sábado, 30 de abril de 2011

O preço da exclusão

Artigo escrito por Patrícia Almeida e Lais Mendes Pimentel publicado ontem na seção de Opinião de O Globo.
Lais Mendes Pimentel e Patricia Almeida

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 30/04/2011

O debate sobre inclusão escolar avançou nas últimas semanas a partir de dois fatos: o anúncio do “possível fechamento” do Instituto Nacional de Educação de Surdos e do Instituto Benjamin Constant, para alunos cegos; e, o massacre de 12 jovens numa escola municipal de Realengo por um ex-aluno da instituição.

Não, o INES e o IBC nunca estiveram a ponto de ser fechados. O que não significa que devam ficar imunes a mudanças previstas pelo movimento mundial da inclusão, que prevê a gradual extinção das escolas especiais e incorporação dos alunos com deficiência nas escolas regulares perto de suas casas, direito inegociável inscrito em nossa Constituição.

Há 17 anos o Brasil assinou a Declaração de Salamanca, assumindo um compromisso internacional de promover a inclusão de alunos com necessidades educacionais específicas na rede regular de ensino, o que foi ratificado na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência em 2008.

A Educação Básica é, então, direito de todos indiscriminadamente. A segunda situação chocou o Brasil.

Wellington Menezes, ex-aluno da Tasso da Silveira, volta à escola e dispara 60 tiros, matando 12 crianças. Primeira reação: o assassino era um maluco! Logo, parentes e ex-alunos da Tasso da Silveira revelaram que o rapaz tinha sabidos problemas psicológicos e fora vítima de Bullying. O que Wellington Menezes fez foi um acerto de contas. De vítima, ele passou a algoz.

Vem do Canadá o relatório que mostra como escolas realmente inclusivas são mais seguras.

“As raízes desse comportamento agressivo dos estudantes encontram-se em seus sentimentos de alienação, no fato de não acharem que pertencem ao ambiente escolar. Este problema é agravado pelo fracasso das escolas em atender às necessidades educacionais e emocionais desses alunos que se sentem excluídos. É este tipo de situação, em sua forma extrema, que propicia tragédias como as que ocorreram na Columbine High School e no Virginia Technological Institute.”

No Brasil, salas de recurso foram criadas para atender alunos com necessidades especiais. O que deve incluir também jovens sem diagnóstico de deficiência, mas que precisam de uma atenção extra ministrada por uma equipe multidisciplinar. São alunos que sofrem abusos em casa ou mesmo que têm problemas psicológicos, como era o caso do Wellington Menezes.

Mas há quem seja contra a inclusão escolar. São os que ignoram o quanto a Educação inclusiva estimula não só o “especial” como também educa a sensibilidade do aluno “não especial”. Fora os que preferem manter a alocação de vultosas verbas federais e o prestígio político das antigas instituições.

Quem defende a segregação com o argumento de que a Educação já é ruim sem inclusão está cometendo um perigoso erro de lógica, uma inversão rudimentar da relação causa-efeito.

O preço da Educação ”exclusiva” é o Bullying. E ninguém está livre de ser uma vítima dele.

Lais Mendes Pimental e Patrícia Almeida são jornalistas e mães de crianças com síndrome de Down.

Fonte: Inclusive - São Paulo - SP, 29/04/2011 - Imagem Internet

Acessibilidade na Copa do Mundo

GT Inclusão da PFDC discute cumprimento de acessibilidade nos projetos de estádios para a Copa do Mundo 2014.
da Redação

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 30/04/2011.

As implicações do Decreto 5.296/2004 - que regulamenta leis que priorizam o atendimento e que estabelecem normas e critérios básicos para a inclusão das pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida - nos projetos dos estádios a serem construídos para a Copa do Mundo de 2014 foram debatidos em reunião do Grupo de Trabalho Inclusão de Pessoas com Deficiência, da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC/MPF).

O encontro contou com a presença de representantes do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014 (COL)do Ministério das Cidades, do Ministério do Esporte, do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência (Conade), da Organização Nacional de Cegos do Brasil (ONCB), da Secretaria Nacional da Pessoa com Deficiência (SNPD), do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia no Distrito Federal (CREA/DF) e da Advocacia Geral da União (AGU).

Embora as instituições participantes tenham apontado a importância de que os projetos de construção dos estádios cumpram o decreto para garantir a acessibilidade, representantes do Comitê Organizador da Copa ressaltaram a complexidade no cumprimento da legislação, pois consideram a reserva de 2% dos assentos para pessoas em cadeira de rodas índice muito elevado. O Decreto n. 5296/2004 prevê em seu art. 23 que os "teatros, cinemas, auditórios, estádios, ginásios de esporte, casas de espetáculos, salas de conferências e similares reservarão, pelo menos, dois por cento da lotação do estabelecimento para pessoas em cadeira de rodas, distribuídos pelo recinto em locais diversos, de boa visibilidade, próximos aos corredores, devidamente sinalizados, evitando-se áreas segregadas de público e a obstrução das saídas, em conformidade com as normas técnicas de acessibilidade da ABNT".

Além disso, o parágrafo primeiro do mesmo artigo dispõe que "é obrigatória, ainda, a destinação de dois por cento dos assentos para acomodação de pessoas portadoras de deficiência visual e de pessoas com mobilidade reduzida, incluindo obesos, em locais de boa recepção de mensagens sonoras
O Comitê apontou como inviável a adaptação dos projetos de construção dos estádios atendendo às especificações do Decreto, uma vez que representariam aumento nos custos das obras e impacto no cumprimento dos prazos já estabelecidos. A proposta do COL é colocar assentos especiais nos pavimentos inferiores e no térreo.
Para a representante da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SNPD), as soluções a serem encontradas precisam estar de acordo com a legislação existente. A representante da SNPD explicou que, durante a discussão sobre a norma de estádios no Fórum da ABNT, ficou claro que o percentual de 2% para pessoas em cadeiras de rodas previsto no decreto 5.296 pode ser entendido como 1% para o cadeirante e 1% para seu acompanhante. Assim, a preocupação da SNPD é com o atendimento dos demais 2% na forma do decreto. Foi informado que não há qualquer diferenciação quanto ao tipo e tamanho dos assentos destinados às pessoas com outros tipos de deficiência ou mobilidade reduzida desde que esses sujeitos recebam serviços de apoio.

Na ocasião, o Estatuto do Torcedor foi apontado pela Assessoria Especial do Esporte como documento a ser consultado, uma vez que reúne artigos específicos sobre acessibilidade. O órgão sugeriu também que o Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência (Conade) leve a situação às esferas estaduais e municipais, já que a aprovação desses projetos afronta as regras do decreto mencionado. Para o presidente do Conade, deve existir identificação adequada dos demais 2% apontados pela SNPD, sendo a única alternativa a reformulação do Decreto 5.296 para criar dispositivos específicos para os estádios de futebol.

O GT Inclusão da PFDC aguarda uma manifestação do Conade que fornecerá subsídios para balizar o posicionamento do MPF. Além disso, solicitou ao COL que seja estudada a possibilidade de incluir os 2% de assentos para cadeirantes nos projetos dos estádios.

Audiências Públicas debatem o tema

O Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CONFEA) está promovendo audiências públicas para discutir a questão nas 12 cidades que sediarão a Copa do Mundo 2014. Os encontros estão sendo promovidos em parceria com os Centros de Referência Especializado de Assistência Social (CREA?s) e antecedem ações de fiscalização preventivas e integradas. As cidades de Brasília, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Cuiabá já sediaram audiências. Os próximos encontros acontecem nas seguintes cidades:

03/05- Natal
10/05- Curitiba
12/05- Manaus
24/05- Fortaleza
31/05- Porto Alegre
07/06- Rio de Janeiro
21/06- São Paulo

Fonte:Rede SACI  - São Paulo - SP, 29/04/2011- Imagem Internet

Mercado de Trabalho

“Como capacitá-los e colocá-los nas empresas sem que tenham escolaridade mínima?…” “a inclusão vai ocorrer naturalmente quando se der a inclusão nas escolas regulares; antes disso, temos de pensar em alternativas.”
(Loni Elisete Manica)
APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 30/04/2011

Muitos estabelecimentos não cumprem as exigências da Lei 8.213, de 1991, que fixa a cota mínima de pessoas com deficiência a serem contratadas pelas empresas com 100 ou mais empregados. Os representantes dos deficientes acusam o setor privado de má-vontade e preconceito, enquanto os empregadores afirmam que enfrentam dificuldades com a falta de qualificação e entraves legais. Integrantes do governo, por sua vez, alegam que há falta de funcionários para implementar a respectiva fiscalização. Esses argumentos foram apresentados durante a audiência pública que o Senado realizou nesta quinta-feira (28).

O debate foi promovido pela Subcomissão Permanente de Assuntos Sociais das Pessoas com Deficiência, presidida pelo senador Lindbergh Farias (PT-RJ). Assim como o deputado federal Romário Faria (PSB-RJ), que também participou da audiência, o senador tem uma filha com Síndrome de Down.

Ao ressaltar o baixo grau de inclusão no mercado de trabalho, Lindbergh citou a estimativa de que, dos cerca de 43 milhões de brasileiros que estariam trabalhando formalmente, quase 289 mil seriam deficientes. Ele observou que esses números representam uma inclusão de apenas 0,67%, em contraste com a porcentagem do total de deficientes na população brasileira, que seria de 14%.

Cotas

De acordo com o artigo 93 da Lei 8.213/91, as empresas com no mínimo 100 empregados são obrigadas a cumprir as seguintes cotas, a serem preenchidas por “beneficiários deficientes reabilitados ou pessoas portadoras de deficiência, habilitadas”: 2%, se tiverem entre 100 e 200 empregados; 3%, entre 201 e 500; 4%, entre 501 e 1000; e 5%, de 1001 em diante.

