sábado, 22 de janeiro de 2011

Americana recebe nova laringe e volta a falar após 11 anos

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 22/01/2011

Uma americana conseguiu falar pela primeira vez em 11 anos depois de um transplante pioneiro de laringe e de parte da traqueia nos Estados Unidos.

Antes do procedimento, para falar, Brenda Jensen, de 52 anos, precisava da ajuda de um dispositivo eletrônico, que distorcia a voz.

Além disso, ela não conseguia sentir gostos ou cheiros e respirava por um buraco aberto em sua traqueia.

Esta foi a primeira vez que laringe e traqueia foram transplantadas e o apenas segundo transplante de laringe já realizado.

Treinamento

Jensen perdeu a voz durante uma cirurgia nos rins em 1999. O tubo usado para manter as vias áreas de Brenda abertas feriu a garganta, e a cicatriz que se formou a impedia de respirar e paralisou suas cordas vocais.

A equipe médica da Califórnia resolveu fazer a cirurgia pois Brenda já tinha passado por outros dois transplantes, de rim e pâncreas, e já tomava medicamentos para evitar a rejeição dos órgãos, o que facilitaria um novo procedimento.

A cirurgia foi feita em outubro no Centro Médico da Universidade da Califórnia e durou 18 horas.
Os médicos retiraram de um doador a laringe, a tireoide e seis centímetros da traqueia e os colocaram na garganta de Brenda, religando tudo à corrente sanguínea e aos nervos da paciente.

Treze dias depois da cirurgia, Brenda falou pela primeira vez.

"Bom dia, quero ir para casa", foram as primeiras palavras da paciente após o transplante.

Desde a cirurgia, a voz de Brenda melhorou muito e ela pode falar facilmente por períodos mais longos, depois de treinar o uso das novas cordas vocais e dos músculos.

Click para assistir o Video: http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultimas-noticias/bbc/2011/01/21/americana-recebe-nova-laringe-e-volta-a-falar-apos-11-anos.jhtm

Fonte: UOL - Ciência e Saúde - Notícias - 21/01/2011

Artista ensina pintura a cegos na China

Professor afirma que pintura não deve ser vista como forma estética, mas emotiva de arte.
da Redação
APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 22/01/2011
Foto Internet
Há mais de três décadas, o artista Zeng Bailiang ensina pintura a estudantes cegos na China.
Os estudantes passam horas praticando sobre um papel especial, com água em vez de tinta. Dessa forma, os estudantes sentem com os dedos a diferença entre as partes pintadas.

Aos 53 anos, Bailiang considera as aulas uma forma de unir a paixão pela arte com a satisfação de ajudar o próximo. Muitos dos estudantes são órfãos que o procuraram em busca de novidade e diversão.

Bailiang afirma que a inspiração para as aulas veio de um órfão cego
A inspiração para dar aulas a cegos veio de um órfão, que há muitos anos descreveu com detalhes o que tentava desenhar na areia. 'Fiquei chocado e desde então passei a acreditar que a pintura não deve ser vista como uma forma de arte estética, mas sim como uma forma emotiva de arte', afirmou.

Ao longo das décadas, ele mudou as técnicas que usa para ensinar e adapta o método à personalidade de cada estudante. Para ajudar os estudantes a se manterem pintando, Bailiang também financia do próprio bolso cursos de massagem e acupuntura, empregos que o governo chinês vem incentivando cegos a desempenharem. Dessa forma, muitos não só despertam para a arte como acabam conseguindo empregos graças às aulas de pintura.

Fonte: G1 - 21/01/2011

Um livro em braille sem páginas perfuradas

A designer gráfica brasileira Wanda Gomes criou novo método de impressão com imagens e até cheiro.
APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 22/01/2011

Acaba de ser enviado a escolas, bibliotecas e instituições educacionais, um livro em braille diferente. Adélia cozinheira, que lança a Coleção Adélia, é o primeiro título 100% inclusivo. Isso porque permite a leitura simultânea de crianças com e sem deficiência visual, já que o livro não tem suas páginas perfuradas pelo método tradicional. O trabalho é o resultado da união entre as pesquisas da designer gráfica Wanda Gomes, da concepção literária da escritora Lia Zatz e das ilustrações da artista plástica Luise Weiss. Utilizando o mesmo sistema do braille (com as letras resultando da combinação entre seis pontos), o novo processo diferencia-se por não furar o papel, permitindo a edição de grandes tiragens e em conjunto com a impressão offset, o que garante ao material maior durabilidade e a possibilidade de unir o braille a cores e texturas.

Dessa forma, o novo sistema de impressão, denominado Braille.BR, é fator preponderante na democratização do acesso aos meios culturais e de inclusão social, já que elimina o isolamento a que as crianças com deficiências visuais são submetidas na maioria das escolas.

Responsável pelo texto, Lia Zatz utiliza uma retórica simples e direta, abordando por meio de assuntos ligados à autonomia, independência e relacionamentos, temas importantes das atividades diárias do universo infantil.

Em Adélia cozinheira, a menina Adélia exercita sua independência preparando o café da manhã para fazer uma surpresa aos seus pais, que ainda dormem. Utilizando aromas, relevos e texturas, as contrastantes e coloridas ilustrações de Luise Weiss andam lado a lado com o texto, cumprindo de forma rica a função da informação, seja através do traço solto e diferenciado daquele comumente encontrado na literatura infantil, seja através da aplicação extremamente cuidadosa das cores.

O nome da personagem foi inspirado em Adélia Sigaud que aprendeu braille com José Álvares de Azevedo, que havia estudado seis anos em Paris. Adélia Sigaud, cega, filha do Dr. Xavier Sigaud, médico francês que esteve a serviço da corte de D.Pedro II, foi a primeira mulher brasileira a dominar o sistema braille, tornando-se mais tarde grande estudiosa do assunto.

A coleção Adélia, fruto de ampla pesquisa de conteúdo e forma, é adequada tanto para quem é totalmente cego como para quem tem visão subnormal ou normal. O objetivo da publicação é atingir o público infantil de 3 a 10 anos, incluindo crianças com deficiência visual com grau de limitação de 10 a 100%. No Brasil, estima-se que existam 1,2 milhões de pessoas cegas e quatro milhões com algum tipo de deficiência visual.

Projeto gráfico

A impressão Braille.BR é sobreposta e não prejudica a qualidade da impressão normal em offset. A leitura da primeira não interfere na segunda e vice-versa, e por essa razão é 100% inclusiva. A durabilidade é indeterminada e os pontos não cedem à leitura/pressão dos dedos, como na impressão convencional do sistema braille. Além disso, a qualidade visual não é prejudicada, já que o novo sistema de impressão não rompe o papel e não causa baixo relevo no verso da folha.

Mas o projeto gráfico de Wanda Gomes não se resume à aplicação do inovador sistema de impressão braille; todos os elementos gráficos do livro foram trabalhados de forma a enriquecê-lo nos três aspectos da percepção humana: visual, tátil e olfativa. Assim, o aproveitamento da obra assume alto nível qualitativo convidando todas as crianças à imaginação e à experimentação.

Os caracteres foram ampliados e a fonte foi escolhida com base em estudos e pesquisas realizadas por estudiosos e profissionais em design de tipos para crianças.

A publicação traz em suas páginas ilustrações com brilho, textura e relevo, aplicados por meio do processo de impressão serigráfica, a partir de fotolitos especialmente confeccionados para produzirem características especiais e variadas sobre as ilustrações de Luise Weiss. Além disso, conta com a aplicação de dois aromas em forma de microcápsulas, conferindo aos objetos representados maior capacidade de aguçar os sentidos da criança.

Considerando as necessidades específicas dos deficientes visuais, o design utiliza-se ainda de cores fortes e contrastes, com o intuito de favorecer a leitura e oferecer a maior qualidade de percepção visual possível.

Lei Rouanet

Adélia cozinheira recebeu incentivo para produção de três mil livros da IBM Brasil, através do benefício da Lei Rouanet, do Ministério da Cultura. A tiragem foi doada a bibliotecas públicas e instituições de ensino. A tiragem comercial está em fase de captação de recursos e tem valor estimado de R$ 65. O sistema de impressão Braille.BR contou com apoio técnico da empresa Efeito Visual Serigrafia, gráfica especializada em alto relevo, que desenvolveu a tinta exclusiva e realizou numerosos testes de impressão e leitura, necessários ao completo desenvolvimento do projeto.

Fonte: http://www.publishnews.com.br/telas/noticias/detalhes.aspx?id=61295

"Movimento Inclusão Já" e a acessibilidade no Parque Ibirapuera

O presidente do Movimento Inclusão Já, Valdir Timóteo, juntamente com os membros do movimento, iniciaram o processo de reivindicação pela acessibilidade no parque em dezembro de 2008.
da Redação
APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 22/01/2011


O diretor do DEPAVE 5 (Departamento de Parques e Áreas Verdes) de São Paulo, Heraldo Guiaro, recebeu, no dia 8 de fevereiro (2009), integrantes do movimento Inclusão Já em uma reunião para discutir a falta de acessibilidade nos parques de São Paulo.

De acordo com Valdir Timóteo ( foto acima), coordenador geral do movimento Inclusão Já, a reunião se deu pelo seguinte motivo: Em dezembro de 2008, um grupo de cadeirantes, do qual ele fazia parte, esteve em um passeio no Parque do Ibirapuera. Nesse dia, as vans do Atende (programa da Prefeitura que disponibiliza transportes aos portadores de deficiência) foram proibidas de entrar no parque e os cadeirantes tiveram que desembarcar do lado de fora.

Após uma reclamação e em uma segunda visita, essa no dia 25 de janeiro – aniversário de São Paulo – o grupo voltou a se reunir no Parque do Ibirapuera. Dessa vez, conseguiram desembarcar dentro do parque, porém o problema foi quando um deles precisou ir ao banheiro. Depois de uma longa procura, isso por conta da falta de placas de sinalização, o grupo encontrou um banheiro fechado com cadeado. Valdir avisou os seguranças, que abriram o banheiro, o qual ainda precisava ser limpo para depois ser utilizado. Diante da situação, Valdir entrou em contato com a Secretaria do Verde e Meio Ambiente - SVMA. A administração alegou que o banheiro estava fechado para reformas e depois de um pedido de desculpas, Valdir foi convidado por Eduardo Jorge Martins Alves Sobrinho, secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente, para apontar as irregularidades encontradas por ele no parque, em termos de acessibilidade. "É muito fácil ser deficiente físico, isso qualquer um pode vir a ser um dia, o difícil é ter os direitos respeitados", reclamou Valdir.

