sábado, 19 de fevereiro de 2011

Mãe paga cirurgia de R$ 107 mil para corrigir paralisia em filho

DA BBC BRASIL

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 19/02/2011

A família de um menino de três anos do País de Gales, que sofre de paralisia cerebral, espera que ele consiga andar normalmente depois de uma cirurgia nos Estados Unidos.

A mãe de Taliesin Campbell, Claire, conta que o filho só consegue se arrastar pela casa, pois os músculos das pernas não deixam ele firmar os pés no chão.

"Ele tenta andar, mas tropeça", contou a mãe. Claire diz que as pernas de seu filho tendem a se cruzar quando ele tenta andar e cada passo pode ser um desafio para ele.

Então, Claire e o marido resolveram seguir o exemplo de outras 50 famílias britânicas e levar o filho para uma operação nos Estados Unidos.

"Porque, no momento, Taliesin precisa de muita ajuda e fisioterapia", afirmou. Com a operação, Claire espera que, em dez anos, seu filho não precise de tanta ajuda e seja independente.

A operação é feita em um hospital de St. Louis, por um dos mais renomados neurocirurgiões dos Estados Unidos, TS Park. Na cirurgia os médicos expõem o feixe de nervos na espinha que controla a as sensações nas pernas.

Então, eles testam cada um dos nervos com uma pequena corrente elétrica. Os que forem considerados hiperativos serão cortados. Com os sinais enviados para as pernas reduzidos, os músculos relaxam.

Para a família de Claire Campbell, a decisão foi difícil, mas agora eles vão levantar o dinheiro e partir para St. Louis.

Assista o video: http://www1.folha.uol.com.br/bbc/875211-mae-paga-cirurgia-de-r-107-mil-para-corrigir-paralisia-em-filho.shtml

Fonte: Folha.com - Saúde - 14/02/2011

Um dia de cadeirante em São Paulo

Anderson Meneses, correspondente comunitário do blog Mural, da Folha Online, acompanha um dia na vida de Carlos Novack, o Carlinhos, analisando a acessibilidade na cidade.
Anderson Meneses
APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 19/02/2011

Carlos Novack, 25, é um dos muitos paulistanos que enfrentam o desafio de acessibilidade em uma cidade como São Paulo, mas isto não o faz ficar parado. Carlinhos, como gosta de ser chamado, sempre está procurando algo para fazer e busca sempre ajudar as pessoas.

Ele mora com sua mãe há 23 anos no Jardim Damasceno, zona oeste de São Paulo, porém diz que não costuma sair muito pelo bairro, pois não consegue andar por ele. “Se eu precisar comprar alguma coisa no meu bairro ou eu fico sem, ou eu fico sem”, diz. Decidimos então ir até os lugares onde ele mais freqüentava para ver quais são as dificuldades que um cadeirante enfrenta em sua região.

Nossa viagem começou na porta da casa de Carlinhos, onde uma rampa foi construída para que ele conseguisse entrar e sair sem dificuldades. No dia que eu o acompanhei, um carro estacionado na frente atrapalhava nossa passagem, e tivemos que descer por um outro ponto da calçada. Caminhamos até o ponto de ônibus, pelo meio da rua, pois a calçada é estreita e cheia de buracos, e fica quase impossível até para um pedestre que não precisa se locomover em cadeira de rodas passar. Ao chegar à calçada do ônibus a guia novamente rebaixada ajuda Carlinhos a subir: “Esta rampa não foi feita pela prefeitura. Meu irmão, com ajuda da comunidade, que fez isso, para me ajudar”.

Carlinhos diz que, se têm algum compromisso, tem que sair de casa com duas ou três horas de antecedência, pois não são todos os ônibus que são adaptados para que ele possa subir. Uma lotação sentido terminal Cachoeirinha chega e com a ajuda do cobrador, Carlinhos é erguido até o espaço destinado a cadeirantes dentro da lotação.

Fazemos uma baldeação no terminal Cachoeirinha para o ônibus Metrô Santana, onde todos já conhecem Carlinhos e nos ajudam para que ele embarque com mais segurança. Ao chegar na estação do metrô Santana mais um desafio: sair do ponto de ônibus e chegar até o metrô, um percurso curto, mas que tem alguns obstáculos, como a calçada novamente cheia de buracos e a movimentação constante de pessoas com pressa.

Carlinhos e eu embarcamos no primeiro vagão do metrô e nossa próxima parada é a estação Paraíso. Ao chegar ali, mais uma surpresa: o elevador de acesso para cadeirantes está quebrado e não há outra opção a não ser se arriscar na escada rolante com ajuda de alguma boa alma.

Na avenida Paulista, a situação é muito diferente. As ruas são largas e as travessias de pedestres são tranqüilas. Às 13h, duas horas depois de sair do bairro Jardim Damasceno, estamos na rádio do programa de humor que havia entrevistado Carlinhos no dia anterior (por causa de uma foto, ele teve seus 15 minutos de fama). Carlinhos entra ao vivo e depois tira algumas fotos com os participantes do programa.

Carlinhos decide então ir até a Santa Ifigênia, reduto da tecnologia no centro de São Paulo. Fui com ele até estação São Bento, onde mais um elevador do metrô está em manutenção e ele precisa aguardar por volta de 8 minutos até um agente da estação vir ajudar. Ao sair da estação percebemos que a região do centro não está nada preparada para atender a população cadeirante. Carlinhos briga por espaço novamente com carros e ônibus.

Terminamos nosso percurso na estação rodoviária do Tiête, onde Carlinhos precisa comprar uma passagem para Minas Gerais, pois vai viajar com sua namorada na próxima semana - ali, os acessos são muito bem adaptados.

No final, percebi que este único dia foi vencido para um cadeirante que precisa fazer um esforço muito maior para realizar pequenas coisas. Apesar disso, percebo que Carlinhos gosta mesmo é de ajudar as pessoas, pois, ao nos despedirmos, diz que precisa correr para casa para arrumar o computador de sua irmã.

Anderson Meneses, 20, é correspondente comunitário de Pirituba.

Fonte: Mural - São Paulo - SP, 18/02/2011 - Imagem Internet

Podemos tudo – podemos tanto quanto fizermos

De escolher os governantes ao poder do controle social, somos nós, ativistas da sociedade civil, que no cômputo geral comandamos em todas as áreas e setores. De governados a governantes, misturamos tecnologia ,comunicação e prática para construir, transformar e promover justiça.

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 19/02/2011

Braços e mãos de vários tons de pele
segundando uns nos outros, entrelaçando-se
Trabalhamos com passos firmes e fortes, procuramos caminhos, e, entre erros e acertos, avançamos por estradas ainda sem acessibilidade, mas em obras que a sociedade civil com seu poder maior exigiu que fossem feitas. Nossas estradas de degraus e pedras que ainda levam a escolas excludentes e a espaços segregadores.

Por falar em estrada, cabe a cada um tirar as pedras e quebrar os degraus para que rampas sejam construídas, para que os espaços sejam disponibilizados e ruas sejam pavimentadas. Por falar em estradas, as pedras que lá se encontram representam os que se omitem e assim permitem que seres humanos sigam trancafiados em espaços invisíveis e sem chaves, onde a regra é a manuntenção do atual status quo. Sobre as escolas, o que dizer diante da vergonha de alunos com paralisia cerebral alijados da sociedade, e, em relação a isso, penso, pensem,pensem…por que também precisamos agir.

Somos a sociedade permissiva, amantes da democracia , que na união dos pontinhos nem sempre relaciona a tortura de ontem a de hoje e, por isso mesmo, ao não se mobilizar, releva e se omite diante de crimes lesa-humanidade.

Somos a sociedade permissiva que muitas vezes se cala diante de violações dos direitos humanos, da violência contra a mulher ,da prostituição infantil, do trabalho escravo, da falta de segurança alimentar, dos inúmeras assassinatos de jovens negros, dos crimes cometidos na ditadura,da discriminação por orientação sexual, da intolerância religiosa,da discriminação de 25.000.000 de pessoas com deficiência, e diante de tantas outras coisas.

Avançamos, mas não o bastante, e não são suficientes ações de governo sem controle social efetivo. Se manifestam alguns ou mesmo muitos, mas precisamos mesmo de tod@s, e que se manifestem nas diversas formas de mobilização e comunicação por que mesmo precisamos mesmo de tod@s.

Se a vida é breve e é mutirão, nada mais belo do que viver a cada dia tendo no outro espelho, e , nas auto críticas diárias, ter a certeza de que podemos e que mudar é possível e necessário. Mudar, transformar a si mesmo e levar o mundo junto para esse caminho sem volta e sem fim, de indignação diante das injustiças, de construção, reestruturação e direito inerente à vida, que exige mudança de paradigma, e, sobretudo, vontade,esperança e fé na humanidade.

Por que tudo depende da semente plantada, dos sonhos e projetos, do cultivo de gente que não se cala,não se vende e não se rende. Avançamos e muito, mas é preciso mais e mais, é preciso fazer acontecer em mutirão, conscientizar “gentes” de todos as cores e cantos, é preciso seguir em frente , com vontade, certeza e coragem de fazer acontecer .Colaborar, cobrar e exigir do poder público com a crença inquestionável de que junt@s podemos tudo,podemos tanto quanto fizermos. A garantia dos direitos humanos depende de cada um de nós!

Claudia Grabois

Ana Amélia: urgência para projeto sobre aposentadoria especial

Senadora conseguiu apoio de líderes para priorizar votação do projeto da aposentadoria especial para pessoas com deficiência.
da Redação

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 19/02/2011

A senadora Ana Amélia (PP-RS) informou ter conseguido o apoio de líderes partidários para que seja votado com prioridade o projeto que autoriza a criação de aposentadoria especial para pessoas com graus variados de deficiência. Ela disse ter recebido telefonema do ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves Filho, "um pouco preocupado" sobre o impacto do projeto nas contas da Previdência.

Apesar disso, Ana Amélia disse que não pretende retirar sua assinatura do pedido de prioridade para a votação, mas vai esperar que os técnicos do governo apresentem números sobre o impacto do projeto (PLC 40/10 — Complementar) ou uma proposta alternativa.

A matéria, que já foi examinada pelas comissões e está pronta para votação em Plenário, estabelece tempo de contribuição diferenciado em função do grau de deficiência dos trabalhadores do setor privado: 30 anos para homens e 25 para mulheres com deficiência leve; 27 para homem e 22 para mulher com deficiência moderada; e, em caso de deficiência severa, 25 anos se o trabalhador for homem, e 20 anos, se for mulher.

