sábado, 12 de março de 2011

Crianças com gagueira sofrem mais com o bullying

Uma nova pesquisa publicada por uma universidade americana aponta que os eventos de bullying contra crianças gagas impactam mais na sensação de ansiedade do que a própria gagueira – um problema de fluência da fala amplamente conhecido.
da Redação

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 12/03/2011


“Técnicas que ajudam essas crianças a lidar com a gagueira podem não dar conta de todo o problema, pois o impacto emocional pode vir de outras fontes”, explica Willian Murphy, pesquisador da Universidade de Purdue. “Mesmo as crianças que trabalham suas emoções em terapias podem continuar a sentir os efeitos negativos dessas provocações na escola na idade adulta. A habilidade verbal comprometida mesmo depois de velhos pode ter raízes nas situações embaraçosas criadas pela gagueira na infância e amplificadas pelo bullying.”

Murphy também trabalhou com outros dois pesquisadores – Scott Yaruss, da Universidade de Pittsburgh, Robert Quesal e Nina Reardon, da Universidade de Western Illinois – e publicou um livro sobre o tema.

Nos EUA, as escolas são as responsáveis pelas terapias para ensinar as crianças a lidar com a gagueira. “Entretanto, essas crianças podem não receber o melhor tratamento possível e, fora isso, as crianças com níveis de ansiedade mais altos podem não ter sido identificadas adequadamente, pois as terapias são desenhadas para atender a grupos amplos, onde a individualidade muitas vezes pode não estar sendo observada”, diz Murphy.

Nesse ponto, os pais e cuidadores precisam conversar com seus filhos sobre o bullying e ensiná-los a lidar com as situações de violência verbal. Entre as estratégias para lidar com o bullying está ter um grupo de bons amigos que possam auxiliar essas crianças a se sentirem mais protegidas e mesmo se sentarem mais próximos dos professores, para evitar serem alvos de ataques durante a aula.

“Os pais muitas vezes cometem o erro de achar que as crianças devem ignorar os bullyes – indivíduos que cometem o bullying – ou então enfrentá-los fisicamente. As crianças não conseguem ignorar algo que as incomoda. E brigar não resolve o problema da forma mais adequada, além de levar a maiores problemas no futuro”, explica o pesquisador.

Problema não pode ser minimizado

Para o especialista, os professores também precisam estar preparados para falar sobre o assunto de forma adequada, lembrando inclusive que figuras históricas tinham gagueira (incluindo cantores e atores). Mas o problema não pode ser simplificado.

“Todo mundo reconhece a gagueira e a maioria das pessoas acha que sabe como curá-la. Parece fácil, afinal é só ‘a pessoa relaxar’. Mas não é bem assim que a gagueira funciona”, aponta Murphy.

A gagueira é uma combinação complexa de fatores biológicos e emocionais. Ela só pode ser diagnosticada com um maior nível de certeza após praticamente seis meses de acompanhamento. O histórico familiar ainda não é um fator determinante claro, mas sabe-se que meninos desenvolvem mais o problema do que as meninas. E, de acordo com dados americanos, aproximadamente 70% dos casos de gagueira na idade pré-escolar são superados antes das crianças terem idade para entrar na escola. Já com crianças mais velhas e adolescentes, as chances do problema de fluência acompanhá-los até a idade adulta é mais alto.

Fonte: Expresso MT - Cuiabá - MT, 11/03/2011 - Imagem Internet

Inclusão escolar ainda deixa muitos de fora

Ainda são muitos os casos de escolas onde o aluno com deficiência não é recebido de forma totalmente inclusiva.
Sara Vasconcelos

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 12/03/2011


Inclusão. No Dicionário Aurélio a definição é simples: “Ato ou efeito de incluir”. Mas quando associada ao termo “escolar”, o verbete ganha uma conotação complexa, ancorada nas muitas precariedades do sistema nacional de educação: escolas inadequadas, profissionais sem capacitação e, pior, preconceito. E se para incluir no ambiente escolar é preciso transpor barreiras e penetrar num mundo fechado e silencioso, como é o dos autistas, a simplicidade da descrição citada lá do início, não expressa a realidade enfrentada por pais e alunos especiais que buscam vaga em escolas regulares.

Narjara Cristina Cardoso Pessoa, mãe de Iago, sete anos, portador de autismo, sabe bem a diferença entre a teoria e a prática. Pela lei número 7.853, de 24 de outubro de 1989, que versa sobre o apoio às pessoas portadoras de deficiência física, sensorial ou intelectual, é crime punível com reclusão de um a quatro anos e multa, “recusar, suspender, procrastinar, cancelar ou fazer cessar, sem justa causa, a inscrição de aluno em estabelecimento de ensino de qualquer curso ou grau, público ou privado, por motivos derivados da deficiência que porta”.

Mas, embora assegurada pela legislação, a vida escolar do filho começou bem tumultuada. Aos quatro anos, matriculado no jardim 1, em escola da rede privada, Iago foi vítima de maus tratos pela professora que perdia a paciência quando ele não a obedecia. O que era considerado ‘desobediência’, na verdade, se trata de uma característica do autismo: a dificuldade em atender comandos.

Narjara lembra que era comum ele voltar sujo de terra, porque era deixado no jardim enquanto outras crianças assistiam à aula. O menino chegou uma vez com o rosto arranhado na altura das orelhas, outra com hematomas nos braços e até picado por formigas. “Eu perguntava a ‘tia’ o que estava acontecendo e ela dizia que tinha sido brincadeira de criança. Frisava que meu filho era diferente dos outros. Não sabia o que era autismo e o tratava assim”, lembra Narjara.

Foi uma coleguinha de classe quem revelou que a professora o forçava a sentar, puxava as orelhas, o castigava. “Foi um choque. Não levei o caso à justiça porque não queria expô-lo mais”. O abandono e a negligência já na primeira experiência de interação social geraram um bloqueio para atividades de desenhar e escrever.

Na busca por outra instituição, enfrentou uma seqüência de “nãos”. Em uma escola, a lista de material chegou a ser tirada das mãos da mãe, após mencionar a necessidade do filho. Há três anos, Iago está matriculado em escola, em Macaíba, para onde a família precisou se mudar, e tem aulas com horário reduzido e somente três vezes na semana, na turma de 2º ano do ensino fundamental. Com acompanhamento psicológico paralelo, a interação e comunicação de Iago, que se mostrou bem receptivo à câmera fotográfica, apresentam melhoras.

A educação inclusiva, de acordo com as diretrizes do Ministério da Educação (MEC), busca permitir a estudantes com qualquer tipo de deficiência, física ou mental, o convívio com demais alunos nas escolas de ensino regular, sem qualquer tipo de discriminação. “O projeto de inclusão é muito bonito no papel, mas não funciona. Na verdade nem o Estado, nem a rede privada estão capacitados, conhecem e podem oferecer o que o autista precisa”, conclui Narjara Pessoa.

