sábado, 20 de novembro de 2010

Entre 94 mil unidades de saúde pelo país, só 15 mil têm acessibilidade

São Paulo e Minas Gerais são estados com mais estabelecimentos acessíveis.
da Redação


Entre as mais de 94 mil unidades assistenciais de saúde pelo país, apenas 15.687 são consideradas acessíveis para pessoas com deficiências físicas. O dado foi divulgado hoje, dia 19, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e faz parte da Pesquisa de Assistência Médico-Sanitária (AMS) 2009, feita em parceria com o Ministério da Saúde.

De acordo com o IBGE, o estudo investigou os estabelecimentos de saúde, públicos e privados, em todo o país. O objetivo da pesquisa é traçar o perfil da oferta de serviços de saúde no Brasil.

São considerados estabelecimentos de saúde aqueles que prestam assistência à saúde individual ou coletiva com um mínimo de técnica apropriada, públicos ou privados, com ou sem fins lucrativos, em regime ambulatorial ou de internação, incluindo os estabelecimentos exclusivos de diagnose, terapia e controle regular de zoonoses. Consultórios médicos não são abrangidos pela AMS.

São considerados estabelecimentos acessíveis aqueles que informaram ter rampa de acesso ao interior, interior adequado para locomoção e banheiro adequado para deficiente. Os estados com o maior número que unidades acessíveis eram, em 2009, São Paulo (3.534) e Minas Gerais (2.509).

A pesquisa registrou, em 2009, 105.270 estabelecimentos de saúde. Para que o dado pudesse ser comparado a pesquisas anteriores, no entanto, o levantamento utilizou o conceito de "unidade assistencial" para designar o estabelecimento de saúde principal com todos os serviços, recursos humanos e equipamentos existentes em suas instalações, mesmo que terceirizados ou contratados. Portanto, o total de estabelecimentos de saúde (unidades assistenciais) analisados nesta publicação soma 94.070.

Desse número, 52.023, ou 55,3%, são de natureza jurídica pública, de maioria municipal (95,6%), sendo apenas 1,8% federal e 2,5% estadual. Segundo o IBGE, isso reflete a política de municipalização da assistência à saúde implantada no país.


Fonte: G1 - São Paulo - SP, 19/11/2010
APNEN, colaborando na divulgação desta matéria – 20/11/2010

Indenização para quem fica paraplégico deve ser maior do que em caso de morte, diz STJ

Da Redação - 19/11/2010

O acidente foi causado por um caminhão que tentou fazer uma ultrapassagem em local proibido. Para evitar a colisão frontal, o carro em que estavam a vítima, sua esposa e seu filho foi desviado para o acostamento e, descontrolado, acabou batendo em outro veículo.
No julgamento de um recurso do dono do caminhão, Nancy Andrighi defendeu que os casos de paraplegia e tetraplegia merecem reparação financeira maior até mesmo do que nos casos de morte. A ministra citou um julgamento anterior para sustentar sua tese.
“A aflição causada ao próprio acidentado não pode ser comparada, em termos de grandeza, com a perda de um ente querido”, disse a ministra em seu voto, acompanhado por todos os demais ministros da Turma.
“A morte de nossos pais, de nossos irmãos, por mais dolorida que seja, por mais que deixe sequelas para sempre, não é, ao menos necessariamente, tão limitadora quanto a abrupta perda de todos os movimentos, capacidade sexual e controle sobre as funções urinárias e intestinais”, afirmou a relatora no julgamento em que manteve indenização de R$ 1,14 milhão a indenização a um policial de 24 anos que ficou tetraplégico após ser baleado acidentalmente pelo vigia de um banco, durante um assalto.
O caso
No processo de SC julgado nesta semana, o proprietário do caminhão foi condenado a pagar os danos materiais, mais uma indenização por danos morais e estéticos no valor de R$ 40 mil e pensão de um salário-mínimo por mês para a vítima. O juiz determinou, ainda, o pagamento de R$ 15 mil ao filho, como compensação pela dor psicológica de ver o pai naquela situação.
O TJ-SC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina), ao julgar o recurso de apelação, afastou o pagamento dos danos morais para o filho da vítima e manteve os demais itens da sentença, inclusive o valor de R$ 40 mil ao pai, considerado dentro dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Inconformada, a vítima recorreu ao STJ, na tentativa de aumentar a própria indenização, restabelecer a do filho e aumentar também a pensão mensal.
Segundo a ministra Nancy Andrighi, o pai não conseguiu demonstrar a ocorrência de ilegalidade a permitir a análise, pelo tribunal superior, do pedido de indenização ao filho. Quanto à pensão mensal, a majoração foi pedida com base em argumentos jurídicos que não haviam sido abordados antes no processo – portanto, o assunto não daria margem a recurso para o STJ.
Já no caso da indenização de R$ 40 mil, a relatora afirmou que a jurisprudência do STJ permite a alteração do valor de indenizações por dano moral quando esse valor se mostrar ínfimo ou exagerado, “pois nesses casos reconhece-se a violação dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade”.
A ministra ressaltou que há vários precedentes da Corte fixando em 400 salários-mínimos (R$ 204 mil, atualmente) as indenizações por dano moral causado aos parentes próximos de vítimas fatais. Por outro lado, de acordo com a relatora, “são poucos os precedentes que versam acerca do valor do dano moral, em casos nos quais resulte à vítima incapacidade permanente para o trabalho, decorrente de tetraplegia, paraplegia ou outra lesão, ou seja, nas hipóteses em que se busca compensar a própria vítima por sequela que irá carregar pelo resto de sua vida”.
Depois de mencionar outras indenizações da mesma natureza, em patamares de R$ 250 mil, R$ 360 mil e R$ 500 mil, a ministra declarou que, no caso do acidente em Santa Catarina, “o montante arbitrado (R$ 40 mil) desafia os padrões da razoabilidade, mostrando-se aquém daquilo que vem sendo estabelecido pelo STJ”, devendo, por isso, ser aumentado.

Fonte:http://ultimainstancia.uol.com.br/noticia/INDENIZACAO+PARA+QUEM+FICA+PARAPLEGICO+DEVE+SER+MAIOR+DO+QUE+EM+CASO+DE+MORTE+DIZ+STJ_72026.shtml
APNEN, colaborando na divulgação desta matéria – 20/11/2010

Grande ABC terá 1ª Oficina de Mobiliários Adaptados em PVC do Estado de São Paulo

Oficina fabricará equipamentos para pessoas carentes com disfunções neuromotoras das sete cidades da Região.
A Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC,(http://www.agenciagabc.com.br/grandeabc0709br/home/) o Consórcio Intermunicipal Grande ABC,(http://www.consorcioabc.org.br/consorcio/home/index.php) a Faculdade de Medicina do ABC,(http://www.fmabc.br/( a Fundação do ABC,(http://www.fuabc.org.br/) o Instituto do PVC (http://www.institutodopvc.org/publico/) e a Solvay Indupa do Brasil(http://www.solvayplastics.com/sites/solvayplastics/EN/Companies/Solvay_Indupa_PT/Pages/IndupaHP.aspx) lançam no próximo dia 22 de novembro a AdapTO – Projeto Mobiliários Adaptados em PVC. O evento ocorrerá na Faculdade de Medicina do ABC, em Santo André, a partir das 11h00 .
Após o lançamento, serão iniciadas as atividades da 1ª Oficina de Mobiliários Adaptados em PVC no Estado de São Paulo, onde serão fabricados equipamentos adaptados em PVC que facilitem a acessibilidade e a reabilitação de pessoas carentes com disfunções neuromotoras. Inicialmente, a oficina contará com alunos de Terapia Ocupacional (TO) da Faculdade, que terão oportunidade de estagiar.

Os mobiliários serão fabricados de acordo com as necessidades especificas de cada pessoa e serão adaptáveis a seu crescimento. A intenção é que, quando não mais necessário, o mobiliário seja adaptado para outra pessoa com necessidade diferente, o que torna o projeto sustentável.

A oficina ficará localizada dentro da Faculdade de Medicina do ABC e todo material será oferecido pelos parceiros do projeto, tornando o serviço 100% gratuito. Primeiramente, serão atendidas pessoas cadastradas nas prefeituras das sete cidades da Região até que a oficina seja referência e passe a ser diretamente procurada. A região do Grande ABC tem registrado uma demanda de mais de 5.000 equipamentos para quem apresenta algum tipo de necessidade, e o PVC é uma opção de baixo custo e fácil manuseio.

A iniciativa e o PVC
O projeto teve início em 2006 na Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), de Campo Grande (MS). A partir de tubos, conexões, forros, chapas e outros produtos feitos em PVC, a terapeuta ocupacional Grace Gasparini passou a desenvolver mobiliários adaptados em PVC em substituição a equipamentos tradicionais em madeira – normalmente de alto custo e muitas vezes importados. Em 2007, com a parceria do Instituto do PVC e a Associação Catarinense de Ensino (ACE), o projeto chegou a Joinville na forma de um workshop. Hoje há uma oficina na ACE onde são confeccionados mais de 20 modelos desenvolvidos entre cadeiras, mesas, andadores, carteiras escolares, etc.
De baixo custo, o PVC viabiliza o uso de mobiliários adaptados às famílias de baixa renda e possibilita maior higiene pela facilidade de limpeza. É de fácil manuseio e também traz entre as vantagens resistência à água, durabilidade, adaptação de acordo com o crescimento da criança e excelentes resultados terapêuticos.

Serviço
1ª Oficina de Mobiliários Adaptados em PVC
Data: 22 de novembro (segunda-feira)
Horário: 11h00
Local: Faculdade de Medicina do ABC (Av. Príncipe de Gales, 821 – Santo André – SP)

Fonte: www.vidamaislivre.com.br - 19/11/2010
APNEN, colaborando na divulgação desta matéria – 20/11/2010

Britânico com rosto desfigurado quer chamar atenção para síndrome rara

Um jovem britânico que sofre de uma síndrome rara que provoca o desfiguramento do rosto está chamando atenção para o drama dos portadores da condição.

Vanessa Barford - Da BBC

Jono Lancaster, não tem ossos malares,consequentemente os olhos ficam caídos

Jono Lancaster, de 26 anos, nasceu com a síndrome de Treacher Collins, que afeta um em cada dez mil bebês na Grã-Bretanha, e contou sua história de sofrimento e superação em um documentário da BBC, Love Me, Love My Face (Ame-me, ame minha face).