Fonte: Jornal do Senado - Brasília - DF, 18/02/2011

Contratação de pessoas com deficiência esbarra no preconceito

Evento sobre inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho reuniu profissionais em São Paulo.
da Redação

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 19/02/2011

As dificuldades para incluir pessoas com deficiência no mercado de trabalho fizeram parte de palestra promovida pela Omnia Saúde Ocupacional, no dia 17 de fevereiro, em São Paulo. A palestra foi ministrada pela especialista em Gestão Estratégica de Pessoas Maria de Fátima e Silva, que há 12 anos atua nesse setor.

Após explicar a origem e os tipos de deficiências, Maria de Fátima afirmou que muitas empresas ainda possuem uma atitude reticente em relação ao assunto. “Precisamos parar de olhar a pessoa com deficiência com dó e enxergá-las como um valioso recurso humano, com habilidades e competências”, advertiu.

Ela também lembrou a necessidade que as empresas têm de atender a todos os seus clientes, sem distinções. Para a especialista, da mesma forma como a empresa não escolhe clientes, não deveria excluir de seus quadros pessoas com deficiência, pois ao investir na diversidade ela amplia seus conhecimentos e se torna mais rica em seu relacionamento com todos os clientes.

Compareceram ao evento para profissionais de RH, universidades, instituições de atendimento especializado e empresários. A Omnia Saúde Ocupacional, com sede em São Paulo, atua na consultoria de RH e serviços de Saúde e Segurança do Trabalho.

Para se inscrever nos próximos eventos ou saber mais sobre a inclusão de pessoas com deficiência, é necessário entrar em contato por meio dos telefones 4227-7218 ou 4227-7219, com Letícia; ou pelo e-mail: letícia@omnia.com.br.

Fonte: Omnia - 17/02/2011 - Imagem Internet

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Denúncias de crimes contra pessoas com deficiência crescem quase 100%

Os crimes contra pessoas com deficiência estão entre os mais denunciados pelo Disque Direitos Humanos (0800-031-1119), serviço coordenado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese)

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 18/02/2011

Dados atualizados do serviço revelam que o número de denúncias contra esse público teve um salto de 98%, quando comparado os anos de 2009 e 2010. Foram 117, contra 232.

As formas de violência mais denunciadas foram agressão e maus-tratos (106) e abandono material (64). Para o coordenador do Disque Direitos Humanos, Jorge Noronha, o serviço está ficando cada vez mais conhecido pelos mineiros como ferramenta para denunciar as violações dos direitos humanos.

“Percebemos um amadurecimento da população com relação ao ato da denúncia. As pessoas estão passando mais informação e estão mais sensibilizadas, principalmente com relação aos crimes contra as pessoas com deficiência e contra o idoso também”, lembrou.

Todas as denúncias recebidas pelo Disque Direitos Humanos são encaminhadas aos conselhos responsáveis, delegacias especializadas, promotorias e para as redes de assistência no município de origem da agressão.

Janeiro
Quando comparados os meses de janeiro de 2009 e 2010, o número de denúncias cresceu mais de 10 vezes. No primeiro mês de 2009, o serviço registrou apenas dois relatos de crimes contra as pessoas com deficiência. Enquanto em janeiro de 2010, 23 denúncias foram recebidas.

Disque
O Disque Direitos Humanos é um serviço gratuito e sigiloso. Recebe denúncias de todo o Estado e também presta orientações sobre assuntos relacionados às violações dos direitos humanos. O telefone do Disque Direitos Humanos é: 0800-031-1119

Fonte: Vereador Leonardo Mattos
Imagem: http://www.sejus.df.gov.br/

Os desafios e as superações de quem tem síndrome de down

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 18/02/2011

A artista plástica Melina Pedroso mostra sua obra -
3 flores vermelhas plantadas em vasos
No Diversidades desta semana você vai conhecer o universo muito especial de pessoas com síndrome de down. O programa mostra o cotidiano de três personagens sensíveis, afáveis e bastante espertos com relação a tudo o que acontece em volta. São personagens da vida real que lutam pela inclusão e que, com o apoio da família, superaram o preconceito e a discriminação.

Fernanda Amaral, de 5 anos é a alegria da casa. Caçula de uma família de três filhos, ela nasceu com síndrome de down. Os exames durante o pré-natal não acusaram o problema genético. A notícia, recebida pelo pai primeiramente, só veio no dia do nascimento. “A pediatra me perguntou se eu não havia notado nada de diferente. Eu disse que era leigo e que achava que estava tudo normal. Foi quando ela disse que a Fernanda tinha traços de síndrome de down. O chão saiu dos meus pés naquele momento, mas eu falei que mesmo com a síndrome ou não, ela seria amada”, conta o pai, Hernando Brasil. Hoje Fernanda estuda em uma escola regular e leva uma vida regada de amor e atenção. “Por lei, eu poderia pedir uma pensão por invalidez para a Fernandinha por ela ter síndrome de down, mas eu não quis. Eu acredito que ela é capaz e que ela pode levar uma vida como outra criança qualquer”, afirma Jerusa Amaral, mãe de Fernanda.

Os inúmeros exemplos do sucesso de pessoas com síndrome é o que mais motiva os pais de Fernanda. Um modelo de superação pode ser contado na história de vida de Rodrigo Marinho. Mesmo com síndrome de down ele é funcionário em um gabinete na Câmara dos Deputados. Aos 39 anos, Rodrigo fala com sabedoria sobre sua condição. “Eu nasci para uma missão: fazer os outros felizes. Eu venci o preconceito. Vamos acabar com o preconceito…”.

Você vai conhecer também no Diversidades a vida de Melina Pedroso, de 27 anos. Ela conta que muito cedo descobriu a paixão pelas artes plásticas. Começou a pintar por influência da mãe, e atualmente Melina é conhecida nacionalmente pelos quadros que faz usando cores fortes e representando o mundo que vê a sua volta. “Você tem que dizer pra você mesma que você é capaz, que você consegue. Que delícia, que prazer que eu sinto em pintar”, conta.

O programa desta semana está especial!

Diversidades – histórias de brasileiros… de verdade!

O programa pode ser visto também no YouTube. Acesse: http://www.youtube.com/user/canaldiversidades

E mais! O Diversidades tem um blog exclusivo, onde você pode encontrar dicas de sites e links interessantes: http://canaldiversidades.blogspot.com

Fonte – TV Justiça

Justiça de Osasco garante transporte público gratuito a pessoas com deficiência

Com quantidade de passagens ilimitadas, pessoas com deficiência e seus acompanhantes terão direito a andar gratuitamente no transporte público da cidade.
da Redação

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 18/02/2011



1ª Vara da Fazenda Pública de Osasco garantiu a gratuidade de passagens de ônibus para pessoas com deficiência e seus acompanhantes. A quantidade das passagens também é ilimitada.

A ação proposta pela Defensoria Pública do Estado de São Paulo almejava suspender os efeitos da Lei Municipal nº. 4.201 de 2008, regulamentada pelo Decreto Municipal nº. 10.177/09. Alguns artigos da legislação municipal estabeleciam que a decisão sobre a concessão ou não do benefício seria feito por peritos das empresas viárias.

A legislação ainda previa a limitação da concessão do transporte gratuito apenas para quem não tinha vida independente e para o trabalho. Além disso, estabelecia quais tipos de deficiência gerariam direito à gratuidade e limitava a utilização de passagens somente aos dias úteis.

De acordo com a Defensoria Pública os dispositivos do decreto e da lei municipal que limitavam o benefício deveriam ser suspensos, pois estavam em desacordo com a Lei Orgânica do Município de Osasco, que determina a gratuidade do transporte público para pessoas com deficiência e seus acompanhantes, sem qualquer tipo de restrição.

Segundo a decisão do juiz José Tadeu Picolo Zanoni, o Poder Público precisa promover a integração das pessoas com deficiência. Para isso, é necessário garantir a acessibilidade, permitindo o uso de equipamentos públicos sem a imposição de entraves, facilitando acesso e deslocamentos.

Fonte: Espaço da Cidadania - Osasco - SP, 17/02/2011 - Imagem Internet

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Uma TV para quem não vê

A audiodescrição, prevista desde 2006, está sendo empurrada com a barriga pelas redes de televisão.
Jairo Marques

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 17/02/2011

O "SERUMANO" que inventou aquela máxima "uma imagem vale mais do que mil palavras" cometeu uma gafe histórica que precisa ser reparada. Como sou um menino "bão", igual ao que se diz lá na minha terra, vou me atrever a consertar isso. "Para quem nada vê, imagem nenhuma substitui as palavras".

O povo prejudicado das vistas, que puxa cachorro, padece para curtir uma novelinha, entender notícias do telejornal ou acompanhar um filme, muitas vezes, pela pura falta de prosa durante as cenas e gravações. Naqueles momentos em que a imagem, na ideia do diretor, dá conta de passar a mensagem sem nenhum texto.

Chama-se audiodescrição o recurso que narra as imagens. Então, quando aparece na tela uma moça arrumadinha tomando sorvete em um sol a pino, uma voz traduz com algo do tipo: "Garota bonitona lambe os beiços enquanto chupa um picolé para diminuir o calorão."

Um colega cego me contou que, certa vez, chegou em casa e encontrou o filho pequeno vendo televisão com a mãe. Ao ouvir uns "gemidinhos" vindos da TV, reagiu passando um sermão na mulher pela "falta de cuidado" de deixar a criança assistir aquela suposta safadeza. Obviamente não era nada além da passagem de um filme em que um casal carregava móveis para mudar a decoração da casa. Como não havia "tradução", ele ficou boiando.

Para o pessoal com deficiência intelectual, o auxílio da fala também ajuda um bocado para o entendimento da mensagem, uma vez que uma expressão rápida, sutil ou irônica de um ator pode não ser compreendida. Descrever "Odete Roitman franze a testa, fecha ligeiramente os olhos e solta uma babinha no canto da boca mostrando ódio profundo de Maria de Fátima" seria bem mais fácil de ser entendido.

Apesar de ser regulamentada desde 2006, a implantação da audiodescrição está sendo empurrada com a barriga pelas redes de televisão. Investem bilhões em supostos avanços tecnológicos, mas não querem gastar pouco com algo que vai facilitar muito a vida de quem quer ver TV com mais conforto.
Ninguém exige que haja o recurso narrativo durante toda a lenga-lenga do "Big Brother", afinal ficaria aquela ladainha: "Menina de tanga toma sol com a bunda empinada à beira da piscina". O que a regra prevê é bico de ser cumprido, duas horas durante a programação diária. Será que dói?