Apesar do avanço em políticas públicas, disse a assistente social Cristina Villani, mãe de Hítalo Bolivar, 25, também autista, os obstáculos de hoje se assemelham aos encontrados na infância do filho. “Ainda há muito desinformação, despreparo e preconceito”. Para assegurar educação de Hítalo, a família era forçada a pagar 50% a mais na mensalidade para que ele ficasse em sala de aula ou “vagando pelos corredores”. A prática de cobrar mais caro ou obrigar os pais a custear um profissional de apoio ainda existe em algumas instituições, revela a vice-diretora da Associação de Pais e Amigos dos Autistas no Rio Grande do Norte (APAARN).

As aulas de Wildson Miguel, nove anos, aluno do 3º Escola Estadual Maria Elizabeth Araújo, em Nova Natal, começaram há uma semana. A aceitação por parte de professores e estudantes, segundo a mãe Maria das Dores palmeira da Cunha, 45, é fundamental para socialização do menino. Apesar da escolaridade ser de competência do município, a mãe só encontrou vaga na rede estadual e o matriculou desde outubro do ano passado. Período em que a Secretaria Estadual de Educação realiza o senso em educação especial, para o ano seguinte. Ela alega que ainda é cedo para avaliar se a metodologia atende as necessidades do autismo. “Mas a vaga esse ano foi mais fácil”, avalia Maria das Dores.

“Incluir não é só oferecer vaga”

Educar e integrar é a missão da educação inclusiva. Mas o entendimento parece ficar pela metade. Em geral, avalia a doutora em educação especial e professora do Departamento de Educação da UFRN Débora Nunes, o conceito se prende a oferta de vagas em escolas regulares, mas não garante a permanência do aluno autista em sala de aula.

Nos trabalhos de pesquisas que a professora acompanha, há relatos de alunos portadores de autismo que estão matriculados, mas não são inseridos nas avaliações e conteúdos repassados aos demais alunos e passam o tempo desenhando flores e casinhas no caderno. O potencial a ser trabalhado e explorado, no caso, acaba encoberto por uma atitude paternalista de aceitação e despreparo. “Ele está incluído na sala de aula, mas não acadêmica e socialmente”, ressalta.

A inclusão do autista em turmas com crianças ditas normais permite a construção de modelos de comportamento e relações. Débora Nunes ressalta que a inclusão deve ainda quebrar o preconceito e assim evitar o bullyng. “Alguns estudos mostram que quando se sensibiliza e desmitifica o que é o autismo ou outra deficiência, não somente aos educadores, como também para alunos e pais da turma que está inserido, o acolhimento é maior e os resultados mais positivos”, analisa Débora Nunes.

O problema não é restrito a qualidade na formação do professor, mas ao formato do ensino. O atual modelo aporta somente os autistas nos primeiros anos dos ensinos infantil e médio, com repertório melhor e com baixo comprometimento cognitivo. Em casos mais crônicos e pela complexidade da estrutura dos níveis mais altos de ensino, os autistas ainda ficam de fora.

Para funcionar, explica a especialista, o modelo deve seguir um plano individual de educação - mesmo que aplicado em ambiente coletivo - que valorize as habilidades cognitivas e funcionais de cada aluno. O trabalho demanda a partilha de competências entre professores, terapeutas ocupacionais, psicólogos e fonoaudiólogos, além da participação dos pais e familiares no sentido de apontar preferencias e potencialidades do estudante e uso de técnicas e instrumentos, como a prancha de comunicação.

APOIO

Em Natal, familiares e amigos encontram apoio, assistência e informação sobre o autismo junto a Associação de Pais e Amigos dos Autistas do Rio Grande do Norte (APAARN). Criada em 1996, oferece atendimento em psicologia fonoaudiologia, terapia ocupacional, pedagogia, além de atividades esportivas e oficinas de artes, que priorizam a socialização.

A APPARN está localizada na Rua Nilo Ramalho, 1724, Tirol, próximo a Unicat. Telefone: 3211-8354.

Dever da escola é receber todo aluno especial

O subcoordenador de educação especial da Secretaria Estadual de Educação Joiran Medeiros, admite haver dificuldades para a inclusão, de fato, se concretizar, apesar das escolas estarem abertas a receber portadores de necessidades educacionais especiais. Orçamento reduzido para adequação de espaços e aquisição de equipamentos, falta de intersetorialidade com atendimento multidisciplinar e sobretudo, a postura do educador são, segundo Medeiros, os grandes entraves para efetivação das diretrizes do MEC. “O discurso de não estar preparado é uma falácia preconceituosa, que infelizmente ainda existe”, enfatiza Medeiros.

Segundo senso de 2010, foram matriculados 10.672 alunos com deficiência em todo Estado. Cerca de 80% em escolas regulares, no sistema de inclusão. A maior parte nos primeiros anos da educação infantil e ensino fundamental. “Não há adaptação curricular e todos os alunos recebem o mesmo tratamento. A Assistência de Educação Especial (AEE) deixou de ser um modelo substitutivo, para ser complementar e suplementar em toda escola”, observa Medeiros”.

A capacitação dos professores é feita por cursos presenciais e no formato à distância, por meio de parceria com o MEC e universidades, sobre tipos de deficiência e tecnologias assistivas. “A capacitação ainda é insuficiente, mas está em processo para expansão”, reconhece o subcoordenador, que não soube informar quantos receberam a formação. Não há psicólogos educacionais no quadro de funcionários da Secretaria. O apoio aos professores é feito por meio do Programa de Assistência Itinerante, com profissionais que visitam as escolas – 120 em Natal - a cada cada 15 dias, para atender alunos, orientar professores e pais.

O que é autismo?

O autismo é um transtorno invasivo do desenvolvimento, que se manifesta em dificuldades de interação, comunicação e imaginação. Apesar das causas ainda serem desconhecidas, hoje é possível saber se uma criança de 3 meses sofre de autismo.

O diagnóstico é feito por meio de testes de comportamento e questionários respondidos pelos pais. Quanto antes iniciado o tratamento, melhores são os prognósticos. “A falta de conhecimento dificulta o diagnóstico, que muitas vezes é feito pela mãe que percebe as limitações, procura informação e identifica o problema”, afirma a a psicóloga Claudia Regina Leite Cavalcante.

Alguns sinais podem indicar que a criança é portador da síndrome. São crianças que não olham no rosto, focam a visão em um ponto. Não interagem. Apesar de saberem e poderem falar, se fazem de muda. Não aceitam o toque e são altamente seletivas. Podem ainda apresentar esteriotipismos, como balançar as mãos ou corpo, repetir o que ouve, apresentar dificuldade de concentração, agressividade e hiperativismo.

