sábado, 1 de janeiro de 2011

Saúde da Pessoa com Deficiência

A Política Nacional de Saúde da Pessoa com Deficiência, instituída pela Portaria MS/GM nº 1.060, de 5 de junho de 2002,(http://www.saude.mg.gov.br/atos_normativos/legislacao-sanitaria/estabelecimentos-de-saude/reabilitacao/portaria_1060.pdf )define, como propósitos gerais: proteger a saúde da pessoa com deficiência; reabilitar a pessoa com deficiência na sua capacidade funcional e desempenho humano, contribuindo para a sua inclusão em todas as esferas da vida social; e prevenir agravos que determinem o aparecimento de deficiências.


Estabelece as orientações gerais para a elaboração de planos, projetos e atividades voltados à saúde das pessoas com deficiência nos estados, Distrito Federal e municípios. Seu principal objetivo é propiciar atenção integral à saúde da pessoa com deficiência, desde a atenção básica até a sua reabilitação, incluindo a concessão de órteses, próteses e meios auxiliares de locomoção, quando se fizerem necessários.


Leia mais:http://portal.saude.gov.br/portal/saude/visualizar_texto.cfm?idtxt=29043&janela=1

Fonte:http://acessibilidadeviamao.blogspot.com/2010/12/saude-da-pessoa-com-deficiencia.html

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 01/01/2011

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Nos EUA sites de relacionamentos miram pessoas com deficiência e problemas de saúde

Título da notícia do site Pequenas Empresas e Grandes Negócios:

"Sites de relacionamentos miram pessoas com necessidades especiais* e problemas de saúde"

Sherry Nevius é independente e se vira muito bem sozinha, mas gostaria de alguém que também fosse cadeirante para ser seu parceiro. “Dessa forma estamos na mesma situação”, afirmou em entrevista para o site do The New York Times. Ela chegou a sair com vários homens sem necessidades especiais, mas para ela, eles pareciam não querer comprometimento justamente pelo fato de ela estar em uma cadeira de rodas. Como solução, recorreu aos serviços de relacionamento on-line específicos para pessoas que pensavam da mesma forma que ela.

Atualmente, muitos sites estão focando seus serviços para públicos com necessidades especiais ou problemas de saúde. Sherry, por exemplo, começou a participar do Dating 4 Disabled, um portal de relacionamentos dedicados a portadores de diversas necessidades especiais, como paralisia e esclerose múltipla.
Outros sites desse tipo ainda incluem NoLongerLonely, para adultos com doenças mentais, e POZ Personals, para pessoas soropositivas.

A maioria deles é gerenciada por uma pessoa ou um grupo muito pequeno e geralmente é gratuita, com os custos sendo cobertos por anúncios.

Fonte: http://revistapegn.globo.com/ - 30/12/2010

APNEN, colaborando na divulgação desta metéria: 31/12/2010

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Conviver com pessoa com deficiência

Como diz Reinaldo Bulgarelli, “Diversos não são os outros, diversos somos todos nós”.

Deise Fernandes

Todos acreditamos na frase acima, ninguém duvida que somos todos diferentes, com características físicas, psicológicas, e culturais muito diferentes, e quando pensamos na história mais e maiores diferenças encontramos. Todavia, quando pensamos em uma pessoa com deficiência, essas diferenças vão além. As diferenças de uma pessoa com deficiência vêm carregadas de significados, de interpretações, que levam a construção de imagens, que por sua vez também estão carregadas de emoção impregnadas das vivências ou não, com uma pessoa com deficiência. Isso sem falar do medo que todos temos de adquirir uma deficiência ao longo da vida.

Muitos foram os que tentaram eliminar a incoerência dos conceitos, mas a palavra “deficiente” tem um significado muito forte. Freqüentemente é confundido “deficiente” como antônimo de “eficiente”, que por sua vez leva à idéia de “incapaz”. Idéia que se fortalece, quando não existe vivência com uma pessoa com deficiência, ou se a vivência for com uma pessoa cuja deficiência seja de fato limitante e incapacitante.

E aqui outra questão aparece, “generalização”. De novo, a frase “Diversos não são os outros, Diversos somos todos nós”, não é aplicada para a pessoa com deficiência. O simples fato de ter uma deficiência semelhante ao outro, já é determinante que seja igual. As diferenças individuais, familiares, socioeconômicas, psicológicas, não são levadas em consideração.
A sociedade constrói seus valores culturais, se organiza conforme eles, e se expressam através das palavras. Portanto, o primeiro grande desafio das pessoas com deficiência é superar o significado e a imagem que lhes é imposta pela palavra “deficiente”.

Seu desafio começa na família, que não espera e nem quer ter um filho com deficiência, depois na escola, na sociedade, e por fim na empresa. Outro valor cultuado pela sociedade é o sucesso, que define que para se ter sucesso é necessário ser perfeito, completo, forte, ter tudo em ordem, portanto, aquele que não tem alguma parte do seu corpo, não pode conseguir o sucesso, a ordem, o progresso, e leva o estigma de dependente, com necessidade de tutela.

No fundo, a frase “Diversos não são os outros, diversos somos todos nós” é muito mais frase de desejo do que de realidade, na medida em que a sociedade reconhece e valoriza os iguais, homogêneos, aqueles que de todas as formas atendam suas exigências.

O mais cruel é que a sociedade cria suas regras, e mesmo que essas sejam incoerentes ou injustas, todos acreditam e as seguem. Mesmo aqueles que são os estigmatizados acreditam que de fato são inferiores, menores, menos. E as pessoas com deficiência também trazem dentro de si os conceitos impostos pela cultura, e precisam superar os sentimentos de inferioridade e incapacidade.

Este artigo tem o objetivo de trazer essas questões para serem debatidas pelas pessoas, por ser necessário que se reconstruam esses valores, tanto da pessoa com deficiência, como da sem deficiência, porque as imagens construídas estão na cabeça dos dois lados, e de muitas formas se alimentam, impedindo que se estabeleçam relacionamentos maduros e sustentáveis.