Outras línguas

O closed caption -aquelas legendas nas imagens para serem compreendidas por quem tem o escutador de novela avariado- é fundamental para surdos e também já tem regulamentação para ser implantado há quatro anos.
Por ser considerado "mais fácil" de ser implantado, devagarinho, as TVs até estão colocando o recurso em algumas sessões de filmes ou programas jornalísticos. É pouco.

Já a tradução para libras -para quem usa a língua de sinais- só aparece, às vezes, em cultos e missas na TV. Quem sabe é para salvar a alma dos mal-acabados. Trata-se de uma janelinha em algum canto da tela, com alguém mexendo sem parar as mãos. Contudo, o gesto maior tem sido das emissoras: dar de ombros para a determinação que prevê uma TV para todos.

Fonte: Assim como você - 16/02/2011 - Imagem Internet

Conade inicia biênio 2011-2013 com eleição de Presidente e Vice-Presidente

Novo biênio inicia na próxima terça-feira; a ministra Maria do Rosário Nunes dará posse aos novos conselheiros e o Ministério Público Federal coordenará o processo eleitoral.
da Redação
APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 17/02/2011


O Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, órgão superior de deliberação colegiada, integrante da estrutura básica da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, iniciará novo biênio nesta próxima terça-feira (15/02). A Ministra Maria do Rosário Nunes dará posse aos novos conselheiros e em seguida, o Ministério Público Federal coordenará o processo eleitoral para escolha do novo Presidente e Vice-Presidente.

O Conade, cuja competência principal é acompanhar e avaliar o desenvolvimento da política nacional para inclusão da pessoa com deficiência e das políticas setoriais de educação, saúde, trabalho, assistência social, transporte, cultura, turismo, desporto, lazer e política urbana dirigidos a esse grupo social, já exerceu cinco mandatos (dois governos e um sociedade civil). O Conselho é integrado por representantes de organizações não governamentais de e para pessoas com deficiência, dos ministérios setoriais, da Casa Civil da Presidência da República, da Ordem dos Advogados do Brasil, de organização nacional de trabalhadores, de organização nacional de empregadores, da comunidade científica, do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia e da Associação Nacional do Ministério Público de Defesa dos Direitos dos Idosos e Pessoas com Deficiência, totalizando 38 membros, sendo 19 representantes de órgãos governamentais e 19 da sociedade civil organizada. Possui em sua estrutura o Plenário, a Presidência, a Presidência Ampliada, cinco Comissões Permanentes (Comissão de Atos Normativos, Comissão de Comunicação Social, Comissão de Articulação de Conselhos, Comissão de Políticas Públicas e Comissão de Orçamento e Finanças). A Presidência Ampliada é formada pelo(a) Presidente, Vice Presidente e os(as) coordenadores(as) das comissões permanentes.

A Ministra Maria do Rosário dará posse ao novo colegiado no dia 15 de fevereiro, às 14:00 horas e fará a abertura da 72ª Reunião Ordinária. Em seguida o Ministério Público Federal coordenará a eleição do Presidente e Vice-Presidente e o plenário iniciará as atividades do biênio. Local da posse e eleição da mesa diretora do Conselho: auditório do 8º andar da Secretaria de Direitos Humanos *– (Edifício Parque Cidade Corporate, SCS Quadra 09, Lote C, Torre A, 8º andar - auditório - Brasília-DF – 61 - 2025-9219).*

Fonte: Conade - 16/02/2011 - Imagem Internet

“A educação inclusiva deve ser uma lição de casa para o mundo”

Entrevista com Francelene Rodrigues, mãe de quatro filhos e líder comunitária.
Leandra Migotto Certeza

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 17/02/2011


Francelene Rodrigues, 37 anos, nasceu e sempre morou na comunidade do bairro Itaim Paulista, na zona lesta cidade de São Paulo. Tem quatro filhas adolescentes e um neto. Sua deficiência física, a tetraplegia, foi adquirida após uma violência doméstica do meu ex-marido, em 1998.

Atualmente, Francelene atua como líder comunitária onde vive; é Conselheira de Saúde do Centro de Testagem e Aconselhamento em DST/AIDS Sérgio Arouca; e agente educacional de prevenção às DSTs e AIDS, por meio do projeto: “Elas por Elas”. Contribui em outro projeto com idosos, na Casa de Missão, em São Miguel Paulista, também na zona leste da cidade de São Paulo; além de participar, desde 2001, de conselhos gestores locais e regionais; e do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência.

A estudante palestra sobre inclusão social em organizações não-governamentais, se diverte, cuida da casa e dos filhos, e namora quando se identifica com alguém. “Não me curvo frente aos erros, nem admito sentimentos de pena. Sou feliz assim como sou. Não mudo. Cresço com minhas experiências. Hoje sou um instrumento de inclusão!”, destaca a professora entrevistada desta edição, contando em detalhes o seu processo educacional.

Caleidoscópio: Conte um pouco como foi o seu processo de inclusão educacional. Quais foram os maiores desafios e conquistas?

Francilene: Amo estudar. O processo educacional foi tranqüilo, até adquirir a deficiência física. Sempre estudei em escolas públicas e conclui o magistério. Complicado foi quando decidi voltar aos estudos, pois a minha matricula no ensino médio supletivo foi recusada. Precisei adquirir outros conteúdos para prestar vestibular.. Mas insisti e venci, e logo depois ingressei na faculdade, com algumas barreiras que ao decorrer do curso universitário são superadas a cada dia. Mas muitos outros obstáculos aparecerão pelo caminho até eu terminar o curso. Sei que eles precisam ser sempre ultrapassados.

"Sou feliz assim como sou. Não mudo. Cresço com minhas experiências. Hoje sou um instrumento de inclusão!” - Fracilene

Caleidoscópio: Passou por preconceitos e discriminações?

Francilene: Uma barreira inquebrantável sempre será o preconceito, que ainda existem em relação às pessoas com quaisquer tipos de deficiência no mundo, não só na faculdade. Esse sentimento, muitas vezes, vem da família; e é indiscutível que esse tema ainda seja uma barreira para muita gente. O maior preconceito foi em entender que eu mesma era preconceituosa com as pessoas e não elas comigo.

Caleidoscópio: Sempre quis ser assistente social? Qual a importância dessa profissão em sua vida?

Francilene: Decidi pela profissão, devido ao envolvimento dentro de minha própria comunidade na qual sou líder, e Conselheira de Saúde desde 2001. Sempre trabalhei em prol de melhorias para o bairro onde vivo. Amo a profissão que escolhi, e sei que mercado de trabalho está aberto, pela amplitude em conhecimentos, desafios e competências, que a área possui. Ser assistente social para mim é primeiramente ser cidadã, capaz de garantir direitos ao próximo e a si mesmo. Estou no 4º semestre do curso de Serviço Social da faculdade Unicastelo do campus de Itaquera, zona leste da cidade de São Paulo. Logo que cheguei à faculdade, foram feitas adaptações para garantir a acessibilidade em quase todos os espaços, e ainda faltam alguns ajustes. Mas hoje me sinto livre para me locomover, pois fizeram rampas e instalaram dois elevadores. Fiquei muito feliz pelas mudanças.

Caleidoscópio: Como avalia a carreira para profissionais com deficiência?

Francilene: O maior desafio dessa profissão é garantir direitos. Atualmente o mercado de trabalho está aberto, mas as pessoas com deficiências precisam se capacitar ainda mais.

Caleidoscópio: Tem colegas de sala com deficiência? Como é a relação com eles? E os professores?

Francilene: Só tive contato com duas pessoas com deficiência: um que usa cadeira de rodas e outra com nanismo. Elas são muito descontraídos, e estão ali para fazer a diferença como eu. Melhorou muito para mim, porque eu me sentia um pouco ‘constrangida’, mas hoje vejo outras pessoas com deficiência pelos corredores, e logo me apresento como estudante veterana. Os professores da faculdade Unicastelo são nota dez, e sabem respeitar e compreender as limitações dos alunos com deficiência.

“Hoje me sinto livre para me locomover na faculdade, pois fizeram rampas e instalaram dois elevadores. Fiquei muito feliz pelas mudanças” - Francilene.

Caleidoscópio: Como está a educação inclusiva no Brasil? O que precisa ser incentivado e o que é necessário mudar?

Francilene: Em linhas gerais, no Brasil, a educação inclusiva ainda deixa muito a desejar; primeiro porque os professores da rede pública, e mesmo da particular necessitam com urgência de capacitação, oferecida pelos seus próprios órgãos competentes. Os professores precisam também ter dedicação, paciência, consciência, competência; e o mais importante: ter aptidão e envolvimento não só porque a inclusão está na moda, e sim porque é urgentemente necessária em pleno século XXI. Mas ainda há barreiras e resistência desses profissionais. Acredito que só se faz educação se educando, e ela começa em casa. Em relação às escolas e/ou universidades acessíveis na zona leste da cidade de São Paulo, ainda deixam muito a desejar; mas sei que aos poucos os professores se dedicam a ter um olhar inclusivo.

Fonte: Blog Caleidoscópio - 16/02/2011 - Imagem Internet

Fórum “A Educação Física, o Esporte e o Lazer Incluindo as Pessoas com Deficiência”

O evento visa apresentar e avaliar atividades e resultados do Comitê de Apoio ao Paradesporto no Estado de São Paulo.
APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 17/02/2011

No dia 24 de fevereiro, a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, realiza no auditório de sua sede, das 13h30 às 17h, o Fórum - A Educação Física, o Esporte e o Lazer Incluindo as Pessoas com Deficiência - que irá apresentar e avaliar as atividades desenvolvidas pelo Comitê de Apoio ao Paradesporto, no Biênio de 2009/2010, dentro do Plano de Ação Paradesportivo do Estado São Paulo, e a apresentação dos resultados do questionário enviado a todos os 645 municípios do Estado. Na ocasião, acontece a Posse Solene do Comitê, que irá elaborar o Plano de Ação para os anos de 2011 e 2012, bem como seu acompanhamento e avaliação. Além disso, serão apresentadas as propostas da Secretaria de Estado de Esporte, Lazer e Juventude - SELJ para atendimento as pessoas com deficiência no período de 2011/2014.