Jono, que foi dado para adoção pelos pais com 36 horas de vida, sofre de um problema genético que afeta a forma com que os ossos da face se desenvolvem enquanto o bebê ainda está no útero.

A síndrome de Treacher Collins faz com que seus portadores não tenham ossos malares, consequentemente os olhos ficam caídos. Jono também tem problemas de audição e usa um aparelho implantado em seu osso.

O jovem britânico teve que passar por várias cirurgias, consultas em hospitais e, apesar de hoje estar feliz com seu emprego e sua namorada, Jono sofreu de depressão durante a adolescência.

"Eu era desesperado para ter amigos, eu fazia qualquer coisa. Eu não tinha confiança, comprava muitos doces e entregava para outras crianças, para que elas gostassem de mim. Acabei fazendo muitas coisas estúpidas, para que as pessoas falassem a meu respeito por uma razão que não fosse a minha aparência", disse à BBC.

Mãe adotiva
Jono foi adotado e seus problemas de comportamento na escola pioravam. No entanto, ele afirma que apenas ficava cada vez mais solitário.

"Eu costumava esconder minha infelicidade de minha mãe. Ela já tinha feito tanto por mim", disse. O jovem se isolava em casa e chegava a cortar o próprio cabelo para não ter que se olhar no espelho em um local público. No entanto, sua vida começou a mudar quando recebeu uma oferta de emprego em um bar.

"Eu suava muito antes de cada turno de trabalho, ficava muito nervoso, com medo da reação das pessoas. Não foi fácil, mas, ao mesmo tempo, encontrei tantas pessoas legais que ficaram verdadeiramente interessadas em mim e no meu rosto."

O novo emprego deu a Jono confiança para começar a ir em encontros com garotas e arrumar um novo trabalho, em uma academia de ginástica.

E, no novo emprego, o jovem encontrou Laura Richardson, 20, sua namorada há quatro anos. "Ela disse que, quando me viu pela primeira vez, notou meu rosto, mas agora ela não nota mais. Foi a primeira vez que consegui ser eu mesmo com uma garota."

"E olhe para nós, quatro anos depois, compramos uma casa juntos (...). Estamos completamente apaixonados."

Pais biológicos
Em 2009, Jono tentou entrar em contato com seus pais biológicos pela segunda vez. "Era algo que eu sempre quis fazer. Quando era adolescente, eu estava com raiva e queria encontrá-los pela razão errada, para perguntar porque eles me abandonaram. Mas, ao ficar mais maduro, percebi que eles obviamente acharam que não dariam conta."

No entanto, os pais biológicos de Jono se recusaram novamente a encontrá-lo. "Foi horrível, horrível. Chorei muito. Mas me acertei com isso. Deve ter sido uma das decisões mais difíceis da vida deles."

O jovem descobriu que a família teve outros dois filhos depois dele. "Fico feliz que eles tenham uma família. Estou feliz e espero que eles estejam também", afirmou.

Ajuda e filhos
Jono, que hoje trabalha com adultos que sofrem de autismo, afirma que quer que as pessoas tenham mais informações a respeito da síndrome de Treacher Collins e como lidar com o problema.

"O que realmente me deixa frustrado e me preocupa é quando uma criança em um supermercado me encara e a mãe dela fala para não olhar."

"Eu queria que eles viessem falar comigo então eu poderia falar sobre o problema, para que tudo parecesse mais normal." O jovem também quer ajudar outras famílias em situação parecida com a dele. Mas, Jono ainda tem outra preocupação, a possibilidade de que seu filho herde o problema.

Apesar de a síndrome Treacher Collins ser um problema genético raro que pode afetar qualquer pessoa, as chances de Jono passar o problema para seus filhos são de 50%. E o jovem se pergunta se poderá expor seu filho à possibilidade de "operações, consultas no hospital e bullying".

"Eu fico imaginando, me deixa louco. Ainda somos jovens, ainda há muito tempo, mas é algo que eu e Laura teremos que pensar em algum momento."

Médicos perguntaram a Jono se ele gostaria de fazer alguma cirurgia para corrigir seu problema, mas ele se recusou. "Médicos sempre me perguntaram se eu queria a cirurgia... a construção dos ossos malares, ter meus dentes endireitados ou minha mandíbula quebrada e realinhada, mas apesar da minha depressão, eu penso 'Deus me fez assim'", afirmou.

"Fico feliz de não ter escolhido nada disso. Tenho orgulho de quem sou. E (a síndrome de) Treacher Collins me transformou no que sou."

Fonte: http://noticias.bol.uol.com.br/ciencia/2010/11/19/britanico-com-rosto-desfigurado-quer-chamar-atencao-para-sindrome-rara.jhtm
APNEN, colaborando na divulgação desta matéria – 20/11/2010

Comissão isenta de IPI equipamentos para deficientes

Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio aprovou, no último dia 10, a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os equipamentos e aparelhos, inclusive eletrônicos, destinados a pessoas portadoras de deficiências física, auditiva, visual ou mental.
A isenção abrangerá, por exemplo, próteses, órteses, cadeiras de rodas motorizadas, leitos e macas, além de peças, componentes acessórios, matérias-primas e materiais de embalagens utilizados na industrialização desses equipamentos. Se houver necessidade de importar insumos para a fabricação dos produtos, não será cobrado ainda o Imposto sobre a Importação.

Acessibilidade
A medida foi proposta pelo deputado Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP) no Projeto de Lei 6097/05. O texto aprovado altera a Lei 10.098/00, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida.

O relator, deputado Dr. Ubiali (PSB-SP), foi favorável ao projeto. Ele argumenta que as dificuldades por que passam as pessoas portadoras de necessidades especiais “justificam tratamento diferenciado do Estado, que deve buscar formas de maior inclusão social". Ele recomendou a rejeição dos PLs 2399/07 e 6180/05, apensados, por considerar que o conteúdo deles já está abrangido pela proposição principal.

Pesquisa
O projeto estabelece ainda que a pesquisa destinada à invenção ou ao aperfeiçoamento de produtos voltados para pessoas portadoras de deficiência será beneficiada pela isenção de todos os tributos e contribuições sociais incidentes sobre os insumos e serviços utilizados na atividade.

A isenção também será válida para empresas que efetuem gastos com a capacitação de pessoal portador de deficiência e com a adequação de suas instalações físicas e operacionais para possibilitar a contratação de empregados portadores de deficiência.

Por fim, o texto reduz a zero as alíquotas do PIS/Pasep e do Cofins incidentes sobre as receitas de vendas dos equipamentos e aparelhos destinados à acessibilidade de portadores de deficiências.

Tramitação
O projeto, de caráter conclusivoRito de tramitação pelo qual o projeto não precisa ser votado pelo Plenário, apenas pelas comissões designadas para analisá-lo. O projeto perderá esse caráter em duas situações: - se houver parecer divergente entre as comissões (rejeição por uma, aprovação por outra); - se, depois de aprovado pelas comissões, houver recurso contra esse rito assinado por 51 deputados (10% do total). Nos dois casos, o projeto precisará ser votado pelo Plenário., será analisado agora pelas comissões de Seguridade Social e Família; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta:
PL-6097/2005
Reportagem - Lara Haje
Edição - Newton Araújo
Com informações da Rádio Câmara

Fonte: http://blog.novorefis.com/ 19/11/2010
APNEN, colaborando na divulgação desta matéria 20/11/2010

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Solidão não rima com inclusão

José Pacheco, educador português, expõe sua opinião sobre educação inclusiva.

José Pacheco

Aos cínicos direi que, onde houver turmas de alunos enfileirados em salas-celas, não haverá inclusão. Onde houver séries de aulas sentadas na crença de ser possível ensinar a todos como se de um só se tratasse, não haverá inclusão.

Nunca será demais voltar ao assunto, para lembrar que, apesar da teoria e contra ela, a realidade diz-nos que há séculos tudo está escrito mas sem se concretizar. Nunca será demais falar de inclusão. Nunca será demais lembrar que os projetos humanos carecem de um novo sistema ético e de uma matriz axiológica clara, baseada no saber cuidar, conviver com a diversidade.

A chamada educação inclusiva não surgiu por acaso, nem é missão exclusiva da escola. É um produto histórico de uma época e de realidades educacionais contemporâneas, uma época que requer que abandonemos muitos dos nossos estereótipos e preconceitos, que exige que se transforme a "escola estatal" em escola pública - uma escola que a todos acolha e a cada qual dê oportunidades de ser e de aprender.

Os obstáculos que uma escola encontra, quando aspira a práticas de inclusão, são problemas de relação. As escolas carecem de espaços de convivência reflexiva, de procurar compreender que pessoas são aquelas com quem partilhamos os dias, quais são as suas necessidades (educativas e outras), cuidar da pessoa do professor, para que se veja na dignidade de pessoa humana e veja outros educadores como pessoas. Sempre que um professor se assume individualmente responsável pelos actos do seu coletivo, reelabora a sua cultura pessoal e profissional... "inclui-se". Como não se transmite aquilo que se diz, mas aquilo que se é, os professores inclusos numa equipa com projecto promovem a inclusão.

Aos adeptos do pensamento único (que ainda encontro por aí...) direi ser preciso saber fazer silêncio "escutatório", fundamento do reconhecimento do outro. Que precisamos de rever a nossa necessidade de desejar o outro conforme nossa a imagem, mas respeitá-lo numa perspectiva não narcísica, ou seja, aquela que respeita o outro, o não-eu, o diferente de mim, aquela que não quer catequizar ninguém, que defende a liberdade de ideias e crenças, como nos avisaria Freud. Isso também é caminho para a inclusão.

Aos cínicos direi que, onde houver turmas de alunos enfileirados em salas-celas, não haverá inclusão. Onde houver séries de aulas assentes na crença de ser possível ensinar a todos como se de um só se tratasse, não haverá inclusão. Direi que, enquanto o professor estiver sozinho, não haverá inclusão. Insisto na necessidade da metamorfose do professor, que deve sair de si (necessidade de se conhecer); sair da sala de aula (necessidade de reconhecer o outro); sair da escola (necessidade de compreender o mundo). O ethos organizacional de uma escola depende da sua inserção social, de relações de proximidade com outros actores sociais.