Para escrever essas reflexões, li e reli inúmeros textos, de diversos autores, sensíveis, interessados na questão da pessoa com deficiência. Apesar de reconhecer a riqueza de informações e a dedicação e esforço desses autores em definir e conceituar o que é ser pessoa com deficiência e o que é incluí-las na sociedade, devo confessar que pouquíssimas vezes me senti representada, e raramente reconheci minha vida e meu jeito de ver as coisas nos relatos que li.

Sou cega desde os 15 anos, em conseqüência de um deslocamento de retina, que teve como causa alta miopia. Talvez exatamente por ter perdido a visão aos 15 anos, tenha outro jeito de enxergar as coisas, mas um caso como o meu não é único. Conheço muitos deficientes visuais que adquiriram a cegueira depois de adultos, e não só a deficiência visual como todas as outras, por conta de doenças ou principalmente acidentes de trânsito e de trabalho. Portanto, somos muitos que não nos sentimos retratados pelos estudiosos e pesquisadores do tema “Inclusão das Pessoas com Deficiências”.

Não quero falar em nome das pessoas com deficiência, nem ao menos dos deficientes visuais, não fiz nenhuma pesquisa e não tenho autorização de ninguém para falar em nome do grupo. Tudo que estou escrevendo são minhas próprias reflexões e que eventualmente possam refletir o jeito de viver de várias dessas pessoas.

Em primeiro lugar, não podemos esquecer que estamos no Brasil e que temos carência de quase tudo, e que a desigualdade entre as pessoas no nosso país é um aspecto mundialmente conhecido e que muito nos envergonha como brasileiros.

O ideal de uma sociedade verdadeiramente inclusiva está na cabeça de poucos, e ainda temos muito que avançar para termos uma sociedade com igualdade e respeito a todos.

Percebemos as dificuldades do Brasil na falta de escolas, que é sentida não só pelas pessoas com deficiência, mas por muitas crianças que, em idade escolar, não encontram vagas para estudar; no sistema de saúde, que não previne e nem cuida de todos os nossos doentes; nas poucas vagas e postos de trabalho para os brasileiros em idade economicamente ativa; na realidade de que nem todos possuem casa própria, e que muitos vivem em condições subumanas, e assim por diante. Com esse cenário brasileiro, não podemos e nem devemos esperar que especificamente as pessoas com deficiência tenham tudo o que grande parte dos brasileiros não possui. Não podemos cobrar dos governos, empresas, escolas, e mesmo famílias, o que ainda não sabem e nem podem oferecer. O Brasil está em plena construção de uma sociedade democrática e justa. E nessa construção precisa de todos trabalhando juntos de forma compartilhada e cooperativa, para sermos uma nação forte e sustentável.

Além de sermos brasileiros e vivermos nessa realidade antes de sermos deficientes, somos pessoas, com tudo o que isso significa. Sonhos, medos, história de vida, oportunidades, tendências, vocações, e tudo mais. É comum em minhas palestras eu pedir que as pessoas fechem os olhos e que percebam que continuam sentindo, pensando, desejando as mesmas coisas de quando com os olhos abertos. A deficiência é quase como uma característica pessoal, como cor de cabelo, altura, cor dos olhos.

Desde que nascemos, ou algum tempo depois de adquirirmos uma deficiência, incorporamos suas características, suas limitações, como qualquer outra característica física. Todos nós somos acostumados com a nossa altura, por exemplo, e nos adaptamos às suas particularidades e às vezes até mesmo nos aproveitamos de suas vantagens. Assim também acontece com a deficiência.

A rotina, o sentimento de sobrevivência e a repetição das atividades fazem com que aprendamos a lidar com as limitações e superar as dificuldades, valorizando e explorando ao máximo as facilidades e possibilidades.

Existem inúmeros exemplos de pessoas com deficiência que fizeram e fazem coisas que ninguém acreditava ser possível. Mas eles conseguiram porque convivem consigo mesmos o tempo todo e sabem o que, como, onde e quando devem avançar.

Durante um tempo, e esse tempo depende de cada pessoa, a deficiência causa algum desconforto. A falta de instituições capacitadas, as dificuldades da família na aceitação e no apoio que precisamos, as barreiras arquitetônicas, nos causam insegurança e algumas vezes impotência para superar as dificuldades, mas a vida, com sua força extraordinária, nos impulsiona para o desafio de crescer, de se desenvolver, de avançar.

A deficiência não é doença, a deficiência não dói, portanto nossa vontade, alegria, coragem continuam dentro de nós, e chega um momento que não suportamos a clausura e saímos para a vida.

Sair para a vida, não significa que sabemos o que queremos, nem sempre sabemos ao menos onde estamos, o que somos, quantos somos. Queremos sair para fazer a nossa história, do nosso jeito, de algum jeito.

As crianças fazem birra, gritam, exigem, querem porque querem ir à escola, sair, brincar. Já presenciei inúmeras cenas assim, por um lado a criança tem fome e necessidade de vida, pelo outro os familiares seguram, impedem, proíbem, por medo, por desinformação, por superproteção. Não sei a medida certa. Não tenho receitas prontas, mas sei que falta diálogo entre pais e filhos. Não só das famílias com pessoa com deficiência, infelizmente, mas nesse caso, existe um componente a mais. Cada deficiência tem seus cuidados especiais.

E aqui começam as confusões. O que precisa de cuidados especiais são as deficiências, e não as pessoas. Em algum momento essas duas coisas se cruzam, mas na maioria das vezes deveriam ser tratadas em planos diferentes.

