e dizem que não têm autorização da Emdec para operar o elevador.”

No mesmo dia, ele e o aposentado Vanderlei Pereira, de 40 anos, pediram para o motorista da linha 3.45 para subir no ônibus e voltar para casa, em frente à Cidade Judiciária. O motorista da linha ajudou os dois cadeirantes. Um fiscal da Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Campinas (Transurc), que estava no local, disse que o motorista estava “quebrando um galho” para os dois homens ao ajudá-los a entrar no ônibus.

A Emdec, por meio de sua assessoria, informou que a linha 3.45 faz parte da frota acessível da cidade e que o problema relatado pelos cadeirantes ocorre porque motoristas e cobradores precisam se capacitar ao participar de um curso no órgão. Atualmente, a cidade conta com 1.040 profissionais neste setor. Desses, 610 estão capacitados para operar em linhas acessíveis.

No entanto, segundo a Emdec, a rotatividade dos funcionários é alta e, por isso, as linhas operam com funcionários que ainda não passaram pelo curso. O órgão enviou uma notificação para a empresa de ônibus responsável pela linha 3.45 para que motoristas e cobradores capacitados possam fazer o trajeto.

A Transurc informou que não compete a ela a capacitação dos funcionários, já que há o Decreto Municipal 15.570, de 2006, que aponta que o treinamento dos funcionários deve ser realizado pela Emdec. A Transurc diz que 33% (287 veículos) da frota da associação são adaptados com elevadores ou com piso baixo.

Fonte: Correio Popular de Campinas (21/10/2010)

Matéria postada no blog da APNEN: 22/10/2010

A inclusão é uma realidade, cabe a cada um de nós fazer a sua parte

Por Eliete Inês Vogt

O princípio da inclusão é a equidade, direito de todas as crianças, jovens e adultos que apresentam características diferentes e próprias; ter atendimento de acordo com suas capacidades e dificuldades para desenvolver a aprendizagem.

Incluir um aluno com necessidade educativa Especial quer dizer que o aluno deve fazer parte do grupo, estar inserido, que suas necessidades devem ser atendidas e que todos os alunos sejam abrangidos e compreendidos, fazendo parte do processo de construção do conhecimento e de vivências.

Devemos entender por princípio de equidade o reconhecimento do direito de cada um à igualdade e justiça. Todo aluno com características diferentes e próprias e como tal deve ter atendimento diferenciado de acordo com suas potencialidades e necessidades, buscando o desenvolvimento de suas aprendizagens.

A Constituição Federal, no artigo 208, alínea III, estabelece o direito de as pessoas com necessidades especiais receberem educação preferencialmente na rede regular de ensino. O Parecer 56/06 do CEED regulamenta o número de alunos que podem ser incluídos nas turmas regulares e dá outras providências. Pode-se incluir no máximo três alunos com necessidades educacionais semelhantes, por turma, com lotação máxima de 20 alunos, nas turmas de pré-escola e nos anos iniciais (1ª a 4ª série ou 1º ao 5º ano) e 25 alunos nos anos finais (5ª a 8ª série ou 6º ao 9º ano). Alunos com deficiências diferentes, por exemplo, um aluno com deficiência mental e outro com deficiência visual, admite-se incluir, no máximo, dois alunos por turma, sempre a critério da equipe escolar. Em casos muito singulares, em que os educandos com graves comprometimentos mentais e/ou múltiplos não possam se beneficiar do currículo da Base Nacional Comum, deverá ser proporcionado um currículo funcional para atender às necessidades práticas da vida, mediante programa de atendimento, articulação e a cooperação entre setores de educação, saúde e assistência, de modo que essa ação conjunta potencialize, de fato, um resultado significativo.

A inclusão é uma realidade, cabe a cada um de nós fazer a sua parte. Os gestores escolares devem conhecer a legislação vigente para que junto com os sistemas de ensino possam adaptar e estruturar as escolas com recursos humanos e materiais, espaço físico acessível, organizar as turmas e proporcionar capacitação para construir junto com o corpo docente metodologias e estratégias de atendimento, oferecendo assim uma interação educativa adequada para todos os alunos e principalmente para as crianças e jovens com necessidades educacionais especiais, no sentido de que possam estar verdadeiramente incluídos.

Eliete Inês Vogt – Professora de Educação Especial e orientadora educacional
(por Ângela Rocha – angela@gazetadosul.com.br).

Fonte: Gazeta do Sul
Matéria postada no blog da APNEN: 22/10/2010

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Nova prótese biônica se liga aos nervos através da luz

Pesquisadores estão desenvolvendo uma prótese com sensores fotônicos que pode se ligar melhor aos nervos. O braço biônico se conecta diretamente ao sistema nervoso, de modo que o cérebro consiga controlar seu movimento, e o dono do braço possa sentir a pressão e o calor através de sua mão robótica.

Os pesquisadores disseram que os sensores estão atualmente em fase de protótipo e são muito grandes para serem aplicados no corpo, mas versões menores devem funcionar em tecido biológico


As interfaces neurais existentes até então eram eletrônicas, utilizando-se de componentes metálicos que poderiam ser rejeitados pelo organismo. Então, os pesquisadores estão construindo sensores que captam sinais nervosos utilizando a luz. Fibras ópticas e polímeros são menos prováveis a provocar uma resposta do sistema imunológico do que o metal, e não corroem.

De que forma esse braço com sensor de luz funcionaria? As cascas esféricas do polímero mudam de forma em campo elétrico. Elas são acopladas a uma fibra ótica, que envia um feixe de luz que viaja dentro desse campo.

O modo com que a luz viaja dentro dessa esfera produz um som. A ideia é que o campo elétrico associado a um impulso nervoso pode afetar a forma da esfera, que por sua vez irá alterar a ressonância da luz no interior do reservatório, e o nervo poderia tornar-se efetivamente parte de um circuito fotônico.

Ou seja, em teoria, a mudança na sonoridade da luz que viaja através da fibra óptica pode dizer a um braço robótico que o cérebro quer mover um dedo, por exemplo.

Para usar versões dos sensores, as conexões nervosas precisam ser mapeadas. Por exemplo, um paciente pode tentar levantar seu braço amputado de modo que um cirurgião possa ligar o sensor ao nervo relevante para a prótese.

No futuro, os sensores de fibra óptica poderiam atuar como “ponte” para restaurar o movimento e a sensação de pacientes com danos na medula espinhal, através do encaminhamento dos nervos do cérebro às pernas.

Os pesquisadores pretendem demonstrar um protótipo funcional em um cão ou gato dentro dos próximos dois anos. Para isso, o sensor tem que ser reduzido de centenas de micrômetros a 50 micrômetros. Porém, especialistas alertam que, apesar de serem em grande parte de materiais biocompatíveis, os sensores ainda podem ser rejeitados pelo organismo.

Fonte: http://hypescience.com/
Referência: Portal Mara Gabrilli
Veja mais em: http://www.deficienteciente.com.br/2010/10/nova-protese-bionica-se-liga-aos-nervos.html
Matéria postada no blog da APNEN: 21/10/2010

Hospital das Clínicas quer estudar ossos de vidro

Ideia é traçar um panorama inédito da osteogênese no País e baratear a cirurgia usada no tratamento.
Mariana Lenharo


Os aniversários têm um significado especial para a escritora portuguesa Mafalda Ribeiro, de 27 anos. Ao nascer, os médicos disseram que ela não viveria mais que um mês. Os ossos do bebê, de tão frágeis, tinham sido fraturados dentro do útero da mãe. Naquela época, início dos anos 1980, os médicos pouco sabiam sobre a osteogênese imperfeita, popularmente conhecida como doença dos ossos de vidro. No Brasil, os especialistas já descobriram que ela não é tão rara como se pensava no passado. Por isso, o Hospital das Clínicas (HC) está recrutando voluntários para fazer um estudo inédito sobreo perfil dos pacientes no País.