O Comitê de Apoio ao Paradesporto é encarregado da elaboração, acompanhamento e avaliação do Plano de Ação Paradesportivo do Estado de São Paulo, o qual deve estabelecer objetivos, metas e meios para o desenvolvimento ordenado, priorizando o acesso às práticas esportivas as pessoas com deficiência. O Comitê é composto por nove membros representando o Estado e a sociedade civil, sendo eles: um representante da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, um representante da Secretaria de Esporte, Lazer e Turismo, um representante da Secretaria da Educação, um representante do Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa com Deficiência, três atletas paraolímpicos, um técnico esportivo atuante no paradesporto do Estado e um dirigente esportivo de entidade de prática paraolímpica.



PÚBLICOALVO:

Secretaria de Estado da Educação, a Secretaria de Estado do Esporte, Lazer e Juventude, Dirigentes Municipais de Esportes, representantes do Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa com Deficiência - CEAPcD, Entidades Estaduais e Entidades de prática de esportes para pessoas com deficiência. Não é necessário fazer inscrições.

LOCAL:

Auditório da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência. (Avenida Auro Soares de Moura Andrade, 564, Barra Funda - São Paulo/SP - ao lado da estação de Metro e CPTM)

Fonte: http://www.pessoacomdeficiencia.sp.gov.br/sis/lenoticia.php?id=719 - 31/01/2011

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Reforma não chega ao lado B da avenida Paulista, em SP

APNEN,colaborando na divulgação desta matéria: 16/02/2011

Mateus Bruxel-15.fev.2011/Folhapress
Trecho da av. Paulista com calçada acessível em boas
condições ao lado de calçada esburacada na mesma via

Você está na avenida Paulista, na região central de São Paulo, informam as placas. Mas em vez dos postes modernos recém-inaugurados, de vapor metálico, vê-se um quarteirão todo às escuras e, mais adiante, outro com dois postes de luz alaranjada, segundo reportagem de Cristina Moreno de Castro publicada na edição desta quarta-feira da Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).

De acordo com o texto, é nessa Paulista que vivem os moradores dos dois quarteirões entre as ruas da Consolação e Minas Gerais --a via toda tem menos de 20 quadras. Eles reclamam que a prefeitura "se esqueceu" de levar as reformas até ali. "Nem parece que moramos na Paulista. Ou abaixam o IPTU e mudam o nome da avenida ou melhoram como em todo o resto. Isso é preconceito", diz a advogada Martina Di Pietro, 50, moradora do edifício Anchieta.

Ela diz que o IPTU do apartamento onde mora, de 117 m2, aumentou de R$ 1.880 no ano passado para R$ 1.978 neste ano. Para comparar, a Folha encontrou um apartamento com praticamente a mesma área, na Paulista "lembrada", com IPTU de R$ 1.000.

OUTRO LADO

A Prefeitura de São Paulo disse que o Departamento de Iluminação Pública está elaborando um estudo para instalação de mais pontos de iluminação no trecho da Paulista entre as ruas da Consolação e Minas Gerais. "O estudo será utilizado para definir o tipo de equipamento que deverá ser implantado, atendendo aos padrões de iluminação pública da cidade."

A assessoria de imprensa da prefeitura não informou qual é a previsão para a conclusão do estudo.

Sobre o projeto de renovação das calçadas, a prefeitura diz que contemplava "o trecho mais movimentado da via, entre a praça Oswaldo Cruz e a rua da Consolação, que foi concluído".

Fonte: Folha.com 16/02/2011 - Cotidiano

Município responsabilizado por má conservação de calçada

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 16/02/2011


O Município de São Leopoldo deverá pagar indenização por danos morais a homem que sofreu queda em decorrência da má conservação de via pública. A decisão é da 9ª Câmara Cível do TJRS, confirmando sentença que reconheceu ser responsabilidade da prefeitura a manutenção e fiscalização das ruas e calçadas que são de uso público.

O autor da ação narrou que, no dia 15 de janeiro de 2009, ao transitar pela Rua Brasil, sofreu uma queda em razão de um desnível na calçada, decorrente da ausência de lajotas e do desgaste do piso. Afirmou que o acidente lhe causou fratura no tornozelo esquerdo, lesão esta que resultou na colocação de tala de gesso e de tratamento conservador, e que, em função disto, esteve afastado de suas atividades, o que lhe ocasionou redução no salário. Fotografias juntadas e o depoimento de testemunhas confirmaram o mau estado de conservação do local, fator que contribuiu para o acidente sofrido pelo autor da ação.

O Município, por sua vez, defendeu que a queda sofrida pelo homem ocorreu por desatenção do mesmo, não havendo, ainda, provas de que sua lesão tenha lhe trazido maiores prejuízos.

Segundo o desembargador Leonel Pires Ohlweiler, relator do processo, o dever de agir do Município, na hipótese, consistia na devida manutenção, conservação e fiscalização das condições do passeio público, de forma a garantir a segurança e integridade física da população ou, ao menos, na sinalização, alertando a existência de irregularidades no local. Salientou ainda que o infortúnio sofrido pelo autor da ação decorreu exclusivamente do defeito apresentado no local.

A 9ª Câmara Cível manteve o valor de R$ 3.570,00 por danos morais, fixado pela sentença de 1º Grau, bem como o ressarcimento pelos prejuízos materiais (R$ 315,80) em razão de consultas médicas, ortopedia e fisioterapia, que foram devidamente comprovados pelos recibos juntados.

Não houve reparos a respeito dos lucros cessantes, decorrentes do seu afastamento do trabalho, referente ao período de 60 dias consistentes na diferença entre os valores que deveria ter recebido a título de pró-labore, comprovados mediante juntada de contracheques, e os valores recebidos a título de benefício previdenciário, devendo a quantia ser apurada em sede de liquidação de sentença.

(Proc. 70039623707)

Fonte: TJRS - Imagem Internet

Na China, Advogado cego é surrado por policiais após falar em vídeo

Jurista é defensor dos direitos humanos e denunciava, em vídeo clandestino, as más condições de sua prisão domiciliar.
da Redação

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 16/02/2011

A polícia chinesa espancou brutalmente um famoso advogado cego, defensor dos direitos humanos, depois que ele denunciou em um vídeo clandestino as condições de sua prisão domiciliar, informou nesta sexta-feira uma associação.

Chen Guangcheng, que é cego desde a infância, foi violentamente surrado pelos policiais, furiosos porque ele conseguiu enviar o vídeo para o exterior apesar de toda a vigilância que o cerca, segundo a Chinese Human Rights Defenders (CHRD, Defensores Chineses dos Direitos Humanos).

Na filmagem, Chen critica os métodos utilizados contra ele, assim como a vigilância, 24 horas por dia, de sua casa na província de Shandong (leste) por três equipes de 22 agentes.

Foram as primeiras declarações públicas de Chen Guangcheng desde 9 de setembro de 2010, quando foi libertado depois de passar quatro anos na prisão, detido por defender os mais pobres.

De acordo a CHRD, que tem base em Hong Kong e cita um informante anônimo, o advogado sofreu ferimentos graves e está de cama, mas a polícia não permite que ele seja visitado por um médico.

O vídeo da ONG de defesa dos direitos humanos China Aid Association, publicado na quinta-feira na internet, mostra Chen Guangcheng e sua família em sua modesta granja, cercados de guardas.

Jurista autodidata, Chen revelou práticas abusivas de esterilização de milhares de mulheres chinesas, que também são obrigadas a realizar abortos pelo governo.

Fonte: G1 - Pequim - China, 15/02/2011

Empresa de recrutamento tem divisão para deficientes

A falta de qualificação é apontada como um dos maiores empecilhos pra contratação de pessoas com deficiência
da Redação

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 16/02/2011


Em 2008, quando as companhias brasileiras haviam suspendido as contratações em função da crise global, uma empresa de recrutamento começou a desenvolver no país um segmento pouco explorado pela concorrência: o da Lei de Cotas.

E havia mais um diferencial. A intenção era encontrar profissionais qualificados para as funções, com graduação, vivência no mundo corporativo e conhecimento de idioma estrangeiro.

O resultado do trabalho surpreende em um cenário em que a falta de qualificação de pessoas com deficiência é frequentemente apontada pelas companhias como um fator que limita as contratações, principalmente para cargos mais altos.

Fonte: Folha de S.Paulo - São Paulo - SP, 15/02/2011 - Imagem Internet

Lindbergh Farias quer comissão para aperfeiçoar legislação sobre pessoa com deficiência

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 16/02/2011

Presidente do Senado José Sarney e o Senador Lindbergh Farias
O presidente do Senado Federal, senador José Sarney (PMDB-AP), recebeu nesta quinta-feira (10), em seu gabinete, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e a superintendente do Instituto Brasileiro de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Teresa D’Amaral. Em entrevista após o encontro, o senador Lindbergh Farias disse que propôs ao presidente do Senado a criação de uma comissão especial para aperfeiçoar a legislação sobre as pessoas com deficiência. De acordo com o senador, o presidente José Sarney “recebeu a ideia com entusiasmo” e irá trabalhar para instalar a comissão.

Lindbergh Farias afirmou que a legislação brasileira já é boa, mas pode ser melhorada. Além de buscar o aperfeiçoamento das normas legais já vigentes, a comissão especial irá, segundo o senador, estabelecer um grande debate e uma grande mobilização nacionais em torno do tema, realizando seminários e audiências públicas.

- Vamos levantar a bandeira da pessoa com deficiência por todo o Brasil – afirmou o parlamentar.

O senador lembrou que hoje, mesmo com uma legislação avançada, há mães de crianças com deficiência que enfrentam “uma luta duríssima no dia-a-dia”, na busca de espaço para dar estímulos ao filho. O senador – que tem uma filha com síndrome de Down – disse que pequenas iniciativas podem fazer a diferença. Citou, por exemplo, a possibilidade de inclusão da Língua Brasileira de Sinais (Libras) no ensino fundamental.

- As crianças iriam se divertir. E quantas pessoas com deficiência auditiva seriam incluídas na vida social apenas com essa medida? – indagou.

Segundo Lindbergh Farias, Sarney afirmou que a comissão (temporária) será criada o mais breve possível. O senador lembrou que o presidente do Senado tem desenvolvido um grande trabalho em favor da inclusão da pessoa com deficiência desde seu mandato como presidente da República, quando foi aprovada boa parte da legislação atual sobre o assunto.