Também é requisito de inclusão o reconhecimento da imprevisibilidade de que se reveste todo o acto educativo. Enquanto acto de relação, ele é único, irrepetível, impossível de prever (de planear) e de um para um (questionando abstrações como "turma" ou "grupo homogéneo"), nas dimensões cognitiva, afectiva, emocional, física, moral... As escolas que reconhecem tais requisitos estarão a caminho da inclusão.

Na solidão do professor em sala de aula não há inclusão. Nem do aluno, metade do dia enfileirado, vigiado, impedido de dialogar com o colega do lado, e a outra metade, frente a um televisor, a uma tela de computador ou de telemóvel... sozinho. A inclusão depende da solidariedade exercida em equipas educativas. Um projecto de inclusão é um acto colectivo e só tem sentido no quadro de um projecto local de desenvolvimento consubstanciado numa lógica comunitária, algo que pressupõe uma profunda transformação cultural.


Fonte: Educare - 18/11/2010
APNEN, colaborando com a divulgação desta matéria: 19/11/2010

Preconceito diário

Portadora de deficiência, Miriam Almeida relata problemas que enfrenta diariamente no uso do transporte coletivo.
Felipe Rodrigues


As dificuldades de Miriam Maria Fonseca Almeida, piracicabana de 35 anos, não se resumem aos obstáculos típicos de uma cidade sem estrutura adequada para dar suporte a pessoas como ela, portadoras de deficiência. Além da falta de guias, rampas e outros tipos de adaptações necessárias aos deficientes no ambiente urbano, Miriam enfrenta outro adversário presente no dia-a-dia de um portador de deficiência: o preconceito. Insatisfeita, ela resolveu desabafar sobre o problema, verificado com frequência no uso do transporte público.

Cadeirante por conta das complicações de uma poliomielite (a popular paralisia infantil), Miriam necessita fazer uso diário do transporte coletivo e, inúmeras vezes, é vítima de atitudes preconceituosas das pessoas, algumas vezes até de motoristas dos ônibus que ela usa. Moradora da região do Vila Industrial, Miriam afirma que a primeira dificuldade diz respeito à raridade dos coletivos adaptados para os portadores de deficiência.

“A quantidade de ônibus que passa pelos pontos é muito baixa. A gente precisa esperar muito para que algum passe pelo local”, diz. Quando enfim chega o veículo adaptado ao ponto de ônibus, outro problema é que o adaptador que faz a subida dos cadeirantes ao veículo prescinde do auxílio dos motoristas. Segundo Miriam, a maioria dos profissionais não domina a forma correta de utilizar o aparelho. Isso quando os adaptadores funcionam. “Há alguns que nem estão mais funcionando e não têm como ser utilizados”, informa.

Por conta desse tipo de problema, a solução é entrar em um ônibus comum da linha circular. “Eu não tenho problemas para subir neste tipo de veículo, mesmo sem o adaptador. Só é preciso esperar pela ajuda de outros passageiros”, assinala Miriam. Ela desce da cadeira de rodas e necessita que alguém de dentro do ônibus desça e pegue a cadeira, levando o objeto para dentro do veículo. “As pessoas e o próprio motorista costumam dar essa ajuda”, informa. “Aí eu entro sozinha, de forma improvisada, mas dá certo.”

Porém, nem sempre os demais ajudam Miriam. Há uma semana, um desentendimento gerou Boletim de Ocorrência. Miriam entrou em um ônibus sem adaptador, mas, segundo ela, o motorista não queria deixar que entrasse no veículo. “Eu entrei em um ônibus na avenida Monsenhor Martinho Salgot e o motorista do ônibus da linha 1137 não queria me deixar andar no veículo. Ele dizia que aquele ônibus não era para mim, que eu tinha que entrar em um veículo com adaptador. Eu retruquei dizendo que poderia andar em qualquer tipo de ônibus. Era meu direito.”

O motorista seguiu proferindo xingametos e a discussão fez com que ela fosse à polícia registrar o BO e procurar pela imprensa para um desabafo. Sobre os motoristas dos ônibus, Miriam não generaliza a categoria e arrisca dizer que “a impressão que dá é que muitos deles não sabem como proceder com as pessoas com deficiência, por isso fecham a cara, ficam de mau humor”. Na avaliação dela, os cadeirantes nos pontos de ônibus representam tempo adicional nas paradas, já que tanto a subida como a descida deles dos veículos demandam um tempo maior em relação aos demais.

Há ainda outro detalhe: se há passageiros que ajudam, há também aqueles que ficam no lugar reservado aos deficientes dentro do ônibus. A situação gera um incômodo difícil de ser solucionado, já que Miriam fica com vergonha de pedir por um lugar que lhe é de direito ao subir no veículo. “Dá a impressão que a gente está pedindo um favor, mas não é. Estamos só fazendo valer a lei”, destaca.

50 veículos adaptados

Em nota enviada à redação da Gazeta, o CCS (Centro de Comunicação Social) da prefeitura informa que a Semuttran (Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes) conta, na frota de ônibus para o transporte coletivo, com 50 veículos adaptados para deficientes visuais, cadeirantes e obesos. Segundo a assessoria de imprensa da secretaria, a utilização destes veículos teve início em março de 2010, dentro da política da administração de renovação da frota e de ações inclusivas. Na primeira etapa foram adquiridos 26 veículos e hoje são 50.

A nota diz ainda que o treinamento dos motoristas é responsabilidade das empresas que fazem. No caso específico relatado por Miriam sobre o problema com um motorista, a Semuttran não havia tomado conhecimento, mas irá averiguar a situação com a empresa responsável para tomar medidas. A Semuttran solicita também que, em casos semelhantes, as pessoas façam reclamação pelo telefone 156.


Fonte: Gazeta de Piracicaba - Piracicaba - SP, 18/11/2010
APNEN, colaborando com a divulgação desta matéria: 19/11/2010

Inclusão de deficientes é tema de fórum

Empresários se reúnem para discutir produtos direcionados a pessoas com deficiência.
da Redação

Apresentar à comunidade industrial um panorama da inclusão de pessoas com deficiência reabilitadas no mercado de trabalho foi o objetivo do "Reatiba – I Fórum de Reabilitação, Inclusão e Tecnologia" ontem no Cietep, em Curitiba. Promovido pelo Conselho Paranaense de Cidadania (CPCE), o fórum reuniu especialistas e representantes do poder público para discutir, entre outras questões, a Lei de Cotas e a Lei de Cotas da Aprendizagem.

O evento apresentou também uma mostra de produtos, serviços e tecnologias diferenciadas voltadas a essa parcela da população, além de diálogos sobre questões específicas relativas aos diversos tipos de deficiência. As empresas Copel, Novozymes, Sadia, Wall Mart, Volvo do Brasil e HSBC apresentaram os cases de seus programas de inclusão. O desfile de roupas para PcD, desenvolvidas pela professora do Senai Cianorte, Leny Pereira, encerrou o evento.

“É importante perceber que há um público de 24 milhões de pessoas no Brasil todo que sofre de algum tipo de deficiência, e que essas pessoas estão ávidas por produtos que atendam a suas necessidades”, disse a empresária Mirella Prosdóscimo, sócia da Adaptare, consultoria especializada em acessibilidade. “É importante que essa demanda tenha expressão e que sejam feitos investimentos no sentido de desenvolver produtos, principalmente nesse momento, em que a questão está tendo mais enfoque”, afirmou Mirella, que faz parte do CPCE.

A empresária apresentou o Escritório Adaptare. Criado com o objetivo de eliminar as barreiras de acessibilidade e atender a todas as necessidades. “O projeto inédito foi criado com o foco em conforto, flexibilidade e segurança”, observa uma das sócias, Tatiana Moura.

De acordo com o secretário Irajá de Brito Vaz, a proposta do fórum é facilitar a comunicação entre o que a indústria produz e o consumidor. “O Reatiba tem a função de ser concentrador de novas idéias e tecnologias e divulgá-las no mercado. A ideia é tornar o nome Reatiba uma referência no calendário anual de Curitiba. fazendo com que esse fórum se transforme em uma feira, a exemplo do que já acontece em alguns estados como São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul”, disse ele.

Para o secretário do Trabalho e Emprego de Curitiba, Paulo Afonso, ainda há muito a avançar nessa questão. “Segundo o senso de 2000, há cerca de 190 mil pessoas com deficiência em Curitiba e, destas, de acordo com dados do CAGED 2009, apenas 6.170 estão empregadas”, disse ele.

Romeu Sassaki, do CONADE, enfatizou a diferença entre uma empresa integrativa e uma empresa inclusiva. “O primeiro caso é da empresa em que a empregabilidade é responsabilidade exclusiva do candidato, é ele que deve estar pronto para ser empregado. No caso da empresa que pratica a inclusão laboral, a empregabilidade é responsabilidade compartilhada 50% pela empresa e 50% pelo candidato”, explicou ele.

Normas
Arquitetos e engenheiros da Prefeitura de Curitiba e técnicos da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) discutiram as mudanças na norma que regulamenta as questões de acessibilidade, a NBR – 9050. No encontro, foram apresentadas mudanças já em estudo em outras capitais e discutidas as alterações propostas por Curitiba.


Fonte: Bem Paraná - Curitiba - PR, 18/11/2010
APNEN, colaborando com a divulgação desta matéria: 19/11/2010

Deficientes ganham espaço na Grande Curitiba

São José dos Pinhais adapta equipamentos de ginástica. Curitiba abre campo de golfe especial.
da Redação

São José dos Pinhais lançou, ontem, a primeira academia pública com equipamentos destinados a deficientes físicos. O espaço está montado no Centro de Esporte e Lazer Ney Braga. No local estão em funcionamento oito aparelhos com adaptações. Além da academia, a Prefeitura também revitalizou outras estruturas do Ney Braga, oferecendo à comunidade Academia da Terceira Idade, o novo veículo do projeto “Ônibus do Lazer”, duas novas salas multiuso, playground e arena de vôlei de praia.

Para Vilson Marques da Silva, presidente da Associação dos Deficientes Físicos de São José, a academia adaptada vai trazer um novo ânimo e incentivo para as pessoas com deficiência. “São José já é uma referência na educação especial e no esporte paraolímpico. Essa inauguração vai melhorar a estrutura da cidade ainda mais para nós, ajudando na prática de exercícios, no desenvolvimento físico de cada um”, opina.

