sábado, 18 de junho de 2011

Unidades da segunda edição do "Minha Casa, Minha Vida" respeitarão acessibilidade

Na primeira versão do programa apenas 3% das casas eram adaptadas.
Agência Brasil

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 18/06/2011
As unidades habitacionais entregues na segunda edição do programa "Minha Casa, Minha Vida" respeitarão normas de acessibilidade para pessoas com deficiência, de acordo com a ministra do Planejamento, Miriam Belchior. Segundo ela, na primeira etapa do programa, apenas 3% das moradias eram adaptadas para esse público.

Ao participar de entrevista a emissoras de rádio durante o programa "Bom Dia, Ministro", Miriam Belchior explicou que as casas serão maiores e terão portas e janelas mais largas, além de piso de cerâmica em todos os cômodos e azulejo nas paredes dos banheiros e cozinhas.

“Além do aumento das unidades habitacionais de 1 milhão para 2 milhões, estamos tornando as casas ainda melhores”, disse. Outra estratégia do governo é investir em sistemas de aquecimento solar, já que, segundo a ministra, o uso do chuveiro elétrico chega a comprometer até 30% do orçamento de famílias de menor renda.

Fonte: Pernambuco.com - 17/06/2011 - Imagem Internet

Deputados federais e senadores ligados às Apaes lançam Frente Parlamentar

Frente das Apaes quer apoiar associações e aprimorar legislação.
Vania Alves

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 18/06/2011

Foi lançada no Congresso na terça-feira, dia 14, a Frente Parlamentar Mista em Defesa das Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes). A proposta é atuar na integração e inclusão social das pessoas com deficiência e apoiar essas entidades.

Presidente da Federação Nacional das Apaes, o deputado Eduardo Barbosa (PSDB-MG) afirmou que a instituição passa por um momento especialmente difícil. Além das dificuldades estruturais como falta de locais adequados e profissionais treinados, o parlamentar diz que as Apaes são questionadas pelas autoridades de educação do País. "Uma discriminação do Ministério da Educação, que tem uma política radicalizada de inclusão escolar, entendendo que todas as pessoas com deficiência, independentemente de sua condição, têm como ser inseridas no sistema comum de ensino. Nós defendemos a escola inclusiva, mas sabemos que precisam de ambientes específicos para atender especificidades", ressaltou.

O deputado Dr. Ubiali (PSB-SP), que preside a Frente Parlamentar das Apaes, disse que o colegiado terá papel decisivo na construção de uma legislação que proteja mais as pessoas com deficiência. Ele citou como exemplos de projetos que vão receber apoio dos deputados o que propõe que quem cuida do deficiente receba um benefício da Seguridade e também o que determina a reinclusão imediata da pessoa deficiente no sistema de Seguridade quando perder o emprego.

No lançamento da frente, o deputado Romário (PSB-RJ), que tem uma filha com Síndrome de Down, afirmou que a convivência com os deficientes mostrou a ele o preconceito que esse grupo social sofre no Brasil.

Fonte: Portal da Câmara dos Deputados - 17/06/2011 - Imagem Internet

Homem com paralisia cerebral irá receber R$ 10 mil de indenização de estudantes em Piraúba

Estudantes teriam lançado fogos de artifício em direção à casa da vítima.
Jorge Júnior

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 18/06/2011

Um portador de paralisia cerebral, de Piraúba, Zona da Mata mineira, receberá R$ 10 mil de indenização de dois estudantes, que dispararam fogos de artifício junto à casa do paciente para provocar o cunhado dele - adversário político de ambos e candidato derrotado a vice-prefeito da cidade. A ação de reparação de danos morais foi ajuizada em novembro de 2008 pela mãe do cidadão, já que ele não fala e nem anda mais. A decisão é da 15ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).

Conforme a aposentada, na madrugada de 6 de outubro de 2008, os autores da ação começaram a soltar bombas e foguetes em direção à casa da família e continuaram por aproximadamente quatro horas. Nem mesmo a Polícia Militar (PM) e a intervenção de vizinhos conseguiram conter os agressores.

A vítima e o neto da idosa, à época respectivamente com 28 e 3 anos de idade, ficaram apavorados com as explosões. A dona de casa afirma que, depois do ocorrido, o filho parou de se alimentar, aceitando somente suco e água.

Um dos estudantes alegou que a culpa, dano e nexo causal não ficaram demonstrados e defendeu a improcedência da ação. Ele afirmou que soltou fogos para comemorar a vitória do seu partido nas eleições municipais, o que não é ilegal. Ressaltou, além disso, que várias pessoas fizeram o mesmo naquela data e sustentou que nenhuma bomba atingiu a residência do autor.

Consultado, o Ministério Público (MP) manifestou-se pela condenação dos réus. No entanto, em setembro do ano passado, o juiz Julio César Silveira de Castro, da Vara Única de Guarani, considerou que o ato ilícito e a culpa dos dois rapazes não ficaram comprovados.

A mãe do paciente, por outro lado, enfatizou que, por ser parente do paralítico, o meliante sabia que ele tinha paralisia cerebral e foi “irresponsável, inconsequente e imaturo” ao desrespeitar um portador de necessidades especiais.

A 15ª Câmara Cível do TJMG reformou a sentença, dando provimento aos dois recursos. O relator, desembargador Tibúrcio Marques, entendeu que o fato de que outras pessoas tenham soltado fogos não torna a conduta dos réus lícita.

Fonte: Correio do Brasil - Piraúba - MG, 17/06/2011

Será que existe mesmo prioridade em situações de emergência?

Adriana Lage comenta sobre sua experiência em situações de emergência, questionando sobre a existência de prioridade para as pessoas com deficiência.
Adriana Lage

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 18/06/2011

Leitores, juro que tentei escrever pouco, mesmo porque ando numa época de correria. Mas me sinto igual àqueles cantores sertanejos que, quando tristes, escrevem músicas e mais músicas. Nessa semana, escrevi dois textos para a Rede Saci e finalizei minha monografia. Como diria minha maninha, chega de drama e vamos ao texto!

Sempre ouço falar que, em situações de emergência, as pessoas com deficiência possuem prioridade no salvamento. Mas será que, na prática, isso funciona mesmo? Querendo ou não, quando o bicho pega, as pessoas ficam preocupadas em salvar sua própria pele. Quem vai se lembrar do colega, como diria Jairo Marques, ‘malacabado’, sabendo que sua própria pele está em jogo? Nem todo mundo possui uma porção altruísta dentro de si. Na época do atentado de 11 de setembro, fiquei encantada com a história de uma funcionária cadeirante que contou com a ajuda de dois homens para descer aquela infinidade de andares. Poucos minutos depois de chegarem a rua, após uma longa e estressante descida, o prédio desabou. Imagino que o sentimento de gratidão dessa mulher seja eterno para com esses seus ‘heróis’.

Comecei a trabalhar no banco em setembro de 2000. Tinha pouco mais de um mês de emprego e trabalhava das 11h às 17h, quando passei por uma das situações mais estressantes da minha vida. A agência em que trabalhava possuía 3 andares e não existiam elevadores - e fui mandada para lá com a desculpa de que estaria em uma agência adaptada! Eu trabalhava no 2º andar e entrava/saia pela garagem, a única adaptação que existia eram dois banheiros adaptados. Como não tinham uso, serviam como depósito. Para almoçar, tinha que pedir ao boy para sair comigo do lado de fora da agência: descíamos o quarteirão esburacado e entrávamos novamente na agência pela portaria do 1º andar. As idas ao banheiro também eram complicadas, sempre pedia para alguma funcionária para me ajudar. Como a agência vivia lotada, geralmente, enquanto eu estava no banheiro, a funcionária voltava para o atendimento. Quase sempre, esqueciam de me buscar. Inúmeras vezes, tive que ligar, do meu celular, para a telefonista pedindo para me arrumar alguém para me resgatar. Outras vezes, era resgatada pelo segurança no seu horário de ronda. Como estava bem desgastante para mim, minha gerente alterou meu horário de trabalho de 12h as 18h.

Pois bem, estava trabalhando, tranquilamente, quando comecei a notar uma movimentação estranha pouco antes das 14h. Quatro policiais subiram as escadas correndo em direção ao gerente geral. Poucos minutos depois, o gerente geral desceu as escadas correndo com uma grávida. Atrás dele, um monte de clientes. Olhei em volta, e todos os funcionários estavam com cara de espanto e se dirigindo para a entrada do 1º andar. Bastou dizer que a agência tinha recebido uma ligação anônima informando sobre a existência de uma bomba, que seria detonada às 14h, que a correria tomou conta. Os colegas do meu setor saíram correndo e me largaram pra trás. Felizmente, duas estagiárias se lembraram de mim. Elas me disseram que não me largariam pra trás e que, se preciso, explodiríamos juntas! Nessas horas, não sei por que, some todo mundo, até o segurança do andar havia desaparecido! Uma das estagiárias desceu as escadas correndo e foi procurar um segurança ou gerente que tivesse o controle da garagem para sairmos. A outra ficou me fazendo companhia. Ela voltou com um gerente que tinha o controle. Ele abriu a garagem e saiu correndo comigo.

A agência fica ao lado de um shopping. Quando sai na rua, fiquei assustada: uma série de carros do corpo de bombeiro, ambulâncias, viaturas policiais, esquadrão anti-bomba, cordão de isolamento e um bando de funcionários e clientes do outro lado da avenida. Como é comum nessas situações, uma massa de curiosos estava pendurada na passarela do shopping e nas imediações da agência. Por sorte, a bomba foi alarme falso, mesmo porque, se tivesse sido detonada às 14h, eu não estaria aqui. Só consegui sair do prédio lá pelas 14:20h. Como fiquei passada das idéias e tremendo muito, meu gerente me mandou pra casa. No dia seguinte, recebi uma série de pedidos de desculpas por ter sido esquecida. A sensação de não ter pra onde ir, sabendo que uma bomba está prestes a explodir perto de você, é muito ruim! Ou corria pra escada ou ficava trancada na garagem. Eu me lembro que voltei pra casa assustada e arrependida por ter trancado minha graduação em ciência da computação para trabalhar no banco. Mas nada que colinho de mãe não resolvesse. O drama passou logo! A bomba não passou de um artifício para bandidos desviarem a atenção da polícia. Enquanto éramos socorridos da falsa bomba, duas agências de bancos privados foram assaltadas na região em que trabalhava.

Sempre que são feitas reuniões da CIPA (Comissão Interna de Prevenção a Acidentes) comento sobre esse caso. Trabalhei cinco anos em um prédio no centro de Belo Horizonte - o prédio possui doze andares e meu setor ficava no oitavo andar. Participei de dois treinamentos de escape: no primeiro treinamento, a brigada de incêndio destacou, anteriormente, dois funcionários do meu setor para serem meus salvadores nas emergências. O bombeiro chefe ensinou a eles qual seria a maneira correta de carregar a cadeira de rodas, onde deveriam segurar, qual distância manteríamos da parede, etc. Após as orientações, voltamos ao trabalho. Cerca de duas horas depois, soou a sirene e começamos a evacuação dos 7º e 8º andares. Saímos na porta de emergência e fomos seguindo o fluxo. Nesse dia, foi tranqüilo, poucas pessoas entraram em pânico, só achei desagradável descer sete andares carregada em escada com curva, fiquei morrendo de medo de cair. Em prédio com vários andares, como era o World Trade Center, existem cadeiras de rodas específicas para descer/subir escadas em situações de emergência. Elas são bem estreitas e leves. No caso do banco, não foi considerada necessária uma cadeira dessas.