- O Brasil tem a melhor legislação das Américas sobre o assunto, mas ela não é obedecida – protestou Teresa Costa d’Amaral, superintendente do Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência (IBDD).

Ela disse que a falta de fiscalização “vem permitindo tal situação”. E que a forma como vêm sendo feitos os Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) entre empresas e Ministério Público do Trabalho também contribui para isso.

- Há um vácuo de poder entre o Ministério Público do Trabalho e a execução da lei de cotas – criticou.

Além disso, Teresa Costa defendeu a extensão da exigência de contratação de deficientes para pequenas e médias empresas, “já que esses estabelecimentos são os principais empregadores do país”.

- A inclusão no mercado de trabalho é necessária para que haja cidadania – ressaltou ela.

O presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência (Conade), Moisés Bauer, também criticou o setor privado. Ele disse que há preconceito e “corpo mole” por parte dos empresários, que utilizariam a falta de qualificação como “desculpa” para não contratar deficientes. O Conade faz parte da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República.

Flexibilidade

Ao responder a essas críticas, o presidente da seção de Transporte de Cargas da Confederação Nacional do Transporte, Flávio Benatti, declarou que “não é pressionando, com discursos ou com multas, que se resolve a questão; é necessário inteligência em relação à lei, que precisa de flexibilidade e de entendimento conforme a atividade”. Ele reiterou o argumento de que falta qualificação a boa parte dos deficientes.

Essa dificuldade também foi apontada por Loni Elisete Manica, gestora do Programa de Ações Inclusivas do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai, entidade vinculada à Confederação Nacional da Indústria). Ao citar as iniciativas e os cursos do Senai destinados à capacitação de deficientes, Loni disse que um dos principais obstáculos enfrentados pela entidade é a baixa escolaridade dessas pessoas, já que cerca de 60% delas seriam analfabetas – ou seja, sem os pré-requisitos mínimos para serem capacitadas. Ela também ressaltou que esse grupo é formado, em boa parte, por adultos com mais de 30 anos ou “em idade avançada”.

- Como capacitá-los e colocá-los nas empresas sem que tenham escolaridade mínima? – questionou, acrescentando que “a inclusão vai ocorrer naturalmente quando se der a inclusão nas escolas regulares; antes disso, temos de pensar em alternativas”.

Representando a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Janilton Fernandes Lima alegou que há vários entraves na legislação à contratação de deficientes. Como exemplo, ele disse que uma resolução impediu, no final da década de 1990, que os surdos trabalhassem como motoristas no segmento de transporte de cargas, “embora eles sejam perfeitos para atuar nessa atividade”. Janilton também afirmou que há uma proibição da Polícia Federal quanto à atuação de deficientes na área de vigilância.

Falta de fiscais

Ao comentar a questão da fiscalização, Fernanda di Cavalcanti, representante do Ministério do Trabalho e Emprego, afirmou que a pasta dispõe de 2.900 auditores fiscais do trabalho para todo o país, “quando o ideal, considerados critérios como a População Economicamente Ativa [PEA] e as diretrizes da Organização Internacional do Trabalho [OIT], seria um total de cinco mil auditores”.

- Cada concurso que tem sido feito para a área não repõe nem o pessoal que se aposenta – disse ela.

Lindbergh Farias disse que tentará promover um encontro com o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, para discutir a ampliação do número de auditores fiscais do trabalho.

Fonte: Agência Senado (28/04/11)

VIDEO '' ESSA VAGA NÃO É SUA '' COM REPERCUSSÃO NACIONAL

Este vídeo é imperdível!

http://www.youtube.com/watch?v=C50FAN9bYqU&feature=player_embedded#at=13

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 30/04/2011
O uso indevido de vagas destinadas a pessoas com deficiência em estacionamentos de estabelecimentos – que resultou no lançamento da campanha “Esta vaga não é sua nem por um minuto” em meados de março deste ano – é o foco do vídeo que a agência TheGetz colocou no ar neste fim de semana nas redes sociais.

Como a principal desculpa para a ocupação de vagas exclusivas para deficientes e idosos é sempre a do pouco tempo de permanência no estabelecimento, o “apenas um minuto”, a TheGetz colocou cadeiras de rodas em vagas normais e registrou a reação das pessoas em um estacionamento de Curitiba. O resultado é o vídeo que pode ser visualizado nas páginas da campanha no Facebook, Twitter, Youtube e Vimeo. O filme também pode ser acessado pelo blog do movimento.

O movimento

Concebido para circular nas redes sociais, o movimento “Essa vaga não é sua nem por um minuto” foi uma iniciativa de mobilização da TheGetz para chamar a atenção da sociedade para a necessidade de respeito às vagas de estacionamento para pessoas com deficiência depois de um episódio de desrespeito a uma deficiente em um estacionamento de supermercado em Curitiba. Em pouco mais de um mês, o movimento ganhou mais de mil adeptos no Facebook e se propaga por outras mídias online. O selo do movimento também ganhou pontos fixos na capital paranaense.

Segundo o diretor institucional da TheGetz, o propósito da campanha, além de mobilizar pessoas para esta causa, é provocar ações efetivas por parte dos governantes. “Com o movimento, o que se pretende é ampliar a visibilidade para a necessidade do respeito à figura do deficiente, que em nada se diferencia, em direitos e deveres, das pessoas tidas como normais. Para isso, o apoio das esferas políticas é fundamental para que causas como essas possam ser vistas e ampliadas”, completa

fonte :www.deficienteciente.com.br - 29/04/2011

sexta-feira, 29 de abril de 2011

A mídia e a pessoa com deficiência

Por Luis Daniel da Silva * no Observatório da Imprensa

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 29/04/2011
A presença de pessoas com deficiência na mídia tem se tornado constante. Não há como negar que personagens de ficção tiveram seu papel importante para o tema se evidenciar. Isso também fez aumentar sensivelmente a quantidade de reportagens sobre o assunto nos jornais, rádios, TVs e internet. Calçadas esburacadas, falta de rampas, ônibus adaptados, qualificação profissional e lei de cotas para o mercado de trabalho são apenas alguns dos temas recorrentes. Entretanto, há aspectos que precisam ser observados nas redações quando vai se tratar do assunto.

Anos atrás, as pessoas com deficiência se evidenciavam por seus próprios méritos por conseguirem chegar à escola, conquistar um emprego e assim, se transformarem em grandes personagens de superação de seus limites. Atualmente, essa visão se modificou e é necessário que os meios de comunicação também reflitam essa mudança. Aquela aura de coitado das imagens de TV ou dos textos de jornais precisa ser extirpada. Como jornalista, compreendo que pode ser difícil no começo, mas não impossível.

Uma das mudanças mais consideráveis neste sentido é sobre como se referir a quem tem deficiência. Bem antigamente, era muito comum se ouvir expressões como “aleijado”, “excepcional”, “mongoloide” entre outros. O tempo passou e elas foram praticamente abolidas do vocabulário. Então, surgiram outras denominações para sutilmente substituí-las, como “pessoas portadoras de deficiência”, “portadores de necessidades especiais”, “deficiente” e outras denominações deste gênero. Entretanto, elas também já não são mais bem aceitas, pois evidenciam a “deficiência”. Além de não fazerem sentido algum, como por exemplo, a palavra “portadores”. Quem porta algo pode, a qualquer tempo, não portar mais, e com a deficiência isso não acontece. Outro exemplo é “necessidades especiais”. Um termo que surgiu para denominar quem tinha uma necessidade educacional especial que, com o tempo, passou a representar toda a gama de pessoas com deficiência – física, visual, auditiva ou intelectual.

Papel da mídia é fundamental

Cada ser humano é único e cada um tem sua “necessidade especial” no dia a dia. Um pouco menos ou mais de açúcar, ter um carinho do namorado ou da namorada, entre outras necessidades que fazem a nossa vida ser única. Além dessas justificativas, essas expressões se tornaram carregadas de conotações pejorativas e preconceituosas.

Os movimentos mundiais das pessoas com deficiência, inclusive os do Brasil, assinaram a Convenção Internacional para Proteção e Promoção dos Direitos e Dignidades das Pessoas com Deficiência, aprovada pela Assembleia-Geral da ONU em 2006, e ratificada no Brasil em julho de 2008. Entre vários outros aspectos, de que forma preferem ser chamados: Pessoa com Deficiência. O objetivo é valorizar o ser humano, e não sua condição permanente ou passageira, e isso precisa ser levado em consideração quando se vai se contar uma história na reportagem, pois ajuda a levar para a sociedade estes mesmos conceitos.

Colocar alguém com deficiência como entrevistado é mais do que necessário, mas a condição dele não pode transformá-lo num herói, quando ele é apenas um ser humano com seus direitos e deveres como qualquer outro cidadão. O bom-senso é um excelente caminho nesses momentos. Ponderar o motivo daquela pessoa com deficiência estar presente na reportagem e o que realmente é relevante, sem colocá-la em situações constrangedoras.

Entendo que ainda falta muito para que este segmento tenha as mesmas conquistas de outros movimentos sociais, porém, para se chegar lá, a mídia tem papel fundamental.

* Editor e repórter do site Guia Inclusivo, especializado na inclusão de pessoas com deficiência, São José dos Campos, SP

Fonte: Observatório da Imprensa - 28/04/2011

Virada cultural

Virador de páginas manipula livros para deficientes.

da Redação

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 29/04/2011

O estudo mostra que, em dezembro de 2010, havia cinco modelos de viradores sendo comercializados, porém nenhum fabricado no Brasil.[Imagem: Ag.USP]

Engenheiros da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram um virador de página eletrônico para pessoas com comprometimento da funcionalidade dos membros superiores.

O sistema, projetado pela terapeuta ocupacional Samira Mercaldi Rafani, é um recurso de Tecnologia Assistiva, que substitui a habilidade motora do usuário na realização da leitura.