Na manhã do domingo, dia 8, os integrantes do movimento chegaram por volta das 10 horas para um "passeio pelo parque" com Heraldo Guiaro ( foto abaixo). Logo no início, Valdir ofereceu ao diretor do DEPAVE uma cadeira de rodas para que ele não só testemunhasse, mas também “sentisse na pele” as dificuldades pelas quais passam as pessoas com deficiência em um local com pouca acessibilidade.

Durante o trajeto, que teve inicio na marquise, próxima ao o Museu Afrobrasil, foram registrados alguns problemas, tais como: calçadas irregulares e esburacadas, rampas também irregulares, falta de placas indicativas, falta de acesso para pessoas com deficiência ao playground e grelhas inadequadas nos bueiros. Valdir reclamou também da distância entres os banheiros, das portas que são pequenas para a passagem das cadeiras de rodas e sugeriu ainda que ao lado dos banheiros fossem construídos trocadouros para as crianças e também para as pessoas com deficiência. Além disso, o coordenador do Movimento Inclusão Já entregou a Heraldo um documento contendo sugestões para melhorar a acessibilidade, entre elas o treinamento de funcionários para lidar com os diferentes tipos de deficiência e projetos de brinquedos adaptados para crianças com deficiência. "Quando uma criança com deficiência vai ao parque, ela não tem como brincar e tem que ficar só olhando as outras brincando. Isso faz com que ela se sinta mais excluída", reclamou Valdir.

O chefe de gabinete da SVMA Hélio Neves (foto), que passeava com o filho pelo parque, veio se juntar à "caravana" e também foi convidado a andar de cadeira de rodas, tentou por alguns instantes, mas desistiu e seguiu a pé até o final do trajeto que "por coincidência", acabou no Jardim das Esculturas, um espaço que destoa de todo o resto do parque por ser considerado o espaço da acessibilidade, com grelhas corretas nos bueiros e rampas padronizadas. "Esse é um exemplo para ser usado no parque inteiro", observou Valdir.

No fim do "passeio", Heraldo Giaro afirmou que deve tomar providências imediatas para resolver os problemas mais visíveis, como os buracos na marquise, a padronização das rampas e as portas dos banheiros. "É claro que não estou falando hoje para fazer na segunda-feira, temos que considerar o tempo médio da prefeitura, mas vou tomar providências", explicou e disse ainda que vai analisar a proposta dos brinquedos adaptados. Quanto às placas de sinalização e a construção de novos banheiros: "É muito difícil fazer mudanças que não estão previstas no plano diretor, até mesmo estando no plano diretor é difícil. Uns vão a favor outros contra, não é tão fácil, é uma dificuldade danada", opinou Hélio Neves.

Sobre ser cadeirante por um dia, Heraldo (foto) disse que foi uma experiência marcante: "São braços que são utilizados como pernas. São situações que passam desapercebidas pelas pessoas que caminham com as pernas, mas temos que entrar em contato com o problema". Questionado sobre o motivo da falta de acessibilidade nos parques da capital o diretor respondeu: "Quem constrói os parques, as rampas, geralmente faz parte da grande maioria que não sofre com problemas de acessibilidade".

Segundo Valdir, a proposta para o Parque do Ibirapuera servirá de base para adaptações em outros parques da capital. Heraldo Guiaro diz que pretende manter uma relação estreita com o movimento Inclusão Já para resolver os problemas. É esperar para ver.

Fonte: Deficiente Ciente - 21/01/2011

Repercussão da matéria sobre audiodescrição no “Bom Dia Brasil”, da Rede Globo

Militantes na luta pela implementação da audiodescrição na televisão brasileira sentem-se indignados com a matéria veiculada no jornal “Bom Dia Brasil”, da Rede Globo.
da Redação
APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 22/01/2011



Joana Belarmino:

Viram hoje a reportagem da Rede Globo, no Bom Dia Brasil, sobre o cinema acessível? Perceberam o que eu percebi? A palavra audiodescrição foi censurada, proibida, que coisa louca. Apareceu alguma legenda com o termo para os que vêem?

Rô Barqueiro:

Também notei a ausência da referência Audiodescrição, estranhamente. Também só ouvi, mas percebi que foram usadas outras palavras

Flávia Machado:

Realmente não passou da expressão "tudo é descrito ao pé do ouvido". Não houve legenda sobre o termo. Além disso, na chamada da matéria o Alexandre Garcia já enfatizou: “Uma sessão de cinema só para cegos”. A farsa do merchandising social nas novelas é denunciada também nesse tipo de jornalismo. Eles nem se preocuparam em falar que sendo a recepção da “voz ao pé do ouvido” fechada, qualquer espectador com deficiência visual poderia freqüentar salas de cinema que tivessem o recurso. Seria uma abertura ameaçadora o questionamento da falta da audiodescrição na programação de TV...

Joana Belarmino:

Falaram em inteligencia, criatividade, a pessoa cega disse que era como se estar sonhando. foi muito ruim. uma censura tola e inútil.

Lívia Motta:

Acabei de assistir a matéria pelo link. Fiquei impressionada com a falta de informação mais detalhada sobre o recurso e a ausência do termo: AUDIODESCRIÇÃO. Também me incomoda bastante essa coisa de sessão só para cegos. E que coisa isso de pé do ouvido... E olhe que no próprio Bom dia Brasil, já houve matéria sobre audiodescrição na ópera Cavalleria Rusticana.

Rô Barqueiro:

Será que não é o caso de escrevermos também no fale conosco do jornal, da Globo? Talvez com cópia para outras emissoras e outros.... podemos indicar alguns sites para que eles "tenham mais informações" (ou então, saberem que tem gente atenta). Já que optaram em polemizar, podemos fazer o mesmo. Só que de forma profissional, contextualizando...

Elton Nunes:

A Globo mostra, com esta matéria, sua intenção declarada de não acatar nenhuma decisão judicial ou cumprir nenhum decreto de implantação do recurso na TV. Acho que não tem a ver com os subservientes profissionais que fizeram esta matéria, mas com opções políticas. Certamente alguma coisa está rolando, e esta matéria foi um aviso claro para quem sabe da luta sobre audiodescrição e um desvio de atenções para quem não conhece o tema. A Globo é boazinha e está do lado dos pobres ceguinhos que agora tem um cineminha só para eles. Não foi reportagem, foi quase uma campanha da fraternidade à moda antiga. Mas audiodescrição, nem pensar!!!!

Paulo Romeu:

Já publiquei a transcrição da matéria e o vídeo no blog. Incluí uma nota na qual também questiono esse tipo de atitude da emissora.

Rô Barqueiro:

Depois de ter assistido novamente, vi que o maior problema foi a chamada e a narração da reportagem. A captação de imagens e inclusive o apoio da pessoa que não foi identificada não compromete, mesmo os comentários (que podiam ter sido melhores... mas, depoimentos, são depoimentos!). Acho que a fala do Alexandre Garcia pesa, mesmo da repórter e principalmente, por ter sido neste jornal. Quer queira, quer não, são formadores de opinião. Por isso acho que devemos escrever, com cópia para as Secretarias e Ministérios e todos que estejam envolvidos com as ações que garantem os direitos das pessoas com deficiência: Dep. Fed. Mara Gabrilli, Secretária de Estado Dra. Linamara... Com norma ou sem norma, é preciso " deixar claro " o que é e para que serve a Audiodescrição. Se ainda assim não quiserem usar, que não divulguem de forma imprópria, ou usem/abusem de forma equivocada...

Virgínia Menezes:

Penso que, por ser uma luta por direitos, essa é uma luta política. Não devemos nos preocupar em estarmos lendo os sinais. Quando se trata de questões dessa natureza, qualquer coisa que nos chama a atenção, merece nossa análise cuidadosa. penso que a matéria disse o que queria dizer. Por isso mesmo não devemos ficar calados. A ideia da Ro é ótima. Vamos aproveitar o prato quente e apontar todos os equívocos possíveis inclusive o de que somos “””idiotas”””.

Fonte: Blog da audiodescrição - 21/01/2011

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Entrevista com lesado medular

Renildo Dias de Oliveira, que sofreu uma lesão na medula e hoje é cadeirante, expõe suas principais críticas sobre a falta de acessibilidade nos lugares públicos.
Maria Alice Furrer Matos
APNEN, colaborando na divulgação desta matéria:21/01/2011


Renildo tenta subir a rampa feita com dois trilhos

Acessibilidade na Prática: Segundo a NBR 9050, segunda edição válida a partir de 30/06/2004, a “acessibilidade” é definida como a possibilidade e condição de alcance, percepção e entendimento para a utilização com segurança e autonomia de edificações, espaço, mobiliário, equipamento urbano e elementos, e ser “acessível”, segundo a norma, é o espaço, edificação, mobiliário, equipamento urbano ou elemento que possa ser alcançado, acionado, utilizado e vivenciado por qualquer pessoa, inclusive aquelas com mobilidade reduzida. O termo acessível implica tanto acessibilidade física como de comunicação. A partir destes conceitos teóricos, explique de maneira prática o que é acessibilidade para você.

Resposta: Acessibilidade é aquilo que só entendemos depois que passamos a necessitar pessoalmente, através de um familiar ou ente querido. Quando eu “andava”, lia ou ouvia dizer sobre este termo "acessibilidade". Hoje, luto para que as pessoas o conheçam enquanto novas, porque não desejo que ninguém passe pelo que passei, mas desejo que todos vivam muito e vivendo muito irão envelhecer, envelhecendo vão precisar da acessibilidade.

Acessibilidade na Prática: Existiu algum evento no qual a tentativa de tornar um ambiente acessível acabou gerando um maior desgaste físico na sua rotina?

Resposta: Sim! Frequento um prédio que tem uma escada no hall de entrada. Para meu conforto, mandaram construir uma rampa e adivinhem! Construíram um par de trilhos! Além de super perigoso, só passava as rodas de trás da cadeira e custaram incríveis R$ 1.200,00.

Acessibilidade na Prática: A partir deste evento, quais providências foram tomadas para melhorar a sua acessibilidade? E você, as considerou úteis?

Resposta: Eu reclamei, como não podia deixar de fazê-lo. Ameacei chamar os jornais locais e a rampa foi refeita, desta vez inteiriça.

Acessibilidade na Prática: A questão de ser dependente atrapalha a rotina de muitos deficientes físicos. No seu caso, qual fator você considera minimizar este impacto?

Resposta: Dirigir e ter veículo próprio, porque ser cadeirante e depender de transporte publico é o fim da picada.

Acessibilidade na Prática: A questão da acessibilidade, embora muito discutida, é pouco utilizada em nosso cotidiano. Na sua cidade (Belo Horizonte - MG), você já conseguiu alguma mudança significativa para melhorar o ir e vir de pessoas com deficiência? Como?