O segundo treinamento foi feito com a evacuação completa do prédio. Nesse dia a polícia parou o trânsito em frente ao banco, um caminhão enorme do corpo de bombeiros ficou estacionado, no meio da rua, com a sirene gritando e espalharam um pouco de fumaça pelo prédio. Nesse dia, muita gente se assustou. Quando cheguei na saída de emergência do meu andar, a escada estava cheia de gente. Custamos a entrar no meio da multidão. O certo seria descer com a cadeira de rodas encostada na parede, liberando espaço para que uma pessoa pudesse passar ao nosso lado, de forma a não obstruir a fila. Só que começou um empurra-empurra e um terceiro funcionário resolveu ajudar carregando a cadeira. Em cerca de 20 minutos, chegamos à rua. Estranha demais aquela situação, mesmo sabendo que era treinamento, dá estresse: cheiro de queimado, fumaça, gente assustada, policiais e bombeiros correndo pra todo lado... Como meu chefe tinha me avisado, em primeira mão, que teríamos o treinamento após o almoço, avisei minha mãe. Caso saísse algo na imprensa, ela, com certeza, ficaria preocupadíssima! Nos dois treinamentos, meu chefe preferiu me avisar com antecedência para evitar stress, já que sabia que o simples fato de descer tantos andares carregada já seria desconfortável. Tenho uma amiga que tem esclerose múltipla. No primeiro treinamento, tentaram levá-la carregada, formando uma cadeirinha. Foi extremamente sem jeito e desagradável pra ela. A CIPA estudou o caso e solicitou que o banco fornecesse uma cadeira de rodas para que ela utilizasse em situações de emergência. No segundo treinamento, ela desceu na cadeira de rodas e achou mais confortável. Quando trabalhava no centro, tinha um braçal que era do meu fã clube. Ele sempre me dizia que, quando necessário, era só chamá-lo que me salvaria, ainda mais que me achava levinha (detalhe: eu não me acho levinha com 47 kg. Para quem era, praticamente, anoréxica até 2008, ainda não me acostumei com tanta carne). O homem é todo musculoso! Falava que me jogaria nas costas, no melhor estilo estivador e chegaríamos à rua em menos de 2 minutos. Em casos de emergência, essa pode ser uma boa opção.

Acho fundamental esse tipo de treinamento. Sempre participo, mesmo porque nunca sabemos o que nos espera. Meus resgatistas sempre chegavam suados e cansados, mas felizes por terem cumprido a missão. Hoje, trabalho em um prédio de três andares e em breve faremos treinamento de escape. Pra minha sorte, hoje trabalho no 2º andar, apenas um degrau enorme e uma rampa íngreme me separam da rua. O bombeiro já brincou comigo que não preciso me preocupar. No pior caso, é só soltar a cadeira na rampa íngreme. Com certeza, chegarei rapidinho à rua. Se chegarei inteira, já são outros quinhentos!

O bom é que, mesmo com tantas maldades no mundo, sempre temos notícias de pessoas solitárias em situações de emergência. Um treinamento ajuda muito para que as pessoas possam se salvar de forma segura e com menos stress possível. Quem não se surpreendeu com a calma e civilidade com que os japoneses saíram dos prédios durante o terremoto no Japão? No caso do World Trade Center, se os funcionários do prédio não tivessem recebido treinamento e se dedicado a eles, a desgraça teria sido muito maior. Em todo caso, é sempre bom estar em dia com nossas orações e torcer para que nosso anjo da guarda esteja de plantão na terra.

Fonte: Rede SACI - 17/06/2011

Uma reflexão sobre acessibilidade e inclusão

Adianta adicionar a Língua Brasileira de Sinais a um vídeo, se não houver legendas para deficientes auditivos que não dominam LIBRAS?
Elton Vergara Nunes, Gertrudes Aparecida Dandolini e João Artur de Souza

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 18/06/2011

O tema acessibilidade parece ser ainda controverso, ou seja, há muitas perspectivas de julgamento sobre uma obra ser ou não acessível. Começo com um exemplo simples, recente, público: ao assistir a um vídeo que tratava sobre educação, no Youtube, reclamei ao responsável pela postagem, dizendo-lhe que o vídeo não era acessível e a resposta dada iniciou com uma pergunta “acessível para quem?”.

Tenho que concordar: aquele vídeo era acessível para pessoas alfabetizadas em Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), mas somente para elas. Mesmo as pessoas sem deficiência visual que não soubessem LIBRAS, não poderiam aproveitar nada, pois não havia legenda em língua portuguesa com a transcrição das falas. O pseudo público-alvo era os surdos. Por que pseudogrupo? Porque mesmo dentro do grupo dos surdos houve uma parcela de pessoas que não teve acesso ao seu conteúdo pelo simples fato de não serem usuários da Língua.

Apesar disso, o responsável pela postagem julgava que o vídeo era acessível aos surdos. Claro, dentro de seu limitado conceito de quem são os surdos, dos quais se julgava ser porta-voz, surdo é aquele que domina LIBRAS. Se adotarmos esse princípio, em outro contexto poderíamos dizer que pessoas analfabetas não poderiam ser computadas como pessoas porque não dominam a língua portuguesa. Nenhum língua é propriedade de ninguém, de nenhum povo, as pessoas são usuárias da língua, não proprietárias.

Evidentemente que as pessoas com deficiência visual nem foram lembradas como possíveis interessadas naquele vídeo, já que não existe absolutamente nenhum áudio. E o que falar de pessoas com deficiência intelectual, dislexia e outras pessoas como eu que, mesmo sem deficiências, não conseguiram compreender?

E assim, cada dia mais se evidencia a exclusão e, como se pode perceber, às vezes a exclusão ocorre dentro do próprio grupo de excluídos. Está na hora de os surdos reverem sua posição sobre as diferentes formas de comunicação humana (acredito que os surdos ainda fazem parte da humanidade) e, em particular, percebam que ninguém é dono de uma língua, ou seja, tão certo como o inglês não pertence aos britânicos ou o castelhano ao povo de Castilha, a língua de sinais não pertence ao povo surdo. A língua não é propriedade de nenhuma academia de letras, nenhuma língua é.

Está na hora de ficar claro que nem todos os surdos nasceram assim, que muitos que nasceram com surdez, por diferentes caminhos, voltaram a ouvir; que muitos emudeceram, mas outros se comunicam oralmente sem maiores dificuldades; que entre os brasileiros há analfabetos da língua portuguesa; da mesma forma, entre os surdos, há muitos que desconhecem a LIBRAS e muitos que a dominam sem jamais terem sido surdos. Está na hora de os surdos se conhecerem melhor, de incluir-se a si mesmos em seu grupo.

Imaginemos o seu Zé, de 75 anos, que teve um acidente há um ano e perdeu totalmente a audição. Será que um dia vai ser reconhecido como surdo? E dona Joana, que tem mais idade, tem tendinite e osteoporose e teve o mesmo problema? Vamos querer que aprenda e use LIBRAS? Ou será considerada uma falsa surda? Será considerada nas estatísticas ou descartada como irrelevante?

Porém, se essa limitação no entendimento de o que seja acessibilidade num vídeo silencioso e sem legendas ficasse apenas no âmbito de um grupo de pessoas que luta por causa própria (a defesa da LIBRAS), estaria entendido e até justificado. Entretanto, quando essa ideia limitada passa para grupos que levam o nome da acessibilidade em seu título, o assunto parece carecer de melhor referencial teórico. Muitos pensam que "é impossível conceber uma única versão de conteúdo da web que seja igualmente compreensível por completo por todas categorias de deficiências, ou até mesmo dentro do espectro das deficiências cognitivas. O conceito de um formato verdadeiramente universal soa como uma idéia maravilhosa, mas é inatingível. Ainda assim, é possível a criação de conteúdo web que se aproxime do ideal do design universal, mesmo que não muito bem sucedida no sentido absoluto".

O autor do texto acima usa palavras que evocam o “ideal” e a “plenitude”. Evidentemente, situações perfeitas não são para os humanos, são para os deuses. Desta forma, afirmar que nenhum conteúdo será acessível idealmente para todos é, no mínimo, desnecessário. Logicamente, se a pessoa não tiver um computador disponível não poderá acessar esse conteúdo, se não tiver energia elétrica não poderá acessar esse conteúdo, se não tiver um sistema operacional, um browser e todas as condições que lhe permitam acessar o conteúdo ela não conseguirá acessá-lo. Por acaso isso é diferente para algum de nós, é diferente para uma pessoa sem deficiência? Todos dependeremos de um design que nos permita acessibilidade. Ora, se um conteúdo pode ser acessado apenas com uma senha, então ele é inacessível para aqueles que não a tenham, trata-se, pois, de uma barreira.

O Brasil possui lei que garantem às pessoas com deficiência o direito à acessibilidade, é signarátio da Convenção da ONU de 2006, que tratou sobre as pessoas com deficiência, e com isso comprometeu-se em realizar ou promover a pesquisa e o desenvolvimento, bem como a disponibilidade e o emprego de novas tecnologias, inclusive as tecnologias da informação e comunicação, ajudas técnicas para locomoção, dispositivos e tecnologias assistivas, adequados a pessoas com deficiência, dando prioridade a tecnologias de custo acessível.

Assim, seria de esperar que entidades que trabalham e divulgam temas de acessibilidade e inclusão estivessem preocupadas em ampliar sua visão ou, pelo menos, assumir sua limitação sem apresentar desculpas sem fundamento.

As emissoras de televisão durante anos vêm alegando o alto custo da inclusão do recurso da audiodescrição em sua grade de programação. A mesma alegação foi dada por um canal de televisão disponível na web ao lançar uma série de programas sobre acessibilidade e inclusão, limitando-se a inserir uma pequena janela de LIBRAS nas reportagens. Sobre a ausência de legenda com a transcrição das falas, a alegação foi o custo desse trabalho.

Entretanto, o mesmo grupo que num bloco de vídeos divulgados não trazia a audiodescrição, posteriormente divulgou os mesmos vídeos, mas agora incluindo o recurso de acessibilidade para cegos e outros que possam se beneficiar dele. O que preocupa é que em lugar de avançar, a atitude foi de retrocesso, já que anteriormente esse mesmo canal divulgava vídeos com legendas.

Prática semelhante foi adotada por outro canal de televisão que disponibilizou seu material na web com uma série de reportagens feitas na ReaTech 2011. Também eles duplicaram o número de vídeos: uma série sem audiodescrição e uma outra série com os mesmos vídeos com audiodescrição. Essa prática é de trabalho dobrado, ocupa espaços em servidores, separa os usuários e, assim, as discussões e comentários dos vídeos. Tudo isso está longe de enquadrar-se no desenho universal e na política de inclusão e acessibilidade legalmente regulamentada.

A legislação, o desenho universal, a praticidade, a economia e até mesmo o sempre questionável bom senso indicam que todos devem compartilhar do mesmo espaço e dos mesmos produtos, cada um com suas características, a seu modo. Orientam que se devem eliminar as barreiras existentes em um produto e permitir o seu acesso a todos. Em nenhum lugar se orienta que se deva criar outro produto para dar acesso a outras pessoas. Se os criadores dos vídeos dos canais citados fossem arquitetos, por acaso construiriam um edifício com escadas e outro edifício com rampas? Um edifício para andantes e outro para cadeirantes?

E se apesar de todos os esforços ainda não é possível que tudo esteja acessível a todos, comecemos a eliminar as barreiras das atitudes. Estas sempre partem de uma predisposição negativa, de um julgamento depreciativo em relação às pessoas com deficiência, sendo sua manifestação a grande responsável pela falta de acesso e à conseqüente exclusão e marginalização social vivenciada por todos os grupos vulneráveis, mais particularmente, por aquelas pessoas vulneráveis em função da deficiência.

O certo é que não basta incluir janela de LIBRASibras nos vídeos na web ou na televisão, é preciso considerar que há surdos que não usam essa língua. Acima de tudo, é preciso incluir todos os surdos dentro da cultura surda. Da mesma forma que homens, mulheres, crianças, amarelos, negros, brancos, ricos e pobres e outras tantas diferenças, juntas, formam a sociedade. Não basta incluir a audiodescrição no cinema, na televisão, no teatro, é preciso incluir a ideia de que isso não é favor, não é despesa, não é investimento, isso é respeito às diferenças.

Sobre os autores

Elton Vergara Nunes
Possui mestrado em Educação pela Universidade Federal de Pelotas. Atualmente é professor titular da Universidade Federal de Pelotas. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Línguas Estrangeiras Modernas.

Gertrudes Aparecida Dandolini
Possui doutorado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina. Atualmente é professora Associada da Universidade Federal de Santa Catarina. Tem experiência na área de Educação a Distância.

João Artur de Souza
Possui pós-doutorado em em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina. Atualmente é Professor Associado da Universidade Federal de Santa Catarina.