O custo do equipamento é inferior aos dispositivos importados existentes no mercado brasileiro.

"O virador é um dispositivo elétrico que folheia as páginas de um material impresso após um comando feito pelo usuário em um acionador adequado às suas habilidades motoras", conta Samira. "É possível que pessoas com pouquíssimo movimento de braços e mãos possam efetuar o acionamento".

Deficiência financeira

O estudo mostra que, em dezembro de 2010, havia cinco modelos de viradores sendo comercializados, porém nenhum fabricado no Brasil, com preços variando entre US$ 1.550,00 e US$ 5.425,00.

"O custo não é compatível com a realidade socioeconômica da maior parte dos brasileiros", ressalta a pesquisadora. "O protótipo atendeu as necessidades essenciais para leitura de material impresso, permitiu ser acionado por leitores com habilidades diferentes e foi construído com baixo custo de materiais, cerca de R$ 171,55".

Com o auxílio de um cuidador, inicialmente o material de leitura é ajustado na base no protótipo e preso nas laterais por presilhas fixadas nesta base.

"Seleciona-se um acionador adequado às habilidades do usuário, como por exemplo acionadores controlados por movimentos da cabeça, das mãos, dos pés ou de outra parte do corpo", descreve a pesquisadora. "Posiciona-se o acionador próximo ao usuário e o mesmo controla o momento em que se deseja folhear a página do material".

Virador de páginas

Leve, portátil e com interface simples de utilização, o protótipo do virador de página apresentou bom nível de efetividade com relação aos custos.

"É possível folhear o material do sentido da direita para a esquerda e mantê-lo aberto no campo de visão do usuário, sem emitir ruídos que interfiram na leitura", conta Samira. "O sistema pode ser controlado por meio de acionadores adequados às habilidades dos leitores com deficiência física com habilidades diferentes".

Concluídos os ajustes do mecanismo do sistema, a terapeuta ocupacional pretende realizar novos testes de bancada e com usuários.

"Também há planos para desenvolvimento do produto e comercialização, mas ainda não foram desenvolvidos contatos com empresas interessadas", aponta. "A meta é que o virador chegue até o usuário final".

Sistema neuromuscular

Samira lembra que pessoas acometidas por enfermidades que afetam o sistema neuromuscular apresentam alterações no controle motor dos membros superiores, que prejudicam a manipulação de materiais de leitura impressos, como livros, revistas e jornais.

"Muitas vezes esta dificuldade na manipulação impossibilita a realização independente da leitura destes materiais, sendo necessário o auxílio de um cuidador para folheagem das páginas do material, ou do uso de um recurso de Tecnologia Assistiva", conclui.

Fonte: Diário da Saúde - São Paulo - SP, 28/04/2011

Teste rápido detecta autismo em bebês aos 12 meses de vida

Pesquisa propõe questionário que pode ser preenchido pelos pais durante consultas ao pediatra. Descoberta precoce permite melhorar sintomas do transtorno.

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 29/04/2011

Um teste com 24 perguntas, que pode ser respondido em cinco minutos, identifica os primeiros sinais de autismo em crianças de um ano. É o que propõe um estudo financiado pelos National Institutes of Health dos EUA, publicado hoje no "Journal of Pediatrics".
A pesquisa, feita por neurocientistas da Universidade da Califórnia, recrutou 137 pediatras para aplicar o teste em 10 mil crianças na consulta dos 12 meses de idade. Os pais responderam ao questionário, com perguntas sobre gestos, compreensão e comunicação, e os pediatras avaliavam as respostas.

Ao todo, 184 das crianças que pontuaram abaixo da média foram acompanhadas nos meses seguintes. Delas, 32 receberam o diagnóstico precoce de autismo. Segundo a pesquisa, isso corresponde a 75% de acerto no diagnóstico, levando em conta outros distúrbios, como atraso no desenvolvimento e na linguagem, também detectados pelo teste.

DIAGNÓSTICO

O autismo afeta o desenvolvimento da criança e compromete áreas como a sociabilidade. Quanto mais tardio o diagnóstico, piores as perspectivas de melhora. Na média, os casos demoram a ser detectados, segundo o psiquiatra Marcos Mercadante, da Unifesp. "No Brasil, o diagnóstico geralmente é dado quando a criança já tem cinco anos e perdeu muita oportunidade de ter uma melhora", diz.

Se o problema for apontado cedo, tratamentos como terapia comportamental, para estimular áreas do cérebro afetadas, são mais eficazes. Para o psiquiatra Estevão Vadasz, coordenador do ambulatório de autismo do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, a ferramenta pode ser útil principalmente na rede pública.

"Um pediatra de posto de saúde atende centenas de crianças. Não há tempo para fazer uma triagem adequada e encaminhar ao psiquiatra." Para ele, é importante que o pediatra assuma essa tarefa. "É ele quem tem o primeiro contato com a criança." Mas Vadasz ressalva que alguns sintomas só aparecem após os 18 meses. "O ideal seria repetir o teste depois."

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/Site externo. 28/04/2011

Mercado de Trabalho

O senador Lindbergh Farias acredita ser necessário aumentar a fiscalização nas empresas para que a Lei de Cotas de Deficientes.

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 29/04/2011

O senador Lindbergh Farias acredita ser necessário aumentar a fiscalização nas empresas para que a Lei de Cotas de Deficientes (Lei 8.213) seja cumprida no país. O senador, que é presidente da Subcomissão Permanente das Pessoas com Deficiência, explicou que a Lei determina que empresas com mais de 100 funcionários mantenham em seus quadros de 2% a 5% de trabalhadores com algum tipo de deficiência. “No Brasil, cerca de 14% da população é composta por deficientes. Desse total, apenas 1% está empregada. É como se os deficientes do país vivessem sempre no final da fila. Temos de encontrar uma forma de fazer cumprir a legislação”, afirmou Farias.

Com o objetivo de discutir os principais entraves que afastam os deficientes físicos do mercado de trabalho, a audiência pública mostrou a complexidade do problema. Reunindo representantes do empresariado, Ongs e governo, o debate apresentou as diversas visões do problema.

A falta de capacitação profissional foi citada pelo representante da Confederação Nacional do Trabalho, Flávio Benatti.Segundo ele, 60% dos deficientes brasileiros não possuem nível de escolaridade para o enquadramento no mercado de trabalho, o que foi contestado pelo presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade), Moisés Bauer. Para ele, a questão está mais ligada ao preconceito dentro das empresas privadas e públicas do que à falta de infraestrutura.

“Um das justificativas para não contratar deficientes visuais, por exemplo, é a falta de banheiros adaptados. Para quê um cego precisa de um banheiro adaptado?”, questionou Bauer, acrescentando que a desobediência à Lei de Cotas está presente tanto no governo como nas empresas privadas.

Para aumentar a qualificação dessa fatia da sociedade, o senador Lindbergh Farias afirmou que fará gestões, junto à presidenta Dilma Rousseff, para incluir ações específicas que atendam os deficientes físicos no Programa Nacional de Acesso à Escola Técnica (Pronatec). O Programa, que será lançado nesta quinta-feira (28), visa à ampliação do caminho de acesso à educação profissional para jovens do ensino médio e trabalhadores sem formação.

Fiscalização

Enquanto a Lei de Cotas estabelece que as empresas com mais de 100 funcionários mantenham entre 2% a 5% de deficientes em seus quadros, esse índice não passa de 0,45% no setor privado. No governo, esse percentual cai para 0,30%. “A desobediência provocada pela falta de fiscalização”, afirmou o senador Lindbergh Farias. Por outro lado, o número insuficiente de auditores fiscais do trabalho foi apontado como um fator que dificulta a fiscalização, argumentou representantes do Ministério do Trabalho e Emprego.

Outro problema apontado entre os que afastam os deficientes do mercado de trabalho é previdenciário. “O medo de perder a pensão pela morte dos pais ou o Benefício de Prestação Continuada da Previdência Social acaba afastando essas pessoas do mercado. Mesmo que o contrato seja temporário”, explicou o senador.

O assunto será analisado na audiência pública com o ministro da Previdência Social, na semana que vem (05/05), que já estuda uma saída para o problema.

(Lei 8213:http://www.planalto.gov.br/ccivil/leis/L8213cons.htm)

Fonte: http://www.senado.gov.br/ - 28/04/11

Mesmo com a alta rotatividade, 68% das empresas consideram desempenho de pessoas com deficiência igual ao dos outros

O turn over de profissionais com deficiência chega a 80% no mercado de trabalho nacional, segundo revela pesquisa intitulada “Inclusão de Profissionais com Deficiência – Fatos e Dados” realizada pela Plura Consultoria e Inclusão Social.

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 29/04/2011
A plura consultoria é uma empresa que trabalha com a capacitação, colocação e retenção de talentos no mercado de trabalho. O público são as pessoas com deficiência que buscam uma oportunidade e as empresas que necessitam se adequar à lei de cotas
O levantamento, que ouviu 71 empresas de diversos setores, apurou ainda que para 58% dos entrevistados este turn over é o mesmo se comparado aos demais funcionários; enquanto que para 42% ele é maior do que a rotatividade dos outros trabalhadores.
Mesmo com a alta rotatividade, o desempenho dos colaboradores com deficiência é considerado semelhante ao de outros funcionários por 68% dos entrevistados; 26% julgam a performance aquém, enquanto 6% a avaliam como superior.

Retenção
Ainda de acordo com o estudo, a falta de um plano de retenção para pessoas com deficiência pode ser um dos motivos do alto turn over destes profissionais, visto que apenas 6% das empresas possuem este tipo de ação.
"Entendemos que muitas empresas focam seus trabalhos em contratar e muito pouco esforço é despendido para mantê-los na organização”, explica o CEO da Plura, Alex Vicintin.