“Pretendemos fazer um estudo da história natural da doença. Ainda não há trabalhos desse tipo”, conta o ortopedista Roberto Guarniero, coordenador do Ambulatório de Ortopedia Pediátricado HC, setor que será responsável pela pesquisa. A ideia é fazer o acompanhamento de portadores de osteogênese imperfeita que tenham entre 3 a 17 anos. Além disso, o hospital estuda formas de baratear uma cirurgia bastante delicada que pode melhorar a vida de vários portadores da doença, de modo que o procedimento possa ser amplamente oferecido pelo SUS.

Antes apontada como raríssima, hoje estima-se que a enfermidade atinja uma em cada 10 mil pessoas, segundo o ortopedista José Antonio Pinto, chefe da disciplina de Ortopedia Pediátrica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Para a antropóloga da Universidade de São Paulo (USP) Rita Amaral, a desinformação decorre da falta de perspectiva para os pacientes: como a doença não tem cura, por muito tempo se acreditou que as pessoas afetadas não chegariam à idade adulta. Portadora da enfermidade, aos 52 anos, Rita prova o contrário.

Se até 1996 os médicos afirmavam que, além de Rita, existiam apenas três ou quatro casos em todo o Brasil, sabe-se hoje que a enfermidade atinge pelo menos 12 mil pessoas no País, segundo estimativas da Associação Brasileira de Osteogênese Imperfeita. São pacientes que já nascem com a deficiência. Trata-se de uma doença genética que tem como principal causa a falha na produção do colágeno, proteína responsável pela resistência óssea. "Funciona como um muro em que se utiliza um cimento de qualidade inferior, por isso o osso fica fragilizado”, explica Antonio Pinto. Além da fragilidade óssea, a doença faz com que as articulações fiquem frouxas, a pele mais elástica, a esclera (que é a parte branca dos olhos)azulada e os dentes com esmalte de má qualidade.

Abalos psicológicos

Além dos problemas físicos, também feridas psicológicas podem afetar o doente e sua família. Há casos de pais que foram afastados dos filhos por suspeita de espancamento antes que a doença fosse diagnosticada, conta o ortopedista pediátrico Celso Rizzi, do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia do Rio de Janeiro. "Quando a criança sofre maus tratos, também apresenta diversas fraturas, daí a confusão”, detalha.

A doença dos ossos de vidro não acomete com a mesma intensidade todos os pacientes. O caso de Mafalda, que mede 97cm e pesa 20 quilos, é um dos mais severos, a ponto de ela nunca ter conseguido andar: a delicadeza dos ossos não permite que eles sustentem o peso do próprio corpo sem que se quebrem. Há quadros mais brandos, em que adoença se estabiliza idade adulta. Essa situação virou até tema de filme, em 2000, quando "Corpo Fechado" contou a história de um portador da doença.

Fonte: Jornal da Tarde - São Paulo - SP, 20/10/2010

Matéria postada no blog da APNEN: 21/10/2010

Ministério da Saúde investe quatro vezes mais na atenção às pessoas com deficiência

Cerca de 1,3 mil unidades especializadas em reabilitação foram implementadas a partir de 2002, beneficiando 335.251 pacientes do SUS.



Dados do Ministério da Saúde mostram que a quantidade de recursos investidos na assistência às pessoas com deficiência é a maior desde a criação da Política Nacional de Saúde da Pessoa com Deficiência, em 2002. O valor aplicado pelo governo federal, em 2009, foi de R$ 538,4 milhões – 315% superior ao total investido em 2002 (R$ 129,6 milhões).

Além do vultoso investimento na assistência à saúde das pessoas com deficiência, o ministério desenvolveu e incentivou ações para a ampliação da oferta de serviços a estes pacientes. Nos últimos oito anos, foram implantadas, na rede pública de saúde, 1319 unidades de reabilitação física, visual, auditiva, intelectual e também para pacientes ostomizados (pessoas submetidas à cirurgia que adapta uma espécie de bolsa exterior ao abdômen).

Todos os estados contam com unidades de reabilitação, que beneficiaram, só em 2009, 335,2 mil pacientes do SUS. Em 2002, 157,7 mil pessoas foram atendidas nestas unidades. “Essa expansão tem sido uma prioridade do governo federal junto às secretarias de saúde e envolve desde o aumento de recursos financeiros para a estruturação de unidades de reabilitação até a elaboração de normas técnicas para a organização do cuidado à saúde dessas pessoas”, explica José Luiz Telles, Diretor do Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas (Dapes) do Ministério da Saúde, no qual a Área Técnica de Saúde da Pessoa com Deficiência está inserida.

Além dos serviços oferecidos nas unidades de reabilitação, os pacientes do SUS também são atendidos com próteses e órteses (aparelhos destinados a alinhar, prevenir ou corrigir deformidades ou melhorar a função das partes móveis do corpo). De acordo com censo do IBGE (2002), o número de pessoas com limitações severas no país equivale a um percentual de 2,5% da população, aproximadamente 4,3 milhões de brasileiros.

AVANÇOS – Para a reabilitação de autistas e pessoas com deficiência intelectual – por exemplo, pacientes com Síndrome de Down – o Ministério da Saúde investiu R$ 168,4 milhões só no ano passado. A oferta de serviços cadastrados passou de 129 em 2002 para 1.004, em 2010.

Nessas unidades especializadas, os pacientes recebem atendimento e avaliação por uma equipe multidisciplinar (médicos, fisioterapeutas, psicólogos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, assistentes sociais, entre outros) e realizam atividades que envolvem desde o desenvolvimento neuropsicomotor até a participação em oficinas terapêuticas.

REFERÊNCIA – O Brasil tem avançado no tratamento de pessoas com deficiência auditiva, possuindo, atualmente, 144 serviços públicos de saúde. Até 2011, a meta do governo federal é habilitar mais 11 unidades.

Em oito anos, o país também ampliou em quase cinco vezes o número de atendimentos nesta área. Em 2009, 90,4 mil pessoas com deficiência auditiva receberam atendimento pelo SUS. Em 2002, eram 19,6 mil.

Segundo José Luiz Telles, os principais motivos para este avanço foram a organização do sistema e o incremento de recursos no setor. A quantidade de investimentos nesta área cresceu praticamente quatro vezes desde 2002. Em 2009, foram aplicados R$ 200 milhões contra R$ 54 milhões, em 2002.

Dentro da assistência às pessoas com deficiência auditiva, também são fornecidas, pelo SUS, próteses auditivas de alta tecnologia. Uma delas - conhecida como ouvido biônico ou implante coclear - é implantada por meio de cirurgia no ouvido. Esse equipamento auxilia o cérebro a interpretar os estímulos sonoros, devolvendo o sentido ao paciente.

Para cada implante coclear o Ministério da Saúde destina R$ 45,8 mil por paciente. Atualmente, são 19 unidades de saúde aptas a realizar o procedimento.

REABILITAÇÃO FÍSICA – Com a reabilitação física, os gastos federais saltaram de R$ 57,1 milhões (2002) para 137,5 milhões (2009). A reabilitação destes pacientes é feita por meio de acompanhamento multiprofissional e fornecimento de órteses e próteses, além da oferta de meios auxiliares de locomoção, como cadeira de rodas. A rede pública de saúde conta com 160 unidades especializadas, distribuídas nas 5 regiões do país.