Por ser bastante visual, avalia Claudia Cavalcante, a comunicação e o aprendizado devem se valer de imagens associativas. Outro ponto, é a construção de rotinas.

bate-papo: Rebecca Nunes » Centro de Apoio às Promotorias

O que diz a lei sobre a obrigação da escola em receber os alunos com necessidades especiais?

Pela Constituição Federal, a educação é um direito de todos, independente das características das crianças e dos adolescentes. A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência afirma o reconhecimento do direito das pessoas com deficiência à educação e, para efetivação deste direito, deve ser assegurado “sistema educacional inclusivo em todos os níveis, bem como o aprendizado ao longo de toda a vida”. Estabelece ainda a obrigação de se assegurar a não exclusão do sistema educacional geral, em escolas pública e privadas, sob a alegação de deficiência.

Em caso de falta de vagas ou recusa em aceitar o aluno, qual orientação aos pais? A quem recorrer?

Deve se observar se após a solicitação da vaga para o aluno com deficiência foi matriculado outro aluno sem deficiência para a mesma classe e turno. Nesse caso ou em de recusa da escola em aceitar o aluno por motivo da sua deficiência, é importante procurar o Conselho Tutelar, em se tratando de criança ou adolescente com deficiência, ou diretamente o Ministério Público.

A escola e os professores são passíveis de alguma penalidade/punição?

Sim. A recusa, suspensão, procrastinação, o cancelamento ou o ato de fazer cessar a inscrição de aluno em estabelecimento de ensino de qualquer curso ou grau, público ou privado, por motivos derivados da deficiência que o interessado possui, pode configurar o crime previsto na Lei nº 7.853/89, punível de reclusão de uma quatro anos e multa.

A escola pode, após matricular o aluno e as aulas serem iniciadas, orientar que fique em casa até se estruturar e receber professores de apoio?

Não é justificativa recusar o aluno com deficiência ou com transtorno global de desenvolvimento, pelo fato da escola não se sentir preparada para recebê-lo. A escola deve apresentar uma alternativa, sem que isso implique no afastamento do estabelecimento de ensino. A escola tem a obrigação de oferecer o profissional de apoio. O financiamento dos serviços de apoio a estes devem integrar os custos gerais com o desenvolvimento do ensino e não deverá ser transferido às famílias, por meio de cobrança de taxas ou qualquer outra forma de repasse da referida atribuição.

Qual o número de denúncias desse tipo, junto ao Ministério Público?

Nos últimos tempos temos recebido mais denúncias e reclamações sobre problemas ocorridos em escolas envolvendo a educação de crianças e adolescentes com deficiência. Acredito que este seja um sinal de que aquelas estão efetivamente chegando às escolas. A sociedade não pode mais esperar que as escolas se sintam preparadas para, então, começarem a receber alunos com deficiência. Elas têm a obrigação de receber os referidos alunos e de lhes ofertar todo o apoio necessário para que possam aprender e se desenvolver. É isto que garante a nossa Constituição Federal.

Fonte: Tribuna do Norte - 11/03/2011 - Imagem Internet

Câmara pode criar Comissão de Defesa

Na câmara dos deputados, é analisado projeto que visa criar permanente comissão de defesa dos direitos da pessoa com deficiência.
da Redação
APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 12/03/2011

A Câmara analisa projeto que cria, na estrutura da Câmara dos Deputados, a Comissão Permanente de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência. O colegiado será responsável por analisar as propostas voltadas para portadores de necessidades especiais, fiscalizar as políticas públicas nessa área e acompanhar ações realizadas por organizações não governamentais e organismos internacionais.

O Projeto de Resolução 20/11, que altera o Regimento Interno da Casa, foi sugerido pelos deputados Walter Tosta (PMN-MG), Mara Gabrilli (PSDB-SP), Rosinha do Adefal (PTdoB-AL). A eleição deles levou a Câmara a realizar uma série de alterações nas dependências da Casa para garantir a acessibilidade dos parlamentares.

Os autores da proposta ressaltam que tramitam no Congresso cerca de mil proposições sobre direitos, programas e ações para portadores de necessidades especiais. Esses projetos, segundo eles, poderiam ser analisados pela nova comissão. "Isso comprova a relevância de se criar uma comissão permanente para discutir a temática da pessoa com deficiência de maneira mais aprofundada e criteriosa".

Tramitação

A proposta será analisa pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania e pela Mesa Diretora, antes de ser votada pelo Plenário.

Fonte: Correio do Estado São Paulo - SP, 11/03/2011 - Imagem Internet

O que é a dislexia?

A dislexia não é uma doença. Trata-se de uma disfunção neurológica – ou transtorno, de origem genética e hereditária, que leva à dificuldade na decodificação da leitura e, consequentemente, dificuldades para a escrita e compreensão de textos.
da Redação

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 12/03/2011

"A condição se instala durante o desenvolvimento fetal. Durante a gestação, as células que formarão o cérebro ‘viajam’ do centro para fora, de baixo para cima, até chegarem aos locais pré-programados geneticamente. Na dislexia, algumas células não chegam onde deveriam, o que gera estas dificuldades ou alterações de processamento”, diz Maria Inez Ocanã De Luca, psicóloga, membro da Associação Brasileira de Dislexia (ABD).


Condição afeta área do cérebro responsável pela leitura, mas não impacta a inteligência

O primeiro diagnóstico de dislexia foi feito há mais de cem anos. Um grupo de cientistas tentava descobrir por que tantas crianças estavam sendo encaminhadas para o atendimento médico por conta de dificuldades na escolarização. Entre os casos, um adolescente de 14 anos possuía boas habilidades em matemática, mas dificuldade para ler e escrever (é comum as pessoas acharem que os disléxicos têm capacidades intelectuais alteradas, o que não é verdade).

Após diversos estudos, foram identificadas áreas cerebrais responsáveis pelo processamento da leitura. Mas é importante lembrar: pessoas com dislexia possuem dificuldades com a leitura, porém, não apresentam nenhuma lesão no cérebro.

Diagnóstico normalmente é feito após o início da vida escolar

Apesar de a criança nascer disléxica, para se realizar o diagnóstico é necessário que ela tenha passado por, pelo menos, dois anos de escolarização. Só desta forma é possível identificar a principal característica da dislexia, que é o desenvolvimento, em geral, mais lento do que o das outras crianças, apresentando dificuldades para a escrita e a leitura.