Fonte: Planeta Educação - 17/06/2011 - Imagem Internet

Lançamento do recurso da audiodescrição na TV Brasileira

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 18/06/2011

No próximo dia 20 de junho (segunda-feira) será feito o anúncio oficial do recurso da Audiodescrição na TV Brasileira, com a presença da ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo e do secretário nacional de promoção dos direitos da pessoa com deficiência, Antonio José.

A Portaria n. 188 entra em vigor a partir do dia 1º de julho, estabelecendo que as emissoras de televisão (com sinal digital) terão que apresentar pelo menos duas horas semanais o recurso da Audiodescrição nas programações. Entende-se por Audiodescrição toda a narração, em língua portuguesa, integrada ao som original da obra audiovisual, contendo descrições de sons e elementos visuais e quaisquer informações adicionais que sejam relevantes para possibilitar a melhor compreensão desta por pessoas com deficiência visual e intelectual.

O recurso da narração terá que estar disponível na função SAP (Programa Secundário de Áudio). Os filmes, documentários e programas transmitidos em outro idioma, também terão que ser integralmente adaptados, com dublagem do diálogo ou voz do narrador.

Essa iniciativa é a primeira na América Latina.

Programação

14h às 15h30 – Palestra dos especialistas Lívia Maria Villela de Mello Mota e Paulo Romeu;
15h30 às 16h30h – Anúncio da implementação da Audiodescrição na TV aberta Brasileira;
16h30 – Encerramento da cerimônia.

Serviço

Local: Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (Setor Comercial Sul – Edifício Parque Cidade – Torre A – 8º andar – Auditório).
Data: Segunda-feira, 20 de junho de 2011.
Contato: Luana Rodrigues (61) 2025-7901

Fonte: http://www.inclusive.org.br/?p=19997

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Gadget permite que tetraplégicos controlem games com a boca

Divulgação
Quadcontrol permite controlar games utilizando a língua, o sopro e a sucção



QuadControl é revolução tecnológica para pessoas com total restrição de mobilidade.
da Redação

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 17/06/2011

Para os jogadores tradicionais de games a novidade não parece grande coisa, mas o QuadControl é uma revolução para os pessoas com total restrição de mobilidade. O aparelho, construído artesanalmente por Ken Yankelevitz, permite pleno controle dos jogos através de movimentos bucais com a língua, sopro e sucção.

Esta não é o primeiro produto do gênero criado por Ken Yankelevitz, que iniciou sua jornada nos idos de 1981, época em que o antigo console Atari 2600 ainda era sinônimo de atualidade. Foi nessa época que o engenheiro recebeu a informação de que um jovem tetraplégico da Pensilvania tinha grande desejo jogar. "Ele estava deprimido e sua família procurava algo para despertar o seu interesse pela vida, após o acidente", escreve o próprio fabricante no site do produto.

Como engenheiro aeroespacial, Ken pode utilizar seus conhecimentos para produzir um aparelho que permitisse essa incursão inicial pela diversão digital. A partir daí, iniciou a KYE (Ken Yankelevitz Enterprise), voltada especialmente para soluções na área, aproveitando o apoio e testemunhos de muitos fabricantes de games e novos usuários tetraplégicos, agora com acesso a jogos eletrônicos. "Passaram-se 10 anos desde que eu pude pegar em uma bola de beisebol ou futebol, mas com a Quadcontrol eu posso voltar ao mundo dos esportes, pelo menos umas duas noites por semana", exulta Paul Boyd em relato pessoal no mesmo site.

O aparelho permite controlar 12 chaves e o joystick com relativa precisão de movimentos, segundo o site ABC Montana. Yankelevitz continuará com a produção de controles enquanto puder realizar o trabalho, que consome muito tempo e dedicação, mas deseja que outras empresas se interessem em desenvolver produtos para este público.

O controle para PS2 custa US$ 225 e o controle de Xbox sai por US$ 260. As encomendas podem ser realizadas através do sistema PayPal. Outras informações podem ser obtidas na página de vendas do produto, através deste atalho: Is.gd/vcSB0j.

Fonte: Games Terra - São Paulo - SP, 16/06/2011

Moda combina com inclusão

Modelos com deficiência são clicadas nas passarelas do SPFW.da Redação

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 17/06/2011

A semana da moda mais importante e badalada da América Latina, a São Paulo Fashion Week, começou no dia 13 e terminará no dia 18 junho. É possível conferir a 31ª edição do São Paulo Fashion Week (SPFW), na Fundação Bienal, no Parque do Ibirapuera. Evento que dá continuidade às comemorações pelos quinze anos de evento com o tema “Futuro”.

Reunindo os mais conceituados profissionais do segmento: estilistas, produtores, consultores de moda, jornalistas, agências de modelos, fotógrafos, marcas que promovem beleza e ditam tendências. Além das belas e charmosas modelos, que são consideradas padrões nas passarelas, essa edição pode contar com a beleza na diversidade. Como o tema desse ano diz respeito ao futuro, abranger a democracia dos tipos físicos, também é um começo. Nas passarelas externas do evento, nos dias 15 a 17 de junho, lindas modelos com deficiência da agência Kica de Castro Fotografias vão provar com caras, bocas e muita simpatia o que sempre foi dito desde 2007: beleza e deficiência não são palavras opostas. A moda pode ser democrática e abrir espaço para esses profissionais.

No Brasil, cerca de 30 milhões de consumidores possuem algum tipo de deficiência e fazem questão de acompanhar e estar na moda.

As modelos com deficiência, escolhida para essa ação “futurista”, foram: Caroline Marques - paraplégica, 29 anos - e Paola Klokler - má formação congênita, membro inferior esquerdo, 20 anos. Ambas com um currículo extenso na área. Marques é modelo há cinco anos, na passarela e em anúncio fotográfico. Paola além de ser modelo fotográfico há dois anos, com destaque em Berlim, é atleta de basquete em cadeira de rodas e dançarina do ventre.

Para ressaltar a beleza, de Caroline e Paola, a produção foi pensada em cada detalhe. Figurino, acessórios e maquiagem, ficam por conta da equipe do Mercadinho Chic.

Fonte: Deficiente Ciente - São Paulo - SP, 16/06/2011

Cadeirante realiza sonho e se torna modelo de passarela

Caroline Marques, 29, sonhava em ser modelo desde menina, mas o acidente atrasou a realização do seu sonho.
da Redação

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 17/06/2011

Caroline Marques tem 29 anos e há quatro iniciou sua carreira de modelo. Desfilar nas passarelas era um sonho de menina que, mas aos nove anos ela sofreu um acidente de carro que a deixou paraplégica. Carol, como é mais conhecida, cresceu, se formou no curso de Processamento de Dados, mas nunca trabalhou na área.

Até que um dia foi convidada para desfilar para a grife Gooc. "Eu era pequena e sonhava em desfilar. Aconteceu o acidente e aí pensei: o sonho acabou. Foi quando, há quatro anos, recebi o convite para fazer meu primeiro desfile. Foi um impacto, ninguém esperava uma modelo cadeirante na passarela", diz.

A experiência foi tão positiva que, logo após a sua estreia, Carol foi contratada por Kica de Castro, dona de uma agência especializada em modelos com deficiência. No ano passado, a moça desfilou até para a grife Cavalera, durante o evento Fashion Downtown. Além das passarelas, ela também faz trabalhos publicitários e acredita que encontrar um cadeirante no mundo fashion pode se tornar cada vez mais frequente. "O mundo da moda está descobrindo agora as modelos cadeirantes. Sou chamada como um diferencial para o desfile. Entro sozinha e o público sempre fica surpreso. É só um detalhe estar sentada na cadeira", afirma.

"Nos bastidores, sigo o mesmo ritmo das outras modelos. Também tenho que ser rápida", disse. Carol conta que às vezes é preciso fazer algumas adaptações para entrar na passarela, como uma rampa, mas que nunca deixou de desfilar por isso. Ela diz que ainda não identificou sinais claros de preconceito pela sua condição de cadeirante. "Algumas modelos ficam de nariz torcido por me verem como destaque, mas não sei se é preconceito. Geralmente sou bem recebida".

Desfile além das passarelas

Nesta quarta-feira, dia 15, terceiro dia da São Paulo Fashion Week, a modelo trocou os holofotes da passarela por um lugar privilegiado na plateia. Ela ganhou um convite para assistir ao desfile do estilista Mário Queiroz na fila A, logo à frente da área reservada para a imprensa internacional. Carol aproveitou para elogiar a acessibilidade no Pavilhão da Bienal, onde acontece o evento. "Foi ok. Ficou tudo certinho, sem problema algum". Depois do desfile, saiu pelos corredores do prédio e chamou a atenção por onde passou. "Todo mundo fica olhando, surpreso, pede para tirar foto. Pode olhar. Hoje vim desfilar nas passarelas externas", brinca, fazendo pose. De modelo, claro. Não à toa fã de moda, Carol aproveitou para falar sobre suas preferências para compor o visual:

"Visto de tudo e eu mesma faço a minha moda. Agora, no inverno, meus casaquinhos de pele não podem faltar de jeito nenhum, ainda mais em São Paulo (em referência ao frio da capital paulista). Já o verão será bem colorido", aposta a modelo, que vestia peças de marcas do Mercadinho Chic, um espaço na rua Oscar Freire, em São Paulo.

Sobre a participação de cadeirantes no mundo fashion, a modelo reitera que, num futuro não tão distante, cadeirantes brasileiros podem sim ter o mesmo destaque de grandes tops internacionais. "Há espaço para cadeirantes na moda, sim. Daqui a pouco, quem sabe não aparece uma Gisele?".

Fonte: Terra - São Paulo - SP, 16/06/2011

Deficientes auditivos enxergam melhor, diz estudo

Pesquisadores observaram mudanças na retina dos surdos, o que permite que eles tenham maior campo de visão.
Maria Fernanda Ziegler

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 17/06/2011

A ideia que a falta de um dos sentidos pode ser compensada por outro acaba de ganhar mais um reforço, graças a um estudo que mostrou que deficientes auditivos enxergam melhor que pessoas de audição normal. Pesquisadores da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, descobriram que os neurônios da retina dos surdos são distribuídos de forma diferente, aumentando seu campo de visão periférica. Isto lhes dá uma maior percepção sobre o que está acontecendo ao redor. A equipe também notou o alargamento de uma área do nervo óptico, o que mostra que os surdos têm mais neurônios transmitindo informações visuais.

A equipe analisou a retina de adultos que nasceram surdos ou que ficaram surdos nos primeiros anos de vida. De acordo com Charlotte Codina, autora do estudo, embora todas as células da retina já estejam presentes desde o nascimento, nos primeiros anos de vida, elas não são localizadas exatamente onde precisam estar e podem se mover nos primeiros anos de vida.

Os surdos, em comparação com pessoas capazes de escutar, apresentaram menos neurônios direcionados para a visão central e mais deles para a visão periférica. “Parece que entre os surdos este padrão é mudado para facilitar a visão periférica. Provavelmente a conexão neural no nervo óptico é priorizada, já que não há competição para as informações auditivas”, disse Charlotte ao iG.

O estudo publicado no periódico científico "Plos One" é o primeiro a relacionar a surdez com mudanças na retina. “A retina deve ser mais plástica e interativa do que pensávamos e isto afeta a maneira como entendemos a visão”, disse. No entanto, como o estudo foi realizado apenas com pessoas que nasceram surdas ou perderam a audição ainda na infância, não se sabe ainda se a retina também se altera em adultos que ficaram surdos.

Fonte: IG - 16/06/2011

Política pública de saúde para albinos

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 17/06/2011

Menino africano albino, com outros meninos africanos não-albinos ao fundo
Política pública de saúde para albinos é demanda e conquista social Associação baiana que luta por direitos dos albinos é primeira no Brasil a debater políticas públicas para pessoas que nasceram com o distúrbio congênito. A iniciativa serviu de modelo para outra entidade semelhante no país e influencia organizações que discutem outras patologias.





Leia a íntegra da notícia aqui.