Curitiba
Mas São José dos Pinhais não é a única a ter a preocupação com esse público. Na semana passada a Prefeitura de Curitiba também abriu o primeiro campo municipal de golfe adaptado do Brasil. O novo equipamento foi construído em parceria com a Federação Paranaense e Catarinense de Golfe, na praça Plínio Tourinho, no Rebouças, e será usado por escolas que atendem pessoas com deficiência e moradores da região da Vila das Torres.

“Este novo equipamento vai permitir a popularização do golfe e a ampliação da oferta de modalidades esportivas para pessoas com deficiência em Curitiba”, afirmou o secretário municipal do Esporte e Lazer, Rudimar Fedrigo, no dia da inauguração do campo.

CaminhadaA Secretaria Especial dos Direitos da Pessoa com Deficiência e o Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência promovem, no dia 3 de dezembro, uma caminhada no Calçadão da 15. A concentração ocorrerá às 9h00, na Praça Santos Andrade, de onde o grupo seguirá pelo Calçadão da Rua 15 de Novembro em direção à Praça Osório. A ação acontecerá no Dia Internacional da Pessoa com Deficiência e a expectativa é reunir cerca de 2.000 pessoas, engajadas na defesa dos direitos da pessoa com deficiência.


Fonte: Bem Paraná - Grande Curitiba - PR, 18/11/2010
APNEN, colaborando com a divulgação desta matéria: 19/11/2010

Inclusão pela metade

Por Cláudia Cotes

Este texto tem a intenção de refletir sobre os caminhos da inclusão em duas cidades: Paris e São Paulo.

Engraçado pensar que antigamente, não havia rei ou pessoa da alta corte, caminhando em cadeira de rodas. Todos os palácios são lotados de degraus. Quanto mais, melhor!

Museu do Ipiranga (SP), Palácio de Versailles (Paris). Se você é cadeirante e quer passear por lá, melhor ir no colo de alguém.

Em pleno Século XXI, as duas cidades tentam correr atrás do prejuízo social.

Foram anos e anos pensados na construção de um mundo para quem anda, ouve e enxerga. As pessoas com deficiência ficaram confinadas em escolas, excluídas em mundos paralelos.

Fico me perguntando:-
Quem são os verdadeiros cegos, surdos, cadeirantes?

Eles ou nós?
Tempos atuais. Metrô de Paris. Tem piso podo-tátil em quase todas as entradas. Muito bom…
Mas, onde estão as pessoas cegas? Ah! Esqueceram de treinar funcionários para levar os cegos de uma estação para outra ou mesmo ter um sistema que deixe uma pessoa cega em um metrô e pegue-a em outra estação. Não há guardas, nem auxiliares que dêem informações.
Tem gente de tudo quanto é nacionalidade no metrô de Paris! Indianos, japoneses, italianos, americanos, negros de todos os tons de pele. Várias línguas. Pessoas perdidas em um sistema de transporte que foi pensado para quem enxerga e é bem inteligente!
É muito fácil se perder nos túneis do metrô. Há escadas por todos os lugares. Mães sofrem com seus bebês em carrinhos. Tem que ser no braço mesmo!
Cadeirantes pelo metrô?
Nem pensar…

Inclusão pela metade.
Metrô de São Paulo. Não tem piso podo-tátil em todas as entradas de estações.
Mas tem vários funcionários treinados para auxiliar as pessoas com deficiência. Resultado: há filas e mais filas de cegos e cadeirantes que circulam aos montes por lá. Nos vagões novos, há sinal visual para os surdos. Eles adoram passear no metrô.

De repente, lembraram de algo básico e essencial: eles também são seres humanos…

Trabalham, estudam, agüentam preconceito o dia todo, e… rezam.

Igrejas de Paris. Lugar de todos? Deveria ser. Escadas e mais escadas fazem a graça e a imponência das igrejas de Madeleine e Sacre Coeur.
Cadeirante não pode entrar?
Melhor nem tentar…
Não tem acessibilidade. Ainda bem que Deus está em todos os lugares.

Igrejas de São Paulo. Vários pastores descobriram que os surdos se comunicam com a Libras. E colocaram intérpretes nos cultos. Resultado: igrejas cheias de surdos convertidos.
Outro dia o meu amigo cadeirante foi convidado para falar em uma igreja católica. Só que ele não conseguiu entrar. Muitas escadas faziam a imponência do lugar.
Igreja, lugar de todos?
Deveria ser…

Inclusão pela metade.
Telejornal em Paris. De manhã, o resumo do dia é feito por uma apresentadora com um intérprete de Língua de Sinais. Há reportagens diárias com este recurso de acessibilidade. Muito bom!
Descobriram que os surdos precisam da Língua de Sinais para serem informados.

Telejornal de São Paulo. Não há Libras, a Língua Brasileira de Sinais. Não é uma língua universal. Cada país tem a sua língua de sinais própria. Jornalistas acham que todo surdo lê. Grande engano. A velocidade de fala dos apresentadores e repórteres dos telejornais é bem acelerada. Nem um ouvinte fluente consegue acompanhar a leitura do closed caption com facilidade. Quanto mais um surdo. Mas como surdo não faz barulho, e não incomoda, pra que mudar, não é mesmo?
Pessoas cegas ficam perdidas com as diferentes vozes dos entrevistados e com os jornalistas que falam assim:
- Anote o site que está aí na nossa tela!

Um detalhe: a informação é um direito do ser humano, garantido pela ONU (Organização das Nações Unidas).

Inclusão pela metade.
Enquanto o mundo foi pensado e construído para o sucesso, o poder e o dinheiro, as pessoas com deficiência foram pensadas de forma assistencialista.
O mundo pede mudança.

Agora, alguns homens se deram conta de que não é mais “chique” só olhar para o próprio umbigo. Temos que olhar para o outro.
Afinal, somos seres sociais. O mundo que eu faço hoje, é o que os nossos filhos terão como presente.

Inclusão deve e precisa ser inteira. Precisa ser para quem tem dificuldade de se mover, para quem não escuta, não enxerga ou tem dificuldade de entendimento. Não podemos pensar de forma segmentada. Já que tem que ser feito, então, que seja para todos e que seja bem feito. Quanto mais diverso, mais divertido, mais humano, mais real!

Existe meio casamento, meia amizade ou meia profissão?

Fonte:http://www.vezdavoz.com.br/site/informacoes/2010/11/inclusao_pela_metade
Cláudia Cotes - Presidente da ONG Vez da Voz - 12/11/2010
APNEN, colaborando com a divulgação desta matéria: 19/11/2010

Cérebro de autista é palco de 'cópia e cola de genes', diz biólogo brasileiro

Neurônios de pessoas com a doença sofrem uma expansão do genoma. Novo trabalho de Alysson Muotri detalha genética da Síndrome de Rett.
O cérebro de crianças com Síndrome de Rett, uma das formas de autismo, apresenta um aumento da atividade de “genes saltadores”. Genes saltadores são sequências de DNA repetitivas no genoma que aparentemente não têm nenhuma função, e por isso ganharam o apelido de “junk DNA” (DNA lixo). Eles se multiplicam no genoma neuronal através de um mecanismo de “copiar e colar”, aumentando o número de sequências no DNA.

A descoberta é do biólogo molecular e colunista do G1 Alysson Muotri. Sua pesquisa, realizada em parceria com Carol Marchetto nos Estados Unidos, sai na edição desta semana da revista científica “Nature”.

“O que temos ainda não é a prova de que a atividade de genes saltadores causa autismo ou outras doenças neurológicas em humanos. Temos apenas uma correlação, mas uma correlação completamente inesperada”, diz Alysson. “Se os genes saltadores estiverem realmente envolvidos com doenças mentais, o bloqueio dessa classe de genes abre nova perspectiva para tratamentos. Nossa descoberta revela um novo mecanismo molecular que pode ser fundamental para entender o espectro autista.”

Passo a passo
No sistema nervoso, os genes saltadores são “silenciados” pelo gene MeCP2. São justamente mutações no MeCP2 que causam Rett.

Com isso em mente, o grupo criou um camundongo transgênico com mutações no gene MeCP2 e um "marcador" em um dos genes saltadores: quando ele saltava de uma região para outra do genoma, ativava uma proteína que fazia o neurônio ficar fluorescente. “Ao analisarmos o cérebro desses animais, descobrimos que estavam cheios de neurônios fluorescentes, muito mais do que em camundongos que tinham o gene MeCP2 intacto”, explica Muotri.

Confirmação
O fenômeno foi confirmado em humanos. Para isso, foram usadas células iPS, descritas no trabalho da “Cell”. Foi feita uma biópsia de pele de pacientes autistas e de pessoas sem a condição. Depois, as células da pele foram reprogramadas para células de pluripotência induzida (iPS) – idênticas às células-tronco embrionárias, mas não extraídas de embriões. “Pluripotência” é a capacidade de toda célula-tronco de se especializar, ou diferenciar, em qualquer célula do corpo.

A reprogramação genética de células adultas é feita por meio da introdução de genes. Eles funcionam como um software que reformata as células, deixando-as como se fossem de um embrião. Assim, as iPS também podem dar origem a células de todos os tipos, o que inclui neurônios.

Como os genomas dessas iPS vieram tanto de pessoas com autismo como sem, no final são obtidos neurônios autistas e neurônios saudáveis.

“Ao induzirmos a diferenciação neuronal, observamos um maior número de saltos nos genomas autistas”, conta Muotri. Os resultados foram reconfirmados usando cérebros post mortem de pacientes e de controles (não afetados).

“Esse fenômeno pode explicar características individuais, como criatividade ou outras habilidades do espectro autista, explicando a persistência dessa condição na população humana durante a evolução. Isso é revolucionario”, conclui Muotri.

O estudo que sai agora na “Nature” estava pronto em 2006, mas passou por um lento e rigoroso processo de revisão que caracteriza revistas de prestígio, como é o caso da “Nature” e da “Cell”.

Muotri é pós-doutor em neurociência e células-tronco no Instituto Salk de Pesquisas Biológicas (EUA) e professor da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia em San Diego.Ele escreve no blog Espiral,do G1.(http://g1.globo.com/platb/espiral/)

Fonte: G1 - 18/11/2010 - http://www.vidamaislivre.com.br/noticias/noticia.php?id=2428&/cerebro_de_autista_e_palco_de_copia_e_cola_de_genes_diz_biologo_brasileiro

APNEN, colaborando com a divulgação desta matéria: 19/11/2010

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

“Hoje é um novo dia, de um novo tempo , que não começou…”.