Lei
De acordo com a Lei de Cotas (8.213/91) e o Decreto 3.298/89, as empresas que possuem entre 100 e 200 funcionários devem ter em seu quadro de colaboradores 2% de pessoas com deficiência; entre 201 e 500, 3%; de 501 a 1000; 4%; e de 1001 em diante, 5%.
Segundo pesquisa conduzida pelo economista Vinícius Gaspar Garcia, se for levada em conta a faixa etária produtiva, de 15 a 59 anos, e os critérios técnicos-jurídicos que estabelecem quem tem uma deficiência, existem no Brasil cerca de seis milhões de pessoas com deficiência.
Contudo, conforme dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), o número de pessoas com deficiência contratadas formalmente era de 290 mil em 2009, sendo que, conforme estimativas, o estado de São Paulo empregaria 10% de sua população com deficiência e o Brasil, apenas 5%. “Isso dá uma ideia do abismo que ainda existe entre aqueles que estão trabalhando e os que poderiam estar no mercado formal”, diz Garcia.

Dificuldade
No que diz respeito às dificuldades encontradas pelas empresas na hora de contratar pessoas com deficiência, o estudo da Plura Consultoria indica:

•Baixa qualificação/ experiência dos candidatos – 36,1%;
•Resistência dos gestores em aceitar pessoas com deficiência em sua equipe – 27,7%;
•Dificuldade em recrutar diante dos critérios do processo seletivo – 19,4%;
•Falta de engajamento na equipe – 11,1%.

Fonte: www.portaldeacessibilidade.rs.gov.br e www.plura.com.br - 28/04/2011

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Deficientes – Parte 1

O programa A Liga retratou as dificuldades encontradas por PcD´s

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 28/04/2011

Rafinha Bastos
Thaíde
Sophia Reis 
Débora Villalba
mostram a luta dos cerca de 25 milhões de brasileiros que possuem algum tipo de deficiência e querem seu lugar na sociedade.












Assistam o video:
http://www.band.com.br/aliga/conteudo.asp?id=100000425142&m=2c9f94b62f921a2d012f94ae04a7026e#Episodio

Quadro da MTV satiriza autistas; Ministério Público vai investigar

Casa dos Autistas fazia uma alusão ao programa Casa dos Artistas; emissora diz que errou e pede desculpas aos pais.
Fernanda Bassette - O Estado de S.Paulo - 27 de abril de 2011

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 28/04/2011

Um jovem corre de um lado ao outro, uma moça grita compulsivamente em frente ao espelho e outro aparece jogado inerte no canto da sala. Eles são atores tentando representar pessoas com autismo. O quadro Casa dos Autistas foi veiculado no programa Comédia da MTV e provocou polêmica e reações.
Ontem, o Ministério Público Federal de São Paulo instaurou um procedimento para investigar o quadro que durou cerca de três minutos e fazia uma alusão ao Casa dos Artistas. O programa foi ao ar no dia 22 de março.
"Foi uma manifestação de mau gosto e de completa ignorância sobre o assunto. Retratou o autista como um completo idiota, um imbecil. Um total desserviço", diz o psiquiatra Estevão Vadasz, coordenador do Programa de Autismo do Instituto de Psiquiatria da USP.
Segundo Vadasz, estima-se que o autismo atinja 1 em cada 110 crianças. "Fiquei chocado com o que vi porque, aparentemente, essas pessoas possuem algum nível de instrução."
Mãe de uma moça com autismo e vice-presidente da associação Autismo e Realidade, Paula Balducci de Oliveira soube do programa pela repercussão na internet. Diz que a filha assistiu ao vídeo, não se manifestou verbalmente, mas ficou com os olhos cheios de lágrimas.
"O programa vai contra tudo aquilo que lutamos diariamente: para acabar com o rótulo e com o preconceito. Como mãe senti revolta e tristeza. Como associação, faço um convite para que o programa conheça a causa e informe os jovens corretamente."
Carolina Dutra Ramos, coordenadora pedagógica da Associação de Amigos do Autista, diz que as mães estão revoltadas. "Fizeram uma chacota com um problema tão sério, que traz sofrimento às famílias. Foi uma total falta de respeito", diz.
Zico Goes, diretor de programação da emissora, reconheceu o erro e pediu desculpas às famílias. De acordo com ele, ontem mesmo entraria no ar um pedido de desculpas por escrito, antes de o Comédia começar.
Além disso, para minimizar a repercussão negativa, a emissora fará hoje uma reunião com a associação de familiares para ouvir as reclamações e traçar uma maneira de reverter o problema.
"Erramos e vamos tentar compensar de alguma maneira. Extrapolamos o limite do humor, que ficou sem graça, ficou grosseiro. A nossa ideia é fazer campanhas de esclarecimento ao longo da programação", afirmou.

Repercussão negativa
ZICO GOES
DIRETOR DE PROGRAMAÇÃO DA MTV
"Percebemos que pisamos na bola, mas o estrago já está feito. Tiramos o quadro da reprise."

Fonte:
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110427/not_imp711326,0.php

São Paulo fará primeiro censo de pessoas com deficiência

Prefeitura busca mais informações para melhorar as políticas públicas para os deficientes.
Marina Pita

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 28/04/2011

A Prefeitura da cidade de São Paulo anunciou durante a Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade (Reatech) que iniciará o primeiro censo de cidadãos com deficiência e mobilidade reduzida. "Este levantamento será importante para aperfeiçoar as políticas públicas para este segmento da população, inclusive direcionando melhor a oferta de serviços", afirmou Marcos Belizário, titular da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida.

O censo será realizado a partir de um questionário a ser enviado pelos Correios e também estará disponível no site da prefeitura e nas Praças de Atendimentos nas subprefeituras. Serão coletadas informações como o tipo de deficiência, a região de moradia, idade, escolaridade, condições socieconômicas e vínculo a serviços públicos.

O questionário foi construído ao longo de 2010, a partir de contribuições de entidades civis e instituições de assistência social ligadas aos diferentes tipos de deficiência. Ainda, fizeram parte do processo de idealização do censo o Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência e o Conselho Municipal do Idoso.

As 2,4 milhões de residências inscritas no cadastro de contribuinte do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) receberão o questionário com porte-pago, ou seja, a devolução pode ser feita sem qualquer custo para o respondente. De acordo com a Prefeitura, para alcançar os domicílios não regularizados, serão firmadas parcerias com outros setores do serviço público, como os técnicos do Programa Saúde da Família e dos programas de assistência social, para auxiliar a divulgação do censo.

Atualmente existem no Estado de São Paulo 246,6 mil pessoas com deficiência, sendo que apenas 43,5% estão empregadas, conforme levantamento realizado pelo Espaço da Cidadania utilizando dados da Relação Anual de Informações Sociais em 2009, último divulgado.

Fonte: Jornal do Brasil - São Paulo - SP, 27/04/2011

Unilever está com 123 vagas abertas para pessoas com deficiências

O contratado ocupará a função de promotor. Oportunidades são em todo o Brasil.

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 28/04/2011

A Unilever está com 123 vagas abertas em todo o Brasil. A vaga é para ocupar a função de promotor.



Os interessados devem enviar seus currículos para o e-mail unilever@isocial.com.br.

Promotor - Brasil

Pré-Requisitos:

Boa comunicação, atenção, organização.

Descrição das atividades:

Determinar mercadorias a serem estocadas, estocar de acordo com as exigências, assegurar que todas as linhas estejam expostas, monitorar nível de estoque, remover os produtos da gôndola, monitorar os vendedores, reabastecimento, manter a área de trabalho limpa e organizada.

Outras informações:

Local de trabalho: vagas para todas as regiões do Brasil.
Escolaridade: Ensino médio completo
Salário: R$ 940,00.
Benefícios: Assistência médica e odontológica, seguro de vida, VT, plano de previdência.

Fonte: http://www.vidamaislivre.com.br/noticias/noticia.php?id=3228&/unilever_esta_com_123_vagas_abertas_para_pessoas_com_deficiencias
27/04/2011

Projetos de estádios para a Copa 2014 não atendem decreto sobre acessibilidade.