“É observado um pequeno atraso no desenvolvimento da fala e da coordenação motora da criança ainda pequena, porém, isto não é considerado significativo pelos pediatras e acaba se tornando mais latente no período da alfabetização”. Outras características seriam a dificuldade no processamento de informações e memória recente prejudicada.

É possível, também, que o diagnóstico seja feito somente em idade adulta, “por falta de conhecimento ou porque as dificuldades eram atribuídas a outros problemas erroneamente”, explica. A psicóloga destaca que existem também habilidades e dificuldades diferenciadas entre os disléxicos, o que dificulta a identificação do transtorno. “Alguns apresentam maior dificuldade de processamento das informações auditivas. Outros, das visuais”, acrescenta.

O diagnóstico deve ser feito por uma equipe multidisciplinar. São feitas avaliações de processamento auditivo, oftalmológico e neurológico. “Além destes exames, devem ser feitas avaliações psicológicas, fonoaudiológicas e também psicopedagógicas. Só depois de todas estas avaliações é possível identificar se é dislexia ou não a dificuldade apresentada pela criança ou pelo adulto”, destaca Maria Inez.
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5 características que ajudam a identificar a dislexia

1) A criança, ainda pequena, apresenta atraso no desenvolvimento da fala e da coordenação motora ;
2) Na fase de alfabetização, a criança evita situações de leitura e escrita;
3) A criança desenvolve ansiedade em relação à escola;
4) Tem a memória recente prejudicada;
5) Apresenta baixa velocidade no processamento de informações.

Fonte: Expresso MT - Cuiabá - MT, 11/03/2011 - Imagem Internet

Setenta e sete por cento das pessoas com deficiência acreditam que não têm seus direitos respeitados no país

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 12/03/2011

Essa é uma das conclusões da pesquisa “Condições de vida das pessoas com deficiência no Brasil”, feita pelo DataSenado com base num cadastro cedido pelo IBDD com 10.273 pessoas com deficiência em todas as regiões do Brasil. A pesquisa ouviu 1.165 pessoas com deficiência entre os dias 28 de outubro e 17 de novembro, sendo 759 deficientes físicos, 170 visuais e 236 auditivos.
De acordo com o resultado da pesquisa, falta atuação mais firme do Estado na prevenção e tratamento oferecidos às pessoas com deficiência. Sessenta e quatro por cento dos entrevistados disseram que a prevenção de doenças que causam deficiência tem sido pouco eficiente. Os deficientes visuais são os que mais se ressentem (76%), seguido pelos deficientes físicos (62%) e pelos auditivos (60%).
A pesquisa mostrou que, para 43% dos entrevistados, a discriminação no ambiente de trabalho ainda é uma realidade. Esse índice sobe para 63% entre os deficientes auditivos, enquanto os deficientes visuais chega a 44%, contra 36% dos deficientes físicos. Para 52% dos pesquisados, a legislação trouxe avanços na inserção das pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Mas as dificuldades ainda são sentidas entre os deficientes auditivos (33%), seguidos pelos visuais (20%) e físicos (17%).
Trinta e oito por cento do total dos entrevistados considera o emprego a área que precisa de mais atenção para que a condição de vida das pessoas com deficiência melhore. Em seguida vem saúde (22%), educação (19%), transporte (13%), habitação (5%) e lazer (3%).
A pesquisa foi apresentada e debatida no último dia 8 no Senado Federal, em Brasília, durante o Fórum Senado Debate Brasil pela diretora da Secretaria de Pesquisa e Opinião do Senado Federal, Ana Lúcia Novelli, e pela superintendente do IBDD, Teresa Costa d’Amaral. Você pode ver a íntegra da pesquisa, que inclui ainda opiniões sobre educação, informação, acessibilidade e lazer, nesses dois arquivos:


1 Apresentação da pesquisa do Senado “Condições de vida das pessoas com deficiência no Brasil” (http://www.ibdd.org.br/arquivos/Apresentacao%20Pesquisa%20Pessoa%20com%20Deficiencia.pdf)
2 Tabelas dos dados da pesquisa“Condições de vida das pessoas com deficiência no Brasil”(http://www.ibdd.org.br/arquivos/pesquisa%20do%20senado%20tabelas%20de%20resultados.pdf)


Fonte: IBDD
(http://fezago.blogspot.com/2011/03/setenta-e-sete-por-cento-das-pessoas.html)

sexta-feira, 11 de março de 2011

Projeto propõe criação de programa de estágio para alunos de escolas especiais

Deficientes mentais seriam os maiores beneficiados com a aprovação da proposta.
da Redação

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 11/03/2011

A criação de um Programa Estadual de Estágio Educacional para alunos das escolas especiais do Paraná está sendo proposta pelo deputado Reinhold Stephanes Junior (PMDB) na Assembleia Legislativa. O projeto de lei foi apresentado em Plenário, durante sessão do Legislativo realizada na última semana, e foi encaminhado para análise das comissões técnicas da Casa.

Segundo Stephanes, poderão participar do programa estudantes regulearmente matriculados em escolas especiais, públicas e privadas, com mais de 14 anos. "Muitos estudos são feitos e muito é dito sobre os excluídos, refletindo sobre a situação real da inclusão social das crianças especiais. Percebo que não há um estímulo para que as essas possam desfrutar de uma vida cotidiana social como as demais", comentou.

De acordo com a proposta, o período de estágio será de quatro horas diurnas diárias, totalizando 20 horas semanais, com vigência de um semestre, admitindo-se a sua prorrogação, uma vez e por igual período. O projeto estabelece que as vagas para estágios serão distribuídas entre as áreas de deficiências na seguinte proporção: 40% para deficientes mentais; 20% para deficientes físicos; 20% para alunos com problemas auditivos; e 20% para deficientes visuais.

O projeto determina ainda que o Poder Executivo oferecerá duas vagas por turno, por semestre e por secretaria e órgão estadual. "Esse projeto de lei tem o objetivo de estreitar essa lacuna, apoiando e estimulando, fazendo com que essas crianças descubram e explorem seu potencial de trabalho e sua participação na sociedade civil", argumenta Stephanes.

Fonte: O Diário - Paraná, 10/03/2011- Imagem Internet

Empresas são ‘culpadas’ por baixa empregabilidade de deficientes

Em Marília, ao menos três grandes indústrias não cumprem cotas exigidas em lei para pessoas com algum tipo de deficiência.
Danielle Gaioto
APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 11/03/2011


A contratação de deficientes no mercado de trabalho, embora tenha aumentado nos últimos anos, ainda é baixa e precisa ser melhorada. O entrave, segundo as empresas, é a falta de qualificação dos profissionais deficientes. Mas, para o secretário-adjunto dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Marco Antonio Pellegrini, o “problema” é uma desculpa das empresas.