Em um primeiro plano, a pessoa com deficiência, de nascença ou adquirida, precisa de informações, de capacitação, de formas e técnicas de como desenvolver os outros sentidos ou órgãos para superar e compensar ao que foi perdido. Aos deficientes visuais é necessário aprender o uso da bengala, a escrita Braille, a coordenação motora, a noção de espaço, o desenvolvimento do olfato, do ver com os ouvidos. Ao deficiente físico, o desenvolvimento e fortalecimento do membro não afetado e principalmente a exploração do membro deficiente, para que faça o máximo que puder. Aos auditivos, como fazer leitura dos lábios, como aprender a falar (a grande maioria dos deficientes auditivos possuem as cordas vocais perfeitas), aprender LIBRAS (Linguagem Brasileira de Sinais), precisam aprender a se comunicar de alguma forma. Aos deficientes mentais, a se comunicar com clareza, a fazer as atividades da vida diária com facilidade, e aos múltiplos aquilo que precisarem e puderem aprender para se tornarem o mais independente possível.

Algumas vezes esses aprendizados parecem muito esforço e até crueldade para uma criança, ou mesmo um adulto que ficou deficiente e terá que reaprender muitas coisas. Mas na verdade, cruel é não incentivá-los, apoiá-los, empurrá-los, para que aprendam a fazer tudo o que for possível e um pouco mais.

Cruel e desumano é fazer que a deficiência seja motivo da dependência, da submissão, de sua descaracterização. É fazer essas pessoas mais limitadas do que a própria deficiência já o faz. Cuidar do aprendizado específico para cada deficiência é ser responsável e humano.

Em um outro plano encontramos as pessoas que desde o nascimento ou depois de adultos adquiriam uma deficiência. E aqui os cuidados são outros. Alguns aceitam rapidamente e partem para recuperar o que perderam, outros, no entanto, ficam paralisados, sem saber por onde começar. Respeitar o tempo de luto de cada um é fundamental. Ensiná-los as coisas mais práticas ajuda muito. Como escovar os dentes, tomar banho, pentear os cabelos. Na medida em que percebem que conseguem resolver suas necessidades primárias, a mente, o psicológico, vai ousando avançar em outros campos da vida.

Importante entender que as deficiências simplesmente trazem as limitações específicas de sua natureza, nada mais. A cegueira apenas traz à pessoa a limitação de não enxergar, a surdez de não ouvir, a paraplegia de não andar, e assim por diante, portanto é incorreto pensar que a deficiência determina o jeito de ser da pessoa que a possui.

A pessoa é a somatória de suas experiências, oportunidades, sua formação psicológica, sua maturidade espiritual. Por isso é comum encontrarmos pessoas com a mesma deficiência, porém com trajetórias de vida muito diferentes.

Esse é outro conceito importante: as pessoas com deficiência, apesar das semelhanças de suas limitações, não são de forma nenhuma iguais. A generalização, muito comum na cabeça das pessoas, não tem fundamentos sólidos e nem lógicos.

Nesse sentido, as pessoas com deficiências não são santas, e nem diabólicas. Não são absolutamente corajosas, e nem covardes. Nem felizes, nem sofredoras. Não necessariamente ajudam a motivação no ambiente de trabalho, nem prejudicam. As pessoas com deficiência são antes de tudo pessoas, com tudo o que isso significa, somado a um esforço diferente, que é aprender a viver, apesar de sua limitação física, sensorial ou mental.

Pessoas com deficiência trazem consigo medos, inseguranças, desânimos, preguiça, comodismo, rebeldia, tanto como coragem, determinação, alegria, vontade, inteligência, bom senso. Como, aliás, todas as pessoas que estão vivendo e que precisam levantar todos os dias de manhã e ir à luta. E que muitas vezes gostariam de ficar deitadas, que outras tantas se sentem desvalorizadas, cansadas e tristes, e em outros dias, estão absolutamente felizes, realizadas, esperançosas.

Ser pessoa é uma mistura de todos os sentimentos, é ter que enfrentar as limitações, que não são apenas aquelas oficialmente consideradas deficiências, mas todas as outras, como ser loira, ser obesa, ser baiana, ser magra demais, ser mais lenta, ter necessidade de pensar um pouco mais antes de decidir, e assim por diante.

Na verdade, “diversos não são os outros. Diversos somos todos nós”. E em alguma medida, todos precisamos ser aceitos, incluídos, reconhecidos e valorizados.

Relatos como o de Guga Dorea, logo abaixo, são mais comuns do que deveriam. A maioria das famílias não estão preparadas para receber um membro deficiente.

“Eram 12h30 da tarde. Algo de novo estava preste a acontecer em minha existência. O primeiro filho. Sensações inéditas percorriam o meu corpo naquele instante quando, de repente, experimentei o inesperado, que se instalou em meu organismo – fortemente marcado por cargas estigmatizadas – como se fosse um pontiagudo aguilhão.

As horas já haviam se passado. No momento mágico do nascimento, quando aquela nova vida já fazia parte de minha subjetividade, a enfermeira se postou em minha frente, com uma fisionomia de desalento e de quase perplexidade. Thiago estava em seus braços quando ela disse: ‘olhe a testa de seu filho’. Sem compreender o porquê, olhei e, em função da requisição da própria enfermeira, fui levado a confirmar que realmente aquele não compreensível olhar havia se concretizado.

Logo em seguida, a própria enfermeira apontou o corredor ao lado da sala de parto e me chamou para informar, da pior maneira possível, que meu filho poderia ter nascido com alguma ‘anomalia’ genética, mas era para que eu voltasse ao lado da mãe e não transmitisse nenhuma fisionomia contrária àquele momento de habitual alegria e de incontável realização. Afinal, a sua barriga ainda estava aberta.

Nesse instante, e não poderia ter sido diferente, a minha vida parecia haver desabado, o que significou, na prática, a saída instantânea de um mundo aparentemente seguro e confortável, repleto de opiniões e convicções supostamente formadas, para um universo desesperador do caos, da incerteza, da fúria, do ódio, enfim, a minha impressão era de que toda uma existência havia se quebrado, sem chances de retorno a um mar calmo, a um porto seguro.

É como se eu estivesse sendo sugado, exatamente naquele segundo, por um mar extremamente bravio, surgido do nada, que havia me lançado para outro mundo, preocupadamente intolerável e enigmático. O meu corpo não se reconhecia mais naquele ‘eu’, que havia se transformado em um outro corpo, uma outra subjetividade, em suma, estava assustadoramente no limiar de um outro mundo em que meus projetos de futuro não caberiam mais.” (Guga Dorea).