Artigo comenta sobre a paradoxal vinheta de fim de ano da Globo, que teria pessoas com deficiência, mas não seria acessível.



Ano passado, por volta desta mesma época, vários sites e blogs especializados em televisão começaram a publicar notícias sobre a tradicional vinheta de fim de ano da Rede Globo, versão 2009/2010.

As notícias informavam que a vinheta inovaria não apenas no rítmo da tradicional música “Hoje é um novo dia, de um novo tempo , que começou…”, mas também na mensagem que passaria visualmente, uma vez que contaria com a participação de pessoas com deficiência.

A primeira vista, aqueles que lutam pela acessibilidade na comunicação consideraram a iniciativa louvável, digna de elogios, por difundir a idéia de inclusão das pessoas com deficiência na sociedade. Mas a alegria durou pouco…

Fizemos contato com a direção da Rede Globo, perguntando se a vinheta seria veiculada com recursos de acessibilidade para pessoas com deficiência, tais como legendas e audiodescrição. Parecia evidente que houvesse também essa preocupação por parte da emissora.

Em resposta, um dos diretores da emissora argumentou que “a letra da música já era muito conhecida e as rápidas mudanças de cenas inviabilizavam tanto a audiodescrição quanto as legendas”. Ainda afirmaram para nós: “como você verificará, o ritmo da edição é incompatível com esses recursos. Não há espaço para descrever as cenas nem para a leitura de legenda num ritmo recomendável. Vale registrar que a letra da música é conhecida há décadas e teria apenas alguns acréscimos. Sem contar que é uma campanha que durará um mês com muita veiculação e repercussão e logo todos terão noção do conteúdo”. Ainda segundo eles, “todos nós que nos preocupamos com inclusão devemos também ter a compreensão que alguns limites são mesmo intransponíveis para portadores de deficiência física, até para não frustrarmos essas pessoas com arremedo de solução”. Vale lembrar que eles se satisfizeram com a própria resposta.

É evidente que não concordamos com os argumentos apresentados, e até chegamos a propor fazer a legendagem e a audiodescrição do vídeo sem custos e sem qualquer compromisso de veiculação pela emissora, apenas para demonstrarmos que a acessibilidade é sempre possível. Infelizmente, a proposta não foi aceita.

Encerrada a conversa com aquele diretor, vários blogs publicaram o seguinte post: Vinheta de fim de ano da Globo terá pessoas com deficiência, mas não terá acessibilidade.

Um ano se passou e, provavelmente, a Rede Globo de Televisão deve estar muito empenhada neste momento na produção da versão 2010/2011 de sua tradicional vinheta de fim de ano. Cabe então a pergunta: será que, mais uma vez, a maior emissora de televisão do país vai desejar feliz ano novo para todos os brasileiros, exceto para os 25 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência?

Para aqueles que não se lembram da vinheta do ano passado, acessem o vídeo neste link: http://www.youtube.com/watch?v=sfSzFq8yeGA

Fonte: Bengala Legal - São Paulo - SP, 17/11/2010
APNEN, colaborando com a divulgação desta matéria: 18/11/2010

“Ser cadeirante não tem limites”, diz presidente da Apedef

Noel Kostiurekzo, presidente da associação conta sua história de superaçào, esforço e reconhecimento.
da Redaçào
Noel Kostiurekzo Presidente da Apedef

Reconhecido por seus esforços em prol da Associação Pontagrossense de Esportes para Deficientes (Apedef), o presidente Noel Kostiurekzo é, há cinco anos, um exemplo de luta pela instituição. Sua história de desafios começa logo aos três meses de idade, quando uma injeção aplicada indevidamente para curar um resfriado provocou a paralisia total de seu corpo. A partir daí Noel “vive uma vida de superação”.

Ainda criança, Noel ingressou na Associação Pontagrossense de Assistência à Criança Defeituosa (APACD), onde aprendeu a escrever, pintar e desenhar. Foi aos 13 anos de idade que Noel pode compreender sua própria realidade:

“Foi uma das fases mais importantes da minha vida, de aceitação de mim mesmo”. Após esse período, segundo Noel, sentiu despertar a vontade pelo trabalho e pelo ganho de seu próprio dinheiro.

Aos 14 anos, ingressou para o mercado de trabalho em um emprego com carteira assinada em Ponta Grossa. A partir daí, as superações não pararam. Noel passou por outros trabalhos, até se tornar auxiliar de escritório de uma franquia da empresa alemã Bosch, onde permaneceu por 12 anos.

Ao entrar para Apedef, em 2003, Noel desempenhou a função de relações públicas, em que dialogava com as empresas da cidade. Sua competência o levou à presidência da entidade em 2005, onde permanece até hoje: “Nunca deixaram de prestigiar meus esforços”.

Na direção da Apedef, Noel batalhou muito pela instituição. Um de seus maiores feitos no cargo foi a vigoração da lei 8.213/93, que possibilita a contratação de deficientes físicos junto ao empresariado de Ponta Grossa. Outra conquista foi a parceria com a loja MM- Mercadomóveis, patrocinadora do time de basquete sobre cadeiras de rodas, MM Tubarões, com atletas da instituição.

Aos 39 anos de idade, com dois filhos, Noel é atleta de basquete, natação e atletismo. Já participou de três edições da Corrida de São Silvestre, fez corridas de kart, canoagem, raffting, rapel, e se prepara para saltar de para-quedas.

“O que move a cadeira não são as mãos, é a cabeça da pessoa. Ser cadeirante não tem limites, não há barreiras. Se eu pudesse escolher em ser uma pessoa fisicamente normal, eu optaria continuar cadeirante, eu me amo assim”.

Fonte: Portal Comunitário - São Paulo = SP, 17/11/2010
APNEN, colaborando com a divulgação desta matéria: 18/11/2010

Praça de BH será primeira a oferecer brinquedos para crianças cadeirantes

Reformas na praça incluem um balanço acessível e painéis de atividade ao alcance das crianças com deficiências.
da Redação

No dia 17 de novembro, a Unimed-BH em parceria com a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, por meio da Secretaria de Administração Regional Centro-Sul, entrega à comunidade as obras de revitalização da Praça Floriano Peixoto, na zona leste da cidade. A acessibilidade recebeu atenção especial no projeto. A praça será o primeiro espaço público da capital mineira a possuir brinquedos para crianças cadeirantes. São três modelos: um balanço que permite encaixar a cadeira de rodas, uma travessia mais baixa, ao alcance do cadeirante, e um painel com diferentes atividades. O local também ganhou barras de alongamento, destinadas aos praticantes de caminhadas e corridas, e equipamentos de ginástica especiais para idosos.

No passeio central da praça, o lajeado de paralelepípedos foi substituído por blocos de concreto intertravados, que deixam a superfície mais uniforme e facilitam a locomoção de idosos, cadeiras de rodas e carrinhos de bebês. O acesso também foi facilitado na área central do local, onde há um amplo espaço com arquibancada, ao modelo de um teatro de arena. Além disso, toda a calçada que circunda a praça foi duplicada para cinco metros de largura e recebeu piso tátil para orientação dos deficientes visuais.
“Percebemos que só a manutenção das áreas verdes não iria resgatar o espaço de convívio e a importância histórica do local. Era necessário ir além e pela nossa identidade com Belo horizonte e com os mineiros decidimos que a revitalização cabia em nosso compromisso social”, afirma Helton Freitas, diretor-presidente da Unimed-BH.

Fundada há 112 anos, a Praça Floriano Peixoto era conhecida no início como Praça Belo Horizonte e é uma das 24 praças que estavam previstas na primeira planta de cidade. Hoje o local é tombado como patrimônio histórico e cultural da cidade. À época da construção do Hospital da Unimed-BH, localizado em frente à praça, a Cooperativa assumiu com o poder público o compromisso de manutenção do local, por meio do programa Adote o Verde. Entretanto, ciente da importância da área para a comunidade e em consonância com seu Programa de Responsabilidade Social, a Unimed-BH decidiu ir além: investiu cerca de R$ 2 milhões na revitalização.
Mais um bom exemplo de inclusão social, mesmo que pelas mãos de uma empresa privada. Parabéns à Unimed pela iniciativa.

Blog do Cadeirante - Belo Horizonte - MG, 17/11/2010
APNEN, colaborando com a divulgação desta matéria: 18/11/2010

Síndrome de Down e Autismo são temas de jornada em Balneário Camboriú

Evento terá palestras com especialistas e área de recreação para crianças.
da Redação

A Associação "Amor pra Down" promove no próximo sábado, dia 20 de novembro, a 1ª Jornada de Atualização em Síndrome de Down e Autismo em Balneário Camboriú, no Centro de Eventos Itália, das 9h às 13h30.

O destaque do evento fica por conta das palestras de José Salomão Schwartzman, doutor em Neurologia, e Décio Brunoni, doutor em Genética, ambos professores da Universidade Mackenzie, de São Paulo. A Jornada é aberta ao público em geral e os ingressos estarão à venda no local por R$ 10,00. Este evento conta com a parceria da Associação de Pais e Amigos do Autista/Ama Litoral Santa Catarina e apoio do Departamento de Educação Especial da Secretaria Municipal de Educação.

O objetivo do evento, segundo Marcos Costa, presidente da Associação Amor pra Down, é ampliar o debate e aprofundar o conhecimento sobre Síndrome de Down e Autismo. Além disso, a entidade, que atende portadores de Balneário Camboriú, Itapema, Camboriú, Porto Belo e Itajaí, busca atualizar pais e profissionais da saúde e da educação nos avanços científicos sobre estas e outras doenças neurológicas. "Será uma excelente oportunidade para dirimir dúvidas com dois dos maiores especialistas em Genética e Neurologia do Brasil", reforça Marcos.

Durante a palestra, os pais que levarem seus filhos terão um ambiente especial, seguro e climatizado, com recreadores e muitos brinquedos para deixar as crianças, sem qualquer custo adicional.

Fonte: Jornal Tribuna - Balneário Camboriú - SC, 17/11/2010
APNEN, colaborando com a divulgação desta matéria: 18/11/2010

Mogi ganhará centro de paradesporto em 2011

O Ginásio Municipal, no Mogilar, que recebe várias obras de acessibilidade, será um dos núcleos do novo espaço destinado à prática esportiva envolvendo atletas com deficiência.
A instalação de uma unidade da Associação de Auxílio à Criança Deficiente (AACD) em Mogi até outubro do ano que vem não encerra os investimentos da Prefeitura para pessoas que possuem algum tipo de deficiência. No decorrer de 2011, uma série de medidas e investimentos em favor dos mogianos deste segmento deve ser implementada. De acordo com o secretário municipal de Esportes e Lazer, Nilo Guimarães, ainda no primeiro trimestre de 2011, deve ser inaugurado na cidade um centro de paradesporto.