Fonte: Diga, Salvador

http://www.digasalvador.com.br/noticia_sel.php?id=8486

Por um transporte mais digno

Conheça as dificuldades de um cadeirante
da Redação

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 17/06/2011

Quem acha que a vida é difícil e costuma reclamar de tudo, não conhece a história de Eduardo Albuquerque, 37 anos, ambulante e, principalmente, cadeirante. Não sabe o que é sacrifício. Nem faz ideia das dificuldades enfrentadas para executar coisas simples do dia a dia, como pegar ônibus. Não por causa dos problemas comuns ao transporte de massa, como coletivos que demoram ou andam superlotados. Os obstáculos de Eduardo começam muito antes.

A luta do cadeirante, contada a seguir, não é apenas dele. Representa a história de pelo menos 600 pessoas. Gente que tem acesso gratuito aos ônibus da Região Metropolitana do Recife por causa da deficiência motora. Gente que precisa da cadeira de rodas para se locomover. E o curioso é que, o que no passado era o principal obstáculo, a falta do elevador nos ônibus, agora está minimizado. Existem 1.027 coletivos com o equipamento. Mas é muito comum os elevadores apresentarem defeitos, o que prejudica os cadeirantes e, principalmente, irrita os passageiros.

Esse é um dos principais obstáculos aos cadeirantes. Eles se sentem intimidados pela falta de compreensão de alguns usuários. Outras pessoas no lugar de Eduardo Albuquerque desistiriam de sair de casa. Ou iriam à rua somente nas situações de extrema necessidade. Mas Eduardo não desiste. Começou abordando a reportagem do JC na rua para relatar o drama que vive diariamente. Convenceu a equipe a fazer a matéria e constatar as limitações que enfrenta todos os dias. Depois de acompanhá-lo, a vontade, realmente, é de desistir.

Eduardo tem aposentadoria, mas precisa trabalhar diariamente no cruzamento da Rua Joaquim Nabuco com a Avenida Agamenon Magalhães, área central do Recife. É conhecido de muita gente. A cadeira de rodas é um fiteiro ambulante. Vende pipoca, balas, chicletes, canetas. Um guarda-chuva preto o protege da chuva e do sol. Mas para chegar lá todos os dias, pena bastante. Sai de casa, na Cidade Tabajara, Olinda, pouco antes das 5h para conseguir estar no trabalho às 6h30. Pega dois ônibus para ir e outros dois para voltar. Não paga passagem, é verdade. Mas paga caro para conseguir se deslocar, para ver seus direitos respeitados.

Não tem sequer um espaço para andar. Precisa circular pela Avenida Agamenon Magalhães, pulmão viário da capital, por onde trafegam 60 mil veículos dirigidos por motoristas sempre apressados. Arrisca-se pelo canto das ruas, no sentido contrário do tráfego, para chegar à parada de ônibus. Não pode usar a estação mais próxima do seu ponto de trabalho. Não serve por ser inclinada e não ter acesso para a cadeira. Precisa ir até a parada seguinte, no Derby, uma das poucas que têm algo parecido com uma rampa. No trajeto, depende da boa vontade dos motoristas em parar para ele, abrirem passagem. Eduardo corre riscos diários, frequentes. A qualquer momento pode ser atropelado.

Chegar à parada também não é garantia de nada. As estações são estreitas e estão sempre cheias de gente e ambulantes. Carroças ocupam o acesso, não deixam espaço. O jeito é ir pedindo, pedindo. “O pior de tudo é ver que tem gente que não entende. Fica irritada porque preciso passar. Se não ficar pelo menos no meio da parada, perco o ônibus porque o motorista não me vê”, explica Eduardo, paciente e sempre com voz calma. Depois de posicionado, a expectativa é transferida para a chegada do coletivo.

Muitas vezes, ele passa lotado e a operação do elevador é complicada. “É muito comum o equipamento estar com problemas. Outras vezes, a falta de manutenção faz com que ele quebre na hora da operação. É o pior de tudo. Eu prefiro que nem pare, porque os passageiros ficam muito irritados. Em vez de culpar as empresas de ônibus pela falta de manutenção, me responsabilizam. Parece que não compreendem o que enfrentamos diariamente”, afirma. Para seguir em frente, realmente só com persistência e a força de Nossa Senhora, cuja imagem está no terço que o cadeirante hora carrega preso à cadeira de rodas, hora pendurado no pescoço.

Fonte: Deficiente Ciente - São Paulo - SP, 15/06/2011 - Imagem Internet

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Colaboração.

A APNEN, necessita de ajuda para doar uma Cadeira de Rodas Adaptada para uma Garotinha de 02 anos portadora de paralisia cerebral decorrente de uma má formação do SNC (Sistema Nervoso Central) valor desta Cadeira: R$2.980,00, no momento, estamos sem verbas para poder atender este pedido.


Quem puder estar colaborando, entre em contato com a APNEN, pelo fone:(19) 3466-3321, numero da conta corrente, você encontra no site: www.apnen.com.br


Grato.


Carlos Raugust

Americanos esterilizados em programa de eugenia lutam por indenização do Estado

Programa para evitar que pobres e deficientes mentais procriassem levou à esterilização de mais de 60 mil até 1979 nos EUA

da Redação

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 16/06/2011

Em 1968, nos Estados Unidos, Elaine Riddick foi violentada por um vizinho que ameaçou matá-la se ela relatasse o ocorrido a alguém. Criada em ambiente cercado de abusos, filha de pais violentos, na empobrecida cidadezinha de Winfall, na Carolina do Norte, a adolescente tinha 13 anos de idade. Nove meses mais tarde, quando estava no hospital, dando à luz uma criança - fruto do crime de que tinha sido vítima - Riddick foi violentada pela segunda vez, agora pelo Estado - ela diz.

Uma assistente social que a tinha declarado 'mentalmente fraca' pediu ao Eugenics Board - órgão americano encarregado de implementar no país as ideologias da eugenia - que esterilizasse a adolescente.

Hoje tida como uma falsa ciência, a eugenia foi um dos pilares do Nazismo na Alemanha e chegou a ser considerada um ramo respeitável das Ciências Sociais. O termo quer dizer 'bom nascimento' e foi criado em 1883 pelo britânico Francis Galton. A ideologia propunha o estudo de agentes capazes de melhorar ou empobrecer as características raciais de gerações futuras, física ou mentalmente.

Mais de 60 mil americanos foram esterilizados, muitos contra a vontade, como parte de um programa que terminou em 1979. Seu objetivo, na prática, era impedir que pobres e deficientes mentais procriassem. Décadas mais tarde, um Estado americano - a Carolina do Norte - está considerando indenizar as vítimas.

Coerção

As autoridades da Carolina do Norte forçaram a avó de Riddick a escrever um 'x' no formulário de autorização. Após fazer o parto do bebê por cesariana, os médicos esterilizaram Riddick. 'Mataram meus filhos', ela diz. 'Mataram os meus antes de chegarem', diz Riddick, que sofreu décadas de depressão e outras doenças, e hoje tem 57 anos.

Quase 40 anos após a última pessoa ter sido esterilizada como parte do programa de eugenia da Carolina do Norte, o Estado criou um grupo de trabalho para tentar localizar as 2.900 vítimas que, estima-se, ainda estariam vivas.

O grupo espera reunir as histórias pessoais das vítimas e recomendar ao Estado que lhes ofereça alguma forma de indenização. Entretanto, com as finanças públicas sob pressão, não está claro se o Legislativo vai concordar.

'Sei que não posso corrigir (a injustiça) mas ao menos posso reconhecê-la', disse o deputado estadual Larry Womble. Ele espera 'contar ao mundo que coisa horrenda o governo fez com jovens meninos e meninas'. O movimento de esterilização nos Estados Unidos foi parte de um amplo esforço para 'limpar' a população do país de características considerados indesejadas. Entre as políticas adotadas estavam evitar a mistura de raças e o estabelecimento de cotas de imigração rigorosas para europeus do leste, judeus e italianos. Um total de 32 Estados americanos aprovaram leis permitindo que as autoridades esterilizassem pessoas consideradas não aptas a procriar, começando com a Indiana, em 1907. O último programa terminou em 1979.

As vítimas foram criminosos e jovens delinquentes, homossexuais, mulheres de tendências sexuais tidas como 'anormais', pessoas pobres recebendo ajuda do Estado, epiléticos ou pessoas com problemas mentais. Em alguns Estados, as grandes vítimas do programa foram populações de origem africana e hispânica.

Puritanismo

Segundo historiadores, as esterilizações, aparentemente feitas com o 'consentimento' de vítimas e familiares, aconteciam, na prática, à base de coerção. Camponeses analfabetos recebiam formulários para assinar, detentos eram advertidos de que não seriam libertados com seus corpos intactos, pais pobres eram ameaçados de perder assistência pública se não aprovassem a esterilização de filhas 'depravadas'.

Entre alguns dos pedidos de esterilização recebidos pelo Eugenics Board em outubro de1950 estavam: Uma jovem de 18 anos, separada do marido, que tinha 'comportamento anti-social' Uma vítima de estupro, negra, com 25 anos, que apresentava 'tendências sexuais anormais', uma menina de 16 anos que tinha sido enviada para uma instituição do Estado por 'delinquência sexual' e cuja tia havia dado 'assinatura de consentimento', uma mulher branca, casada, com três filhos, cuja família havia dependido do Estado por muitos anos, e que tinha um 'histórico de casamentos com índios e negros'.

Segundo o historiador e especialista em leis Paul Lombardo, da Georgia State University, a motivação por trás das medidas era a indignação com a ideia de que pessoas que haviam desrespeitado códigos de conduta sexual acabariam precisando de assistência pública.
'Nesse país, sempre fomos muito sensíveis a noções de histórias públicas de sexualidade inapropriada', disse. 'É nossa formação puritana entrando em conflito com nosso senso de individualismo'. Os programas de esterilização também se baseavam em critérios raciais. Segundo Lombardo, o discurso era: 'Quanto menos bebês negros tivermos, melhor. Vão todos acabar dependendo de ajuda do Estado'.

Carolina do Norte

Embora os especialistas calculem que milhares em vários Estados americanos tenham sido esterilizados como parte do programa no século 20, a Carolina do Norte se destacou por sua eficiência em implementar as medidas. A maioria dos Estados promoveu esterilizações de detentos e pacientes em prisões e outras instituições.

Na Carolina do Norte, no entanto, assistentes sociais atuando na comunidade podiam fazer petições ao Estado para que indivíduos fossem incluídos no programa.

As autoridades de saúde calculam que dos 1.110 homens e 6.418 mulheres esterilizados na Carolina do Norte entre 1929 e 1974, cerca de 2.900 estejam vivos. Hoje, vários Estados examinaram seu passado e fizeram pedidos oficiais de desculpas.

No caso da Carolina do Norte, isso ocorreu em 2003. Mas alguns no Estado querem que o processo vá mais além.O deputado estadual Larry Womble continua a fazer campanha por indenização monetária para as vítimas. Com a crise nas finanças públicas, no entanto, há poucas chances de que legisladores aprovem um pedido de US$ 58 milhões em indenizações - US$ 20 mil para cada vítima.
Uma das pessoas envolvidas na campanha é Charmaine Cooper, diretora-executiva do grupo de trabalho Justice for Sterilization Victims Task Force, criado pelo Estado.

'Minha esperança é de que o Estado reconheça que nunca haverá um bom momento para indenizações'. Entre as vítimas que deverão prestar depoimento está Riddick, que hoje vive em Atlanta. Para ela, a perspectiva de uma indenização de US$ 20 mil é um insulto.

'Deus disse, sejam fecundos, multipliquem-se. Eles não pecaram apenas contra mim, pecaram contra Deus'.

Fonte: G1 - Estados Unidos, 15/06/2011

Relógio em braille

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 16/06/2011

Para um deficiente visual saber que horas são é sempre um problema, pois mesmo com relógios especiais com efeitos sonoros e tudo mais, a qualidade da comunicação nunca é satisfatória (quase sempre uma voz de máquina dita as horas) e ainda mais se o usuário estiver numa rua ou um local com barulho, ou num local onde se deve fazer silencio.

Pensando em todos esses problemas o designer David Chavez criou o Haptica, um relógio que trás as horas em braille, com isso, apenas com o toque no texto já conhecido pelos deficientes, eles poderão ler as horas onde quer que estejam, de forma prática e discreta.

O projeto ainda está no papel, pois o designer precisa de recursos para coloca-lo em prática, Chavez colocou o projeto crowdfunding, de maneira que qualquer um pode ajudar a financiar o projeto, através de doações.