As familias não estão preparadas, principalmente, porque receberam toda carga ideológica que reina no interior de nossa cultura. Deste modo, as reações podem ser as mais variadas: rejeição, simulação, segregação, superproteção, paternalismo exacerbado, ou mesmo piedade. Em geral, um casal nunca tem a idéia de que um dia poderá ter um filho que nasça com qualquer tipo de deficiência. Uma família não tem a idéia de que um membro poderá um dia sofrer um acidente que o faça deficiente. A palavra “deficiente” adquire uma conotação negativa. Deficiente será aquele membro que dará sempre muito trabalho, que viverá encostado à custa da família. Outra angústia é a culpa que a maioria dos pais, particularmente as mães, sentem em relação a um filho deficiente. Sempre encontram falhas, equívocos, esquecimentos, que imaginam ter sido a causa da deficiência do filho. Também existem os casais que culpam um ao outro pelo que aconteceu e é muito comum, os casais se separarem depois do nascimento do filho deficiente, o que só aumenta a culpa e o desconforto com a deficiência.

Alguns pais procuram centros de reabilitação, ou clínicas para um acompanhamento, o que, aliás, é absolutamente necessário, sob pena do agravamento da limitação se isso não for feito em tempo certo. Mas infelizmente, não são todos os pais que podem ou têm a consciência desse dever, e negligenciam os cuidados consigo mesmos, com o filho, e com as necessidades da deficiência. O resultado é, na maioria das vezes, deprimente e cruel, porque traz seqüelas a todos da família, não só para a pessoa com deficiência, mas para todos, e muitas delas limitadoras e traumáticas até mesmo para aqueles que não possuem nenhuma deficiência.

Nesse ambiente de restrições, incompreensões, as crianças com deficiência vão se desenvolvendo como podem, com as dificuldades de qualquer criança, acrescidas das dificuldades da sua deficiência, porque não possuem parâmetros de comparação (em geral, nas famílias, existe uma única pessoa com deficiência). Como essas crianças são mantidas dentro de casa, até por conta da preocupação com sua segurança, ou pelos constrangimentos que trazem, ou mesmo pelo trabalho que dão, não conseguem ter grandes vivências ou experiência, que sabemos serem fundamentais no desenvolvimento infantil. Assim, temos um outro problema sendo construído. Além das limitações da deficiência, encontramos, com bastante freqüência, pessoas com deficiência com dificuldades cognitivas, de desenvolvimento motor e, claro, com imensos comprometimentos psicológicos.

Não é uma tarefa fácil ser pai ou mãe, é um papel dos mais exigentes. Ser pai ou mãe de uma criança com deficiência é significativamente mais difícil, exigindo desses pais dedicação, tempo disponível, autocontrole, energia, e muitos outros atributos que nem sempre são possíveis, até porque não existe uma cartilha que possam seguir, e a maioria das instituições para pessoa com deficiência não possuem programas eficazes para orientação de pais.

A peregrinação de médico em médico, de clínicas especializadas, de Instituições, em busca de ajuda, de entendimento do que está acontecendo com seu filho, é constante e nem sempre frutífera. Na maioria das vezes causa grandes frustrações.

Mas a única saída para que essas crianças tenham maiores perspectivas, mais condições de enfrentar a vida adulta, de conseguirem ser independentes e se sustentarem, é a conscientização dos pais. É a coragem de enterrar o “filho ideal” e de aceitar o “filho real”. Com tudo o que isso significa, inclusive e principalmente a dedicação que lhes será exigida a vida inteira. Não é fácil, porém é a única forma de encontrarem alguma felicidade, quando observarem seus filhos adultos e independentes.

Depois que as crianças crescem, e chegam a idade escolar, a situação não fica mais fácil. Já começa pelo esforço da criança e da família na organização e na superação da insegurança de ir para a Escola. Depois as dificuldades com a locomoção desde a porta de sua casa até a porta da Instituição Escolar. Os cadeirantes, muletantes e cegos, muito mais do que as Deficiências moderadas e leves, mas na falta quase total de acessibilidade nas calçadas, ruas e meio de transporte, em alguma medida todos enfrentam grandes desafios.

Quando conseguem chegar no prédio da escola, se deparam com outros três grandes obstáculos: O primeiro é conseguir entrar no prédio. Na maioria das vezes possuem escadas, (sem rampas ou elevadores) salas super lotadas, com carteira fixas. Depois tem a falta de material didático adaptado. Dificilmente uma escola possui livros em Braille ou com letras ampliadas, computadores com ledores de telas, filmes e documentários com legendas, etc., e, por fim, os professores e diretores, sem nenhum preparo e interesse em ter em sala de aula uma pessoa com Deficiência.
É sempre um esforço sobre-humano da pessoa com Deficiência e suas famílias, a conquista de uma vaga e a aquisição de conhecimentos escolares. Aqueles que conseguem sempre possuem histórias de desconforto, exclusão e até mesmo de humilhações.
Com tantos desafios a enfrentar, agravados pelas dificuldades financeiras, ainda não é grande o número de pessoas com Deficiência que conseguem avançar nos estudos e chegarem até a Universidade e a Pós Graduação.

A Lei de Cotas, (lei 8213/91) que determina que as Empresas tenham um percentual de pessoas com deficiência no quadro de empregados efetivos, trouxe um grande incentivo ao avanço dessas pessoas em todos os aspectos. Provocou efeitos colaterais importantíssimos no processo de inclusão e de respeito pelas Diferenças.

Ao conseguirem emprego e salário, a auto-estima e as condições de consumidores, os tiraram de suas casas e os colocaram nos shoping, cinemas, teatros, nas escolas para se aprimorarem, nas ruas, na vida enfim.