Como o próprio nome sugere, trata-se de um espaço específico para treinamentos e competições de atividades esportivas, envolvendo atletas com deficiência. Um dos núcleos deste centro paradesportivo será o Ginásio Municipal "Professor Hugo Ramos", no Mogilar. O espaço está sendo reformado pela administração municipal por cerca de R$ 250 mil.

Os serviços incluem troca de pisos, substituição de vigas e instalação de elevadores para proporcionar o acesso dos deficientes ao patamar das arquibancadas. "É uma obra inédita tanto pelo serviço (nos 16 anos de existência do Ginásio Municipal nunca houve um processo de revitalização do espaço) como pela questão de acessibilidade. O ´Hugo Ramos´ será um dos poucos ginásios do Estado a possuir acessibilidade", destacou Guimarães.

O projeto de tornar o Ginásio Municipal acessível, aliás, é o principal motivo apontado por Nilo Guimarães para o atraso de mais de três meses na sua revitalização. A proposta inicial previa serviços de até 60 dias para apenas troca de piso e pintura, porém, o projeto foi reformulado para a construção de rampas que darão acesso à quadra, além de uma plataforma, que conduzirá o cadeirante do piso térreo até a arquibancada.

Hoje, segundo o secretário, existem dois ou três ginásios em todo o Estado que atendem às exigências da Confederação do Paradesporto Brasileiro. A previsão é de que os trabalhos terminem em março de 2011 - sete meses antes dos Jogos Abertos, quando Mogi será cidade-sede. "É claro que iremos aproveitar o Ginásio Municipal para as competições dos Jogos Abertos. Porém, o grande objetivo é ter em Mogi um centro de paradesporto. O Ginásio Municipal será um dos núcleos deste centro", frisou Guimarães. E, para auxiliar nos trabalhos relacionados às atividades paradesportivas, o secretário de Esportes e Lazer de Mogi contratou o campeão paraolímpico de bocha adaptada nos Jogos Paraolímpicos de Pequim, em 2008, Dirceu Pinto. "Ele nos ajuda por meio dos contatos que tem, e com o incentivo que ele representa para os cadeirantes. Ele está conseguindo cada vez mais popularizar a bocha adaptada. Chegamos a ter 20 cadeirantes interessados em aprender e entender a modalidade", reforçou Guimarães.

Outros espaços cotados para desenvolver atividades paradesportivas são: o Centro de Atividades do Trabalhador (CAT) do Sesi de Brás Cubas e o Centro Esportivo do Socorro.

Fonte: http://www.moginews.com.br/ - 17/11/2010
APNEN, colaborando com a divulgação desta matéria: 18/11/2010

Escola inova para incluir aluno com deficiência

Professora faz visitas semanais à casa de aluno e explora gostos e habilidades antes desconhecidas, como o computador, para reaproximar o estudante do convívio com os colegas e da instituição de ensino.
Com 16 anos e afastado da escola devido a uma doença que atrofia seus músculos, Tiago Guimarães Cardoso, da Escola Municipal de Ensino Fundamental José Mariano Beck, no bairro Jardim Carvalho, em Porto Alegre (RS), está desenvolvendo novas habilidades e retomando a relação com a instituição ajudado por professores e colegas. Com o auxílio da internet, o menino descobriu uma nova motivação e meio para se ligar com o mundo. O objetivo principal é reaproximá-lo da sala de aula.

Tiago mora no bairro Bom Jesus com a mãe, desempregada, o pai e outros quatro irmãos. Ele sofre de Distrofia Muscular de Duchene, síndrome genética que enfraquece todos os músculos do corpo, impossibilitando gradativamente os movimentos. Ele teve tuberculose e, somente neste ano, sofreu com pneumonia, usou sonda nasal e fez uma intervenção cirúrgica para colocar uma sonda gástrica, por onde se alimenta. A alimentação é à base de um leite especial que, assim como a cadeira de rodas motorizada, recebeu do governo por determinação da Justiça. Atualmente, pesa cerca de 25kg, mas já chegou aos 14kg.

Um netbook - Pelas dificuldades de movimentação e com receio de que possa passar mal na escola, não frequenta a aula há mais de dois anos. A professora Magali Dias de Souza, integrante da SIR (Sala de Integração e Recursos) da escola, faz, desde abril, visitas semanais à casa de Tiago e explora gostos e habilidades antes desconhecidas, como o computador, para reaproximar o estudante do convívio com os colegas e da instituição de ensino. Juntamente com a professora Vera Capeletti, responsável pela turma em que o jovem está inscrito, elaborou atividades pela Internet para colocá-lo em contato com os colegas e professores.

Desde o início das visitas, Magali notou que habilidades como digitação, leitura e escrita avançaram muito. O garoto, que dependia da ajuda dos irmãos e de um amigo para digitar no computador, hoje escreve sozinho utilizando o teclado virtual. Com a ajuda da profissional, Tiago criou página no Orkut, e-mail e MSN próprios pelos quais se comunica com colegas, familiares, amigos e professores. Além disso, vem aprendendo a lidar com o espaço na web e se prepara para criar um blog, que servirá como ferramenta de comunicação entre ele e a escola, visando à retomada das aulas. O computador utilizado é um notebook que Magali leva aos encontros, emprestado da instituição, porque o seu equipamento está velho e não funciona mais.

Todo esforço desenvolvido pelas professoras, colegas e por Tiago, que sonha em ser professor de informática ou técnico do Grêmio, despertou no menino a vontade de divulgar sua história. Ele escreveu um texto sobre sua vida e tem o objetivo de divulgá-lo, na intenção de conseguir a doação de um netbook, que vai acelerar o processo de aprendizado e reintegração com a escola, além de mostrar que, assim como ele, todas as pessoas podem progredir, mesmo com dificuldades.

Fonte: http://www2.portoalegre.rs.gov.br - 17/11/2010
APNEN, colaborando com a divulgação desta matéria: 18/11/2010

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Candidata vai fazer vestibular em sala especial no Boldrini

Adriana Peres - Campinas

A candidata as vagas de Farmácia e Odontologia da Unicamp, Ivana Helena Pereira Fonte Bôa, 18, prestará vestibular em sala especial no Centro Infantil Boldrini, em Campinas. Há um ano ela faz tratamento de LLA (Leucemia Linfoblástica Aguda). Esta é a primeira vez que ela vai concorrer a uma vaga no vestibular. Um fiscal da Unicamp levará a prova e acompanhará todo o teste da paciente no dia 21 deste mês.
“Estou ansiosa. Se não tivesse essa alternativa de realizar a prova no hospital, não iria me candidatar. Isso é um direito nosso”, afirma Ivana. A estudante mora em Itararé, mas toda semana vai à Campinas para se tratar. “Estou em fase final do tratamento e por precaução médica, para evitar aglomerações, farei a prova em uma sala especial”, explica.

Segundo a assessoria da Unicamp, cerca de 60 alunos por ano realizam o vestibular em condições especiais. Além de realizar provas fora dos locais, a universidade fornece equipamentos para portadores de deficiências. Para os deficientes visuais, por exemplo, as provas são em braile.

“Estou concluindo o terceiro colegial e não fiz cursinho. Apesar de estar afastada da escola, continuo estudando em casa e até mesmo na Sala de Apoio Pedagógico do Boldrini, onde pude realizar tarefas e contar com a ajuda das pedagogas”, conta.

Este ano, a Unicamp bateu recorde no número de inscritos no vestibular - foram 57,2 mil para 3,4 mil vagas. No ano passado, o total foi de 55,5 mil para o mesmo número de vagas.

Fonte: Jornal TodoDia 17/11/2010
APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 17/11/2010

Osasco (SP) ganha 36 ônibus zero km em renovação da frota

Todos os veículos possuem equipamento de acessibilidade e dispositivo que facilita o embarque de passageiros com deficiência.
A Prefeitura de Osasco recebeu na manhã de 10 de novembro, no Paço Municipal, representantes da concessionária Viação Osasco para apresentação dos 36 novos ônibus que integram as linhas municipais.

Todos os veículos possuem equipamento de acessibilidade e dispositivo que facilita o embarque de passageiros com deficiência, além de dois assentos reservados para obesos.

A entrega dos novos ônibus faz parte do projeto de renovação da frota municipal. Durante a entrega o prefeito Emidio informou que os novos veículos atendem as exigências previstas em contrato de Concessão do Sistema de Transporte estabelecido pela prefeitura. E destacou os avanços no setor. “A renovação da frota propicia mais conforto para o usuário, principalmente de passageiros que necessitam de acessibilidade no embarque. Hoje, um terço da nossa frota já possui este mecanismo”, afirmou.

Valdir Roque falou da adequação da frota. “Desde 2006, os ônibus que circulam em Osasco estão sendo adaptados com elevadores de acessibilidade devido ao Decreto Federal que prevê a adequação dos veículos até 2014”, explicou.

Já o diretor da Viação Osasco, Antonio João Santos, apresentou um dos novos ônibus ao prefeito e falou de sua frota. “Hoje temos 80 ônibus com elevadores. Essa nova frota toda equipada proporcionará mais conforto ao usuário”, explicou.

Álvaro Merli, gerente administrativo operacional da Viação Osasco, explicou a distribuição da nova frota. “Esses ônibus serão distribuídos de acordo com a capacidade das linhas e para proporcionar melhor conforto ao usuário, em especial aos das linhas 42, 28, 7, 10, 61 e 2”, disse.

Também participaram do evento os secretários municipais Jorge Lapas (Governo) e Paulo Fiorilo (Administração), dentre outras autoridades.

Fonte: http://www.planetaosasco.com/ - 16/11/2010
APNEN,colaborando na divulgação desta matéria – 17/11/2010

Prefeito do Rio de Janeiro nomeia carioca deficiente que tinha sido impedida de assumir cargo

Carla Rosa não foi admitida por que exames constataram que ela não era deficiente, apesar de ter distrofia muscular.
da Redação

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB) nomeou a carioca deficiente Carla Vieira Nonato da Rosa para o cargo de assistente social, na última sexta-feira (12).
A carioca de 31 anos, que após ter sido aprovada em 3º lugar para as vagas oferecidas às pessoas com deficiência, foi impedida de tomar posse por ter seu exame de perícia médica entendido que Carla não era deficiente, como determinava a vaga em que concorreu. Apesar do resultado, Carla Rosa tem distrofia muscular que resulta em grave lesão permanente e irreversível.