Resposta: Sim. Na construção do último shopping, conseguimos a instalação de banheiros adaptados em separado (masculinos dos femininos). Todavia, a luta maior é pelo rebaixamento das calçadas e fiscalização das vagas destinadas às pessoas com deficiência.

Acessibilidade na Prática: Mande um recado para as pessoas que ainda não compreenderam o que é Acessibilidade na Prática.

Resposta: Nobres cidadãos, eduquem seus filhos, respeitem as vagas demarcadas, respeitem os assentos em transportes públicos, promovam a acessibilidade em suas construções, empresas e casas, empreguem os deficientes e ajudem apenas quando a ajuda for solicitada. Feliz 2011 e sejam muito felizes!

Fonte: Acessibilidade na prática - 20/01/2011

'Contra-diversidade' - Artigo de Claudia Werneck

"As diversidades humanas (...) não são direitos, mas sim condições intrínsecas para o exercício dos direitos humanos e fundamentais"

Claudia Werneck
APNEN, Colaborando na divulgação desta matéria: 21/01/2011


O que têm em comum a índia guarani que percorre a fronteira de países do cone sul sem direito a uma pátria e a criança com paralisia cerebral rejeitada como aluna na escola pública regular de sua comunidade?

Ambas são consideradas exemplos típicos de diversidade. A índia ou indígena foge claramente aos padrões sobre os quais se apóiam inúmeros projetos de gênero ou de direitos humanos. A criança com paralisia cerebral ainda é percebida pela área social como uma coringa desengonçada que atrapalha” grande parte dos projetos de educação em desenvolvimento no Brasil. Uma coringa que pode entrar e sair do jogo, porque não tem, por direito, um lugar.

Como figuras marcadas e exóticas, tanto a mulher indígena quanto a criança com deficiência são até convidadas oficialmente para compor cenários nos quais a diversidade é necessária e indica mérito e consciência cidadã para quem a propõe. Mas raramente são percebidas como sujeitas de todo e quaisquer direitos, entre eles, o de participar de processos que lhes interessem direta ou indiretamente.

Refletir sobre diversidade é o início de algum processo que, se bem conduzido, nos permitirá participar da demolição do que está posto como ético no terceiro setor do Brasil. Este é o desafio proposto pela 'Escola de Gente - Comunicação em Inclusão' quando falamos de diversidade, estigma, discriminação. A diversidade não é uma pauta, assunto, opção, mas um valor intrínseco a qualquer decisão tomada pelas organizações e pelos(as) empreendedores(as) sociais. Quanto mais comum, íntima e corriqueira for a decisão, mais refinada deverá ser a percepção de diversidade do ator ou atriz que a assumirá. De onde vem o valor dos seres humanos? Das semelhanças finitas ou das diferenças infinitas que nos caracterizam?

Pensar sobre diversidade liberta, mas para isso devemos abandonar algumas certezas; entre elas, aquelas oriundas de uma visão dicotômica de mundo... Nada mais aprisionador do que imaginar que entre a pessoa mais gorda e a mais magra existem as“mais ou menos gordas... Ao contrário, o que existe é uma infinidade de seres humanos com pesos e formas diversas únicos e inimitáveis. Todos com igual valor humano e social.

Talvez a maior dificuldade que os(as) empreendedores(as) sociais enfrentem para tratar de diversidade direta ou transversalmente ainda advenha do ímpeto de se imaginarem “mantendo sob controle” a diversidade com a qual irão atuar. Diversidade é o não-controle. Jovens que vivem em uma população ribeirinha são, simultaneamente, pessoas com orientação sexual, religião, posicionamento político e origens familiares distintas, mas costumam ser tratados(as) prioritariamente nos projetos como um bloco homogêneo formado por pessoas que têm, em comum, características que os(as) transformam em públicos-alvos dos projetos.

A diversidade é o início de tudo e jamais será o fim de alguma reflexão, processo, idéia. Revoluciona, nunca reforma. A dificuldade de avançar nas reflexões sobre diversidade pode residir no entendimento antigo do tema não como acelerador de processos, mas, equivocadamente, como algo decidido, acabado, fechado. Ao contrário, pensar ou não em diversidade interfere diretamente nas práticas de controle social e nos processos democráticos de tomada de decisões.

Assim como a mídia e a dramaturgia, a área social brasileira está habituada a se pautar pelo estigma. Muitas das decisões diárias e até estratégicas do terceiro setor para decidir planejamento e orçamento de projetos são tomadas a partir de movimentos de reação – rejeição ou sedução – a um determinado estigma. O estigma nasce da dificuldade ou impossibilidade do senso comum em lidar com a diversidade.

Expressões como 'direito à diferença',“'respeito à diferença'”ou 'ser diferente é normal'”perpetuam o estigma, porque de modo sutil insistem em garantir que algumas pessoas têm diversidades tão mais nobres que a elas cabe o direito de julgar a diversidade ou diferença do(a) outro(a) e até aboná-la. As diversidades humanas, culturais, religiosas, étnicas, regionais, quaisquer diversidades, não são direitos, mas sim condições intrínsecas para o exercício dos direitos humanos e fundamentais. Não há eqüidade sem diversidade.

Sendo a diversidade um valor, precisa ser exercitada por meio da adoção de uma nova ética, a “ética da diversidade”, que se contrapõe à “ética da homogeneidade.“Ética da homogeneidade” é aquela que admite modelos de pessoas e de culturas, valorizando única e exclusivamente as semelhanças que existem entre elas. Neste sentido, a “ética da homogeneidade, ao criar uma hierarquização de condições humanas e seus modos de vida, permite a categoria do “diferente. A “ética da diversidade, ao contrário, por apoiar-se na certeza de que a humanidade encontra diferentes formas de se expressar, não admite comparações entre condições humanas, religiosas, culturais, de etnia, região, gênero, entre outras.

A maioria dos projetos que nós produzimos hoje, no terceiro milênio, parecem contemporâneos e inovadores, ainda mais quando fundamentados. Tanto parecem inéditos que se torna difícil denunciar a inadequabilidade desses projetos, ainda mais quando versam sobre grupos de algum modo vulnerabilizados, abordando temas como diversidade, inclusão, eqüidade, princípio da não-discriminação e direitos humanos.

Mas que delicado e constrangedor. Tomar decisões a partir do estigma aprisiona as lideranças da área social e empobrece os sonhos. Pautar-se pelo estigma significa optar pelo palatável, pelo senso comum, mesmo que seja para questioná-lo... E nada é mais estimulante do que ser capaz de transformar algo antigo em um projeto aparentemente super novo. Apenas aparentemente novo, repito, porque o novo não é exatamente o oposto do velho. Não é desse modo que avaliamos um bom cirurgião plástico? Pela sua capacidade de operar transformações importantes sem mudar a essência das faces, das expressões? Tomar decisões pelo estigma é manter o novo”sob controle. A sensação de estar no controle é ótima, dá segurança... E empobrece os sonhos...


Claudia Werneck
Jornalista e escritora
Fundadora e superintendente geral da 'Escola de Gente - Comunicação em Inclusão'


Fonte: Escola de Gente - Comunicação em Inclusão - 20/01/2011

Mogi ganhará centro de paradesporto em 2011

O Ginásio Municipal que está se tornando acessível se tornará um dos núcleos destinado à prática esportiva com atletas deficientes.
da Redação
APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 21/01/2011

A instalação de uma unidade da Associação de Auxílio à Criança Deficiente (AACD) em Mogi até outubro do ano que vem não encerra os investimentos da Prefeitura para pessoas que possuem algum tipo de deficiência. No decorrer de 2011, uma série de medidas e investimentos em favor dos mogianos deste segmento deve ser implementada. De acordo com o secretário municipal de Esportes e Lazer, Nilo Guimarães, ainda no primeiro trimestre de 2011, deve ser inaugurado na cidade um centro de paradesporto.
Como o próprio nome sugere, trata-se de um espaço específico para treinamentos e competições de atividades esportivas, envolvendo atletas com deficiência. Um dos núcleos deste centro paradesportivo será o Ginásio Municipal "Professor Hugo Ramos", no Mogilar. O espaço está sendo reformado pela administração municipal por cerca de R$ 250 mil.
Os serviços incluem troca de pisos, substituição de vigas e instalação de elevadores para proporcionar o acesso dos deficientes ao patamar das arquibancadas. "É uma obra inédita tanto pelo serviço (nos 16 anos de existência do Ginásio Municipal nunca houve um processo de revitalização do espaço) como pela questão de acessibilidade. O ´Hugo Ramos´ será um dos poucos ginásios do Estado a possuir acessibilidade", destacou Guimarães.
O projeto de tornar o Ginásio Municipal acessível, aliás, é o principal motivo apontado por Nilo Guimarães para o atraso de mais de três meses na sua revitalização. A proposta inicial previa serviços de até 60 dias para apenas troca de piso e pintura, porém, o projeto foi reformulado para a construção de rampas que darão acesso à quadra, além de uma plataforma, que conduzirá o cadeirante do piso térreo até a arquibancada.

Hoje, segundo o secretário, existem dois ou três ginásios em todo o Estado que atendem às exigências da Confederação do Paradesporto Brasileiro.
A previsão é de que os trabalhos terminem em março de 2011 - sete meses antes dos Jogos Abertos, quando Mogi será cidade-sede. "É claro que iremos aproveitar o Ginásio Municipal para as competições dos Jogos Abertos. Porém, o grande objetivo é ter em Mogi um centro de paradesporto. O Ginásio Municipal será um dos núcleos deste centro", frisou Guimarães. E, para auxiliar nos trabalhos relacionados às atividades paradesportivas, o secretário de Esportes e Lazer de Mogi contratou o campeão paraolímpico de bocha adaptada nos Jogos Paraolímpicos de Pequim, em 2008, Dirceu Pinto. "Ele nos ajuda por meio dos contatos que tem, e com o incentivo que ele representa para os cadeirantes. Ele está conseguindo cada vez mais popularizar a bocha adaptada. Chegamos a ter 20 cadeirantes interessados em aprender e entender a modalidade", reforçou Guimarães.
Outros espaços cotados para desenvolver atividades paradesportivas são: o Centro de Atividades do Trabalhador (CAT) do Sesi de Brás Cubas e o Centro Esportivo do Socorro.

Fonte www.moginews.com.br - 20/01/2011

Liminar garante a cadeirante ajuda para subir rampa de prédio onde mora em MG

O auxílio dado pelos porteiros fora extinguido pelo condomínio a pretexto da segurança do prédio.