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 28/04/2011

A acessibilidade nos estádios que receberão jogos da Copa do Mundo de 2014 norteou os debates da reunião do GT Inclusão de Pessoas com Deficiência, da Procuradoria Geral da Repúlica. O conselheiro federal Kleber dos Santos participou da reunião como convidado. Na ocasião, ele informou aos presentes sobre as audiências públicas “Confea/Crea em Campo”, que estão sendo realizadas nas cidades-sede da Copa, e que são precedidas por ações de fiscalização preventiva e integrada, nas quais é observado o cumprimento da legislação brasileira no tocante à acessibilidade. Os membros do GT manifestaram interesse em participar das próximas audiências.
O debate central na reunião foi sobre os projetos dos estádios e o atendimento ao Decreto nº 5296/2004, que regulamenta a legislação sobre prioridade ao atendimento às pessoas com deficiência e sobre normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. A maioria dos presentes é da posição de que os projetos dos estádios têm de cumprir o decreto, enquanto que os representantes do COL – Comitê Organizados da Copa do Mundo de 2014 – alegam que a adaptação dos projetos ao decreto pode causar transtornos como aumento dos custos e não atendimento dos prazos. A proposta do COL é de colocar assentos especiais nos pavimentos inferiores e térreos.
O representante do Ministério do Esporte, Luciano Portilho Mattos, informou que posição do Ministério é que se cumpra a legislação, uma vez que, inclusive, há artigos específicos sobre acessibilidade no Estatuto do Torcedor. Segundo ele, a aprovação dos projetos dos estádios sem que cumpram o disposto no decreto significa uma “afronta”. O artigo 23 do decreto estabelece que pelo menos dois por cento da lotação de estabelecimentos como teatros, cinemas, auditórios e, inclusive, estádios e ginásios de esportes, devem ser destinados a pessoas com cadeiras de rodas e distribuídos pelo recinto em locais diversos, de boa visibilidade, próximos a corredores sinalizados.
A coordenadora-geral de Acessibilidade da Subsecretaria Nacional da Pessoa com Deficiência (SNDP) (vinculada à Secretaria de Direitos Humanos), Ângela Carneiro da Cunha, citou que o Fórum da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) discutiu e entendeu que o percentual de dois por cento para pessoas em cadeiras de rodas previsto no decreto pode ser compreendido como um por cento para o cadeirante e um por cento para o acompanhante. Ela destacou que a posição da Secretaria é também para o atendimento e serviços de apoio para pessoas com outros tipos de deficiência, não exclusivamente referente à mobilidade.
Já o presidente do Conade – Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência -, Moisés Bauer Luiz, destacou sua discordância com a proposta de interpretação normativa da ABNT. Na visão dele, o decreto é claro em atribuir os dois por cento para pessoas em cadeira de rodas. Para ele, a única alternativa seria reformular o decreto diminuindo esse percentual no caso de estádios de futebol. O presidente do Conade disse acreditar que o Conselho não vetaria um percentual menor na legislação, desde que a acessibilidade plena fosse respeitada.
O decreto estabelece: “Art. 23. Os teatros, cinemas, auditórios, estádios, ginásios de esporte, casas de espetáculos, salas de conferências e similares reservarão, pelo menos, dois por cento da lotação do estabelecimento para pessoas em cadeira de rodas, distribuídos pelo recinto em locais diversos, de boa visibilidade, próximos aos corredores, devidamente sinalizados, evitando-se áreas segregadas de público e a obstrução das saídas, em conformidade com as normas técnicas de acessibilidade da ABNT.”
Os representantes COL, no entanto, argumentam que a implantação da acessibilidade é complexa. Fábio Carvalho e Thiago Pelakauskas consideram o índice de dois por cento muito elevado. Eles ressaltaram a inviabilidade da adaptação dos projetos ao que estabelece o decreto, o que aumentaria os custos das obras em andamento e alteração nas licitações. Também destacaram a necessidade de se adaptar os meios de transporte que servem os estádios com os mesmos percentuais estabelecidos. Presente à reunião, a gerente de Projetos do Ministério das Cidades, Magda Hennes, informou que o Pró-Transporte (programa de financiamento com recurso do FGTS) contempla acessibilidade. Além disso, ela disse que, projetos de infraestrutura viária devem estar de acordo com o Decreto nº 5296/2004 e com normas da ABNT.
O GT aguarda uma manifestação oficial do Conade, que balizará o posicionamento do Ministério Público Federal (MPF), e solicita ao COL que seja estudada a inclusão dos dois por cento de assentos para cadeirantes nos projetos dos estádios.

Fonte: Confea

(http://rodrigo-silveira.blogspot.com/2011/04/projetos-de-estadios-para-copa-2014-nao.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+ReflexoSobreRodas+%28REFLEX%C3%83O+SOBRE+RODAS%29)

CNH PARA DEFICIENTES FÍSICOS

CNH PARA DEFICIENTES FÍSICOS Confira aqui quais são os procedimentos necessários para a obtenção da Carteira de Habilitação Especial.
Juliana Kataoka
Assessoria de Comunicação DETRAN-SP
imprensa@detran.sp.gov.br

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 28/04/2011


Na cidade de São Paulo, apenas no ano de 2006, aproximadamente 51 mil pessoas obtiveram Carteira Nacional de Habilitação Especial, um documento que facilita a locomoção de pessoas com algum tipo de deficiência.

A Carteira Nacional de Habilitação (CNH) pode ser adquirida por qualquer pessoa que consiga passar nos exames necessários. Inclusive o candidato portador de algum tipo de limitação física, que não interfira na capacidade de dirigir, pode conduzir normalmente, desde que o veículo seja adaptado.

“As pessoas com deficiência normalmente não sabem dos benefícios que podem ter. Eu tirei uma carteira que constata minha situação e faço minhas atividades com comodidade”, conta Olívia Sanches, 35 anos, que perdeu o movimento de uma das pernas devido a um acidente automobilístico, mas que dirige normalmente pela cidade.

Segundo Maria Luisa de Silva Aguiar, responsável pelo setor de Habilitação Especial do DETRAN-SP, os problemas variam muito. “Tem desde pessoas com paralisia, membros amputados, pessoas de idade mais avançada com problemas nas articulações, até vítimas de câncer de mama, por exemplo, que tiveram o seio retirado e o médico recomenda que não se faça esforço excessivo para que nódulos não reapareçam”.

PROCEDIMENTOS

Para requerer a CHN Especial é necessário ter 18 anos completos, ser alfabetizado, apresentar original e cópia do RG e CPF, cópia do comprovante de residência e uma foto 3x4 colorida com fundo branco. A única diferença em relação à obtenção da carteira de habilitação normal é uma junta de médicos que examina a extensão da deficiência e desenvoltura do candidato.

Providenciados os documentos necessários, o solicitante deve procurar uma clínica credenciada autorizada a realizar o exame médico e psicotécnico especial para deficientes (lista disponível em www.detran.sp.gov - Endereços – Clínicas). De posse do resultado do exame médico, fazer a matrícula em um Centro de Formação de Condutores (CFC) credenciado e realizar o exame teórico no DETRAN.

Para a realização do exame prático, procure uma auto-escola ou CFC que possua o veículo adaptado para o tipo de deficiência constatada (lista disponível em www.detran.sp.gov.br - Endereços – C.F.C.). Nessa fase do processo, o candidato recebe orientação e treinamento adequados. Os exames práticos podem ser feitos as terças e quintas, às 14h, na Av. Aricanduva, 5555 – Aricanduva, atrás do Shopping Aricanduva.

Antes do exame prático, o carro é vistoriado por um médico perito que checa se as adaptações estão de acordo com a deficiência constatada. Na CHN Especial está especificada a adaptação necessária para que o deficiente dirija em segurança.

ALTERAÇÃO NA CHN

A maioria das carteiras especiais emitidas não está em sua primeira via. O que mais acontece são pessoas que já possuem habilitação que são acometidas posteriormente por algum tipo de deficiência. Em casos como esse é necessário que o condutor faça o mais rápido possível a alteração de sua CNH.

O processo exige um novo exame médico e prático que irá avaliar se o motorista é apto a dirigir nesta nova situação. O deficiente que circula com a carteira desatualizada pode ser multado, responder criminalmente por acidentes e ter sua carteira de habilitação apreendida.

ISENÇÃO DE TRIBUTOS

A condição de deficiente físico permite isenções de tributos na compra de veículos. Sérgio Rodrigues, 48 anos, taxista, é um dos beneficiados. “Poucas pessoas estão informadas sobre esse benefício. É uma grande facilidade para quem precisa de carro e é portador de deficiência”.

Com a CNH Especial em mãos, o condutor deve requerer em uma clínica credenciada autorizada a realizar o exame médico (lista disponível em www.detran.sp.gov - Endereços – Clínicas) a emissão de um laudo para isenção e na Delegacia da Receita Federal uma Certidão Negativa de Tributos e Contribuições Federais.

Para mais informações orientamos que o interessado procure a Delegacia da Receita Federal e a Secretaria da Fazenda.

DETRAN

Além de um setor que cuida exclusivamente da Carteira Especial de Habilitação, o DETRAN-SP possui instalações adaptadas para proporcionar atendimento eficiente aos portadores de deficiência física.

FONTE site do DETRAN Departamento Estadual de Trânsito do Estado de São Paulo http://www.detran.sp.gov.br/noticias/20070320.asp

(http://movimentoinclusaoja.blogspot.com/2011/04/cnh-para-deficientes-fisicos-confira.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+MovimentoInclusoJ+%28MOVIMENTO+INCLUS%C3%83O+J%C3%81%29)

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Novo passo contra cegueira

Pesquisadores americanos conseguem, usando células-tronco do próprio paciente, regenerar estruturas da retina atingidas pela degeneração macular.
da Redação.

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 27/04/2011

A cura para a cegueira provocada pela degeneração da mácula pode estar no organismo do próprio paciente. Pela primeira vez, um estudo mostrou ser possível regenerar as estruturas danificadas em decorrência da idade a partir de células-tronco adultas. Publicada no jornal especializado Stem Cells, a pesquisa do Centro Médico da Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos, abre a possibilidade de se criar novas células da retina derivadas de estruturas pluripotentes induzidas, aquelas que são manipuladas para se transformarem em qualquer tipo de tecido.

Principal causa de deficiência visual e de cegueira em todo o mundo, a degeneração macular relacionada à idade (DMRI) tem duas formas predominantes: seca e úmida. A primeira é a mais comum, respondendo por quase 90% dos casos. A doença destrói gradualmente a visão central, necessária para visualizar objetos de forma clara e executar tarefas cotidianas, como ler e dirigir. O avanço ocorre com a morte do epitélio pigmentar da retina, camada escura que alimenta as células do olho.

Embora alguns tratamentos possam ajudar a retardar sua progressão, não há cura para o mal. A descoberta de que células-tronco pluripotentes induzidas (Hips) são capazes de regenerar o epitélio abre caminho para novas terapias, que utilizem células-tronco do próprio paciente na fabricação de um novo tecido para os olhos. Cientistas já imaginavam que isso fosse possível, mas a viabilidade do transplante estava associada à capacidade de os pesquisadores entenderem como células retiradas do paciente poderiam ser reprogramadas para adquirirem as mesmas características do epitélio pigmentar da retina.

A pesquisa realizada pelos cientistas da Universidade de Georgetown mostrou que essa etapa crítica da medicina regenerativa progrediu bastante.

— Essa é a primeira vez que células pluripotentes induzidas foram produzidas com características e funcionamento iguais aos das células que compõem o epitélio pigmentar da retina — disse Nady Golestaneh, professora assistente de Bioquímica Molecular e principal autora do estudo.