“As cotas foram feitas para serem cumpridas e nós vamos trabalhar para avançar nisso. O espírito da lei é chamar a atenção e tornar o que hoje é obrigação em algo comum. As empresas contratam engenheiros e dão quatro anos de qualificação. Isso também pode ser feito com os portadores de deficiência.”

Hoje, segundo uma denúncia do Ministério Público Federal, três grandes empresas de Marília não cumprem a cota de 2% a 5% do quadro de pessoal para trabalhadores com algum tipo de deficiência.

Em visita à cidade para um encontro regional da Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), o secretário também comentou sobre os problemas da acessibilidade, ainda tão frequentes.

“O problema arquitetônico existe, mas já não é tão frequente. Hoje, o problema é a falta de acesso ao conteúdo. Se um deficiente auditivo vai a uma peça de teatro, ele precisa ter acesso ao que é falado. A mesma coisa um deficiente visual, que precisa ter acesso à internet”, comenta.

A Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência volta a Marília no dia 18 de março, para uma caravana que iniciará as atividades a partir das 14h, na Unimar, com o apoio da Uvesp (União dos Vereadores do Estado de São Paulo).

Fonte: Rede Bom Dia - Marília - SP, 10/03/2011 - Imagem Internet

Os ETs contra atacam

Artigo de Fábio Adiron, publicado em seu blog, sobre a educação inclusa as ditas "escolas especiais".
Fábio Adiron

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 11/03/2011

Blá blá blá blá....e começa de novo a discussão, por que querem fechar a minha escola especial que cuida com tanto carinho daqueles "coitadinhos" que sofrem na escola comum, por que estão tirando dos pais o direito de escolher que tipo de escola colocar os filhos...

Não duvido que realmente cuidem com carinho (apesar de conhecer inúmeros casos escabrosos de carinho pelas verbas públicas e nenhum pelas pessoas depositadas lá dentro), mas também não educam de fato.

Não custa nada lembrar algumas questões nada desprezíveis.

A primeira e mais importante é que a educação formal (regular, comum...ou o nome que se queira dar à educação que TODOS recebem) é um direito inalienável da criança e não dos pais. Não é uma opção dos pais dar ou não dar essa educação aos filhos. Seria a mesma coisa que dizer que os pais tem a opção de manter vivos ou não seus filhos (a vida é outro direito inalienável da pessoa e não dos seus responsáveis).

Segundo, é dever do estado seja como fornecedor de serviços educacionais, seja como fiscalizador dos serviços de educação privados, garantir que todos tenham esse direito com qualidade. Se os professores ou escolas se dizem não preparados cabe a nós cobrar que o sejam (se bem que, na maioria das vezes isso é só uma desculpa para rejeitar alunos, professor que não está preparado para educar qualquer criança não serve nem para educar a minha filha que não tem deficiência).

A educação especial não pode ser confundida com escola especial. Escola especial é sinônimo de segregação, a começar do fato que a maioria se classifica por algum tipo de deficiência.

Considerando que a escola especial está prevista na lei, a mesma lei diz que a educação especial é COMPLEMENTAR e não substitutiva. Escola especial que pretenda substituir a escola comum deve ser fechada sim, não é essa a sua função. Não é essa sua competência legal.

O fato da educação (como um todo) ser de baixa qualidade não desqualifica a inclusão, desqualifica a educação. O que não significa que vamos tirar nossos outros filhos da escola, não é mesmo? A escola, da forma que está não trabalha a potencialidade de ninguém, só se preocupa em treinar copistas para o vestibular.

Não conheço todas as escolas especiais do país mas conheço uma quantidade imensa delas, boas e ruins. Curiosamente, só as melhores é que se preparam para ter funções complementares, as piores continuam querendo segurar seu mercado a qualquer custo.

Se as escolas especiais querem ter uma função educacional importante essa será de dar Atendimento Educacional Especializado e de dar apoio às escolas comuns.

Qualquer outra coisa será apenas perpetuar a segregação.

Fonte: Xiita da inclusão - São Paulo - SP, 10/03/2011

Shopping punido por impedir entrada de cliente com cão-guia

Justiça condenou Shopping Center Iguatemi Caxias a pagar multa por danos morais.
da Redação

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 11/03/2011



A Justiça Estadual condenou o Shopping Center Iguatemi Caxias a indenizar em R$ 12,4 mil por dano moral deficiente visual que foi impedido de ingressar com seu cão-guia nas dependências do estabelecimento. Por unanimidade, os integrantes da 6ª Câmara Cível mantiveram a sentença proferida em 1ª instância pela Juíza de Direito Dulce Ana Gomes Oppitz, da Comarca de Caxias do Sul.
O autor é portador de deficiência visual e em outubro de 2003 adquiriu um cão-guia para se locomover sozinho. Em setembro do ano seguinte, deslocou-se com a família e seu cão-guia da cidade de Bento Gonçalves até Caxias do Sul para lanchar no Shopping Iguatemi, mas seguranças o impediram de ingressar no local sob a alegação de que seu cão-guia não poderia adentrar no estabelecimento.

Acrescentou que mesmo tendo em mãos a Lei Estadual nº. 11.739/02, a qual autoriza a locomoção de deficientes visuais em local público ou em qualquer estabelecimento comercial, sua entrada não foi permitida, tendo o segurança alegado ser proibido o ingresso de cães no interior do local por se tratar de condomínio particular. Aduziu que o chefe segurança se recusou a chamar o administrador do Shopping para resolver o assunto, sendo o fato presenciado por várias pessoas que transitavam pelo local.

Referiu que, após o ocorrido, dirigiu-se até uma Delegacia de Polícia, onde o inspetor que se encontrava de plantão se recusou a lavrar ocorrência, mas fez contatos com o Shopping depois que o autor mostrou-lhe a Lei nº. 11.739, sendo que a Administração do estabelecimento acabou por autorizar a entrada do autor acompanhado do seu cão-guia. Aduziu que por não haver mais clima para o passeio, e por estar avançada a hora, não retornou ao local. Sustentou que o réu causou lesão ao seu direito, que está amparado na Lei nº. 11.739/02 e no art. 5º da Constituição Federal.

Fonte: A Notícia - Caxias do Sul - RS, 10/03/2011 - Imagem Internet

quinta-feira, 10 de março de 2011

Cadeirante de 4 anos é barrado

Estabelecimentos de ensino teriam dificultado ou recusado a matrícula de criança com necessidade especial.

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 10/03/2011


Caxias do Sul – Funcionários de três escolas privadas estão sendo investigados pelo Ministério Público por supostamente terem discriminado um menino cadeirante de quatro anos. O caso foi denunciado na segunda quinzena de fevereiro à promotora de Justiça Adriana Chesani, que determinou a abertura de inquérito por parte da Polícia Civil.