Raphael Veleda

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 21/01/2011
Matéria postada neste blog,em 19/01/2011

Uma liminar da Justiça de Juiz de Fora (MG) obrigou um condomínio da cidade a retomar a ajuda para que uma moradora cadeirante consiga subir uma rampa da garagem, no subsolo, até o hall do prédio, onde fica o elevador.

Conforme o colunista Jairo Marques relatou ontem na Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL), em dezembro do ano passado o condomínio proibiu os porteiros de ajudar a funcionária pública Ana Tereza Componizzi, 52, a subir a rampa, que ela não consegue vencer sozinha. A justificativa foi a segurança e a funcionalidade do prédio.

"Ninguém havia reclamado comigo, mas a síndica me disse que os moradores estavam incomodados, que era muito privilégio para uma pessoa só", disse Componizzi, cadeirante há 29 anos.

"Tenho uma cadeira de rodas ao lado da minha vaga na garagem e só preciso de ajuda por menos de um minuto, o tempo de subir a rampa, mas a síndica achou isso demais", completou.

Componizzi decidiu, então, entrar na Justiça. Na mesma semana, a juíza Ivone Cerqueira, da 3ª Vara Cível de Juiz de Fora, concedeu liminar garantindo a ela o direito de ir e vir.

A juíza estabeleceu uma multa diária de R$ 1.000 em caso de descumprimento da decisão, mas não foi preciso aplicá-la. "Os porteiros estavam apenas cumprindo ordens", disse.

Segundo a cadeirante, a rampa do prédio é muito íngreme e está fora das normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), mas a síndica impediu uma medição para colocar esses dados no processo.

Procuradas, a síndica do prédio e a advogada Aidê Galil, que defende o condomínio, não quiseram comentar a decisão.

Fonte: Folha de S.Paulo - Juiz de Fora - MG, 20/01/2011

Delegado que agrediu cadeirante é afastado do cargo no interior de SP

Policial ocupou com seu carro uma vaga exclusiva para deficientes físicos. Briga ocorreu em São José dos Campos, na segunda-feira (17).

O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Antonio Ferreira Pinto, determinou no fim da tarde desta quinta-feira (20) o afastamento do delegado titular do 6º Distrito Policial de São José dos Campos, Damasio Marino. Ele deixa o cargo depois da agressão a um cadeirante na segunda (17) no Centro de São José, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo.

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 21/01/2011

Em nota, a secretaria informou ainda que a Corregedoria da Polícia Civil instaurou procedimento administrativo para apurar a denúncia da agressão. Marino pode responder por lesão corporal dolosa.

A briga começou por causa de uma vaga exclusiva para deficientes físicos. O advogado Luiz Antonio Lourenço da Silva, defensor do delegado, foi procurado pela reportagem para comentar a decisão do secretário. No entanto, até as 19h15, não havia sido localizado. Assista o vídeo.( http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2011/01/delegado-que-agrediu-cadeirante-e-afastado-do-cargo-no-interior-de-sp.html)

O advogado Anatole Magalhães Macedo Morandini, que é cadeirante e tem 35 anos, disse ao G1 nesta quinta que na segunda-feira, por volta das 17h, foi de carro a um cartório. Ao procurar a vaga exclusiva na rua, encontrou outro veículo estacionado nela. “Não tinha nenhum selo nem nada que sugerisse que o proprietário fosse deficiente”, afirmou.

Morandini encontrou um lugar mais à frente, a cerca de 200 metros, estacionou e, em seguida, seguiu em sua cadeira de rodas até o cartório. Quando se aproximou da entrada, viu o delegado Damasio Marino, que não é deficiente, caminhando até o veículo parado na vaga especial.

“Fui chamar sua atenção. Mas ele me constrangeu fisicamente. Ficou em pé na minha frente. Mesmo assim, disse que ele estava errado", contou. Ainda de acordo com o advogado, ambos começaram a trocar insultos e o policial o xingou de “aleijado filho da p...”. “Revoltado e enojado”, Morandini cuspiu na direção do delegado. Em sua versão, o cuspe atingiu o vidro do automóvel. Marino, porém, disse que recebeu a cusparada no rosto.

“Ele sacou uma arma e perguntou se eu queria morrer. No momento, não sabia que ele era policial. As pessoas que passavam pela rua saíram correndo”, contou o advogado. “Quando ele mirou na direção da minha cabeça, só consegui virar o rosto”, acrescentou Morandini, que ficou paraplégico aos 17 anos após levar um tiro na coluna durante um assalto.

Versões
A versão dos dois difere em relação à agressão que se seguiu. O advogado disse que recebeu uma coronhada na cabeça e que teve o rosto atingido pela ponta da arma. O delegado, porém, negou ter sacado a pistola, segundo sua defesa. “Ele deu dois tapas no rosto dele. Apenas reagiu a uma cusparada”, disse ao G1 pela manhã o advogado Luiz Antonio Lourenço da Silva, defensor do delegado.

Questionado sobre o fato de o policial ter estacionado em uma vaga exclusiva, o defensor afirmou que a noiva de Marino, grávida de 4 meses, não se sentia bem. “[Morandini] quis se prevalecer por causa de sua condição de cadeirante”, afirmou.

Ambas as partes afirmaram que tomarão providências quanto ao ocorrido. “Ainda estou tomando medidas cabíveis, uma vez que fui humilhado, desrespeitado e constrangido por uma autoridade pública”, disse Morandini. O delegado, por sua vez, disse ter feito uma representação em um distrito policial da cidade e acionado a Comissão de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Fonte: G1 (20/01/11)

Etiqueta em braile deixa moda mais acessível

Fornecedora de confecções criou versão após pesquisa com associação de cegos.
Valéria França - O Estado de S.Paulo
APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 21/01/2011

No mercado. A etiqueta especial da Easy Put é de papel e as
informações em braile se repetem na barra da roupa
A inclusão social está desembarcando na moda brasileira. Uma etiqueta de roupa especial, com informações do produto em braile, foi lançada ontem na Première Brasil, maior salão Têxtil da América Latina. A iniciativa parte de uma das grandes empresas do setor, a Haco, que durante dois anos pesquisou a funcionalidade e viabilidade do produto com a Associação dos Cegos do Vale do Itajaí (Acevali).
A empresa arredondou a ideia, que já pipocava no mercado entre pequenos confeccionistas, possibilitando agora sua aplicação em grande escala. Isso significa que grupos com representação no mercado nacional, como uma Hering, têm meios de incorporá-lo. Ainda não há lei que obrigue as empresas a adotar a etiqueta em braile - somente projetos em discussão no Congresso (leia mais ao lado) -, mas ter a infraestrutura para que isso aconteça é um começo. "Trata-se de um jeito informal para que a etiqueta vire um padrão", diz Geraldo Lima, professor da Faculdade de Moda da Universidade Anhembi Morumbi.
Em 2003, Lima pesquisou durante quase um ano em institutos como o Dorina Nowill e o Padre Chico sobre as necessidades do consumidor cego. A partir daí, numa atitude pioneira, incluiu em todas as peças de sua confecção, a Urânio, uma etiqueta emborrachada em braile que descreve a cor do produto. "Mesmo quem não enxerga consegue perceber informações como textura e modelo. E se você adiciona muita informação, a etiqueta fica enorme, porque o braile ocupa mais espaço do que as letras do nosso alfabeto."

Modelo. A etiqueta da Haco pretende ser um de tamanho regular. O confeccionista escolhe o material - tecido, borracha e tag de papel craft - e as informações que quer adicionar em braile. Mas há outros tipos no mercado. A grife Virgemaria criou uma transparente, que vem com um adesivo em PVC, para que o cliente possa aplicá-la na parte da roupa que quiser. "Ainda colocamos na frente um bordado para ajudar o cego a distinguir um lado do outro."
A Virgemaria fez o teste com a etiqueta no ano passado. "Fiquei convencida de que o investimento valia a pena quando uma cliente que não enxergava vibrou de felicidade com a novidade", conta Ana Pasternak, de 38 anos, estilista da marca. "Ela disse que agora poderia, pela primeira vez, comprar roupa sem a ajuda de uma amiga ou parente. Representava sua independência."

Acessibilidade. "Não é apenas o deficiente que fica de fora da moda", diz Ana. "Há muitas pessoas que não se encaixam no padrão do mercado, seja pelo peso ou pela altura." No ateliê da grife, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, os modelos são desenvolvidos com base na estética e na funcionalidade. Camisas com botão de pressão, uso de elástico em calças e tantos outros detalhes que facilitam o uso por pessoas que tenham qualquer tipo de deficiência.

Até pontos de vendas descolados, como a Galeria Mundo Mix, nos Jardins, embarcaram na ideia da roupa acessível. Há um mês, as prateleiras da loja receberam a nova coleção Easy Put, resultado da parceria entre o Instituto Mara Gabrilli e a marca Hey!U. A coleção começou com camisetas (de R$ 35 a R$ 50), vendidas com duas etiquetas, uma normal de tecido e outra em braile, de papel, com o tamanho, a cor e a estampa do modelo.
Como o papel é destacável do produto, as mesmas informações foram colocadas na barra, com strass. "O total arrecadado vai para o Instituto Mara Gabrilli desenvolver uma coleção de roupas acessíveis", diz Beto Lago, dono da Galeria Mundo Mix. "Virei parceiro do projeto porque pretendo que a loja vire referência para todos os movimentos da moda. E a inclusão social é um deles", afirma.

NÃO COMETA GAFES

Ao encontrar um cego em um cruzamento, ofereça ajuda, mas pergunte como fazer isso.
Antes de guiá-lo, deixe que ele pegue em seu braço, e não o contrário
Seja preciso ao indicar locais. Não diga que está logo ali
Nas lojas, os vendedores costumam se dirigir ao acompanhante do deficiente visual, como se ele não pudesse decidir. Os cegos reclamam disso

Fonte: Estadao - 20/01/2011

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Delegado bate em cadeirante em briga por vaga especial em São José dos Campos (SP)

Um advogado cadeirante apanhou de um delegado em São José dos Campos (91 km de São Paulo), em briga por estacionamento em vaga pública reservada para pessoas com deficiência.

O advogado Anatole Magalhães Macedo Morandini, 35, diz que foi agredido com coronhadas.

Fábio Amato - de São José dos Campos

APNEN,colaborando na divulgação desta matéria: 20/01/2011

Lucas Lacas Ruiz/Folhapress

Advogado Anatole Morandini,
que foi agredido por delegado
em briga por vaga em estacionamento
no interior de SP.

Já o delegado Damasio Marino, por meio de seu advogado, afirma que não o bateu com arma de fogo, mas que lhe deu "dois tapas".