Usando uma linhagem de células estaminais — aquelas cuja função ainda não foi estabelecida pelo organismo —, Nady e sua equipe constataram que, reprogramadas, essas estruturas têm fisiologia e funcionamento idênticos aos de um epitélio pigmentar natural.

— A pesquisa ainda não está pronta para ser colocada em prática. Também identificamos algumas questões que precisam ser trabalhadas antes que essas células estejam prontas para o transplante. Mas, no geral, o estudo é um passo enorme na medicina regenerativa — diz.

Outro teste

- As células-tronco embrionárias também são cotadas como terapia potencial para a cura da degeneração macular relacionada à idade.

- Em janeiro deste ano, a empresa americana Advanced Cell Technology recebeu autorização da Food and Drug Administration (FDA), o órgão de vigilância sanitária dos Estados Unidos, para realizar testes clínicos com células epiteliais pigmentares da retina derivadas de estruturas embrionárias humanas.

- A primeira fase do estudo não se destina a investigar a eficácia do tratamento, mas a segurança e a tolerância dos pacientes às células-tronco. Doze pessoas provenientes de diferentes centros clínicos vão participar.

Por que é importante

- Segundo Robert Lanza, diretor científico da ACT e responsável pelo estudo, com o envelhecimento da população, a incidência da DMRI deverá dobrar nos próximos 20 anos, tornando ainda mais necessárias as pesquisas que visam curar esse mal.

Fonte: Zero Horas - Porto Alegre - RS, 26/04/2011 - Imagem Internet

Cid Torquato: O Desenho Universal na Aviação

Cadeirantes sofrem no dia a dia dos aeroportos.
da Redação

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 27/04/2011

O acidente que envolveu um aposentado cadeirante durante o desembarque no aeroporto de Congonhas, na capital paulista, nos alerta para a carência de informação e de treinamento adequados no atendimento prestado pelos aeroportos brasileiros às pessoas com deficiência.

Estas pessoas passam por diversos constrangimentos que poderiam ser evitados caso a Resolução n° 9, de 2007, da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), fosse cumprida. Ela estabelece, por exemplo, que empresas aéreas disponibilizem veículos equipados com elevadores e, fundamental, que ofereçam aos funcionários programas de treinamento para que aprendam a lidar com pessoas com deficiência.

Embora muitas vezes não sejam cumpridos, os procedimentos básicos necessários aos cadeirantes são simples. O usuário de cadeira de rodas tem o direito de ficar com sua cadeira até chegar à porta do avião, onde é transferido para uma cadeira de rodas específica para circulação interna na aeronave até o assento designado, que deve estar, preferivelmente, na primeira fileira da cabine e classe a que tem direito.

A exigência de que o passageiro com deficiência sempre esteja com sua cadeira de rodas não é uma frivolidade, mas, sim, um requisito fundamental contra acidentes e lesões causadas por equipamentos inadequados.

Não resta outra conduta às companhias aéreas a não ser se adequarem, treinarem seus funcionários e cumprirem as normas. Contudo, como precaução, as pessoas com deficiência podem visitar o site da ANAC e imprimir o regulamento, para tê-lo à mão em caso de dúvidas ou recusa no cumprimento dos procedimentos necessários.

Não se pode abrir mão do tratamento adequado para todas as pessoas, tenham elas deficiência ou não. O caos aéreo, que recorrentemente atinge nossos aeroportos, é a face mais visível do que a falta de atenção com cada um dos passageiros pode acarretar. Ao garantirmos que as pessoas com deficiência sejam devidamente atendidas, estaremos dando um passo importante para que todos sejam tratados como devem. Tratados como cidadãos.

Cid Torquato é coordenador de Relações Institucionais da Secretaria do Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência

Fonte: Portal Itu - Itu - SP, 26/04/2011

Direitos respeitados

Artigo de Claudia Dutra, publicado no jornal O Globo.
da Redação

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 27/04/2011

A educação inclusiva diz respeito a um conceito amplo que compreende o acesso, a participação e a aprendizagem de todos os estudantes. Esta perspectiva rompe com o modelo homogêneo de organização do ambiente escolar, implicando mudança das práticas pedagógicas e de gestão para promover respostas às necessidades específicas dos estudantes. O direito a um sistema educacional inclusivo é assegurado pela Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (ONU, 2006), que estabelece o compromisso com a adoção de medidas de apoio necessárias no âmbito da educação regular. Assim, a inclusão escolar deixa de ser uma possibilidade para tornar-se um direito dos estudantes com deficiência, garantindo acesso a recursos e serviços específicos em ambientes que maximizem seu potencial acadêmico e social.

A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008) define a educação especial como modalidade transversal aos níveis de ensino, responsável pelo Atendimento Educacional Especializado (AEE), complementar à formação dos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação. O decreto 6.571/2008 estabelece, no âmbito do Fundeb, o financiamento à dupla matrícula desses estudantes, na educação regular e no AEE. A política de acessibilidade se expande no país com: implantação de mais de 24 mil salas de recursos multifuncionais para o AEE, em 83% dos municípios; apoio à acessibilidade arquitetônica; formação continuada de professores; disponibilização de livros em formatos acessíveis e laptops aos estudantes cegos; a criação do curso de Pedagogia Bilíngue - Libra/Língua Portuguesa no Instituto Nacional de Surdos e a Graduação em Letras/Libras; modernização do parque gráfico do Instituto Benjamin Constant; apoio aos núcleos de acessibilidade nas instituições de ensino superior; e a realização do Exame Nacional de Certificação para o Ensino e a Tradução/Interpretação de Libras. Destaca-se, ainda, o acompanhamento do acesso e permanência na escola dos estudantes com deficiência, com ações intersetoriais de identificação e eliminação de barreiras, ampliando o acesso à escola de 21% (2007) para 53% (2010).

A educação especial passa a integrar o projeto político pedagógico das escolas regulares, disponibilizando apoio específico a estudantes e orientação às estratégias pedagógicas e de acessibilidades em sala de aula. A realidade educacional se altera com avanços em todas as etapas e modalidades da educação básica e superior. De 2002 a 2010, a inclusão escolar passa de 110.704 (25%) matrículas para 484.332 (69%) e o número de escolas inclusivas cresce de 17.164 (8%) para 85.090 (44%). O Brasil não ignora o direito que as pessoas com deficiência alcançaram com a Convenção (ONU/2006) e a conquista desta geração, que define a deficiência como parte da diversidade humana e não mais aceita a segregação. O eixo estruturante da inclusão constrói valores humanos que não reforçam fronteiras entre "iguais" e "diferentes" e traduzem a concepção emancipatória da valorização das diferenças. Nosso compromisso como gestores e educadores é construir políticas públicas que representem a caminhada da educação inclusiva, superando os atos de benevolência e investindo na qualificação da escola pública.

Claudia Pereira Dutra é secretária de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad/MEC)

Fonte: O Globo - Rio de Janeiro - RJ, 26/04/2011- Imagem Internet

Prefeitura e FIESP discutem Teletrabalho e Empregabilidade de Pessoas com Deficiência

Visto como opção prática para trabalhadores com deficiência, o teletrabalho também pode contribuir para o isolamento social dessas pessoas ou servir para que empresas cumpram a lei de cotas sem promover uma verdadeira inclusão.
da Redação

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 27/04/2011
Para debater o futuro, riscos e vantagens dessa forma de relação profissional, a Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo promovem dia 3 de maio, o 1º Seminário de Teletrabalho na Cidade de São Paulo.

Trabalhar em casa, mas com carteira assinada, é a aspiração de muitas pessoas e já é realidade para milhares de brasileiros. Não há estatísticas sobre qual percentual desses trabalhadores é composto por pessoas com deficiência, mas é inegável que esta pode ser uma boa opção para um segmento que tem restrições de mobilidade.

Polêmica

Mas engana-se quem imagina que as vantagens do teletrabalho sejam consenso junto a este público e especialistas em inclusão profissional. O temor é de que exercer as atividades fora da empresa – sobretudo para quem está em seu primeiro emprego – dificulte a integração social e profissional da pessoa com deficiência.

Outra crítica é no sentido de que o teletrabalho seja utilizado por algumas empresas para não promover a inclusão proposta na chamada lei de cotas, que determina a obrigatoriedade de contratação de profissionais com deficiência por empresas com mais de cem funcionários, num percentual de 2% a 5%, conforme seu porte.

Afinal, para receber este contingente, muitas vezes a empresa tem de promover adequações físicas em suas instalações – substituir degraus por rampas, trocar mobiliário ou adquirir softwares e outros recursos de tecnologia assistiva. Se puder deixá-los trabalhando em casa, a empresa cumprirá a lei sem ter que se preocupar com todas essas questões.

Opção

Adriano Bandini, coordenador de Projetos de Inclusão da SMPED, destaca que o seminário pretende analisar os dois aspectos do tema, para construir um caminho que não inviabilize a adoção do teletrabalho, mas que também não signifique um estímulo à exclusão. “O teletrabalho pode ser algo bem interessante, desde que seja uma opção da pessoa com deficiência e não uma imposição do empregador“.

O evento conta com o apoio da Associação Comercial da São Paulo, Associação Brasileira de Telesserviços, Beca e-Work, Sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividades, Conselho Regional de Administração, Business School São Paulo, Associação Brasileira de Recursos Humanos/SP.

Programação:

9h – Abertura
10h - O Teletrabalho no contexto da organização
11h - O Teletrabalho e a inclusão das pessoas com deficiência e mobilidade reduzida
11h30 - O teletrabalho, sua regulamentação e oportunidades para pessoas com deficiência
12h30 – Debates
14h – Salas temáticas (limite de 30 inscritos por sala):
·Educação à distância: alavancando o teletrabalho
·Caso de sucesso
·Teletrabalho: uma solução sustentável para a mobilidade urbana
·Teoria de valor do teletrabalho e suas perspectivas

Fonte: Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência
São Paulo - SP, 26/04/2011 - Imagem Internet

Estilista busca espaço no mercado com grife para pessoas com nanismo

Estilista Carina Casuscelli, de 32 anos, investe nas roupas desde 2008. Marca 'A moda está em baixa' teve 1º desfile em SP e busca entrar no Rio.