REABILITAÇÃO VISUAL – Já na área de reabilitação visual, o país conta hoje com 11 unidades de referência no SUS. Essas redes começaram a ser implantadas no Brasil a partir de 2008.

Cerca de 16,5 mil pacientes são atendidos, por ano, nessas unidades. Nestes locais, as pessoas com deficiência visual contam com equipes de profissionais para o diagnóstico, a prescrição e o fornecimento de recursos ópticos (lupas, bengala, prótese ocular), além de acompanhamento e terapias. Para manter em funcionamento estes centros, o Ministério da Saúde investiu R$ 4,8 milhões só no ano passado.

ÓRTESES E PRÓTESES – De acordo com José Luiz Telles, outra ação estratégica do Ministério da Saúde é a liberação de recursos para o financiamento de órteses e próteses a pacientes que se reabilitam nos serviços especializados em saúde física, auditiva, visual e para pessoas ostomizados.

Nos últimos dois anos (2008 e 2009), 663.764 mil pacientes do SUS receberam órteses e próteses – como bengalas, muletas, aparelho auditivo, lupas, cadeira de rodas e palmilhas. Quase R$ 644 milhões foram investidos pelo governo federal para a oferta destes aparelhos como também em procedimentos terapêuticos necessários à assistência dos pacientes nos serviços de reabilitação.

Para qualificar o processo de concessão de órteses e próteses no SUS, o Ministério da Saúde está financiando a implantação de oficinas ortopédicas em unidades de reabilitação física, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste. Estas oficinas atuam na confecção e adaptação dos equipamentos.

Até o momento, estão sendo implementadas oito oficinas ortopédicas em Teresina (PI), Caruaru (PE), Salvador (BA), Maceió (AL), Sinop (MG), Cáceres (MG), Florianópolis (SC) e Manaus (AM). A meta do governo
federal é financiar a implantação de 10 destas oficinas até 2011.

Gastos federais com a reabilitação de pessoas com deficiência no Brasil

ANO VALOR:

2002 - R$ 129,6 mi
2003 - R$ 173,1 mi
2004 - R$ 275,8 mi
2005 - R$ 320,8 mi
2006 - R$ 347,5 mi
2007 - R$ 377,4 mi
2008 - R$ 406,9 mi
2009 - R$ 538,4 mi

Veja, também, que os investimentos na Política Nacional de Saúde Mental aumentaram 142%, saltando de R$ 619,2 milhões (em 2002) para R$ 1,5 bilhão (em 2009).

Fonte: http://portal.saude.gov.br/portal/aplicacoes/noticias/default.cfm?pg=dspDetalheNoticia&id_area=124&CO_NOTICIA=11799

Matéria postada no blog da APNEN: 21/10/2010

Até onde as construções residenciais estão preparadas para acessibilidade?

Pequenas alterações, como alargamento de portas, podem ser grandes problemas se não planejados junto com a construção.
Renata Marques
Muito propagado entre os projetos comerciais e espaços públicos por todo o país, o acesso de pessoas com necessidades especiais, como idosos, cadeirantes e obesos, por exemplo, ainda é bastante complicado em muitos imóveis residenciais, principalmente nas construções mais antigas.

Poucos projetos contemplam a acessibilidade como uma de suas principais premissas e, ao refletir sobre isso, todos nós em algum momento de nossas vidas passamos ou podemos passar por um período em que nossa mobilidade é comprometida. Isso sem falar nos nossos parentes com idade mais avançada. É exatamente nesta situação que percebemos como a arquitetura pode influir diretamente no bem-estar e qualidade de vida.

Reformas aparentemente simples revelam-se um grande problema se não previstas no projeto inicial da obra. Vãos e folhas de porta mais largos, essenciais para passagem de cadeira de rodas ou para circulação de obesos, assim como corredores mais amplos, que possibilitam uma melhor circulação, facilitam muito a vida dos moradores se já incorporados às plantas.

Um espaço crucial para determinarmos o nível de acessibilidade de um imóvel são os banheiros. Boxes amplos e a instalação de barras de apoio permitem livre acesso e segurança. Enquanto torneiras com acionamento por sensor também facilitam a vida de quem já não tem a mesma firmeza para executar movimentos. As bacias precisam ser instaladas mais altas para facilitar a transição para as cadeiras de apoio e a posição também precisa ser estrategicamente pensada para permitir o livre giro da cadeira de rodas.

Nos quartos o desafio já começa com um hábito muito comum dos brasileiros de, geralmente, construí-los no andar superior das residências. Poucas casas preveem a possibilidade de um quarto no andar térreo, enquanto o ideal seria ter pelo menos um espaço que pudesse ser transformado, para o caso de uma pessoa adoentada ou impossibilitada de subir escadas. Para os cadeirantes já existe uma solução que substitui a necessidade da instalação de elevadores, um sistema que acoplado à cadeira de rodas a transporta até o andar superior.

As cozinhas são um capítulo à parte, na maioria das vezes é necessária uma reforma total para conseguir adaptar o ambiente. As pias, bancadas e pontos de torneira precisam ser mais baixos com vãos livres na parte inferior para a aproximação dos cadeirantes. Já a disposição dos móveis e outros componentes do ambiente precisam levar em consideração, não somente o trânsito, mas também o giro da cadeira de rodas.

Apesar de regulamentadas por lei, boa parte das construções recém-lançadas no País ainda não seguem os padrões de portabilidade e livre acesso para portadores de necessidades especiais ou mobilidade reduzida. O grande desafio para arquitetos e urbanistas é não só conscientizar os construtores da importância de seguir os princípios da acessibilidade, mas também encontrar soluções viáveis para adaptar imóveis já concluídos fora dos padrões.

Fonte: O Noticiado - 20/10/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 21/10/2010

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

O que pensam as crianças ouvintes a respeito da inclusão de crianças surdas no ensino regular

Um estudo comparativo com crianças brasileiras de uma escola pública e uma escola privada.
Beatriz Vargas Dorneles, Virginia Bedin, Isabel Cristina Peregrina Vasconcelos, Rosane da Conceição Vargas

Resumo:

O presente estudo investiga como crianças ouvintes descrevem a inserção de uma criança surda em uma sala de aula. Analisa-se a influência da classe social em relação à aceitação da criança surda pelas crianças ouvintes.

Participaram do estudo 144 crianças, de 3ª a 5ª séries, assim distribuídas: 76 de uma escola privada e 68 de uma escola pública, ambas pertencentes ao município de Porto Alegre, RS. A escola pública atende fundamentalmente às classes sociais de nível socioeconômico baixo, e a escola privada atende alunos de classe social predominantemente média e alta. Todos receberam a mesma tarefa: completar uma história que descrevia a reação de crianças ouvintes à inserção de uma nova colega surda na turma. O estudo demonstra que os alunos têm a intenção de realizar alguma forma de comunicação com a criança surda e de promover momentos de integração dentro e fora do ambiente de sala de aula, embora demonstrem um discurso, de certa forma, protetor em relação a esse sujeito que consideram não apto, mas ainda capaz de se comunicar.

Compreender como crianças ouvintes poderiam relacionar-se e incluir uma criança surda em sala de aula levanta possibilidades de novas formas de pensar a preparação de tais crianças para eventuais processos de inclusão. Reconhecer as idéias, sentimentos e formas de comunicação das crianças auxilia as instituições educacionais a investir em políticas de inclusão.