Por outro lado, as pessoas sem Deficiência também tiveram a oportunidade de conviverem com pessoas com Deficiência, e os estigmas, paradigmas, velhos conceitos, pouco a pouco vão se desfazendo, transformando, desaparecendo, e dando lugar a um pensamento inclusivo, humano, natural.

Ouso afirmar, que a comunidade de pessoas com Deficiência, começa ter a Esperança de que a frase “Diversos não são os outros, diversos somos todos nós” seja de fato Realidade. E que a Sociedade, dentro de pouco tempo, seja Inclusiva, Ética e Humana.

Deise Fernandes
Consultora Interna de RH na CPFL – Energia
Responsável pelo programa de Valorização da Diversidade.


Fonte: Planeta Educação - 29/12/2010

APNEN, colaborando na divulgação desta maéria: 30/12/2010

Por um Brasil mais igual

A matéria abaixo foi extraída do jornal Estadão e escrita pela deputada federal Mara Gabrilli*
Há 25 anos uma criança nascida com hidrocefalia não conseguia sobreviver. Hoje, com uma cirurgia para implante de válvula no cérebro ela pode ter vida longa e saudável. Situação parecida ocorre com aqueles que nasceram com paralisia cerebral e não conseguem fisicamente falar. Graças aos avanços tecnológicos, essas pessoas se comunicam por meio de um sistema de computador. Outras, com doença muscular degenerativa, já podem sair das UTIs com respiradores portáteis que contam com baterias de longa duração. Todas elas têm algo em comum: foram agraciadas pelo avanço da medicina e da tecnologia. No entanto, ainda convivem com o pensamento retrógrado de grande parte da sociedade quando têm seu ir e vir ou sua entrada impedida nas edificações por falta de acesso físico, ou, então, quando sofrem com algo muito mais excludente e limitador: falta de conduta acessível e discriminação.

É de espantar que crianças e jovens com deficiência física, visual, auditiva, intelectual, múltipla - beneficiadas por tantos avanços médicos - ainda tenham sua matrícula recusada em escolas comuns. O motivo? As instituições alegam não estar preparadas para isso. Pode até soar responsável, porém uma escola que se diz atualizada, com os melhores professores, laboratórios e tantas outras qualidades, estará pronta para a diversidade humana quando? A mim soa como falta de interesse e, sobretudo, preconceito em razão da deficiência que tais indivíduos têm.

Em 1950, Marlon Brando estreava no cinema como um veterano de guerra que fica paraplégico, no filme Espíritos Indômitos, um drama sobre a angústia e a dificuldade de adaptação que os combatentes da 2.ª Guerra sofriam por terem ficado deficientes. Uma cena foi particularmente marcante para mim: quando o médico explica a altura de sua lesão e conta que, se tivesse atingido o pescoço, não teria chance de sobreviver. "Quem quebra o pescoço morre", decretava. Puxa, eu quebrei o pescoço num acidente de carro, em 1994, e graças aos avanços da medicina estou aqui produzindo, trabalhando.

É paradoxal a ciência possibilitar a continuidade da vida, enquanto a sociedade, de um modo geral, não oferece os suportes necessários para a retomada da vida cotidiana. Garantias legais para vida digna há: desde a Constituição de 1988, a lei federal de acessibilidade (Lei 10.098/ 2000) e o decreto que a regulamenta (Decreto 5296/2004) até a incorporação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU, com força de emenda constitucional. Falta aplicá-las para avançar nas políticas de direitos humanos. A própria Câmara dos Deputados, que aprovou tais leis, somente agora tornará a tribuna acessível a um deputado cadeirante.

Desenvolvemos coisas que o cinema de 1950 chamaria de ficção científica: membros robóticos movidos com a força do cérebro, células que regeneram músculos, neurônios e ossos. Eu mesma ando e pedalo toda semana com a ajuda da tecnologia - quem me vê sentada na cadeira não imaginaria - e o astrofísico Stephen Hawking, que tem uma doença degenerativa, surpreende o mundo com suas ideias.

Conquistamos o mais valioso: o direito a vida. Mas até quando viver vai soar estranho a tantas pessoas com deficiência habituadas a uma sobrevida? Muitos dos progressos que esperamos para as próximas décadas na medicina não beneficiarão a todos porque a maioria das pessoas com deficiência não consegue fazer a manutenção de sua saúde e qualidade de vida porque, simplesmente, os serviços as excluem.

Ouço muito a expressão "preso a uma cadeira de rodas". Nada mais errado: a cadeira é sinal de mobilidade. Ela dá liberdade para ir a qualquer lugar. A verdadeira prisão é a discriminação e o desrespeito ao direito constitucional de igualdade, cujo resultado é visível no número expressivo de pessoas com deficiência que ainda não usufruem os benefícios de educação, trabalho, saúde, esporte, cultura, lazer e transporte por falta de acessibilidade. Ficam trancadas dentro de sua casa.

Por isso, cobrar as políticas públicas necessárias para fazer valer os direitos já garantidos pela legislação e provocar novas mudanças nas cidades é um movimento sem retorno.

A mídia tem papel fundamental e vem contribuindo, seja por meio do noticiário mais abrangente ou pela ficção e pelo entretenimento. A novela das 21 horas da Globo mudou, este ano, costumes e visões. Antes já havia ocorrido, por meio de personagens cegos, surdos, com síndrome de Down. A Eldorado AM tem programa focado nessa temática e chegou a entrevistar no rádio dois surdos, num programa memorável.

O respeito à dignidade da pessoa, inclusive a liberdade de fazer as próprias escolhas, a não discriminação, a plena e efetiva participação e a igualdade de oportunidades são compromissos da República que precisam sair da letra fria da lei e ser adotados pelos cidadãos. Isso é profundamente libertador. Para quem tem uma deficiência e para quem não tem, porque este tema faz parte do coletivo. Não se trata de um segmento isolado ou de uma política específica, mas de habitantes de uma mesma nação democrática.