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 27/04/2011

É com a mistura de dois objetivos, o de criar uma grife lucrativa com o da luta pela “democracia dos corpos”, que a estilista paulista Carina Casuscelli, de 32 anos, investe para que sua marca de roupas “A moda está em baixa”, destinada a pessoas com nanismo, ganhe espaço no disputado mercado da moda.

“Essas pessoas são reais e precisam se vestir (...). Acompanho as dificuldades da vida das pequenas. Elas trabalham em empresas, são mulheres vaidosas, mas não há peças para elas”, diz a estilista, que chama as anãs de pequenas, por uma "preferência delas”, explica. Democracia dos corpos é, para a estilista, uma moda que inclua todos, e não apenas um determinado tipo de corpo. Na lista dos que sofrem com a atual "ditadura da moda", ela inclui também gordinhos e deficientes físicos. "O projeto não tem só o teor mercadológico. Há o conceito artístico muito forte", diz Carina, que também trabalha como atriz e figurinista.

Caminhada
O projeto começou há cerca de dez anos. Diante da escassez de modelos para o público com nanismo nas lojas, a estilista passou a customizar peças para duas amigas "pequenas". “Eu ia com elas nas lojas, ajudava a escolher os modelos e fazia a customização”.
Carina explica que a principal dificuldade em encontrar roupas para as anãs está no fato de elas terem corpos de mulher adulta, mas baixa estatura. "Não é só questão da confecção, elas têm também dificuldade de encontrar sapato. Roupa ainda tem customização, pode costurar, mas e sapato? Jeans também é bem difícil", afirma.
Diante da dificuldade das amigas de encontrar roupas apropriadas, o grupo passou a fazer manifestações nas ruas. O nome “A moda está baixa” surgiu como uma espécie de protesto. “Eu fiz uns vestidos bacanas e roupas com estampas legais para a manifestação". De acordo com ela, as estampas, que eram com caricaturas divertidas de anãs, começaram a fazer sucesso entre o público que não tem nanismo. "A partir daí, passei a ter encomendas das peças que tinha confeccionado. Estudantes do Brasil todo começaram a me procurar”, afirma.

De olho nos negócios
Por conta da procura pelas peças, a partir de 2008 a estilista começou a vislumbrar um potencial para o negócio. De lá para cá, a estilista diz ter encontrado muita dificuldade, principalmente pelo preconceito do mercado. “Como não há concorrência, você fica à margem. Não há refêrencias anteriores. Aí, você tem que tem que dar a cara a bater”, diz, afirmando que já recebeu muito não, principalmente na hora de buscar patrocínio para os desfiles. "Por nunca ninguém ter feito nada parecido antes, eles ficavam um pouco assustados."
Carina conseguiu realizar o primeiro desfile no ano passado, em São Paulo, após ganhar um prêmio por conta de seus trabalhos pela diversidade nas artes. Com o dinheiro que conseguiu, montou o desfile. "O tema da coleção foi inspirado nos cabarés", diz.
Para o segundo semestre deste ano, a estilista planeja uma segunda exibição no Rio de Janeiro. A ideia é montar um catálogo e passar a vender as peças em algumas lojas da capital fluminense. Por enquanto, os modelos são feitos apenas sob medida e por encomenda. A estilista estima já ter vendido cerca de 400 peças. De acordo com ela, os preços são variados. Vestido, por exemplo, sai de R$ 80 a R$ 130, dependendo do modelo.
De acordo com a estilista, com o avanço dos trabalhos as coisas estão começando a deslanchar. A busca por patrocinadores, agora para o evento no Rio, continua. “Alguns empresários que já me disseram 'não' uma vez estão me ligando de volta. Há uma mutação no mercado”, diz.
Para ela, um dos motivos para a mudança é a própria atenção que o mercado de uma forma geral tem dado, cada vez mais, para a diversidade social e para a acessibilidade.
Por enquanto, contudo, o projeto ainda não dá lucro e a estilista investe de 40% a 50% dos seus rendimentos mensais no negócio. O dinheiro vai para produção dos desfiles, contratação de pessoal, como costureiras, e as mercadorias para a confecção das peças.

Mercado
Outro desafio encontrado por Carina é a falta de dados oficiais sobre o nanismo no Brasil - não há estimativas oficiais sobre a incidência de anões no país. De acordo com o médico Décio Brunoni, coordenador do centro de genética médica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), de cada 6 a 8 mil recém-nascidos, um nasce com a espécie mais comum de nanismo, que é a acondroplasia.
Além disso, não há uma estatura média, mas costuma variar de 1,20 m a 1,40 m para os homens e de 1,10 a 1,30 para as mulheres, diz o médico.
“Nós somos pequenos do tamanho de uma criança e, ao mesmo tempo, não temos corpo de criança”, afirma a advogada Kenia Rio, de 46 anos, que é presidente da Associação de Nanismo do Estado do Rio de Janeiro. A entidade está participando da organização do desfile que Carina pretende fazer na capital fluminense neste ano.
Kenia disse que a possibilidade de ter roupas personalizadas é bem vinda. “Tenho muita dificuldade em encontrar peças. Se eu engordo, então, pior ainda. Sapato, eu não consigo comprar. Quando encontro, compro vários de uma vez só. Isso me dá tristeza muito grande”, conta.
Apesar de ser casada com um homem que não possui nanismo, a advogada diz que o filho herdou a alteração genética. Para ele, que é atleta, Kenia diz também ser difícil encontrar roupas, já que é forte, mas baixo.
Para Carina, apesar de o projeto ainda vislumbrar somente as mulheres, a ideia é, no futuro, estender as peças também para o público masculino. "Muitos trabalham em escritório e precisam procurar peças no alfaiate", diz.
A estilista, contudo, faz questão de lembrar que, apesar do foco mercadológico do projeto, nunca deixará de lado o conceito de protesto, iniciado com as manifestações. "As performances, isso para mim nunca vai deixar de existir", afirma.

Fonte: http://g1.globo.com
http://www.vidamaislivre.com.br/noticias/noticia.php?id=3213&/estilista_busca_espaco_no_mercado_com_grife_para_pessoas_com_nanismo

Marcelo Adnet e MTV se desculpam por fazer piada com autistas na TV

Após receber inúmeras críticas e ser acusado de apelar para o humor “politicamente incorreto”, o humorista recorreu ao Twitter e manifestou-se sobre o assunto.

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 27/04/2011

O quadro Casa dos Autistas, do programa Comédia MTV, está dando o que falar. A paródia do extinto reality show Casa dos Artistas (SBT) faz piadas com pessoas com autismo.

Após receber inúmeras críticas e ser acusado de apelar para o humor “politicamente incorreto”, o humorista Marcelo Adnet recorreu ao Twitter e manifestou-se sobre o assunto.

Para uma seguidora, o comediante disse que a ideia do quadro não foi sua.

- Desculpe, sempre fui contra esta cena, mas fui voto vencido. Não escrevi esta cena e não sou o diretor do programa.

Para outra usuária do microblog, Adnet disse que não pode se “responsabilizar sozinho” por algo que não fez.

- Não posso me responsabilizar sozinho por uma cena que não escrevi, não dirigi e sempre fui contra!

Fonte: http://www.marceloadnet.com.br - 26/04/2011
(Fonte: http://www.vidamaislivre.com.br/noticias/noticia.php?id=3220&/marcelo_adnet_e_mtv_se_desculpam_por_fazer_piada_com_autistas_na_tv)
Postado Portal MTV

É de total responsabilidade da MTV a exibição da esquete “Casa dos Autistas”, veiculada no dia 22/03/2011 no programa Comédia MTV.

Todo o elenco do programa, assim como sua equipe de roteiristas e produção, são contratados da emissora e a ela prestam serviço, inclusive o humorista Marcelo Adnet, que vem sendo apontado por alguns como único responsável pelo conteúdo do programa.

A MTV Brasil entende que a esquete “Casa dos autistas” ultrapassou limites aceitáveis do humor. Portanto, pedimos desculpas a quem quer que tenha se sentido ofendido pelo conteúdo exibido.

Já estamos articulando possíveis ações conjuntas com associações ligadas ao autismo para dar ao assunto o devido encaminhamento.

A MTV reforça ainda que, independentemente desse episódio, ao longo dos últimos 20 anos a emissora vem defendendo a inserção social de pessoas com deficiência de maneira séria e informativa.

Fonte: http://mtv.uol.com.br/programas/comedia/blog-0  26/04/2011

terça-feira, 26 de abril de 2011

A Liga vai às ruas vivenciar a realidade dos deficientes

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 26/04/2011

                                                                               Foto: Divulgação/Band
                  Rafinha Bastos sente na pele os obstáculos que atrapalham a vida dos deficientes físicos

No Brasil, existem 25 milhões de pessoas que possuem algum tipo de deficiência. Eles lutam por seu lugar na sociedade e querem provar que - mais do que deficientes - são eficientes. E que com muito esforço é possível viver uma nova vida. A Liga desta terça vivencia o dia a dia destas pessoas, que lutam para conquistar a própria liberdade.

Eles têm os mesmos direitos que qualquer cidadão, mas as leis que os protegem nem sempre são cumpridas. Carros atrapalhando acessos, lixo e buracos nas calçadas e a falta de solidariedade são o reflexo de uma sociedade que vira as costas para quem precisa. Rafinha Bastos, Sophia Reis, Débora Vilalba e Thaíde saem às ruas para viver um dia com aqueles que, com força de vontade, aprenderam a se virar em um mundo que não está preparado para recebê-los.