Acesse o texto completo pelo link (formato PDF): http://cascavel.ufsm.br/revistas/ojs-2.2.2/index.php/educacaoespecial/article/viewFile/1405/1264

Fonte: Revista Educação Especial - 19/10/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 20/10/2010

Curso de acessibilidade busca formas de melhorar o deslocamento de deficientes

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 24,5 milhões de brasileiros possuem algum tipo de deficiência.
da Redação

Andar por calçadas cheias de buracos é muito difícil, pior ainda para quem tem alguma deficiência. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 24,5 milhões de brasileiros possuem algum tipo de deficiência.
Foto: Reprodução / TV Globo A arquiteta Gabrielle Melo (foto 1) não tem problemas de visão, mas encarou o desafio de quem precisa andar pela cidade ser ver. Com uma venda nos olhos, ela foi guiada pelo funcionário público, José Diniz, que é cego. Não demorou muito para ela perceber as armadilhas que ruas e calçadas guardam.

“Eu só tinha um conhecimento teórico. Vivenciando na prática eu vi a dificuldade que essas pessoas passam”, disse Gabrielle.

A arquiteta enfrentou pela primeira vez os obstáculos que José Diniz (foto 2) encontra todos os dias. “As calçadas quebradas, os hastes de meio-fio. Os orelhões”, contou.

Foto: Reprodução / TV Globo Assim como Gabrielle, outras pessoas passaram por situações parecidas. São alunos do curso de acessibilidade oferecido pelo Instituto Muito Especial, em parceria com o Ministério de Ciência e Tecnologia. A estudante Lívia Gusmão saiu pela cidade em uma cadeira de rodas. “As calçadas estão todas estouradas. A questão de rampa, também. É muita coisa”, falou.

O professor Mário Cezar da Silveira (foto 3) acompanhou todos de perto, chamando atenção para os principais obstáculos. Ele quer que cada um perceba como é difícil se locomover quando se tem algum tipo de deficiência. “Se você usar como referência quem tem mais dificuldade, com certeza, todas as outras pessoas serão beneficiadas. O conceito é ser referendado por aquele que tem maior dificuldade de uso”, explicou.

Foto: Reprodução / TV Globo Depois de passar por todos os obstáculos que as ruas oferecem, os alunos vão para a sala de aula, onde acontece a discussão mais importante: como fazer uma cidade acessível?

O professor mostra exemplos e eles aprendem rápido. “Acredito que a gente tem que pensar, acima de qualquer coisa, na realidade das pessoas. Como elas vivem e como elas se locomovem”, afirmou o estudante e intérprete de LIBRAS, Marcos Antônio Ribeiro.

Esta é a primeira turma e as inscrições estão abertas para quem quiser participar das próximas. O curso é de graça e tem um total de 24 horas de aula. As aulas são na faculdade Esuda, na rua Bispo Cardoso Ayres, bairro de Santo Amaro, Recife/PE. As inscrições podem ser feitas pelo telefone: (81) 3037-0366.

Assista ao vídeo da matéria clicando no link: http://pe360graus.globo.com/educacao/educacao-e-carreiras/curso/2010/10/18/NWS,522622,35,345,EDUCACAO,885-CURSO-ACESSIBILIDADE-BUSCA-FORMAS-MELHORAR-DESLOCAMENTO-DEFICIENTES.aspx

Fonte: pe 360 graus - Recife - PE, 19/10/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 20/10/2010

Parque do Ibirapuera tem evento para crianças com deficiência

Nos dias 24 e 31 de outubro, artistas de circo se apresentam junto a um playground inclusivo
da Redação

Com rampas de inclinação suave, inscrições em braille, piso tátil e suportes aéreos ao alcance de uma criança sentada em uma cadeira de rodas, o playground inclusivo propõe brincadeiras que misturam equilíbrio, força e estímulos sensoriais na medida exata para que crianças cadeirantes, cegas,
surdas, com deficiência intelectual ou múltipla possam divertir-se com o
máximo de autonomia.

Além de interagir com o 'brinquedão', como foi batizado pelos funcionários
do parque, as crianças poderão assistir a espetáculos circenses durante os
dias da programação.

Nos dias 24 e 31 de outubro, a Secretaria Municipal da Pessoa com
Deficiência e Mobilidade Reduzida (SMPED) promoverá show com palhaços, mágico, malabaristas e outras atrações circenses.

As apresentações acontecem entre 11h00 e 13h00 e das 14h00 às 16h00, sempre
contando com intérpretes de LIBRAS para as crianças surdas e audiodescrição para o público com deficiência visual.

Mês da Criança no Ibirapuera:

Dias 24 e 31 de outubro
Horário: 9h30 às 17h00
Local: Parque do Ibirapuera (próximo à Marquise e ao Auditório)

Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida (SMPED) - Assessoria de Comunicação e Imprensa:

Tel.: (11) 3113-8778 // 8767 // 8793 // 8794 // 8741
Cel.: (11) 9951-4983 / 8875-9732

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Fonte: Portal SMPED - São Paulo - SP, 19/10/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 20/10/2010

Tribunal Superior do Trabalho impede flexibilização da Lei de Cotas

"Quem escolheu a via judiciária para retardar as contratações pode ter surpresas", diz coordenador do Espaço da Cidadania.
Carlos Aparício Clemente


São Paulo e o Brasil podem abrir mais oportunidades de trabalho às pessoas com deficiência. Muitas empresas já se destacam por sua responsabilidade social e são lembradas quando o assunto é inclusão. Já aquelas que só lembram do tema quando o auditor fiscal chega em sua porta ou quando o Ministério Público do Trabalho resolve agir devem se preocupar.

Quem escolheu a via judiciária para retardar as contratações pode ter surpresas. Recente decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) já é um indicativo de que a lei deve ser cumprida por todos. E o recado está chegando aos tribunais inferiores (primeira e segunda instância), porque não basta ser juiz, é necessário estar atualizado.

Em 4 de outubro, o TST pôs um ponto final em nove anos de insegurança jurídica que permitia que o banco ABN AMRO (adquirido pelo grupo espanhol Santander) ganhasse tempo para cumprir a Lei de Cotas conforme previsto em lei.

O banco chegou a obter vitória nos julgamentos da questão na 57ª Vara do Trabalho e junto à 8ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (2ª Região), que considerou que a base de cálculo para as cotas legais deveria ser a unidade da empresa, não o tamanho total da empresa, compreendendo apenas uma fração do total de funcionários. Se essa lógica fosse colocada em prática, o cálculo poderia ser realizado por agência bancária, reduzindo drasticamente o número de contratados.

Diante dessa ameaça, o TST acolheu o recurso apresentado pelo Ministério Público do Trabalho de São Paulo. De acordo com o relator Ministro Vieira de Mello Filho, quando a lei fala de “empresa” diz respeito à atividade desenvolvida pelo tomador dos serviços, do contrário, bastaria que o empresário distribuísse seus empregados em estabelecimentos com menos de 100 trabalhadores para que pudesse burlar o comando legal.

Ainda de acordo com o relator, a lei visou à proteção do mercado de trabalho das pessoas que, em virtude de dificuldades físicas, mentais ou sensoriais, tenham dificuldades de adquirir ou manter o seu posto de trabalho. Desse modo, a norma limita o poder do empregador, uma vez que a dispensa de empregados reabilitados ou portadores de deficiência só pode ocorrer após a contratação de substituto em condições semelhantes.