Carla só foi nomeada por que o desembargador Luiz Felipe Francisco, da 8ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, considerou que o impedimento foi uma decisão discriminatória e preconceituosa, já que ela foi aprovada em concurso em 2007.

Frise-se que não é crível [possível acreditar] que se possa conceber um tratamento diferenciado àqueles candidatos que ostentam deficiência congênita em relação aos que a adquiriram em virtude de moléstias degenerativas.

No momento, a carioca aguarda a convocação da prefeitura para a realização dos exames admissionais para tomar posse efetivamente do seu cargo.

Fonte: R7 - 16/11/2010
APNEN, colaborando na divulgação desta matéria – 17/11/2010

Presidente da Associação de Nanismo do Rio, anã reclama do preconceito

A anã Kênia Rio mede 1,23 m e é presidente da Associação de Nanismo do Rio, que reúne mais de 300 anões.
Mário Bortoloti

Kênia é presidente da Associação de Nanismo do Rio de Janeiro, tendo já feito palestras pelo país e estado até com o presidente Lula. Ela fala da luta para vencer o preconceito e propõe um tratamento mais politicamente correto para os anões no país, informa a reportagem de Marcelo Bortoloti publicada na Folha.

"Meu pai era anão. Foi o primeiro da família com o problema, já que meus avós e tios eram altos. Quando se casou com uma mulher de estatura normal, teve três filhos, todos anões. Dizem que se o pai ou a mãe tem nanismo, há 50% de chance de o filho ter o mesmo problema. A matemática nem sempre funciona. Infelizmente temos poucos médicos que estudam isto. Eu e meus dois irmãos nos casamos com pessoas de estatura alta. Os três filhos que tivemos nasceram com nanismo. Nossa família está na terceira geração. Nem sempre é fácil para um anão lidar com sua deficiência. Só fui lidar melhor com isso adulta. Aos 22, grávida, fiquei apreensiva e torcia para que meu filho não fosse anão. Mas o medo também era imaturidade. Hoje meu filho está aí, bem empregado e faz faculdade de direito. Se tivesse 20 filhos anões não teria problema nenhum. Sempre digo que ele precisa ser o melhor. Se ele for o melhor, ou chegar próximo disso, terá mais oportunidades de escolhas profissionais e de relacionamento."

Fonte: Folha de São Paulo - RJ -14/11/2010
APNEN, colaborando na divulgação desta matéria - 17/11/2010

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Degraus desafiam deputados cadeirantes

Rampas íngremes e escadas impedirão que recém-eleitos subam à tribuna e integrem Mesa Diretora da Câmara.

Mara Gabrilli, Rosinha da Adefal e Walter Tosta cobram livre circulação; Senado, STF e Planalto também têm problemas.

Johanna Nublat de Brasília
Jairo Marques Enviado Especial a Brasília

Eleitos como os 510 colegas, Mara Gabrilli (PSDB-SP), Rosinha da Adefal (PT do B-AL) e Walter Tosta (PMN-MG) começarão seus mandatos de deputados com duas graves desvantagens: não poderão subir à tribuna para discursar e não poderão integrar a Mesa Diretora (que comanda sessões no plenário).
Cinco degraus os separam da tribuna, outros quatro os levariam à Mesa. Os três deputados são cadeirantes, e a distância é intransponível.
A eleição deles tem ineditismos. Gabrilli é a primeira deputada tetraplégica e, em conjunto com os dois colegas, forma o grupo mais numeroso de deputados dependentes de uma cadeira de rodas na mesma legislatura -segundo o programa de acessibilidade da Câmara.
De mudança para a cidade, os três vão encontrar inúmeros obstáculos à livre circulação, incluindo na lista os prédios públicos federais.

A Folha visitou a Câmara, o Senado, o Palácio do Planalto, o STF (Supremo Tribunal Federal) e o MEC (Ministério da Educação), com o objetivo de mapear a acessibilidade dos locais por onde passarão os eleitos.
Na Câmara, os problemas são mais numerosos. Rampas íngremes impedirão que o deputado circule com autonomia entre o plenário e as comissões. A situação é tal que um cadeirante não vai, sozinho, do plenário à reunião interna da Comissão de Direitos Humanos.
O principal obstáculo, e o mais simbólico, é a impossibilidade de o cadeirante subir à tribuna ou compor a Mesa, pois o acesso é feito por lances de escada.
A situação é "um atraso", na opinião do eleito Tosta. "Até por saber que já tivemos outros deputados paraplégicos. É discriminação."

SÓ NO PAPEL O projeto para construir uma rampa, em elaboração desde 2006, só poderá ser implementado em 2011.
Segundo Adriana Jannuzzi, coordenadora do programa de acessibilidade da Casa, a obra levará ao menos 40 dias. Com a posse da presidente eleita Dilma Rousseff em janeiro e a dos deputados em fevereiro, não há tempo para a reforma neste ano.
Entrosados, Gabrilli, Tosta e Rosinha cobram alteração na estrutura da Casa.
Gabrilli quer uma solução até fevereiro. "Como posso fazer um discurso exigindo acessibilidade se onde vou estar não tem?", questiona.
"Vamos ter que dar um jeito, mesmo que colocando um compensado", diz Rosinha.
Jannuzzi diz que a obra não foi feita por motivos variados, inclusive políticos.
Segundo ela, se o projeto apresentado por Gabrilli for factível, não ferir o tombamento, não for excessivamente caro e se houver tempo para licitá-lo, poderá ser implementado. Caso contrário, ficará para depois.
Gabrilli quer que seja criado um mecanismo para que ela possa votar no plenário -como o software que usa na Câmara Municipal de São Paulo, onde é vereadora.
Nas sessões, ela movimenta o mouse na tela do painel eletrônico com os olhos. Ao piscar, seleciona as opções "sim", "não" e "abstenção".
No STF e no Senado, há uma estrutura mais acessível que a da Câmara às pessoas com deficiência -mas ainda existem problemas.
No Senado, o elevador que leva às galerias -de onde o público assiste à sessão- está quebrado há um ano.
No STF, o púlpito de onde advogados falam é alto e tem degrau; segundo o tribunal, será reformado em janeiro.
No Planalto, a espessura dos carpetes dificulta a circulação. Os banheiros acessíveis são identificados com expressão em desuso.
A Presidência disse que analisará o problema com o carpete e, se necessário, trocará a nomenclatura dos banheiros. No MEC, os banheiros não são acessíveis em todos os andares.

Fonte:Jornal Folha de São Paulo - Poder - 16/11/2010

APNEN, Colaborando na divulgação desta matéria. 16/11/2010

Feira destacou novidades tecnológicas para pessoas com deficiência

BRASÍLIA - Algumas atividades do cotidiano como digitar, andar e tomar banho não são tão simples para pessoas com deficiência física. Com o objetivo de promover a autonomia dessas pessoas, diversas tecnologias sociais são desenvolvidas diariamente para promover qualidade de vida desse grupo. Parte dessas tecnologias esteve em exposição em Brasília, na 1ª Feira Muito Especial.

Uma cadeira de rodas movida a sopro. Essa é a novidade apresentada no stand da REA Team. A cadeira pode ser utilizada por pessoas tetraplégicas, desde que elas ainda consigam movimentar a cabeça. Com um movimento leve de cabeça para esquerda, o usuário consegue ligar a cadeira. Para andar, basta assoprar uma espécie de canudo acoplado à cadeira.

Os comandos de virar para os lados e parar são feitos com variações do sopro e até mesmo por meio de sucção do ar. O preço ainda não é dos mais baratos. Por R$ 15 mil é possível adquirir a cadeira que dá autonomia ao tetraplégico. Uma cadeira com controle manual custa, em média, R$ 7 mil.

Mário Michelon Junior, diretor administrativo da REA Team aponta soluções para a queda de preço. “O preço ainda é alto porque o produto é pouco comercializado, mas à medida que o uso for aumentando, a tendência do preço é cair”, afirma.

A feira conta com 30 expositores, entre empresas e instituições de ensino. Apresentações culturais e oficinas também fazem parte do evento, que tem um lado acadêmico: o 1º Congresso Muito Especial, que visa a troca de experiências e o estímulo a pesquisas na área de tecnologia assistiva.

O conceito do Roller Mouse, um mouse adaptado para pessoas tetraplégicas, é outra novidade apresentada durante a “Feira Especial.” A inovação foi, inclusive, apresentada pela rede Globo na novela Viver a Vida, como um dos aparelhos utilizados por Luciana, vivida por Alinne Moraes.



Na vida real as dificuldades também se apresentaram para a pedagoga Maria do Desterro Lima, que testou o equipamento pela primeira vez na feira. “Achei excelente porque ajuda os tetraplégicos a escrever. Nós temos que estar sempre ligados nessas novidades que melhoram a nossa vida”, afirmou.

Maria acredita que existe outro fator que deve ser levado em consideração, para além das tecnologias. “Mais importante do que a invenção desses aparelhos, é o respeito pelas pessoas com deficiência. Não adianta haver uma rampa na calçada se os carros estacionam em frente a ela, impedindo que a gente passe”, desabafa.

Entender os desafios
A artista plástica Rose Queiroz veio para a feira ensinar aos visitantes como fazer uma máscara em argila. A experiência, que já seria emocionante de qualquer maneira, ganha um ingrediente a mais. Os participantes vão criar a máscara da mesma maneira que Rose, sem enxergar.


A oficina “Olhos das Mãos” é uma das coisas que mais chama atenção no evento. A voz calma e imponente da instrutora faz com que, em 40 minutos, os participantes se sintam verdadeiros escultores. “O meu objetivo é mostrar para as pessoas que existem outras formas de enxergar”, explica a artista plástica, que perdeu a visão aos 12 anos de idade vítima de uma alergia rara.