A meta dele é arrecadar 150 mil dólares para o desenvolvimento do projeto, até agora 1/3 já foi conseguido, você ajuda-lo Clicando Aqui. Com certeza esse é um grande projeto que ajudará muitos dos 40 milhões de deficientes visuais ao redor do mundo e o mais interessante é poder participar desse projeto, faça a sua doação!


Fonte: http://www.nerdnarede.com

CPI ajudará a viabilizar Censo da Pessoa com deficiência em SP.

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 16/06/2011

Os membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Acessibilidade e a Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência (SMPED) concordaram em unir esforços para agilizar a realização do Censo que reunirá informações sobre os deficientes físicos e intelectuais da cidade de São Paulo.

O projeto, disse Adriano Bandini, da SMPED, está pronto para ser aplicado. “Vai começar assim que o dinheiro cair na conta”. Orçado em R$ 4,5 milhões, o Censo precisa do descongelamento da verba, que já foi pedido pela secretaria.

Em reunião ordinária nesta terça-feira, a CPI da Acessibilidade aprovou requerimento por meio do qual cobra agilidade na liberação da verba. “A CPI pode ajudar falando com quem tem o poder de abrir o cofre, pois acredito que o dinheiro seja pequeno para um assunto de tanta importância”, disse o vereador Gilberto Natalini, presidente da CPI.

Para Bandini, a realização do Censo das pessoas com deficiência é prioridade em sua secretaria, pois orientará os trabalhos da própria pasta com base nas opiniões da população. “O Censo vai dar um retrato dos tipos de deficiência que predominam em São Paulo, quais as características que os deficientes têm”.

METODOLOGIA

O formulário do Censo será enviado a 2,4 milhões de residências cadastradas no Imposto Territorial Predial Urbano (IPTU). Além disso, os questionários estarão disponíveis nas subprefeituras e no site da Prefeitura.

A pesquisa mapeará a situação da pessoa com deficiência na cidade de São Paulo. Ela trará informações sobre a distribuição geográfica dos deficientes e suas demandas de mobilidade e de acesso aos equipamentos públicos de educação, saúde, cultura e esporte, entre outros.

Fonte: http://www.camara.sp.gov.br/ (07/06/11)

Estudante com Deficiência visual ganha medalha de ouro em olimpíada de matemática.

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 16/06/2011

Aluna se destacou entre 20 milhões de estudantes de todo país
Uma estudante de 13 anos, moradora de Senador José Bento, no Sul de Minas, conquistou a medalha de ouro nas Olimpíadas Brasileiras das Escolas Públicas em 2010. Portadora de deficiência visual, a condição não impediu que Laura Ribeiro Franco se destacasse entre 20 milhões de estudantes, de todo Brasil, que participaram da competição.

Na próxima segunda-feira (20), ela vai receber a medalha no Rio de Janeiro. Além de conhecer a cidade, a estudante ganhou uma bolsa de estudos em um curso de iniciação científica e um computador portátil.
A garota usa um equipamento emprestado da escola onde estuda, para conseguir acompanhar as aulas. Para isso, um programa repete com recursos sonoros tudo o que ela digita.

Fonte: http://ht.ly/5iCxf

Justiça: falta de qualificação não e argumento contra cotas.

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 16/06/2011

O Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região de São Paulo entendeu que deve ser mantida a multa trabalhista aplicada à empresa EDS Eletronic Data Systems do Brasil pelo não cumprimento da lei de cotas. A empresa alegava não encontrar trabalhadores que preenchessem os requisitos da admissão, mas a decisão de 11 de maio indica que esta justificativa não é aceitável.

De acordo com o relator do processo, juiz convocado Marcos Neves Fava, da 14ª Turma, a argumentação da empresa não é consistente. Para ele, a lei de cotas (Lei 8213/1991, artigo 93) “concretiza parâmetros constitucionais preciosos e inegociáveis, a saber, a solidariedade, promoção da justiça social, busca do pleno emprego, redução das desigualdades sociais, valor social do trabalho, dignidade da pessoa humana e isonomia.”

Além disso, o juiz observou a questão da evolução da proteção dos direitos humanos e do conceito de eficácia horizontal dos direitos em questão, “o que aponta para a necessidade de efetiva participação dos membros do tecido social, na implementação das garantias fundamentais. O que até então era obrigação exclusiva do Estado, contra quem – verticalmente endereçavam-se as demandas sociais, passou a ser dever de todos em favor de todos.”

Nesse sentido, a decisão de segunda instância apontou para que a obrigação da iniciativa privada não está apenas em contratar, mas também em criar meios para a preparação técnica dos deficientes e reabilitados para atender à legislação. Somando-se a isso, o relator ainda ressaltou que a União havia mostrado, em sua defesa, várias páginas de rol de entidades especializadas em atender pessoas com deficiência que poderiam apoiar a empresa no cumprimento da lei.

Fonte: Portal Terra (14/06/11)

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Concepções de Deficiência: da Grécia Antiga aos dias de hoje

Trecho de artigo científico relaciona as concepções históricas da deficiência com os marcos sociais nos quais ela está incluida

da Redação

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 15/06/2011
Este capítulo tem por objetivo caracterizar as principais interpretações de deficiência existentes ao longo da história e que se mantêm na atualidade. O pressuposto adotado foi o de que a forma de interpretação compartilhada pelas pessoas sobre a deficiência é um fator explicativo importante para a gestão dessa dimensão da diversidade, devido a seu impacto nas ações e escolhas das pessoas. O método utilizado foi a análise histórica das principais invariantes ou padrões de comportamento que permanecem nas visões compartilhadas sobre a deficiência ao longo do tempo.

Confira a matéria na íntegra:  http://www.bengalalegal.com/concepcoes

Fonte: Bengala Legal - São Paulo - SP, 14/06/2011

Outros causos de uma mineirinha cadeirante

Em artigo, Adriana Lage comenta as suas atividades nesse período de variações climáticas

Adriana Lage


APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 15/06/2011
Achei muito interessante um artigo que li, no blog Ser Lesado, no qual Leandro Portella citava o caso de uma amiga gaúcha que queria ser adotada por alguma família carioca durante o inverno. Realmente, o frio complica bastante a vida de quem tem uma lesão medular. Segundo Leandro Portella, “nós lesados sempre sofremos com as mudanças de tempo e com a chegada do inverno, pois em um ambiente frio, o organismo não é capaz de obter as mensagens do cérebro que o corpo está esfriando, e exposto ao frio, a pessoa irá em breve tornar-se hipotérmica (temperatura a baixo de 35 C), terá aumento dos espasmos, dores nos membros e fadiga muscular”. Estou custando a dar conta do frio que anda fazendo aqui em BH. A temperatura anda variando de 11º a 25º. Nada muito crítico para quem mora no sul, está acostumado com o friozinho do sul de Minas ou São Paulo. Mas, pra mim, falta pouco pra me congelar! Ao contrário da Carlena, que busca uma família adotiva no sudeste, eu optaria por uma família nordestina ou que vivesse bem próxima à linha do Equador.

Mesmo em piscina aquecida, nesse frio, está difícil nadar. O vento piora bastante a sensação térmica. Por exemplo, na terça-feira passada, nadei, à noite, em piscina aberta. Após nadar 50m costas, meu técnico me pediu pra nadar 50m peito. Só assim mesmo pra esquentar o corpo e não congelar dentro da piscina. Tive que me concentrar e deixar de ser medrosa. Quando nado peito, no frio, meu corpo costuma ganhar vida própria. As mãos começam a fechar e não respondem aos meus comandos cerebrais. Fica fácil me afogar. Sair da piscina é a pior parte! Mesmo tomando banho quente, secando os cabelos e colocando uma roupa quentinha, gasto cerca de 1h para parar de tremer e sentir frio. Apesar de tudo, a sensação de nadar é única e vale a pena mesmo nessas épocas geladas. Alguns clientes da academia ficam admirados quando me vêem nadando no frio. É como brinco com minha mãe: se correr, o bicho pega; se ficar, o bicho como. Não tenho muita escolha. O corpo precisa de movimento.

Minha fisioterapeuta morre de rir dizendo que sou do contra. Enquanto no frio, a maioria das pessoas, fica com os músculos mais rígidos, os meus amolecem. Minhas pernas esticam muito mais nesse período. Após um ano juntas, ela está concordando com o que minha mãe sempre disse: “Essa menina só pode ser um E.T.!”

Nesse final de semana, já que meu romance está em stand-by (ainda morro disso!), acabei ficando por conta da minha monografia de pós-graduação. Foi muito romântico passar o dia dos namorados em meio a livros e artigos sobre empregabilidade de pessoas com deficiência! Resultado: o professor leu e aprovou o conteúdo. Mas, me esqueci completamente que meus músculos fadigam rapidamente e abusei da digitação. Com isso, comecei a semana com os braços pesados e custando a fazer o básico: pentear cabelo, vestir blusa, passar batom... A Ana, minha fisioterapeuta, me indicou vários alongamentos e me recomendou usar bastante água morna nos braços durante o banho. Assim, a musculatura ficará mais relaxada. Infelizmente, hoje estou sem condições técnicas para nadar. Serei obrigada a matar aula pra evitar afogamentos.

Por falar em natação, até hoje ainda estou recebendo parabéns pela conquista da minha medalha de ouro. Sai em uma matéria no jornal da intranet do banco em que trabalho. Foi engraçada demais a repercussão. Pessoas, de todos os cantos do país, mexeram comigo. Recebi até um elogio do meu chefão de Brasília. O que mais me surpreendeu foi receber os parabéns e incentivo da Fabiana Sugimori. Totalmente inesperado! Muito antes em sonhar em entrar numa piscina, já era fã dela. Pena que ela abandonou a natação. Nadava muito e, com certeza, deixou saudades na seleção paraolímpica. Acho bem legal a reação das pessoas ‘normais’ quando vêem alguém com deficiência superando seus limites. Sei lá, parece que despertam pra vida. Passam a dar mais valor às pequenas coisas.

Sempre fui fã do Almodóvar. Adoro o fato de seus heróis e mocinhas serem sempre fora dos padrões. Pois bem, nas últimas três semanas, tive meus dias de mulheres à beira de um ataque de nervos. Foram tantas emoções... A tensão da competição, coração partido, monografia e trabalhos da pós, final das férias, comemorações pós-medalha... Acabei descuidando um pouco da cabeça e deixando a ansiedade tomar conta. Com isso, minha pressão arterial subiu horrores. Levei muito puxão de orelha da fisioterapeuta, do meu técnico e da minha mãe. Não podemos mesmo descuidar da cabeça. Se ela não estiver em ordem, o resto todo desanda. Mas, sem sombra de dúvidas, o que mais pesou foi o coração partido. É muito ruim ver seus sonhos, que pareciam tão passíveis de realização, irem pro espaço num piscar de olhos. Mil vezes entrar numa piscina pra competir, resolver cálculos de integrais complexas, criar programas computacionais do que entender os caminhos tortuosos do amor.

Fonte: Rede SACI - Belo Horizonte - MG, 14/06/2011

Headmouse, o mouse virtual, destinado às pessoas com mobilidade reduzida, atinge a marca de 300 mil downloads na América Latina

O programa é gratuito e está disponível aqui no Superdownloads

Por Rodrigo Lima em 14/Jun/2011

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 15/06/2011


Link: http://www.superdownloads.com.br/materias/headmouse-mouse-virtual-destinado-mobilidade-reduzida-atinge-marca-de-300-mil-downloads-na-america-latina.html#ixzz1PLJJmHEh

O Headmouse2, um mouse virtual desenvolvido por criadores espanhóis, alcançou recentemente a marca de 300 mil downloads na América Latina. Ele funciona com movimentos da cabeça, além de gestos faciais.



O programa foi desenvolvido através de uma parceria entre Universidade da Lleida, a empresa Indra e a Fundação Adecco. De acordo com os criadores, trata-se de um programa único, já que é gratuito e voltado para pessoas com problemas de mobilidade. O único requisito é ter uma webcam instalada no computador.