Mais informações: http://www.sintese.com/noticia_integra_new.asp?id=170867

Comentário:

Juiz tem que julgar com base na lei. Para mudar a lei ou ser advogado de defesa de qualquer parte é essencial que a Toga fique de lado.
Nove anos se passaram até que a instância máxima da Justiça do Trabalho restabelecesse aplicação correta da Lei de Cotas neste caso.
Neste período foram pagos salários e funcionamento da máquina judiciária com dinheiro que é arrecadado dos impostos que a população paga.
Estamos percebendo na leitura de alguns processos ainda em tramitação que, quando o assunto é Lei de Cotas, alguns juízes transferem seus preconceitos culturais ou mesmo ignorância sobre o assunto nas sentenças que proferem.
Já vimos juiz afirmar que cego não consegue trabalhar em teleatendimento. E temos Desembargador Federal cego atuando no TRT do Paraná.
Já vimos juiz publicar sentença contra multa da Lei de Cotas e reutilizá-la (copiando e colando) em outro processo de ramo de atividade diferente, dez meses depois. Estes processos continuam em tramitação na justiça do trabalho paulista.

Em tempo:
O Brasil tem cerca de 17 milhões de pessoas com deficiência em idade de trabalhar. A Lei de Cotas garante vagas para cerca de 900.000 pessoas se for cumprida realmente. Os registros oficiais beiram a 200.000 vagas ocupadas.

Clemente
Coordenador do Espaço da Cidadania

Fonte: Espaço da Cidadania - 19/10/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 20/10/2010

Deficientes visuais vão receber guias do IPTU em braile

Para recebimento das guias de pagamento confeccionadas em braile, a pessoa com deficiência visual deverá efetuar a solicitação junto à Prefeitura de Manaus.
O plenário da Câmara Municipal de Manaus (AM) aprovou projeto de lei de autoria do ex-vereador Henrique Oliveira, subscrito pelo vereador Francisco da Jornada que assegura às pessoas com deficiência visual o direito de receber as guias de IPTU em Braile. Para recebimento das guias de pagamento confeccionadas em braile, a pessoa com deficiência visual deverá efetuar a solicitação junto à Prefeitura de Manaus, onde será feito o seu cadastro.

"As despesas decorrentes com a presente lei correrão por conta das dotações consignadas no orçamento, suplementadas se necessário", explicou o vereador Jornada. Na justificativa do projeto, o parlamentar informou que o objetivo é proporcionar os meios adequados para facilitar o acesso e a integração das pessoas com deficiência, em todos os setores da sociedade.

"Nada mais justo que a Prefeitura de Manaus aprimore o atendimento especializado dos deficientes visuais, que têm direito, como consumidores/contribuintes, de conferir suas contas e de defender seus direitos, o que se tornará possível com a emissão das guias de pagamento de IPTU em braile", defendeu o vereador.

Fonte: http://www.fiscosoft.com.br/
Matéria postada no blog da APNEN: 20/10/2010

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Acessibilidade em estádios é desafio de São Paulo

Quase 1 em cada 10 residentes em São Paulo possui deficiência ou mobilidade reduzida, segundo dados do IBGE.

da Redação

No passado, era incomum encontrar cegos, cadeirantes e pessoas com deficiência intelectual ocupando o espaço público com a frequência que se vê hoje, no total, 1,1 milhão de pessoas requerem adaptações especiais para se movimentarem com autonomia pela cidade. O aumento dos recursos de acessibilidade são os principais responsáveis por abrir esse espaço a todo e qualquer cidadão, independentemente de sua condição.

Símbolo da pujância da capital, a Avenida Paulista se tornou também o cartão postal que exibe São Paulo em toda sua diversidade. Em 2008, trocou-se o piso de suas calçadas e a instalou-se trilhas podotáteis, que permitem a cegos e pessoas com baixa visão circular com independência.

O calçamento e o rebaixamento de guias também facilitou a cadeirantes tocar suas cadeiras com mais desenvoltura. E boa parte dos ônibus que cortam a avenida exibe no para-brisa o símbolo internacional de acessibilidade, indicando que foram adaptados para uso de pessoas com deficiência. Alguns espaços culturais paulistanos, como o Museu da Língua Portuguesa e a Pinacoteca do Estado, são considerados exemplos de acessibilidade.

Porém, quando falamos em esporte, o cenário muda. Hoje, em São Paulo, nenhum estádio em funcionamento trata o torcedor com deficiência da mesma maneira que os demais. Além de áreas delimitadas para cadeirantes, nada oferecem.

O Pacaembu poderia dar um salto em direção à plena acessibilidade se copiasse as adaptações do Museu do Futebol para a área interna: arquibancadas, tobogã, numeradas e áreas de circulação. E trocasse os patéticos banheiros químicos – solução provisória para mega-eventos que foi transformada em permanente – por novos, com as adaptações exigidas por lei.

As duas anunciadas novas arenas paulistanas, o Palestra Itália e o Itaquerão, terão de nascer com essa questão resolvida. A NBR 9050 determina os critérios e parâmetros técnicos de acessibilidade que devem ser seguidos no projeto, construção, instalação e adaptação de edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Em outras palavras, essa norma diz que a cidade que nasce deve crescer com o objetivo de servir a todos os seus cidadãos.

Os arquitetos brasileiros envolvidos com a construção e reforma das arenas para o Mundial de 2014 ouvidos pelo blog garantiram que elas permitirão o acesso do torcedor com deficiência a todas as suas dependências. Que assim seja.

A cidade que existia antes dessa regulamentação deve se adaptar à nova realidade. E isso inclui os velhos estádios: Pacaembu, Morumbi e Canindé. Ou eles se transformarão em monumentos que perpetuam a exclusão no esporte.

Fonte: Expresso MT - São Paulo - SP, 18/10/2010
Matéria postada no blog da APNEN:19/10/2010

Exemplo de Superação: Clodoaldo Silva

Clodoaldo Francisco da Silva Correa, nadador paraolímpico brasileiro, nasceu em Natal (Rio Grande do Norte) no dia 1º de fevereiro de 1979. O atleta teve paralisia cerebral por falta de oxigênio durante o parto, o que afetou os movimentos das pernas e lhe trouxe uma pequena falta de coordenação motora.

Clodoaldo conheceu a natação como processo de reabilitação no ano de 1996, em Natal. Em 1998, ele participou de seu primeiro campeonato brasileiro, onde conquistou três medalhas de ouro. Um ano depois, ele iniciou sua coleção de títulos internacionais para o Brasil. Em 2000, quando disputou sua primeira Paraolimpíada, o nadador ganhou quatro medalhas, sendo três de prata e uma de bronze.

Antes mesmo de competir nos Jogos de Atenas, o “Tubarão Paraolímpico” surpreendia com sua alta performance. Somente em um Mundial, que ocorreu em 2002, na Argentina, Clodoaldo bateu três recordes: nos 50m, 100m e 200m livre.
Depois disso, ele não se cansou de ganhar medalhas e bater seus próprios recordes em todas as vezes que entrou nas piscinas para competir.


Na Paraolimpíada de Atenas, em 2004, o atleta conquistou seis medalhas de ouro e uma de prata nas oito provas em que disputou. Com isso, Clodoaldo Silva entrou para a história da natação paraolímpica brasileira como o maior medalhista da modalidade. Também entrou para a história do esporte paraolímpico nacional por conquistar, em uma única edição paraolímpica, seis medalhas de ouro, uma medalha de prata, quatro recordes mundiais, cinco paraolímpicos e 11 parapan-americanos.