A briga começou quando Morandini flagrou o delegado, que não tem deficiência, estacionado na vaga especial, em frente a um cartório na região central de São José, e foi tomar satisfações.

"Ele [delegado] me chamou de aleijado filho da puta. Eu fiquei enojado, e a única coisa que consegui fazer foi cuspir no carro dele, porque me senti desrespeitado."

Ainda segundo Morandini, o delegado do 6º Distrito Policial da cidade, além de lhe dar coronhadas, também bateu em seu rosto com a ponta da arma.

Ele mostrou à reportagem uma camiseta com manchas de sangue, que diz ser consequência da agressão. Uma funcionária do cartório também diz que viu Morandini sangrando após a briga.

"Ele apontou a arma, fez mira. A única coisa que eu fiz foi virar o rosto devido ao trauma que já tenho", contou o advogado, referindo-se ao tiro que levou durante um assalto, aos 17 anos, e que o deixou paraplégico.

Já o defensor do delegado diz que ele é que foi intimidado e que estava parado na vaga especial porque sua mulher está grávida.

A corregedoria da Polícia Civil abriu inquérito para apurar a suspeita de lesão corporal dolosa (quando há intenção ou se assume o risco de cometer o crime).

OUTRO LADO

O advogado Luiz Antonio Lourenço da Silva, que representa o delegado Damasio Marino, negou que seu cliente tenha agredido com coronhadas o também advogado e cadeirante Anatole Magalhães Macedo Morandini.

Silva diz que Damasio deu "dois tapas" em Morandini, mas só depois de ser xingado e receber uma cusparada. Para Silva, "esse cadeirante procurou o confronto."

O advogado também negou que Damasio tenha xingado Morandini ao ser repreendido. Segundo Silva, o delegado reagiu após Morandini cuspir em sua cara.

"Ele [delegado] não entendeu o que estava acontecendo. Desceu do carro e o cara veio com a cadeira de rodas para cima dele. [Morandini] cuspiu de novo e o xingou, então ele [delegado] pegou e deu dois tapas no cara."

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/863389-delegado-bate-em-cadeirante-em-briga-por-vaga-especial-em-sao-jose-dos-campos-sp.shtml

Todo o talento de atores especiais

Grupo de teatro da Associação Cultural Fazendo Arte é formado por jovens com Síndrome de Down.
André Moraes
APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 20/01/2011

Foto Internet
Um elenco misto de pessoas com personalidades diferentes, e outras que precisam de alguns cuidados especiais. Assim é composto o grupo de teatro da Associação Cultural Fazendo Arte. Alunos portadores da Síndrome de Down se misturam com outros jovens, e trazem toda sua criatividade e espontaneidade para dentro das aulas e do palco, tornando cada dia uma experiência nova.

Denilo, 19 anos, que tem Síndrome de Down, decidiu fazer três coisas em sua vida: academia, boxe e teatro, como conta seu pai, Miro Negrini. O teatro já está na vida de Denilo, e se tornou muito importante. "Sábado é o grande dia", certifica Miro, se referindo aos ensaios e aulas teatrais. Os auxílios da vida artística foram muitos para o jovem, mas Miro ressalta principalmente a desenvoltura e a maior facilidade para se expressar. Ajudou muito na expressão corporal e a desenvolver a fala, afirma Negrini.

Seguindo sua própria vontade - assim como Denilo -, Felipe, 19 anos, começou no teatro há quase quatro anos, de acordo com sua mãe Leila Soares Silva Rocha. Houve até uma mudança radical na vida do jovem: ele emagreceu 35 quilos quando entrou no teatro. Tudo isso para ficar mais bonito no palco, conta Leila, com confirmação um pouco tímida do próprio Felipe, que estava sentado ao lado do repórter. Mas a felicidade de fazer teatro é imensa. Não é sábado, é dia de teatro. Nesse dia ele não tem nenhuma preguiça de levantar da cama, declara a mãe.

Bruna Mayumi, 22 anos, chegou à entrevista toda maquiada, usando uma coroa em sua cabeça, que faz parte de seu figurino da peça "Sonhando com Alguém e Ninguém", em que representa uma rainha. "Nós chegamos atrasados, pois ela estava se arrumando", conta seu pai Fausto de Barros, arrancando risos de todos. Para ele, Bruna estar fazendo teatro é uma grande vitória. "Para quem é pai de um jovem que necessita de cuidados especiais, é muito gratificante. A aceitação, o entrosamento... Tudo isso não tem preço", confessa Fausto.

Camila, 28 anos, outra rainha da peça, chegou mais tímida com seu pai Gilson Carlos Alvarenga, mas logo demonstrou sua personalidade cativante e seu dom para o humor. Chegou cumprimentando a todos e sempre soltava comentários que faziam todos rir. "Ela não tem vergonha. É no teatro onde Camila se sente à vontade", revela o pai.

Livres para brilhar
A evolução na convivência social é muito perceptível, segundo Miro, pai de Denilo. Ele acredita que o teatro é um importante caminho para o portador da Síndrome de Down se tornar mais independente. "O Denilo se sente mais seguro quando está acompanhado. O teatro é uma forma de ele desenvolver mais sua autonomia", assegura.

Esse pensamento é seguido por outros pais de jovens com Síndrome de Down. Gilson, pai de Camila, acredita que os pais não devem isolar seus filhos, e sim os deixar livres para realizar as mais variadas atividades. "Eles têm capacidade, é preciso mostrar a todos o potencial que possuem", pontua Gilson.

Etsuko Yabiku de Barros, mãe de Bruna, também defende a liberdade dos jovens para fazerem o que quiserem. "Os limites são os próprios pais que põem, evidencia Etsuko. Nós nascemos para brilhar!", exclama Bruna.

Ainda existe o preconceito contra quem é diferente, mas de acordo com Miro, nesse grupo do Fazendo Arte não é assim. Preconceito existe em todos os lugares, mas no teatro é bem menos, revela.

Uma caixinha de surpresas
O elenco é quase todo formado por jovens com Síndrome de Down, portanto fazer aulas de teatro com eles se torna uma experiência diferenciada para quem não possui a síndrome. "O convívio com eles é maravilhoso. Eles são criativos, espontâneos", confirma Sueleny Alves, 21 anos. Para a jovem, é preciso estar preparada para esperar de tudo. "Estar no palco com eles é uma caixinha de surpresas. Nunca se sabe o que pode acontecer", conta Sueleny.

Rose Rodrigues entrou no grupo quando a peça já estava em andamento, portanto sentiu algumas dificuldades no começo. "Eles empurram você para fazer as cenas. São muito generosos, ajudam muito", confessa Rose. Ela disse que estava com medo de entrar atrasada, mas a ajuda e o empurrão que teve por parte do elenco foi algo que a motivou a continuar. "A grande sensibilidade que os portadores de Down possuem é algo sentido por todos os componentes do grupo. Eles logo notam quando você está com algum problema", assegura Sueleny.

Isabelle Bichinski teve uma experiência que ela lembra até hoje. Um dia a jovem foi nos ensaios com alguma dor, o que despertou o interesse de uma atriz com Down do elenco. "Quando cheguei em outro ensaio, ela veio e me disse: ‘Você está melhor? Eu rezei por você, sabia?'", conta Isabelle.

Espontaneidade em primeiro lugar
Seguindo um preceito de deixar os alunos livres para criar, o diretor teatral Júnior Mosko, a pedido de pais de jovens com Síndrome de Down, criou um projeto de inserção a essas pessoas no teatro. Esse trabalho é feito pelo diretor há quatro anos, anteriormente realizado no Sesi. Agora está sendo feito na Associação Cultural Fazendo Arte, fundada há um ano, onde esse grupo de jovens realiza suas aulas de teatro.

Mosko não conhecia a linguagem para trabalhar com esses jovens especiais, portanto recorreu a pesquisas para desenvolver o projeto. A metodologia encontrada foi por meio dos jogos teatrais, buscando trabalhar bastante a espontaneidade dos alunos. "Os jogos dramáticos são muito bons, pois possuem mais conteúdo", especifica o diretor.

Na hora de criar uma peça, o texto fica em segundo plano, para deixar as mentes dos atores livres para estabelecer o que será mostrado no palco. "Eu apenas dou as coordenadas", revela Mosko. "Toda a sintonia e o decorrer dos acontecimentos é guiado pelos alunos. Quem se adapta a eles sou eu", completa o diretor. E ainda confessa: muitas vezes o material deles é muito superior ao que foi estabelecido.

Fonte: Cruzeiro do Sul - 19/01/2011

Cinema usa tecnologia para fazer com que cegos 'vejam' filmes

O ambiente em que estão os personagens, as roupas e os gestos, tudo é descrito por uma voz ao pé do ouvido.
da Redação
APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 20/01/2011

Eles chegam meio apreensivos, mas curiosos. Aos poucos começam a tatear a novidade. Com um fone no ouvido, o que era tão distante vira um presente. É muito mais que um momento de lazer. Muitas dessas pessoas estão pela primeira vez em uma sala de cinema. As luzes se apagam, o filme começa e é por um aparelho que eles vão ouvir, ver e sentir também cada cena e cada detalhe. O ambiente em que estão os personagens, as roupas e os gestos, tudo é descrito por uma voz ao pé do ouvido. Na telona, é exibido o filme “Pra frente Brasil", dos anos 1980.

A professora Maria Zago fecha os olhos e mergulha na história sobre a ditadura militar. “Teve até uma parte em que uma mulher estava calçando a bota, acontecendo realmente. É como se você estivesse sonhando”, comenta a professora Maria Zago. O sonho deles é o do acesso e da oportunidade, e do não preconceito. A sala de cinema lotada é uma boa lição: por que pensar em limites quando se tem imaginação?

Fonte: G1 - 19/01/2011

Universidade indenizará aluna com deficiência visual

Estudante foi prejudicada por falta de acessibilidade em curso semi-presencial.
APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 20/01/2011

A Universidade Estácio de Sá terá que indenizar em R$ 10 mil, a título de danos morais, Rachel Coelho, aluna do campus Jacarepaguá. Deficiente visual, ela foi reprovada no primeiro período de 2010, com consequente exclusão do Programa de Bolsas PROUNI, do qual era beneficiária, por não conseguir acompanhar as aulas de modalidade telepresencial. Na decisão, o desembargador relator Pedro Saraiva de Andrade Lemos, da 10ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio, afirmou que houve atitude omissa e discriminatória da instituição.