Também em entrevista após o encontro, Teresa D’Amaral disse que “é preciso dar efetividade à legislação brasileira”. Ela afirmou que a grande maioria das cidades brasileiras não tem acessibilidade para pessoas portadoras de deficiência.

De acordo com Teresa D’Amaral, 14,5% da população brasileira são portadores de alguma deficiência. Para ela, “o tema tem de ser trazido para a responsabilidade do Estado e da sociedade”.

- Os deficientes têm necessidades pontuais: o deficiente auditivo precisa do sistema de Libras, o deficiente visual precisa de um programa específico de computador etc. Mas o que é preciso mesmo é o respeito e o espaço necessário para se discutir o tema – afirmou.

Fonte: Agência Senado

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

72% das escolas de Maringá não têm acessibilidade

Falta tanto estrutura física, como rampas e elevadores, quanto profissionais capacitados para realizar uma educação inclusiva.
Vinícius Carvalho

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 15/02/2011

Os alunos da 6ª série do Colégio Estadual Rodrigues Alves, na Vila Santo Antônio, em Maringá, já se acostumaram com a presença do colega mais especial: Mateus da Costa Silva, 15 anos, portador de paralisia cerebral, que limita sua capacidade motora e de comunicação.

Todos estudam na mesma sala e aprendem as mesmas matérias. A diferença é que Mateus é cadeirante, conta com um computador especial para escrever e a assistência exclusiva da pedagoga Aila Darcin Godoi.

"A disciplina que ele mais gosta é educação física; joga dama e outros jogos de tabuleiro com os colegas", comenta Aila. "Geralmente, ele ganha de mim", diz o colega Pedro Batista, 11 anos.

Para chegar à sala de aula, Mateus percorre uma rampa coberta. Há um banheiro especial adaptado para suas necessidades. Entre os três cadeirantes da escola, uma foi campeã da mais recente edição das Olimpíadas de Matemática.

No entanto, são poucas as escolas da rede estadual de ensino em Maringá que possuem estrutura adequada para receber alunos com necessidades especiais. Segundo o Núcleo Regional de Educação (NRE), 28% dos 32 estabelecimentos contam com rampas de acesso ou elevadores para deficientes. O número só foi ampliado recentemente, com a conclusão das reformas no Instituto de Educação Especial de Maringá – o maior colégio da rede no município – e no Colégio Estadual Gastão Vidigal.

São nove escolas com rampa, corrimão ou elevador, além de banheiro especial. A chefia do NRE não comentou o assunto, nem revelou quais os planos para os estabelecimentos ainda não preparados para receber alunos especiais. Servidores do órgão revelaram que existem projetos no sentido e que cada escola informa a existência de alunos especiais e requisita as adaptações.

Na última quinta-feira, o secretário estadual de Educação e vice-governador, Flávio Arns, admitiu que pegou uma "estrutura caída" na rede de ensino e que vai destacar 2 mil engenheiros para levantar a situação estrutural de todas as escolas do Estado.

O presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Ismael Melo, afirma que existe um grande desnível entre a estrutura física das escolas municipais e estaduais de Maringá. "O aluno passa o início do ensino fundamental em escolas adaptadas e, quando passa para a 5ª série, depara-se com escolas sem estrutura", comenta. "É preciso mais investimento do governo para que essa ponte seja construída."

Melo afirma que investimento em reforma não é suficiente para garantir a inclusão de estudantes com deficiência. "Não existe um número suficiente de pedagogos preparados para atender esses alunos; no caso dos surdos, profissionais que sejam capazes de interpretar LIBRAS", explica.

"Exige uma metodologia específica e até mesmo uma avaliação diferenciada", comenta Aila. Apesar de não falar, Mateus responde com um sorriso o quando perguntado se gosta do lugar onde estuda.

"Melhorou para todo mundo desde que o Mateus veio estudar com a gente. Agora todo mundo se comporta melhor, faz menos bagunça", diz o colega Pedro.

Fonte: O Diário.com - Maringá - SP, 14/02/2011 - Imagem Internet

Mães reclamam de integração de portador de deficiência à sala comum em Emef

Conflitos entre as crianças leva mães a protestarem em frente à escola.
Bruna Dias e Ieda Rodrigues
APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 15/02/2011

Um grupo de mães de alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Professor Waldemiro Fantini, localizada no Parque Santa Cândida, em Bauru, fez protesto no dia 11 em frente à instituição de ensino. Elas reclamaram do fato de alunos portadores de deficiência estarem em sala de aula comum, onde a faixa etária da turma é menor.

Elas relataram que, anteontem, um aluno portador de deficiência de 13 anos agrediu uma menina de 8 anos dentro da sala de aula, fato que já teria ocorrido anteriormente envolvendo outros estudantes. “Não é preconceito. Mas eles precisam ponderar. Como vão colocar esse aluno que é 5 anos mais velho do que os outros estudantes e possui uma deficiência que o deixa agressivo? Meu filho maior, que possui dislexia, já foi empurrado da escada por outro aluno”, diz Janine Dourado, 31 anos, mãe da menina 8 anos.

Cobrando ação da escola, chegaram a propor a substituição da diretora. Noranei Pereira dos Santos, 48 anos, avó de um aluno que estuda na mesma classe da filha de Janine, conta que o neto sofre ameaças constantes do aluno portador de deficiência. “Ele xinga as professoras com palavrões, bate nelas e ainda está ameaçando meu neto. É um absurdo. E a diretora não faz nada”, disse.

Quando souberam da situação conflituosa que ocorria da Emef Waldemiro Fantini, duas diretoras da Secretaria Municipal de Educação foram à escola. Mais tarde, a secretária Vera Caserio informou que as mães foram orientadas a redigir e entregar à secretaria um documento relatando suas queixas. Com base no documento, a secretaria abrirá sindicância para apurar as reclamações.

Porém, Vera adianta que este é o terceiro ano que o aluno apontado pelas mães como agressivo está na Emef do Parque Santa Cândida e não há relatos de problemas semelhantes até então.

“Trabalhamos com inclusão e não podemos simplesmente tirar o aluno da sala de aula”, afirmou a secretária Vera Caserio.

Fonte: JC Net - Bauru - SP, 14/02/2011 - Imagem Interenet

Contas de água em braile é um serviço que pouca gente conhece

Emitir faturas especiais para os consumidores que têm deficiência visual é lei desde 2006. De 180 mil deficientes visuais no Distrito Federal, apenas 11 aderiram à conta em braile.
Raquel Porto Alegre

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 15/02/2011


É através do tato que o artista plástico Flávio Silva sabe quanto vai ter que pagar pela conta de água todos os meses. “Vou pagar R$ 44,67”, fala. Ele perdeu totalmente a visão em um acidente há 12 anos e há apenas dois anos, Flávio, recebe as contas da Caesb e da CEB em braile, sistema especial de leitura para deficientes visuais. “Para mim é de grande importância, pois com a conta em mãos eu posso fazer uma comparação com o mês anterior e fazer um controle”, indica.

Dados da Associação Brasiliense de Deficientes Visuais mostram que, atualmente, 180 mil pessoas no Distrito Federal com problemas de visão. Pelo menos 30% são totalmente cegas.

Emitir faturas especiais para os consumidores que têm deficiência visual é lei desde 2006. A Caesb foi a primeira empresa pública do DF a cumprir a legislação, que pouca gente conhece. Até hoje, apenas 11 clientes recebem as contas em braile.

Para fazer a solicitação basta ir a um dos 14 escritórios comerciais da Caesb ou ligar para o número 115. O cliente deve apresentar laudo médico ou carteira de identificação de deficiente, fornecida pelo GDF e, ainda, ser responsável pelo imóvel e ter a conta de água no nome dele.

“É um satisfação grande a Caesb poder integrar na sociedade com um processo que é de interesse público. A nossa intenção é que esse número cresça”, fala Valtrudes Pereira Franco, diretor de comercialização da Caesb.

Para Flávio, a conta em braille é sinal de autonomia. “Facilita muito, porque hoje em dia verifico o valor da fatura e a data vencimento, e eu mesmo vou ao banco ou casa lotérica efetuar o pagamento”, afirma.

Fonte: DFTV - Brasília - DF, 14/02/2011 - Imagem Internet

Veja a entrevista com Jane Peralta, diretora do site Amputados Vencedores

Aos 13 anos ela sofreu um acidente de moto e perdeu o movimento de seu pé. Deu a volta por cima e é a diretora do site Amputados Vencedores.
da Redação

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 15/02/2011

No que consiste a sua deficiência?
Em 1981 eu era uma adolescente no auge dos meus 13 anos de idade. Vivia o que as outras garotas vivam: hormônios latentes, curiosidade de tudo e uma energia avassaladora. No dia 14.05.1981, em Umuarama-Paraná, parecia que seria mais um dia comum em minha adolescência. Levantei-me, tomei meu café e me vesti para ir trabalhar. Trabalhava com meu pai em sua construtora. Já independente e bastante teimosa me deslocava com minha própria moto, com autorização de meu pai. Num dia cinzento e nublado saí para mais um dia de trabalho. Para uma menina de treze anos que já tinha 1,74 de altura, eu já me considerava uma adulta em todas as minhas atitudes. Depois de um dia normal, era hora de voltar para casa. Quando pisei na calçada e subi na minha moto eu vi uma família, que morava no prédio ao lado, saindo no mesmo momento em que eu saía. Os cumprimentei e ambos saímos pela mesma direção. Eu me dirigi por uma rua e eles foram por outra. Uns 800 metros depois da minha saída, eu resolvi não parar em uma esquina preferencial, já perto da minha casa. Eu pensei: “Sempre passo por aqui e nunca cruzei com um carro, desta vez eu vou passar direto”.

Não vi nada e não me lembro da cena do acidente. Bati justamente naquele vizinho que eu havia cumprimentado minutos antes. O farol do carro se quebrou e estraçalhou minha perna direita, abaixo do joelho. Caí a alguns metros da moto e o sangue jorrava para todo lado (eu cortei a artéria). Uma amiga que vira meu acidente teve que tomar calmante para dormir à noite. Aquele senhor ficou tão desesperado que não conseguia nem sair do lugar. Um outro que passou no momento parou seu fusca, me colocou dentro do carro e me levou para o hospital. O sangue jorrou pelo seu carro sem dó nem piedade.
Quando cheguei ao hospital eu já estava em estado de choque. Perdi quase todo meu sangue e rapidamente fizeram uma transfusão de sangue para garantir minha vida. Naquela noite foi um desespero para meu pai e minha mãe. Ao passarem pelo local após o acidente eles acharam que eu havia morrido. O médico falou para eles rezarem muito por mim, pois, ele não garantia nem a minha vida. Ao passar o risco de morte ele avisou que eu poderia perder a perna. Ela estava estralhaçada, toda retalhada.