Na história do esporte paraolímpico mundial, seu nome foi escrito com a terceira colocação em qualidade de medalhas ganhas, entre os cerca de 4000 atletas que competiram na Grécia. Se o brasileiro fosse um país, ele ficaria na 24ª posição no quadro geral de medalhas e a frente de potências como Holanda e Itália.

Em 2005 ele continuou brilhando. Das competições que participou no ano o atleta conquistou nada menos do que 47 medalhas de oito competições nacionais e três internacionais. Destas, 40 de ouro, 5 de prata e 2 de bronze. Clodoaldo também bateu o seu próprio recorde mundial nos 50m livre na Inglaterra, quando nadou na I Copa do Mundo Paraolímpica.

Somente no primeiro semestre de 2006, Clodoaldo abocanhou 25 medalhas em três competições internacionais e uma nacional, sendo 22 de ouro e três de prata. Ele bateu o seu próprio recorde mundial nos 100m livre duas vezes e também nos 50m borboleta.

Hoje, Clodoaldo é reconhecido como ídolo no Brasil e no mundo. Prova disso foi a indicação para o Prêmio Laureus, o Oscar do Esporte, em 2005, no entanto, o principal título de sua carreira não veio dessa cerimônia, mas do evento do Comitê Paraolímpico Internacional, que honrou o atleta com o troféu de melhor paraolímpico do mundo.

No final deste mesmo ano, o Comitê Olímpico Brasileiro concedeu a Clodoaldo o Troféu Hors Concours, maior honraria do Prêmio Brasil Olímpico. Somente o paraolímpico e mais dois jogadores de futebol (Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho) já receberam o troféu.

Entre as últimas homenagens concedidas a Clodoaldo estão o título de embaixador do Pan e Parapan-americano 2007, realizados no Rio de Janeiro, pelo Sistema da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN) e escolha pela Soberana Ordem do Mérito do Empreendedor Juscelino Kubitschek como personalidade esportiva de 2006.

Além de ser um devorador de títulos, o nadador é um exemplo de vida. Para o futuro, ele sonha em estudar psicologia e se especializar em psicologia do esporte. Além de atender muitas crianças e adolescentes no Instituto Clodoaldo Silva.

Para mais informações sobre esse maravilhoso atleta paraolímpico.
acesse o site: http://www.clodoaldosilva.com.br/

Fonte:http://www.deficienteciente.com.br/2010/09/exemplo-de-superacao-clodoaldo-silva.html
Matéria postada no blog da APNEN: 19/10/2010

Uso de vaga de deficiente gera multa e indenização em Franca (SP)

Motoristas de Franca (400 km de São Paulo) que foram flagrados com automóveis estacionados em vagas exclusivas para deficientes terão de pagar uma indenização por danos morais, além da multa estipulada no Código Nacional de Trânsito.
O valor de R$ 400 para carros e de R$ 200 para motos foi definido na noite de quinta-feira (14), em uma reunião com 60 infratores, no Ministério Público Estadual de Franca.

Os valores representam 80% e 40% --para carros e motos, respectivamente-- do BPC (Benefício de Prestação Continuada), um direito garantido pela Constituição Federal que assegura um salário mínimo mensal à pessoa com deficiência que comprove não possuir meios de garantir o próprio sustento.

"O valor da indenização é irrisório. Muito mais pedagógico, simbólico, do que punitivo. Lógico que tem um sentido econômico mínimo, mas não é esse o nosso objetivo", disse o promotor Fernando de Andrade Martins.

Na tarde desta sexta (15), outros 60 motoristas foram informados sobre a indenização.

Até a próxima quinta-feira, mais 232 motoristas multados serão notificados sobre o pagamento da indenização. Só neste ano, 352 multas de estacionamento irregular em vaga de deficientes foram aplicadas em Franca.

"Nas duas reuniões os motoristas tiraram suas dúvidas, questionaram muito os motivos dessa indenização, mas em nenhum momento houve qualquer tipo de ressalva ou negação."

Os motoristas têm até o dia 15 de janeiro para pagar as indenizações. Depois desse prazo, o promotor afirma que vai entrar com ações civis públicas contra aqueles que não pagarem.

"Quanto aos reincidentes, temos de estudar o que será feito, mas é óbvio que o valor da indenização será ainda maior", disse Martins.

O promotor afirma que todo o dinheiro arrecadado por meio das indenizações pagas deve ser utilizado para garantir os direitos dos deficientes e promover acessibilidade no município.

"Quem estaciona irregularmente numa vaga para deficientes está negando o direito de quem precisa daquele lugar. É uma questão de dano moral coletivo e a população precisa se conscientizar que todos precisam ser respeitados", disse.


Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/ (16/10/2010)
Matéria postada no blog da APNEN: 19/10/2010

OS PARADIGMAS E O OLHAR FRENTE À PESSOA COM DEFICIÊNCIA



No Brasil, até o século passado, por volta dos anos de 1950, as pessoas com deficiência eram colocadas à margem da sociedade, em ambientes restritos, asilos, hospitais psiquiátricos – paradigma denominado de Institucionalização (BRASIL, 2005).

Bueno(1999), ao referir-se às instituições especializadas criadas e destinadas às pessoas com deficiência, coloca que as mesmas tinham caráter paternalista: [...] através de uma política de “favor”, terem sido criadas instituições que, pelo menos, ofereciam abrigo e proteção para uma parcela da população, cumpria a função de auxílio aos desvalidos, isto é, àqueles que não possuíam condições pessoais para exercerem a cidadania. Além disso, na medida em que se prenderam a iniciativas isoladas, deixaram de fora a maior parte dos surdos e cegos, ao mesmo tempo que, como internato, retiraram o convívio social indivíduos que não necessitavam ser isolados pelo incipiente processo produtivo (p.86).

Nesse processo de institucionalização, por influência da medicina e da psicologia, surgiram instituições com a intenção higienista, como apontado por Jannuzzi (apud Bueno,1999,p.88):

[...] pregação sobre eugenia, propalando a “regeneração física e psíquica” preocupação em relação à saúde com referência a problemas básicos causadores de nossa degenerescência e taras [...] considerações que vão fazer parte do discurso sobre deficiência mental.

Dentre as instituições criadas, por iniciativas particulares, e destinadas ao atendimento de pessoas com deficiência mental com um olhar para as artes, temos a “[...] Sociedade Pestalozzi de Minas Gerais (Belo Horizonte, 1932 [as][...] Escolinhas de Arte do Brasil (Rio de Janeiro,1948)”(BUENO,1999,p.89-90).

Entretanto, os custos para manter as instituições e as críticas direcionadas pelos defensores dos direitos humanos fizeram com que o paradigma fosse repensado, na década de 60 do século XX, as discussões sobre deficientes centraram-se na normalização e na desinstitucionalização, como vemos em Brasil (2005, p.17-18):

[...] no mundo ocidental, o movimento pela desinstitucionalização, baseado na ideologia da normalização, que defendia a necessidade de introduzir a pessoas com necessidades educacionais especiais na sociedade, procurando ajudá-las a adquirir as condições e os padrões da vida cotidiana, no nível mais próximo possível do normal [...] para então poder ser inserida, integrada, ao convívio em sociedade. (grifo do autor)

Com esse olhar, o sujeito é quem deve mudar. Surge, então, um novo modelo: o Paradigma de Serviços, que defende, numa primeira instância, a necessidade do sujeito ser avaliado por profissionais qualificados para analisarem o que deve ser modificado na vida do sujeito; no segundo momento, esses profissionais deveriam elaborar um programa para desenvolver o que falta para a normalidade e, no terceiro momento, encaminhar a pessoa com deficiência para a vida em sociedade (BRASIL, 2005).