O juiz de primeira instância julgou procedente o pedido da aluna e obrigou a ré a dar condições para que a estudante pudesse participar das aulas telepresenciais, oferecendo todos os meios necessários, e disponibilizando também um mediador para tais aulas. Ele determinou também que a ré inscreva, sem qualquer ônus, a aluna novamente na disciplina EDU 0570 Metodologia Científica, sob pena de multa diária de R$ 50,00.

Na apelação, a Universidade sustentou a impossibilidade de cumprir a pena, porque, embora, o sistema DOS VOX já estivesse disponibilizado pela instituição, a aluna se mostrara irredutível na tentativa de solucionar o entrave. Mas de acordo com a decisão, não houve comprovação de que a ré providenciou os meios necessários para que a estudante fosse atendida.

"A atitude omissa e discriminatória da universidade, que deixou de disponibilizar os meios técnicos para que a apelada pudesse assistir às aulas, por si, já configura a ocorrência do dano moral", explicou o relator.

Fonte: http://www.jb.com.br/
(http://www.vidamaislivre.com.br/noticias/noticia.php?id=2745&/universidade_indenizara_aluna_com_deficiencia_visual)

Acessibilidade Zero: barreiras impedem cadeirantes de entrar em posto de saúde

Caro leitor,

Não deixe de assistir o vídeo do posto de saúde do Alto Boqueirão, Paraná. Esse é o link: http://www.rpctv.com.br/parana-tv/2010/11/dificuldade-enfrentada-por-um-cadeirante-para-ir-a-um-posto-de-saude/

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 20/01/2011

Uma tarefa que deveria ser simples vira um desafio perigoso para os cadeirantes.
Veja nesse vídeo a dificuldade do cadeirante Norberto para tentar marcar uma consulta no posto de saúde do Alto Boqueirão. Não há rampa de entrada, são muitas escadas no caminho, as portas são pequenas e quase tudo é improvisado. Os cadeirantes que precisam ir até o posto passam por uma verdadeira maratona de dificuldades. Veja também o que a prefeitura tem a dizer a respeito.

Humilhante! Onde está a acessibilidade nesse país? Que inclusão é esta? E a lei de acessibilidade, de 2004, como fica? Utópica acessibilidade??

Existem milhares e milhares de locais como este posto de saúde em todo o Brasil, onde não há nenhuma acessibilidade. Milhares de pessoas com deficiência e idosos são humilhados e constrangidos diariamente. E o princípio máximo do estado democrático de direito, a dignidade da pessoa humana, não se aplica a estes casos?? E os nossos novos governantes, farão alguma coisa a respeito?

Caro leitor, peço desculpas pelo desabafo, mas é revoltante! Fonte: www.deficienteciente.com.br - 20/01/2011 (Vera)

Passageira ganha indenização de R$ 20 mil após cair em ônibus no RJ

Segundo a empresa de ônibus, o acidente foi causado por mero descuido da própria passageira.
A passageira usa muletas, sofre várias escoriações e lesões e agora é culpada pela irresponsabilidade do motorista.Vergonhoso! (Vera - Deficiente Ciente)
APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 20/01/2011

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) condenou uma empresa de ônibus a pagar uma indenização de R$ 20 mil por danos morais a uma passageira portadora de necessidade especial*, que caiu do banco do veículo da empresa Paranapuam, após uma manobra do motorista. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (19) pela assessoria do TJ-RJ. Cabe recurso.

Mulher é portadora de necessidades especiais* e caiu depois de uma manobra. Procurada pelo G1, empresa não retornou o contato.

Procurada pelo G1, a empresa não retornou o contato até o momento da publicação da reportagem.

De acordo com a sentença, por causa do acidente, a passageira, que usa muletas, teve várias escoriações e lesões. Ainda segundo a sentença, a passageira relata que, por ser deficiente, teve dificuldade para se segurar durante a manobra, o que tornou o acidente ainda mais grave.

Falta de zelo

Ainda segundo o TJ, a empresa de transporte alegou que o acidente foi causado por mero descuido da própria passageira e que ela não teria sofrido nenhum tipo de abalo moral, alegação não aceita pela magistrada.

Na sentença, a desembargadora e relatora do processo, Daniella Alvarez Prado, da 15ª Vara Cível, também afirma que a empresa não zelou pela integridade da passageira.

"Certo é a existência de dano moral pleiteado que, no caso em tela, emerge do próprio fato, sendo indubitável que o acidente causou abalo psicológico, insegurança emocional e lesão física à autora", disse a magistrada.

A magistrada informou ainda que para ela, não se pode negar a responsabilidade da transportadora no acidente, pois é dever da mesma zelar pela integridade de seus usuários, principalmente pelo fato da autora da ação ser deficiente física.

Fonte: G1 (19/01/2011)

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Siamesas separadas há dois meses têm alta do hospital

Cláudia Collucci de São Paulo
APNEN, colaborandona divulgação desta matéria: 19/01/2011

Letícia Moreira/Folhapress As gêmeas Kauany, no colo da tia Dina Gonçalves, e Keroly, com a mãe Selma Miranda, no Instituto da Criança, em SP

Após quase dois meses de internação, as gêmeas Kauany e Keroly tiveram alta ontem do Instituto da Criança do HC de São Paulo.
As irmãs, que completam um ano no sábado, nasceram siamesas, grudadas pelo abdome, e foram separadas no final de novembro.
Por recomendação do cirurgião Uenis Tannuri, responsável pela operação, as meninas vão ficar em uma casa de apoio em São Paulo por até três semanas.
Depois, podem seguir viagem com a mãe, Selma Miranda, 32, para o Vale do São Domingos (a 491 km de Cuiabá, no Mato Grosso), onde mora a família.
"Quero que tudo esteja muito bem cicatrizado antes que elas voltem para casa. Do ponto de vista clínico, elas estão ótimas. Hoje, até sorriram para mim", disse Tannuri ontem, logo após a alta.
Sorte dele não ter se aproximado das meninas de máscara cirúrgica. "Elas não podem ver ninguém de máscara que começam a chorar. Estão traumatizadas", diz Dina, 28, tia das gêmeas.
O abdome de Kanuay ainda inspira cuidados porque a cicatrização está mais lento. Nas próximas semanas, as gêmeas devem voltar todos os dias ao hospital para trocar os curativos.
"O melhor era poder já voltar para casa", diz a mãe. "Os meninos [ela tem um menino de 11 anos e um casal de gêmeos de cinco anos] não veem a hora de ver as irmãzinhas separadas."

CIRURGIA

Para a separação, foram feitos sete procedimentos cirúrgicos em órgãos pelos quais as gêmeas eram ligadas-fígado, estômago, intestino e sistemas genital e urinário. A operação durou 12 horas.
Segundo Tannuri, nos próximos anos, as gêmeas devem ser avaliadas a cada seis meses para que sejam programadas as cirurgias reparadoras no intestino, reto e na vagina. Em dois ou três anos, elas poderão usar também pernas mecânicas.
As meninas nasceram com três pernas, mas uma teve de ser amputada. Cada uma ficou com um membro.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo - Saúde: 19/01/2011

Biblioteca tem projeto destaque em acessibilidade

Em parceria com a prefeitura, ideia é facilitar acesso dos portadores de deficiência
Denise Morato
APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 19/01/2011

Foto ilustrativa, internet
A Biblioteca Pública Euclides da Cunha deve ganhar um salto de qualidade. Com média de 93 pontos, o projeto elaborado pela Secretaria de Trabalho, Cidadania e Economia Solidária em conjunto com a Biblioteca obteve o primeiro lugar na categoria Apoio a Bibliotecas Acessíveis entre os enviados ao programa "Mais Cultura" do governo federal. A proposta, que busca garantir a pessoas com necessidades especiais o acesso integral à informação de forma compatível com sua necessidade, prevê equipar e remodelar a biblioteca, renovar o acervo e qualificar o atendimento, promovendo capacitações dos funcionários.

Conforme o coordenador da Biblioteca, Thiago Barbosa, com a conquista do 1º lugar, o município receberá mais de R$ 106 mil do governo federal que serão utilizados na aquisição de, no mínimo, 300 títulos de materiais diversos, em suporte braille, áudiolivro, livro digital, entre outros disponíveis no mercado. "Ainda não temos uma data exata para o início do atendimento diferenciado, mas queremos iniciá-lo o quanto antes." Thiago informa que a biblioteca, localizada na Avenida Mauá, 2290, Centro, está em período de férias, e deve retornar o atendimento em fevereiro.

Biblioteca e Telecentro informatizados
Segundo o coordenador, com os recursos também será possível informatizar o acervo da Euclides da Cunha e implantar um telecentro no local. "Queremos garantir um atendimento ágil e mais qualificado aos usuários da biblioteca, facilitando o acesso também à informática, promovendo assim a inclusão digital. Será um avanço como nunca se viu antes em Sapucaia."

Enquanto não entra em funcionamento o novo projeto, as bibliotecárias Lisandra de Oliveira e Anelise Tolloti trabalham para organizar os mais de 3.600 títulos do acervo, acessados pelos mais de 1.400 usuários. "Nos mudamos há pouco tempo para esse novo espaço, então estamos organizando tudo para a retomada no ano letivo que se aproxima", diz Anelise.

Fonte: Diário de Canoas - Sapucaia do Sul - RS, 18/01/2011

O fim dos porteiros e da gentileza

Porteiros de um condomínio em Juiz de Fora estão proibidos de auxiliar cadeirantes a subir rampa íngrime.
Jairo Marques
APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 19/01/2011


"Um condomínio de Juiz de Fora (MG) proibiu, depois de uma assembleia, que os porteiros ajudassem uma moradora cadeirante a subir uma rampa íngreme que liga o estacionamento, no subsolo, até a entrada do prédio. Alegaram, em resumo, que é privilégio demais para apenas uma pessoa, além de questões de segurança."

Se a moda pegar e a Justiça permitir, em breve, também estarei em um mato sem cachorro. Quando chego em casa e paro a Kombi no estacionamento, logo vem o Carlos ou o Ivanildo me dar um apoio para vencer um "subidão" até o hall. Demoram menos de um minuto, cronometrado, para dar uma mãozinha.

Penso que, se o lugar onde moro não possui condições para que o meu deslocamento seja feito de forma tranquila e independente, os funcionários do prédio podem me auxiliar sem prejuízo a ninguém para ter esse "bem-estar".

Entendo, "di certeza", que cada vez mais os condomínios são alvos de ataque de bandidos, mas achava que isso era uma questão de segurança pública, obrigação do Estado, e não que porteiros seriam agora "Rambos" destinados à proteção comum.

Fico imaginando se os meninos da portaria lá do "condomínio da proibição" ficarão privados de ir ao banheiro, afinal, um desarranjo intestinal pode roubar muito tempo. O porteiro que faça nas calças, que segure o pensamento?