Os colégios Murialdo, São Carlos e São José Capivari teriam dificultado ou negado a matrícula na educação infantil porque o garoto se locomove com cadeira de rodas e necessita de atenção especial. A criança só foi aceita no La Salle Carmo. O drama da família começou no dia 2 de fevereiro, quando o menino esteve no Murialdo, em Ana Rech, para conhecer as instalações.

– Ficamos duas horas na escola. A princípio, estaria tudo certo. Precisávamos apenas aguardar uma resposta do novo diretor da escola, que estava por chegar. Para nossa surpresa, no dia 7, a psicóloga nos ligou informando que o novo diretor não aceitou meu sobrinho, alegando que não estariam preparados para recebê-lo – conta o tio da criança, ex-aluno do Murialdo.

Posteriormente, a mãe do garoto afirma ter procurado, por telefone, a Escola São José Capivari. Lá, uma funcionária teria dito que não havia espaço para a criança.

– Ela disse que não aceitaria porque meu filho ocuparia a vaga de cinco pessoas – relata a mãe.

A família tentou a matrícula no São Carlos, que teria exigido a presença de um familiar ou a contratação de um monitor para acompanhar o menino.

A mãe formalizou a denúncia apenas contra o Murialdo. Mas a promotora Adriana diz que os responsáveis pelos outros estabelecimentos serão chamados para explicar porque a criança não foi matriculada.

– Toda escola, privada ou pública, não pode negar ou dificultar a matrícula de uma criança deficiente. É a escola que deve se adaptar e não ao contrário – explica a promotora.

O que diz o presidente do Instituto Murialdo, padre Raimundo Pauletti:

– A mãe da criança não quis conversar. Pedimos apenas que ela postergasse a matrícula pois a criança passará por uma cirurgia em março. A criança poderia entrar na escola mais adiante. Sugerimos que a mãe procurasse outras escolas nesse meio tempo. Não discriminamos ninguém, inclusive, já tivemos alunos cadeirantes.

O que diz a coordenadora pedagógica do Colégio São Carlos, Jaqueline Bampi:

– Não recusamos a matrícula. Apenas ressaltamos que a escola não tem acessos para algumas áreas da educação infantil como parque e ginásio. Não fizemos diferenciação, até porque temos alunos com necessidades especiais aqui. Não há problema em aceitar o aluno, mas precisamos de alguém da família para acompanhá-lo. A professora não tem como cuidar dele e das outras crianças ao mesmo tempo. Hoje, nós não temos funcionários para isso.O Pioneiro não conseguiu contatar a direção da Escola São José Capivari.

Fonte: Pioneiro - Geral - página 17 - 09/03/2011 - Imagem Internet

Brasil é destaque no Dia Mundial do Autismo, 2 de abril

Este é o quarto ano do evento mundial, que pede mais atenção ao transtorno do espectro autista, que é mais comum em crianças que AIDS, câncer e diabetes juntos.

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 10/03/2011

Não foi à toa que a ONU (Organização das Nações Unidas,http://www.onu-brasil.org.br/) decretou todo 2 de abril como sendo o Dia Mundial de Conscientização do Autismo (World Autism Awareness Day), desde 2008. Este é o quarto ano do evento mundial, que pede mais atenção ao transtorno do espectro autista (nome oficial do autismo), que é mais comum em crianças que AIDS, câncer e diabetes juntos.

No Brasil, a data será lembrada com a iluminação em azul (cor definida para o autismo) de vários prédios e monumentos importantes, entre eles, o Cristo Redentor (no Rio de Janeiro) -- que acabou de inaugurar uma moderna iluminação de LED --, a Ponte Estaiada, o Monumento às Bandeiras e o Viaduto do Chá (todos em São Paulo) e o prédio do Senado em Brasília (outras ações podem ser vistas em http://RevistaAutismo.com.br/DiaMundial). No restante do mundo, outros importantes pontos acenderão sua "luz azul", como no ano passado o prédio Empire State, em Nova York (Estados Unidos) e a CN Tower, em Toronto, (Canadá).

O autismo é uma síndrome complexa e muito mais comum do que se pensa. Atualmente, o número mais aceito no mundo é a estatística do CDC (Center of Deseases Control and Prevention), órgão do governo dos Estados Unidos: uma criança com autismo para cada 110. Estima-se que esse número possa chegar a 2 milhões de autistas no país, segundo o psiquiatra Marcos Tomanik Mercadante citou em audiência pública no Senado Federal no fim de 2010, onde discute-se uma lei exclusiva para o autismo, liderada pelo senador Paulo Paim (PT-RS). Mercadante é um dos autores da primeira (e por enquanto única) estatística brasileira, num programa piloto por amostragem na cidade de Atibaia (SP), que registrou naquela amostragem incidência de uma para cada 333 crianças -- publicada no final de fevereiro último. No mundo, segundo a ONU, acredita-se ter mais de 70 milhões de pessoas com autismo, afetando a maneira como esses indivíduos se comunicam e interagem. A incidência em meninos é maior, tendo uma relação de quatro meninos para uma menina com autismo.

No ano passado, um discurso do presidente dos Estados Unidos, no dia 2, lembrou a importância da data: "Temos feito grandes progressos, mas os desafios e as barreiras ainda permanecem para os indivíduos do espectro do autismo e seus entes queridos. É por isso que minha administração tem aplicado os investimentos na pesquisa do autismo, detecção e tratamentos inovadores - desde a intervenção precoce para crianças e os serviços de apoio à família para melhorar o suporte para os adultos autistas". Barack Obama ainda concluiu: "Com cada nova política para romper essas barreiras, e com cada atitude para novas reformas, nos aproximamos de um mundo livre de discriminação, onde todos possam alcançar seu potencial máximo".

No Brasil, é preciso alertar, sobretudo, as autoridades e governantes para a criação de políticas de saúde pública para o tratamento e diagnóstico do autismo, além de apoiar e subsidiar pesquisas na área. Somente o diagnóstico precoce, e conseqüentemente iniciar uma intervenção precoce, pode oferecer mais qualidade de vida às pessoas com autismo, para a seguir iniciarmos estatísticas na área e termos ideia da dimensão dessa realidade no Brasil. E mudá-la.

Vários níveis no espectro

O autismo faz parte de um grupo de desordens do cérebro chamado de transtorno invasivo do desenvolvimento (TID) - também conhecido como transtorno global do desenvolvimento (TGD). Para muitos, o autismo remete à imagem dos casos mais graves, mas há vários níveis dentro do espectro autista. Nos limites dessa variação, há desde casos com sérios comprometimentos do cérebro além de raros casos com diversas habilidades mentais, como a Síndrome de Asperger (um tipo leve de autismo) - atribuído inclusive a aos gênios Leonardo Da Vinci, Michelangelo, Mozart e Einstein. Mas é preciso desfazer o mito de que todo autista tem um "superpoder". Os casos de genialidade são raríssimos.