A Liga vai ao ar nesta terça, às 22h15!

Fonte: http://www.band.com.br/fiquedeolho/conteudo.asp?ID=470241 - 25/04/2011

Implicações, investidas e esforços para participar da Reatech

Relato de William Machado sobre a axperiência no transporte e na viagem de Três Rios a São Paulo.
Wiliam César Alves Machado
APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 26/04/2011

Após 17 anos apenas imaginando o que representa de fato uma viagem de ônibus para pessoa com deficiência física adquirida, cujo corpo físico apresenta quadro de espasticidade severa e substantiva mobilidade reduzida, decidi pagar para ver, embarcando em Três Rios, Rio de Janeiro, com destino a São Paulo, em 15 de abril de 2011, para participar da X Reatech, a maior feira de equipamentos e tecnologias inclusivas para pessoas com deficiência da América Latina.

Muita ansiedade sobre como seria a viagem, as pessoas que ajudariam na subida e descida no ônibus, ajustes do meu corpo no assento, os espaços para posicionamento confortável dos pés, etc. - considerando-se que a lesão cerebral comprometeu apenas área motora e manteve preservada sensibilidade. Nessas situações, quase não conseguimos relaxar. Por isso mesmo, dormi pouco na noite que precedeu a viagem.

Nas operações embarque/desembarque vi que é possível, embora sofrível, devido as dificuldades de manobra em espaços tão limitados como o dessas viaturas. Mais adequado seria se todo veículo para uso coletivo fosse adequado com plataformas verticais e pudesse atender a todos. Bastaria utilizar o que se compreende por desenho universal para humanizar o acesso aos meios de transporte de uso coletivo, garantindo a todos prazer ao viajar com mais autonomia, conforto, segurança. A propósito, o Artigo 2 da Convenção da ONU sobre Direitos da Pessoa com Deficiência – “Definições”x-, esclarece que: “Desenho universal significa o projeto de produtos, ambientes, programas e serviços a serem usados, na maior medida possível, por todas as pessoas, sem que seja necessário um projeto especializado ou ajustamento. O ‘desenho universal’ não deverá excluir as ajudas técnicas para grupos específicos de pessoas com deficiência, quando necessárias”.

A condição de pessoa com mobilidade reduzida só impõe certo desconforto a quem se proponha viajar para longas distâncias, até mesmo em carros particulares, e disso não há mesmo como fugir. A questão que se coloca é: O que se deve fazer para que os ônibus usados para transporte intermunicipais, interestaduais e internacionais sejam adequados com plataformas verticais a exemplo dos transmunicipais? Afinal, no Brasil, maioria das pessoas com deficiência é mesmo de baixa renda e potenciais usuários desses serviços. Por que impor a essas pessoas tamanha exposição, desconforto?

Nos 520 Km da ida tivemos duas paradas, quando todos descem para andar, alongar, espreguiçar, tomar água, comer algo, ir ao banheiro, etc. Nesses momentos, cadeirantes permaneceram sentados (exceto na parada para almoço, em Guarulhos) sem desfrutar do direito dos demais, devido aos transtornos e desgaste físico que a operação embarque/desembarque representa para eventuais voluntários a ajudar. O percurso foi realizado em 9h devido à parada para almoço por cerca de 1h, além dos congestionamentos do trânsito no período da manhã na via Dutra e na cidade de São Paulo. Na viagem de volta, mais 520 Km, saímos de São Paulo às 21h30 e chegando em Três Rios às 5h. Foram 7h30, com maior fluxo do trânsito, embora pontuais retenções ali e acolá. Parada apenas em Guaratinguetá, cujos cadeirantes permaneceram no ônibus.

Foram cerca de 24 horas sentado, ora na cadeira de rodas, ora na poltrona do ônibus. Uma prova de resistência à dor lombar, à ardência do traseiro, ao equilíbrio postural nas freqüentes e bruscas reduções na velocidade nos engarrafamentos, semáforos e quebra-molas, e atenção redobrada no controle de tudo que se ingere tanto líquido como sólido, como medida preventiva às eliminações indesejadas e/ou acidentais. Todo esse sacrifício para participar de um dos maiores eventos de acessibilidade para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida do mundo, a X Reatech. É sempre positiva oportunidade de conhecer avanços da tecnologia assistiva, materializados em produtos e serviços disponíveis a quem possa pagar. Nesse aspecto, é importante destacar que as mercadorias e tecnologias assistivas expostas na feira, em sua grande maioria, pouco acessíveis ao poder aquisitivo de muitos brasileiros com algum tipo de deficiência. Quem sabe, se nos mobilizássemos em prol da isenção dos impostos poderíamos tornar esses recursos mais próximos da maioria dos deficientes? Algo precisa ser feito para que todos possam ter acesso aos avanços tecnológicos que promovem nossa qualidade de vida.

Prof. Dr. Wiliam César Alves Machado é secretário Municipal do Idoso e da PcD – Três Rios, Rio de Janeiro

Fonte: Rede SACI - São Paulo - SP, 25/04/2011 - Imagem Internet

Governo de SP fornecerá cão-guia para deficiente visual

Iniciativa da Secretaria Estadual do Direito da Pessoa com Deficiência conta ainda com a construção do Centro de Referência do Cão-Guia, na USP.
da Redação

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 26/04/2011

Os paulistas com deficiência visual poderão ter a partir do próximo ano um cão-guia, que será encaminhado gratuitamente pela Secretaria Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

Foi iniciado hoje o Programa do Cão-Guia e a construção do primeiro Centro de Referência para o Cão-Guia no país, em um prédio na Universidade de São Paulo (USP) com capacidade para até 92 animais. Além da criação e treinamento de cães-guia para pessoas com deficiência visual, o programa definirá os parâmetros em relação ao uso do cão-guia e os métodos de treinamento.

De acordo com a secretaria, os filhotes dos cães que farão parte do treinamento serão entregues, em um primeiro momento, a uma família adotiva, selecionada pelo programa, e que cuidará do cão durante um ano, com vacinas e alimentação fornecidas pelo governo. Os filhotes serão visitados periodicamente por um membro do Centro para verificar o desenvolvimento do animal.

Após o primeiro ano com a família, o cão é encaminhado ao centro de treinamento, por onde passará por um adestramento intensivo, específico para guia de cegos. Nessa etapa, o animal será avaliado permanentemente por treinadores qualificados, contratados pelo Centro e avaliados clinicamente por veterinários da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP. O treinamento terá duração de quatro a seis meses, dependendo da evolução do animal.

Após o treinamento, os cães serão encaminhados gratuitamente às pessoas com deficiência visual, que também serão previamente selecionadas e treinadas no Centro de Referência. Segundo o governo do Estado, estima-se que no Brasil haja cerca de 16 milhões de pessoa com deficiência visual, dos quais aproximadamente 2,6 milhões em São Paulo.

Fonte: G1 - São Paulo - SP, 25/04/2011 - Imagem Internet

Banco é multado por desrespeitar deficiente físico

Deficiente possuía placas de aço inox na pernas e foi barrado pela porta giratória.
Jomar Martins

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 26/04/2011

Banco que impede o acesso de portador de prótese, expondo-o a constrangimentos, extrapola os limites do direito à segurança. Logo, tem o dever de indenizá-lo por danos morais. Foi o que decidiu, por unanimidade, a 9ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, ao dar provimento à apelação de um deficiente físico, contra sentença de primeira instância que favoreceu o Banrisul.

Conforme relata a sentença, o cliente, deficiente físico por paralisia infantil, dirigiu-se à agência bancária no dia 4 de fevereiro de 2009, munido de contas a pagar. Quando tentou passar pela porta giratória, esta travou. Então, um funcionário da agência chamou a gerente e explicou sua deficiência. Ele usava aparelho ortopédico de aço inox nos membros inferiores. Apesar de ciente do caso, a gerente não o liberou para ingressar no banco. O cliente, então, chamou a Brigada Militar (a Polícia Militar gaúcha). A gerente apareceu novamente, informando-o que, se quisesse pagar suas contas, deveria entregá-las a um funcionário da agência – eis que seria impossível seu acesso ao interior do local. Inconformado com o desrespeito, o cliente ingressou com ação judicial, pleiteando indenização por danos morais, em valores ao livre arbítrio do julgador.

Citado, o banco apresentou contestação, discorrendo sobre a necessidade de possuir portas giratórias em estabelecimentos bancários. Mencionou que o autor deu dimensão desmesurada ao caso, sustentando a inexistência de danos morais. Realizada audiência de instrução e julgamento, foi proposta a conciliação, que foi negada. Sobreveio, então, a sentença da juíza de Direito Patrícia Hocheim Thomé: pedido improcedente. Inconformado, o deficiente interpôs recurso de apelação ao TJ-RS.

A relatora do recurso, desembargadora Marilene Bonzanini Bernardi, iniciou seu voto pontuando que o caso é peculiar e merece atenção, tendo em vista que o autor usa aparelho ortopédico de aço inox nos membros inferiores. Na visão da julgadora, "os funcionários da ré deveriam ser, ao menos, mais habilidosos para contornar situações como estas, a fim de que deixassem de transformar o que poderia ser um simples contratempo em fonte de vexame e vergonha, passíveis de indenização".

Neste sentido, a desembargadora entendeu que os prepostos do banco exorbitaram no seu dever de zelar pela segurança do local, expondo o autor a constrangimento indevido, razão pela qual merece ser condenado ao pagamento de indenização por danos morais.

Lembrou que a fixação do quantum indenizatório deve ser compatível com a reprovabilidade da conduta, levando-se em conta dois aspectos: a reparação e a repreensão. Valor arbitrado: R$ 8 mil, "montante que certamente satisfaz ao caráter reparatório, servindo, ainda, como expiação à ré".

Fonte: Conjur - 25/04/2011 - Imagem Internet