E também não vão poder sair da guarita para assoprar o dodói do encapetado moleque do 21 que se ralou no playground. E nem pensar em ficar dizendo para a criança "calma, não foi nada, sua mãe já vem". Seria puro privilégio do infante e roubaria tempo.

Seu Rosevaldo, do 47, que arrebente as veias do pescoço para carregar aquela sacola pesada da volta da feira. Ninguém está autorizado a ser gentil com ninguém no prédio. É a lei do "se vira que você não é caju".

E, como diz minha tia Filinha, "difinitivamente" não pode pedir ao porteiro para receber aquele primo que vem de Caxambu e vai chegar bem na hora em que você está trabalhando. Nada que não seja apertar o botão de destravar o portão, ficar zarolho de tanto mirar monitores de segurança ou vigiar os carros no estacionamento é permitido.

Cada vez mais, os condomínios estão se transformando em empresas e impondo aos moradores a mesma lógica das firmas: apresente seu crachá na entrada, cuidado que há câmeras de vigilância olhando sua mesa... de jantar, é proibido falar alto, não é permitido ter cachorros, não traga pessoas estranhas, separe o lixo, cumpra todas as metas, não olhe para os lados!

A necessidade de aperfeiçoar a proteção dos condomínios não pode garfar o prazer de chegar ao aconchego do lar para quem quer que seja. Para alguns, é preciso uma mãozinha na rampa, para outros, um favorzinho de abrir a porta. Isso não é dar mais direitos a um do que a outro, isso é agir com gentileza, é a evolução do bicho para o ser humano.

Torço muito para que os moradores lá do "condomínio da proibição" tenham vivido apenas uma histeria coletiva quando aprovaram uma medida alegada para o bem de todos, mas que, na realidade, asfixia a gentileza, humilha os direitos individuais e ignora a dimensão da importância de um porteiro. E até a próxima assembleia.

Folha de S.Paulo - Juiz de Fora - MG, 18/01/2011

A despedida de Izabel Maior da CORDE

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 19/01/201 Pessoas que deram depoimentos para o documentario e livro Historia do Movimento Politico das Pessoas com Deficiencia

Queridas e queridos amigos, amigas e colegas da SDH e da SNPD/CORDE,

É muito difícil resumir as sensações e emoções vividas nos 8 anos e 3 meses em que tive o privilégio e a honra de compartilhar com vocês o sonho e a realização de trabalhos pelos Direitos Humanos.

Fui pioneira como pessoa com deficiência nos dois cargos e aconteceu o “Nada sobre nós sem nós”. Cada dia de conquista valeu por mil e cada dia de eventual derrota virou aprendizado.

Foram momentos marcantes para a inclusão e a expansão de iguais oportunidades para as pessoas com deficiência de nosso Brasil. Pude coordenar e conduzir. Deixo a cargo de cada um o dever de avançar e levo comigo a esperança de ver a luta pelos Direitos Humanos de todos alcançar o pleno resultado: a valorização e o respeito às habilidades e competências de cada pessoa humana, em especial, aquelas com deficiência intelectual, auditiva, visual, física e múltipla.

Completo uma etapa da política pública voltada para esse segmento, com a certeza que contei com o estímulo, o apoio e a parceria de altos governantes, gestores setoriais, colegas, associações, organismos internacionais e companheiros de vários países que atuam nessa área. O Brasil está mais conhecido e reconhecido como um País que promove e garante os direitos das pessoas com deficiência. Ratificamos a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo, ambos com equivalência de emenda constitucional.

Não desejo fazer um relatório das atividades porque tudo está registrado nas publicações da eterna CORDE e nos mais elaborados e inéditos projetos que pudemos produzir durante esse período de trabalho árduo, mas extremamente gratificante. O que se faz com paixão aquece a alma e nos fortalece. É assim que registrarei minha estada na SDH.

Peço a todas e todos, licença para mencionar o Decreto do Cão Guia e o Decreto da Acessibilidade. Mudanças podem ser percebidas nas legendas na televisão, nos sítios eletrônicos acessíveis, na presença dos intérpretes de Libras, na audiodescrição nascente, nos transportes coletivos acessíveis, na tecnologia assistiva, nas construções e na paisagem urbana. A União, Estados, Distrito Federal e Municípios, junto com a sociedade, os militantes e também o empresariado estão mudando a realidade e dando forma à cultura do desenho universal, que é um direito de todas e de cada pessoa.

Cidade Acessível é Direitos Humanos em breve estará na mídia. É um dos resultados da Agenda Social e de tantas outras ações desenvolvidas no passado. O filme e o livro História do Movimento Político das Pessoas com Deficiência no Brasil é um marco, o legado que nos inspira e com o qual homenageamos nossos pioneiros. A parceria com a OEI assegura esse projeto.

Mantenho a certeza de que acreditar é o melhor caminho e trabalhar é a garantia de ver as mudanças acontecerem, no compasso da vida e da capacidade de desenvolvimento da sociedade.

A demanda social sempre haverá de ser o combustível a dar energia para apressar as ações. Entidades e conselhos de direitos são necessários na caminhada conjunta. O CONADE foi uma escola, em todos os sentidos.

Aprendi muito na Casa dos Direitos Humanos. Os valores mais elevados guardarei para sempre na mente e no coração. Os deslizes, inclusive os meus próprios, servirão para reajustes e aprimoramentos, porque nada é em vão.

Com a graça de Deus, muito carinho recebi e compartilhei. Foi um presente de ouro haver conhecido pessoas éticas e verdadeiras que fazem o mundo mais colorido, brilhante e forte.

Aos que vieram até aqui, como equipe, acreditando nas mesmas propostas, quero agradecer profundamente, com um sorriso e uma lágrima de emoção.

Para aqueles que recebem a jóia – a nossa Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência – desejo resultados positivos, muita força e muita sorte nas lutas do dia a dia e que, ao final de suas jornadas, se sintam tão felizes como me sentirei por ter vivido essa magnífica experiência na CORDE.

Meu carinhoso abraço e grande agradecimento.

Izabel Maior

12 de janeiro de 2011

Escolas poderão ser obrigadas a ter cuidador para deficientes

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 19/01/2011

Eduardo Barbosa: objetivo é failitar o acesso de pessoas com deficiência à escola. A Câmara analisa o Projeto de Lei 8014/10, do deputado Eduardo Barbosa (PSDB-MG), que torna obrigatória a presença de cuidador (http://www.deficienteciente.com.br/2009/11/cuidador-profissao-ou-missao-parte-1.html) em escolas, quando necessário, para acompanhar pessoas com deficiência. O projeto acrescenta um parágrafo à Lei de Diretrizes e Bases da Educação(http://www.deficienteciente.com.br/2009/10/direitos-da-pessoa-com-deficiencia-e_07.html) (LDB - Lei 9.394/96 ).

De acordo essa lei, o ensino especial para alunos com deficiência deverá ser oferecido preferencialmente na rede regular de ensino. A LDB prevê que esses alunos só serão atendidos em classes, escolas ou serviços especializados quando, por causa das condições específicas, não for possível a integração nas classes de ensino regular.

A LDB já prevê a prestação de serviços de apoio especializado na escola regular quando necessário. "O intuito é justamente tornar explícita no texto da lei a obrigatoriedade da presença de cuidadores quando as condições do aluno com deficiência assim o recomendarem", afirma Barbosa.

O cuidador, segundo o projeto, acompanhará o estudante de maneira mais individualizada no ambiente escolar para facilitar sua mobilidade e auxiliar nas necessidades pessoais e na realização de tarefas.

Tramitação

O projeto será arquivado pela Mesa Diretora no dia 31 de janeiro, por causa do fim da legislatura. Porém, como o autor foi reeleito, ele poderá desarquivá-lo. Nesse caso, a proposta, que tem caráter conclusivoRito de tramitação pelo qual o projeto não precisa ser votado pelo Plenário, apenas pelas comissões designadas para analisá-lo. O projeto perderá esse caráter em duas situações: - se houver parecer divergente entre as comissões (rejeição por uma, aprovação por outra); - se, depois de aprovado ou rejeitado pelas comissões, houver recurso contra esse rito assinado por 51 deputados (10% do total). Nos dois casos, o projeto precisará ser votado pelo Plenário., será anlaisada pelas comissões de Seguridade Social e Família; de Educação e Cultura; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta: PL-8014/2010 (http://www.camara.gov.br/internet/sileg/Prop_Detalhe.asp?id=489702)

Fonte: Jus Brasil (18/01/2011)
Referencia: www.deficienteciente.com.br

Universidade indenizará aluna com deficiência visual

MAIS UM CASO DE PRECONCEITO E DISCRIMINAÇÃO!
Estudante foi prejudicada por falta de acessibilidade em curso semi-presencial

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 19/01/2011

A Universidade Estácio de Sá terá que indenizar em R$ 10 mil, a título de danos morais, Rachel Coelho, aluna do campus Jacarepaguá. Deficiente visual, ela foi reprovada no primeiro período de 2010, com consequente exclusão do Programa de Bolsas PROUNI, do qual era beneficiária, por não conseguir acompanhar as aulas de modalidade telepresencial. Na decisão, o desembargador relator Pedro Saraiva de Andrade Lemos, da 10ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio, afirmou que houve atitude omissa e discriminatória da instituição.

O juiz de primeira instância julgou procedente o pedido da aluna e obrigou a ré a dar condições para que a estudante pudesse participar das aulas telepresenciais, oferecendo todos os meios necessários, e disponibilizando também um mediador para tais aulas. Ele determinou também que a ré inscreva, sem qualquer ônus, a aluna novamente na disciplina EDU 0570 Metodologia Científica, sob pena de multa diária de R$ 50,00.

Na apelação, a Universidade sustentou a impossibilidade de cumprir a pena, porque, embora, o sistema DOS VOX já estivesse disponibilizado pela instituição, a aluna se mostrara irredutível na tentativa de solucionar o entrave. Mas de acordo com a decisão, não houve comprovação de que a ré providenciou os meios necessários para que a estudante fosse atendida.

"A atitude omissa e discriminatória da universidade, que deixou de disponibilizar os meios técnicos para que a apelada pudesse assistir às aulas, por si, já configura a ocorrência do dano moral", explicou o relator.