A medicina e a ciência de um modo geral sabem muito pouco sobre o autismo, descrito pela primeira vez em 1943 e somente 1993 incluído na Classificação Internacional de Doenças (CID 10) da Organização Mundial da Saúde como um transtorno invasivo do desenvolvimento.

Muitas pesquisas ao redor do mundo tentam descobrir causas, intervenções mais eficazes e a tão esperada cura. Atualmente diversos tratamentos podem tornar a qualidade de vida da pessoa com autismo sensivelmente melhor. E vale destacar que o neurocientista brasileiro Alysson Muotri conseguiu um primeiro passo para uma possibilidade futura de cura, em seu trabalho na Califórnia (EUA). Ele curou um neurônio autista em laboratório e trabalha no progresso de sua técnica na Universidade de San Diego. Tão importante quanto descobrir a cura, é permitir que os autistas de hoje sejam incluídos na sociedade e tenham mais qualidade de vida e respeito.

Fonte: http://www.pessoacomdeficiencia.sp.gov.br - 09/03/2011

Desafios intersetoriais da educação inclusiva

Artigo de William Machado sobre os desafios da educação inclusiva.
Wiliam César Alves Machado

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 10/03/2011

É fato que a educação inclusiva veio para ficar acabando com práticas educacionais excludentes que tinham maiores penalisadas pessoas com deficiência, no ensino fundamental, passando pelo nível médio, e, consequentemente, tornando quase impossível para essas pessoas acesso aos cursos de formação superior. Há muito que se tem constatado que tradicionais estratégias pedagógicas não atendem particularidades dos estudantes com necessidades educacionais especiais, ainda que travestidas das mais nobres pretensões inclusivas, em cujos contextos docentes desqualificados sequer se mostravam interessados em interagir/comunicar com esses estudantes.
As primeiras iniciativas do sistema público no plano da educação especial surgiram há cerca de 20 anos, focadas na eliminação gradativa das classes exclusivas e inserção de estudantes com deficiência em classes mistas. Sem planejamento e qualificação dos professores para o ensino de pessoas com deficiência, crianças, adolescentes e adultos com necessidades educacionais especiais figuravam objetos inanimados nas classes regulares. Como não demonstravam aprendizado nas avaliações de desempenho, eram punidos com reprovação por déficit de aprendizagem, quando deveriam ser reprovados professores e escola por falta de recursos e condições adequados ao aprendizado de alunos com deficiência.

Crianças surdas carecem de professores que dominem a Língua de Sinais Brasileira – Libras, que se mostrem imbuídos do desafio de dissolver laços da criança com códigos informais de comunicação não verbais; as cegas, de professores aptos a ensinar a escrita e leitura em Braille, a atentar para a coordenação motora e noção de espaço para uso da bengala, além de estimular o desenvolvimento do olfato e da sensibilidade tátil; as com deficiência física e/ou mobilidade reduzida precisam de professores sensíveis a ponto de nunca lhes negar ajuda para determinados movimentos que lhes são impossíveis. Da mesma forma, crianças e adolescentes com deficiência mental precisarão de cuidados e atenção redobrada da professora quando diante do novo, desde mudanças nas funções corporais, às questões relativas a sexualidade, etc.

O advento da Convenção sobre Direitos da Pessoa com Deficiência, ratificada pelo Congresso Nacional do Brasil através do Decreto nº 6.949, de 25 de agosto de 2009, requer mudanças de comportamento dos professores e nas políticas institucionais, com adoção de estratégias de ensino que atendam necessidade de pessoas com deficiência e as sem deficiência, sob pena de responsabilizações penais para quem não as cumpram. Isso porque, ao ratificar esta Convenção, com status de Emenda Constitucional, o Brasil assume o compromisso de assegurar que as pessoas com deficiência não sejam excluídas da escola comum e que sejam adotadas medidas de apoio para sua plena participação em igualdade de condições com as demais pessoas.
No dia a dia das escolas estão surgindo situações novas que pegam professores sem saber como agir. No âmbito do cuidado de saúde, por exemplo, seja ante a necessidade do aluno tomar algum medicamento de uso regular, seja uma adolescente deficiente que menstrue e precise de orientação/ajuda para usar ou trocar o absorvente, há que se valer do delineado na Política Nacional de Saúde da Pessoa com Deficiência. Até porque não consta da lei de exercício profissional dos professores a administração de medicamentos ou cuidados de saúde em fórum íntimo.

Recorrer aos préstimos da Estratégia Saúde da Família (ESF), na Unidade Básica de Saúde (UBS) da área de abrangência geográfica da escola é o mais correto nesses casos, posto que a unidade de serviço público dispõe de enfermeiro para atuar ou designar quem de competência para tarefas afetas a área de saúde escolar.

Como se pode observar há sempre solução para o aparentemente inusitado. Não podemos admitir recorrentes reações preconceituosas seja de quem for, ainda que cônscios de que manifestações de preconceito revelam mero desconhecimento de causa daqueles que as expressam. Nossa tarefa e função social é fomentar o emergir de consciências cidadãs, compartilhando conhecimento e experiências, agindo com prudência e maturidade para compreender que as pessoas têm seus próprios ritmos. Acreditando sempre que é possível o alcance de uma sociedade acessível, humanitária, fraterna, inclusiva e solidária para acolher seus filhos e filhas, independente da forma externa que cada um disponha para se manifestar.

Dr. Wiliam César Alves Machado é Secretário Municipal do Idoso e da PcD, em Três Rios, no Rio de Janeiro

Fonte: Rede SACI - Três Rios - RJ, 09/03/2011

Acompanhe as dicussões entre sociedade civil e Senado sobre regulamentação da CDPD

Informe sobre a reunião no gabinete do Senador Lindbergh do dia 28 de fevereiro.
Regina Atalla

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 10/03/2011

Senador: Luiz Lindbergh Farias Filho
Estiveram presentes cerca de 25 a 30 pessoas, entre representantes de organizações da sociedade civil (CVI Brasil, ABRAÇA, ONCB, IBDD e outras que não recordo o nome), CONADE, representantes de governo e assessores do Senado e da Câmara.

O senador abriu a reunião explicando que ele pode contribuir trabalhando em 2 frentes que correm paralelas. Uma delas é a regulamentação da CDPD que estará a cargo da Comissão temporária que será lançada no dia 21 de março.