As criticas foram feitas pela sociedade, como cita Omote (2006, p.264): “[...] um erro cometido no passado, uma visão enviesada, que resultou em ações unilaterais nas quais o esforço feito para alcançar a integração no meio social cabia às pessoas deficientes”.

Surgiu, principalmente após a Declaração de Salamanca (1994), um novo olhar para o meio, e não somente para a pessoa com deficiência. Entramos no Paradigma de Suporte, atualmente defendido e conhecido com inclusão.

Para Omote:

A inclusão não pode ser vista como princípio ou uma prática que substitui modelos anteriores de atendimento de deficientes, como às vezes tem sido sugerido. Têm o mérito de deslocar o foco de atenção para o meio, o qual pode estar criando condições que impõem diferenciação e limitação a determinados grupos de pessoas. Entretanto, a origem do problema nem sempre está apenas no ambiente em que discrimina, segrega e exclui essas pessoas. Muitas vezes, essas pessoas têm de fato, dificuldades e limitações por diferentes razões. As dificuldades e limitações resultam da interação entre as demandas do meio e as características das pessoas. Assim, precisam também ser capacitadas para o enfrentamento das demandas do meio que pretende ser inclusivo. Os conceitos que nos orientam no passado, como a normalização e a integração, não podem ser banidos do nosso referencial teóricofilosófico (2006, p.264).

Temos, portanto, ao longo dos tempos, mudanças nas formas de compreender e significar as deficiências, implicando, nos dias atuais, em uma leitura social que, no plano do discurso, reconhece e valoriza a diversidade humana, entre essas, a diferença marcada pela deficiência, quer física, visual, auditiva ou mental.

É nesse contexto que situamos o ensino da arte, como um dos caminhos de aprendizagem da pessoa com deficiência, e seu conseqüente desenvolvimento, dentre outros possíveis caminhos.

Fonte:http://aprendizagemmusicaedesenvolvimento.blogspot.com/
Matéria postada no blog da APNEN: 19/10/2010

ARTE E DEFICIÊNCIA

Artistas Chinesas com Surdez

A arte como possibilidade de desenvolver habilidades artísticas tem em sua história diversos olhares, em decorrência de diversas expressões do fazer arte. Essas diversas formas de apropriação do conhecimento artístico estão ligadas a diversas linguagens, como observamos em Brasil (2002, p.14):
[...] ser capaz de ler e de se expressar utilizando-se de linguagens artísticas é uma forma de conhecimento que possibilita a inclusão, cabendo as escolas garantir tal aprendizagem a todos os seus alunos. Nesse sentido, o ensino da arte assegura, além da produção artística por parte do aluno, a formação do público/leitor sensível, aberto ao conhecimento da diversidade das realizações em arte`a qual possa ter
acesso.


A aprendizagem da arte se configura como importante articulação do desenvolvimento dos indivíduos, que congregam no desenvolvimento integral. Uma função igualmente importante que o ensino da arte tem a cumprir diz respeito à dimensão social das manifestações artísticas. A arte de cada cultura revela o modo de perceber, sentir e articular significados e valores que governam os diferentes tipos de relações entre os indivíduos na sociedade. A arte solicita a visão, a escuta e os demais sentidos como portas de entrada para uma compreensão mais significativa das questões sociais. Essa forma de comunicação é rápida e eficaz, pois atinge o interlocutor por meio de uma síntese ausente na explicação dos fatos (BRASIL, 1997, p.14).


A arte move o individuo a perceber sua identidade e as suas modificações, respeitando seu desenvolvimento em diferentes contextos, pois:
A aprendizagem em arte acompanha o processo de desenvolvimento geral da criança e do jovem desse período, que observa que sua participação nas atividades do cotidiano social estão envoltas nas regularidades, acordos, construções e leis que reconhece na dinâmica social da comunidade à qual pertence, pelo fato de se perceber como parte constitutiva desta (BRASIL,1997,p.31).


Assim como o observamos sobre a cultura e a linguagem em Brasil (1997, p.32):
A aprendizagem artística envolve, portanto, um conjunto de diferentes tipos de conhecimentos, que visam à criação de significações, exercitando fundamentalmente a constante possibilidade de transformação do ser humano. Além disso, encarar a arte como produção de significações que se transformam no tempo
e no espaço permite contextualizar a época em que se vive na sua relação com as demais.


Percebemos a necessidade de inserção da pessoa com deficiência em diversos contextos e as artes expressam-se de forma contundente no âmbito da educação inclusiva, como afirma Reily (2006, p.13):


A Educação Inclusiva é uma conquista indiscutível. No contexto da inclusão, o ensino da arte apresenta possibilidades importantes na busca de caminhos efetivos para que todos os alunos, sobretudo aqueles com necessidades especiais, possam vivenciar expressões, contribuindo para a construção do conhecimento e o exercício pleno da cidadania.

Fonte:http://aprendizagemmusicaedesenvolvimento.blogspot.com/
Matéria postada no blog da APNEN: 19/10/2010

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Empregar quem tem perturbações mentais

Mais de dois milhões sofrem destes problemas. Encontrar trabalho é mais difícil nas situações crónicas.

No espaço apertado do escritório da ARIA Jardins, Sofia Teixeira, de 30 anos, prepara cartas para levar aos correios. Trabalha aqui há cinco anos e é um dos poucos casos de "integração", já que entrou na empresa para um "emprego apoiado" de dois anos e meio como doente com depressão e acabou por ficar como funcionária.

Hoje sente-se melhor e gosta do que faz. Tinha 18 anos quando perdeu o pai. Entrou em depressão, deixou a escola, perdeu muito peso e acabou por procurar um psicólogo que a aconselhou a frequentar um dos cursos de formação da ARIA (Associação de Reabilitação e Integração Ajuda).

Fez Informática e Técnicas Administrativas e mais tarde conseguiu emprego na ARIA Jardins, em Lisboa, que entre as 430 empresas sociais do País é uma das poucas a apoiar a inserção de doentes com problemas mentais. Presta serviços de jardinagem a particulares e entidades como a Câmara de Lisboa ou a Casa Pia.

Mas a concorrência é muita e os recursos são insuficientes. De tal forma que as empresas de inserção ponderam unir-se numa fundação que as represente, "para não estarmos sozinhos como em ilhas".

A ARIA Jardins começou em 2005 com sete pessoas e hoje apoia 27, agrupadas em três equipas de trabalho. Além dos donativos e do dinheiro que produz como empresa, recebe o apoio do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), que lhe atribui uma verba por cada pessoa com doença mental que emprega. Um apoio que dura há dois anos e meio: seis meses de formação e dois de contrato.

"Não temos capacidade para ficar com todos. Já conseguimos integrar quatro pessoas, mas as outras têm de encontrar emprego noutros sítios", diz o gestor, Paulo Mendes.

E é esse o objectivo das empresas de inserção - a integração no mercado de trabalho. Reabilitá-las psicossocialmente é o das Instituições de Solidariedade Social que, como a ARIA, se dedicam à saúde mental (ver caixa). No País, mais de dois milhões de pessoas (22,9%) sofrem destas perturbações. Entre as mais frequentes contam-se a ansiedade e a depressão. Sofia é um dos casos que engrossa o número. E, apesar de "controlada", continua a enfrentar os seus medos e sentir-se ansiosa perante novas experiências. "Quando tenho de ir a algum lado", resume Sofia, que espera um filho.