Fonte: http://www.jb.com.br/ (18/01/2011)
Referência: Rede Saci

Conheça a diferença conceitual entre inclusão e integração

Artigo esclarece as diferenças entre os conceitos e nos explica o porquê de lutarmos pela inclusão dos deficientes.
da Redação
APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 19/01/2011

A integração nos induz a acreditar que podemos escolher quais seres humanos têm direito a estar nas escolas, nos parques de diversões, nas igrejas, nos ambientes de trabalho, em todos os lugares. É praticada há décadas mas, desde os anos 80, começou a ser questionada pelo então emergente movimento internacional das organizações de pessoas com deficiência. Este movimento denunciou a injustiça do modelo integrativo, que só aceitava inserir na sociedade as pessoas com deficiência que fossem consideradas prontas – ou quase prontas – para conviver nos sistemas sociais gerais. Prontas no sentido de aptas para aprender, trabalhar, se expressar, se locomover mais ou menos bem pelas ruas das cidades. E caso não estivessem prontas? Que se esforçassem para estar…

Num contexto integrativo, o máximo feito pela sociedade para colaborar com as pessoas com deficiência seriam pequenos ajustes como adaptar uma calçada, um banheiro ou até receber uma criança com deficiência mental na sala de aula, mas só se ela pudesse “acompanhar a turma”. Como raramente crianças com deficiência mental podem ter o mesmo ritmo de aprendizagem dos alunos sem deficiência mental, era certo que em breve, no máximo em dois ou três anos, aquele aluno seria sumariamente devolvido para a família.

A inclusão, ao contrário, nos aponta para um novo caminho. Nele, nossas decisões são guiadas pela certeza de que o direito de escolher seres humanos é filosoficamente ilegítimo, além de ser anticonstitucional. Uma sociedade inclusiva tem compromisso com as minorias e não apenas com as pessoas com deficiência. Tem compromisso com elas e com sua diversidade e auto-exige transformações intrínsecas. É um movimento com características políticas. Como filosofia, incluir é a crença de que todos têm direito de participar ativamente da sociedade. Como ideologia, a inclusão vem para quebrar barreiras cristalizadas em torno de grupos estigmatizados. A inclusão é para todos porque somos diferentes.

Um pouco da história

A concepção de um mundo-mãe sempre viveu no desejo da humanidade, em diferentes épocas e civilizações. Mas foi só em 1981, ao instituir o Ano Internacional das Pessoas Deficientes, que a ONU oficializou o embrião do conceito de sociedade inclusiva. Entidades não-governamentais e governamentais, a mídia mundial, nações de portes diversos no cenário econômico-político internacional reafirmaram por 365 dias a necessidade de o planeta reconhecer com firmeza os direitos das pessoas com deficiência.

Em 20 de dezembro de 1993, no final da Década das Nações Unidas para Pessoas Portadoras de Deficiência, a Assembléia Geral da ONU assinou uma outra e decisiva resolução – a de no 48/06 – que adotou o documento Normas sobre a Equiparação de Oportunidades para Pessoas com Deficiência. Nesse documento deu forma às idéias do programa de 1982. São 22 normas que indicam os requisitos, as áreas-alvo e as medidas de implementação da igualdade de participação das pessoas com deficiência na sociedade. Mas esta conquista não ocorreu de um dia para outro, em um passe de mágica. Ela é resultado de um longo processo de luta e modernização no campo dos direitos humanos das pessoas com deficiência, que avançou do conceito de segregação institucional, passando pelo de integração até o chegar ao atual modelo de sociedade inclusiva.

Fonte: Deficiente Ciente - 18/01/2011

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Luta e direito ao trabalho

Artigo de Vinicius Garcia aborda questões da inserção da PcD no mundo do trabalho.
Vinicius Garcia
APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 18/01/2011

As pessoas com deficiência escolheram o dia 21 de setembro como o seu Dia Nacional de Luta pela Cidadania. O objetivo de marcar uma data no calendário para lembrar a todos que existimos e somos cidadãos, com direitos e deveres, é manifestar, todos os anos, que precisamos avançar na construção de uma sociedade inclusiva, que entenda as diferenças como parte da diversidade humana.

No passado não muito distante, as crianças que nasciam com algum tipo de limitação e as pessoas que adquiriam uma deficiência estavam condenadas a viver à margem da sociedade, limitando-se ao convívio e apoio familiar, vistas como incapazes, até mesmo como um fardo para suas famílias. Mal eram ouvidas, não tinham vontade própria e a sociedade, no máximo, lhes concedia benevolência e assistencialismo...

Era “natural” que alguém nessas condições não precisasse ir à escola, freqüentando, no máximo, instituições especializadas. Trabalhar então, nem pensar. Quase que automaticamente, quando alguém adquiria uma deficiência em função de um acidente de carro ou por arma de fogo, por exemplo, esta pessoa “se aposentava por invalidez”. Em função disso, nos dias atuais, parte das dificuldades das pessoas com deficiência em trabalhar formalmente se deve à baixa escolaridade média desse segmento e aos problemas da legislação trabalhista, pois só pode retornar ao mercado quem escolher abrir mão da aposentadoria.

Mas não é só isso. Neste Dia Nacional de Luta é preciso reafirmar que a maior parte das dificuldades das pessoas com deficiência está na sociedade, não nas limitações físicas, sensoriais ou cognitivas de cada um. Quando nos aproximarmos de um município verdadeiramente acessível nos meios de transporte, nas ruas, calçadas e meios de comunicação, quando tivermos serviços públicos verdadeiramente inclusivos na educação, saúde e outras áreas, quando os estereótipos e mitos ainda associados às pessoas com deficiência forem desfeitos, aí, sim, o direito legítimo e fundamental ao trabalho será respeitado para as pessoas com deficiência.

Em Campinas, temos avançado nesse processo e a organização social e política das próprias pessoas com deficiência contribui muito nesse sentido. Cada vez mais os gestores públicos percebem que não é possível esconder esse “problema”, ignorar as pessoas com deficiência. Mas ainda falta muito. Estimativas recentes revelam que apenas entre 10% e 15% das pessoas com deficiência, em idade ativa, estão trabalhando formalmente. Portanto, precisamos continuar atuando na fiscalização da chamada Lei de Cotas, avançando na construção da sociedade inclusiva, eliminando barreiras físicas e de atitude que impedem o pleno exercício da cidadania pelas pessoas com deficiência.

Fonte: Rede SACI - 17/01/2011

Delegacias não têm estrutura para atender deficientes

Em Araçatuba, maior parte dos prédios da polícia civil não é acessível.
Hélton Souza
APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 18/01/2011
Cinco dos sete prédios da Polícia Civil de Araçatuba e que prestam atendimento à população não têm estrutura adequada para atendimento a deficientes ou mobilidade reduzida. A situação das delegacias e da Seccional vai na contramão do que determina uma portaria que entrou em vigor no último dia 30 no estado de São Paulo e assegura acessibilidade para este público.

Dos quatro distritos policiais, apenas o 2º e 4º DP tem acesso fácil para cadeirantes, por exemplo. No entanto, também não possuem rampas de acesso e nem banheiro adaptado para cadeirantes, assim como os demais prédios.

Segundo decreto assinado pelo delegado-geral de polícia, Domingos Paulo Neto, e que já está em vigor, todas as obras de construção, reforma ou ampliação das delegacias deverão ser feitas de modo a garantir a acessibilidade para as pessoas com deficiência. Além disso, todos os prédios da Polícia Civil com mais de um pavimento – a exemplo da delegacia Seccional de Araçatuba – e que não tenha elevador deverá disponibilizar uma sala no andar térreo para atendimento.

Fonte: Folha da Região - Araçatuba - SP, 17/01/2011

Beleza, deficiência e superação

Conheça Sarah Reinertsen, a primeira triatleta amputada
da Redação
APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 18/01/2011

A modelo amputada Sarah Reinertsen
Ela é famosa por ter sido a primeira mulher amputada a completar o Ironman no Havaí. Só pra constar, o Ironman é uma competição em que o atleta precisa completar um percurso de 4km de natação, 180 km de bicicleta e 42 km de corrida em, no máximo, 17 horas.

Sarah nasceu com um problema ósseo na perna esquerda, o que causou sua amputação aos 7 anos. Foi depois disso que ela começou a correr, e aos 13 anos quebrou o recorde dos 100 metros rasos feminino para amputados acima do joelho.

A atleta se tornou conhecida do grande público por participar da décima temporada do reality show Amazing Race com seu namorado. A dupla terminou em sétimo lugar, mas teve uma das participações mais marcantes do programa.

Fonte: Deficiente Ciente - 17/01/2011

Taxistas se negam a transportar cadeiras de rodas em Porto Alegre

Condutores alegam dificuldade para transportar cadeiras de rodas devido à falta de espaço nos veículos.

da Redação

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 18/01/2011

Enquanto cadeirantes alegam dificuldade para conseguir táxis na capital sul-riograndense, taxistas reconhecem o problema, mas justificam a dificuldade em transportar cadeiras de roda devido a falta de espaço nos veículos. A EPTC alerta que o taxista que se negar a prestar o serviço pode ser autuado, já que estará descumprindo de uma lei municipal.

Conseguir um táxi tem sido um drama para a advogada Mariana Saraiva Silva, de Porto Alegre. Ela é cadeirante e dificilmente encontra um taxista disposto a fazer o transporte da cadeira de rodas. Falta espaço no porta-malas devido ao gás veicular, além do receio dos taxistas em danificar o banco traseiro.

"Eu me sinto péssima, até em questão de auto-estima, a gente se sente deixada de lado, se sente um peso na forma como eles agem, né? Eu me sinto super mal. Sou uma cidadã, pago impostos como todo mundo e tenho meus direitos, quero ter o meu direito de ir e vir preservados.", desabafa Mariana.

O taxista José Cestari reconhece o problema. Ele defende a adoção de medidas urgentes para tornar os táxis de Porto Alegre aptos a fazer esse transporte. Ele sugere a criação de um suporte para a colocação da cadeira do lado de fora do carro, como aqueles para bicicletas.

Cestari admite que às vezes é obrigado a negar corrida a cadeirantes. "Muitas vezes a gente tem que parar em lugar proibido para colocar a cadeira dentro do veículo, e nós não temos espaço para a cadeira. Eu sinto muito em estar falando, de ver a dificuldade do cadeirante para pegar um táxi."

O diretor-presidente da EPTC diz ter conhecimento de reclamações de usuários sobre o problema. Ele explica que o taxista que se negar a lavar um cadeirante está descumprindo lei municipal. Vanderlei Cappellari alerta que o passageiro deve anotar o prefixo e encaminhar reclamação para o telefone 118.

Os táxis também não podem cobrar a mais pelo serviço, a não ser que seja um veículo especial, equipado com elevador, semelhante aos que tem em alguns ônibus da capital. Nesse caso, a corrida custa 50% a mais.

Zero Hora - Porto Alegre - RS, 17/01/2011