A outra área de ação refere-se ao diálogo e pressão do senador junto aos diversos órgãos de governo para cobrar e fazer cumprir as demandas especificas do movimento. Por sugestão, a discussão inicial sobre as diferentes áreas de deficiência se transformou num levantamento de demandas que deverão ser enviadas ao Senador para que ele possa agir nos diferentes casos. Por volta de 17h encerrou-se a reunião e um pequeno grupo permaneceu, no qual estive incluída a pedido do Senador, e continuamos a trabalhar nas questões operativas do seminário do dia 21 de março.

Avalio como muito positivo o resultado da reunião pelos seguintes motivos:

1 -Percebo a vontade das diversas entidades de se unirem em torno da regulamentação da CDPD, o que representa uma luz no final do túnel, neste movimento que conviveu historicamente com divisões e uma desunião que prejudica a todo o segmento.

2 – O respeito do Senador em ouvir os principais interessados para construirmos juntos e fazer mudanças na proposta inicial. Aqui me refiro especialmente ao abandono da discussão por áreas de deficiência para um levantamento das demandas e também com uma reprogramação do calendário apresentado (a tendência é termos 15 dias entre as reuniões no Senado, em vez de reuniões semanais).

3 – A consolidação da liderança da sociedade civil como um interlocutor qualificado importante, resultado dos documentos apresentados (a carta aberta e proposta da sociedade civil), situação que nos coloca de forma legítima no grupo de frente que vai incidir e participar do grupo central que irá acompanhar todo o processo.

4 – Ficou definido que haverá um seminário introdutório sobre a Convenção, no período da tarde do dia 21 no Senado, junto com o lançamento da Comissão temporária. Informo com satisfação que fui escolhida para falar sobre o processo de construção da convenção, mudanças de paradigmas e a participação da sociedade civil Neste dia 21 comemora-se o dia internacional da síndrome de Down e houve um acordo com alguns deputados da frente parlamentar que será realizado um evento na parte da manhã na Câmara para comemorar esta data.

5 – Definiu-se ainda que haverá uma reunião 15 dias após o seminário do dia 21 de março para trabalhar no plano de ação e calendário de trabalho desta comissão.

Bem, creio que este é o resumo da reunião.

Abs,
Regina Atalla
Presidente RIADIS

Fonte: Inclusive - Brasília - DF, 09/03/2011

quarta-feira, 9 de março de 2011

Mulher Deficiente

As mulheres com deficiência são duplamente discriminadas. Porque são mulheres e porque são pessoas com deficiência. Sofrem em silêncio, privadas da sua identidade, um esquecimento total da sociedade. Poucas ou nenhumas referências lhe são dedicadas, mesmo no dia em que se comemora a sua condição de mulher.


As mulheres com deficiência são duplamente discriminadas. Porque são mulheres e porque são pessoas com deficiência. Sofrem em silêncio, privadas da sua identidade, um esquecimento total da sociedade. Poucas ou nenhumas referências lhe são dedicadas, mesmo no dia em que se comemora a sua condição de mulher.


Apelidadas de cidadãos invisíveis, as pessoas com deficiência situam-se entre os estratos mais pobres da sociedade. E se é certo que é difícil para os homens com deficiência viver numa sociedade viver numa sociedade que ignora os seus mais elementares direitos humanos, para as mulheres com deficiência a situação é intolerável.


Num estudo efectuado pela Disabled Peoples' International sobre a violência que é exercida sobre as mulheres com deficiência intitulado "A violência significa a morte da alma" é referido: "Ser uma mulher com deficiência tem um significado particular. Significa enfrentar contínua discriminação, violações dos direitos humanos e exclusão do meio. As violações físicas e psicológicas, sofridas e raramento expressas, forçam as mulheres com deficiência a isolarem-se em si mesmas, não se reconhecendo nunca mais como indivíduos".


Privadas do acesso à educação, ao emprego, à sexualidade e à maternidade tornam-se vítimas silenciosas de todo o tipo de abusos, que começa muitas vezes no seio da família para se alargar depois às instituições.


É urgente que as organizações de direitos humanos e as organizações de mulheres comecem a inscrever nos seus programas e reivindicações as questões das mulheres com deficiência. Tornar visíveis as cidadãs invisíveis, dar a conhecer as terríveis situações de isolamento e solidão em que vivem milhares de crianças, jovens e mulheres no nosso País. Para que cada um de nós exija o respeito pelos seus direitos humanos e ninguém possa um dia dizer: desculpe, mas não sabia.


Fonte: PCD

segunda-feira, 7 de março de 2011

Dia Internacional da Mulher.

Por Márcia Gori
DIA INTERNACIONAL DA MULHER!!!

Caro (a) amigo (a) leitor(a),
Encontrei o texto abaixo, que foi escrito pela advogada, Presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência de São José do Rio Preto, palestrante sobre sexualidade e inclusão das PcD... Márcia Gori.

Dia 8 de março comemoraremos o Dia Internacional da Mulher, mas em nosso segmento o que temos para comemorar?


A mulher com deficiência é citada no artigo 6 da Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência da ONU, onde preconiza que "Os Estados-Partes deverão tomar todas as medidas apropriadas para assegurar o pleno desenvolvimento, o avanço e o empoderamento das mulheres, a fim de garantir-lhes o exercício e o desfrute dos direitos humanos e liberdades fundamentais estabelecidos na presente Convenção."; porém o que tenho vivenciado como ativista do movimento social da pcd são atitudes ainda tímidas para efetivação e provocação de Políticas Públicas para que essas mulheres venham obter todos os seus direitos garantidos.

Ainda temos mulheres com deficiência sofrendo todo tipo de violações e abandonos físicas, morais, emocionais pela família, namorados, companheiros, enfim pela sociedade em geral e simplesmente olhamos como se não fossem problemas sociais, são encarados como problemas alheios.

Quantas de nós não temos acesso à saúde, educação, trabalho digno e a auto-estima? Sim, estou falando de mulheres que necessitam de apoio para se auto afirmarem como seres humanos em primeiro lugar para depois se posicionarem como mulheres lindas e empoderadas...

Devemos sim, trazer para a sociedade em geral esse tema "Empoderamento da Mulher com Deficiência como agente ativo de suas decisões", discutir seriamente a formatação de Políticas Públicas de alcance geral para todas no sentido dessa pessoa conquistar seu espaço e não ser mais refém de outrem.

A Diretoria da APNEN, deseja a todas mulheres com e sem deficiência muitas felicidades, concretizações de sonhos e grandes vitórias!


Blog Márcia Gori- Sou um Pássaro de Fogo - http://mrciagori.blogspot.com/
Contatos para palestra
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Fonte: http://www.deficienteciente.com.br/2011/03/dia-internacional-da-mulher.html