No dia seguinte começaria uma jornada longa de recuperação, muitos curativos e outras cirurgias. Como a extensão do corte era grande, tive que fazer uma nova cirurgia dois meses depois para realizar um enxerto de pele. Retirei a pele das nádegas e foi muito difícil. Ficar deitada de barriga para cima, em cima de uma raspagem forçada nas nádegas foi um grande desafio. Depois que cessou a fase da dor, iniciou a fase da cicatrização que provocava uma coceira terrível. Parecia que a dor era mais suportável do que a coceira. Depois de muita paciência e resistência tudo cicatrizou. As cicatrizes que ganhei nas nádegas valeram o resultado alcançado na perna. Mais uma vez o médico avisou que poderia não dar certo. Na hora da cirurgia eu escutava: “Essa lâmina não está cortando nada”. Abençoado Dr. Carlos Alberto Potier que agüentou minhas crises, meus choros e meu mau humor.

No final das contas cortei o nervo que levanta o pé e fiquei com uma cicatriz enorme na perna (83 pontos). Para conseguir andar precisei usar uma goteira de polipropileno para manter meu pé em 90 graus, já que ficou caído.

Quando a pessoa adquire a deficiência em algum momento de sua vida é preciso reaprender muitas coisas para se adaptar à nova realidade. Em seu caso, qual foi a adaptação que você considera que foi a mais difícil para você?
Mais difícil foi reaprender a andar. Como meu pé caía eu tinha que forçar o quadril e o tornozelo. Fiquei um ano andando assim. Minha perna doía muito. Foi somente quando coloquei o aparelho que senti algo diferente. Consegui andar normalmente e pude perceber o valor do corpo humano. Por causa do aparelho fiquei limitada ao uso do calçado. Até hoje fica difícil comprar uma sandália e um sapato. Foi somente com a Opananken que essa dificuldade se tornou mais amena.

Na sua vida profissional e amorosa você enfrentou muitas dificuldades?
Às vezes me perguntavam o que tenho de deficiente. Até eu mesma demorei a entender que era uma pessoa com deficiência, já que me faltava uma parte de meu corpo. Embora tenha me acidentado de moto em 1981 só fui usar o caixa especial em bancos financeiros para deficientes em 1993.

Entrei em minha adolescência usando somente um tipo de calçado: tênis. Imaginem uma mocinha usando qualquer tipo de roupa sempre com um tênis no pé. Mesmo com essa limitação sempre saí com meus amigos, namorei muito e entrei para a faculdade de Serviço Social, em Londrina-Pr. Em 1991 me formei como assistente social e fui novamente para São Paulo para desbravar novos mundos. Sempre quis provar que a minha deficiência não me impediria de ser uma excelente profissional.

Foi em fevereiro de 1996 que decidi retornar para Londrina e um desejo começou a entrar em meu coração: encontrar um amor e ter a minha família. Isso tudo aconteceu depois que reencontrei minha fé em Deus. Comecei então uma jornada difícil que exigiria muita paciência. Somente encontramos o verdadeiro amor após muita lapidação. É como encontrar um diamante muito valioso. Por três longos anos eu orei, jejuei e esperei por esse grande amor, enquanto fazia meu mestrado em educação. A essa altura eu já estava dando aula na Universidade Estadual de Londrina e queria muito ter um esposo. Até que um dia isso aconteceu, em fevereiro de 1999.

Eu havia saído da igreja que freqüentava e estava com um grupo de amigos. Quando de repente olhei ao lado e vi um rapaz que estava sentado em uma mesa e que conversava com um amigo meu. Logo notei que havia acontecido algo muito ruim com ele. Ele não tinha os dois braços e estava com o coto enfaixado. Só podia ser um acidente. Muito curiosa eu não tive dúvidas. Levantei-me da minha mesa e fui até lá. Já cheguei me apresentando e perguntando o que havia acontecido e ele explicou que havia sofrido um choque elétrico de 13.800 volts há aproximadamente um ano. Eu fiquei chocada e muito comovida com sua história e claro já fui logo convidando ele para ir para minha igreja. Trocamos nossos telefones e 15 dias depois marcamos um encontro: comer pizza. Eu já sabia que teria que lhe servir na pizzaria, mas eu não via nenhum problema nisso. Aliás, eu não imaginava que ele se tornaria o grande amor da minha vida. Foi assim que conheci esse homem maravilhoso, Flávio Peralta.

Depois desse primeiro encontro outros encontros vieram e fomos nos tornando amigos. Um dia, assistindo um filme no cinema algo aconteceu e trocamos nosso primeiro beijo. Eu senti algo diferente e um sentimento de amor foi se apossando de mim. Namoramos, noivamos e casamos em setembro de 2001.

No trabalho as coisas foram fáceis. Em 2011 serão 20 anos de formada como assistente social e nunca me faltou trabalho. Sempre fui muito dedicada e nunca deixei minha deficiência ser um empecilho.

Após esse período de adaptação você deve ter enfrentado muitas situações complicadas, fáceis, difíceis e engraçadas. Tem algum fato ou um acontecimento que tenha te marcado após sua recuperação e que tenha a ver com sua deficiência?
Eu acredito que o mais difícil na deficiência seja o olhar do outro. A todo momento eu enfrentava olhares em direção à minha perna. Para mim isso foi o mais difícil. Nesses 30 anos de acidente perdi a paciência somente uma vez. Eu estava passando férias coma família no Balneário Camboriú em Santa Catarina quando passou por mim três pessoas. Nossa, ficaram olhando tanto para minha perna que eu não agüentei. Olhei bem em seus olhos e perguntei: “o que foi, perderam alguma coisa?”. As pessoas ficaram tão sem graça que segui orgulhosa. Sabe o que aprendi? Temos que enfrentar nossos dragões e olhar para o outro de igual para igual.

Tem algum aspecto em especial na sua vida hoje que você percebe muitas mudanças e que você valoriza muito mais do que antes?
Tem um aspecto que me incomoda muito hoje: as dores na coluna e a dificuldade de fazer certas coisas. Por causa do acidente percebi que preciso cuidar da minha saúde. Em 2010 comecei a fazer hidroginástica, voltei a fazer fisioterapia e não vivo sem reflexologia (massagem nos pés). Antes eu não valorizava isso, mas com o passar dos anos está ficando cada dia mais complicado o desvio de minha coluna e a sobrecarga da perna que ficou intacta.

Quais foram as pessoas que mais te ajudaram e o que você gostaria de falar para elas?
Sem dúvida alguma foram meus pais quem mais me ajudaram. Sem eles eu não teria suportado o acidente aos 13 anos. Meu pai tinha uma paciência de Jô. Se desdobrava para me levar ao médico e estava sempre ao meu lado. Minha mãe também foi de fibra. Ela é uma mulher muito forte e diante das dificuldades, principalmente de saúde, não abandona o barco. Dava conta de cuidar da minha irmã caçula, da casa e de mim, que fiquei na cama por um bom período. Acredito que deva ter sido muito difícil para eles

Qual a mensagem que você gostaria de deixar sobre a questão da deficiência?
Somos muito mais fortes quando estamos na presença de outras pessoas que possuem as mesmas dificuldades que a gente. Participar de um grupo, de uma rede social, estar com uma pessoa que nos faz crescer é a melhor coisa do mundo. Quando comecei a namorar o Flávio Peralta e andava pelas ruas notei que olhavam mais para a minha perna do que para sua prótese. Na praia minha cicatriz chama mais a atenção do que seu coto. Pensei uma coisa: me sinto mais fortalecida na presença dele e quando caminhamos me sinto mais imponente. Somos mais fortes numa dupla ou num grupo, do que sozinhos. Portanto, a pessoa com deficiência não deve ter medo de se expor e criar laços com outras pessoas, deficientes ou não. Veja e deixe-se ver.

Você quer fazer qualquer outro comentário sobre o assunto? Fique à vontade
Gostaria de divulgar nosso site e agradecer a todos aqueles que fazem parte da luta da pessoa com deficiência. Se antes, na antiguidade e na idade média essa pessoa era abandonada à sua própria sorte para morrer sozinho, hoje enfrentamos uma explosão de participação social e de muita valorização, tanto dos que nascem com a deficiência, como daqueles que adquirem a deficiência em algum momento de sua vida. Assumir uma causa também nos faz sentir melhores. Cuido do site e da carreira do Flávio e lutar pela segurança no trabalho passou a ser um objetivo. É assim que garantimos vidas sendo salvas e evitando acidentes, como o meu e do Flávio.

Fonte: Amputados Vencedores - 14/02/2011 - Imagem Internet

Retina artificial pode ajudar alguns cegos a enxergar

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 15/02/2011
Martin Cleaver/AP - Eric Selby, 68, recebeu o implante de retina artificial chamado de Argus 2
Por duas décadas, Eric Selby não enxergava e dependia de um cão-guia para se locomover. Mas depois de receber o implante de uma retina artificial em seu olho direito, ele pode detectar coisas normais, como o meio-fio e a calçada enquanto caminha pela rua.

"Basicamente, são flashes de luz que você tem que traduzir em seu cérebro, mas é incrível que eu possa ver alguma coisa", disse Selby, um engenheiro aposentado de Coventry, na região central da Inglaterra.
Há mais de um ano, o homem de 68 anos recebeu um implante artificial chamado de Argus 2, feito pela empresa norte-americana Second Sight, inserido cirurgicamente em seu olho direito. Reguladores holandeses são esperados nas próximas semanas para decidir sobre o pedido da empresa para comercializar o aparelho na União Europeia. Se a reposta for positiva, o implante será a primeira retina artificial disponível para venda.

Ele funciona com uma câmera de vídeo minúscula e um transmissor, instalados em um par de óculos e um pequeno computador wireless.

O computador processa as cenas captadas pela câmera e as converte em informações visuais na forma de um sinal eletrônico que é enviado ao implante. O dispositivo estimula as células sadias que restam na retina, fazendo com que elas retransmitam os dados para o nervo óptico.

Em seguida, a informação visual move-se para o cérebro, onde é traduzida em padrões de luz que podem se transformar na forma do contorno de um objeto. Os pacientes precisam aprender a interpretar os flashes de luz. Por exemplo, eles podem decodificar três pontos brilhantes como os três pontos de um triângulo.