Marcelo Cunha é tetraplégico e veio ao congresso ministrar uma palestra. Também artista plástico, ele ensina as pessoas a pintar com a boca. “As pessoas sempre me perguntam como eu consigo pintar com a boca. Resolvi inverter a pergunta, para que elas mesmas respondam como conseguem pintar”,

Aos 21 anos, ele sofreu um acidente de mergulho. Foi aí, que o então desenhista gráfico se tornou artista. “Com o conhecimento na cabeça, a maneira que ele se executa não faz diferença”, afirma o pintor, para deixar claro que o que ele desenha hoje é exatamente igual ao que ele fazia antes do acidente.

A 1ª Feira Muito Especial aconteceu no espaço Brasil 21 de 9 a 12/11.

Fonte:http://portalamazonia.globo.com/ 15/11/2010

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria 16/11/2010

Belo Horizonte terá a primeira praça acessível com brinquedos para crianças cadeirantes

A mais velha é da idade de Belo Horizonte, quase 113 anos. A mais nova não é tão jovem assim e já conta com 73 anos de história. Ambas tiveram um passado glamouroso, foram testemunhas para encontros de famílias e namorados e viveram os bons tempos da cidade. O cinema da mais velha foi apagado, enquanto o da mais nova permanece onde sempre esteve, mas de portas fechadas. Tanto uma quanto a outra estão cercadas por batalhões da Polícia Militar (PM), ainda que a insegurança seja delas uma visita constante. Abandono e desprezo marcaram o passado da mais velha e ferem o presente da caçula. Uma está No Bairro de Santa Efigênia, foi revitalizada, adotada e está prestes a ganhar vida. A outra, em Santa Tereza, apesar de ser popular e até mesmo mais frequentada, clama por socorro, urra por um padrinho e sobrevive aos trancos e barrancos, a cada dia. As praças Floriano Peixoto e Duque de Caxias, na Região Leste da capital, estão próximas uma da outra pela semelhança do que representaram na história da capital, mas distantes entre si quando o assunto é o futuro.

Fundada em 1898, a Praça Floriano Peixoto ganha na quarta-feira novos ares. Por meio de um acordo firmado com o poder público durante a construção do hospital da Unimed, a praça foi abraçada pela cooperativa, que promete trazer de volta esta semana os bons tempos do espaço. “Durante um ano e meio nos dedicamos a arrumar a praça. Nossa contrapartida pela criação do hospital previa a adoção da área verde, mas resolvemos revitalizar todo o local”, conta, entusiasmado, o diretor-presidente da Unimed Helton Freitas.

De acordo com Helton, o espaço público estava em estado lastimável, quando recebeu a atenção que merecia. “As calçadas estavam estragadas, os pisos em péssimas condições, a vegetação nem se fala. Era triste vê-la sem tradições para eventos, sem ocupação por parte da população”, lembra, contando que para espantar esses fantasmas do passado, a Unimed investiu R$ 2 milhões na área de lazer. “Fizemos trabalhos paisagísticos, projeto de iluminação e de acessibilidade, além de recuperar os brinquedos já existentes e instalar alguns novos, inclusive para crianças cadeirantes – os primeiros em um espaço público da capital. Colocamos barras de alongamento e equipamentos de ginástica especiais para idosos”, destaca. E a partir do dia 18, a cooperativa médica vai oferecer no espaço o Circuito Unimed-BH , programação regular de atividades de saúde, cultura e lazer. “Já firmamos o compromisso com a manutenção da praça e os moradores vão nos ajudar nessa função. Queremos que o local esteja vivo novamente para crianças, adultos, jovens e idosos”, acrescenta Helton Freitas.

Essa nova era entusiasma o economista Moacir Muzzi, que aos 63 anos diz que mora em Santa Efigênia desde que nasceu. “A praça era a entrada de BH em 1957. Aqui, antes era um local para a criançada brincar. Lembro do Cine Grátis, um cinema que ficava ao redor da praça e atraia muita gente. Meus pais se conheceram aqui, minha mãe com 18 anos e meu pai com 27. Mas onde era espaço de instantes mágicos, passou a ser de momentos trágicos. Por volta dos anos 60, a praça começou a viver seu declínio, passou a ser ocupada por moradores de rua, as famílias passaram a não frenquentá-la e ela foi abandonada pelo poder público. Outras revitalizações não foram capazes de reerguê-la. Assim, em lugar das flores, vinham os predadores”, lembra, dizendo que o futuro do espaço vai depender da conservação do local. “Praça não é chão, é gente. Não adianta termos um lugar lindo, se não houver pessoas para admirá-lo. Tenho certeza que estamos prestes a recomeçar e a redescobrir esse paraíso”, aposta.

Fonte: http://www.em.com.br/ 15/11/2010

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria 16/11/2010

A primeira aluna surda-cega na universidade

Aos 44 anos, Carolina Ferreira Canais é a primeira aluna surda-cega a frequentar o ensino superior. Ingressou este ano na licenciatura em Língua Gestual Portuguesa, na Universidade Católica, e deseja tornar-se escritora.


Candidatou-se à universidade e entrou. Poderia ser uma história banal se não estivéssemos a falar de Carolina Ferreira Canais, que, aos 44 anos, se tornou a primeira surda-cega a ingressar no Ensino Superior.

Escolheu a licenciatura em Língua Gestual Portuguesa da Universidade Católica, um curso criado no ano passado especialmente direccionado para surdos, mas que teve que se adaptar para receber esta nova aluna.

Segundo Ana Mineiro, coordenadora da licenciatura, este foi um "investimento da universidade na promoção da igualdade de oportunidades", uma vez que aceitar a sua candidatura implicou a contratação de duas intérpretes tácteis, tradução de manuais para braille e aulas tutorais, pois este é um curso de "Blanded Learning", com formação on-line e presencial de 15 em 15 dias.

Surda de nascença, Carolina começou a debater-se com os problemas de visão há cinco anos. "Em 2005, a minha visão começou a reduzir devido ao Síndrome de Usher, tipo 1, e tem sido uma grande luta, bastante difícil".

Antes de a progressiva cegueira a afectar, fez um curso de contabilidade, trabalhou como funcionária administrativa e quando a visão lhe retirou competências viu-se obrigada a pedir a reforma. Incapaz de estar parada, esforçou-se para entrar no Centro de Reabilitação de Nossa Senhora dos Anjos, em Lisboa, onde aprendeu a cozinhar, passar a ferro e teve aulas de braille e de mobilidade com a bengala. "Aprendi de tudo", conclui. A energia, essa, vai buscá-la "ao desporto, às artes, à escrita ou aos amigos".

Hoje, a universidade é o grande desafio de Carolina Canais, que comunica com as intérpretes e com os colegas através de língua gestual apoiada, ou seja, o desenho das letras na palma da mão ou da leitura táctil do que é expresso em língua gestual. Apesar de utilizar esta língua desde criança, Carolina também aprendeu a falar, aos 24 anos, com um terapeuta, e é entre o gesto e a voz que melhor se expressa.

A viver sozinha num lar, para estar próxima da faculdade, Carolina divide o tempo entre o curso, a natação e as aulas de artes decorativas. O futuro é uma interrogação coroada por um objectivo que persegue há muito: o de ser escritora.

Pode assistir ao vídeo em: http://jn.sapo.pt/multimedia/video.aspx?content_id=1711061
In: http://jn.sapo.pt/paginainicial/
Publicada por nedav em Segunda-feira, Novembro 15, 2010

Fonte:http://gritodemudanca.blogspot.com/2010/11/primeira-aluna-surda-cega-na.html

APNEN, colaborando com a divulgação desta matéria 16/11/2010

Sociedade civil e representantes de governo debatem direitos das pessoas com deficiência no Brasil

De acordo com o Censo de 2000, 24,5 milhões de brasileiros (14,5% da população nacional) têm alguma deficiência. Desse total, quase 30% é miserável e têm escolaridade inferior a um ano1. Infelizmente, no Brasil, deficiência e desigualdade caminham juntos.

Diante dessa realidade, RIADIS (Rede Latino-Americana de Organizações não Governamentais de Pessoas com Deficiência e suas Famílias) e Conectas Direitos Humanos organizam o encontro “Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência – Avanços, Desafios e Participação da Sociedade Civil” entre os dias 17 e 19 de novembro, em São Paulo.

Um dos objetivos do evento é fortalecer o trabalho entre diversos setores da sociedade pela garantia dos direitos das pessoas com deficiência.

Em 2008, o Brasil ratificou a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CDPD) da ONU, dando os primeiros passos para a formulação de leis e políticas públicas específicas.

No encontro, representantes de organizações da sociedade civil, movimentos sociais, órgãos da ONU e governo brasileiro terão a oportunidade de debater os avanços, desafios e a participação da sociedade civil e do Estado no processo de aplicação das recomendações da CDPD nos últimos anos.

1. Dados da pesquisa Relatos da Deficiência no Brasil , realizado pela Fundação Getúlio Vargas em parceria coma Fundação Banco do Brasil (2003)

Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência
Avanços, Desafios e Participação da Sociedade Civil
17 a 19 de novembro de 2010
Hotel Jaraguá – Rua Martins Fontes, 71 – Centro, São Paulo.

Confira a programação do evento neste link: http://www.conectas.org/PDFs/programacao_CDPD.pdf

Fonte:Conectas - 15/11/2010

APNEN, colabora com a divulgação desta matéria 16/11/2010

domingo, 14 de novembro de 2010

A música que encanta depende dos olhos?

Abaixo, está um trecho do texto "A música que encanta depende dos olhos" do Blog Infoativo Defnet do Dr. Jorge Márcio. Nesse brilhante texto, o Dr. Jorge escreve a respeito do documentário Music By Prudence que levou o Oscar de melhor documentário de curta de 2010. Esse documentário conta a história de Prudence Mabhena, uma cantora e compositora com deficiência física, de 20 anos. O filme traça um panorama com histórias de crianças africanas com deficiência. O desenrolar da história é dramático, visto que a doença de Prudence é considerada bruxaria em seus país.
"Estes dias me vieram à mente algumas interrogações. Surgiram quando vi uma mulher negra, sentada em um dos cantos, ao fundo do local onde se entregavam os Oscars em Hollywood. Era a mulher cuja foto publiquei, no último texto do blog, em homenagem aos mundos úteros que se multiplicam no feminino. Era PRUDENCE MABHENA."

Acesse este link e leia o texto: http://infoativodefnet.blogspot.com/2010/03/musica-que-encanta-depende-dos-olhos.html

Fonte: http://infoativodefnet.blogspot.com - 16/03/2010
APNEN esta colaborando com a divulgação desta matéria; 14/11/2010