Somos 28 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência (Censo 2000 IBGE). Não queremos mais brigar para provar que existimos. Queremos dividir o mundo com pessoas de peso, altura, cor, idade, características e condições físicas diferentes das nossas. O movimento pela acessibilidade e a adoção de práticas que atendam a todos está nas ruas para ser visto, comentado e, sobretudo, entendido e promovido. Faça parte deste encontro e se comprometa com a inclusão. Está em suas mãos a escolha de viver num País mais igual.

*VEREADORA EM SÃO PAULO, DEPUTADA FEDERAL ELEITA EM 2010, PSICÓLOGA, PUBLICITÁRIA, COMANDA O PROGRAMA DE RÁDIO "DERRUBANDO BARREIRAS: ACESSO PARA TODOS", NA ELDORADO AM .Portal Mara Gabrilli

Comentário APNEN: Desejamos a Deputada Federal Mara Gabrilli, muita sorte e sabedoria nesta sua nova empreitada, e na luta por melhores condições de vida, direitos respeitados das Pessoas com Deficiência em nosso país.

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 30/12/2010

Assento preferencial não é respeitado no Metrô de SP, dizem passageiros

Usuários do Metrô de São Paulo reclamam da falta de respeito dos passageiros que não cedem lugar a deficientes, idosos e mulheres grávidas. Uma lei federal garante o direito dessas pessoas ao uso do assento preferencial, mas nem sempre isso acontece.

A aposentada Bruna Valente, de 84 anos, afirmou que já passou por situação semelhante. “Pedi para duas moças se elas podiam ceder o lugar para mim, e elas fingiram que não estavam ouvindo”, contou. A idosa insistiu e pediu novamente: “Faz o favor e dá o lugar para mim?” Outros usuários repreenderam as jovens e Bruna finalmente conseguiu sentar-se.

Em algumas ocasiões, a falta de respeito termina em briga. O telespectador Jonatan Santiago registrou imagens pelo celular de uma discussão ocorrida em um trem lotado na Linha 3-Vermelha. Uma jovem que estava em um assento preferencial não quis se levantar para dar lugar a uma idosa. Uma passageira se irritou e começou a discutir.

O bate-boca se transformou em agressão e a mulher tirou a jovem à força do lugar. Após trocarem tapas, as duas foram separadas e uma idosa pôde sentar-se.

Grávida e deficiente

Não são apenas as idosas que passam por situações desagradáveis no transporte público. Amanda está grávida e, apesar da barriga inconfundível, nem sempre consegue lugar no Metrô. “É muito complicado. O pessoal empurra. Essa semana levei um empurrão que as pessoas tomaram minhas dores.”

João Batista, que é deficiente físico, prefere ficar em pé, de muletas, na porta do vagão. “É para não ter amolação para ninguém. Se eu for pedir, às vezes as pessoas querem brigar com a gente.”

De acordo com o Metrô, apesar dos relatos, o clima nos vagões é de respeito mútuo. “É rara [a falta de respeito]. O comportamento mais comum é que ajudem um ao outro”, afirmou o chefe de segurança do Metrô, Rubens Menezes.

Ele disse que, em casos como os citados acima, os usuários devem avisar os seguranças que ficam nas plataformas. São eles que têm a autoridade para retirar o usuário que desrespeita a lei. Em caso de insistência, o infrator pode ser retirado do sistema.

Fonte: G1

APNEN,colaborando na divulgação desta matéria: 30/12/2010

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A questão da acessibilidade

"... a questão da acessibilidade se arrasta com o passar dos anos, sem solução. São muitos os projetos e estudos já apresentados. O que falta é boa vontade dos órgãos estaduais e municipais em realizar as obras necessárias".

Uma "luta" diária enfrentada por deficientes físicos, idosos e pessoas com dificuldades de locomoção pode terminar se mudanças estruturais forem realizadas em Cuiabá e na maioria das cidades brasileiras, que não cuidam da acessibilidade como deveria acontecer. Também nesse setor, a realização de jogos da Copa do Mundo de Futebol em 2014 na Capital aparece como uma boa perspectiva de melhorias. Hoje a realidade é bem diferente do que todos esperam e o sofrimento de milhares de pessoas continua.

O médico Sérgio Henrique Allemand Motta apresentou o projeto de conclusão do curso de Arquitetura e Urbanismo que recebeu a denominação de "Acessibilidade no Centro Histórico de Cuiabá".
O trabalho pode ser de grande utilidade na busca dessas mudanças estruturais pois escancara as problemáticas locais, mais precisamente em ruas centrais de Cuiabá, como a Sete de Setembro, que engloba 3 prédios públicos: Museu da Imagem e Som de Cuiabá (Misc), Igreja Senhor dos Passos e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Motta enumerou problemas como a má conservação da pavimentação em paralelepípedos; a ausência de rebaixamento nas calçadas ("e, quando existem, fora dos padrões"); obstáculos como postes de energia elétrica, troncos colocados nas calçadas para impedir o estacionamento dos veículos e placas de sinalização; calçadas estreitas; inexistência de semáforo nos cruzamentos; falta de estacionamento para deficientes e idosos; falta de informações em braile e de sanitários adaptados.

O projeto também apontou poluição visual devido ao acúmulo de fios elétricos e telefônicos nas vias. "Não é possível o turista tirar uma fotografia da Igreja Senhor dos Passos sem que não apareçam os fios", disse Sérgio Motta. O péssimo estado de conservação de alguns prédios e o abandono de outros (além do lixo acumulado na esquina com a rua Campo Grande) prejudicam tanto o tráfego quanto a permanência das pessoas no centro.

Não apenas a parte externa dos prédios públicos conta com barreiras aos deficientes. No Misc não existe elevador pneumático ou hidráulico para o piso superior, nem rampas. Além disso, os degraus são estreitos demais, não cabe todo o pé do visitante

Esses problemas sempre existiram e não faltaram alertas para que obras fossem realizadas. porém, por mais que as leis existam, estas nem sempre são cumpridas e a questão da acessibilidade se arrasta com o passar dos anos, sem solução. São muitos os projetos e estudos já apresentados. O que falta é boa vontade dos órgãos estaduais e municipais em realizar as obras necessárias. O projeto envolvendo a Copa do Mundo aparece como o caminho mais curto para essa finalidade. Afinal, será, com certeza, uma das exigências para que os jogos sejam realizados na capital.