O implante é indicado apenas para pessoas com um tipo específico de problema de retina, hereditário, quando as pessoas ainda têm algumas células funcionais. Elas devem ter sido capazes de enxergar no passado e seus nervos ópticos devem estar a funcionando. Cerca de uma em 3.000 pessoas são cegas devido a um deste grupo de doenças hereditárias, chamada retinite pigmentosa, e podem se tornar potenciais beneficiárias pela retina artificial.

O dispositivo custa um preço muito alto --cerca de US$ 100.000. Na Inglaterra, o serviço nacional de saúde, por vezes, paga caro por novas tecnologias para um pequeno número de pacientes, segundo Lyndon da Cruz, um dos médicos que testou a retina artificial, do Moorfields Eye Hospital, em Londres.

Ele disse que se a retina artificial permite que os pacientes sejam mais auto-suficientes, o implante pode sair mais barato do que os gastos com saúde dos governos.

Fonte:Folha.com - 14/02/2011

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Liminar isenta portadora de paralisia de pagar impostos sobre veículo

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 14/02/2011

A 13ª Vara da Fazenda Pública concedeu ontem (1º) liminar para que uma mulher portadora de paralisia cerebral grave e deficiência visual tenha direito à insenção de ICMS e IPVA de veículo usado para seu transporte.

A liminar garantirá a isenção dos impostos sobre veículo indicado no processo, cabendo ao Fisco adotar providências para limitar o benefício a apenas um automóvel pertencente aos responsáveis pelos cuidados da mulher.

O Estado instituiu a isenção desses impostos em prol dos portadores de necessidades especiais. De acordo com a juíza Maria Gabriella Pavlópoulos Spaolonzi, não se mostra razoável que as pessoas com deficiência com incapacidade para dirigir sejam privados dos benefícios. Nem se questiona que o exercício deste mesmo direito de ir e vir do portador de necessidade absolutamente incapacitante é exercido sob os cuidados absolutos de parentes ou pessoas próximas. A dependência total do absolutamente incapaz para a direção não lhe pode extirpar do direito de isenção, diz a magistrada.

A decisão também explica que a concessão da liminar se faz necessária porque, se a isenção for concedida apenas na sentença, será necessária a restituição dos valores por caminhos quase sempre demorados.

Cabe recurso da decisão e o mérito da ação ainda será julgado.

Assessoria de Imprensa do TJSP - CA
Fonte: http://despertarparaser.blogspot.com/2011/02/liminar-isenta-portadora-de-paralisia.html

Estudo apoia teoria de que o autismo pode estar ligado a altos níveis desta hormona

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 14/02/2011

O excesso de testosterona tem efeitos negativos na capacidade de se sentir empatia. Esta é a conclusão de um estudo levado a cabo pelas universidades de Utrecht (Países Baixos) e Cambridge (Inglaterra) e agora publicado no «Proceedings of the National Academy of Sciences» (PNAS).

As conclusões têm uma importante implicação no estudo do autismo, visto que teorias defendidas previamente associam esta hormona ao desenvolvimento daquela patologia. Num estudo publicado em 2009 tinha-se descoberto que crianças expostas a níveis elevados de testosterona durante a gestação apresentam sintomas semelhantes aos de autistas. O estudo foi concebido por Jack van Honk, da Universidade de Utrecht, e Simon Baron-Cohen Universidade de Cambridge. Utilizaram o “teste de leitura da mente”, que consiste em perceber o que uma pessoa sente quando vê determinadas imagens através da expressão dos olhos.


Os investigadores deram pequenas doses de testosterona a 16 mulheres (optaram por utilizar apenas mulheres pois estas têm menos quantidade da hormona, tornando-se assim mais fácil ver a diferença). Estas ficaram menos capazes de julgar o humor ou as expressões faciais de outras pessoas.

A capacidade de “ler a mente” é um dos aspectos da empatia, e neste ponto as mulheres têm vantagem. É também uma das capacidades mais afectadas pelo autismo.

Os investigadores descobriram que a testosterona levou não só à redução da capacidade de “ler a mente” mas também mostrou que as mulheres que tinham o rácio digital 2D:4D (marcador pré-natal de testosterona) mais masculinizado, ou seja, o dedo anelar maior do que o indicador, tiveram uma mais pronunciada redução daquela habilidade.

Baron-Cohen considera que este estudo ajuda a conhecer melhor como as pequenas diferenças hormonais podem ter efeito na capacidade de empatia.

In: Ciências Hoje

Mulheres mastectomizadas têm isenção de impostos na compra de carro novo

Conforme publicado no blog: www.deficienteciente.com.br

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 14/02/2011

Caro leitor,
Tenho recebido alguns email e comentários sobre a dúvida se a mulher mastectomizada tem direito ou não a isenção de impostos na compra de veículos novos. A matéria abaixo, exclarece essa questão.

Por causa da remoção total ou parcial da mama (Saiba o que é mastectomia:http://www.deficienteciente.com.br/2010/03/o-que-e-mastectomia.html), a mulher perde parte da força no braço em razão de esvaziamento das glândulas axilares.

Isenção de IPI, ICMS e IPVA
Nem todas as mulheres que passaram por este processo sabem que têm direito a comprarem um carro zero com câmbio automático e direção hidráulica sem IPI, ICMS, IPVA e liberados de rodízio.

Veja o que fazer:

1 - O primeiro passo é tirar a carteira de habilitação especial. No processo a mulher passa pela avaliação de um médico cadastrado pelo Detran, que provará sua mobilidade reduzida. A mulher pode levar para esta avaliação exames que já fez e comprovam a doença.

2 - É a hora do exame prático. Procure uma auto-escola especializada, que oferece carros automáticos para ensinar mulheres com este tipo de limitação.

3- Depois de estar com a habilitação em mãos e o exame prático concluído, inicia-se a entrada nos pedidos de isenções de IPI, ICMS e IPVA – um por vez, feitos na Secretaria da Fazenda. Todo esse tramite leva, em média, três meses.(Veja como requerer as isenções de impostos na aquisição de veículos:http://www.deficienteciente.com.br/2009/06/direitos-e-isencoes-de-impostos-para_8298.html ).
Fonte: Grand Brasil
Referência: http://www.motorclube.com.br/
http://www.deficienteciente.com.br/2011/02/mulheres-mastectomizadas-tem-isencao-de.html

Academias se adaptam para receber deficientes em busca de socialização

Estabelecimentos de SP têm professores especializados para cadeirantes. Alunos buscam reabilitação física, estética e ambiente agradável.

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 14/02/2011

Reduto de pessoas com corpos perfeitos e muita disposição, as academias muitas vezes são um ambiente hostil para quem tem algum tipo de deficiência física. Fazer exercícios, entretanto, é fundamental para a reabilitação física e psicológica de quem tem limitações de movimento. Pensando nisso, academias e até mesmo parques de São Paulo desenvolveram programas com equipamentos especiais para deficientes.

O biólogo Fernando Krynski, de 47 anos, perdeu grande parte do movimento das pernas após um erro médico há 15 anos. A vida na cadeira de rodas o fez deixar o trabalho de campo em sua área. Após anos fazendo reabilitação em centros de fisioterapia, ele resolveu experimentar a academia.
“Na época eu achei que não ia dar para treinar. Antes da cirurgia nem fazia exercício, não gostava de academia, mas era muito ativo no trabalho. Depois, achei que faltava algo, alguma atividade.”

A escolhida pelo biólogo foi a Fórmula Academia, que tem sua unidade no Shopping Eldorado, na Zona Oeste da capital paulista, toda adaptada. “Quando entrei vi que tinha adaptação, elevador, os professores sabiam lidar com o aluno na cadeira de rodas”, conta ele, que chegou a nadar para competir, mas parou depois de desmaiar na piscina devido a um pico de pressão alta.

Hoje, faz musculação de três a quatro vezes por semana. Em algumas máquinas ele consegue fazer os exercícios sem deixar sua cadeira. Em outros, precisa se sentar no aparelho, o que não é um problema. “Mas preciso da ajuda do professor. Às vezes a máquina é com cabos, tem que puxar, e eu não tenho altura. Às vezes precisa apoiar as coisas, e não tenho um bom equilíbrio do tronco”, afirma Krynski.

Por isso, a academia conta com um ou dois professores por turno direcionados a atender os alunos com limitações. A grande maioria dos equipamentos é adaptada e conta com cintos, por exemplo. Para os exercícios aeróbicos, há uma “bicicleta” para as mãos na qual o cadeirante não precisa sair de sua cadeira de rodas.

O professor acaba ficando de personal para o cadeirante. Ele precisa de atenção especial, e também trabalhamos a socialização. Na maioria dos exercícios nós temos que estar junto com ele”, diz a professora Daniela Gaudêncio. “Conseguimos adaptar os exercícios para trabalhar todos os grupos musculares. Além do aspecto funcional, dá para trabalhar a estética também.”

Estética e socialização
Além de fazer um trabalho específico para cada pessoa, verificando quais as suas limitações e a partir daí definindo os exercícios, as academias também trabalham com a socialização dos alunos. “O trabalho é direcionado com a proposta de, através dos exercícios, melhorar suas funções para as atividades da vida diária. Os exercícios são voltados para o fortalecimento, amenizar as assimetrias e integrá-los no meio ambiente da academia com a missão de fazer amigos e estarem bem fisicamente”, afirma Wilmar dos Santos Villas, da Cia Athletica, que cita a criatividade e o bom senso como armas dos professores.

Utilizando a cadeira de rodas desde a infância, a dançarina Sônia Maria Souza Alvim Crespo, de 50 anos, é muito popular na Fórmula. Em um grupo de dança para cadeirantes há dez anos, ela prega a terapia do movimento. “Você pode fazer movimentos através da dança, mesmo na cadeira você pode se soltar”, conta ela, que também faz musculação e alongamento. “Aproveito bastante o movimento dos braços, os pesos. Os professores também fazem movimentos com as minhas pernas, trabalham a musculatura.”

Sua colega Lina de Souza, de 42 anos, que perdeu o braço e a perna esquerdos em um acidente de trem quando tinha 16 anos, faz natação e compete. “Comecei a fazer exercícios há 12 anos. Eu nem queria, fui obrigada. Me mandaram para a natação, fiquei morrendo de vergonha, mas vi pessoas com situação pior que a minha. Nadar mudou a minha vida. Antes eu não fazia nada. Agora eu viajo, conheço pessoas, mudei minha cabeça”, conta ela.