Há 100 mil portugueses com esquizofrenia

A esquizofrenia atinge 1% da população portuguesa (100 mil pessoas), mas é das mais incapacitantes. Acompanhamento psiquiátrico não é suficiente para os doentes.

"Os distúrbios psicóticos como a esquizofrenia e o bipolarismo (que afecta aproximadamente 6% da população) surgem no final da adolescência, início da idade adulta. E, como na maior parte das vezes as pessoas ainda não iniciaram a sua vida profissional, é-lhes muito difícil habituarem-se a uma rotina, ao horário e às regras", explica Manuel Viegas Abreu, presidente da ReCriar Caminhos, associa- ção que fundou em 2008, por causa da esquizofrenia da filha. A associação ajuda pessoas com esta doença, através de "actividades psicoeducativas". Um apoio emocional feito através de entrevistas, a que as pessoas recorrem apenas quando precisam, porque o objectivo é evitar a dependência. "Queremos dar-lhes a capacidade de gerir as suas dificuldades." A associação tem psicólogos e técnicos ocupacionais, num complemento ao tratamento. "A medicação não é suficiente, é preciso ensiná--los a lidar com a doença", diz.


Fonte: http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/
Matéria postada no blog da APNEN:18/10/2010

Primeira aluna surda e cega a entrar no superior

Síndrome de Usher retirou a visão a Carolina Canais, que gostava de ser escritora mas que, para já, quer apenas ter uma licenciatura.


Carolina Ferreira Canais é a primeira aluna surda e cega a ingressar na universidade. Tem 44 anos e muita vontade de continuar activa, agora que está reformada devido à perda de visão que tem sofrido nos últimos cinco anos. É surda de nascença e escolheu o curso de Língua Gestual Portuguesa da Universidade Católica de Lisboa, o único perfeitamente adaptado e pensado para quem tem deficiência auditiva, pois todas as aulas são dadas em língua gestual.

Porém, receber a Carolina exigiu um esforço redobrado por parte da universidade, tanto em recursos humanos e como em financeiros, já que foi preciso contratar dois guias-intérpretes para a acompanhar e traduzir as aulas em língua gestual táctil e converter os manuais em braille.

Foi preciso criar aulas presenciais com um tutor, porque o curso funciona maioritariamente através de vídeoconferência. De tal forma que a turma só se encontra ao sábado, de quinze em quinze dias, para oito horas de aulas que cobrem três áreas: ciências da linguagem, ciências da educação e neurociências. O objectivo é formar professores, criando uma oportunidade para os 35 000 surdos portugueses. "Porque eles não têm problemas cognitivos", explica a coordenadora do curso, Ana Mineiro. Só precisam que a comunicação lhes seja adaptada.

Durante pouco mais de três anos, será este o desafio de Carolina. Veio em busca de "um novo caminho" porque não gosta de estar "de braços cruzados". Sonha ser escritora, mas nunca tinha pensado voltar à escola, até se ver "encostada".

Trabalhava como funcionária administrativa na Indústria Aeronáutica de Portugal, mas há quatro anos a perda de visão levou-a à reforma. "Percebi que o meu pesadelo se ia concretizar." Descobriu que tinha a síndrome de Usher, de tipo I, e que iria ficar cega.

Mas não baixou os braços. Queria aprender braille, a usar a bengala, a orientar-se. Tudo o que precisasse para continuar a fazer a sua vida sozinha. E então foi para o Centro de Reabilitação Nossa Senhora dos Anjos, que a princípio não a queria receber por ser surda e não estar completamente cega. "Mas aquela era a melhor escola para cegos de Portugal, e eu batalhei porque não queria entrar noutra."

Hoje, a sua cegueira ainda não é total, apesar de estar progressivamente a piorar, e diz-se "solteira e independente". Vai, sem ajuda, ao centro de artes, ao café, às compras ou à natação. Aprendeu a cozinhar pelo olfacto e a tratar da roupa sem a ver. Vive num lar em Lisboa, dactilografa com a ajuda de um teclado de comunicação aumentativa e usa uma lupa para escrever mensagens no telemóvel.

"Distingo tudo pelo toque", conta. Os ouvintes comunicam com ela desenhando as letras na palma da sua mão, os surdos por língua gestual apoiada, também nas mãos. Mas para comunicar, utiliza a língua gestual, que é a sua língua natural desde criança.

A fala só aprendeu aos 24 anos, com a ajuda de uma terapeuta. Mas o seu rosto transparece muito mais. A expressão acrescenta significado ao gesto. Como em qualquer língua, na linguagem gestual há regionalismos e calão. Mais ainda, uma "cultura surda" assente nela.

Fonte: http://dn.sapo.pt/Inicio/
Matéria postada no blog da APNEN; 18/10/2010

Obstáculos no acesso à cultura

No palco do teatro, a arte imita a vida. Do lado de fora, nas calçadas e esquinas do cotidiano, a dureza da realidade carece da leveza artística, da sutileza poética dos versos ou da ficção das telas. Por vezes são apenas 25 centímetros de barreira. Nivelado este obstáculo, a cidadania daria um pequeno passo para a humanidade. E o cadeirante Roberto Morais passaria direto e sem tormentas ao mundo que lhe conforta: o universo dos palcos, da arte, longe dos degraus que não o levam a nada.

A dificuldade de locomoção do cadeirante na cidade começa na saída de casa, com as calçadas tão desniveladas quanto a administração pública. Até as paradas de ônibus sem acessibilidade. Depois, a espera por um transporte adaptado - são poucos. Precisa ainda da solidariedade humana, nem sempre à disposição para subir e descer. E novamente as calçadas, os batentes, os perigos e muralhas de uma cidade de pedras e buracos. Uma cidade mal adaptada - atrasada - aos direitos de todos do ir e vir, e do acesso aos bens culturais.

Roberto conhece bem alguns "muros de Berlin" interpostos entre as calçadas e o palco. O cadeirante hoje com 42 anos é paraplégico desde os 19 anos, quando levou um tiro. Aos 27 anos foi pioneiro em Natal ao se lançar dançarino e fundador (ao lado de Henrique Amoedo) de um grupo de dança apenas com cadeirantes: o Roda Viva, em 1995. Após transformar conceitos de dança e reintegração de pessoas com deficiência física para além da rotina "casa-hospital-casa", Roberto ainda sente poucas mudanças.

As leis de inclusão e acessibilidade aos cadeirantes citadas por Roberto parecem causos ou estórias de trancoso, muito contadas em cidades interioranas. São realidades distantes, quase surreais: calçadas niveladas, padronizadas; rampas de acesso para calçadas com 25 centímetros e em todos os estabelecimentos públicos; banheiros adaptados; vagas em estacionamento... "Quando há são maquiagens. No Alberto Maranhão, por exemplo, há rampa na entrada. Mas por dentro falta acessibilidade adequada, banheiros adaptados", reclama.

E o TAM ainda abriga das melhores situações. Ainda é mais elogiável o Teatro de Cultura Popular Chico Daniel (anexo à Fundação José Augusto), segundo Roberto. No Alecrim, mora um dos grandes entraves. O Teatro Municipal Sandoval Wanderley é uma muralha chinesa, a começar pelos desníveis das calçadas de acesso. "Quando somos chamados para espetáculos aqui, damos o nosso jeito e conseguimos". O "jeito", é a ajuda alheia. "Quando fiquei paraplégico fui demitido do trabalho de uma loja por invalidez. Mas não sou inválido. Faço praticamente tudo sozinho".

Fonte: http://www.diariodenatal.com.br/ (16/10/2010)
Matéria postada no Blog da APNEN: 18/10/2010