Esperamos que essa questão, finalmente, seja encarada com mais seriedade.

Fonte: http://www.gazetadigital.com.br/ 28/12/2010

Comentário APNEN: Não é só em Cuiabá não, em muitas outras cidades os nossos direitos não são respeitados, podemos tirar como exemplo, o CENSO do IBGE 2010, fomos excluidos a Lei nº 7853/89 diz no seu Art. 17, "Serão incluídas no censo demográfico de 1990, e nos subseqüentes, questões concernentes à problemática da pessoa portadora de deficiência, objetivando o conhecimento atualizado do número de pessoas portadoras de deficiência no País". No Art.2º desta mesma Lei diz: "Ao Poder Público e seus órgãos cabe assegurar às pessoas portadoras de deficiência o pleno exercício de seus direitos básicos, inclusive dos direitos à educação, à saúde, ao trabalho, ao lazer, à previdência social, ao amparo à infância e à maternidade, e de outros que, decorrentes da Constituição e das leis, propiciem seu bem-estar pessoal, social e econômico".Leis existem, e muitas....mais falta se fazer cumprir....devemos exigir que os nossos direitos sejam respeitados.

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 29/12/2010

domingo, 26 de dezembro de 2010

Região tem 9,5% de ônibus adaptados

Segundo a EMTU, somente 47 veículos que fazem transporte metropolitano são adequados para cadeirantes.

Raoni Zambi - Região

Pedro Amatuzzi TodoDia Imagem
Cadeirante e ônibus não adaptado
Números da EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos) mostram que dos 495 ônibus que fazem o transporte nas 19 cidades da RMC (Região Metropolitana de Campinas), 47 veículos de três concessionárias possuem adaptação para receber cadeirantes, o que representa 9,5% dos coletivos. No total, dez empresas têm permissão para fazer o transporte na região.
Segundo as normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), para ser acessível para cadeirantes, um ônibus precisa de um elevador para subir as cadeiras e espaço sinalizado, com acento especial e cinto de segurança.

A cadeirante e presidente do Conselho de Campinas de Direito de Pessoas com Deficiência, Roseli Bianco Piantoni, explica que a limitação da acessibilidade dos coletivos causa dificuldades de convivência social e prejudica a entrada no mercado de trabalho. “Estamos entrando no mercado de trabalho, frequentando a universidade. E queremos a nossa autonomia, mas para isso precisamos nos sustentar com um trabalho. Se falta transporte para isso tudo fica mais difícil”, disse.

Um decreto federal obriga todos os ônibus intermunicipais, a partir de 1° de janeiro de 2014, a oferecerem condições ao transporte de cadeirantes. No entanto, uma outra determinação obriga, já a partir deste ano, que todos os ônibus que passem a integrar o transporte intermunicipal tenham condições de acessibilidade.

O proprietário da JJ Transportes, Émerson Ghilardi, que atua entre Santo Antônio da Posse e Holambra, disse que o problema da acessibilidade vai além. “Para as empresas terem toda a frota adaptada para cadeirantes é necessário também que os pontos de ônibus e as sargetas das ruas sejam acessíveis”, explicou.

As empresas que possuem parte da frota com ônibus adaptados são Boa Vista, Metropolis e Ouro Verde. A VB Transportes e a Rápido Luxo explicaram por meio de suas assessorias de imprensa que não faz parte do orçamento para 2011 adquirir ou adaptar ônibus para cadeirantes. A Fênix informou que a empresa estuda adquirir nos próximos meses coletivos adaptados. AVA Transportes, Campestre, Salamanca foram procuradas pelo TodoDia, mas não comentaram o assunto.

Fonte: Jornal TodoDia - 26/12/2010

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 26/12/2010

Medalhista paraolímpica volta a andar após dez anos e quer disputar Ironman do Havaí

DA ASSOCIATED PRESS
Bas Czerwinski/AP
A holandesa Monique van der Vorst pode dizer que vive, hoje, uma terceira vida.

Ex-atleta paraolímpica, aos 26 anos, ela passou neste ano o que muitos diriam que é impossível: voltar a andar depois de mais de dez anos, quando médicos davam como irreversível uma paralisia nas duas pernas.

A história de superação de Monique começou há 13 anos, quando ela, sonhando em ser uma atleta profissional, torceu o tornozelo jogando hóquei.

Após um erro médico, uma simples lesão resultou, primeiro, na paralisia da perna esquerda e um ano depois na da direita.

"Na época, vi que depois da consulta minha perna ficou roxa e fria. Dias depois parou de fazer qualquer movimento, e nenhum médico conseguiu me explicar o motivo", disse a holandesa.

"Minha família tentou tudo o que era possível para eu voltar a andar. Fomos a dezenas de médicos, mas ninguém entendia o que acontecia com minhas pernas", comentou.

Após um grande período deprimida, tentando se adaptar a nova vida, Monique conheceu o esporte paraolímpico, mais precisamente as corridas de cadeira de rodas e o handcycle (corrida de bicicleta onde se pedala com as mãos).

Aos 15 anos participou da primeira competição nas modalidades.

"Na época, o esporte me deu autoestima. Aprendi a pensar em possibilidades e não em limitações", disse ela.

Com o passar do tempo, Monique não pensava mais em voltar a correr. A atleta aprendeu, com o esporte, a viver com independência.

Mathilde Dusol/AP - 12.set.2010/AP
Depois de muito treino, ela conseguiu atingir um de seus objetivos: a medalha nos Jogos Paraolímpicos de Pequim-2008.

A atleta foi prata nas duas modalidades, sendo que no handcyle o ouro não foi conquistado na prova de 40km de estrada por apenas 0,13s.

Em 2009, ela também foi destaque do Ironman 2009 no Havaí, como uma das poucas atletas da modalidade paraolímpica a completar a prova.