Segundo Alicia Fernandes, a responsável pelas tecnologias acessíveis da Indra, não é necessário muito tempo para aprender o seu manuseio. Com o Headmouse2 é possível realizar todas as funções de um mouse comum, como clicar e arrastar. Tudo é feito por meio da abertura da boca ou piscadas de olhos.

Fonte: http://www.superdownloads.com.br/materias/headmouse-mouse-virtual-destinado-mobilidade-reduzida-atinge-marca-de-300-mil-downloads-na-america-latina.html   14/06/2011

 

MPE garante medicamento para criança com "Ossos de Vidro".

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 15/06/2011

Liminar da Justiça de Brumadinho determina à SES que forneça para criança de 19 meses o medicamento contra doença conhecida como ossos de vidro.

Atendendo a pedido liminar feito em ação civil pública pela Promotoria de Justiça de Brumadinho, a Justiça determinou à Secretaria de Estado de Saúde (SES) que forneça em 48 horas, após a citação, o medicamento denominado Pamidronato Dissódico para o tratamento de uma criança de 1 ano e 7 meses, portadora de osteogênese imperfeita tipo III, sob pena de pagamento de multa diária.

A patologia faz os ossos fraturarem facilmente, sendo por isso conhecida como "ossos de vidro". O medicamento deve ser injetado no paciente a cada quatro meses.

A ação foi proposta pela promotora de Justiça Sophia Sousa de Mesquita David e a liminar foi concedida pelo Juízo da 2ª Vara da Comarca de Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte.

A solicitação foi feita pelo pai da criança e o fornecimento havia sido negado administrativamente pela Secretaria Estadual de Saúde pelo fato de o Ministério da Saúde classificar o Pamidronato Dissódico como "medicamento de alto custo".

Em sua argumentação, a promotora sustentou que o direito da criança ao medicamento é direito público subjetivo, fundando-se ainda o pedido no acesso universal e igualitário às ações e serviços da saúde para promoção e recuperação, sendo ainda alegado o direito à saúde como direito fundamental previsto na Constituição e que o Estatuto da Criança e do Adolescente garante absoluta prioridade no atendimento às crianças e adolescentes. A promotora argumentou ainda, na ação civil pública, que a lei garante assistência farmacêutica integral aos usuários do SUS.

Fonte : MPMG

Escolas particulares não estão prontas para incluir

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 15/06/2011

Marília do Rosário retirou o filho Thiago,
que sofre de epilepsia, da escola após a instituição
dizer que não o aceitaria mais
No último Dia das Mães Marília Vieira do Rosário, 29 anos, não ganhou um abraço do filho Thiago, 3 anos. Também não recebeu um cartão nem se emocionou com a apresentação na festa da escolinha. Na ocasião, enquanto as outras crianças cantavam, Thiago permaneceu parado, com as mãos nos ouvidos. Desde que ele nasceu Marília convive com a síndrome de West do filho, um tipo grave de epilepsia, e está acostumada com o comportamento evasivo do garoto, que não fala. O que a frustrou, porém, não foi a reação da criança, mas a decisão da direção da escola, que, após a festa, comunicou que não aceitaria mais o menino.

“Foi muito difícil. Um mês antes, quando o aceitaram, eu disse que ele tomava os comprimidos, que não tinha mais crises e assinei um termo de responsabilidade por ele no período em que passaria na escola. Ficaram com medo de ele ser agressivo, de outros pais reclamarem, mas aceitaram quando expliquei mais sobre a síndrome. Ele poderia ficar até que eu encontrasse outra escola, mas achei melhor tirá-lo [após o comunicado] e ele está em casa.”

Do outro lado, a coordenadora pedagógica da escola, Tatiana Malinverni, explica o porquê da decisão e argumenta que os pais têm dificuldades em entender quando a escola assume não estar preparada para atender algum aluno. “Eu penso no bem do aluno. Seria fácil aceitá-lo aqui, mas ele não estaria desenvolvendo as capacidades de que precisa. Eu gostaria de ter pessoas especializadas ou o espaço necessários, mas no momento não temos e não acho correto aceitar um aluno sem garantir a ele a educação especializada que requer”, diz.

O caso de Thiago, infelizmente, não é raro. Enquanto as escolas públicas caminham para estarem cada vez mais preparadas para atender alunos com qualquer tipo de deficiência, seja física ou intelectual, nas particulares ainda há dificuldade em achar vagas de inclusão. Das dez escolas particulares procuradas pela reportagem, apenas duas se mostraram abertas a receber um aluno de inclusão intelectual fictício. As outras disseram já ter um aluno de inclusão nas turmas da série em questão, o que seria o limite.

Segundo o presidente do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná, Ademar Batista Pereira, não há uma regra que diga que cada turma das escolas particulares possa ter apenas um aluno com necessidades especiais. Mas essa é uma estratégia pedagógica tomada para não prejudicar as aulas. “Essa limitação não existe porque a escola não quer atender os alunos com necessidades especiais, mas porque ela tem de ter consciência de suas limitações e agir com responsabilidade. De que adianta um pai entrar na Justiça para que a escola aceite o filho dele na marra? Educação é parceria entre escola e família, se a inclusão acontecer à força, que tipo de parceria vai existir? Como vai ser o trabalho com esse aluno?”, afirma.

Particular ou pública?

A pedagoga e doutoranda em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) Maria Silvia Bacila Winkeler lembra que perante a lei todos devem ter acesso à educação. E que, dentro da escola, o atendimento pode ser mais facilitado nas instituições públicas, que podem estar melhor equipadas. “Se formos pensar em estrutura física, a pública é melhor, pois recebe financiamentos para espaços diferenciados e salas multifuncionais, o que não existe em muitas escolas particulares”, diz. Mas nem todos estão convencidos da qualidade do atendimento prestado nas escolas públicas, como afirma a psicóloga Miriam Pan, pós-doutoranda em Psicologia na Univer­sidade de Austin, no Texas, Estados Unidos. “Se tivéssemos de fato uma escola pública de qualidade, fazendo uma inclusão de qualidade, provavelmente todos os pais de crianças com deficiências estariam lá e não precisariam bater de porta em porta implorando por vagas nas escolas particulares”, diz.

Acesso não garante qualidade

O grande problema da inclusão é justamente expandir o número de vagas, sem se preocupar com a qualidade do ensino e do atendimento, segundo a psicóloga Miriam Pan, pós-doutoranda em Psicologia na Universidade de Austin, no Texas, Estados Unidos. “Colocamos todos pra dentro da escola, mas para quê?”, questiona. Morando nos Estados Unidos, onde pesquisa a inclusão para seu pós-doutorado, Miriam comenta que o Brasil é um país que tem uma política de inclusão bastante recente e que precisa amadurecer. “Em países como os europeus ou os Estados Unidos a inclusão tem o mesmo discurso, mas é feita com base no fortalecimento da estrutura da educação e investimento em professores e recursos humanos. É um direito da criança com dificuldades estar na escola e ser bem atendida. Nas salas, vai sempre haver um professor regente e um outro habilitado para trabalhar com crianças com necessidades especiais ou um especialista, e não um auxiliar como acontece aqui no Brasil”, diz. Ela também explica que aqui o acesso acontece, mas sem o tratamento que os estudantes precisam. “A inclusão chega sem que a estrutura necessária chegue junto. E não estamos falando só das rampas de acesso ou barreiras arquitetônicas, nós percebemos barreiras em termos de discriminação, preconceito e até indiferença”, diz.

Parceria

O diálogo e o trabalho em conjunto é o que pode fazer com que a inclusão realmente aconteça. E, para que funcione, nada pode ser imposto ou escondido, segundo a pedagoga Maria Silvia Bacila Winkeler. “Um professor que recebe uma criança com deficiência deve ser consultado antes, até para que possa se preparar, assim como os colegas também precisam ser informados para que aprendam a lidar com a situação. Sempre, se temos um novo colega, ele precisa ser apresentado. Precisamos nos conhecer e nos compreender para sabermos agir”, afirma.

Mas ela lembra que, apesar de não ser fácil achar uma instituição adequada para a criança, a luta maior começa com o filho dentro da escola. “Eles precisam olhar com cuidado se a escola do filho realmente aceita a criança e investe na educação dela. Porque,sem isso, é perda de tempo para o aluno e desgaste para a escola e para os pais”, diz. O entendimento entre as partes é fundamental para o aluno e deve ser o objetivo quando se pensa na inclusão, mesmo que ela venha depois de terem sido encontradas muitas portas fechadas.

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/

terça-feira, 14 de junho de 2011

Mutirão ortopédico irá atender mais de 100 pacientes em Mato Grosso

A primeira etapa será realizada entre 13 a 17 de junho, em Cuiabá. O objetivo é diminuir a fila dos pacientes para aquisição de próteses.
da Redação

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 14/06/2011

A primeira etapa do mutirão ortopédico, do Centro de Reabilitação Integral Dom Aquino Correa (Cridac), em Cuiabá, para pessoas que necessitam de prótese dos membros inferiores, será realizada entre os dias 13 e 17 de junho. Para esta primeira fase o Cridac vai atender cerca de 140 pacientes.

De acordo com a gerente da Oficina Ortopédica do Centro de Reabilitação, Lilian Aparecida Fabris, neste primeiro atendimento serão realizados procedimentos padrões para saber se o paciente já está em condições de receber a prótese. “Serão tiradas as medidas e feitos exames para saber se o membro a receber a prótese está em condições físicas adequadas para a adaptação”, contou.

Segundo a diretora do Centro de Reabilitação, Lúcia Provenzano, o atendimento destes usuários tem como objetivo diminuir a fila dos pacientes que já tinham processos para aquisição de próteses. “É necessário frisar que o atendimento não é feito de forma aleatória, uma vez que todos os pacientes já estavam devidamente cadastrados no Cridac e aguardavam atendimento”, afirma Lúcia.

Após a retirada das medidas necessárias para confecção das próteses ortopédicas, os pacientes deverão voltar em um segundo momento para fazer o teste de encaixe e posterior recebimento das mesmas. “Após o recebimento das próteses os pacientes serão encaminhados para reabilitação com o objetivo de orientar quanto a forma correta de tirar e colocar as próteses, de fazer o treino de marcha em diversos ambientes [rampas, escadas, terrenos irregulares e uso de transporte coletivo], visando diminuir ao máximo os acidentes por quedas, garantindo segurança no trato dos afazeres do dia a dia”, ressalta Lúcia Provenzano.

Fonte: G1 - Cuiabá - MT, 13/06/2011 - Imagem Internet

Iniciativas proporcionam qualidade de vida a pessoas com deficiência física

Um blog é usado para informar sobre ruas e estabelecimentos acessíveis. O trabalho voluntário é dividido entre cinco colaboradores

da Redação

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 14/06/2011


Casas adaptadas e acessíveis e informações sobre lugares onde o direito de ir e vir está garantido. Essas duas iniciativas dão dignidade aos deficientes dentro e fora de casa.

“Na opinião de todo cadeirante, as pedrinhas portuguesas tinham que acabar. Eu sei que tem uma série de justificativas para mantê-las, mas eu acho que não pode ser como a gente vê. Todo mundo passa e a manutenção é complicada. Às vezes, fica cheia de desníveis e buracos”, observa Eduardo Câmara, analista de sistema.

Eduardo está na cadeira de rodas há 12 anos. Ele circula pelas ruas do Rio de Janeiro com total independência, mesmo quando se depara com dificuldades, que não são poucas.

A avaliação de ruas e estabelecimentos acessíveis vai parar no blog Mão na Roda, criado por Eduardo há quatro anos. “Eu ajudava algumas pessoas através de comunidades da internet, por e-mail. Então, pensei sobre porque não colocar tudo isso num site. Assim, a informação vai ficar acessível para todo mundo”, justifica.

Ele está sempre atrás de novidades para o blog. O trabalho é voluntário e dividido entre cinco colaboradores. A analista de projetos Cristiana Costa também escreve para o site. Um dos assuntos é a situação das calçadas. “Ela faz um tipo de buraco. Então, quando chove, enche de água. É horrível para andar. Eu estou sempre andando meio torta”, reclama Cristiana.