Competição
O maratonista e professor de dança Alex de Souza, de 35 anos, já venceu diversas meias maratonas em sua categoria e está em período de treinamento para a próxima prova. Com uma prótese em formato de lâmina na perna direita, ele corre nas esteiras da academia sem parecer fazer muito esforço. Usando próteses desde os 3 anos, ele afirma que fazer os exercícios é um aprendizado constante. “Às vezes um exercício não dá certo, é tudo uma adaptação. A maior parte eu consigo fazer tranquilo, tem um ou outro que preciso adaptar, o professor dá as dicas. A academia é toda adaptada, isso facilita”, conta.

Todos eles, entretanto, concordam que fazer exercícios é fundamental. “Tanto para a cabeça quanto para a saúde física. Hoje a academia é o que me preenche. Meus braços são agora minhas pernas, uso o dia inteiro, a todo momento, tenho que fazer exercícios. E é diferente treinar dentro de um shopping, com gente bonita. Só de estar em um ambiente que não é um hospital já é um grande passo”, diz o biólogo Krynski.

Parque da Juventude
Quem não tem dinheiro para pagar uma academia mas quer fazer exercícios na cadeira de rodas pode utilizar os aparelhos adaptados instalados no Parque da Juventude, na Zona Norte de São Paulo, desde maio de 2010. São três conjuntos de equipamentos com atividades que podem ser feitas pelos cadeirantes – placas ao lado de cada um deles explicam como eles devem ser usados.

“Dá para a pessoa usar sozinha, são muito fáceis, muito simples, bem práticos, não é nada complicado. Está tendo um certo uso, não é tão grande, mais aos finais de semana. Mas o comentário que eles [os usuários] fazem é muito positivo. É difícil eles encontrarem esses equipamentos em outro local”, conta Paulo Pavan, diretor do parque.

Por enquanto, não há profissionais especializados para dar suporte. Os equipamentos estão instalados próximos à entrada da Avenida Cruzeiro do Sul, 2.630, ao lado da Estação Carandiru do Metrô. O parque é todo acessível e a área onde estão os aparelhos fica aberta das 6h às 18h30 – durante o horário de verão, o fechamento ocorre às 19h30.


Fonte: G1 (13/0/2011)
http://www.deficienteciente.com.br/2011/02/academias-se-adaptam-para-receber.html

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Decisão em Família

MINHA HISTÓRIA LÚCIA HELENA FRANÇOSO.

(...) Pressenti que o Natal passado seria o último do meu filho (...) Decidimos não reanimá-lo caso o coração dele parasse (...) Fiquei segurando a mão dele, beijando-o até o coração parar de vez.


Marisa Cauduro/Folhapress Lúcia Françoso, 44, (de azul) mãe de Felipe, e sua irmã, Dulce dos Santos Machado


RESUMO
Durante quatro anos, o jovem Jeferson Felipe Françoso, 23, de Guarulhos (SP), lutou contra uma doença crônica incurável e uma infecção que devastaram os seus pulmões.
Quando ele já estava entubado na UTI, respirando por aparelhos, sua mãe, Lúcia Helena Françoso, com apoio da família, autorizou que os médicos não o reanimassem caso ele sofresse uma parada cardiorrespiratória.
No último dia 4, às 20h48, o coração de Felipe parou. Morreu na presença da mãe e da avó.

(...) Depoimento a
CLÁUDIA COLLUCCI
DE SÃO PAULO

Meu filho começou a ficar doente aos 16 anos, logo depois que o pai morreu, de câncer no reto.
Sofria pneumonias seguidas e, aos 19, descobrimos que era fibrose cística [doença genética que pode causar infecção crônica]. Ele também tinha uma bactéria resistente [Mycobacterium abscessus] nos pulmões.
Durante seis meses, o Fê ficou com um cateter por onde recebia os antibióticos para combater a bactéria.
Por causa dos remédios, perdeu a audição. Isso o deixou desanimado com o tratamento. Não tinha melhora dos sintomas e também não podia estudar, jogar bola.
Ele começou a faculdade de administração e um curso de desenho, mas não conseguiu terminá-los. Eram antibióticos, inalações, injeções de enzimas diárias e mesmo assim as crises de tosse e de falta de ar não davam trégua. Ele sentia falta de ar até para tomar banho.
Em agosto de 2010, o Fê começou a piorar. Pesava 44 kg e media 1,80 m. Passava 20 dias no hospital e uma semana em casa.
Foi quando começamos a ser acompanhados pela equipe de cuidados paliativos do Samaritano.
O Fê precisava ganhar peso para entrar na fila do transplante de pulmão. Foi colocada uma sonda no estômago para ele receber suplementos alimentares. Mas ele sabia que não ia sarar, que a doença era incurável.

SEM REMÉDIO
O Fê passou a conversar mais comigo e com a tia [Dulce Machado]. Numa das últimas conversas, ele disse para a tia que não tinha medo da morte porque já não havia mais prazer algum na vida.
Mas eu não deixava o ambiente ficar triste em casa. Ele dizia: "Mãe, como é que você consegue ainda me fazer rir". E eu dizia: "Mãe é assim mesmo. Mãe chora, mãe é palhaça, mãe é boba.'
No Natal passado, eu já pressentia que seria o último do meu filho. Foi uma festa linda. Ele ganhou uma camiseta do São Paulo, que era o time que ele tinha paixão.
Na última internação, em 3 de janeiro, a médica explicou que os antibióticos não faziam mais efeito.
Quando ela saiu do quarto, o Fê disse: "Mãe, não tem remédio para mim mais..." Aí ele chorou muito. Viu que era o ponto final da medicina. Eu peguei na mãozinha dele e disse: "Filho, agora é só Deus. Se ele achar que pode fazer um milagre, vamos confiar".
Eu não chorava perto dele porque ele não gostava. Dizia: "Mãe, se você não ficar forte, o que vai ser de mim?". Eu sofria por dentro, sem demonstrar. Só chorava longe.
No dia 19 de janeiro, comemoramos o aniversário dele no hospital. Vieram os primos, as médicas, as enfermeiras. Ele ficou tão feliz! Comemoramos também o fato dele ter atingido 50,5 kg, que era o peso mínimo para entrar na fila de transplante.
Mas, com o passar dos dias, o desconforto respiratório foi piorando. Ele sentia muita dor, que só era controlada com morfina a cada quatro horas. No dia 26 de janeiro, foi transferido para a UTI semi-intensiva. Já não conseguia mais falar direito.
Ficava com a máscara de oxigênio o tempo todo. Conversando com a irmã, Jéssica, ele voltou a dizer que não tinha medo da morte, que estava em paz. Ele até brincou: "Vou ficar bem, vocês é que vão sofrer um pouquinho".
No dia 27, à tarde, soube que o Fê teria de ser entubado [respirador artificial] porque a máscara de oxigênio já não dava mais conta do desconforto respiratório. Os médicos queriam dar mais uma chance para o organismo reagir, pois a infecção pulmonar estava sem controle.
Foi um choque para mim. Eu sabia que aquele momento iria chegar, mas não esperava que fosse tão rápido. Quando o Fê soube, chorou.
Eu segurei a mão dele e disse: "Filho, não fique com medo. Eu vou ficar bem, a sua irmã vai ficar bem". Ele estava assustado, mas só perguntou se iria continuar dormindo, se não sentiria dor. Aquele olhar assustado foi a nossa despedida.
Em seguida, ele foi sedado. A esperança era que, em 72 horas, a infecção fosse controlada. Mas isso não aconteceu. O antibiótico não fazia mais efeito.

ATÉ O ÚLTIMO MINUTO
Na segunda, dia 31 de janeiro, tomamos uma decisão em família: não reanimá-lo caso o coração dele parasse.
A proposta era dar o conforto necessário para ele não sofrer. A equipe médica iria aumentando a morfina e a sedação. Eu concordei. Vi meu filho sofrer tanto nesses últimos anos que eu não suportava prorrogar mais isso.
Foi de coração que eu entreguei ele para Deus. Fiquei até o último minuto ao lado dele, dizendo: "Filho, estou aqui. Se você quiser partir comigo aqui do teu lado, pode partir. Se você acordar, eu também estarei aqui".
Eu sabia que o Fê tinha uma briguinha com Deus por causa da morte do pai e por causa da sua doença. Na UTI, com ele inconsciente, eu dizia: "Filho, fala para Deus tirar você desse sofrimento". E falava para Deus: "Se for para trazer meu filho de volta, traga ele inteiro. Se não for, eu te dou de presente um anjo".
No dia 4 de fevereiro, ele quase não tinha mais pulsação. Olhei para o monitor, e os batimentos cardíacos estavam em 35 [o normal é de 60 a 100 batimentos por minuto]. Fiquei segurando a mão dele, beijando-o até o coração parar de vez. Doeu muito e ainda dói, mas me sinto com dever cumprido. Agora me sinto em paz.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo - Saúde - 13/02/2011- http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saude/sd1302201101.htm

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 13/02/2011

Homem com deficiência motora é enterrado sem atestado de óbito.

Homem é enterrado sem atestado de óbito
RODRIGO LEVY
SANTA BÁRBARA D’OESTE

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 13/02/2011

A morte de um homem com deficiência motora na quarta-feira, causada como consequência de uma bala alojada em sua espinha há quatorze anos, gerou duas ações legais, em Santa Bárbara d’Oeste.

A esposa de Gerson Tavares Alves, 33, informou que irá processar o médico que estava de plantão porque ele se recusou a liberar o atestado de óbito do marido antes do laudo do Instituto Médico Legal (IML).

O médico legista João Roberto Müller registrou um boletim de ocorrência porque o corpo foi sepultado antes do laudo, por outro médico do hospital.

“Eu cumpri meu papel”, informou José Ricardo Pereira de Paula, o médico que informou à esposa que não liberaria o atestado antes do laudo, pois considerou que a morte estava ligada a um crime.

INDIGNAÇÃO

Loíde Laina Tavares Alves, mulher do rapaz, informou que ficou indignada com a demora para ter o corpo, que só foi liberado no dia seguinte, mas antes do laudo do IML.

“Meu marido não era indigente para ficar lá”, disse Loíde, que pretende procurar um advogado para processar o médico. O legista foi procurado, mas não quis comentar o caso.

Fonte: Jornal TodoDia - 13/02/2011
http://portal.tododia.uol.com.br/?TodoDia=cidades&Materia=484754