O Ironman do Havaí é uma das provas mais difíceis do mundo e consiste em um triatlo de 3,8 km de natação, 180 km de ciclismo e 42 km de corrida (equivalente a uma maratona).

Na temporada de 2010, Monique começou a preparação para os Jogos de Londres, em 2012. O objetivo era deixar a segunda colocação para trás e conquistar dois ouros.

Mas o sonho, novamente, não será possível.

Dois acidente mudaram a vida da atleta. Um primeiro em março deste ano, quando estava treinando e uma companheira se chocou contra ela. O impacto a fez cair no chão e, surpreendentemente, as pernas reagiram com espasmos.

"No começo fiquei muito triste com o acidente porque minha preparação para a temporada tinha sido afetada e temia não poder estar bem nos Jogos de Londres", revelou a ex-atleta.

O outro acidente ocorreu em junho e resultou em um momento único na vida de Monique. Durante o treino, ela foi atingida por um carro e sofreu danos na medula espinhal. Neste momento, as pernas voltaram a formigar e em poucos dias ela já podia senti-las.

No primeiro momento, ter a possibilidade de voltar a andar foi um choque.

Mathilde Dusol/AP
"Não foi fácil para ela abandonar a possibilidade competir nos Jogos Paraolímpicos. Tivemos que apoia-la muito para fazer esta transição", disse André Gatos, chefe da missão paraolímpica da Holanda.

Os resultados dos exames foram tão fora do comum, que todos os médicos que cuidavam de Monique ficaram surpresos com o novo quadro.



"Milhares de pessoas tem lesões na medula óssea, cada uma com sensações diferentes no corpo. Mas é incomum poder andar de novo", o médico John Ridwell, especializado em lesões da medula espinhal na Universidade de Glasgow.

Em julho começou a fazer fisioterapia e em dezembro a ex-atleta se emociona por poder dar seus primeiros passos nesta nova vida.

"Competir foi uma grande paixão. Agora é difícil porque eu preciso encontrar um novo propósito na vida. Mas sei que vou superar", falou Monique

Nesta nova fase da vida, a holandesa já tem um novo objetivo também:

"Seria um sonho poder participar do Ironman, mas desta vez como uma atleta comum", finalizou.

Fonte: BOL Notícias - 25/12/2010

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 26/2/2010

Disque Direitos Humanos – 100 – lança novos módulos e terá atendimento 24 horas

Simbolo do telefone
Fone branco sobre fundo preto
A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) lançou os novos módulos de atendimento do Disque Direitos Humanos.

A partir de agora o serviço também vai acolher denúncias que envolvam violações dos direitos de pessoas em situação de rua, idosos, população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) e pessoas com deficiência; esses segmentos se somam ao de crianças e adolescentes, que já era atendido pelo chamado Disque 100. O serviço funciona 24 horas, todos os dias da semana, incluindo domingos e feriados. Os telefonemas são gratuitos e podem ser feitos a partir de linhas fixas ou móveis para o número 100.

O Disque Direitos Humanos é também um canal para divulgar informações e orientações sobre ações, programas e campanhas, bem como de serviços de atendimento, proteção, defesa e responsabilização em direitos humanos disponíveis nas três esferas de governo (federal, estadual e municipal).

As manifestações de violações de direitos humanos acolhidas pelo Disque Direitos Humanos serão examinadas e encaminhadas para os órgãos responsáveis para apuração e providências cabíveis.

Cabe ao Departamento de Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, por meio da Coordenação Nacional do Disque Direitos Humanos “coordenar o serviço de atendimento telefônico gratuito por intermédio do Disque Direitos Humanos, destinado a receber as denúncias e reclamações, garantido o sigilo da fonte de informações, quando solicitado pelo denunciante”, conforme disposto no Decreto nº 6.980, de 13 de outubro de 2009, que aprova a estrutura regimental da SDH/PR.

Atualmente, o número 100 é utilizado para o serviço Disque Denúncia de Abuso e Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes, que é operacionalizado por meio de uma parceria firmada entre a Petrobras e a organização não-governamental Centro de Referência, Estudos e Ações sobre Criança e Adolescentes (Cecria), sob a coordenação da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente da SDH.

A criação do Disque Direitos Humanos tem por objetivo ainda apoiar ações que consolidem as metas e diretrizes de documentos que reflitam o avanço na luta pela garantia dos direitos humanos de grupos sociais vulneráveis, como é o caso da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que tem status de Emenda Constitucional no Brasil, do Estatuto da Criança e Adolescente e do terceiro Programa Nacional de Direitos Humanos – PNDH-3.

Fonte: SDH/PR - 25/12/2010

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 26/12/2010

COE - Centro de Orientação e Encaminhamento para Pessoas com Deficiência e Familiares

Começou a funcionar, a partir do dia 3 de dezembro de 2010, o Centro de Orientação e Encaminhamento para Pessoas com Deficiência e Familiares - COE.

A Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência criou o número 08007733723, com funcionamento de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, e aos sábados, das 8h às 14h, com seis atendentes com deficiência.

O serviço visa disseminar informações sobre os direitos das pessoas com deficiência. O intuito é ampliar a melhoria da qualidade de vida dessas pessoas e seus familiares; minimizar as dificuldades para obtenção de informação e incentivar a criação de políticas públicas, com abrangência no Estado de São Paulo e demais localidades do território brasileiro, voltadas à cidadania e inclusão social das pessoas com defiicência.

O COE surgiu por meio da Lei nº 12.085, de 5 de outubro de 2005 e Decreto nº 50.572, de 1º de março de 2006. O Decreto nº 54.510, de 27 de julho de 2009, altera a denominação do COE e o transfere para a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência.


Informações de Atendimento:
Tel: 08007733723
E-mail: coe.sedpcd@sp.gov.br


Fonte:http://deficientealerta.blogspot.com/2010/12/coe-centro-de-orientacao-e.html
25/12/2010

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 26/12/2010