Mas os desafios da mobilidade começam antes do cadeirante sair às ruas. Os primeiros obstáculos para quem tem deficiência estão justamente dentro de casa. No Rio de Janeiro, é desenvolvido um trabalho social que transforma residências em moradias acessíveis. São grandes reformas ou pequenas mudanças que fazem toda a diferença. Na casa, na periferia da cidade, moram três pessoas com deficiência. Entre elas está Juan, de cinco anos. A vendedora ambulante Viviane Martins não pode pagar pelas adaptações para melhorar a locomoção do filho. “Eu trabalho vendendo bala. O dinheiro dele é dele. Eu não mexo. Compro fralda, remédio e tudo o que ele precisa. Mas para comprar a cadeira para ele, não temos nem condições”, lamenta. A família recebeu a visita de Rosane Amaral, arquiteta do Projeto Moradia e Acesso, da ONG Rio Inclui. O programa já reformou 40 casas no Rio de Janeiro. O trabalho começa com uma avaliação. O projeto, que atende famílias de baixa renda, começou em janeiro do ano passado. “São pessoas que tem que estar dentro do município do Rio de Janeiro. Tem que ter uma pessoa com deficiência dentro da residência e uma renda per capita de um salário mínimo por pessoa. A gente avalia quais são os gastos dessa família com saúde”, esclarece Rafael Oliveira, coordenador de projetos da ONG Rio Inclui.

A equipe de obras também conta com uma assistente social. “A assistente social entra com a proposta de fazer um levantamento sócio econômico desse grupo familiar, de compreender as relações familiares que acontecem dentro desse espaço físico”, explica a assistente social Lize Almeida.

Os professores Elza Monteiro e Jorge Souza vivem juntos há 28 anos. As pequenas modificações melhoraram muito a vida do casal. “Eu subi o vaso sanitário dentro da norma, alarguei a porta, baixei todos os registros e coloquei barras de apoio para que eles tivessem um pouco mais de facilidade na hora do banho”, detalha a arquiteta.

A maior dificuldade era sair com o carro. “Em dia de chuva a gente se molhava todo para poder entrar. Na cadeira não dá para carregar o guarda chuva”, diz o professor. Algumas intervenções são maiores. Da casa original do Rian sobraram duas paredes. É uma casa nova. A obra demorou dois meses. Se fosse pagar pela reforma, a dona de casa Renata Oliveira gastaria cerca de R$ 40 mil.

“Eu queria fazer o chão e não consegui. Era um sufoco. O chão era na terra pura. Eu caía muito com ele. Não tinha como passar a cadeira”, lembra Renata. A casa agora tem quarto, banheiro e cozinha. São ambientes novos e acessíveis.

Fonte: G1 - Rio de Janeiro - RJ, 13/06/2011

O dito na fala de quem não o diz: uma questão de inclusão

Artigo sobre a questão da pessoas com deficiência e sua segregação escolar, sob o manto de uma educação especial


Francisco J. Lima, Rosangêla A. Ferreira Lima e Theresinha M. J. M. Moura

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 14/06/2011

 Resumo

O presente artigo versa sobre o discurso por trás do discurso. Trata da fala "opaca" que promove a exclusão sob a aparência de se estar promovendo a inclusão. Argumenta que se tem apropriado do discurso da inclusão para deliberadamente impedi-la. Registra que falas. Travestidas de boa intenção conduzem à perpetuação de tabus, preconceitos e discriminações contra grupos vulneráveis diversos. Aponta que a chamada educação especial não faculta a quebra desses preconceitos, pelo contrário, serve para promover a segregação social, retirando do convívio da sociedade, todos aqueles que "ela considera feio, repugnante de olhar, ou aceitar, falho, incompleto ou imperfeito. Por fim, deixa-nos pistas do que podemos fazer para mudarmos a nossa postura em prol de uma sociedade verdadeiramente para todos, onde nesse "todos" se encontrem as pessoas com deficiência e demais grupos socialmente vulneráveis, como os de diversas origens, étnicas, religiosas, geográficas ou lingüísticas que, portanto, não fazem parte do poder dominante.

Artigo

A linguagem humana é de tal importância em nossa vida, que nem nos damos conta de que todas as nossas ações se dão na e pela linguagem. Sabemos que todos os animais se comunicam de uma forma ou de outra e que só o ser humano utiliza-se da comunicação no seu mais alto grau de complexidade: a língua. É através dela que expressamos nossas idéias, sentimentos, e é por meio dela que nos organizamos e vivemos numa sociedade.

Está, pois, no ato da fala a manifestação do homem enquanto ser pensante, sujeito e objeto de suas ações e de outros de sua espécie.

Tal afirmação, que não é estranha para muitos teóricos e que é assumida por vários outros, com pequenas nuances de estilo e conteúdo, pode, na prática, ser observada no dia-a-dia. A língua de comunicação social de um grupo, portanto, exprime o que se quer dizer, mas não pára por aí. Ela denuncia também o que uma pessoa não quer dizer ou gostaria de omitir, mesmo que inconscientemente.

Sócio-culturalmente construídas, a discriminação, a segregação, enfim, a exclusão de membros da sociedade humana vêm historicamente se apresentando manifestas, não só nas ações de pessoas que assumem sua intencionalidade, mas também nas falas não ditas de profissionais que se pretendem defensores da diversidade, da "diferença", da multiplicidade e de outros conceitos correlatos que, se de fato fossem assumidos e postos em prática nas atitudes diárias desses profissionais, viriam somar-se à tentativa de se minimizar a exclusão dos muitos grupos socialmente vulneráveis, reconhecidamente excluídos das relações sociais humanas mais básicas, por conta de sua religião, sua cultura, seu gênero, sua origem racial ou econômica etc.

Não se trata aqui de culpabilizar ou diminuir os esforços e a importância desses atores da sociedade, que são, por vezes ou em parte, bem sucedidos naquela tentativa, mas de desvelar que, mesmo sem quererem, perpetuam exclusões historicamente praticadas por atitudes milenares de preconceito e discriminação. Note-se que hoje, cada vez mais, os grupos em desvantagem ou vulneráveis vêm sendo ouvidos e atendidos em suas reivindicações e em seus direitos básicos, suprindo, paulatinamente suas necessidades mais específicas.

Não obstante, também esses operadores sociais não estão imunes de provocarem ou causarem ou apenas responderem "despreocupadamente" a situações hodiernas que reproduzem a exclusão da pessoa humana.

Por conseguinte, é mister cuidar para que essas pessoas não se tornem exemplos equivocadamente seguidos, quando, sem notarem, ou deliberadamente desviarem do propósito ótimo da inclusão, a participação de todas as pessoas no todo social humano. E essa preocupação é devida, também pelo fato de que essas pessoas estão, ou muitas vezes ocupam, lugares sociais, de onde são miradas como exemplos, mesmo quando não querem, mas que ainda assim, servem como tal e são seguidas.

Destarte, ao ocuparem esses espaços, dizem muito mais que suas palavras soam, uma vez que encerram, produzem e proclamam em suas ações, argumentos para o exercício da inclusão ou da própria exclusão, apropriados pelos demais agentes sociais de uma dada comunidade.

Tomemos alguns exemplos para que esse espectro se nos ponha mais palpável: na educação, um professor pode facultar ou dificultar mais ou menos o aprendizado de uma criança, caso sua fala (do professor, enquanto mediador do conhecimento) reflita preconceitos a respeito da capacidade do aluno, a sua frente.

Com efeito, a baixa expectativa de professores sobre a potencialidade de seus alunos tem se constituído fator preponderante para o baixo desempenho destes. Quase como conseqüência dessa baixa expectativa, pois, é que crianças advindas de classes sociais menos abastadas, de origem racial não branca, de minorias lingüísticas, com "deficiência intelectual, física, sensorial ou cerebral) etc., são vistas como sendo incapazes de serem bem sucedidas no desempenho escolar. E isso não tem certamente nada que ver com sua capacidade cognitiva, mental, de aprendizagem etc., mas em barreiras atitudinais para com elas. Mais ainda, isso se deve, entre outros fatores, os quais não exploraremos aqui, ao fato de que a crença, não dita, na incapacidade dessas crianças se mostra manifesta nas aulas e na fala dos docentes que deveriam, por questão óbvia de moral e ética, ser os primeiros a crer na capacidade de inteligência latente dessas crianças que são, por clareza solar, vencedoras, numa vida que parece colocá-las como perdedoras em um jogo iníquo, cujas regras não lhes foram permitidas elaborar, e contestá-las é quase impossível.

Quando, pois, um professor diz que "não dá para fazer um bom trabalho em uma sala de aula de uma escola de periferia, onde estão estudando crianças pobres, negras, sem dentes, revoltadas com a vida e violentas por natureza", esse professor está facultando que esses predicativos se tornem realidade como em uma profecia de auto-realização.

Se é fato que as condições de trabalho em muitas escolas, se não na maioria das escolas públicas, são precárias, isso não deve servir como uma névoa que tapa uma realidade mais repugnante, a do preconceito e discriminação para com os muitos grupos vulneráveis, de onde vêm as crianças, jovens e adultos de que tratamos.

Fica também claro perceber o quanto a fala denuncia a exclusão e, mais ainda, a produz, quando se diz: "a inclusão é um tipo de exclusão". Essa fala, que tem sido corrente, por parte de alguns que se apropriam do discurso da inclusão para contra esta trabalhar, demonstra, de um lado, que o emissor de tal fala não sabe do que está falando, já que a inclusão só existe porque se reconhece que no atual sistema em que vivemos, uma grande parcela da sociedade está excluída, alheia, ausente, deixada de lado dos benefícios sociais como educação, saúde, moradia, trabalho, lazer etc. Com efeito, tantas são os grupos em desvantagens e tanto foi o abandono social, político e econômico que sofreram que tais grupos se reuniram para exigir dos governos que atentassem/respondessem às suas necessidades. Logo, quando vemos uma ação sendo tomada por um governo, esta ação não vem de cima para baixo, mas vem sim, como uma tímida resposta à demanda desses muitos grupos vulneráveis.

Por outro lado, a apropriação do discurso da inclusão para se trabalhar contra ela fica evidente quando, por exemplo, a escola reconhece, na fala, o direito à educação para todos, mas, na prática, nega esse direito para o verdadeiro "todos", quando recusa, dificulta, resiste à inclusão plena de todas as pessoas na escola, mormente quando denega criminosamente a matrícula de pessoas com deficiência, em particular as com limitação intelectual, doentes mentais ou pessoas com múltipla deficiência.

E fazem isso, negando-lhes o direito à cidadania e à dignidade de pessoa humana. Com efeito, "A dignidade conquista-se gritando: O rei vai nu!

O rei vai nu, a escola vai nua, porque se cobriu com a capa da escola para todos, mas só o é na rejeição." Barbosa (2003)".

Ao se alegar, por exemplo, que "um indivíduo surdo só pode aprender a língua de sinais (LIBRAS) se for em instituições para surdos, com seus colegas surdos e com professores especializados em surdos" ou que "a escola comum/regular não está preparada para atender esses alunos, pois seus professores não detêm os conhecimentos necessários para ensinar alunos surdos", embute-se, numa fala não dita, a crença de que surdos são seres que aprendem, se é que aprendem, na visão dessas pessoas, de maneira tal e diferente, que é preciso confiá-los a instituições especializadas, para que possam ser treinados para um convívio social mais amplo. Crença essa, infundada e descabida, quando sabemos que as pessoas com limitação auditiva, parcial ou total, congênita ou adventícia, são dotadas de igual potencial de aprendizagem como quaisquer outras crianças, jovens e adultos, mesmo quando precisam de metodologia de ensino específica, como para aprender LIBRAS.

É cristalino que não é essa postura de segregação que se espera de uma sociedade capaz de se modificar para responder às necessidades de seus membros, uma sociedade realmente inclusiva. Nessa sociedade, o discurso óbvio seria o de reconhecer que as escolas brasileiras não estão preparadas pra educar com ótima qualidade a nenhum de seus membros, exceção feita aos vários exemplos, cujos promotores alcançam tal objetivo, a despeito das adversidades econômicas, culturais e teóricas, por que todos passamos.

Assim, deparamo-nos com um falso paradoxo: de um lado reconhecemos que no atual sistema educacional as condições de ensino/aprendizagem não são boas; de outro, queremos que pessoas, com as limitações descritas acima e outras, venham estudar na escola que temos. Novamente, estamos aqui perante uma fala que nada colabora para propiciar a inclusão de todos nesta sociedade que sabemos ser excludente e que queremos tanto mudar. Assumindo o discurso da segregação baseada no discurso do melhor para as pessoas com deficiência, fugimos do verdadeiro dilema, qual seja: como modificar esta escola, de maneira plena e irrestrita, para alcançarmos uma escola de qualidade, capaz de transformar-se para receber, entender, respeitar e atender às necessidades/peculiaridades de todos os seus alunos, independentemente de diferenças sociais, econômicas, de gênero, origem (geográfica, étnica, lingüística, religiosa etc.) ou de quaisquer outras diferenças de aparência (estética), de "descapacidade" (limitação sensorial, intelectual, cerebral e física) ou de orientação sexual etc.

Fica mais patente a tentativa de reservar a educação para uma parcela pseudo-homogênea e escolhida, quando se pretende que, mesmo dentro das minorias aceitas nas diversas instâncias sociais, entre elas a da educação, as pessoas devam apresentar alguns parâmetros de "inteligência", em geral de cunho verbal-lingüístico ou lógico-matemático, sem os quais elas deveriam ser recolhidas em instituições especializadas ou especiais (que, como se tem mostrado, de especiais não têm nada e menos ainda de especializadas).

Basta perguntar quantas dessas instituições têm profissionais graduados e pós-graduados em seu quadro de empregados (não assinando laudos pré-formatados, mas efetivamente trabalhando/ensinando a população em tela). A essa questão a resposta é óbvia: hoje as instituições têm alguns, porém, historicamente, tais instituições têm sido formadas para a assistência de pessoas, cujas necessidades vão além de suas limitações sensoriais, físicas ou intelectuais, para a assistência de necessidades pecuniárias dessas pessoas.

Tanto é assim que muitas dessas instituições são de inspiração religioso-caritativa, e não educacional por excelência. Também é óbvio que reconhecemos que muitas dessas instituições têm buscado instruir tais pessoas, e muitas vezes alcançaram tal êxito. Provavelmente muito mais pelo esforço individual daquele estudante com deficiência que da instituição propriamente dita. Mas não nos esqueçamos que essas mesmas instituições têm servido para prolongar uma realidade deplorável, qual seja, a manutenção de pessoas na proscrição social, da família, do trabalho, do lazer dentre outros locus de convívio humano.

Exemplo disso é o de uma criança, residente no interior, que aos seis ou sete anos é retirada do seio familiar, para ir estudar numa instituição "especializada em deficiente", na cidade grande, 300, 500 km de distância de sua cidade natal, pois, no modelo atual, é somente nessa cidade que ela vai encontrar um ensino especial.

Ora, se considerarmos que todas as crianças necessitam mais do afeto de suas famílias de que qualquer outra coisa, não há razão para crermos que uma criança que tenha alguma "deficiência" precise menos.. Portanto, é descabido querer um modelo educacional que vai impor a essa criança que, na possibilidade de educar-se, venha ficar sem sua família.

Se esse exemplo não é, por si só, suficiente para explicitar o discurso por trás da fala dos que defendem uma escola segregada, lembremos que, ao retirarmos da sociedade a pessoa com deficiência, estamos tirando dos olhos dessa sociedade parte daquilo que ela considera feio, repugnante de olhar, aceitar ou conviver, mas que nada mais é que as pessoas humanas com deficiência.

Sob esse modelo segregador da pessoa com deficiência, não é de se admirar que praticamente não haja, ainda nos dias de hoje, crianças e jovens com síndrome de Down, por exemplo, freqüentando os bancos escolares, os parques de diversão, as praças e outros locais de lazer (como se essas pessoas praticamente não existissem em nossa sociedade), quando as estatísticas demonstram que para cada 600 bebês nascidos vivos, um terá síndrome de Down. Logo, se essas pessoas existem (e elas existem) e não estão convivendo conosco, em nosso dia-a-dia, elas só podem estar "asiladas", em parte devido ao discurso dos defensores de uma sociedade pseudo-protetora dos indivíduos com deficiência, mas que de fato apenas os excluem, visando uma "sociedade limpa, bonita, arrumadinha e perfeita", enfim, uma sociedade de "normais".

Nessa sociedade, irreal, graçam abertamente os defensores da educação em ambiente segregado, as escolas especiais. Em nossa sociedade real, esses defensores professam, na opacidade de seus discursos, falas como as que Certeza (2003) denuncia como sendo expressões de preconceito:

"(...) infelizmente ainda são preconceituosamente utilizadas expressões como: "vencer obstáculos é o lema dos deficientes", "a maioria dos obesos supera barreiras todos dos dias", "conquistar espaços com muita garra é o objetivo de todas as mulheres", "ele é um ser especial e super eficiente", "mesmo morando em um lugar tão precário, realiza algo fenomenal", "em uma cadeira de rodas é um super-herói", "deficientes mentais são um exemplo de vida", "pôde ultrapassar limites mesmo sendo cego" e etc.

(...) "ajude, pois ele é um coitadinho", "carentes precisam do seu apoio", "quem é paraplégico é um incapaz", "todo negro é fraco", "a maioria dos idosos são dependentes", "é pequeno, mas merece sua ajuda", "cuide dos aleijados que não podem viver sozinhos", "apesar de ele ser pobre, conseguiu realizar tal coisa", "mesmo sem uma perna, trabalha", entre outras." (Certeza, 2003)

Nas palavras da autora, "generalizar, nivelar, taxar, pré-julgar, acreditar exclusivamente no senso comum, não conhecendo como realmente é o outro, só nos conduz à ignorância, ao preconceito, e à atitudes discriminatórias" (Certeza, 2003). Nas falas dos que afirmam que "a inclusão é um tipo de exclusão", ora estampam-se ora escondem-se estereótipos, estigmas, preconceitos e tabus para com as pessoas com deficiência e demais grupos vulneráveis, posto que aqueles defensores não assumem, de fato, a coexistência desses grupos na diversidade humana.

As expressões preconceituosas, a que a autora se refere, estão, por vezes, explícitas no discurso do cidadão comum, leigo, porém, com freqüência, aparecem implícitas no discurso e na prática de médicos, professores, psicólogos, terapeutas, em geral, e dos próprios indivíduos com deficiência, os quais acabam refletindo o estigma e a baixa expectativa daqueles profissionais, acreditando que não são deficientes, mas sim incapazes.

Já confirmava tal assertiva, Buscaglia, no século passado quando dizia:

"...Médicos, pais, professores, amigos, parentes, todos, sem dúvida, bem intencionados, se encarregarão de convencer essas crianças, ou de ajudá-las a aprenderem, de que são incapazes. É muito difícil evitar tal atitude, pois nossos próprios medos, ignorância, apreensões e preconceitos surgirão sob milhares de formas distintas, a maioria delas inconscientes. Aparecerão disfarçados no jargão médico e pedagógico, em testes psicológicos, na proteção paterna, no excesso de preocupação da família, sempre vestidos com o manto do amor.

É imperativo, portanto, para aqueles que cuidam de indivíduos deficientes, estar sempre alerta, a fim de se assegurarem de que não estão colaborando com o processo de esses indivíduos se tornarem também incapazes".

(Buscaglia, 1997)

A inclusão deve acontecer hoje, amanhã e daí em diante, mais do que no discurso, no próprio fazer social. Como se diz: "ninguém faz curso para ser mãe ou pai, nem se está realmente pronto para ter filhos". Mas, assim que os têm, os pais passam a aprender a ser pais: "aprende-se, pois, a ser pai, sendo". Da mesma forma, aprende a sociedade a ser inclusiva, sendo!

Como pudemos ver, há mais por trás das falas do que imaginam seus falantes, e estes são freqüentemente manipulados a responderem ou dizerem aquilo que se espera, numa clara manifestação de que o discurso "dito" traz consigo falas, por vezes de outros, não ditas. Tanto é assim que, por exemplo, ao se perguntar a uma pessoa, que estudou em instituição "especializada" em cegos, se a educação especial é um modelo adequado para se "ensinar os cegos", é compreensível que ela responda afirmativamente, que esse é o modelo correto, porque as escolas comuns não estão preparadas para o ensino de cegos, já que os professores dessas escolas não sabem o Braille ou qualquer outra coisa sobre a educação de cegos.

Esse indivíduo pode, ainda, responder que acha que a inclusão "dá para ser feita, mas só para alguns portadores de deficiência, não para todos", uma vez que também esse discurso é difundido nessas instituições.

O que esse indivíduo parece não perceber é que, tendo ele estudado numa escola especializada em cegos, sempre ouviu falar que seria lá e apenas lá que poderia estudar; que só seus professores sabiam ensiná-lo e que qualquer outra escola não estaria apta para educar pessoas cegas, o que não é verdade.

Entre outros malefícios, a apropriação dessa concepção, por parte de alunos cegos, tem levado muitos a acreditar que as pessoas com deficiência visual são incapazes de aprender se não for em instituições especializadas em cegos, em ambientes próprios para cegos, com seus colegas cegos e com professores "especialistas em cegos". Crença que os leva a não dar continuidade a seus estudos (nas escolas comuns), já que a maioria, ou quase totalidade, das instituições para cegos, não oferece ensino médio, menos ainda superior.

Considerações Finais

Vê-se, pois, que a fala não dita a respeito da deficiência ou do indivíduo com deficiência pode ter efeito incapacitante, direto e/ou indireto, sobre aqueles que versa. Daí, a importância de se rever a prática educacional e o discurso dessa prática, valores e conceitos, idéias culturais etc, sob pena de não o fazendo, perpetuar uma situação de apartaid educacional, escancarado sob nossos olhos, ouvidos e mãos.

Assim, é mister que tomemos ações simples, porém resolutas, contra esse tipo de realidade que contempla apenas uns poucos, é mesquinha e cujas intenções não passam da manutenção de uma realidade iníqua, preconceituosa e discriminatória.

Exemplo dessas ações é a própria mudança de nossa atitude em prol da inclusão: nossa dúvida perante a capacidade de aprender das pessoas com deficiência tem de mudar para a certeza de que elas são dotadas de potenciais latentes e manifestos para o aprender pleno e irrestrito; nossa compreensão da pessoa humana tem de mudar para que possamos, nessa mudança, deixar claro em nosso discurso e prática que todos são capazes de força laboral e produtiva; nossa descrença sobre a capacidade de as pessoas com deficiência amar e procriar tem de mudar para a garantia do direito de elas fazerem amor, amar e ser amadas; por fim, nossa fala, enquanto profissionais da educação, da saúde, do trabalho, etc., tem de mudar para extirpar pela raiz a falsa crença que temos no "empowerment" das pessoas com limitação sensorial, mental, física, cerebral ou múltipla, uma vez que somos, por obrigação, promotores e mensageiros da plena dignidade dessas pessoas.

Agindo, na prática ou no discurso, consciente ou inconscientemente, contrários a esses preceitos, seremos eternos responsáveis pela evasão da condição de ser humano, digno e cidadão, de pessoas que não requerem nada mais que nosso reconhecimento e respeito a seus direitos básicos de seres humanos como nós mesmos.

Então, para que nossas falas ditas não sejam emissárias do estigma e preconceito historicamente produzidos contra as muitas pessoas em vulnerabilidade e desvantagem social, por vias não ditas, é imperioso que exercitemos a full inclusion, não como um conceito teórico dos livros e leis de papel, mas como uma prática diária, onde agir é respeitar o "ser" humano de cada um e de TODOS, nas suas idiossincrasias e nas suas características gerais de simplesmente cidadãos dignos e humanos.

Bibliografia

BUSCAGLIA, L. F. Os deficientes e seus pais. Trad. Raquel Mendes. 3.ª ed. Rio de Janeiro: Editora Record, 1997.

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Autores

Francisco J. Lima é Professor adjunto da UFPE- Centro de Educação - limafj@usp.br

Rosângela A. Ferreira Lima é Professora adjunta da UFPE - Centro de Artes e Comunicação -raflim@ig.com.br

Therezinha M. J. M. Moura é especialista em Educação Especial pela UFPE, professora da ESCOLA ESPECIAL INSTITUTO DE CEGOS - therezinhamoura@bol.com.br

Fonte: Lista de e-mails - São Paulo - SP, 13/06/2011 - Imagem Internet